Episódios de Xadrez Verbal

Xadrez Verbal #454 Negociações no Irã

27 de março de 20264h7min
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Começamos pelas últimas atualizações da guerra no Irã e questionamos se as conversas diplomáticas podem gerar resultado.
Recebemos novamente a Fernanda Simas para aquele tradicional pião pela nossa quebrada latino-americana, com destaque para a decisão do novo governo chileno de retirar o apoio à candidatura da ex-presidenta Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU.
Por fim, repercutimos os vários pleitos pelo Velho Continente, especialmente na Dinamarca, onde o partido da atual primeira-ministra venceu, mas ela renunciou.
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Participantes neste episódio3
F

Felipe Nobre Figueiredo

HostJornalista
M

Matias Pinto

Co-hostJornalista
F

Fernanda Simas

ConvidadoJornalista
Assuntos8
  • Conflito Irã-EUANegociações de paz · Programa nuclear iraniano · Conflito no Oriente Médio
  • Eleições América LatinaCandidatura de Michelle Bachelet · Decisão do governo chileno
  • Crise humanitária no SudãoAtaque a hospital · Conflito no Sudão
  • Eleições e política na BolíviaEleições subnacionais · Governador eleito
  • Eleições na DinamarcaRenúncia da primeira-ministra · Resultados eleitorais
  • Eleições na EslovêniaResultados eleitorais · Partido Verde
  • Saúde MentalPsicólogos Brasil
  • Escassez de combustível na EuropaRacionamento de combustíveis
Transcrição655 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O podcast que você ouve agora é uma produção da Central 3. Começa agora o xadrez verbal.

Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3, está começando mais uma edição do Xadrez Verbal, a sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele, meu amigo e companheiro, Felipe Nobre Figueiredo, o homem por prazo tabuleiro.

Olá, meu caro Matias, olá a todos os nossos ouvintes, todo mundo que nos ouve, nos divulga, nos prestigia, nos ama, nos tolera, nos deseja, diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido, chegando aqui a edição de número 454 do Xadrez Herbal, estamos gravando esse programa no dia 25 de março, e não por conta da rua.

mas estamos avisando porque é quarta-feira, então o programa vai sair um pouquinho antes do que o normal, e porque no final de semana, no sabadão, sábado à noite, o Matias estará em Belo Horizonte, né Matias? Exatamente, meu caro Felipe, porque neste sábado, dia 28, vai rolar a festa do Medo e Delírio em Brasília, só que em Belo Horizonte, né?

Eu estarei lá discotecando ao lado do Cristiano Botafogo, seu lixo, e do Pedro D'Alto. Um abraço para o D'Alto. E também vai ter a participação lá do Carlos Haureg, nosso ouvinte de longa data, com a sua cúmbia orgânica, que em BH ele toca com banda.

Por isso que é orgânica. É orgânica, porque quando ele joga fora de casa, daí ele leva só o computador, notebook com as bases, né? E também vai ter a presença do Antônio Vieira e seus nascimentos. Lembrando que a festa vai rolar a partir das 21 horas na Autêntica, que fica na rua Álvares Maciel, no bairro Santa Efigênia.

E os ingressos estão no último lote, né? Então corra para não ficar de fora dessa. E no mês que vem, no sábado, dia 18, só que a partir das 20 horas, vai rolar a festa do medo e delírio. Daí sim, em Brasília, na Ínfino Comunidade Criativa, lá na Superquadra 506 Sul, no Bloco A, Loja 67. E também os ingressos estão esgotando, então corram!

E Matias, lembrar para os nossos ouvintes que trabalham com publicidade, que tenham empresas, que conheçam pessoas que querem recomendar nosso alcance, nosso trabalho, que queiram anunciar no Xadrez Herbal...

Escrevam lá em comercial, arroba xadrezherbal.com, ou então contato, arroba xadrezherbal.com, e aí a gente manda mídia kit, a gente conversa, tal, tudo. E, infelizmente, eu não anotei aqui o nome da pessoa, mas mandaram o ônibus 454, que liga o terminal de Barueri ao residencial Santa Maria, principalmente passando por Jandira.

Então, peço desculpas, acho que programa que vem eu compenso isso porque eu não estou achando o comentário do ônibus. Então, peço desculpas. E, finalmente, meu caro Matias, nessa abertura, fazer aqui um esclarecimento, uma errata.

e um pedido de desculpas. Dois programas atrás, quando nós estávamos repercutindo as declarações do representante dos Estados Unidos na Índia, e ele disse claramente que os Estados Unidos não aceitariam, não cometeriam com a Índia, os mesmos erros que cometeram com a China, permitindo que a Índia se tornasse uma competidora,

eu mencionei uma frase do Henry Kissinger que diz não permitiremos um Japão ao sul do Equador, se referindo ao Brasil. E aí, duas semanas atrás, o nosso queridíssimo Tucano, da Seven Kings, melhor hambúrguer do mundo, isso não é publi, isso é fato.

ele perguntou sobre a veracidade dessa notícia. E, na última semana, a gente também recebeu um e-mail, mas como o e-mail foi meio mal educado, não vou citar a pessoa, questionando também a veracidade dessa frase. Então, primeiro, eu peço desculpas porque eu deveria ter dito, mesmo naquela ocasião, tem uma frase atribuída ao Kissinger, mas não, eu afirmei que essa frase é real. Então, peço desculpas por isso.

E aí, o que eu fiz? Felizmente, meu caro Matias, nós conseguimos alcançar muitas pessoas no xadrez herbal, tanto em quantidade, mas como também em competência. E aí eu fui encher um pouco, abusar um pouco da paciência do nosso queridíssimo professor Matias Spector.

que, para quem não sabe, é professor da GV, pesquisador, e principalmente o maior especialista na relação Brasil-Kissinger. Inclusive, ele é autor do livro Kissinger e o Brasil. Foi publicado em 2009 pela Zahar Editora.

além de outras obras dele, claro, e eu mandei uma mensagem para o professor Matias Spector e ele muito gentilmente me respondeu, confirmando que não existe registro dessa frase.

Ele falou até, não, vai saber, ele pode ter dito num ambiente informal, algo assim, mas não existe registro e, indo além, o professor Mathias Spector disse que acha que essa frase também seria improvável, até pelas visões do Kissinger sobre o Japão, inclusive.

Então, fica o esclarecimento, agradecemos o professor Matias Spector pela sua disponibilidade, e o próprio Matias Spector escreve no livro dele que a política do Kissinger, para o Brasil especialmente, era a delegação da hegemonia. Então você tinha os Estados Unidos hegemônico na região.

Porém, você construiria boas relações, inclusive, por exemplo, com relação ao programa nuclear brasileiro, o Kissinger via o programa nuclear brasileiro que ele apoiava como uma maneira, inclusive, de...

manter o Brasil próximo dos Estados Unidos. Olha só, se a gente permitir o programa nuclear deles, a gente também consegue manter esse programa nuclear sob controle. A mesma ideia dos Estados Unidos com o programa nuclear iraniano, do Shah Reza Palave, e com o programa nuclear indiano, no âmbito do Átomos para a Paz. E desses três países, foi a Índia que, nos bastidores, articulou o seu programa nuclear armado.

Não apenas um programa nuclear pacífico de pesquisa ou geração de energia, mas o seu programa nuclear militar. Então, repito, peço desculpas, fazemos o esclarecimento e agradecemos ao queridíssimo professor Matias Spector pela aula.

E se você quiser conhecer mais sobre essa relação, repito, o livro do professor é o livro referência. E também fica aqui a observação que muitos ouvintes fizeram um adendo em relação ao nosso comentário do cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, do circuito da Fórmula 1.

E fica aqui o agradecimento ao Rafael Sibila, correspondente dos canais Globo em Buenos Aires, falando que a FIA não cancelou os GPs e ainda haverá a tentativa que eles sejam realizados em outras datas. Então agradeço a todo mundo que comentou e especialmente ao Sibila pela generosidade. Bem, passemos agora para o primeiro bloco do Giro de Notícias.

Giro de notícias Notícia do sábado da semana passada, dia 21 de março Morre diretor do FBI que liderou investigação sobre a Rússia

O Robert Miller, que foi o diretor do FBI por 12 anos, nas presidências do Bush e Filho e do Barack Obama, e depois ele foi o conselheiro especial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para investigar os elos entre Donald Trump, sua campanha e a Rússia, a famosa Russian Collusion.

E ele faleceu essa semana, aos 81 anos de idade. E o Donald Trump, ele, como um verdadeiro estadista, como um homem de muita empatia, ele postou na sua rede social. Robert Miller acaba de morrer. Ótimo, eu estou feliz que ele morreu. Ele não poderá mais ferir pessoas inocentes. No caso de pessoas inocentes, ele está se referindo a si mesmo.

O que dificilmente é verdade, considerando... Lembremos, Donald Trump foi impeachment. Lembremos, ele não foi removido por conta do Senado, mas ele foi impeachment na Câmara. E principalmente, meu caro Matias, a gente já comentou aqui várias vezes de como na cultura dos Estados Unidos, no debate público dos Estados Unidos, para o bem ou para o mal, os veteranos de guerra possuem uma posição quase sagrada na religião cívica dos Estados Unidos.

E o Robert Miller, ele foi capitão dos Marines na Guerra do Vietnã, condecorado com a Purple Heart, que é a medalha para os que são feridos em combate, e condecorado com a medalha da Bronze Star.

É uma medalha que você tem outras medalhas mais altas que ela, na hierarquia das condecorações militares dos Estados Unidos, como, por exemplo, a Silver Star, mas ele foi condecorado com a Bronze Star com o V de valor.

ou seja, de valor em combate, então destaque em ações de combate. E aí muita gente falou que o Donald Trump não apenas não se comportou como um estadista, mas lembrou que ele fugiu do draft da guerra do Vietnã...

Enquanto o Robert Miller foi ferido e se destacou em combate como capitão dos Fuseleiros Navais. Lembrando sempre que o Donald Trump odeia os veteranos. Pois é, ele já teria feito aquelas declarações do cemitério, né? Dizendo, ah, eles morreram a troca de nada, são uns trouxas, né? O Donald Trump, de certo modo, ele personaliza o outro lado da música Fortnite Sun, né? Ele era quase o Senator Sun.

Inclusive os criadores do South Park fizeram uma campanha para que o filho caçula do Trump seja recrutado. Além disso, em outras notícias dos Estados Unidos, meu caro Matias, notícias mais internas, o Senado confirmou o Mark Wayne Mullin para ser o novo diretor da ICE.

Na verdade, o novo diretor do Departamento de Segurança Interna, o DHS, que controla o ICE. E o Donald Trump anunciou que vai enviar agentes do ICE para os aeroportos nos Estados Unidos, já que a Administração de Segurança de Transportes, a TSA, está...

no momento, parada, está congelada, por conta de divergências sobre o financiamento dela no Congresso dos Estados Unidos. Então, como ela está em shutdown, o Donald Trump ameaçou os democratas, então, vou mandar o ICE para os aeroportos. Então, ele basicamente está usando a população dos Estados Unidos e a indústria do turismo dos Estados Unidos como reféns.

Falando em ICE, o governo do estado de Minnesota está processando o governo federal dos Estados Unidos devido à repressão do ICE, que no estado de Minnesota foi muito simbolizada pelas mortes, pelos assassinatos da René Goode e do Alex Preddy, que a gente falou bastante aqui no programa um mês atrás.

Ainda notícias internas dos Estados Unidos, meu caro Matias, o governo Trump abriu mais duas investigações acusando a Universidade de Harvard de discriminação e antissemitismo, e aí isso é parte da guerra cultural dos conservadores dos Estados Unidos contra as instituições de ensino. Tivemos eleições especiais internas na Flórida e no distrito de Mar-a-Lago tivemos uma vitória democrata.

Lembrando que distrito de Maralago é o distrito da residência do Donald Trump. A cadeira era ocupada por um republicano e agora será da Emily Gregory na sua primeira candidatura, ela que é da saúde pública. E finalmente o Donald Trump...

determinou a instalação de uma estátua do Cristóvão Colombo na praça em frente à Casa Branca. E aí, o que acontece? Essa é uma coisa que o Matias já conversamos aqui. O Matias já deu várias aulas sobre Cristóvão Colombo à luz dos Sopranos.

Por quê? Mas o Cristóvão Colombo hoje é uma figura bastante divisiva nos Estados Unidos. Porque você tem o Columbus Day, que é questionado especialmente por movimentos indígenas, mas também por movimentos da comunidade afro-americana, devido à escravidão transatlântica posterior.

Então, que o Columbus Day deveria ser, inclusive, repaginado. E aí, muitos locais, cidades, estados, rebatizaram o Columbus Day de Indigenous Peoples Day, Dia dos Povos Indígenas. O Matias, você já citou aqui, por exemplo, países latino-americanos que rebatizaram para Dia de la Raça, coisa assim. Mas os conservadores e os ítalo-americanos pesquisitos.

defendem a manutenção do Columbus Day, dessa imagem do explorador europeu que desbravou o continente, etc. E aí o Donald Trump, no meio dessa disputa política, mandou fazer a estátua do Cristóvão Colombo próximo à Casa Branca. Ele provavelmente não sabe que o Cristóvão Colombo era italiano e católico. Talvez ele soubesse, não sei se ele apoiaria mais a estátua.

Mas, brincadeiras à parte, temos essa notícia que parece uma notícia insignificante, mas se relaciona a um debate público bem mais amplo nos Estados Unidos. E setores mais progressistas da comunidade ítalo-estadunidense sugerem que troque o Columbus Day para ser uma homenagem.

a essa comunidade, porque a homenagem ao Columbus Day surge no final dos anos 20, após o processo e subsequente execução dos anarquistas italianos Sacco e Vansetti, para conter os ânimos dos apoiadores, dos dois ativistas.

Mas agora, então, seria o efeito contrário, né? Tipo, homenagece ambos ao invés do Cristóvão Colombo, né? Só que, claro, o governo Trump jamais vai conceder essa honraria a dois subversivos. Pois é, que eram anarquistas.

Também no final de semana passado, cientistas voltam à China após construir carreira nos Estados Unidos. São várias notícias nos últimos tempos, a gente tem comentado aqui algumas esporadicamente sobre...

cientistas ou chineses, estudantes chineses mesmo, que tem que voltar para o seu país devido às restrições nos Estados Unidos, mas também o fato de que a China, passando a ser mais competitiva, ter mais investimentos em pesquisa de ponta...

faz com que ela seja também mais atraente para esses pesquisadores. E a Vitória Damasceno escreveu uma matéria sobre isso na Folha de São Paulo, citando, por exemplo, que o químico Wenbin Lin, de 59 anos, depois de morar 36 anos nos Estados Unidos, ele que é mundialmente reconhecido da Universidade de Chicago, é um dos principais nomes das estruturas metalorgânicas.

que depois o Matias vai explicar pra gente o que são. Boa mesmo. Ele agora retornou pro seu país. Então, é um fenômeno.

que tem várias camadas, tanto as restrições nos Estados Unidos a profissionais chineses, que inclusive existiram nos governos Obama e Biden, mas obviamente se intensificaram mais no governo Trump. Isso pode significar uma perda de conhecimento, de know-how nas universidades dos Estados Unidos e consagra a ascensão chinesa como agora também um centro de ponta de pesquisa.

Ou seja, a China não é mais apenas a fábrica, onde você tem a mão de obra barata, onde você faz a fábrica, compra as coisas de lá. Não, agora a China também cada vez mais se consolida como a pesquisa também. Claro que esse não é um processo que começou agora. Mas esse retorno de cérebros... Para os Estados Unidos é uma fuga de cérebros. Para a China é um retorno de cérebros. Acaba sendo um grande sintoma disso.

E falando em mundo acadêmico chinês, meu caro Matias, a revista The New Yorker, que é a revista dos metidos intelectuais nos Estados Unidos, publicou um ensaio muito interessante nesse último dia 22 de março, chamado How China Learned to Love the Classics, sobre como as políticas do governo chinês, especialmente do Partido Comunista,

estão incentivando o estudo de grego e latim antigo para conhecerem mais, se aprofundarem mais na história do chamado Ocidente, especialmente as ideias das pessoas normalmente conservadoras.

que defendem essa criação, esse legado de um Ocidente, essa linhagem entre Grécia, Roma e Estados Unidos, como o Marco Rubio reproduziu recentemente, que a gente falou aqui, até tirou sarro. Lembrando que a China tem incentivado muito nos últimos anos a produção de ficção científica.

Porque ficção científica no mundo inteiro, normalmente ela é vista como um gênero menor na literatura, na ficção, porém a ficção científica está ligada a muitas pesquisas, muitas descobertas, porque muitas vezes você tem que ter ideia primeiro, e a partir daquela ideia que vem da ficção, você vai descobrir se aquilo é plausível, ou vai tentar fazer aquilo ser plausível. Então a China também tem incentivado muito o trabalho com ficção científica pensando nas pesquisas científicas.

Não apenas em fazer filme, em vender livro, algo do tipo. E, meu caro Matias, antes de você puxar a próxima notícia, nessa notícia a gente falou de pessoas, de um cidadão chinês que morou nos Estados Unidos por quase 40 anos.

Então nós temos aqui na nossa audiência muitos brasileiros que residem fora do país ou que residem longe da sua cidade original e que, além disso, ouvem o xadrez herbal, se informam, tentam entender o mundo e muitos nossos ouvintes têm ficado angustiados, podem ficar angustiados com...

essa distância com as notícias do mundo e por conta disso a gente queria contar para os nossos ouvintes do trabalho do André e do Marco que eles são psicólogos e há mais de 18 anos eles atendem brasileiros tanto no Brasil quanto os que estão espalhados pelo mundo

Se você está precisando lidar com a sua ansiedade, os sentimentos às vezes de solidão, sensações difíceis de explicar, e que eles entendem, porque eles sabem como é estar longe de casa, eles criaram o Psicólogos Brasil para te ajudar e oferecer justamente isso. Um espaço de escuta, em português, acolhedor.

onde quer que você esteja, no Brasil, na sua cidade, em outro lugar, em outro país. Então, se você sente que precisa conversar, buscar apoio, ou simplesmente, às vezes, se entender melhor, vocês podem contar com eles, podem ter mais informações em psicólogosbr.com, lembrando que o link estará na descrição, e um recado muito pessoal, não negligencie a sua saúde mental.

Também no sábado da semana passada, dia 21 de março, seleção feminina de futebol do Japão é campeã da Copa da Ásia. Nós repercutimos bastante a Copa da Ásia aqui nos últimos semanas. Infelizmente, nem sempre por motivos bons, já que tivemos a questão das atletas iranianas. Porém, repercuti que o Japão venceu o seu terceiro caneco.

da Copa da Ásia, ganhando das australianas na Austrália. E não apenas foi o terceiro caneco, meu caro Matias, foi o terceiro em quatro edições. Então, assim, dos últimos quatro campeonatos o Japão levou três. O gol do título foi da Ramano Maika. Certo? E outra notícia ligada ao Japão e também ligada à saúde, o Médicos Sem Fronteiras Médicos

anunciaram que o personagem Tony Tony Chopper, do One Piece, que é mangá, anime, agora tem série live action, tem Lego de One Piece, quem mandou essa notícia foi a nossa amiga Fernanda Otaviano, mas tenho certeza que quando a gente falou dos protestos com a bandeira de One Piece ano passado, a gente tem um monte de ouvinte que gosta, que acompanha One Piece, e agora o personagem Tony Tony Chopper, que é o médico da tripulação do Chapéu de Palha, ele quer um alce.

um auce antropoformizado nós não conhecemos o roteiro o universo, então não sabemos explicar mas ele agora é um apoiador oficial dos Médicos Sem Fronteiras teve ilustração oficial vai ter campanha agora utilizando o Tony Tony Chopper tanto no exterior quanto no Japão então está aí a parceria os Médicos Sem Fronteiras, uma das organizações mais importantes do mundo sem dúvida nenhuma Música

Notícia do domingo passado, dia 22 de março. Ataque ao hospital no Sudão mata 64 pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde. Infelizmente, tivemos um ataque ao hospital de El Daen e, segundo o grupo sudanês Emergency Lawyers, o ataque foi do exército.

não das milícias de apoio rápido, mas que elas também já realizaram ataques contra hospitais, e infelizmente tivemos pelo menos 64 pessoas mortas, incluindo 13 crianças. Lembrando que o Sudão é a maior crise humanitária do mundo hoje, com milhões de pessoas deslocadas.

E fica mais um lembrete que essa cidade fica na região de Darfur, que acaba sendo um continuismo dessa crise do Sudão, que inclusive gerou a independência do Sudão do Sul. Bem, vocês ficam agora com a coluna aberta na qual o Felipe observará o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio.

Coluna aberta. Bem, pessoal, vamos retomar, obviamente, o assunto guerra no Irã. E nesse programa eu vou falar muito das supostas conversas e negociações de paz, certo? Vou trazer algumas informações.

e vou, em cima disso, fazer algumas análises, como a gente costuma fazer aqui no Xadrez Herbal. A primeira delas é que, segundo alguns veículos da imprensa internacional, mas especialmente a partir do próprio Donald Trump e da imprensa israelense, veio a informação de que os Estados Unidos teriam apresentado ao Irã um programa de 15 pontos de negociação. Então, quais seriam esses pontos?

O que os Estados Unidos querem? O desmantelamento de todas as capacidades nucleares iranianas, um compromisso de que o Irã nunca irá buscar armas nucleares, que não haverá enriquecimento de urânio no solo iraniano, que todo o material enriquecido pelo Irã vai ser entregue pelo país.

que as instalações nucleares de Nastam, Sfarram e Fordow serão descomissionadas, desmanteladas, que a Agência Internacional de Energia Atômica vai ter todo acesso a qualquer informação dentro das fronteiras iranianas, que o Irã irá abandonar a sua política de grupos proxys pela região, como o Hezbollah, incluindo a interrupção ao financiamento e o armamento,

que o Estreito de Hormuz ficará aberto como uma zona marítima livre, sem nenhum poder de bloqueio por qualquer país, que o programa de mísseis do Irã terá que ser limitado em número e alcance, e que tanto os mísseis como a indústria de defesa iraniana teriam que ser limitadas à autodefesa. Isso aqui eu estou resumindo os pontos.

E, em troca, o Irã receberia o levante de todas as sanções, a cooperação para o desenvolvimento de um projeto nuclear civil para a geração de eletricidade e o fim da possibilidade, o chamado snapback, ou seja, a retomada de sanções caso algumas condições não se cumpram. Dentro disso daqui, eu quero fazer alguns comentários. Primeiro,

Essa negociação, essa oferta dos Estados Unidos, ela parte de um ponto maximalista, que é muito provavelmente uma oferta feita para o Irã recusar. Porque é uma oferta que parte de pontos como o desmantelamento de boa parte do poderio militar do Irã e também será considerada pelos iranianos como um ataque à sua própria soberania. Então, muito provavelmente, essa oferta foi feita para não ser aceita.

ou então um ponto maximalista de partida para chegar a um meio-termo. Aí nós temos a segunda reflexão, que eu quero lembrar a todos vocês, que diversos atores falam que um acordo nuclear era possível antes do ataque israelense. E vamos lembrar também que o acordo nuclear mediado pelo governo Obama

estava, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, que é colocada nessa mesma oferta dos 15 pontos como um ator de fiscalização, estava, naquele momento, fiscalizando o Irã e dizendo que o Irã estava cumprindo o acordo.

Então, essa oferta parte de um ponto na história extremamente cínico em que você negociou supostamente de boa fé e, em determinado momento, durante essas negociações, você atacou o país com quem você negociava.

É importante lembrar uma outra questão, que quando falo compromisso que o Irã nunca buscará armas atômicas, o Irã é signatário dos principais acordos de não-proliferação nuclear, assim como é signatário dos principais acordos sobre armas de destruição em massa em geral.

Ao contrário, curiosamente, de Israel e, em parte, dos Estados Unidos, que, no caso dos Estados Unidos, como a gente já explicou aqui, prefere uma política, muitas vezes bilateral, negociando diretamente entre Estados Unidos e União Soviética, ou, posteriormente, Estados Unidos e Rússia, e agora trilateral, tentando envolver a China nesses acordos. E tem uma outra questão, quando fala, por exemplo, sobre a questão...

dos mísseis, a questão de transformar as forças armadas iranianas em uma espécie de força supostamente apenas de autodefesa. E é bom lembrar também que essa ideia ali de... A terminologia defesa, autodefesa, ela também muitas vezes pode ser usada de forma cínica. Mas o ponto que eu quero chegar aqui é...

Muitas vezes se olha, especialmente na imprensa brasileira, que se baseia em materiais apenas da imprensa, ou principalmente da imprensa dos Estados Unidos, mas se esquece a situação histórica e geopolítica do Irã.

que é um país que tem um trauma nacional de perda de territórios, de ter sido ocupado, retalhado pelas potências, inclusive recentemente durante a Segunda Guerra Mundial, e é um país que tem um vizinho direto nuclear, que é o Paquistão, com quem possui questões fronteiriças, como a questão do Baluchistão,

Tem um outro vizinho, que não é uma fronteira terrestre, é uma fronteira marítima no Mar Cáspio, que é a Rússia, que é uma das maiores potências nucleares do mundo. E tem um vizinho regional, que é Israel, que também é uma potência nuclear.

E passou décadas, incluindo antes da Revolução Islâmica, em situações de conflito e de tensão com os outros países, as monarquias árabes do Golfo, que hoje são países muito bem capazes do ponto de vista armado. A Arábia Saudita tem, muito provavelmente, já falei isso aqui, acesso e foi o financiador do programa nuclear paquistanês.

Os Emirados Árabes Unidos têm o seu reator nuclear agora e cada vez mais são considerados um país próximo do limiar nuclear. São países que têm mísseis balísticos, embora não tenham uma indústria nativa de mísseis balísticos, pelo menos não ainda. E são alguns países que mais compram armamento no mundo. Então, a ideia de um Irã...

pacífico, amigo, Hakuna Matata, pensando nas relações entre Irã e Estados Unidos, ou Irã e Israel, que é o foco, normalmente, como eu disse, desses comentários, especialmente nos Estados Unidos, desconsidera todo o resto do caráter regional do Irã. O Irã tem outro grande trauma nacional, que foi a guerra com o Iraque, de 1980 a 1988.

O Iraque hoje, que é um estado virtualmente falido, depois da invasão ilegal ao Iraque em 2003 pelo governo do Bush Filho, e isso não é uma defesa da ditadura Saddam Hussein, sempre bom fazer esse disclaimer.

E eu já falei aqui que eu acho particularmente ridículo as pessoas que tentam classificar a ditadura Saddam Hussein em parâmetros de esquerda ou direita, que são parâmetros feitos pensando na França do século XVIII, ou então no chamado mundo ocidental do século XX.

a ditadura do Saddam Hussein, o pensamento, a ideologia baatista, em geral, elas tinham uma coletânea ali de várias influências, mas o ponto é, o Irã não vai aceitar esses termos e também não vai aceitar a questão de um estreito de Hormuz neutralizado com uma zona marítima livre.

O Irã busca, já falei isso aqui, e não é de hoje, um acordo internacional sobre os estreitos, mas que lhe dê também alguma autoridade sobre o estreito de Hormuz. Eu disse estreitos no plural porque eu estava pensando no acordo de Montreux, na convenção de Montreux, sobre os estreitos, aí sim no plural, de Bósforo e Dardanelos.

que você tem provisões para tempos de guerra, você tem provisões de navegação, mas você ainda tem ali alguma autoridade da República da Turquia. Embora a República da Turquia não considere que hoje deveria ter mais autoridade, por isso tem aquela possibilidade do canal que contornaria o estreito no Mar Negro.

Mas isso é outro assunto. Então, tivemos essa proposta, e repito, uma proposta aparentemente feita para ser recusada. O Irã, inclusive, recusou, rejeitou essa proposta. E, principalmente, tanto no Irã quanto nos Estados Unidos, nós temos declarações dúbias sobre o progresso das negociações.

Então, ah, estamos negociando. Não, não estamos não. Ah, e o Trump fala, estou negociando com as pessoas certas. Então, e certamente você tem elementos, tanto dentro dos Estados Unidos quanto dentro do Irã, que são pró-negociações e que são contra-negociações. E no caso iraniano, esses elementos já existiam. Já falei aqui que a grande característica da ala chamada reformista dentro do Irã...

cujo grande exemplo é o Ibrahim Raisi, é a ideia de uma aproximação do Irã, especialmente com a Europa Ocidental, não tanto com os Estados Unidos. E o Irã...

pela TV estatal do país, colocou cinco condições para o fim da guerra. Cessar completamente as agressões e assassinatos por parte do inimigo, o estabelecimento de mecanismos concretos para que a guerra não seja reimposta à República Islâmica, e é bom lembrar que tratado de paz e cessar fogo são coisas diferentes. Pagamento de indenizações e reparações.

o fim da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência e o exercício da soberania do Irã sobre o Estreito de Hormuz como um direito natural e legal. E aqui eu quero destacar esse penúltimo ponto, que é o Irã está vinculando, então, o fim da guerra.

uma negociação para o fim da guerra, há um fim da guerra em todos os frontes. Isso significa o quê, então? Líbano. Consequentemente, o governo israelense é contra esse tipo de negociação. Por quê? Porque...

O governo israelense, parte do Establishment Defesa Israelense, e principalmente uma parcela considerável da sociedade israelense, vê nesse momento uma oportunidade para a ocupação do sul do Líbano. Inclusive, o ministro da defesa israelense, lembrando que o ministro da defesa é o segundo cargo mais importante do governo em Israel, já disse que as forças israelenses vão ocupar o sul do Rio Litane e vão impedir que os moradores retornem. Obrigado.

E a gente já vai falar mais de Liba. E aí, o Barak Havid, que eu já mencionei aqui, é um jornalista israelense que tem uma relação muito próxima com o cabinete de governo. Então isso significa que às vezes ele consegue informações exclusivas, mas às vezes ele, na verdade, acaba sendo porta-voz extra-oficial das prioridades do governo.

Ele publicou, no último dia 24, lembrando que estamos gravando esse programa na sexta-feira, dia 25, que o Netanyahu estaria preocupado que o Donald Trump poderia concluir um acordo que fique aquém dos objetivos israelenses.

e uma dessas preocupações é o Líbano, outra das preocupações é o fim completo das sanções contra o Irã. E aqui eu quero trazer uma questão, aproveitando que no começo do programa a gente falou do Kissinger, etc., essa semana eu voltei em alguns textos dele,

O Kissinger, o próprio Kissinger, que está sentado no colo do capeta, ele passa longe de poder ser considerado uma liderança progressista, algo do tipo. Ele mesmo avaliava que, para os Estados Unidos, era interessante manter um equilíbrio de poder no Oriente Médio. O Kissinger era obcecado com a ideia de equilíbrio de poder. A tese de doutorado dele foi sobre o Congresso de Viena.

Então, o que significa um equilíbrio de poder? Uma realidade muito distante da que nós temos hoje. Um equilíbrio de poder seria você ter um Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Israel, Síria, Egito, Turquia, todos em posições parecidas.

em que um deles não esteja muito fraco para ser um alvo, para ser atacado, para ser eventualmente retalhado pelos seus vizinhos, e também impedir que um deles fique forte o suficiente para não ser uma ameaça regional e também evitar uma escalada armamentista pela região. Então você ter o Líbano como estado falido, a Síria como estado falido, o Iraque como estado falido.

E agora o Irã correndo pelos 15 pontos, podendo ser reduzido à neutralização, é muito longe desse cenário. E sobre as negociações, eu quero trazer uma outra questão.

que é, as conversas estão sendo mediadas pelo Paquistão. O primeiro-ministro do Paquistão, o Shebat Sharif, conversou por telefone com o presidente do Irã.

E o chefe da junta militar paquistanesa, o Marechal Asim Munir, e que já falamos um pouco dele aqui no programa, inclusive quando teve a mudança legal para a criação do cargo dele, eu já alertava aqui do histórico de ditaduras militares no Paquistão, ele conversou por telefone com o dono de Trump. E o Paquistão está intermediando essas conversas.

e teria oferecido para que delegações dos Estados Unidos e do Irã se encontrassem, de forma indireta, em Islamabad. E aí estão especulando quem faria parte dessa delegação, se vai ser o Jared Kushner, inclusive, se poderia ir, o Jared Kushner que tem como cargo o fato de ser gênero do presidente e ser uma parte interessada, um grande lobista, que provavelmente está ganhando muito dinheiro com a morte de milhares de pessoas e o deslocamento de milhões de pessoas.

Só que eu também quero lembrar pra vocês que o Paquistão é hoje um grande aliado da China. Uma relação em alguns pontos de, não vou chegar a dizer subordinação, mas o Paquistão hoje é economicamente dependente da China, em vários pontos. E isso significa então que a China também está apoiando esse movimento do Paquistão, ou seja, o Paquistão é um grande intermediador.

Então, o primeiro-ministro conversa com o Irã, o chefe da junta militar conversa com o Donald Trump, a China está por trás, o Paquistão tem uma relação muito profunda, histórica e atual com a Arábia Saudita, que também quer o fim da guerra, não porque seja o melhor amigo do Irã, mas porque precisa da estabilidade no Estreito de Hormuz.

E o Wang Yi, o ministro de Relações Exteriores da China, conversou com seu homólogo iraniano ontem. E ele disse que é importante aproveitar a janela de paz.

Então, esse movimento de mediação pelo Paquistão, ele aparentemente não é um movimento isolado, um movimento pequeno. Tem interesses fortes por trás.

em intermediar essa situação. A partir dessa situação de intermediar, e depois eu vou fazer um alerta sobre isso, por favor. É importante mencionar que tem uma coisa muito importante nessa negociação, que é... vai parecer que eu estou fazendo piada, mas eu não estou. É importante garantir uma situação...

em que todos os envolvidos possam cantar vitória, por mais paradoxal que isso seja. O Donald Trump já está cantando vitória, o Irã também está cantando vitória, então o porta-voz iraniano disse que o fato dos Estados Unidos quererem negociar significa que o Irã já triunfou.

aí então o Donald Trump vai poder dizer não, a gente destruiu o programa nuclear deles e a gente conseguiu o melhor acordo de todos os tempos, bem naquele estilo dele e abrimos o estreito de Hormuz vencemos tudo, o Irã dizer olha só, resistimos infringimos uma grande derrota

aos Estados Unidos e ao inimigo sionista, lembrando que o Irã não fala Israel, fala entidade sionista, o inimigo sionista, e o governo israelense poder dizer que aproveitou uma oportunidade histórica para infringir um grande dano ao programa nuclear iraniano e que agora a suposta ameaça existencial que o Irã supostamente representava na visão do governo israelense de parte da sociedade israelense agora está neutralizada.

então é importante um acordo que permita que todos declarem vitória, que todos cantem de galo. E notem, por favor, notem que os 15 pontos apresentados pelo governo dos Estados Unidos não fala nada de democracia, de direitos humanos, de abertura política, de presos políticos, não fala absolutamente nada disso. Então...

No dia 28 de fevereiro, ou nas semanas seguintes, ou nos meses anteriores, ou nos anos anteriores, se você comprou o discurso de que eles estão agindo para salvar o povo iraniano e tal, desculpe, você é muito ingênuo. Então, que esse evento sirva de aprendizado. Não estou falando isso para te ofender. Estou falando isso para que esse evento sirva de aprendizado.

E nessa semana nós tivemos, dentro dos Estados Unidos, mudanças muito grandes de discurso, variações muito grandes de discurso, no sentido de que o Donald Trump busca fazer um bombardeio de informações para que as pessoas nem saibam direito o que está ocorrendo, e tivemos mais um episódio de taco, porque o Donald Trump inicialmente impôs um ultimato ao Irã,

de que ele destruiria a infraestrutura energética do Irã caso o Estreito de Hormuz não fosse aberto. E depois ele disse que ia adiar o ultimato dele. Aí ele uma hora chama de guerra, outra hora ele diz, não, não posso chamar de guerra porque eu preciso de autorização no Congresso, então vou chamar de operação militar. A outra hora volta a dizer a guerra, sempre dizendo que vencemos a guerra, tudo isso.

E, junto com esses discursos dos Estados Unidos, é importante mencionar que, segundo a imprensa dos Estados Unidos, atores do governo Trump estariam sondando o presidente do parlamento iraniano, o Mohamed Galibaf, como um eventual negociador, como um eventual novo líder, seria a nova Delci Rodrigues.

Só que a estrutura do Estado iraniano é muito diferente, não é personalista, então esse processo é muito mais complicado. E também tem uma questão que é, o próprio presidente do Irã é um reformista. Então isso ecoa os comentários que eu fiz sobre Cuba no programa passado. A ideia é a obsessão do Trump.

de simplesmente trocar as lideranças para ele poder dizer que ele trocou as lideranças, que ele é o kingmaker da história. O ego dele, basicamente. Mas, novamente, você tem lideranças reformistas há muito tempo no Irã.

A ideia de um Irã monolítico liderado por lideranças malucas, algo assim, não se reflete na realidade, como a gente tem tentado explicar aqui nesse tempo todo, inclusive naquela live com o Heitor. Você tem vários setores dentro do Estado iraniano e muito mais outros dentro da sociedade iraniana. Então você vai ter desde os fanáticos da Guarda Revolucionária, que são a favor da forca para pessoas LGBT, aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar o aumentar

Até, do outro lado, os reformistas, os que querem uma abertura completa, os que querem uma abertura lenta, gradual e segura, usando um termo da história brasileira, uma aproximação com a Europa, você tem diversos setores ali. Estamos falando de 100 milhões de pessoas, gente.

e de um Estado muito bem consolidado, com diversas agências de Estado. Inclusive, é pela existência dos reformistas que a Guarda Revolucionária Islâmica buscou, nos últimas décadas, conquistar cada vez mais poder para, justamente, combater essa ideia interna que eles veem. Eles veem a reforma, a abertura, como um perigo, um perigo, inclusive, para as próprias posições de privilégio, como eu já expliquei aqui.

Então, temos aí essa especulação sobre o líder do parlamento.

E aqui eu quero fazer duas citações sobre filhos. A primeira delas é que o New York Times trouxe que o filho do presidente do Irã, o Youssef Peseshkian, de 44 anos de idade, está com um canal no Telegram, que é uma espécie de diário de guerra, em que ele tem falado, inclusive, sobre bastidores, sobre questões do próprio Estado iraniano. Fica a sugestão.

E, enquanto isso, o filho do Benjamin Netanyahu, o Jair Netanyahu, foi a Budapeste essa semana participar da conferência da extrema-direita europeia. E vamos lembrar que, em Israel, depois do ataque do Hamas no 7 de outubro, quando você teve a convocação dos reservistas, ou seja, boa parte da população israelense, ele se picou para Miami.

E até hoje ninguém sabe direito como ele se manteve em Miami. Os fundos que permitiram ele viver o padrão de vida que ele levava em Miami. E aí tem toda a questão das malas de dinheiro do Qatar, etc. Agora, tudo isso que eu falei agora, nesses primeiros 20 minutos, mais ou menos, de programa, pode não significar nada.

porque tudo isso pode ser também uma estratégia, uma jogada, para ganhar tempo, para permitir que reforços de tropas dos Estados Unidos cheguem na região. Nós já mencionamos aqui o envio de duas forças expedicionárias dos Marines,

E essa semana tivemos o deslocamento da Brigada de Respostas Imediatas da divisão paraquedista, da 82ª divisão paraquedista. É uma divisão paraquedista muito conhecida por conta da Segunda Guerra Mundial, vários dos nossos ouvintes já devem ter ouvido falar deles, já viram em documentários, em filmes ou em videogames.

E essa brigada de resposta rápida faz parte da estratégia global dos Estados Unidos, que reúne mais ou menos 3 mil combatentes de elite que podem chegar em qualquer lugar do globo em até 24 horas a partir de Fort Bragg, nos Estados Unidos. E os Estados Unidos estão deslocando tropas.

com os aviões de transporte, com os transponders em aberto. Então, estão fazendo isso de forma pública e visível para a comunidade internacional. E tivemos o envio, repito, de duas forças expedicionárias. Uma saiu da Ásia e outra saiu de San Diego. A que saiu da Ásia, se não me engano eles estavam em Okinawa, deve chegar neste final de semana.

E aí entra, inclusive, aquela coisa de quando as bolsas fecham na sexta-feira, é o momento em que o Trump se sente confortável para fazer o que ele realmente quer fazer, sem a única marra que prende ele, que é o dinheiro, ele que é um potencial sociopata. Então nós temos o envio de fuzileiros navais, de paraquedistas, de tropas terrestres.

Isso significa uma invasão do território continental do Irã? Muito provavelmente não. Até porque isso seria um ato muito complicado do ponto de vista militar e agravado pelo fato de que estamos em ano eleitoral. E aí eu vou lembrar aqui pra vocês que, primeiro, tem a ilha de Khark, que é o principal terminal petroleiro iraniano, que poderia ser eventualmente ocupado, que já foi atacado pela Força Aera dos Estados Unidos.

O Lindsey Graham, um fanático religioso, líder dos republicanos do Congresso e puxa saco do Trump, disse que quando tiver que botar dinheiro, eu sempre boto dinheiro nos Marines. Nós conseguimos ir o Dima, conseguimos fazer isso.

Ele só esquece que Iodima, primeiro, a Segunda Guerra Mundial, tinha um imenso apoio popular nos Estados Unidos, especialmente contra o Japão. Segundo, que Iodima custou milhares de vidas de combatentes dos Estados Unidos.

Ao ponto que as tomadas de Odima e de Okinawa foram tão custosas, mas tão custosas, que fazem parte da análise que naquele momento foi utilizada para justificar as duas bombas nucleares contra o Japão.

Dentre outros motivos, como, claro, marcar um ponto, marcar uma presença em relação à União Soviética, enfim. Isso é outra discussão, não estou dizendo que é só isso. Mas o que eu quero destacar aqui é a tomada de Odima e a tomada de Okinawa custaram milhares de vidas dos Estados Unidos.

E você tem um senador bem longe disso, lá no ar-condicionado dele, dizendo, não, bota o meu dinheiro dos Marines, ou seja, tratando a vida dos próprios cidadãos dos Estados Unidos como se não fossem nada. Então, claro que as vidas iranianas, para ele, de fato, não são nada. Mas então pode ser que todo esse processo de negociação seja, na verdade, uma maneira de ganhar tempo.

para a chegada dessas tropas e uma eventual operação ou contra a ilha de Karg, ou eu já mencionei aqui a questão da ilha de Abu Musa, que é uma ilha que hoje é posse do Irã, mas é reivindicada pelos Emirados Árabes Unidos. Isso poderia dar uma justificativa legal para o governo dos Estados Unidos de uma operação nessas ilhas.

Ou seja, os Estados Unidos falam, a gente reconhece a Bulmussa como um dos Emirados Árabes, estamos indo ali libertar as ilhas. E essa operação, ela tanto ser para contribuir para uma liberalização do Estreito de Hormuz, como também, eventualmente, como um alerta.

E aí eu quero destacar, do ponto de vista militar, com todos os poréns e disclaimers que eu sempre faço aqui no programa, que atualmente os Estados Unidos e a Força Aérea Israelense têm supremacia aérea na região. Segundo os Estados Unidos, eles já realizaram cerca de 8 mil ataques aéreos contra o Irã.

Os Estados Unidos têm utilizado, por exemplo, bombardeios pesados, que não são utilizados quando você não tem superioridade aérea. Então, o famoso B-52, o avião que inspirou o nome daquela banda, que é um avião que muitos de vocês já devem ter visto em filmes, reportagens, etc. Que é um avião enorme, desengonçado até. Quando na Guerra do Vietnã,

vários B-52 foram perdidos, porque os Estados Unidos não tinham, em alguns momentos da guerra, superioridade aérea completa. Porque o Vietnã tinha caças fornecidas pela União Soviética, caças supersônicos, inclusive, como o MiG-21, e tinha defesas antiaéreas também fornecidas pela União Soviética.

Então, aparentemente, nos céus iranianos, os Estados Unidos e Israel têm um domínio e você também tem a questão de que os Estados Unidos concentraram mais ataques nessa última semana, aparentemente, na região costeira do Irã, contra bases navais, instalações de mísseis e o que restava das embarcações da marinha de superfície iraniana. Obrigado.

Então, por que eu estou fazendo aqui esses disclaimers? Porque o xadrez verbal virou um desses canais que monetiza sensacionalismo de guerra. Não. Porque um desembarque anfíbio nessas ilhas...

pode ser baseado na tática, no pensamento no Pentágono de que o Irã não conseguiria reforçar as ilhas, não conseguiria mandar reforços, porque os navios iranianos já foram destruídos e os céus estão sob controle de Estados Unidos e de Israel. Só que sobre essa questão dos céus, dois ouvintes mandaram a notícia e o почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему

de que no último dia 22 de março, um caça F-15 dos Estados Unidos foi abatido, teria sido atingido pelo Irã. Inclusive tem a imagem da Câmara. A partir disso, eles comentaram, Poxa, mas Felipe, o que você falou de superioridade aérea? Primeiro que, claro, a destruição na maior parte das defesas aéreas iranianas não significa destruição completa de todas elas.

Mas o que eu quero trazer agora é a possibilidade, a especulação novamente, e quando eu falo especulação, eu falo, porque tudo isso aqui, tudo numa guerra incerta. Todos os países envolvidos praticamente estão passando por algum tipo de censura militar.

Israel está sob censura militar completa desde 2023, por exemplo. No Qatar, a gente já noticiou pessoas sendo presas. No Bahrein, que as pessoas poderiam até pegar pena de morte por revelar a intensidade dos danos causados. Então, nós temos aqui um cenário de censura militar e de opacidade militar.

Então, eu sempre faço esses disclaimers sobre os números, sobre as informações que não são confiáveis. Inclusive, teve um cara que comentou assim no Spotify. Ah, se eu entendi direito, você está dizendo que os números do Irã são confiáveis e de Israel não são confiáveis. Eu agradeço muito que ele tenha formulado o comentário desse jeito, porque não, ele não ouviu direito. Porque eu tenho feito esses disclaimers esse tempo todo.

E o número de vítimas, quando eu cito o número de vítimas iranianas, eu sempre cito a fonte que é a Hirana, que é a Organização de Direitos Humanos da oposição.

então eu não digo que os números do governo iraniano, do governo israelense, do governo catário, de qualquer governo, ou mesmo dos Estados Unidos, são confiáveis. Mas voltando aqui, tem especulação de que a China poderia ter fornecido novos sistemas antiaéreos para o Irã nesse processo.

nesses últimos dias. É uma especulação, uma possibilidade, não é confirmado, obviamente, até porque a China não vai declarar isso para o mundo, mas tem essa possibilidade. De qualquer maneira, a gente também precisa colocar numa escala de grandeza. Você ter 8 mil ataques alegados pelos Estados Unidos e você ter meia dúzia de aviões abatidos,

a conta não fecha. Você tem ali, ainda assim, um cenário de clara superioridade aérea. E falando nos temas militares...

nós tivemos essa semana a denúncia pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos de que o Irã teria utilizado um novo míssil balístico com cerca de 4 mil quilômetros de alcance para atingir a base de Diego Garcia. Porém, todavia, entretanto, o Irã negou que tenha realizado esse ataque, dizendo que esse episódio é falso.

é uma bandeira falsa. E nós tivemos, claramente, a instrumentalização desse episódio no discurso, na retórica belicista, tanto nos Estados Unidos quanto em Israel, para dizer que, olha só, o Irã tem mísseis que podem alcançar a Europa. Então, os países europeus da OTAN deveriam se juntar ao esforço de guerra contra o Irã.

Então, convenhamos, é uma retórica bem conveniente. Então, pode ser que o Irã disparou esses mísseis, de fato, contra Diego Garcia, e tem mísseis desse tipo, e omitiu, escondeu, mentiu sobre isso, ou pode ser também, sim, uma bandeira falsa. Por quê? Porque você teve uma apropriação desse discurso de forma muito rápida. E, me desculpe, eu não quero suar um teórico da conspiração, mas muito coordenada, para dizer, olha só, europeus, os mísseis podem atingir Berlim, Londres, então nos ajudem na guerra.

Uma semana depois, os países europeus da OTAN dizerem, olha só, Estados Unidos, você que começou isso, isso é problema seu. Falando em instalações nucleares, essa semana, nós tivemos, no dia 21, o Irã afirmando que os Estados Unidos e Israel atacaram a instalação nuclear de Natanz.

E, no mesmo dia, o Irã afirmando que retaliou de forma proporcional contra a usina nuclear de Dimona em Israel. E aí, muitos de vocês devem ter visto as imagens de mísseis atingindo a cidade de Dimona.

A cidade de Mona e a usina nuclear, elas ficam a alguns quilômetros de distância. Não são exatamente sinônimos. Mas aí entra o que eu tenho falado pra vocês sobre censura militar e opacidade nuclear. Vocês dificilmente vão ver, pelo menos no curto prazo, imagens de se teve algum míssil.

iraniano atingindo a usina nuclear de Dimona. Mas é importante mencionar que a Agência Internacional de Energia Atômica, e muita gente espalhou fake news no sentido contrário, não detectou nenhum vazamento, nenhum sinal de radiação, nem em Natanz, nem em Dimona. Então, caso ataques tenham sido realizados e atingiram essas instalações nucleares, ou não tiveram sucesso, e não tiveram sucesso.

ou destruíram locais de comando, ou as portas, as entradas das instalações, as linhas de comunicação das instalações, algo do tipo. Não tivemos vazamento nuclear, segundo a Agência Nacional de Energia Atômica, e teve gente espalhando fake news no contrário. Sobre o Estreito de Hormuz, e aí entra uma outra camada importante que eu quero trazer aqui pra vocês.

cerca de 20 países soltaram uma nota conjunta no último dia 21 de março, países tanto árabes quanto países europeus e Austrália, que não é nenhum nem outro, solicitando que Austrália, Japão e Canadá e Coreia não são nem europeus nem árabes.

Mas, brincadeiras à parte, soltaram uma nota conjunta condenando o fechamento do Estreito de Hormuz, e tivemos um anúncio pelo Irã de que o Estreito de Hormuz está livre desde que para navios que não tenham relações com os países que hostisam o Irã.

Então, isso significa o quê? Que a empresa, a gigante do transporte marítimo, a chinesa Cosco, anunciou que vai retomar a navegação pela região. E também, segundo o Financial Times, alguns navios teriam pago um, entre aspas, pedágio de 2 milhões de dólares para passar em segurança pela região.

o que leva a uma possível medida do governo iraniano para passar uma lei para cobrar pedágio, vou usar esse termo, para a passagem do canal, do estreito, desculpe. E o que significa, então, navios não relacionados com os países hostis? E por que isso não necessariamente... O que acontece? Se você tiver um navio de bandeira panamenha, com tripulação filipina, levando petróleo para a Índia, esse navio pode passar?

Não necessariamente, porque às vezes a seguradora do navio é uma empresa dos Estados Unidos. Então, mesmo com esse anúncio pelo Irã e mesmo com a empresa, a Costco chinesa, anunciando a navegação, muitos países, muitas empresas ainda estão inseguras de fazer essa travessia. E aí sobre o petróleo, a Nova Zelândia anunciou que vai fazer uma espécie de vale gasolina para as pessoas.

O António Albanese anunciou que seu governo está estudando medidas que incluem talvez o racionamento. As Filipinas...

declararam emergência energética por conta do fechamento do Estreito de Hormuz. O Japão iniciou a maior liberação dos seus estoques estratégicos de petróleo, com 80 milhões de barris de petróleo para serem fornecidos para as refinarias.

E aí é bom lembrar que muitos países não têm um estoque estratégico de petróleo como o japonês. Você tem alguns países que têm grandes estoques de petróleo, um deles inclusive é a China, já que a China...

não conta, conta com pouquíssimas reservas próprias de petróleo, então eles têm uma reserva estratégica muito grande, o Japão, por situação parecida, o Reino Unido tem uma reserva relativamente pequena, França e Alemanha também reservas relativamente pequenas, mas a maioria dos países não tem reservas de petróleo, essas reservas estratégicas, grandes tanques de petróleo que vão ser utilizados em caso de emergência, em caso de calamidade.

Então, o impacto energético global é muito grande e eu vou lembrar o que eu expliquei aqui alguns dias atrás. Você usar as reservas estratégicas de petróleo significa que você vai diminuir o impacto imediato da crise, mas você vai espalhar o impacto da crise pelo tempo, porque depois você vai precisar o quê? Refazer essas reservas.

restocar o petróleo. E outra coisa que eu quero lembrar, sem querer ser alarmista, é o fato de que daqui a pouco a gente vai sentir isso, a crise do Estreio de Hormuz, nos alimentos. Porque boa parte dos fertilizantes do mundo, inclusive os consumidos pelo Brasil, daí as relações Brasil-Irã, que são sempre reduzidas a um aspecto ideológico em alguns setores da imprensa, os atores...

políticos eu não vou falar nada porque é do interesse deles. Mas tem gente que reproduz de forma crítica. Mas fertilizantes, uma série de produtos, insumos farmacêuticos, todos eles passam por ali. Ou então...

precisam de petróleo ou derivados do petróleo para serem processados. Então, o Marrocos, por exemplo, está ligando o alerta, porque o Marrocos é o maior exportador do mundo de fosfatos, que são base dos fertilizantes, muitos deles explorados no Sahara Ocidental, só que esses fosfatos, para serem processados pelas indústrias de fertilizantes, eles precisam de derivados de petróleo.

Então, daqui a pouco, a gente vai ter um impacto também no preço dos alimentos, não apenas no preço dos combustíveis. Começando a passar aqui um pouco mais rápido por algumas questões, o secretário-geral da OTAN, o Mark Rutt, ele, numa entrevista, ele se negou a comentar o fato de que o presidente Trump chamou a OTAN de covarde.

por não apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irã. E aí o Gary Kasparov, o enxadrista russo armênio, ele compartilhou, o Mark Rutte se negando a comentar, dizendo, provou o ponto dele. Ou seja, o Mark Rutte foi covarde ao não defender a OTAN, ele como secretário-geral da OTAN.

falando dos países do Golfo, dos países árabes, tivemos vários ataques aéreos dos Estados Unidos a campos de grupos próximos do Irã, alinhados ao Irã, no Iraque, essa semana. Tivemos ataques com drones ao quartel da inteligência do exército iraquiano em Bagdá, essa semana, muito provavelmente realizado por essas milícias.

E tanto o ministro de Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos quanto o Mohammed bin Salman, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, essa semana deram declarações bastante fortes sobre uma eventual participação.

nas ações contra o Irã, dizendo que a situação está ficando intolerável. E o ministro de relações exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah Bin Saeed, chegou ao ponto de dizer que o Irã está cometendo atos de terrorismo contra o seu país. Lembrando que os Emirados Árabes Unidos hoje têm ótimas relações, relações próximas com Israel.

e tem a questão territorial das ilhas no Estreito de Hormuz. Então, os Emirados Árabes Unidos eventualmente entrarem na guerra contra o Irã é improvável, mas já é possível.

Não sei se eu consegui mensurar direito. Falando do Catar, o Irã emitiu uma nota de evacuação para a cidade de Doha, como parte provavelmente de guerra psicológica, e também de ironizar as ações israelenses, quando as forças armadas israelenses emitem as ordens de evacuação para as áreas que eles vão bombardear, como se isso tivesse algum valor no direito internacional.

A Qatar Airways transferiu várias de suas aeronaves para uma base na Espanha, para possivelmente tirar as suas aeronaves, especialmente as mais caras, os aviões maiores da linha de fogo.

tivemos a queda de um helicóptero militar do Catar, que deixou sete pessoas mortas, supostamente com um problema técnico, mas aí ele pode ter sido abatido pelo Irã, pode ter sido abatido por fogo amigo, saberemos um dia.

E, nessa semana, a Arábia Saudita expulsou o adido militar do Irã e outros quatro diplomatas iranianos, e o Líbano, isso é importantíssimo, o Líbano expulsou o embaixador iraniano no país.

Ou seja, agora, quatro países árabes já expulsaram diplomatas iranianos. Líbano, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. E o Líbano expulsou o embaixador. Isso não é pouca coisa.

Falando brevemente de mortes e baixas, e de destruição, segundo a Hirana, são 3.300 mortos dentro do Irã, segundo a principal organização de direitos humanos da oposição, sendo mais ou menos 1.200 militares, 1.500 civis e um grupo ainda não classificado.

Já temos mais de mil mortos no Líbano. Dentro do Irã já são cerca de 4 milhões de deslocados internos, especialmente pessoas que saíram da região de Teherã e foram para o nordeste do país, uma região mais rural e mais afastada, digamos assim, dos combates.

Segundo Israel, três soldados morreram, 23 civis morreram e mais de 5 mil ficaram feridos. E isso, claro, sem falar em destruições materiais. Eu falei um pouco dos navios iranianos porque os navios normalmente são mais fáceis de você confirmar visualmente.

falando do Líbano, repito, o ministro da defesa disse que o exército israelense vai, o ministro da defesa israelense, disse que o exército israelense vai ocupar o sul do Líbano e impedir o retorno de moradores à região. Inclusive as principais pontes sobre o rio Litane já foram destruídas pelos israelenses. Ou seja, Israel, as forças armadas israelenses estão destruindo propriedade de outro estado e o почему.

numa ocupação ilegal, e por que as pontes sobre o Hulitani? Pra impedir que essas pessoas possam voltar. A justificativa é impedir ações do Hezbollah, mas como vocês bem sabem, a maior parte das ações do Hezbollah envolve o disparo de foguetes, ou então o uso de pequenos grupos de combatentes, o que pode ser contornado na falta de ponte. A destruição das pontes é pra impedir as pessoas de retornarem. E aí...

E vamos lembrar, nesse sentido, de que Israel é, ao lado de, por exemplo, Rússia e Marrocos, um dos pouquíssimos países que altera as fronteiras internacionalmente reconhecidas pela força. E eu estou falando especificamente das colinas de Golã, que foram ocupadas pelos israelenses em 67, na Guerra dos Seis Dias.

Elas que são internacionalmente reconhecidas como da Síria, tirando o reconhecimento do governo Trump, baseado inclusive em questões bíblicas, como já falamos aqui, e foram anexadas nos anos 1980.

então você ter essa ocupação do sul do Líbano com as autoridades israelenses falando abertamente que não vão permitir que os civis retornem nos lembra o que já ocorre nas colinas de Golã que é uma anexação de território pela força que é proibida pelo direito internacional e que pós criação da ONU não me venham com, sei lá, com a Alsácia Lorena

pós-criação da ONU, pós-carta da ONU, pouquíssimos países no mundo buscam fazer isso. Eu mencionei o caso de Rússia, mencionei o caso do Marrocos e agora o caso israelense. Você tem algumas divergências territoriais, divergências fronteiriças, como o caso do Irã, que eu mencionei.

você tem conflitos congelados, como a Península Coreana, mas você alterar as fronteiras internacionalmente reconhecidas pela força são pouquíssimos países que hoje no mundo você pode dizer que fazem isso. Mesmo a questão do Chipre com a Turquia, você ainda tem ali a ideia da fundação de uma república do norte do Chipre, você não teve uma anexação pela Turquia do território.

tivemos a notícia de que um agricultor israelense chamado Ofer Moscovitz ele que mora no norte de Israel, morava porque ele infelizmente faleceu o próprio israelense reconheceu na segunda-feira dia 23 que ele foi morto em um incidente de fogo amigo falando pra gente começar a encerrar de TPI e Palestina o procurador geral do TPI o

o Karim Khan teve retiradas contra eles as acusações de má conduta sexual, de assédio sexual. O painel disse que não foram fornecidas evidências beyond reasonable doubt, ou seja, além da dúvida razoável.

Há uma disputa, então assim, um dos painéis que acusa ele de má conduta sexual, inclusive disse que não concorda com a decisão, não sei dizer se tem uma possibilidade de recorrer a algo do tipo.

Mas a decisão foi tomada, como eu disse, que não foram fornecidas evidências beyond reasonable doubt, ou seja, além da dúvida razoável, para manter as acusações contra ele por assédio sexual. Também tivemos, nesse último final de semana, mais um pogrom por colonos israelenses contra vilas palestinas na Cisjordânia ocupada, na vila de Kairut, especificamente.

Falando sobre o Mar Vermelho, esse foi o ano mais letal para pessoas buscando fugir do Sudão e dos conflitos no chifre da África pelo Mar Vermelho. Foram 922 mortes, segundo a Agência Internacional para Imigração, infelizmente. E falando sobre o Afeganistão, rapidamente.

o governo afegão libertou um cidadão dos Estados Unidos, o Dennis Coyle, depois de mais de um ano, uma situação mediada pelo Catar e pelos Emirados Árabes Unidos, e ele foi libertado durante o fim do Ramadã, também como um símbolo pelas autoridades do Talibã. Ele é um linguista e pesquisador.

E a família dele escreveu uma carta ao governo do Talibã, pedindo inclusive que ele fosse perdoado no final do Ramadã. Então é isso, agora a gente segue para as efemérides da semana que vem, que infelizmente ou felizmente, não sei, serão restritas ao século XX.

29 de março de 1951, há 75 anos, Julius e Ethel Rosenberg foram condenados nos Estados Unidos por espionagem.

Eles foram condenados por serem espiões da União Soviética, incluindo o fornecimento de informações secretas sobre armas nucleares e tudo mais. E dois anos depois, eles foram executados pelo governo federal em Nova York.

Eles foram os primeiros cidadãos dos Estados Unidos civis a serem executados por espionagem na história e também os primeiros a serem executados em tempos de paz. E o caso Rosenberg levou a muitos debates, tanto debates sobre a paranoia vermelha, o medo vermelho de que todo mundo poderia ser comunista, etc.

Também uma questão de antissemitismo, inclusive no fim da Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, muita gente associava os judeus aos comunistas. O judeu é um comunista, um potencial comunista, coisas do tipo. Especialmente judeus pobres, é claro. Isso muito por conta do próprio Karl Marx ser judeu.

Então, o caso deles tem muita presença na cultura pop, muitos debates sobre isso, mas o fato é que eles viriam a ser executados dois anos depois dessa condenação. 1º de abril de 1976. Não é mentira que 50 anos atrás foi fundada a Apple por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne. Música

aqui eu queria concentrar um pouco, meu caro Matias, na figura do Ronald Wayne, que é o fundador menos conhecido da Apple. O Steve Jobs, todo mundo conhece. O Steve Wozniak, todo mundo conhece. Todo mundo usa, todo dia, algo que o Steve Wozniak inventou. Quer dizer, quase todo mundo usa quase todo dia. Que é o mouse. O mouse de computador, esse que você usa, o Steve Wozniak inventou.

E o Ronald Wayne? E quem é o Ronald Wayne? O Ronald Wayne, ele trabalhava na Atari, e o Steve Wozniak e o Steve Jobs chamaram ele para a fundação da Apple por vários motivos. Primeiro, para ele ser a parte administrativa.

já que o Steve Wozniak e o Steve Jobs eram mais da parte criativa e técnica. Segundo, ele já tinha experiência na administração de empresas, porque ele trabalhava na Atari. E ele é nascido em 1974, então ele já tinha mais de 40 anos. Exatamente, ele é quase 20 anos mais velho que os dois, então ele serviria inclusive para ser uma espécie de árbitro. E aí era o seguinte, o Steve Jobs ia ter 45% das ações, o Steve Wozniak 45% e ele 10%.

E aí apenas alguns dias depois, ele vendeu esses 10% para os dois por 800 dólares. Porque ele tinha medo que justamente como ele era o único adulto ali no rolê, se a empresa quebrasse ou assumisse uma dívida, era ele que ia se ferrar. A casa dele que poderia ser penhorada, essas coisas.

Então ele pegou esses 10% da Apple, vendeu por 800 dólares e voltou para a Atari. E ele recebeu outros 1.500 dólares dos dois para renunciar a qualquer reivindicação futura. 10% da Apple hoje seriam 300 bilhões de dólares. Então o caso dele é muito famoso por isso.

Porém, tem uma matéria sobre ele na revista Fortune, que entrevistou ele, e ele disse que ele não tem arrependimento porque foi a decisão que a saúde mental dele na época requeria. Então, 50 anos da empresa Apple, que tem muitos fãs pelo mundo, muitas pessoas só usam produtos Apple.

É uma empresa que foi muito ligada especialmente ao design. E tem uma coisa muito curiosa, para quem não sabe. O Apple, gente, é por conta da maçã que caiu na cabeça do Newton. E o primeiro logo da Apple não era nem um logo direito. Era basicamente o Newton sentado debaixo de uma árvore com uma maçã brilhante em cima da cabeça dele, escrito Apple Computer. O logo da maçã mordida, como conhecemos hoje, e como o Forrest Gump veio investir...

Junto com o Tenente Dunn. Só veio depois. E, meu caro Matias, falando em tecnologia, lembrar para o nosso ouvinte que a Alura, a maior escola de tecnologia do país, é nossa parceira aqui no Xadrez Herbal. A Alura oferece cursos e formações pensados para você...

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E na quinta-feira da semana que vem, completam-se 50 anos da ratificação da Constituição de Portugal em 2 de abril de 1976. O 2 de abril, meu caro Matias, como você mencionou...

é o dia da ratificação da Constituição portuguesa, que vai fazer 50 anos, e a Constituição que acabou com o Estado Novo. Ela passa a vigorar, de forma simbólica, no dia 25 de abril, que é o dia da Revolução dos Cravos, que é celebrado em Portugal como o Dia da Liberdade. E a Constituição portuguesa, desse momento, como falamos, é a Constituição que acaba com o Estado Novo, salazarista,

e vai fazer 50 anos, ela é hoje, então, a segunda constituição portuguesa mais longeva da história. Ela só é menos longeva do que a constituição de 1826, a constituição do Pedro IV Constitucionalista.

que é o nosso Pedro I. Sempre lembrando da citação do Baltazar da Rocha, que ele foi primeiro no Brasil e quarto em Portugal por problema no pneu. E que o principal do Pedro I, o Pedro IV, que ele tem a honra de ter sido interpretado na TV pelo Cubana Khan. Sem camisa, peito peludo, horário nobre, entendeu? Quinto dos infernos. Já tem mais de 20 anos isso, Felipe.

Referência de velho. Referência de velho, mas... O Matias sabe que isso é verdade, tá, gente? Vocês talvez tenham até ouvido o teclado, Alfi. Eu tive que conferir o nome do Marcos Pasquim, o ator, porque eu... Pra mim, o nome dele é Cubanacan. Se um dia eu encontrar ele na rua, eu vou falar, olha o Cubanacan ali. Não, é o Dark Esteban.

Não, eu chamo ele de Cuba na cama. Mas então, está aí, 50 anos da Constituição Portuguesa. Bueno, passemos agora para o match no qual eu, o Felipe e a Fernanda daremos aquele tradicional peão pela nossa quebrada latino-americana.

Cast retira o apoio do Chile para Bachelet liderar a ONU.

Como a gente tinha já especulado aqui nos últimos dois programas, inclusive um abraço para a nossa querida Ana Ara Costa, o governo do Chile oficializou, nessa última terça-feira, dia 24, que retira o apoio à candidatura da ex-presidente Helena Michelle Bachelet para ser secretária-geral da ONU, lembrando que a ONU nunca teve uma mulher como secretária-geral e que a candidatura era conjunta Chile-Brasil-México.

E ela, em teoria, ainda é defendida pelo Brasil. A gente vai falar um pouco mais disso, mas está aqui conosco no estúdio a nossa querida Fernanda Simas, criadora da Carta Global, e está conosco para falarmos um pouco da nossa quebrada latino-americana. Oi, Fernanda, como é que você está? Omito, por favor, ao público tudo o que nós estávamos conversando antes aqui, porque senão pode pegar muito mal.

É, bastidor é bastidor. Oi, Felipe, eu vou bem? Você tá bem? Não, só para o público não ficar curioso, é porque é o seguinte, gente, o Matias, como vocês sabem, é São Paulino, eu, como vocês sabem, palmeirense, a Fernanda, ela é corintiana. É o tio de ferro. É, mas tá complicado. Tô representando a maioria dos torcedores e torcedoras aqui de São Paulo. Olá a todos. Jogou pra galera. Aprendeu com a avô.

Mas então, vamos lá, gente. Vamos lá, falar de Bachelet. Pois é, ela é uma das três candidaturas femininas para o cargo na ONU. Já foi ex-presidente da ONU Mulheres. Mas a sua candidatura também enfrenta a resistência de China e Estados Unidos. Eu acho que é importante a gente lembrar disso aqui.

Então, acho que realmente com essa situação fica um pouco complicado, mas já li alguns artigos também de gente que aponta que uma candidatura latino-americana vai ser a escolhida para a ONU e que então ela continua tendo chances. Vamos ver como que fica essa questão diplomática e as rusgas Brasil e Chile depois dessa decisão.

E no caso da China, muito por conta do papel dela como alta comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, que ela foi bastante atuante em relação a questões envolvendo a China. Ela soltou aquele relatório sobre os Uigures.

No último dia do mandato dela, justamente. E os Estados Unidos, a gente já falou, a gente chegou até a comentar na sua última participação, os Estados Unidos não vê com bons olhos ela, porque ela é uma, entre aspas, comunista, esquerdista e qualquer isso. E mulher.

E mulher. E latino-americano. Então, aí entra... Ela foi todas as características que os Estados Unidos não querem neste momento. Aí entra o outro gancho do que a Fernanda falou. E a gente também tem debatido isso aqui, que tem um giro, um revezamento geográfico.

em teoria, é a vez da América Latina. Porém, você tem alguns países dizendo que o mundo está muito tenso para ter uma candidatura latino-americana, algo do tipo, e especialmente o leste europeu, com Polônia, República Tcheca, os antigos quatro de Visegrado, querendo furar a fila, dizendo que a eleição do Antônio Guterres foi furando a fila deles. Então agora eles querem furar de volta.

então nós temos todo esse aspecto aí é importante a gente trazer para os nossos ouvintes, para quem quiser estar lá no site do Ministério de Relação Exteriores do Chile, o comunicado de imprensa a versão polida porque hoje mesmo

O cast, em um evento público, declarou que gostaria muito que o presidente Gabriel Boric tivesse compartilhado o apoio a Bachelet com os candidatos presidenciais. Então mostra que tem um certo rancor da parte do atual presidente chileno em relação ao ex-mandatário.

A decisão do governo chileno, ao meu ver, não sei se vocês vão concordar ou não, para mim ela tem três fatias. A primeira delas é essa de marcar presença perante o governo anterior, o que, convenhamos, faz um certo sentido. Se a gente pensar num contrafactual, vamos supor que nos últimos meses o Jair Bolsonaro tivesse indicado Ernesto Araújo para secretário-geral da ONU.

o nosso querido terraplanista. Aí um governo Lula posterior poderia retirar essa candidatura? Poderia. Talvez deveria. Claro, o Ernesto Araújo não está no mesmo quilate que a Michelle Bachelet. É bom deixar claro, vocês dois estão concordando com a cabeça. Eu estou repetindo isso porque estamos num podcast, as pessoas precisam de áudio. Concordamos. Então, assim, tem ali uma marcação de território. Segundo, tem claramente pra mim uma questão ideológica, uma rixa ideológica.

Eu acho que é a mais forte, a questão mais forte envolvida nessa decisão. E o terceiro, aí, quando nós tivemos a posse do Caste, a gente comentou aqui, a Fernanda estava aqui com a gente, do convite ao Flávio Bolsonaro.

Agora, nós também temos esse gesto, uma segunda distensão com o governo brasileiro, num prazo extremamente curto, e, novamente, qual a necessidade disso, pensando nas relações Chile-Brasil, se houve uma comunicação, se não houve.

ainda está muito incerto. E ainda em relação à postura do atual governo chileno, e daí pegando o teixo mais importante da nota do Ministério de Relações Exteriores, é que...

Em consideração a trajetória da ex-presidenta Bachelet e, em caso que ela decida continuar com a candidatura, o Chile se absterá de apoiar qualquer outro candidato no processo. Então, pelo menos deram essa colher de chá para a ex-presidenta Michelle Bachelet. Sim, porque é o tal negócio. Não dá para comparar mesmo a Bachelet...

com o Ernesto Araújo, se você olhar justamente a trajetória. O governo do Chile não poderia simplesmente apagar. Ou um psicotécnico. Também. Também. E o governo do Chile não poderia simplesmente apagar essa questão. Mas eu acho que o enredo é todo um enredo à la Trump, de você ficar criticando o seu antecessor e ficar desfazendo o que o antecessor fez. Então, eu acho que tem muito desse componente ideológico, dessa coisa alinhada com o atual governo americano.

E a Bachelet soltou uma nota dizendo que vai manter a candidatura dela, trabalhando em conjunto com os governos de Brasil e México. Ou seja, uma eventual eleição da Bachelet, muito improvável, especialmente por Estados Unidos e também China, mas seria uma ação do governo Lula, mas ela disse que vai manter a candidatura, pelo menos nesse momento. Só que uma pessoa manter uma candidatura para esse cargo sem o apoio do próprio Estado,

gera um estranhamento muito grande dentro das próprias negociações. Então, querendo ou não, hoje o nome favorito, pensando nos candidatos existentes, é o do Rafael Grossi, como a gente tem falado daqui a mais de um ano, até pela questão da crescente importância da questão da energia nuclear. Ele é o diretor da AIEA argentino, tem o apoio do governo Milley.

Embora ele seja aparentemente um cara de direita, mas ele não é exatamente um mileísta. Mas então a gente começa com essa questão da Michelle Bachelet. Só que vocês também têm mais coisas a trazerem sobre o Chile. Inclusive você trouxe a questão dos combustíveis e o Matias tem até o relato de um amigo dele hoje. Então como é que esse negócio dos combustíveis no Chile, que tem conexão com a guerra no Irã?

Pois é, o Caste anunciou, e aí até entra nesse contexto de governo à la Trump, porque no meio dessa história da Bachelet, ele anuncia uma questão super importante, que meio que fica despercebida na discussão, que é a alta histórica no preço dos combustíveis por conta da guerra no Irã. E ele já falou para a população que vão ter que se preparar, o período vai ser difícil. Então, a gente já vê aí um impacto importante no governo dele.

que deve levar a um aumento inflacionário e pode trazer problemas num futuro muito próximo. E o teu amigo hoje estava na fila, né? Pois é, meu amigo Diego Gajardo postou um story de uma fila. Lá no Chile eles chamam o posto de gasolina de bomba sina, porque gasolina no Chile é bencina, eles abreviam para sina, e daí o posto de gasolina é bomba sina. Então ele estava na fila de um posto.

com vários carros, justamente, na verdade, o story foi de ontem à noite, porque o preço ia mudar na virada de um dia para o outro. Então, é uma situação que a nossa geração aqui no Brasil sabe bem como é. Crianças nascidas nos anos 80 iam com os pais no posto de gasolina na sexta-feira, porque na semana seguinte o preço ia subir. E...

Bastante. Ou no supermercado em geral. Também. Compras em geral. E aí a gente cruza os Andes, e aí eu estou invertendo um pouco os papéis com Matias para jogar mais a bola para vocês. Nessa semana tivemos os 50 anos do golpe militar de 1976, que a gente comentou um pouco na Semana na História no programa passado.

Porém, tivemos o governo argentino novamente relativizando os crimes da ditadura, fazendo acusações à esquerda. Então, como é que foi essa semana aí na Argentina?

É, exatamente. E a gente entra, inclusive, num tópico que a gente conversou da vez que eu estive aqui, que é esse revisionismo histórico que esses governantes de extrema direita querem fazer. O Milley, ele, inclusive, pode ser considerado um resultado daquele golpe de 76. Você vê ele ter um mesmo plano econômico que era utilizado na era militar.

E você tem 50 anos de marginalização dos argentinos, de uma degradação da escola pública, tudo isso culminando. E esse ano, essas comemorações ficam mais fortes e entram em confronto com essa questão de revisionismo histórico, de um presidente relativizar essa questão. Algo que não se via, mesmo com uma Argentina polarizada.

Isso não era um tema, né? A questão da ditadura militar argentina sempre foi encarada com muita seriedade. Isso é básico, né? Todo mundo vê isso lá, as instituições de memória, tudo isso, os livros que se tratam desse assunto, as pessoas têm acesso, elas se interessam. E agora a gente tem essa questão, essa relativização.

Inclusive, tem um escritor argentino, Martín Caparrós, que escreveu no El País, justamente um artigo falando sobre essa data, sobre essa semana, e criticando a postura do governo Milley, trazendo como todas as promessas que ele fez foram promessas baseadas num passado da Argentina, quando a Argentina vinha se construindo antes do golpe militar como um país do futuro.

Então ele traz tudo isso, eu recomendo que as pessoas leiam, porque é muito interessante notar como tem muitos ecos daquele momento presentes hoje. E ontem tivemos um ato massivo na Praça de Maio, convocado justamente por setores de oposição ao governo Milley. E cabe lembrar aqui que, apesar do Milley...

ter brigado com a sua vice-presidenta na fórmula, na chapa presidencial. Ela é o principal elemento negacionista, até por ser filha de militares, inclusive membros da família dela seriam...

torturadores, enfim. Então tem essa questão que na chapa que foi eleita, mas que hoje está brigada, ela que era o principal elemento de negacionismo e relativização em relação aos crimes cometidos entre 1976

E 83 no último ciclo de ditaduras militares na Argentina. É bom frisar isso, porque na segunda metade do século XX a gente teve três períodos de exceção na história argentina. Entre 55 e 75 foram cinco golpes de Estado que triunfaram e outros fracassados.

E você mencionou a Vitória Villaruel várias vezes já, meu caro Matias. Eu estava essa semana dando uma estudada justamente nesse assunto. Em 2017 a gente repercutiu aqui o afundamento por acidente do submarino San Juan, da manhã argentina. Durante o governo Macri. Exatamente. Ela se projetou muito nesse período, como uma espécie de defensora dos familiares dos militares.

E o Rafael Grossi também. Ele tem uma projeção também nessa época. Só retomando a pauta anterior. E a Vigia Coelho. Um discurso muito parecido com o do Bolsonaro quando deputado. Nos anos 90. Eu vou ser eleito para defender o interesse das famílias militares. Da família militar, ponto final.

já que os militares da ativa não podem votar no Brasil no caso da Vigia Ruel tem alguns vídeos que são constrangedores o claro oportunismo dela naquela ocasião em 2017 e como a gente mencionou é um aniversário de 50 anos mas que a gente viu um desmonte da ESMA nós estamos vendo vários essa relativização a divulgação pelo próprio governo e o почему

de documentários, coisas questionando, usando o debate político interno nesse assunto.

É, principalmente a questão do número exato de desaparecidos, que hoje é uma questão que acirra os ânimos na Argentina. E não só isso, não é só o debate se foram 30 mil ou não, mas também acusam os desaparecidos de que não eram inocentes, que eles tinham culpa no cartório e mereciam desaparecer.

Isso é um discurso também presente no Brasil, infelizmente, mas que é sempre um... Mas não era comum na Argentina. Isso, exatamente. Era muito diferente. Eu lembro que quando eu terminei minha pós-graduação em Relações Internacionais, eu fiz justamente um TCC comparando essas questões das ditaduras Brasil e Argentina nesses outros aspectos, não os atos da ditadura em si. E isso era muito nítido. Quando eu fui para a Argentina, a memória do que aconteceu...

Você lembrar para nunca esquecer é muito presente. O julgamento. O julgamento, exatamente. Eles foram julgados. O Videla morreu todo cagado na cadeia. Exatamente. Você tem uma outra consciência. E agora isso tudo é colocado assim, como relativizado. Não, peraí, não é bem assim.

Mas antes da gente... Depois eu vou tentar dar um gancho mais otimista nisso. Primeiro, essa coisa dos desaparecidos e dos mortos, é sempre bom lembrar que você não pode equiparar atos de agentes do Estado com atos de... Mesmo que aquela pessoa queira ver o Marighella ou os montoneiros ou quem for, como um criminoso, como um terrorista, você não pode equiparar com atos de agentes do Estado.

Justamente porque o ato do agente de Estado tem as atribuições do Estado e carrega com si a obrigação de proteção aos direitos humanos. E segundo, ao meu ver, tem um impacto muito negativo, e aí pensando no mundo que nós estamos passando, nessa transformação de aumentos de gastos militares, que claro, são um absurdo, como a gente sempre lembra aqui, mas aumento da tensão militar pelo mundo, você mantém na América Latina uma ideia

muitas vezes, de partidarização das forças armadas, que às vezes repercute dentro das próprias forças, novamente usando o exemplo do Brasil, aquela briga terminológica de golpe versus contra a revolução. Mas essa partidarização do elemento armado do Estado normalmente leva à precarização do elemento armado do Estado, porque ele vai ou se concentrar na ideia de uma ameaça interna,

você vai ter ameaças aos fluxos financeiros, ou então de profissionalização daquelas forças. Então, isso também é um problema. Então, o que eu quero dizer com isso, que a preservação da memória e a responsabilização daqueles atos, daqueles crimes, também precisa ser acompanhada da ideia de uma...

crescente profissionalização das Forças Armadas, não colocarem elas apenas no âmbito do discurso ou do debate como eu disse, partidário assim, ah, eu sou de direita, então após as Forças Armadas, sou um patriota o que significa ser um patriota nesse caso? é andar por aí com a bandeira, usando como a bandeira como se fosse um amuleto? é usar a bandeira para enxugar o próprio rosto?

como já aconteceu no Brasil por políticos importantes. Então é necessário ter uma visão mais clara sobre esse passado, mas também como base para o presente dessas forças armadas que têm um papel nos Estados nacionais. Querendo ou não, as forças armadas têm um papel nos Estados nacionais. A Costa Rica pode se dar ao luxo de não ter forças armadas. O Brasil, pelo menos em 2026, tem que ter forças armadas.

Pode ser que um dia não tenhamos mais, mas enfim. Mas, como eu disse, para tentar dar um gancho otimista, e aí o Matias é a pessoa que talvez melhor conheça isso no Brasil, sem exagero, pelo menos os clubes de futebol mantiveram a sua tradição de todos eles relembrarem o aniversário do golpe militar.

Pois é, como a gente explicou no último programa, desde o começo do século, o 24 de março na Argentina é uma fete apátria, um feriado nacional. E a gente também explicou que, neste caso, ele é imutável, ele não pode mudar, porque muitas vezes fazem compensação ao longo da semana, para ficar próximo do final de semana e fazer um feriado estendido, enfim.

E os principais clubes do país se manifestaram através das suas redes sociais. Houve um certo burburinho, eu acompanhei mais inclusive do clube do qual eu sou sócio, o Tia Carita Júnior. Alguns poucos comentavam de forma negacionista ou relativizando.

Mas você vê que todos eles se manifestaram e na última rodada do Campeonato Argentino muitos clubes também fizeram atos de memória, seja na camisa ou em bandeiras, enfim.

Então a maioria dos clubes também se posicionou dentro de campo. E em relação aos aparecidos, Felipe, cabe lembrar que estreou no começo do mês, lá no streaming do Jeff Bezos, o documentário Tras Lados, que trata dos voos da morte, que foi produzido entre 2024 e 2025 e estreou agora na internet para...

todos os assinantes puderam assistir, documentário dirigido pelo Nicolás Hill LaVella, e na primeira semana de exibição, ele esteve em 2 de março, em 9 de março ele era o documentário mais assistido em toda a América Latina nesta plataforma.

Então mostra que também existe um interesse justamente do público de investigar o que aconteceu nesse período, até porque os voos da morte ainda são usados por parte da direita como um símbolo contra uma ameaça comunista ou subversiva.

Eu até escrevi um pouco sobre isso essa semana no jornal, mas você falou do símbolo da direita. Mesmo entre adolescentes ou pessoas com mentalidade similar aqui no Brasil, tem um meme do tipo...

Tem que jogar o comunista do helicóptero, helicóptero chovendo comunista, coisas assim. Isso ainda é um meme mesmo dentre esses setores. E vamos lembrar também que no caso da mais recente ditadura militar argentina, nós ainda tivemos a questão dos bebês roubados e traficados pelos militares. Foram cerca de 500 bebês.

E aí, inclusive, nós tivemos, por exemplo, na Folha de São Paulo, o texto do Douglas Gavras, entrevistando um dos netos encontrados pelas avós da Praça de Maio. Ele que é o neto centésimo trigésimo terceiro, o Daniel Santucho Navarras. Então, para quem quiser ler, o título da matéria é Pude Começar Uma Nova Vida, diz neto encontrado pelas avós da Praça de Maio.

E falando do governo Milley e sua relação com os militares, hoje mesmo houve um anúncio por parte do chefe de gabinete, o Manuel Adorni, que desde a Casa Rosada se decidiu que 10% do que for lucro

no processo de privatização das empresas argentinas e venda de terrenos públicos, será investido nas forças armadas. E isso inclui, por exemplo, a Aerolíneas Argentinas e o Correio, que a gente...

traz essa polêmica desde o governo Macri, por conta do processo escuso que foi a questão dos correios ligado ao seu pai, o Franco Macri, mas então temos aí essa decisão do governo Milley de reinvestir o que for lucro no processo de desestatização, como é chamado pelo atual presidente.

nas Forças Armadas. Não sei quem tomou a decisão ou se foi uma questão coletiva ali entre os ministros, mas chama atenção esse anúncio ser feito um dia após o Dia da Memória.

De uma pauta que se torna cada vez mais comum, não só na América Latina, esse aumento de gastos em defesa e mostrando que realmente o mundo está cada vez mais perigoso diante das decisões de alguns governos que usam o que o Felipe estava falando, justamente o discurso das Forças Armadas, para polarizar e para deixar tudo simplório, ou eu sou a favor das Forças Armadas, ou eu sou contra, sem refletir sobre os papéis e sem lembrar da questão histórica envolvida em tudo isso.

E viralizou essa semana também um vídeo de um exercício militar na Argentina com equipamento bastante antigo e o pessoal fazendo troça por conta do maquinário ultrapassado das Forças Armadas Argentinas. Lembrar que no ano passado o mundo inteiro gastou cerca de 2,6 trilhões de dólares com T de tesão.

ou seja, o suficiente para acabar com a fome no mundo, em defesa, mas sendo muito... A gente falou aqui, por exemplo, quando o governo argentino comprou os caças da Dinamarca, que eram os caças que não estavam bons o suficiente para serem enviados para a Ucrânia.

Gente, 10% da privatização da Aerolíneas Argentinas e para Forças Armadas Argentinas significa que eles vão, sei lá, comprar um BYD. É isso. Porque já não vai ser um valor tão grande assim, ainda mais nesse cenário de expansão de gastos e questões de defesa.

E a situação de defesa argentina é muito paradoxal, porque a Argentina, hoje ela tem boas relações com seus vizinhos, ninguém acha que consegue ver o Brasil invadindo a Argentina, ou o Chile invadindo a Argentina, até porque existe uma grande barreira natural nesse caso.

os governos argentinos gastaram muito dinheiro e muito equipamento militar durante muito tempo pensando na questão das Malvinas ou do canal de Beagle. O canal de Beagle, teoricamente, se resolveu pela diplomacia, a questão das Malvinas teoricamente se resolveu pela força. Então, pra que a Argentina precisa de forças armadas muito bem equipadas? Veja, eu não tô nem defendendo que a Argentina...

abra mão das suas forças a mais que na Costa Rica, mas a Argentina tem outras prioridades do que gastar centenas de milhões de dólares comprando armamento de segunda mão antigo do exterior. No caso brasileiro, a gente até vai falar mais disso hoje, a gente pode colocar que são projetos que

agregam para a cadeia produtiva no Brasil. O submarino produzido aqui, aviões estão sendo produzidos aqui, etc. Agora, viaturas blindadas, antes que o nosso querido Thiago Pedreiro mande um e-mail reclamando porque eu não falei do Exército, também produzidos aqui. Agora, no caso da Argentina, do que adianta? Gastar 300 milhões de dólares para comprar caça da Dinamarca que eram os que não eram bons para serem dados para a Ucrânia.

Então, enfim, eu, se eu fosse presidente argentino, eu teria outras prioridades. Mas eu também teria outro penteado. E outros pensamentos. Provavelmente.

A gente cruza o charco agora, vamos em direção ao Uruguai, já que 31 eurodeputados exigem, veja bem, exigem que o país solte presos políticos, nas palavras deles, do Uruguai. Quem seriam esses presos, Felipe?

Eu não sei. Você que é o especialista uruguaio aqui. É o Marce? Não. Militares condenados por crime de lesa humanidade na última ditadura militar uruguaia, num processo também de revisionismo. E o eurodeputado líder desse movimento é o Marcos Bouchet. Te dou uma chance para você adivinhar o partido dele. Vox.

Marcos Bouchette. Eu não sei. Estou sofrendo bullying. Ah, FD. Ah, ele é alemão. Eu pensei no país castelhano. Desculpa, por isso que eu falei Vox. No caso é Marcos M-A-R-K-U-S. Nossa.

Então, é isso, assim, é a petulância do sujeito, né? Tipo, não basta você querer revisar a história do seu país, né? Com esse partido neonazista, que é se meter do outro lado do Atlântico, sendo assim, que a ditadura militar no Uruguai, assim como em outros países da região, também fez vítimas cidadãos europeus.

cabe lembrar isso que era justamente um argumento para a extradição do Pinochet caso ele fosse para a Espanha é, a gente desses países, Argentina, Uruguai eles receberam muitos imigrantes europeus nessas promessas de um futuro e aí você tem essas ditaduras isso é importante mesmo de trazer e é isso, agora os alemães querem se meter no Uruguai

Não só alemães, são 51 eurodeputados. Enfim, é um absurdo. E a nomenclatura, eu acho incrível como facilmente eles revisam, inclusive, a nomenclatura de preso político. É, enfim. E junto aos eurodeputados alemães também estão parlamentares de Hungria, Polônia e Lituânia.

Enfim, para surpresa de ninguém. Também no Paecito, ainda sobre o caso Sebastian Marce, a justiça dos Estados Unidos negou a fiança ao narcotraficante depois da sua detenção na Bolívia. Lembrando que assim que ele foi detido, ele já foi.

enviado para os Estados Unidos, onde será julgado num tribunal na Virgínia. E em breve teremos uma nova audiência, onde será formalizada a acusação contra o narcotraficante uruguaio. Do Paicito vamos agora para o Brasil, já que a Embraer acertou a venda de jatos para uma companhia aérea finlandesa.

Exatamente, mais uma grande venda da Embraer durante esse governo, no caso para a Finnair, a companhia aérea finlandesa, como o Matias falou, o contrato de até 46 aeronaves. Então são 18 pedidos concretos.

16 opções e 12 direitos de compra, no caso do E-195, um dos principais jatos regionais do mundo. Inclusive, é muito provável que alguns dos nossos ouvintes já tenham viajado por ele. E falando em Embraer, em questões militares que estávamos falando...

Hoje, nesta quarta-feira, dia 25, em Gavião Peixoto, aqui no interior de São Paulo, no aeródromo da Embraer, foi apresentado o primeiro caça Gripen produzido aqui no Brasil. Lembrando que o Gripen é um projeto da Saab, sueca.

E aí nós temos um acordo com o Brasil, o Brasil adquiriu 36 aeronaves nessa primeira leva inicial, parte dessas aeronaves serão produzidas aqui no Brasil, o custo total do projeto é de 4 bilhões de dólares, bilhões com B de bananada, e nesse processo, centenas de engenheiros e profissionais brasileiros foram para a Suécia, passar por treinamento, voltaram, então é o que a gente está falando sobre a Argentina, você tem um impacto...

direto em postos de trabalho, emprego, agregar tecnologia. E o presidente Lula fez parte, tomou parte da cerimônia, batizou o avião, inclusive, com champanhe, ali todo mundo filmando ao redor e tal. E o... Você estava até comentando aqui antes da gente gravar, o Gustavo Petro ficou obcecado com essa história. Ficou monotemático. Nossa, tá... Ele tweetou o vídeo do...

estuquinha do Lula falando, do Supersônico, enfim. E, nossa, falou, agora é nossa vez. A Colômbia já produz aqui os fuzis Jaguar. E estava felicíssimo. É a nova era de produção latino-americana.

E é bem possível que a Colômbia adquira gripens produzidos no Brasil, porque a Força Aérea Colombiana hoje tem vetores bem antiquados para ser gentil. Então é possível que nós tenhamos essa mudança.

E aí tem uma outra notícia que, assim, eu vou repercutir por uma questão, mas vocês aí, vocês que são jovens e vocês que são na música, né? Vocês fiquem à vontade para comentar. Mas tivemos um entreveiro entre a família do jogador Jorginho, né? De seleção italiana, atualmente no Flamengo, passou por grandes clubes.

e a cantora Chappelle Rowan, aqui por conta do Lula Palooza. E aí, o pessoal da Billboard, principal veículo de comunicação sobre música no mundo, que é o nome das paradas de sucesso, etc., eles escreveram na matéria que o Jorginho postou nas suas redes sociais em inglês e em espanhol.

Só que o Jorginho postou em português. Sim, afinal, é brasileiro. Pois é, a Billboard aparentemente não sabe que o Brasil fala português. E assim, eu achei isso em 2026... É tudo latino, Felipe. Pois é, mas eu achei isso em 2026 muito bizarro. Mas assim, vocês dois... Isso é para engajamento.

trouxa, mas... Mas enfim, vocês que são jovens, o que vocês acham da Chapeau Roll? Vocês estão do lado de quem? Eu não conheço a Chapeau Roll. Ah, olha só, estão fugindo. Estão fugindo do fandom. Eu não vou opinar. Estão com medo do fandom. Fandom de diva pop com torcedor de futebol. É uma combinação que dá super certo. Eu não tenho medo da Taylor Swift. Inclusive... Olha, toma cuidado, Felipe. Ai, ai.

Mas no show da cantora, fãs dela proferiram palavras de baixo calão contra o clube que o Jorginho defende atualmente, o Flamengo, só o mais popular do país. E daí, enfim, no Twitter foi uma batalha também entre defensores da Chaperone contra flamenguistas. Daí, enfim, na internet a história é outra, né? Ousa falar mal do Flamengo no Twitter, por exemplo.

Ela teve que fazer um vídeo. Se explicando. Esse vídeo, Fernanda, desculpa, o vídeo tem cortes e ela mal olha pra câmera. Esse vídeo foi instrução de assessoria pura. A assessora falou, pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus, faz esse vídeo aqui. Aí eles ainda editaram pra ver se resultava alguma coisa.

Mas é isso. E daí, assim, agora ex-prefeito do Rio de Janeiro, o Eduardo Paes, se meteu na história. Falou que ela nunca vai se apresentar na cidade. Mas ela é bem-vinda na barreira do Vasco.

É, chaperon é forçar jovem. É, mas enfim, mas assim, essa história toda foi surreal. Tem o detalhe de que a menina é filha biológica do Judy Law. É. Ainda por cima. Ela é enteada do Jorginho, né? É, mas o Jorginho chama ela de filha e ela chama ele de pai. É, que o Judy Law tem tantos filhos que é capaz de ter esquecido. Mas o ponto é, a Billboard ainda acha que o Brasil fala espanhol, o que é absolutamente patético. Exato.

Bem, a gente segue no Brasil, mas com uma notícia envolvendo o Paraguai, já que no último domingo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com seu homólogo paraguaio Santiago Pena para a abertura da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Lembrando que a capital...

Sul-Mato Grossense é a segunda mais próxima da fronteira com o Paraguai, então ali no meio do caminho para os dois, para um encontro bilateral. E, nas palavras do presidente brasileiro, durante o encontro, eles trocaram impressões sobre o conflito no Oriente Médio e seus impactos econômicos no mundo e também conversaram sobre o fortalecimento dos espaços multilaterais e da democracia na América Latina.

Principalmente a intensificação das discussões entre os dois países para concluir rapidamente a revisão do anexo C do tratado de Itaipu.

Nossa, eles discutem isso há bastante tempo. Pois é. Porque foi justamente, venceu durante a troca de presidência no Paraguai. Exatamente. E uma relação, um encontro que poderia ter muitas pegadinhas, do que a gente falou das últimas vezes e que tem sido notícia do reforço militar americano no Paraguai, enfim.

Eu acho que é uma relação que precisa ser muito trabalhada, a diplomacia brasileira precisa estar de olho nisso, porque realmente é preocupante se a gente tiver forças americanas do governo Trump instaladas no Paraguai nesse momento.

Agora a gente cruza o Chaco e vamos para a Bolívia, já que tivemos eleições subnacionais no último domingo. Exatamente, tivemos eleições para os governadores departamentales, para as assembleias departamentais e também para as alcadias. As prefeituras. Boa e velha prefeitura e também os boas e velhos vereadores.

Eu vou passar o número geral, vou puxar aqui uma notícia e eu jogo a bomba para você, Matias, e também para a Fernanda. Mas tivemos um comparecimento de cerca de 83% eleitorado, o que termo parecido com o da última eleição. A coalizão mais votada foi a unidade por La Pátria.

que é do governo Rodrigo Paz. Exatamente, ficou aí com 19% dos votos no país. Em segundo lugar, ficou a coalizão do Somos Libre, do Tuto Quiroga, o candidato derrotado no segundo turno, com mais ou menos 12%. Em terceiro, a Aliança Unidos por los Pueblos, que conta com o MAS, além de outras legendas à esquerda, no espectro político boliviano.

com 10%, em quarto lugar o movimento terceiro sistema, com 8% e depois vem as outras coalizões. E 28% dos votos foram para partidos ou candidatos regionais, inclusive um dos governadores eleitos é de uma aliança regional fora dos grandes partidos. Mas o Evo Morales é o почему.

acusou o governo boliviano e a OEA de se tentarem realizar outra fraude, esse foi o termo utilizado pelo Evo, outra fraude, especialmente em Cochabamba. Porque em Cochabamba, para as eleições do departamento de Cochabamba, nós tivemos o que eles classificaram ali como uma pausa suspeita.

na apuração dos votos. Lembrando que nas últimas eleições presidenciais nós também tivemos essas pausas nas apurações levando a críticas, levando a suspeitas. E o Evo agora disse que o governo estaria tentando fraudar em Cochabamba. Lembrando que ele reside ou se refugia ou se forage, não sei, o termo legal nesse caso, em Cochabamba.

Isso, no trópico de Cochabamba, ali na região do Chapari. Falando da OEA, a chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos para este pleito, a Cindy Quesada disse que a missão saúda as autoridades eleitas e de igual modo destaca que as distintas forças políticas e o почему.

e alianças respeitaram a entrega dos resultados preliminares por parte do TSE. Porém, Felipe, ainda hoje existem militantes da nova reeneração patriótica que estão há três dias de vigília à frente do círculo de oficiais do Exército, onde funcionou o centro de cômpito eleitoral no departamento de La Paz.

E eles exigem transparência na contagem e asseguram que o seu candidato, o René Yahuasi, passou para o segundo turno, porque em La Paz houve vitória eleitoral no primeiro turno, ao contrário de outros departamentos. Então existe essa crise relacionada a um dos principais departamentos bolivianos e essa pressão por parte dos apoiadores do René Yahuasi, que é...

de um partido de centro criado pelo empresário boliviano Edgar Uriona Weissaga. E passando aqui por alguns resultados interessantes dessas eleições, tivemos a vitória do Elicer Roca da União por el Câmbio na cidade de El Alto, que é uma das principais bases eleitorais do MAS. Ele teve 18,88% dos votos.

abaixo dos votos nulos, que daí seria um voto crítico por parte dos macistas, que não foram representados nessa eleição. E o segundo candidato mais votado foi o Gabriel Mamani, do Partido Democrata Cristão, com 14,27% dos votos.

E o atual governador de La Paz e presidente do UPC, o Santos Quisp, declarou sobre a vitória do seu correligionário que a cidade de El Alto está nas suas mãos e quer uma mudança total que marque uma nova política. Isso foi um...

Um discurso bastante recorrente nessas eleições subnacionais. Também tivemos a derrota do Camacho, atual governador de Santa Cruz, que não foi nem para o segundo turno, ficou atrás do Juan Pablo Velasco.

do Libre e do Otto Ritter, do Movimento Santa Cruz para Todos, assim como o branco Marinkovic, do Democratas, que teve menos de 10% dos votos. Porque a linha entre os três candidatos mais votados foi bastante apertada. O Juan Pablo Velasco, apoiado pelo Tutu Quiroga, teve quase 30% dos votos, com 28,31%. O Otto Ritter teve 26,7%. E o Luiz Fernando Camacho teve...

pouco menos de 22% dos votos, cerca de 320 mil votos recebidos. E ele cumprimentou os dois candidatos que disputarão o segundo turno e agradeceu a população do seu departamento. Ele que foi um dos principais quadros da oposição durante os governos do MAS.

E aqui, Matias, eu acho que é legal trazer um posicionamento de analistas políticos bolivianos que vinham apontando para a possibilidade que, depois da vitória do Paz, houvesse realmente um novo movimento político. E com essas eleições, o que eles afirmam é que, de fato, a gente vai ver um novo ciclo político na Bolívia com o fim das hegemonias, como mostra essa derrota, por exemplo, do Camacho em Santa Cruz. E que isso deve ser mantido nos próximos anos e deve ter um rearranjo ali.

político, a ver como que isso vai se desenhar dentro do contexto da região. E na capital departamental houve também uma vitória bastante massiva do candidato Carlos Manuel Savella, conhecido como Mamen, que teve mais de 70% dos votos e declarou que hoje ganhou a esperança, a esperança de ter uma cidade melhor.

também falou numa nova etapa, um novo tempo, e que os pícaros já vão, vão embora, enfim. Lembrando que o departamento de Santa Cruz, não estou falando aqui a cidade, mas o departamento é o mais populoso da Bolívia e tem toda essa clivagem.

étnico-social, que divide o país entre os corjas no altiplano e os cambas na porção oriental do país. E falando também, próximo aqui da fronteira com o Brasil, tivemos a primeira governadora eleita da história da Bolívia.

a Gabriela de Paiva Padija, do Livre Pando, ela que foi eleita para o departamento amazônico de Pando, com 46,93% dos votos. Ela que há dois anos havia sido...

eleita mispando, né? E isso foi bastante repercutido na imprensa boliviana também, mas teve uma vitória importante aí, né? Se tornando a primeira mulher a governar um departamento no país, ficando à frente de outra candidata, a Eva Luz Umeiras, que teve pouco menos de 25% dos votos e que é uma ex-militante do MAS, né? Mas então tivemos a vitória

da Gabriela de Paiva Padilha. E ainda na Bolívia, na segunda-feira, é celebrado o Dia do Mar, por conta da morte do Eduardo Avaroa, que era um empresário e lutou na Guerra do Pacífico, enfim. É celebrado...

desde então, por conta dessa memória, o Dia do Mar, por conta dessa reivindicação histórica da Bolívia. E o atual presidente, o Rodrigo Paz, esteve presente em Puerto Quijaro, na fronteira com o Brasil, e que é o ponto de partida das ilhovias bolivianas em direção ao Atlântico, mas fazendo reivindicação justamente ao outro oceano que banha o nosso subcontinente.

o Pacífico e ainda disparou contra o Chile, dizendo que a reivindicação marítima não se esquece, sempre estará presente porque essa é a força que nos motiva a cuidar de toda a pátria. O que passou no Pacífico não se repete na Bolívia, o que passou no Pacífico foi abandonar a pátria. E ainda declarou que nós...

não construímos cerca, nós fazemos pontes de integração para unificar essas cinco nações que estão em torno da Bolívia. Fazendo uma menção indireta ao governo do José Antônio Castro, do qual o Paz estava bastante simpático, mas nessa pauta em específico e ainda mais com essa provocação do governo chileno com a construção...

de cercas e muros na fronteira dos dois países, não caiu bem para a opinião pública boliviana.

As amizades foram deixadas de lado. Pois é. E falando agora do vice do Edman Lara, ele, depois de causar na prévia das eleições, viajou para o México com uma delegação de 200 pessoas, já que nesta quinta-feira, dia 26, a Bolívia fará o clássico sul-americano contra o Suriname.

para ver quem será o adversário do Iraque para uma das duas vagas da repescagem intercontinental. Então, o Edman Lara se mandou para Monterrey para acompanhar esse jogo. Acho que até o Rodrigo Paes ficou aliviado dele não estar na Bolívia. Mas, assim, eu confesso para nós que assistimos Copas do Mundo, por exemplo, ainda com... éramos crianças, mas a Copa do Mundo tinha 24 times, né?

Ouvir que a Bolívia vai enfrentar o Suriname para depois ver quem pega o Iraque por uma vaga na Copa é bem alternativo. Muito. E esse novo clássico do futebol sul-americano. Bolívia e Suriname. Muito respeito. Dois vizinhos do Brasil.

E ainda sobre a política interna da Bolívia, a gente repercutiu no último programa sobre a detenção do Marcelo Arce Mosqueira, filho mais velho do ex-presidente Luiz Arce, que foi imputado pelo delito de legitimação de ganhos ilícitos. É muito bom, né?

Canagem aqui da lavagem de dinheiro. Mas, enfim, a gente falou que ele havia sido detido na quarta-feira da semana passada em Santa Cruz de la Sierra e depois, na sexta-feira, após a gravação do programa, foi determinada a detenção preventiva por 140 dias na prisão de Palma Sola, onde ele aguardará o julgamento em relação a este caso. E...

Hoje, quarta-feira, dia 25 de março, as cidades de La Paz e El Alto amanheceram bloqueadas por motoristas que protestam contra a má qualidade da gasolina. O vice-ministro de Segurança Cidadã, o Rolando Montanio, qualificou como político o ato.

e informou que foram registrados 60 pontos de bloqueio, 40 em La Paz e 20 em El Alto, lembrando que é uma conurbação ali no altiplano. Já o ex-candidato presidencial Dória Medina exigiu uma investigação e sanções por gasolina de baixa qualidade e a Universidade Maior de San Andrés manifestou por meio de um comunicado e o почему.

que está há dois meses esperando uma resposta do governo e da Jacimentos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, a estatal boliviana do petróleo, para iniciar controles técnicos sobre a qualidade da gasolina. E a instituição ainda fez uma advertência que o problema continua afetando um elevado número de veículos e gera...

perdas econômicas, porque exige ações imediatas, transparência e aplicação de controles baixo os padrões internacionais. E esse tema da gasolina chegou a ser objeto das campanhas quando o Paz foi eleito.

Bolívia tem até com esse problema de abastecimento desde o governo passado. Sim, é uma questão bastante crítica no país vizinho. Da Bolívia, vamos agora para o Peru, já que o país assinou um acordo de colaboração na mineração com o Canadá. Exatamente. Tivemos, no final de semana passado, um acordo assinado pelo embaixador do Canadá no Peru, o Jean-Dominique Yerassi.

Imagina que ele seja do Quebec. Com o ministro peruano de Minas e Energia, Ângelo Vitório Álvaro Lombardi. Já vamos falar dele. E assinaram um memorando de entendimento para avançar a cooperação em minerais críticos.

É, desde o ano passado, o 21º acordo de mineração de minerais críticos, com perdão da redundância, pelo governo canadense. Lembrando que o Canadá, algumas das empresas canadenses, são as maiores mineradoras do mundo. O Canadá é um país que necessita muito da exploração dos recursos naturais para a sua economia. E o Canadá quer se tornar...

Isso é uma análise minha, mas o Canadá provavelmente quer se tornar uma espécie de ponte entre Estados Unidos e China nessa competição dos minerais críticos. Então a China vai ter as operações dela, os Estados Unidos os dela, e o Canadá fica ali jogando com os dois. Então tivemos esse acordo entre Canadá e Peru no final de semana passada. Bem, agora uma notícia sensível de violência sexual. Então...

Recomendo que quem tiver gatilho pule um pouco o programa, já que nesta segunda-feira, dia 23, o mesmo ministro citado pelo Felipe, o Angelo Alfaro, apresentou sua renúncia ao cargo, que foi aceita pelo executivo, em meio a uma grave denúncia por suposta violência sexual ocorrida há 26 anos, já que uma mulher acusou publicamente o ex-ministro de ter...

estuprado ela quando tinha 16 anos no ano de 2000 na cidade de Pucalpa. Segundo o seu relato, depois de consumir álcool, ela perdeu os sentidos e acordou na moradia do Alfaro.

E para piorar a situação, o ex-ministro declarou que o único pecado dele foi ter se apaixonado e que ele não cometeu nenhum delito, mas apenas se apaixonou. E que se apaixonaram porque foi um ato consentido nas palavras.

O atual presidente José Maria Balcázar aceitou a renúncia e ainda destacou o trabalho desempenhado por Alfaro num contexto complexo para a segurança energética nacional. Mas, enfim, é lamentável a postura do ministro frente a essas acusações graves.

É um absurdo. Até quando a gente vai escutar esse argumento do consentimento? Até quando a gente vai ser vítima e ter que escutar esse tipo de defesa desses agressores?

E ele tinha 47 anos na época. Então, enfim, uma situação inaceitável. E o próprio presidente peruano de agora, porque a gente nunca sabe o amanhã, também já fez declarações nesse sentido em relação a menores de idade. Então, tem aí um pensamento em comum entre o presidente e o seu ex-ministro.

E, Fernanda, na preparação do roteiro, você mandou uma pesquisa, pensando nas próximas eleições peruanas, do dia 12 de abril, sobre a opinião popular no Peru. E lembrando que o nosso ouvinte tem que tomar cuidado, porque o download premiado, dependendo do download que ele fizer do Chá de Zerboi, ele pode se tornar presidente do Peru, na promoção. Se ele for apto...

pessoas aleatórias nos agregadores de podcast podem se tornar presidentes do Peru. Exato. A gente vai ter eleições no dia 12 de abril, daqui duas semanas, e tem um contexto de segurança, estão fazendo várias pesquisas e tem um debate muito grande no Peru sobre combate à criminalidade, enfim. E aí uma pesquisa mostra que 58% da população apta a votar se sente pessimista com o próximo governo.

Então, já parte do vai ser ruim e vai dar tudo errado. A gente viu lá no Peru, agora existe um auge das extorsões, eu estava conversando com alguns jornalistas lá, principalmente no setor de transporte público. Então, o número de extorsões cresceu muito e aí os grupos criminosos intensificam essa atuação no setor, isso leva a um aumento também do número de homicídios e a questão da segurança ficou muito forte e, obviamente, entra aí a questão ideológica também.

por conta de aumento da migração, esse ponto entra na pauta de segurança pública. Então, acho que essa é uma pesquisa interessante, porque a gente vai ter a eleição, a gente tem nome conhecido como Daquico Fujimori, enfim, e que com certeza vai ser associada à questão da segurança, ao aumento de migração, e a gente vai ver aí a discussão sobre esse tema também com viés muito ideológico.

E aí do Peru a gente vai para a Colômbia, já que na Colômbia, no último final de semana, tivemos a décima cúpula da CELAC e no caso dessa edição tivemos uma edição, digamos, especial, que foi a cúpula conjunta CELAC África.

Tivemos a cúpula da Selac e o primeiro fórum Selac África com a presença do presidente Lula. Foi uma cúpula relativamente esvaziada e justamente a presença do presidente Lula buscou equilibrar e evitar um esvaziamento ainda maior, ainda pior dessa cúpula atual.

É, só foram três chefes de Estado, além do anfitrião Gustavo Petro, que a gente vai falar mais adiante, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o seu homólogo uruguaio, o Jamandu Orsi. Exatamente. O Lula se encontrou com o Petro, como você mencionou, a gente vai falar disso também. Falando por parte do Fórum Africano, o Lula também se encontrou com o presidente do Burundi, e o Lula também se encontrou com o Petro.

que estava presente na Colômbia. E o discurso do Lula acabou também tendo uma repercussão muito grande, não só na imprensa brasileira, mas, por exemplo, se vocês entrarem na Al Jazeera, entrarem no Guardian, na Associated Press, vão ver matérias e destaque ao discurso do Lula, especialmente duas coisas, a crítica que ele faz aos países do Conselho de Segurança da ONU,

E aí, me desculpa, no caso, a Folha de São Paulo manchetou como Lula critica a ONU e diz que o Conselho de Segurança... O Lula não criticou a ONU, o Lula criticou os países do Conselho de Segurança. Inclusive, isso estão nas aspas dele. Quando ele falou, por exemplo, Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz e são eles que estão fazendo as guerras.

Quem tem mais canhão, mais navio, mais avião e mais dinheiro se acha dono do mundo. Então, o que ele criticou foram os países do Conselho de Segurança da ONU. Porque se existe uma inação na ONU, a gente explica isso aqui há 10 anos. Não existe a ONU. Não tem como o Antônio Guterres acordar amanhã e falar quer saber, não vai ter mais guerra no Irã. Eu que mando, usando um ligeiro palavrão, eu que mando nessa porra. Não, não existe isso.

E outra frase que também repercutiu bastante foi quando ele, sem mencionar os Estados Unidos, mas eles disse que querem voltar a colonizar a América Latina, dizendo, vejam o que eles estão fazendo com Cuba agora, o que eles fizeram na Venezuela.

Então que existiria um pensamento colonial em relação à América Latina por conta dos minerais críticos e das terras raras que nós temos. Mas quem falou pelo Lula foi o ex-presidente colombiano, o Ernesto Samper Pisano, que também foi secretário-geral da Unasur.

que nas suas redes destacou que o discurso do presidente brasileiro foi bem-vindo e que o Lula falou claro e duro contra as intervenções violentas do presidente Trump na América Latina.

disse que nós, como uma região de paz, desgostamos das guerras e dos atos hegemônicos de intimidação como ocorridos contra Gaza, Venezuela, Irã e Cuba, para não ir tão longe. E ainda agregou que as Nações Unidas agonizam, paralisadas, débeis e presas pelo direito ao veto de cinco países.

Durante o governo do Ernesto Samper, a Colômbia também sofreu muita intimidação por parte do então governo Bill Clinton, principalmente no que ficou conhecido como a Lei Clinton, que congelava diversos investimentos na Colômbia.

por supostas ligações com o narcotráfico. Então, qualquer negócio na Colômbia que tivesse uma mínima ligação com o narcotráfico tinha um congelamento, então tinha essa pressão internacional nesse contexto no começo dos anos 90 e que depois, já no governo seguinte do Andrés Pastrana, vai ter o famigerado Plano Colômbia, já no segundo mandato do Bill Clinton.

E a gente vê esses palcos dessas cúpulas cada vez mais, quando a gente fala de países da América Latina, se transformando numa disputa de discursos entre aqueles que ainda defendem o multilateralismo, alguma forma de reforma da ONU, algum método de se fortalecer essas instituições, e do outro lado o unilateralismo, o pensamento mais hegemônico, enfim, e até imperialista quando a gente fala dos Estados Unidos.

E o ministro Mauro Vieira se encontrou com sua homóloga colombiana, a Rosa Iolanda Vigia Vicencio, e assinaram três acordos, o Plano de Ação para a Parceria Estratégica Brasil-Colombia, foi um deles, e os acordos estão disponíveis no site do Itamaraty para quem estuda o tema, para quem se debruça sobre o tema.

Agora, uma outra notícia colombiana, essa mais triste, foi que no último dia 23 de março tivemos a queda de um transporte da Força Aérea Colombiana, um C-130, e 126 pessoas estavam a bordo, tivemos pelo menos 70 pessoas mortas.

56 pessoas estão feridas. A maior parte dos tripulantes era de integrantes, dos ocupantes da aeronave, era de integrantes do Exército Nacional da Colômbia que estavam sendo transportados para o sul do país. E, inclusive, esse acidente gerou uma toca de farpas entre o atual presidente Gustavo Petro e o seu antecessor, o Ivan Duque.

por conta da questão de manutenção dos equipamentos militares, enfim, um ficou jogando a culpa para o outro. E o C-130 é um avião quase onipresente pelo mundo, especialmente dentre os países que foram aliados ou da esfera de influência dos Estados Unidos na Guerra Fria.

E alguns dos nossos ouvintes podem se lembrar que, assim, eu acho que em um ano é o terceiro acidente de C-130 que a gente repercute. Recentemente teve o da Bolívia, aquele que transportava dinheiro, e no ano passado teve aquele que ia do Azerbaijão para a Turquia, e que o corpo do avião quebrou no ar. Então é interessante talvez lembrar para os nossos ouvintes que o C-130, ele é um avião...

tido como confiável, tido como um avião que pode pousar em condições adversas, etc. É o avião que o Brasil usa, por exemplo, para levar suprimentos para a base na Antártida, tem um pinguim na fuselagem do avião.

Mas é um avião também que muitos deles já são mais antigos. Então esse avião específico da Columbia que caiu, para o nosso ouvinte, ele foi fabricado em 1984.

Era um avião que já tinha mais de 40 anos de idade. Mesmo passando por modernizações, etc., era um avião que já tinha os seus 40 anos de idade, como mencionamos. A manutenção costuma ficar cada vez mais cara. Então, o C-130 é um avião que também, talvez por isso, a gente, infelizmente, tem repercutido muitos acidentes envolvendo ele. E, segundo o senhor Google...

Foram fabricados 2.350 desses aviões. 16% já se perderam em acidentes. Até porque justamente... Aí tem um viés de confirmação. Ele é muito utilizado justamente em condições adversas. Então acaba sendo mais suscetível a acidentes. Mas, então, novamente, infelizmente, é o terceiro acidente envolvendo um avião desse tipo que a gente repercute em menos de um ano.

E pegando o gancho que a Fernanda tinha dado anteriormente, da puxação de saco do Petro para o Lula, isso eu acho que é um jeito dele pedir desculpas por conta da ausência do Petro na abertura do fórum. Sim. Já que ele foi representado pela sua ministra das culturas, a Yanai Kadamani, e o Lula...

Ficou puto com razão. Só fazendo uma errata aqui, né? Eu tinha falado que só estavam presentes o Lula e o Orsi, né? Além do Petro. Mas também, como o Felipe falou posteriormente, estava presente o Evariste Nidai Shimiye, presidente do Burundi, e que também acumula o cargo de presidente da União Africana, já que ele...

sucedeu o João Lourenço no começo deste ano. Mas então teve aí esse mal-estar por conta da ausência do Petro justamente na abertura do décimo Fórum da CELAC e África.

No momento em que o Lula conta muito com o Petro, né? A gente precisa lembrar que ele ainda tenta manter uma posição ali frente aos outros países da América Latina de unidade com o Petro, que é mais alinhado ideologicamente a ele, enfim, e tentando justamente sempre levantar essa bandeira do multilateralismo.

Da Colômbia, vamos agora para a Venezuela, já que o Marco Rubio, depois em julgamento de amigo, acusado de fazer lobby para o país sul-americano. Pois é, o Davi Rivera é um integrante do Partido Republicano, tem 60 anos de idade, foi deputado estadual na Flórida, antes de ser deputado representando a Flórida no Congresso em Washington. Ele está sendo julgado em Miami.

por atividades ilegais de lobby entre fevereiro de 2017 e dezembro de 2018. Segundo a acusação, o Rivera foi contratado pelo Nicolas Maduro para estabelecer contatos.

entre o governo venezuelano e a Casa Branca. O Marco Rubio não é acusado de nenhum crime, de nada cúmplice, porém, todavia, entretanto, mas ele disse que o Rivera não apenas era um amigo próximo, mas que eles chegaram a morar juntos quando eram mais jovens.

E ele negou qualquer conhecimento do suposto contrato que o Rivera tinha com as autoridades venezuelanas. Só que aí, como é que fica? Porque eles se encontraram duas vezes em 2017, durante a vigência do tal contrato de lobby, quando o Marco Rubio já era um senador. O Marco Rubio, no primeiro mandato do Trump, também não era um Zé Ruela qualquer. Então, ou seja...

Ele pode não ter feito parte do esquema de lobby, mas pode ter sido até mesmo utilizado pelo lobby. E o Davi Rivera, além do lobby não declarado, porque lembrando, o lobby nos Estados Unidos não é crime. O que é crime é você não declarar o lobby.

Então, se você vir e falar, olha só, estou aqui sendo pago pelo governo venezuelano para estabelecer melhores relações. Isso não é crime lá. Mas, além disso, o Rivera também é acusado de lavagem de dinheiro. Enfim, aparentemente o senhor Rivera é um cara de muitos talentos.

E ainda na Venezuela, nessa terça-feira, a presidente interina Delci Rodrigues declarou num encontro com investidores que foi transmitido pelo canal estatal venezuelana de Televisión que nesta semana está partindo para Washington uma delegação de diplomatas que assumirá o início dessa nova etapa de relações e diálogo diplomático-político entre os nossos governos. E aí

pedimos ao presidente Trump que não haja sanções contra a Venezuela, contra a sua economia. E nesse sentido, Felipe e Fernanda, em relação à diplomacia venezuelana, caiu mais um aliado do Nicolás Maduro, no caso, o embaixador da Venezuela nas Nações Unidas, o Samuel Moncada, que estava no cargo desde 2017.

e era muito próximo do presidente Nicolás Maduro, e ele será substituído pela Coromoto Godoy, como embaixadora venezuelana na ONU. E a gente repercutiu na semana passada a saída do Padinho Lopes, do Ministério da Defesa, e ele veio a público, dizendo que neste processo de reconciliação, que...

a República está impulsionando, reconheço que os meus anos à frente da defesa houve decisões difíceis de tomar com as inevitáveis consequências. Fazendo aí um meia-culpa.

A Delci Rodrigues tenta colocar a era maduro para trás, mas a gente ainda não sabe o que vai ser a era Delci Rodrigues. Essa que é a verdade. Ela inclusive falou num foro de investidores em Miami, por videoconferência, a presidente interina da Venezuela falando num foro para investidores americanos em Miami.

enfatizou os passos do seu governo para atrair os investimentos com segurança, jurídica principalmente, mas sem dar detalhes, e outra vez não falou sobre convocação de novas eleições ou como seria uma transição política. Tem uma entrevista do Leopoldo Lopes no El País.

e ele está refugiado na Espanha desde 2020, e ele fala sobre isso, sobre não haver clareza de uma transição política. Se fala de segurança jurídica, se fala do aval dos Estados Unidos por uma série de questões econômicas e mudanças econômicas na Venezuela, mas que, sem uma transição política, fica difícil de você prever o que realmente vai existir de investimentos no país. E tem até uma discussão...

Eu estava escutando no Elilo, que fala justamente sobre a esperança de que alguns venezuelanos têm de que agora o país possa voltar a crescer, possa se falar em um país rico novamente, e como isso é uma grande ilusão. Porque você falar de investimento estrangeiro, mesmo no setor petrolífero da Venezuela...

requer uma mudança de infraestrutura que pode levar 10 anos. Não é uma coisa simples e os analistas falam que realmente é praticamente impossível se ter uma Venezuela como já se teve na época dourada do petróleo.

A gente segue na Bacia do Caribe, vamos agora para a Nicarágua com duas notícias do meio independente divergentes. A primeira é que uma fonte do Departamento de Estado advertiu o regime Murilo e Ortega que todas as opções seguem sobre a mesa. Lembrando que, muito provavelmente, a Nicarágua é o próximo alvo da política externa.

estadunidense para a região depois de venezuela e cuba né e já em relação à política interna da nicarágua um grupo de militantes históricos do sandinismo denunciou ao mesmo meio né que enfrentam pressões para vender terras

que o próprio regime entregou eles há mais de uma década como reconhecimento pela participação na Guerra Civil dos anos 80. Então esse é mais um capítulo do regime Daniel Ortega contra os seus antigos aliados do movimento sandinista.

E eu queria trazer também, Matias, uma notícia de hoje, que o governo do México subiu o tom contra os Estados Unidos, e lembrando que a Cláudia Chimbau tem sido uma das líderes que melhor tem lidado com o Donald Trump, o governo subiu o tom contra a morte de 13 mexicanos que estavam sob custódia do ICE.

lá nos Estados Unidos, a polícia migratória. Segundo as autoridades mexicanas, desde o dia 20 de janeiro, já foram presos mais de 177 mil mexicanos, sendo que 13.722 seguem presos. E a Sheinbaum, inclusive, falou que a discussão sobre os direitos humanos e a importância da defesa dos direitos humanos dos mexicanos nos Estados Unidos tem sido um tema recorrente das ligações com Trump.

E aí, Fernanda, falando em Trump e América Latina, essa semana tivemos mais um apagão em Cuba devido ao bloqueio de petróleo. Porém, na segunda-feira, domingo para segunda, o governo cubano afirmou que começou a restaurar os serviços. Lembrando que hospitais, inclusive, chegaram a ter problemas de energia elétrica.

E isso é derivado diretamente das ações do governo Trump. Mas então, segundo o governo cubano, na manhã do domingo, cerca de 72 mil casas, 72 mil locais, melhor dizendo, incluindo os hospitais, tinham tido o seu abastecimento normalizado, porém a população de Havana é de cerca de 2 milhões de pessoas, então uma fração muito grande ainda passou por bloqueios em outros momentos.

Cuba é um tema que sempre mexe com o imaginário de muita gente, agora está em alta. E eu acho que é interessante ficar de olho na figura do Oscar Pérez Oliva Fraga, que é o sobrinho neto do Fidel Castro e o ministro do Comércio. Foi ele que anunciou na semana retrasada, se não me engano, aquelas novas reformas econômicas, abertura para a capital.

americano e cubano-americano, pensando basicamente nos cubanos que vivem em Miami. E o próprio Marco Rubio falou que essas medidas não eram suficientes, mas fato é que ele é uma figura de dentro da família Castro, que tem tentado algumas medidas para pensar nesse futuro da ilha. A gente tem uma situação em que, de fato, o colapso é muito próximo. Os analistas falam que se não chegar a petróleo até o fim do mês, ou seja, semana que vem...

A situação fica muito dramática e aí você pode ter na conta uma crise humanitária muito séria, e isso vai para a conta do Trump, principalmente. E o Trump fica jogando com isso politicamente, falou que vai ser um prazer tomar a ilha, enfim. E, enquanto isso, tenta-se ter algum tipo de negociação entre os dois governos.

Bueno, Fernanda, agora você não pode dizer que foi pega de surpresa, já que como manda tradição aqui no Chadez Verbal, o convidado ou a convidada sempre tem que fazer uma recomendação cultural. E não pode ser a carta global.

Não, não será, carta global. Eu vou recomendar aqui um livro que chama Tom Vermelho do Verde. É um romance escrito pelo Frei Beto. Ele é baseado em alguns eventos históricos, sim, e fala sobre a questão das rodovias, principalmente da BR-174, ali na região da Amazônia.

e do drama que foi, como as populações indígenas foram prejudicadas, como que o regime militar se apropriou disso e foi deixando vários sofrimentos pelo caminho. Acho que é bem interessante, é um livro muito tranquilo de ler e, ao mesmo tempo, dá uma noção histórica de assuntos que permearam aqui toda essa nossa conversa hoje.

Bem, agradecemos mais uma vez a presença da Fernanda aqui conosco e passemos agora para o cheque no qual eu e o Felipe daremos um giro eleitoral pelo velho continente. Cheque!

E o cafficho onde estava quando caíste em desgracia, o que sempre acompanhava os momentos de viudez... Primeira-ministra da Dinamarca apresenta renúncia após vitória com margem estreita em eleições. Essa manchete mudou ao longo do dia, né, Felipe? Pois é, a gente teve que debater isso, né? Que é o seguinte, gente.

Nós tivemos as eleições dinamarquesas, que a gente já havia comentado aqui no programa, falamos das pesquisas no último programa, e o Partido Social Democrata, da primeira-ministra, Matti Fredricksen, ficou em primeiro, como as pesquisas antecipavam,

Porém, teve um desempenho menor do que o esperado e perdeu 12 assentos. Foi o pior resultado dos social-democratas desde 1903. Desde 1903. Um número bastante significativo.

Os sociodemocratas, então, ficaram em primeiro com mais ou menos 22% dos votos. Tivemos um comparecimento eleitoral de 83,6% e eles levaram 38 cadeiras. São 179 cadeiras, então o número mágico é 90. Então, o partido que ficou em primeiro com 38, gente...

É uma vitória muito magra e significa também o quê? Um parlamento muito pulverizado que vai transformar as conversas para uma formação de governo num verdadeiro inferno, porque você vai ter que juntar aqui quatro legendas, pelo menos, talvez cinco legendas.

E em segundo lugar ficou a Esquerda Verde, que é o antigo Partido Comunista Dinamarquês, mas que foi, digamos assim, reformado depois da invasão soviética da Hungria em 56, que é um evento muito...

definidor dos partidos comunistas da Europa Ocidental, depois que a União Soviética invade a Hungria em 1956, os partidos comunistas da Europa Ocidental praticamente implodem a maioria deles. Muitos intelectuais vão ver aquilo como um absurdo, etc. E depois, em 1968, com praga, também teremos esse problema. Em terceiro lugar...

Ficou o Partido Liberal, que é o Partido Agrário Dinamarquês, com 18 assentos, perdendo 5. Em quarto lugar ficou a Aliança Liberal, que é um partido liberal clássico, de livre mercado, poucos impostos, com 16 assentos, ganhando 2. E temos o maior vencedor do pleito, meu caro Matias, em quinto, que é o Partido Popular Dinamarquês. Em bom português, o partido com um pezinho no fascismo.

que é liderado pelo Morten Messerschmitt, Messerschmitt que inclusive, coincidência ou não, era um dos principais escritórios de desenho de aviões da Alemanha nazista, e que tem como principal bandeira o anti-Islam. Essa é a principal bandeira do partido.

E o apoio a Israel e a OTAN. Eles ficaram com 16 assentos, crescendo 11. Foram o maior crescimento nessa eleição. E depois vamos ter 1, 2, 3, 4, 5 partidos com pelo menos 10 assentos.

Depois, um partido com cinco, um partido com quatro. E nós ainda temos os assentos das Ilhas Farrell e da Groenlândia, que são quatro assentos pulverizados. Então, a conversa, repito, para formar um governo, vai ser absolutamente... Vai ser necessário aqui fazer uma maçaroca.

É possível, é possível, eu não descartaria essa possibilidade hoje, em março, que nós precisemos ter novas eleições na Dinamarca, e a Matthew Frederiksen, a líder do Partido Social Democrata, ela renunciou, apresentou ao rei Frederico X a sua carta de renúncia, ela disse que...

vai continuar no cargo como negociadora para formadora de uma coalizão

Porém, caso seja necessária uma nova coalizão, ela não será a líder e, interinamente, ela não estará no cargo. No seu pronunciamento, ela disse que o resultado descartou a possibilidade de formar um governo tradicional de direita ou de esquerda, que é necessário cooperar e que essa é a mensagem do público.

Lembrando que ela é primeira-ministra desde 2019. Ela já sofria muitas críticas internas por conta do cenário econômico dinamarquês, mas como a gente havia comentado em janeiro, janeiro ou fevereiro, a popularidade dela cresceu bastante com a postura dela firme em relação ao Donald Trump pela questão da Groenlândia.

Então... Que é um grande cabo eleitoral para os adversários políticos dele. Pois é. Exatamente. Vídeo do que aconteceu no Canadá. O toque de Midas ao contrário. Então, é uma renúncia que pode ser revertida, mas, de qualquer maneira, ela vai manter as negociações de coalizão, serão negociações muito complicadas e é o pior resultado social-democrata na Dinamarca desde 1903.

isso não pode ser desprezado, até porque os social-democratas são o partido mais tradicional da Dinamarca hoje. Dos grandes partidos dinamarqueses que existem hoje, que disputam a eleição, etc.

Ele é, salvo engano, o partido mais antigo junto com o Partido Liberal, Wenskriga, o Partido Agrário. Durante muito tempo, eram eles que polarizavam as eleições dinamarquesas. Que nem aqui no Brasil você tinha Lusias e Saquaremas. Eles eram os Lusias e Saquaremas da Dinamarca.

Então você ter um partido de mais de 150 anos de história e ele tem o pior resultado em 123 anos, não é desprezível, não é pouca coisa. E aí isso também faz parte desse cálculo dela de renúncia em meio a essas negociações infernais que teremos.

e amanhã, meu caro Matias, dia 26 de março, ou seja, quando esse programa for ao ar, é possível que já tenhamos resultados, também teremos a eleição geral para o parlamento local das Ilhas Faro. Lembrando que as Ilhas Faro são parte da Dinamarca, mas tem autonomia, tem o seu parlamento próprio, que nem a Groenlândia.

Então, meu caro Matias, a situação na Dinamarca acabou sendo uma surpresa, porque, novamente, se esperava que o Partido Social Democrata fosse ficar em primeiro, fosse ser o mais votado, mas que ele tivesse esse resultado tão aquém e perdesse tantos assentos e um parlamento tão pulverizado assim foi uma novidade e que coloca a Dinamarca num cenário de muita insegurança.

não vamos aqui dizer que a Dinamarca vai repetir o que hoje é a Bulgária, o que a Espanha foi durante muito tempo aqui no Xadrez Herbal, os motivos das piadas de sempre ter eleição, sempre ter eleição, mas um parlamento fragmentado como esse não se resolve facilmente não. Aqui talvez o melhor exemplo seja a Bélgica, que ficou mais de um ano sem governo, na base do governo interino, por conta de um parlamento fragmentado.

Aí, meu caro Matias, a gente vai começar o nosso giro europeu e teremos mais votos europeus para repercutir por aqui, por isso que você falou que é um giro eleitoral, mas vamos para a Ucrânia, começando pelo fato de que o patriarca da Igreja Ortodoxa Ucraniana, o patriarca Filaré, morreu essa semana.

aos 97 anos de idade. E tem uma coisa, meu caro Matias, que eu quero destacar aqui e que eu peço desculpas porque a gente não destacou o suficiente no programa passado. No programa passado, nós comentamos do falecimento do patriarca da Igreja Ortodoxa Georgiana.

que estava no trono há 50 anos. E as igrejas ortodoxas, pessoal, elas têm um papel político muito grande, porque elas são autocefalas, então, normalmente, cada país tem a sua igreja. Não é como a igreja católica, que você tem um papa para o globo inteiro, você tem a autocefalia das igrejas ortodoxas. Então, você tem o patriarca da igreja ortodoxa da Geórgia.

E existe um debate, existe uma análise sobre se o próximo patriarca georgiano vai ser um nacionalista ou alguém pró-Rússia. E são lideranças importantes, não só apenas para a população, mas especialmente também quando nós temos comunidades diaspóricas. A Igreja Armênia, por exemplo, ela é determinante para a identidade da diáspora.

E a Geórgia tem uma pequena diáspora também, não tão grande. Então, no caso da Igreja Ortodoxa Ucraniana, o que acontece? Vamos lembrar que em 2019 nós tivemos aquele cisma dentro da Igreja Ortodoxa Ucraniana em que nós temos hoje a Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que recebeu autocefalia de Constantinopla em 2019. E a Geórgia Ortodoxa Ucraniana

segue o rito bizantino e que tem como seu primado o Epifânio I da Ucrânia, enquanto a igreja ortodoxa ucraniana do patriarcado de Kiev, que era a que o filareto liderava,

ela foi estabelecida em 1992 como uma autocefalia vinda da Igreja Ortodoxa de Moscou. Então, esse debate sobre o futuro das lideranças religiosas na Ucrânia também se aplica aqui.

E, especialmente no caso da Ucrânia, você teve esse cisma de 2019, pós-anexação da Crimeia, durante o conflito no Dombas, em que muitos nacionalistas ucranianos diziam que a Igreja Ortodoxa Ucraniana, liderada pelo Filareto, era, na verdade, uma representação da Rússia, uma agência da Rússia, algo do tipo. Agora, com a morte dele, abre-se caminho para um debate sobre esse papel da Igreja Ortodoxa Ucraniana e a existência dessas duas igrejas. Certo?

Agora, meu caro Matias, falando não da Ucrânia, mas da guerra na Ucrânia, começar pelo fato de que a República de Moldova declarou, nessa terça-feira, um estado de emergência no seu setor energético para os próximos 60 dias, já que ataques russos romperam as linhas de fornecimento de energia que conectam Ucrânia à Moldova. Essa semana, a Rússia disparou quase mil drones.

numa única leva, somando dia e noite, e que configura um dos maiores ataques com drones já realizados pela Rússia. E, nesse processo, foi atingido um monastério e uma igreja do século XVI no centro de Liv, que fica no oeste do país, que fazem parte do centro medieval que é patrimônio cultural mundial da Unesco.

E a gente sempre comenta aqui que atacar esse tipo de patrimônio cultural configura como um crime de guerra e é um crime contra gerações futuras também. É claro que a guerra é um terror, isso não é necessário lembrar, todos os nossos ouvintes, que guerra não é videogame, guerra não é divertido, ah, tô mexendo aqui meu soldado, não é jogar Command & Conquer, ou a referência de jogo de estratégia que você tem na sua cabeça, mas...

O ataque a locais que são patrimônios culturais da humanidade também é um crime contra gerações futuras que poderão ser privadas desse tipo de patrimônio.

Agora, indo para a Hungria, meu caro Matias, mas ainda um pouco ligada à Ucrânia, tivemos a denúncia de que um dos ministros do Vitor Orbán, e mais do que isso, o seu ministro de confiança de relações exteriores, o Peter Sijarto, muito provavelmente minha pronúncia está péssima, mas ele teria, por anos...

fornecido informações para o governo russo. Ele, inclusive, muito amigo de Ernesto Araújo e de Eduardo Bolsonaro. E, segundo uma investigação interna da União Europeia, revelada pelo jornal Washington Post, ele, há anos, abastece o governo russo com informações das reuniões do Conselho Europeu. Tá? E...

com até mesmo registros de ligações entre o ministro húngaro e o Sergei Lavrov, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, durante as reuniões do Conselho Europeu. Ele, desde o início da guerra da Ucrânia, desde a evasão da Ucrânia em 2022, esteve na Rússia 16 vezes, e o principal opositor na Hungria, meu caro Matias, lembrando que esse ano teremos eleições na Hungria, daqui a pouco, já acusa o governo Orbán e os seus ministros e o governo Orbán e os seus ministros.

de serem traidores, de traírem tanto a Hungria quanto a confiança dos parceiros europeus. No caso, o Peter Magiar, que você já disse aqui, tem o nome ideal para liderar a Hungria, já que ele se chama Magiar.

Enquanto isso, o Vitor Orbán recebeu em Budapeste várias das lideranças da extrema-direita europeia, inclusive com um cartaz cafonérrimo em que o Vitor Orbán está junto do dono de Trump, o Vitor Orbán está inclusive maior, e escrito que a amizade importa, líderes do mundo livre.

É isso, é isso, essa é a imagem que ele tem de si mesmo. Então tivemos a presença do André Ventura, do Chega, a presença de líderes do Vox, do Lei e Justiça da Polônia, da Marine Le Pen, do Matheus Salvini, toda essa galera muito legal.

se reuniu em Budapeste para falar como o Vitor Orbán é muito legal, como o Donald Trump é muito legal, esse tipo de coisa, enquanto o governo dele é acusado de trair a União Europeia perante a Rússia. Fazendo uma comparação, gente, é como se um governador de um Estado brasileiro passasse informações para um país que o governo federal brasileiro considerasse hostil. É mais ou menos isso que está acontecendo, porque a Hungria como parte da União Europeia.

Da Hungria, meu caro Matias, vamos um pouquinho mais ao sul, nos Balcãs, vamos para a Grécia, já que essa semana tivemos o primeiro dia do julgamento devido àquela tragédia ferroviária que custou a vida de 57 pessoas em fevereiro de 2023, causou, inclusive, queda de políticos, muitas manifestações populares, e agora tivemos o primeiro dia do julgamento desse caso.

Aí a gente vai ao norte, nos Balcãs, para a Eslovênia, com os resultados das eleições do último dia 22. E o Robert Golob, que é o primeiro-ministro da Eslovênia desde 2022, ele que é da coalizão de centro-esquerda pró-União Europeia, continuou em primeiro, teve 28,5% dos votos, e oeletes.

porém, viu os seus votos e a sua representação caírem. A sua coalizão de centro-esquerda tinha 39 assentos, ficaram com apenas 29. Comparado com a eleição anterior, é uma perda de 12 assentos, porque além dos 10 perdidos, 2 já haviam sido mudados durante o governo com políticos mudando de partido. Então, além da queda do número de assentos, também significou uma queda.

de quase 6% do eleitorado. São 90 assentos na Assembleia Nacional, então o número mágico é de 46. Ficaram com 29. Em segundo lugar, ficou o Partido Democrático Esloveno, o Partido Conservador.

eurocético e que no debate político esloveno, a gente trouxe na semana passada, o fato de que a questão palestina e as relações com Israel também afetam o debate político esloveno, com a centro-esquerda sendo a favor das ações internacionais na CIG e no TPI para a responsabilização de Israel pelo genocídio em Gaza, enquanto o Partido Conservador defende relações mais fortes com Israel e até mesmo o deslocamento da Embaixada para Jerusalém.

O Partido Conservador, meu caro Matias, conquistou quase 5% dos votos a mais e ficou com 28 assentos. Então notem, o primeiro ficou com 29, o segundo com 28. Então caso não consigam uma coalizão de governo, caso não consigam formar um governo, você vai ter um rival babando ali no cangote, esperando a vez para eventualmente formar o seu próprio governo.

fecham o parlamento, o Partido Cristão Democrata em quarto lugar, com nove assentos, nas proporções bem menores, o Partido Social Democrata com seis assentos, o Partido Democrata, que é de centro-direita, que é, na verdade, uma dissidência com seis assentos,

Em sexto lugar, o Levica, que é esquerda, que é o partido verde ecossocialista. E teremos uma novidade no parlamento esloveno, que conquistou 5 assentos, porque é o coeficiente mínimo, com 5,5% dos votos, o partido Resni.ca, que é basicamente o partido da teoria da conspiração.

É o partido anti-vacina, é o partido anti-medidas populistas da Covid, é o partido anti-obrigatoriedade das medidas de saúde. Anti-iluminati. Anti-iluminati, anti-reptilianos. É o partido do Djokovic, se ele fosse esloveno, basicamente. E é liderado por um cara chamado Zoran Estevanovic.

que liderou vários protestos durante a pandemia em 2021 contra as medidas sanitárias. E em 2021 ele fundou o próprio partido e agora o partido dele elegeu cinco membros pro parlamento. Então, o...

partido, o Movimento Liberdade, que é o partido de centro-esquerda que vence a eleição, vai precisar conversar com os social-democratas, com o Levica, e talvez até mesmo seduzir talvez algum outro partido para tentar formar o governo, se não a direita. E a direita, tanto conservadora tradicional quanto, talvez com o apoio desse partido dos birutas, com perdão do termo, com perdão aos birutas, com perdão aos birutas,

com as birutas de aeroporto, no caso. E a gente falou de combustível no Chile, meu caro Matias, falamos de guerra no Irã, a Eslovênia impôs racionamento de combustíveis. Então, motoristas privados na Eslovênia vão poder comprar, no máximo, 50 litros de combustível por dia, o que convenhamos, é bastante. E...

negócios e fazendeiros poderão comprar 200 litros. Agora, por que um dos nossos ouvintes pode falar assim, mas, pô, Felipe, quem precisa de 50 litros de combustível por dia? Porque o que acontece? Na Eslovênia...

até por conta de políticas de bem-estar social, o combustível na Eslovênia é muito mais atraente para motoristas de países mais ricos próximos. Então você tem motorista que sai da Suíça ou da Áustria, vai abastecer o carro na Eslovênia e volta.

Então, o racionamento avisando especialmente essa pessoa. Outro fenômeno curioso sobre a Suíça é que tem muita gente que mora perto da fronteira que vai fazer compras na França. Por isso que, inclusive, tem várias barreiras sanitárias na Suíça, porque senão o cara vai no açougue na França e volta com 30 kg de alcatra e a Suíça não vai querer isso, claro.

Da Eslovênia, meu caro Matias, continuamos em países dos Alpes, mas agora vamos para a Itália falar do referendo constitucional que ocorreu no último final de semana, que a gente havia comentado no anteprograma, e o não venceu.

cerca de 55% dos eleitores italianos compareceram às urnas, o que dá mais de 28 milhões de votos, e 53% deles, o que dá mais ou menos 15 milhões de votos, rejeitaram a proposta que mudaria a Constituição para reorganizar o Judiciário Italiano.

consequentemente, o governo italiano foi derrotado, porque o governo italiano da Giorgia Meloni e os partidos à direita em geral que eram os defensores dessa medida. E aí, como consequência da medida, nós já temos um início aqui, um prenúncio de dança de cadeiras no gabinete italiano. E hoje, a ministra do Turismo, a Daniela Santachê, o почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему почему

ela renunciou a pedido da Georgia Meloni, ela que é do Fratelli d'Italia, o mesmo partido da Georgia Meloni, mas antes que alguém fale assim, ah, mas por que ela renunciou, o que tem a ver? O nome dela está presente em investigações no judiciário, devido às suas atividades de negócios.

Então, a Georgia Meloni está direcionando a derrota não apenas nela, mas, repito, provavelmente é o início de uma dança das cadeiras. Então, ela está renunciando para abrir um possível espaço e teremos outras alterações, talvez, nos próximos dias no gabinete italiano.

E Felipe, olhando o mapa eleitoral dessa votação da reforma constitucional do judiciário, a gente observa que o Sim ganhou em apenas três regiões do norte, pensando na Bota, na Lombardia, no Vêneto e Friuli, Veneza e Giulia. Então a gente recomenda para quem quiser ouvir o Fronteiras Invisíveis do Futebol da Padânia para entender esse resultado.

Mas se você pensar nos cidadãos italianos ao redor do mundo, aí o SIM ganhou em muitos países, principalmente na América do Sul, inclusive com uma porcentagem superior às regiões do norte da Itália.

Pois é, normalmente esse eleitorado ítalo-brasileiro, ítalo-argentino, muitas vezes ele é mais conservador. E aí, meu caro Matias, da Itália nós vamos para a Alemanha, mas ainda falaremos de eleições, porque tivemos eleições para o estado da Renânia Palatinato, um dos estados que faz fronteira com a França e também com o Luxemburgo, lembrando que a Renânia tem esse nome justamente porque é a região do rio Reno.

E, meu caro Matias, tivemos dança das cadeiras e um sinal preocupante. A dança das cadeiras é o seguinte, o Socialdemocratas, o SPD, governava a Renaninha Palatinato desde a reunificação alemã.

E perderam a eleição pela primeira vez. A CDU, o Partido Conservador, o Partido Democrata Cristão Conservador, ficou em primeiro com 31% dos votos, levando 39 assentos. São 105, então o número mágico é 53. Compareceram cerca de 68% dos eleitores, o que dá mais ou menos 2 milhões de pessoas.

Os socialdemocratas ficaram em segundo, com 32 assentos, perdendo 10% do eleitorado. Então, essa é a dança das cadeiras. Os socialdemocratas, mais uma derrota na Alemanha recentemente, e num estado que eles governavam desde a reunificação.

E o AFD, o partido que flerta com o neonazismo, por assim dizer, foi o partido que mais cresceu e assumiu a terceira posição. Agora com 24 assentos, conquistando 15 a mais, quase 20% do eleitorado e 11% a mais do eleitorado do que tinha antes. Flerta tanto que pediu até em casamento.

Os verdes ficaram em quarto lugar, mantendo os 10 assentos que eles tinham. E tanto os eleitores livres, que é o nome que se dá normalmente às associações regionais na Alemanha, quanto os FDP, os liberais, ficaram sem assentos, zero, porque ficaram abaixo do coeficiente mínimo.

Então, isso significa o que, caro ouvinte? Que, para atingir o número mágico, a CDU ou vai ter que governar junto do SPD, dos Sociais Democratas, emulando a chamada Grande Coalizão, ou vão ter que romper o cordão sanitário com a FD. Eu, nesse momento, particularmente, não tenho...

conhecimento suficiente para dizer se isso é uma possibilidade. Eu pretendo, talvez, até semana que vem, conversar aí com uma pessoa entendida do assunto, bastante entendida do assunto, para me sintonizar melhor, mas temos duas alternativas para o governo.

do Estado alemão. Ou emular a grande coalizão, CDU-SPD, ou romper o cordão sanitário e fazer uma coalizão com a FD. Porque a CDU, mesmo que se alie com os verdes, não chega no número mágico. Por isso que é um alerta bastante importante, interessante ficar de olho, nesse crescimento da FD e nesse dilema na Renânia.

Enquanto isso, em Munique, meu caro Matias, com 56% dos votos, o Dominic Krause foi eleito. Ele tem 35 anos de idade, é o mais jovem a ser eleito prefeito de Munique. Munique, que é a terceira cidade mais populosa da Alemanha, atrás de Hamburgo e de Berlim.

Ele é o primeiro prefeito abertamente gay da cidade, eleito, e ele é do Partido Verde. E os social-democratas governavam Munique há mais de 40 anos. Então, outra derrota para os social-democratas, e também outro exemplo de algo que a gente está vendo muito na Europa Central e na Europa Oriental, na verdade...

É um fenômeno global histórico, ocorre nos Estados Unidos, ocorre no Brasil também, mas que é as cidades maiores elegendo candidaturas cada vez mais progressistas, enquanto o campo elege lideranças cada vez mais conservadoras. Por exemplo, Polônia. Varsóvia tem uma prefeitura extremamente progressista, enquanto a Polônia, até outro dia, tinha um governo ultranacionalista.

Budapeste. Budapeste é liderada pela esquerda, enquanto a Hungria é liderada por um fascista. Nova York, recentemente, elegeu seu primeiro candidato socialista, enquanto o resto do país elegeu Donald Trump. Então, Munique eleger um jovem abertamente homossexual do Partido Verde é mais um sinal nessa disputa entre as metrópoles e as regiões do interior.

Também na Alemanha, meu caro Matias, uma corte alemã rejeitou um processo contra a BMW e contra a Mercedes que solicitava que as duas empresas deveriam ser proibidas de vender carros movidos a motor a combustão depois de 2030, por conta dos compromissos de zerar as emissões de carbono. Mais um dos sinais de que a Europa está revertendo essas políticas de zerar carbono.

Porque, infelizmente, não adianta só um país ou só uma região querer se preocupar com isso. Se você tem o resto do mundo governado por pessoas como Donald Trump,

como Vladimir Putin, que vem o petróleo, como o Trump tem fetiche com o petróleo, os países árabes do Golfo, enfim, a gente não está falando nem do petróleo como ferramenta para o desenvolvimento. Nós estamos falando aqui do uso difundido dos combustíveis fósseis em geral. Austrália com carvão mineral, etc.

Então, a Europa está cada vez mais revertendo esse sinal. E, finalmente, meu caro Matias, o US National Archives and Records Administration, ou seja, o Arquivo Nacional dos Estados Unidos, publicou online os arquivos de integrantes do partido nazista alemão de 1920 a 1945.

que haviam sido tomados pelas tropas dos Estados Unidos durante a ocupação especialmente da Baviera, que mencionamos agora há pouco. A Baviera que é o berço do partido nazista. E tivemos agora esses registros publicados online. Essa notícia nos foi enviada pela nossa ouvinte, nossa amiga Iane.

E disse que está dando uma certa repercussão muito grande na Alemanha, já que agora pessoas estão procurando saber dos seus antepassados, ou então pessoas que conseguiram esconder suas heranças familiares ligadas ao partido nazista podem ter isso revelado. Então, isso está dando uma certa polêmica na Alemanha. E também sobre eventuais conflitos com a lei de privacidade de dados.

dos alemães. A Alemanha que tem uma das principais leis nesse sentido. E claro, eu acho que esse site também vai ser muito frequentado por IPs de Buenos Aires. Mas brincadeiras à parte, da Alemanha, meu caro Matias, vamos para os Países Baixos, com uma notícia de hoje, que é mais de curiosidade, mas que uma equipe de arqueólogos

anunciou que, durante as reparações das fundações de uma igreja em Maastricht, nos Países Baixos, encontraram os restos mortais de quem eles acreditam que seja o nobre Gascão do século XVII, Charles de Batz Castemor.

que teria sido conhecido como D'Artagnan e seria a origem da inspiração do personagem do Alexandre Dumas. Eu, particularmente, gente, eu já gravei um podcast sobre o livro Três Mosqueteiros, a influência desse livro na minha vida, no podcast Caixa de Histórias, acho que ele não existe mais. Eu gosto muito da obra, teve um papel muito importante na minha vida, mas eu, falando inclusive como historiador também, eu vejo esse tipo de notícia como...

uma coisa completamente sem sentido, porque você não tem como absolutamente fazer, são conexões sempre, não são conexões concretas, e aquela coisa é você buscar um atrativo para turista, porque aí você vai ter gente indo para lá e falar, ah, aqui é o túmulo do verdadeiro D'Artagnan e tal. Não, o D'Artagnan do Alexandre do Mas é um personagem de ficção.

Ele pode ter inspirações históricas reais, mas é um personagem de ficção. É como falar, por exemplo, do personagem do Jack Aubrey, o capitão Jack Aubrey, que é inspirado em vários comandantes navais, como inclusive o próprio Lord Cochrane, que tem importância na Marinha do Chile, na Marinha do Brasil, mas é um personagem de ficção.

Os três mosqueteiros, que como diz a piada, são quatro, são personagens de ficção. Podem ter inspirações reais, de lendas, de histórias reais, etc. Mas é uma história de ficção. Então esse tipo de notícia não faz sentido. Mas é novamente, né? Claro, vai ter lá, daqui a pouco você vai ter um monte de visita de pessoas querendo visitar o túmulo do verdadeiro D'Artagnan, coisas do tipo. Dos Países Baixos, meu caro Matias, vamos para o Reino Unido.

para reipercutir o que o governo britânico do Keristamer classificou como um ataque antissemita, que foi o fato de que quatro ambulâncias de uma ONG da comunidade judaica de Londres, a Hatzolá, foram incendiadas por homens, homens encapuzados, temos até algumas imagens de câmara de trânsito, etc.

Três delas foram completamente destruídas e uma delas ficou profundamente danificada. O corpo de bombeiros foi notificado a 1h40 da manhã, no bairro de Golders Green, que é um bairro que tem uma população judaica significativa.

e também tivemos danos a um prédio adjacente, porque os cilindros de oxigênio dentro das ambulâncias explodiram. E, repito, eles eram de uma ONG da comunidade judaica local e a polícia também está tratando o incidente como um crime de ódio antissemita e, consequentemente...

A investigação será conduzida por unidade antiterrorismo, por conta dessa classificação. Então, ainda não está claro quem realizou esse ataque, não houve nenhuma reivindicação, não houve nenhuma nota, nada do tipo. E a Ratzolá foi fundada em 1979 e é administrada por voluntários, especialmente para a comunidade judaica local.

Do Reino Unido, meu caro Matias, vamos para a França, com os resultados das eleições municipais francesas, que tivemos nesse último final de semana o segundo turno, falando em linhas gerais. Não temos todos os resultados finais, então ainda está muito difícil fazer um cálculo de partidos que ficarem em primeiro, a colocação dos partidos em geral no país inteiro.

Mas, retomando o que você estava falando da Alemanha, Felipe, a gente observa que, por exemplo, o Partido Socialista ganhou nas principais cidades do país, caso de Paris, Nantes, Lille, Estrasburgo, Santo Etienne, e, inclusive, em algumas cidades importantes da França ultramarina, como Cayena, capital da Guiana Francesa. Exatamente, meu caro Matias. Falando, então, nas principais cidades, Início!

ganhou o candidato da Reunião Nacional, o candidato da Le Pen, o Éric Ciotti. Assim como em Perpignan. Em Toulouse, venceu o Jean-Luc Mudin, que é do Partido Os Republicanos, que é o partido tradicional conservador francês. Já em Marcélia, venceu o Benoît Payan, que é do Partido Socialista, como você mencionou.

Em Lyon venceu o Gregory Dussé, que é dos verdes, mas disputou em aliança com os socialistas. Em Paris, principalmente, venceu o Emmanuel Grégoire.

que é do Partido Socialista, que concorreu com o apoio dos verdes ecologistas, revertendo o que a gente falou anteriormente, ele que ficou com mais de 50% dos votos no segundo turno, derrotando a Rachida Dati, que é dos republicanos, o partido do Sarkozy. E a França submissa ganhou em Saint-Denis, nos arredores de Paris, e também em Saint-Paul, na Ilha Reunião.

E o jornal The Guardian publicou um editorial, meu caro Matias, dizendo que as eleições francesas mostraram que o eleitor francês, em geral, demonstrou uma rejeição ao partido do Mélenchon.

Porque os socialistas, onde eles disputaram em aliança com a França em submissa, que você citou, em geral eles perderam. Mas quando eles disputaram sozinhos ou em parcerias com os outros partidos de esquerda mais moderados, eles venceram.

Então, pensando no voto geral do país inteiro, inclusive, meu caro Matias, o França em submissa ficou com cerca de 4% no primeiro turno e 3% no segundo turno do voto nacional, o que é relativamente baixo. Se você pensar aqui...

As duas coalizões de esquerda ficaram uma com 12%, outra com 18% no primeiro e no segundo turno, e a outra com 15% em ambos os turnos. Então, se você somar as três forças claramente de esquerda no segundo turno, nós estamos falando de 36% dos votos.

E, do outro lado, nós temos a direita moderada, a direita conservadora, em geral, ficando com 25% no primeiro turno e 22% no segundo, inclusive sendo com mais votos no geral.

O reunião nacional com 5% e 7% entre primeiro e segundo turno. E a união da direita com 3% e 6%. Então, somando no segundo turno as forças claramente de direita, nós temos aí um cenário de 36% dos votos. Então, veja que a coisa fica um pouco equilibrada.

Aí você tem a força de centro do Macron com 12% no primeiro turno e 10%, 11% no segundo turno, e os diversos, que normalmente são as candidaturas mais regionais, com 9% no primeiro turno e 6% no segundo. Veja que isso não é um cálculo exato, pelo motivo que eu falei antes, a gente ainda não tem.

os números finais completos e ainda tem os votos mais pulverizados, tanto que se vocês somarem todas as cifras que eu falei agora, não dá 100%, você ainda tem várias cifras de partidos menores, dissidências, esse tipo de coisa. Então, mas mostra um equilíbrio, digamos assim, entre as forças claramente de esquerda e as forças claramente de direita, mas, na visão do editorial do Guardian, estou aqui citando a fonte, não estou dizendo que é um cânone,

Os socialistas se deram melhor quando eles não estiveram associados ao França em submissa do Mélenchon. E no caso de Saint-Denis, justamente os principais candidatos eram da França submissa, que acabou ganhando, e do Partido Socialista. E só me corrigindo, em Saint-Paul, na Ilha Reunião, o candidato vencedor era da União à Esquerda, não da França submissa, mas também...

uma legenda da esquerda mais distante do sempre, vamos dizer assim, para não jogar para o lado dos socialistas. E cruzando os Pirineus, meu caro Matias, apenas uma recomendação de leitura para os nossos ouvintes, já que a gente falou de energia e emissões zero e tudo mais, o site Político publicou uma matéria sobre a energia na Espanha, de autoria de Aitor Hernández Morales.

e Zia Vais, chamada O que a União Europeia pode e não pode aprender das baixas contas de luz da Espanha. Em inglês, né? What you can and can't learn from Spain's low energy bills. Então, falando especialmente da expansão dos eólicos na Espanha.

Falando de notícias da União Europeia, meu caro Matias, Austrália e União Europeia...

anunciaram essa semana um acordo de livre comércio e também uma parceria de defesa. A Vanderleia se encontrou na terça-feira com o Antony Albanese, o primeiro-ministro da Austrália, e o acordo pretende diversificar ainda mais o comércio entre os dois países, além, é claro, como eu falei, de questões de defesa.

porém, meu caro Matias, tem uma coisa diferente do acordo com o Mercosul, e que eu sinceramente quero entender melhor, então para o nosso ouvinte que for especialista no tema, tiver uma recomendação do tema, por favor me ilumine, porque as nomenclaturas protegidas foram mais flexíveis nesse acordo, então, por exemplo, produtores australianos de parmesão, então, por favor,

vão poder continuar utilizando o termo. Alguns outros termos, especialmente os de origem francesa, terão que ser retirados, porém, o parmesão vai continuar. E os produtores de vinho australianos, lembrando que a Austrália tem uma produção significativa de vinhos hoje, também vão poder continuar usando o termo proseco, da porta para dentro. Olha que loucura.

Como é que você vai fazer o rótulo disso? Então, o vinho produzido pelo australiano para ser vendido na Austrália vai poder ser chamado de Prosecco. Mas se esse vinho for exportado, aí ele vai ter que ser chamado de outra coisa. Sei lá, estilo Prosecco ou vinho...

imitação, sei lá, ou qualquer coisa do tipo, vinho borbulhante, frisante, sei lá. Então, é interessante esse tipo de notícia. Falando em político, o site que a gente mencionou, um site que a gente sempre usa no nosso roteiro,

A Marta Coz, que é a comissária da expansão da União Europeia, ela participou de um evento do site, respondendo perguntas sobre a expansão da União Europeia, e eu quero destacar duas respostas dela, meu caro Matias. A primeira delas é que é impossível que a Ucrânia se torne um membro da União Europeia em janeiro de 2027. E aí, desculpa, vou levantar a plaquinha que a gente está falando aqui há anos.

já se vão 4 anos da invasão da Ucrânia, que quem acha, quem fica vendendo para vocês...

A ideia, a lorota de que a Ucrânia vai ser membro da União Europeia como solidariedade, etc., está mentindo, porque a Ucrânia, mesmo antes da guerra, já desempenhava um desafio gigantesco para a Europa. Por conta do seu tamanho geográfico, do tamanho da sua população, seus índices de corrupção, questões, diferenças cambiais, uma série de índices socioeconômicos.

E a guerra tornou essa situação mais complexa. Embora por alguns pontos, como a gente já falou aqui, sendo bem cínicos e bem cruéis, a guerra torna uma entrada da Ucrânia na União Europeia em alguns pontos até mais atraentes, porque as empresas europeias vão ter papel na reconstrução. Isso significa oportunidade de negócios, investimentos. E a segunda coisa que ela falou, meu caro Matias...

que a Islândia é um caso especial e que, caso os eleitores islandeses aprovem no referendo do fim de agosto o retorno da Islândia à União Europeia, esse caminho seria acelerado.

E aí, primeiro, qual uma das grandes diferenças do caso da Islândia e do caso da Ucrânia? O tamanho. A população da Islândia é de 300 mil pessoas. Isso não é a população de Kiev, de Kiev, se preferir. Segundo, o fato de que...

A Islândia já negociou a entrada na União Europeia, fez essa negociação lá em 2009, depois da crise de 2008, lembrando que na crise de 2008 os islandeses priorizaram as pessoas e não os banqueiros, e a Islândia já é parte da União Econômica Europeia.

junto com a Noruega Islândia e Liechtenstein, que fazem parte do EFTA, que inclusive tem o acordo de livre comércio também com o Mercosul. Então...

Essas duas respostas são interessantes pelo contraste e para a gente usar isso como exemplos para explicar também as diferenças dos dois estados. E lembrando que a Islândia também tem uma outra queixa com a União Europeia, e aí a saída do Reino Unido da União Europeia, de certo modo, abriu espaço para isso.

que é a questão da pesca, das cotas pesqueiras. A Islândia, como uma ilha, por motivos óbvios, tem a pesca como uma das suas principais atividades econômicas. E aí, falando de outras notícias europeias, meu caro Matias, primeiro, o jornalista Peter Van der Merch, um dos principais jornalistas neerlandeses, ele, inclusive, faz parte do The Telegraph.

dos Países Baixos, ele foi suspenso depois de utilizar em matérias dele citações geradas por inteligência artificial. Ele já foi editor-chefe do jornal, inclusive, e ele disse que ele caiu numa armadilha de alucinações.

da inteligência artificial. Então fica o recado, gente. Inteligência artificial pode ter seus usos. Então a gente já fez o programa especial do G20 aqui no Xadrez Herbal. Naquela época a gente utilizou a inteligência artificial para fazer transcrição, para fazer dublagem, para conseguir colocar o programa no ar com tantos convidados. Mas revisem tudo e principalmente façam o seu próprio trabalho.

ele é pra te ajudar a fazer o seu trabalho não é pra fazer o seu trabalho por você se bem que hoje em dia já tem coluna de jornal aqui no Brasil sendo escrita por inteligência artificial e finalmente meu caro Matias repercuti aqui o fato de que temos três seleções europeias possivelmente estreantes na Copa do Mundo Albânia, Kosovo e Macedônia do Norte ou para os albaneses muito nacionalistas Albânia o почему почему

E lembrando que temos um Fronteiras Invisíveis sobre a Macedônia do Norte e caso o Fronteiras retorne e pode retornar, um abraço pro nosso querido Otávio, aí certamente um desses outros países também vai aparecer por aqui. Lembrando que a seleção albanesa é treinada pelo Silvinho.

que pode ser o único treinador brasileiro da próxima Copa do Mundo, mantendo uma escrita desde 1930. Ou seja, é possível que não tenha treinador brasileiro na próxima Copa do Mundo. Pois é, pela primeira vez na história.

meu caro Matias, falando nos problemas de realizar a Copa do Mundo no país de Donald Trump, os torcedores de Argélia, Costa do Marfim, Senegal, Tunísia e Cabo Verde, tem que fornecer uma espécie de calção de 15 mil dólares para poderem entrar nos Estados Unidos.

Então, é isso. Infelizmente, muitos torcedores desses países, inclusive no caso de Cabo Verde, um país estreante, ou seja, realizar o sonho de ver o seu país jogar uma Copa do Mundo, os Tubarões Azuis, talvez não possam ir aos Estados Unidos assistir. Por mim, era a Copa do México e Canadá.

por mim era isso, fazia abertura no Canadá, final no estádio Azteca no México, um estádio histórico pro futebol, dois países que chamam o esporte pelo seu nome correto e não um nome tosco chamado soccer, e que não são governados por pessoas desprezíveis. É, mas o Canadá chama de soccer. O Canadá chama de soccer? Sim, porque eles têm o próprio futebol deles lá.

Então eu quero... Abaixo de Steve Nash, eu quero Copa apenas no México. Cara, Copa do México e Caribe. Uma sede na Jamaica, entendeu? Uma sede em Cuba, uma sede em Belize, porque eu não esqueço de Belize. É isso, estou indignado. Bem, vocês ficam agora com a coluna da professora Vivian Almeida.

Gambito da Dama. Olá, pessoal, espero que estejam todos bem. Bom, obviamente que a análise, a coluna, não poderia ser nada diferente dos impactos econômicos para a guerra, por conta da guerra. Sempre gosto de fazer o...

o preâmbulo, a consideração inicial de que os maiores custos de quaisquer que sejam os conflitos armados são as vidas e que, obviamente, nenhuma análise econômica se pretende, nem deveria se pretender, ser a preocupação primária de qualquer pessoa ou qualquer país.

Estou fazendo isso pela função aqui exercida, de tentar traduzir o que nos acontece em indicadores e análises econômicas, mas, por certo, o nosso lamento não é com a aceleração do PIB de nenhum país, mas é, obviamente, com as vidas perdidas.

Saiu um relatório confirmando a redução nas projeções do crescimento econômico de todos os países, Brasil inclusive. O Brasil sofreu uma redução na projeção, que seria de 1,7, passou para 1,5.

está entre os países que não só têm uma redução na sua projeção de crescimento, como um aumento da inflação. E, enfim, essa é uma consideração que a gente já faz há bastante tempo, porque, em geral, os conflitos atingem a distribuição de combustível, o fornecimento de energia, e não há lugar no mundo em que não haja uma matriz energética.

estruturante das atividades econômicas e das atividades sociais. Então, obviamente, todos os países vão ser afetados em maior ou menor medida. Então, China é de 5% para 4,4%.

Mas já a União Europeia, a previsão é de 0,8% de crescimento. Ainda assim, a gente percebe que todos os países, em maior ou menor grau, sofrem com a redução da aceleração econômica.

Alguns efeitos são aparentemente antagônicos, mas numa primeira explicação rapidamente a gente compreende que é, por mais que a gente esteja falando que a zona do euro tenha um decrescimento a partir do ano que vem, em razão das consequências da guerra, os próprios gastos com a guerra, pois...

um país muito, perdão, uma região muito afetada geograficamente, podem dinamizar. A questão é que os gastos de guerra, apesar de dinamizarem num primeiro momento, eles não necessariamente se sustentam, nem devem se sustentar ao longo do tempo, e é difícil medir o quanto de estrutura se mantém e o quanto que aquilo molda um crescimento futuro nos momentos seguintes.

Com relação aos Estados Unidos, que têm sofrido com a questão da sua moeda, uma outra observação também é que talvez a...

a projeção de decrescimento não seja tão acentuada em razão dos investimentos em inteligência artificial. E aqui eu me permito a fazer um parênteses analítico, que é, olha que coisa interessante, o que talvez segure uma desaceleração não tão profunda são os investimentos em inteligência artificial, e não é nem dia sim, dia também, é hora sim, hora também, todos nós recebemos notícias de como...

A inteligência artificial vai afetar profundamente a geração de empregos. A última e mais recente que eu vi é que analistas financeiros juniores e advogados juniores não serão mais necessários em razão da inteligência artificial. Então, é curioso a gente pensar que, na verdade, o que está agora...

sustentando um impacto mais profundo, atenuando um impacto mais profundo nas consequências da guerra no crescimento americano, é justamente o que no momento futuro vai...

potencialmente ser responsável pela redução da renda, da renda per capita, não, não, renda per capita não, porque a renda per capita se o bolo cresce, enfim, mas dos empregos e salários, o que obviamente afeta a capacidade de investimento, porque as pessoas precisam de salário para comprar os seus produtos. Então,

O curioso é a gente pensar que é a causalidade no tempo dessas medidas. Mas, fechando esse parênteses analítico e voltando para as análises de guerra,

além das previsões de inflação aumentando, de abalo nas matrizes energéticas, de desaquecimento das economias, tem se propagado uma retórica de que...

Bom, se a gente já vinha acompanhando uma mudança geopolítica ao longo do tempo, talvez a gente esteja num ponto de não retorno para usar uma expressão que a gente passou a conhecer muito, infelizmente, por conta dos eventos climáticos extremos. Então, essa reorganização e essa divisão, por assim dizer, talvez estejam chegando aí no ápice de uma mudança.

E uma definitiva ruptura com a ordem global que marcou o século XX. Isso, obviamente, a gente só consegue expressar e entender no futuro, a depender da duração do conflito, das consequências para os Estados Unidos, porque, obviamente, o Donald Trump está falando.

porque até que o impacto no petróleo não foi muito grande não. E de fato ele falou isso. As consequências para os Estados Unidos, como que vai ser a reinserção na economia global e como que vão ser as consequências. O quão o conflito vai se alastrar, que é uma preocupação premente e presente nos discursos dos líderes de organismos multilaterais.

porque, alastrando-se, a gente reconhece, ao menos dos livros, o que é um conflito de escala global e como isso, de fato, representa uma ruptura na ordem anterior. A Primeira e a Segunda Guerra marcaram uma transformação significativa da sociedade até então.

E se a gente estiver diante de um conflito em proporções planetárias, a gente não só vai passar por mais esse triste episódio, mas como a gente vai inevitavelmente entrar numa nova era que a gente não sabe muito bem qual é o caminho.

Bom, falando sobre novos tempos, novos caminhos, a minha dica é uma dica que eu ainda não vi, tá? Mas como eu fui muito entusiasta do livro e fiz a indicação duas vezes aqui, quero contar aos senhores que devoradores de estrela...

Virou filme e está passando nas telonas, então quem puder, quem tiver oportunidade, assiste, depois me conta se gostaram. Um beijo, uma ótima semana. Passemos agora para o segundo bloco do Giro de Notícias.

Duas notícias desta quarta-feira, dia 24 de março. Kim Jong-un diz que não abrirá mão de arsenal nuclear. Ele discursou perante a Assembleia Popular Suprema na segunda-feira, dia 23.

para anunciar as prioridades políticas do regime, ele que agora foi reconduzido como chefe da Comissão de Assuntos de Estado, com 215% dos votos, como a gente costuma brincar por aqui, e ele disse que o país vai seguir fortalecendo o seu status nuclear de forma irreversível, disse que os Estados Unidos estão praticando terrorismo de Estado contra o Irã,

e que a Coreia do Sul será classificada como um...

Estado hostil e que essa hostilidade será rejeitada por completo. Lembrando que o presidente da Coreia do Sul, o atual presidente, o Lee Jae-myung, ele é um dos maiores defensores na história recente do seu país de uma aproximação com o seu vizinho do norte, com a outra república coreana. Lembrando que é uma nação com duas repúblicas.

Também na Ásia, meu caro Matias, Assembleia Nacional do Laos reconduziu o Tom Glum Sissolit ao cargo de presidente do país, cargo que ele ocupa desde 2021.

E já no Pacífico, meu caro Matias, segundo o Guardian, com uma reportagem feita de forma local, o primeiro-ministro de Tonga está negociando um acordo com os Estados Unidos que daria direito aos Estados Unidos de explorarem a mineração no leito do mar.

Aqui é algo que a gente tem falado há muito tempo, há quase uma década, aqui no Xadrez Herbal. É algo, um assunto que, infelizmente...

ainda não tem atração na grande mídia que acho que deveria ter, que é o fato de que os países insulares da Oceania, com suas zonas econômicas exclusivas gigantescas, veem nessa nova possibilidade tecnológica da exploração mineral no leito do mar uma oportunidade econômica gigantesca.

que, ao mesmo tempo, gera grandes preocupações ambientais, até porque é algo que nunca foi feito antes, não em larga escala, claro. E representariam reservas de terras raras, de minerais estratégicos, a serem explorados por esses países. O exemplo que eu já dei aqui, que eu já dei em aula, que eu já dei em palestra é...

Quando a gente pensa no país Kiribati, muita gente sequer conhece esse país. É um arquipélago de ilhotas e atóis, que tem uma população de menos de 150 mil pessoas, mas que se você soma a zona econômica exclusiva desse país, resulta uma área maior que a da Argentina.

Então, pesca e mineração no leito do mar terão agora esse papel muito importante na Oceania nos próximos anos, próximas décadas, numa disputa entre Estados Unidos e China. NASA suspende projeto de estação espacial lunar e anuncia a base no satélite.

A NASA, via o seu administrador-chefe Jared Isaacman, anunciou que vão paralisar o projeto da Lunar Gateway, que seria uma estação espacial orbitando a Lua.

E agora foi anunciado que a NASA vai priorizar uma estação no solo lunar, como parte da One Big Beautiful Bill. E o administrador da NASA, Jared Eisenman, como bom integrante do governo Trump, disse que vamos construir a base lunar do presidente Trump.

como mais um indício do culto de personalidade. E, meu caro Matias, esses dias eu dei uma olhada nos comentários no Spotify, teve um cara que disse que a gente se passou ao falar do culto de personalidade nos Estados Unidos, porque uma coisa é o culto a líderes do passado, outra coisa é ao líder que está no poder.

Perfeito, esse exemplo é perfeito. Por isso que dá para dizer que os Estados Unidos estão em histórico de culto de personalidade. Porque o Washington, por exemplo, teve esse nome durante a presidência do George Washington. O George Washington presidiu um país cuja capital tinha o nome dele. Além de todas as homenagens rendidas a ele.

você tem toda a questão ligada aos chamados founding fathers. O governo do Andrew Jackson também foi um enorme culto de personalidade. Os governos do Theodore Roosevelt foram um enorme culto de personalidade, ao ponto que ursinho de pelúcia nos Estados Unidos é chamado de teddy bear, porque os vendedores associavam os ursinhos ao presidente, porque o presidente era praticante de caça. Então, o ponto do último programa, e que eu mantenho, e que não apenas se mantém, é um fato,

Mas o exemplo que o nosso ouvinte deu é um exemplo nesse sentido, é que os Estados Unidos não podem falar, falar, olha só, estamos passando por um culto de personalidade como a Coreia do Norte. Não, porque o culto de personalidade não é algo estranho à história dos Estados Unidos. Não é algo permanente, não é algo que todos os presidentes gozaram, não é algo que tem sempre, mas é um fenômeno comum.

ou então um fenômeno ligado a alguns sobrenomes. Você tem a chamada Dinastia Kennedy nos Estados Unidos. Está aí o mais doido deles na ativa. Pois é, mas então você tem um histórico de culto de personalidades nos Estados Unidos. O ponto é, os Estados Unidos não podem dizer que o que o Trump está fazendo agora é algo alienígena à história ou à cultura do país. Não é. E o caso George Washington é um ótimo exemplo disso. E uma pessoa...

que tentou denunciar esse fenômeno foi o John Quincy Adams, que foi presidente dos Estados Unidos, filho de um founding father, filho do John Adams, e que ele falava, gente, a gente já está independente, a gente já deu. E, como consequência, ele foi o primeiro presidente dos Estados Unidos que não foi reeleito.

porque justamente ele tentou romper com esse culto cívico nos Estados Unidos. Então, enfim, é isso. Falando outra notícia aeroespacial ligada aos Estados Unidos, meu caro Matias, infelizmente nesse último dia 22 de março, tivemos um acidente envolvendo um avião da Bombardier, da Air Canada Express, que se acidentou com um caminhão de bombeiros.

no aeroporto de La Guardia, em Nova York, resultando na morte do piloto e do copiloto. Outras 39 pessoas ficaram feridas. E pilotos de La Guardia já haviam emitido alertas sobre os trânsitos na pista, o fato de ter muitos caminhões, passagens pela pista.

E o premier do Canadá, o Mark Carney, criticou a empresa Air Canada porque eles publicaram uma mensagem de condolências apenas em inglês. Lembrando que o Canadá é um país bilingüe e que o Mark Carney também é preocupado com os separatistas do Quebec. E falando, originalmente a gente falou da base lunar, então falando dos tech bros...

Um júri nos Estados Unidos determinou que o Elon Musk enganou os investidores no processo de compra do Twitter em maio de 2022. Esse processo é movido por uma série de investidores, justamente um Class Action Securities Lawsuit, e foi avaliado pelo júri depois de três semanas. Resta saber qual vai ser a consequência dessa decisão.

E um outro júri, agora em Los Angeles, determinou que tanto a Meta quanto o YouTube foram negligentes em gerenciar as redes sociais e, intencionalmente, causaram vício no uso numa pessoa que, na época, era menor de idade ainda.

E essa pessoa receberá 3 milhões de dólares compensatórios, 70% vindo da meta, 30% vindo do YouTube, e o caso foi classificado parecido com os casos contra as empresas de cigarro, que agiam para causar vícios.

Então, muito diferente do judiciário brasileiro, tanto no fato de que nós tivemos dois júris que não envolviam crimes contra a vida, no Brasil júri é apenas em crimes contra a vida, o que acaba muitas vezes concentrando o poder decisório na mão de atores do judiciário, especialmente dos magistrados.

E outra diferença é, claro, o valor das indenizações, porque o judiciário brasileiro tem aquele entendimento completamente injusto, ao meu ver, como cidadão brasileiro, de que uma pessoa não pode enriquecer via indenizações. Então, no Brasil, nós temos indenizações...

irrisórias, ridículas, mesmo em casos gravíssimos. Nos Estados Unidos, nós temos um cenário muito diferente em relação a essa questão. Duas notícias de hoje, quarta-feira, dia 25 de março. Cerco à imigração dos Estados Unidos deixa pets abandonados após prisões e deportações.

Pois é, infelizmente tem subido o número de necessidades de adoções e também o fato de que organizações de amparo de animais estão agora sobrecarregadas nos Estados Unidos. Isso foi uma matéria publicada pelo UOL, citando, por exemplo, a presidente da Rolling River Rescue, uma organização de Nova Orleans.

que trabalha com animais abandonados e falando que estão operando agora numa situação sobrecarregada devido a essas deportações e prisões duais. Então, infelizmente, esses animais inocentes sofrendo também com o governo Trump.

Aqui no Brasil tivemos mais uma notícia absurda, brutal e cruel, em que oito pessoas, seis homens maiores de idade, dois adolescentes menores de idade, espancaram uma capivara na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Essa notícia teve muita repercussão internacional. Eu só botei essa notícia no roteiro, gente, porque fazendo a pesquisa do roteiro, a curadoria do roteiro, eu vi essa notícia nos sites internacionais.

Até porque a capivara é a queridinha do mundo. Exatamente. É uma imbecilidade em todos os sentidos. E os seis maiores de idade foram presos. A justiça manteve a prisão preventiva deles. E eles terão que pagar 20 mil reais de multa a cada um por conta do chamado decreto Cão-Orelha, que foi ditado 15 dias atrás. E aí é importante destacar uma coisa, que essas pessoas...

Elas têm que sofrer punições exemplares. E aí você fica à vontade para me chamar de punitivista, eu não estou nem aí. Eu sou chamado de punitivista desde a época de faculdade. Matias é testemunha. Mas o que não pode perder de vista é esse caso da capivara também ser utilizado

para perder atenção em relação ao caso Orelha e outros casos de abuso de animais. Só que no caso do caso Orelha, nós temos ali também uma questão socioeconômica envolvida, uma questão de poder econômico envolvido. Então, o dinheiro dessas multas vai para o IBAMA.

Felizmente, a capivara sobreviveu, ela foi atendida pelo Jefferson Pires, veterinário da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá. Então, um abraço para o Jefferson Pires e para toda a equipe da clínica, porém, infelizmente, ela provavelmente perdeu a visão de um dos olhos. E eu não vou dizer o que eu gostaria que acontecesse com os agressores da capivara, porque é capaz de a gente até ser banido do Spotify.

E para a gente fechar esse giro pet, três notícias positivas, digamos assim, sobre o mundo pet. A primeira delas, que vem do We Rate Dogs, que eu já citei aqui, um cachorro chamado Stanley, no Reino Unido, um labrador cavando no jardim da casa onde ele vive, em Devon, na Inglaterra.

ele encontrou um frasco de perfume que estava com veneno e esse frasco, essa descoberta, ajudou a solucionar um homicídio de 1865, quando uma mulher nessa mesma vila, chamada Marianne Ashford, envenenou o marido dela por conta de um relacionamento extraconjugal. Então, tivemos um homicídio de 160 anos sendo solucionado graças a esse cãozinho.

Já na Austrália, um cão de resgate chamado Bear recebeu uma homenagem. Depois de uma década de serviço, ele se aposentou e ele que ajudou a salvar cerca de 100 coalas durante os grandes incêndios da Austrália de 2019 e 2020.

Ele tem um documentário sobre ele chamado Bear Koala Hero e também um livro chamado Bear to the Rescue. Então, os nossos ouvintes australianos que residem na Austrália podem ajudar. E, finalmente, uma notícia de hoje, enviada pela nossa querida Domenica Mendes, aqui da Central 3, já que em Almaty, no Cazaquistão, foi inaugurado um monumento de bronze financiado por um cidadão

privado, que imortaliza uma corrente humana quando cinco pessoas se penduraram nas margens do rio Uquem, que é canalizado, para ajudar a resgatar um cãozinho que havia caído no canal. Então agora nós temos um monumento imortalizando esse momento muito bonito e que dá um pingo mínimo de esperança na humanidade.

ONU vota para classificar o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade. Pois é, uma votação importante hoje na Assembleia Geral da ONU, uma ação movida pela União Africana e pela comunidade do Caribe e que pede por reparações como um passo concreto para remediar erros históricos.

O voto contou com aprovação da maior parte da comunidade internacional, com 123 votos a favor. 52 países se abstiveram, incluindo o Reino Unido e todos os países da União Europeia. Lembrando que, porque toda vez que você tem votos desse tipo...

Sempre tem um debate, às vezes uma distorção. O voto contra é sou contra essa ideia. O voto a favor é sou contra essa ideia e esse método de ação. A abstenção normalmente é sou a favor da ideia, mas sou contra esse método. Então, no caso, os países europeus se abstiveram por quê? Porque eles são a favor, provavelmente, de considerar o tráfico de pessoas escravizadas como um grave crime. Mas não querem pagar nada. Exatamente.

E aí três países votaram contra.

E o ouvinte mais ligado já sabe quais são. Argentina, Estados Unidos e Israel. Foram os três países que tiveram a pachorra de votar contra a declaração de que o comércio de pessoas africanas pelo comércio transatlântico é o mais grave crime cometido na humanidade. Bem, passemos agora para a premiação que não altera a cotação do dólar, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim.

Os peões. Felipe e a peã promovida e isolada desta semana vai pra mesma pessoa.

Pois é, vamos inventar moda aqui e a gente vai dar os dois pra Matt e Fredrickson, porque ela ganhou as eleições, mas, ao mesmo tempo, o seu partido teve o pior resultado em 120 anos e ela renunciou. Então, se a gente dá o peão promovido pra quem vence as eleições, a gente tem que dar pra ela. Se a gente dá o peão isolado pra quem renunciou e teve o pior resultado em 120 anos, a gente também tem que dar pra ela. Então, ela leva os dois. Hoje, vamos inventar moda. Bem.

Passemos agora para as dicas culturais. Sétimo selo S'esse o почему.

Felipe, qual que é a sua recomendação para os nossos ouvintes? A recomendação vai ser a obra Três Mosqueteiros, mas a obra original, tá, gente? O livro, tá? Não original, tendo que ler em francês, não é isso que eu quero dizer. Mas o livro, então não adaptação infantil juvenil, não adaptação do Mickey, tá? Não os filmes. Nada contra.

Não, nada contra. A adaptação dos Três Mosqueteiros com o Mickey, eu adorava quando era criança. Adorava ler. Então, mas aqui eu quero recomendar o livro. O livro dos Três Mosqueteiros que é grosso, grande, tal. Então, é a minha recomendação. Porque muita gente conhece as adaptações, mas não conhece a obra original. Então, leiam a obra original.

A minha dica, na verdade, é um convite, já que o nosso ouvinte Sávio Cavalcante, já que ele trabalhou por três anos ao lado do Matheus Gato, na tradução do livro Reconstrução Negra, do pensador afro-americano W.E.B. Dubois.

E o lançamento e debates ocorrerão na próxima terça-feira, dia 31 de março, às 19h, na Livraria Mega Fauna do Copan, ali na Avenida Ipiranga 200, loja 53, e terá participação do Isaac Palma também e mediação da Carolina Nascimento de Melo. Então fica aqui a recomendação dessa obra e do debate sobre o pensamento do Dubois.

Felipe, temos recasos nossos ouvintes, considerações finais. Bem, pessoal, mandar aqui rapidamente um abraço para a Rana, para o Marco Salles, para a Júlia Prado, para o Pedro Pizarro, para o Gustavo Hassati de Oliveira, para o Jefferson Sestrem.

para Luana Bramorsky, que faz mestrado em Sociologia na Unicamp, pesquisando educação comparada entre Brasil e China. A gente teve uma troca muito legal por e-mail, ela mandou um recado muito interessante, que ela replicou no site do Tchadrez Herbal, e a gente teve uma troca de e-mails. E ela pediu também um abraço para o amado André dela.

Também um abraço pro Leonardo Mendes, que disse que a banda Etrandeler, do Níger, que ele viu no Sesc Pompeia, anunciou o cancelamento da turnê pelos Estados Unidos, por conta da questão dos vistos. Um abraço pro Vitor Etcheveste, estudante da URGS, que ele disse que não pronunciamos o F, não por ufanismo, mas por sonoridade. Na verdade, não pronunciam F por conta da Guerra dos Farrapos.

Não vem com essa, não. E ele veio pedir boas energias pro time da URGS, que vai representar o Brasil na Jessup Mut Court Competition, a Copa do Mundo de Direito Nacional. Um abraço pras nossas queridas Letícia e Carol. Então, um abraço pra ele e pro pessoal da URGS. Também um abraço pro Ronald Fonseca, que pediu um abraço de aniversário, já que hoje, 25 de março, ele completa 38 anos, 7 como ouvinte do xadrez herbal na pequena Cachoeiras de Macacu.

Rio de Janeiro. Um abraço pro Newton Branco e também pro Christopher Stoll na História. E, meu caro Matias, tivemos vários e-mails essa semana, mas como a gente tá precisando correr aqui por conta do horário do estúdio, eu vou pedir a compreensão dos nossos ouvintes e vou deixar alguns deles pra semana que vem, mas registrar o abraço do nosso querido Arthur Lungove, que nos ouve desde 2021.

Quem apresentou o podcast para ele foi a Malu Bastos, a esposa dele. E ele pediu também um abraço para a Helena, a filha dele, que viu o São Paulo ser campeão da Copa do Brasil com um mês de idade. Pé quente. E pediu que o Matias mandasse um salve para o Lucas Verzola.

Culpa dele da época de história é mais de 10 anos dos meus melhores amigos. Sim, Lucas do meu ano, 2006. Depois largou a história, traidor, foi para San Fran. E hoje não atua como advogado, é escritor. Então, um salve aí para o Lucas. E antes de passarmos para a música de encerramento, fica o convite aqui para um show que vai rolar na sexta-feira, 8 de maio, lá no Sol e Sombra da Rua Tês de Maio, altura do número 180.

Já que a banda Pires Chorros da Argentina, uma das principais expoentes da Cúmbia Vigeira, tocará ali no Bixiga. Então os ingressos já estão à venda na Shotgun e estão no segundo lote. Então fica um abraço aí para todo o pessoal que toca ali o Sol e Sombra na 13 de maio.

E a música de encerramento dessa semana vai em homenagem ao baterista e percussionista argentino Daniel Buíra, ele que é um dos fundadores da banda de rock barrial Los Piorros, e também do grupo de percussão Latilinga, que depois virou uma escola de percussão por vários bairros da Grande Buenos Aires.

E infelizmente o Daniel veio a falecer no último sábado, dia 21 de março, aos 54 anos, com infarto agudo do miocárdio, enquanto estava ensaiando. Então ele que é um músico bastante influente na Argentina.

e decidiu fundar a Latilinga justamente numa viagem que ele fez para o Brasil ali no começo dos anos 90. Então a gente vai encerrar o programa com a música Verano del 92, do terceiro álbum de Los Piorros, chamado Terceiro Arco, lançado em 1996. Essa música que ficou na posição 26 das 100 canções mais destacadas do rock argentino, segundo o levantamento da Rolling Stone e da MTV.

E ela foi um grande sucesso, inclusive sendo adaptada por várias torcidas pelo continente. E a introdução dela tem um peso percursivo bastante grande. Então é por isso que a gente vai encerrar o programa com o verano del 92, que foi lançado em 1996 pelos piorros.

Música

E aí

O que é que se vive, o que é que se vive?

o Luan Pedro Pasola. o Luan почему Que ganas de verte

Música

o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o

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