Xadrez Verbal #461 Trump vai à China
Também comentamos as expectativas para a viagem de Trump à China, além de observamos o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio.
Por fim, demos aquele tradicional pião pela nossa quebrada latino-americana, com destaque para a crise diplomática entre México e Madri, em meio a visita de Isabel Díaz Ayuso ao país norte-americano.
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- Repatriamento de FósseisAline Ghilardi · Irritator · Ubirajara · Colonialismo científico · Museu de História Natural de Stuttgart · Bacia do Araripe
- China e Estados UnidosTrump na China · Donald Trump e a NASA · Guerra no Irã · Comércio China-EUA · Terras raras · Taiwan · Ucrânia
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Central 3. Começa agora o Xadrez Verbal.
Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3. Está começando mais uma edição do Xadrez Verbal, a sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Meu nome é Matias Pinto e, como sempre, estou ao lado dele. Meu amigo e companheiro, Felipe Nobre Figueiredo, o homem por trás do tabuleiro.
Olá, meu caro Matias, olá a todos os nossos ouvintes, todo mundo que nos ouve, nos divulga, nos prestigia, nos tolera, nos ama, nos deseja, diz que nos odeia, mas eu nos tiro do ouvido, chegando aqui a edição de número 461 do Xadrez Herbal. E a gente vai começar esse programa, tá gente, com três recados.
Um deles, a gente avisar que estamos gravando esse programa no dia 13 de maio e que na próxima semana nós não teremos programa. É a semana em que eu estarei no Timor-Leste, é uma viagem que eu tenho comentado aqui já tem algum tempo aqui no programa, e tanto por conta das minhas atividades lá.
quanto por conta da conexão, porque a empresa que eu uso quando eu viajo não tem cobertura no Timor-Leste. Então vai ficar dependente, eu não sei como é que estará a conexão lá e tal. E também por conta da agenda da viagem, aí fica mais confortável nós retomarmos o programa na semana seguinte. Esse é o primeiro recado.
O segundo recado, Matias, é que você não é bem-vindo na barreira do Havaí, brincando, porque alguns dos nossos ouvintes de Florianópolis comentaram que teve uma pequena câimbra mental, que você mencionou que o nome Florianópolis foi imposto depois da revolta da Armada, mas foi a revolta federalista, foi só uma confusão, uma câimbra mental.
Mas elas foram concomitantes, faz parte do mesmo contexto histórico. Pois é, então tem essa... Mas a barreira do Havaí, não quero mais você. E finalmente, a gente vai deixar a brincadeira do ônibus e demais recados dos ouvintes para o final do programa, tá?
porque nesse início de programa a gente gostaria de mandar um abraço, mandar nossa solidariedade a todos os amigos e familiares da nossa amiga e ouvinte Paola Costa. A gente se encontrou algumas vezes aqui em São Paulo, ela que era gremista.
falando de algo que nos envolve também, ela trabalhou com o Normose, ela administrou a página Camarote da CPI, ela teve um papel muito grande durante as denúncias da CPI da Covid, um papel importantíssimo, e infelizmente, essa semana, no último dia 10 de maio, ela faleceu com apenas 38 anos de idade,
E nós gostaríamos de dedicar esse programa à memória da Paola, mandar um abraço a todos os familiares, todos os amigos dela, todos os nossos amigos em comum. Foi uma notícia que pegou, deixou todo mundo desnorteado.
Então, a gente manda um abraço a todos eles e a Paola vai fazer muita falta. Então, por isso a gente deixa toda a nossa introdução habitual de lado e para o fim do programa. Bem, passemos agora para o primeiro bloco do Giro de Notícias. Giro de Notícias
Notícia da quinta-feira da semana passada, dia 7 de maio. China condena dois ex-ministros da defesa à morte com suspensão condicional da pena.
Fengbe e o sucessor dele, o Li Changfu, eles foram condenados por terem aceitado subornos e terem realizado favorecimento político no cargo, e eles foram condenados à morte com a suspensão de dois anos de pena, como você mencionou, Matias, porém sem possibilidade condicional. O que isso quer dizer, então? Que se pelos próximos dois anos eles tiverem bom comportamento...
a pena será automaticamente convertida à prisão perpétua. Porém, como eu mencionei, sem condicional. O que tem essa possibilidade de suspenso nesses dois anos é a pena capital.
também segundo a agência Xinhua, eles perderam todos os seus direitos políticos também de forma perpétua. Lembrando que quando nós tivemos essas trocas no Ministério da Defesa, especialmente ali em 2023, nós comentamos aqui que aparentava ser uma reorientação.
do Ministério da Defesa Chinês. Até porque naquele momento não se tratava de nenhum desses dois indivíduos, mas pela primeira vez a China, por exemplo, estava promovendo apostos mais altos integrantes da Marinha. Não pela primeira vez, mas em um volume inédito. Porém, aparentemente, essas mudanças foram revertidas. Existem analistas que comentam que existe um elemento político.
nessas decisões e nessas ações, ou seja, eventuais disputas internas de poder, inclusive ações movidas pelo Xi Jinping, ou seja, de trocar o comando militar do país. Tudo isso, obviamente, ainda é muito nebuloso.
especialmente em meios de comunicação fora do idioma chinês, ou seja, na imprensa internacional ainda é muito difícil você conseguir boas informações sobre esse cenário, a gente está tentando, vamos tentar fazer alguma coisa aqui sobre isso.
Ainda em notícias relacionadas à China, meu caro Matias, e depois a gente vai passar por outros países da Ásia e do Pacífico, mas dois homens foram condenados no Reino Unido por espionarem para a China. Eles espionariam pessoas de origem chinesa que vivem no Reino Unido e que seriam suspeitos de serem dissidentes, especialmente pessoas ligadas à oposição de Hong Kong.
Então, os dois foram condenados por prestarem assistência a um serviço estrangeiro de inteligência. Então, eles se tornam, inclusive, as primeiras pessoas na história britânica a serem condenados por espionagem pela China. Da China, meu caro Matias, vamos passar rapidamente pela Coreia do Sul, já que o ex-primeiro-ministro Hang Duk-so
Ele teve oito anos da sua pena por uma tentativa de golpe de Estado em 2024. Ele teve oito anos de sua pena diminuídos, porque a sua defesa...
conseguiu provar que ele não agiu, digamos, de forma ativa naquele plano do ex-presidente On Suk-ol, da lei marcial, ele simplesmente cumpriu, estava cumprindo ali o que ele era determinado e ele não tinha total consciência de tudo o que estava ocorrendo. Então ele não foi uma parte ativa do plano.
Então ele teve um desconto nessa pena. Já no Japão, meu caro Matias, tivemos uma pesquisa de opinião, e aí eu cito essa pesquisa de opinião por conta da discussão que nós tivemos nos últimos programas, sobre os protestos.
contra a proposta de mudança da Constituição pelo governo da Takaishi Sanai. E eu falei no programa, para os nossos ouvintes, que esses protestos precisavam ser colocados em ordem de escala, que, embora você tenha muitas pessoas se manifestando.
e que não seja um assunto completamente unânime na sociedade japonesa, você tem uma parcela razoável do eleitorado japonês que apoia a atual primeira-ministra. E nós tivemos uma pesquisa de opinião essa semana, meu caro Matias, em que a aprovação pública dela subiu.
E se trata da primeira vez que um governo japonês tem sua aprovação em alta na sua primeira avaliação, nas últimas décadas, basicamente. A última pessoa a conseguir foi o Abe Shinzo no início da sua carreira.
Então, é um fenômeno que eu achei interessante o suficiente para trazer para os nossos ouvintes. E não na Ásia, mas ainda no Pacífico, a gente passa rapidamente pela Austrália, já que no último dia 9 de maio...
Tivemos uma eleição especial para o distrito de Fahre, para o parlamento federal australiano, e o eleito por esse distrito foi o David Farley. O distrito é Fahre.
E o eleito foi o David Farley. E por que isso é importante? Porque ele se torna, então, agora o primeiro deputado do partido One Nation, que é o novo partido de uma direita nacionalista, que flerta com a extrema direita, que propõe políticas extremamente autoritárias em questões migratórias, e agora terá o seu primeiro deputado.
Notícia da sexta-feira da semana passada, dia 8 de maio. Dois ataques no Mali deixam mais de 30 mortos. A situação no Mali continua tensa. Esses dois ataques que você mencionou, meu caro Matias, foram reivindicados por grupos ligados à Al-Qaeda.
que inclui uma das principais frentes contra a junta militar do Mali. E nessa semana nós também tivemos algumas pequenas escaramuças e também tivemos uma manifestação na capital para fornecer apoio à junta militar.
O fato é que hoje o governo militar do Mali, como a gente mencionou duas semanas atrás, ele não controla pelo menos um terço, a metade do território do país. Então, uma parte é controlada pelos rebeldes Tuaregs, que talvez tenham apoio francês, vamos falar um pouquinho da França agora. Outra parte é controlada pelos jihadistas ligados à Al-Qaeda.
Já no Sudão, mais um líder das forças de apoio rápido, mais um comandante das milícias Janjauid desertou do grupo. Então se trata da segunda deserção de uma figura proeminente em basicamente 40, 45 dias. No caso estamos falando do Ali Rizk.
também conhecido como Al-Savana, e ele disse que está fazendo isso como uma movimentação em direção à paz e à estabilidade. Já no Níger, a junta militar do país anunciou a suspensão das atividades de nove veículos de empresas franceses.
E aí, Matias, a gente tem explicado, tem tentado explicar aqui no programa nesses últimos anos, da presença francesa na África, especialmente no Sahel, e especialmente conectada aos países que foram parte do Império Colonial Francês. E dentre...
Esses nove veículos banidos estão a agência Franci Prece, a Franci 24, a RFI e a TV5, que são alguns bastante conhecidos e que muitos dos nossos ouvintes certamente já leram notícias desses veículos de imprensa, às vezes sem saber, especialmente da agência Franci Prece, que aí você tem a publicação por um veículo brasileiro traduzido em português. E falando em França...
O Emmanuel Macron, ele esteve no Quênia essa semana, ele organizou um evento, a Cúpula Franco-Africana, que contou com cerca de 30 chefes de Estado de Governo no Quênia. Lembrando que a União Africana tem 50 integrantes, então estamos falando de mais da metade das lideranças africanas. E essa Cúpula...
debateu investimentos, debateu questões de soberania, e o Carlos Mureti publicou um ensaio de Nairobi para o Guardian, muito interessante, que é a França tentando melhorar as suas relações com a África de maneira, inclusive, independente das relações com o seu antigo império colonial. Porque o Quênia é um país anglófono, o Quênia foi colônia britânica.
E alguns dos principais protagonistas, por assim dizer, dessa cúpula, não foram parte do Império Colonial francês. Então é a França tentando fazer um recálculo de rota, por assim dizer, independente dos laços do Império Colonial.
Só que o que acabou se tornando o símbolo desse evento, e muitos nossos ouvintes nos mandaram, foi o fato de que estava ocorrendo um painel chamado África em Frente, Criação em Movimento, que tinha no palco jovens empreendedores e produtores culturais africanos.
E muitas pessoas na plateia não estavam prestando muita atenção nos jovens. Estavam lá conversando entre si, estava tendo burburinho. E aí o Macron fez, que nem professor de escola fundamental, subiu ao palco, pediu microfone e deu uma bronca na galera. Falou, é impossível falar de cultura com pessoas tão incríveis vindo aqui, fazendo discurso com todo esse barulho. Isso é uma total falta de respeito.
E muitos ouvintes disseram que seria uma atitude própria do Michael Scott de Versalhes. Então, é uma atitude meio Michael Scott, mas no fundo acho que ele tem razão. Ele foi ali talvez para escudar os garotos. O Michael Scott tinha razão algumas vezes.
Ele tem um bom coração, o personagem Michael Scott, deixando bem claro, estamos falando do personagem do Steve Carell agora. E aí ele pediu para o pessoal, falou, olha só, se vocês quiserem conversar sobre o assunto, tem salas separadas aqui do lado. Então ele foi lá proteger os garotos que estavam no palco e muitos dos nossos ouvintes nos mandaram isso.
Notícia do sábado passado, dia 9 de maio. Líder da direita dinamarquesa é convidado a formar governo. Pois bem, algumas semanas atrás nós tivemos as eleições na Dinamarca. Nós comentamos que o Partido Social Democrata venceu, mas não levou, porque embora tenha continuado em primeiro, perdeu bancada, a Matt Frederiksen.
A primeira-ministra, inclusive, ela anunciou que faria parte das negociações para a nova coalizão, mas que ela renunciaria, que ela renunciava ao cargo de primeira-ministra. Foi o pior resultado social-democrata desde 1903, ou seja, mais de 120 anos.
E, como basicamente se desenhava, os sociais-democratas não conseguiram formar o governo. Então, agora, o rei da Dinamarca deu a tarefa ao Troels Lund Polsen, que é o vice-primeiro-ministro e que é o líder do Partido Conservador.
para que ele, então, o Venstre, que é o nome do Partido Conservador dinamarquês, que, na verdade, Venstre significa liberal, partido liberal, mas é um partido conservador, historicamente falando. Também é um partido antiquíssimo, um partido que remonta ao século XIX.
E agora, ele que terá a possibilidade, a tarefa de tentar formar uma coalizão, de tentar formar um governo. Então pode ser que o Partido Social Democrata tenha ficado em primeiro nas eleições, porém, vire ou parceiro júnior ou sequer esteja na coalizão de governo.
As autoridades dinamarquesas, meu caro Matias, eles têm descartado qualquer possibilidade de novas eleições, até porque a lei dinamarquesa é diferente nesse sentido, mas o parlamento dinamarquesa está bastante travado, bastante pulverizado. Agora, meu caro Matias, nós vamos falar de duas notícias sobre a Groenlândia. A primeira delas é que uma mulher groenlandesa, ela...
teve uma vitória na justiça nessa semana contra as autoridades dinamarquesas. O nome da mulher é Keira Alexandra Kronvold. E a filha dela, chamada Zami, foi tirada da custódia dela, depois, apenas duas horas depois do nascimento, e colocada em cuidados pelo Estado.
depois que ela foi submetida a um teste chamado FKU, que é um teste de competência parental, para ver se ela era, abro aspas, tá, meu caro Matias? Você vai ficar escandalizado com o que eu vou falar agora e espero que muitos ou menos também, para ver se ela era civilizada o suficiente. Vixe.
Porque, obviamente, é uma mulher de origem nativa groenlandesa. E o detalhe, meu caro Matias, é que esse caso foi em novembro de 2024. A gente não está falando do colonialismo no século XIX aqui, a gente está falando de uma coisa que aconteceu não tem nem dois anos.
E agora ela teve o ganho de causa na justiça por conta disso. E vamos lembrar que o governo dinamarquês baniu esse tipo de teste em pessoas nativas groenlandesas por conta, inclusive, do fato da atenção que a Groenlândia atraiu para si e para o tema do colonialismo na Groenlândia por conta da pressão do Donald Trump.
das declarações do Donald Trump de anexar a Groenlândia. Então, mesmo naquelas declarações agressivas, expansionistas e colonialistas dos Estados Unidos, a Dinamarca, na ânsia de querer demonstrar que é um país muito legal, que é um colonialismo, entre aspas, do bem na Groenlândia, acabou fazendo essas reformas. E...
Sobre esse assunto, meu caro Matias, a BBC publicou uma matéria essa semana dizendo que Groenlândia e Estados Unidos estariam em negociações para concretizar a expansão da presença militar dos Estados Unidos na Groenlândia. Lembrando que os Estados Unidos têm uma base militar na Groenlândia, que é uma base militar que faz parte hoje da Space Force, do Space Command, melhor dizendo.
Space Force é outra série do Steve Carell. Mas durante a Guerra Fria, nós tivemos quase duas dezenas de bases dos Estados Unidos na Groenlândia. Então, essas conversas estariam ocorrendo em segredo, em paralelo. Eu, se fosse das autoridades dinamarquesas, eu colocaria um elemento bem sacana nisso.
que é o fato de, olha só, a gente pode fazer esse acordo, mas ele tem que ser aprovado por plebiscito, pelos gruelandeses, para testar a opinião dos gruelandeses publicamente sobre a opinião deles dos Estados Unidos. E, meu caro Matias, a gente vai continuar na União Europeia, na próxima notícia que você vai chamar, mas antes disso, eu quero lembrar para os nossos ouvintes que hoje o xadrez herbal é parceiro da Você Europeu.
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As dancinhas no palco acabaram viralizando, especialmente ali de um assessor dele, acho que um futuro ministro, um novo ministro. Você me pegou desprevenido com essa referência. Mas tivemos o discurso de posse, muitas pessoas nas ruas em Budapeste.
e a bandeira da União Europeia sendo hasteada no parlamento húngaro depois de 12 anos, quando o Vitor Orbán havia determinado a retirada da bandeira, que por lei deveria estar lá, mas ele havia determinado a retirada por conta daquela ideia de que ele tinha que manter a aura de briga entre Hungria e União Europeia, mesmo a Hungria recebendo.
muito dinheiro da União Europeia. A gente sempre falou aqui, o governo urbano e o governo polonês eram como adolescentes, como jovens adultos, que reclamam dos pais, dizem que os pais não deixam ele fazer nada, mas não saem de casa e não abrem mão da mesada. E sugeri para os nossos ouvintes, meu caro Matias, uma matéria na Folha de São Paulo, do Gabriel Barnabé.
que fez uma comparação com 10 indicadores para a gente poder analisar a Hungria pré e pós-urbã. Então, indicadores de liberdade de imprensa, de inflação, do PIB, todo esse processo. E isso é uma espécie de complemento, acaba complementando um pouco o que a gente fez aqui no programa, o que a gente repercutiu aqui no programa, melhor dizendo.
porque a gente não fez aquela comparação naqueles momentos, a gente repercutiu, em que comparavam Hungria e Romênia. Então, por exemplo, na matéria da Folha de São Paulo, você tem um aumento do PIB húngaro. Só que, por exemplo, o quanto esse aumento do PIB húngaro se compara ao aumento do PIB de outros países da União Europeia, países em situação similar como a Romênia, e o que nós vimos foi que a Romênia, sem o Vitor Orbán, teve um desempenho muito melhor dentro da União Europeia, mesmo recebendo menos verbas.
E falando em Hungria, meu caro Matias, a Polônia disse que espera que os Estados Unidos extraditem o ex-ministro Zbigniew Zyobro, que é procurado em Varsóvia por queixas criminais. Lembrando que ele foi ministro dos governos nacionalistas poloneses. Ele inicialmente havia fugido para a Hungria.
por conta do abrigo Vitor Orbán. Porém, agora que o Vitor Orbán não está mais no poder, ele foi para os Estados Unidos. Ele pode pegar até 25 anos de cana por abuso de autoridade. E as autoridades polonesas disseram que esperam que os Estados Unidos extraditem ele para a Polônia.
E aí a gente aproveita e fala das relações Estados Unidos e Europa, já que essa semana o Marco Rubio visitou o Papa Leão XIV. Nós havíamos comentado no programa passado que a visita confirmada
era com o líder da diplomacia da Santa Sé, porém agora ele também se encontrou com o Papa Leão XIV, o Papa peruano Leão XIV. O Marco Rubio ficou cerca de duas horas e meia no Vaticano, no total, não duas horas e meia com o Papa. Com o Papa a audiência foi de cerca de 45 minutos.
falaram do compromisso mútuo com a paz e a dignidade humana. Então, assim, uma conversa bem... Pelo menos a parte pública dela foi bem para cima, bem amena. Ele aproveitou a viagem, o Marco Rubio, para se encontrar com a Giorgia Meloni, a primeira ministra da Itália, na sexta-feira, dia 8, conversando sobre as relações entre os dois países. Lembrando que, recentemente, o governo italiano anunciou
que suspenderia a cooperação militar com Israel, e aí o Donald Trump criticou bastante ela, tivemos ali alguns choques por conta disso, também tivemos algumas outras declarações sobre as guerras em geral, também discordância sobre a Rússia, e se encontraram.
E o Donald Trump disse essa semana que ele quer que a União Europeia ratifique o acordo comercial estabelecido entre Estados Unidos e União Europeia no ano passado na Escócia até o dia 4 de julho. Por quê? Porque ele quer usar isso como parte...
das comemorações dos 250 anos de independência dos Estados Unidos. Lembrando que o acordo que foi anunciado, os termos que foram anunciados na Escócia no passado, são péssimos para a União Europeia. Porém, como muitos...
desses anúncios que a gente comentou aqui no xadrez herbal, as lideranças vão lá, chegam na frente do Trump, anunciam o número mágico que ele quer ouvir, pode ser às vezes 600 bilhões de dólares, pode ser às vezes 1 trilhão de dólares, e depois não assinam nada. Porém, agora o dono de Trump está cobrando ali uma ratificação do que foi acordado. E, meu caro Matias, para a gente fechar esse primeiro giro de notícias,
foi descoberto um quadro do artista neerlandês Tom Kelder, o quadro se chama Retrato de uma Jovem Menina.
e ele foi descoberto na casa dos descendentes do Hendrik Seifard. E por que essa notícia é interessante? Porque a gente está falando disso. Esse Hendrik Seifard foi um general neerlandês.
que durante a ocupação nazista dos Países Baixos, ele virou a casaca e se tornou o general da Legião dos Voluntários Neirlandeses das SS.
ou seja, uma das principais unidades da Alemanha nazista. E esse quadro foi saqueado pelos nazistas de um colecionador judeu de arte. E esse quadro está na casa dos descendentes desse homem, esse homem que foi morto pela resistência neerlandesa em 1943. Então essa notícia é interessante, meu caro Matias, para mostrar que em 2026, que é isso.
Nós não apenas ainda temos consequências diretas do nazismo por aí, mas é para lembrar ao nosso ouvinte que muitas famílias, muita gente, muitas pessoas de destaque na sociedade, muitas pessoas ordeiras e garbosas,
se beneficiaram diretamente do nazismo, do fascismo, da escravidão, e estão aí, e nada aconteceu com eles. A obra de arte que tinha sido saqueada de um colecionador judeu, que, enfim, não sei o que aconteceu com esse colecionador como pessoa, mas vamos lembrar que nós tivemos um genocídio de 6 milhões de judeus cometidos pelos nazistas, dentre os outros genocídios cometidos pelos nazistas.
Essa obra de arte estava lá, na parede da família. Entendeu? Como se nada tivesse acontecido. Então, um integrante da família, uma neta desse homem, acabou decidindo, por vergonha, entrar em contato com as autoridades e com a imprensa. E que ela tem que ficar no anonimato. Pelo menos, eu digo que ela tem que ficar no anonimato porque eu não encontrei o nome dessa neta dele em lugar nenhum.
porque provavelmente a família não gostou dessa decisão. Então é um ótimo lembrete para as pessoas que quando se fala de nazismo, de fascismo, de escravidão, não são coisas que estão perdidas num passado longinho. Não, estão aí ainda na parede da família que às vezes alguém visitou sem nem saber direito do que se tratava e falou, nossa, que quadro bonito você tem, nossa, vocês têm um ótimo gosto para a arte, vocês são tão bacanas, tão legais, e a origem desse quadro está aí.
Bem, vocês ficam agora com a coluna aberta na qual Felipe entrevistará a paleontóloga Aline Guilardi sobre o repatriamento de fósseis brasileiros.
É tempo de Copa do Mundo e a Central 3 chega com um podcast narrativo com histórias da seleção brasileira. É o Amarela Ouro. Personagens do passado, debates do presente e uma viagem por causos do maior time de futebol da história. Amarela Ouro, semanalmente no seu tocador. Uma produção Central 3. Faz bebê! Faz bebê! Faz bebê!
Coluna aberta.
Pessoal, temos o prazer de receber nossa amiga Aline Guilardi, bióloga, paleontóloga e divulgadora científica, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Aline, recentemente o governo alemão anunciou que o fóssil Irritator será devolvido ao Brasil. Mas, antes de falarmos disso, nos conte um pouco de você e da sua carreira. O que te levou à paleontologia e ao trabalho com dinossauros? Como foi a sua carreira até aqui?
Oi, Felipe. Primeiro, eu queria agradecer muito pelo convite e dizer que eu fico muito feliz em estar aqui falando com você de novo e com os ouvintes do Xadrez Verbal. Bom, como você disse, eu sou bióloga de formação, eu sou especializada na área de paleontologia. Eu fiz o meu mestrado lá na Universidade Federal de São Carlos, um alô para o pessoal do UFSCar, e fiz o meu doutorado na UFRJ, no Rio de Janeiro.
Hoje eu sou professora aqui na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde eu coordeno o DINOLAB no departamento de geologia aqui da instituição. Eu trabalho principalmente com fósseis aqui do Nordeste Brasileiro, tá? Especialmente com paleontologia de vertebrados e paleoiknologia, que basicamente é um nome complicado que a gente dá para a ciência que estuda os traços fósseis, incluindo as pegadas fossilizadas.
Agora, meu foco principal são os dinossauros. Eu sou apaixonada por eles, como vocês acham que vão ver ao longo dessa minha fala, mas eu também estudo temas ligados à preservação de patrimônio paleontológico e colonialismo científico. Eu acho que é o que a gente vai bater o papo hoje. No tempo que sobra, eu me esforço para fazer divulgação científica junto com o meu companheiro de vida, meu esposo Tito, que também é paleontólogo, lá pelo canal Colecionadores de Ossos. Quem quiser conhecer o nosso trabalho de divulgação está super convidado.
Você me perguntou aqui, agora, o que me levou a trabalhar com paleontologia. Isso sempre toca um lado muito emocional o nosso, né? A paleontologia, pra ser sincera, ela sempre me atraiu desde muito pequena. E foi justamente por causa dos dinossauros. Eu sou apaixonada por eles, não vou negar.
Mas eu sempre fui fascinada não só por eles, como por diversos outros animais pré-históricos. E é claro que os filmes e documentários lá da década de 1990, dos anos 2000, para quem cresceu nessa época, eu acho que vai se reconhecer aí comigo, eles contribuíram bastante para que eu desenvolvesse então essa paixão por vida pré-histórica, dinossauros e tudo mais.
Agora, mais madura, eu decidi me especializar em paleontologia. Eu acho que é porque essa é uma área que junta várias coisas que eu gosto muito ao mesmo tempo, Felipe. Temos de biologia, né? Evolução, geologia. Principalmente essa ideia de tempo profundo, da gente tentar imaginar outros planetas-terras, outros momentos do nosso planeta que não existem mais. Tudo isso me excita muito.
E eu acho que o mais empolgante talvez seja essa história do trabalho de detetive inerente da nossa profissão paleontólogo. Então, buscar pistas nas rochas e nos fósseis para resolver problemas, tudo isso para mim é extremamente atraente, extremamente fascinante. E para fechar a sua última pergunta, dando um panorama da minha...
minha carreira, como é que eu vim parar aqui no Rio Grande do Norte, né, se a minha formação foi lá pelo sudeste. Então, ao longo aí da minha trajetória, eu fui me aproximando cada vez mais do nordeste, né, muitos dos meus trabalhos eram realizados aqui, casei com um nordestino, vim morar pra cá, e é inegável que essa região, ela tem um patrimônio paleontológico absolutamente extraordinário, e tem vários lugares incríveis pra quem trabalha, né, com fósseis.
Agora, muito desse patrimônio que é encontrado aqui, muitas vezes ele é retirado aqui do território de origem para ser estudado fora, fora da região, fora do país, sem o protagonismo das instituições locais aqui, sem ajudar a desenvolver a região. Então, eu acho que a minha carreira acabou se construindo.
com tudo isso aí, em duas grandes frentes, que eu acho que hoje são inseparáveis, tá? Que é fazer ciência sobre os fósseis e discutir todas essas questões éticas, políticas e sociais que envolvem os fósseis, que envolvem como a nossa ciência é feita.
Para fechar, uma frase de efeito, para mim eu acho que fóssil não é só um dado científico, Felipe, e também a ciência não é feita no vácuo. O fóssil, para mim, é um patrimônio público, natural, cultural, é memória da Terra, é parte da história de um território.
Antes do caso Irritator, nós tivemos o caso do fóssil Ubirajara, que foi repatriado pela Alemanha em 2023 e repercutimos aqui na época. O que você acha importante a gente saber sobre o caso do Ubirajara e o que serviu de base para o caso do Irritator?
O caso do Birajara foi um divisor de águas, assim, para a gente aqui do Brasil em termos de restituição, de discussões de restituição. Ele mostra, ele mostrou, na verdade, que essa discussão, que antes estava bastante restrita aos bastidores do ambiente acadêmico, aos corredores das universidades e ambientes de discussão científica agora,
ele podia começar a ganhar uma dimensão mais pública, incluindo uma dimensão diplomática, uma dimensão política. Mas eu acho que cabe, talvez, um pequeno contexto para quem não sabe quem é o Birajara. O Birajara é um fóssil brasileiro da Bacia do Araripe, ele é um dinossauro, que foi descrito em 2020, em dezembro de 2020, em um artigo científico que foi publicado exclusivamente por pesquisadores estrangeiros.
esse fóssil, a gente tem fortes argumentos que apontam que a remoção dele aqui do Brasil foi absolutamente legal, e assim ele foi parar em um museu lá na Alemanha, o Museu de Karlsruhe. Na época da publicação do artigo, rolou uma reação muito grande, não só por parte dos cientistas, também pública, eu vou explicar já já sobre isso.
especialmente porque aqui no Brasil a gente tem uma legislação bastante específica sobre os fósseis e também porque acabou ficando comprovado que os pesquisadores que publicaram esse artigo aí agiram de má fé quando eles forneceram algumas informações ali sobre como eles teriam adquirido o fóssil, apresentaram um documento que não conduzia, enfim.
E para quem não sabe, os fósseis brasileiros têm essa legislação específica, eles não podem ser comercializados. E tem regras bem específicas, até certo ponto bem claras, sobre quem é que pode, como é que se deve coletar e estudar eles, entre outras coisas. Então, depois dessa publicação do Mirajara, em 2020...
começou na internet, organizado por mim e por outros divulgadores científicos, uma campanha, a gente iniciou uma campanha, chamada O Birajara Pertence ao Brasil. Na verdade, ela estava reunida sob uma hashtag em língua inglesa, para chamar a atenção internacional, que era a hashtag O Birajara Belongs to BR.
Essa campanha foi uma mobilização pública que teve grande impacto na discussão e posterior repatriação ou restituição do Birajara. Restituição seria o termo mais correto. E essa história toda mostrou que a mobilização pública importa muito nessas discussões. Não foi só uma hashtag.
Foi, na verdade, uma grande pressão coletiva que envolveu cientistas, estudantes, divulgadores, artistas, juristas, jornalistas, enfim, diversos membros da sociedade civil. E isso aí ajudou a transformar um problema que antes era tratado ali como uma polêmica acadêmica numa questão nacional, de discussão nacional.
Para vocês entenderem a importância disso, a campanha chegou a ser estudada como um caso bem sucedido de ativismo digital contra práticas neocoloniais na paleontologia. Isso é muito importante e foi BR. E respondendo diretamente a sua pergunta, depois desse contexto, eu percebo sim com bastante clareza que esse caso do Birajara, Felipe, abriu caminho.
nessa história de agora. Não só para o Irritator, mas também para vários outros casos de restituição que aconteceram dali desde o Birajara, incluindo de coisas não fósseis, incluindo, por exemplo, a discussão da restituição do manto Tupinambá, entre outras.
A história do Birajara, com a grande campanha ali que publicizou a problemática em volta desse tema, a gente conseguiu atrair atenção para que mais restituições acontecessem, e de fato aconteceram.
Eu percebo que o Birajara ajudou em alguns pontos importantes. Primeiro, é importante citar que ele cria ali um precedente político. Segundo, ele mostra que a gente tinha base tanto jurídica quanto ética para exigir que essas restituições acontecessem.
E o terceiro, ele fez com que museus, com que revistas científicas e governos começassem a perceber alguma coisa que a comunidade científica brasileira já vinha apontando e que agora ganhava um forte suporte do público em geral, né? Então, passou a ter um apoio significativo de uma quantidade muito significativa de pessoas do público geral que não estava mais disposta a aceitar.
esse tipo de prática em silêncio. Então, sim, eu enxergo que o Birajara teve uma importância muito grande, não só no caso do Irritator, que a gente está discutindo agora, mas no caso de outras restituições. Falando do caso atual, qual o histórico do Irritator? Como ele foi parar na Alemanha? Inclusive, o próprio nome dele tem ligação com essa questão, né?
O Irritator é um dinossauro carnívoro de um grupo de dinossauros que a gente conhece como Spinosaurídeos. Ele é primo daquele dinossauro famoso, o Spinosauro, que ficou famoso justamente por causa dos filmes da franquia Jurassic Park. Então, talvez alguns de vocês que estão ouvindo a gente aí conheçam. Só que o Irritator era bem menor do que o Spinosauro. Ele tinha cerca de 5 metros de comprimento.
de forma parecida com o espinossauro, ele andava em duas patas, e ele tinha um focinho bem alongado que ele usava principalmente para capturar peixes. Enquanto o espinossauro viveu lá no continente africano, o irritator viveu aqui no Nordeste Brasileiro, numa região conhecida como Bacia do Araripe, que fica ali entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, há mais ou menos 110 milhões de anos atrás. Isso é na primeira metade do período Cretáceo.
O irritator é conhecido hoje por um crânio quase completo, não é um crânio completo, mas bastante completo, que falta só uma parte ali do focinho. Esse crânio, inclusive, é importante dizer que é um dos crânios mais completos de espinossauridos já encontrados.
Os espinossauros são dinossauros relativamente raros, os fósseis deles são raríssimos, na verdade, globalmente, e essa é uma das questões que torna o fóssil do Irritator tão especial, e por isso ele foi tão celebrado e é tão famoso por ser considerado um fóssil excepcional desse grupo, que ajudou a esclarecer várias questões sobre essa linhagem inteira de dinossauros. Agora, sobre como é que o Irritator foi parar na Alemanha.
atualmente o Irritator ele está no Museu de História Natural de Stuttgart lá na Alemanha e ele está lá desde que ele foi comprado no início da década de 90 a gente não sabe o ano ao certo mas a gente tem uma forte ideia de que ele saiu entre 1990 e 1991 porque isso estava escrito na etiqueta do fóssil lá na coleção do museu
Agora tem um problema, que os fósseis brasileiros são protegidos pela nossa legislação desde 1942, o que significa que a saída desse material do país, muito provavelmente, se deu em condições irregulares. Então, desde 1990, a gente também tem uma regulamentação do então Ministério de Ciência e Tecnologia.
que dizia como é que fósseis brasileiros poderiam ser estudados por estrangeiros e, em caso de estudo por estrangeiro necessitando a exportação desses materiais, como é que isso deveria proceder. Então, essa nossa legislação exige, por exemplo, para que grupos estrangeiros consigam estudar esses materiais brasileiros, eles tenham parceria com uma instituição brasileira, que vai ajudar, inclusive, na...
emissão de autorizações para essa entidade, para esse grupo estrangeiro, né, que tem interesse em estudar fósseis do Brasil, depois de ter essas autorizações adequadas, as quais esses cientistas, né, que descreveram o Irritator não tinham, esse fóssil, quando ele é descrito e designado como uma nova espécie,
e lá fora do Brasil, ele é obrigado a ser retornado de acordo com a nossa legislação. Porque entende-se que esses fósseis que designam novas espécies, eles são muito importantes e por serem espécimes muito importantes, o país tem interesse em mantê-los no próprio território. Enfim.
então o fóssil, a gente tem excelentes indícios e fortes argumentos que esse fóssil saiu de maneira irregular e certamente que ele está de maneira irregular lá fora agora sobre o nome Hittato você me perguntou e é uma provocação legal porque o nome desse animal eu acho que é uma história meio tragicômica
Quando os pesquisadores que descreveram o irritato estudaram o crânio, lá na década de 1990, eles perceberam que o crânio tinha sido modificado, tinha sido adulterado. Tinha umas partes que estavam preenchidas com massa, outras que estavam alteradas. E isso muito provavelmente aconteceu pelos traficantes de fósseis ali, que estavam tentando aumentar o valor comercial da peça. Então, enganar um bobo.
para conseguir mais dinheiro. E funcionou, né? Quando você fala de um material de dinossauro, isso atrai muita atenção, e cientista de fora, museu de fora, fica louco para comprar esse material.
Só que quando estavam estudando material e eles perceberam isso, isso causou uma irritação muito grande nesses pesquisadores estrangeiros e foi exatamente por isso que o bicho recebeu o nome Irritator, que significa o irritador. Já ali o epíteto específico, né, Challengeri, então o nome completo da espécie, o gênero é Irritator, o epíteto específico é Challengeri.
A Challenger é uma homenagem, esse epíteto, ao professor Challenger. Para quem leu o Mundo Perdido de Arthur Conan Doyle vai lembrar. Que é um personagem ali, um professor que lidera a expedição nessa história ficcional. Então é um pouco surreal, para mim pelo menos, imaginar que o cara vai lá.
Compre o fóssil de um país que tem leis que proíbem isso, e eles sabiam disso, não podem alegar aí presunção de inocência, eles sabiam disso, inclusive um dos autores chegou a escrever um artigo falando que tinha que quebrar as leis brasileiras para estudar os fósseis daqui, incentivando os colegas a quebrarem a lei brasileira.
Enfim, o que eu quero dizer é assim, o cara vai lá, compra um fóssil brasileiro sabendo que tem lei que proíbe isso e ainda se sente no direito de ficar irritado porque o fóssil foi adulterado. Sério? Pois eu espero hoje que eles estejam bem irritados porque eles vão ter que devolver o fóssil.
Mas, brincadeira à parte, Felipe, a história desse fóssil, eu acho que ela mostra um problema que nem todo mundo se atenta quando a gente fala sobre essa questão do comércio de fósseis. Tem gente que, inclusive, apoia a comercialização de fósseis. Mas é muito comum, nesse universo aí, que os fósseis sejam modificados e adulterados para aumentar o valor comercial, para alterar o seu valor comercial, para que os vendedores consigam ter preços melhores ali na hora de comercializar esses fósseis.
Só que quando isso acontece, eles perdem informação científica. E isso acaba prejudicando muito a ciência, não preciso nem explicar em mais detalhes.
Esses dois casos são enquadrados no colonialismo científico, quando fósseis, artefatos arqueológicos, são coletados mundo afora por países ricos, muitas vezes ilegalmente ou pilhados pela força. A gente tem vários exemplos, com repercussão política, como a presença dos mármores de Elgin gregos no British Museum. Como você define para a nossa audiência, Aline, o que é colonialismo científico e como ele afeta o trabalho dos cientistas brasileiros?
Quando a gente fala sobre colonialismo científico, a gente não fala só daquele colonialismo que a gente estuda na escola ali, de impérios, colônias. A gente está falando de uma lógica que continua operando hoje em várias esferas da nossa sociedade, inclusive na ciência. Uma assimetria de poder. Então, falar sobre colonialismo é falar sobre assimetria de poder. E essa assimetria de poder existe e persiste na ciência.
especialmente em algumas ciências. Essas ciências mais históricas, materiais, as ciências biológicas, a zoologia, a botânica, a paleontologia, a arqueologia, elas sofrem muito com essa simetria de poder dentro da ciência, dentro desse âmbito que a gente chama de colonialismo científico. Então, o que acontece? Países ricos e lá as suas instituições, nesse contexto, elas se sentem no direito e não se sentem no direito.
de retirar, de comprar, de estudar materiais de países mais pobres, geralmente do sul global, frequentemente sem respeitar as leis locais, porque eles se sentem nesse direito, sem incluir pesquisadores desses países, sem...
devolver benefícios, sejam científicos, culturais ou econômicos, inclusive para as comunidades de origem desses materiais, desses dados. Então existe aí uma simetria que vai se perpetuando ao longo do tempo, que basicamente é quem já tem poder, acaba concentrando mais poder, porque tem mais dinheiro, mais acesso a dado, mais acesso a informação, mais prestígio, o que dá mais acesso a esses dados, a essas coletas, aos financiamentos.
E assim esse ciclo vai se perpetuando. Na paleontologia isso é bastante visível porque os fósseis são objetos físicos. Então os fósseis saem fisicamente de um território e vão parar lá em museus estrangeiros.
E acabam sendo descritos, então, lá em artigos internacionais, que vão gerar prestígio acadêmico para aqueles pesquisadores, que vão gerar vantagens na carreira desses pesquisadores, que vão atrair financiamento para esses pesquisadores, que vão atrair para os museus onde esses fósseis estão visitas e dinheiro, para, inclusive, melhorar a infraestrutura desses museus que guardam esses fósseis.
Mas as pessoas do lugar de onde esse fóssil saiu, muitas vezes, nunca vão chegar a ver esse fóssil. Isso é o colonialismo científico na prática. E isso afeta diretamente os cientistas brasileiros. Afeta tanto no acesso ao material, na possibilidade de a gente formar estudante, na possibilidade de a gente produzir ciência de ponta aqui no Brasil, porque os melhores materiais acabam saindo daqui.
Na possibilidade de a gente construir museus fortes, bons museus. Na possibilidade de desenvolver turismo científico, de fortalecer, por exemplo, relações entre as comunidades locais, com o seu patrimônio, com os pesquisadores locais. Para a gente fazer ciência boa, a gente precisa ver fisicamente os fósseis. Para a gente fazer uma paleontologia de qualidade, a gente precisa acessar esses materiais, ver para descrever eles adequadamente. Agora, você acha que é igualmente fácil?
Para um pesquisador, como é hoje para um pesquisador europeu e norte-americano vir aqui ao Brasil e ver um fóssil, você acha que é tão fácil igual para um pesquisador brasileiro ir para lá, para a Europa ou para a América do Norte, visitar um material que está por lá?
Quero que todo mundo reflita um pouquinho na diferença de câmbio, na dificuldade para conseguir visto e nos outros problemas, na xenofobia, racismo e outros tipos de dificuldade. Então tem um ponto importante aí, o colonialismo científico, ele impacta a ciência de alguma forma. Aqui no Brasil a gente passa a não conseguir produzir ciência de ponta e vai sempre ficar à sombra desses pesquisadores que por terem mais acesso a recurso, eles vão ter mais acesso a materiais.
e vão perpetuar o ciclo de prestígio. Colonialismo científico, é importante dizer, distorce o conhecimento científico sob outra ótica também. Então, se os fósseis brasileiros estão lá espalhados nessas coleções estrangeiras, muitas vezes adulterados, modificados...
sem uma documentação adequada de onde é que eles foram coletados, ou inclusive dados falsos para aumentar o valor comercial, sem dados precisos da exata camada geológica onde ele foi coletado, o que pode gerar imprecisão na interpretação dele. Ou até, muitas vezes, totalmente inacessíveis em coleções privadas, onde a gente acaba perdendo completamente informação científica muito valiosa. Então, se a gente leva em consideração tudo isso aí, a ciência fica distorcida.
E o nosso grupo de pesquisa conseguiu demonstrar isso com dados quantitativos em uma série de trabalhos que a gente publicou recentemente, tá? Então, para quem tiver interesse, são vários trabalhos, mas eu sugiro especialmente a leitura de um dos nossos artigos, que ele é chamado Colonial History and Global Economics Distort Our Understanding of Deep Time Biodiversity. A gente publicou esse artigo na revista Nature, Ecology and Evolution, e desde então...
pesquisadores no mundo todo, em diferentes territórios, têm replicado nossa metodologia e encontrado que essa distorção histórica causada pelo colonialismo, que se reflete dentro da esfera científica, está gerando uma percepção inacurada sobre a história da vida no tempo profundo. Isso é muito louco.
Além do trabalho e pressão dos cientistas, houve também um trabalho jurídico nesse processo, certo? Como é isso? E a gente aproveita e manda um beijo para a nossa amiga Letícia Hertel. Sim, teve um trabalho jurídico super importante. E aí eu mesma quero mandar um beijo enorme para a Letícia, porque justamente ela ajudou bastante nessa frente, ajudou muito nessa frente. A real é que ela esteve na linha de frente da batalha o tempo todo, apesar do nome dela nem sempre aparecer.
Todo esse processo, toda essa discussão, ela exige várias vezes a gente traduzir a indignação que a gente está sentindo como povo brasileiro, a indignação científica que a gente está sentindo, essa indignação ética que a gente está sentindo, para uma linguagem mais jurídica, para uma linguagem institucional. E é aí que a gente cientista não consegue lidar, porque a gente não está acostumado com isso.
E a legislação brasileira, apesar dela deixar claro em vários pontos, algumas questões fundamentais que eu já falei aqui, em outros pontos talvez ela não seja tão clara. E aí a gente precisa da presença desses colegas juristas para ajudar a gente a entender isso.
Então, alguns pontos que são claros, por exemplo, eu já falei, desde 1942, os fósseis no Brasil são considerados patrimônios da União, e os sítios paleontológicos, em 1988, com a nossa Constituição, passam a ser considerados patrimônio cultural da União.
Depois a gente também tem um outro instrumento ali, uma regulamentação pelo Ministério de Ciência e Tecnologia de 1990, que vai regular as atividades de coleta de matérias científicas por estrangeiros, exigindo lá autorizações, que eu já mencionei algumas para vocês, participação de instituições brasileiras, blá blá blá, entre outras coisas. Então essa é a parte que é mais fácil de entender.
pormenores do linguajar jurídico que às vezes não ficam claros e são utilizados como brechas legais por essas pessoas que estão lá fora que estão cometendo irregularidades para tentar manter esses materiais por lá.
Então, uma coisa que a gente aprendeu é que não basta, eu acho que um gringo dizer assim, ah, o fóssil está bem cuidado aqui, ah, ele foi comprado por um museu, está tudo bem. A gente tem uma série de perguntas anteriores que os juristas ajudam a gente a elaborar. Então, esse fóssil podia ter sido vendido? Ele podia ter saído do Brasil? Tinha autorização correta? Tinha uma instituição brasileira envolvida?
Tinha documentação? Quem forneceu a documentação? Então, o papel do trabalho jurídico é justamente ajudar a fazer as perguntas corretas nessas disputas internacionais, para que pessoas mal intencionadas, países mal intencionados, não usem de brechas legais para manipular o discurso.
E esses juristas ajudam a gente a mostrar também que isso tudo não é uma birra. É uma discussão séria sobre propriedade pública, sobre legalidade, sobre soberania científica e também sobre responsabilidade institucional, porque a gente fala muito de museus. E o Itamaraty, qual foi o papel da diplomacia brasileira nesse repatriamento?
Olha, Felipe, chega um momento em que a demanda passa a não ser só acadêmica, só do público geral ali, ela passa a ser uma negociação entre estados, entre governos, museus, entre entidades federativas, estrangeiras, enfim.
No caso desses fósseis, a mobilização pública e científica, ela ajuda a provocar politicamente uma ação. Então, ajuda a apontar um caminho. O trabalho jurídico vem em seguida. Ele ajuda a mostrar que a gente tem base legal para a exigência que a gente está fazendo.
porque tem fundamento o que a gente está argumentando. Mas a diplomacia é um dos canais finais ali que vai permitir transformar tudo isso numa negociação concreta, num acordo, num processo logístico de retorno.
No caso do Irritator, o Itamaraty atuou na questão da elaboração dessa declaração conjunta entre Brasil e Alemanha, que é o documento que a gente tem até agora, que seria a comprovação do possível retorno desse fóssil.
Então, o que isso mostra para a gente? Isso mostra que o Temer deixou de ser tratado como uma reclamação nas redes, uma reclamação dos paleontólogos, vamos dizer assim, e passou a ser reconhecido como uma parte das relações formais entre esses dois países. Isso é muito importante.
Mas, ao mesmo tempo, eu acho muito importante dizer outra coisa. Que a diplomacia não surge assim do nada. Então, nenhum diplomata acorda num dia assim, preocupado com o espinossaurídeo do Araripe, que foi levado para a Alemanha. Primeiro que ele nem sabe o que é o espinossaurídeo. Dois, nem que fóssil é esse, nem que museu que está. Então, antes, há uma comunicação por parte de cientistas.
um apontamento de que isso é um problema, uma pressão social, uma pressão jornalística que mostra que isso importa, então a gente tem a ação diplomática. É muito importante dizer isso, porque na hora de celebrar a conquista, aparecem muitos atores dizendo, essa é uma conquista.
Minha, dele, dela, etc. Mas essa é uma conquista conjunta de muitas frentes trabalhando para reconhecer, apontar, identificar, quantificar, traduzir, fazer a pergunta correta, negociar até a logística do retorno.
Infelizmente, nós vemos comentários nas redes sociais, nas linhas de que um fóssil como esse não serve pra nada, que eles estarão melhor cuidados em um país rico. O que você acha que são as melhores respostas pra isso? E, aproveitando, já foi definido o futuro do Irritator? Ele ficará exposto ao público, por exemplo? Eu acho que tudo isso aí revela um...
nas primeiras perguntas, né? Tudo isso aí revela um problema maior, tá? Que é a dificuldade que muitas pessoas têm de reconhecer ciência, cultura e memória como bens públicos importantes para o desenvolvimento social e econômico de um país, inclusive.
Um fóssil serve para várias coisas. Ele serve, por exemplo, para entender a história da vida na Terra, a evolução, os ambientes no passado, as mudanças climáticas profundas que aconteceram no nosso planeta, a origem das espécies, a extinção dessas espécies. Serve para a gente formar estudantes, para a gente despertar vocações, sonhos.
serve para a gente rechear bons museus, para a gente oferecer educação científica, turismo, serve para gerar identidade territorial, orgulho, serve para muita coisa.
Agora, quando a gente passa a enfrentar esse argumento, essa ideia de que o fóssil estaria melhor cuidado lá fora, eu particularmente acho um argumento profundamente equivocado. Primeiro porque todos os países estão sujeitos a incêndio, guerra, enchente, corte de verba, má gestão, seja o que for.
Alguns exemplos recentes ainda devem estar bem frescos aí na cabeça do pessoal. O incêndio que aconteceu na Catedral de Notre Dame. A gente também teve o caso absolutamente escandaloso do roubo das joias da coroa lá no Louvre. Mostrando que nem as joias da coroa estavam seguras no Museu Europeu Pense.
e eu acho que vindo para o campo da paleontologia, o fóssil mais completo de um dinossauro espinossaurídeo, o mesmo grupo do Irritator, o fóssil mais completo de um dinossauro espinossaurídeo de todos os tempos foi justamente destruído no museu na Alemanha. Foi durante um bombardeio.
na última grande guerra. Bom, a Alemanha, vez por outra, decide entrar numa guerra, né? Enfim, e a gente está com guerras atualmente acontecendo ali em território europeu. Então, será que um fóssil estaria realmente, definitivamente mais seguro por lá?
O que eu estou tentando dizer é que tragédias acontecem em qualquer lugar. E a gente não pode usar tragédias que acontecem aqui no Brasil para justificar que a gente não merece cuidar do nosso próprio patrimônio. Isso é uma forma da gente transformar a desigualdade em justificativa para mais desigualdade. Não faz sentido.
eu acho que a resposta correta nesse caso para esses problemas de infraestrutura que de fato tem que preocupar a gente não é retirar o patrimônio aqui da gente, dos países pobres, é a gente aqui lutar por mais investimento nas nossas instituições, é a gente trabalhar para fortalecer os nossos museus, a gente visitar os nossos museus, tá galera?
é a gente formar equipes bem preparadas, é a gente trabalhar para melhorar as reservas técnicas, ter materiais melhores, ampliar o financiamento dos museus, trabalhar para a gente criar cooperações internacionais mais justas.
e eu acho que uma forma, eu acho não, a gente tem excelentes argumentos, excelentes evidências mostrando que uma forma de conseguir isso é tendo bons fósseis sendo mantidos aqui. Da onde estão saindo esses argumentos? Vou puxar o próprio caso do Birajara, desde a restituição do Birajara, o fóssil desde então ficou em exposição, lá em Santana do Cariri. Isso.
mas que triplicou as visitas ao museu, e isso trouxe investimento milionário no Museu de Santana para que ele melhorasse o seu expositivo, para que ele melhorasse a segurança da sua reserva técnica, para que ele implementasse mais políticas de inclusão, acessibilidade e tudo mais. Então, o Birajara, ele veio como um tapa na cara para todos aqueles que disseram que, ah, para que trazer esse material para cá? Para quê? O museu está melhorando, e a gente tem que continuar lutando para ele melhorar.
não pode ser abutre de tragédia, que só aparece para falar assim, avisei, está vendo? Não, tem que nesse meio tempo, lutar para melhorar os museus, não é só ir lá fazer postagem na internet, reclamando, alguém precisa fazer alguma coisa, é efetivamente se engajar.
nisso, tá? Além disso, eu acho que é legal reforçar aqui de novo, né? A gente tem uma simetria que é bastante concreta, né? Se a gente não mantém esses fósseis aqui no Brasil, pra alguém que ganha em euro, dólar, libra, viajar pra cá é fácil, mas pra gente viajar pra ver esses materiais lá fora não é. Então a barreira não é só a distância pra ver esses materiais.
o câmbio visto, o racismo, a xenofobia, para ver esses materiais lá fora. E quando alguém, um não cientista, daquela comunidade simples de Santana do Cariri, lá no Araripe, teria a oportunidade de visitar o Museu Europeu para ver um fóssil que saiu do seu próprio território.
Agora, sobre a última parte da sua pergunta, pelo que foi divulgado até agora, o fóssil vai ser devolvido ao Brasil e o governo do Ceará já informou que ele deve integrar ali o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade de Nuvens, que é justamente o Museu de Santo Anando do Cariri, onde está o Birajara, que é a região de origem desses dois fósseis. E quase certamente o material vai ficar em exposição, ou pelo menos fique por um tempo, e a comprovação disso é que o próprio Birajara é que é o Armaio,
Está em exposição desde que chegou, né? Inclusive, o Birajara, ele é composto por duas peças, uma está em exposição nesse Museu de Santana do Cariri, e a outra estava, pelo menos até recentemente, em exposição no Centro de Exposições do Crato, que é o município que fica ali próximo. Agora, a gente aguarda ansiosamente, né, a divulgação de uma possível data de chegada desse material.
Então, até agora, a gente não sabe se isso seria esse ano, se isso seria o próximo mês, se isso seria o ano que vem, daqui a três anos. Enfim, aguardamos ansiosamente, pessoal do Itamaraty. Finalmente, para a gente fechar, tem alguma questão que a gente não abordou e que você gostaria de explicar ou divulgar para os nossos ouvintes?
Tenho sim. Eu acho que uma coisa importante para a gente dizer é que o retorno do Irritator agora não vai encerrar toda essa discussão não. Assim como no caso do Birajara, essa é só mais uma etapa desse processo. A gente tem muitos fósseis brasileiros que estão lá fora. Alguns estão em museus públicos, outros estão em coleções privadas. Tem outros que a gente sequer sabe da existência porque nunca foram publicados na forma de artigo científico.
Então, a gente tem que tratar o birajário e o irritator sim como vitórias, mas não como casos únicos. Eles são só sintomas de um padrão histórico que a gente está conseguindo sanar pontualmente, mas é muito mais extenso e a gente precisa continuar combatendo isso.
Então, o que a gente precisa agora é trabalhar para gerar uma mudança realmente estrutural. Os museus precisam entender, que eles precisam prestar atenção na proveniência dos materiais dos seus acervos. As revistas científicas precisam passar a exigir documentação, tanto legal sobre a aquisição desses fósseis, como se preocupar com as questões éticas envolvidas nessas publicações em relação à aquisição desses materiais.
Os pesquisadores estrangeiros, eles precisam passar a pensar em construir parcerias efetivamente reais e equitativas com as instituições brasileiras, pesquisadores aqui do Brasil, e o Brasil precisa continuar trabalhando para fortalecer os seus museus. Não adianta só repatriar fóssil, tem que fortalecer os museus, tem que fortalecer as suas universidades, tem que elaborar política de proteção ao patrimônio fossilífero, melhorar a nossa legislação.
discutir o que tem de positivo e o que tem de negativo nessa legislação atual. E eu também queria deixar uma última mensagem que eu acho importante falar. A gente teve uma pegadinha ali na comunicação oficial sobre o retorno do Irritator, que me incomodou e, pelo visto, incomodou muita gente, que é uma palavra que foi utilizada ali, que é ceder. Ali diz, basicamente, em resumo, que a Alemanha vai ceder o fóssil ao Brasil em um contexto de cooperação científica internacional.
E aqui, parafraseando um texto maravilhoso que a colega Letícia Haitel publicou, né? Palavras importam muito, tá? Não se trata de ceder o fóssil ao Brasil, porque isso fica parecendo que a Alemanha está fazendo um favor.
não, o fóssil foi levado num contexto extremamente problemático. Então, quando um patrimônio retorna ao país, em especial a sua região de origem, a gente não tem que falar de ceder o material, a gente tem que falar as palavras corretas. Isso se trata de restituição, de reparação, parte de uma reparação de uma simetria histórica. Então, faça o favor e tenham vergonha, Alemanha.
Aline, muito obrigado pelo seu tempo, pela sua paciência, pelo seu trabalho. E, por favor, como os nossos ouvintes podem te encontrar, te acompanhar, iniciativas que você acha importantes, divulgar, fique totalmente à vontade. E, além disso, quando realizamos entrevistas aqui no Xadrez Herbal, a gente tem a brincadeira de pedir uma dica cultural, que você compartilhe um filme, um livro, um documentário que você ame com o nosso público. E, novamente, muito obrigado.
Felipe, eu que agradeço. Para quem quiser acompanhar o meu trabalho, me encontra nas redes sociais como arroba alinemguilarde. Presta atenção que meu sobrenome é meio difícil ali, no lugar do U não é U não, é H, tá? Então é Guilarde com H. E eu queria também convidar as pessoas para acompanhar as atividades do nosso laboratório, o Dino Lab, nas redes sociais.
Então, arroba dinolab.ufrn. E nosso canal de divulgação, o Colecionadores de Ossios, que vocês encontram no YouTube, em todas as redes, por esse nome mesmo. Para quem tiver a oportunidade de vir para Natal, eu queria convidar também para visitar o Museu Câmara Cascudo. Um excelente museu, um dos maiores museus que trata de história natural e fica aqui no Nordeste. Então, vejo vocês por lá.
Agora, dica cultural, eu adoraria que vocês, se possível, relessem O Mundo Perdido de Arthur Conan Doyle, valendo pela reflexão, tá? E a brincadeira aí com o nome do irritador Challenger em referência ao personagem do livro. Eu peço que vocês releiam, então, com esse olhar crítico, pensando...
Como é que a ciência, como é que a exploração e o colonialismo, eles acabaram sendo romantizados durante muito tempo na literatura, nos filmes, nas diferentes mídias. Eu não preciso nem dizer que essa é uma obra do seu próprio tempo, então eu tenho as reservas, essa interpretação, mas a releitura com o olhar crítico é muito importante para a gente entender quanto a gente avançou e em que momento a gente está atualmente nessas discussões.
Então é isso, Felipe, muito obrigada. Passemos agora para as efemérides da semana que vem. A Semana na História
23 de maio de 1701, há 325 anos, era executado o pirata William Kidd. O William Kidd foi um pirata escocês. Ele depois adquire uma comissão como corsário para defender os interesses britânicos ali no Caribe e na costa das 13 colônias, o que hoje são os Estados Unidos.
ele acaba se tornando um pirata, posteriormente, especialmente por conta da captura de um navio, um navio com uma carga muito grande, muito valiosa. E por que a gente está falando dessa efeméride? Por que o William Kidd é particularmente interessante?
Por que, meu caro Matias, tem um trope em todos os filmes de piratas, em todas as histórias de piratas, quase todas, né? Que os nossos ouvintes certamente já viram, já leram, né? Livros infantis, juvenis, etc. Que é o pirata que cavou e escondeu o seu tesouro num buraco. E aí tapou esse buraco, marcou esse lugar num mapa e falou, quer saber, eu vou fugir das autoridades, vou deixar a poeira baixar e depois eu volto e pego o meu tesouro.
E essa lenda começa com o William Kidd, porque a lenda no período é que ele teria enterrado o seu tesouro para justamente tentar fugir das autoridades por um tempo, e isso inspirou tanto pessoas procurando o tesouro dele, quanto também esse arquétipo na cultura pop, nas lendas de piratas. Lembrando que muito do que a gente vê...
na cultura pop, né, sobre piratas, foi criado muito posteriormente, né, foi criado no romantismo do século 19. A realidade dos piratas ali nos séculos 17, 18 e começo do 19 era bastante diferente. Então você tem ali no romantismo obras como A Ilha do Tesouro, né, do Robert Louis Stevenson, que aí sim vão criar essa imagem do pirata com perna de pau e um papagaio e etc, que muitas pessoas têm
em mente hoje em dia. Ainda nos sete mares, 22 de maio de 1826, 200 anos atrás tinha início a primeira viagem do H.E.M.E.S. Beagle.
Beagle foi o navio que famosamente carregou, levou Charles Darwin na sua segunda viagem. O Beagle fez três grandes viagens de pesquisa oceanográfica, pesquisa naturalista, mapeamento, cartografia, e a primeira viagem durou de 1826 a 1830.
E nessa primeira viagem, o Charles Darwin ainda não estava a bordo, ainda não fazia parte da tripulação, porém, o Beagle fez uma viagem de circunavegação, mapeou ali a região do Estreito de Magalhães, por isso que o Estreito que você tem no Sul, que é partilhado por Argentina e Chile, e que foi quase motivo de guerra em 1978, chama-se Canal de Beagle.
E o livro de registro, o diário de bordo, popular diário de bordo dessa primeira viagem, foi escrito pelo capitão Fitzroy, foi adquirido pelo Museu Naval de La Nation, da Marinha Argentina, e está...
em Buenos Aires. Então, o diário de bordo dessa primeira viagem está em Buenos Aires, porque nessa viagem foi cartografada quase toda a costa argentina. E, como eu mencionei, a questão do canal de Beagle. E na quinta-feira da semana que vem, completam-se 175 anos da abolição da escravidão na Colômbia em 21 de maio de 1851. A abolição da escravidão na...
A Colômbia, infelizmente, veio acompanhada das indenizações aos fazendeiros, aos proprietários, e passou a vigorar no dia 1º de janeiro do ano seguinte. Porém, mesmo com esse asterisco da indenização aos proprietários, é um marco, é uma data importante, e mostrando, por exemplo, a relação quase 40 anos de demora do Brasil.
para abolir a escravidão comparado com um país vizinho, que também tem uma população significativa de origem africana em termos proporcionais, onde essa população era submetida à escravidão no trabalho, especialmente na costa caribenha da Colômbia. Enfim, você pode falar melhor da demografia e das questões culturais colombianas do que eu. Também na costa do Pacífico, principalmente no departamento de Tchocó.
Bem, vocês ficam agora com o match no qual Felipe repercutirá a viagem de Trump na China, além de observar o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio. Música
Bem, pessoal, o principal tema dessa coluna vai ser o fato de que o Donald Trump chega na China essa semana, vai passar três dias na China numa visita de Estado, e normalmente a coluna que eu gravo sozinho, separado, é sobre o Oriente Médio. Porém...
Dessa vez as coisas estão completamente ligadas, porque vocês não tenham dúvida que a principal pauta desse encontro é a guerra no Irã. Como os nossos ouvintes já sabem, como a gente já explicou aqui há muito tempo, tem gente descobrindo só agora, o Paquistão, que é o país que está intermediando as conversas, é um grande aliado chinês. É um país que em vários aspectos, inclusive, depende da China.
Falamos sobre, por exemplo, a cooperação chinesa na recente escaramuça entre Paquistão e Índia. Então, o Paquistão intermediar as conversas estava especialmente agindo em nome da China. A grande vantagem do Paquistão nesse assunto todo...
é o fato de que o Paquistão, além de ser muito próximo da China, também tem uma boa articulação com vários dos países da Organização de Cooperação Islâmica, como Turquia e Arábia Saudita. Porém, um acordo para o fim da guerra no Irã necessariamente passa também pelos interesses chineses, que são muito afetados pelo conflito. Então vocês podem ter certeza que essa vai ser a principal pauta do encontro.
Tem outras pautas que eu quero trazer aqui para vocês sobre esse encontro. E claro, quando nós tivermos o resultado dele, vocês, como não vai ter programa semana que vem, vocês procurem nas minhas redes sociais, eu provavelmente vou escrever sobre isso no jornal, provavelmente vou comentar sobre isso na rádio.
para já ter uma palinha, digamos assim. Outros assuntos são, o governo Trump quer criar uma espécie, o que eles têm chamado de Board of Trade, ou seja, uma câmara comercial, um instrumento de cooperação comercial.
para, muito provavelmente, gerenciar o comércio entre China e Estados Unidos, evitando um grande déficit comercial para o lado dos Estados Unidos. E os Estados Unidos querem vender coisas para a China nessa viagem. O CEO da Boeing está viajando junto.
ele que fez o recente tour pelo Oriente Médio com Donald Trump. As ligações entre Boeing e governo Trump são bastante complicadas, para dizer o mínimo. Então, um dia a gente vai saber que alguém está levando muita grana nisso.
E a aviação de médio e grande porte é uma das poucas áreas de indústria do mundo em que a China ainda não consegue estar presente. Mesmo na de pequeno porte ainda tem uma presença tímida. Você não tem ainda grandes aviões fabricados por empresas chinesas, grandes aviões comerciais.
E a demanda por aviação doméstica na China é obviamente grande, é um país muito populoso e muito extenso. Então espera-se que a Boeing assine alguns contratos. E também o Donald Trump quer vender soja para a China, para agradar os seus eleitores fazendeiros em ano de eleição. E isso pode afetar a economia brasileira, claro.
E aí quando eu menciono o ano de eleição, é uma coisa que eu acho que também tem que ter em mente sobre essa visita. É uma visita em que o Donald Trump quer algo para apresentar para o seu público interno. Falar, olha só, conseguimos essas concessões chinesas, conseguimos conversar com chineses, eu sei a arte do acordo, eu sei a arte da negociação. Então, isso certamente vai ser um caráter muito importante dessa visita do lado do Trump. Do lado dos chineses, para mim não resta dúvida,
de que a China vai receber o Trump com toda a pompa possível para massagear o ego dele o máximo possível, porque sabe que ele gosta disso e sabe que assim consegue posições mais vantajosas nas negociações na hora de botar alguma coisa no papel. Então, eu diria que esses são os três pontos principais dessa viagem. Guerra no Irã.
comércio no geral e, junto com isso, a questão das eleições para o Donald Trump. Tem um outro ponto que essa visita também vai ser muito importante e que pode render resultados, porém, talvez não tenha algo anunciado de forma tão decisiva. Talvez se anuncie alguma maneira de cooperação, alguma maneira de negociação, que são...
As terras raras, os minerais estratégicos. Que a indústria de tecnologia...
tem uma demanda cada vez maior por conta da inteligência artificial, produção de chips. Hoje a indústria automotiva também tem uma demanda muito grande por chips. A maior parte das terras raras são controladas pela China. Então os Estados Unidos precisam da China nesse aspecto. A China também precisa da cooperação tecnológica dos Estados Unidos e do mercado dos Estados Unidos.
Então, esse assunto certamente será presente, mas eu não sei se teremos algum anúncio grande, definitivo sobre ele, porque é muito sensível, porque é muito complexo. É possível que tenhamos, claro, sem dúvida nenhuma, mas eu acho que vão ser mais conversas e ainda coisas mais progressivas.
E eu acredito que nós teremos dois silêncios, pelo menos em público, dessa viagem, que serão Taiwan e Ucrânia. Por quê? Primeiro, a questão do Irã acaba eclipsando Taiwan e Ucrânia. E segundo, são posições, China e Estados Unidos estão em posições bastante distintas e que dificilmente chegarão a um ponto em comum.
Então, em público, nós provavelmente teremos ali uma declaração dizendo que os dois países querem a paz na Ucrânia, e estão torcendo pela paz, estão trabalhando pela paz, e que Taiwan é uma questão delicada, etc., e que deve ser respeitada.
Há portas fechadas, provavelmente, certamente vão conversar sobre a venda de armas dos Estados Unidos para Taiwan, sobre todas essas questões, mas em público ou no papel, eu acho que serão dois assuntos que ficarão eclipsados pela questão do Irã, pela questão comercial. A visita do Donald Trump, a cabeça do Donald Trump, e enfim, tudo que gira em torno dele está pensando no curto prazo. Está pensando em coisas que ele pode anunciar para o seu público em ano eleitoral.
E falando sobre um acordo entre Irã e Estados Unidos, é importante destacar que antes da viagem do Donald Trump para a China, nessa semana, o Irã enviou uma nova oferta de fim da guerra via Paquistão, e Irã e China conversaram sobre a reabertura de Hormuz, e o Ministro de Relações Exteriores do Irã também manteve conversas com seu homólogo turco.
Então, é importante também mencionar que, na véspera dessa viagem, nós tivemos várias movimentações, temos muitas conversas nos bastidores, vamos ver se isso vai render algo assinado, algo no papel.
destacar que nesses últimos dias tivemos mais uma escaramuça entre Irã e Estados Unidos no Golfo, tivemos navios atingidos e, pela primeira vez desde o início do cessar-fogo, os Estados Unidos atingiram portos iranianos, o porto de Qeshm e a região de Bandar Abbas. Foi o primeiro ataque dos Estados Unidos contra território iraniano desde o início do cessar-fogo. Falando sobre a guerra...
Essa semana nós tivemos algumas matérias importantes, interessantes, que trazem novas informações, trazem um novo contexto sobre o conflito e que precisam ser analisadas e também precisam ser olhadas com um certo ceticismo. A primeira delas é que é o seguinte, segundo o embaixador dos Estados Unidos em Israel,
o Huckabee, que é um falastrão, e é um falastrão extremamente ideológico, inclusive, Israel teria enviado baterias do domo de ferro e pessoal militar para ajudar os Emirados Árabes Unidos na interceptação de mísseis e drones iranianos. E os Emirados Árabes Unidos teriam realizado, inclusive, uma operação militar secreta em conjunto com Israel e Estados Unidos. E, mais do que isso, hoje...
o jornal The Guardian noticiou que o Benjamin Netanyahu teria feito uma visita secreta aos Emirados Árabes Unidos durante a guerra. E aí eu vou lembrar para vocês, os Emirados Árabes Unidos hoje são aliados de Israel, isso é parte do racha entre Emirados Árabes e Arábia Saudita. Os Emirados Árabes Unidos...
tem um interesse em uma escalada na guerra contra o Irã, porque os Emirados Árabes têm um interesse, inclusive, territorial, que são as ilhas de Abu Musa, que a gente já trouxe aqui no programa. Do outro lado...
a Arábia Saudita teria também realizado ataques contra o Irã, porém teria feito esses ataques de forma mais ostensiva em relação às autoridades iranianas, no sentido de, olha só, não mexe com a gente, não fica atacando o nosso território, senão nós podemos se atacar de volta. Mas, ao mesmo tempo...
essa semana saiu a notícia, e só para deixar claro, essa é uma notícia da Reuters, para quem quiser ler, Saudi Arabia launched, covered attacks on Iran, as regional war widened.
E, ao mesmo tempo, essa semana veio a informação de que a Arábia Saudita teria informado aos Estados Unidos que eles não poderiam usar bases no seu território para a operação, o Project Freedom, que seria a operação de escolta dos navios pelo Estreito de Hormuz. Então, vejam, a Arábia Saudita teria dado um recado ao Irã.
até para evitar uma escalada, e teria também impedido os Estados Unidos de usarem suas bases numa escalada. Já os Emirados Árabes Unidos estão interessados diretamente em uma escalada. É uma posição diferente e que novamente faz parte da ruptura entre os dois. A França enviou o grupo...
a sua força-tarefa de porta-aviões, o porta-aviões Charles de Gaulle, para o Mar Vermelho, pensando numa possível missão futura de estabilização do Estreito de Hormuz, o que me leva a crer que os franceses têm informações de que um acordo está mais próximo do que aparenta.
O Middle East Eye noticiou essa semana que os países do Golfo, que se sentiram deixados de lado pelos Estados Unidos, que os Estados Unidos teriam priorizado a defesa de Israel contra o Irã, estão procurando a Turquia para aquisição de equipamentos militares. E, finalmente, o Bahrein...
expulsou três parlamentares que seriam supostamente ligados ao Irã e também prendeu dezenas de pessoas supostamente ligadas ao Irã. No caso do Bahrein, tem um contexto muito importante. Alguns de nós ouvintes que gostam de Fórmula 1 talvez se lembrem que em 2011, durante a chamada Primavera Árabe, o GP do Bahrein foi realizado enquanto a monarquia reprimiu os protestos. Inclusive teve um...
Teve uma entrevista, algo assim, durante o GP do Bahrein, que você podia ouvir tiros ao fundo. Era a entrevista daquele piloto australiano, acho. Não me lembro agora o nome dele. Mas o Bahrein é uma monarquia sunita, muito próxima dos sauditas, mas a maioria da população é xiita. E o Irã apoiou os protestos. Então, a monarquia barenita está utilizando o atual conflito no Golfo da ONU. E aí
como uma justificativa para reprimir essa maioria da população que pode eventualmente se revoltar contra a monarquia. E para a gente fechar essa parte...
O Sri Lanka anunciou essa semana que o preço da energia no país vai aumentar por conta consequência da guerra no Irã. Agora a gente vai começar um giro bastante rápido, começando pelo Irã, já que a Narges Mohamad, a nobre da paz, que é uma das líderes da oposição, ela deixou a prisão sob fiança e foi internada, foi hospitalizada, devido a sua saúde estar delicada pelo seu período.
na prisão. Já nos Emirados Árabes Unidos, a família real de Abu Dhabi, que é a família que governa os Emirados Árabes Unidos, a família do Mohammed Bin Zayed Anayan, conhecido como MBZ,
eles embolsaram 71 milhões de euros das políticas de incentivo agrícola da União Europeia, porque eles são grandes proprietários de terras na União Europeia, então eles recebem subsídios agrícolas, que originalmente foram criados para incentivar pequenos agricultores, pequenos fazendeiros.
mas também tem ido para os grandes proprietários, incluindo uma das famílias mais ricas do mundo. Quem revelou isso foi uma pesquisa, foi uma investigação conjunta pelo The Smog, pelo El Diario da Espanha e por um jornal, um veículo de mídia independente da Romênia, porque a maior fazenda da União Europeia fica na Romênia.
controlada por uma empresa romênia chamada Agricost, cujos donos são, em última instância, a família real de Abu Dhabi. No Líbano, tivemos mais imagens de soldados israelenses profanando símbolos cristãos no sul do país, dessa vez uma imagem da Virgem Maria.
Os dois soldados envolvidos também foram presos, mas assim como o outro, vou manter eles. Foram presos apenas porque isso ficou público e porque isso gera uma repercussão negativa de Israel perante comunidades cristãs no chamado Ocidente.
Desde o dia 2 de março, pelo menos 108 profissionais de saúde foram mortos por ataques israelenses no Líbano, segundo o Ministério de Saúde libanês. E desde o cessar-fogo, muitas aspas aqui em cessar-fogo, foram 380 mortos em ataques israelenses. Essa semana...
Tivemos diversos pavilhões na Bienal de Arte de Veneza sendo fechados em boicote à participação israelense na Bienal de Arte. E também temos a Espanha, Irlanda e Eslovênia confirmando o seu boicote ao Eurovision. E sobre a Bienal de Veneza, além do boicote pela participação israelense, também temos boicotes pela participação russa. Importante deixar isso claro.
Já na e sobre a Palestina, para a gente fechar o nosso bloco, o governo israelense deportou os dois ativistas que havia abduzido em águas internacionais naquele ato de pirataria, incluindo o brasileiro Tiago Ávila e o espanhol Saif Abu Qeshek. Então eles foram deportados e o Tiago Ávila chegou no Brasil já inclusive.
E falando na Espanha, a Espanha laureou a Francesca Albanese, a jurista, alta comissária, desculpa, relator especial da ONU para a situação de direitos humanos na Palestina ocupada, com a sua maior láurea civil, a maior láurea civil da Espanha, no caso. A Ordem do Mérito Civil, com perdão da repetição das palavras.
A União Europeia, essa semana, anunciou sanções contra colonos israelenses ortodoxos na Cisjordânia e, ao mesmo tempo, o governo israelense...
aprovou uma lei que vai permitir julgamentos militares para pessoas suspeitas de envolvimento no ataque do Hamas de 7 de outubro. Isso significa possibilidade de pena de morte e julgamentos públicos. Essa semana, o New York Times publicou uma matéria, cujo título em português seria algo como Silêncio Internacional sobre as Denúncias de Violência Sexual contra Palestinos nas Prisões Israelenses. E aí
É uma matéria que foi publicada também em português pelo jornal Folha de São Paulo. É uma matéria extremamente pesada. Eu vou poupar vocês dos detalhes. Mas estamos falando de uma matéria que relata o uso sistemático de violência sexual contra prisioneiros palestinos. O autor da matéria é um jornalista chamado Nicolas Christophe.
E muitas pessoas, especialmente nos Estados Unidos, criticaram a matéria, dizendo que a matéria seria até mesmo antissemita ou que ela não teria fontes substanciáveis, etc. E o próprio New York Times soltou uma nota oficial.
dizendo que o Nicholas Kristof é duas vezes vencedor do prêmio Pulitzer, o principal prêmio do jornalismo mundial, especialmente o jornalismo anglófono, que faz reportagens sobre violência sexual há décadas. Ele viajou à região para relatar em primeira mão as histórias dos palestinos que sofreram abusos. Além dos relatos, existem estudos independentes que baseiam a reportagem. O próprio Nicholas Kristof...
respondeu parte das críticas, citando as suas interações e entrevistas com especialistas da Cruz Vermelha e com advogados desses 9 mil palestinos que estão detidos, a maioria deles de forma completamente arbitrária, em Israel.
E aí, num dia seguinte, um comitê israelense fundado em novembro de 2023 publicou um relatório de 300 páginas, em complemento a investigações da ONU, denunciando o Hamas por violência sexual sistemática em larga escala, incluindo contra as pessoas que ficaram reféns em cativeiro na faixa de Gaza.
E aí, obviamente, o timing da publicação, ele ter vindo no dia seguinte, acabou contribuindo, participando dessa discussão, dessa, digamos, muitas aspas aqui, troca de acusações. Mas, para a gente fechar esse bloco numa notícia um pouco mais positiva, o governo italiano...
disse que, via o programa do Corredor Universitário, um programa liderado pelo Ministério de Relações Exteriores da Itália, 72 estudantes universitários palestinos de Gaza serão levados para a Itália para poderem concluir os seus estudos em universidades italianas e dois deles vão para universidades em San Marino.
No total já são 157 estudantes universitários italianos, palestinos, que foram levados para a Itália para concluírem os seus estudos. Então vamos agora tocar o barco aqui do nosso programa.
E o caffinho onde estava quando caíste em desgracia, o que sempre acompanhava os momentos de viúdez... México rejeita a reportagem da CNN sobre operações mortais da CIA contra cartéis.
E para comentar esta e outras notícias da nossa quebrada latino-americana, temos novamente a presença aqui conosco da Fernanda Simas. Como estamos, Fê? Olá, Matias. Olá a todas e todos que estão ouvindo a gente aqui. É um prazer novamente.
E falando desse caso especificamente, a gente repercutiu recentemente a morte dos dois agentes da CIA no norte do país, e que daí era uma operação com o estado de Chihuahua, que faz fronteira com os Estados Unidos.
e que o governo federal mexicano não estava ciente, enfim. É algo assim, a presença da CIA, a gente já tratou em outras oportunidades, é bastante grande no México, mas temos aí esse ruído no momento.
Sim, e a gente estava comentando nos últimos programas justamente que não era uma coisa inédita, mas que vinha se agravando pelos discursos do Donald Trump de interferência no México, caso o México não fizesse o seu trabalho com relação ao crime dos cartéis de droga, enfim. E aí agora a gente tem essa informação, segundo uma reportagem da CNN, agentes da CIA participavam diretamente de ataques contra alvos dos cartéis no México, e a própria CIA.
negou ter participado de um desses ataques, que foi contra um integrante do cartel de Sinaloa, que foi o que despertou esse assunto nessa semana. E a própria também presidente do México negou, falou que o governo vai cobrar explicações, mas que essa reportagem não seria verídica.
E ainda tratando da questão dos cartéis, a gente repercutiu na semana passada o caso envolvendo o agora ex-governador do estado de Sinaloa, cuja residência foi metalhada, atacada pelos magitos, que daí são os herdeiros do Miles, que foi traído por um dos filhos do seu antigo sócio, o Tiapo Guzmã.
porque justamente ele foi acusado de ter facilitado a atividade dos chapitos. Então circularam vídeos da casa dele sendo baleada, enfim, com criminosos utilizando sombreiros, marca da organização dos filhos do Maio Zambrana.
E essa história que ainda também está em apuração, a história do governador de Sinaloa, a gente não teve ainda uma decisão, um pronunciamento da Sheinbaum de forma definitiva, ela tem cobrado que esse caso seja investigado, e enquanto isso a pressão de Washington aumenta.
Essa semana o próprio presidente Trump ameaçou inclusive realizar ofensivas terrestres contra os cartéis mexicanos, no que foi mais um ingrediente aí nessa caldeirada de tensão que está entre os dois países. E mais ao sul do México, em um estado de guerreiro também, na costa...
do Pacífico, tivemos a denúncia por parte do Conselho Indígena e Popular de Guerreiro Emiliano Zapata, já que um outro cartel, o Los Ardígios, atacou comunidades Nahuas em Ticotlã, Tula e Acahuetlã, deixando mais de mil famílias desabrigadas.
E também tivemos depois a atualização desse caso de que na comunidade de Ticlatã, no município de Tiapa de Álvares, na montanha baixa de Guerreiro, quatro integrantes do Conselho Indígena estão desaparecidos. E nesta denúncia, o Conselho Indígena acusa que os três níveis do governo estão em colúio com essa organização, facilitando o ataque.
que teve inclusive o uso de drones. O que tem aumentado muito, inclusive, Matias. Acho que em outras pautas aqui, ao longo desse programa, a gente vai comentar o uso de drones nesses ataques está crescendo muito.
Pois é, e nesse caso em específico também, existe o ataque contra essas comunidades, porque elas são das muitas comunidades, principalmente no sul do México, que tem a presença da polícia comunitária, da autossegurança justamente das comunidades indígenas no México Meridional.
E a gente segue repercutindo a visita desastrada da presidenta da comunidade de Mali, a Isabel Dias Ayuso, que gerou tensão dos dois lados do oceano. Isso porque repercutiu também na Espanha. A Ayuso está sendo cobrada pela Assembleia Madrilenha.
porque seria uma viagem injustificada e que não trouxe benefícios para a relação entre a comunidade da capital espanhola e a antiga colônia. Pelo contrário, inclusive, gerou um mal-estar histórico por conta da associação da governadora madrilenha à figura de Hernán Cortés.
E nesse sentido, inclusive, a presidenta mexicana, Cláudia Scheinbaum, publicou nas suas redes o Edito do Rei Carlos I em Valladolid de 1548, no qual ele trata das atrocidades de Hernán Cortés, a quem a direita mexicana e espanhola...
reivindicam, e a Claudia Scheinbaum terminou essa publicação dizendo que os povos originários são a verdadeira reserva de valores do México de ontem e de hoje. Exatamente. A presidente Scheinbaum chamou a visita da Ilso de falida.
uma visita que foi inclusive interrompida, ela cancelou o resto da viagem, ela voltou antes do que era previsto e alegou inclusive motivos de segurança, falou que todo estardalhaço que foi criado em torno da presença dela no México a deixou numa posição de insegurança, de vulnerabilidade a possíveis ataques, mas realmente a gente vinha vendo uma tentativa do governo espanhol e do governo mexicano de ter uma reaproximação.
Isso foi sendo feito com a Xembao no poder e, de repente, uma visita dessa poderia colocar tudo por água abaixo. Acho que por isso a posição firme aí do governo espanhol. E teve até pitaco do Gustavo Petro nessa história.
Ele não perde uma oportunidade, né? Ele que comentou uma reportagem do El País dizendo que Hernan Cortes foi um genocida equiparável a Netanyahu, né? E que as contas dos mortos assassinados com Hitler e Cortes são em milhões de seres humanos. Isso aí é um... E aí
Juntou política antiga com política atual, com política exterior. Mas é o rei do Twitter, do ex, né? Agora eu tenho dificuldade em falar ex com o Twitter. Mas tem mais do Pedro adiante, quando a gente for falar da Colômbia, né? Que é a área de atuação dele.
Ainda no México, um estudo da NASA mostra que a capital do país pode estar afundando de 2 centímetros por mês. Enfim, a geologia do Distrito Federal é bastante delicada, tanto é que Teotihuacan, a capital, foi construída sob palafitas, enfim. É uma área de intensa atividade sísmica, inclusive...
Temos antecedentes de terremotos catastróficos no centro do país, mas é mais um indicativo de que as condições naturais da capital mexicana são bastante delicadas. E os analistas tentando chamar atenção com esses estudos para a situação que muitas vezes tende a passar despercebida no meio de tanto caos político.
E voltando agora para a política externa mexicana, tivemos a notícia que no último final de semana, um criminoso nos Estados Unidos invadiu o Instituto Cultural Mexicano na Embaixada do País em Washington durante uma perseguição policial, de acordo com...
O embaixador mexicano nos Estados Unidos, o Esteban Montezuma Barragán, hoje, no caso sábado, um suposto delinquente armado de nacionalidade estadunidense que fugia da polícia, ingressou no instituto por ser um espaço sempre aberto ao público.
O principal é que ninguém está ferido e o nosso pessoal atuou imediatamente e as autoridades competentes o detiveram. Então é um caso isolado, mas que gerou preocupação no final de semana passado.
E, Fernanda, novamente o governo Milley se contradiz que o México pediu para que a Argentina enviasse o ex-contra o almirante Fernando Farias Laguna, que está asilado na Argentina, para que ele seja julgado no seu país por uma suposta rede de contrabano de combustível.
Ele e o seu irmão, o Manuel Roberto Farias Laguna, seriam os principais operadores. E no caso do Fernando Farias Laguna, ele era afiliado político do secretário da Marina, Rafael Orreda, durante o governo anterior, do López Obrador.
Porém, a Argentina não aceitou a solicitação e agora a Procuradoria Mexicana vai preparar um pedido oficial para a extradição do oficial da Marinha Mexicana.
Sim, eles têm até, o governo mexicano tem até o dia 28 de junho para fazer esse pedido formal, que é quando vence justamente o prazo legal para que seja solicitada a extradição, enfim, aí a Argentina vai ter que dar uma nova resposta. E fazendo agora uma transição do México para Cuba, tivemos o quinto envio de ajuda humanitária saindo do país norte-americano em direção à ilha.
A presidente mexicana havia dito, até há uma questão de dois meses, se não me engano, que enviaria esses navios com ajuda humanitária diante da negativa de poder enviar petróleo. Se ela enviar petróleo para a ilha, vai haver sanções nos Estados Unidos. Então essa é uma forma do México continuar ajudando, de certa forma, o governo cubano. Lembrando que Cuba recebia petróleo principalmente da Venezuela, mas também do México. E o México.
E diante do decreto presidencial do Donald Trump em 29 de janeiro, proibindo e sancionando quem enviasse petróleo à ilha, o governo cubano hoje se vê numa situação bem crítica, a população tem sofrido muito com a questão energética. Então o próprio Brasil, o México, tem enviado ajuda humanitária para tentar remediar algumas das consequências dessa crise e desse novo embargo americano.
Ainda no Caribe, vamos agora para o Haiti, já que quatro homens do sul da Flórida foram condenados na sexta-feira passada pela conspiração que levou ao magnicídio do presidente Jovenel Moise em 2021, né? Eles que teriam contratado mercenários para assassiná-lo em sua casa, né?
Mas de acordo com a defesa, eles são bodes expiatórios de uma conspiração haitiana e que a investigação do FBI foi na direção errada. E a morte do Jovenel Moís, o assassinato dele, é considerado o grande ponto para a recente desestabilização política e o que levou a essa onda de violência e hoje a gente ter a primeira capital.
da América Latina totalmente controlada por gangues criminosas.
Os condenados são Arcangel Pretel Ortiz, ex-informante do FBI, cidadão colombiano e residente permanente nos Estados Unidos, Antônio Incliago, venezuelano-americano, proprietário de uma empresa de segurança, James Solages, haitiano-americano que trabalhava como faz tudo, e Walter Ventemiglia, um equatoriano-americano.
Enquanto que um quinto réu, o Christian Emmanuel Sanon, um médico nascido no Haiti, será julgado posteriormente, ele que queria ser nomeado presidente após o crime que a gente repercutiu na época.
E ainda nesse contexto da violência, o primeiro-ministro haitiano, o Alex Didier, ele falou que justamente pela questão de insegurança na nação caribenha, talvez não seja seguro realizar as eleições presidenciais que estão planejadas para agosto. Então a gente volta a entrar num período de incerteza caso isso aconteça.
Sendo que existia uma grande esperança de que talvez a seleção pudesse, de alguma forma, levar a acordos com essas gangues que hoje controlam principalmente a capital Porto Príncipe.
No Haiti, vamos agora para Honduras, já que o prefeito do município de Tocoa, o Adan Funes, foi capturado ontem na sua casa por ter sido o mandante do assassinato do líder ambiental Juan Lopes, crime que ocorreu em 2024, depois de várias denúncias do ativista contra a administração municipal.
A gente segue na América Central, vamos agora para a vizinha El Salvador, já que a Assembleia Local discute a reforma do Código Eleitoral para incorporar a diáspora salvadorenha.
Exatamente. A Assembleia recebeu diversas iniciativas para essa reforma, inclusive para reformar também a lei de partidos políticos e a lei para o exercício do sufragio no estrangeiro. E aí a dúvida agora é quantos deputados fariam parte dessa bancada da diáspora.
E seria a segunda maior bancada regional, né? Atrás apenas da capital, São Salvador, né? Teria seis deputados no estrangeiro, né? A maior parte deles nos Estados Unidos. Ainda em El Salvador, o diário El Faro denunciou o governo Bukele de ter congelado os bens de dois sócios do periódico, né? É...
Isso porque é o principal veículo salvadorenho, que a gente já falou diversas vezes aqui, que inclusive agora está exilado em São José, na Costa Rica, por conta das seguidas denúncias que tem feito contra o regime Naíbe Bukele e do seu envolvimento com as Maras.
Exatamente, a gente fala muito da política de segurança do Bukele, a questão da mega prisão, mas tudo isso começou com um acordo do presidente com as bandas criminais, com os grupos criminosos, que permitiu...
que a temperatura baixasse e as coisas fossem sendo implementadas no país. E os jornalistas do El Faro sempre denunciaram essa questão, sempre colocaram isso em todas as reportagens. E agora a gente vê o presidente fechando o cerco contra a imprensa no que é um script de um país que deixa de ser democrático aos poucos, né? No caso, é o Salvador.
já está longe de um país democrático há algum tempo, mas eu acho que é um dos pilares desse modus operandi você justamente ir atrás da imprensa. É, entre fevereiro e abril de 2026, o governo salvadoreio congelou dinheiro de uma conta bancária e um imóvel de dois dos sócios da Típode Sociedade Anônima.
que faz parte da sociedade criadora do El Faro. E isso já havia sido anunciado anteriormente, já que durante uma cadeia nacional em 2020, o Naíbe Bukele disse que tem uma investigação por lavagem de dinheiro contra o jornal.
O próprio Naíbe Bukele se contradiz, porque na sua participação na Assembleia Geral da ONU em 2024, ele disse, nós não prenderemos a nossa oposição, não censuraremos opiniões, não confiscaremos os bens de quem pensam diferente, não prenderemos as pessoas por expressar as suas ideias, o que, enfim, já se provou totalmente o contrário.
Enquanto que o deputado democrata dos Estados Unidos, o Joaquim Castro, irmão gêmeo do Julian Castro, que fez parte do gabinete do presidente Barack Obama, disse que Naíbe Bukele há muito tempo tem como alvo jornalistas com spyware e os intimida para o silêncio ou o exílio. Com esta ação contra jornalistas do El Faro, que realizou um excelente trabalho expondo os laços de Bukele com gangues,
El Salvador continua sua descida ao autoritarismo. De El Salvador, vamos agora para Nicarágua, já que foi ratificado nos últimos dias um novo acordo militar com a Rússia que vinha sendo negociado desde setembro do ano passado. Essa daqui é para os saudosistas da Guerra Fria. Daqui a pouco o Trump anuncia os contra novamente na Nicarágua para derrubar o Daniel Ortega.
Pois é, e um acordo que vai expandir consideravelmente a cooperação militar entre os dois países, principalmente em questão de treinamentos e trocas na área de inteligência. Da Nicarágua vamos para Costa Rica, já que na sexta-feira passada tomou posse a nova presidenta do país, a Laura Fernandes, declarando guerra contra o crime.
Ela assumiu a presidência no dia 8 e essa é a promessa dela de ter uma política linha dura contra o crime organizado e o narcotráfico. E a inspiração dela é justamente a política de Naíbe Bukele. Ela ainda declarou que a Costa Rica não pode normalizar a vergonha de ver as suas instituições penetradas pelo crime. E não podemos ver que traficantes e drogas achem brechas no nosso sistema.
Da Costa Rica vamos para a Colômbia, onde justamente foi detido o criminoso Chelsea Socker, aliado do clã do Golfo, que tinha sócios mexicanos e uma narcopista na Costa Rica e será extraditado aos Estados Unidos. São muitas camadas essa notícia, né? São muitas camadas, muitos países, muita guerra ou crime organizado envolvida.
E agora ele será enviado para uma corte do Texas, onde responderá pelo envio de grandes carregamentos de cocaína para os Estados Unidos. Exatamente. E no total são cinco narcotraficantes que serão levados aos Estados Unidos, sendo que um deles ficou escondido por quase quatro anos, justamente em Calca, na Colômbia.
Ainda em relação à Colômbia, tivemos aí uma troca de farpas entre o atual presidente Gustavo Petro e o ex-presidente César Gaviria, né? Lembrando que o César Gaviria foi o presidente durante a prisão e morte do Pablo Escobar e ele declarou, né, que a...
Paz Total, que é o projeto do Gustavo Petro, se converteu em uma rendição total. No que o Petro respondeu? Que a rendição total foi levar o Pablo Escobar à catedral, que foi a prisão construída pelo próprio narcotraficante, onde ele estava enclausurado, mas cheio de benesses.
Regalias total. Visitas, enfim. E o Petro seguiu, dizendo que em 93 tivemos a taxa de homicídios mais alta da nossa história. E essa foi a mortalidade total, daí também fazendo esse jogo de palavras. E que o César Gaviria nunca pode esquecer que em 1993 a taxa de homicídios anual foi quatro vezes mais alta que em 2025.
E arrematou dizendo que é melhor não zombar daqueles que lutam pela paz, porque eles têm razão em ser teimosos. E o Petro é bastante teimoso. Ele é. Como a gente falou, ele não fica fora de nenhuma discussão. Mas ele tem tido dificuldades para defender essa questão da paz total, porque ao longo do governo dele, ele mesmo mudou de estratégia. A estratégia de sentar para conversar com todos os grupos armados e criminosos da Colômbia.
não surtiu efeito, em alguns momentos ele tentou aplicar uma medida mais de linha dura, uma questão mais forte com presença do exército, e agora, obviamente, no mês da eleição, essa questão vai ser trazida à tona em diversos setores, por diversas pessoas diferentes, ideologias diferentes.
Mas é realmente o grande ponto que o Gustavo Petro vai ter que prestar contas à população, porque era um plano muito forte, enfim, foi toda uma campanha feita em cima dessa paz total que não chegou.
E ainda falando de ex-presidentes colombianos, o Álvaro Uribe, em um bate-papo com o influencer Wesco, declarou que o presidente Gustavo Petro não disse a verdade, o que é uma maneira eufemística dizer que mentiu, ao dizer que foi ele quem apresentou o projeto de lei para diminuir a jornada cavalhista. Assim, é...
Bateu o desespero no Uribe, no Centro Democrático, porque, enfim, a popularidade do Ivan Cepeda vem justamente por conta de projetos como esse. Então, agora o Álvaro Uribe quer me convencer de que ele propôs a redução da jornada trabalhista.
Exatamente, e no vídeo você vê ele falando, chega a ser cômico, porque é um teatro, ele se apresenta como uma figura simpática, extrovertida, falando sobre essa questão, e é isso, o Ivan Cepeda vem crescendo, a popularidade dele vem crescendo, e nas pesquisas eleitorais mostram aí, de repente, até uma vitória em primeiro turno.
E o que ele tem feito é justamente se afastar da polêmica da paz total e pegar os louros dessas questões do governo, dessas iniciativas. E no momento em que o próprio governo do Petro não é tão mal avaliado, justamente porque...
Foi esse governo do Pacto Histórico que conseguiu levar tantas pessoas que estavam à margem da política na Colômbia para o centro da política, vide pela própria vice-presidente do Petro. Então, obviamente, eles estão jogando com a questão de que se o partido do Uribe volta, se o centro democrático volta ao poder, essas pessoas voltam a ser marginalizadas politicamente.
E aí, aproveitando, Matias, foi divulgado essa semana, mais precisamente ontem, na terça-feira, o informe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha sobre a Colômbia. E mostrou que as consequências humanitárias dos conflitos armados alcançaram o pior nível em 10 anos. Foram 965 pessoas feridas ou mortas por explosivos, sendo 198 por minas terrestres, que era um tema que...
Foi muito falado há 10 anos, né, na questão quando se teve o acordo de paz com as Farc. E a gente teve mais de 235 mil pessoas que tiveram que se deslocar internamente. Aqui também tem um registro de aumento do uso de explosivos lançados por drones, que vem um pouco de encontro com o que a gente estava comentando no início da nossa conversa.
E em norte de Santander foi a região que concentrou 67% dessa população deslocada. Além disso, em Calca foram registrados 46% dos feridos ou mortos por explosivos. E aí um alerta do informe é que as escolas estão entre os principais alvos civis mais afetados. E aí você leva isso...
consequências, desde alunos que deixam de frequentar a escola, professores que param de dar aula, até o ponto de que esse local é um local que é considerado de refúgio para a população e também deixa de ser. Então, acho que é interessante a gente dar uma olhada no informe e ficar de olho, porque isso vai ter impacto para o próximo presidente colombiano.
Da Colômbia, vamos agora para a Venezuela, já que a presidenta interina Delci Rodrigues viajou para Haia para defender a anexação de esse equibo no Tribunal Penal Internacional.
A Guiana e a Venezuela têm uma disputa desde 1899 com relação a essa região e foi uma questão muito falada no ano passado por conta das investidas do Nicolás Maduro e agora volta com a presidente Delci, inclusive entoando que esse equibo é venezuelano, pedindo a anexação, tentando, eu acho, angariar um pouco de popularidade interna.
É, que durante os anos do regime maduro era uma pauta que ia e voltava, justamente quando a popularidade estava em baixa, porque é uma reivindicação histórica da Venezuela, que é apoiada pela esquerda e pela direita até por conta...
da possibilidade de exploração dos recursos minerais da região em litígio com a Guiana, que vem desde o processo de independência das colônias hispano-americanas no século XIX e a ingerência britânica.
Foi justamente em 2015 que se descobriram grandes postos petrolíferos e os recursos naturais, e aí essa disputa não saiu mais do tema do governo venezuelano. E durante a visita da Delci Rodrigues aos Países Baixos, ela ainda rechaçou da Venezuela se tornar o 51º estado dos Estados Unidos.
Essa vem sendo a nova toada das relações internacionais. A gente já teve a guerra pelas redes sociais e agora a gente tem os memes. E a administração Trump vem postando alguns memes e colocou a imagem do mapa da Venezuela com a bandeira dos Estados Unidos e os dizeres, como sendo o estado número 51 dos Estados Unidos da América.
Enfim, a gente vê essa situação. Óbvio que quem reagiu a isso também foi Gustavo Petro. E ele falou que essa ideia da Casa Branca é completamente contrária ao ideal de Simón Bolívar, o libertador. Então, mais um pitaco aí do presidente colombiano.
É, e o Petro que vem batendo na tecla da Grã-Colômbia, né? Que os países que formavam esse estado logo após a independência de Nova Granada deveriam se reunir e celebrou, inclusive, que a Qatar Airways anunciou a retomada do voo Doha-Caracas-Bogotá, né? Exatamente. Como um símbolo aí do ressurgimento da Grã-Colômbia, né?
É, a todo momento ele fala, inclusive ele citou que o Bolívar é o fundador da Grã-Colômbia e o libertador da Venezuela. Bolívar, caraquenho de nascimento, mas é muito ligado também à Colômbia. E ainda na relação Venezuela-Estados Unidos, o país norte-americano retirou urânio altamente enriquecido no país sul-americano.
Foram cerca de 13,5 kg de material radioativo que estava no território venezuelano e a operação que vem quatro meses depois da captura de Nicolás Maduro.
Da Venezuela, vamos agora para o Brasil com algumas notícias da nossa política externa. A começar pela declaração logo após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Donald Trump, na quinta-feira passada, de que não se discutiram facções criminosas durante a conversa que durou mais de uma hora.
É, esse era o grande temor do governo brasileiro, esse assunto é um assunto que mobiliza muito internamente a base bolsonarista aqui no Brasil, e existe sim a tentativa de parte do governo americano de classificar o Comando Vermelho e o PCC como terroristas, e ao classificar esses grupos como terroristas...
Além do impacto, inclusive, comercial que a gente teria, por exemplo, aqui em São Paulo, no Rio de Janeiro, isso abre margem para uma intervenção militar americana em território brasileiro, o que é extremamente perigoso, extremamente preocupante. Então, existia esse temor por parte do Itamaraty de que esse assunto fosse trazido à tona e que o presidente Lula teria que convencer o Trump de que esse não era um caminho adequado.
Então o Lula inclusive levou ao Trump alguns planos do Brasil para combate ao crime organizado, que é a principal preocupação do brasileiro hoje nas recentes pesquisas com relação à eleição. Então não é mais saúde, não é educação, é a questão da segurança pública. Que tem se tornado uma toada nos últimos pleitos aqui da nossa região.
Exatamente, a gente acaba andando em círculo, a gente fala da questão do Bukele, o Bukele hoje é ainda um presidente muito admirado na América Latina, justamente por ter baixado as altas taxas de homicídio, enfim, e a gente discute aqui toda a questão dos direitos humanos, mas quando a gente tem campanha eleitoral, muitos candidatos miram no Bukele e justamente tentam trazer para si...
Algum tipo de plano de segurança que leve a um milagre salvadoreio na região, enfim. Ainda na quinta-feira passada, o Brasil lançou sua candidatura ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para o mandato 2027-2029. Atualmente, em seu sexto mandato, o país é um dos membros mais presentes no órgão em seus 20 anos de existência.
A cerimônia de lançamento foi presidida pela ministra de Estado substituta, embaixadora Maria Laura da Rocha, pela ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, pela secretária executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Caroline Reis, e pela secretária executiva do Ministério das Mulheres, Eulália Barbosa. Todas mulheres, né? Exatamente. De acordo com a nota do Itamaraty.
E o principal ponto do Brasil foi reafirmar justamente o compromisso do país com o sistema multilateral e uma ordem internacional ancorada no direito internacional e na promoção e proteção universal dos direitos humanos.
Já no começo dessa semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a ex-presidenta do Chile, Michelle Bachelet, para tratar da sua candidatura ao cargo de secretária-geral da ONU. Lembrando que Brasil, México e Colômbia são os principais fiadores da campanha da Bachelet para o principal cargo da Organização das Nações Unidas.
De acordo com a nota oficial do presidente, discutiram vários temas da agenda internacional e o papel de uma ONU reformada para a promoção da paz e do desenvolvimento sustentável, bem como para o fortalecimento do multilateralismo.
Exato, Bachelet seria, em caso de Vitória, a primeira mulher latino-americana a liderar a organização, mas a gente lembra que existe resistência, tanto por parte dos Estados Unidos, quanto por parte da China. Então, a chance dela ter um veto por um desses dois países é muito alta.
E falando na China, os governos do Brasil e do país asiático chegaram ao entendimento para isenção recíproca de vistos a seus cidadãos para viagens até 30 dias. Então, a partir da segunda-feira, 11 de maio, cidadãos chineses poderão viajar ao Brasil sem visto, enquanto os cidadãos brasileiros já podiam visitar a China sem visto desde maio de 2025.
As isenções recíprocas têm validade até 31 de dezembro de 2026, último dia do mandato atual do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E nesse sentido, busca justamente o aumento de turistas chineses no país. Lembrando que no ano passado o Brasil registrou o recorde histórico no número de turistas estrangeiros com ingresso de mais de 9 milhões de viajantes de outros países.
Ainda em relação ao continente asiático, o ministro Mauro Vieira encerrou ontem uma visita de dois dias ao Cazaquistão e ao Uzbequistão, duas das maiores e mais dinâmicas economias do continente. A visita cumpriu também o objetivo de estreitar o diálogo político com a região e explorar o amplo potencial de incremento no relacionamento econômico, comercial e bilateral.
O principal ponto era justamente o propósito brasileiro de incrementar a importação de fertilizantes da região no momento em que a gente tem, inclusive por conta da guerra no Irã e da guerra na Ucrânia, um problema importante com relação a esse ativo.
E também existe o interesse em estreitar o diálogo político com o C5, que é um mecanismo que congrega, além dos dois países, o Tadikstão, o Kirguistão e o Turcumenistão, que eram as antigas repúblicas socialistas soviéticas na Ásia Central.
A gente percebe a política brasileira nessa última semana sendo feita justamente de acordo com aquilo que está pregando. A gente está conversando nos Estados Unidos, está conversando na Ásia, está conversando com a China, para justamente tentar ampliar os laços no momento em que as guerras atrapalham muito as relações comerciais tradicionais.
É, e falando em atrapalhar as relações comerciais, a União Europeia retirou ontem, né, terça-feira, dia 12, o Brasil da lista de países de fora do bloco autorizados a exportar animais destinados à alimentação humana e produtos de origem animal por descumprimento das regras sobre o uso de antimicrobianos, né.
De acordo com a porta-voz da Comissão Europeia responsável pela área de saúde, a Eva Herni-Cirova, desculpa pela pronúncia, a comissão confirma que o Brasil não está incluído na lista, o que significa que deixará de poder exportar para a União Europeia mercadorias, tanto animais vivos destinados à produção de alimentos, como produtos derivados, tais como bovinos, equinos, aves de capoeira.
Ovos, agricultura, mel e envoltórios, com efeito a partir de 3 de setembro. A tradução aqui foi da agência de notícias Lusa, por isso alguns termos do português PT.
Lembrando que foram 26 anos para a negociação do acordo entre a União Europeia e Mercosul. Foi finalizado esse ano com grande euforia, mas aí a gente entra nessa questão do embate técnico, questões técnicas que a União Europeia coloca, e aí o Brasil vai ter que se adaptar, enfim. Mas, obviamente, também suscitam respostas de cunho político diante dessa decisão.
E, por fim, já uma notícia interna, mas que está relacionada ao contexto sul-americano, principalmente, já que um relatório concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek teria sido assassinado.
Isso vai levar à retificação na certidão de óbito do JK, que é uma grande conquista sempre que a gente fala sobre crimes da ditadura, porque você ter esses reconhecimentos, a mudança num documento oficial, isso vai tornando a história mais concreta. A gente fala tanto aqui de...
grupos que tentam revisitar a história e fazer um revisionismo histórico desses fatos. A gente vive isso no Brasil com relação à ditadura militar também, então eu acho que é uma decisão que chega num momento importante para esse ponto. A gente cruza agora a fronteira da paz, vamos para o Uruguai, porque também no mesmo contexto...
No próximo dia 18 de maio, completam-se 50 anos do sequestro e posterior assassinato do ex-senador fênin-champista Zeumar Micheline, no que foi um dos crimes mais simbólicos da ditadura civil-militar.
do Uruguai, né? Ele que estava exilado em Buenos Aires, foi sequestrado no Hotel Liberty em 18 de maio de 1976 e levado posteriormente a um centro clandestino de detenção e tortura próximo a motores Orlete, né?
E desde a redemocratização, o 20 de maio, é celebrada a Marcha do Silêncio por conta desse crime, além do assassinato do deputado blanco Héctor Gutiérrez Ruiz e do casal de militantes Rosário Barredo e William Whitelaw. Os corpos deles foram descobertos no dia seguinte dentro de um automóvel na intersecção das avenidas Perito Moreno e Dele...
Perito Moreno e Delepiani. Então, esse movimento que ocorre desde os anos 90, para lembrar os caídos, terá a presença do presidente Jamandu Orsi para lembrar a efeméride dos 50 anos da morte do seu correligionário da frente ampla, o Zelmar Michelini.
Do Uruguai, vamos agora para o Paraguai, seguindo o caminho de José Hervásio Artigas, já que Taiwan anunciou um ambicioso hub de inteligência artificial na América do Sul.
A gente sabe que a questão do aumento do uso da inteligência artificial requer muito uso de energia e o Paraguai sempre foi um lugar tido como queridinho por conta do preço, enfim, da energia. E agora Taiwan anuncia essa decisão, lembrando que as relações do Paraguai com Taiwan são muito boas. Inclusive tem esse embate com a questão da China e o Paraguai mantém a sua posição com relação a Taiwan.
Do Paraguai vamos para a Argentina, já que o país liberou vapes sob protesto de entidades médicas. É, o governo me lei indo na contramão da orientação dos órgãos de saúde, né? Segundo o governo argentino, a proibição não impediu o consumo, então agora a ideia é liberar com novas regras para tentar...
restringir de certa forma o uso, mas eu não acho que esse vai ser de fato o caminho. O uso do vape é muito condenado, ele foi liberado de forma rápida, inclusive em países europeus há muito tempo e quando começaram os estudos acerca dos malefícios ficou provado inclusive que era pior do que você fumar o próprio cigarro. Então acho que é um debate importante e preocupante quando a gente vê simplesmente a liberação porque a sua proibição não impediu o consumo.
E também tivemos mais um escândalo envolvendo o porta-voz do governo Milley, o Manuel Adorne, né, Fernanda?
É, exatamente. O Adorno, ele continua no centro dos escândalos de corrupção na Argentina e continua super respaldado pelo presidente e pela irmã Karina Milley. E aí, nesse caso, o juiz federal Ariel Lirro pediu informações a empresas que têm vínculos comerciais com o Estado argentino e que teriam contratado serviços de coaching ontológico da consultora.
Bettina Angelletti, que é mulher do chefe de gabinete do Millei, o Manuel Adorni.
E que acompanhou ele em diversas viagens aí, né, aos Estados Unidos, ao Caribe, enfim. Também tá no centro aí desse escândalo, né. Impressionante, né, como os irmãos Milley não largam a mão do Adorno. Eu fico me perguntando por quê, né. É, é isso que me assusta. O que tem aí que a hora que vier à tona também, qual vai ser o potencial destrutivo?
E ontem tivemos protestos em várias cidades da Argentina por conta dos cortes nas universidades públicas e que foram massivos. A gente chegou a comentar alguns programas atrás justamente sobre os impactos desses cortes, inclusive em hospitais universitários. E aí essas manifestações pediram ontem que a lei do financiamento universitário seja aplicada. Nacionalmente foram mais de um milhão e meio.
de manifestantes que saíram às ruas. E, segundo o Conselho Nacional Interuniversitário, o envio de verba por parte do governo sofreu uma queda de 45,6% desde 2023. Além disso, o salário de professores, por exemplo, perdeu mais de um terço do seu poder aquisitivo diante desses cortes e dessa nova política do governo Millen.
E ainda na Argentina temos também o caso do rantavírus, já que um passageiro foi evacuado de um cruzeiro após testar positivo, enquanto que os demais passageiros voaram de volta para casa. E a Argentina agora corre quanto tempo para descobrir de onde se originou o vírus nesse cruzeiro.
São diversos tipos de antavírus, né? E existe uma preocupação, inclusive autoridades sanitárias já falaram que não existe um risco de uma pandemia. Acho que muita gente ficou com esse receio quando começaram as notícias do antavírus. Mas é algo que tem surgido em alguns países e que vale a gente acompanhar.
Da Argentina, vamos agora para a Bolívia, já que depois de ter sido aprovada no começo do mês passado, foi derrogada a Lei 1720 nesta semana. Isso porque...
O presidente Rodrigo Paes se comprometeu com derrubar a lei, que mudaria a definição de pequena para média propriedade, e com isso acarretaria em mais impostos para os proprietários de terra, depois de um encontro com a Confederação Única dos Trabalhadores Campesinos.
da Bolívia. E o partido oficialista, o PDC, à exceção de dois representantes de Santa Cruz, votou por abolir a norma, enquanto que a bancada do Partido Livre, de oposição,
do candidato derrotado Jorge Tutu Quiroga, permaneceu em defesa da lei, o que ficou 56 a 44, e o partido governista contou ainda com o apoio do único representante do MAS, além de toda a bancada da Aliança Popular, do Andrônico Rodrigues, dois votos do Sumate, do Manfred Reyes Vigia, e quatro votos da unidade do Samuel Dória Medina. E cenas.
três candidatos derrotados também na última eleição presidencial. Mas mostra aí como o governo Rodrigo Paz está andando na corda bamba, porque encontra pouquíssimo apoio em diferentes setores da sociedade boliviana e o país está convulsionando com diversos protestos desde o começo do seu mandato.
Sim, inclusive esse tema levou a um grande protesto, uma marcha de diversas pessoas que saíram das regiões amazônicas e foram até a capital, e inclusive cobrar justamente o Paz sobre essa medida, essa decisão que agora caiu justamente por isso. Ele fica na corda bamba entre a questão do que ele vai aprovar e o que ele vai deixar para frente.
E no último sábado, o Rodrigo Paes se encontrou com diversas autoridades em Cochabamba, justamente para tentar demonstrar uma coesão nacional, porém, chamou a atenção a ausência do seu vice-presidente, o Edman Lara, que na segunda-feira disse que não foi convidado.
para esse encontro e que, nas suas palavras, muitos deputados e senadores receberam convite pelo WhatsApp e ele não foi tido em conta. E, apesar da reclamação, ele disse que o presidente não é seu inimigo e que os dois têm que dar solução a este país. E o que eu achei curioso, Fernanda, é que as pesquisas de opinião têm perguntado sobre o Lara também, o que não é curioso.
Exatamente. Ninguém é sondado assim, o que você acha do vice-presidente do país. Porém, a popularidade dele tem despencado, né? Porque, de acordo com a última pesquisa do Ipsos Ciesmore...
A desaprovação, a atuação do Edman Lara como vice-presidente, chegou a 80% no mês passado, comparado a 52% em novembro de 2025, ali no começo do governo. Enquanto que o seu respaldo junto à população passou de 34% a 13% no mesmo período.
E os departamentos onde ele é mais rechaçado são La Paz, com 85%, e Santa Cruz, com 83%.
É, é um indicativo muito forte de como está a situação do governo em si. Obviamente a gente concentra na figura do Paz, a desaprovação, e essa visão que a gente até comentou agora sobre ele estar na corda bamba, sempre numa indecisão e buscando apoio onde ele não encontra. Mas, obviamente, quando você tem pesquisas perguntando sobre a gestão do vice-presidente, isso é um indicativo de que o presidente não está indo bem.
O que a população tá falando é que o governo, de forma geral, não tem ido bem.
E também no começo dessa semana, o ministro de governo, o Marco Antônio Oviedo, declarou que as mobilizações e bloqueios que foram registradas em diferentes regiões do país recebem instruções desde o tópico de Cochabamba. Ele não citou nomes, mas nem precisa. Nas palavras dele, vieram do tópico e estão movimentando com dinheiro e pessoas. Então...
Foi aí um shade para o ex-presidente Evo Morales, cujo julgamento por tráfico de pessoas foi suspenso.
Exatamente, e numa semana em que a gente comentava, oscilou muito. A justiça chegou a ordenar a prisão do Evo Morales também por conta dele não se apresentar diante do tribunal que o julga por até inclusive ter engravidado uma menina de 15 anos quando era presidente. Agora você tem a suspensão desse julgamento e no momento em que o Evo tem sido citado aí, como a gente está vendo, e tem se enrascado cada vez mais nessas denúncias.
E ainda em relação aos protestos, tiveram que ser feitos voos humanitários que saíram desde o aeroporto de Oruro, com destino a Juliaca, no sul do Peru, ali próximo da fronteira com a Bolívia, já que mais de 140 cidadãos peruanos se encontravam presos por conta dos cortes de estradas, eles que eram turistas.
e queriam retornar para o seu país, então houve aí essa coordenação entre o aeroporto Juan Mendoza, em Oruro, a navegação aérea e os aeroportos bolivianos, junto com o consulado geral do Peru e o Ministério de Relações Exteriores da Bolívia. Então, esses...
turistas peruanos acabaram sendo resgatados e foram levados ao sul do seu país, daí onde retornariam cada qual para a sua cidade.
Isso justamente, a gente vê essas convocações de marchas, né? O Evo falou que ele não está diretamente ligado a algumas dessas marchas que foram convocadas, mas isso mostra ainda uma capacidade da figura do Evo de movimentar mesmo a parte da população boliviana e de causar aí um certo caos no dia a dia, enfim, justamente com os bloqueios, os protestos como a gente tem visto.
E outro ex-presidente boliviano que sentará no banco dos réus é o Luiz Arce, isso por conta do escândalo do fundo indígena, já que estão sendo investigados mais de 3 mil projetos que teriam desviado mais de 3 bilhões de bolivianos, o que daria pouco mais de 2 bilhões de reais. E, de acordo com o vice-ministério de transparência, é...
Essas investigações serão reunidas num só processo com centenas de irregularidades detectadas no manejo de recursos deste instituto. Então, esse é o caso que está aí complicando o antecessor do Rodrigo Paz, o Luiz Arce, cujo filho também está sendo investigado por crimes relacionados a YPFB.
E uma última notícia relacionada à Bolívia foi que o narcotraficante brasileiro Kleber Nóbrega Pereira, conhecido como Quequel, um dos chefes do Comando Vermelho na Bahia, acabou sendo detido no país vizinho nesta semana. Ele que tinha ordem de prisão no Brasil por...
Diversos homicídios foi capturado no departamento de Santa Cruz de la Sierra, numa luxuosa mansão avaliada em um milhão de dólares no município de Cotoca. É, onde ele vivia se passando por um próspero empresário.
Ele que tinha a cédula vermelha da Interpol e, como eu falei, era buscado não só por homicídio, mas também por narcotráfico, tráfico de armas, corrupção de menores e lavagem de dinheiro. E também foi presa a sua esposa, Micaele Santos Silva.
Da Bolívia vamos agora para o Peru, já que finalmente temos a contagem total dos votos. Eu já nem lembro quando foi a eleição. Pois é, a gente já está quase no segundo turno, inclusive. Mas então agora temos os números finais do primeiro turno peruano. E daí podemos também fazer algumas leituras regionais.
Sim, isso era justamente um dos pontos que alguns analistas traziam como importantes de serem avaliados quando se falava em refazer a votação. O Aliaga falou muito da questão do voto em Lima, mas esse indicativo já mostrava que a chance dele virar um placar no cenário nacional era muito pequena.
É, e pensando na eleição em cada departamento, a Keiko venceu na maioria deles, inclusive em Calau, que é próximo de Lima, onde tem o Porto. Mas ela teve um desempenho, como era de esperar, muito ruim no sul do país, principalmente no departamento de Puno, onde ela teve a pior votação, com cerca de pouco mais de 3% dos votos nessa região.
É, que é uma região muito afetada pela política do Alberto Fujimori, do ditador Alberto Fujimori, e que sempre tem um rechaço ao nome da Keiko muito grande. É, enquanto que o Roberto Sanches, ex-ministro do Pedro Castilho, teve uma votação bastante expressiva nos departamentos de Ayahuasca.
Cúcio e Juanca Vélica, que são ali no sul e no centro-oeste do país, respectivamente. Enquanto que o López Aliaga também venceu no voto da diáspora, com mais de 23%, vencendo em quase todos os países, a exceção da Argentina e do Chile, que votaram na Keiko, pensando aqui no contexto.
sul-americana, mas o López Aliaga venceu na Bolívia, no Uruguai, no Brasil, na Colômbia, Estados Unidos, Canadá, quase toda a Europa, Nova Zelândia, enfim, foi o candidato preferido da diáspora peruana e, só como curiosidade, o Nieto venceu em Arequipa.
Ele que é natural do departamento, enquanto que o Belmont venceu em Tacna e eu não achei nenhuma razão para tal. Ele não é natural do departamento, mas foi o vencedor com um pouco menos de 13% dos votos.
Você entra na conta das curiosidades políticas que só ocorrem no Peru. Eu fiquei buscando se o vice dele era de lá, mas acabei não achando alguma relação. Inclusive, a gente acabou descobrindo, né, Fernanda, que existe...
o segundo vice-presidente. Pois é, exatamente. A gente estava conversando aqui antes da gravação que tem essa figura que a gente não presta muita atenção, mas que ela é relevante quando a gente considera um país que tem tantos processos de impeachment. Então, na verdade, você elege aí uma chapa com presidente, vice-presidente.
E segundo vice-presidente, que acaba assumindo, no caso do impeachment do presidente e do vice-presidente. E como a gente tem visto recentemente, os casos de corrupção são muito grandes no Peru e eles vão levando realmente muita gente da classe política, justamente quem está no cargo. Então, faz muito sentido agora ter essa figura.
É, e já temos agora, com a definição dos dois candidatos ao segundo turno, as primeiras pesquisas, no qual o Roberto Sanches leva uma ligeira vantagem. Mas, enfim, a gente sabe que isso não quer dizer muita coisa no contexto peruano.
A gente vai ter a reedição da eleição de 2021, com a Keiko Fujimori representando a extrema-direita de um lado, e agora o Roberto Sanches representando uma extrema-esquerda do outro lado. Em 2021, Pedro Castilho venceu.
a Keiko, vamos ver o que acontece. Muitos analistas peruanos vêm colocando essa eleição como a grande chance da Keiko Fujimori, mas realmente o crescimento final do candidato Sanches pode ser realmente um entrave e mudar esse cenário.
E ainda falando no Peru, Fernanda, teve um caso bastante curioso aqui, né? Já que tinha uma denúncia de uma mineradora ilegal em Pataz, no norte do país. E uma equipe de agentes da polícia chegou para investigar os autores do assassinato de um...
empresário minerador ilegal o Rolve Rodrigues, enquanto que uma patrulha do exército deteve os policiais apresentando como delinquentes. Dias depois, efetivos policiais de uma delegacia de pataz detiveram o chofer do oficial do exército que tinha entre os seus pertences nada menos que a placa da moto da vítima. Ou seja, em quem confiar, né? De quem correr. É.
E agora uma boa notícia. No Peru, o país aprovou a primeira política nacional indígena. Claramente vai ter uma questão de implementação, mas é um documento que articula 19 ministérios e 40 entidades para garantir o acesso a direitos coletivos de mais de 6 milhões de peruanos. Foram seis anos de discussões antes da aprovação da política nacional de povos indígenas ou originários.
com o objetivo de justamente melhorar a vida dessas populações. Esse documento vai ficar a cargo do Ministério da Cultura e tem nove objetivos principais, entre eles a questão da titulação das terras, o efeito que tem a mudança climática nos meios de vida dessas populações e o aumento da participação e liderança de mulheres para garantir também os direitos dos povos em situação de isolamento e o acesso a serviços de saúde e educação.
Do Peru, vamos agora para o Equador, já que temos outro ex-presidente sul-americano sentado no banco dos réus, no caso, o Lênin Moreno, cujo julgamento começou nesta segunda-feira por conta do caso Sinoílio, em relação à construção.
da hidrelétrica Coca-Cola Sinclair, instalada na Amazônia Equatoriana. E ele está sendo acusado de receber 1 milhão de dólares em subornos para favorecer esta empresa chinesa. Isso quando ele era vice-presidente na época e ficou conhecido a fórmula dos 4%, que seria a propina proporcional.
paga as autoridades, no que é um dos maiores escândalos de corrupção, e a gente vai seguir repercutindo depois do resultado do julgamento. E também tivemos a viagem do presidente Daniel Noboa à Punta Cana.
na República Dominicana, e de acordo com a chanceler equatoriana, Gabriela Somerfield, essa reunião tem como objetivo avançar num acordo comercial entre ambos os países.
Por outro lado, a Secretaria-Geral da Comunidade Andina ordenou na sexta-feira passada que Equador e Colômbia devem retirar em um prazo de 10 dias as tarifas recíprocas que começaram por parte do governo equatoriano. Isso porque vulnerariam o acordo de Cartagena e afetam o comércio regional.
E, por fim, temos a possibilidade da candidatura da Maria Fernanda Espinosa para o cargo de secretária-geral da ONU. É, ela foi presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas entre 2018 e 2019 e se torna a quarta mulher nesse posto. Ela também foi ministra da Defesa entre 2012 e 2014 e chanceler entre 2017 e 2018, justamente durante os mandatos do ex-presidente Rafael Corrêa. E, por fim, temos a possibilidade da candidatura da ONU.
E a candidatura dela foi por parte de Antigo e Barbuda, o que é curioso. Enfim, não deve ter muita chance, até porque não conta com respaldo nem do seu próprio país, já que ela é uma aliada do ex-presidente, que está no campo oposto ao atual presidente equatoriano.
Mas então temos aí uma mulher latino-americana junto a Michelle Bachelet para concorrer ao principal cargo da Organização das Nações Unidas. Bem, Fernanda, como sempre, a gente encerra a sua participação com a sua dica cultural.
Vamos lá, hoje eu vou deixar duas dicas, na falta de uma, mas uma vai ser puxando a minha sardinha para a Carta Global, que essa semana eu vou publicar uma conversa com o Frederic Massé, que é um analista colombiano e especializado justamente em criminalidade na América Latina, ele estuda o crime organizado na América Latina.
E aí a gente bati um papo com ele ontem, mais de uma hora aí de conversa, sobre essas questões que estão permeando as diversas eleições na nossa região. E aí vai ao ar, então, essa semana. E, além disso, eu queria deixar aqui, aí sim, uma dica bem cultural e mais leve.
que é a indicação de um álbum de música que eu estava ouvindo hoje com o meu filho, que é Vozes da Purificação, de Edith do Prato. É um álbum de samba de roda, muito interessante, tem uma versão de marinheiro só que é muito legal. Deixo aqui então para os nossos ouvintes e nossas ouvintes.
Bueno, vocês ficam agora com a coluna da professora Vivian Almeida. Gambito da Dama
Olá pessoal, espero que estejam todos bem. Bom, hoje eu vou falar de um assunto que é brasileiro, mas na verdade eu trouxe para vocês por quê? Estamos falando o tempo inteiro sobre isso, acho que é um assunto caro para todo mundo, mas na verdade...
ele foi parar no Financial Times. E, obviamente, a gente não precisa do Financial Times para validar as nossas agendas, não é nada disso, mas eu queria trazer pela perspectiva do olhar internacional de um veículo, eu sei disso, sobre um assunto que tem despertado muito interesse de todos nós, que é a extinção da escala 6x1 para tentar levar os brasileiros à escala 5x2. Bom...
O que o Financial Times, que a gente não pode dizer que seja exatamente a conferência dos editoriais marxistas do mundo, falou sobre a nossa ainda permanência na escala 6x1, registra-se aqui para algum segmento da população economicamente ativa.
Falou que nós estamos atrasados, obviamente, surpreendendo zero pessoas. Essa é uma discussão que, de fato, em muitos segmentos, ela já não existe há muito tempo. Várias atividades econômicas são regulamentadas no sentido de ter uma jornada de trabalho menor. Mas o fato é que ainda existe essa jornada de trabalho. E o fato de termos saído aí...
na imprensa internacional com esse atraso, coloque em evidência algumas análises que a gente pode pensar sobre essa ótica internacional. Primeiro, é quase anedótico que esse editorial vem justamente numa coincidência proposital com o centenário.
da aplicação da escala 5x2 pelo Ford para os seus trabalhadores. Ou seja, não é exatamente uma discussão inédita, já se pensa há bastante tempo na associação do aumento da produtividade com uma redução da jornada de trabalho, o que é absolutamente em linha com o que a gente pensa do mundo que...
se apresenta diante de nós. A discussão da escala 6x1, obviamente, tem todas as considerações, ponderações e sensibilidades políticas de uma discussão interna, né? Assim, o nosso parlamento que está discutindo isso, de novo, a gente não precisa de nenhuma imprensa internacional para referendar a gente.
Mas ela coloca aí, assim, dois pontos de vista que são interessantes para a gente pensar como que o nosso mercado de trabalho se estrutura e como que ele se insere aí nessa perspectiva internacional. Como eu disse para vocês, de novo,
A escala 6x1 é vigente em alguns segmentos, não em todos. Muitas formações, ocupações já são regulamentadas no sentido de terem jornadas de trabalho até menores do que 40 horas e a escala 5x2.
Mas ela revela a base da pirâmide, né? Se a gente desagrega os dados, o que a gente vê é justamente que é um percentual dentro de um determinado setor e, em geral, os profissionais da base. Então, se a gente pega, sei lá, obras, né? Assim, não vai ser um engenheiro que vai ter a escala, que vai adotar a escala 5x2, que vai...
ser legitimado a usar a escala 5x2, vai ser ali o pedreiro, por exemplo. É base de pirâmide salarial, tá gente? Pelo amor de Deus. E isso mostra que a gente ainda tem uma desigualdade muito expressiva no nosso mercado de trabalho, não só em termos de renda, mas em termos de...
À medida que as ocupações são menos qualificadas, elas sofrem com uma intensidade maior em termos de jornada de trabalho. E mais do que isso, que eu acho que talvez seja um ponto muito nevrálgico da nossa análise, é que parece que a gente está em mundos distintos.
Hoje, se a gente tem qualquer ocupação e a gente troca ideia com nossos pares de trabalho, o que a gente percebe é que, e aí de forma muito anedótica, essa semana eu tive dois episódios sobre isso, que muito do nosso tempo laboral era ocupado...
por atividades, as nossas horas de trabalho eram ocupadas por atividades que atualmente são muito rapidamente substituídas pela inteligência artificial, pela tecnologia e por uma série de reconfigurações no mercado de trabalho.
O que, obviamente, a mim me preocupa muito, eu sempre fico pensando com esse perfil economista catastrofista, o que vai ser dos nossos empregos, porque o tipo de trabalho que eu conheço é um tipo de trabalho altamente substituível pela inteligência artificial.
Ao mesmo tempo que se a gente pensar de uma forma um pouco mais positiva, a gente poderia ir na direção da redução do tempo de trabalho com o acompanhamento do aumento da produtividade.
E aí quando a gente se depara com essa análise, com essa perspectiva, com discursos na Europa, né, falando sobre redução do trabalho, sobre aumento de qualidade de vida, enfim, né, sobre tempo com a família, né, a Holanda é um exemplo muito claro, né, sobre isso que tem reduzido e tem dito, tem tentado adotar 4x3 com ênfase na...
na qualidade de vida como algo essencial e a ser perseguido como um princípio nacional, por assim dizer.
A gente, ao mesmo tempo, está aqui discutindo a manutenção de uma escala de trabalho que reforça e reflete justamente aquelas atividades que têm uma menor renda, ainda uma menor produtividade e, portanto, vai abrindo esse fosso da desigualdade. E aí o elemento não só renda, mas o elemento...
tempo, sobremaneiro o elemento tempo. E por que isso é importante? Por que eu acho interessante a gente trazer? Porque o elemento tempo ele é uma compra indireta de bem-estar altíssima, né? Então é um reforço do aumento da desigualdade. Se você não gasta tanto tempo no transporte público, se você tem mais um dia de lazer, se você tem uma redução nas horas que você dedica.
ao seu ofício laboral, você tem condição de se alimentar melhor, de praticar exercício físico, de se educar, de estudar, uma série de situações que são uma renda indireta, né? O viver melhor faz com que você tenha um aumento de bem-estar. E assim, pelo menos aqui na nossa idílica visão do Manual da Economia, a renda ela serve para comprar bem-estar, né? Ao fim e ao cabo.
Então, olha que coisa, assim, ao mesmo tempo é espantosa, quer dizer, não é espantosa, ela não surpreende, né? Mas ela reforça que...
a perspectiva de um aumento da desigualdade, no caso do Brasil, nessa discussão da escala 6x1, ela vai ser intensificada na medida em que, muito provavelmente, algumas atividades tendem a ter uma jornada reduzida com um incremento de produtividade, ao passo, e isso é bem comum, choques tecnológicos em geral fazem isso, né,
Quem tem mais condição de absorver o choque tecnológico se beneficia disso e quem não tem se prejudica porque está muito distante do topo que absorveu o choque tecnológico. É ao passo que essas atividades tendem a fazer uma manutenção ali da base da pirâmide de renda, não só em termos de uma renda menor, mas em termos também...
de uma redução de bem-estar na manutenção dessa jornada mais extenuante de trabalho. E de novo, isso nos coloca numa posição que talvez explique bastante do que está acontecendo no Brasil dessa vez, que a despeito dos bons indicadores macroeconômicos, a percepção não é exatamente de que estamos num país cumprindo. E, cumprindo,
Bom para se viver economicamente. Porque de fato, quando a gente pensa no tanto que a gente tem que trabalhar, no tanto que nas rendas, em como o trabalho tem sido ofertado, porque isso tudo, essa discussão toda, gente, é uma discussão que envolve o mercado formal. Eu nem adentrei na questão da...
da oferta de trabalho via aplicativo, que também se insere numa análise não só brasileira, mas internacional, muito preocupante no sentido de a gente não está mais necessariamente falando de emprego, mas de oferta de trabalho, sem que necessariamente a gente entenda como que serão essas configurações.
em termos de horário, em termos de proteção social, em termos de manutenção, quais são as perspectivas que você tem ofertando o seu trabalho numa economia uberizada. E isso tudo, de novo, reforça as nossas desigualdades, intensifica.
E coloca a gente sendo mal avaliado pelo Financial Times, dizendo que estamos atrasados na implementação da escala 5x2. Bom, pessoal, como eu disse, é um assunto brasileiro, mas eu queria um pouco trazer aí a...
a perspectiva de um olhar de fora, em que muitas notícias aparecem no jornal no sentido da redução da jornada, associada a uma leitura do que pode ser o aumento de produtividade com a inteligência artificial e como que a gente deveria, por exemplo, acomodar essas pessoas que vão perder renda e oportunidade de trabalho. E aí só um parênteses, hoje eu estou meio falante, só um parênteses.
a Esther ai meu Deus eu esqueço o nome dela a que ganhou o prêmio Nobel junto, ela, uma equipe que incluía o marido dela e eles têm falado que o Brasil deveria pensar no Bolsa Família 2 para a classe média que vai perder renda
Então, porque volta aquela história, não é manter as mesmas pessoas num tempo maior nas suas jornadas, mas é como fazer para incluir outras pessoas no mercado de trabalho, pessoas que são mais velhas, mas que ainda não têm nem idade ou talvez nem tenham aposentadoria.
Enfim, jovens que estão alijados no mercado de trabalho, tudo isso são oportunidades que teriam voz e teriam vez se a gente repensasse a jornada de trabalho, mas aparentemente a gente está indo um pouco na contramão com esse movimento de manutenção do 6x1.
Então é isso, pessoal. Desejo uma ótima semana para vocês e até semana que vem. Passemos agora para o segundo bloco do Giro de Notícias. Giro de Notícias.
Notícia do sábado passado, dia 9 de maio. Rússia enfrenta a força apoiada pela OTAN, segundo Putin, em dia da vitória. O Putin deu discurso no dia da vitória, dizendo que os soldados russos enfrentam uma força agressiva apoiada pela OTAN. É claro que o discurso do Putin no dia da vitória sobre a guerra na Ucrânia E aí
vai ser o mesmo discurso, a mesma narrativa utilizada pelo governo Putin nos últimos anos. Não vai ter grandes mudanças, não vai ter grandes novidades. Porém, a grande notícia desse dia da vitória, desse 9 de maio, foi o fato de que nós tivemos uma parada muito reduzida. Ela durou apenas 45 minutos.
Ela não contou com grandes veículos militares, então carros de combate, nada disso. E principalmente, talvez mais preocupante para o Putin, para as relações da Rússia, foi o fato de que ela foi também esvaziada de lideranças internacionais.
Estiveram presentes apenas o presidente barra ditador de Belarus, o Lukashenko, presidente do Cazaquistão, Tokayev, presidente do Laos, o rei da Malásia, presidente do Uzbequistão e o primeiro-ministro da Eslováquia, lideranças de estados nacionais. Só isso. Várias lideranças de países ex-soviéticos...
que tradicionalmente são convidados, porque o dia 9 da vitória, gente, não é uma celebração da vitória russa na Segunda Guerra Mundial. É uma celebração soviética na Segunda Guerra Mundial. Inclusive, após a dissolução da União Soviética, na primeira década, mais ou menos, de federação russa,
O 9 de maio perdeu parte do prestígio, perdeu parte do impacto, ele foi recuperado, resgatado, com um discurso bastante nacionalista, com a adição das cores de São Jorge, inclusive, já no governo Putin, já no século XXI. Então, as lideranças de Armênia, Azerbaijão, para dar dois exemplos que estavam no ano passado, não foram.
E foram países que combateram na guerra, que lutaram a Segunda Guerra Mundial como parte da União Soviética. Então foi bastante esvaziado do ponto de vista de autoridades, de lideranças internacionais. Há de destacar que pela primeira vez um contingente...
do exército da Coreia do Norte, desfilou no desfile da vitória no dia 9 de maio. Então, foi uma parada militar bastante esvaziada, e não apenas em termos militares, não apenas nisso, porque isso possa ser colocado em segundo plano, mas o fato de ter sido esvaziada de lideranças internacionais é a notícia sobre esse assunto.
E falando de países da antiga União Soviética, meu caro Matias, para fazer uma aglutinação geográfica aqui no programa, o ministro da Defesa da Letônia, ele renunciou essa semana por conta de polêmicas sobre a guerra na Ucrânia, inclusive o fato de que drones ucranianos...
teriam entrado em espaço aéreo Letão em direção à Rússia. Um deles, inclusive, explodiu em solo Letão. E, por conta dessa renúncia, uma notícia de hoje, o Partido dos Progressistas, que é um partido de centro-esquerda, que é o partido do ex-ministro da Defesa,
anunciou que vai sair completamente da coalizão de governo e, por conta disso, o governo da Letônia pode cair essa semana. Vamos ver o que vai acontecer semana que vem. Já em relação ao Cáucaso, o Vladimir Putin...
Ele deu uma declaração essa semana, falando com a imprensa internacional, justamente no contexto do Dia da Vitória, de que a Armênia e a Rússia podem alcançar um divórcio civilizado, caso, via referendo, via plebiscito, a população da Armênia escolha fazer parte da União Europeia.
E, finalmente, ainda no Cáucaso, mas também ainda em um país da antiga União Soviética, na Geórgia, temos um novo patriarca da Igreja Georgiana, que será o Chio III. Ele que nasceu com o nome de Elisbar Mugiri e agora se tornará o patriarca ortodoxo georgiano.
E quando o antecessor dele faleceu aqui, nós comentamos brevemente que as lideranças religiosas das igrejas autocefalas, na Geórgia, na Armênia, na Armênia é uma igreja, inclusive, completamente separada. O termo ortodoxos não é totalmente preciso para falar da igreja armênia. Mas tem um papel também político de liderança social, liderança coletiva, muitíssimo importante e que não pode ser subestimado.
E finalmente, finalmente mesmo, agora só uma recomendação de leitura, porque é algo que ainda está sendo especulado, mas alguns dos ouvintes, os de memória boa, devem se lembrar daquele navio Ursa Maior, um navio russo que foi fundado no Mediterrâneo no final de 2024.
E agora especula-se que ele pode ter sido afundado intencionalmente e que a carga dele seria de reatores nucleares miniatura para submarinos norte-coreanos. É uma especulação na imprensa internacional, uma história de filme. Eu particularmente, eu não duvido, mas eu sou um pouco cético, porque eu acredito que esse tipo de carga possivelmente seria enviada via ferrovia.
para a Coreia do Norte. A Coreia do Norte e a Rússia têm conexão ferroviária, mas é algo que tem se especulado na imprensa nessa semana. Duas notícias da segunda-feira, dia 11 de maio. Sara Duterte sofre impeachment pela segunda vez.
Vamos lembrar que a Sara Duterte é a filha do ex-presidente Rodrigo Duterte e ela hoje é vice-presidente das Filipinas. Ela sofreu um primeiro impeachment alguns meses atrás por conta dela ter ameaçado o atual presidente Bong Bong Marcos de morte. Ela ter dito que mataria o presidente se necessário.
Porém, agora ela sofreu um segundo impeachment por mau uso de fundos públicos. Em boa palavra, teria embolsado uma grana, corrupção pura e simples. Lembrando que o pai dela está preso e está em Haia, nos Países Baixos, onde ele está respondendo no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade por conta da sua chamada guerra às drogas. Então, vamos lá.
E por que ela sofreu um impeachment, mas continua no cargo? Porque ela também tem que ser removida no cargo no Senado, por dois terços do Senado, que não foi o que aconteceu daquela vez e dificilmente acontecerá agora. Ela sofreu impeachment na Câmara Baixa. É a mesma coisa que aconteceu com o Donald Trump, por exemplo, no final do primeiro governo dele, em que ele sofreu impeachment na Câmara dos Deputados, mas foi salvo no Senado.
E, meu caro Matias, passando por outras duas notícias asiáticas, indo pela costa do Pacífico, a gente vai primeiro para a Tailândia, já que o ex-primeiro ministro da Tailândia, o Taksim Shinawatra, ele recebeu liberdade condicional essa semana, depois de cumprir oito meses de prisão por corrupção. Vamos lembrar que ele... ...
É um bilionário, já tem ali os seus 70, 70 algo anos de idade. Primeiro, ele estava no poder e foi derrubado no golpe militar de 2006 e ele alega que essa pena de prisão que ele cumpriu parcialmente por corrupção é uma condenação política.
É uma condenação de perseguição política porque ele é uma liderança que não atende aos interesses dos militares tailandeses. E a gente sempre repercute aqui como a Tailândia tem uma lei extremamente autoritária, em que tanto o monarca quanto os militares que são os verdadeiros mandatários do país. Então a gente foi das Filipinas para a Tailândia via Pacífico e aí da Tailândia a gente vai para o Camboja via fronteira terrestre.
já que o Camboja e a Tailândia tiveram as várias escaramuças nesses últimos meses, nesse último ano, vamos colocar assim. E agora, meu caro Matias, o Camboja anunciou que vai expandir o prazo do serviço militar obrigatório no país. E o próprio primeiro-ministro disse que é necessário melhorar as tropas para a proteção da nação.
Então agora, em vez de 18 meses, os jovens cambojanos vão ter que servir o exército por dois anos. O prazo era de 18 meses, um ano e meio, agora será de dois anos. E quem fugir do serviço militar obrigatório vai poder pegar até dois anos de cana. Então em vez de dois anos de serviço militar, você pega dois anos de prisão.
Trump cobra lealdade da Suprema Corte em caso de cidadania. A Suprema Corte dos Estados Unidos vai começar a julgar o caso que o governo do Trump busca banir a nacionalidade por nascimento. Então, o que acontece? Os Estados Unidos, assim como o Brasil, assim como a maioria dos países americanos, é um país de jus sole. Ou seja, você é cidadão do país se nascer no solo daquele país.
independente das suas origens, que são a ideia de países americanos que receberam pessoas do mundo inteiro. Obviamente essa é a narrativa romântica disso. Então você tem a família que chegou do Líbano, você tem a família que chegou do Japão, você tem a família que chegou da China, você tem a família que chegou da Bolívia, mas os filhos dessas pessoas todos nascem em São Paulo e eles são brasileiros.
Nos Estados Unidos é a mesma coisa. E o governo Trump quer acabar com isso, dizendo que filhos de pessoas que estão em situação irregular ou vistos temporários recebam nacionalidade. Lembrando que muitas pessoas da elite brasileira, da elite econômica brasileira, nos estágios finais da gestação, vão para os Estados Unidos, muitas vezes com vistos de turista.
para a criança nascer lá e ter cidadania dos Estados Unidos desde o nascimento. Isso é um fenômeno que ocorre dentro da elite brasileira, e vocês podem conferir sobre isso. E o governo Trump quer acabar com isso.
E muitas pessoas nos Estados Unidos, incluindo juristas, afirmam que isso é um absurdo, tanto por razões éticas e morais, mas também porque isso é uma base do direito dos Estados Unidos. A ideia é de que é a frase que está na Estátua da Liberdade. Mande-me os seus pobres, os seus farrapos, e aqui eu farei eles grandes.
Eu estou parafraseando, não é citação literal. E o que o Donald Trump fez, então, meu caro Matias, no comportamento mafioso dele, é falar para os juízes que ele nomeou que eles têm que votar de acordo com o desejo dele. Eles têm o dever de fazer a coisa certa, mas é ok que sejam leais à pessoa que os nomeou.
Ou seja, ó, eu que nomeei vocês, vocês têm que votar de acordo ao que eu quero, hein? Lembrando que hoje nós temos três juízes na Suprema Corte que foram nomeados pelo Donald Trump, especialmente no seu primeiro mandato, incluindo o caso do Neil Gorsuch, que foi aquele juiz que eu escrevi sobre isso, inclusive esses dias no jornal, por quê? Muitas vezes se fala que o Brasil adora imitar os Estados Unidos.
porque a vaga dele deveria ter sido nomeada pelo Obama, porque foi quando o Scalia morreu. Porém, o Senado dos Estados Unidos sentou em cima da nomeação do Obama, não votou a nomeação.
porque diziam que não é ano de eleição, então quem vencer a eleição que tem que nomear o novo juiz da Suprema Corte. E ao invés de ser um juiz progressista, foi um juiz conservador. E o Davi Alcolumbre, presidente do Senado brasileiro, recentemente falou a mesma coisa no contexto da rejeição do Messias. A diferença é que no Brasil o Messias foi rejeitado, não simplesmente sentar em cima da nomeação.
dizendo que, olha só, quem que ganha a eleição que vai nomear essa vaga. Então, o Trump está aí agindo no modo mafioso dele, como sempre. Continuando em relação a notícias dos Estados Unidos, meu caro Matias.
A Corte de Comércio dos Estados Unidos julgou que as tarifas globais de 10% do governo Trump são ilegais e precisam ser revertidas. Já no Tennessee, tivemos a aprovação de um novo mapa dos distritos eleitorais.
que basicamente desmonta aquele distrito majoritariamente de população negra em Memphis, e isso significa muito provavelmente a perda de um distrito eleitoral para os democratas. É o fenômeno do gerrymandering e que a gente tem falado muito nos últimos tempos aqui no programa.
Já na Califórnia, a prefeita de Arcádia, que fica no sul da Califórnia, a Aileen Wang, de 58 anos de idade, ela se declarou culpada da acusação de ser uma agente ilegal chinesa.
e pode ser condenada até 10 anos de prisão e pagou uma fiança de 25 mil dólares. Ela admitiu que atuou como agente do regime chinês, sem formar previamente o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de 2020 a 2022, período em que ela fez parte do Conselho Municipal de Arcádia.
Ela que é prefeita desde fevereiro, há apenas alguns meses, porém ela se declarou culpada de ter sido uma agente chinesa. E claro que isso vai dar uma repercussão muito grande nos Estados Unidos. Para a gente encerrar sobre o comportamento mafioso do Trump, meu caro Matias, não sei se você viu esse vídeo, mas o Donald Trump estava falando com a imprensa, recebendo perguntas, e ele se referiu a uma jornalista em off.
uma jornalista da ABC, que é uma mulher negra, e ele chamou ela de, vamos usar aqui um termo que é uma ofensa em inglês, a gente vai usar apenas o termo em inglês, ele chamou ela de bitch, que pode ser traduzido como uma palavra em português que começa com V.
mais ou menos. Literalmente, é o feminino do cachorro, mas o sentido figurado é a palavra com V, como Felipe tratou.
A gente não vai repetir que os palavrões, porque a gente tem mais clássico Donald Trump. E tivemos, então, esse episódio, que é um ótimo exemplo do comportamento dele. Mas para a gente encerrar essa parte do giro de notícias, meu caro Matias, uma notícia mais positiva, a gente vai para o Canadá.
já que foi publicado agora um estudo que analisou os últimos 55 anos da presença do químico PFAS. Eu peço desculpas aos nossos ouvintes químicos e agrônomos, etc., porque eu não sei exatamente a pronúncia correta. O significado de PFAS é per- e polifluoralquiladas. Tá?
que são compostos químicos sintéticos, que estavam presentes inclusive nos ovos das aves no norte do Canadá. E agora esse novo estudo mostrou que dos anos 1990 para cá, quando muitos desses químicos foram proibidos,
esses níveis estão diminuindo progressivamente, ou seja, estamos limpando a sujeira que a humanidade causou no mundo, afetando os outros seres vivos. Notícia de hoje, quarta-feira, dia 13 de maio.
Aliado-chave de primeiro-ministro do Reino Unido deve desafiar liderança do Premier. Então, meu caro Matias, essa semana está sendo muito importante no Reino Unido e a gente vai repercutir mais isso no futuro porque nos próximos dias serão decisivos. Ainda não dá para saber o que vai acontecer, mas os próximos dias serão decisivos. Que é o seguinte, cerca de 80 parlamentares do Partido Trabalhista
assinar uma carta pedindo a renúncia do Katie Stummer, o primeiro-ministro do Reino Unido, e quatro, digamos assim, vice-ministros do Partido Trabalhista, a Jess Phillips, que era vice-ministra da pasta de violência contra mulheres e crianças, a Alexis Davis Jones, que era vice-ministra de Estado para Vítimas, a Miata Fambule.
que era vice-ministra para Poderes Devolutos, Fé e Comunidades, e o Zubir Ahmed, que era vice-ministro para Inovação de Saúde e Segurança. Quando eu falo vice-ministro, eu fico um pouco impreciso, porque ele era Undersecretary of State...
For Health Innovation. Então eles faziam parte de um ministério maior, mas essa era a pasta que eles eram responsáveis dentro desse ministério. Ficou um pouco confuso porque é algo que não tem um equivalente direto no Brasil, seria um secretário de ministério no Brasil.
Tivemos essas quatro renúncias e 80 parlamentares pedindo a renúncia do Keristamer e o secretário de saúde, que aí sim é o equivalente ao Padilha, no Brasil, que é o ministro da saúde, o Wes Streeting, desafiando a liderança do Keristamer. Porque o partido trabalhista, meu caro Matias, tomou uma surra nas eleições locais britânicas.
Ainda não temos um resultado nacional final completo, porém, o que se pode afirmar, sem dúvida nenhuma, é que o Reform UK, que é o partido do Nigel Farage, que é o partido que antes era pelo Brexit e que depois do Brexit virou partido pela...
expulsão de pessoas de origem estrangeira, um partido com bandeiras de racismo, inclusive, como vamos ver daqui a pouco, e o partido, entre aspas, antissistema, foi o grande vencedor. Eles conquistaram, aparentemente, mais de um quarto do voto nacional, do voto total nacional,
e mais de 1.450 assentos nos vários conselhos municipais. São 5.066 assentos. O Reform UK ficou com mais de 1.450. Enquanto o Partido Trabalhista...
que era o maior partido nos municípios, perdeu porcentagem do voto, ficou com 17% do voto nacional, e perdeu muitos, mas muitos assentos nos conselhos. O Partido Trabalhista teve um dos seus piores resultados nas eleições internas desde a Segunda Guerra Mundial, desde o pós-guerra.
O Partido Liberal Democrata ficou em terceiro, talvez empatado com o Partido Conservador, como eu disse, nós ainda não temos os números finais, é possível até mesmo que o Partido Conservador fique em segundo, e o Partido Verde também teve um grande crescimento.
O que nós podemos afirmar com certeza é que o Reform UK foi o grande vencedor das eleições municipais, das eleições locais, e o Partido Trabalhista foi o grande derrotado, mesmo sem os números finais. E além disso, meu caro Matias, o Reform UK ganhou...
Vai ter o governo de um dos boroughs da Grande Londres, então é como se fosse de uma cidade da região metropolitana de Londres, em Heverin, que fica no extremo nordeste de Londres, dos 55 assentos da Assembleia Local. Como se fosse a Assembleia de Vereadores, tá, gente? 39 foram eleitos pelo Reform UK.
Além da derrota avassaladora nas eleições locais, o Partido Trabalhista também sofreu uma derrota humilhante em Gales, no país de Gales. E agora o Parlamento Regional Galês terá quase maioria do Plaid Cumbria, que é o partido pelo independentismo galês. Eles tinham, olha só, meu caro Matias, eles tinham 13 assentos, passaram para 43.
Os trabalhistas tinham 29, passaram para 9. O Reform UK tinha 0, passou para 34. Então, o Partido Trabalhista sofreu uma derrota também humilhante em Gales, e agora os independentistas terão quase a maioria em Gales. E na Escócia...
O Partido Nacionalista Escocês continua em primeiro, não terá maioria, mas vai continuar em primeiro, mas perdeu assentos, o Partido Trabalhista também perdeu assentos e o Reform também foi o grande vencedor nas eleições locais escocesas. Então, o que esses políticos trabalhistas querem ao pedir a renúncia do Keristamer?
É falar, meu Deus, ninguém gosta de você. Sai daí para dar tempo de outra pessoa sumir e recuperar o prestígio e a popularidade do partido até a próxima eleição nacional, que vai acontecer até 15 de agosto de 2029.
mas pode acontecer antes, enfim, não necessariamente vai acontecer porque o Partido Trabalhista tem a maioria numérica, eles têm a maioria matemática no parlamento, na Câmara dos Comuns. Então, o que o Partido Trabalhista quer falar é que o Stammer vai embora, vai tomar um suco lá nas Bahamas.
e deixa alguém assumir o cargo e recuperar o prestígio e a imagem do partido até a próxima eleição. Porque olha o desastre que está ocorrendo e o crescimento do Reform UK também. Então, agora, podemos ter esse cenário de, inclusive, um desafio formal à liderança trabalhista dentro do Partido Trabalhista.
O Keristamer disse que não vai renunciar ao cargo nessa terça-feira, dia 12, porém ele pode eventualmente mudar de ideia ou pode sofrer uma derrota dentro do Partido Trabalhista.
E aí, meu caro Matias, eu falei do Reform UK e de posições nacionalistas e racistas e revisionistas da história, pelo menos um político do Reform UK, que foi eleito em Merseyside, que é onde fica Liverpool, ele já disse que não vai assumir o assento, porque ele, na sua campanha, ele foi filmado dizendo que o Holocausto, que é a Shoah, é uma farsa.
que teria sido uma invenção. Muitos dos nossos ouvintes que jogavam o In-Eleven antigamente talvez saibam de Merseyside ser Liverpool, porque como o jogo não tinha os direitos das equipes, o Liverpool era o Merseyside Red e o Everton era o Merseyside Blue. É, inclusive o clássico entre eles é o Merseyside Derby. Que é o nome do Rio. É, Merseyside é tipo a margem do Rio.
Ah, eu achava que era o nome do Rio. Não, não. O Rio é só Mercy. Mercy side é na margem.
Ah, olha só, faz sentido, nunca tinha me atentado a isso, ainda bem que temos você. E ainda sobre a extrema-direita britânica, meu caro Matias, o Tommy Robinson, que esse é um abertamente neofascista, ele... Literalmente um ex-hooligan. Literalmente. Vai ter um evento organizado por ele, agora dia 16 de maio, no Reino Unido.
e vários integrantes do movimento MAGA dos Estados Unidos foram barrados de entrarem no Reino Unido, sete pessoas no total, dizendo que essas pessoas possuem um histórico de agitação política e, por isso, não poderão entrar no país. Agora, meu caro Matias, você puxou, você começou essa parte do nosso giro de notícias dizendo que o secretário de saúde que pode desafiar o Keristamer. E aí
Essa semana, o Financial Times publicou uma matéria dizendo que o National Health Service da Inglaterra, o serviço de saúde pública pioneiro do mundo, criado no pós-segunda guerra mundial, compartilhou de forma ilimitada os dados dos pacientes, incluindo dados sensíveis à sua privacidade, com a empresa Palantir, uma das big techs, que é uma das empresas do Peter Thiel.
um cara tão obcecado com o anticristo que é muito possível que ele mesmo seja um anticristo e isso ocorreu durante a gestão do West Street que é o possível desafiante ao Kirsten e tem ligação, meu caro Matias com o caso Epstein porque quem apresentou
o Peter Mendelsohn, porque foi o Peter Mendelsohn que conduziu esse acordo. Quem apresentou o Peter Mendelsohn ao Peter Thiel foi o Jeff Epstein. Então, essa notícia, espero que ela gere bastante repercussão negativa no Reino Unido e possa eventualmente ser revertida, porque estamos falando de dados muito sensíveis, dados da saúde das pessoas, que estão sendo compartilhados sem filtros de acordo com a privacidade ou com a intimidade.
com uma outra empresa e uma empresa ainda por cima, sediada no exterior, com servidores no exterior. Então, como é que é a segurança do tráfego desses dados? Como é que é a segurança desses servidores? E por aí vai. Bem, passemos agora para a premiação que não altera a cotação da Libre Esterlina, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim.
Os peões. Bem, Felipe, a peã isolada dessa semana vai para a política que causou no país alheio e no seu próprio país.
Pois é, vai para Isabel Dias Ayuso, por toda a celeima feita. E detalhe, uma celeima ainda por cima, feita para querer defender o colonialismo, defender Hernan Cortes e tudo mais. Então, vai levar o peão isolado da semana também, para deixar de ser besta. Bem, Felipe, o peão promovido dessa semana, aproveitando a coluna aberta, vai para... Vai para...
paleontologia brasileira, pelo trabalho dos nossos paleontólogos, tanto em descobrir e preservar o patrimônio natural aqui no Brasil, mas também pelos trabalhos de repatriamento que nós temos vistos com o Birajara, com o Irritator. Esperemos que outros casos semelhantes acompanhem, tanto no Brasil quanto...
em outros países latino-americanos. Então, o Pion Promovido vai para a paleontologia brasileira com essa boa notícia do irritado. Bem, passemos agora para as dicas culturais.
DJ Monk The Almighty DJ Monk Sétimo selo Sétimo selo
Bem, Felipe, qual que é a boa para os nossos ouvintes neste meio do mês de maio? Então, meu caro Matias, no último dia 8 de maio... Passemos agora para o segundo bloco do Giro de Notícias. Apresentador, naturalista, narrador, roteirista, divulgador científico, David Attenborough, ele fez 100 anos de idade.
inclusive teve uma homenagem muito legal, muito bonita da Lego, porque os sets da Lego, eles vêm sempre escritos, a idade mínima daqueles sete, e aí até 99 anos de idade, você pode brincar até 99, e em homenagem a ele, a Lego publicou uma imagem, não sei se isso vai ser incorporado nos rótulos de verdade, nas embalagens de verdade, que agora vai até 100 e mais, em homenagem a ele.
E, assim, ele é uma daquelas figuras que o nosso ouvinte já assistiu, já viu, já ouviu, mesmo sem saber. Às vezes ele assistiu uma versão dublada, às vezes não conhece a voz, enfim, pode ser. Mas a minha sugestão, então, é assistir algum documentário de natureza, algum documentário sobre...
a riqueza natural da Terra sobre outros seres vivos ou sobre a flora, enfim. Vocês têm várias opções em várias plataformas. Então tem National Geographic, que está na plataforma do Mickey, tem na Locadora Vermelha, tem BBC, tem muita coisa no YouTube.
Então, assista alguma coisa do David Attenborough, tem documentário sobre dinossauros, inclusive, né, já que a gente falou de paleontologia, então assistam, o que não falta é conteúdo, porque o cara não apenas fez 100 anos de idade, mas ele está produzindo documentários e conteúdo, né.
desde os 30 anos de idade, desde quando ele tinha menos de 30 anos de idade, inclusive. Então a gente está falando aí de sete décadas já de material dele, você vai encontrar alguma coisa dele e já assistiu alguma coisa dele, sem dúvida nenhuma. A voz você reconhece, seguramente.
Pois é. Bem, a minha dica cultural vai ser o filme mexicano e a sua mãe também, do original Itumamá Tambien, dirigido pelo Alfonso Cuaron, que foi a primeira parceria nas telonas do Diego Luna e do Gael Garcia Bernal, lembrando que eles já haviam contrassenado na novela Vovô e Eu, que passou no SBT no começo dos anos 90.
Mas é um road movie muito interessante que se passa ali no sul do México. E aproveitando essa polêmica com a Isabel Dias Ayuso, tem também uma alegoria com uma invasora espanhola de apelido Cortes.
E o filme também completa 25 anos de lançamento no começo do mês que vem. Então, aproveitando a polêmica recente no México e a efeméride de bodas de prata desse filme, é a minha recomendação. E muito provavelmente por conta desse filme, que existem diversas crianças chamadas Gael no Brasil atualmente.
Bem, Felipe, temos recados dos nossos ouvintes, considerações finais. Bem, pessoal, no site do Xadrez Herbal, mandar um abraço para o João Otávio, que pediu também um abraço para o tio dele, o Milton Branco.
E mandou saudações havaianas. Um abraço pro Paulo Souza, pro Yuri Gandin, ambos comentaram a participação do nosso querido Diego. E o Yuri também pediu um abraço pro Cauê e pro Davi, amigos de faculdade e mestrado. Um abraço pro Gabriel Toná, que mandou a linha de ônibus 461, Jardim Orucola via Bung.
da cidade de Maringá, Paraná, que ele pegou durante muito tempo. Ele pediu um salve para o pessoal de Engenharia Química da Universidade Estadual de Maringá. Um abraço para o Paulo Luz Corrêa, para o Luciano Prado, que mandou alguns complementos sobre a fala do Diego. Um abraço para o Bruno Top.
pediu um parabéns pro Arthur Preá maior torcedor do Dragão Operário de Aracaju também um abraço pro Ricardo X ele pediu pra mandar um abraço pro filho mais velho dele o Chico e também pra Ana que ouvem nós passivamente e também pra Emily a companheira dela e falar pra ela voltar a nos ouvir
já que o programa dessa vez tem menos de 3 horas um abraço pro Zezinho, que viajou pela Bolívia em março com as dicas do Matias e nos e-mails também mandar um abraço pro Leonardo Roizentu que pediu um beijo bem grande e caloroso pra minha amada Cecília, um abraço pra Daniela Castro que mandou
o ônibus 461 Santa Bárbara, que vai para Rui Barbosa, no centro de Curitiba, e pediu um beijo para o Mozart e o marido dele, Tiago. Então, um abraço para os três. Um abraço para o Vitor Magalhães, que mandou a linha 461 Tapera via Túnel, que sai do centro de Floripa, em direção ao bairro Tapera, no sul da ilha. E ele disse que a ressacada é a casa do maior time do mundo, o Havaí Futebol Clube.
Também um abraço para o nosso ouvinte Guilherme Arashiro, que é o Tinanchu, ele que nos mandou a linha 461 diretamente de Amsterdã e contou algumas curiosidades da linha. Também um abraço para o Tiago Mota, que comentou sobre a adoção do Linux pela França. Um abraço para o Vitor Augusto, que mandou um e-mail sobre o Eurovision e pediu mais 11 anos de programa.
Também um grande abraço para o Pedro Bacelar, que é nosso ouvinte há bastante tempo, mandou um e-mail bastante extenso, bastante carinhoso, com um convite muito carinhoso. Em breve vamos responder o Pedro. Um abraço para o Felipe Florindo.
que recentemente foi a Buenos Aires e também lembrou das dicas do Matias. Um abraço para o Newton Costa Jr., que estava em Buenos Aires quando nos escreveu, mandando fotos, inclusive, sobre a marcha dos universitários protestando.
O William Rodrigo Lutke, ele mandou a linha 461 Santa Bárbara de Curitiba, né, que vai da Praça Rui Barbosa, passa pelo Campus Botânico, quanto pelo Centro Politécnico da Federal do Paraná. Ele disse, vamos Grêmio. Então esses foram alguns dos recadinhos e alguns dos ônibus citados. Lembrando que se você quer participar da brincadeira do ônibus, manda aí o seu ônibus 462, pode ser nos comentários do site ou no e-mail contato arroba xadrez herbal.
E fica um abraço também para o Bruno de Matos Nogueira, que nos enviou um e-mail bem bacana, dizendo que é ouvinte do Xadez Verbal desde 2022 e nos avisou que pela primeira vez na história um atleta do Uruguai participou do Giro de Itália, uma das três grandes voltas do ciclismo e além disso ganhou uma das 21 etapas, no caso o Tomás Silva que venceu a segunda etapa. E ele também...
compartilhou que no meio do ano passado se mudou para Bohm, na Alemanha. Duas semanas depois a gente citou a cidade nas efemérides, dizendo que era o aniversário de 100 anos de quando a Bélgica devolvia Bohm para o controle alemão. E ele falou disso...
no almoço e nem a pessoa que era nascida na cidade sabia desse fato, mostrando a qualidade e a profundidade do xadrez verbal. E por fim, ele queria compartilhar que ficou muito feliz com a volta do Fronteiras Invisíveis do futebol.
Fica um salve também para todos os ouvintes que me trombaram no show dos Pibestioros, na sexta-feira da semana passada, lá no Sol e Sombra da Rua 13 de Maio. Infelizmente, não lembro o nome de todos, então fica aqui um abraço geral. E fico agradecimento para todos os ouvintes que foram...
prestigiar a minha fala e da Luísa Romão na atividade Todavia Cantamos, uma cronologia da poesia de arquibancada Sudaca, que rolou na terça-feira dessa semana lá na livraria Barrilete, evento que faz parte do Circuito Poesia no Centro.
Em especial, fica aqui um abraço para Carol e para o Marcel, que tocaram ideia comigo, além do Vitor Ribeiro Santos, que eu tive a oportunidade de conhecer, e que ele estará lançando o seu novo livro neste domingo também, na Barrilete, lá na rua Doutor Luiz Barreto, no Bixiga, próximo ali da Praça 14 Bis, que se chama Imagens da Alegre Melancolia, né? E o evento ocorrerá a partir das 16 horas.
E a música de encerramento vai em homenagem ao Luiz Sérgio Carlini, que nos deixou na quinta-feira da semana passada, aos 73 anos. Ele que foi um dos grandes guitarristas do rock'n'roll brasileiro e foi um dos membros fundadores da banda Tutti Frutti, junto a Rita Lee. E é com uma música desta parceria que a gente vai encerrar o programa, no caso Ovelha Negra, na qual ele interpreta um dos solos mais marcantes da música brasileira.
vida sossegada gostava
Tchau, tchau.
Quanto tempo eu passei
Baby, baby
Carta Global
Você Europeu