Xadrez Verbal #458 Sob a Sombra da Suástica
(00:07:30) Giro de Notícias #01
(00:20:55) Coluna Aberta #01: Sob a sombra da suástica, com Fran Becher
(01:19:35) Efemérides: A Semana na História
(01:23:10) Coluna Aberta #02: Oriente Médio
(02:12:10) Match: América Latina
(03:36:15) Xeque: Europa
(03:50:15) Giro de Notícias #02
(03:57:30) Peões da Semana
(03:58:50) Sétimo Selo
(04:08:40) Música de Encerramento
Recebemos a historiadora e professora Fran Becher para falar sobre a França na Segunda Guerra Mundial e a infância e juventude neste contexto.
Também seguimos acompanhando as negociações entre EUA e Irã, além da crescente crise eleitoral no Peru e a vitória de Rumen Radev na Bulgária.
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- História da França na Segunda Guerra MundialColaboração do Estado francês com nazistas · Experiência de crianças durante a guerra · Impacto do regime de Vichy · Memória histórica da ocupação
- Conflito Irã-EUAGuerra entre Israel e Hamas · Negociações entre EUA e Irã · Impacto da guerra na saúde mental
- Situação dos direitos humanos na América LatinaViolência contra jornalistas no México · Condições nos centros de detenção dos EUA · Desigualdade social na Argentina
- Eleições PeruRenúncia do chefe da OMP · Votos brancos e nulos nas eleições · Polarização política no Peru
- Relações BrasilVisita de Lula à Europa · Acordos com a Alemanha e Espanha · Relações com os Estados Unidos
Central 3 Começa agora o Xadrez Verbal
Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3, está começando mais uma edição do Xadrez Verbal, a sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele, meu amigo e companheiro, Felipe Nobre Figueiredo, o homem por trás do tabuleiro.
Olá, meu caro Matias, olá a todos nós ouvintes, todo mundo que nos ouve, nos prestigia, nos divulga no solar, nos damos o desejo, diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido, chegando aqui, edição de número 458 do Xadrez Herbal.
E, gente, estamos gravando esse programa com 15 horas de diferença de fuso. Estou na Nova Zelândia e o Matias está em São Paulo. Então, por isso pedimos a compreensão dos nossos ouvintes, eventualmente, como a gente falou, a gente vai começar a gravar o programa em dias diferentes na semana, porque eu estarei na Oceania.
e pedimos para os nossos ouvintes que nos apoiem sempre compartilhando o programa, divulgando o programa para também atingirmos mais pessoas. E o nosso ouvinte Antônio Lima, ele disse que nos escuta tem quase 10 anos, o primeiro episódio que ele ouviu foi o da eleição do Trump 2016.
agradecemos o Antônio pelo carinho, pela fidelidade, e ele compartilha na brincadeira dos ônibus a finada linha 458M, que ligava Andorinhas, em Magé, até a cidade de Niterói, passando por Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo. Ele pagou diariamente essa linha durante anos para ir para a Universidade Federal Fluminense, onde cursava história. Ele nos ouvia nessa linha e disse que ela foi encerrada em 2024.
Isso existe nas memórias de quem, como ele, encarava duas horas e meia de viagem nesse ônibus lotado, sem ar-condicionado e com os bancos mais desconfortáveis já criados, uma experiência quase criada em laboratório pela aviação Rio de Janeiro para oferecer aos passageiros a pior experiência possível. Ele manda um abraço para toda a nossa equipe. Então, um abração aí para o Antônio e sentimos muito.
pela experiência rodoviária dele. E, meu caro Matias, alguns dos nossos ouvintes comentaram que o áudio da Vivian saiu com problema no último programa. Aparentemente, gente, isso foi algo dos agregadores ao comprimirem o arquivo para colocar quando subiu no feed, tá, gente? Então, algumas pessoas se queixaram, outras não. Não sei se foi em todos os agregadores, pedimos desculpas, tá? Mas, enfim, foi um problema técnico que não passou pela gente.
E eu queria agradecer também a todo mundo que colou bate-papo sobre direitos humanos e jornalismo, que eu participei na quarta-feira da semana passada lá no Sesc da Avenida Paulista, numa conversa mediada pelo Vitor Tavares e também com participações do Daniel Arroyo e da Isabel Harari. E fica aqui o recado de dois ouvintes que estiveram presentes lá.
A Alanes, que a família toda dela ouve o programa. Então, abraço também para Rita, Gilmar e Alicia. E ela disse que foi um prazer me conhecer. E não pode deixar de mencionar que começou a ouvir o Xadrez Verbal por causa do professor dela de geografia, o Lauro. Então, fica aqui um salve.
para toda a família da Alanis, que tem o nome em homenagem à cantora canadense e ao professor dela, o Lauro. E também um abraço para o nosso ouvinte Wellington Ferreira, que estava presente lá junto com a companheira dele, a Gabriela Salomão. Ele mandou uma mensagem de agradecimento pelo nosso trabalho como interlocutores e acadêmicos da área. Ele, como internacionalista, dá muita esperança e satisfação saber nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido n
que o nosso trabalho tem crescido e que vocês têm alcançado mais pessoas nesse mundo. E, com certeza, vários estudantes e profissionais continuarão levando a sério e tentando cada vez mais fazer a diferença. Então, fica aqui, mais uma vez, o agradecimento pelas palavras tanto da Alanis quanto do Wellington e agradecer, mais uma vez, pelo convite feito pelo Júnior Belé para participar dessa atividade.
Por fim, agradeço geral a quem colou na festa do Medo e Delírio em Brasília, no sábado passado, lá na Infino, pela parceria mais uma vez com o Cristiano Botafogo e o Pedro D'Alto, o Carlos Bolívia e sua cúmbia artificial, e nessa ocasião também o Wesley Asnogueira e grupo, inclusive o Tiago Cunha, que é o baterista, me presenteou com o segundo álbum do Passo Largo.
que é um trio instrumental composto pela cozinha que estava acompanhando o Wesley. Fica aqui um salve para o Paulo e para a Juliana, recém-casados, já que o Paulo está de mudança para a Inglaterra e a Juliana vai acompanhá-lo, um casal são paulino-botafoguense do DF. Fica um abraço também para a nossa ouvinte de longa data, a Rita.
Oliveira Alboiadian, que tampa no Ibama, e me mandou uma mensagem depois muito bacana, dizendo que os filhos dela não gostam de ouvir o podcast, porque tem muita notícia ruim, enfim. Mas depois da festa, ela disse que me encontrou e a filha mais velha de 11 anos falou O meu caro Matias...
E ela achou fofo demais, então um abraço aí para toda a família da Rita. Também um abraço para o nosso ouvinte Miguel Michele, que é consultor legislativo da área de segurança, defesa e relações internacionais da Câmara dos Deputados e estava lá presente.
Assim como o Oscar, que estava bem trajado com uma camisa da Roma. Ele que é amigo da nossa querida Tupá Guerra, que estava presente na festa também. E aproveito aqui e faço convite para que vocês ouçam minha participação no podcast da Tupá. Uma Tupá na história que saiu na semana passada, no qual eu e ela conversamos sobre o futebol aqui na nossa quebrada sudaca.
Bem, sem mais delongas, passemos para o primeiro bloco do Giro de Notícias.
É tempo de Copa do Mundo e a Central 3 chega com um podcast narrativo com histórias da seleção brasileira. É o Amarela Ouro. Personagens do passado, debates do presente e uma viagem por causos do maior time de futebol da história. Amarela Ouro, semanalmente no seu tocador. Uma produção Central 3. Vai ser Beto! Vai ser Beto! Vai ser Beto!
Giro de Notícias
Notícia da quinta-feira da semana passada, dia 16 de abril. Político sul-africano é condenado a cinco anos de prisão por disparo de arma de fogo. O Július Malema, o líder dos Economic Freedom Fighters, o partido radical de esquerda do parlamento sul-africano, que já mencionamos aqui algumas vezes, ele foi condenado a cinco anos de prisão.
por ter disparado um fuzil para cima durante um comício em 2018. Ele ainda tem uma apelação, ele vai responder ainda em liberdade, e os advogados dele alegam que os disparos foram celebratórios e que ninguém se feriu, ninguém foi atingido.
E tem um detalhe, pelo sistema político sul-africano, caso ele seja condenado a mais de 12 meses de prisão, ele não pode ser mais membro do parlamento. Então, tem também uma conotação política no julgamento dele. Lembrando que o Economic Freedom Fighters é uma dissidência do Congresso Nacional Africano, que é o partido que governa o país desde o fim do apartheid.
E ainda em relação à África do Sul, nós tivemos a nomeação, como uma tentativa de melhorar as relações com os Estados Unidos, a nomeação de um novo embaixador do país em Washington, o Roelfmeier, ele que foi um dos principais negociadores do fim do Apartheid no início dos anos 90, já que você acabou de mencionar. Ele, como acho que não, o nome Roelfmeier deve deixar claro, ele é um africano, ele é branco.
Então, o governo sul-africano nomeia um novo embaixador para os Estados Unidos para melhorar as relações, também baseado nessa visão racial e para negar a acusação bizarra do Trump, movida pelo Elon Musk, de que existiria um genocídio branco ocorrendo na África do Sul.
E uma outra notícia africana é que o Papa Leão XIV, ele, nessa semana, visitou uma prisão, a principal prisão da Guiné Equatorial, e ele pediu pela reforma da justiça e pelo tratamento justo aos criminosos. Ou seja, ele é um comunista. Notícia da terça-feira passada, dia 21 de abril.
Trump tem 36% de aprovação em meio à guerra com o Irã. A aprovação de Donald Trump continua numa baixa histórica, continua na faixa dos 36%, porém é importante mencionar que estamos falando talvez de um dos piores momentos, se não o pior momento da sua popularidade, logo depois dessa questão do conflito com o Irã. Segundo a pesquisa Reuters, Ipsos,
72% dos cidadãos dos Estados Unidos rejeitam o atual governo Donald Trump. Falando de algumas outras notícias dos Estados Unidos, ligadas diretamente à guerra, à sua política externa, nós tivemos por um voto, um voto, um.
a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, manteve a atual versão do War Powers Act, o ato dos poderes de guerra, que tem sua origem lá na guerra do Vietnã, e que, em última instância, vamos lembrar, o Donald Trump não precisou pedir autorização para o Congresso do seu país para a realização de mais de 10 mil ataques aéreos contra o Irã, de causar milhares de mortes e milhões de deslocados.
Então, é um sistema bastante falho, por assim dizer, esse da política dos Estados Unidos em relação aos poderes de guerra do presidente. No Capitólio, dezenas de veteranos de guerra, especialmente veteranos do Afeganistão e do Iraque, foram presos ao protestarem contra a guerra no Irã.
Falando do governo Trump, um tribunal liberou a construção do salão de festas, muitas aspas aqui, do Donald Trump na Casa Branca, a construção avaliada em 400 milhões de dólares, e agora o Donald Trump veio abertamente, confessou, admitiu, que o salão de festas também inclui um grande aparato de segurança e militar por trás.
com abrigos de bomba, um hospital subterrâneo, instalações militares, estrutura e equipamento, vigas de aço resistentes a mísseis e outros tipos de proteção balística, todo esse tipo de coisa. Lembrando que, originalmente, isso não era comentado. Porém, isso foi revelado na imprensa dos Estados Unidos, que se trataria, na verdade, o tal do salão de festas, cafona dourado do Donald Trump, era, na verdade, um bode expiatório.
para a construção, na verdade, de instalações militares subterrâneas, para expandir o centro de comando, a função militar da Casa Branca. E agora isso foi confirmado pelo próprio Donald Trump. O secretário de defesa dos Estados Unidos, o Pete Hegsett, disse que membros das Forças Armadas dos Estados Unidos não precisarão mais tomar a vacina da gripe, meu caro Matias, porque um antivax no governo é bobagem, tem que ter mais de um.
E curioso que um dos Founding Fathers, o George Washington, acreditava que vacinar as suas tropas contra a varíola era a chave para vencer a guerra revolucionária e conquistar a independência. Isso nas palavras do senador democrata pelo Arizona, o Mark Kelly, que é um veterano de guerra e também um ex-astronauta.
Foi muito interessante você trazer esse comentário, né, Matias? Porque, assim, questões sanitárias são importantíssimas na guerra, né? A maior parte dos soldados que caíram na história não foram por combate, foi por doença, desnutrição, problemas de saúde. E o Pete Hegson também, segundo a Economist, já demitiu 21 generais nesses menos de dois anos no cargo. Então, assim, imaginem só...
se um ministro da Defesa no Brasil demite 21 generais em menos de dois anos, como seria a repercussão. E, no caso do Pete Hegson, isso está sendo colocado meio por debaixo dos panos. Vários ouvintes, como o nosso querido André Gonçalves Bidá, nos mandaram um manifesto distópico.
da Palantir, a empresa de tecnologia ligada, inclusive, ao uso de inteligência artificial pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. A gente vai comentar mais sobre esse manifesto com o convidado aqui no futuro. E, finalmente, meu caro Matias, ainda sobre o projeto da Artemis, e a gente vai falar da pronúncia no fim do programa, o Donald Trump foi a Fox News dizer que a NASA estava completamente abandonada.
E que ele começou o programa Artemis. E aí um monte de gente postou a foto de um tal de Joe Biden com os astronautas da missão Artemis. A missão Artemis, na verdade, foi um fruto do programa de Joe Biden. O Joe Biden falou do retorno à Lua e tudo mais. Então, Donald Trump mentindo de novo mais uma terça-feira qualquer.
E aproveitando que estamos falando da Artemis, essa grande missão, esse grande desenvolvimento tecnológico, lembrar que a Lura, a maior escola de tecnologia do Brasil, é parceira do Xadrez Herbal. E vamos repetir o que a gente está falando nessas semanas.
Vocês tratem de correr para aproveitar o descontão da Alura. É por tempo limitado. Então, corre, me ouve. Você pode garantir até 40% de desconto no nosso link alura.tv. Barra Xadrez Herbal.
Lembrando que vocês têm 22 carreiras completamente organizadas em trilhas de aprendizagem. Vocês têm a Luri disponível em todos os planos. Vocês têm os planos de 24 meses para aprenderem com calma no seu tempo.
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Também na terça-feira da semana passada, Comissão de Direitos Humanos da Indonésia constata abusos generalizados na repressão aos protestos de 2025. Nós tivemos aqueles grandes protestos em 2025 na Indonésia, como parte dos chamados protestos da geração Z, lembrando que mais de 5 mil pessoas foram presas.
E agora, a investigação conduzida pelo próprio Estado do Indonésio concluiu que nós tivemos detenções arbitrárias, espancamentos, choques elétricos, queimaduras, violência sexual, inclusive violência sexual contra menores e pelo menos 11 pessoas mortas por consequência direta das ações do aparato de Estado da Indonésia.
Então, esperemos que esse relatório não seja simplesmente varrido para debaixo do tapete e resulte em nada. Um pouco mais ao sul da Indonésia, meu caro Matias, na Austrália, nós tivemos um grande incêndio que durou mais de 13 horas em uma das principais refinarias de petróleo do país, em Gielong, que fornece metade do combustível da região de Vitória e 10% de todo o combustível da Austrália.
E mais ao norte, nas Filipinas, começou essa semana o exercício militar Balikatã 2026, que é o principal exercício militar entre as Filipinas e os Estados Unidos, e dessa vez se trata do maior exercício em número de países participantes, com Austrália e Nova Zelândia, além de outros países como observadores.
Outra notícia da terça-feira, dia 21 de abril. Organização antirracista dos Estados Unidos é indiciada após acusações federais de fraude. O governo dos Estados Unidos viu ser o Departamento de Justiça, conduzido pelo Todd Blanch, aquele que deu aquelas declarações basicamente de vassalagem em relação ao Donald Trump.
e cuja sede tem um enorme banner com a cara do Donald Trump, está conduzindo agora um processo contra o Southern Poverty Law Center, que é um dos principais centros de pesquisa antirracista nos Estados Unidos. A gente, inclusive, as consequências socioeconômicas da escravidão, já usei muita coisa deles nos roteiros do Nerdologia.
E eles agora são alvo do governo dos Estados Unidos, principalmente pelas suas posições ideológicas, de criticarem o governo Donald Trump e afirmando que membros do governo normalizam o supremacismo branco e porque eles são acusados de fraude. Porque eles não teriam declarado pagamentos, feitos inclusive a integrantes da Ku Klux Klan.
Só que, por que eles não declararam esses pagamentos? Porque são pagamentos feitos para informantes de atividades justamente confidenciais, ou pessoas infiltradas em organizações de supremacistas brancos. Então, eles obviamente não podem colocar no imposto de renda, pagamos X mil dólares para Ku Klux Klan. E o governo dos Estados Unidos, inclusive, via o diretor da FBI, o Cash Patel,
outro vassalo do Donald Trump, está tentando dar um twist, colocando como o Southern Poverty Law Center seria a instituição corrupta e errada de toda essa história. Não a Ku Klux Klan. A Ku Klux Klan está tudo bem.
na visão deles. O problema é você pagar para um infiltrado, é você pagar para um dissidente fornecer informações, coisas do tipo. E ele está dizendo, por exemplo, que o dinheiro do Southern Poverty Law Center está...
alimentando as organizações. Não, porque eles não estão doando para a organização como CNPJ. Eles estão doando para pessoas como CPF, que, repito, são ou infiltrados, ou dissidentes, ou informantes. Então, é uma situação que beira o absurdo. Pelo menos até esse momento, eu posso estar equivocado com as informações que eventualmente eu era público, mas até esse momento parece uma situação completamente absurda.
Bem, vocês ficam agora com a primeira coluna aberta na qual o Felipe entrevistará a nossa amiga Fran Becker sobre o lançamento do seu livro Sob a Sombra da Suástica. Coluna aberta
Bem, ouvintes do Xadrez Herbal, é com muito prazer que a gente recebe, com muito atraso nosso, inclusive, a nossa queridíssima Francielle Becker, ela que é doutora em História pela Universidade de Paris 8 e está lançando o livro Sob a Sombra da Suástica, a França Ocupada.
publicado pela editora Contexto em Português aqui no Brasil. Fran, obrigado pelo seu tempo, pela sua disposição em nos ouvir, e obrigado pela amizade nesses anos todos, mesmo que uma amizade à distância, já que a gente ainda não teve o prazer de nos encontrarmos, mas eu aprendo muito com você pelas redes sociais, pelos seus comentários. Então, antes de tudo, muitíssimo obrigado por aceitar o nosso convite.
Felipe, muito, muito obrigada. É um sentimento recíproco, como ouvinte do Estado Desverbal há muitos anos, e depois, aos poucos, me aproximei de você e do Matias pelas redes sociais. Todas essas questões de política francesa que às vezes a gente discute, que vocês também citam no programa, para mim é uma honra estar aqui, falando do meu livro, falando também um pouquinho.
sobre política francesa atual e que seja uma parceria que, quem sabe, aconteça novamente. Eu estou sempre disposta a ajudá-los e a debater esses temas.
Fran, antes de falar do seu livro especificamente, o seu livro, a sua produção intelectual e a sua pesquisa como acadêmica, ela está muito ligada à história francesa, mas especificamente ao período da Segunda Guerra Mundial.
Da onde surgiu o seu interesse, a sua vontade de pesquisar esse tema? Fala um pouquinho da sua carreira acadêmica que levou ao livro. Então, talvez um pouco do seu doutorado, também talvez do mestrado. Da onde veio o seu interesse por esse tema e esse período?
Então, Felipe, foi uma coisa que se construiu muito cedo para mim. Desde a graduação, eu tive experiência de iniciação científica, eu sou formado em história, graduação, mestrado e doutorado. E desde a iniciação científica, eu me interessei pelo tema das infâncias marginalizadas.
Num primeiro momento, como jovem pesquisadora, eu trabalhei com as infâncias durante a ditadura. Então, foi o primeiro movimento de pesquisa que eu fiz ainda na graduação. Em seguida, no mestrado, eu ampliei um pouco essa pesquisa, tentando entender como as fundações estaduais do bem-estar do menor, as FEBEM, se encaixam na própria doutrina de segurança nacional da ditadura e como é que essas crianças foram também, de certa forma, vítimas desse período, desse momento autoritário brasileiro.
E no doutorado, eu meio que unir o útil ao agradável, meu namorado mora na França, então a gente queria ter um jeito de ficarmos juntos, e eu queria também fazer meu doutorado, e a França era um lugar perfeito, porque a tradição historiográfica é muito importante por lá.
E eu acabei conhecendo um professor que me apresentou fontes maravilhosas de infâncias marginalizadas que estavam no sistema de justiça francês e que viveram a Segunda Guerra Mundial, escreveram sobre ela, desenharam essa guerra. Então eu trabalhei com fontes primárias muito interessantes de centros de reeducação de menores, chamado Centro de Observação, dentro da lógica francesa, em que esses jovens...
falaram, escreveram, viveram a Segunda Guerra Mundial. Então a minha tese é uma tese sobre a experiência adolescente da Segunda Guerra Mundial. E esse livro é meio que o pano de fundo da tese. Como eu acabei lendo muita historiografia francesa.
obviamente em francês, estando na França, tive contato com toda essa historiografia da Segunda Guerra Mundial, que é imensa, é realmente muito grande na França, e tem muito pouca coisa traduzida em português. Então, esse livro acaba surgindo de todo esse contexto da minha tese de doutorado.
E do convite do Icles, que é nosso colega, nosso amigo também, do Icles Rodrigues do História FM, que me chamou para um episódio de podcast sobre a França Ocupada, um assunto muito pouco discutido em português. E o pessoal da Editora Contexto escutou o podcast e me chamou para escrever o livro. Então são coisas que foram se encadeando.
Essa minha pesquisa sobre infâncias marginalizadas em períodos autoritários, ditadura, Segunda Guerra Mundial, e aí, no caso, o contexto da França ocupada, que eu falo sem muita... Não é uma falsa modéstia nem nada disso, porque é um fato, não tem muita coisa publicada em português, infelizmente. Nós temos, sei lá...
A Estranha Derrota do Mark Bloch, que é um livro muito importante sobre a derrota de 1940. Nós temos alguns trabalhos muito legais sobre resistência de alguns historiadores brasileiros. Nós temos algumas traduções de livros estrangeiros sobre a Segunda Guerra na França, mas a gente não tinha até então uma síntese histórica que pegasse esse período inteiro, que trabalhasse questões de cotidiano dessa guerra vista de baixo, que é um pouco a perspectiva da minha tese, essa guerra vista por cidadãos comuns. Então foi um pouco do que eu quis trazer nesse livro.
Não há necessidade nenhuma de modéstia, Fran, porque o seu trabalho é basicamente pioneiro, como você mencionou, no idioma português. E a partir da sua resposta, eu quero fazer duas perguntas que acho que são pautas muito interessantes para o nosso ouvinte.
E uma delas, inclusive, vai abrir outras portas. Depois eu vou começar por ela, justamente por isso. Que é... Você acabou de falar, e eu concordei, que nós temos muitíssimo poucos trabalhos no idioma português sobre a França e Culpada, sobre o regime de Vichy, sobre todo esse processo.
O que você acha, o que você acredita para o nosso ouvinte que seja essencial compreender sobre esse período e sobre a memória desse período? Porque é uma memória que é ao mesmo tempo traumática para os franceses, mas ela também...
é parte da construção nacional francesa posterior. Talvez o principal líder da França durante a Guerra Fria tenha sido Charles de Gaulle, devido ao seu papel na resistência. Ele que não estava na França exatamente, ele estava fora. Mas então, o que você acha que é essencial para o nosso ouvinte compreender sobre esse período e sobre o impacto, o legado, a memória desse período hoje?
Então, o que está por trás desse livro? O que eu gostaria que as pessoas tentassem refletir, pensar a partir desse livro? Como é possível que um Estado democrático como a França, com uma tradição democrática tão longa, o país da Revolução Francesa,
rapidamente derrotado militarmente, acaba se submetendo a um regime autoritário e, mais do que isso, acaba colaborando com esse regime autoritário. A grande questão, acho que o grande nó na França, é um caso único, não aconteceu em outros países ocupados e invadidos em 1940.
pela Alemanha nessa Europa Ocidental, é que existiu uma vontade de colaborar. Eu falo isso em vários momentos do livro, a colaboração de Estado é uma escolha dos dirigentes da França da época, principalmente o Marechal Philippetin e o Pierre Laval, que vai ser a figura de primeiro-ministro, como a gente poderia chamar.
Então, é a escolha da colaboração. E não só escolher colaborar com os nazistas, com o projeto nazista, mas também aproveitar esse momento delicado do país, esse momento sensível, esse momento autoritário, para colocar em prática uma ditadura.
uma ditadura de reformulação nacional, uma ditadura de revolução nacional, que era o nome que eles mesmos usavam. Então, é meio que a pergunta que fica, como é possível chegar a esse Estado, a esse momento autoritário na França? Como isso se constrói muito antes, isso é bem coisa de historiador, eu vou lá puxar no século XIX o caso Dreyfus, com a questão do antissemitismo, eu vou puxar os anos 30, com esses movimentos autoritários se fortalecendo ali na Europa,
O que já estava construído em termos de xenofobia, em termos de perseguição ao outro na França, como é que isso se solidifica a partir de 1940, de uma forma bem pragmática, de uma forma bem oportunista, por essa ala do governo que tomou poder ali em 10 de julho de 1940.
E como é que a população reage, né? Isso é o outro foco do livro. O cidadão, o francês, a pessoa que estava morando na França no momento, como ele reage a isso, como ele se comporta. É um pouco dos comportamentos humanos também, que eu debato bastante no livro. Ah, é resistente e colaborador.
Às vezes esses títulos servem, mas às vezes eles precisam de mais nuances, eles precisam de mais discussão, eles precisam de mais contexto, eles precisam que a gente consiga encaixá-los nessa realidade, numa realidade de um país ocupado, de um país sendo pilhado, porque isso acontece literalmente durante muitos desses quatro anos.
E quando a pessoa está face a face a certas escolhas morais, que são muito difíceis. Quando você é um funcionário público, quando você é um cidadão comum, quando você é um político. Então é meio que a guerra por dentro. Eu falo de algumas operações militares, obviamente, falo sobre a invasão em 40, depois eu vou falar um pouquinho sobre a liberação, mas o foco não são as grandes datas de batalhas, nem os grandes nomes ainda que eu falho, do Charles de Gaulle como um grande líder que vai surgir nesse contexto, falo do Filipe Petain.
Mas é para ver essa guerra por dentro também. Eu tento trazer essas duas faces. E isso se liga muito com a história que se constrói logo depois. Então a gente tem o que a gente chama de Terceira República Francesa, que vai ali da Guerra Franco-Prussiana, que é uma derrota francesa também, até 1940. A gente tem esse ato autoritário de 1940 a 1944. E depois os franceses nomeiam de Quarta República o que vem em seguida.
E aí a gente tem Charles de Gaulle, que se constrói como líder da França resistente e tem todo o seu mérito. A gente sabe que ele conseguiu organizar essa França fora da França. Ele foi essa pessoa que aglutinou e ele se tornou um líder, aos poucos, pelos próprios franceses, um líder nato. Acabou sendo naturalmente aceito pelos franceses, teve seus percalços também junto aos aliados e eu comento no livro.
Mas é um período que assombra ainda a França. Então esse sob a sombra da swastika é durante a Segunda Guerra Mundial, mas ele pode também ser no pós-guerra. Porque essa memória da guerra é muito conflituosa. Eu não chego a discutir no livro, mas a gente vai ter vários períodos, como se fosse o período de luto de uma pessoa quando morre alguém.
E é uma expressão que o historiador Henri Rousseau usa, a síndrome de Vichy. Então ele fala do momento do luto inacabado, do momento em que se quebra o espelho e você consegue se enxergar novamente dentro dessa história como é que os franceses construíram ao longo do tempo. E aí pulando para o mundo atual, para a gente não ficar nesses anos do pós-guerra, que eu acho que não é nem o foco aqui.
A gente tem muita coisa acontecendo. A gente vai ter o antigo Front Nacional, que eu gosto de chamar Rassamblémont Nacional, o Reinal Nacional, que é um partido de extrema-direita que bebe plenamente desse período. Não só os dirigentes são ligados aos setores da colaboração.
na Segunda Guerra Mundial. A gente pode dizer que um deles é nazista mesmo, porque não é nem uma extrapolação do termo, mas eles bebem dessas fontes do racismo, da misoginia, do antissemitismo, do anti-migração, uma pauta muito específica da França. Então, a gente vai discutir mais alguns desses episódios mais recentes.
Mas eu falo isso mesmo na introdução. É um livro que se situa, principalmente entre 1939 e 1945, na Segunda Guerra Mundial, mas ele transborda para os desafios do tempo presente. Eu me formei doutora em História na Paris 8 pelo Instituto de História do Tempo Presente.
Essa questão da Segunda Guerra Mundial a gente não chama só de tempo presente porque as testemunhas ainda estão vivas, ainda que estejam já bastante idosas nesse momento, mas também porque isso ressoa no nosso presente, isso continua sendo mobilizado. Então acho que a gente vai ir por essas questões ainda na nossa discussão.
Mas eu falo na minha introdução, acho que quase literalmente, é um livro que não fala só sobre a França. É um livro que fala sobre a Segunda Guerra Mundial como um todo, essa guerra racista, essa guerra seletiva, essa guerra ultraviolenta. E fala também sobre o desafio de Estados democráticos diante de momentos autoritários.
Pran, a sua resposta, ela originou umas 10 perguntas na minha cabeça. Eita! Mas, não, mas a gente, inclusive, tem uma... A gente não vai tomar tanto assim no seu tempo, mas tem uma coisa que eu achei muito interessante você ter comentado, que foi o colaboracionismo...
o colaboracionismo, a vontade de colaborar, não apenas um colaboracionismo forçado. E tem uma coisa que acho que muitos nossos ouvintes não devem saber, e eu gostaria que você desse talvez uma pincelada nisso, é que mesmo a França tendo sido derrotada na Guerra Franco-Prussiana, que a Primeira Guerra Mundial tenha uma origem no revanchismo francês, ou seja, você tinha essa tensão entre franceses, França e Alemanha, muitos franceses combateram...
pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente contra os soviéticos. Inclusive, eu já vi mais de uma vez que os últimos defensores do Reichstag, quando a gente tem aquela famosa foto da maneira soviética, eram franceses da legião Carlos Magno. Ou seja, aquela construção historiográfica do Carlos Magno como um legado comum dos dois povos. Fala um pouco pra gente sobre isso, sobre franceses que combateram pela Alemanha.
Então, justamente, como você falou, colaborar num momento como esse, existe uma colaboração administrativa que é imposta pela Convenção de Armistício. Isso é posto. Então, poderíamos ficar por aí. Nós somos obrigados a colaborar com a Alemanha, tem uma multa diária para pagar em francos.
o exército tem que ser desmobilizado. Isso não é uma colaboração do jeito que a gente está falando, é uma colaboração obrigatória, uma colaboração administrativa que aconteceria e aconteceu em outros países da Europa. O que aconteceu na França ultrapassa, é uma escolha política.
E aí eu tenho um capítulo inteiro no livro sobre colaboração em que eu falo desses vários tipos. A colaboração econômica, a colaboração administrativa, a colaboração das mulheres através da sexualidade, tem toda uma discussão de gênero por trás, a colaboração política, que já dá um passinho em frente, porque daí a escolha é muito mais...
real, existe uma escolha ideológica, e aí a gente vai para os ultras da colaboração, como a gente poderia dizer, que são os que vão lutar pelo Reich. Então, aconteceu, é um número que é pequeno, a gente tem lá 20, 30 mil pessoas no total, se você for pegar o universo da própria colaboração, é pouco.
se for pegar o universo da população, é pouquíssimo, mas são pessoas que se mobilizaram desde 1941, ou seja, o que vai começar esse movimento de pessoas que querem lutar ao lado dos nazistas na França ocupada é a Operação Barbarossa, então é a partir de 1941. É o primeiro grupo que se forma, a Legião Francesa de Voluntários contra o Bolchevismo, esse é literalmente o nome do grupo. Ele vai ao longo do tempo, se...
metamorfoseando, vai ser criada a legião Carlos Magno lá no final, mas o importante é saber que esse núcleo duro existiu, que eles escolheram lutar pelos nazistas, e que foram, como você falou, até as últimas consequências, os últimos soldados do Reich são franceses da Carlos Magno. Então a gente tem grandes dirigentes de Vichy lutando no leste, a gente tem toda uma...
mobilização social para recrutar essas pessoas, são grupos que são mal vistos pelos nazistas, os nazistas não se importavam muito com eles. Eles não queriam que os franceses se organizassem militarmente. Isso é uma coisa que acontece ao longo da ocupação. Os nazistas acabam deixando acontecer, porque, bom, propaganda de comunista, por que não? Se é de graça, estão fazendo, façam.
mas eles nunca incentivaram realmente. Lá no final, que a Carlos Magno vai ser criada por uma decisão dos nazistas, e aí que esse grupo se compõe. Mas Vichy também não chegava a literalmente apoiar, acabou apoiando pela força das circunstâncias, não era o foco do regime. E aí é uma questão que é importante também citar, que eu trabalho no livro, eu tento deixar isso claro, que Vichy é uma ditadura de direita, com elementos de extrema-direita também.
Mas não é literalmente fascista. A gente não pode dizer assim, ah, Vichy era um Estado fascista. Teve muitas ações fascistas, teve muitas pessoas fascistas, mas tinha muita disputa interna. E essa questão, essa própria questão dos combatentes, é uma das questões que divide. Dentro do núcleo do Vichy, os que são mais pró-alemães e os que são menos pró-alemães. Mas sim, de fato, os franceses lutaram do lado dos alemães, foram até as últimas consequências, é a forma como eu fecho esse capítulo da colaboração.
fala justamente sobre isso, sobre os escombros de Berlim e aqueles poucos soldados. E aí, no final, a Carlos Magno vai ser um grande popurri, uma grande junção de pessoas que vão sobrando de outros grupamentos militares, de outras facções políticas que vão se juntar na Carlos Magno no final e vão lutar em Berlim até os últimos momentos.
E na minha primeira pergunta eu disse que eu queria perguntar duas coisas. Uma delas é desse legado de Vichy, e repito, por mim, daria para fazer muitas perguntas, até porque sua didática é incrível. Mas você mencionou que o início da sua carreira...
da sua carreira acadêmica e a sua tese de doutorado também, são sobre infância e juventude, e no caso do doutorado especificamente, na França ocupada.
O que, novamente, você acha importante para o nosso ouvinte entender, saber sobre crianças e adolescentes numa situação, tanto no caso específico da França, mas também no geral de uma guerra?
E eu pergunto isso por quê? É claro que, para os nossos ouvintes, ninguém vai falar que uma criança ou um adolescente passando por uma guerra, passando por um conflito, passando por uma política genocida às vezes, e são exemplos que eu estou buscando no nosso mundo atual, como Sudão, Irã, Gaza.
Como, obviamente, para o nosso ouvinte, isso é uma tragédia. Mas, indo além do sentimento, quais são as particularidades de um ser humano, nesse estágio da vida, passando por um conflito como esse? E aí, repito, a sua resposta pode tanto abordar o caso específico francês, mas também eventuais questões que você acha que são universais, que nos ensinam sobre o mundo de hoje. E aí
Eu vou fazer um parênteses historiográfico, e eu juro que eu não vou tomar muito tempo dos ouvintes, mas é porque eu acho que é importante para entender como eles se tornam sujeitos históricos. A gente tem na história, no século XX, vários movimentos historiográficos que renovam fontes, que renovam formas de olhar para o passado. E a gente está ainda renovando.
E a gente tem então o movimento da nova história na segunda metade do século XX, lá nos anos 70, enfim, em diante. Antes vem os análises, depois vem a nova história. E ali começam a se pensar novos sujeitos, novas fontes, novas formas de se pensar a história. E surge ali o primeiro embrião da história da infância e da juventude. É um francês, que é um dos expoentes que a gente costuma falar bastante, que é o Philippe Arrier.
E ele fala que a infância e a juventude são os momentos específicos da vida que se encaixam dentro de uma lógica da sociedade de forma diferente dos adultos. Então existem coisas que são diferentes para os adultos e para os mais jovens e a gente começa a pensar esses sujeitos como sujeitos históricos.
Esse campo vai se renovando, a gente começa a ver as particularidades regionais, a gente começa a ver as múltiplas infâncias, não é somente a infância, sei lá, dos nobres franceses dos castelos, a gente começa a ver as infâncias pobres também, como uma infância diferente por questões de classe, a gente começa a ver sobre outros enfoques, as meninas diferentes dos meninos, isso vem também no movimento de história das mulheres.
E a história da infância em guerra também se reformula nesse momento, a própria história da guerra, para começar a olhar para os mais jovens como sujeitos históricos, que são diferentes dos adultos em função das percepções que tem do mundo e do lugar que eles têm no mundo. Então é com esse olhar historiográfico que eu escrevi tanto a minha dissertação quanto a minha tese.
mais especificamente a minha tese sobre a infância e a adolescência, mais a adolescência, inclusive, na Segunda Guerra Mundial na França. Então, o que é importante? Crianças e adolescentes têm o que dizer sobre a guerra. Eles compreendem a guerra dentro do universo que eles conseguem compreender.
Ah, mas a infância e a juventude não entendem as questões de política, não sabem o que está implicando politicamente. Mas será que todos os adultos sabem? Essa é a pergunta que fica. Os adultos também ficam confusos, não são só as crianças. Então, assim, existe uma visão da guerra específica das crianças, uma forma de ver o mundo, uma forma de sentir esses acontecimentos. E algo que perpassa a Segunda Guerra, e vai perpassar qualquer guerra,
é o desmoronamento do universo da criança. Porque a criança tem um universo muito específico, o universo do brinquedo, o universo do lúdico, o universo da escola, o universo da família. E esses universos, quando os civis são atingidos pela guerra, e no século XX isso é sempre, cada vez mais, eles são alvos da guerra, esse universo vai desmoronar primeiro. Então, os bombardeios é uma experiência universal que eu poderia replicar.
E até nos bombardeios eu não falo no livro, mais especificamente do ponto de vista das crianças, mas na minha tese eu falo bastante. Se nós pegássemos um trecho de uma redação falando sobre o medo do bombardeio, a perda de um ente querido, e a gente modificasse os nomes, tiramos os nomes franceses, colocassem nomes de crianças de Gaza, facilmente passaria por um texto de 2026.
Então tem algumas experiências que perpassam, que são meio que atemporais, e que pegam justamente essas unidades sociais que as crianças são muito importantes. A família, a escola, esse universo. A criança e o jovem não têm controle sobre a maior parte dessas coisas, né? Mas eles têm o que dizer, eles se mobilizam pela guerra.
Então, na minha tese, eu falo dos jovens que vão para a resistência, então eu consegui encontrar uma centena de jovens que passaram por esses centros de reeducação.
para menores delinquentes durante a guerra na França, que, de certa forma, participaram da resistência. Encontrei também 30, bem menos em número, inclusive essa é uma proporção que se repete para os próprios adultos, a gente tem muito mais resistentes, efetivamente, do que colaboradores. A gente também tem adolescentes que vão parar na Carlos Magno.
muito jovens, com menos de 18 anos. E é uma coisa que os adolescentes fazem em muitas guerras. Tem um trabalho muito legal da Manon Pinho, que é uma francesa que trabalha com a Primeira Guerra Mundial. Quais são as estratégias para entrar na guerra? Mentir a idade, fingir que é de uma outra nacionalidade. Então eles pegam também esses elementos da guerra e transformam a seu favor.
Isso acontece também na Segunda Guerra Mundial. Eu lembro de um menino, por exemplo, que... Muito jovem, acho que ele tinha uns 10 anos de idade na Guerra da Ucrânia. Acho que a família escreve o telefone na mão dele. E ele atravessa cinco países sozinho.
Tem casos na minha tese de um menino alemão, que era da juventude hitlerista, ele troca de identidade cinco vezes para fugir desse legado alemão, que ele sabe que a partir de 1945 já não é mais legal ser alemão, e ter feito parte da juventude hitlerista, ele cria cinco identidades diferentes, e ele engana a burocracia francesa por muitos anos.
Então, é meio que recolocar as crianças e os jovens no centro da história e mostrar que a história também pode ser feita através deles e através das palavras deles. Isso é muito claro para mim, talvez nos conflitos atuais fique mais claro para mim com as crianças de Gaza. Porque é um conflito de longa educação, porque é um conflito que atinge muitas crianças, que são uma grande parte da população de Gaza, a maior parte da população é muito jovem.
E por ser uma guerra muito longa, e aí um genocídio mais atualmente, uma coisa extremamente violenta, a gente vê formas de atuação política dessas crianças que são assim, a gente se emociona de ver, se vocês lembram, mas ali, acho que era em 2023 ainda, talvez não, 24 já.
Algumas crianças lendo, eles estavam com os médicos atrás, era uma cena assim de destruição, devia ter até cadáveres e tudo mais, e as crianças lendo o manifesto, né? Pelas crianças de Gaza, para que a guerra acabe. Aí você pode me dizer, ah, mas teve um adulto que escreveu, teve um adulto que mandou falar, eles são do Hamas. Mas calma gente, adultos também?
são manipulados, adultos também escolhem ser de um lado ou de outro da guerra, mas essas crianças estão falando da vivência delas, estão falando do que elas vivem desde sempre. Ter 18 anos em Gaza significa estar quase que ininterruptamente em situações de perigo, sobretudo nesses últimos anos. Então...
Notar que a criança e o adolescente são sujeitos históricos, notar que eles têm o que dizer sobre a guerra, é um pouco isso. Acho que o grande mote da minha tese é dizer que criança também é gente, adolescente também é gente, adolescente também faz história. E com certeza são situações que extrapolam o tempo, em que infelizmente ainda são atuais.
Tem situações menos mediatizadas, como os conflitos na África, o conflito no Sudão. A gente vai ter coisas muito mais mediatizadas, como Gaza. E que bom que Gaza é um assunto que a gente consegue tratar, que a gente consegue falar e que a gente fala bastante.
Eu me lembro também de cenas que nos mobilizam, porque a infância também é importante por outros motivos, porque ela é uma forma de mobilizar para a guerra, ela é um motivo para a mobilização da guerra. Então a gente vai ter até as fake news.
envolvendo crianças, aquelas crianças queimadas nos fornos, não sei o quê. A gente vai ter fake news envolvendo crianças, a gente vai ter... Estamos fazendo essa guerra para nos vingar porque assassinaram crianças. A gente vai ter o primeiro ataque da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, atacando uma escola, Israel e Estados Unidos contra o Irã.
Então vejam, a criança não só é um sujeito histórico, como ela também é um botinho de guerra.
Então, essas questões todas, ao longo da minha carreira, eu discuti bastante, escrevi alguns artigos também sobre isso, daí se vocês jogarem lá na internet, vocês encontram no Lattes, em alguns repositórios, mas é justamente isso, tentar entender que crianças e adolescentes têm a sua forma de compreender o mundo, assim como os adultos também têm a sua forma própria de compreender o mundo, e que eles são sujeitos históricos, e que a guerra abala profundamente as crianças.
porque destrói todo esse universo infantil-juvenil, tudo no que elas conseguem se apegar, se agarrar para sobreviver. Lembrando que a gente vai ter, em casa, nem sei o quanto, não sei se a gente consegue mensurar o número de órfãos.
É absurdo. Como essas tragédias, e a gente pode extrapolar para outras tragédias humanitárias, a pandemia no Brasil também, o quanto isso acaba impactando as crianças. Então, acho que toda a minha trajetória de pesquisa foi um pouco tentando mostrar essas questões todas.
novamente, é o tipo de resposta que eu tenho certeza que os nossos ouvintes vão concordar, abre muitas margens para muitas outras perguntas, muitas outras questões. Mas eu queria fazer uma... pedir para você aprofundar um pouco um aspecto, Fran, que você mencionou, né? Que o adolescente e a criança, eles vão, por exemplo, mentir a idade e...
ou mentir a nacionalidade, para lutar na guerra. Porque especialmente esse é o ambiente em que eles estão inseridos. Você pode contar um pouco mais sobre isso? Sobre as motivações de um adolescente para querer participar dessa carnificina que o cerca? E, eventualmente, talvez até trazer algum caso que você tenha abordado no seu livro ou na sua tese que você ache mais interessante.
Então, eu me debati muito sobre isso, foi um dos capítulos da tese que eu mais gostei de escrever e que a banca também gostou muito, que são esses capítulos em que eu falo essas histórias, dessas ficções que eles fazem com a própria vida. E, de uma forma geral, motivos...
para entrar numa guerra. Existe todo um ambiente de mobilização de propaganda. Toda guerra mobiliza a população através da propaganda e dá um sentido para aquela guerra de certa forma. Estamos lutando porque nos invadiram, estamos lutando porque seremos aniquilados, estamos lutando porque o que aconteceu em tal data é injusto, a gente está tentando ir contra isso. Então, existe esse sentimento patriótico.
que muitos jovens vão ter e vão se interessar pelo mundo militar por isso. Existe uma questão de sobrevivência também para entrar numa guerra, para se mobilizar numa guerra. Eu vou pegar, por exemplo, na União Soviética, e tem uns livros muito legais da Olga Kucherenko, que é uma autora russa, que fala sobre os jovens soviéticos. Muitas vezes é uma questão de sobrevivência numa guerra de aniquilação, como foi a guerra na União Soviética.
entrar para um grupo de partizanos ou se alistar ilegalmente no Exército Vermelho, porque o Exército Vermelho também não recrutava ativamente menores de idade, mas eventualmente alguns acabaram entrando.
Então, isso faz parte de uma vontade política, muitas vezes faz parte de uma necessidade por sobrevivência. A gente vai ter, por exemplo, crianças judias da União Soviética se engajando em grupos partizanos para tentar sobreviver. E tem um desejo de aventura, né? A gente também não pode ignorar. Eu acho que está vazando o áudio da cachorrinha que está latindo aqui no meio da minha fala. Espero que não.
acontece, acontece acontece, mas agora ela parou e tem também um desejo de aventura adolescente gosta dessa coisa, da aventura e tem todo um universo militar muito masculino também a maioria desses que vão se engajar vão ser meninos
que também mobiliza os espíritos naquele momento. Na França, por exemplo, a maior parte dos 100 casos que eu trabalho na tese são de 44, que é pós-DiAD. Ou logo ali, quando já se sabe que o DiAD em algum momento vai acontecer. Então, sei lá, primeiro trimestre, segundo trimestre de 1944 em diante, a gente vai ter um boom de efetivos na resistência francesa.
que vão entrar na resistência de qualquer jeito, era uma coisa muito informal, muitas vezes fazia-se o que dava para fazer, entrava-se nos grupamentos da forma que dava. Então existe ali um clamor popular, um patriotismo que leva esses jovens a escolherem a resistência num dos momentos que é um dos mais violentos da guerra toda na França.
É importante pontuar, a guerra na França tem algumas ondas de violência, então é muito violento no início, a ocupação como um todo obviamente é violenta, mas tem alguns picos de violência e o ano de 1944 é uma carnificina na França, por várias coisas, tanto pela questão da liberação do território, pela quase guerra civil que vai acontecer logo depois, pelas vinganças, pelas vinganças dos próprios nazistas que cometem massacres, eu falo de dois massacres que se cometeram na França em 1944.
Então, é um momento de comunhão nacional, é um momento de patriotismo exacerbado, é um momento de vamos retomar nosso país, e esses jovens se engajam bastante. Então, eu vejo isso de uma forma muito ampla. Gaza, por exemplo, que faz um jovem querer fazer parte de grupos armados como o Hamas, que são autoritários, que inclusive manipulam, de certa forma, a causa palestina. E o que leva a isso? Gente, uma situação de ocupação muito duradoura, muitos anos de ocupação.
Essa violência da ocupação, essa violência dessas invasões quase periódicas e do horror que está acontecendo desde 2023, obviamente imobiliza. E aí é uma questão de sobrevivência também. Às vezes estar nesses grupos armados é uma questão de sobrevivência, de conseguir comida para os seus. Ainda mais em Gaza, que a situação de penúria alimentar é gigantesca. Teve momentos de muita gente morrendo de fome. Tem gente morrendo de fome.
Então, eu acho que é multifacetado, né? São escolhas que se colocam, são escolhas que, às vezes, nem existem. Você quer sobreviver. E os adolescentes mostram muito isso. E os estratagemas são maravilhosos.
O mais comum é você mentir que tem já 17 anos, porque na França, e isso é meio que na maioria dos países, ali pelos 17, 18 anos você já pode se engajar no exército, ou você é chamado mais ou menos nessa idade, ou você pode voluntariamente entrar a partir dos 17.
E eles vão fazer de tudo. Eles vão mentir a idade, eles vão falsificar a assinatura dos pais, essas coisas bem bobas, assim. Mas tem outros que vão ir muito além, que vão simplesmente na Normandia começar a seguir um agrupamento americano, militar, que está lá na Normandia atuando na liberação do país. Vai começar a seguir, porque, sei lá, quer comer, quer ficar junto com os militares. Vai seguir, vai parar em outros frontes. Vai parar lá na Alemanha e o menino fica por lá.
E aí finge que ele é americano. Tem vários meninos franceses que fingiam que eram americanos. Para não voltar para a França, para viver entre os americanos, que tem um pouco dessa coisa do sonho americano na Segunda Guerra, né? Esses jovens que vêm do outro lado do mundo, desse novo mundo, que vêm salvar a França. Eles eram muito jovens mesmo, alguns tinham 18, 20 anos de idade, na campanha da Normandia.
Então existe também uma associação, eles parecem irmãos mais velhos desses adolescentes franceses, eles ficam fascinados por esses jovens bem alimentados, bonitos no sentido de que eles não estão passando por uma guerra como eles, existe uma transferência, são quase irmãos mais velhos, uma fascinação pelo modo de vida americano, e eles vão até o ponto de fingir que são americanos. Agora você imagina um menino francês com sotaque francês fingindo que está falando inglês como americano. Não colava.
Então tem casos bem anedóticos que a justiça francesa, quando chegava nesses meninos, eles chegavam nesses centros de reeducação, de cara já sabiam que eles estavam mentindo. Agora tem outros que até hoje eu não descobri quem são, e eu digo na minha tese, eu como historiadora tenho um limite, eu consigo investigar até o momento, não sei se ele me enganou, se ele é o que ele diz ser, e a gente como historiador tem que ser também bastante humilde e dizer, não sei quem eles eram.
Realmente, tem muitos meninos alemães tentando fingir que não são alemães, e aí eles fingem que são suíços, porque bom suíço alemão é possível, eles fingem que são holandeses, idiomas não tão distantes, então tem muito disso, eles se apropriam dessas questões culturais e tentam modificar sua própria identidade. Muitas vezes tem motivos como sou alemão, tenho que fingir que não sou alemão, porque ser alemão a partir de 1945 já não é mais legal, como era até então, né?
E tem outros que estão fugindo de uma situação familiar de violência, muitas vezes. Então a gente vai lá por trás, tem um menino esse que troca cinco vezes de identidade, é um menino alemão, que não só está fugindo desse passado da juventude hitlerista, mas a gente vê que ele é um menino que não teve pai, que é um menino que se ressente muito desse pai que não assumiu ele, que não se dá muito bem com a mãe, então ele joga essa culpa para a mãe. Então tem questões familiares que...
implicam nessas escolhas e que faz com que ele fuja durante, eu não me lembro agora.
provavelmente ele fica uns 5 ou 6 anos fingindo ser outras pessoas, várias vezes. Ele fingiu ser um húngaro no início, depois ele fingiu ser um judeu, vítima do holocausto e um menino do movimento hitlerista, depois ele fingiu ser um americano, até que lá pelas tantas descobrem que ele é alemão, e aí esse menino eu consigo retraçar a vida dele e descobrir que ele sobreviveu à guerra, enfim. E conto um pouquinho dessa história na minha tese.
E Fran, começando a nossa conclusão, eu quero trazer algumas questões da política contemporânea francesa.
duas delas especificamente. Uma a gente já começou a abordar, que eu vou deixar mais para o fim, mas antes eu queria abordar uma questão que o Macron, o presidente da França, Emmanuel Macron, quando ele foi eleito pela primeira vez, parte da plataforma eleitoral dele...
era baseada na ideia de que a França tinha um dever moral até de reconhecer atrocidades do passado. Inclusive, ele reconheceria crimes cometidos na Argélia e esse reconhecimento até o momento não veio.
E em 2017, durante o 75º aniversário do episódio do velódromo de inverno na França, ele assumiu a responsabilidade francesa por um evento que levou à prisão de mais de 10 mil judeus franceses, incluindo muitas crianças, que foram levados depois para campos de extermínio da Alemanha nazista.
O que você pode abordar para a gente sobre, nessa questão da ocupação e também dos adolescentes, o holocausto na França e o legado disso até hoje? Porque você já mencionou o Reunião Nacional, que foi fundado pelo Jean-Marie Le Pen, que era um notório antissemita.
Então, como o holocausto na França ocupada foi esse processo e como isso impacta no debate político francês atual, com o Macron tentando marcar essa posição em 2017 de reconhecimento de erros, enquanto você tem...
uma esquerda radical que é acusada de ser antissemita, você tem uma extrema-direita que também é acusada de ser antissemita. Como essas coisas dialogam hoje a partir dessa memória? O Macron é uma figura muito complicada, né? Para começar a falar, porque existem, ao longo desses 10 anos, a gente já está chegando, estamos no nono ano de governo, quase décimo.
ele prometeu muitas coisas em relação à história, e os presidentes franceses têm uma atuação muito grande nessas questões históricas. A gente talvez fique um pouco espantado que no Brasil a gente não discuta tanta história assim, e ditadura é um exemplo ainda, infelizmente, de coisas que a gente devia discutir mais.
Mas os presidentes franceses têm algumas trajetórias importantes nessas políticas de memória. Falando especificamente sobre a França na Segunda Guerra Mundial, foi o Jacques Chirac, em 16 de julho de 1995, um presidente de direita, portanto.
que reconhece pela primeira vez a responsabilidade francesa no holocausto, que inclusive no meu livro eu gosto muito mais de chamar de Shoah, que eu acho que é um termo hebraico, eu acho que ele mais, que encaixa melhor nessa situação. No que você está completamente certa e é o termo mais preciso, eu usei o termo holocausto por ser o mais conhecido, mas o seu esclarecimento é precioso.
É, justamente. O Holocausto é uma tradição americana que acabou ficando e o próprio cinema ajudou a acunhar esse termo e deixar ele como o termo mais importante, mas a própria França usa-se choar e é um termo que existe em português também. Então é o que eu acabo usando no livro.
Então, o discurso do Jacques Chirac, em julho de 1995, no aniversário do Velódromo de Inverno, que é a maior operação policial durante a França ocupada, durante o regime de Vichy, que vai prender principalmente crianças, e eu discuto muito como é que se chega a essa decisão de deportar crianças, e lá eu vou dar um spoiler do livro, Pierre Laval, primeiro-ministro, o que a gente vai fazer com essas crianças, a gente perder os pais? Fiquem com elas, nazistas, nos ajudem, não sabemos o que fazer, que tal? E os nazistas...
Tá bom, beleza, a gente não tinha essa intenção inicial, ficamos com as crianças. Foi mais ou menos o que aconteceu. E que faz parte da solução final aplicada ao contexto da França ocupada. Então o Jacques Chirac, em 1995, ele vai pela primeira vez, numa cerimônia alusiva ao aniversário da Haffler, Haffler é operação policial em francês, do velódromo de inverno.
vai reconhecer a responsabilidade do Estado francês do regime de Vichy no Holocausto. O Holocausto na França, Shoah na França, não teria sido o que foi, a gente tem lá 77 mil vítimas, não teríamos tudo isso se o governo não tivesse colaborado. Novamente, a colaboração.
Eu discuto muito no livro como é que todas as etapas da Shoah, como é que se começa isso, a gente pode replicar para outras realidades da Segunda Guerra Mundial, que a gente começa por leis que vão segregando até a gente chegar no extermínio lá no final. E por isso que o holocausto não começa em Auschwitz, ele termina. Então é justamente isso, para a gente entender o quanto essas questões autoritárias, esses genocídios, eles não se gestam do dia para a noite, eles estão ancorados em uma realidade histórica.
E o Macron vai vir com muitas dessas promessas. A memória da Shoah na França, desde os anos 90, é muito consolidada. Então o Macron obviamente vai fazer alusões a isso, ele vai reforçar essa memória, mas não é nada de novo no fronte na França.
Uma coisa que nunca aconteceu na França e que o Consuel Londres, que é o presidente de esquerda anterior ao Macron, deu um passo, é reconhecer o dinocídio dos romanes, dos povos, entre aspas, ciganos, vamos dizer assim, dos roms, dessas etnias que a gente fala de forma incorreta, inclusive, a gente resume como ciganos, eu acabei optando no meu livro pelo termo romanes.
existe uma declaração do François Hollande sobre isso durante o governo dele, mas não é o mesmo reconhecimento que a Shoah tem. São momentos históricos muito diferentes, com peso na memória dentro da história francesa. Fala-se muito mais da Shoah.
A gente tem reparações econômicas dessas vítimas desde os anos 90, enquanto os romanes não são nem sequer reconhecidos como vítimas até hoje. Então isso é uma questão muito importante. Não se avançou no governo Macron, tem um projeto da esquerda rolando para avançar nesse reconhecimento, para criar um dia e essa memória que se constrói. A memória histórica se constrói, literalmente.
mas não se avançou muito. O Macron fez um avanço, mas eu não sei o quanto a gente pode falar sobre isso, sobre Ruanda e a participação francesa no genocídio de Ruanda. Eles estão implicados. Então, essas questões coloniais prometeu-se muito em relação à Argélia, mas eu vou dizer, em relação à Segunda Guerra Mundial, a colonização é um tabu muito maior. Muito maior. É muito mais fácil você discutir a colaboração, mesmo sendo uma coisa extremamente delicada, do que o período colonial na França.
Mas a Segunda Guerra Mundial, ela ressurge muitas vezes. E aí eu vou ir até, além da sua pergunta, Felipe, para falar de algumas coisas muito atuais, coisas desse ano, que aconteceram de fevereiro e março, literalmente. A gente teve, em fevereiro, no meio das eleições municipais, e vocês comentaram no podcast, o assassinato daquele jovem nazista, o Quentin de Hanc, em Lyon, que é um mini Charles Kirk, que a gente estava conversando.
antes de entrar aqui no ar, que foi assassinado ali numa rixa entre grupos de, vamos lá, vamos jogar lá, extrema-direita, extrema-esquerda, mas é uma simplificação muitas vezes, e virou uma comoção nacional.
parou a Assembleia Nacional Francesa, ele virou quase um mártir, e ele é um não-nazista. E a gente está falando de um país que há 80 anos colaborava com os nazistas. Complicado. Aí, em 19 de fevereiro, a gente teve um debate nas eleições municipais em Marsella e uma candidata da direita, não é nem reunião nacional, é os republicanos, né? Da direita tradicional, vamos dizer assim, ela vai dizer que os valores dela são o mérito, é uma coisa bem papo de coach de hoje em dia.
ela vai dizer que os valores dela são o mérito, o trabalho, a família e a pátria. Esse é o lema da França de Vichy. Travail, famille, patrie. Trabalho, família, pátria. Então, assim, esses elementos da guerra continuam sendo mobilizados. Tanto pela direita, pela extrema direita. O antissemitismo é uma questão extremamente delicada.
O nosso amigo Thomas Zickman está trabalhando bastante sobre essa questão da Lei IADAM, que é uma lei de recriminação antissemitismo que está sendo discutida na França, mas aqueles moldes do antissemitismo pós-2023 em Gaza, que às vezes coloca nessa...
grande teia do antissemitismo, questões que são críticas ao Estado de Israel. E o quanto isso pode ser muito danoso, muito complicado para os grupos de esquerda, para os grupos críticos ao Estado de Israel, ao que está acontecendo em Gaza. Então essas questões estão sempre permeando. E aí, meio que anedoticamente, uma das últimas coisas que aconteceu foi em 18 de março, então faz menos de um mês, no meio dessa coisa toda da guerra do Irã,
Teve aquela cerimônia lá, do pessoal cantando a marceleza, né? Era num porta-aviões. Acho que era nesse próprio porta-aviões, agora eu não me lembro. Não, era um artefato nuclear. Agora o Felipe vai me ajudar. Foi numa cerimônia de lançamento de um submarino. Isso, isso. E aí aquela coisa tétrica. Não me engano, o Redutable.
Uma coisa tétrica, aquela marseleza cantada que parecia um filme tétrico, né? Esses símbolos franceses. Aí o Macron, alguns dias depois disso, ele anuncia que vai ser construído um futuro porta-aviões, um grande porta-aviões franceses, que vai chamar França Livre. França Livre. O que é França Livre? Segunda Guerra Mundial.
É o regime republicano francês no exílio, liderado pelo Charles de Gaulle. Então, essa memória histórica está sempre sendo remoída, ela está sempre vindo para a superfície novamente. E quando a gente fala dessa polarização, e essa palavra eu odeio, me cansa também na situação brasileira, mas a gente vê um pouco isso, que a gente tem dois grandes grupos.
disputando essas questões históricas, essas questões de migração, grupos mais progressistas tentando garantir direitos, grupos mais extremos à direita tentando destruir esses direitos. E eu já estou bastante tensa com a relação à eleição presidencial do ano que vem na França. Porque o candidato Macron, bem ou mal, ele ficava ali no meio, e é por isso que ele foi eleito duas vezes. O Macron é muito mais eleito.
nesse movimento de tentar evitar a extrema-direita do que por mérito do seu programa de governo. E ano que vem a gente não tem a figura do Macron. A gente tem o Fon Nacional, o Rassemblement Nacional, que não sei se vai vir com a Le Pen, porque ela está pendurada pelas rachadinhas, porque, enfim, é isso. Estava a história inelegível pelas rachadinhas. A história é meio maluca, ela se repete em países diferentes.
E a gente tem a esquerda dividida, que talvez saia com o candidato numa frente popular, emulando o Front Populaire dos anos 30, que eu falo no livro. Tem o novo Front Populaire, a nova frente popular. Talvez ela saia com o Melanchon.
É um candidato que também não consegue dialogar com todos os setores da própria esquerda, a esquerda brigando entre ela, a direita brigando entre ela, mas muito enfraquecida em relação à reunião nacional. É tensa a situação para o ano que vem, né, Felipe?
Então, você, eu disse que ia ter duas perguntas, mas você já entrou na segunda, que era justamente o impacto disso na França contemporânea e como esse debate está presente, pensando inclusive nas eleições do ano que vem.
Fran, pra gente encerrar, novamente agradecer o seu tempo, a gente já está gravando aí há quase uma hora novamente daria pra fazer uma conversa muito mais extensa sobre isso, quem sabe a gente fará isso novamente foi uma conversa muito didática eu pelo menos aprendi muito
E eu queria que você deixasse para os nossos ouvintes, primeiro, sobre o lançamento físico do seu livro, que vai ocorrer em breve em Brasília. Segundo, como acompanhar o seu trabalho, redes sociais, o que você mais achar adequado.
E terceiro, você sabe, todo mundo que vem aqui tem que dar uma dica cultural, não pode ser o seu próprio livro, então pode ser um filme, documentário que você ama e queira... Pode ser, sei lá, o seu filme da Disney preferido de infância, tanto faz, mas uma dica cultural para os nossos ouvintes.
Então, Felipe, falando então sobre o lançamento físico do meu livro, eu estou morando em Brasília agora, então por enquanto o lançamento vai ser só por aqui, eventualmente ele acontecerá no Rio Grande do Sul, eu acredito, mas quando eu voltar para lá, dia 28 de abril, na Livraria Circulares, que fica na Asa Norte, em Brasília, na 714 Norte, à noite, às 19h30, vai ter um bate-papo com o professor da UNB, Matheus Gamba Torres.
E a sessão de autógrafos do livro, então quem quiser aparecer, vai ser muito legal. Nas redes sociais, vocês me encontram nas principais redes, então, sei lá, Twitter é uma que eu uso muito e foi aí que a gente teve esse contato. Eu tive esse contato com o Felipe e o Matias, o Chadez Verbal. Eu uso o Instagram também, Facebook, Blue Sky, LinkedIn, todas essas. É a arroba Fran, a underline Becker. O meu Becker é com CH.
B-E-C-H-E-R por isso que uma vez eu te chamei de Becher na primeira participação e você cordialmente me corrigiu acontece, já falaram de tantas formas, na França eu nunca consegui que me chamasse de Becker
Eu sempre falo porque o Becker mais intuitivo é com CK, o meu é com CH. Então, Fran Underline Becker, em todas as redes sociais. Vocês encontram, eu estou falando bastante do livro nesse momento, mas eventualmente também falo sobre outros assuntos. E dica cultural, eu falei mais cedo do livro do Mark Bloch. Eu acho A Estranha Derrota um livro maravilhoso. Um historiador como o Mark Bloch, que é vítima, inclusive, da Segunda Guerra Mundial na França.
É um judeu perseguido que vai perder o posto de trabalho na universidade, vai entrar para a resistência, vai acabar sendo assassinado pela resistência na França. Então, A Estranha Derrota é um super livro de um historiador muito competente que escreve uma história do tempo presente sobre a derrota da França do ponto de vista de alguém que lutou em 1940 e viu essa derrota acontecer. E até hoje, a explicação que ele nos dá, os fatores que ele elenca são...
a nossa explicação até hoje sobre o que aconteceu. Os vários fatores, a quebra da cadeia de comando, os problemas do exército francês, o problema de comando do governo da época, esses vários fatores que levam a essa derrota fulgurante da França em seis semanas, em 1940, caindo diante da Blitzkrieg nazista. Então, eu acho que A Estranha Derrota é um livro que todo mundo deveria ler e está em português, por isso que eu estou falando justamente do nome dele já traduzido.
E tem uma série francesa que teve historiadores trabalhando nela, se não me engano foi o François Bedard-Ridat, que é um dos especialistas de Vichy, que trabalhou. Ele não tem, eu não sei se foi traduzido por português, mas série tem isso, né? Às vezes o nome não é traduzido e as pessoas encontram igual. Eu não sei em que streaming está, talvez tivesse que buscar.
se chama Un village français, un village francès. Ele pega todas essas questões da guerra, a resistência, os bombardeios, a repressão, a Shoah, ao longo de seis, oito temporadas. É uma série um pouco longa, muito, muito bem produzida. Também pega as questões de memória, porque daí passa um tempo no final. Então, eu acho que é uma série que nos mostra muito desses elementos da França ocupada, é Un village français, un village francès.
E você mencionou o Mark Bloch, você pode, você que tem uma erudição muito grande sobre o assunto, eu conheço uma história, uma anedota.
de que algum aluno ou amigo do Mark Bloch escreveu um livro posteriormente e dedicou a ele, a memória dele, ele já tinha sido assassinado pelos nazistas, colocando assim, para o estudioso das invasões bárbaras da antiguidade, que morreu nas invasões bárbaras do século XX, alguma coisa assim. Você conhece essa história apócrifa?
Não faço ideia, mas gostaria muito que fosse verdade. Acho muito interessante. Mas uma coisa, Felipe.
Desculpa te interromper, mas só pra não perder o fio, o Marc Bloch vai entrar no Panteon francês. Daqui a pouco tempo, alguns meses, tá? Sabe o Panteon francês, aquele prédio lindíssimo de Paris, que era uma antiga igreja, que virou o Panteon dos grandes nomes franceses, que vai ter lá Rousseau, Marie Curie, tem um monte de gente importante. Agora recentemente entrou o... Ai meu Deus.
Agora me fujo o nome dele. O militante argelino da Segunda Guerra Mundial também. Armênio. Isso, gente, eu estou completamente doida, viu? Já viu? Estou doida. Esse militante armênio. Eu sento ele no livro, agora me deu um branco. O Misaki Manushan. Manushan, isso. O Manushan, a esposa dele. Exato. E representando, inclusive, todo o grupo.
Exato. Eu trato desse grupo, a Fich Rouge, o grupo do Cartaz Vermelho, que são tratados como terroristas, que são vários imigrantes operários, a maior parte deles pobres, muitos deles judeus, que vão se organizar e vão ser barbaramente assassinados em um desses tribunais de mentirinha do nazismo, e vão ser todos assassinados. Então o Panteon recebeu...
Ele, muito recentemente, vai receber o Mark Bloch, o historiador no Panteon. Então, justamente por toda essa atuação dele, obviamente, não só por ser historiador, mas sobretudo por ter se tornado um herói da Segunda Guerra Mundial na França, ele está entrando no Panteon ainda esse ano. É um desses atos do Macron que vai acabar sendo super mediatizado, como aconteceu também recentemente.
Bem, e com essa dica e pequena conversa sobre o grande Mark Block, a gente encerra essa entrevista. Agradecemos a Fran e vamos tocar adiante aqui o xadrez herbal. Passemos agora para as efemérides da semana que vem. A Semana na História
1º de maio de 1851, há 175 anos, era inaugurada a Grande Exposição das Nações em Londres. Foi inaugurada pela Rainha Vitória com dois motivos.
Dois propósitos. Primeiro, mostrar ali as conquistas e os avanços do Império Britânico, é uma perspectiva bem colonial. E segundo, mostrar os avanços e invenções da nascente Segunda Revolução Industrial. E, por conta especialmente desse segundo aspecto, meu caro Matias,
Essa é a origem das famosas exposições universais que ocorreram pelo resto do século XIX, também nas primeiras décadas do século XX, a ideia de mostrar para o público os grandes avanços tecnológicos, as invenções, os dobramentos, etc. Então, está aí 175 anos.
29 de abril de 1916, 110 anos atrás, tinha fim o levante da Páscoa na Irlanda.
O Levante de Páscoa na Irlanda foi um movimento armado dos republicanos irlandeses, que durou ali basicamente uma semana, especialmente em Dublin, contra o Império Britânico, pela independência da Irlanda. O movimento foi rapidamente debelado, a maior parte dos seus líderes inclusive foi executada, porém nós tivemos...
muitas mortes impostas às forças britânicas, muitas pessoas feridas. Infelizmente, pelo menos 260 civis morreram. E o levante de Páscoa se tornou, então, posteriormente, um marco na luta pela independência, especialmente pela luta pela independência republicana na Irlanda. É um elemento muito importante na história do Sinfem.
E, como consequência desse levante, o Sinfem consegue a maioria do parlamento nas eleições irlandesas e declara independência logo depois. A declaração de independência da Irlanda vem em 1919 e o reconhecimento dela vem em 1922, ali no contexto pós Primeira Guerra Mundial.
Então, é um evento que, embora tenha durado apenas uma semana e não tenha alcançado seus objetivos políticos, alcançou uma posição no imaginário do debate sobre a questão irlandesa muito grande e é lembrado até hoje. E no próximo domingo, completam-se 40 anos do desastre de Chernobyl, em 26 de abril de 1986. Então, meu caro Matias, 40 anos da explosão do reator.
O mundo só ficou sabendo dessa crise posteriormente e os efeitos dela duram até hoje, tanto os efeitos de radiação quanto os efeitos econômicos, que foram pesadíssimos e são essenciais para compreender a dissolução da União Soviética. Bem, vocês ficam agora com a segunda coluna aberta na qual o Felipe observará o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio.
Coluna aberta. Bem, pessoal, vamos começar esse giro com a principal notícia, que a gente continua repercutindo o jogo de quem pisca primeiro que está ocorrendo em relação às negociações entre Estados Unidos e Ira. Essa semana, no último dia 21, na terça-feira, o Donald Trump disse que o cessar-fogo seria prorrogado nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido n
até o fim das negociações. Em outras palavras, o Cessar Fogo está mantido, o Cessar Fogo está sendo, em larga medida, sendo cumprido no que concerne o Golfo Pérsico, vamos falar disso,
E o Paquistão continua nesse papel de mediador. Se especula que neste próximo final de semana agora, nos dias 25 e 26, podemos ter um novo sinal das negociações. A capital do Paquistão, Islamabad, ela continua em vários aspectos.
pronta para receber as negociações, e o que eu quero dizer com isso? Continuam barricadas, o aparato de segurança imposto, as universidades estão com aulas online para diminuir o trânsito de pessoas, especialmente em relação a uma das principais universidades de Islamabad, cujo camp...
é perto do palácio onde foram realizados os encontros. Então, o aparato de segurança do Paquistão para receber essas conversas continua pronto. O J.D. Vance, o vice-presidente dos Estados Unidos, inclusive essa semana, teria até mesmo se mobilizado, iniciado uma mobilização para ir até o Paquistão para uma nova rodada de negociações. Porém, essa rodada não foi realizada, primeiro porque o Irã disse que não enviaria a sua delegação.
por um aspecto que eu já vou explicar. E, segundo, porque mesmo no contato extraoficial, mesmo na troca de ofertas e de propostas, nós ainda temos muitos impasses, ainda temos muitas questões delicadas, como já citamos aqui, e que são, de certo modo, talvez as principais questões. Primeiro, se o cessar-fogo se aplica ou não à região do Líbano, e vamos falar mais disso nesse bloco. Segundo...
Sobre o programa nuclear iraniano, se o Irã entregaria todo o urânio enriquecido, como é que seria esse processo. Terceiro, a moratória do programa nuclear iraniano. Quarto, o programa de mísseis balísticos do Irã. Quinto, a reabertura do estreito e sobre quais condições.
Lembrando, o Irã quer aproveitar essa oportunidade. Isso talvez seja o mais importante da gente entender aqui, tá gente? Tanto Estados Unidos quanto o Irã estão enxergando nessas negociações uma oportunidade para colocar no papel algo definitivo. Do lado dos Estados Unidos, eles veem essa oportunidade, especialmente porque o Donald Trump quer poder anunciar um acordo melhor, maior e mais gostosão do que o acordo do governo Obama.
E o Irã, porque o Irã quer aproveitar o que vê como uma vitória estratégica e colocar no papel o seu controle sobre o Estreito de Hormuz. Assim como os estrelos de Bósforo e Dardanello são regidos pela Convenção de Montreux de 1936, eles querem ter algo parecido para o Estreito de Hormuz, como já expliquei aqui.
E aí entram as divergências sobre a soberania, pagamento de entraças pedágio, os procedimentos e os critérios para o fechamento do estreito em caso de conflito, coisas do tipo.
Então, pelo menos publicamente, você ainda tem muitas restrições. Eu já falei aqui que um grande sinal, um sinal positivo vai ser caso em alguma rodada de conversas a Agência Internacional de Energia Atômica seja envolvida, porque aí significa que há um avanço na questão nuclear.
Nessa semana, o primeiro-ministro do Paquistão conversou com o presidente do Irã por telefone, afirmando que o Paquistão continua comprometido com a paz. Porém, é importante mencionar que nós tivemos o anúncio da manutenção do cessar-fogo, temos essa trégua, temos esse desejo de realização de conversas, essa postura paquistanesa de sediar as conversas, porém, o Estreito de Hormuz continua fechado pelo Irã,
e os portos iranianos continuam bloqueados pelos Estados Unidos. Nessa semana ocorreu algo, nesses últimos dias, entre o último programa e esse, ocorreu algo digno de nota, que foi no último dia 18 de abril, quando você teve a notícia do cessar fogo e que o estreito eventualmente seria reaberto, naquele momento, como parte das negociações.
Cerca de 30 navios se deslocaram no Golfo Pérsico para tentar cruzar o Estreito de Hormuz. Alguns deles chegaram a cruzar, inclusive o primeiro navio de cruzeiro, o primeiro navio de passageiros, com perdão, cruzar e cruzeiro ficou meio redundante, peço desculpas. Mas o primeiro navio de passageiros, o Celestial Discovery, nascimos li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li
Ele está apenas com a tripulação, os turistas já foram embora por via aérea há muito tempo, então o Celestial Discovery, por exemplo, cruzou o estreito. Mas, ao mesmo tempo, o governo dos Estados Unidos anunciou que chegou a bloquear 21 navios iranianos e, principalmente, o governo dos Estados Unidos atacou, abordou e tomou Obrigado.
um navio de carga, um navio de contêineres de bandeira iraniana chamado Tosca, que ele estaria inclusive em listas do Tesouro dos Estados Unidos por supostamente participar de violações de sanções. E esse episódio, o abordar desse navio, que foi condenado pelo governo iraniano, e o governo iraniano falou, olha só, não vamos mandar a delegação por enquanto, porque os Estados Unidos dizem que querem negociar, mas estão lá abordando os nossos navios.
Enquanto a guarda revolucionária iraniana, ontem, no dia 22, esse ontem e hoje, durante essa minha viagem, vai ser um pouco complicado, mas no dia 22, impediu que dois navios de contêineres cruzassem o Estreito de Hormuz também.
E para fechar essa primeira parte sobre negociações e o Estreito de Hormuz, segundo o Washington Post, serão necessários seis meses pela completa retirada das minas iranianas no Estreito de Hormuz. E isso é interessante também notar, por quê? Porque os navios que passaram, os poucos navios que passaram nesse último mês, eles estão seguindo...
as rotas pré-determinadas orientadas pela Guarda Revolucionária Islâmica do Ira. Não está uma navegação completamente livre, completamente restaurada, mesmo para esses navios que passam. E isso significa que o fluxo e o tráfego marítimo na região ainda vai demorar bastante para ser normalizado, mesmo depois de um cessar-fogo de um acordo mais definitivo.
E antes da gente seguir com esse bloco, eu queria lembrar para vocês, nossos ouvintes, que muitos de vocês acompanham o noticiário, tentam entender o mundo, por isso vocês vão ver o Xadrez Herbal, e isso tem deixado algumas pessoas ansiosas, angustiadas. Junto com isso, nós temos muitos ouvintes que moram no exterior, ou que moram no Brasil, mas não necessariamente moram na sua cidade.
E por isso, eu queria lembrar para vocês o trabalho do André e do Marco. Ambos são psicólogos que há mais de 18 anos atendem brasileiros. E se você mora na sua cidade, você também pode procurar eles. E eles sabem como é. Às vezes está longe de casa, o peso dos acontecimentos globais.
como isso pode gerar ansiedade, solidão, uma sensação às vezes difícil de explicar, e eles criaram a Psicólogos Brasil para oferecer um espaço de escuta, em português, acolhedor, esteja você onde estiver, no Brasil, na sua cidade, em outro lugar, em outro país. Então, se você sente que precisa conversar, buscar apoio, ou simplesmente se entender melhor,
E eu sempre friso aqui a importância de cuidarmos da nossa saúde mental, porque saúde mental é saúde, tá? Vocês podem entrar em contato com eles, vocês vão lá em psicólogosbr.com, lembrando que o link estará na descrição do nosso programa, como sempre, e vou repetir o meu recado, que é não negligencie a sua saúde mental.
Retornando para as conversas, as notícias da semana lembraram um pouco aquelas negociações de quando o governo brasileiro buscou intermediar um acordo com o Irã. Inclusive, o Lula falou disso na viagem dele na Alemanha, que o Matias e a Fernanda vão comentar mais para frente aqui no programa. Ele lembrou do acordo de 2010.
ele disse assim, eu pensei que o Obama ia me indicar para o Nobel da Paz, dando risada e arrancando uma gargalhada do chanceler da Alemanha, o MERS. E essa lembrança do Lula é interessante porque o Donald Trump disse que o Irã aceitou entregar o urânio enriquecido.
E a Rússia já se colocou à disposição para receber esse urânio enriquecido. Lembrando que, pelos termos do acordo mediado pelo Brasil em 2010, o Irã teria entregado todo o seu urânio enriquecido para terceiros, naquele momento especialmente a Turquia.
Porém, o governo dos Estados Unidos não quis seguir com aquele acordo e aí, cinco anos depois, nós tivemos o acordo mediado durante o governo Obama que o Donald Trump rasgou e jogou fora no seu primeiro mandato, embora ele estivesse sendo cumprido por todos os atores, inclusive pelo Irã. Falando em estreito, gente, é importante também mencionar que, como a gente repercutiu semana passada, o Mar Vermelho continua fechado.
O Mar Vermelho, que ao norte é controlado, é gerido pelo canal de Suez, e ao sul, pelo estreito de Almandeb. E essa semana, olha só que curioso, para você ver como é um fechamento que aparentemente tem algum grau de eficácia, pelo menos militar. Os Estados Unidos estão enviando outro porta-aviões para a região, para substituir o Gerald Ford, que é o George H.W. Bush, o Bush pai.
a porta-vevência batizada em homenagem ao Bush Pai e ele está contornando o continente africano ele não está indo pelo Mar Vermelho que seria a rota mais curta ele está contornando o continente africano Vasco da Gama Style então mostra que esse bloqueio do Mar Vermelho tem alguma eficácia
Ao mesmo tempo, é interessante notar como o fechamento do Estreito de Hormuz está acelerando as conversas e negociações para os vários corredores econômicos pelo Oriente Médio. A gente tem repercutido esse tipo de notícia aqui já tem alguns anos, isso sim está ligado ao conceito de geopolítica, esse conceito que às vezes é tão banalizado. E, nessa semana...
nós tivemos conversas entre Turquia, Síria e Jordânia, que criaram um corredor ferroviário, e a partir da Jordânia, conectando com a Arábia Saudita, você conectaria o Oceano Índico até o Mediterrâneo.
contornando o Estreito de Hormuz, digamos assim. Então, um navio poderia desembarcar em Noman, descarregar sua carga, essa carga seguiria por ferrovias até o Mediterrâneo e de lá seguir a viagem, ou até mesmo cruzar a Turquia eventualmente em algum momento.
Então, nós tivemos essa reunião essa semana, foi tema de matéria do jornal israelense Jerusalem Post, inclusive. Falando de prisões internas aos países, gente, essa semana nós tivemos alguns movimentos interessantes.
Primeiro, no Irã, dois cidadãos estrangeiros que não tiveram suas nacionalidades declaradas foram presos no Azerbaijão iraniano, que é a região historicamente chamada de Azerbaijão, inclusive, lembrando que a maioria dos turquicos azeres são cidadãos iranianos, isso é parte das tensões entre Irã e Azerbaijão, já comentei um pouco aqui, o Azerbaijão tem uma aliança, uma relação muito próxima com Israel.
por conta de ver o Irã como um inimigo em comum, dois cidadãos estrangeiros foram presos no Azerbaiján uraniano por estarem com dispositivos da Starlink. E eles estariam utilizando esses dispositivos para contornar o bloqueio de internet, inclusive talvez trazer supostamente inteligência estrangeira, não está claro no comunicado. Mas, além disso,
O Kuwait anunciou que cerca de um quinto da sua população vai perder a sua cidadania. O rei do Bahrein disse que vai realizar procedimento similar, assim como a monarquia do Catar. No sentido de que as monarquias árabes do Golfo são países que têm boa parte da sua população nascida no estrangeiro.
eles podem ter a cidadania podem ter vistos permanentes podem ter várias situações legais mas são nascidas no estrangeiro não são cidadãos de nascimento são países que precisam de uma população estrangeira muito grande desde situações como por exemplo a construção dos estados da copa do catar em situação de trabalho análogo à escravidão
até profissionais muito capacitados de empresas estrangeiras, empresas multinacionais que residem nesses países. Nós temos ouvintes que já mandaram mensagem, recado, dizendo que moram aqui em Abu Dhabi, que moram em Dubai, que trabalham com isso, com aquilo.
O Kuwait não é um país diferente desses, então esses países vão começar agora uma repressão em relação ao seu processo de cidadania. Por quê? Porque nessa guerra eles passaram a enxergar parte da sua população como um risco. Seja um risco de segurança, no sentido de são pessoas de origem iraniana, ou que nasceram no Irã, ou então que são partidários do Irã, são apoiadores do Irã, qualquer acusação desse tipo.
Ou então, pessoas que, numa situação delicada como essa, requeriram assistência consular estrangeira ou foram para o estrangeiro, enfim, tornaram-se, entre aspas, um problema, muitas aspas aqui, tá gente, um fardo de segurança na visão dessas monarquias autoritárias. Eu digo fardo porque são pessoas que foram cuidar, muitas vezes, da sua própria segurança, como qualquer ser humano faria, mas do ponto de vista de uma monarquia...
absolutista, são cidadãos que, às vezes, ao priorizarem os seus próprios interesses ou então ao representarem gastos para o Estado, se tornaram um fardo. Então, você provavelmente se livra dessas pessoas e depois você vai poder eventualmente substituir essa mão de obra por pessoas em situação mais precária, que não sejam um fardo tão grande. De certo modo, fazendo aqui uma analogia bem...
cretina, com perdão da palavra, é uma espécie de pejotização da população. Você vai pegar essa população que tem cidadania, mas de origem estrangeira, e você vai substituir por pessoas em situação mais vulnerável que, numa outra crise, não vão se tornar um fardo tão grande para o Estado, então você consegue se livrar mais fácil deles, ou então você consegue reprimi-los com maior facilidade legal caso você suspeite das lealdades deles.
E na Arábia Saudita, 14 mil residentes supostamente irregulares foram presos, foram anunciados que eles serão deportados nas próximas semanas, também nessa questão de segurança. E a Arábia Saudita impôs uma multa bastante pesada.
por tentativas ilegais de realizar a peregrinação ameca. Para você fazer a peregrinação, a hajj, você precisa de uma licença. É como se fosse um visto específico para isso. Todo muçulmano pode solicitar ele. Então, um muçulmano brasileiro que queira fazer essa peregrinação ameca, que todo muçulmano que tenha meios deve fazer pelo menos uma vez na vida, você tem um visto especial para isso. Porém...
Historicamente, tem muitas pessoas que entram na Arábia Saudita com visto e voam a Meca. E assim, sempre foi uma questão que existia, mas a visão disso como um problema variava de acordo com o período. Agora,
A Arábia Saudita impôs essa multa pesadíssima e eu imagino que também tem a ligação com a questão do Irã, para impedir ou melhor fiscalizar pessoas que entrem na Arábia Saudita, às vezes sob o pretexto de realizar a peregrinação, mas que, na visão da Arábia Saudita, seja um risco de segurança porque sejam pessoas ligadas ao Irã.
Então, são uma série de movimentos ocorrendo pelo Golfo Pérsico muito curiosos para ficar de olho e que vão ter um impacto de médio e longo prazo nesses países. Falando de tráfego aéreo e energia agora, tá, gente? Irã, o governo iraniano reabriu os principais aeroportos da sua capital Teherã.
Mas, o que parece ser uma boa notícia, na verdade, foi acompanhada de uma série de notícias problemáticas. Talvez a principal delas veio da Lufthansa, a gigantesca alemã, a principal companhia aérea alemã e uma das principais do mundo.
A empresa disse que vai fechar, nesse momento, a sua subsidiária regional, a City Line, 27 aviões serão retirados de operações e isso vai significar uma série de cancelamentos de centenas de voos por mês previstos.
para os próximos 12 meses, também que eu disse como próximo ano. A City Line, originalmente, já estava sendo planejada para ser fechada, mas isso ocorreria apenas em 2028, então esse processo foi acelerado. Também na Alemanha, o Conselho de Segurança da Alemanha se reuniu essa semana para discutir a disponibilidade de fornecimento de combustíveis no país, especialmente combustível de aviação.
E por que o combustível de aviação está no epicentro de toda essa história, gente? Falando rapidamente, como a gente já falou aqui várias vezes, o petróleo, você tem diferentes níveis de qualidade de petróleo. E para você fazer combustível de aviação, você precisa, talvez, um dos destinos de mais alta qualidade e alto refino do petróleo possível.
é muito diferente do petróleo que vai virar um brinquedo de plástico vagabundo. Então, e boa parte desse petróleo de altíssima qualidade vem justamente da região do sudoeste do Irã, o infame da quinta série Cusistão. Então, é...
uma consequência direta do fechamento do Distrito de Hormuz. Além, é claro, do alto consumo de combustível de aviação pelas forças armadas do mundo desde a invasão.
da Ucrânia pela Rússia em 2022. E aí esse consumo só tem aumentado e, obviamente, durante os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, muito combustível de aviação também foi queimado. O governo neerlandês anunciou que vai ativar a primeira fase do seu plano de crise de petróleo na última segunda-feira.
Essa semana, a agência Reuters publicou uma matéria dizendo que mais de 500 milhões de barris de petróleo, nesses últimos 40 dias, nos últimos dois meses, vamos arredondar um pouquinho para cima, deixaram de ser produzidos. Isso não é pouca coisa. Estamos falando de quase 50 bilhões de dólares que deixaram de entrar no mercado. Isso significa, então, que agora você tem toda uma produção que está atrasada,
consequentemente, todas as expectativas do mercado foram atrasadas, estão prejudicadas, consequentemente, você vai ter uma alta de preços, consequentemente, você vai ter um tempo mais longo para a adequação dessa produção. Porque, repito, 500 milhões de barris de petróleo deixaram de ser produzidos, deixaram de ser extraídos, processados e exportados.
Então, é o que a gente tem falado aqui. O Brasil, nós temos muito privilégio, tanto pela posição geográfica quanto pela riqueza natural do nosso país, de estarmos mais ou menos preservados dessa crise por enquanto, mas uma hora ela vai bater mais forte na porta brasileira, ela já está batendo muito forte algumas portas por aí, e a gente vai ter um efeito cascata, que a gente... Vou até comentar aqui um deles, tá? Mas, ainda sobre o petróleo.
As compras chinesas de petróleo russo bateram um recorde nesse primeiro trimestre, por conta também da questão envolvendo o Estreito de Hormuz. A China e o Turcomenistão anunciaram expansão para a exploração do campo de gás natural do Turcomenistão, que é um dos maiores campos de gás natural do mundo.
Porém, devido à posição geográfica do Turcomenistão, fica ali encravado no meio da Ásia Central, ele é pouco explorado, porque o principal destino, historicamente falando, quem poderia ser a Rússia, mas a Rússia também é um gigante do gás natural. Então agora a China vai passar a explorar mais gás natural do Turcomenistão, e eu falei dos efeitos, do efeito cascato, do efeito dominó dessa questão.
do petróleo, segundo uma das maiores produtoras do mundo, o preço dos preservativos, a popular camisinha, pode subir até 30% devido à guerra no Irã e devido a todo esse atraso na produção.
Isso significa então que as pessoas vão ter menos relações sexuais? Não. Isso significa muito provavelmente que o fato de Israel e Estados Unidos serem atacados no Irã vai levar a um aumento de gestações indesejadas e ISTs por aí. Então, porque o preço da camisinha vai ser prejudicial, porém a história humana mostra que muito provavelmente esse vai ser o efeito.
Mas aos nossos ouvintes pedimos que tenham todos consciência. Agora a gente vai fazer um giro aqui por três eixos que estão indiretamente ligados à questão do Irã. Primeiro a gente vai passar rapidamente para o Paquistão, já que o Paquistão suspendeu, segundo a Reuters, a venda de um bilhão e meio de armas para o Sudão.
depois de um pedido saudita, ou seja, nessas relações entre os dois países que estão se aprofundando cada vez mais desde a assinatura da defesa coletiva. Nesse caso, eram armamentos para o governo do Sudão, e essa compra seria originalmente financiada pela Arábia Saudita.
para a guerra do Sudão contra as milícias das forças de apoio rápido, que são apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos. Então, temos aqui um desdobramento importante. E o outro dele, outra notícia em relação agora ao Sudão, eu peguei que a gente foi do Paxia e vamos para o Sudão, mas um novo relatório da ONU colocou que...
O governo líbio facilitou a entrada de mercenários colombianos e armamentos para as milícias das forças de apoio rápido via o território líbio. Então, a partir do Exército Nacional Líbero, do califa Haftar. Então, a gente tem mencionado aqui há muito tempo sobre o uso de mercenários colombianos na Guerra do Sudão.
Falando da queda de braço entre Estados Unidos e Papa, nessa semana o J.D. Vance deu uma recuada, ele agradeceu ao Papa Leão pelos seus dizeres, etc. e tudo mais, enquanto o Pete Hexert, ele...
Fez um papelão ridículo, ele nessa posição dele de cruzadinho que ele tenta brincar. Ele citou o versículo da Bíblia falso que o personagem do Samuel Jackson recita em Pulp Fiction. Como se fosse um verdadeiro versículo da Bíblia. E ele também disse que a imprensa dos Estados Unidos é de fariseus.
que o ódio deles ao presidente Trump os cega para o brilhantismo de nossos guerreiros americanos. E por que eu coloquei isso no Oriente Médio? Porque a questão da guerra contra o Irã é parte importante dessa queda de braço entre o governo Trump e o Papa.
E por trás disso está aquela ideia da guerra justa. A gente já falou um pouco disso aqui e também já ridicularizamos isso, mas o governo dos Estados Unidos, especialmente o Pete Hegsett, mas outros elementos do governo, buscam encaixar o ataque ao Irã como parte da doutrina da guerra justa.
que é basicamente uma doutrina de guerra religiosa, o que é muito curioso, porque você usa o discurso de estar atacando um governo, afirmando ali estão religiosos lunáticos, e no fim das contas você que está se comportando como um religioso lunático que está utilizando da guerra, supostamente em nome da religião e supostamente em nome de profecias, ou colocando profecias em movimento, todo esse tipo de questão.
E falando em outras notícias, a banda The Strokes encerrou o festival de Coachella com um vídeo condenando os bombardeios dos Estados Unidos e Israel ao Irã e também o genocídio em Gaza, essa notícia repercutiu bastante, e o programa dos Estados Unidos, o PBS News Hour, lembrando que PBS é a televisão pública dos Estados Unidos, é tipo a TV Cultura dos Estados Unidos.
afirmou que o Jared Kushner hoje tem 6 bilhões de dólares em bens e ativos no Oriente Médio, especialmente envolvendo a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, os mesmos governos que ele age como mediador. Então, está aí. Um governo que se comporta de maneira mafiosa.
Eu queria brevemente, antes da gente girar pelos outros países, retomar uma última vez a discussão que a gente teve semana passada e que eu fiz uma breve exposição sobre o Irã ser classificado como ameaça existencial no discurso político israelense.
Aí ele diz, então quer dizer que se o Paraguai invadir o Mato Grosso do Sul e matar, estuprar, sequestrar civis, o Brasil não deve responder militarmente? Primeiro, o Irã não fez isso em relação a Israel. O ataque do 7 de outubro de 2023 foi realizado pelo Hamas. O Hamas recebia financiamento e cooperação iraniana, porém, até agora...
Ninguém trouxe provas contundentes de que esse ataque foi uma ordem iraniana, ou de que foi um ato iraniano. Até porque essas informações, caso existam, deixariam muito claro que houve, então, no mínimo uma negligência pelo governo israelense e o governo israelense tenta evitar, a qualquer custo, uma investigação parlamentar sobre o que ocorreu naquele dia.
Então, não faz sentido. Segundo, por que o Paraguai não representa uma ameaça existencial ao Brasil? Assim, novamente, eu não disse nada sobre não deve responder militarmente, o que, claro, não quer dizer realizar uma política genocida. E segundo, o Paraguai continuaria não representando uma ameaça existencial ao Brasil, mesmo que ele faça isso. Eu acredito que talvez não tenha ficado claro para o nosso ouvinte, então, que o termo ameaça existencial é um conceito muito específico.
não é qualquer rivalidade, não é qualquer inimigo, não é qualquer ato de agressão. A ameaça existencial é uma ameaça que, como o próprio termo diz, pode interromper ou destruir a existência daquele Estado ou daquela comunidade. O Irã tem como destruir a existência do Estado de Israel hoje? Não, não tem. O Paraguai tem como destruir a existência do Brasil no exemplo dele? Não, também não tem.
e porque as Forças Armadas Brasileiras são infinitamente mais poderosas, novamente, não se trata disso. E eu achei, no fim das contas, o exemplo muito curioso, porque apesar dele não fazer absolutamente nenhum sentido de ser um non-sectour completo,
é um exemplo muito revelador, por quê? Porque na relação Brasil-Paraguai, é o Brasil que já cometeu um genocídio contra o Paraguai. É o Brasil que ameaçaria uma ameaça existencial ao Paraguai. O Brasil quase anexou o Paraguai, existia essa possibilidade, esse desejo, existia do ponto de vista do Solano Lopes, inclusive o temor de que, na verdade, Argentina e Brasil estavam tramando nos bastidores para retalharem completamente o Paraguai.
Então foi uma resposta completamente, como eu disse, meio sem sentido, mas que eu achei que necessitava de algum tipo de resposta. E como complemento para os nossos ouvintes mais interessados, eu queria trazer algumas coisas que...
Eu sei que muitos dos nossos ouvintes confiam no nosso trabalho. E assim, quando eu falo as coisas aqui, eu sempre busco diferenciar o que é fato, o que é opinião e o que é análise. E quando eu falo que é uma análise, não é algo que eu tirei da minha orelha. É algo que foi derivado a partir de leitura e de estudo. Então eu quis trazer algumas leituras ou referências n li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li
de autores ou comentaristas judeus como complemento. Então, para começar, nós temos um texto do Ori Goldberg, publicado no site da Fundação Rosa Luxemburgo, que é uma das fundações partidárias do cenário político alemão. A Rosa Luxemburgo, que inclusive era uma mulher judia. E o texto de 2024...
se chama Irã and Israel, The Construction of an Existential Threat, ou seja, Irã e Israel, a construção de uma ameaça existencial. Segunda referência é o Journal Times of Israel repercutiu o livro Fear and Insecurity, ou seja, Medo e Insegurança, de Jonathan Leslie. Eu não li o livro, estou repercutindo aqui a entrevista com o autor e a resenha.
na qual, nesse livro, esse autor analisa e argumenta como a questão iraniana é extrapolada no cenário político israelense para finalidades políticas. E terceiro, eu quero trazer o historiador Avish Layin, um dos principais historiadores, dos chamados novos historiadores.
israelenses, um deles é o Omer Bartov, que já entrevistamos aqui para comentar a política genocida em Gaza, e ele é bem claro, em várias das suas entrevistas, em vários dos seus materiais, de como o Irã não é uma ameaça existencial a Israel e que, na verdade, existe todo um discurso que se beneficia disso. Abro aspas para ele, que, repito, é um historiador israelense.
O Irã não é uma ameaça existencial a Israel, mas é uma ameaça estratégica. Agora, vamos comparar os recordes desses dois países. O Irã nunca atacou um vizinho. Israel repetidamente atacou seus vizinhos. Irã assinou o Tratado de Não-Proliferação. Israel se recusou a assinar. Irã se submeteu às inspeções pela Agência Internacional de Energia Atômica. Israel se recusa a aceitar. O Irã não tem armas nucleares.
Israel tem entre 75 e 400 ogivas nucleares. Então, Israel apresenta uma ameaça existencial ao Irã. Pelos últimos 40 anos, Israel conduziu uma campanha sistemática de desinformação sobre o Irã. Por que as mentiras? Por que os padrões duplos? Por que a hipocrisia?
Então, aqui eu trouxe essa citação dele, mas repito, ele já deu várias entrevistas, tem vários materiais sobre isso. E finalmente no site Jewish Currents, que é um site da comunidade judaica de esquerda, especialmente de Nova York. Tenho que fazer esse parênteses aqui.
um artigo assinado por Peter Baynard, mas ele citando outras referências. Não vou dizer que de todas as referências que eu estou dando aqui é a minha referência favorita, não vou mentir para vocês, mas pode valer a leitura. E o nome do artigo é justamente Irã is not an existential threat, ou seja, o Irã não é uma ameaça existencial.
O ex-diretor do Mossad, o Efraim Halevi, já deu uma entrevista dizendo que não existem hoje ameaças nucleares a Israel de ninguém, porque hoje Israel tem capacidades adequadas de responder a qualquer ameaça e dissuadir hoje qualquer ameaça, dentre outras coisas que ele disse em entrevistas.
assim como o Tamir Pardo, outro ex-diretor do Mossad, que afirma que a ameaça iraniana foi instrumentalizada no debate político israelense. E, finalmente, uma das referências que eu já citei aqui várias vezes nesses anos todos, é bom lembrar que tem um artigo clássico do Kenneth Waltz,
um dos principais teóricos do realismo. É um artigo que já tem duas décadas quase de existência, mas é o Why Iran Should Get the Bomb. Nuclear balance would mean stability.
Ele basicamente defendendo que um irã nuclear, na verdade, seria um fator de estabilidade no Oriente Médio. E claro, essa é uma perspectiva que todo mundo pode discordar, inclusive no especial do início do ano, em fevereiro com o Heitor, o Heitor trouxe, por exemplo, as objeções dele, a ideia de que a proliferação nuclear traz um elemento de dissuasão.
Mas então é isso, eu quis trazer essas referências para complementar o que eu falei no programa passado, endossar um pouco o que eu falei no programa passado, e acho que o que eu havia para expor sobre esse assunto, acho que já foi exposto novamente. Podem discordar, podem concordar, podem ter aprendido alguma coisa, podem ter gostado, podem não ter gostado, porém, acho que é isso, daqui para frente não tem como...
muito tirar proveito desse debate, pelo menos por enquanto. Agora nós vamos para o Líbano, tá, pessoal? Começando pelo fato de que um segundo soldado francês das forças da ONU morreu no país, nesse caso, depois de uma emboscada pelo Hezbollah.
O presidente libanês, essa semana, anunciou o diplomata Simon Karam como representante do país nas conversas de paz com Israel mediadas pelos Estados Unidos. Ele foi embaixador do Líbano nos Estados Unidos de 92 a 93.
e ele é um dos principais críticos no aparato de Estado libanês do Hezbollah. Então, acho isso importante de deixar claro. E tem um elemento nessas conversas diretas entre Líbano e Israel que eu acho interessante, que é o seguinte.
O Irã busca colocar o Líbano como parte do cessar-fogo geral, como parte do acordo com os Estados Unidos. O governo libanês, que vê o Hezbollah num dos seus momentos mais fracos, talvez num momento mais fraco pós-guerra civil libanesa,
O governo libanês, o governo do Michel Aoun, que é um governo que não tem o Hezbollah como parte do governo, busca na verdade nessas conversas diretas, inclusive uma maneira de mostrar independência em relação ao Irã e ao Hezbollah. Fala, olha só, quem negocia a nossa paz, quem negocia o Cessar Fogo somos nós mesmos, não o Irã, não o Hezbollah.
Então, isso eu acho interessante de notar. Teremos mais uma rodada de conversas entre Líbano e Israel nesse momento. E é interessante se nós pensarmos que, segundo uma pesquisa da Gallup de 2025, 79% dos libaneses apoiam o desarmamento do Hezbollah. O desarmamento não quer dizer o fim do Hezbollah, mas a manutenção do Hezbollah como partido político, mas sem braço armado.
Ao mesmo tempo, só 17% apoia a normalização com Israel.
Então, embora esse processo muitas vezes seja vendido como vinculado em parte da mídia e por setores interessados, esses processos, na verdade, não estão tão vinculados assim. Porque a maior parte da população libanesa, e esse número hoje, depois de mais uma invasão do território libanês por Israel, e cenas de muita destruição e muita morte, esse número de pessoas que a panormalização deve ser agora talvez ainda menor, né, então...
é interessante, e são coisas que não são tão interligadas assim do ponto de vista da opinião pública libanesa. E ainda sobre as conversas e sobre essa perspectiva do governo libanês de se mostrar independente, é interessante que essa semana o Donald Trump postou na sua rede social no dia 18 que...
O acordo com o Irã não se refere ao Líbano, mas os Estados Unidos irão separadamente trabalhar com o Líbano e lidar com a situação do Hezbollah de uma maneira apropriada. Israel não vai mais bombardear o Líbano. Eles estão proibidos de fazê-los pelos Estados Unidos, e proibidos em maiúsculas. O Donald Trump tuitou que estava proibindo Israel de bombardear o Líbano e realizou essas conversas.
Ao mesmo tempo, é interessante destacar que o ministro de Relações Exteriores do Irã disse que com o cessar fogo no Líbano, a passagem de navios pelo Estreito de Hormuz seria liberada, que foi aquele breve período que eu citei, que inclusive o navio de passageiros cruzou o Estreito. Então, vejam como a mera discussão e a aparência das discussões em relação ao Líbano li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li
ela é bastante intricada com cada um dos lados tentando sair por cima de sou eu que estou garantindo o cessar-fogo, sou eu que estou procurando a paz. Então o Irã dizendo, olha só, só tem cessar-fogo no Líbano porque nós fechamos o Estreito de Hormuz. Os Estados Unidos falando, olha só, o acordo com o Irã não tem nada a ver, eu que estou proibindo Israel de bombardear.
Então, teremos essas conversas. Não devemos esperar uma normalização entre Líbano e Israel tão rápida, tão cedo, mas o primeiro passo, muito provavelmente, do ponto de vista dos Estados Unidos, é um desarmamento do Hezbollah. Tivemos mais bombardeios contra o Líbano essa semana. Inclusive, muitos de vocês devem ter visto a notícia trágica, violentíssima, de um homem.
chamado Hassan Abu Khalil, que perdeu toda a sua família, 13 familiares, minutos antes do início do cessar-fogo. No último dia 18, o governo israelense anunciou a sua linha amarela no Líbano, que em outras palavras é a sua zona de ocupação. A última ponte sobre o rio Litane foi destruída pelas forças israelenses, isolando completamente o sul.
do país que agora está ocupado por tropas israelenses. O Emmanuel Macron disse que Israel deveria deixar de lado ambições territoriais no Líbano, ou seja, o Macron basicamente acusou com propriedade Israel de ter ambições territoriais, de ocupar e anexar território. E muitos de vocês também devem ter visto o fato nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido nascido n
de que soldados israelenses que destruíram uma imagem de Jesus Cristo no sul do Líbano foram punidos com 30 dias de cana. É bom deixar muito claro que essa punição só veio porque teve a imagem, e a imagem correu o mundo e gerou um dano.
de imagem com perdão e redundância muito grande a Israel, especialmente perante as comunidades cristãs, evangélicas do sul dos Estados Unidos, que são ali, que tem uma tendência ideológica, uma tendência teológica também, a apoiar a Israel, como a gente já conversou aqui com o historiador e teólogo.
Daniel Heinke sobre o assunto. E parte dessa imagem ter circulado bastante é porque você ainda tem uma cobertura de imprensa no conflito do sul do Líbano, já vou falar disso, porque quando nós vemos as várias violações em relação, inclusive, às comunidades cristãs, só que de palestinos,
Nós não tivemos a mesma repercussão, não tivemos o mesmo número de pessoas pelo mundo se importando e também não tivemos absolutamente nenhuma repercussão, quase nenhuma repercussão, melhor dizendo. Incluindo, por exemplo, semana passada, nós falamos aqui dos escoteiros cristãos palestinos no Santo Sepulcro, que foram atacados pela polícia israelense.
Então, é bom deixar claro que isso só está ocorrendo, essa punição branda de 30 dias de cana, porque essa imagem correu o mundo e gerou um dano de reputação muito grande às Forças Armadas Israelenses e à Israel no geral. Perante especialmente o imaginário dessas comunidades que têm um apoio quase incondicional ao Estado de Israel por visões teológicas, visões bíblicas, de confundirem o reino de Israel com o Estado de Israel.
E, para a gente fechar, eu mencionei sobre jornalismo e a repercussão. Ontem barra hoje, uma jornalista libanesa, Amal Khalil, ela foi morta em um bombardeio israelense. As tropas israelenses depois bombardearam a equipe que estava tentando resgatá-la, como vários episódios já ocorreram como esse no Líbano. O presidente do Líbano disse que a morte dela foi um crime contra a humanidade.
E tem uma questão interessante, gente, que é o seguinte, ela vinha recebendo ameaças de morte por mensagens de texto. Então, é possível, plenamente possível, que essas coisas sejam correlacionadas e precisam ser investigadas.
Para a gente começar a fechar, vamos para Gaza. Dois motoristas da ONU, da Unicef mais especificamente, foram mortos no último dia 18 de abril. O Netanyahu disse essa semana que o Hamas não pode ser permitido retomar o governo em Gaza.
E segundo o Canal 14, o governo israelense estaria se preparando para retomar operações de combate em Gaza se o Hamas não aceitar o seu desarmamento completo até o começo de maio. Ou seja, se teve cessar-fogo no Líbano, se teve cessar-fogo no Irã, depois cessar-fogo no Líbano, então agora precisa voltar para Gaza, porque guerra, como eu já disse, é como se fosse bicicleta nessa situação. Se você parar de pedalar, você cai.
Um rabino que já publicou vários vídeos se vangloriando da destruição de casas em Gaza, ele que dirige um trator de demolição, o Avraham Zarbiv, ele foi uma das 14 pessoas escolhidas para ser homenageado, acendendo uma tocha no dia da independência israelense, na última terça-feira.
uma escolha que muitas organizações de direitos humanos, inclusive organizações palestinas e também israelenses, como a Betis-Elem, disseram que marcam o acolhimento do genocídio como o espírito da nação. Estou lendo aqui.
Declaração da Betzelen. Então, novamente, é um rabino que dirige tratores de demolição de casas em Gaza. Ele publica os vídeos demolindo as casas, dizendo coisas como vamos terraplanar vocês e destruir vocês, e essa pessoa foi escolhida para ser homenageada acendendo uma tocha no dia da independência israelense. É isso. Você vai dizer mais o quê?
Na Palestina teremos eleições locais no próximo dia 25 de abril, também conhecido como sábado. Ainda estão incertos como serão as logísticas, a logística das eleições, porém teremos eleições locais para as vilas e municípios.
Finalmente, para a gente fechar esse giro, no último dia 15 de abril, pouco tempo depois que a gente terminou de gravar o programa, tivemos mais um atacatiros em uma escola.
na Turquia, quando um estudante de 14 anos entrou armado, matou 10 pessoas, deixando outras 12 pessoas feridas. E depois ele morreu devido aos ferimentos que ele sofreu. Então, infelizmente, uma notícia triste para a gente fechar esse giro. Bom, passemos agora para o match no qual eu e a Fernanda daremos aquele tradicional peão pela nossa quebrada latino-americana.
Chefe da Comissão Eleitoral do Peru renuncia enquanto contagem se arrasta. E para comentar esta e outras notícias da nossa quebrada latino-americana, temos novamente a presença de Fernanda Simas aqui nos nossos estúdios. Olá, Matias. Olá a todas e todos que estão acompanhando a gente. Vamos lá, mais uma semana de muitas notícias por aqui.
Pois é, e a contagem ainda está ocorrendo, né, Fernando? A gente, inclusive, estava comentando um pouco antes de entrar no ar que justamente há poucos minutos a gente já teve conhecimento de que a participação desta eleição já é maior do que a anterior, né? Porque passou...
De 70%, agora está em 70% e 14 décimos de participação, superando em 0,1% a eleição passada. E outro dado curioso, que até o momento nenhum candidato superou.
o número de votos em brancos e nulos somados. A Keiko, que está no momento com 2.723.000, fica atrás dos brancos e nulos, que já ultrapassaram 3 milhões na somatória.
É muito sintomático, né? Numa eleição que a gente teve 35 candidatos presidenciais, acho que vale a gente lembrar aqui, e que aparentemente, se tudo continuar como está, vai repetir o feito da última eleição, de uma disputa entre a extrema-direita com a Keiko Fujimori e a extrema-esquerda, agora com o Roberto Sanches, que foi, inclusive, o candidato que abraçou o chapéu, como tinha feito o Pedro Castilho na eleição anterior.
E assim, a gente ter os votos brancos e nulos superando todos esses números, os números de todos esses candidatos, mostra que a polarização e a desconfiança com a política no Peru continua e vem crescendo.
E nessa disputa, justamente para ver quem acompanhará a Keiko Fujimori no segundo turno, entre o já citado Roberto Sanches e o Rafael Lopes Aliaga, inclusive muitos veículos de imprensa colocavam uma casa decimal a mais, porque a diferença é tão pequena que era necessário isso para não declarar um empate.
Já que no momento também que estamos gravando, quinta-feira, dia 23 de abril, cerca de 8h30 da noite, o Roberto Sanches tem pouco mais de 20 mil votos em relação ao ex-alcalde de Lima. Exato. Muito se fala, começou a ter um movimento se essa eleição poderia ser anulada, se eles vão pedir...
uma nova eleição, enfim, alguns analistas peruanos já começaram a falar sobre o assunto e acham muito difícil, colocam essa porcentagem aí entre 1% a 5% de chance disso acontecer, o que não deve ocorrer, mas a gente entra num período de muita incerteza, porque, na verdade, os resultados oficiais só serão divulgados em meados de maio.
pra gente saber quem vai ao segundo turno no dia 7 de junho. Então é tudo muito apertado. E assim, a gente já sabe que algumas atas vão ser recontadas. A contagem ainda não acabou, a gente tá em quase 95% das urnas apuradas. Mas a gente já sabe que vai ter recontagem. Então é um período de incerteza muito grande.
Em meio a esse caos eleitoral, retomando a manchete de abertura desse bloco, o Piero Corvetto, que era o chefe da Oficina Nacional de Processos Eleitorais, a Secretaria Nacional do Processo...
eleitoral, acabou renunciando porque foi apontado como o principal culpado por essa situação, inclusive muito por conta da pressão por parte da renovação popular, o partido do Rafael Lopes Aliaga.
que pede para anular mais de 4 mil votos do Runtos por El Peru em Lima e 2.800 votos da Força Popular no departamento de Carramarca. Que daí, com esses votos, ele conseguiria ir para o segundo turno, talvez. E eu falei que o cargo anterior dele era...
de Alcalde de Lima. E daí a própria Municipalidade de Lima, em suas redes sociais, deu voz ao atual Alcalde, o Renzo Ridiardo, que pediu para convocar novas eleições nas mesas de Lima, que foram afetadas pelos atrasos. Então mostra aí também como a institucionalidade está buscando melar.
essas eleições porque, no caso da capital peruana, o seu principal candidato, que era até poucos meses atrás o prefeito, não irá para o segundo turno se mantivermos esse ritmo da apuração. E é curioso que o próprio Rafael Lopes Aliaga chegou a oferecer 29 mil reais e não irá para o segundo turno.
Se alguém tivesse provas das fraudes eleitorais, ele rapidamente, depois de horas, na verdade, apagou essa publicação. Mas desde o dia da votação e na semana seguinte, a gente até comentou aqui no programa passado, ele vinha falando da questão da fraude. E eu acho que um dos motivos justamente dos analistas peruanos dizerem que não deve haver uma recontagem é justamente a renúncia do chefe da OMP. Porque isso meio que acalma um pouco os ânimos e deixa...
a situação um pouco mais calma em teoria. Óbvio que se tratando de política peruana, a gente não pode cravar nada, né, Matias? A gente vê que é uma bagunça, são vários presidentes em poucos anos, mas eu acho que é importante a gente ficar de olho e saber que essa chance de realmente uma anulação dessa eleição é pequena.
E falando no ex-presidente interino José Reri, ele que havia assinado um acordo de compra de caças com os Estados Unidos, mas o atual presidente, o José Maria Balcaçar, acabou adiando justamente essa compra.
Porque acho que deve ser uma matéria decidida pelo presidente eleito, né? Que conheceremos no mês de junho, né? Então, assim, acho que é uma medida razoável, né? Porque, inclusive, por conta de todas as denúncias que o presidente anterior sofreu. Mas isso também já gerou um burburinho. E a própria Keiko Fujimori acabou criticando a decisão do atual.
de que deveria ser respeitoso com os compromissos do Estado peruano. Mas daí o pessoal lembrou justamente que o pai dela, já no período ditatorial, ali entre 1996 e 1997, adquiriu de segunda mão 36 Mig-29 e Sukhoi Su-25 junto à Bielorrússia. E foi um ato de corrupção do regime fujimorista. Enfim.
Toda manifestação que a Keiko tomar, né, sempre vão lembrar do passado do pai dela, até porque ela, inclusive, ocupou o posto de primeira-dama quando o seu pai se separou da sua mãe. Sim, e até pouco tempo atrás, a bandeira dela, política, em todas as campanhas, era justamente de um indulto humanitário ao pai dela.
figura presente em todos os momentos. Inclusive, isso é apontado como uma grande questão para essa eleição se ela vai conseguir se desvencilhar dessa imagem e ter outros temas relevantes para essa campanha e se, de fato, essa pode ser a eleição em que a Keiko consiga, enfim, vencer a presidência do Peru.
E o atual embaixador estadunidense em Lima, o Bernie Navarro, foi às suas redes também e postou que se você lidar com os Estados Unidos de má fé e minar os interesses dos Estados Unidos, fique tranquilo, eu, em nome do presidente Trump e sua administração, usarei todas as ferramentas disponíveis para proteger e promover a prosperidade e a segurança dos Estados Unidos e de nossa região, numa ameaça...
direta ao atual presidente peruano, que, enfim, depois de terminar o seu mandato, com certeza vai ser investigado, inclusive com causas anteriores à sua chegada ao poder. Exatamente, como de costume.
Passemos agora para a Bolívia, já que tivemos o segundo turno em alguns departamentos e cidades do país, ainda no calendário das eleições subnacionais. E recomendo aqui para quem se interessar, evidentemente, um relatório do Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica, que analisou numericamente...
essas eleições, que foram as primeiras eleições regionais do país sem a presença do movimento ao socialismo depois da briga fraticida que acabou minando a principal força de esquerda no país vizinho.
E nesse sentido, foram eleitos nove governadores, 335 alcaudes, e o voto da esquerda e o voto indígena acabou se pulverizando, mas o voto da direita também, porque justamente quando existia o MAS, eram criados diversos blocos regionais ou nacionais contra o partido do poder.
Nesse sentido, foi uma pulverização de ambos os espectros ideológicos bolivianos e tivemos alguns resultados interessantes. E pensando na direita, principalmente a que foi ao segundo turno das últimas eleições presidenciais, tivemos a vitória da Aliança Pátria, que foi apoiada pelo atual presidente Rodrigo Paz, que ganhou os governos dos departamentos de La Paz e Beni.
Enquanto que o Libre, do Tuto Quiroga, venceu nos departamentos de Pando e Santa Cruz. No caso, em Santa Cruz, que é o mais populoso, no segundo turno, com a vitória do candidato a vice-presidente na chapa do Tuto Quiroga, o Juan Pablo Velasco.
o seu antigo companheiro de chapa, declarou que eu preferia, obviamente, que ele fosse o vice-presidente da Bolívia. Mas Bolívia e Santa Cruz preferiram que ele seja governador. E pensando em números...
Totais dessas eleições, principalmente nas alcaldeias, tivemos uma vitória do campo popular indígena com 161 municípios conquistados, enquanto que a direita teve 135 municípios.
E o centro, que não vai nem para um espectro nem para um outro, ganhou em 1939. Então, foram quase 50% de municípios vencidos pelo campo popular indígena que acabam formando a esquerda boliviana.
E curioso, eu acho que é importante a gente estar falando aqui da fragmentação, da pulverização desses votos. O próprio Rodrigo Paz ganhou a presidência no ano passado, em novembro, com o apoio de uma parte importante dos setores que antes estavam justamente junto com o MAS. Então isso já vinha dando aí uns sinais dessa fragmentação e eu acho que é interessante a gente ver e acompanhar os próximos meses e anos de como que vai ficar esse novo cenário político.
Na prática, como você falou, primeira eleição sem o MAS, qual vai ser o impacto? E agora a gente vai ver o impacto no dia a dia, enfim, fazer política na Bolívia.
É, e curioso notar também que, assim como nas eleições presidenciais peruanas, a gente teve um grande protagonismo também dos votos brancos e nulos, que em muitos departamentos e cidades importantes do país foram vitoriosos, porque é muito a crítica de quem não se sente representado.
por nenhuma legenda política ou candidato depois que o MAS se dissolveu. Sim, a gente aqui no Brasil está muito acostumado a ver o voto de protesto em determinadas figuras, né? E o que a gente vê agora nessas duas situações, agora na Bolívia, é isso. O voto de protesto, a insatisfação vem demonstrada no voto branco, no voto nulo.
E ainda falando da política nacional boliviana, a gente tinha repercutido recentemente a mudança de comando na Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, a estatal petrolífera da Bolívia, no qual assumiu a Cláudia Cronenbond, mas ela apresentou a sua renúncia ao presidente Rodrigo Paz, ontem, quarta-feira, dia 22, e...
Destaco aqui um dos trechos da carta dela que foi publicizada, que ela argumenta que houve um deterioramento institucional mais profundo do que o previsto na empresa estatal. Pois é, vai agravar a crise que a gente vem tratando já desde dois programas atrás e ela deve continuar.
E tratando um pouco agora da política externa boliviana, tivemos a declaração de um congressista estadunidense, o Christopher Henry Smith, que indicou que os detentos exercem o controle total dentro do presídio de Palma Sola, no departamento de Santa Cruz, já que ele esteve nesse presídio em duas ocasiões. Mas fica aqui o questionamento por que...
que um congressista estadunidense está acusando essa situação no atual contexto que a gente vive na América Latina. Exatamente. Eu acho que a gente não pode esquecer qual é o contexto da administração Trump sobre a América Latina, a nova política de segurança para a região e como tudo isso está articulado à questão de segurança nacional dos Estados Unidos.
e sempre acaba se tornando uma desculpa para algum tipo de ação militar.
Da Bolívia vamos agora para o Chile, já que tivemos o primeiro voo de deportação de imigrantes irregulares que estavam no país. Mas nesse caso, esses 40 imigrantes são de nacionalidade boliviana, colombiana e equatoriana, que saíram do país a bordo de um avião da Força Aérea Chilena.
Essa foi uma promessa do Caste na campanha presidencial, ele queria expulsar todos os imigrantes sem documentação legal e ele começou, logo que ele assumiu o poder, ele falou, ele fez um convite a esses imigrantes que deixassem o país de forma voluntária, entre aspas.
E depois ele vai lidar com a realidade de que não é simplesmente ele pedir para os imigrantes saírem de dentro do Chile. Existe toda uma questão financeira envolvida de gastos do governo e que ele começa, enfim, a tentar colocar em prática essa promessa, muito a lá o que aconteceu com o Donald Trump nos Estados Unidos.
É, e nesse primeiro voo, tinta dos passageiros tinham antecedentes de crimes ou condutas de alta gravidade, segundo o Ministério do Interior do Chile. No total eram 40, mas divididos em 19 colombianos, 17 bolivianos e 4 equatorianos. E esse voo, que saiu de Santiago...
fez escalas em Iquique, no norte do Chile, de onde foi para La Paz, na Bolívia, depois para Guayaquil e Bogotá, na Colômbia. E falando justamente do custo dessa operação, em uma sessão no Senado chileno, que contou com a presença do responsável pelas imigrações dentro da Polícia de Investigações, o Ernesto Leon.
Ele declarou que muitas dessas expulsões estão pendentes, principalmente em relação aos cidadãos venezuelanos, já que não existe relação diplomática entre os dois países atualmente, o que dificulta muito essa operação. Ele também falou do alto custo das deportações, que chegam a 3 milhões de pesos chilenos.
E se fossem deportar somente esses cidadãos venezuelanos, seria necessário 18 bilhões de pesos chilenos, sendo que o orçamento disposto pelo governo Castro nessa matéria é de 4 bilhões. Ou seja, mais de 4 vezes a mais.
E para ter uma ideia do contexto, são mais de 336 mil migrantes que vivem no Chile em situação irregular. Cerca de 75% são venezuelanos, que já tem a questão da crise humanitária que tem que passar. E essa questão de não ter a relação diplomática também dificulta até para você obter o documento oficial, para você conseguir mesmo um documento da própria Venezuela, para tentar o regresso, enfim.
E aí eu deixo até aqui como recomendação, tem uma matéria, não é o país? Que se chama Todos os dias quero regressar à Venezuela. Que é justamente uma matéria entrevistando diversos venezuelanos que vivem no Chile e as barreiras que eles têm encontrado, tanto práticas quanto legais para poder voltar de fato à Venezuela.
Ainda em relação ao Chile, tivemos no começo dessa semana a assinatura de dois acordos entre o país e os Estados Unidos. E chama a atenção a velocidade que foi aprovado um desses acordos, que é o Memorando de Entendimentos sobre Minerais Críticos Chile e Estados Unidos.
que está sendo chamado no país pela sigla MOU, cujas negociações começaram em 12 de março, um dia após a posse do Caste, e ele acabou sendo assinado pela subsecretária de Relações Econômicas Internacionais.
A Paula Esteves, o subsecretário de mineração, o Álvaro Gonzalez e o embaixador dos Estados Unidos em Santiago, o Brandon Judd. Então mostra aí novamente o alinhamento do governo Caste com o Washington, principalmente nessa matéria que é vital atualmente para a...
segurança dos Estados Unidos. Sim, é o grande ponto para os Estados Unidos combater a influência da China e os benefícios da China na América Latina e principalmente na América do Sul, envolve essa questão dos minerais críticos, as terras raras, enfim, então é um grande alvo, eu acredito que esse assunto
já devia estar até sendo tratado aí entre as equipes de Castro e Trump ao longo da campanha eleitoral. E, obviamente, eu acho que a gente vai ver muito mais desse tipo de acordo sendo feito de forma rápida, porque interessa muito ao Trump, ainda mais agora, que ele vê a sua popularidade caindo. Ele precisa de temas que o MAGA, sua base eleitoral, aprovem para tentar um bom resultado aí nas eleições de meio de mandato.
Bem, e só para descontrair um pouco, tivemos a notícia de que o ator chileno estadunidense Pedro Pascal acabou processando uma marca de bebida local do Chile, que é a Pedro Piscal, que faz um trocadilho com o nome do ator e com o pisco, que é uma bebida típica da costa do Pacífico, reivindicada por chilenos e peruanos.
Bem, do Chile a gente cruza a Cordilheira dos Andes, vamos agora para a Argentina, já que notícia de hoje, né? Quinta-feira, dia 23 de abril, sobre La Hora, o governo Milley proibiu a entrada de todos.
Jornalistas na Casa Rosada. A gente tinha comentado em edições passadas que o governo Milley tinha proibido a entrada de alguns veículos mais ligados à esquerda, mas agora foi para geral. Inclusive, Clarim, Lanacion. Lanacion que começou simpático ao governo Milley, mas já está batendo bastante também, principalmente...
em relação ao caso do porta-voz do governo, o Manuel Adorno. E o próprio Adorno não tem dado as caras, o que é muito irônico, já que ele é o porta-voz, justamente. Mas a situação ficou tão insustentável que a solução foi proibir a entrada de qualquer veículo de imprensa na sede do Poder Executivo da Argentina. Exato. O governo alega...
que é uma questão de segurança nacional, e argumentou que essa decisão foi tomada após a denúncia de espionagem ilegal por parte de dois jornalistas de TV. E aí é curioso, porque quando o Miley assumiu, ele falou que ele queria criar...
uma sala de imprensa luxuosa na Casa Rosada, como existe na Casa Branca. E aí a gente vê que depois o que acontece? São várias sequências de ataques a jornalistas, né? É um enredo, é um modus operandi, como a gente já falou aqui dessa extrema-direita, de ir barrando qualquer voz, principalmente jornalística, que questione o governo, as medidas do governo.
No momento em que o governo Millet está totalmente envolto em escândalos de corrupção. A gente não pode esquecer disso, né? Então, eu acho que é bem sintomático o que está acontecendo por lá.
E ainda em relação à política interna da Argentina, tivemos infelizmente a notícia do falecimento da Visitación de Loyola, uma cidadã espanhola que se converteu em uma das tantas mães e avós da Praça de Maio e que buscou durante 50 anos o seu filho desaparecido na Argentina.
Pois é, ela era uma das referências desse grupo, ela sempre participou, inclusive agora, esse ano mesmo, ela participou das marchas, lembrando os 50 anos do golpe, lembrando justamente todo o absurdo, toda a tortura que foi cometida na Argentina e ressaltando a necessidade de se buscar um país melhor, de se continuar lutando por outras formas na Argentina e em outros lugares.
Porque ela falava que a busca em si pelos filhos, pelos netos, muito provavelmente já não ia dar em nada, não ia ter um resultado. Mas que o trabalho deles precisava continuar sendo feito. Então é uma figura muito importante mesmo.
E falando da história argentina, também tivemos a repercussão negativa por parte de um comunicado também da Casa Rosada, que celebrava os 147 anos da campanha do deserto, que foi...
a última investida militar argentina no sul do país, a conquista da Patagônia, mas que é entendida por diversos setores da sociedade como um genocídio, principalmente em relação aos Maputes, e é algo análogo ao processo de pacificação, entre aspas, da Patagônia por parte...
Então foram movimentos análogos ali no último quarto do século XIX e que terminaram justamente com a conquista quase total do sul do continente por Chile e Argentina. E essa operação foi comandada pelo então ministro da guerra, o Julio Argentino Roca, que viria a ser presidente da Argentina depois.
O presidente à época era o Nicolas Avejaneda, porém, esse tipo de operação já ocorria desde o começo da década de 1870 e é um mote, inclusive, do poema épico Martim Fierro, que foi escrito em 1872.
pelo poeta e político argentino José Hernández, criticando o então governo Domingo Faustino Sarmiento, que é o autor do Facundo, Civilização e Barbárie, que eu, inclusive, tinha comentado.
no programa anterior, mas nesse comunicado do governo Milley, diz que no dia 16 de abril comemoramos os 147 anos do início da campanha do deserto, uma das gestas mais transcendentes da nossa história, liderada pelo próster da pátria, o general Julio Argentino Roca, que consolidou a soberania nacional, expandiu o território e expandiu o território.
É, só que o comunicado omite totalmente qualquer menção às vítimas indígenas e justamente é muito... Lamentava a gente ver isso ainda hoje em dia, mas usar o termo de que essa campanha era uma empreitada civilizatória. Então, a gente vê aí termos que há muito a gente tenta combater.
É, e curioso o governo Milley postar isso porque ele mesmo usa as costeletas que eram inspiradas no Facundo, por conta do Menem, que era da mesma província do ex-caudilho de La Rioja. E falando no governo Milley, também existe uma promessa de reforma eleitoral que instituiria a ficha limpa no país.
Ele já falava em acabar também com as primárias, era uma coisa que ele criticava ainda durante a campanha. Eu lembro que nas últimas primárias ele falou muito sobre isso, que era uma perda de tempo, que não tinha por que existir as famosas passos na Argentina. Enfim, mas para isso ele precisa de apoio no Congresso, o que ainda não conseguiu.
E falando agora da política externa argentina, vamos repercutir a visita de Javier Milley a Israel por conta da efeméride de independência do país do Oriente Médio. E também o Milley, junto ao Benjamin Netanyahu, lançou os acordos de Isaac para a cooperação entre Israel.
E o hemisfério ocidental, que acaba sendo uma cópia ideologizada dos acordos de Abraão promovidos pelos governos Trump com Israel e alguns países muçulmanos.
Curioso, né? Porque nesse contexto, o Milley, na visita a Israel, também declarou que com determinadas culturas não podemos conviver. Nós defendemos a vida e eles querem nos matar, tomando as dores dos israelenses. Mas curioso, né? Porque Isaac, na Bíblia, tinha um irmão mais velho, Ismael.
que é o pai dos árabes. Mas acho que o Millet não tem muito esse conhecimento histórico e religioso. Ele fez todas as tradições de quem visita Israel, foi ao Muro das Lamentações, se emocionou.
comemorou a fundação do Estado de Israel e os dois países assinaram acordos para fortalecer os laços diplomáticos, comerciais, culturais. E o Millen, inclusive, nessa ocasião, falou que a guerra contra o Irã é um acerto, que é o que deve ser feito mesmo. Então ele conseguiu se posicionar em todos os aspectos de forma ideológica ao lado do Netanyahu.
E, Fernanda, eu acho que se tivessem mais karaokês em Buenos Aires, talvez o Milley não precisasse ser presidente, né? Porque como ele gosta de um palco e de um microfone, né? Gente, como? E assim, olhar esse vídeo é algo assim pra você realmente rir depois de um dia de muita tensão ou chorar, depende. Mas ele subiu ao palco e cantou a canção Libre.
e, assim, gritou e falou alto, gesticulou, realmente ele deveria avaliar melhor se a profissão dele é a presidência da República Argentina. É, mas acho que também como cantor ele ia passar fome, né? Ah, não ia. É, mas ele é tão bom cantor... Talvez um cantor cômico. Quanto economista, né?
Mas curioso ele ter escolhido justamente essa canção, e assim, não é uma coincidência, porque Libre, que se tornou famosa na voz do cantor valenciano Nino Bravo, acabou se tornando um hino da ditadura Pinochet.
E curioso, porque um dos compositores da canção, o Pablo Herrero, criticou justamente essa apropriação por parte dessa canção, assim como o Partido Popular na Espanha se apropriou de Libertar Simira, também de composição dele. E ele fala que é frustrante quando você vê que se utiliza para um fim.
pelo qual ela não foi concebida, já que no caso de Libre é evidente, porque ela foi criada para lutar contra tudo aquilo que representava autoritarismo e repressão, já que a música foi composta durante a ditadura franquista. Exatamente. A ideia é justamente falar sobre a necessidade da liberdade nesse contexto. E ela é usada, as ditaduras se apropriam sem nenhum tipo de vergonha. É realmente chocante.
E também, nessa visita do Javier Milley a Israel, ele prometeu transferir a embaixada argentina para Jerusalém, como já ocorreu com outros países latino-americanos. Sim, esse acho que é um dos primeiros temas das visitas, quando você tem a proximidade ideológica com o Netanyahu, é a primeira coisa que os presidentes falam, os líderes falam, é de transferir a embaixada.
E voltando agora para a Argentina, depois dessa visita do Milley a Israel, o país e o Fundo Monetário Internacional fecharam mais um acordo para liberação de 1 bilhão de dólares.
Exato, a instituição considerou o esforço da Argentina com as suas reformas econômicas, falou que o país se fortaleceu nos últimos meses com essas medidas e liberou esse novo aporte do fundo.
E tratando agora da economia doméstica argentina, tivemos a divulgação de um levantamento por parte do Ministério de Capital Humano da Nação, chefiado pela Sandra Viana Petovelo, no qual...
cerca de 60% das pessoas em situação de rua chegaram a essa situação nos últimos dois anos. Ou seja, é um levantamento de um ministério do próprio governo Javier Milley que aponta que nos últimos dois anos, ou seja, já durante o mandato do atual presidente, tivemos 60 pessoas em situação de rua.
neste período. E isso porque o levantamento foi feito em 19 jurisdições, 18 províncias e a cidade autônoma de Buenos Aires. Não participaram desse levantamento a província de Buenos Aires, que é...
a mais populosa do país, além de Terra do Fogo, La Rioja, Santiago del Esteiro e Formosa. E essas duas últimas estão entre as mais pobres da Argentina. Então esse número pode crescer ainda mais, ainda mais quando ele é contrastado com organizações que acolhem moradores de rua.
que daí somente na capital, Buenos Aires, foi feito um levantamento ano passado, conhecido como o Terceiro Censo Popular, por parte de organizações sociais, entre elas o Proyecto Siete.
e que mostram que somente em Buenos Aires são quase 12 mil pessoas vivendo nas ruas portenhas, ou seja, mais de 2 mil em relação ao que o Ministério de Capital Humano levantou em todo o país.
E é curioso, eu acho que é importante a gente ter em mente a questão humana quando a gente fala de panorama econômico de um governo. Porque eu acho que principalmente no primeiro ano do governo Milley, a gente teve muita empolgação por parte de diversos meios especializados em economia.
justamente focando nos números de inflação da Argentina, mostrando os logros do governo Milley nesse sentido. Mas a economia, existe a economia real das ruas, e a gente precisa entender que você não tem como avaliar economicamente o sucesso de um governo apenas vendo esses números, mas não olhando para a situação da pobreza, da situação da miséria, da situação da população de rua. Então, acho que realmente é preciso...
ter esse panorama e fica muito mais complicado a gente ter o cenário todo quando a gente vê um governo barrando jornalistas de entrarem na sede do governo, quando a gente vê o governo simplesmente ridicularizando ou minimizando o trabalho dos jornalistas porque é um trabalho que está indo contra o que o governo está falando e expondo os escândalos de corrupção desse governo.
Então acho que é muito importante a gente trazer esses números, trazer essas pesquisas e que as pessoas busquem mesmo essas informações e não fiquem só no dado do FMI, por exemplo.
E ainda em relação à Argentina, o secretário de Malvinas, Antártida, Ilhas do Sul e Assuntos Internacionais da Província da Terra do Fogo, a mais austral da Argentina, o Andrés Dachari, reclamou em relação ao Uruguai.
porque um avião militar do Reino Unido viajou de Montevideo às Falklands, na nomenclatura britânica, passando pelo espaço aéreo argentino. Então, a província da Terra do Fogo apresentou uma nota ao Uruguai reclamando desse voo que passou pelo espaço aéreo argentino em mais um capítulo.
da disputa entre Argentina e Reino Unido pelo controle do arquipélago no Atlântico Sul. Sim, o voo não teria tido autorização e estava com o transponder desligado.
E falando em invasão do espaço, nesse caso marítimo, foi a vez do Uruguai reclamar em relação a um navio de bandeira norueguesa, que faz parte de um projeto da empresa Searcher na plataforma continental e zona econômica exclusiva do Paicito. No caso...
Essa embarcação da companhia SW Impress realizava prospecções sísmicas 2D dentro das 350 milhas náuticas que pertencem ao Uruguai. Porém, esta empresa justificou que não pediu autorização ambiental ao país, porque o Uruguai não ratificou a decisão das Nações Unidas de estender sua plataforma continental.
E por essa razão, considera que a mais de 200 milhas náuticas se aplica a Convenção sobre o Direito ao Mar. E entende que o país não possui os direitos sobre os recursos do subsolo nem a jurisdição para pedir exigências.
Então vamos ver aí qual vai ser o desenrolar dessa situação e quem tem a razão, se é o Uruguai como nação soberana ou essa empresa norueguesa. Mas fica também o alerta de que a mesma empresa fez uma campanha sísmica em 3D na bacia de Pelotas, no sul do Brasil. Então fica aí a observação.
Do Uruguai, vamos agora para o Paraguai, refazendo os passos de José Hervásio Artigas, já que o governo Santiago Pena aceitou a chegada de 25 deportados por parte dos Estados Unidos ao Paraguai.
Exato, e mais um alinhamento ideológico, a gente já vinha também discutindo isso, sobre como o Paraguai está abrindo as portas para os Estados Unidos, já se falou em presença militar, e agora o aceite em receber esses deportados dos Estados Unidos.
Fica aqui uma nova sugestão de leitura, porque nesse caso esses 25 deportados são de países da região, mas o El País fez uma matéria com colombianos que estão na República Democrática do Congo depois de terem sido expulsados dos Estados Unidos. Então fica a recomendação.
Dessa reportagem que é nunca pensei conhecer África nestas circunstâncias. Porque não faz sentido nenhum enviar cidadãos colombianos para a República Democrática do Congo nesse processo de deportação.
E essa é a primeira leva que o Congo também recebe, aceitou receber. É mais um país da África que aceita receber deportados. No caso, não só dos Estados Unidos, da Europa também. Acho que é importante a gente lembrar que a Europa também deporta imigrantes em situação ilegal.
para países da África. Enfim, parte dessa política que parece ser uma política de esquecimento, porque como que fica a situação de um migrante latino-americano que é enviado para a África? Quando que essa pessoa vai ter o seu caso estudado? Enfim, é bem complexo.
E tratando agora da política interna paraguaia, e eu acho impressionante isso, porque o Partido Colorado é tão preponderante no país que já estão discutindo a chapa presidencial para a eleição daqui dois anos.
Exato. Porque cabe lembrar, não existe reeleição no Paraguai, mas governadores que fazem parte do movimento Honor Colorado, do Horácio Cartes e do atual presidente Santiago Pena, já...
criaram aí uma chapa para concorrer às próximas eleições daqui dois anos. No caso, seria o Pedro Aliana como cabeça da chapa, ele que é o atual vice-presidente do país e também já ocupou o cargo de presidente da Câmara e também foi presidente da Associação Nacional Republicana, que é o nome oficial do Partido Colorado. E quem acompanha...
E quem seria o seu candidato a vice-presidente? Seria o César Sousa, que é governador do departamento de Guairá, que fica no sudeste do país, quase chegando na fronteira com o Brasil. Mas, enfim, é impressionante como os colorados são agrandados no Paraguai.
Sim, como se não tivesse coisa para ser discutida neste momento no Paraguai, porque a gente teve um movimento de governadores dando essa sugestão. 15 no total, né? 15 no total, não tivesse assunto, temas para serem debatidos, e já estão pensando daqui a dois anos na chapa presidencial.
Bem, e no último final de semana, correu o mundo aí, né? Imagens do último superclássico paraguaio entre Serro Portenho e Olímpia, né? Que acabou sendo cancelado, porque houve ali uma briga entre torcedores do Serro com a polícia. E um dos torcedores do Serro, inclusive, exibiu um escudo da polícia paraguaia e ele acabou sendo detido, né? E...
Inclusive foi escrachado pelos policiais em Castelhana e Guarani, mas se trata no caso de Luiz Ernesto Servim Vera, que tem duas causas abertas por tentativo de homicídio e também é proibido de sair do país com acesso negado a eventos desportivos da Associação Paraguaia de Futebol. Então, enfim, ele nem devia estar presente no recinto. Exato, um longo histórico.
E fica mais uma recomendação de leitura aqui do Vitor Tavares, que inclusive mediou uma conversa que eu participei semana passada no Sesc Avenida Paulista sobre jornalismo e direitos humanos. E ele publicou uma reportagem lá na BBC News Brasil, cujo título é Somos Oprimidos no Brasil, a onda de brasileiros rumo ao Paraguai em busca do sonho da direita.
Então, a gente usa essa indicação como gancho para passar para o Brasil e tratar um pouco da nossa política externa, a começar pela Eurotip do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Bom, e a primeira parada do presidente Lula foi na Espanha, ele foi recebido pelo primeiro-ministro Pedro Sanches, os dois são muito próximos, inclusive estão liderando um movimento ideológico forte de governos progressistas, existe uma questão do alinhamento e de atrair mais pessoas para isso, e ele esteve junto com a presidente do México, a Cláudia Chembao.
o presidente da Colômbia, o Gustavo Petro, e alguns outros líderes. E aí, nesse encontro na Espanha, eles falaram muito sobre a questão do multilateralismo e de se combater a desinformação, e justamente dentro das tecnologias digitais. E eu acho que um destaque interessante é justamente para a intenção de unir...
os líderes do socialismo, mas também aproximar líderes sindicais e centros de pensamentos progressistas para facilitar a cooperação entre esses setores em diferentes países. Porque é algo que a gente já trouxe aqui algumas vezes, que a extrema direita fez e faz muito bem e que a esquerda ficou totalmente perdida em como...
se movimentar nessa situação. E eu acho que essas foram discussões ali na Espanha que ganharam destaque na primeira parada do presidente Lula nessa viagem pela Europa.
E já ficou marcado também que a reunião desse grupo de defesa da democracia terá sede no México no ano que vem. Mas, Fernanda, o presidente Lula também esteve presente na Alemanha, onde tivemos as terceiras consultas intergovernamentais de alto nível Brasil-Alemanha, no qual o presidente Lula foi recebido pelo chanceler alemão Friedrich Merz.
Exato, e foi na Alemanha que inclusive o Lula tratou de um tema que é sensível quando a gente fala de União Europeia, que são as queixas de barreiras comerciais. Então, o Lula criticou narrativas falsas que surgem dentro da Europa sobre o agronegócio brasileiro, se queixou também das barreiras comerciais europeias sobre os biocombustíveis e inclusive falou...
que o Brasil é capaz de ajudar a União Europeia a reduzir custos de energia, que é uma questão muito preocupante hoje, justamente com a guerra da Ucrânia e a guerra no Irã.
E nesse encontro foram assinados 21 acordos entre os dois países, incluindo temas relacionados à defesa e até de devolução do patrimônio científico como fósseis, que é algo que a gente já vem repercutindo aqui no Xadez Verbal. E a última parada dessa visita do Lula ao Velho Continente...
foi em Portugal, depois de cinco dias de viagem. Daí ele acabou tratando justamente sobre imigração no seu encontro com o primeiro-ministro Luiz Montenegro em Lisboa. É, eles comentaram sobre a integração econômica e social entre os dois países. O Lula exaltou o...
a importância do trabalho dos brasileiros em Portugal, isso tudo no momento em que Portugal aprovou uma nova regra dificultando a situação dos migrantes no país. E também no momento em que crescem as denúncias de xenofobia por parte dos brasileiros que vivem em Portugal. Então é importante que o nosso governo esteja atento a isso, dê voz a isso e utilize justamente essas boas relações com o governo português para tratar dessas questões.
E o Felipe não está participando da gravação desse bloco, mas ele deixou no roteiro uma observação aqui, de que o Lula não visitou nenhum país que é obstáculo ao acordo Mercosul-União Europeia. Então fica aqui um abraço para o Emmanuel Macron.
Exatamente, o Macron ficou de fora da visita, né? Da visita do caso de receber o presidente Lula. Não puderam reviver o bromance entre eles, né? Exato. E, enfim, uma notícia que agitou o noticiário brasileiro na semana passada, e a gente segue repercutindo, foi o caso Ramagem e as relações com os Estados Unidos.
Exato. Lembrando que o Alexandre Ramagem dirigiu a Abin nos anos Bolsonaro e ele foi condenado justamente por orquestrar a tentativa de golpe de Estado. Ele fugiu para a Flórida e pediu asilo político, mas o caso ainda não tinha sido avaliado, enfim. Ele foi preso pelo ICE.
por uma questão de infração de trânsito, inclusive, e aí o ICE viu que estava em situação irregular, mas ele foi solto 48 horas depois, sem nem pagar multas, sem nada. E o Departamento do Estado americano anunciou a expulsão desse policial federal brasileiro, alegando que ele interferiu nas políticas migratórias dos Estados Unidos. Quando, na verdade, o próprio Ramagem sai, ele é solto e ele agradece as altas instâncias do governo Trump.
No que fica claro aí, mais uma vez, o envolvimento da família Bolsonaro nas relações Brasil-Estados Unidos. E esse envolvimento, essa interferência, ela vai continuar. Não é algo que deva parar agora. A gente está em ano eleitoral aqui no Brasil. Então, é importante que isso seja dito. O Lula subiu o tom nessa semana contra os Estados Unidos. Falou em medida de reciprocidade e falou que... li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li li
justamente, ele não vai permitir nenhuma ingerência americana no trato da política brasileira, lembrando que ele está, no momento, nas pesquisas, empatado com o Flávio Bolsonaro. Então, realmente, é um momento delicado. A gente não tem uma data da tal reunião, do tal encontro entre o Trump e o Lula, que era algo que, se a gente fosse comentar aqui há alguns meses...
teria um tom muito mais de tentar acordos em área de segurança, e agora a gente já vê um tom mais bélico, e se perguntando se é viável esse encontro a partir desse momento. E aí, falando na reciprocidade, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues,
afirmou que a instituição retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração estadunidense que atuava no Brasil. E ainda em relação ao caso Ramagem, uma comitiva paga pelo Senado brasileiro irá aos Estados Unidos pedir asilo político para o ex-diretor da Abin. E o pedido foi protocolado.
pelo senador Jorge Seife, do Partido Liberal de Santa Catarina. E só acho que é importante a gente trazer aqui que essa coordenação da Polícia Federal com o ICE é uma coordenação que ocorre justamente por um acordo que foi feito entre os Estados Unidos e Brasil. Acho que esse contexto é importante.
E também tivemos uma reunião entre o governo Lula com a gestão Trump, cuja uma das pautas é justamente o PIX. Então fica aqui a lembrança também do nosso programa de número 427, Trump contra o PIX, que foi gravado em meados do ano passado. E as investigações dos Estados Unidos sobre o PIX devem ter os primeiros resultados apresentados no fim desse mês. Então o tema está quente.
E, por fim, notícia do começo dessa semana, já que com recursos do governo Trump, uma empresa estadunidense, a Hair Earth, comprou a única mineradora brasileira de terras raras localizada em Serra Verde, no estado de Goiás. Lembrando da negociação envolvendo o então governador goiano Ronaldo Caiado e atual...
presidenciável, por 2,8 bilhões de dólares. Pois é, de novo a gente volta para o tema de grande interesse, a menina dos olhos do governo Trump aqui na América do Sul, essa questão das terras raras, para barrar a influência da China, para barrar a disputa com a China justamente por essa hegemonia.
com relação à tecnologia, esses minerais raros são usados justamente em produção de chips, então eu acho que esse assunto ainda vai dar muito o que falar. Hoje mesmo, uma apuração da Globo News mostrava que o governo Lula rejeita a criação de uma estatal para explorar as terras raras, algo que vai até contra o que o próprio PT apoia, então é um assunto que deve ganhar repercussão nos próximos dias.
Do Brasil, vamos agora para a Venezuela, já que a líder da oposição do país, Maria Corina Machado, pretende retornar a Caracas ainda em 2026. E voltou a pedir eleições rápidas, o que a gente já discutiu aqui algumas vezes, que não deve acontecer.
E tivemos também a presença da Maria Corina Machado num ato com nacionais venezuelanos na Espanha, onde ela se encontrou com basicamente todo mundo da direita espanhola e evitou o encontro com o atual chefe de governo.
Pedro Sanches, e nesse encontro com a diáspora venezuelana, o cantor Carlos Balt, que vive fora do país já há bastante tempo, inclusive é casado, se não me engano, com uma estoniana ou letã.
ele puxou os gritos de Fuera Lamona, em referência a Delci Rodrigues, no que a embaixada venezuelana em Madi pediu perdão pelas palavras de baixo calão do cantor venezuelano. Então tivemos aí essa pronta resposta da diplomacia venezuelana.
contra o ato que foi qualificado como racista por parte do governo do país. No momento em que o governo da Delci Rodrigues na Venezuela tem se movimentado, na linha do que a gente também já vem falando, sobre tirar as figuras mais próximas ao Maduro da linha de frente do poder.
E agora a Venezuela anunciou mudanças no Tribunal Supremo de Justiça. A Assembleia Nacional, que é comandada pelo irmão da Delci, o Jorge Rodrigues, iniciou os trâmites para renovar cerca de 70% dos magistrados. E a ideia é justamente acabar com a influência pessoal.
de alguns magistrados com relação ao Maduro e a Cília Flores, a mulher do Maduro, que também está presa nos Estados Unidos. O argumento usado pelo governo Delcy foi justamente que estava na hora de alguns magistrados se aposentarem e esse é mais um passo na linha da nova modelagem desse novo chavismo sem o Maduro.
E ainda em relação à Venezuela, o país reatou as relações com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Lembrando que foi justamente o governo brasileiro que intermediou as negociações entre as partes.
É num ato que deve liberar justamente envio de dinheiro, tornar mais fácil a entrada de dinheiro na Venezuela para tentar aliviar um pouco inclusive a questão econômica do dia a dia no país. Da Venezuela vamos agora para a Colômbia, já que dissidências das Farc mataram três soldados colombianos em um ataque de Lhões.
É, esse é um momento delicado, porque o Petro está prestes a deixar o governo, né? São três meses aí até ele deixar o governo. A gente tem as eleições presidenciais no dia 31 de maio. E a grande bandeira do Petro, que era a paz geral na Colômbia, ela não foi cumprida.
E o que acontece agora é que chega um momento delicado porque os grupos começam a realizar novos ataques, justamente para demonstrar força antes das eleições. É uma tática que a gente já viu em outros momentos na Colômbia. E aí a gente tem essa dissidência das Farc demonstrando muita força, uma força que algumas pessoas não achavam que esse grupo ainda tinha, porque o grande grupo guerrilheiro hoje, que é o Exército de Libertação Nacional, ELN,
Parece estar, entre aspas, mais quieto e, de repente, essas dissidências estão aparecendo. Inclusive, o Petro suspendeu essa semana as negociações com uma dessas dissidências, que é a Estado-Maior de Blocos. É uma das maiores dissidências das Farc, que não aderiu ao Acordo de Paz lá de 2016, ainda com o governo Santos.
Então, essa negociação foi suspensa em mais um revés para o governo às vésperas da eleição presidencial.
E falando do Petro, ele veio a público dizer que não conhece o Fito, o líder dos choneiros do Equador, que foi uma acusação levantada pelo Daniel Noboa. E o Petro acabou se embananando todo também, com o perdão do trocadilho.
Porque recentemente foi preso um outro criminoso com o mesmo apelido em Cali. E o Petro disse que o Fito havia sido preso por uma operação das Forças de Segurança colombianas. Sendo que o Fito equatoriano foi preso na cidade de Manta, no Equador. Que foi onde justamente o...
O Noboa disse que o Petro havia se encontrado com o criminoso equatoriano. Então, gerou essa confusão aí e o Petro acabou se confundindo por conta do apelido incomum.
Sim, ele teve que postar, inclusive, um tweet gigante aqui, em que ele fala, não conheço o tal do Fito nem os seus amigos. Eu só fui ao Equador para assistir a posse dos seus presidentes. E aí que ele fala, temos capturado muitos bandidos nascidos nesse país e temos entregado todos ao Equador.
E é mais um capítulo dessa treta entre os dois presidentes. Eu acho que você começa a disputa na área comercial e isso vai para a área política rapidamente. E toda semana tem uma novidade, uma escalada nesse sentido.
E daí o Petro, respondendo a mais uma acusação por parte do Noboa, disse que o Equador está passando ao fascismo e decidiu ilegalizar a oposição e criminalizar a política, deixando morrer de fome o cidadão colombiano e ex-vice-presidente da República do Equador, o Jorge Glass, comentando aí uma notícia da Deutsche Welle em espanhol.
Enquanto está acontecendo essa confusão na política externa, esse confronto entre os dois presidentes, internamente os problemas de segurança na Colômbia continuam, inclusive aumentam. A gente falou agora da questão das guerrilhas, mas tem uma notícia no meu país muito interessante que fala que metade dos homicídios em Bogotá foi encomendado entre janeiro e março deste ano, 134.
Dos 265 homicídios registrados na capital, foram justamente assassinatos por encomenda. E antes da pandemia, esses casos eram de 3 em cada 10, por exemplo. Os analistas dizem que isso se dá justamente pela disputa de gangues para ocupar espaços que servem como corredores de drogas ou economias ilícitas na capital. E vem também da questão do aumento da produção de cocaína. A própria... E do...
acesso fácil às armas. Então, acho que são temas de segurança mais cotidiana que o próprio governo está enfrentando e que devem ser usados na campanha presidencial. Acho que é importante a gente ficar de olho nisso também, não só na violência das guerrilhas, que é algo que assombra a Colômbia há décadas, mas também nesse aumento da violência urbana na capital.
E falando agora do outro lado da fronteira, do Equador, o governo Daniel Noboa anunciou mais um toque de recolher, que ocorrerá de domingo 3 de maio até a segunda-feira 18 de maio.
terá vigor das 23 horas da noite até às 5 da manhã em nove províncias e quatro cantões do país. Isso porque no primeiro trimestre de 2026 em comparação a 2025, houve um decréscimo dos homicídios. Lembrando que ano passado o Equador bateu o recorde de homicídios.
E só no primeiro trimestre foram mais de 2 mil mortes violentas. Porém, os números voltaram a crescer no mês de abril, principalmente na cidade de Guayaquil, no qual foram registradas nove chacinas neste mês.
E além do aumento da violência e desses crimes violentos em Guayaquil, o governo vê também o crescimento dos ataques a pescadores. E aí a gente lembra que isso é parte da campanha americana.
de atirar, bombardear pequenas embarcações no Caribe e no Pacífico. Então, esses pescadores estão denunciando os ataques americanos, estão reclamando, mas a gente ressalta que o governo Noboa está alinhado ao governo Trump, então, o que de fato vai ser tomado de medida contra a questão da ação norte-americana...
A gente não tem a menor ideia, mas eu acho que vai ser muito difícil a gente ver algum tipo de responsabilização de Washington por parte do governo Nuboa. E a Associação de Mães e Esposas dos Pescadores Artesanais...
indica que podem ter pelo menos 15 pescadores do povoado de Haramihó que estariam entre as 170 pessoas falecidas em ataques contra embarcações no Caribe e Pacífico desde setembro de 2025, quando começaram essas operações militares dos Estados Unidos na região.
Então, é algo alarmante e fica aqui mais uma recomendação de leitura de uma reportagem do Guardian que está intitulada Então, fica mais uma recomendação de leitura somente deste bloco.
E aí, nesse contexto, 125 organizações se juntaram e pedem o fim da cooperação de países com os Estados Unidos, seja direta ou indiretamente, nas execuções que estão ocorrendo no Caribe. Eles falam que desde setembro de 2025, as forças norte-americanas já mataram mais de 175 pessoas a bordo de pequenas embarcações. E aí tem um trecho interessante.
que diz o seguinte, estamos presenciando uma continuação e uma normalização realmente preocupante desses ataques contra embarcações. E quem deu essa declaração foi a Anne Schill, que é diretora para os Estados Unidos do Centro para Civilizações em Conflito.
Então acho que é interessante, são organizações não governamentais que se uniram para justamente mostrar que o apoio, seja pela logística, seja simplesmente por um apoio político a essa decisão dos Estados Unidos, isso tem que ser encerrado. Bem, a gente segue na bacia do Pacífico, vamos agora para Costa Rica, já que o país rompeu tradição diplomática de neutralidade e se alinhou ao governo Trump.
Exatamente. As últimas medidas do governo do Rodrigo Chaves mostram esse alinhamento de forma bem forte. O governo declarou Hamas, o Hezbollah, os Hutis e a Guarda Revolucionária do Irã como grupos terroristas, fechou a embaixada em Cuba.
e afirmou que vai receber imigrantes enviados pelos Estados Unidos. O governo Trump tem mais um local para poder mandar os deportados presos pelo ICE. Lembrando que a Costa Rica aboliu as Forças Armadas em 1948, e em 1983 o país tornou essa neutralidade um princípio de Estado. Então é um rompimento que não é só um rompimento ideológico, é realmente uma tradição e uma política de Estado da Costa Rica desde 1983. E aí
O Rodrigo Chaves cita a luta contra o terrorismo para justificar essas novas posições da Costa Rica. E a gente lembra aqui que os Estados Unidos são o principal parceiro comercial da Costa Rica e a Costa Rica aderiu recentemente ao Escudo das Américas, que a gente também falou nos últimos programas.
Passamos agora para a vizinha Nicarágua, já que o país novamente entrou na mira dos Estados Unidos, já que na quinta-feira da semana passada o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra Daniel e Maurício Ortega Murillo.
filhos do casal presidencial nicaragüense Daniel Ortega e Rosário Murillo. Eles são acusados, ao lado de outras cinco pessoas, de terem ligações com uma rede de extração de ouro que financia o regime. E por conta dessas sanções aos seus filhos, o co-presidente nicaragüense Daniel Ortega, na última segunda-feira, em um ato oficial por ocasião do Dia Nacional da Paz, e...
catalogou o presidente estadunidense Donald Trump de desquiciado mental. Lembrando que a Nicarágua, ela vem aí numa linha de sucessão das prioridades do governo Trump, que começam com a Venezuela, Cuba e aí tem Nicarágua. Realmente é preocupante o que pode vir a seguir.
Lembrando que em 2018, o conselheiro de segurança nacional Joe Bolton referiu-se à Nicarágua juntamente à Cuba e Venezuela como a triade da tirania. Então mostra aí que o Donald Trump não esqueceu do país centro-americano.
Da Nicarágua vamos agora para El Salvador, no qual teremos um julgamento coletivo de 486 supostos membros da Mara Salvatuccia 13.
Exato. Obviamente isso já está sendo denunciado por grupos de direitos humanos, porque um julgamento em massa desses acusados viola todos os direitos humanos e direito ao devido processo legal. Então, em mais um ato que o governo Bukele adota e realmente vai dar prosseguimento, porque eles não se preocupam, o governo não se preocupa.
com esses relatórios das organizações de direitos humanos, enfim, e com o impacto que isso vai ter. Ele conta com um respaldo interno significativo e é admirado por diversos líderes, inclusive latino-americanos, então ele vai dar sequência a esse projeto.
E nesse sentido, de acordo com o índice global da Fundação Heritage sobre eficácia jurídica, desde o regime de exceção instituído pelo governo Naíbe Bukele em 2022, houve uma queda vertiginosa da eficácia jurídica em El Salvador, chegando a 15,3% em uma escala de 100%.
que acabou se estabilizando nos últimos dois anos, mas a gente teve essa queda acentuada entre 2022 e 2023, sendo que um ano antes, em 2021, estava subindo, passando inclusive dos 40 pontos nessa escala.
De El Salvador vamos agora para o México, já que uma brasileira de 13 anos esteve entre as vítimas de um atentado terrorista no sítio histórico de Teotihuacan, no estado do México.
Exato. O atirador abriu fogo do alto da pirâmide La Luna e se matou em seguida. Foram 25 minutos entre a primeira chamada de emergência e ele se matar. E foi um crime arquitetado, ele era um lobo solitário, segundo as investigações mexicanas. Ele se hospedou em um dos hotéis da região um dia antes do ataque, chegou a visitar as ruínas diversas vezes. Ele tinha 27 anos.
Esse ataque deixou uma canadense morta, sete feridos, entre eles, essa brasileira, pelos tiros, e seis feridos que foram feridos na tentativa de fuga. Então, alguns tiveram partes do corpo quebradas, enfim. Lembrando que é muito íngreme essa pirâmide, né? Exato, são 45 metros, né, se não me engano. Então, realmente, o desespero ali na hora fez com que essas pessoas ficassem também feridas.
O atirador deixou bilhetes dizendo que tinha inspirações para além da terra, para cometer o massacre. Lembrando que o atentado ocorreu em 20 de abril, rememorando o atentado em Columbine, no Colorado, que ocorreu nessa data 27 anos antes.
Exato, e ele tinha na mochila livros justamente sobre o massacre de Columbine, que ocorreu em 99, como você estava falando. Então, era uma inspiração para ele. E agora fica uma discussão sobre a questão de segurança, né? Como esse cidadão entrou armado neste local. E aí a própria presidente, Cláudia Schembaum,
falou, a gente vai ter que reforçar a segurança, vamos colocar detectores. Isso não era necessário porque nunca se pensou que ocorreria, mas a partir de agora é algo que deve ser repensado, não só para este local, mas para outros pontos turísticos do México. É, e o atirador usava uma camiseta com as palavras de ordem disconnect e self-destruct, desconectar-se e autodestruir-se.
de uso comum entre a True Crime Community, a TCC, uma subcultura digital que glorifica crimes famosos justamente após o atentado de Columbine em 1999.
E nas gravações que uma das vítimas fez ocultando o aparelho, ele também usava de um vocabulário xenófobo e misógino, principalmente contra os europeus, o que é curioso.
Exato. E a gente trouxe aqui há dois programas atrás justamente a questão do envolvimento daquele argentino que cometeu um atentado numa escola também com essas comunidades de true crime na internet e o perigo disso. Eu acho que essa radicalização é muito perigosa e a gente tem visto como ela surte efeito rápido com esses discursos de ódio e misoginia.
E a presidenta Claudia Scheinbaum se manifestou nas suas redes, dizendo que o ocorrido em Teotihuacan nos fere profundamente, expresso minha mais sincera solidariedade com as pessoas afetadas e suas famílias. Estamos em contato com a Embaixada do Canadá e instruí o Gabinete de Segurança a investigar a fundo esses fatos e brindar todo o nosso apoio. Lembrando que todas as vítimas são estrangeiras.
Não tinha nenhum cidadão mexicano entre os alvos do terrorista. Exato. Esse local recebe 1,6 milhão de visitantes ao ano. Então, assim, é um ponto turístico, um dos principais pontos turísticos do México. E, de fato, ficou claro aí que o alvo eram os estrangeiros.
É, inclusive também nessa gravação que eu tinha citado anteriormente, ele declara que a pirâmide foi construída para sacrificar homens e não para que você venha fazer a sua puta fotinho de merda. Então mostra aí a motivação dele por escolher esse local em específico.
E também no México, nos últimos dias, tivemos a notícia da morte de dois agentes da CIA, o que acendeu o alerta sobre a ingerência estadunidense no país. Exatamente. Os dois agentes morreram junto com outros dois agentes mexicanos.
em um acidente de carro na região de Sierra Madre Ocidental, no estado de Chihuahua. E segundo a Claudia Sheinbaum, os quatro agentes estavam trabalhando em conjunto em uma missão que o governo mexicano desconhecia. E aí o alerta acende por conta disso. Ela falou, bom, eles estavam trabalhando junto e agora a gente precisa de satisfação tanto do governo estadual de Chihuahua quanto dos Estados Unidos para entender como que você tem dois agentes da CIA em solo mexicano.
sem a anuência e o conhecimento do governo federal. Lembrando que Chihuahua faz fronteira com os Estados Unidos, é um estado setentrional mexicano. E a retórica americana de intervenção vem ganhando força também no México desde janeiro, com a captura do Nicolás Maduro na Venezuela. Então o Trump logo em seguida deu declarações se referindo ao México, falando que o México era um país...
que estava sendo comandado por cartéis de droga. Então ele disparou tanto contra o México, a Colômbia, isso foi criando um caldo de tensão no país. Mais curioso, Matias, que eu vi alguns analistas que estudam a relação Estados Unidos e México.
Falando sobre como, na realidade, a presença de agentes americanos em solo mexicano é recorrente e, de fato, sem o conhecimento do Estado mexicano. Tem um professor que é investigador do Centro de Investigação e Docência Econômicas, o Carlos Pérez Ricard, ele é autor do livro...
100 Anos de Espias e Drogas, La Historia de los Agentes Antinarcóticos de Estados Unidos e México. E ele fala que faz mais de 100 anos que os agentes da CIA estão presentes no México, inclusive os agentes da DA, que a gente vê o tempo inteiro nos filmes e nas séries sobre cartéis mexicanos, e que é uma constante, não é algo excepcional.
e é uma presença nessa relação bilateral. Então é curioso, porque a Cláudia Schembaum se posiciona de forma firme, mas ao mesmo tempo a gente sabe que existe sim uma relação um pouco diferente quando se trata de agentes americanos com relação à investigação de cartéis de drogas no México.
E, Fernanda, vou passar aqui para uma notícia que pode estemecer as relações México-Brasil, né? Já que a Procuradoria de Proteção ao Ambiente do Estado do México, a Propaim, declarou que o perro amarillo, também conhecido como caramelo, é uma raça mexicana.
Pois é, os brasileiros estão enlouquecidos falando que o México está roubando um patrimônio brasileiro que é o cachorro caramelo.
E ele se junta agora com outras raças mexicanas, como o Choloitzkuntli, que é famoso por ser, na tradição asteca, o cachorro entre o mundo dos mortos e dos vivos. O Chihuahua, que leva o mesmo nome do estado que a gente acabou de citar. E o Calupó, esse eu não conhecia, mas parece um pastor belga.
Ah, tá. Eu também não conhecia esse calupó. Agora, a iniciativa mexicana justamente pretende estimular a adoção e reduzir o preconceito contra os animais sem pedigree, que é algo que a gente não tem muito, eu acho, aqui no Brasil com cachorro caramelo, né? Pelo contrário. Bem, do México vamos agora para Cuba, já que o governo Lula prometeu ampliar a ajuda humanitária à ilha.
O anúncio foi feito justamente durante a visita do presidente Lula à Espanha e teve inclusive um anúncio conjunto com Espanha e México prometendo essa ampliação em meio ao bloqueio energético dos Estados Unidos, que desde janeiro corta o petróleo e tem provocado diversos apagões que inclusive afetam hospitais cubanos.
E também tivemos a tentativa de um envio de carta por parte do neto do Raul Castro ao presidente Donald Trump.
A gente comentou isso, faz alguns programas, sobre as tentativas de negociação entre o governo americano e a família Castro. O neto do Raul Castro teria sido barrado em Miami ao tentar entregar essa mensagem, segundo uma reportagem do Wall Street Journal. E é uma mensagem que contém propostas econômicas, visando uma melhoria de relação entre os dois países, mas também faz um alerta em caso de invasão.
E aqui eu ressalto algo que a gente também vem trazendo e eu acho que está crescendo muito em Cuba, que é esse sentimento de insatisfação com a situação atual e aí jogando a responsabilidade tanto para o governo cubano quanto para o bloqueio americano que se intensificou em janeiro com o bloqueio energético, mas ressaltando que a invasão americana ao território, à ilha, não é a solução. Então muitos cubanos têm declarado que...
Inclusive pegariam em armas que vão defender a ilha a todo custo. Então eu acho que é importante a gente ficar de olho nisso, porque o próprio Donald Trump, no fim da semana passada, voltou a dar um ultimato de duas semanas para que o governo de Cuba entre num acordo ou sofrerá as consequências. Só que a gente tem esse cenário que, de novo, é um cenário diferente do que era na Venezuela.
Então, o governo Trump não pode achar que simplesmente ele vai entrar em Cuba, como ele fez na Venezuela. Bem, Fernanda, e você separou algumas notícias relacionadas à imigração nos Estados Unidos, né? Então, peço que você compartilhe conosco.
Vamos lá. Tem um informe que mostra o aumento do número de mortos em centros do ICE. Esse número está no nível mais alto em 20 anos. A gente tratou disso no programa passado, a insatisfação do México com relação a isso. E o estudo que foi publicado pela Associação Médica Americana mostra que esses números superam inclusive os dados da pandemia.
Eles denunciam limite de acesso a equipes médicas nesses centros de detenção, falta de proteção da saúde mental e situações deploráveis.
como, por exemplo, as pessoas dormindo no chão, sem nenhum tipo de recurso, higiene, sem nenhum tipo de cuidado com a higiene pessoal, inclusive desrespeito e casos até de tortura nesses centros. A taxa de mortalidade aumentou desde 2023. Em 2023, foram registradas quatro mortes, em 2024, 12.
Em 2025, 23. E agora, em 2026, só até o dia 19 de janeiro, foram registradas 18 mortes. Isso dos casos que estão registrados certinhos, enfim, esse número ainda pode ser maior. E nessa linha, a foto do ano de 2026 foi justamente para a imagem do sofrimento de crianças migrantes que foram separadas do pai. São os filhos do Luiz, um migrante equatoriano.
Eles foram retratados chorando de forma desesperada, porque o pai tinha sido levado pelos agentes do ICE.
E esse é um concurso feito pela World Press Photo. E quem fez essa imagem foi a fotógrafa norte-americana Carol Guzzi. Ela fez a fotografia durante uma audiência em Nova York, em agosto do ano passado. Então é sintomática, né? Uma foto aí ganhou de tantas cenas de guerra que a gente tem hoje em dia. Mas é essa imagem que retrata aí, que foi a vencedora do prêmio desse ano.
E, por fim, uma notícia mais geral da nossa quebrada latino-americana, já que no novo relatório divulgado pela fundação alemã Friedrich Hebert sobre a percepção dos latino-americanos em relação às potências mundiais, a gente teve um crescimento positivo da China em relação às demais potências.
Foram entrevistadas 12 mil pessoas com 8 ou mais anos de escolaridade de 10 países no nosso subcontinente. Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México, Uruguai e Venezuela.
A China ainda está atrás de Espanha e Estados Unidos, mas está empatada dentro da margem de erro com Alemanha e França. E completam a lista ainda Reino Unido e Rússia. Aqui é a lanterna, com pouco mais de 10% de percepção positiva por parte dos latino-americanos, enquanto que a Espanha, que é a líder, tem 30,8%. E aí E aí
É sintomático, né? Diante de tudo que a gente tratou aqui no programa, a gente vê a motivação do governo Trump em mudar essa realidade aqui na América Latina. Bem, Fernanda, a gente encerra esse quadro com a sua dica cultural.
Hoje é o dia mundial do livro, e aí eu quero deixar como recomendação um livro que eu recuperei esses dias, arrumando a biblioteca da minha casa, que é o Confesso que Vivi, do poeta chileno Pablo Neruda, e ele narra as memórias desde a sua infância até justamente o golpe que derrubou o Salvador Allende. É muito bom, os textos são incríveis e é uma leitura que dá para acompanhar em diversos lugares.
É, o Neruda que acaba falecendo logo após o golpe. Então fica até uma recomendação, aproveitando a dica da Fernanda, que não foi combinado, mas já falei em outras oportunidades, que é o livro El Funeral Virilado, da despedida a Pablo Neruda, do jornalista chileno Sérgio Wigegas. Muito bom.
Bueno, passemos agora para o Sheck, no qual eu e o Felipe daremos uma volta pelo velho continente. Mindset, plot, destruction! Sheck!
Ex-presidente vence eleições na Bulgária. Então, meu caro Matias, contrariando as pesquisas e contrariando a nossa brincadeira no último programa, tivemos uma maioria no parlamento da Bulgária.
No último programa a gente brincou, barra desabafou, que já estávamos aí de saco cheio de falar de eleições na Bulgária, já que foram seis eleições nos últimos cinco anos, sete na verdade, somando com essa, isso não é uma hipérbole. E agora o Khumen Hadev, o ex-presidente do Partido Bulgária Progressista.
conquistou 44% dos votos e ficou com 131 assentos dos 240. Ou seja, vai ter maioria, vai governar sozinho, sem precisar fazer coalizão. O comparecimento eleitoral foi de mais ou menos metade do eleitorado.
o que não é muito para muitos parâmetros, mas na Bulgária foi um número alto, porque as últimas eleições, devido ao número de eleições, o público já estava sentindo uma fadiga eleitoral, já estava desistindo de votar. E então temos agora um novo governo muito claro na Bulgária. O que a gente pode esperar desse governo? Um governo.
da porta para dentro, um governo social-democrata, mas, como eu disse, da porta para dentro e da porta para fora, a gente pode esperar um governo, o chamado eurocético...
Então, o Romain Hadebre não é um cara anti-Union Europeia, ele não é um cara anti-Bruxelas, pelo menos nesse momento. Ele não é um Orbán de esquerda. Mas ele defende, por exemplo, uma maior liberdade de política externa para a Bulgária nas suas relações com a Rússia, afirmando que são relações históricas, e também...
defende, ele particularmente foi contra a adoção do euro pela Bulgária. Lembrando que essa foi uma mudança recente e muitos búlgaros eram contra a adoção do euro.
Então, isso é talvez o principal. Lembrando que ele foi presidente da Bulgária de 2017 a 2026, e isso é parte essencial para a gente poder entender essa vitória dele e explicar para o nosso ouvinte. Por quê? Ele, nesse período de instabilidade política na Bulgária, com seis eleições, sete eleições em cinco anos por parlamento,
Ele é o cara que é visto como estabilidade. Ele é o cara que é visto como o que teve sempre lá, a fonte de estabilidade. Então, esse papel dele como presidente, mas lembrando que o presidente é uma figura relativamente neutra nesse cenário político, vamos ver agora como líder do parlamento. Porque aí vai ser diferente, certamente em outro papel. Mas, meu caro Matias, como a gente não pode...
ter felicidade e um dia de tranquilidade nos Balcãs, se temos um novo governo de maioria na Bulgária, temos agora uma crise política na vizinha Romênia.
já que o Partido Social Democrata, que é o maior partido do parlamento romeno e faz parte da coalizão de governo, ele propôs um voto de desconfiança contra o primeiro-ministro, provavelmente buscando novas eleições, possivelmente acreditando que assim vão expandir a bancada deles. Então, como disse, não podemos ter um dia de tranquilidade nos Balcãs.
Bem, meu caro Matias, se você não tiver complementos, a gente segue adiante. Vamos para a Hungria, já que o Tribunal da União Europeia disse que as leis anti-LGBT da Hungria violam a lei, ou seja, o que já estava esperado.
E essa decisão veio do Tribunal da Justiça da União Europeia nessa terça-feira, dia 21. Entendendo que a Hungria violou o artigo 2 do Tratado da União Europeia, por conta disso a Hungria pode eventualmente ser punida. O novo primeiro-ministro, ainda não empossado, mas eleito, o Pedrinho Hungria, ele nomeou como líder do seu partido no parlamento a Andréa Busdoso,
E, como líder do parlamento, a Agnes Forsthofer, que é da minoria de origem alemã, da Hungria, duas mulheres, então ele tem buscado encher o seu gabinete de mulheres num claro contraponto à Orbán, tá? Isso também é interessante de ficar de olho. Da Hungria, meu caro Matias, nós vamos para a Polônia.
já que o primeiro-ministro Donald Tusk recebeu o presidente francês Emmanuel Macron essa semana e eles discutiram exercícios militares conjuntos com possível uso de, não uso no exercício, mas assim, o exercício ser ligado à doutrina militar francesa.
ou seja, simulando o uso e o manuseio de armamentos nucleares. Da Polônia, nós vamos para Aja, já que o general sérvio-bósnio Ratko Miladit, ele que é o açougueiro da Bósnia,
criminoso de guerra, de forma inegável, ele está cumprindo prisão perpétua em Haia, condenado pelos seus crimes, ele teria sofrido um acidente vascular cerebral e está internado em estado grave no hospital prisional de Haia. Então, estaria aí, talvez, iniciando sua jornada rumo ao colo do capeta, ele que já tem mais de 80 anos de idade.
Diaia, meu caro Matias, vamos para a França, já que a Marie-Thérèse Rosemarret retornou ao país, ela que tem 85 anos de idade, ela que foi para os Estados Unidos ficar com a sua paixão de juventude e passou 16 dias absurdamente detida pelo ICE nos Estados Unidos.
Então ela retornou para casa depois dessa experiência completamente deplorável a que ela foi submetida pelo governo do Donald Trump. Da França, meu caro Matias, nós vamos para a Escócia, já que tivemos o anúncio essa semana do primeiro padrão de tartan, o primeiro padrão xadrez oficial do Brasil anunciado. Ele foi chamado de Spirit of Brasil.
ele incorpora tons de verde, amarelo e azul, obviamente. Ele foi desenhado pela escocesa Indy Menzies, de seis anos de idade, que é uma descendente distante do Thomas Donohue.
escocês, que é um dos especulados como introdutores do futebol no Brasil. A versão oficial fala do Charles Miller, porém tem outros escoceses ou brasileiros com ascendência escocesa que são especulados de terem introduzido o futebol no Brasil. E, pra gente fechar, a gente faz um giro pela guerra na Ucrânia, começando pelo fato de que o Zelensky publicou numa rede social que no último sábado, dia 18,
Em Kiev, nós tivemos um atentado terrorista, em que pelo menos seis pessoas foram mortas e 14 ficaram feridas. Ainda não estão claras as condições do atentado. A Ucrânia, nessa semana, atacou instalações petrolíferas russas com drones, especialmente na região de Samara.
O que é sempre importante colocar como essa questão energética hoje está completamente interligada, pensando no Estreito de Hormuz. A Ucrânia também anunciou os reparos aos dutos de Druzba, pensando em eventualmente melhorar a sua posição no mercado energético global com o fechamento do Estreito de Hormuz e as necessidades energéticas da União Europeia.
Essa semana também, em vários ataques na região de Odessa, ataques pela Rússia, deixaram pelo menos 22 pessoas mortas. E o nosso André Bidá enviou também a notícia de que imagens de satélite mostrariam que valas comuns de mortos de Mariupol teriam sido destruídas agora pela Rússia em obras na região.
E aproveitando que esta volta pelo Velho Continente foi mais breve do que o usual, separei algumas notícias esportivas relacionadas à política e relações internacionais. A começar pela revelação de que o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno
de Milão e Cortina Dampeso, deve encerrar o ano de 2026 com um déficit orçamentário de aproximadamente 310 milhões de euros, o que reforça a impressão para muitos países com tradição nas modalidades invernais de que sediar este mega-evento em particular é um mau negócio.
Já na Espanha, tivemos no sábado passado, 18 de abril, a final da Copa do Rei entre Atlético de Madrid e Real Sociedade Donóstia. Boa parte dos apoiadores da equipe basca vaiaram a Marcha Real, que foi reestabelecida como hino espanhol ao final da Guerra Civil, em 1939.
O diário esportivo Madeleno Marca publicou um editorial na segunda-feira, 20 de abril, sugerindo que os clubes cujas torcidas vaiassem o hino fossem expulsos da competição por um ano, mas ignorou os diversos símbolos fascistas que foram levados pela parcialidade do atlete.
Em campo, a Real Sociedad venceu a disputa de pênaltis por 4 a 3 após empate em dois gols no tempo regulamentar. De volta para casa, o plantel basco homenageou o torcedor Aitor Zabaleta, que foi assassinado por um últero da frente atlético em 8 de dezembro de 1998, nas proximidades do estádio Vicente Calderon, quando viajou para a capital espanhola para a partida de volta das oitavas de final da Copa da UEFA.
O assassino Ricardo Guerra foi condenado a 17 anos de prisão pelo crime, em pena agravada pela impossibilidade de defesa pela vítima. Enquanto nas arquimancadas do estádio de Anoeta, foi entoada a canção Choria Chori, hino da resistência basca ao franquismo.
Da Península Ibérica vamos para a Península Arábica, já que na quinta-feira da semana passada, 16 de abril, o Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita vendeu o clube Al-Hilal e deixou o financiamento do LIV Golf em dúvida, enquanto outro grupo saudita se retirou da liga de flag football de Tom Brady, em uma clara mudança na estratégia global, nas palavras do repórter Broad Miller do site The Athletic, hospedado no New York Times.
Esse veículo também reportou que a New Jersey Transit confirmou em uma coletiva de imprensa na sexta-feira passada que os espectadores dos Jogos da Copa do Mundo serão cobrados em US$ 150 por uma viagem de ida e volta de trem da Penn Station, em Nova York, ao MetLife Stadium, em East Hushford, no estádio de Nova Jersey.
As passagens custam normalmente US$ 12,90, o que significa que o preço para eventos da Copa do Mundo será 11 vezes mais caro. O site The Athletic relatou pela primeira vez o preço em uma série de reportagens no início da semana passada, o que gerou uma controvérsia entre a governadora de New Jersey e a FIFA.
A governadora Mickey Sherrill, por sua vez, declarou que herdamos um acordo em que a FIFA está fornecendo zero dólares para o transporte à Copa do Mundo. Enquanto a New Jersey Transit está presa com uma conta de 48 milhões de dólares para levar e trazer os torcedores em segurança, a FIFA está ganhando 11 bilhões de dólares. Eu não vou sobrecarregar os usuários de transporte de Nova Jersey com essa conta por anos a fio.
A FIFA deve pagar pelas viagens, mas se não pagarem, eu não vou deixar Nova Jersey ser enganada por isso. Outra questão que preocupa a Federação Internacional de Futebol é que menos de 60% dos ingressos foram vendidos para a partida inaugural dos Estados Unidos na Copa do Mundo, faltando 60 dias para a estreia da seleção estadunidense contra o Paraguai em partida a ser realizada na região metropolitana de Los Angeles.
Por fim, o Canadá, outro país anfitrião da Copa do Mundo, recusou o visto ao presidente, secretário-geral e chefe de assuntos jurídicos da Federação de Futebol da Palestina para participar do Congresso da FIFA em 30 de abril. Assim como as federações de futebol do Líbano, Irã e Síria também tiveram vistos negados, de acordo com Kat Villarev, assessora jurídica da Federação Palestina.
Excepcionalmente, nessa semana não teremos a coluna da professora Vivian, então passemos para o segundo bloco do Giro de Notícias.
Duas notícias da terça-feira passada, dia 21 de abril. O presidente de Taiwan cancela a viagem à África alegando pressão chinesa. O presidente de Taiwan, o Lai Chin T, ele realizaria uma viagem a Eswatini essa semana.
porém ele teve que cancelar a viagem. Eswatini é um dos 12 países que ainda reconhece Taiwan como a República da China e ele teve que cancelar a viagem porque as Ilhas Seychelles, as Ilhas Maurício e Madagascar não permitiram o uso dos seus espaços aéreos pelo avião de Taiwan.
Então, consequentemente, não tinha como o avião chegar em segurança em Eswatini. E o líder de Taiwan disse que isso é pressão das autoridades chinesas contra esses países africanos para impedir a viagem dele. E a gente já falou muitas vezes aqui sobre a questão das duas repúblicas chinesas e a política de uma só China.
E outra notícia ligada à China, essa que correu o mundo e viralizou, um robô humanoide venceu com longa margem a meia maratona de Pequim dessa semana. E ele, inclusive, quebrou o recorde mundial nessa corrida.
Ainda no continente asiático, Japão elimina restrições à venda de equipamentos militares. Nós mencionamos aqui, depois das eleições, que o novo governo da Sanai Takashi, com a grande maioria que obteve, certamente revisaria a política pacifista do Japão. E agora tivemos a maior revisão das regras de exportação de defesa japonesa na história. E agora tivemos a maior revisão das regras de exportação de defesa japonesa na história.
eliminando diversas restrições à venda de armamentos, abrindo caminho para exportação de navios, mísseis e equipamentos.
E algum ouvinte nosso pode falar assim, mas pô Felipe, isso não quer dizer que o Japão vai deixar de ser pacifista. Eles vão vender as armas. Só que isso quer dizer incentivo para a indústria armamentista japonesa, que certamente estará ligado a planos, possivelmente num futuro próximo, de expansão interna das forças armadas japonesas. Então é uma maneira de injetar investimento e dinheiro na indústria bélica japonesa. As duas coisas não estão desvinculadas.
E, falando nisso, o governo do Japão e o governo da Austrália assinaram um acordo de 6 bilhões de dólares para os próximos 10 anos para a aquisição.
de uma leva de fragatas invisíveis ao radar fabricadas pelo Japão, que serão operadas pela Austrália. Já na Coreia do Norte, meu caro Matias, nessa semana, o país realizou o seu sétimo teste de mísseis balísticos na direção do Mar do Japão, nesse ano de 2026. Então, sétimo teste de mísseis balísticos apenas esse ano.
Notícia de quarta-feira, dia 22 de abril. Milhões de indianos têm seu registro eleitoral cancelado antes das eleições estaduais. Sob a justificativa de combater fraudes,
As autoridades eleitorais de Bengala Ocidental, próximo de Bangladesh, cancelaram 9 milhões de registros eleitorais, mais de 10% do eleitorado. Muitos deles eram de registros de pessoas que faleceram, pessoas mortas, então podem até ser justificados. Pelo menos 2,7 milhões de pessoas já entraram com recurso contra o cancelamento do seu registro eleitoral.
E o que acontece? A maior parte desses cancelamentos de registros eleitorais se tratam de pessoas muçulmanas, a partir de um governo estadual do BJP, o Partido Nacionalista Hindu, que é o mesmo partido do Narendra Modi.
Então, sob a justificativa de combater fraude, de combater corrupção eleitoral, de apagar registro de pessoas mortas, milhões de pessoas, de cidadãos indianos vivos, estão sendo discriminados nessas eleições. E um pouco mais ao norte, meu caro Matias, no Nepal, nós já temos dois ministros do novo governo nepalês renunciando, o governo...
da geração Z. O principal deles essa semana foi o Sudan Gurung, que era o ministro do interior, e ele renunciou para permitir que as suas finanças sejam investigadas. Notícia de hoje, quinta-feira, dia 23 de abril. Senado dos Estados Unidos vota a favor de financiamento de US$ 70 bilhões para o ICE.
Como a gente já repercutiu aqui no ano passado, no orçamento do ano passado, o ICE, se fosse as Forças Armadas de um país, seria uma das Forças Armadas de maiores orçamentos do mundo. E agora os senadores republicanos realizaram uma manobra.
para passar por cima dos senadores democratas. Lembrando que os democratas estão travando o orçamento do ICE, do departamento de Homeland Security como um todo. E agora, os republicanos conseguiram realizar uma manobra, passando pelos filibusters, pelas travas democratas, e conseguiram, então, por 50 a 48, aprovarem esse orçamento.
E essa manobra fez com que os republicanos não precisassem mais dos 60 votos anteriormente necessários. Esse movimento foi feito na madrugada em Washington, na calada da noite. Quando a gente tiver mais informações, mais detalhes no programa que vem, a gente vai explicar melhor.
Mas então, provavelmente agora o ICE vai receber dezenas de bilhões de dólares para continuar reprimindo a população interna dos Estados Unidos. E também nessa quarta-feira, o secretário de Marinha, o John Pellan, lembrando que o secretário das Forças Armadas sempre é um civil, ele foi demitido e provavelmente ele vai ser utilizado como bode expiatório pela questão do Estreito de Hormuz.
Lembrando que ele só assumiu o cargo, ele não tem absolutamente nenhuma experiência naval, ele não tem absolutamente nenhum conhecimento do ramo, ele só assumiu o cargo porque, como em vários cargos no governo dos Estados Unidos, você assume se você é um grande doador de campanha. Bem, passemos agora para a premiação que não altera a cotação do dólar, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim.
Os Peões
Bem, Felipe, o peão isolado dessa semana vai para o burocrata que pediu para sair. Pois é, meio culpa dele, meio bode expiatório, mas o peão isolado vai para o Piero Corvetto, o ex-chefão das eleições no Peru, que ainda vão se arrastar por bastante tempo. E o peão promovido, seguindo a tradição do programa.
o novo primeiro-ministro da Bulgária, Romenadev, que conseguiu uma vitória esmagadora, contrariando as pesquisas, e acabou com a maldição do xadrez herbal para as eleições da Bulgária. Bem, passemos agora para as dicas culturais.
Você conhece a história do Quilombo dos Palmares? Sabia que durou quase 100 anos e teve aproximadamente 20 mil habitantes? Quer saber mais? Procure por Vida Palmarina no seu agregador de podcast a partir de 6 de abril. Uma produção, Central 3 e Janga.
Sétimo selo.
Felipe, qual que é a sua recomendação para os nossos ouvintes? Pois bem, meu caro Matias, essa semana faleceu o Oscar Schmidt, aos 68 anos de idade, uma das principais referências da história do basquete brasileiro.
Eu publiquei lá no meu Instagram pessoal, o Felipe Figueiredo XV, um caos da minha família com ele, um caos que você conhece, inclusive uma vez você pediu para contar no programa, envolvendo o Oscar e o meu pai. E por conta do falecimento do Oscar, eu vou recomendar de novo...
a HQ, Oscar e o Pan de 87, com roteiro de Milena Azevedo e desenhos de Isaac Sagara. Então, fica aqui o registro, né, e lamentarmos a morte do Mão Treinada, como ele gostava de falar.
Bom, e já na Argentina, nessa semana, também tivemos duas notas de pesar, né? Já que faleceram o ator Luiz Brandoni e o cineasta Luiz Puenzo, né? O Luiz Brandoni, acho que é uma das caras mais conhecidas do cinema argentino, né? Esteve presente...
Em clássicos como Made in Argentina, La Odissea de los Hillers, Esperando la Carroça. Mais recentemente ganhou projeção também em séries transmitidas pelo streaming do Mickey. Entre elas Nada, que conta com participação do Robert De Niro e cuja segunda temporada está para sair. Ele que também foi sindicalista e deputado pela província de Buenos Aires.
Fazia parte da União Cívica Radical. Eu não sabia disso, mas ele atualmente também era membro do Parla Sur, representando a Argentina. Mas eu vou deixar como indicação o filme preferido dele na sua trajetória, que é Patagônia Rebelde, baseado no livro homônimo.
do Oswaldo Baier, então essa vai ser a minha indicação. Já sobre o Luiz Poenzo, fica a indicação de La Historia Oficial, primeiro filme argentino a ganhar o Oscar, que trata de um escândalo que reverbera até os dias de hoje, dos bebês sequestrados na Argentina, e que também é um clássico do cinema dos nossos irmãos. Bem, Felipe, temos considerações finais, recados dos nossos ouvintes.
Mandar um abraço para o Emmanuel Bruno Neuhaus, para o Bruno Crotman, que falou do ônibus 457 Copacabana Abolição, mas não deu tempo de entrar no programa. Ele disse que o ônibus some dos aplicativos do GPS quando o motorista não quer parar. Ele desliga o GPS e suas luzes.
Um abraço para o Francisco Tintila Rezende, que lembrou que nesse 24 de abril são 111 anos do genocídio armênio de 1915. Um abraço para o João Vilian, que mora no Crato, no Ceará. Ele é nosso ouvinte há uns quatro anos e lembrou que no dia 2 de maio a primeira floresta nacional do Brasil, a Floresta Nacional do Araripe, no sul do Ceará, completa 80 anos.
Um abraço para a Júlia Milanese Teixeira, ela que é de Santo André, é bacharel em história pela PUC e atualmente licenciando em história pela UFABC. Ela pediu um parabéns para o namorado dela, que é nosso ouvinte Assido, e quem convenceu ela a ouvir o programa, que no dia 15 de abril fez aniversário e completou 27 anos de idade. Porém, a Júlia não mandou no e-mail o nome do namorado dela.
Então fica um abraço para o namorado da Júlia Milanese. O Demétrio Cassara, ele mandou um e-mail muito legal para a gente, muito carinhoso, e ele comentou do trabalho do Cláudio Moreno, que tem um podcast Noites Gregas, que é um podcast referência no assunto, fica a sugestão para os nossos ouvintes, para conhecer um podcast sobre mitologia grega.
E ele disse que os sons no alfabeto do grego antigo foram filtrados, adaptados pela moldura do alfabeto romano, então não tem pronúncia correta. Pode ser Artemis, Artemis, Artemisia, Poseidon, Possidon, Poseidão, Dionísios, Dionísio. Então tem várias pronúncias aceitáveis. Então fica o agradecimento e um abraço para o Demétrio e a recomendação do Noites Gregas do Cláudio Moreno.
um abraço pro Eric Douglas ele que é de João Pessoa um abraço pro Maurício Cordeiro que disse que nesse último dia 12 de abril completou pela primeira vez uma maratona e como não tive o mesmo destino de Fidipides venho agradecer a companhia de vocês durante minhas longas sessões de treino, então um abração pro Maurício Cordeiro e vamos lembrar, não corram maratona gente
A moral da história de Maratona é o pobre do Fidipe discorreu pra dar notícia da vitória na batalha e morreu. Então, não corra esse risco. Um abraço pra Melissa Correa, que disse que inicialmente ela tinha dificuldade com podcasts.
E ela recomenda o xadrez herbal pra todo mundo, assim como o marido dela recomendou pra ela. Ela manda um beijo pra ele, o Daniel, que eles moram em Foz do Iguaçu, no Paraná. No próximo dia 25, eles vão completar 4 anos de casado e 6 de namoro. E eles casaram no mesmo dia pra ter uma data só. Então, um abração pra eles. E ela que nos convidou pra ir no Parque das Águas, lá em Foz do Iguaçu, um lugar muito legal.
e recomendo para quem for em Foz do Iguaçu parado obrigatório. O Wellington Oliveira, ele é internacionalista, ele nos ouve, ele esteve no Sesc para ouvir o Matias, ele pediu um abraço para a companheira dele, a Gabriela Salomão, um abraço para o Vitor Moreira, de Belo Horizonte, que pediu um beijo para a noiva dele, a Bel. Eles vão se casar no próximo dia 2 de maio, que em Mineireis é conhecido como dia 2 de maio.
Ou seja, doido demais para o restante dos brasileiros. Queria dizer para a Bel que a amo muito e que sua presença me motiva a me tornar uma pessoa melhor sempre. Então tá aí. Um abraço para o Vítor Moreira Dutra e para a Bel. A Belíssima e Declaração de Amor. Mas assim, a gente não devia passar o recado deles porque a gente não foi convidado para o casamento. Tá errado isso.
E lá no site, um abraço pra Júlia Prado, pro Matheus Polvori, que pediu um abraço pra prima dele, Ana Beatriz Araújo, que fez aniversário dia 18, e é internacionalista pela UFU, e foi responsável por apresentar o xadrez de bola pra ele. Um abraço pra Carolina Silva Caldeira, que disse que quase teve uma parada cardíaca quando ela achou que a gente ia ficar seis semanas sem programa. Um abraço pro Felipe, pro Ricardo Berlim,
e para o Rodrigo de Lazari. Então, um abraço a todos eles. Já a Bruna Alves pediu para a gente mandar um abraço para a filhinha dela, a Luna, que vai completar um mês na sexta-feira, dia 24. O xadrez verbal é o ruído branco que usam para sonecas do dia. E ela pediu também um abraço para o pai dela, que é ouvinte passivo do programa, e para os titios, Júlia e Vitor.
O Paulo de Cuiabá disse que é um grande fã do trabalho do Xadez Verbal. Ele cresceu assistindo Nerdologia desde os tempos do Atila, mas há mais ou menos dois anos começou a ouvir o nosso podcast. E eu, o Felipe, a Vivian e agora a Fernanda são uma grande companhia no decorrer da semana e ele agradece muito.
Ele disse que o motivo de estar mandando a mensagem é porque um amigo dele, que é ouvinte assíduo do programa, acabou de se formar na Universidade Federal do Mato Grosso e está voltando para Brasília. Além de tudo, na semana passada foi aniversário dele, então ele pediu para a gente mandar um salve para o Augusto Zucchi.
Ele agradece demais pelos programas e pela companhia e diz que está aguardando para eu discotecar em alguma festa na capital matogrossense e a presença dele estará automaticamente confirmada. E também o meu parceiro, o professor Davi Correia, pediu para mandar um salve para o pessoal da formação de sociologia do Multiplica SP, turma de sexta-feira.
Já a música de encerramento dessa edição vai em homenagem ao compositor e músico britânico Dave Manson, ele que é um dos membros fundadores da banda Traffic, ali no final dos anos 60, e compôs e fez parcerias com diversos artistas, como o George Harrison.
Jimmy Henrique, Zerick Clapton, Paul McCartney, David Crosby, Steve Wynwood, Leon Russell e também a Mama Cass. Ele que acabou falecendo no último domingo, dia 19 de abril, aos 79 anos. E eu acabei escolhendo a música Feeling Alright, do álbum homônimo de estreia do Traffic, lançado em 1900.
E 68, que é de composição do David Manson, e também depois ganhou uma versão na voz do Joe Cocker, mas a gente vai tocar a versão original da banda Traffic.
Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
E aí E aí
Música
Não se esqueça de perder tudo que eu digo Na época eu realmente senti assim Mas isso foi lá e não é hoje Não consigo se levantar e não estou aqui para ficar Alguém vem e toma meu lugar Com um nome diferente, um outro cara
Música
Música
Tchau, tchau.
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