Morte de Chuck Norris; escalada no conflito entre Israel e o Hezbollah
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo em Meia Hora. Hoje eu converso com Guga Chakra, diretamente de Nova Iorque e Ariel Palácios, em Buenos Aires. Vamos falar sobre a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Entra na quarta semana. Qual que é o momento? Em que momento nós estamos nessa guerra? Por que a Arábia Saudita, tão atacada até agora, não entrou diretamente nessa guerra? A escalada no conflito entre Israel e Hezbollah, no Líbano. Em Cuba, a ajuda humanitária começa a chegar.
Trump disse que a Venezuela pode ser o 51º estado americano e a morte de Chuck Norris. Guga Chakra, bem-vindo Guga, tudo bem? Oi Fernando, oi Ariel, oi ouvintes. Guga, essa guerra entre Estados Unidos, Israel contra o Irã está entrando na quarta semana. Vamos dar aqui uma olhada em qual situação nós estamos, em que momento nós estamos dessa guerra, Guga?
tão simples para o Trump encerrar o conflito como ele imaginava. Não basta necessariamente dar uma ordem e acabar com a guerra. Por quê? Porque tem a questão do Estreito de Hormuz. Isso em primeiro lugar. Então como que vai fazer com o Estreito de Hormuz? Trump vai anunciar o fim da guerra com o Estreito de Hormuz na prática fechado. Há garantias de que o Irã irá reabrir ou o Irã usará o fechamento do Estreito de Hormuz para forçar os Estados Unidos a uma negociação
na qual o Irã busque alguns benefícios, como, por exemplo, redução de sanções. Isso pode acontecer. Lembrando que por mais que falem que usar a força militar para reabrir o Estreito de Hormuz, a gente já conversou aqui, Fernando, anteriormente, é muito simples para o Irã interromper o tráfego de navios no Estreito de Hormuz. Não é questão só de colocar mina terrestre em tudo. Na verdade, nem precisa. Basta usar drones,
e o Irã tem dezenas de milhares dos drones Shahed, que provocam enorme destruição, e lançar ali do Irã, Mises Shahed em direção aos petroleiros. Se você atinge um, a cada uma semana, duas semanas, nenhum outro navio vai passar. Simplesmente as seguradoras não vão bancar, nem os capitães das embarcações, ninguém vai fazer isso daí. Então o Irã acaba controlando. O que o Irã tem feito é negociações bilaterais com países,
que negociam com o Irã para o Irã liberar para que petroleiros que estejam levando navio para esse país, China, Índia, para pegar dois exemplos, possam passar pelo Estreito de Hormuz sem risco de ser atingido. Então o Trump está nessa situação em relação ao Irã. Uma escalada também é complexa, porque vai ter um impacto ainda maior no preço do petróleo e no preço do gás. E claro, o petróleo já está batendo 120, bate 150,
O efeito inflacionário é gigantesco, com impacto grande na economia americana, na economia global, com risco, inclusive, de recessão. Então, o Trump ainda mantém uma cautela nesse sentido, mas pode ser que ele busque, para compensar o Estreito Hormuz, tomar a Ilha Karg, que a gente já mencionou umas vezes, que é por onde é escoada a maior parte do petróleo iraniano. Mas aí, exatamente, se os Estados Unidos pegam a Ilha Karg, automaticamente o petróleo sobe.
o regime iraniano não vai diminuir, vai continuar, vai manter o Estreito de Hormuz fechado. Porque pensa um pouco, Fernando, qualquer liderança iraniana, nesse momento, é condenada à morte por Estados Unidos e Israel, por Israel mais especificamente. Então, não há incentivo para elas moderarem o tom.
do que ameaçar de matá-la. Ah, vai pegar ele a carga? O cara ali já está ameaçado de morte, ele a carga ou não, não é o que vai mudar o cálculo dessas pessoas. Então é uma situação complexa para o Trump nesse momento. E tem havido cada vez mais uma divergência, um distanciamento dos Estados Unidos e Israel em relação à estratégia na guerra. Israel quer destruir o Estado iraniano na prática, esse é o objetivo israelense,
Israel, de fato, é ameaçada pelo Irã há muitas décadas, tudo. O Irã tem capacidade de atingir Israel. Se o Irã desenvolvesse uma bomba atômica no futuro, o alvo principal seria naturalmente Israel. Por isso que eles têm essa questão. Os Estados Unidos não querem destruir o Estado iraniano. Até aceitariam fazer um acordo com o regime do Irã. Nesse sentido, algumas ações de Israel, como ter matado a Lilarijani
anteriormente, também está atacado a bacia de gás do Irã, isso foi contra os interesses americanos. O Trump deixou claro, no caso da bacia de gás, do Alí Larijani não, mas da bacia de gás deixou claro que ele era contrário a esse ataque, que gerou uma reação do Irã, porque o Irã tem reagido muito, isso eu até vou falar na próxima pergunta, contra os países do Golfo. Então, essa diferença entre os Estados Unidos e Israel é muito importante para se prestar atenção.
que não era do interesse dos Estados Unidos, é porque o Larijani era uma pessoa com poder suficiente e pragmático suficiente para negociar um acordo com os Estados Unidos. Não está claro se o Varid ou o Galibaf, o Varid é muito radical, o Larijani também era radical, mas assim, existia um pragmatismo no Larijani. O Varid, que é o comandante das guardas revolucionárias, ele foi o idealizador do atentado contra a Amia em Buenos Aires,
ele é uma figura incomparavelmente mais radical que não está, assim, não tem pragmatismo nenhum. O Galibaf até tem, tem poder, mas não tem carisma, não tem a força que tinha o Larijani, embora politicamente, seja o presidente do Majeleste, que é o parlamento iraniano, foi prefeito de Teherã três mandatos, mas não era aquela figura que domina de uma certa forma a política iraniana há muitos anos, como era o caso do Larijani.
Guga, agora eu queria olhar mais para os países do Golfo, que tem bases americanas e que têm sido atacados. O Catar tem danos extensos na infraestrutura energética. Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita também. Vamos falar um pouquinho mais sobre a Arábia Saudita, que está sendo atacada e não se envolveu, não entrou nesse conflito ainda diretamente. Por quê? Fernando, nenhum dos países do Golfo queria a guerra. Todos eram contrários a um ataque contra o Irã.
para atrair mais investimentos para essas nações, atrair mais turismo. A gente viu o que os Emirados Árabes fizeram com Dubai e Abu Dhabi. Dubai é uma das metrópoles mais famosas do mundo e a gente já tem idade suficiente para que lembrar que nos anos 90 ninguém falava de Dubai. Impressionante, assim como de repente virou uma cidade global. A gente fala Nova York, Londres, Hong Kong, Tóquio, Dubai.
buscando melhorar a imagem de um país. Imagem que era muito ruim, como a gente sabe, pelo radicalismo do regime, opressão às mulheres, opressão aos opositores. E inicialmente, Mohamed Bin Salman, que é o ditador da Arábia Saudita, ele ainda radicalizou mais a guerra do Iêmen, isolando o Catar, sequestrando o primeiro-ministro do Líbar na época, Sad Hariri, mandando esquartejar o jornalista Jamal Rashogi. Mas de uns anos pra cá, ele mudou a postura. Ele buscou ser mais diplomático em política externa,
Inclusive reatou relações com o Irã em mediação da China em 2023. Se reaproximou do Catar. Passou a evitar atritos em geral. Embora agora tenha deteriorado um pouco a relação com os Emirados Árabes antes da guerra. Mas ele vinha buscando ser mais diplomático. Internamente, a Arabia Saudita reduziu as restrições às mulheres, às restrições à sociedade. Não no sentido político. Ele endureceu o regime em termos de opinião, de democracia.
por exemplo, shows de música, que homens e mulheres fiquem juntas no restaurante, que as mulheres não cobram a cabeça. Ele está buscando transformar a Saudi, na verdade, numa grande Dubai. Esse que era o objetivo dele. A guerra, naturalmente, ia contra esse interesse do Bin Salman e contra o interesse de todos os países do Golfo. Fazendo a coisa do futebol, o Campeonato Saudita passou a ficar conhecido internacionalmente, Cristiano Ronaldo, Benzema, um período nem mais.
corrida de Fórmula 1, Copa do Mundo de 2034, o que a gente chama de esporte Washington. A guerra, naturalmente, impacta nessa imagem de estabilidade desse país. Além de impactar na economia dessas nações, a Arábia Saudita até pode escoar parte do petróleo para oleodutos que levam para o Porto de Jeddah, mas mesmo assim não na mesma escala que anteriormente, então tem esse efeito. Então, quando os Estados Unidos e Israel lançam a guerra, a Arábia Saudita,
proibiu os Estados Unidos e naturalmente Israel de usar seu espaço aéreo, de usar as bases sauditas para atacar o Irã, com o objetivo de falar para o Irã, olha, a gente está neutro nesse conflito. Mas o Irã não ignorou essa postura saudita porque o Irã entrou em guerra de sobrevivência, deixou o conflito assimétrico e passou a atacar essas nações que o Irã corretamente vê como aliadas americanas, porque são aliadas americanas,
atacando há quase três semanas, três semanas já. E a Arábia Saudita vem apenas se defendendo, por enquanto deixando a parte ofensiva para os Estados Unidos e para Israel. Mas a gente não sabe até quando o chanceler saudita falou que a paciência deles não é infinita. Então a gente tem que ficar de olho, Fernando, que pode em algum momento a Arábia Saudita entrar militarmente no conflito, por mais que ela queira que a guerra acabe.
que a Arábia Saudita é um país pequeno, claro que Bahrein, Catar, tem que engolir os ataques do Irã, calar e deixar para os Estados Unidos, mas a Arábia Saudita é muito bem armada, é um tanto humilhante em termos sauditas, o que está acontecendo, a gente não sabe até quando vai. Agora, Guga, esses países do Golfo que estão sendo atacados, que aceitaram lá atrás ter bases militares americanas com o objetivo de se proteger, assim, vou ajudar um aliado e ele me ajuda e tal, muito dinheiro foi gasto,
E agora estão sendo atacados. Essa história de ter base militar americana pode ser revista? Olha, Fernando, os países do Golfo saem enfraquecidos. Eles vão rever a relação com os Estados Unidos. Não creio que eles vão determinar que retire as bases. Vai depender muito como terminar essa guerra. Mas, por outro lado, de fato, eles podem observar Oman, que não vem sendo atacado pelo Irã. E Oman não tem essas bases americanas. Então, será que não é uma estratégia mais eficiente?
você não ter e se armar e tentar garantir sua segurança independentemente dos Estados Unidos e buscar ampliar mais as relações, o principal parceiro comercial de todos os países é a China. Eles podem ter mais relações militares com a China, então eles vão provavelmente rever toda a estratégia de segurança deles. Por outro lado, levando em consideração que a administração Trump só tem mais três anos pela frente, quer dizer, não é só três, mas são três anos,
E daí talvez um outro presidente americano seja diferente do Trump. Guga, passamos agora para o Líbano. Essa semana nós vimos uma escalada, porque tivemos aviões de guerra israelenses que bombardearam Beirute. Nós vimos um prédio sendo atingido ir ao chão. Nesse momento nós temos até agora mil pessoas, pelo menos, mortas, um milhão de pessoas expulsas de suas casas. Qual que é a situação no Irã agora, Guga? No Líbano agora, Guga? Olha, Fernando,
Israel continua a sua ofensiva, Israel sempre diz que está alvejando o Hezbollah e fala que desses mil mortos, 500 seriam integrantes do Hezbollah. O que a gente sabe é que 104 pessoas dessas mil são crianças. Isso segundo o governo libanês, não dá nem para Israel usar aquele argumento, ah, não dá para confiar em número do Hamas, o governo libanês é opositor ao Hezbollah e mais do que isso tem como primeiro-ministro o Nawaf Salam,
que era o presidente da Corte Internacional de Haia, até assumir o cargo de primeiro-ministro do Libra em 2025, portanto, o jurista mais importante do planeta até 2025. Então, uma pessoa que tem uma reputação muito grande. Então, um número que é, talvez tenha ali um pouquinho, uma margem de erro, mas é bem próximo disso o número de vítimas civis, cerca de 1.104 vítimas do conflito. O Libra não separa entre membros do RISBOLAR e não membros,
total de crianças, como 104. Israel diz que continuará alvejando os alvos do Hezbollah, Darie vem sendo destruída numa escala que foi aplicada a regiões da faixa de Gaza, como Hanunes, Rafa, a própria cidade de Gaza. Então, ao longo dessas três semanas, é um bombardeio intenso, mas que passou também a atingir alguns alvos no centro da cidade de Beirute. Darie, que é a parte sul de Beirute, é majoritariamente chiita, onde
você sabe que há presença de Hezbollah, longe de dizer que todos os prédios, tudo seja do Hezbollah lá. Não, não são. Muitos prédios atingidos são prédios residenciais, mas o Israel argumenta que tem lá um membro do Hezbollah e que daí gera aquela questão, porque se eles avisam para as pessoas saírem, então, em teoria, o membro também sairia. Mas daí falam que talvez tenha ali um banco que é operado pelo Hezbollah, mas precisa destruir o prédio inteiro porque tem esse banco,
Isso é destruir o banco? Então tem todos esses questionamentos que se fazem. Israel diz que sim, mas autoridades libanesas questionam muito. E esses alvos do centro da cidade, perto ali da principal mesquita de Beirute, que fica ao lado da Catedral Cristã Maronita, que por sua vez fica a poucos metros da Catedral Grego Ortodoxa, todas no centro de Beirute, próximo ao Palácio do Governo, onde fica o primeiro-ministro, que é o Gran Sahar, lá em Beirute.
também, então esses alvos assim, vem se empleando e tem a questão também que a maior parte desses um milhão de refugiados é xiita e daí eles tentam ir pra outras áreas do Líbano, majoritariamente sunitas ou cristãs e daí os habitantes alguns por preconceito, mas muitos também por medo, eles não permitem porque eles tem medo que se coloca ali uma família xiita no prédio deles, Israel vai bombardear, que ali é seu caso
de alguns prédios fora ali de Dari, que foram bombardeados, como aquele hotel Hamadaim. Então, assim, teve o hotel Confortim, que a proprietária, que é uma cristã, decidiu abrir para refugiados xiitas, de graça, para ocuparem os quartos, numa ação humanitária, e o hotel foi bombardeado, destruído, e morreram muitas pessoas, incluindo funcionários. Então, existe essa questão. E também acaba levando a uma tensão sectária,
com um aumento do temor de que haja uma guerra civil dentro do Libra. Lembrando que o governo ibanês insiste que está disposto a negociações incondicionais com Israel, mas o Netanyahu até agora não aceitou. Tá certo. A gente vai fazer uma pausa aqui no Mundo em Meia Hora. Na volta eu falo mais com o Ariel Palácio. A gente vai falar sobre a ajuda humanitária que começa a chegar a Cuba. Até já. De volta agora com o Ariel Palácio falando com a gente diretamente de Buenos Aires. Tudo bem, Ariel? Bem-vindo.
Como está, Fernando, Gustavo, ouvintes? Tudo bem? Tudo bem. A gente vai falar um pouco mais sobre Cuba. Já falamos bastante aqui em outros episódios do embargo, da falta de energia. E agora tem a previsão da chegada de suprimentos de organizações internacionais para aliviar a situação dos cubanos. Quem é que está mandando essa ajuda, Ariel? Fernando e Gustavo, lembram aqueles filmes de antigamente, de Hollywood?
antigamente mesmo, tipo anos 50, 40, 50, quando a cavalaria sempre aparecia para salvar um grupo de pessoas que estavam rodeadas pelos inimigos, e aí sempre, no último minuto, quando a munição estava acabando e alguém dizia, só temos três balas, aí de repente você ouvia a corneta tocando e chegava a cavalaria e as pessoas cercadas respiravam aliviadas, os inimigos iam embora e tal.
mas que terão alguma espécie de alívio, mesmo que pequeno, porque neste sábado chegaria ao porto de Havana, capital de Cuba, o comboio que é formado por várias embarcações carregando ajuda humanitária para a ilha, uma flotilha denominada Comboio Nossa América. É um carregamento de 20 toneladas que inclui medicamentos, painéis de energia solar para hospitais, alimentos básicos para crianças, produtos de higiene e é uma iniciativa aqui.
A participação da ativista climática Greta Thunberg, mas que foi organizada pela Internacional Progressista, que é um movimento global com um discurso de defesa da justiça social, de defesa da democracia, de defesa do ambiente. E essas embarcações começaram a fazer o carregamento no Porto de Progresso, que é um porto que está na península do Jucatã, no México, começaram na quinta-feira.
pelo menos concreta, ajuda humanitária, levando em conta que a situação na ilha há muitos anos é péssima e agora está catastrófica, também chegariam, colocamos sempre o verbo no condicional, porque nunca sabemos o que pode acontecer no meio do caminho, chegariam dois navios petroleiros, um com bandeira de Hong Kong, outro com bandeira da Rússia, que estariam a caminho de Cuba, chegariam na semana que vem transportando combustível. Num caso de um, segundo a empresa de análise marítimo Kepler,
barris de petróleo, o outro carregaria 200 mil barris, chegariam na semana que vem, recordando que Cuba está sem petróleo, sem receber petróleo, por causa de Trump, que ameaçou sancionar, colocar pesadas tarifas alfandegárias em cima dos países que enviam petróleo para Cuba. Então, desde o 3 de janeiro, quando caiu Maduro, a ilha não recebeu nenhuma gota mais. O que tem a ver Maduro? Nicolás Maduro, o ex-autocrata venezuelano, é que a Venezuela abasteceu durante os últimos 20 anos Cuba,
petróleo. Mas com a queda de Maduro, esse fornecimento foi detido, já que Nelson Rodrigues, que continua no comando do regime chavista, está alinhada ou obedece a Trump. Então, quer dizer, esse petróleo também aliviará a escassez de combustível que a ilha padece e que gera constantes apagões, inclusive no início da semana, um apagão que deixou 100% da ilha
sem energia elétrica. E o que tem a ver o petróleo com os apagões? É que Cuba, basicamente, é a energia por vendas termoelétricas, termoelétricas dos tempos soviéticos, dos anos 80, antiquados, que quase não receberam manutenção, porque a ilha não tem grandes rios, então a ilha nunca teve hidrelétricas de peso, e a ilha, por incrível que pareça, apesar de tudo, nunca pensou em investir, em colocar, em criar
rede para energia solar ou energia eólica. O regime nunca pensou criativamente nesse aspecto, Fernando. Agora, isso é uma questão, porque o mundo todo agora, Ariel, depois desse choque do petróleo que a gente está vendo, vai pensar em alternativas para a sua estrutura energética. Não só Cuba. Está todo mundo pensando, eu não vou mais querer depender só de petróleo nunca mais. Exatamente. Acho que isto, digamos, é um reforço adicional para pensar
pensar seriamente em buscar outras alternativas. Talvez as pessoas busquem por uma questão de dinheiro, não por uma questão climática, mas de todas formas já ajuda. É isso mesmo. Agora a gente vai passar para a Venezuela. O Ariel, Donald Trump sugeriu que agora a Venezuela poderia se tornar o estado de número 51 dos Estados Unidos. Ele tem que decidir, Ariel, porque primeiro era o Canadá, depois a Groenlândia, agora a Venezuela.
Como assim? E ele queria o canal do Panamá de novo. Não o Panamá inteiro, mas pelo menos o canal de Panamá.
Bom, o fato é que, claro, é uma espécie de Lebenser, não, de expansão, expansão territorial, que nos anos 30 alemães se chamavam de espaço vital. Parece que é alguma coisa assim, mas geopoliticamente é algo bem caótico, bizarro. O fato é que, bom, recordemos, a Venezuela está numa espécie de intervenção americana, não tem tropas americanas no solo,
influenciado o regime venezuelano desde a Casa Branca. No início do ano, depois da derrubada de Maduro, Trump até se postou numa Wikipedia fake, numa imagem photoshopiada como se fosse presidente interino da Venezuela, além de presidente dos Estados Unidos. E agora vem essa. Por quê? Porque a Venezuela, a seleção venezuelana de beisbol, os venezuelanos são muito bons no beisbol, e também os cubanos, são os dois países na América Latina que não têm o futebol como principal.
Qual esporte? É o beisebol dos latino-americanos. Isso há 100 anos e por influência americana de mais de 100 anos atrás. E pela primeira vez a seleção venezuelana derrotou a seleção americana no clássico mundial de beisebol por 3 a 2. E já na antevéspera, quando a seleção venezuelana havia derrotado a seleção da Itália, Trump havia dito a seguinte frase, abre aspas,
Muitas coisas boas estão acontecendo com a Venezuela. Alguém concorda que se deveria tornar o 51º estado? Quando a Venezuela venceu, derrotou a seleção do seu país, os Estados Unidos, aí Trump voltou a insistir que a Venezuela se tornasse o estado número 51. Quer dizer, já agora o interesse, o Canadá não é Groenland, como você disse que queria. São aquelas coisas que você depois diz, o Gustavo pode comentar isso muito melhor.
Se é uma piada de Trump, ou se é uma meia piada, meia ancorada na realidade, ou se ele quer realmente que a Venezuela se torne o estado número 51. Recordando que alguns países independentes foram anexados e tornados estados, como o caso do Havaí, que no finalzinho do século XIX era um reinado, era um reino independente, constituído, e foi anexado pelos Estados Unidos e se tornou em mais um estado.
Estados Unidos, outras áreas foram compradas, como o Alasca, que se tornou um dos últimos Estados americanos, quando depois que foi comprado, virou território, depois que foi comprado da Rússia, do Império Russo, no século XIX. E neste caso, ele está interessado em que a Venezuela se tornasse no Estado número 51. Mas, é preciso também recordar que Trump não pode anexar novos Estados, porque ele quer, por decisão própria,
o que for. Isso é exclusivamente uma prerrogativa do Congresso dos Estados Unidos, tem a cláusula de admissão que está na Constituição, que está na Carta Magna, e isso determina que isso se define no Congresso, não se define, não é na Casa Branca que isso se define. E enquanto isso, no dia seguinte a vitória venezuelana, nesse clássico mundial, a autocarata interina Delcy Rodrigues decretou o Dia Nacional de Júbilo,
e opositores e chavistas celebraram unidos. O único momento em que se viu opositores e governistas celebrando unidos porque sentiram um sabor especial ao derrotar os Estados Unidos. Guga, a Venezuela vencendo os Estados Unidos no beisebol num momento como esse. Qual é o significado disso? Olha, Fernando, de fato é que no Brasil o beisebol ainda é um esporte nicho, embora a seleção brasileira tenha participado,
do World Cup Classic, que é na prática a Copa do Mundo de beisebol. O Brasil já teve bons jogadores na Major League de beisebol. Paulo Orlando chegou, inclusive, a ganhar o World Series no passado. Mas na Venezuela, nos Estados Unidos, no Japão, na República Dominicana, Cuba, são lugares onde o beisebol, Coreia do Sul, onde o beisebol é muito popular. E é o esporte nacional da maioria dos países caribeiros.
É muito importante notar que a Venezuela é muito caribenha, Fernando, nesse sentido. É muito voltada pelo Caribe. Aliás, muitas ilhas que as pessoas vão para o Caribe são ali. Na prática, algumas são da Venezuela, literalmente, Santa Marguerita, Los Rockes, mas outras são muito próximas, como Aruba, por exemplo. Então, eles têm essa cultura caribenha que se aplica ao beisebol também. É disparado o esporte mais popular na Venezuela. Então, é uma grande conquista.
sim, para os venezuelanos, o equivalente para o brasileiro ganhar a Copa do Mundo em termos de celebração. Alguns podem se perguntar da Itália, na verdade, quem acompanha o beisebol, como que a Itália chegou em quarto lugar, que isso seria, sim, pode parecer uma zebra, mas é porque todos os jogadores da Itália, quase todos, nasceram nos Estados Unidos, são netos, bisnetos de italianos, e que daí, para jogar o World Cup Classic, eles não conseguem pegar a seleção americana, que é mais disputada, mas são jogadores
de alto nível, e daí pegam a cidadania italiana, todos da Major League Baseball, e acabam jogando pela Itália. Você vai lá ver, eles nasceram em Detroit, em Columbus, Ohio, em New Jersey, é até um pouco cômica essa seleção italiana, que talvez muitos nem saibam falar italiano, mas mérito pelo quarto lugar na World Cup. O Trump ficar surpreso que a Venezuela ganhar da Itália,
seria mais ou menos como Trump ficar surpreso com o Brasil ganhar do Canadá na Copa do Mundo, pegando um exemplo. O Brasil é favorito, a Venezuela era favorita. E era favorita contra os Estados Unidos também, de uma certa forma. Queria recordar uma coisa, que a Venezuela já foi Estados Unidos, porque entre 1864 e 1953, o nome oficial da Venezuela era Estados Unidos da Venezuela,
ainda hoje é Estados Unidos Mexicanos. E o Brasil foi Estados Unidos do Brasil desde a proclamação da República em 1889 até no meio da ditadura militar em 1868. Por isso, o Brasil não teve nunca um presidente da República Federativa do Brasil. Todas as pessoas que foram presidentes do Brasil até o momento nasceram ainda no Estados Unidos do Brasil. Quando aparece um presidente brasileiro que tem nascido depois de 68,
sim, será o primeiro presidente da República Federativa do Brasil. Muito bem. Do beisebol, a gente vai para o cinema, para a luta, na verdade, falar do ator e lutador Chuck Norris, que morreu aos 86 anos. Você não tinha morrido? Também ouvi essa piada. Ouvi outro boato. Que você foi mordido por uma cobra naja. É, fui. Mas depois de cinco dias agonizando de dor, a cobra morreu. Ariel Palacios, e agora quem irá nos salvar, Ariel? Exatamente.
Chuck Norris, que aliás era Carlos Ray Norris, Carlos Carlos, não Charles, nasceu em Oklahoma em 1940, na década de 60 se tornou campeão de Karatê, nos anos 70 era quadruvante de luxo enfrentando Bruce Lee no Caminho do Dragão, The Way of the Dragon, e depois nas outras décadas protagonizou filmes que não precisavam de um roteiro, já que tinha o chute, o soco e o queixo de Chuck Norris.
Então, mais ou menos, em Missing in Action e na série Walker, Texas Ranger, Norris provou que a lei pode ser cumprida com dois elementos básicos, fazer aquele olhar semi-cerrado e um chute giratório. Ele redefiniu o conceito de Durão, então é um predecessor tanto de Arnold Schwarzenegger como de Sylvester Stallone. Ele elevou a canastrice. Ser canastrão teve outro significado com Chuck Norris,
mais além do canastrão, é a canastrice da canastrice, e, digamos, é o emblema do cinema mundial. E, já que estão falando antes de um republicano, o Trump, Chuck Norris, foi um republicano ultraconservador, era um apoiador de Ronald Reagan, era a doutrina Ronald Reagan, só que em VHS, para quem não sabe o que é VHS, que nasceu recentemente em VHS, era o formato no qual se colocavam os filmes nas fitas,
que se assistiam nos arqueológicos quase videocassetes. Bom, então, depois ele se tornou famoso para as novas gerações por intermédios de memes na internet e por intermédio dos fatos de Chuck Norris, que foi uma espécie de frases em sites na internet, em memes, nas redes sociais, e que depois acabou virando um livro,
livro oficial dos fatos de Chuck Norris, co-inscrito pelo próprio Chuck Norris, que tem, eu vou ler algumas das frases emblemáticas e divertidíssimas desses fatos de Chuck Norris. Uma delas era, uma vez Chuck Norris foi mordido por uma cobra coral, depois de 10 minutos excruciantes, a cobra morreu. Começa por aí, essa é a primeira, essa é a primeira frase dos fatos de Chuck Norris. Depois, eles tentaram colocar o rosto de Chuck Norris
Rossman. Mas o granito não era resistente o suficiente para sua barba. Chuck Norris, quando fazia flexões, ele não se empurrava para cima. Ele empurra a terra para baixo. Chuck Norris tem um tapete de urso polar em casa. Ele não está morto, só tem medo de se mover. Chuck Norris certa vez jogou uma granada de mão e matou 50 pessoas. Aí que ela explodiu. Debaixo da barba de Chuck Norris há outro punho. Eu só vou citar outras quatro mais. Quando o bicho papão vai dormir todas as noites, ele verifica seu armário
Não existe evolução, apenas uma lista de espécies que Chuck Norris permitiu que vivessem. Chuck Norris, e para encerrar, Chuck Norris morreu há 20 anos, mas a morte ainda não criou coragem de contar a ele. Morreu para você, Ariel Palácio. Exatamente. Ah, perdão, e ainda no quesito falecimento, abre aspas, Chuck Norris certa vez jogou roleta russa com uma arma totalmente carregada e venceu.
participação e até a próxima, Ariel. Bom fim de semana a todos e que Chuck Norris não apareça no meio do caminho de vocês. Tá certo. Guga, obrigado Guga, até a próxima. Abraço, Fernando, abraço, Ariel, abraço, ouvintes. Trabalhos técnicos de Daniel Mesquita e edição de Ellen Menezes. Até a próxima.