Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Um mês de guerra no Irã; os Houthis continuam fora do conflito e a audiência de Nicolás Maduro em Nova York

27 de março de 202627min
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Nesta edição do Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles analisam o primeiro mês da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, os sinais contraditórios entre negociação e escalada do conflito e qual a razão de os Houthis, no Iêmen, permanecerem fora da guerra. Comentam também a audiência de Nicolás Maduro em Nova York, após a operação dos Estados Unidos na Venezuela, e a crise energética no país, que levou à decretação de uma semana de feriado do funcionalismo público diante da escassez de combustível.

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Participantes neste episódio3
G

Guga Chacra

HostComentarista
A

Ariel Palacios

ConvidadoComentarista
F

Fernando Andrade

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Conflito Irã-EUAMobilização de tropas dos EUA · Possível invasão terrestre · Relação com os Houthis · Conflito no sul do Líbano
  • Caso judicial Nicolás Maduro nos EUAAcusações de narcoterrorismo · Situação de Cília Flores · Crise energética na Venezuela
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E aí

Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo Meia Hora. Hoje eu converso com Guga Chakra, diretamente de Nova Iorque, e Ariel Palacios, em Buenos Aires. Um mês da guerra no Irã. Quais são as possibilidades a partir de agora nesse confronto? Um acordo ou uma escalada? Os ruts no Iêmen ainda não entraram nessa guerra? Estariam esperando o quê? E ainda o conflito no sul do Líbano entre o Hezbollah e as tropas israelenses.

Como é que foi também a audiência no Tribunal de Nova Iorque com o casal venezuelano Nicolás Maduro e Delce Rodrigues? E mais sobre a Venezuela em uma semana de feriado para o funcionalismo público, porque não tem energia, acabou o petróleo. Guga, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem, Guga? Oi, Fernando. Oi, Ariel. Oi, ouvintes. Ariel Palacios, tudo bem? Bem-vindo, Ariel.

Como está, Fernando? Google, ouvintes, tudo bem? Tudo bem. Bom, guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã completa um mês. Donald Trump estendeu por dez dias o prazo para que o Irã reabra o Estreito de Hormuz. E aí, ora fala em negociação, ora fala em ameaça. Além disso, tem o envio de mais tropas para uma possível incursão terrestre.

Israel parece não querer que essa guerra acabe porque quer continuar sua empreitada contra o Hezbollah no Líbano, passou a invadir o sul do Líbano, onde mais de um milhão de pessoas foram expulsas de suas casas. Guga, com esse atual cenário, o que seria mais provável? Um acordo ou uma invasão por terra, principalmente a ilha de Karg, no Irã? Olha, Fernando, o mais provável é uma escalada nesse momento do conflito. É improvável que haja um acordo. Começando pelo acordo.

as demandas americanas são completamente inaceitáveis para o regime iraniano. E as demandas do regime iraniano são inaceitáveis para os Estados Unidos. Então não tem um ponto de equilíbrio que se possa encontrar entre os dois lados nesse momento. O Trump fala em negociação, ele sempre gosta de falar em negociação, mas tem um cientista político, o Robert Paper, acho que eu já mencionei ele aqui,

ele fala o seguinte, o Trump tem esse discurso errático, ele sempre fica falando negociação, mas o que você tem que prestar atenção é na mobilização das tropas, e ele tem mobilizado tropas para o Oriente Médio, chegarão em breve mais 2.500 marines, mais 2.500 mais ou menos paraquedistas ao Oriente Médio.

e agora informações que mais 10 mil militares seriam mobilizados. Isso indica que ele pretende realizar alguma ação por terra. E sempre que o Trump mobilizou tropas ao longo do último ano, seja no bombardeio de junho, mobilizou aparato militar, não tropas.

corrigindo. O Robert Pepe mobilizou aparato militar em junho do ano passado contra o Irã, contra a Venezuela, no começo desse ano e depois no ataque ao Irã um mês atrás. Sempre que ele fez isso, ele acabou realizando uma ação militar mesmo. A única vez que ele fez uma ameaça e não fez nada foi na Groenlândia, quando ele não mobilizou aparato militar. Agora, com essa mobilização de tropas que indicam, se você mandar paraquedistas, marines, indica que você pretende fazer algo.

O que pode ser que os Estados Unidos... Quais seriam as alternativas dos Estados Unidos nesse momento em relação ao Irã, que levariam a uma escalada? Uma alternativa é tomar a ilha de carga. Qual que é o complicador de tomar a ilha de carga? Obviamente, a maior potência militar da história da humanidade tem condições de tomar aquela ilha. Porém, morrerão, muito possivelmente, é o risco de morrerem americanos no processo de tomada da ilha de carga enorme. Enorme. Terão baixas.

sabe-se lá quantas. Uma vez tomada, você tem que manter. Para você manter, você precisa, o tempo todo, tem que chegar navios, barcos ou aviões, levando carregamentos para levar comida para essas pessoas, armamentos, tudo. Você precisa manter essa ocupação. A ilha é muito próxima à costa.

naturalmente o Irã vai fazer tiro ao alvo contra os militares americanos ali que estejam na ilha. Quer dizer, um duro golpe para o Irã, porque é o lugar onde a esquadra a maior parte do petróleo iraniano, mas o custo americano será enorme. Isso só levando em conta o que o Irã poderia retaliar em relação à ilha de carga, porque o Irã poderia ampliar os ataques contra países do Golfo.

atacar, por exemplo, usinas de desalinização. No caso do Estreito de Hormuz, tomar ali a costa de Hormuz não muda muito, porque o Irã continuaria com a capacidade de enviar drones para atingir as embarcações que cruzarem.

o Estreito de Hormuz, e nesse caso também o Irã, poderia escalar usando os ruts. Os ruts poderiam fechar o Estreito Babelmandab, que liga o Golfo de Áden, que sai no Oceano Índico, ao Mar Vermelho. Do Mar Vermelho você pega o canal de Suez e chega ao Mediterrâneo, que é a principal rota comercial dos Estados Unidos para a Europa. E os ruts podem fechar o Babelmandab simplesmente lançando uns drones e alguns mísseis que atingem barcos. Eles já fizeram isso na Guerra de Gaza.

E nessa guerra não entraram até agora, né, Guga? Não entraram até agora, muito possivelmente, porque o Irã está esperando, para o caso de uma escalada, usar os ruts. É mais uma carta na Mangraniana, que pode envolver tanto se a Arábia Saudita entrar na guerra.

daí seria para a Takarabia Saudita, ou no caso dos Estados Unidos realizar alguma ação por terra, você daí fecha o Straight Bubble Mundo. E daí o comércio entre a China e a Europa, não só a China, entre a Ásia e a Europa como um todo, você vai ter que fazer a rota do Vasco da Gama, fazendo a volta pela África, que amplia em semanas. O processo naturalmente tem um custo muito grande.

A outra alternativa dos Estados Unidos, que envolve um crime de guerra, é bombardear a estrutura energética, a infraestrutura energética do Irã. Isso é crime de guerra, para deixar claro, você não pode bombardear infraestrutura energética de outro país, infraestrutura civil, e nesse caso aí também o Irã, além dos ruts, atacaria a infraestrutura energética dos países do Golfo que estão ali próximos. Então, assim, seria a tendência de uma escalada muito grande.

O próprio Robert Pepe, se eu não me engano, ele fala que essas declarações dos Estados Unidos, de Israel, que agora vai dar um golpe, vai ser o golpe final no Irã, ele fala que é a mesma coisa que ocorreu na Guerra do Vietnã. E para não ir longe, na Guerra de Gaza. Quer dizer, é sempre bom lembrar que quando falam que se ampliar, mandar tropas... Israel, Gaza é minúsculo. 30 quilômetros por 12 quilômetros.

Israel consegue escutar todos os celulares de Gaza, conhece todos os quarteirões da faixa de Gaza, controla todas as entradas e saídas. A faixa de Gaza do espaço marítimo é fechada, já falei aqui uma vez, é proibido pescar em Gaza, você não pode pescar, Israel proíbe, e as fronteiras terrestres.

também são controladas por Israel, inclusive pelo Egito. O espaço aéreo, naturalmente, também é fechado por Israel. Israel destruiu a segunda e a terceira maior cidade de Gaza. Destruiu a ponta. Não tem nenhum prédio mais, não tem nenhuma edificação mais em Han Yunis e em Rafa. Nenhuma. Zero. Todas foram destruídas. Israel matou pelo menos 70 mil pessoas em Gaza.

Ao redor ali matou, ao redor de 70 mil, uma população de 2 milhões de habitantes. Isso no mínimo, porque há estudos que falam em mais de 100 mil. Fez tudo isso, ocupa 58% de Gaza. Matou todas as lideranças do Hamas. Conseguiu desarmar o Hamas ou acabar com o Hamas? Não, imagina o regime iraniano. É muito complexo, regimes caem.

como caiu da Argentina, como caiu da União Soviética, da Alemanha Oriental, da Síria mais recentemente, mas caem, ou você manda 50 mil soldados como Estados Unidos no Iraque ou no Afeganistão, ou cai naturalmente por protestos, tudo, uma hora cai.

mas no caso do Irã é algo bem complexo. Então a tendência mesmo, Fernando, é sim de uma escalada. Espero estar errado. Uma outra possibilidade remota é um cessar fogo hostil, mas o Irã tende a não aceitar um cessar fogo hostil. Só para explicar, cessar fogo hostil é que os Estados Unidos para de atacar o Irã esperando que o Irã pare. Só que o Irã não quer isso porque a avaliação do regime iraniano é que os Estados Unidos e Israel esperariam isso para se rearmar esse período.

Então eles não aceitam cessar fogo hostil. Guga, passando agora para o Líbano, Israel quer assumir o controle de toda a área do sul do Rio Litânia. Inclusive a Sociedade Press explicou o porquê passou a usar invasão.

Então são cerca de 30 quilômetros. Israel já ocupou essa área, você já falou isso aqui, entre 1982 e 2000. E um milhão de pessoas foram expulsas de suas casas. A ONU já fala, um alerta da ONU sobre uma catástrofe humanitária. Em que pé está isso, Guga? Olha, Fernando, Israel está já, a gente já invadiu o sul do Líbano, está enfrentando combates contra... ..CLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCLCL

forças do Hezbollah ali no sul do território libanês, em vilas mais próximas à fronteira. Israel ainda não conseguiu chegar ao rio Litane. Há informações que eu apurei no Líbano que a resistência do Hezbollah tem sido muito forte em relação a Israel. Eu perguntei a um porta-voz.

do exército de Israel, para confirmar a informação, ele falou que é mentira, que isso não tem ocorrido, então só para deixar claro, mas o fato é que Israel não conseguiu ainda chegar com tropas terrestres ao rio Litane. Há uma questão também que os reservistas têm sido muito mobilizados em Israel ao longo, desde o atentado terrorista do Hamas, de 7 de outubro de 2023, tem um desgaste muito grande para manter essa ocupação, seria uma tarefa árdua.

para os israelenses, então esse é o cenário do momento. Mas sim, Israel ameaça publicamente ocupar o sul do Líbano, e aí também, por ser portavoz, eu perguntei por quanto tempo seria, ele falou que seria até desarmar o Hezbollah, visto que eles não conseguiram desarmar o Hamas, é algo assim, por tempo indeterminado, como que eles conseguiriam atingir esse objetivo. Então esse é o cenário.

Muito triste pelo sul do Líbano, uma região que eu já falei, aqui eu conheço muito bem o sul do Líbano. Minha família não é do sul, ela é próxima ao sul. A minha vila é a última vila antes de virar sul, que é a Rachaya.

Mas as vilas conectadas, as vilas irmãs Hasbaia e Marjayun, são o sul do Líbano. Israel já ocupou ambas e ameaça ocupar de novo, entre outras vilas lá no sul do Líbano. E a sociedade libanesa, só para explicar, muito dividida hoje. Eu diria que há três grupos. Um que seria a imensa maioria, que inclui o governo libanês.

que quer o desarmamento do Hezbollah, que estava implementando esse desarmamento negociado com o Hezbollah, mas ao mesmo tempo condena as ações militares, o lançamento de mísseis do Hezbollah a Israel, não porque goste de Israel, longe disso, mas porque...

sabiam qual seria a forma de resposta israelense e condenam ao mesmo tempo os bombardeios israelenses e a ocupação israelense do sul do Líbano. Então é basicamente no sentido de que eles enxergam uma guerra do Irã contra Israel que acaba usando o Líbano como palco, sendo que o Líbano não teria nada a ver com esse conflito. Esse é um grupo. Há um grupo também que odeia o Hezbollah mais do que tudo.

É um grupo bem minoritário, mas tem. E que até está achando bom que Israel esteja lutando contra o grupo. Às vezes você vê ali em perfis para Israel, colocam algumas figuras falando isso para dar a entender que isso representa toda a sociedade libanesa. Não, é um grupo menor de libaneses. E é um grupo que também não é tão grande, mas é uma minoria relevante.

especialmente entre os tiítas, não a totalidade dos tiítas, longíssima, mas especialmente entre os tiítas, mas também com o passar do conflito, antes não, mas com o passar dos dias, tem crescido que defendem o Hezbollah, porque enxergam como, na visão deles, é uma resistência contra Israel, eles avaliam que o exército libanês não faz nada para defender o país de Israel, que o Hezbollah aqui faz, porque dizem eles que o Hezbollah...

Se não fosse o Hezbollah, Israel nunca teria saído no ano 2000 do Líbano. Se não fosse o Hezbollah, anexariam de novo, porque na visão dessas pessoas, o objetivo de Israel...

seria a grande Israel e ter até o rio Litane e fazer algo similar ao que eles fizeram com a Síria, com a anexação ilegal das colinas do Golã, de onde eles nunca mais saíram desde 1967. O argumento de segurança não se sustenta, porque eles fizeram pista de esqui, vinícolas ali nas colinas do Golã. E já anos atrás, já fui três vezes para...

para as colinas do Golã pelo lado sírio, o comandante das forças de paz da ONU, na época lá da UNEDOF, falou que absolutamente, por questões de segurança, Israel não precisaria do Golã, que é uma questão mais por causa da água.

dessas coisas que eles estão lá. Mas enfim, estão esses três grupos dentro da sociedade libanesa. Muito bem, uma pausa aqui no Mundo Meia Hora. Daqui a pouco a gente volta falando mais sobre a situação na Venezuela, a situação também de Nicolás Maduro e da esposa Cília Flores, que participaram de uma audiência em Nova Iorque nessa semana. Até já.

De volta com o Mundo Meia Hora, agora Ariel Palacios com você, o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro e a sua esposa Cília Flores participaram de uma audiência no Tribunal Federal de Nova Iorque. Como é que foi? Eles queriam arquivar o processo, não deu certo?

Não deu certo. Bom, recordando só que o ex-autocrata Nicolás Maduro e sua esposa ex-deputada, ou ex-como chamava Maduro, primeiro combatente, a primeira combatente, Cília Flores, são acusados, tem acusações bastante similares, conspiração para cometer narcoterrorismo, importar cocaína, além da posse metrugadora, artefatos destrutivos, eles não são...

e isso é chamativo, e se o Gustavo puder comentar, não são acusados de violação aos direitos humanos, que já foram denunciados em várias partes do mundo por isso, não são acusados de fraude nas eleições, são acusados em uma acusação especificamente pela questão do narcotráfico, não por sequestros, assassinatos ou torturas dentro da Venezuela.

Bom, eles estão na prisão de máxima segurança no Brooklyn, compareceram ao tribunal em Nova Iorque, no Distrito Sul. Os dois se declararam inocentes. Maduro também se declarou prisioneiro de guerra, em alusão ao fato dele ter sido capturado, sequestrado e transportado para os Estados Unidos no dia 3 de janeiro, quando os Estados Unidos bombardeou certa parte de Caracas. Houve uma ação relâmpago de comandos americanos ali para pegar Maduro e levá-lo.

para os Estados Unidos. Os advogados dos dois afirmam que o bloqueio de fundos implementado pelo governo Trump, que impede que o regime pague advogados para o casal, vulnera a sexta emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a presença de um advogado.

E, por isso, eles pediram o arquivamento desse caso. O juiz negou isso, mas, ao mesmo tempo, disse que ia avaliar a questão do impedimento que o Estado venezuelano possa pagar os advogados particulares de Maduro, porque Maduro alega que ele não tem dinheiro próprio.

o que também é bastante peculiar, mas, enfim, Maduro alega isso, os advogados dizem que ele não tem condições e, por isso, pediram arquivamento, enfim, não vai ser arquivado. Este julgamento vai levar muito tempo, o presidente Trump disse que existirão outros julgamentos.

Depois deste, não especificou no quê, quais seriam as outras acusações, mas tudo tende que isto se prolongue e muito no tempo. E enquanto isso, aí vem o paradoxo, Maduro...

É uma carta fora do baralho totalmente na política venezuelana hoje em dia. Não é o líder que está carturado em outro país, preso, e uma mobilização para reaver maduro. Nada disso.

Parque Central ali em Caracas, a duas torres, e havia ali dois grandes cartazes dizendo em inglês Free Maduro e Free Cília, né? Liberem Maduro e Liberem Cília. Esses cartazes colocados em janeiro já desbotaram, estão rasgados, estão quase caindo aos pedaços. A própria Délice Rodrigues, que era sua vice-presidente, agora que tem um cargo formal de presidente interina, mas que é autocrata interina, digamos assim, não fala mais em Maduro.

para que o cumprimento dos planos da Piquipoda se mantenha.

porque, sem dúvida alguma, estamos esperando o incremento dos incêndios forestados. A presença, a influência dos Estados Unidos é cada vez maior ali. O regime de Délice Rodrigues aprovou recentemente uma lei de hidrocarbonetos, uma lei de reforma da lei de hidrocarbonetos, ou seja, do petróleo, que aumenta de uma forma colossal.

digamos, flexibiliza, libera toda a parte de exploração de petróleo no país para as empresas estrangeiras. Antes era tudo muito limitado, tudo muito dentro de muitas restrições. Agora fica praticamente tudo aberto, com redução de impostos. É uma lei feita à medida de Trump. E agora está em andamento no Parlamento venezuelano, um parlamento que tem maioria abasaladora chavista, está em andamento.

a lei de mineração, que também é a mesma coisa, abre totalmente o setor para os investimentos estrangeiros, e terras raras, ouro, e também determina que antes, tanto a lei de petróleo quanto a lei de mineração anterior, criada por Hugo Chávez, pelo já falecido presidente, tenente coronel Hugo Chávez,

determinava que se houvesse problemas legais, teriam que ser resolvidos na justiça venezuelana. Isso não é mais assim, agora podem ser resolvidos na justiça internacional, o que favorece amplamente as empresas estrangeiras, porque antes, dentro da justiça...

venezuelana, uma justiça controlada pelo chavismo, todos os pareceres, todas as decisões eram a favor do lado venezuelano e não do lado estrangeiro. E junto com isso, nesta semana, a Delcey Rodrigues falou, por videoconferência, para os investidores que participavam de um foro econômico em Miami.

Isso é totalmente insólito. Nenhum presidente venezuelano antes, nem Maduro, nem Chávez, do presidente do chavismo, teriam participado de algo tão capitalista, tão emblemático do mercado. Mas Délice Rodrigues já totalmente ali dócil, como o próprio Trump se refere a ela, disse que é muito dócil, que é um governo altamente...

cooperativo com a Casa Branca, Délice Rodrigues falou e disse que garantia segurança jurídica para esses investidores na Venezuela, independentemente das mudanças políticas. Essa foi a frase dela.

Então, por isso, já surge ali no horizonte o neologismo, a deusificação de algum governo. O Trump já conta com vários presidentes deusificados na região, como Milley, como Bukele e vários outros, que estão se deusificando gradualmente.

Já que ele deseja isso, a deusificação da América Latina. Então, da mesma forma como Juan Maria Bordaberri, presidente civil do Uruguai, eleito em 72, em 73, houve um golpe de Estado, ele continuou no poder, mas os militares tomaram conta e deu origem ao neologismo bordaberrização da política, ou seja, quando você tem um civil com os militares por trás, agora temos outro neologismo nas ciências políticas, que é a deusificação.

Guga, quer fazer um comentário sobre a acusação do Tribunal Federal de Nova York contra o casal? Olha, Fernando, esse é um julgamento que eu vou acompanhar de perto e eu quero ver quais serão os argumentos da promotoria, como que a defesa vai se comportar, mas num processo, as acusações têm que provar as acusações, tem que ter evidências muito claras. O Maduro não é processado por ser ditador da Venezuela.

Não é esse o crime que ele foi acusado. Ele é acusado por tráfico de drogas e por porte de armas. Enfim, você tem que provar, tem que ter evidências de que ele se envolveu diretamente no tráfico de drogas, por exemplo. Quais evidências que serão apresentadas? Estou muito curioso para saber como vai ser o andamento do julgamento do Maduro.

curiosamente trabalha três quarteirões da corte onde ele será julgado, viu, Fernando, aqui na Globo em Nova Iorque. Eu tenho uma dúvida que é o seguinte, quem é que vai poder pagar os honorários do advogado do Nicolás Maduro, do casal? Porque o dinheiro é sancionado e aí a promotoria diz não, não vou aceitar esse dinheiro porque é dinheiro sujo. Quem vai pagar? Se o advogado quiser cobrar, ele não tem dinheiro para pagar e tem que pegar um defensor público.

é a única alternativa que teria. Às vezes, alguns advogados, quando é um caso dessa dimensão, que acaba chamando a atenção, eles optam por fazer pró-bono, porque, claro, faz o nome, vai aparecer na mídia o tempo todo. Então, às vezes, eles aceitam em troca disso. Caso contrário, vai ter que pegar um defensor público.

Por que, já que é complexo apresentar evidências do vínculo de Maduro com o narcotráfico, por que Trump não foi pelo lado mais óbvio, muito mais fácil de comprovar, que é justamente isso, os crimes de Maduro contra a democracia, os crimes de Maduro como ditador?

Porque isso abriria um precedente, por exemplo, quando ele recebe visita do CICI, do ditador do Egito, como que ele argumentaria, ainda mais que os Estados Unidos dão dinheiro para o Egito, um caso até mais complexo, os Estados Unidos dão cerca de um bilhão e meio de dólares todo ano para o CICI.

Isso entre outros, porque é uma ideia de aliados americanos. O Netanyahu tem pedido de prisão pelo Tribunal Penal Internacional. Os Estados Unidos não são signatários, mas algumas pessoas aqui nos Estados Unidos poderão argumentar, olha, mas vamos tentar processar o Netanyahu em função disso. Então, por esse motivo, não teria como. O do tráfico de drogas, se eles conseguirem apresentar evidências muito claras, aí sim podem conseguir.

a condenação do Maduro. Agora, para falar aquela do cartel de Solis, você sabe bem que é algo complexo. Quando você apresenta para os jurados, o advogado de defesa, se for bom, vai falar olha, mas o próprio governo americano disse que não existe mais o cartel de Solis. Vira para os jurados e fala isso. Tem que ter unanimidade aqui nos Estados Unidos, então você tem que convencer todos os jurados. Se tem um jurado lá que não é convencido disso, o Maduro é inocentado.

Ariel, para a gente terminar, ainda voltando para a Venezuela, uma semana de feriado para o setor público, porque está uma crise de energia e não tem petróleo. Exatamente, é um feriado prolongado, de segunda-feira a sexta-feira, tanto para o setor educativo, os ministérios, as repartições, o que eles chamam de economia de energia, porque há um aumento da demanda elétrica, recordando que se a gente aqui no Hemisfério Sul, Gustavo não.

Mas você em São Paulo, eu aqui em Buenos Aires, chegou o outono na Venezuela, é o contrário, na Venezuela que está acima do Ecuador, chegou a primavera, vai chegar o verão, começa já um período de seca, a Venezuela está basicamente toda dependente de uma única hidrelétrica, essa hidrelétrica está antiquada, tem vários problemas, então já estão...

preventivamente para enfrentar os apagões já estão fazendo uma série de racionamentos de energia elétrica para se preparar agora para este período complexo perfeito, Ariel Palacios mais uma vez obrigado Ariel, até a semana muito obrigado, até logo, Gustavo, Fernando e ouvintes, Guga, bom trabalho para você aí até a próxima abraço Fernando, abraço Ariel abraço ouvintes

Participaram do Mundo e Meia Hora, Daniel Mesquita e Eli Menezes na edição. Até a próxima.

Oi, pessoal. Aqui é a Astrid. Deixa eu te falar uma coisa como mãe, tá? A gente tenta acompanhar tudo, mas quando o assunto é internet, é insano conseguir ver de perto. Por isso, eu achei legal dividir uma coisa com vocês. No TikTok, contas de adolescente já vem com mais de 50 configurações de segurança e privacidade ativadas automaticamente. E ainda tem a sincronização familiar, onde pais e responsáveis conseguem ajustar conteúdo e tempo de tela de um jeito bem simples. Assim, a gente fica mais tranquila, né? Clique no banner e saiba mais.

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