Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Escalada da guerra no Oriente Médio; crise energética em Cuba

06 de março de 202632min
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Nesta edição do Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, diretamente de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles falam sobre os desdobramentos da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, após uma semana de escalada no conflito, e os impactos da tensão no Oriente Médio, incluindo a situação no Líbano. E as movimentações políticas do presidente Donald Trump em torno da guerra. Eles comentam também sobre as eleições parlamentares na Colômbia e a crise energética que atinge Cuba.

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Assuntos11
  • Relacoes EUA-IraBombardeios em Beirute e sul do Líbano · Evacuação de populações · Tensões comunitárias (cristãos, sunitas, xiitas) · Papel do novo governo libanês · Desarmamento do Hezbollah
  • Conflito EUA-IrãEscalada do conflito Irã-Israel · Papel dos Estados Unidos · Estratégia de enfraquecimento do regime iraniano · Ataques a infraestrutura militar iraniana · Possibilidade de colapso do estado iraniano
  • Crise Energética GlobalApagões recorrentes de longa duração · Dependência histórica do petróleo venezuelano · Obsolescência da infraestrutura energética · Instalação de painéis solares · Impacto nacional dos apagões
  • Candidata IA na ColômbiaGaitana como primeira candidata IA política · Mecanismo de votação online dos eleitores · Representação por candidatos reais (socióloga e engenheiro) · Promessa de representação direta · Questões sobre confiança política
  • Implicações e Investigação PolíticaDistribuição geográfica dos curdos · Financiamento americano para curdos iranianos · Autonomia do Kurdistão no Iraque · Diferenças políticas entre curdos de diferentes países · Guerra por procuração
  • Redução de Produção AgrícolaQueda na produção venezuelana · Diminuição das exportações para Cuba · Contexto da aliança Venezuela-Cuba · Consequências econômicas
  • Política AmericanaFalta de estratégia clara · Mudanças de posição sobre o Irã · Expectativas frustradas sobre capitulação iraniana · Impactos regionais da política americana
  • Atuação de Lucia na políticaCalendário eleitoral (parlamentar antes de presidencial) · Número de cadeiras e distribuição · Impacto na sucessão presidencial · Definição de maiorias parlamentares
  • Transformação PessoalAbertura para empresas privadas desde 2010 · Crescimento de pequenas e micro empresas · Participação de trabalhadores no setor privado · Permissão para associações público-privadas · Rebranding como 'atualização do socialismo'
  • Crise energética em CubaEmbargo americano · Impacto econômico das sanções · Contração do PIB · Contexto de isolamento internacional
  • Políticas de MigraçãoÊxodo para Europa · Diferenças com precedentes sírios · Pressão sobre países vizinhos · Possibilidade de fragmentação estatal
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo Meia Hora. Hoje, no primeiro bloco, eu converso com o Guga Chakra, diretamente de Nova York. A gente vai falar sobre a guerra no Irã, uma semana de guerra no Irã. Ele vai abordar bastante o assunto sobre a situação no Líbano, que foi sugado para essa guerra por causa do Hezbollah. Os curdos poderiam entrar nessa guerra, financiados, armados pelos Estados Unidos? E também sobre o que Trump quer com essa guerra. Teria ele um plano?

com Ariel Palacios, diretamente de Buenos Aires. Vamos falar sobre eleições parlamentares na Colômbia e a crise energética em Cuba. Vamos nessa. Guga, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem, Guga? Oi, Fernando. Oi, Ariel. Oi, ouvintes. Guga, o sul de Beirute está sendo bombardeado. Israel, inclusive, emitiu um alerta para que a população do sul de Beirute evacuasse a região. O primeiro pediu para que evacuassem o sul do Líbano. E aí foi aproximando cada vez mais. Agora é o sul, é o subúrbio de Beirute, uma área densamente povoada.

o ataque do Hezbollah contra o norte de Israel. Guki, você pode descrever o que está acontecendo nessa região do Líbano? Então, Fernando, vou explicar com bastante calma desde o início, que a gente tem espaço aqui no nosso programa. Então, vamos lá. Teve aquela guerra em 2024, de Israel contra o Hezbollah. O Hezbollah até então era visto como a mais poderosa milícia do planeta, uma ameaça a Israel. Israel, de uma forma bastante rápida,

muitas informações de inteligência, algumas ações questionadas, como aquelas explosões dos BIPs, mas conseguiu decapitar rapidamente, em poucas semanas, o Hezbollah com uma ação que matou o líder histórico do grupo, o Hassan Nasrallah, em Beirute, e bombardeou bastante essa região de Dária, justamente, e bombardeou também bastante o Sul do Líbano. A guerra terminou em novembro de 2024 com um cessar-fogo. Esse cessar-fogo previa que Israel,

atacasse o Líbano e se retirasse do território libanês, os cinco pontos que eles ocupavam próximo à fronteira. E demandava que o Hezbollah não atacasse Israel e demandava que o exército do Líbano assumisse o controle sobre o sul do Líbano, tendo monopólio da força naquele território. Pula para 2025 rapidamente, Fernando. Em 2025, o Líbano elege um novo governo muito respeitado,

internacionalmente. Por quê? O primeiro-ministro é o Nawaf Salam, que era o presidente da corte internacional de Haia, um dos maiores juristas do mundo e, como mando, consenso libanês, não é lei, é um consenso, muçulmano sunita. Para presidente foi eleito o José Faun, general José Faun, que era o comandante das forças armadas libanesas e que foi treinado aqui nos Estados Unidos com excelentes relações

países europeus, especialmente a França, com os países do mundo árabe, e, como mando consenso libanês, um cristão maronita. Só para complementar o presidente do parlamento libanês, tem que ser um muçulmano xiita, no caso Nabil Berri, que não é do Hezbollah, é da Amal, e isso é importante saber, mas a Amal era aliada do Hezbollah. Vamos seguir em frente. Eles começam a implementar o plano de desarmar o Hezbollah, porém, para evitar uma guerra civil,

diante da força do Hezbollah, que apesar de enfraquecer em relação a Israel, ainda é forte se comparado ao exército libanês, foi pela via negociada e conseguiram retirar a maior parte das armas que o Hezbollah tinha no sul do Líbano. E o exército passou a ocupar quase a totalidade do sul do Líbano, a não ser as áreas ocupadas por Israel. Desde dezembro de 2024 até essa segunda-feira, domingo para segunda-feira,

Bolá não havia realizado nenhum ataque contra Israel. Então, o governo libanês também estava conseguindo conter o grupo. Então, o Líbano estava cumprindo só a parte, o Hezbollah estava cumprindo só a parte, até porque havia essa pressão do governo libanês e da sociedade libanesa. Israel, por sua vez, violou o cessar-fogo 15 mil vezes ao longo desse período. Isso segundo contabilidade da Unifil, que são as forças de paz da ONU que ficam na fronteira, tem já, né, na fronteira

do Líbano com Israel. Então, sempre que falam que Gaza precisa ter uma força estrangeira para garantir a segurança, e daí pode ter uma força palestina mais democrática que administre e controle a segurança, tem que desarmar o Hamas. Bom, o Líbano gabaritou, Fernando. Como escreveu Thomas Friedman no New York Times, não dá para imaginar um governo mais respeitável do que o atual governo libanês. Não dá. O primeiro-ministro é um jurista que era, assim,

o mais importante cargo de um juiz no mundo, da Corte Internacional de Haia, e um presidente com histórico militar e respeitado por todos, desarmando o Hezbollah conforme era demandado. Já tinha a força da ONU lá, tudo perfeito, mas Israel seguiu bombardeando o Líbano, foram 400 libaneses mortos no período. Ainda assim, o Hezbollah em nenhum momento atacou Israel, muito menos o exército do Líbano. O Israel bombardeou o Líbano logo,

início da operação, só para ter isso muito claro, continuou bombardeando, intensificou os bombardeios. O Hezbollah, em solidariedade ao Irã, acabou entrando na guerra e lançou mísseis contra Israel e drones também. Isso foi a revelia do governo libanês. O governo libanês condenou a ação do Hezbollah e a imensa maioria da sociedade libanesa também. Isso inclui quase a totalidade dos cristãos, que são cerca de um terço da população, quase a totalidade dos

os sunitas, que são mais um terço, tem os druzes, também condenaram. E mesmo entre os chiitas, o Nabil Berri, que eu citei agora há pouco, o presidente do parlamento condenou. E muitos chiitas também condenaram. Por quê? Porque eles querem que o Líbano se reconstrua e o Líbano não ganharia nada com esse ataque do Hezbollah. Pelo contrário, o que iria acontecer? Uma violenta escalada militar com Israel intensificando ainda mais os bombardeios. Começou pelo sul do Líbano, ordenando evacuação de dezenas de milhares

de pessoas do Líbano, e aí foi pra Dahri. A gente fala subúrbio de Beirute porque, de fato, é subúrbio de Beirute, mas é Guarulhos. Isto é, é um subúrbio cidade grande. O leste de Beirute é cristão, mais cristão grego-ortodoxo, tem armênios, tem cristão maronitas. O oeste é muçulmano-sunita, quer dizer, o leste é mais ali na parte montanhosa, o oeste ali na parte, numa parte em frente ao mar, que ali é a parte mais

que a gente vê das fotos de Beirute. Tem o centro de Beirute, que é a parte mais bonita, que daí é todo mundo. E o sul de Beirute, que também pega em frente o mar, mas para o sul são os chiitas. E ali moram cerca de 700 mil pessoas ou mais. E Israel deu a ordem para evacuação e começou a bombardear. Vários prédios já foram derrubados. Israel diz que transformará Dahye em Han Yunis. Han Yunis é a cidade de Gaza que Israel destruiu completamente.

e já iniciou os bombardeios. Mas qual que é o outro agravante? Além de bombardear o Líbano, destruir o Líbano, isso faz com que a população xiita tenha que ir para áreas cristãs e sunitas, Fernando. Isso gera uma tensão natural. Muitos recebem bens, escolas, hospitais e mesmo habitantes, a imensa maioria recebe bens, são ali conterrâneos, mas você há de convir que muitos não recebem bens. E também desses que acabam evacuando,

A imensa maioria são famílias, mas também tem ali figuras que são inclusive ligadas ao Hezbollah, o que acaba gerando tensão também, o que aumenta o medo de uma guerra civil no Líbano. Basicamente, Fernando, só para concluir, o Líbano foi sugado para uma guerra entre Israel e Irã, com seu aliado libanês, no caso o Hezbollah, que representa uma minoria dos libaneses. O que o Líbano queria era ser uma nação tranquila, mediterrânea,

com seus montes nevados, com seu vale do BK verdejante, sem problema com ninguém. Esse era o objetivo do país, mas infelizmente agora é palco de mais uma guerra. Agora, Guga, a gente já viu em outras guerras que envolveram Estados Unidos o fato de financiarem, de armarem grupos de oposição para tentar ganhar. E aí hoje se fala na possibilidade de curdos que fazem oposição ao regime iraniano entrarem nessa guerra com o apoio dos Estados Unidos.

por procuração. Isso é mesmo uma possibilidade? Aliás, quem são os curdos? Quem são eles nesta região? Bom, primeiro, só para explicar quem são os curdos, os curdos é um povo, é uma etnia, na sua maioria muçulmana são unidas, porque eles valorizam mais a etnia curda do que a religião em si, e eles estão espalhados especialmente pela Turquia, onde há o maior número de curdos que eles vivem nas áreas que antigamente eram majoritariamente armênias. Aliás, quando se fala de genocídio,

Armênia e muitos curdos, junto com os turcos, participaram do genocídio, viu, Fernando? Você sabe disso, que você acompanha bastante a questão Armênia, inclusive já esteve na Armênia país, mas você sabe, muitos armênias viviam no que hoje é a Turquia. Então tem muitos curdos na Turquia, tem curdos na Síria, justamente próximo à fronteira com a Turquia e à fronteira com o Iraque, tem curdos lá no norte do Iraque, chamado Kurdistão iraquiano, que é praticamente independente, tem uma enorme autonomia, e tem

também no Irã, na fronteira com o Iraque. No Irã, agora só explicando no Irã, no Irã os curdos são 10% da população e ficam concentrados nessa província do Kurdistão iraniano. Uma região montanhosa, como também as outras áreas onde há curdos no Iraque, na Turquia, em menor escala na Síria. Então eles vivem nessas áreas. A principal cidade é Sanandaj. Sanandaj fica a cerca de 500 quilômetros de Tehera. Teherã tem alguns curdos que vivem, mas é muito pouco.

São Teirão é uma cidade persa. E qual seria a estratégia americana? Armar os curdos para lutarem contra o regime. O que tende a acontecer, Fernando? Sim, os curdos, porque tem milícias curdas iranianas que estão baseadas no Kurdistão iraquiano. Elas tendem a entrar e combater o regime, mas nessa região curda do Irã, no Kurdistão iraniano. E talvez até consigam passar a controlar essa região.

menos como aconteceu na Síria. Na Síria, os curdos foram armados pelos Estados Unidos para combater o grupo Estado Islâmico, e os curdos acabaram controlando uma região ali na fronteira com o Iraque, também parte da fronteira com a Turquia, que eles chamavam de Rojava, essa região síria-curda. Porém, os curdos em nenhum momento ambicionaram ir tomar Alepo e Damasco, porque não são áreas curdas, não faz sentido para eles.

praticamente do tamanho de São Paulo, do tamanho do Rio de Janeiro, de população, 10, 15 milhões de habitantes, sendo que não tem curdo lá, quer dizer, chegar umas milícias, não é factível. Em segundo lugar, porque os persas iranianos, incluindo os da oposição, eles não querem que tenha o regime, a ditadura, isso eu estou falando dos da oposição, que a maioria não irá. Mas tampouco eles querem curdo, não é isso que eles querem. Eu acredito que, na melhor das hipóteses,

os curdos, eles conseguiriam controlar o Kurdistão iraniano e ter uma grande autonomia, que foi o que aconteceu com o Kurdistão iraquiano, que você deve se recordar, né? Primeiro com a Guerra do Golfo, embora os Estados Unidos tenham abandonado inicialmente, e como você lembra, tiveram aqueles massacres cometidos pelo regime do Estado de Hussein com armas químicas contra os curdos, depois os Estados Unidos estabeleceu aquela zona de exclusão aérea, daí teve a Guerra do Iraque, e os curdos têm uma autonomia muito grande lá em Irbil. É um país, na prática, né?

independentes, porque não é o melhor dos cenários para eles, por incrível que pareça, porque nesse caso, a relação boa, isso é outra coisa, que os curdos não são das mesmas correntes políticas. Os curdos da Turquia são mais de esquerda, os curdos do Irã também, os curdos da Síria também, mas os do Iraque são mais conservadores de direita. E eles têm uma boa relação com a Turquia, por incrível que pareça. Então, eles não ficam independentes porque a Turquia não veria com bons olhos

porque isso poderia incentivar os curdos da Turquia, que lá estão em um processo de paz nesse momento. Mas esse é o cenário. Eu acredito que sim, eles entrarão, mas tendem a se concentrar no Kurdistão iraniano. Por outro lado, isso pode, claro, gerar um efeito cascata, né? Mas eu acho que o mais provável é um cenário sírio, não só para os curdos, mas como para o Irã. Um cenário cada vez mais parecido com o da Síria, Fernando. Guga,

Quando a gente sabe sobre os ataques ao Irã, a gente viu que delegacias de polícia, ou centros de detenção, ou ainda escritórios da inteligência, além dos Basij, que é aquela milícia, a paisana, muito violenta, que é ligada à guarda revolucionária, muitas vezes estão ali, a paisana, e foi muito importante na repressão aos protestos que a gente viu no Irã, em Teheran. Esses estão sendo alvos. Isso é o quê? É uma estratégia?

Para que isso, Guga? Para enfraquecer, tentar enfraquecer todos os pilares do regime. Mas claro que pelos céus é muito difícil. Enfraquece, mas até o momento estão longe de conseguir derrubar. As manifestações que estão ocorrendo em Teherã são a favor do regime nesse momento. Os opositores não estão saindo às ruas. Pode ser que uma vez que tem um cessar-fogo, não dá para prever o futuro do Irã. Mas a estratégia seria essa, enfraquecer ao máximo o regime.

Claro que o regime já estava preparado para isso. Eles não estão ali esperando, ficando ali nas delegacias esperando ser bombardeados. Eles, com certeza, estão se reunindo em outros lugares, agindo de outras formas, com certeza. No caso dos Bacigi, é até mais complexo, porque os Bacigi é que nem aqueles caras, na época que a gente vê em filme na ditadura brasileira, durante o regime militar, aqueles caras no Corcel. Exato, boa comparação. É aquilo que vai ali.

muito como saber quem é, os Bassige estão ali, estão ali, o cara tá de calça jeans e camiseta velha do Manchester United, sabe, assim, como que você vai saber, né, é um moletom de ginástica, sabe, uma coisa, jaqueta de cor, não tem como saber, eles não estão uniformizados, eles não ficam falando, ah, é Bassige, eles sabem quem é quem, mas não tem quem de fora, claro, quem tá lá no Irã, experiente, sabe, né, mas

do céu, do avião. Não dá pra saber. Não tem como saber, até porque não tem como você matar só os Basigi, né? Basigi que fala, né? Porque eles estão no meio da população, então você vai matar outros outros. Com certeza estão morrendo civis. Mas a estratégia é essa, é bombardear o máximo possível o regime iraniano pra deixá-lo fraco. E se possível ser derrubado ou se possível o Irã virar um estado desfuncional como a Síria. Ficou, agora já não é tanto,

muito tempo, na Guerra Civil, o Iraque também. Essa é a estratégia de Israel. Então, basicamente, destruir o Estado iraniano dos Estados Unidos, talvez seja mudança de regime, mas ter um regime aliado ou mais estável no Irã que não ameaça os outros. Mas não quer o caos total, porque o caos total impacta para os países do Gol, em primeiro lugar. Esses países são impactados. Israel pode não ser, mas esses países são. Em segundo lugar, pelo movimento.

Fernando, se continuar essa guerra, os sírios, o que aconteceu? Eles não foram fazer mais manifestação para derrubar o Assad. O que os sírios fizeram? Foram embora. Foram embora. E daí começa esse movimento migratório. E para onde vão os iranianos? Vão para a Europa. Então, esse vai ser um impacto que, quanto mais se prolongar a guerra, mais vai acontecer. Por que não teve isso no Iraque? Isso é muito importante, Fernando.

migratório em direção à Europa. Isso é uma coisa que pouco se fala, mas o motivo é o seguinte, a Síria abriu as portas para cerca de 2 milhões de iraquianos e o Irã também. Então os iraquianos puderam fugir para a Síria e para o Irã. Na Síria, eu tenho mil críticas do regime do assédio, os maiores criminosos contra a humanidade do século XXI, mas durante a guerra do Iraque eles ofereceram educação e saúde para todos os iraquianos.

que fossem em direção à Síria. A Jordânia também recebeu muitos, então os países da região conseguiram receber. No caso do Irã, isso não vai acontecer. Então, assim, talvez um grupo, haja um fluxo para a Turquia e Iraque, mas a Turquia não vai aceitar muito e vai, claro, fazer o corredor para eles irem em direção à Europa. Nem os tiranianos vão querer ficar nesses lugares, especialmente no Iraque. Então, isso pode ocorrer mais para frente e ficar daí aquela coisa desfuncional, com um monte de milícia,

espalhada pelo Irã, guerriano, porque tem muita arma. Então, assim, milícias ligadas a guardas revolucionárias, milícias da oposição, milícias étnicas, que nem os curdos. Isso pode acontecer. É um cenário possível nesse momento. Outro cenário é o regime conseguir sobreviver e ficar mais radical ainda. E o outro cenário é o regime cair e, de alguma forma, manter a estabilidade e assumir um outro regime

regime mais estável. A democracia é muito improvável, mas pode ser uma hipótese. Mas sempre lembrando, Fernando, só pra concluir, no Iraque, os Estados Unidos não dominavam só o espaço aéreo, dominavam todo o espaço terrestre. Você lembra, eles dominaram toda a Zona Verde, o Palácio da República Republicana, lá do Saddam Hussein, onde ficava o Saddam Hussein, ficou ocupado. Os Estados Unidos ocuparam todo o Iraque. Inclusive, passaram a administrar o Iraque. Você lembra disso? E nem assim deu certo. Isso pra não esquecer o exemplo de

em Gaza, que destruiu completamente Gaza, matou 70 mil pessoas no mínimo e não conseguiu derrubar o Hamas. Guga, uma última questão sobre Donald Trump. Você falou sobre regime. Nesta quinta-feira, ele falou que gostaria de participar, quer participar da sucessão do Ayatollah no Irã. Há pouco publicou uma informação de que não haverá acordo com o Irã, exceto rendição incondicional. E ainda arruma tempo para fazer agenda com o Messi, para falar de futebol,

Que cenário é esse, Guga? Esse é o Trump, Fernando. Ele não tem nenhuma estratégia. O que falam é que ele vai decidindo tudo em cima da hora. Quer dizer, num momento ele fala que não vai ter, que exija a rendição total, a capitulação total do Irã. Logo depois de ter falado que estava dialogando para fazer um acordo com os iraninos, não dá para... Ele não tem estratégia nenhuma para essa guerra porque ele imaginou que haveria o ataque de decapitação

e que quem quer que assumisse o poder, vamos supor o Alí Larijani, que na prática é quem comanda o regime iraniano hoje, iria capitular e fazer um acordo com o Andeucy Rodrigues. Era isso que o Trump imaginava, Fernando. Não era nada diferente disso. No máximo, uma resposta calibrada naquele esquema de junho do ano passado. Errou completamente. Agora a gente vê essa guerra atingindo todos os países da região.

Arial Palacios, bem-vindo, Ariel. Tudo bem?

Como está, Fernando, Gustavo? Tudo bem, ouvintes? Ariel, a gente vai falar sobre Colômbia, porque teremos eleições para um novo Congresso e três candidatos presidenciais que vão disputar as eleições em maio. Tem de tudo nessa eleição, né? Tem até inteligência artificial. Bom, mas vamos lá, tem muita gente também disputando. Qual que é o cenário? Bom, o cenário é de eleger deputados e senadores.

que seja totalmente desvinculado em vários meses antes da eleição presidencial na região, ou seja, a eleição é agora, este domingo, e os colombianos voltam às urnas 31 de maio para o primeiro turno. Então, quer dizer que o parlamento vai estar totalmente definido para quando o novo presidente, quando os colombianos definirem quem será o novo presidente. Então, saberão quem terá chances de ter maioria parlamentar ou quem pode negociar, enfim.

Todo o mapa parlamentar e legislativo vai estar definido previamente, o que pode condicionar as eleições de maio, as presidenciais, ou pode tornar mais interessantes o embate para as eleições. E o que a peculiaridade das eleições desta vez, deste domingo, é que entre todos os candidatos a deputados e senadores, um deles, uma deles, não é de carne e osso, uma candidata de inteligência artificial, Fernando.

chegou à inteligência artificial. Não só, como estamos acostumados com imagens, vídeos falsos, de políticos dizendo coisas que nunca falaram, ou fazendo coisas que nunca fizeram, mas de ser uma candidata, exatamente uma candidata de inteligência artificial. E é uma reviravolta na política mundial, porque de acordo com esta proposta,

seria como que existisse um político que é candidato a uma eleição e que só apoia tudo aquilo que seus eleitores realmente querem e lhe pedem. Então, ela faz tudo o que os eleitores querem. Quer dizer, um político que faça o que os eleitores pediram ou querem ou cumprem aquilo que prometeu são raridades. Então, neste caso, seria isso, porque essa candidata de inteligência artificial submeteria cada decisão que ela tivesse que tomar no parlamento

a uma votação entre seus eleitores. Então, digamos, que ela seja eleita e que tome posse depois no segundo semestre deste ano e que apresente um projeto de lei, mas que esse projeto de lei passe antes pelo crivo de seus eleitores, passe pelo crivo de uma votação online. Isso aí foi aprovado, Ariel? Foi passando e o criador dessa... Não há uma regulação sobre isso. Então, quer dizer, é possível. O nome dessa candidata é Gaitana. Isso.

se define como o primeiro movimento político 100% gerado com inteligência artificial que nasceu na Colômbia, ou seja, a realidade já ultrapassa a ficção. Ela promete trabalhar em favor do povo por intermédio, que ela chama de soberania tecnológica comunitária, ou seja, como disse, as votações em um aplicativo, aí a cidadania decide como ela deve votar em um projeto de lei, se contra, se a favor, se ela se abstém, porque também está essa possibilidade, que ideias ela tem que defender no plenário,

que ideias ela tem que ser contra, e a Gaitana, essa candidata de IA, faz a seguinte pergunta, abre aspas, você confiaria mais em alguém que promete, depois te trai, ou em uma inteligência artificial que decide junto com você? Fecha aspas, essa é a pergunta que ela faz. Então, quer dizer, no dia das eleições, aí temos a anuância, no dia das eleições, os votos marcas nas cédulas não irão realmente para a Gaitana, essa candidata de IA, que parece uma personagem de avatar azulado,

É uma espécie de indígena colombiana, mas azulada. Esses votos serão destinados a candidatos reais ao Senado e à Câmara Indígena, que é uma socióloga para a Câmara e um engenheiro criador dessa interface para o Senado. Ambos são de carne e osso, mas eles representariam a Gaitana, digamos assim. Eles são as pessoas vivas, que podem ser eleitas de acordo com a lei, mas a lei não impede que eles representem uma inteligência

artificial e que eles definam o seu comportamento político de acordo com o que os eleitores decidam minuto a minuto. Como disse antes, é uma eleição que será muito antes do primeiro turno, marcado para o dia 31 de maio. Isso vai dar o tom que o resto da campanha terá até maio. O Congresso colombiano possui 286 cadeiras, algumas reservadas a minorias étnicas, como as comunidades indígenas. Então, por isso, é esse espaço que projetos como o de Gaitana, a inteligência artificial,

colombiana tentam conquistar. Fernando. Só uma dúvida, tem dois candidatos, que é um que é apoiado pelo Gustavo Petro, que é o Ivan Cepeda, e o outro que é da direita, que é a Berlardo de la Esprilha. Eles não aparecem agora, só vão entrar depois, lá em maio? Exatamente, porque alguns candidatos presidenciais já estão definidos previamente, e outros candidatos presidenciais vão passar por uma consulta popular,

Nesta eleição, é uma espécie disso, uma espécie de primárias que serão feitas, em alguns casos, em alguns grupos políticos que não conseguiram definir um candidato só. Então, estão ali numa disputa de dois candidatos, por exemplo. Então, que o eleitor, o simpatizante desse partido vai definir nas urnas quaisquer. Então, um mix, uma espécie de, junto com as eleições para deputado e senador, tem essa consulta popular

ver quem será candidato de determinados partidos e outros partidos que não participam disso porque já definiram os seus candidatos. Nesse caso é definir entre dois pré-candidatos quem será, por exemplo, o candidato de um partido. Perfeito. Ariel, agora sobre Cuba, mais uma vez, a crise energética na ilha. Nessa semana tivemos mais um apagão. Qual que é a situação por lá? É uma situação complexa porque Cuba está sofrendo esses apagões há vários anos, mas isso tem

gravado de uma forma bestial nos últimos tempos, com apagões, às vezes, diários de 12 horas de duração em várias áreas. Então, muitas pessoas já não falam quanto tempo dura o apagão, quanto tempo dura a eletricidade, o fornecimento de eletricidade. Foram dois dias, a maior parte da ilha ficou sem energia elétrica, dois terços da ilha foi assolada por isso, 70% dos cubanos, mais que dois terços,

inclusive a capital, Havana, afetou 10 das 15 províncias cubanas, desde Camagüey, que está no leste, até Pinal de Rio, que está no extremo oeste. É a quinta queda parcial do sistema elétrico em menos de seis meses. É um retrato do estado frágil da infraestrutura energética de Cuba. Durante os últimos 20 anos, as termoelétricas cubanas recebiam petróleo a preços simbólicos da Venezuela, até era petróleo praticamente de presente. O fornecimento da Venezuela para Cuba equivalia a 80% das necessidades

necessidades cubanas. Só que nos últimos anos esse fornecimento começou a encolher porque, apesar da aliança Venezuela-Cuba, a produção venezuelana foi caindo, foi caindo, foi caindo e Maduro foi tendo menos petróleo para mandar para Cuba. Então, Cuba já estava com apagões por causa dessa redução do petróleo cubano. Há um fator importante a destacar. Quase 90% da produção elétrica cubana provém de termoelétricas. Dos tempos soviéticos,

Então, Cuba não é um país de hidrelétricas como o Brasil. Então, sem petróleo, eles ficam sem como botar as coisas em funcionamento, mas além do transporte. Então, é uma situação que foi ficando cada vez mais, não só mais catastrófica, agora já é cataclísmica. E tudo isso o governo Trump pressionando de forma petrolífera a ilha de Cuba. O governo cubano nunca planejou fazer fontes alternativas de energia.

está colocando painéis solares em várias regiões, mas isso até que comece a funcionar, até que isso comece a crescer, isso vai levar tempo. E tudo isso acontece dentro desse momento de pressões de Trump sobre o regime, com a economia que está em frangalhos. Nos últimos seis anos o PIB cubano caiu cerca de 15%. Mas desde 2010, aí é um ponto interessante relativo a esta semana. Em 2010, o regime, já com Raul Castro no comando, o Fidal estava doente, abriu a economia para microempresários.

E atualmente esses microempresários são 9.900 empresas privadas. Cuba já não é, rigorosamente falando, um país comunista para trauma de militantes da esquerda e para trauma maior ainda de militantes da extrema direita que não concebem não aplicar esse termo à ilha. Mas sim, não é mais. 30% dos trabalhadores cubanos trabalham para iniciativa privada para essas micro, pequenas empresas. Em 2021, Raul Castro permitiu que essas empresas começassem a contratar até 100 empresas

é capitalismo, mas o regime chama isso com oofemismo de atualização do socialismo. E, surfando nesses novos tempos, nesta semana, o regime autorizou que empresas particulares façam associações com empresas estatais para a criação de sociedades anônimas. Todos os âmbitos serão permitidos, exceto nas áreas de educação, saúde e defesa. Fernando. Tá certo. Ariel, muito obrigado mais uma vez e até a próxima. Muito obrigado, Fernando, Gustavo, ouvintes. Bom fim de semana.

passou mais uma vez. Força aí, bom trabalho e até a próxima, Guga. Abraço, Fernando. Abraço, Ariel. Abraço, ouvintes. Trabalhos técnicos aqui no Mundo em Meia Hora de Daniel Mesquita e Juliana Fonseca. Edição de Ellen Menezes. Até a próxima edição.

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