Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

O saldo para os EUA da guerra no Irã e a crise do petróleo

10 de março de 202636min
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Neste episódio do Mundo Em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, direto de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles falam sobre o que deu errado para os EUA até agora na estratégia de ofensiva contra o Irã. Também abordam a crise do petróleo no Oriente Médio, os ataques contra o Líbano e a reação dos iranianos após mais de dez dias de combate. Eles comentam ainda a lei de mineração aprovada pelo governo Venezuelano, o que abre mais espaço para empresas estrangeiras.

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Assuntos10
  • IA Operacoes MilitaresFracasso da estratégia de captura de líderes iranianos · Esperança de mudança de regime não realizada · Reconfiguração do poder para a Guarda Revolucionária · Falta de capitulação do regime iraniano · Improviso estratégico de Trump
  • Conflito EUA-IrãImpacto nos preços internacionais · Ameaças ao Estreito de Hormuz · Receios das seguradoras e navios · Consequências da guerra prolongada · Custos de segurança marítima
  • Relacoes EUA-IraOcupação israelense do sul libanês · Deslocamento forçado de população · Destruição de infraestrutura em Beirute · Aumento de tensões sectárias · Papel do Hezbollah e demanda dos EUA
  • Lei de mineração da VenezuelaAbertura para empresas estrangeiras · Exploração de ouro e terras raras · Arbitragem internacional em disputas · Extensão de concessões de 20 para 30 anos · Reversão da política chavista original
  • Crise Política na VenezuelaCaptura e transporte de Nicolás Maduro · Capitalismo forçado no regime · Licenças para operações de mineração · Influência americana expandida · Convite de Delcy Rodríguez a Washington
  • Atuação de Lucia na políticaFragmentação do congresso · Desempenho do partido de Gustavo Petro · Candidatura de IA fracassada · Força do Centro Democrático · Primárias para presidenciais
  • Possível intervenção internacionalConversas secretas com cubanos · Modelo de abertura econômica · Papel de Marco Rubio · Questão de propriedades privadas · Comparação com estratégia na Venezuela
  • Geopolítica de Trump, Xi e PutinPetro com 30% de intenção de voto · Rodolfo Hernández (direita clássica) · Abelardo de la Espriela (extrema direita) · Paloma Valencia (Centro Democrático) · Disputas por eleitores
  • Apoio doméstico à guerra nos EUAQueda de apoio popular · Críticas de republicanos de direita · Diferenças entre Trump e Biden · Críticas internas à prioridade de Israel
  • Bombardeio a instituições educacionaisResponsabilidade dos EUA · Morte de crianças · Ataque durante festival · Falta de condenação internacional · Negação de responsabilidade
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Olá, sou Fernando Andrade, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo em Meia Hora. Hoje eu, Guga Chakra e Ariel Palácio, Guga diretamente de Nova Iorque, Ariel em Buenos Aires, vamos falar sobre o que deu errado até agora para os Estados Unidos nessa guerra contra o Irã. São várias coisas. Também vamos abordar a crise do petróleo no Oriente Médio, os ataques ao Líbano e a reação dos iranianos após mais de dez dias de guerra.

para empresas estrangeiras, as americanas, por exemplo, e os resultados das eleições para o Congresso colombiano.

petróleo, para o mercado de energia, nesta terça, hoje dia 10, que a gente está gravando, Estados Unidos e Israel lançam os ataques mais intensos desde o início da guerra. Já Israel tem uma posição bem diferente, Benjamin Netanyahu tem dito que o objetivo é acabar com a República Islâmica. Guga, passados 11 dias, o que deu errado para Donald Trump no Irã até agora nessa guerra? Olha, Fernando, bastante coisa. A primeira coisa que deu errado é a estratégia do Trump.

iam ocorrer duas coisas. Ou, em primeiro lugar, que era a estratégia venezuelana dele, que ele adora falar, que seria replicar no Irã o que aconteceu na Venezuela. Só recapitular, na Venezuela ele capturou o Nicolas Maduro rapidamente, numa operação, não houve nenhuma baixa americana, e o Maduro foi trazido para os Estados Unidos, e no lugar o Trump deixou a número 2 do Maduro, e o regime chavista de Caracas se curvou o Trump. Capitulou em troca, claro,

muitos benefícios financeiros que eles terão e também a permanência no poder. Então ele achava que o Irã fosse aceitar algo similar depois da mesma decapitação, em vez da captura do Ayatollah Ramanay, que não tinha como, logisticamente é muito mais complexo do que em Caracas, mas um bombardeio, não se sabe se foi dos Estados Unidos ou de Israel, mas matou o líder supremo iraniano e o Trump imaginava que a partir daquele momento

Os membros do regime se curvariam, como a Delci Rodrigues, em troca de um acordo com os Estados Unidos. Uma capitulação na questão nuclear, na questão balística, mas também acordos na área de petróleo. Isso já não ocorreu, obviamente. Portanto, essa estratégia venezuelana é o primeiro fracasso do Trump. O segundo seria a mudança de regime. Isso pode vir até acontecer no futuro, mas, por enquanto, não há nenhum sinal

mudança de regime no Irã. O regime iraniano continua bastante sólido no poder, não houve nenhuma ruptura dentro da ditadura no Irã. Eles conseguiram fazer uma transição muito rápida depois da morte do Ayatollah Ramanay, já foi escolhido inclusive o sucessor, que vem a ser o filho dele, quer dizer, Estados Unidos remataram o líder supremo de 86 anos, que estava doente, e o Irã colocou no lugar o filho desse líder supremo,

radical em algumas questões, não em questões religiosas, até porque nem ele nem o pai são propriamente religiosos, clérigos com muito conhecimento religioso, mas em questões ligadas ao endurecimento contra a oposição dentro do Irã, mais próxima guarda revolucionária é o Mojitaba Ramanei e também os outros membros do regime, o regime daquela guinada, que houve uma alteração no regime em direção à guarda revolucionária, agora mais

poderosa do que os clérigos. O Guda, só uma coisa, a Guarda Revolucionária é quem dá as cartas com relação a ações militares? Ah, é. A Guarda Revolucionária que manda em tudo. Foi a Guarda Revolucionária que escolheu Mojitaba Ramanei para assumir o cargo. Quem manda no Irã é o Alila Arijani, nesse momento, que foi das Guardas Revolucionárias, foi presidente do parlamento iraniano, Magiles, e também hoje a principal autoridade, já era antes, já era a principal autoridade

de segurança do Irã, de uma proeminente família política do Irã e também o Galibaf, né, Mohamed Galibaf, que foi três mandatos prefeito de Teheran e é o atual presidente do parlamento, do Majlês, e também foi da Guarda Revolucionária. Esses dois que dão as cartas nesse momento. Mas um outro fracasso, continuando, só um outro fracasso do Trump foi que ele queria escolher justamente quem iria ser o líder supremo, ele já não conseguiu,

colocaram o Mojtaba que o Trump disse que seria contra. Um quarto fracasso foi que os Estados Unidos têm essa política há décadas de bases no Golfo Pérsico para proteger esses países, mas foi inútil. O Irã respondeu contra as bases americanas e contra os países do Golfo Pérsico, fazendo uma resposta que o Robert Pei, professor da Universidade de Chicago, nos principais teóricos do realismo nas relações internacionais, classificou como uma resposta original

que é típica dos atores que, num conflito, são os atores mais fracos, mas que eles fazem a resposta horizontal para dificultar o trabalho do ator mais forte, que é mais ou menos o que os Vietcongs fizeram. Foi o que ocorreu na Guerra do Vietnã com sucesso. Os Estados Unidos foram derrotados e que o Talebã também fez, mas o Irã fez numa larga escala, complicando o cenário para os Estados Unidos. Ele ampliou o teatro de operações,

e não deixou o teatro de operações restrito ao Irã e a Israel, basicamente, que seriam, eles ampliaram o teatro de operações nesse conflito. E o Trump também, uma outra coisa que deu errada é a alta no preço do petróleo, que o Trump imaginava que seria um conflito rápido, com a capitulação, a queda do regime, mas não é o que aconteceu e o petróleo acabou sendo impactado, porque embora formalmente o Irã não tenha fechado,

Hormuz, só as ameaças que o Irã faz, isso já impacta no trânsito pelo estreito, porque os navios ficam receosos de cruzar essa passagem que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, as seguradoras elevam o preço, quer dizer, você não vai passar seu risco de seu navio se alvejar de 5%, já não vai, não vai, o risco tem que ser zero, Fernando, zero. Num caso desse, não pode ter risco 1%, você já não vai, de forma alguma.

E sempre lembrando que deu tempo para falar que acabou com a Mariana do Irã. Primeiro não acabou. Aliás, eles afundaram o navio iraniano num ato bem controverso, já que o navio iraniano que eles atacaram não estava armado e participava de um festival na Índia, a convite do governo indiano, do qual os Estados Unidos também participavam. Aquelas coisas ali, uma celebração de marinheiros do mundo todo.

e mataram dezenas de iranianas. Mas o fato é que o preço do petróleo subiu por essa questão de selicior, mas também pelos ataques às instalações de petróleo no Irã. Então acaba sendo esse efeito, são as principais coisas que deram errado. Ah, e para completar, claro, as críticas internas nos Estados Unidos. Só para lembrar, o Bush, quando começou a guerra, tinha apoio de quase 90% da população americana, mesmo os democratas, muitos apoiavam, como a senadora Hillary Clinton,

Biden, ou então senador John Kerry, e o Trump não, o Trump tem apoio de um terço da população, e mesmo entre os republicanos, aquela ala mais à direita, do Tucker Carlson, condena duramente os Estados Unidos por ter colocado na visão deles Israel em primeiro lugar. Um outro ponto seria, Donald Trump já falou, só uma questão, Ariel, sobre dar segurança, escoltar navis no Estreito de Hormuz, também muito arriscado, né, Guga?

riscados, são muitos navios, não é que é um custo elevadíssimo, quem vai bancar essa escolta, o americano, que são 90 navios por dia, imagina a logística para fazer essa escolta, ele fala da boca para fora, o Trump fala tudo de improviso, ele não tem estratégia nenhuma, por isso que ele fala numa entrevista à tarde, que a guerra vai acabar breve, muito em breve, mas depois muda um pouco, fala que vai intensificar os ataques,

vai no improviso, não tem estratégia nenhuma nesse momento. Dois assuntos totalmente diferentes. Um Irã, o outro queria aproveitar, mas Trump e Cuba. Irã, Gustavo, dá para ter uma ideia de qual é o respaldo na população do regime iraniano? Há alguma espécie de medição de pesquisa ou, de alguma forma, saber como é que a sociedade iraniana está dividida? Porque imagino, com certeza, que estarão os que são simpatizantes do regime e apoiam o regime.

deverá haver pessoas que talvez, da mesma forma como os chavistas na Venezuela, que se engajaram, se partizaram com a Revolução Iraniana no início e talvez depois se decepcionaram, que são os dissidentes, e aquelas pessoas que sempre foram contra ou, bom, também já passaram várias gerações, desde 79, que são ou sempre foram contra. Como é que se divide a sociedade iraniana em relação a isso?

O Irã tem eleições competitivas, embora não democráticas, e não é obrigatório o voto. Então, levando em consideração o comparecimento, o tipo de candidato que votaram, calcula-se que o regime teria um apoio de 20% a 30% da população. Isso significa que os outros 70% sejam contra, tem muitos ali que simplesmente é indiferente e muitos que são opositores. Talvez, com certeza, a maioria, mais do que 50%.

ao regime, você tem diferentes grupos, tem aqueles manifestantes que saem às ruas, protestam, tudo, mas dentro do regime, que não seriam pessoas que estejam no poder, mas que fazem parte do aparato do regime, você tem opositores. O exemplo mais clássico são dois ex-presidentes, o Hatami e o Rouhani, eles são contra quem está no poder no Irã atualmente, eles são contra publicamente, criticam, condenam muitas das ações, como a repressão às manifestações, por exemplo,

Só para ficar nesse exemplo. Defendem que as mulheres devam ter mais liberdade, mas eles foram presidentes. Então, tem essa nuance grande. Você tem o Miriam Moussen Rousseau, que ganhou a eleição em 2009, embora oficialmente tenha ficado em segundo, porque houve fraude para que o Ahmed Nejad fosse reeleito. Mas ele era um tremendo crítico do regime, ele era da ala reformista, está em prisão domiciliar até hoje. O próprio Ahmed Nejad, isso é uma ironia,

que morreu nos bombardeios, o Ahmed Nejad era adversário do Ramanei. Embora ele seja uma figura radical, o Ahmed Nejad era chavista no sentido explícito da palavra. Ele era um político mais latino-americano dentro do Irã, não um político ligado à questão clerical ou às guardas revolucionárias. Ele era uma aberração que existiu lá dentro da política iraniana e depois ele e todos os aliados chavistas

vamos colocar assim, acabaram sendo presos. Ele não foi preso, mas foi acusado de feitiçaria. Muitos foram presos por feitiçaria. Essas coisas da lado B da América Latina tem esse lado B também. Condenação por feitiçaria, algo realmente exemplar. Mas o principal seria, sem dúvida alguma, com certeza a maioria da população se opõe ao regime. Agora, quando o seu país é bombardeado, Ariel,

Não é que você vá apoiar o regime, mas é muito difícil que as pessoas apoiem bombardeios ao seu próprio país, porque isso impacta no teu dia a dia. Você vai conseguir ir para o supermercado para comprar alimentação, seus filhos vão poder ir para a escola, se você vai conseguir ter teu trabalho, começa a faltar dinheiro, tudo isso. Você não gosta que as suas praças são bombardeadas, as escolas são bombardeadas. Aliás, não podemos esquecer, né?

que uma escola em Minabe foi bombardeada pelos Estados Unidos, são mais de 100 crianças mortas, eu fico imaginando se um bombardeio iraniano tivesse matado mais que 100 crianças israelenses, corretamente o mundo todo iria condenar, e esse ataque à escola em Minabe muitas vezes passa quase despercebido, mas foi um massacre e os Estados Unidos foram responsáveis, não foi Israel, foram os Estados Unidos,

Times, quanto da cena. Ele foi um míssel do Mahal que atingiu e tem vídeo. Portanto, foram os Estados Unidos. Só eles têm esse míssel. E o Donald Trump sequer pediu desculpas e ainda continua acusando, dizendo que foi erro da guarda iraniana. Alguns políticos republicanos assumem que foram os Estados Unidos, mas o governo Trump acusa o iranmente. Nesse caso, tem mil formas de acusar a ditadura iraniana, mas essa não é correta. Mas só para dizer que muita gente,

embora seja contra o regime, não goste do país sendo bombardeado. Oriel, já te passo para você falar de Cuba, deixa eu só falar um pouquinho, já que a gente está nessa guerra ainda, sobre o Hezbollah, os ataques ao Líbano continuam, você já disse aqui, da pressão do governo libanês contra o grupo Hezbollah, mas as tropas israelenses têm avançado pelo sul do Líbano, a gente viu vários avisos para que a população deixasse algumas regiões

E quem não sai acaba morrendo. Aconteceu isso com um padre lá que acabou se negando. Ele se negou a sair e acabou morrendo. Como é que está a situação por lá? Olha, Fernando, eu não sei quem vai ser o vencedor dessa guerra. Mas o maior perdedor é o Líbano. Sem sombra de dúvida. Os libaneses perderam com essa guerra. Porque ainda que haja um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, Israel e Irã, que é possível que ocorra em alguns dias ou semanas,

A questão do Líbano vai ser muito mais longa. Eu calculo anos. Por quê? Israel vai ocupar o sul do Líbano indefinidamente. Ocupou já entre 82 e 2000, e dessa vez deve ocupar mais uma vez a parte ali, o sul do Rio Litânio, pelo menos uma parte do sul libanês. Não sei se é uma faixa de 30 quilômetros, de 10 quilômetros, mas eles expulsaram a população. Eu uso os termos que são o mesmo,

Se você é obrigado, uma força estrangeira diz que você tem que sair da sua casa, caso contrário, você será bombardeado. Eles estão te expulsando, eles não estão te convidando a sair, eles estão te expulsando. Tanto que quem fica, muitas vezes morre. Foi o caso desse padre numa vila cristã que acabou sendo alvejada por tanques israelenses. Então, eles estão expulsando essa população do sul do Líbano. Essa é a primeira tragédia.

que saíram não voltarão, Israel tende a fazer uma zona tampão nesse território, como eles fizeram em Gaza, Israel mantém a ocupação de 58% da faixa de Gaza, concentrando a população palestina, os 2 milhões de habitantes, os outros 42% que são controlados pelo Hamas, então Israel controlaria o sul do Líbano, sem população, fazendo essa buffer zone, como se fala em inglês,

seguindo com os bombardeios ao restante do território libanês, que é a chamada doutrina Dahye, que eles bombardeiam até destruir todos os alvos deles, que eles fizeram em 2006 justamente em Dahye, voltaram a fazer em 2024, mais uma vez, e agora repetem. Dahye, só para explicar, é a parte sul de Beirute, oficialmente no subúrbio, mas é zona metropolitana, com prédios densamente pobres,

o leste Beirute é cristão, o oeste é sunita, mas Dahye é xiita. Israel também expulsou, calcula-se em 700 mil pessoas que foram expulsas das suas casas em Dahye. Israel não vai ocupar Dahye, mas vai destruir tudo e dessa vez vai ser muito complicado para reconstruir Dahye. O que acontece em função disso? Essa população xiita acaba indo para áreas sunitas e cristãs e isso aumenta a tensão sectária dentro do Líbano, porque

acaba havendo, um país que já teve guerra sectária entre 75 e 90, pode sim voltar a ter mais um conflito interno. Para complicar um pouco mais o cenário, os Estados Unidos quer que o Líbano designe o Hezbollah como terrorista e que o exército formalmente combata militarmente o Hezbollah e que o Líbano assine um acordo de paz com Israel, no qual Israel não necessariamente

sairia do sul do Líbano. Se o exército libanês combater o Hezbollah, isso que um exército que não é muito bem armado, o Hezbollah vai reagir internamente, vai causar o que a gente chama de guerra civil. Além das questões sectárias, teria essa questão do exército contra o Hezbollah, teria um conflito do sectário, não é que o exército conseguiria ganhar. Fazer um acordo de paz com Israel, o Amin Jmael fez isso, que era então presidente do Líbano em 83,

obviamente fracassou, não tem, no mesmo cenário que Israel ocupando o sul do Líbano, então não tem, o cenário positivo para o Líbano era o anterior, até duas semanas atrás, no qual o Hezbollah não atacava, o Israel atacava o Líbano, mas o Hezbollah não atacava, mas atacava alvos bem específicos do Hezbollah, o Hezbollah não atacava Israel, e o governo libanês via negociação estava desarmando, o Hezbollah não tinha conseguido desarmar totalmente, não é simples, a gente está até vendo a questão do PCC,

e do Comando Vermelho no Brasil. Imagina o Brasil, um país com exército e uma polícia muito mais preparada que o Líbano, combatendo grupos muito mais fracos do que o Hezbollah. Não dá para comparar o Hezbollah com o PCC e Comando Vermelho. O Hezbollah é ainda a milícia mais poderosa do mundo. Então, existe um wishful thinking de que vai lá, faz. Não é assim que funciona. E o governo libanês, que como Thomas Friedman falou que não tem um governo mais respeitado,

do que o governo libanês, acaba ficando fragilizado diante de todo esse cenário.

e que essa é a grande curiosidade. O que se fala hoje nos Estados Unidos sobre que tipo de modalidade de aproximação, negociação poderia ocorrer com Cuba e se também, hoje o país comenta, o país de Madrid comenta que a ideia seria uma cubastroica, uma abertura econômica em Cuba, mas mantendo os Castro nos bastidores

do poder, embora talvez sem o Miguel Díaz-Canel, que é o atual autocrata.

tem toda uma parcela da população americana que não quer envolvimento dos Estados Unidos e outras questões. Mas o Trump já não se importa mais com isso. E existe a questão da Flórida, que existem aqueles cubano-americanos que são bem radicais contra o regime cubano. Eu não descarto a possibilidade de o Trump ir para tudo mesmo, tirar o regime de Cuba, talvez conversar com alguém que esteja lá, forçar uma abertura, mas com o Marco Rubio na prática, mantendo o cargo de secretário de Estado, tudo, mas sendo... Como que se fala?

governador-geral Ariel, como que falava? Uma espécie de interventor, como falava na época do Vargas. Interventor em Cuba. Eu acho que é isso que o Trump fala, que vai dar Cuba para o Marco Rubio. E o Marco Rubio faria ali um interventor, porque iria entrar a questão das propriedades privadas, tudo isso que é algo que não impacta no Irã, porque no Irã ninguém perdeu a sua propriedade. Mesmo a diáspora iraniana não perdeu. Cara, se tem um apartamento lá, tem um apartamento.

vender o apartamento, pode ter vendido antes de ir para fora, pode dar uma procuração para alguém vender. Claro, e no Irã não houve uma mudança de regime econômico, no Irã continuou sendo capitalista. Continuou sendo capitalista, exatamente. Cuba não, então essa questão da propriedade privada traria ali uma complicação grande, mas eu acho que o Trump iria para tudo ou nada, para tirar e botar o Rubio de interventor com quem ficar lá, até podia ser o Dias Canel, porque o Dias Canel é irrelevante

dos Estados Unidos, mas seria uma capitulação forçada e eu não sei como o regime cubano, que é ideológico, aceitaria, porque o regime venezuelano, como a gente sabe, na época já com o Maduro, já era bem menos ideológico. Então, se entra dinheiro para aqueles mafiosos, ok. Para o cubano, com certeza, eles querem que entre dinheiro, mas a partir do momento que force outras questões capitalistas em cima deles, vai ser uma situação complexa.

na TV nos últimos dias, eu acho que uma vez encerrado o conflito no Irã, eu acho que no Líbano vai persistir, mas eu acho que os olhos do Trump vão se voltar a Cuba. E ele ficou mencionando Cuba ontem na coletiva dele, né? Então parece que ele já está interessado nisso. Agora, quanto tempo pode levar, eu sei que é muito difícil, não sei se é tão difícil quanto quando te perguntavam no início da guerra da Rússia na Ucrânia, quanto tempo pode levar este atual conflito com o Irã?

É diferente da Rússia com a Ucrânia, porque na Ucrânia é uma guerra que ali, na fronteira da Rússia, para o Trump, provavelmente a Raquel Cravenbu, correspondente da Globo News na Casa Branca, falou, talvez ele fale, declare vitória daqui a alguns dias ou semanas, e pronto, fala que ganhou a guerra, que matou a Yatolá, que o Irã hoje está fraco, não pode atacar ninguém, e pronto, ele fala isso, como ele fala, que ganhou a eleição em 2020.

acredita, a maioria não vai acreditar, mas ele segue em frente, muda de assunto, nos dias de hoje o assunto muda rápido mesmo, começa a falar de Cuba, o pessoal vai parando de falar do Irã, como parou de falar, depois bombardeio de junho, e pronto, o preço do petróleo normaliza, o Estreito Hormuz normaliza, Israel com Hezbollah no Líbano, é problema dos libaneses e dos israelenses, e segue em frente, acho que vai ser, essa é a tendência para o Trump.

Eu citei o Robert Pape, no artigo dele na Fora e na Férias da Resposta Iraniana, ele fala que a única saída mais óbvia para o Trump é isso, declarar a vitória e acabar com a guerra. Tá certo. Ariel Palacios, volto com ele para a gente falar mais sobre Venezuela e também eleições na Colômbia. Até já. De volta agora com Ariel Palacios, diretamente de Buenos Aires. Ariel, na Venezuela houve uma aprovação de uma nova lei da mineração, que é para abrir espaço para investimento estrangeiro.

ouro, tem terras raras, tem diamantes, tem um monte de coisa lá. Que lei é essa? Bom, dentro daquilo que a gente estava comentando agora com o Luga, de como são diferentes os regimes, de como é que dá para negociar com cada um e de como, no caso da Venezuela, o regime chavista que continua no poder está sendo tremendamente dócil com o governo Trump. Agora, levando em conta que semanas atrás aprovaram

o Parlamento da Venezuela, a Assembleia Nacional, com avassaladora maioria chavista, com o Jorge Rodrigues como presidente do Parlamento, que é irmão de Adelce Rodrigues, que é a autocrata interina, substituindo o Nicolás Maduro, era vice de Nicolás Maduro, Jorge Rodrigues e Adelce Rodrigues, duas figuras históricas do chavismo, que estavam com o Chávez nos anos 90, não faltam credenciais, não falta pedigree chavista para esses dois irmãos,

Depois de ter liberalizado a exploração de petróleo, favorecendo as empresas americanas, agora o regime Délice Rodrigues está preparando uma lei para abrir a mineração na Venezuela para empresas estrangeiras. São normas que fazem parte de um pacote de mudanças que foram exigidas pelo governo Trump para abrir a economia para investimentos do exterior. O projeto de lei foi aprovado nesta segunda-feira à noite no Parlamento em Caracas e agora vai passar por uma série de consultas formais

votação daqui a uns dias, não há uma data específica ainda, mas como Jorge Rodrigues, como disse o irmão de Délcio Rodrigues, o chavismo tem maioria vaciladora ali e a própria oposição concorda com esse projeto, então tudo indica que será aprovado sem problema algum, o que faria que o ex-presidente e o tenente coronel Hugo Chávez reviraria no túmulo, porque a lei atual,

A lei de regulação de mineração foi criada por Chávez em 99. Depois ele criou outra lei sobre o ouro. Não, perdão, aí já foi o Maduro em 2015 que criou uma lei, mas sempre foi uma proteção aos minérios nacionais, dando grandes privilégios à exploração das estatais venezuelanas. Mas agora tudo mudou. O projeto regime permitir que as empresas estrangeiras e nacionais explorem ouro, diamantes, terras raras. Tudo isso ampliando o prazo das concessões de 20 para 30 anos.

Os depósitos minerais continuarão sendo propriedade do Estado, só que as disputas por qualquer questão de contrato serão resolvidas por arbitragem internacional e não mais somente pela justiça venezuelana, como era agora. A justiça aqui é majoritariamente chavista, então sempre dava, até agora, os pareceres a favor do chavismo. Agora, essas empresas estrangeiras poderão recorrer à arbitragem internacional, o que muda totalmente o cenário.

na Assembleia Nacional, ocorreu um punhado de dias depois da visita de Caracas do secretário do interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, à Venezuela. Ou seja, ele é a pessoa encarregada de medidas de petróleo, de gases minerais. E, na sexta-feira passada, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos havia emitido uma licença que permite algumas operações da empresa estatal mineradora Minervan, da Venezuela, e de suas subsidiárias,

Então, já vemos ali outro cenário totalmente diferente do que a gente estava acostumada nesses últimos tempos. E detalhe, nesse caso aqui da licença emitida pelo Departamento do Desouro Americano, é sempre que os contratos sejam regidos pela legislação americana. Ou seja, mais um sinal de que o governo Trump está ampliando suas informações

na Venezuela, desde o sequestro, captura, sequestro e transporte de Maduro para julgamento em Nova Iorque, Maduro do qual não se fala mais nada, e inclusive Trump com frequência elogia a Délice Rodrigues por cooperar com Washington, a citou inclusive semanas atrás como uma pessoa muito dócil ao que a Casa Branca pede, e também recordando que Délice Rodrigues confirmou também dias atrás que recebeu convite para visitar Washington

em data ainda não definida. Ariel, agora passamos para a Colômbia, porque nós tivemos eleição, uma eleição legislativa, que acontece dois meses antes das eleições presidenciais. Quero saber os resultados, como é que se saiu o presidente colombiano Gustavo Petro e se aquela candidata de inteligência artificial ganhou. Bom, isso é muito interessante. A disputa foi por 183 vagas de deputado federal, 102 do Senado. Os resultados mostram o Congresso fragmentado.

O presidente Gustavo Petro, perdão, o partido do presidente Petro, o pacto histórico, conseguiu 25 cadeiras no Senado, quer dizer, 23% do total da Câmara Alta. Está longe da maioria, sim, mas superou as expectativas dos analistas. Foi muito mais do que se imaginava. O Centro Democrático, que é o partido que tem a herança política do ex-presidente Álvaro Uribe, de direita, direita dura, conquistou 17 cadeiras, quer dizer, 16% do eleitorado,

Então, o Pacto Histórico e o Centro Democrático se transformam sem ter maioria nas principais forças dentro do parlamento. No caso da Gaitana, que você perguntou, que é a primeira aspirante mundial a um parlamento que era feita com inteligência artificial, ela obteve menos de mil votos para a Câmara e menos de 1.500 votos para o Senado. Ela era candidata nas duas casas.

que estavam seguindo Gaitana, dentro do aplicativo que criaram, menos de 10% das pessoas que seguiam Gaitana que decidiram votar nela. Ou seja, a vida na política. A vida na política, independentemente, como a gente fala, a vida na natureza, pode ser um tubarão, como pode ser a andorinha. Então, a vida na política continua havendo vida na política, seja tubarão, seja andorinha, seja o que for, ou seja um bicho preguiça, seja lá o que for. Mas a inteligência,

A candidatura de inteligência artificial flopou. Não deu certo. Não houve muito interesse na imprensa, nas redes sociais. As pessoas viram os vídeos da Gaitana. Gaitana que parecia um personagem de Avatar. Não correspondia às cores normal de uma pessoa real. Enfim, era inteligência artificial e não foi para frente. Então, na Colômbia, por enquanto, nunca se sabe na próxima eleição, não estavam preparados para um parlamento

representante de inteligência artificial. Como você citou, são eleições parlamentares que não são junto com as eleições presidenciais, ao contrário do que geralmente acontece na imensa maioria dos países. São eleições que são muito antes. O primeiro turno presidencial na Colômbia é só dia 31 de maio. Falta um montão de tempo. Quando maio inteiro, abril inteiro e metade de março, dois meses e meio. É uma eternidade. Mas isso já cria todo um cenário condicionado

de certa forma, o eleitor a pensar em quem vai votar dos principais partidos, porque já sabe quais são os que têm chance de governar, por intermédio de algumas coalizões, alguns acordos, e quais não terão. Então, isso condiciona bastante. Nesta eleição, além de votar para deputado e para senador, e dois, nesse caso, parlamentares das comunidades indígenas, a Gaitana era uma das que representava isso, também está que os colombianos

puderam votar em uma espécie de primárias, porque alguns partidos já definiram seus candidatos presidenciais e outros partidos decidiram fazer uma consulta popular. Então, por exemplo, o Centro Democrático, esse partido de direita do ex-presidente Uribe, fez a sua votação, pediu para que as pessoas votassem também, então decidiram, neste caso, definir que a candidata deles para a presidência

teve metade dos votos dos eleitores que participaram das consultas. Outros candidatos que também preferiram fazer a disputa por via da Constituição Popular tiveram expressões minúsculas de voto. Mas, de todas formas, já começa a ter a eleição colombiana um perfil mais definido. Só para encerrar, está já definido previamente essa eleição o candidato da coalizão governista de esquerda, Iván Cepeda Castro, que é de esquerda,

bastante peculiar isso, e ele teria 38% das intenções de voto. E o Abelardo de la Espriella, que é uma novidade na política colombiana, ele se autoapelida de El Tigre, o Tigre, de um partido de extrema direita, que tem um nome ad hoc, que é Salvação Nacional, ele é famoso por suas declarações homofóbicas, e ele teria de 20% a 25% das intenções de voto. Temos que ver como é que fica a disputa de votos.

entre ele, entre o Abelardo, e a Paloma Valencia, que é a candidata da direita clássica tradicional uribista. Então, a grande pergunta é, quem vai roubar votos de quem nessa disputa? Perfeito. Ariel Palacios. Ariel, mais uma vez, obrigado pela participação. Bom trabalho para você na Argentina e até a próxima. Obrigado, Fernando Guga, ouvintes. Guga, obrigado pela participação mais uma vez. Até a próxima edição, Guga. Abraço, Fernando. Abraço, Ariel. Abraço, ouvintes.

e edição de Ellen Menezes. Mundo em Meia Hora tem duas edições semanais, toda terça e sexta em podcast, na programação da CBN, terças, às 11h30 da noite e sábado às 9h da manhã. Música