Episódios de Xadrez Verbal

Xadrez Verbal #459 Emirados Árabes saem da OPEP

30 de abril de 20263h54min
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Recebemos o analista político, escritor e jornalista João Paulo Charleaux para um papo sobre seu novo livro "As Regras da Guerra". Também repercutimos a saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os impactos desta decisão para o bloco comercial. No mais, demos aquele tradicional pião pela nossa quebrada latino-americana, com destaque para a captura do principal narcotraficante do CJNG, após a morte do Mencho, e também o maior ataque terrorista da Colômbia em décadas, faltando quase um mês para as eleições presidenciais no país vizinho.
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Participantes neste episódio3
F

Felipe Nobre Figueiredo

Co-hostJornalista
M

Matias Pinto

Co-hostJornalista
J

João Paulo Charleaux

ConvidadoJornalista
Assuntos6
  • Saída dos Emirados Árabes da OPEPImpactos econômicos da saída · Relações entre Emirados Árabes e Arábia Saudita
  • Ataque terrorista na ColômbiaDissidências das Farc · Impacto nas eleições presidenciais
  • Prisão de narcotraficanteJardineiro do CJNG · Consequências da captura
  • Lançamento de livro 'As Regras da Guerra'João Paulo Charleaux · Direito internacional humanitário
  • Custos MilitaresAumento de gastos militares · Impacto na economia global
  • Conflito no MaliOfensiva rebelde · Apoio russo ao governo do Mali
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Central 3. Começa agora o xadrez verbal.

Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3, está começando mais uma edição do Xadrez Verbal, a sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele, meu amigo e companheiro, Felipe Nobre Figueiredo, o homem por trás do tabuleiro.

Olá, meu caro Matias, olá a todos os nossos ouvintes, todo mundo que nos ouve, nos divulga, nos prestigia, nos ama, nos tolera, nos deseja, diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido, chegando aqui, edição de número 459 do Xadrez Herbal. A gente coloca a data no roteiro, tá, gente? E o Matias está no dia 29 de abril, eu estou no dia 30 de abril já.

Mas, então, nessa última semana de abril. E, meu caro Matias, a gente tem que começar...

contando, oficializando para os nossos ouvintes, que a gente já divulgou nas redes sociais. Mas, semana que vem, tem Fronteiras Invisíveis do Futebol Novo no feed de vocês. Então, por favor, se inscrevam em todos os feeds. Como diz o meme do sapo lá, senhoras e senhores, é de miagrado informar-lhes que há Fronteiras Invisíveis.

E você quer dar uma dica do tema, Matias, ou não? Olha, semana passada, sábado passado, foi feriado nesse local.

O pior é que foi feriado aqui na Nova Zelândia. Tirando a Nova Zelândia. E antes da gente começar, meu caro Matias, tenho uma errata e um pedido de desculpas. Agradecer ao nosso queridíssimo Tiago Pedreiro de Lima, nosso ouvinte de longa data.

ouvinte que sempre nos trata muito bem, e ele me corrigiu, peço desculpas, porque foi sim o Donald Trump que iniciou o Projeto Artemis, ou Artemis. A missão Artemis II começou no governo Biden, porém o Projeto Artemis começou no primeiro governo Donald Trump.

porque semana passada eu disse que o Donald Trump disse que a NASA estava completamente abandonada, e eu que comecei tudo, e eu tirei sarro desse comentário, inclusive, porque eu ainda acho que foi uma bravata o Donald Trump, e falei que o projeto Artemis começou no governo Biden, mas foi a missão Artemis que recentemente foi concluída, o projeto começou sim no governo Donald Trump, então no governo anterior, então agradeço muito ao nosso Tiago Pedreiro de Lima.

E outros dois recadinhos, que a gente costuma deixar os recados para o fim, mas esses são, digamos assim, especiais. Estamos celebrando o aniversário da dona Miko Hashimoto, uma das nossas ouvintes também mais fiéis, mãe da nossa queridíssima Ana K. Então, mandar um beijão para a dona Miko.

E também mandar um abraço para os nossos ouvintes em Auckland, na Nova Zelândia, viu, meu caro Matias? Você, muitos abraços e carinho para você. Mimos também, estou te levando mimos comestíveis dos nossos ouvintes. Obrigado.

porque a gente, assim, muitos ouvintes mandaram mensagem lá no meu Instagram, falando pô, Felipe, você tá aqui e tal, tal, tal. Eu ainda tinha um tempo livre, porque agora eu estou com a agência de viagens com quem eu trabalho, o pessoal da Latitudes. Um abraço pra todos eles, um abraço pro Gui, que é nosso ouvinte.

E os ouvintes de óculos mandando mensagem e tal. E a gente organizou ali em cima da hora um encontro num bar. Então foram nove pessoas. Jamais acharia que nove pessoas consomem o nosso trabalho do outro lado do mundo. E foram muito carinhosos. E como eu disse, estou levando também mimos para você.

E já na brincadeira do ônibus, o nosso ouvinte Felipe Azambuja, ele nos ouve desde 2022, quando ele ainda estava na faculdade, que ele é jornalista, e ele falou do 459 da EMTU, que são os ônibus metropolitanos de São Paulo, que faz o trajeto em Budas Artes e Taim Bibi.

E atualmente é a única linha metropolitana que passa por Tabons da Serra e vai além do metrô Vila Sônia, sendo linha direta para o Butantã, Pinheiros e, mais importante de todos, Matias vai concordar, o estádio Cícero Pompeu de Toledo. Imagino que passa ali pela Avenida Francisco Morato, né?

E ele também pediu um feliz aniversário pro irmão dele, Matias, o Otávio. Então, abraços pro Felipe e pro Otávio Azambuja. E a Júlia de Oliveira, que tem 22 anos e faz geografia lá no FIFELESH, ou seja, tem que levar lápis de cor pra faculdade, ela atualmente...

Atualmente está fazendo intercâmbio em Barcelona. Ela falou do mesmo ônibus. Ela fez um complemento que é o único ônibus intermunicipal que sobrou que ainda vai para a região de Pinheiros e Itaibibi, pois todos os outros intermunicipais de Itabuão e Embu...

param no terminal Vila Sônia e aí a gente precisa pagar mais uma tarifa de metrô para chegar em pontos próximos de São Paulo. E o 459 vai do terminal Água Branca, em Budazartes, até o Itaim Bibi, com uma tarifa de R$ 7,65 e está sempre lotadíssimo. Ela mandou um abraço para a amiga dela, Bruna, que faz direito na Unifesp, e ela agradece o nosso trabalho disponibilizado de forma gratuita.

gratuita na internet. E ela nos mandou um convite também, mas ela disse que não é para falar no podcast, então depois a gente vai responder o convite dela. Então, sem mais delongas, passemos para o primeiro bloco do Giro de Notícias.

É tempo de Copa do Mundo e a Central 3 chega com um podcast narrativo com histórias da seleção brasileira. É o Amarela Ouro. Personagens do passado, debates do presente e uma viagem por causos do maior time de futebol da história. Amarela Ouro, semanalmente no seu tocador. Uma produção Central 3. Faz bebendo! Faz bebendo! Faz bebendo!

Giro de notícias. Notícia do sábado da semana passada, dia 25 de abril. Ofensiva rebelde e jihadista atinge capital do Mali e quartéis. Então, meu caro Matias, ainda está difícil entender completamente o que está ocorrendo no Mali essa semana.

Porém, o que podemos afirmar? Nós tivemos uma ofensiva conjunta, tanto do Frondite Libertação Azawad, que é uma milícia tuareg separatista, que foi fundada em 2024 como reação ao golpe militar no Mali. A gente repercutiu essa notícia na época, inclusive.

e do grupo muitas vezes chamado de Estado Islâmico no Sahel, que é a Jamat Nusra al-Islan wa Muslimin, também conhecida pela sigla em inglês, Jinin. E eles realizaram uma ofensiva conjunta contra o Estado do Mali, que tem apoio da Rússia. Vamos lembrar que o Africa Corps é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento em que é um momento

que é o Africa Corps, que era o nome do exército da Alemanha nazista na África, comandado pelo Rommel. E inspirou o nome das unidades do antigo grupo Wagner, que operavam na África. É só uma coincidência, né? Pois é, e o grupo Wagner, que tem esse nome também, por conta do compositor, que era muito popular na Alemanha nazista.

E nós temos, então, a presença de mercenários russos apoiando o governo do Mali. Nós tivemos uma ofensiva relâmpago, muito rápida, muito veloz, que tomou cidades importantes no Mali, como Kidau, Gal e a capital Bamako, chegou a ser atacada, chegou a ter o seu aeroporto atacado.

E nós também tivemos cenas de soldados do Mali cercados por essas forças rebeldes, se rendendo em massa e mercenários russos, também quando cercados, negociando a sua retirada. Hoje, nesse momento...

Parte do território do Mali, tanto a leste do país quanto ao norte, é controlado por essas forças rebeldes. E outros territórios estão em disputa num claro movimento de várias direções em direção à capital.

E mais importante, mais interessante, melhor dizendo, meu caro Matias, no primeiro dia de ofensivas, no dia 25 de abril, nós tivemos atentados e ataques contra integrantes do alto comando militar da ditadura militar do Mali. O ministro da defesa, o Sadio Camará, ele foi morto com um carro-bomba suicida.

ele, a esposa dele e uma neta do casal foram mortos, o chefe da inteligência do Mali ficou gravemente ferido num ataque similar e, aparentemente, as forças russas negociaram um cessar-fogo, negociaram uma pausa nos combates.

Temos aí centenas de mortos em combate, um helicóptero dos mercenários russos foi destruído e o vídeo foi publicado nas redes sociais. O governo russo afirmou que houve uma tentativa de golpe de Estado e que as forças russas conseguiram impedir esse golpe de Estado. Porém, todavia, entretanto, mas...

Nesse momento, partes do território do Mali estão controlados. Então nós temos agora, talvez, a primeira grande reação no Sahel aos golpes militares desses últimos anos. E quem, então, poderia estar apoiando essa reação? Porque se nós temos esse golpe militar que é apoiado...

nessa junta militar que é apoiada pela Rússia nesse momento, quem pode estar apoiando essas ofensivas? O Jamal Al-Nusra, ele recebeu dinheiro dos Emirados Árabes Unidos. Isso é confirmado, isso é público notório, porque eles sequestraram dois empresários emiradenses.

E, em troca, como resgate, receberam 50 milhões de dólares e 20 toneladas de equipamento militar, incluindo armas de fogo e munições. Então, esse resgate barra apoio emiradense certamente tem um papel importante aqui.

E o grupo Touareg é possível, é uma especulação, que tem apoio francês. Porque vamos lembrar que a França foi o país que teve os seus interesses atacados, na perspectiva francesa, claro. A França, como antiga potência colonial de Mali, de Burkina Faso, foi o país prejudicado nesses golpes militares. Então, os Touaregues, é possível que eles recebam apoio francês. Eles certamente recebem apoio argelino.

Então, como eu disse, não está claro o que está acontecendo no Mali, em todo o escopo, porém o que nós já sabemos é possível dizer que não foi algo de improviso, não foram combates esporádicos, foi uma ofensiva planejada e executada em larga escala.

Também no sábado passado, Ucrânia demite oficial após denúncia de soldados desnutridos. Nós tivemos várias publicações de fotografias por uma mulher que seria esposa de um soldado dessa unidade militar.

e os soldados estavam completamente emaciados e denunciando que ficaram meses sem o fornecimento adequado de comida e de alimentos em geral e de água também. A mulher é identificada como Anastasia Silchuk. Depois dessa denúncia, o comandante dessa unidade, a 14ª Brigada Mecanizada, foi demitido por ter primeiro supostamente ocultado e a 14ª Brigada Mecanizada, foi demitido

o verdadeiro estado da unidade, e também por suspeita de ter desviado verbas e ter desviado parte da logística destinada aos soldados, ou seja, ele desviou parte desses alimentos, parte dessas rações militares. E aqui, para quem estranhar o termo utilizado é ração mesmo.

Outras duas notícias ligadas à guerra na Ucrânia, meu caro Matias, o governo russo anunciou que a parada do 9 de maio, tradicional parada da vitória, tradicional mais ou menos, tradicional no governo Putin especialmente, quando ela passou a ser realizada todo ano, mesmo no período neosoviético, ela era realizada no período soviético, depois teve uma pausa e voltou com o governo Putin.

Uma pausa para ser realizada especialmente em datas mais significativas, em datas redondas. Mas voltando, a tradicional desfile militar do dia 9 de maio, esse ano, não vai envolver veículos terrestres de combate, afirmando que isso não será possível por questões logísticas.

Ou seja, muito provavelmente porque existe um problema de abastecimento logístico desses equipamentos na linha de frente. Então você tem que mandar todos os tanques, toda a artilharia para a linha de frente, ao ponto em que você não tem para realizar o desfile. Lembrando que nós já tivemos desfiles esvaziados nos anos anteriores.

E a União Europeia formalmente aprovou o pacotão de 90 bilhões de euros para a Ucrânia, de empréstimos e incentivos. Lembrando que esse pacotão havia sido acordado no ano passado, porém a aprovação dele foi atrasada porque o governo Orbán, em campanha eleitoral, decidiu suspender o seu voto.

esperando o fim do resultado das eleições, porque o Orbán colocou a Ucrânia como seu grande alvo nas eleições, como a gente explicou aqui. E, meu caro Matias, a gente dá uma leve roubadinha, vamos colocar duas notícias em relação a países da ex-União Soviética. Vamos colocar dessa maneira aqui. O primeiro deles é o seguinte, o prefeito de Nova Iorque, o Zohan Mandani, que é o queridinho da esquerda dos Estados Unidos hoje,

devido a ele provavelmente ser o político de esquerda que alcança maior destaque executivo, mas vamos sempre lembrar aqui no programa, porque mesmo a imagem dele chega também no Brasil, a discussão sobre ele no Brasil, então hoje no Brasil ele tem tanto muitos admiradores quanto muitos detratores, ele não pode ser presidente dos Estados Unidos, ele não é cidadão natural do país, ele não pode ser presidente.

ele vai acabar sendo que nem o Arnold Schwarzenegger, um cara que provavelmente vai ter um destaque muito grande na sua região, vai ser eleito, talvez reeleito, porém não consegue ser presidente. Ele, no último dia 24 de abril...

que é o dia de memória do genocídio armênio, ele publicou uma mensagem, se solidarizando com essa memória, se solidarizando com as vítimas e os descendentes das vítimas e dos sobreviventes do genocídio, e afirmando que a negação do genocídio leva a novos desdobramentos como a limpeza étnica de 2023 em Artsakh ou Nagorno-Karabakh, cometida pelo Azerbaijão.

E o governo do Azerbaijão, obviamente, ficou escandalizado, por ele apontar o óbvio, por ele apontar a realidade, e o governo do Azerbaijão exigiu que o prefeito de Nova York retirasse sua declaração do ar, o que, pelo menos até o momento, ele não acatou.

E a outra notícia é que Armênia e Geórgia vão sediar a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA em 2019. Curiosamente, esse evento virá dois anos depois de Azerbaijão e Uzbequistão receberem o mesmo torneio em 2027. Então, será a primeira vez que a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA será realizada em dois países conjuntamente.

e depois vai ser novamente, só que agora em Armênia e Geórgia. Então, pelos próximos quatro anos, a Copa Sub-20 da FIFA estará em países da ex-União Soviética e todos os países do sul do Cáucaso. Talvez a Copa do Mundo Sub-20 tenha ido para Armênia e Geórgia como uma maneira de...

entre aspas, compensar ter ido pro Azerbaijão. Mas ainda não está claro quem vai sediar a final, quem vai sediar o jogo de abertura, etc. E quem sabe a gente aproveita essa deixa pra você conhecer a Armênia também. A gente fala que tá indo ver os jogos.

Mas, brincadeiras à parte, antes de você passar para a próxima notícia, meu caro Matias, lembrar para o nosso ouvinte que o tempo é limitado para ele aproveitar o descontão da Alura de até 40%. Lembrando que a Alura é a maior escola de tecnologia do país, parceraça do xadrez herbal aqui há bastante tempo.

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Ainda no último final de semana, Orbán anuncia que deixará parlamento na Hungria. Essa é uma dúvida que a gente colocou aqui recentemente, né, meu caro Matias? Qual seria o futuro do Orbán depois da derrota eleitoral?

E ele disse que vai renunciar ao seu mandato como deputado, porque ele foi derrotado, o seu partido foi derrotado na eleição para primeiro-ministro, mas ele foi eleito para o assento habitual dele. Ele disse que vai renunciar ao assento. Ele está no parlamento desde 1990, há 36 anos.

Ele disse que vai conduzir uma renovação completa do partido, mas vai continuar na liderança do partido. A frase dele foi, não sou necessário no parlamento, mas sim na reorganização do campo nacional. Vai ser basicamente a primeira vez...

desde a queda do socialismo na Hungria, que não vai ter Vitor Orbán no parlamento do país. E a gente sempre falou aqui do volume de corrupção do governo Vitor Orbán e de como o governo húngaro recebeu muitos fundos na União Europeia sem necessariamente apresentar bons resultados, eu sugiro uma leitura, uma matéria no Guardian, que fala Orbán Associates Rush to Move Wealth...

Out of Hungary after election defeat. Ou seja, associados de Orbán correm para tirar riqueza da Hungria, para tirar a sua riqueza, tirar o patrimônio da Hungria, depois de derrota eleitoral. Ou seja, vai ter uma galera mandando uma grana para paraísos fiscais, talvez porque essa grana não seja de origem tão lícita assim.

Inclusive isso repercutiu bastante na imprensa uruguaia, porque seria um dos destinos dessa fuga de capitais. Então, meu caro Matias, você pode explicar isso melhor do que qualquer pessoa no Brasil, sobre a história do Uruguai, mas o Uruguai durante um período era conhecido como a Suíça da América do Sul, não apenas pela qualidade de vida, mas também por ser um destino fiscal. Isso, ali em meados do século passado.

E uma outra notícia, não ligada diretamente à Hungria, mas falando de Parlamento Europeu, de União Europeia, o Parlamento Europeu pediu que as autoridades europeias, foram 447 votos a favor e 720 contra, pediram que a União Europeia defina um parâmetro de consentimento sexual.

Por quê? Porque cada país da União Europeia tem a sua definição de consentimento ou até mesmo não tem definição de consentimento. E essas definições muitas vezes levam a disputas políticas internas. Recentemente a gente falou, por exemplo, do caso da Espanha, em que nós tivemos a lei do não é não.

E o Vox protestou, o partido neofranquista, bem numa lógica machista e redpill, no sentido de, ah, porque isso vai vitimar os homens, as mulheres vão usar essa lei para criarem armadilhas contra os homens. E agora, a maioria do parlamento europeu...

pediram que a União Europeia defina o que é consentimento para ter um parâmetro geral e um parâmetro jurídico e também pelo fato de que oito países da União Europeia não têm uma lei de consentimento. Inclusive, vítimas de crimes sexuais, muitas vezes, precisam provar que resistiram àquele ato. E aí estamos falando, por exemplo, de Romênia, Hungria e Itália.

são três países que não têm hoje uma definição de consentimento sexual. Então, o Parlamento Europeu pediu para que a Comissão Europeia formule isso, que sirva como parâmetro jurídico para as organizações europeias. É um pedido interessante, é um pedido importantíssimo, porém, toda vez, entretanto, mas certamente vai se arrastar em burocracia, até porque...

Os governos, por exemplo, o governo da Itália, provavelmente vai protestar no sentido de, olha só, estão querendo impor uma definição externa a nós. É mais provável que essa ação do Parlamento Europeu motive esses países a elaborarem as suas próprias leis de consentimento.

Notícia da segunda-feira passada, dia 27 de abril. Primeiro-ministro de Malta dissolve parlamento e convoca eleições.

Agora a gente vai passar por países da União Europeia do Mediterrâneo, tá, gente? Começando por Malta, já que teremos agora eleições daqui a um mês, em 30 de maio, com a dissolução do parlamento pelo primeiro-ministro Robert Abelá, ou Abela, não sei a pronúncia exatamente correta. E parte da motivação, meu caro Matias, nesse ato, pelo pouco que eu vi,

é a ideia do Partido do Premier buscar expandir a sua bancada no parlamento justamente. Na Grécia tivemos um ataque com armas de fogo que deixou cinco pessoas feridas em Atenas, tanto num escritório de segurança social quanto também num tribunal. E o suspeito conseguiu fugir.

e foi preso num hotel perto de uma estação de ônibus na cidade de Patras. A grande questão é que o suspeito é um homem de 89 anos de idade. Então, ainda não está claro o que motivou ele. Felizmente, ninguém morreu com esse ataque. E assim, a polícia grega deixou um senhor de 89 anos conseguir fugir para outra cidade depois dele balear cinco pessoas.

É uma situação bem esquisita. Mas, enfim, vamos ver mais informações. E já na Espanha, meu caro Matias, falamos agora há pouco do Vox, foi anunciado que o governo regional da Extremadura

será formado pelo Partido Popular, o Partido Conservador Espanhol, liderado pela Maria Guardiola, em plataforma com o Vox. Ou seja, o partido neofranquista vai voltar aos governos regionais com o PP. A aliança regional entre Vox e PP...

foi encerrado em 2024, depois do PP apoiar o plano do governo do PSOE de trazer crianças das Ilhas Canárias para o país. Agora, essa aliança foi retomada, começando pela Extremadura. Lembrando que o Vox defende a deportação de 8 milhões de pessoas de origem estrangeira.

da Espanha. Eu não sei quem vai trabalhar na Espanha se você deportar essas 8 milhões de pessoas estrangeiras, mas tudo bem. Não tem lógica, não tem base na realidade. A maior parte das coisas que o Vox fala são baseadas apenas em ideologia e nostalgia do passado e ódio. Bem, vocês ficam agora com a coluna aberta na qual o Felipe entrevistará o escritor, jornalista e analista político João Paulo Charlot.

Coluna aberta. Bem, ouvintes do Xadrez Herbal, temos aqui o prazer de receber o João Paulo Charlot, que já tanto citamos várias vezes aqui no programa e que sempre foi muito cordial com o nosso trabalho.

interagindo com a gente nas redes sociais. João Paulo I, obrigado por ter topado o nosso convite, já é um convite que estava demorando há muito tempo para ser feito, e obrigado pelo seu tempo, você que está lançando o livro As Regras da Guerra.

pela editora Zahar. Quando essa entrevista for ao ar, o livro já estará plenamente disponível em todas as livrarias, e vamos falar um pouquinho sobre ele, mas, primeiro, muito obrigado pelo seu tempo.

Obrigado, Felipe, pelo convite, pelo interesse, pelo livro e pelo podcast. Acho que é um dos únicos, se não o único, um dos mais importantes, se não o mais importante em política externa e relações internacionais.

Muito parabéns pelo podcast e muito obrigado pelo interesse no livro que está saindo. Bem, muito gentil da sua parte. E, Charlo, eu queria começar...

falando um pouco da sua carreira, não especificamente do livro ainda, porque você é um jornalista que trabalhou com cobertura internacional durante muito tempo, trabalha com isso, gostaria que você talvez pudesse abordar isso, mas também para o nosso ouvinte, esse é o seu segundo livro que dialoga, que aborda o tema do direito internacional.

Porque você também tem o livro Ser Estrangeiro, que é sobre migração, sobre o direito internacional, sobre refugiados. E agora você publica um livro sobre o direito internacional humanitário, regras da guerra, crimes de guerra, um assunto que infelizmente está muito em voga. Então, conta um pouco pra gente da sua carreira e o que te interessou, o que te levou pra esse caminho, pra essa seara.

Eu comecei trabalhando com programas de rádio de sindicatos de trabalhadores rurais. Então, eu tenho 47 anos e no jornalismo a gente faz muita coisa diferente. Essa é uma das graças da profissão. Eu cobri o Santos Futebol Clube aqui em Santos, no Estadão. Escrevi de cultura, tive uma coluna sobre literatura. Escrevi de economia, fui editor de economia, de política.

cobria a prisão do Lula, de correspondente em Paris. Então, assim, é uma das profissões que ainda tem essa coisa multidisciplinar muito forte. A gente é um pouco letrado na introdução a todos os assuntos. Não significa que a gente conheça profundamente todos os assuntos dos quais a gente trata, mas a gente passeia por várias pautas e esse é um pouco o fascínio da profissão.

Você imagina, eu comecei fazendo programas de rádio para sindicatos de trabalhadores rurais, trabalhei na criação de programas de rádio do Movimento Sem Terra, quando eu estava na universidade. São coisas muito distantes do universo pelo qual eu transito agora. Mas em algum momento nessa trajetória, quando ainda era muito novo, eu me envolvi com a Cruz Vermelha Internacional, ou com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a partir de uma palestra que foi dada por dois membros da organização, nos sindicatos de jornalistas em São Paulo.

e na qual eu estava presente, me fascinei com a conversa, e eu trabalhava na época numa empresa chamada Oboré, uma empresa de assessoria de comunicação, que, enfim, para encurtar a conversa, acabou cuidando da comunicação do...

do Comitê Internacional da Cruz Vermelha do Brasil por um tempo, e eu fui consultor nesse trabalho e tal. Eu era muito jovem, tinha ao redor de 20 anos, e a partir daí comecei a me envolver. Enfim, para dar um salto, eu passei sete anos trabalhando na organização, e mudei para Brasília, assumi outras responsabilidades, acabei cuidando de vários países aqui, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai. E como parte desse processo de formação, eu estudei Direito Internacional Humanitário, não como advogado, porque eu não sou jurista,

mas eu me especializei em comunicação e direito internacional humanitário, que é justamente o desafio de traduzir de uma forma compreensível, amigável, interessante, para as pessoas normais, comuns, leigas, essas questões relativas à lei da guerra. Eu não imaginei que eu fosse escrever um livro sobre isso, evidentemente era só um trabalho. Agora, ele se mostrou um conhecimento muito útil quando eu voltei para São Paulo e fui trabalhar no Estadão, fui editor assistente de Internacional do Estado.

E depois foi muito útil quando eu fiz a série mais recentemente na Folha de São Paulo sobre as leis da guerra, aplicadas aos debates sobre a questão de Israel, faixa de Gaza e tal. De maneira que isso foi sendo construído, percebe? Então, assim, no começo não imaginava que fosse derivar no que eu estou fazendo agora, mas acabou gerando um conhecimento acumulado ao longo desses muitos anos.

que em algum momento me pareceu que seria oportuno colocar isso num livro. Enfim, acabou se tornando a coisa mais importante da minha carreira nesse momento. Não significa que eu tenha feito isso a vida inteira, e eu me pergunto muito sobre se isso vai me restringir de alguma forma em relação ao futuro, porque não é o único tema que me interessa, embora talvez seja o tema sobre o qual eu mais conheço, coisas com mais profundidade.

E você mencionou que a origem desse seu interesse, desse seu trabalho, melhor dizendo, foi quando você começou a cooperar com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, 20 anos atrás.

E, nesse processo, sim, mas a minha pergunta agora é, esse seu interesse, essa sua dedicação começou 20 anos atrás, mas sobre o livro específico agora, As Regras da Guerra.

quando veio uma virada de chave ou um desejo de publicar esse livro, de escrever esse livro, pensando no fato de que, infelizmente, esse assunto está muito presente no noticiário, porque se hoje nós temos guerra no Irã...

Antes tivemos a questão do indiciamento de Benjamin Netanyahu e outras lideranças israelenses pelo crime de genocídio em Gaza. Antes disso tivemos o ataque do Hamas em outubro de 2023. Antes disso tivemos a invasão da Ucrânia pela Rússia e por aí vai. Quando veio a virada de chave para escrever esse livro?

Foi a série que eu fiz na Folha, né? Eu fiz uma série na Folha de São Paulo, que eles deram esse nome, as regras da guerra, as leis da guerra, alguma coisa assim.

E a ideia era trazer insumos do direito para a leitura do que estava acontecendo na faixa de Gaza e em Israel, a partir do 7 de outubro. Então havia, como ainda há um debate muito acalorado a respeito de várias questões que incidem nessa guerra, desde a legitimidade da existência do Estado de Israel, a questão palestina, a questão da acusação de genocídio, enfim, tudo que está aí.

E eu achei que seria útil aportar um ponto de vista do direito sobre essas questões, porque elas são questões que não só reverberam no direito, como também são dirimidas pelo direito. Finalmente, quem vai dizer se houve ou não um genocídio na faixa de casa, do ponto de vista da Convenção sobre Genocídio, é a Corte Internacional de Justiça. Então, é um assunto que tem um aspecto jurídico muito forte. E como eu tenho esse conhecimento, eu achei que seria bom.

trazer para os leitores, junto com a cobertura jornalística dos fatos, o que está acontecendo, quem fez o que e tal, algumas reflexões a respeito do direito. Então a gente fez uma série na Folha que tratava de ataques ambulâncias, ataques hospitais, escolas, civis, captura de civis, enfim. Todos os temas mais complexos, mais agudos que estavam acontecendo na guerra, a partir do ponto de vista do direito internacional humanitário, que é o ramo do direito que regula essas situações.

E eu percebi que foi muito instrutivo para muita gente, independente da opinião que as pessoas têm a respeito de Israel ou do Hamas, ou dos palestinos, de Israel e da faixa de Gaza, de Israel e do Líbano, Israel e do Hezbollah, do Irã, enfim. Esse ponto de vista calcado no direito era um complemento interessante para as análises que as pessoas fazem, para as opiniões que elas têm. Então foi uma série que funcionou muito bem. E aí eu achei que podia valer um livro.

E a minha ideia inicial era analisar esses casos, né? Ah, vamos falar de ataque à ambulância, ataque à igreja, ataque ao hospital, o que é que os direitos e tal. Mas eu fui percebendo que não dá para fazer assim, porque para você ter uma conversa mais estruturada, você precisa explicar de onde veio essa regra, né? Por que é assim? Quem disse que é assim, né?

E aí você começa a recuar no tempo, e recua até o século XIX, quando essas leis foram criadas. Mas não é que elas nascem aí, elas são codificadas aí na forma de lei, mas elas trazem consigo questões que são muito anteriores, questões morais, religiosas, teológicas, enfim. Tudo que o ser humano desenvolveu como pensamento e valores a respeito da contenção da guerra.

São coisas muito antigas, né? Então eu fui recuando no tempo, de maneira que o livro foi se ampliando, né? O escopo do livro foi crescendo e ele virou um livro também muito historiográfico, né? Então ele mescla relatos jornalísticos com reflexões sobre a história. Não sobre a história da guerra, eu não sou muito ligado nisso de como foi a guerra X, como foi a guerra Y. Não é esse tipo de historiografia. Mas é uma historiografia muito moral, muito teológica, muito filosófica, sobre como ao longo das guerras o ser humano foi se deparando com dilemas.

a respeito de quem deve ser poupado, quem pode ser atacado, quando se pode fazer uma guerra, quando não pode. E o livro faz essa historiografia. Mas a minha ideia, Felipe, para fechar essa resposta, era me livrar desse assunto. Aqui tem uma pequena ironia. Esse é um assunto que me satura emocionalmente um pouco, e eu queria, achei que colocando ele num livro, talvez eu me livrasse um pouco desse assunto, colocando ele num lugar físico. E já na primeira conversa com a editora, claro...

O Tepperman, que é o editor, falou que provavelmente você vai conseguir o contrário, você vai chamar muita atenção para você e para o assunto, você vai iniciar um novo ciclo de mergulho nessa temática da qual você quer se livrar. É claro que exatamente o que está acontecendo e tudo bem, não é o horror que eu pensava, é muito interessante, eu gosto de falar, mas, do ponto de vista até psicanalítico, é muito curioso essa contradição.

E daí entra um pouco a sua, digamos, preocupação que você expressou na sua primeira resposta em ficar limitado a essa questão. Mas um pouquinho mais para frente, então, eu vou perguntar quais são os seus planos para o futuro. Agora, infelizmente, a gente ainda vai ter que ficar nesses assuntos bastante angustiantes que têm sido muito complicados para a saúde mental de muitas pessoas. Obrigado.

E aproveitando, então, eu vou entrar talvez em um dos principais temas, tanto do seu livro quanto dessa conversa e talvez o mais angustiante, que é o fato de que nós temos uma acusação de violação da Convenção para prevenção e punição dos crimes de genocídio na Corte Internacional de Justiça contra o Estado de Israel.

E no Tribunal Penal Internacional nós temos mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu, atual primeiro-ministro, e Yoav Galant, ex-ministro da Defesa, além de mandados de prisão contra lideranças do Hamas que foram mortas.

Na sua perspectiva, o que você pensa, a partir da sua pesquisa, sobre a sustentação jurídica dessas duas acusações e um pouco, talvez, o que você acredita que irá acontecer? E aproveitando, botando talvez três perguntas em uma, você realizou para o seu livro uma entrevista com...

um profissional jurídico que emite das Forças Armadas Israelenses que emite os pareceres para os bombardeios em Gaza incluindo os bombardeios contra edifícios, contra casas então o que você puder falar um pouco talvez dessa entrevista também que você acha interessante contribuir com o nosso ouvinte eu sei que a minha pergunta ficou enorme mas por favor fique completamente à vontade na resposta obrigado

O assunto é enorme e complexo, é assim mesmo. Olha, eu tenho dito o seguinte, há legalidades e ilegalidades convivendo nas guerras, e nessa guerra em particular isso é muito evidente. Então eu tento pontuar quais são essas legalidades e essas ilegalidades. E eu consigo analisar elas individualmente.

sem recorrer a um juízo abrangente, definitivo, sobre quem é bom e quem é mal, quem está certo e quem está errado de maneira geral. Não é essa a minha leitura, e eu não acho que essa leitura seja incorreta, não tenho problema nenhum.

com quem faz essa leitura, é só que do ponto de vista do trabalho que eu realizo, eu pormenorizo a análise em cima dos fatos mais isoladamente. É isso que eu venho fazendo. Então, nessa análise, eu chego a dizer, por exemplo, que Israel tem o direito de se defender.

no que diz respeito ao 7 de outubro. O Hamas é um grupo armado organizado, nos termos da lei, ele preenche os requisitos que a lei estabelece para classificar um grupo armado organizado. Ele invadiu as fronteiras de Israel, e aí eu estou deixando de lado o debate sobre a legitimidade da existência do Estado de Israel a partir de 1948, a gente pode abrir um capítulo da conversa sobre isso, mas...

Não quero me desviar por aí agora, senão a gente perde o foco. Mas, enfim, havendo uma fronteira reconhecida internacionalmente, havendo uma invasão a essa fronteira, eles romperam as cercas, entraram, e foram em cima de comunidades civis. Eu estive nesses lugares, inclusive, onde foram atrás de civis, incluindo, evidentemente, mulheres e crianças, puxaram pelos cabelos, cortaram o pescoço das pessoas com faca doméstica.

queimaram gente. Enfim, isso é um crime de guerra que dá a Israel o direito de defesa. Então, do ponto de vista do direito, se você tem seu território atacado militarmente, você tem o direito de reagir imediatamente. Então, eu digo, Israel parte de um ponto legítimo e legal.

que é a autodefesa. Ninguém espera que um país atacado dessa forma vá esperar uma análise do Conselho de Segurança, uma coisa assim. A lei, a Carta da ONU dá o direito dessa defesa. Agora, a partir daí, a gente passa a analisar a forma como essa resposta israelense aconteceu, e ela também é marcada por uma coleção muito grande de crimes de guerra. Então, eu acho que a não diferenciação de alvos militares é do Espírito.

e de civis, a destruição de infraestrutura indispensável para a sobrevivência, para a vida dos civis, a dificuldade.

de entrada de ajuda humanitária, incluindo muito especialmente água e alimento em Gaza. Enfim, é uma lista muito longa de crimes de guerra, de forma que o que eu vejo ali é uma espiral de violações sendo cometidas pelos dois lados. O exemplo clássico é o uso de estruturas hospitalares com finalidade militar, pelo Hamas, o uso de escolas.

Em seguida, os ataques israelenses a essas localidades, que também são ataques muitas vezes ilegais, porque ferem princípios como precaução, distinção, enfim, a gente pode entrar nesse capítulo específico. Agora, a pergunta mais importante e mais difícil que você me faz é se tudo isso em Gaza configura um crime de genocídio. O crime de genocídio é uma intenção deliberada de extinguir uma...

distinguir ou dificultar muito a existência de uma coletividade, de um grupo humano na sociedade. Pode ser um país, um grupo religioso, étnico. Eu considero que, na soma de tudo que foi feito na faixa de Gaza, Israel inviabiliza a existência dos palestinos. Eu não acho que seja possível existir uma comunidade nas condições que estão sendo impostas ali. Tanto no que diz respeito ao bloqueio, que é anterior a esse capítulo da guerra,

quanto à extensão da destruição da infraestrutura civil que aconteceu ali. Então, para os parâmetros da Convenção de Genocídio, eu não me surpreenderia se a Corte Internacional de Justiça decidisse, concluísse que houve o cometimento desse crime ali. Eu tendo a achar que é muito difícil, se não impossível, que Israel não soubesse que o tipo de operação que fez ali foi tão extensiva que torna a vida impossível e suportável.

Eu reluto em fazer a frase Israel comete genocídio na faixa de Gaza porque vai sair uma decisão judicial e a gente vai ter a chance de falar sobre isso. Eu comentava isso, inclusive, com a minha esposa no carro ontem. A gente estava viajando e a gente estava falando sobre esse assunto. Eu falei, imagina a quantidade de...

de confrontações que eu posso sofrer ao dizer se houve genocídio ou não, depois que sair a decisão da corte. Não é aqui, o analista não sabe nada, a corte disse que não houve. Ou olha aqui, o analista não sabe nada, a corte disse que houve. Então, assim, vai haver uma decisão judicial. O que eu posso fazer até lá é o que eu estou fazendo aqui. Quer dizer, do meu ponto de vista, eu acho que a coleção de violações e de crimes de guerra ocorridos na faixa de Gaza...

indicam, sim, que é impossível, que é muito difícil, que é impossível que Israel não saiba que esse tipo de ação extensiva, com essa profundidade de destruição, com essa extensão do tempo, inviabiliza a existência de uma comunidade ali. Então, eu tendo a achar que sim, que houve um crime de genocídio, embora o ponto de partida, como eu disse, é legítimo, o direito de defesa.

Uma coisa, Felipe, que eu tenho repetido muito é que eu acho que esse conflito está marcado por uma palavra que é exacerbação, abuso, a passagem do limite. Então, são ações que partem de argumentos legítimos, ilegais, por exemplo, de defesa. Eu acho que Israel tem o direito de existir, defender suas fronteiras, mas que em seguida tem o abuso, tem a exacerbação. Então, a existência desse Estado passa necessariamente por uma expansão territorial, além do que ela determina, colonização de territórios ocupados.

ou essa destruição tão extensiva como a gente vê na faixa de Gaza. Então esse abuso, essa exacerbação é uma característica que, na soma, configura crimes tão graves quanto esse de genocídio.

Acho que você foi muito preciso, João Paulino, mencionar a questão que é muitas vezes deixada de lado, da destruição da infraestrutura civil que permite a vida. Então, a destruição de estações que filtram água, que abastecem água potável, esse tipo de ato.

E você mencionou que parte da sua cautela intelectual vem do fato de que você, assim como muitas pessoas, aguarda os vereditos, tanto na CIGI quanto no TPI. Embora no TPI seja um pouco mais improvável, mas é justamente esse o tema da minha pergunta.

No seu livro, nós temos um capítulo inteiro sobre os tribunais, falando de responsabilização e da necessidade de evitar a impunidade.

E nos anos 1990, nós tivemos aquela onda de otimismo pós-Guerra Fria no mundo, tivemos criação do tribunal para punir o genocídio em Ruanda, para punir os crimes da exiguslávia, essas foram as bases do posterior Tribunal Penal Internacional.

Porém, nesses últimos 25 anos, as principais potências não aderiram ao Tribunal Penal Internacional. O que nós temos visto, na verdade, é um ceticismo muito grande em relação ao direito internacional como um todo e também aos próprios tribunais internacionais. Temos visto, inclusive, países desconsiderando pareceres ou decisões vinculantes da CIGI.

Eu queria saber de você se na sua perspectiva, da sua pesquisa, do seu livro, o sistema internacional ainda tem uma capacidade de realmente investigar, punir e prevenir crimes e violações, incluindo crimes de guerra, e como recuperar a credibilidade desse sistema.

Uma das coisas interessantes de escrever um livro, em vez de escrever matéria jornalística, é que a gente consegue fazer um mergulho mais profundo do ponto de vista do arco temporal da história. Então, ao fazer isso, uma das coisas que o livro mostra para o leitor, é como essa disputa que você menciona é permanente ao longo da história. Ela não é uma coisa da circunstância atual.

Não é que agora os Estados Unidos e Israel estejam trabalhando contra esse sistema internacional de responsabilização. Não é que haja uma campanha inédita no mundo agora contra o Tribunal Penal Internacional. Essa quadra histórica tem essa característica que você menciona, de fato. O sistema de responsabilização judicial internacional, os tribunais internacionais, floresceram nesse momento que você menciona.

E foram muito em cima de países mais pobres, mais periféricos. E não conseguiram avançar sobre as potências e seus crimes de guerra. Essa descrição do momento é precisa. Mas não é uma situação inédita, porque na verdade essa luta por empoderar os tribunais, as instâncias de arbitragem, de parecer, de julgamento, ou seja, instâncias multilaterais, internacionais.

para as quais essas questões poderiam ser apresentadas, é uma luta muito antiga. Então, o século XIX inteiro é marcado por isso. E muita gente conhece, por exemplo, a expressão águia de Aya, atribuída ao Rui Barbosa, brasileiro, jurista, diplomata, escritor. Mas a história por trás desse apelido nem tanta gente assim conhece. Aya é o lugar na Holanda em que aconteceram as duas conferências de paz, no fim do século XIX e início do século XX.

onde se discutiu a lei da guerra, quais armas eram permitidas, quais armas eram proibidas, que tipo de cerco naval era proibido ou permitido. A gente vê essa questão ressurgir agora no Estreito de Hormuz, no Irã. E o Rui Barbosa teve um papel importante nisso. Naquele momento, a luta era parecida com a que se tem agora.

Quer dizer, o mundo sabota essas instâncias multilaterais internacionais de consultação, de arbitragem, de responsabilização penal. Em seguida, o mundo, uma outra parte desse mesmo mundo, tenta reforçar e impor essas instâncias. Se você pega, por exemplo, a concessão de Prêmio Nobel da Paz, a entrega do Prêmio Nobel da Paz, desde a sua origem,

principalmente os primeiros nomes, é muito interessante revisitar isso, e eu faço isso no livro, são pessoas engajadas justamente nisso aí, Felipe. Então, são pessoas que acreditavam piamente que se o mundo não tivesse instâncias...

diplomáticas, jurídicas, internacionais, que resolvessem as divergências entre os estados, a marca daquele tempo seria guerras infindáveis. E é exatamente esse ciclo pelo qual a gente está passando agora de novo. Então, novamente, você tem um movimento no sentido de fortalecer essas instâncias, que, como você mencionou, a criação do Tribunal Penal Internacional.

Enfim, o recurso, a ferramenta da jurisdição universal, essa ideia de julgar criminosos de guerra e crimes contra a humanidade em qualquer lugar, em qualquer tempo, e uma empolgação com a possibilidade de que isso pudesse ser implementado de maneira equânime, pegando poderosos e não só periféricos.

E em seguida uma reação, quer dizer, os Estados Unidos embargando, sancionando juízes do TPI, cortando financiamento de instâncias multilaterais. Então, esse é o pêndulo histórico. Há uma disputa muito forte em torno disso ao longo da história da humanidade. O livro retrata essa luta dos internacionalistas, juristas internacionais, pacifistas, militantes do direito internacional, diplomatas.

militares, muitos militares engajados nisso também, que por conhecer a guerra e seus efeitos de muito perto, passam a advogar pela construção dessas instâncias. E depois você tem a revanche desses irresponsáveis. São pessoas que, do século XIX para cá, os governantes passaram a não estar no campo de batalha. Então não tem mais guerra em que o presidente ou o primeiro-ministro sobe num cavalo e vai para a linha de frente. Então é muito cômodo para essas figuras que estão circunstancialmente no poder.

adotarem essa posição cheia de blefes, bravatas, mandando seus subordinados, pessoas jovens, invariavelmente, para a linha de frente, em seguida trabalhando contra essa ordem internacional. Então eu me alinho muito no lado dessa corrente histórica, que é o meu modo, porque eu não sou jurista, sou só um jornalista escritor.

fala sobre isso. Ou a gente reforça essas instâncias multilaterais de responsabilização, ou, no capítulo atual, diferente do século XIX, a gente acaba com a arma atômica sendo a única instância recursal possível. Por isso todo mundo hoje, desesperadamente, corre atrás de uma bomba atômica. Porque não existe outra instância em que essas questões possam ser derimidas.

E falando agora justamente do futuro, e aqui um futuro num sentido negativo primeiro, você acabou de falar da desuasão nuclear. Porém, hoje nós também temos novos elementos tecnológicos na guerra.

que você aborda no seu livro, como inteligência artificial, guerra robótica, drones, guerra cibernética, etc. Como...

Essas novas tecnologias desafiam as normas do direito internacional humanitário, desafiam as normas das regras da guerra, que foram produzidas em um contexto onde elas não existiam, e...

O que você pensa, João Paulo, sobre o que pode ser feito, uma eventual regularização do uso de inteligência artificial, uma eventual regularização do uso de armas robóticas? Nós tivemos um anúncio, essa semana inclusive, ainda não está muito claro o que você referia, mas o Zelensky, presidente da Ucrânia, disse que pela primeira vez uma posição russa foi tomada sem o uso de soldados humanos. Obrigado.

Então, acho que essa declaração do Zelensky acaba sendo também muito pertinente pensando no seu livro. Então, como você enxerga não apenas os desafios que existem hoje para o direito internacional humanitário, mas esses desafios que vão se intensificar cada vez mais com essas novas tecnologias?

É, parece assunto de ficção científica, né? Justamente os últimos capítulos do livro são dedicados a essas projeções sobre o futuro. A gente fala drones, assim, mas é um nome genérico para um bocado de coisa, né? A gente está falando de armas autônomas e armas que têm um grau de autonomia cada vez maior.

Uma coisa são veículos não tripulados operados à distância. Então vamos imaginar uma pessoa com joystick, uma espécie de computador, videogame, controlando um veículo militar à distância. E essa distância pode ser realmente muito grande. Tem pessoas nos Estados Unidos tomando uma Coca-Cola Diet no ar-condicionado operando um drone aéreo que está matando gente no Afeganistão. Isso aconteceu, acontece.

Mas você pode ter também novos veículos e novas armas e munições que têm um grau de autonomia tão grande que simplesmente prescindem da interação humana. O que significa que você faz um...

uma máquina militar autônoma qualquer, e pode ser uma aeronave, pode ser um submarino, pode ser um carro de combate, pode ser um humanoide, pode ser um cachorroide, pode ser qualquer tipo de máquina que se desloque de forma autônoma e que tenha um senso de navegação autônomo, ou seja, ele se desloca sem a necessidade de ser guiado.

Ele tem um mecanismo de seleção de alvo autônomo, então significa que dentro de certos parâmetros dados, ele decide quem é e quem não é alvo, e esses parâmetros podem ser calor corporal, pode ser massa corporal, pode ser silhueta, pode ser porta-armas ou não, pode ser reconhecimento facial, pode ser sudorese, pode ser o que for, o que você estabelecer como parâmetro para determinar se uma pessoa é classificada como alvo ou não.

E, finalmente, além da navegação e da seleção do alvo, você tem autonomia no disparo, quer dizer, no que se chama etapa crítica. Esse é o estágio mais avançado de máquina militar autônoma.

em que realmente são robôs que agem de forma completamente independente. A gente hoje, do ponto de vista tecnológico, já tem condições de operar máquinas assim. Não está claro se nesse anúncio do Zelensky, essas máquinas agiram com esse grau de autonomia, né? Significa você soltar máquinas em terreno.

essas máquinas navegarem sozinhas, encontrarem alvos, selecionarem, emitirem juízos sobre esses alvos, tomarem decisão e engajarem fogo, matar essas pessoas. Esse realmente é o estágio último de ficção científica para nós, que são robôs vagando e matando gente.

dentro de países estrangeiros, por exemplo, você desembarcar uma força de robôs que hajam assim. Em alguma medida, o direito já alcança isso, no sentido de que continua sendo proibido matar civis, destruir infraestrutura civil, também é proibido liberar gases tóxicos, bacteriológicos, enfim, tudo que se aplica à guerra.

se aplica a qualquer meio de guerra, não importa de que maneira você está cometendo essa violação. Então, num certo sentido, essas máquinas também estão cobertas. Mas tem aspectos nelas que realmente são muito novos, e que aí tem um debate ainda em aberto e não...

e não regulado. Uma questão particularmente preocupante para quem trabalha com isso é justamente como responsabilizar os crimes de guerra eventualmente cometidos por essas máquinas. Não se sabe se o criminoso de guerra é a pessoa que inventou a máquina, ou a pessoa que fez a programação, a pessoa que fez o algoritmo para a detecção daqueles alvos, a pessoa que decidiu entregar essas máquinas naquela operação em particular.

E outra coisa é o testemunho, né? Porque essas máquinas podem operar com alto grau de autonomia em territórios inacessíveis e executar operações sobre as quais não existe testemunho, né? Não é que você tenha um batalhão, um pelotão, onde companheiros de farda estão testemunhando, né? E a gente já viu, por exemplo, o massacre de Mai Lai na Vietnã.

militares americanos denunciarem os próprios colegas por violações cometidas em vilarejos. Quando você tem robôs, você não tem esse grau de testemunho. Então, tem questões novas e tem questões velhas. É um erro dizer que a guerra de robôs não está coberta pelo direito, porque ela está. Todas essas restrições a respeito de não matar civis, não destruir infraestrutura civil, diferenciar os alvos.

Matar crianças, escolas, hospitais, tudo isso que a gente vinha falando continua válido, seja você disparando com um fuzil ou com um robô. Mas outros temas, nem tanto, né? Quer dizer, essa questão da responsabilização, principalmente, é um desafio novo sobre o qual o direito vai ter que se debruçar.

E falando do futuro agora, numa perspectiva mais animadora, a gente começou a conversa com você dizendo que teme ficar um pouco restrito por esse tema, aí você revelou sua conversa com o seu editor do livro também, quais são os seus planos para o futuro?

de algum eventual livro, se é que eles já existem, porque você ainda está no momento do lançamento do livro, de divulgação do livro, do seu trabalho, mas se você já tem ideias para próximas obras e especialmente se você vai seguir na seara do direito internacional humanitário ou vai talvez variar um pouco, algo do tipo.

Agora o momento está muito ligado ao livro. Ele é um livro que precisa cumprir seu ciclo. Acabou de sair, acabou de chegar na mão das pessoas. Ele vai semear muitas conversas. Estou viajando agora para o Rio fazer um lançamento. Depois eu tenho em São Paulo. O Rio é 27 de abril. São Paulo, 5 de maio. Vou fazer um debate com a colega Patrícia Campos Mello no Teatro Cultura Artística.

Então tem esse ciclo de conversas e de retorno, né? Porque não é uma via de mão única. A gente fala alguma coisa e as pessoas têm algo a dizer, né? Dúvidas, críticas, elogios, questões a comentar. Então se abre uma conversa. Eu agora estou no meio desse ciclo, né? Que é um ciclo muito autorreferente.

sou eu botando a cara, eu falando, e não tem outro modo, porque fui eu que escrevi o livro, a hora é essa, de falar do livro, de discutir os temas e de torcer para que, assim como obras semelhantes me inspiraram, quando eu era mais novo, a expectativa é de que esse livro também inspire outras pessoas a se debruçarem sobre o tema de maneira bem informada.

Então, estou muito comprometido com esse momento, né? E venho trabalhando na imprensa com isso. Então, eu tenho coluna no UOL, participo dos programas de TV do UOL, eventualmente escrevo na Folha, eu tenho uma contribuição semanal na Carta Capital. Então, é...

Eu sigo comentando os temas de política internacional e acho que vou continuar fazendo isso por muito tempo. Agora, esse ano é ano de Copa do Mundo e de eleições. Eu acho que a partir de junho as pessoas vão olhar em outras direções. Eu francamente não sei, se você me pergunta em termos mais compridos, mais longos, o que eu vou fazer no jornalismo, inclusive porque a profissão é muito estranha, né, Felipe? Ela se transformou muito desde quando eu decidi que queria ser jornalista e comecei a estudar.

É como se eu tivesse, ao longo de 30 anos ou tanto, subido uma montanha cuja geografia foi se transformando ao longo da escalada, de maneira que quando eu cheguei em pontos mais altos...

e não do ponto de vista de competência, nem nada, mas de idade mesmo, de envelhecendo, de se mantendo na profissão, essa montanha foi se transformando, de forma que, quanto mais alto eu chego, menos ela se parece com a minha caminhada inicial. Então, muitos dos valores que...

que reinavam no jornalismo, que a gente perseguia, né? Muitas das características do ofício foram se perdendo, né? De maneira que hoje em dia são até descartáveis ou irreconhecíveis para muita gente. Então eu reflito muito sobre isso, sabe? Sobre o meu apego a uma certa forma de fazer jornalismo.

que hoje em dia é não só incompreendida, mas também desvalorizada por muita gente. E não é gente má, não, não é isso. Estou falando de meus parentes, meus amigos, pessoas mais novas, que realmente aderem a uma outra forma de comunicação pública que não é muito semelhante à que eu prezo.

Também tem no meio disso uma reflexão sobre, quando você pergunta sobre o que fazer no futuro, é que futuro, em que medida eu consigo me sincronizar, me encaixar na forma como as coisas têm sido feitas hoje. Então, eu reluto muito em me assemelhar a um influencer ou ter esse tipo de contrato muito pessoal, baseado no que eu acho. Eu sou uma pessoa muito dependente do...

do diálogo e do crivo de editores, de conselho editorial, de obudsman. Eu tenho muita fé nesse processo coletivo de produção jornalística. Eu sou uma pessoa de redação.

Sou uma pessoa de embate com o editor, de reunião de pauta com colegas. Eu acredito muito na importância desse processo coletivo e artesanal do jornalismo, que vai eliminando erros, que vai fazendo a gente descobrir imprecisões, que vai nos humilhando com os erros que a gente comete.

mas que envolve um grau de responsabilidade muito maior. Eu sou muito aferrado a essa forma de fazer jornalismo. Então, o meu futuro depende muito de encontrar espaços onde isso exista. E, basicamente, isso ainda está nas empresas jornalísticas. Eu não estou dizendo que outras formas sejam menos importantes, ou menos valiosas, mas eu estou inserido e estou te falando sobre um ecossistema no qual eu me desenvolvi. Eu sou um bicho desse...

desse meio, né? Então, o meu futuro depende muito da continuidade da existência desses espaços, e sobre isso eu não tenho controle, né? Então, é claro que a perspectiva da extinção profissional é muito real pra mim. Eu, com facilidade, consigo observar o cenário e pensar sobre se ele vai continuar existindo pra pessoas como eu, porque as transformações vão numa direção muito diferente.

João Paulo, a gente tem o nosso habitual encerramento, mas junto com o encerramento eu vou colocar uma pergunta de cavalo de Troia, porque essa sua resposta agora, eu acho que ela merecia muitas continuidades, mas você começou a sua resposta.

falando de como obras te inspiraram e que você espera que a sua obra também inspire outras pessoas e, eventualmente, outros jovens. E você terminou a sua resposta falando sobre um receio que você sente sobre o futuro desse jornalismo que você conheceu, que tem mudado cada vez mais e que...

tem mudado tanto ao ponto de, como você mencionou, talvez, eventualmente, deixar de existir. Então, no encerramento, eu queria que você, eventualmente, desse algum conselho, vou usar essa palavra, algum conselho,

Para os nossos ouvintes, e nós temos muitos ouvintes que são vestibulandos, que estão na universidade, que ainda estão procurando o seu caminho profissional, algum conselho especialmente para o nosso jovem ouvinte que pense em ser jornalista, que queira ser jornalista, pensando nisso que você falou, que você ao mesmo tempo espera que o seu livro inspire novos profissionais, mas você sente esse receio sobre o mundo em que você trabalha.

E agradeço muito o seu tempo em ter atendido a gente do Xadrez Herbal e todo o convidado nosso, não sei se você sabe disso ou não, mas a gente pede uma dica cultural, um filme que você ame, um livro que você ame e queira compartilhar com os nossos ouvintes. Não pode ser o seu próprio livro, mas também uma dica cultural para os nossos ouvintes para a gente encerrar essa entrevista.

Certo. Olha, bom, essa coisa de dar conselho para jovem é o atestado de que a gente está ficando velho, né? Mas é isso, é... Você que falou que queria inspirar as pessoas, eu só aproveitei o gancho. Sim, não, veja só, eu tenho um filho de 22 anos, não é uma questão muito estranha para mim, não. É bem familiar, na verdade.

Olha, o que eu procuro aplicar a mim mesmo, com muitas falhas, mas a melhor sugestão que eu posso dar, é clássicos. Então, assim, se você é jovem, ou se não é jovem também, mas se você pensa, que livro eu vou ler? O que eu deveria fazer? As pessoas têm preconceito contra esse tipo de expressão, mas eu acho ainda muito válido, assim, como é que eu deveria me instruir, né? Eu tinha um amigo que usava uma imagem muito boa e dizia, a gente todo mundo é um pouco como um terreno baldio.

A gente tem uma metragem, mas é mato, né? E aí cada um cultiva esse terreno da forma como pode, consegue e quer, né? Assim, se você quer plantar alguma coisa nesse terreno e tal, eu diria clássicos. Então, assim, precisa ler todos esses caras do século XIX, por exemplo. Eu sou muito fã da literatura romântica, da música romântica. Estou falando do Vitor Hugo, né? Os russos, os Balzac, essas pessoas que sabiam escrever.

Porque elas têm uma coisa ali que me atrai muito, que é a capacidade de identificar emoções humanas, comportamentos humanos, tipos humanos, e de descrever isso. Porque eu digo, são coisas que não têm nem nome. Ou que às vezes têm nome e a gente nunca parou para pensar. Então, esses romances, normalmente você está lendo e fala assim, José era um avarento.

Você sabe como são as pessoas avarentas? Elas normalmente têm uma aparência assim. E o cara começa a divagar sobre o que é ser avarento. E eu acho isso tão fascinante, que é fruto de uma observação, no fundo, jornalística, de reportagem de tipos humanos, de observação do cotidiano, do comportamento de pessoas próximas e tal.

E isso é fantástico, não só para quem gosta de literatura, mas para quem quer fazer jornalismo e tal. E isso funciona por decantação. Se você vai lendo essas pessoas, você vai se incorporando à sua forma de ver o mundo e tal. É a mesma coisa na música.

Então, não é o primeiro podcast que eu falo isso, eu sei que é uma mensagem um pouco esquisita, mas frequente o século XIX, com respeito à literatura, à música, é muito gostoso, além de tudo, é muito divertido, é muito gostoso, é uma época...

em que se tinha muita fé no que brotava de dentro do ser humano, né? Embora, claro, tenha um contexto de discussão política, né? Mas é muito a partir da visão pessoal. Inclusive, do ponto de vista da solidão é muito bom, né? São obras que você pode ler, elas se encaixam muito nos teus sentimentos, nas suas reflexões, nos teus dilemas. Isso acho que nunca foi igualado na história da literatura depois.

E uma obra em particular, essa pergunta é difícil, mas olha, agora esqueci o dia, mas eu vou num concerto de um amigo que se chama Ivan Vilela. Vai tocar na Catedral da Sé, uns concertos que acontecem de noite na Catedral da Sé em São Paulo, no nicho do coro, que é maravilhoso, a igreja é imensa, a catedral, ela fica toda apagada e tem uns concertos num nicho muito pequeno lá em cima, com música coral e música instrumental.

E eu vou recomendar o melhor disco desse violeiro de Minas Gerais, chama Ivan Vilela, é um disco que se chama Paisagens. Foi ganhador, num desses anos aí, do prêmio da PCA, da Associação Paulista dos Críticos de Arte, esse é um disco instrumental. E eu acompanhei Ivan Vilela numa turnê por...

Itália, Portugal, quando era um pouco mais jovem. E é interessante porque é uma viola caipira, instrumento popular do interior de Minas Gerais, Tajubá, mas com um acento muito erudito, lembra Bach muitas vezes. E eu acho que, de um modo não verbal, já que somos tão verbais, eu estou aqui falando há tanto tempo,

Esse tipo de música instrumental pode ser muito interessante para a gente, que é de um campo tão discursivo, tão cerebral. E é uma reconexação com o Brasil também, que eu acho que é importante. Eu recomendaria esse disco Paisagens, do Ivan Villarela. Passemos agora para as efemérides da semana que vem. A Semana na História

6 de maio de 1826, há 200 anos ocorria a primeira sessão legislativa da história do Brasil. É a data de início do atual Congresso Nacional. Na época era a Assembleia Geral Legislativa do Império do Brasil.

que era prevista pela Constituição. Começou os seus trabalhos em 1826, a Constituição de 1824, no caso, e desde o início ela tinha uma composição bicameral, com uma Câmara dos Deputados e uma Câmara dos Senadores.

Então, 200 anos do Congresso Nacional Brasileiro, que, claro, duvido muito que nós tenhamos algum compatriota satisfeito com o Congresso Nacional, feliz com o Congresso Nacional. O Congresso Nacional é fruto e origem de várias questões, de vários problemas brasileiros, mas ainda é uma instituição importantíssima e uma instituição necessária para um regime democrático. Então, 200 anos do Congresso Nacional Brasileiro.

E ficou um abraço para todos os nossos ouvintes que trabalham no Congresso Nacional. 3 de maio de 1926. 100 anos atrás, nascia Milton Santos, o maior geógrafo do Hemisfério Sul.

Exatamente, o Milton Santos, considerado por muitos o maior geógrafo do Brasil, você chegou a dizer do Hemisfério Sul, eu particularmente não tenho conhecimento suficiente para dizer isso, mas se você está dizendo, eu assino embaixo, e ele foi pioneiro, pensando no que você falou, ele foi pioneiro nos estudos de urbanização do chamado Terceiro Mundo.

e o início também da globalização. Inclusive, o termo globalização é a versão vulgar. Ele falava em inserção no sistema técnico-científico mundial. Ele foi professor da UFBA, foi professor da Sorbonne em Paris, só isso, o cara foi professor só da Sorbonne, da UFBA, da Colômbia e da USP. Só isso, dentre outras.

foi consultor de diversas organizações internacionais, escreveu dezenas de livros e é laureado com o principal prêmio da geografia, o Prêmio Internacional de Geografia, Votran Lude, que é o maior prêmio, como se fosse o Nobel da geografia, tá gente? E o Milton Santos, ele faleceu, infelizmente, em 2001, aos 75 anos de idade, porém, semana que vem seria o centenário dele.

esse gigante intelectual brasileiro, e não apenas brasileiro, vou usar o que você falou, do hemisfério sul, do globo, então fica aqui a nossa pequena homenagem, a gente que não costuma necessariamente colocar efemérides ligados a pessoas na Semana da História, porém o Milton Santos merece, e ele que era baiano. A gente falou da carreira dele, mas lembrar que ele era baiano de Brotas de Macaúbas.

Então, centenário de Milton Santos essa semana.

E na quinta-feira da semana que vem, completam-se 25 anos de quando Ronald Biggs deixou o Brasil e foi preso em Londres, em 7 de maio de 2001. O Ronald Biggs, que foi um dos famosos ladrões do roubo ao trem pagador de 1963, ele foi preso, fugiu da prisão em 65 e saiu do Reino Unido.

Foi primeiro para a Austrália, depois para o Rio de Janeiro, porque o Brasil não tinha tratado de extradição para o Reino Unido. Então, ele poderia ficar aqui no Brasil relativamente tranquilamente. Mesmo depois da assinatura do tratado de extradição, a Suprema Corte Brasileira chegou a negar essa possibilidade, porque falou, olha só, quando ele chegou aqui, não tinha tratado de extradição. Então, agora ele pode ficar aqui.

Porém, ele decidiu, por conta própria, voltar para o Reino Unido, mesmo sabendo que seria preso. Esse, por conta própria, teve muitos incentivos financeiros do tabloide The Sun. O The Sun bancou e pagou ele para ele voltar e ser preso.

E ele estava ficando sem dinheiro aqui e ele queria voltar para o país dele. Ele chegou no Reino Unido em 2001, foi preso, porém foi libertado em 2009 devido a sua idade e seu estado de saúde e morreu em 2013. Para quem quiser conhecer um pouquinho mais dessa história do assalto ao trem pagador, tem um Nerdologia Criminosos lá no YouTube, com o roteiro e locução meu sobre essa história, que é um caso muito curioso. O Ronald Biggs vira uma celebridade aqui no Brasil.

Inclusive, ele é pai do Mike, da turma do Balão Mágico. Sério? Sim. Nossa, eu não lembrava disso. É, o Michael Biggs, filho do Ronald Biggs.

E ele grava duas músicas por um filme sobre os Sex Pistols, inclusive. É, e ele fez também uma participação na música Carnival in Rio, da banda alemã Die Tottenhossen, que inclusive a gente já tocou aqui no Chadez Verbal. Pois é, foi uma vida bem pitoresca, pra dizer o mínimo. Bem, vocês ficam agora com o match no qual o Felipe observará o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio.

Bem, pessoal, a gente vai começar esse giro e acho que é o primeiro giro em dois meses, literalmente, que a gente não vai começar falando diretamente da guerra no Irã. Por quê? Pra mim, ao meu ver, a principal notícia da semana...

é o fato de que os Emirados Árabes Unidos anunciaram que, depois de 60 anos, deixarão a organização dos países exportadores de petróleo. A representação emiradense na OPEP antecede, de certa forma, até mesmo o próprio país, porque o Emirado de Abu Dhabi entrou na OPEP em 67 e os Emirados são formados em 71. E aí os Emirados incorporam essa...

essa adesão do Emirado de Abu Dhabi, que é um dos Emirados Árabes Unidos, como diz o próprio nome do país. E vamos lá, por que isso é importante, por que isso é bastante impactante e quais os impactos disso? A primeira questão que nós temos que levar em consideração, que nós temos que ter em mente, é que os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída...

a partir do próximo dia 1º de maio. Então, o país anuncia no dia 28 de abril que no dia 1º de maio vai deixar a organização. É um anúncio repentino e num prazo extremamente curto.

Isso indica que não foi uma decisão tomada de comum acordo entre os países membros, que foi uma decisão unilateral dos Emirados Unidos, que não é uma saída, é uma ruptura. Para dar um exemplo bem besta, bem singelo, imagina o nosso ouvinte, imagino que muitos dos nossos ouvintes alugam o local onde residem.

Imagine que o dono do imóvel fale no dia 28 de abril para você sair no dia 1º de maio. Você não vai ter uma boa relação com essa pessoa, com esse proprietário. Essa decisão talvez tenha vindo de uma relação ruim, mas de qualquer jeito é uma decisão que não é de uma boa relação e que te pega numa situação e te deixa desprevenido.

É muito diferente de um proprietário que vira e fala, olha só fulano, é o seguinte, daqui a dois anos eu pretendo vender esse imóvel, ou então daqui a dois anos eu pretendo retornar para esse imóvel, vou passar dois anos no exterior por algum motivo, vou voltar para esse imóvel. Então você tem, daqui a dois anos a gente vai ter que mudar essa situação, ou seja, você tem um prazo para se adaptar, para se planejar. Não, uma decisão anunciada no dia 28 de abril para vigorar a partir do dia 1º de maio.

E quando eu falo, então, como a ruptura não é fruto de uma transição, de uma coesão entre os países membros, aí entra o segundo ponto, que é, se trata de uma ruptura, um aprofundamento da ruptura, melhor dizendo, entre Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Esses dois países eram muito próximos, eram aliados, até 2021, basicamente. E essa aliança, ela começa a deteriorar, começa...

a ir para outros sentidos. Na perspectiva emiradense, na perspectiva dos Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita tratava o país como um subordinado, como um parceiro júnior, como o país menos poderoso, menos influente dessa relação. Então, os Emirados Árabes Unidos, segundo

a mentalidade dos Emirados, bom deixar claro, vai buscar, então, uma política autônoma, uma política altiva de acordo com seus próprios interesses. Já na visão da Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, na ânsia de rivalizarem com a Arábia Saudita pelo predomínio dentre as monarquias árabes do Golfo,

passou a apoiar grupos e ter relações, Caraba Saudita vê como uma ameaça aos seus próprios interesses. E nós temos...

dois exemplos muito claros nessa questão. O primeiro deles é o da guerra civil no Iêmen. Originalmente, tanto Emirados Árabes Unidos quanto a Arábia Saudita apoiavam o governo de Sana'á contra os popularmente chamados de rebeldes utis, apoiados pelo Ira. Eu já expliquei aqui várias vezes que o termo rebeldes utis acaba sendo um pouco... não revela corretamente a dimensão da questão e é basicamente uma retomada do conflito entre Iêmen do Sul e Iêmen do Norte.

Porém, dentro do conflito do Iêmen, como a gente também tem repercutido nesses anos, os Emirados Unidos passaram a apoiar o Conselho de Transição do Sul, que é um grupo abertamente separatista.

que defende o fim do Iêmen unificado e basicamente um retorno ao antigo Iêmen do Sul, enquanto a Arábia Saudita defende o governo de Sana'a por um Iêmen unificado. Por quê? Porque a Arábia Saudita não quer, como seu vizinho, um país de maioria xiita apoiado pelo Irã, que seria um país aliado do Irã, que seria o Iêmen do Norte dos UTIs.

além de não querer um país fracionado na sua vizinhança no sentido de, por exemplo, fluxo de refugiados, de questões econômicas, etc.

O outro grande exemplo disso é o exemplo óbvio, que é os Emirados Árabes Unidos, ao aderirem aos acordos de Abraão, vão se aproximar de Israel, especialmente no plano econômico, também no plano econômico, melhor assim dizendo, e a partir dessa relação com Israel, e eu cheguei a escrever sobre isso uns anos atrás, vão capitalizar essas relações com Israel em Washington.

Então agora os Emirados Árabes Unidos, para o governo dos Estados Unidos, são a monarquia árabe boa, entre aspas, são a monarquia árabe parceira, olha só, eles agora tem relações com Israel, tem voos entre os dois países, tem fluxo econômico, então os Emirados Árabes Unidos são os nossos parceiros na região, é com eles que nós devemos conversar.

Dessas tensões, nós tivemos outras rupturas, outros aprofundamentos. Também tenho comentado aqui nos últimos meses que nós temos a formação de dois eixos tripartites na região da Ásia Ocidental. Um deles é Índia, Emirados Árabes Unidos, Israel. O outro é Turquia, Arábia Saudita, Paquistão. Ou seja, rivais, especialmente a questão Paquistão e Índia.

Então, mesmo num campo estratégico, as disputas entre Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita têm se aprofundado. E Arábia Saudita é o país mais influente da OPEP. Arábia Saudita, não apenas pelo seu papel tradicional na OPEP, mas por ser o principal produtor de petróleo dentro da OPEP.

Lembrando que tem a OPEP+, que aí inclui, por exemplo, a Rússia, assim como o México. A OPEP, propriamente dita, gente, é Argélia, Congo, Guiné-Equatorial, Gabão, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Arábia Saudita e Venezuela. Está em ordem alfabética em inglês, que a lista eu estou lendo do inglês. E Angola, Equador, Indonésia e Catar já foram membros e saíram por variados motivos.

Então, a Arábia Saudita, ela não apenas tem as segundas maiores reservas da OPEP, mas ela tem, de muito longe, a maior produção da OPEP.

E a OPEP é, em bom português, um cartel dos países exportadores de petróleo que foi criado para contrabalancear o cartel das empresas produtoras de petróleo, especialmente empresas britânicas e dos Estados Unidos.

Você já deve ter ouvido falar, por exemplo, nas Sete Irmãs, etc. E claro, que hoje, em 2026, já não tem o poder e influência que tinham no contexto da Guerra Fria. E a OPEP também teve um papel geopolítico durante a Guerra Fria em vários momentos, cujo grande símbolo talvez seja o choque do petróleo pós-guerra do Yom Kippur ou guerra de outubro de 1973.

Então, a Arábia Saudita é o principal país da OPEP. É o país que lidera e que conduz as políticas da OPEP. Então, os Emirados Árabes Unidos saírem da OPEP, dá um golpe no prestígio saudita e permitirá agora...

que os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, expandam a sua produção e sua exportação de petróleo sem precisar seguir a política de cotas do cartel da OPEP, consequentemente os Emirados Árabes Unidos vão poder exportar mais e ganhar mais dinheiro nesse momento delicado energético global.

E a quem interessa isso nesse momento? Aos Estados Unidos. Tanto aos Estados Unidos como Estado, quanto ao Donald Trump como governo e provavelmente como pessoa, via das relações espúrias do seu círculo familiar com os Emirados Árabes Unidos. E por que eu digo isso? Primeiro, os Estados Unidos sempre quiseram enfraquecer a OPEP, desde o choque do petróleo em 1970. Porque a OPEP é...

Uma das pouquíssimas organizações globais que consegue atingir os Estados Unidos em setores estratégicos, especialmente manipulando o preço do petróleo. Então, os Estados Unidos sempre quiseram acabar com a OPEP, ou enfraquecer a OPEP. Segundo...

A maior produção dos Emirados Árabes Unidos, injetar mais petróleo na economia, em teoria, vai abaixar o preço do petróleo. Consequentemente, o preço dos combustíveis, consequentemente, diminuiu a inflação nos Estados Unidos, consequentemente, diminuiu os efeitos da guerra no Irã, iniciada por Estados Unidos e por Israel, e o Donald Trump consegue, então, amenizar as consequências das suas ações. E a gente já vai falar mais disso, claro.

Então, a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP é um evento, eu vou usar um termo que eu nunca, assim, todo evento é histórico, mas eu vou usar um termo num sentido que eu raramente uso aqui, tá gente? A saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP é um evento histórico, porque, novamente, é um país que está...

estava há 60 anos dentro da organização. É um dos poucos países cuja produção de petróleo vai conseguir realmente influenciar o mercado global.

A produção dos Emirados Árabes Unidos é, de certo modo, menos da metade da produção saudita, mas ainda assim é uma produção muito significativa e é uma produção, por exemplo, hoje muito maior do que a da Venezuela, devido à crise venezuelana da última década no setor.

Fazendo uma pesquisa meio de orelha no Google, os Emirados Árabes Unidos são o oitavo maior produtor de petróleo do mundo. Estados Unidos em primeiro, Rússia em segundo, Arábia Saudita terceiro, Canadá, Iraque, China, Irã, Emirados Árabes Unidos. Ou seja, é uma produção que, caso seja aumentada, caso a exportação seja flexibilizada, porque não vai ter mais que seguir as cotas da OPEP, porque a OPEP, como um cartel, vai estabelecer as cotas,

vai ter um impacto global e, novamente, é algo de interesse antigo já dos Estados Unidos e que vai ter um impacto também pelos anos seguintes. E indo mais além, é o seguinte, o anúncio veio...

durante um encontro de emergência do Conselho de Cooperação do Golfo, que inclui a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, em Jeddah, na Arábia Saudita, e nesse encontro de emergência, segundo algumas fontes na imprensa internacional, os Emirados Árabes Unidos estariam pressionando a Arábia Saudita e o Catar a se juntarem à guerra contra o Irã.

E aí eu vou lembrar para o nosso ouvinte, não chega a ser levantar a plaquinha do Eu Avisei ainda, mas eu vou lembrar para o nosso ouvinte que os Emirados Árabes Unidos, além de terem sido alvo dos ataques retalhatórios iranianos, além de ser um país do outro lado do Golfo, muito perto do Irã, os Emirados Árabes Unidos têm uma pendência territorial, uma disputa territorial com o Irã, que são as ilhas de Abu Musa, que além de serem uma disputa territorial, Não.

O controle dessas ilhas ajudaria, no caso dos Estados Unidos, a impedir o fechamento do Estreito de Hormuz num evento futuro. Então, nessa reunião, os Emirados Árabes Unidos teriam pressionado por isso, dizendo que os Emirados Árabes Unidos, inclusive, estariam sendo o alvo dos ataques, que os Emirados Árabes Unidos estavam tendo que carregar o fardo dessa guerra, e a Arábia Saudita, por outro lado,

teria rejeitado essa possibilidade na reunião e mantido a ideia de apoiar as conversas diplomáticas. O que chega a outro ponto? Porque recentemente eu falei aqui do fato de que a Arábia Saudita substituiu os Emirados Árabes Unidos como financiadores da dívida externa do Paquistão, do seu pacote com o FMI.

E, segundo o Financial Times, essa semana, os Emirados Árabes Unidos retiraram o seu financiamento do Paquistão, retiraram sua grana do Banco Central Paquistanês, como retaliação pelo Paquistão estar mediando a guerra. Ou seja, uma insistência, um desejo pelo aprofundamento do conflito.

E, novamente, eu também mencionei aqui, além da questão territorial, que as Forças Armadas Emiradenses, embora elas não sejam tão numerosas pelo tamanho do país, elas possuem equipamentos muito avançados, bastante dignos de nota, por assim dizer. Então, esse anúncio repentino, como uma ruptura dos Emirados Árabes Unidos e da OPEP, é uma notícia importantíssima.

É uma notícia que vai gerar impactos pelos próximos anos ainda e que atende aos interesses diretos dos Estados Unidos e, por outro lado, prejudica diretamente a Arábia Saudita.

E agora a gente vai, antes da gente falar das conversas de paz, a gente vai falar de energia ainda. E falando em energia, eu vou perguntar para vocês, se vocês sabiam que mais de 200 empresas chinesas já atuam no Brasil só no setor de energia?

E os investimentos chineses no país já ultrapassam 27 bilhões de reais. Esse cenário, então, significa oportunidades reais de mudança de carreira, de vida, oportunidades de trabalho em áreas como tecnologia, automotiva, mobilidade, energia, agronegócio, e-commerce e logística. Então, aprender mandarim pode ser um diferencial para a sua carreira e para você poder acessar esses mercados e novas posições.

E a nossa parceira, Academia Guhan de Mandarim, tem mais de 10 anos de experiência no ensino da segunda língua mais falada no mundo, é fundada por um professor brasileiro que tem mestrado em ensino de mandarim para estrangeiros, e como a gente sempre destaca aqui, ela tem uma metodologia desenvolvida especialmente para falantes de português, para brasileiros.

Isso sem falar em turismo, sem falar em você querer viajar e conhecer a China. E o mandarim já não é mais um diferencial distante. Hoje ele pode ser um passo estratégico para o seu currículo. E se você for lá na Academia Wuhan utilizar o cupom XADREZERBAL, você vai ganhar 10% de desconto nos planos anual ou trimestral. Então não perde essa oportunidade.

E falando em energia, a Agência Internacional de Energia, essa semana, afirmou que os danos à estrutura de produção de gás natural no Catar vão demorar dois anos para serem completamente recuperadas. Então, assim, pelos próximos dois anos, o mercado global de gás natural vai ser marcado por instabilidades e problemas de suprimento.

O preço dos combustíveis nos Estados Unidos atingiu seu maior preço nos últimos quatro anos. E sobre esse tema, recomendar uma leitura no britânico Guardian, uma matéria escrita por Rebecca Hatcliffe e Michael Nilsson, de Jakarta a Manila, o sudeste da Ásia busca a Rússia para suprir as deficiências de combustível e fertilizantes causadas pela guerra no Irã.

Então, fica a sugestão de leitura, uma leitura muito interessante sobre o mercado energético global e a questão dos fertilizantes, que a gente também tem sempre mencionado aqui, já que podemos ter, querendo ou não, uma insegurança alimentar como consequência do conflito no Irã. Agora, falando de negociações, tá, gente? É o seguinte, eu vou começar pelo fim, por quê?

Porque algumas horas atrás, eu não vou utilizar o termo hoje ou ontem, porque eu estou gravando na Nova Zelândia. Então, fuso bastante considerável, um fuso de 15 horas. Lembrando que são 24 horas, a metade é 12. Como um fuso pode ser de 15, me foge a compreensão. Porque, novamente, a metade de 24 é 12. Mas, enfim. Então, algumas horas atrás...

o Donald Trump postou uma imagem dele nas suas redes sociais, escrito No More Mr. Nice Guy, ou seja, ameaçando a retomada de ataques contra o Irã. E agora nós tivemos essa notícia sobre os Emirados Árabes Unidos. Então, se nós tivermos a entrada dos Emirados Árabes Unidos na guerra contra o Irã, pela questão de Abu Musa que eu já expliquei aqui, isso...

dá um outro contorno ao conflito. É uma escalada significativa. E nessa semana nós tivemos, por assim dizer, houve um rebaixamento das conversas. Em bom português foi o que aconteceu essa semana. O que eu quero dizer com isso? O ministro de Relações Exteriores do Irã estava no Paquistão esperando a delegação dos Estados Unidos.

O Donald Trump cancelou a viagem da delegação para o Paquistão, dizendo que eles não iam viajar 18 horas a troco de nada. E o ministro de Relações Exteriores do Irã, então, deixou o Paquistão, viajou para o Oman e para a Rússia, se encontrou com Vladimir Putin, e aí ele voltou para o Paquistão depois desse pequeno tour, digamos assim. Então, o Paquistão está...

trocando as informações, está transmitindo as mensagens, porém não estamos tendo conversas diretas. Um dos motivos que eu especulo que não temos conversas diretas é que o Donald Trump é um cara da mídia. A gente sempre fala isso aqui. Ele é um cara da mídia, um cara carismático. Por mais que você não goste dele, ele é um cara carismático especialmente para o público dos Estados Unidos. Especialmente na cultura dos Estados Unidos. Então...

ele é um cara que gosta do espetáculo. E uma delegação fazer um voo longo para chegar, conversar e voltar sem aquela foto sorridente, apertando as mãos ou com papel, não é um espetáculo. Não é a mídia, não é as relações públicas que o Trump gosta.

Então, as conversas foram rebaixadas para conversas indiretas, ou seja, trocas de propostas, trocas de mensagens intermediadas nos bastidores, especialmente pelo Paquistão. O Putin também disse que fará tudo pela paz em reunião com o Irã, o que não necessariamente é do interesse da Rússia nesse momento, esse tudo pela paz, porque alta no preço do petróleo beneficia a Rússia, e alta no preço do petróleo causado pela guerra contra o Irã.

segundo a imprensa internacional, no dia 28 de abril, o Irã teria enviado uma proposta para os Estados Unidos sobre o estreito de Hormuz, sem a questão nuclear envolvida. O Marco Rubio, no mesmo dia, disse que não toleraria o controle iraniano ou cobrança de pedágios no estreito de Hormuz.

Nesse meio tempo, o chanceler da Alemanha, no estilo dele, o estilo carisma menos mil, ele foi bem direto e disse que os Estados Unidos estão sendo humilhados pelo Irã, porque os Estados Unidos não tinham um plano de saída, e o Irã estaria conseguindo arrastar os Estados Unidos. Nesse contexto, inclusive, a Alemanha se comprometeu a enviar embarcações para ajudar a limpar as minas do Estreito de Hormuz, depois de um acordo.

Também segundo...

a imprensa internacional, a Marinha dos Estados Unidos teria bloqueado 38 navios que tinham direção ao Irã, ou seja, nós temos 38 navios de um lado do estreito que não consegue chegar no Irã, especialmente no Índico, lembrando que o Irã tem um porto importante no Índico, um porto com investimentos indianos, inclusive, e nós temos outros navios dentro do Golfo Pérsico sem conseguir sair do estreito de Hormuz, devido ao fechamento do estreito pelo Irã e ao bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos.

Então, temos essa proposta sendo discutida de forma indireta sobre o estreito. E a questão nuclear, então? Ela ficou completamente de lado? Ela ficou num segundo plano? Não necessariamente.

porque essa semana está ocorrendo a 11ª Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Como o próprio número indica, é algo comum, é algo recorrente. Porém, essa conversa está sendo muito importante por conta da questão do Irã.

por conta do fim do desarmamento nuclear, e pelo contrário, nós temos agora um risco de proliferação, e também a discussão da relação entre inteligência artificial e armamentos estratégicos.

O Antônio Guterres disse que o tratado de não proliferação precisa evoluir, ou seja, defender uma revisão de alguns dos aspectos do acordo. E nós tivemos uma questão muito importante nisso tudo, que foi o seguinte.

O Irã foi eleito como um dos 34 vice-presidentes da conferência. A conferência vai durar um mês, como são 191 países membros. Você tem todos esses vice-presidentes, cada um liderando grupos de trabalho ou comissões. Quem está chefiando a conferência é o representante do Vietnã. E os Estados Unidos, obviamente, não gostaram. Porém, o Irã conseguiu ser eleito. Repita, uma eleição.

Então, a questão nuclear ficou de fora das conversas entre Estados Unidos e Irã? Por que eu disse não necessariamente? Porque é muito provável que elas sejam conversadas no âmbito da ONU, durante a conferência de revisão do Tratado de Não-Proliferação.

Falando de outras notícias agora ligadas à guerra e toda essa questão, alguns ouvintes nossos devem se lembrar que eu sempre comento aqui sobre a questão dos idiomas no Oriente Médio. Normalmente, quando os líderes no Oriente Médio falam em inglês ou falam para outro público, eles estão enrolando. Quando eles falam no seu próprio idioma, é quando eles estão falando a verdade.

E o ministro da defesa de Israel, Israel Katz, ele disse que Israel está pronto para retomar a guerra contra a República Islâmica e aguardamos o sinal verde dos Estados Unidos para a completa eliminação da dinastia Khamenei. Ou seja, mais um sinal de tensão. Só que por que eu fiz esse preâmbulo? Porque a declaração dele incluiu a ameaça de mandar o Irã de volta à escuridão da Idade da Pedra.

E essa declaração foi omitida de algumas versões traduzidas do discurso, especialmente a versão publicada em persa, nas redes sociais, porque as autoridades israelenses têm redes sociais em persa.

para buscar alcançar as pessoas dentro do Irã. Então, tivemos esse trecho, um trecho nem um pouco diplomático, omitido de algumas versões. O Superyat Nord, que tem 142 metros de comprimento,

e quase 10 mil, mais de 9 mil toneladas de deslocamento, colocando assim, que é de propriedade de um bilionário russo chamado Alexei Mordachov, e a embarcação em si, ela teria custado mais de meio bilhão de dólares, cruzou o Estreito de Hormuz essa semana. Então isso provavelmente requisitou muito capital político.

Talvez alguns subornos em muitos setores envolvidos em tudo isso. Sobre o Bahrein e a questão das nacionalidades que a gente comentou recentemente, o Bahrein anunciou essa semana que cinco pessoas foram condenadas à prisão perpétua.

por terrorismo, por supostamente planejarem atentados terroristas ligados ao Irã, e 69 pessoas tiveram sua cidadania revogada por glorificarem ou simpatizarem com os ataques iranianos. Informação da agência Reuters. E, finalmente, o Irã retomou os voos comerciais a partir do aeroporto internacional de Teheran.

Agora eu quero falar um pouco de gastos militares, tá gente? Por quê? Porque nessa semana nós temos várias notícias sobre como os arsenais e as munições dos Estados Unidos estarão em baixas preocupantes. Então, por exemplo, nós tivemos...

Wall Street Journal publicando uma matéria dizendo que hoje os Estados Unidos não poderiam defender Taiwan de uma invasão chinesa, já que os Estados Unidos estariam sem munição antiaérea suficiente porque tiveram que usar contra os mísseis e drones iranianos.

também que os Estados Unidos teriam utilizado o estoque de mísseis de cruzeiro Tomahawk, que demorariam mais de 10 anos para ser totalmente suprido. E essas notícias são muito interessantes, são muito importantes, elas refletem uma realidade global, uma realidade que a gente já explicou aqui, que, por exemplo,

um drone iraniano de 20 mil dólares requeria um míssil de um milhão para ser interceptado, era uma guerra econômica, mas tem outro elemento que a gente precisa lembrar, que é esse discurso, especialmente na mídia dos Estados Unidos, vai ser utilizado na política dos Estados Unidos para justificar mais gastos militares e mais compra de armamentos. E nessa semana...

O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo, conhecido pela CIPRE, publicou seu novo relatório sobre gastos bélicos, que a gente repercute todo ano, e pelo 11º ano seguido tivemos um aumento de gastos militares pelo mundo. O mundo, em 2025, gastou 2,9 trilhões de dólares em armamentos.

Isso dá cerca de 2,5% do PIB global, o maior índice já registrado desde o início dessa série histórica pelo CIPRE desde 2009. 2014, que é o ano que começa essa alta, o ano da anexação da Crimea pela Rússia, estopim de uma crise de segurança que dura até hoje.

representando então uma virada de chave com os gastos europeus em defesa, fornecimento de armamento pelos Estados Unidos para a Ucrânia, depois veio o Donald Trump exigindo que os europeus gastassem mais em armas, e o pódio dos gastos militares globais são de Estados Unidos, em primeiro lugar, de longe, com 954 bilhões de dólares.

Segundo lugar, da China, com R$ 336 bilhões, e a Rússia, em terceiro, com R$ 190 bilhões. Se você somar os três, dá mais da metade dos gastos militares globais.

E tem uma coisa assim, que isso eu já comentei aqui algumas vezes, né? E alguns ouvintes podem se incomodar de eu estar falando gastos militares, né? E não investimento. Por quê? Porque o orçamento de defesa, ele vai também incluir salários, pensões, alimentação de pessoas, né? Dentro de um parâmetro razoável, claro. E...

Desde a Segunda Revolução Industrial, não dá para dissociar, no mundo que existe hoje, desenvolvimento econômico e desenvolvimento tecnológico da indústria bélica. Esse é o caminho que a humanidade adotou desde a Segunda Revolução Industrial.

no chamado complexo militar industrial, o termo do Dwight Eisenhower, presidente conservador dos Estados Unidos, que inclusive se relaciona com as relações, perdão da redundância, com as relações espúrias entre a indústria bélica e as autoridades políticas. Contratos vultosos, lobby da indústria armamentista,

contrabando de armas, tráfico de armas, o mesmo armamento sendo empregado por dois lados de um mesmo conflito, ou então por policiais e facções criminosas. O que importa é o dinheiro entrar. A empresa que faz o fuzil do criminoso é a mesma empresa que faz o fuzil do policial. E, novamente, essa perspectiva realista sendo bem breve, até porque é um assunto que a gente aborda aqui todo ano, infelizmente.

A perspectiva realista é, desde a segunda revolução industrial, desenvolvimento tecnológico e industrial está ligado à indústria bélica. Mesmo por mais realista que a gente queira colocar a abordagem, a gente tem que colocar um questionamento moral e ético.

E aí uma questão muito importante é que de 2024 para 2025, o aumento de gastos militares foi de 169 bilhões de dólares. Ou seja, só o aumento de gastos já seria suficiente para erradicar doenças. Lembrando que você ainda tem a malária, por exemplo. A malária é uma doença que poderia ser erradicada, que nem a varíola foi. Garantir a segurança alimentar de toda a população global, pelo menos por alguns anos.

Isso só o aumento de gastos, gente. E tem uma outra coisa, que mesmo dentro da interpretação realista, a gente não pode esquecer que o crescimento econômico, o desenvolvimento industrial via gastos militares, cria uma armadilha, já que esse armamento vai precisar ser utilizado em algum momento para manter o ciclo econômico ativo, para manter a roda girando.

É isso que o Adam Tuse, um dos principais historiadores econômicos, se não o principal historiador econômico do globo, fala e nos alerta na obra seminal dele, O Preço da Destruição, em que ele fala da Alemanha nazista. Em que aquela coisa, não, a Alemanha nazista se recuperou da economia, da humilhação e tinha emprego para todo mundo, e aquele discurso de protonase muitas vezes que utilizam.

mas isso está diretamente ligado à Segunda Guerra Mundial. Você não pode desconectar a recuperação econômica da Alemanha entre 1933 e 1939 da Segunda Guerra Mundial, porque foi uma recuperação econômica que veio via indústria bélica. E o cenário para os próximos anos ainda é mais sombrio. Os gastos militares de todo o mundo estão acelerando. Os novos orçamentos dos Estados Unidos e dos países da União Europeia trarão saltos gigantescos de gastos militares.

E isso, assim, eu estou sendo breve e estou focando em apenas alguns países. A gente pode falar de outras situações absurdas, como, por exemplo, o caso de que a Ucrânia, por ter sido invadida em 2022, tem que gastar 40% do seu PIB em temas militares. E aí a gente lembra do mundo que existia antes disso, que é o chamado dividendo da paz. Porque não existe...

baú sem fundo, não existe dinheiro infinito, não existe cheat code de dinheiro infinito. Então, para o dinheiro ir para os gastos militares, ele está deixando de ir para outros temas prioritários.

Então, em vez de estarmos desenvolvendo saúde, bem-estar social, exploração científica, exploração espacial, exploração dos mares, expansão do conhecimento, nós estamos gastando em nos matarmos. Em bom português é isso. Eu tenho uma crença quase, talvez, ingênua,

que os nossos descendentes, daqui a algumas três, quatro, talvez mais gerações, vão olhar para trás e achar que nós éramos seres primitivos, porque essa é a perspectiva otimista do universo de jornada nas estrelas, inclusive. Mas então tivemos o relatório do CIPRE.

E as regiões, pensando em regiões do globo que mais puxaram os gastos militares, estamos falando de Ásia e Oceania, ou seja, Oceano Pacífico, essa grande fronteira geopolítica do século XXI que a gente também sempre tenta colocar aqui.

Começando um giro por outros países, outras regiões, nos Emirados Árabes Unidos uma investigação revelou que líderes das milícias sudanesas adquiriram mais de 17 milhões de euros em propriedades em Dubai. Por que será? Será que os Emirados Árabes Unidos são os principais financiadores desses grupos no Sudão? Jamais saberemos.

No Iraque, o novo primeiro-ministro do país é o Ali Al-Zaidi, nomeado pela Aliança Shiita, e ele tem gerado um debate, ele seria um nome pró-Irã. Inclusive, ele é um banqueiro, e o banco dele, o Al-Janub Islamic Bank, é sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos por supostamente ter elos com o Irã.

Já na Síria, eu quero trazer três coisas. A primeira delas é que essa semana começou o primeiro julgamento público de integrantes do governo Assad por crimes contra a população síria, começando pelo Atef Najib, que era o general na província de Daraa, no início dos protestos, em 2011, na chamada Primavera Árabe.

quando aquelas crianças, aqueles adolescentes, enfim, jovens, agora eu não lembro exatamente a faixa etária deles, volta de 13, 14 anos, acho, que eles fizeram um grafite, uma pichação anti-Assad no muro da escola deles e foram presos e torturados por ordem desse general, dentre outros crimes que ele cometeu. Então agora o julgamento começou inclusive dele.

As outras duas notícias têm ligação com Israel. A primeira delas é que o jornalista israelense Amit Segal, que é um jornalista da extrema-direita israelense, ele é basicamente um porta-voz extra-oficial dos colonos.

ele é um cara próximo do material, inclusive, ele publicou um longo texto sobre como o Al-Shara, ou Al-Jolani, o novo presidente da Síria, está colaborando com Israel para sufocar a linha logística do Hezbollah.

E nesse texto ele basicamente afirma que o Al-Shara só chegou ao poder graças ao apoio israelense. E ele inclusive diz que o Al-Shara estaria devolvendo, pagando o favor israelense hoje ao cooperar com Israel contra o Hezbollah.

Achei uma leitura interessante e, repito, devido a essas credenciais, muito provavelmente essa é uma visão, ou é baseada em fatos que ainda não são públicos, ou é pelo menos, no mínimo, uma visão compartilhada em alguns setores do governo israelense. E a outra notícia é que...

Na região de Cunaitra, na Síria, que está ocupada por tropas israelenses, colonos israelenses ultra-ortodoxos já estariam se movimentando para tentar estabelecer assentamentos na região.

Já no Líbano, tivemos novos ataques israelenses contra o país, apesar do suposto cessar-fogo. As autoridades israelenses, inclusive, ordenaram o esvaziamento de 16 cidades do sul do Líbano, mas ao norte do Rio Litane, ou seja, são regiões onde o Hezbollah já não é mais tão presente.

E, dentre esses ataques, nós tivemos dois cidadãos brasileiros sendo mortos por um ataque israelense. Mãe, filho, o pai era libanês, também foi morto nesse ataque. O governo brasileiro expressou condolências aos familiares e reiterou a mais veemente condenação aos ataques.

Então, mais brasileiros mortos por Israel no Líbano nesses anos. E, finalmente, sobre Israel...

Vocês devem se lembrar que a gente repercutiu aqui o fato de que um soldado israelense destruiu a Marretadas uma imagem de Jesus Cristo no sul do Líbano e na vila de Debel. E as Forças Armadas Israelenses forneceram uma imagem nova como pedido de desculpas, etc. Lembrando que esse soldado, inclusive, pegou 30 dias de cana é uma pessoa semENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENEUENE

especialmente pelo fato de que a ação dele deixou uma imagem muito negativa do governo israelense perante um setor, perante uma comunidade que...

O governo israelense preza muito e muitos deles apoiam Israel por um filosemitismo, que são algumas igrejas neopentecostais, algumas igrejas evangélicas pela América Latina e no sul dos Estados Unidos. E os residentes da vila retiraram a imagem que havia sido fornecida pelas Forças Armadas israelenses e colocaram agora uma nova imagem idêntica anterior.

e ela foi em cooperação com as tropas italianas que fazem parte da Unifil. Então, é tanto um gesto católico, porque imagino que muitos desses soldados italianos presentes ali são católicos, como também uma alfinetada do governo italiano em relação ao governo israelense nesse contexto atual.

E para quem quiser conferir, para quem quiser, quem estiver duvidando, achando que estou inventando tudo isso, as informações são do jornal israelense conservador Jerusalem Post. Então, Libanistown e Unifil replaced EIDF gifted Jesus statue with replica of crucifix smashed by soldier. Indo agora para Israel.

Justamente, a Suprema Corte do país ordenou que ultra-ortodoxos que recusem o serviço militar obrigatório percam os benefícios sociais, alguns dos benefícios sociais. E aqui é bom lembrar algumas coisas. A primeira coisa é que...

O serviço militar dos ultra-ortodoxos é o grande tema da sociedade israelense, da política israelense, tem basicamente uma década, talvez um pouco mais. Porque inicialmente essa comunidade foi isenta do serviço militar na fundação de Israel, porque era uma comunidade muito pequena. Hoje eles são basicamente 15% da população, é uma das camadas demográficas que mais cresce no país.

E eles não precisam servir o exército. E o serviço militar é obrigatório para homens e mulheres em Israel. O primeiro serviço é de três anos e todos eles passam por convocações frequentes até os 45 anos de idade, no mínimo.

Então, muitas pessoas na sociedade israelense têm um ressentimento dessa isenção, no sentido de que, porque o meu filho tem que fazer algo e o filho dele não, só porque ele é outro ortodoxo, só porque ele é religioso. E esse debate se intensificou a partir dos anos 1990, quando nós tivemos uma grande leva de judeus da ex-União Soviética, que migraram para Israel, trazendo, embora se identificando como judeus, a maioria deles seculares, ou até mesmo alguns ateus,

e que vinham da ideia de uma sociedade...

igualitária, e também vão ter que passar por verem os seus filhos no serviço militar obrigatório, enquanto o filho do ultra-ortodoxo não precisa servir. Então, esses, e aí eles, o principal líder político desse setor, é o Lieberman, já falei aqui dele algumas vezes, quando nós tivemos eleições em Israel, nos programas desses anos todos,

pressionaram para esse assunto. E o segundo fator que é muito importante de destacar, gente, que é o fato de que a maior parte dessas comunidades de ultra-ortodoxos recebem extensos benefícios do Estado.

isenções fiscais subsídios educacionais programas de transferência de renda todo esse tipo de coisa e muitos deles inclusive não trabalham

na ideia de que a função deles é religiosa na sociedade. Algumas, na maioria das famílias ortodoxas, eles recebem mais benefícios do governo do que eles pagam em impostos ou geram em serviços.

Então, é o crescente déficit fiscal em Israel representado por essa comunidade. Então, a Suprema Corte concluiu que o ultra-ortodoxo que recusaram o serviço militar, então, ele também pode perder parte desses benefícios estatais. Ainda sobre Israel.

Dois principais líderes da oposição Netanyahu anunciaram que vão disputar as eleições desse ano em conjunto. O Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro, e o Yair Lapid, ex-primeiro-ministro barra primeiro-ministro em alternância com o próprio Naftali Bennett, inclusive. Eles anunciaram que vão formar a coalizão juntos, liderados pelo Naftali Bennett. Não vai ser em alternância.

uma das principais plataformas deles é justamente contra a isenção do serviço militar obrigatório para outros ortodoxos, e assim, muitas pessoas na imprensa brasileira vão falar, vão tratar eles como oposição Netanyahu. O Yair Lapid já chegou a ser classificado na imprensa israelense como um cara de esquerda, por exemplo. Não são, ambos são de direita. O Yair Lapid de uma centro-direita, uma direita mais liberal, o Naftali Bennett, ele é...

muitíssimo parecido, ideologicamente falando, e também na sua carreira ao Netanyahu. Então, ele inicia a sua carreira militar nas forças especiais, se destaca nas forças especiais, o Netanyahu vai direto para a carreira política, o Naftali Bennett vai primeiro por uma carreira...

na indústria da informática, depois entra na política como braço direito do próprio Netanyahu, ele tem visões ideológicas idênticas, a diferença é que ele não tem pendências de corrupção na justiça. Então assim, o Naftali Bennett é oposição ao Netanyahu? É. É uma oposição ideológica ou o governo dele vai ser tão diferente assim do governo Netanyahu? Muito difícil, quase impossível que não.

E tem um outro elemento nisso tudo que eu não duvido que o Naftali Bennett, caso se torne o primeiro-ministro, caminhe no sentido de uma pizza para os casos do Netanyahu de corrupção e isso seja deixado de lado. Mas isso a gente vai ver mais para frente.

outras notícias sobre a política interna israelense o Bezaló Smotrit, o ministro das finanças ele disse em uma entrevista ao Jerusalem Post que o avanço dos assentamentos ortodoxos na Cisjordânia tem total apoio do governo dos Estados Unidos ou seja, contrariando as mensagens públicas tanto do governo Trump quanto do governo Netanyahu mas falando a verdade

E tem mais duas notícias que eu quero compartilhar com vocês. Uma delas é que uma organização chamada Judaísmo Progressista, que representa um terço das sinagogas do Reino Unido, soltou um comunicado essa semana dizendo que a direção de Israel representa uma ameaça existencial ao judaísmo como um todo.

e eu achei essa notícia interessante, primeiro porque além da relação, da discussão da relação entre as comunidades judaicas, nacionais e Israel, usa o termo ameaça existencial, que foi um termo que a gente discutiu aqui nos últimos três programas, dois ou três, não me lembro agora.

E a outra notícia, que é uma notícia que eu não vi chegar na imprensa brasileira, e qual é essa notícia? Que começou na imprensa israelense e depois chegou na imprensa internacional. Um homem chamado Alex Sinclair, que é um homem judeu israelense, ele estava utilizando uma kippah.

A kippah é aquela pequena cobertura de cabeça, tradicionalmente usada por homens judeus, para cobrir a cabeça, que simboliza a reverência a Deus. Alguns usam apenas no sábado, outros usam apenas na cenagoga, outros usam todos os dias, enfim, você tem variações. Mas voltando, um homem chamado Alex Sinclair, ele estava em um café em Modim, e aí

a cidade onde ele reside, em Israel. Repito, ele é um homem judeu, cidadão israelense. Ele estava utilizando uma kippah que tinha bordada a bandeira israelense e a bandeira palestina. Alguém chamou a polícia, a polícia abordou esse homem, a polícia tirou a kippah da cabeça dele e a polícia cortou a bandeira palestina da kippah dele.

Isso está na BBC, isso está no site Maco. A BBC, inclusive, fez uma matéria bastante extensa sobre esse caso. Então, vou repetir. A polícia parou um homem judeu e profanou a quipá dele. Isso seria uma notícia absurda em qualquer lugar do globo. Porém, como aconteceu num contexto em que a polícia israelense

fez isso para tirar a bandeira palestina da quipá de um homem, a repercussão foi muito menor. Não estou dizendo que não teve repercussão, tanto que eu estou citando a BBC aqui, um dos principais veículos do mundo. Mas eu tenho certeza que muitos dos nossos ouvintes sequer ficaram sabendo dessa notícia. E é um ato de violência, tanto física, quanto religiosa, quanto nacional.

E assim, é difícil até de comentar. E é um ato que é muito curioso, porque foi cometido pela polícia israelense. Mas esse ato, se fosse cometido por qualquer autoridade policial em qualquer lugar do globo, seria corretamente, inclusive, taxado de antissemita. Então é uma notícia extremamente problemática e que acho que vale ser repercutida.

Indo para Gaza, a situação de abastecimento de água potável na região está cada vez mais agravada devido aos ataques e ações israelenses, incluindo ataques que mataram dois motoristas de caminhões pipa e os Médicos Sem Fronteiras, em um relatório, afirmam que o Israel usa privação à água como arma de guerra e com a destruição de estruturas essenciais.

E aí vamos lembrar, a água é essencial à vida. Se você priva a água de uma população, algo essencial à vida, você está impedindo as condições de vida desse grupo. Impedir as condições de vida de um grupo nacional está num texto e aí vamos fazer um texto.

num documento chamado Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. É uma política genocida. É um ato genocida.

Não tem outra explicação. Não tem outra definição para isso. E falando nisso, a ex-vice-secretária de Estado dos Estados Unidos, Wendy Sherman,

que serviu sobre o presidente Joe Biden, ela disse numa entrevista que Netanyahu nos liderou por uma estrada, e nós também fomos parte disso, que, em essência, criou um genocídio em Gaza. Então, fazer um meia-culpa anos depois do governo Biden não adianta muita coisa.

Vamos agora sair de Gaza e falar de maneira mais abrangente da Palestina, já que tivemos as eleições locais do último dia 25 de abril, as estatísticas completas, os resultados completos ainda estão por ver, o partido que obteve mais vitórias foi o Fatah, que é o principal partido da Autoridade Nacional Palestina, é o partido do Mamoud Abbas, porém, todavia, entretanto, mas...

As principais vitórias na Cisjordânia vieram de candidatos independentes. Isso é algo importante, algo interessante, e quando tiver os números finais, a gente vai analisar aqui. A eleição foi no último dia 25 de abril.

então apenas alguns dias atrás e ainda não temos os números finais, pelo menos eu não encontrei. E finalmente a Eslovênia anunciou que durante a realização do Eurovision, o país, a principal emissora do país, vai transmitir filmes sobre a Palestina em protesto à participação israelense no Eurovision esse ano. Certo?

Bom, passemos agora para o cheque, no qual eu e a Fernanda daremos aquele tradicional peão pela nossa quebrada latino-americana. Cheque!

Marinha mexicana prende el jardineiro, um dos homens fortes do cartel Jalisco Nueva Reneração. E para comentar esta e outras notícias da nossa quebrada latino-americana, temos novamente a presença de Fernanda Simas aqui conosco. Olá, Matias e olá a todo mundo que está ouvindo a gente. É um prazer novamente.

Bem, e depois da morte do Mencho, o jardineiro era apontado como possível sucessor da organização criminosa, que atua ali principalmente na costa do Pacífico, no México, e ele tinha inclusive uma recompensa de até 5 milhões de dólares em relação ao seu paradeiro. E acabou sendo...

detido pela Marinha Mexicana anteontem, segunda-feira, dia 27 de abril, em mais um golpe para um dos principais cartéis mexicanos.

Exato. Ele já tinha sido preso em 2016, ainda sob o governo do Henrique Penha Neto, mas na ocasião os advogados conseguiram soltá-lo poucos dias depois. E nessa operação foram 19 meses que as autoridades mexicanas seguiram o jardineiro até encontrarem, conseguirem prendê-lo. Ele tinha mais de 60 seguranças e mesmo assim as equipes mexicanas conseguiram prendê-lo.

Isso leva agora mais incerteza justamente ao processo sucessório do cartel, né? E justamente as regiões em que o cartel é mais presente, que é Nairit, Guerreiro e Morelos. E justamente em Morelos ele comandava o cartel. Então eu acho que agora vai ter mais desafio para a segurança, né? A Cláudia Chembao se pronunciou.

Ela ainda não falou se ele vai ser enviado aos Estados Unidos como foi feito com outros narcotraficantes, mas eu acho que toda essa incerteza pode gerar mais desafios de segurança para o governo Sheinbaum, mas também é uma sinalização aos Estados Unidos, que vinha falando muito e até prevendo a questão de ingerência em território mexicano por conta do narcotráfico. Então é um recado, essa operação vira um recado do governo.

que dizendo que o México está fazendo aqui o trabalho, a gente não precisa que os Estados Unidos venham até aqui fazer o nosso trabalho.

E ainda em relação ao México, a gente segue repercutindo o caso da morte de dois agentes da CIA na semana passada, que a gente chegou a noticiar, porém esse caso segue se desenrolando no México, inclusive a governadora do estado de Chihuahua, que foi onde aconteceu a morte dos dois agentes, lembrando que foi num acidente de trânsito.

Foi chamada no Senado mexicano pela bancada do Morena, ela que faz parte da oposição, ela é do Partido de Ação Nacional, para depor e poderia inclusive enfrentar um julgamento político que tem como pena máxima 40 anos de prisão por conta de traição, porque foi uma operação estadual.

e que não foi avisada ao governo federal. Então, é por conta disso que os senadores do Morena, que é o partido governista a nível nacional, convocaram a governadora Maru Campos, que está já no final do seu mandato, para testemunhar no Senado, e ela se recusou. Então, é um caso que vai seguir aí nas próximas semanas.

Com certeza. A gente até repercutiu aqui na semana passada que a Sheinbaum, ela logo falou que ela cobraria as autoridades do Estado e as autoridades americanas, porque realmente você ter uma operação com um agente da CIA sem o conhecimento é até vergonhoso para o presidente do México. E ela tem tido uma postura muito firme em questão de relações internacionais, enfim. E eu acho que é realmente um caso que não vai ficar no esquecimento.

Inclusive, ainda nesse contexto dessa crise diplomática, o embaixador americano no México, o Ronald Johnson, ele criticou a corrupção entre funcionários mexicanos, falando que, enfim, os Estados Unidos às vezes precisam agir justamente por conta da rede de corrupção que existe no México.

E o México reagiu, pediu provas aos Estados Unidos após essas falas de Washington. E, inclusive, existem reportagens mostrando que o Johnson seria considerado um líder de uma campanha anticorrupção do governo Trump contra funcionários mexicanos acusados de vínculos com narcotráfico. E o detalhe é que muitos deles pertencem ao Morena. Então, de fato, existe uma questão política e um discurso que ganha força, que é esse discurso anticorrupção, como a gente vê em outros países.

antiterrorismo, que também tem a questão da anticorrupção no México. Então é mais um elemento que está linkado com o primeiro tema que a gente falou de México, da importância dessas operações militares e da Claudia Ximbal se posicionar sobre as atividades, enfim, as ações que o governo está tomando no país.

E aí eu queria deixar aqui, Matias, uma recomendação, que é uma matéria do El País, que trata de um assunto que a gente já trouxe aqui, que é aquela coleção de arte Gellman, que tem os quadros da Frida Kahlo, Diego Rivera, enfim, e que seriam dados ao Banco Santander. Essa questão se tornou uma questão de Estado, a Cláudia Schembaum foi cobrada, e o El País fez essa matéria que conta o caminho das obras até o embrólio atual.

Então eu deixo aqui para quem quiser. E o nome da matéria é As Múltiplas Vidas da Coleção Gelman. Uma questão de Estado e a garantia de crédito bancário.

Do México, vamos agora para El Salvador, já que, de acordo com o informe anual da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a CID, publicado na sexta-feira passada, mostrou que das 23 recomendações formuladas em 2024, vinculadas a garantias do direito no regime de exceção salvadoreño, nenhuma foi cumprida ano passado.

Enfim, mais uma prova de que a protoditadura do Naíbe Bukele está realmente cagando para os direitos humanos. Com perdão do meu português. Não surpreende, né? Uma notícia que não nos surpreende, mas é isso. É mais um elemento que a gente vai colocando nessa balança.

De El Salvador, vamos agora para Cuba, já que segue a crise humanitária na ilha por conta do bloqueio estadunidense ao combustível.

A Folha está com um repórter em Havana, e aí eles estão trazendo algumas matérias muito interessantes, e tem uma matéria que fala, estão nos matando aos poucos, diz o cubano que precisa de tratamento para hipertensão. Aborda um pouco a questão da crise e o impacto da crise na área da saúde, que é uma das áreas que o governo cubano se orgulha. Então a gente não pode esquecer, quando a gente vê o impacto, principalmente na educação,

na saúde, isso atinge o governo cubano de uma forma diferente. Então, vale a leitura, é muito interessante, ele cita aqui a questão das farmácias clandestinas que importam remédios e itens de higiene, que acabam sendo a única alternativa a muitos hospitais da ilha. Acho que a crise realmente está afetando o dia a dia de uma forma até pior do que foi o período especial em Cuba.

E ainda sobre a ilha, Cuba é o país da América Latina que mais cedeu recrutados para a guerra na Ucrânia. A gente já tinha comentado em outras oportunidades dos colombianos e de brasileiros, mas agora tem esse dado de que muitos cubanos estão viajando para o leste europeu para atuarem como mercenários de guerra.

Exato. A inteligência militar da Ucrânia colocou um número de 20 mil cidadãos cubanos que foram contratados pelo exército russo. E a média de sobrevivência é de 150 dias desses estrangeiros que atuam na guerra. Cerca de 150 dias desde que eles chegam.

ao campo de batalha. E aí, alguns cubanos foram escutados por essa reportagem do El País e eles falam que em Cuba o dinheiro e a vida são terríveis, enfim, e que muitos cubanos se interessam por ir para a guerra, poder receber uma quantia considerável e, de repente, tentar mudar a vida da família.

A gente segue na bacia do Caribe, vamos agora para a Venezuela, já que Gustavo Petro fez a primeira visita de um presidente pós-queda de Nicolás Maduro. O Petro foi até a Venezuela e ele fechou diversos acordos de cooperação na área de segurança.

com o governo da Delci Rodrigues, era o alvo principal das conversas. E, principalmente, a declaração que eles deram é de fazer uma abordagem séria e concreta no combate aos grupos criminosos transnacionais. A gente não pode esquecer que, principalmente na região de Catatumbo, você tem o epicentro de uma guerra entre grupos armados que disputam.

esse território que é estratégico e rico em minerais e petróleo. E se a gente for pegar os dados, em pouco mais de um ano, desde que o conflito na Colômbia se agravou, as ações violentas nessa região levou a um deslocamento de cerca de 100 mil pessoas nessa região de fronteira entre Colômbia e Venezuela. É um grande desafio, isso ganhou muita atenção lá em 2016 com os acordos de paz.

feitos entre o governo da Colômbia e as Farc, porque jogou luz para esses pontos de atrito e colocou ali a questão da fronteira como um ponto principal do conflito, justamente pelo livre trânsito que alguns grupos tinham entre os dois países. Essa também foi uma viagem que o Petro aproveitou para...

se distanciar, de certa forma, do Nicolás Maduro. A gente via uma relação de proximidade entre a Venezuela e a Colômbia ao longo dos anos, que foi interrompida de acordo com questões políticas, mas, se a gente for falar especificamente do Petro e do Maduro, quando o Petro chega ao poder, ele distensiona as relações com a Venezuela, se aproxima, retoma relações diplomáticas, mas, com a eleição fraudada na Venezuela, ele se distancia.

E aí agora ele até chegou a falar nessa visita que ele nunca foi amigo, de fato, do Nicolás Maduro. Ele inclusive reabriu as fronteiras que ficaram fechadas durante um bom tempo, principalmente na gestão do Ivan Duque. Mas assim como o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve um distanciamento em relação ao Nicolás Maduro.

Lembrando que nem o Petro e nem o Lula reconheceram os resultados eleitorais que deram o Maduro como vencedor em 2024. E falando da atual administração venezuelana, a Delci Rodrigues será convidada pela Espanha para participar da cúpula ibero-americana em novembro.

A Delcy continua sancionada pela União Europeia, então em tese ela não pode fazer essa viagem, mas a Espanha pediu que as sanções sejam levantadas. Sanções que elas foram adotadas em julho de 2018 e continuam até hoje.

E ainda falando da queda de Nicolas Maduro, os Estados Unidos prenderam um sargento envolvido na abdução do ex-presidente venezuelano, porque ele apostou...

na captura do Maduro e ganhou cerca de 400 mil dólares, né? No caso, o sargento das Forças Especiais, Granon Ken Van Dyke, né? E essa notícia veio a público na quinta-feira da semana passada, a partir da Secretaria de Assuntos Públicos do Departamento de Justiça estadunidense.

A gente tem visto, Matias, muitas informações e muitas suspeitas dessa questão de insider information dentro do governo Trump, inclusive de declarações do próprio presidente, que ele daria determinadas declarações justamente na sexta-feira para tentar movimentar os mercados. Então isso tem sido investigado pela imprensa americana.

E essa questão é óbvia disso, né? Ele sabia, né? O sargento sabia de toda a operação, todos os detalhes. Então, não tinha nem como ele se disse inocente, mas é óbvio que a gente sabe que não é. É, ele criou uma conta no final do ano passado, no Polimarket.

E de 27 de dezembro até 26 de janeiro, ele realizou 13 apostas e todas relacionadas à mudança de regime na Venezuela.

Contudo, ele se declarou não culpado em relação a essas acusações. Da Venezuela, vamos agora para a Colômbia, já que tivemos um ataque terrorista, o maior das últimas décadas, que ocorreu no sábado passado na Via Pan-Americana, nas proximidades do município de Carrabio, no departamento de Calca, numa região conhecida como El Túnel. É muito bom, né?

E foi um ataque com um cilindro cheio de explosivos lançado por uma das dissidências das Farc, de acordo com o exército colombiano. Até o momento foram confirmadas 20 mortes e mais de 30 pessoas feridas. E isso acabou aumentando o debate em relação...

a violência na Colômbia e o presidente Gustavo Petro declarou que são terroristas, fascistas e narcotraficantes, enquanto que a candidata presidencial pelo Centro Democrático, a Paloma Valência, que é senadora pelo departamento...

do Cauca condenou a onda de violência no sul-ocidente do país e apresentou uma proposta de militarizar a via entre Cali, no Vale do Cauca, e Popaiã, no departamento do Cauca. São dois departamentos com nomes muito parecidos, mas são limite que eu fiz ali, justamente no sudoeste do país.

Lembrando que a pena americana liga a Colômbia e a Venezuela ao resto da América do Sul. É uma via muito importante. Essas explosões atingiram diversos veículos e, de fato, retomaram com força o debate no noticiário colombiano sobre a questão do narcotráfico, a questão das guerrilhas, dos grupos armados no país. E a própria Paloma Valencia também aproveitou a oportunidade.

para descarregar em cima do governo Petro. E falou que esse é um governo cúmplice dos violentos, que os deixa livres, justamente para que façam festas nas prisões e que saiam colocando bombas e assassinando as pessoas.

O Ivan Cepeda, que é o candidato do governo, ele continuou a campanha, ele tem feito algumas promessas, enfim, na área de segurança, mas ele não parou a campanha dele depois desse ataque, ele até foi criticado por conta disso. E o Abelardo de La Espriella, que é o candidato da extrema-direita, e ele inclusive é um advogado penalista, eu acho que é legal lembrar isso aqui,

E um candidato independente também, né? Exato. Quanto a Valência tem o apoio do padrinho político e que está presente em todos os momentos, o Álvaro Uribe Vélez, o Abelardo concorre de forma independente e ele também criticou o governo e falou que o país está entregue ao narcoterrorismo. Prometeu que o objetivo militar no eventual governo dele seria justamente ter uma postura mais enérgica.

contra esses grupos, para que eles não disseminem o medo, o terror e a carnificina no território colombiano.

E a embaixada estadunidense também se manifestou na segunda-feira, se solidarizando com a Colômbia e condenando a recente escala terrorista. Interessante o termo usado, porque a Colômbia vive uma situação de violência com organizações catalogadas como terroristas há bastante tempo. E nesse sentido, justamente a jurisdição especial para a paz, a JEP, que foi...

criada em 2016, depois do acordo do governo Juan Manuel Santos com as Farc, já havia feito um levantamento de que entre 2002 a 2008 foram cerca de 6.400 execuções de civis, conhecidas como...

falsos positivos, porém, nesta terça-feira, o presidente da GEP, o Alejandro Ramelli, informou que o tribunal recebeu informação de novas fontes e ampliou o período de análise entre 1990 a 2016, chegando a um novo número de quase 8 mil vítimas civis por forças militares nesses 26 anos.

com o apoio dos Estados Unidos, principalmente no contexto do Plano Colômbia. Então, acho graça a embaixada dos Estados Unidos falar de solidariedade quando ela apoiou ações desse tipo. Exato, e o próprio Álvaro Uribe esteve envolvido e sofreu processos por conta da situação dos falsos positivos.

E aí, fazendo um resumo dessa questão da violência em 2026, a Colômbia somou 48 massacres até abril deste ano e foram ao menos 229 mortos. A violência está espalhada por todo o país. Esse relatório cita Guarira, Narinho e Putumayo, que fica na região amazônica.

E é interessante porque foi justamente em 2016 que a metodologia para avaliar o que era um massacre na Colômbia mudou. E ela passou a tratar como casos que um ator armado ou mais, enfim, matem três ou mais civis. Então a gente vê o tamanho da violência que está na Colômbia atualmente, como isso vai influenciar a campanha presidencial.

e já está na boca de todos os candidatos. E aí só um detalhe, os analistas colombianos estão dizendo que esse cenário do aumento da violência, que a gente falou até agora que a embaixada americana comentou, eles não atribuem isso especificamente ao cenário eleitoral conturbado, que é um tema que a gente vem trazendo.

mas justamente a crise do conceito de paz total que vem sendo trabalhado nos últimos 10 anos. E aí o que os analistas explicam é que a lógica desses grupos armados é justamente quanto mais civis eu atacar, mais eu vou conseguir atacar o próprio Estado. Então por isso que a gente vê esse crescimento, e aí óbvio, em época eleitoral, isso aumenta por conta da vontade desses grupos de inclusive influenciarem no resultado eleitoral daqui a um mês.

E falando justamente das eleições que ocorrerão no dia 31 de maio, as últimas pesquisas apontam um crescimento do candidato governista, o Iva Cepeda, do Pacto Histórico, no qual ele chega, inclusive, próximo dos 45% da intenção de voto, dependendo do Instituto de Pesquisa. E...

Se nota justamente esse crescimento da candidatura do Ivo Acerpeda após a desistência da Clara Lopes, que era candidata pela Esperança Democrática e acabou largando a corrida presidencial no começo desse mês de abril.

se nota aí uma transferência de votos que iriam para a Clara Lopes, indo para o Ivan Sepeda. Então, existe esse crescimento por conta disso, mas também pela postura do candidato em contraste com justamente a Paloma Valência, que é vista como a afiliada política do Álvaro Uribe, que tem bastante rejeição.

Tem apoio, mas tem também bastante rejeição. Acho que atualmente o rechaço ao ex-presidente é maior do que o apoio. Enquanto que a candidatura do Abelardo de La Espriella também se recaiu.

São alguns dos elementos que explicam essa arrancada do Ivan Cepeda e faltando pouco mais de um mês para o primeiro turno. Lembrando que na Colômbia, assim como no Brasil, o candidato vence no primeiro turno com 50% mais um.

dos votos válidos, já que existem países aqui na nossa região que têm exceções, como mais de 20% em relação ao segundo candidato, se passa dos 40, tem mais 10, enfim, existem exceções aqui na América Latina, mas o sistema eleitoral colombiano, nesse sentido, é igual ao do Brasil.

Exatamente. E aí uma notícia que pode ser encarada como mais um revés para o governo Petro e a gente ainda não sabe se ela vai ter um impacto aí na candidatura do Ivan Cepeda, é que a Procuradoria pediu a prisão do Nicolás Petro, o filho mais velho do presidente, por não comparecer a audiências judiciais.

Ele é acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito e ele deveria comparecer a audiências regulares e desde novembro ele não aparece. A promotora do caso afirmou que ele teria feito duas viagens, inclusive uma delas para a Cartagena.

em motivo de férias nesse período, então ela pediu a prisão que pode ser de até cinco dias. O juiz ainda não se pronunciou, a gente vai aguardar. Obviamente, é um caso que tem grande repercussão e ele estourou logo no começo do governo Petro, desde março de 2023 e ele é um assunto que...

assombra ali o presidente, ganhou muita força quando ele foi revelado, porque a princípio a ex-companheira do Nicolás Petro afirmou que ele teria recebido dinheiro de origem criminosa para financiar a campanha do pai, de imediato.

Ele falou que era mentira, ele negou as acusações, mas depois ele confirmou que sim, recebeu dinheiro, mas que não sabia a origem do dinheiro. Então foi um caso que eu me lembro, inclusive quando eu comecei a cobrir, que despertou muita dúvida entre jornalistas, editores aqui do Brasil, se poderia levar ao impeachment do Petro. E aí a gente conta que o sistema de impeachment na Colômbia é bem diferente do sistema brasileiro.

Não é como acontece aqui e também não é como acontece no Peru, que a gente vê o impeachment facilmente ser aplicado. Mas é um caso que assombrou a presidência Petro desde o comecinho do mandato. E ainda na Colômbia, Matias, se a gente for pegar uns programas atrás, a gente comentou aqui a situação dos hipopótamos, do famoso zoológico do Pablo Escobar, na Colômbia, né? E a Colômbia aprovou o plano de eutanásia para os hipopótamos.

Agora o filho de um bilionário indiano se ofereceu para abrigar os 80 hipopótamos que estão atualmente na Colômbia em seu zoológico privado. O Anant Ambani, que é filho do Mukesh Ambani, ele ofereceu justamente para levar os 80 hipopótamos para o santuário que fica em Vantara e assim salvar os animais da morte.

Da Colômbia, vamos agora para o Equador, mas com uma notícia que se relaciona ao país vizinho, já que fotos confirmariam um encontro entre o presidente equatoriano Daniel Noboa com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe.

É, sendo que os dois haviam negado que tinham se encontrado. E agora a gente tem, inclusive, fotos publicadas. É, e assim, aí é curioso, assim, por que que eles negaram esse encontro? Porque, justamente, né? Se não tem suspeita, por que que eles negariam esses laços?

Exato, até se você pensar da questão ideológica, não é uma surpresa pra ninguém que eles se encontrassem Pois é daí justamente aumentam as suspeitas sobre esse encontro O que foi debatido

se foi alguma espécie de auxílio que o Daniel Noboa ofereceu ao ex-presidente colombiano, que tem diversas causas abertas na justiça do seu país, enfim, sigamos acompanhando aí e ver também qual vai ser a posição do Daniel Noboa em relação às eleições colombianas.

E aí um detalhe curioso é que as visitas coincidem justamente com o início da aplicação de sanções do Equador à Colômbia. Então isso despertou muito mais dúvidas sobre o que foi conversado.

Do Equador, vamos agora para o Peru, já que o Pleno do Juizado Nacional de Eleições declarou por unanimidade a inviabilização da realização de eleições complementárias no marco das eleições gerais de 2026. Ou seja, quem votou, votou. Quem não votou, não vota mais. O JNE lavou as mãos, né? São esses os resultados. Vocês lidem.

com eles. Exatamente, a gente já adiantou isso semana passada, que era muito pouco provável que tivesse uma outra eleição, enfim, e as contagens continuam, a gente continua com o mesmo cenário que a gente tratou na semana passada, enfim, acho que realmente só pra meados de maio a gente vai ter o resultado aí fechado.

E a gente repercutiu na semana passada a renúncia do Piero Corvetto, que era o chefe da Secretaria Nacional de Processo Eleitoral, que é apontado como um dos principais responsáveis pela crise dessas eleições.

E na sexta-feira passada tivemos uma operação de busca e apreensão na sua residência em Lima. Ainda falando sobre o Peru, tivemos aí uma troca de farpas entre o embaixador dos Estados Unidos em Lima, o Bernie Navarro.

Contra o embaixador da China em Bogotá, o Zhu Jingyang, né? Isso por conta das possíveis represálias ao Peru, se não concretassem a compra dos jatos F-16, né? Que o atual presidente José Maria Balcázar havia adiado, né? Justamente.

Para que o próximo presidente tomasse essa decisão. Tomasse a decisão e, enfim, aí teve essa troca de tweets entre os dois diplomatas. E acho curioso, porque o diplomata da China na Colômbia acabou se envolvendo, enfim. Mas teve esse momento aí patético. Inclusive o Bernie Navarro chamou o Jingyang de avôzinho chinês, enfim.

É um momento patético, mas o que rolou de concreto por conta dessa crise entre Peru e Estados Unidos foi que o presidente peruano acabou anunciando dois novos ministros.

que fazem parte da Força Popular, o partido Fujimorista. Então, o Amadeu Flores Carganio será o novo ministro da Defesa, enquanto que o Carlos Pareja será o novo chanceler. Então, temos aí dois novos membros do gabinete do Balcázar, com ligações com a família Fujimori.

Numa semana ele desagrada, a família Fujimori, aí na outra ele dá uma amenizada. Do Peru, vamos agora para o Brasil com algumas notícias relacionadas à nossa política externa. A começar pela assinatura da promulgação do acordo Mercosul-União Europeia, que foi enviada ao Congresso junto a outros dois tratados.

Esse é um acordo muito esperado e a gente lembra que na semana passada o Lula fez um giro por países europeus e evitou, não foi para países que eram críticos como a própria França a esse acordo.

E falando agora de uma crise entre Brasil e Estados Unidos, a gente repercutiu também em edições passadas o depoimento da modelo brasileira a Amanda Húngaro em relação aos Epstein Files. E ela foi casada com o Paolo Zampoli, que é um conselheiro do presidente Donald Trump.

E ele, em uma entrevista à RAI, a emissora italiana, declarou que as mulheres brasileiras são programadas para causar confusão. Não é que essa foi a primeira. E ele ainda respondeu que existe aí uma questão genética.

É lamentável. Comentar isso é assim, a gente fica indignado que a gente tenha ainda esse tipo de declaração. Eu acho que por muitos anos as brasileiras foram estigmatizadas, principalmente nos Estados Unidos, em alguns países europeus. Então quando a gente vê isso ser repercutido ainda hoje, e esse tipo de fala, a gente tem que condenar de todas as formas. Em nenhum tipo de brincadeira isso pode ser aceitável, em nenhum tipo de contexto.

Conselheiro, ele chegou a chamar as brasileiras de raça maldita. Enfim, vários impropérios que ele acabou disparando nessa entrevista. Cabe lembrar que é o mesmo cara que sugeriu da Itália entrar no lugar do Irã. Na Copa. Na Copa, ele que tem origem italiana, inclusive estava...

dialogando com um meio da imprensa italiana, da imprensa estatal italiana. Mas, enfim, é lamentável a postura dele. E mais um capítulo de uma extensão diplomática do governo Trump com o Brasil. E ele acabou sendo repreendido pela Glaise Hoffman, que o chamou de misógino arrogante.

Exato. E aí, só lembrando, né, essa questão da Copa, a própria Itália ficou constrangida com essa sugestão, uma coisa assim que não tinha o menor cabimento, e dessa situação eu acho que vale trazer aqui, se a gente pega a entrevista, quando a gente vê as perguntas do jornalista italiano,

São perguntas também condenáveis, porque ele vai instigando para que ele dê detalhes do que ele quer dizer. Ele faz escada, né? Exato, ele faz uma escada, cara, assim, num assunto que é muito misógino, que é um absurdo, é racista, então realmente é lamentável e condenável.

E o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o Nelsinho Tad, senador pelo PSD do Mato Grosso do Sul, quer tornar o representante dos Estados Unidos para Assuntos Globais, o Paolo Zampoli. Esse é o nome do cargo oficial dele, mas acaba sendo...

um conselheiro do governo Trump, como persona non grata no Brasil. Assim como ele pretende exigir uma retratação pública do assessor do Donald Trump por suas declarações depreciativas sobre as mulheres brasileiras.

E aí eu queria só trazer aqui também a reação da Janja, Matias, porque eu acho importante, ela citou um contexto que a gente precisa sempre lembrar. Ela falou, as mulheres brasileiras com muita força e coragem rompem diariamente ciclos de violência e de silenciamento. Não somos programadas para nada, somos pessoas com voz, com sonhos e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para ser quem quisermos.

Eu acho que a gente está vivendo aqui no Brasil um momento de violência contra a mulher muito importante. Toda semana existem campanhas e pessoas que se engajam nessa luta, de como essa é uma luta dos homens também. Então, acho que essa fala dela traz muita coisa, além da questão do estigma que a gente carrega em muitos lugares, a importância justamente desse ciclo de violência que precisa ser rompido e começa com esse tipo de declaração que não pode ser aceitável.

Agora passamos para duas notícias relacionadas à Marinha do Brasil, já que teremos a incorporação da primeira embarcação a receber o nome de uma mulher, no caso, o navio de assistência hospitalar Ananeri. Ela que é a patrona da enfermagem.

do Brasil e teve atuação na Guerra do Paraguai, assim como o Almirante Tamandaré, cuja fragata que o homenageia será incorporada à esquadra e reforça a capacidade de defesa marítima do Brasil.

E falando da guerra da Tríplice Aliança, vamos agora para o Paraguai, já que surgiu um boato na semana passada de que uma comitiva de deputados do departamento de La Cordilheira, que fica próximo de Assunção, ali da outra margem do lago de Ipacaraí,

viajaram para a República Popular da China em outubro do ano passado e teriam seus vistos aos Estados Unidos cancelados. O que, assim, não faz muito sentido. Porque a gente sempre fala em relação à China e Estados Unidos, da diplomacia do ping-pong, enfim.

que os países retomaram as relações diplomáticas ali no começo dos anos 70. E apesar dos Estados Unidos não ter abandonado Taiwan, hoje ele reconhece a República Popular da China como a representante chinesa, inclusive ela que está no Conselho de Segurança.

Surgiu esse rumor e cabe lembrar também que no caso do Paraguai, eles reconhecem Taiwan como a representante chinesa, mas a gente vem repercutindo já há algum tempo de como a influência da China continental tem crescido.

no Paraguai, né? Então, muitos desses parlamentares acabaram rechaçando esse rumor, né? O Carlos Maria Lopes Lopes disse que, na verdade, a embaixada não disse nada, me chamaram algumas pessoas do Congresso e perguntaram se eu recebi uma notificação.

E não aconteceu nada, enquanto que a Dália Stigarríbia disse que é um xiste de mau gosto, né? E que eu nem tenho visto, então não teria nem como perder e não tenho interesse no momento, né? Exatamente. Ela falou, nem solicitei e nem tenho interesse. Então fica aí esses rumores, o que de fato aconteceu. Provavelmente ainda é um assunto que vai ter repercussão.

Agora a gente faz o caminho inverso de José Hervásio Artigas, vamos para o Uruguai, já que o ex-presidente Luiz Alberto Lacagepo solicitou que o Paraguai tenha uma saída ao mar com um porto no Uruguai, no que foi respaldado pelo presidente paraguaio Santiago Pena. Sim.

Muito bonito, né, Lacajipão? Mas por que você não fez isso no seu mandato? Exatamente. Essa vontade surgiu agora. E a frase dele é, não vou morrer sem ver realmente o Paraguai tendo uma saída ao mar no Uruguai. É, e enfim, ele que estava num evento na terça-feira realizado no Paraguai e deu essa declaração aí fazendo média com o público que o acompanhava.

Cruzamos o charco, vamos agora para a Argentina, já que o governo Trump ameaça rever status das Ilhas Malvinas, né? Isso naquela queda de braço que o Trump tem feito com os países membros da OTAN.

Principalmente aqueles que foram contra a guerra no Irã. Existe um e-mail interno do Pentágono que está circulando, de acordo com a agência Reuters, que expõe justamente quais são as medidas que a administração Trump estaria pensando para castigar esses países que o contrariaram ou que não apoiaram.

na guerra no Irã. E aí um deles é o Reino Unido e surge essa questão das Malvinas para grande alento do presidente Milley, né? Que fez festa com essa história. É, assim, e o Milley fez festa, mas ele nunca foi um grande defensor do pleito argentino. Mas o contexto é o seguinte, ele está com o pior índice de aprovação desde que assumiu a presidência.

Então, essa notícia veio em boa hora, porque a questão das Malvinas sempre serve para dar aquele empurrãozinho na imagem do presidente de turno na Argentina. Então, para o governo Milley, esse rumor veio em bom momento por conta dessa queda vertiginosa da popularidade do Javier Milley.

Sim, e ele deu uma entrevista para o canal digital Neura, em que ele falou Estamos fazendo todo o humanamente possível para que as Ilhas Malvinas voltem para as mãos da Argentina. A soberania não se negocia, mas é preciso fazê-lo de forma criteriosa, com o cérebro. E ele ainda coloca, tem uma frase de Marshall que me encanta muito, cérebro frio a serviço do coração quente.

Enquanto que a sua vice-presidenta, a Vitória Villaruel, que é muito mais engajada com a causa das Malvinas do que o presidente, e ela inclusive tem conexões com as forças armadas, filha de militar, sobrinha também, enfim.

E daí ela fez a ameaça, né, dizendo para os Falklanders voltarem para a Inglaterra, né. Nesse sentido, ela que declarou que só pisará nas Malvinas quando não precisar mais de passaporte, né, porque ela disse que não precisa de passaporte para estar na sua pátria.

É, enfim, uma situação que a gente sempre repercute aqui no programa, né? Inclusive, convido os ouvintes mais novos a escutarem o especial que eu, o Felipe e a Silvia fizemos nas Malvinas no final do ano passado. E o Felipe até colocou aqui um comentário, né? Que a análise dele é que se a Argentina invadir as Malvinas em 2026, as ovelhas ganham a guerra.

E olha, sobra ovelha no arquipélago, viu? E também tivemos nessa semana um encontro do Javier Milley com o Peter Thiel, né? O CEO da Palantir, numa reunião que também contou com a presença do Santiago Caputo. E falaram da necessidade de um salto quântico.

na segurança nacional, né? Essa linguagem do Vale do Silício é foda, viu? É desesperador, é um grande tema e os termos usados sempre para jogar para a plateia. É, e o Diário Argentino, que foi da onde eu peguei essa notícia, catalogou o Peter Thiel como um magnata tecnofascista. Adorei essa definição.

E aí a gente falou que o Milley comemorou a questão das Ilhas Malvinas por conta da popularidade, e a popularidade dele vem caindo muito, principalmente por dois fatores. Os resultados na economia que não estão sendo sentidos pela população e a questão da corrupção no governo. Ele vem acumulando escândalos de corrupção.

E aí agora ele demitiu um funcionário que omitiu a posse de sete propriedades nos Estados Unidos, que é o Carlos Frugoni. Ele faz parte do Ministério da Economia, né? E ele teria sete propriedades particulares nos Estados Unidos e duas comerciais. E ele não declarou nenhuma delas. Então ele foi demitido na segunda-feira, após a notícia vir à tona.

ganhou um tratamento muito diferente do que a gente vê ser dado ao chefe de gabinete do Milley, o Manuel Adorno, que, enfim, está sendo investigado por suposto enriquecimento ilícito e continua de mãos dadas com o presidente e a irmã Karina Milley. Inclusive hoje... O porta-voz que não fala, né? É, o porta-voz...

A voz que não fala, exatamente. Sumiu. Sumiu, mas hoje ele vai ter que aparecer, porque inclusive hoje ele vai ter que prestar contas ao Congresso das ações do Executivo, né? Fazer um relatório aí da gestão, falar das questões da economia, enfim. E ele vai ser acompanhado pelo Milley e pela Karina Milley, que é um gesto aí de apoio. Vamos ver o que vai sair. Provavelmente semana que vem teremos muito a repercutir sobre esse encontro.

E agora a gente vai para dois países limítrofes da Argentina, Bolívia e Chile, já que na semana passada, na quinta-feira, dia 23, houve um encontro entre o chanceler boliviano, o Fernando Aramaio, com o seu homólogo chileno, o Francisco Pérez Maquenia, em La Paz. Isso porque os países...

estão há mais de 50 anos com as relações diplomáticas interrompidas e buscam justamente uma reaproximação que foi facilitada pelos novos governos de José Antônio Caste e Rodrigo Paes, que estão em sintonia. Apesar de que, olhando de fora, o Paes me parece muito subserviente ao Caste.

É, exatamente, eu tenho a mesma impressão, eu acho que a gente tem aí um componente ideológico que facilita essa retomada, mas lembrando que a retomada das relações diplomáticas, ela vai implicar em muitos outros detalhes, em muitas negociações, e a gente tem que ver se eles conseguem passar da vontade desse avanço para realmente o avanço desse restabelecimento.

E aí, Matias, para finalizar aqui o giro dessa semana, tem uma notícia que pode levar a muitos problemas para a população aqui latino-americana, que é a polícia do Texas vai poder prender suspeitos de cruzarem a fronteira ilegalmente. Um tribunal federal desbloqueou uma normativa que estava suspensa desde 2023 e, a princípio, se não tiver nenhum revés, essa norma entra em vigor agora em maio.

A lei SB4, que é o nome dela, determina que o cruzamento ilegal é passível de até seis meses de prisão e em caso de reincidência de dois a vinte anos. Na prática, um juiz do Texas vai poder dar uma ordem de expulsão até do país.

E o que antes era, e até agora, é uma atribuição federal dos Estados Unidos. Então a gente cria um precedente bem perigoso. Eu acho que isso pode ter, se for de fato implementado, impactos sérios quando a gente vê tantas pessoas da América Latina tentando cruzar de forma ilegal para os Estados Unidos.

Bem, Fernanda, e como sempre, a gente encerra esse bloco com a sua dica cultural. Eu deixo hoje uma dica que eu, inclusive, acabei de escutar e vou também indicar na Carta Global dessa semana.

que é um episódio do podcast Elilo, que se chama La Democracia del Scroo, Elecciones y Ansiedad en América Latina. E esse é um episódio até maior do que o que eles costumam fazer. Eles fazem uma entrevista com o Julian Canarec, que é um consultor político e autor de um estudo sobre a transformação das campanhas por meio das redes sociais, das campanhas políticas. E é muito interessante porque ele traz...

algumas questões que a gente fala de forma fragmentada ao longo dos programas e a gente tem discutido dentro das relações internacionais, o impacto, a motivação das eleições estarem como tão, sempre que tem um incubente ele acaba saindo.

E ele traz um aspecto que eu achei bem interessante, que é justamente do imediatismo. A geração imediatista que está acostumada a transformar o que antes a gente falava da avaliação de 100 dias de um governo na avaliação de 15 dias de um governo. Então isso tem impacto. E ele avalia desde o Brexit. É bem legal, deixo a recomendação.

Bueno, vocês ficam agora com a coluna da professora Vivian Almeida. Não me reconheces, fui peon de tu ajedrez. Gambito da Dama. Olá pessoal, espero que estejam todos bem. Bom, hoje eu vim trazer aqui uma...

coluna para vocês, que é enfim, uma das várias possíveis análises de viver num tempo em que presenciamos um conflito. Em que parece todas as ressalvas que eu sempre gosto de fazer sobre o fato de que qualquer conflito, a nossa única primária, enfim, absoluta preocupação, deva ser com as vidas perdidas é é Obrigado.

Alguns indicadores, eles dão uma outra dimensão sobre o que é, né, o potencial, o tamanho e as possíveis consequências. A coluna do BID, por exemplo, do empréstimo do BID, foi algo que me abalou consideravelmente, assim, de colocar a magnitude.

Outro ponto, essa semana passada, salvo engano, o Nobel de Física falou sobre a retomada do sentimento pós-Guerra Fria de que o mundo está a uma crescente probabilidade do colapso em razão de guerras nucleares.

Isso tudo confere a gente uma preocupação material sobre viver nesse tempo. Porém, e o porém aqui já é esquisito por definição, alguns informes e indicadores econômicos oferecem um outro prisma que no nosso caso brasileiro ganha um contorno, ainda que marginalmente, positivo.

E, de novo, a nossa preocupação primária, absoluta, obviamente, é com as vidas perdidas no conflito. E aqui a análise econômica é tão simplesmente a repercussão de como que a gente observa os indicadores para saber como a gente se posiciona nesse momento. Essa semana...

Duas notícias chamaram atenção e, na verdade, uma análise foi, talvez, rapidamente comprovada por uma notícia. As duas saíram no dia de ontem, em veículos diferentes, em editoriais diferentes, mas que, novamente, elucidaram fatos parecidos. Primeiro que o Brasil, de acordo com a análise do FMI,

tem sido classificado como uma espécie de queridinho, queridinho dos investidores, é disso que estamos falando aqui. E por quê? Porque, bom, estamos diante de um conflito, um conflito que traz potenciais e factuais aumentos de preço de commodities e nós, aqui no Brasil, somos exportadores líquidos de energia, que é algo que se consome majoritariamente, algo que se consome de modo...

adicional em conflitos e algo que tem impacto negativo nos países importadores de energia. E, afinal de contas, Vivian, o que é ser exportador líquido? É quando você exporta mais do que importa. O X menos M, para quem estuda aí, ou economia, ou para provas, sabe muito bem do que eu estou falando. É quando esse valor é positivo, isso quer dizer que você exporta mais do que você importa. Dito isso...

a gente pode pensar em como isso se traduz em termos de análises positivas para o Brasil. Se o Brasil é exportador líquido, tipicamente vai ter um aumento.

da procura por esse bem, na medida que os países que estão importando estão se deparando com aumento de preço e restrição nas suas próprias produções. Além disso, além do fato da gente olhar pelo lado real da economia, tem um outro aspecto que a gente chama de lado monetário, que vai dizer para a gente que, olha, se a gente tem uma taxa de juros alta,

e ao mesmo tempo você tem ali uma série de indicadores que evidenciam uma atração do país nesses tempos estranhos, por assim dizer, esses investimentos tendem a acelerar e de fato você tem um fluxo de capitais entrando para cá, seja em razão de economias que tipicamente...

são consideradas mais seguras agora estão em risco, seja porque você tem ali um dólar perdendo a valorização e seja porque você tem o atrator da taxa de juros. E aí vem o segundo fato que eu disse que eu ia repercutir, que é o registro na data de ontem, eu gravo na quarta-feira, dia 29 de abril, e ontem, 28 de abril.

de 2026, foi registrado o maior, o segundo maior fluxo de capitais entrando no país desde que essa série em especial foi iniciada no ano de 2008.

Lembrando que o ano de 2008 foi um ano de crise econômica bem significativa e justamente nos momentos em que economias que tipicamente são atratoras de capitais se evidenciam fragilizadas, você vai observar um movimento, um redesenho dos fluxos monetários e financeiros para...

Economias que oferecem um atrativo, pelo menos em determinado momento, maior, como é o nosso caso, em que a gente tem uma robustez produtiva por conta desse...

rearranjo de quem exporta, mas está ali com um balanço de pagamentos em geral superavitário, ao mesmo tempo que uma taxa de juros vai atrair um fluxo monetário maior. Então, fazendo uma leitura bem econômica, no sentido estrito, o que a gente observa é que as indicações e as previsões dos...

Enfim, de investidores, de grandes...

Assets e do próprio FMI têm indicado que o Brasil seria um dos ganhadores desse conflito, se é que a gente pode classificar dessa forma. Então é isso, pessoal. Enfim, era essa análise que eu queria trazer para vocês. Desejo um ótimo feriado a todos e até semana que vem. Um beijo. Passemos agora para o segundo bloco do Giro de Notícias.

Giro de notícias.

Notícia da segunda-feira passada, dia 27 de abril. Navio cargueiro é sequestrado por piratas na costa da Somália. Então, meu caro Matias, infelizmente tivemos mais dois episódios de pirataria na costa da Somália essa semana. Assim, a pirataria na costa da Somália, ela nunca parou, tá? Ela nunca deixou de existir. Porém, ela ficou...

bastante menos intensa, eu fiquei bem eufemístico aqui, pareceu Fernando Henrique Cardoso quando ele era presidente, mas ficou bastante menos intensa.

nos últimos anos, tanto pelo processo de estabilização dentro da própria Somália, quanto pelo fato de que o foco das tensões na região virou o estreito com os UTIs no Iêmen. Porém, nessa semana tivemos dois episódios, um deles foi um navio cargueiro

de bandeira de São Cristóvão e Neves, que foi sequestrado pelos piratas na região da Puntilândia, que é literalmente a ponta do chifre da África. Ele estava indo do Egito para o Quênia.

E o outro foi um navio petroleiro com tripulação paquistanesa. 11 paquistaneses foram tomados como reféns e o navio foi tomado e está agora indo para a direção de Mogadishu.

então nós tivemos esse aumento de ataques, o que talvez tenha alguma conexão com a questão do Estreito de Hormuz e tudo mais. Porém, meu caro Matias, não são apenas notícias complicadas, notícias sobre crimes, sobre violência que vem da África.

temos agora uma notícia muito boa, que o senhor Ernidózio, de 75 anos de idade, ele era dos Estados Unidos, ele era dono de vinícolas, ele era multimilionário, e ele decidiu, mesmo levando essa ótima vida dele, ir até o Gabão para assassinar criaturas inocentes, chamando isso de caça a elefante.

E quando ele estava na floresta de Lopi-Ocanda, cinco elefantes fêmeas que estavam com um filhote e, sim, fêmeas mamíferas com filhotes são animais extremamente protetores e territoriais na imensa maioria dos casos, o que inclui os seres humanos, inclusive. E as fêmeas, sentindo perigo, fizeram o quê?

pisotearam e mataram o assassino vindo dos Estados Unidos. E os nossos ouvintes que nos conhecem há mais tempo já sabem o peão promovido do programa. Vai para as elefantes do gabão. Elas estão bem, Felipe? Elas passam bem? Talvez tenha sido um episódio um pouco traumático, talvez elas tenham se assustado um pouco, infelizmente, mas esperamos que estejam tudo bem.

Também no começo desta semana, rei Carlos III realiza primeiro discurso de um monarca britânico perante o Congresso dos Estados Unidos em 35 anos. E sobrou humor britânico na ocasião.

Pois é, ele deu várias alfinetadinhas ali, vários comentários, humor de tiozão, inclusive. Então falou, ah, Trump, você disse que se não fosse os Estados Unidos, a gente estaria falando alemão. Mas se não fosse a gente, você estaria falando francês. E claro que amamos os nossos primos franceses. E você viu a do sino? Não, essa não.

porque assim, pra explicar pro nosso ouvinte, ring the bell, ou ring a bell, literalmente tocar um sino, em inglês, porém também é expressão pra telefonar pra alguém. Ou se acontecer alguma coisa, ring me a bell. E o rei Carlos, ou rei Charles, ou líder tribal britânico, ou senhor dedo de salsicha, como eu preferir, ele E aí

deu de presente para o Donald Trump o sino.

do navio, do antigo navio da Marinha Britânica, o HMS Trump, que não tem ligação com o dono de Trump, só o nome em comum. E o sino do navio é algo muito importante. O sino marca os horários, marca os procedimentos da tripulação, e o sino tem um papel cerimonial muito importante. E aí ele falou, olha só aqui o sino para você, e significa que se a gente tiver qualquer problema na relação, é só ringa a bell.

Então é isso, trocadilhos, humor de tiozão com mistura de humor britânico. Ironicamente, nos Estados Unidos, o sino é sinal da liberdade, justamente da independência em relação ao Reino Unido.

Pois é, gente, nós estamos a 15 horas de fuso de diferença, e mesmo assim a gente continua tendo completa noção, completo entrosamento, porque a página oficial da Casa Branca postou uma foto do Donald Trump com o rei Carlos e fez a provocação, escrito Two Kings.

por conta dos protestos no kings nos Estados Unidos. E aí um cara compartilhou esse tweet com uma foto do George Washington escrito, what the fuck, guys? E isso teve muito mais alcance do que o post original da Casa Branca. E assim, a visita do rei britânico foi justamente para marcar esse aniversário de 250 anos de independência.

Falaram da chamada relação especial, que é a aliança não escrita entre Estados Unidos e Reino Unido, que está cada vez mais fraca, inclusive. E, certamente, em portas fechadas, conversaram sobre o escândalo Epstein, porque é algo que os dois têm em comum. O Donald Trump como envolvimento direto e o líder tribal britânico, por conta do irmão dele.

e do Lord Mountbatten, que era o embaixador. Então, certamente, conversaram sobre os impactos disso, mas isso, claro, em portas fechadas. E aí tivemos toda a pompa e circunstância, e aí ele falou perante o Congresso, perante o Congresso já foi um discurso mais sóbrio, digamos assim, menos pessoal, e a gente já achei muito curioso, muita gente fala assim, não, pô, achei o discurso dele interessante, ele falou bem, etc.

Gente, é basicamente a única coisa que ele tem que fazer da vida, fazer discurso. Seja para inaugurar a exposição de sei lá o quê, dar início a torneio de corrida de cavalo, de hipismo, de turfe, ou então falar com o chefe de Estado. É basicamente a única coisa que ele faz na vida. Então, óbvio que em algum momento ele vai ficar bom nisso. E aí, meu caro Matias, a gente vai passar por algumas notícias britânicas e por notícias da política externa dos Estados Unidos.

Agora, notícias britânicas, uma delas não é exatamente britânica, mas tivemos a maratona de Londres, agora em 26 de abril, e nós tivemos o estabelecimento de dois recordes, tanto pelo...

corredor queniano Sebastian Sauer, no masculino, e pela Chigse Assefa, no feminino. Agora, o mais notável foi que o Sebastian Sauer, no masculino, pela primeira vez fechou uma maratona em menos de duas horas. Isso não é humano.

assim, isso não é humano. O cara correu 42 quilômetros em menos de duas horas. Não faz sentido, quase. E já começou, inclusive, uma discussão se os tênis

utilizados, que são super modernos, etc., estariam tendo algum efeito nisso. Uma discussão parecida com o que teve na natação algumas décadas atrás, com aqueles maiôs que eram inspirados em pele de tubarão. Mas o fato é que é uma coisa absurda esses dois tempos. A TIGS Acefa correu em 2 horas, 15 minutos e 41 segundos.

Uma diferença ali de 16 minutos, que claro, por um recorde mundial, 16 minutos é uma eternidade, mas ainda assim é uma coisa completamente absurda. E a outra notícia é que a deputada Hannah Spencer, do Partido Verde, notícia enviada pelo nosso queridíssimo doutor Divago, nosso correspondente para a República da Irlanda, Irlanda Ocupada e outros territórios insulares da região, ela deu uma entrevista.

para o Politics Joe, dizendo o quanto deputados trabalham no parlamento britânico alcoolizados e consomem bebida alcoólica durante os trabalhos.

E aí o Nigel Farage, o líder do Reform UK e favorito para liderar as próximas eleições, usando o termo, ele quis dar uma lacrada em cima dela, falando que o Partido Verde, a esquerda, quer proibir que as pessoas tomem um pint. Porque tomar o pint é uma coisa muito britânica e eles odeiam que é britânico. E aí um monte de gente falou, não, ela está dizendo que as pessoas não deveriam beber no trabalho. Se você chegar numa consulta médica, gente, o profissional,

estiver completamente alcoolizado, você dificilmente vai confiar naquela consulta. Então, por que uma pessoa que vai votar o orçamento de bilhões de libras esterlinas para a saúde, por que essa pessoa pode eventualmente estar alcoolizada?

Eu estou dando esse exemplo, é um exemplo retirado do comentário de um cidadão britânico, inclusive. Então temos agora essa discussão no Reino Unido sobre consumo de bebida alcoólica dentro do parlamento. E já sobre a política externa dos Estados Unidos, mas especificamente em relação à China, temos três notícias. Foi informado que a China vai enviar dois pandas gigantes para o zoológico de Atlanta, como parte de um novo acordo de conservação com prazo de 10 anos,

E essa entrega vai acontecer antes da próxima visita do Trump à China.

E aí lembrando que quase todos os pandas do mundo são propriedade do Estado chinês e são uma arma diplomática chinesa, a diplomacia do panda. Eu tenho um texto sobre isso, uma coluna até um pouco antiga sobre isso, mas que eu me orgulho muito, porque eu tive coragem de colocar como título a adorável arma chinesa na diplomacia. Então teremos dois novos pandas gigantes nos Estados Unidos para o zoológico de Atlanta, um macho e uma fêmea.

Outra notícia é que a Itália anunciou que um cidadão chinês que é procurado pelos Estados Unidos por crimes cibernéticos será extraditado pela Itália para os Estados Unidos. Ele é acusado, inclusive, o Xu Ziuwei, ele é acusado de ter roubado, inclusive, dados sobre a pandemia de Covid-19 do governo dos Estados Unidos. E a terceira é que o governo chinês é que é o presidente Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald Donald

bloqueou que a empresa Meta, do Zuckerberg, dona do Facebook, do Instagram, do WhatsApp, adquira uma startup de inteligência artificial chinesa chamada Manus, que foi comprada em dezembro por 2 bilhões de dólares, porém agora o governo chinês decidiu bloquear essa compra. E mais um exemplo da bifurcação...

cibernética que está ocorrendo entre China e Estados Unidos e também como parte da corrida armamentista, que hoje é a corrida pela inteligência artificial.

Notícia de ontem, terça-feira, dia 28 de abril. Tribunal sul-coreano aumenta a pena de ex-primeira-dama por corrupção. A ex-primeira-dama Kim Keon-hee já havia sido condenada a quatro anos de prisão por corrupção e agora ela recebeu mais uma sentença pelo mesmo crime.

Só que, meu caro Matias, uma notícia de agora há pouco, o ex-presidente Yeon Suk-yeol, que já está condenado à prisão perpétua pela sua tentativa de golpe de Estado, foi condenado a mais sete anos de cana por obstrução de justiça. Então, o Tribunal de Apelações, tanto no caso dele quanto no caso da ex-primeira-dama,

aumentou as penas, porque as defesas entraram com recurso e aí o Tribunal de Apelações aumentou as penas. É tipo você pedir para o professor revisar sua nota e ele revisar para baixo.

e por que é interessante? Alguém pode falar, mas, pô, Felipe, ele já está condenado à prisão perpétua, o que vai acontecer com ele? Porque agora ele tem três condenações, acho, inclusive, então mesmo que ele consiga eventualmente anular uma, recorrer de uma, ele ir para a liberdade se torna mais difícil, porque vamos supor que ele anule a prisão perpétua, ele ainda vai ter sete anos de cana a cumprir, então...

tivemos essa notícia de hoje. Já ao norte da península coreana, meu caro Matias, o Kim Jong-un recebeu essa semana o ministro da Defesa da Rússia, o Andrei Belussov. Eles disseram que a parceria entre os dois países é inabalável, ela vai continuar.

e inauguraram um memorial aos soldados norte-coreanos que morreram combatendo pela Rússia contra a Ucrânia. Lembrando que quando a gente falava desse assunto, tinha ouvinte, tinha gente que ficava bravinho com a gente, dizendo que a gente estava espalhando fake news ocidental, alguma coisa assim, mas aparentemente o Kim Jong-un não sabe que é fake news ocidental e inaugurou.

esse memorial. Já no Japão, meu caro Matias, infelizmente essa semana nós temos grandes incêndios florestais na região de Otsuchi, é o segundo maior incêndio da história recente do Japão.

Já tivemos pelo menos mais de 3 mil pessoas que tiveram que ser evacuadas e cerca de 16 quilômetros quadrados incendiados. Tiveram que ser mobilizados mais de mil bombeiros de todo o Japão para combater esse incêndio.

Agora uma notícia que não é da Ásia Pacífico, mas ainda é do continente asiático, e a gente não podia deixar passar nesse programa, então a gente tinha que colocar em algum lugar. No Sri Lanka, no aeroporto, em Colombo, 22 monges budistas foram presos. Foi por intolerância religiosa? Não. Foi porque eles estavam voltando para o país da Tailândia com 110 quilos de cannabis.

Então eles tiveram... São quantos monges, Felipe? 22 monges. 110 quilos. 5 quilos para cada um. 5 quilos para cada um, é. Essa conta que eu estava querendo fazer. Ou seja, não era para consumo pessoal. Não sei. Pode ser. Pode ser para consumo. Mas, e detalhe, é uma variante muito conhecida no sudeste asiático chamada Kush, que é uma versão mais potente da cannabis.detdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdetdet

Então, 22 monges, é a quadrilha mais atípica possível, mas 22 monges budistas, cada um com 5 quilos de kush, chegando no aeroporto como se não fosse nada e acabaram sendo detidos pelas autoridades singalesas.

Também nesta terça-feira, dia 28, Estados Unidos emitirão passaportes com rosto e assinatura de Trump.

Então, mais um capítulo da história do culto de personalidade nos Estados Unidos. A idiocracia da vida real. As imagens estarão na parte interna, pelo menos. Não estarão na parte externa. E é como parte do aniversário de 250 anos de independência. Tanto que a ilustração do Donald Trump com a assinatura dele, assinatura em dourado, inclusive, que a ilustração do Donald Trump com a assinatura dele,

Atrás dele estará uma imagem da declaração de dependência.

E na página de rosto estará a reprodução do famoso quadro da assinatura da declaração de independência. Então, porque nada diz você celebrar a independência de um país do que você colocar o rosto de alguém no negócio, o rosto de alguém que é o atual presidente. O Donald Trump não sabe o que significa impessoalidade do cargo.

Não foi apresentado a esse conceito. Ele nunca ouviu falar. Ele diria que você está inventando palavra.

porém, talvez a notícia que mais repercutiu sobre o Donald Trump essa semana foi o fato de que, no último dia 25 de abril, durante o jantar com a imprensa da Casa Branca, um homem chamado Cole Thomas Allen, de 31 anos de idade, ele estava armado com uma espingarda calibre 12, com uma pistola calibre 38.

e facas, ele tentou entrar no jantar, houve um disparo de arma de fogo, aparentemente o disparo de arma de fogo foi de um agente do serviço secreto que acabou baleando um colega dele, que estava utilizando um colete à prova de balas, então ninguém ficou ferido gravemente, o homem foi detido e vai responder a três acusações criminais.

ele deixou um manifesto dizendo que ele pretendia atingir integrantes do governo, não citava o nome do Trump, mas dizia que eu não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, violentador e traidor suje as minhas mãos com os crimes dele.

então ninguém ficou ferido, repito, e aí quando ouve o som do disparo, o Donald Trump é retirado às pressas do jantar. Isso daqui é a descrição mais factual e mais neutra possível do que aconteceu. Tem muita gente questionando se poderia ter sido uma bandeira falsa, se poderia ter sido um teatro, se poderia ser algo do tipo.

por conta do prestígio do Donald Trump estar em baixa, como cortina de fumaça, etc. Nesse sentido, algumas pessoas apontam, por exemplo, o fato de que o J.D. Vance foi evacuado primeiro, que o Donald Trump apontam o comportamento de algumas pessoas ali que teriam ficado muito tranquilas. Tipo o tiozão comendo a salada. Sim, teve um tiozão que ficou comendo uma salada, como se nada estivesse acontecendo, e uma galera roubando...

A bebida da festa. Os jornalistas indo embora com duas garrafas de Johnny Walker na mão, assim, na cara dura. E muita gente fazendo live, né? Isso foi bastante repercutido.

algumas pessoas comentaram sobre o fato de que o jantar da Casa Branca com os jornalistas, ele não foi designado como um evento de segurança especial. É importante mencionar que isso raramente acontece, porque se você utilizar esse critério, vai ser difícil para as pessoas conseguirem ir.

Então, em relação a esse aspecto da teoria da conspiração, eu vou fazer questão de rebater, porque mesmo sobre o Biden, mesmo sobre o Obama, o jantar da Casa Branca não tinha essa designação. E talvez o mais famoso jantar da Casa Branca correspondente tenha ocorrido no governo Obama, que é quando o Key, do Key & Peele... O Keegan-Michael Key, da dupla Key & Peele.

Exatamente, ele faz o personagem do Anger Management dele, que teve vários skets em que ele fazia o Anger Management do presidente Obama com o presidente Obama sendo interpretado pelo Jordan Peele. E o que faz o Anger Management, o coach de Anger Management, no jantar com os correspondentes do lado do Obama da vida real, digamos assim.

Agora, o que eu achei mais bizarro dessa história toda, e assim, o manifesto teria sido enviado a familiares dele, tipo, coisas de 10 minutos antes do ataque. Enfim, é uma história...

que pode ter os seus buracos, mas pra mim o mais bizarro dessa história toda foi que o Dana White, o presidente do UFC, ele não é o dono do UFC, ele é o presidente do UFC, agora eu não lembro exatamente o cargo dele, ele estava presente, ele que é uma pessoa muito próxima do Donald Trump, e ele disse que foi awesome o que aconteceu, ou seja, foi da hora. Ele falou, pô, foi da hora demais, então assim, foi uma coisa meio bizarra.

mas enfim ele acumula os cargos de presidente e CEO do UFC enfim, nós temos as teorias da conspiração eu particularmente não sei o que penso sobre as teorias da conspiração é importante mencionar que o Tucker Carlson ele começou inclusive a questionar as outras tentativas de assassinato contra o Donald Trump o que tem contribuído para essa discussão

mas, sinceramente, o que eu acho mais curioso e talvez o mais indicativo sobre essa questão toda é que, independente de ter sido um ataque real ou ser uma conspiração, independente do que o nosso ouvinte ache, o assunto foi rapidamente deixado de lado, mesmo na mídia dos Estados Unidos. Ele não gerou comoção.

Exatamente. Porque assim, se fosse essa estratégia, ela não surtiu efeito. E se foi um atentado de fato, as pessoas estão tão putas com o Trump que também não engajou essa narrativa.

Pois é, eu faço a minha leitura, eu assino embaixo da sua leitura, meu caro Matias. E o presidente Lula, o presidente brasileiro, soltou uma nota de solidariedade, o Brasil repudiando o ataque e dizendo que a violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger.

Agora, talvez a principal consequência disso foi o fato de que o Jimmy Kimmel, o apresentador que já entrou na mira do Donald Trump, e aí no talk show dele, exibindo na quinta-feira, dia 23, ele fez um monólogo como se estivesse falando com a Melania Trump.

E dizendo, né, senhora Trump, a senhora tem um brilho de futura viúva. E disse que ela comemoraria aniversário em casa, como sempre faz, olhando pela janela e sussurrando, o que foi que eu fiz? E aí o Donald Trump disse que o comentário foi odioso e violento, que a fala pretende dividir o país e que não foi uma comédia.

E agora, a Agência Reguladora das Comunicações dos Estados Unidos, o FCC, pediu a revisão antecipada de oito licenças da rede ABC, ou seja, para forçar uma demissão do Jimmy Kimmel, para forçar uma retirada dele do ar.

E aí é muito curioso, porque é o pessoal que é contra o mimimi, pela liberdade de expressão, seja lá o que for. E aí ele foi lá, fez uma piada, que você pode até achar que é uma piada de gosto duvidoso, porém acabou gerando essa reação do governo Trump.

e que está sendo uma reação de poder econômico, de mandar o FCC revisar as licenças. Também nesse sentido, o James Comey, o ex-diretor do FBI, fez um post nas suas redes sociais com conchas formando os números 8647.

que foram interpretadas pelo governo dos Estados Unidos como uma ameaça ao dono de Trump. Porque na gíria dos Estados Unidos, 86 é uma expressão para expulsar alguém de um bar, e o 47 poderia ser uma referência ao fato de que o Trump é o 47º presidente. Ou seja, ele pode estar dizendo de tirar o Trump do poder, ou então colocar o Trump para fora do governo.

Mas o governo dos Estados Unidos, viu o secretário interino Todd Blanch, o vassalo do Donald Trump, considerou isso uma ameaça à vida do presidente. Falando em America First, meu caro Matias, o Donald Trump estava respondendo perguntas sobre o seu grande salão de festas da Casa Branca.

E falando do salão de festas, Felipe, ele foi bastante citado também, logo após o atentado contra o presidente Trump, nessa questão da segurança do presidente. Isso foi o que mais engajou a base de apoiadores do Trump.

E parte dos críticos do Trump pegaram o trecho sobre o granito para falar, peraí, o cara disse que é America First. E aí ele, em vez de comprar o granito do Nordeste dos Estados Unidos, em New Hampshire e Vermont, que tem uma forte indústria do granito, ele importou granito da África, que passou por um processo na Itália e aí foi para o salão de festas.

É que Vermon e New Hampshire são Estados Democratas, então não tem que ajudar eles. Exatamente, exatamente. E, meu caro Matias, notícia também de algumas horas atrás, apenas, notícia enviada pelo nosso queridíssimo Gustavo Rebelo, a Suprema Corte autorizou o redesenho dos distritos eleitorais na Louisiana, afirmando que o desenho original

seria um gerrymandering, que foram distritos desenhados para favorecer o voto afro-americano. Então, agora, esses 12 distritos, que são especialmente para as minorias negras e são habitualmente vencidos por democratas, serão redesenhados e poderão virar ou distritos pêndulo ou distritos republicanos, porque o distrito eleitoral nos Estados Unidos segue a conveniência do cliente do momento.

Bem, passemos agora para a premiação que não altera a cotação do dólar, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim. Os Peões A cotação do fundo de um cão pegou a medir a cotação do dólar, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim.

Bem, Felipe, o peão isolado dessa semana vai para a organização que perdeu um dos seus principais membros. Pois é, o peão isolado vai para o Pepe.

por conta aí do que, assim, talvez seja o principal golpe na organização desde a sua existência, nós já tivemos outras saídas antes, como por exemplo do Equador, mas acho que um rompimento entre a Arábia Saudita e a Mirada dos Árabes Unidos é algo sem precedentes, é algo gigantesco, a maneira como essa ruptura foi feita, foi comunicada, então o peão isolado vai para a OPEP nessa semana.

Bem, e o peão promovido, como você já tinha adiantado antes no programa? Vai para as elefantas do Gabão, que mostraram que o cara tem vinícola, é milionário, etc. E em vez de cuidar da vida dele, cuidar dos netos dele, usar o tempo dele livre para, sei lá, aprender alguma coisa interessante.

Vai fazer nautimodelismo, vai montar barco de madeira, é mó legal, vai ter um hobby útil, não. Ele decidiu cruzar o planeta para assassinar criaturas inocentes que estão lá comendo mato, não são nem ameaça para as pessoas ao redor, e então Elefantas do Gabão para presidente. Putz, dá um ótimo nome para a banda Stay Edge, hein? Elefantas do Gabão? Nossa, fica aí a dica.

Imagina, daqui a 20 anos uma entrevista. Não, o nome da nossa banda a gente criou, que a gente ouviu um podcast chamado Xadrez Herbal, e aí eles falaram Elefantas do Gabão, e aí a gente ficou com isso, e hoje a gente tá aqui lançando o nosso disco novo com participações muito especiais. É muito bom, inclusive, estar aqui no seu programa, Gastão. Enfim, daqui a 20 anos, quem sabe. Bem, passemos agora para as dicas culturais.

Você conhece a história do Quilombo dos Palmares? Sabia que durou quase 100 anos e teve aproximadamente 20 mil habitantes? Quer saber mais? Procure por Vida Palmarina no seu agregador de podcast a partir de 6 de abril. Uma produção, Central 3 e Janga. DJ Monza. DJ Monza. DJ Monza. DJ Monza. O tempo já vem. Sétimo selo.

Felipe, qual que é a sua recomendação para os nossos ouvintes neste feriadão? Então, meu caro Matias, originalmente a minha recomendação é ser um filme chamado Encantadora de Baleias, que é um filme alemão e neozelandês. Teve na época a Keisha Castlehugs, indicada ao Oscar de melhor atriz, se tornando a mais jovem a ser indicada nessa categoria, ela tinha 12 anos na época.

E é um filme muito bonito, que fala, inclusive, sobre a cosmovisão do povo, que em português a gente costuma chamar de Maori, mas a pronúncia deles é mais próxima como Mouri. E é um filme, repito, muito bonito. Essa seria a minha recomendação, aproveitando que eu estou aqui, inclusive. Porém, a gente também tem que registrar...

dois falecimentos essa semana. Uma delas foi da Edith Egger, ela faleceu aos 98 anos de idade, ela foi uma sobrevivente do Holocausto e talvez o seu livro mais conhecido no Brasil tenha sido Bailarina de Auschwitz. Ela que esteve presa em Auschwitz. E também faleceu aos 91 anos de idade o Roger Sweet.

Roger Sweet, que teve uma participação, mesmo sem nós sabermos, na infância de muitas pessoas, porque ele foi o criador do He-Man, ele foi o criador do conceito inicial do He-Man, inclusive a esposa dele tinha que fazer vaquinhas para custear os custos de saúde dele, ou seja, você pensar que ele criou uma linha que gerou centenas de milhões de dólares.

e nesse momento, infelizmente, tinha que contar com o apoio dos seus fãs, e por isso eu vou recomendar uma série que eu já recomendei aqui, é uma série documental muito legal, da locadora vermelha, chamada Brinquedos que Marcaram a Época.

E tem um episódio sobre o He-Man, e o episódio gira em torno de duas coisas. A primeira delas é como o desenho do He-Man era, na verdade, um grande comercial para os brinquedos. O brinquedo veio antes que o desenho, tá, gente? O desenho foi criado para vender o brinquedo. E aí você tinha aquela lição de moral no fim do episódio, para justamente parecer que não era apenas um comercial.

E o outro é que o documentário aborda a disputa, digamos assim, pela criação do He-Man. Porque, de um lado, você tem o Roger Sweet afirmando que ele desenvolveu o He-Man, que ele criou todo o conceito, toda a ideia. Porém, você também tem o Mark Taylor.

que era o artista, era o desenhista, que ele disse, não, o Roger Sweet ele teve lá um princípio de ideia, mas quem realmente elaborou, criou a identidade, criou o personagem, criou o universo, fui eu. Então também tem essa disputa no documentário. Então essas são as minhas recomendações pra essa semana.

Bem, a minha dica, eu não sei quando ela vai poder ser vista novamente, né? Mas eu estive no último dia da exposição Leonardo Finotti, São Paulo, multiplicidade, que me foi indicada pelo amigo Ricardo Neres Machado, e que trata da cidade de São Paulo sobre diversos pontos de vista, né? No olhar...

deste arquiteto e fotógrafo que teve curadoria do Agnaldo Farias e estava em cartaz na Caixa Cultural. Então, eu imagino que talvez ela siga em itinerância pelo Brasil. Mas fica a dica, então, do artista em si, o Leonardo Finotti.

Achei uma exposição bastante interessante, principalmente a questão como ele trata os campos de Várzia, pela cidade, que estão em extinção. E tem também uma fotografia muito impactante do cemitério da Vila Formosa, ali no contexto da pandemia. Então essa fica a minha recomendação. Como eu falei, eu não sei se a exposição vai sair em itinerância ou não, mas o Leonardo lançou diversos livros, então dá para acompanhar o trabalho dele.

que eu achei belo apanhado, né, feito pelo Aguinaldo nessa exposição, que teve curta duração, né, ela ficou de fevereiro a abril deste ano e se encerrou no domingo passado. Bem, Felipe, temos recados dos nossos ouvintes, considerações finais.

Bem, meu caro Matias, lá no site um abraço para o Richard Eliseu, para o Maicon Fernando, que ele é professor de História e Geografia no Oeste Catarinense, e pedir um abraço para a esposa dele, a Monalisa, e o filho Murilo, que são ouvintes passivos do xadrez herbal, e eles têm oito anos de matrimônio. Um abraço para o Paulo Souza, que fez aniversário no último dia 27 de abril.

Houve o programa há uns 10 anos, ele conheceu a partir das minhas participações no Nerdcast e ficou triste de não poder ter te encontrado em BH. Um abraço para o Thomas Dias Almeida, que disse que os acordos entre o Vox e o PP, que a gente mencionou, estão colocando que eles pretendem priorizar os espanhóis que tenham pais e mães espanholas.

Ou seja, o líder tribal Felipe VI não seria espanhol pelo critério do Vox, já que a mãe dele é grega. Um abraço para o Milton Branco, ele que contou um caos do ônibus 996 da Gávea até Caritas, em Niterói, que passava pela rodoviária do Rio. E ele conta que o professor dele teve que negociar com o motorista sobre a rota.

porque o motorista queria mudar a rota. Um abraço para o Ricardo Aguiar, que pediu um feliz aniversário para a irmã dele, a Palmira Catarina, que celebrará no dia 3 de maio e que começou nos ouvindo pelo Fronteiras Invisíveis sobre a Padânia. É ele que disse te amo, você melhor irmã que eu tenho. Mas ele complementa dizendo que é a única.

Um abraço para o Pedro Eugênio, que deu uma sugestão sobre as gravações durante as minhas viagens. O Jordan Higa sugeriu um vídeo do divulgador científico Kyle Hill sobre Chernobyl e os danos recentes causados por um drone.

Aí o ouvinte Pedro disse, interessante que o Felipe continua reproduzindo a tese já ultrapassada de genocídio na guerra que o Paraguai começou ou colocar o Paraguai como o mocinho da história. Então, o Pedro comentou, mas ele comentou utilizando um e-mail que pertence ao Douglas Marques de Souza Ferreira, então não sei qual é o nome verdadeiro dele, normalmente quando tem esse tipo de comentário as pessoas raramente usam o seu nome verdadeiro inclusive. E além disso é um comentário que confunde as coisas, para não dizer que é um comentário burro.

porque uma coisa é a tese ultrapassada do que a Venato, isso é um fato, outra coisa é o fato de que o Paraguai iniciou conflito, e um terceiro fato é de que o Brasil comete uma política genocida em relação à população paraguaia ao fim da guerra. Inclusive, sobre essa questão, tem uma série de vídeos no canal Nerdologia sobre a guerra do Paraguai, por coincidência, são de roteiros e locuções meus.

então assim, são coisas diferentes e em nenhum momento a gente coloca o Paraguai como o mocinho da história, inclusive Pedro ou Douglas ou seja lá qual seja seu nome, você tem um lugar que não costuma utilizar perspectivas de mocinhos e vilões essa coisa um pouco infantilizada que você reproduz, não é aqui

Um abraço para o Elton Bonfim Cardoso Pereira, ele que é torcedor do Atlético Paranaense, ele que é caminhoneiro e nos ouve no trabalho. Ele disse que ele quis registrar, porque nós temos ouvintes de profissões não acadêmicas, e nós temos ouvintes, por exemplo, que são caminhoneiros, um recentemente falou que ele era trocador de ônibus, ouvintes que são motoristas de Uber, então temos ouvintes em todas as profissões, gostamos muito disso, e um abração para o Elton. Um abraço para o nosso querido Henrique Capeta.

E, finalmente, para o Álvaro Daniel. Já nos e-mails, um abraço para o Bruno Milanês, que mandou a notícia do milionário morto pelo elefante, para o Gabriel Lavagnoli, que disse que o xadrez herbal começou em 8 de maio de 2015 e que a data de nascimento da filha dele, a Cecília.

e ela e os outros filhos ouvem um podcast por Tabela e pediu um abraço para Cecília, Isabela, Igor e Júlia. Então, um abraço para os quatro filhos do Gabriel. Também um abraço para o Marcos Jatobá, que é biólogo e trabalha em embarcações sísmicas para realizar a mitigação ambiental com relação ao processo de aquisição de dados. E ele estava na embarcação sísmica da Shearwater Empress.

E ele nos mandou um e-mail sobre a questão do Uruguai. Ele falou, inclusive, de um episódio de um navio sísmico que foi pego fazendo espionagem em águas brasileiras, que era um navio do governo alemão, e estava fazendo espionagem sobre questões de terras raras. Ele que nos mandou fotos, enfim, foi um e-mail bastante completo.

E pedir um abraço para a namorada dele, a Sofia. Então, um abração para o Marcos, para a Sofia, e muito obrigado pelo e-mail, muito completo, muito interessante. Um abraço para Isabela Estarepravo. Espero que a pronúncia esteja correta.

ela que nos ouve e é seacedista, e agradeceu a indicação da Vivian, Devoradores de Estrelas. Um abraço pro Yuri Alves, que foi pegar um trem em Colônia, e o trem atrasou, ele lembrou da gente. Um abraço pro Lucas Moura, que mandou um e-mail.

sobre encontro de ouvintes. Como eu falei no início do programa, acabou tendo encontro de ouvintes de improviso. Peço desculpas ao Lucas por não ter dado tempo de comunicá-lo, mas foi tudo marcado lá no Instagram. Felipe Figueiredo XV, tudo junto. Como eu disse, foi uma coisa espontânea, porque muitas pessoas mandaram mensagens, etc. Por e-mail a coisa ficaria mais demorada normalmente.

Um abraço também para o Lucas de Oliveira, que disse que acha que viu o Matias numa rua perto da Liberdade, ele que ficou tímido e não quis encontrá-lo. O Lucas Kenji recomendou o filme Os Colonos, de 2023, que trata do genocídio da Terra do Fogo.

Um abraço também para o Marconi Rodrigues, que disse que questiona o uso do termo eutanásia sobre animais, já que o animal não tem como expressar a vontade de ser sacrificado. É uma discussão interessante, eu particularmente não tenho muito conhecimento sobre ela. Peço aí para os nossos ouvintes veterinários pedirem a terminologia correta.

O Caio Romanini Furlan, ele é formado em design pela Unesp, mandou um e-mail com ideias muito interessantes. Um abraço para o Vitor Moreira, ele que é de Belo Horizonte, ele pediu um beijo para a noiva dele, a Bel.

E eles vão se casar no próximo dia 2 de maio, que em mineiresa é conhecido como Doidemai, doido demais. Um abraço para o nosso ouvinte, diplomata Humberto Corrêa, que mandou um e-mail muito gentil, muito solícito, e eu vou escrever para ele. E também um abraço para o Wellington Oliveira.

Da minha parte, fica aqui um salve para o Hugo, nosso ouvinte há mais de 10 anos e que me trombou no começo da semana lá na Liberdade. Um abraço também para o Lucas Gromboni, que é São Paulino e apoia a causa basca, assim como eu. E também para a aluna do nosso amigo Alex Alves de Almeida, a Natália Capifranco, que começou a ouvir o programa e está gostando. E o Alex disse que a gente mandaria um abraço para ela.

Bem, Felipe, a música de encerramento dessa semana vai em homenagem ao músico e compositor tinitário Tony Wilson, que faleceu na sexta-feira passada, aos 89 anos, né? Ele que era um dos membros da banda de soul funk britânica Hot Chocolate.

ali nos anos 60 e 70, e foi um dos compositores do sucesso You Sexting, no qual ele fez em parceria com o Errol Brown, que era um cantor jamaicano que faleceu já há quase 11 anos, no começo de maio de 2015. Então é com esse sucesso da banda que a gente vai encerrar mais esta edição do Xadez Verbal.

Legenda por Sônia Ruberti

Transcrição e Legendas por Quintena Coelho

You sexy thing. You sexy thing. I believe in miracles. Since you came along. You sexy thing. Kiss me. You sexy thing. Touch my baby. You sexy thing. I love the way you touch my darling. You sexy thing. You sexy thing. You sexy thing.

E aí

E aí

Que pausa com você!

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