Irã contra EUA e Israel: o status da guerra
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- Relacoes EUA-IraEscalação do conflito · Duração prolongada da guerra · Estratégia militar iraniana · Resposta do Irã aos ataques americanos · Comparação com expectativas iniciais
- Geopolítica EnergéticaEstratégia iraniana · Impacto no preço do petróleo · Consequências para economia internacional · Pressão nos países do Golfo · Arma econômica do Irã
- Mediação InternacionalExperiência militar · Estrutura de poder · Componente religioso · Sucessão de lideranças · História de conflitos armados
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- Expectativas iniciais de guerra rápidaComparação com cenário Venezuela · Erro de cálculo americano · Captura de Maduro como modelo · Realidade versus planejamento · Escalação inesperada
- Atuação de Lucia na políticaDesaprovação da população americana · Comparação com guerra no Iraque · Falta de estratégia clara · Questionamento do custo da guerra · Apoio limitado do Congresso
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- Conflito EUA-IrãAtentado à embaixada em 1992 · Atentado à AMIA em 1994 · Acusações contra governo iraniano · Responsabilidade do Hezbollah · Vítimas e danos
- Crise Política na VenezuelaAumento do preço do petróleo · Remoção de restrições por Trump · Aumento de receitas · Pressão inflacionária interna · Oportunidade econômica
Olá, sou Fernando Andrade, seja bem-vindo ao Mundo e Meia Hora. Nesta edição eu converso no primeiro bloco com Guga Shaka, diretamente de Nova Iorque. Ele descreve o momento dessa guerra e também o impacto da entrada do Hezbollah no conflito. Ou seja, o Líbano foi mais uma vez sugado para uma guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel. E também o que pode ter dado errado, porque era para ser uma guerra rápida, mas agora a guerra se espalha e se estende, fala-se em quatro, cinco semanas.
Como é que o Irã usa o Estreito de Hormuz como uma arma? Aí no segundo bloco, com Ariel Palasso, diretamente de Buenos Aires, a gente vai falar sobre as diferenças entre os cenários que envolveram Venezuela e Estados Unidos e agora Irã e Estados Unidos. Também as reações dos governos na América Latina e os impactos econômicos por aqui. Olá, Guga. Bem-vindo mais uma vez. Tudo bem? Oi, Fernando. Oi, Ariel. Oi, ouvintes. Guga, esse é o quarto dia de guerra e o Líbano, por causa do Hezbollah,
também está sendo duramente atacado. Fala-se até numa incursão maior por terra no sul do Líbano. Em que momento nós estamos e qual que é o risco disso aumentar, Guga? Bom, primeiro é importante frisar que havia um frágil cessar-fogo no sul do Líbano desde novembro de 2024. E o que previa esse cessar-fogo? Esse cessar-fogo previa, em primeiro lugar, que o Hezbollah não atacasse Israel
o Líbano. Previa também que Israel se retirasse de cinco pontos que o país ocupava no território libanês. E o país e o Líbano tinha como obrigação desarmar o Hezbollah e exercer sua soberania sobre o sul do território libanês. Isso em novembro de 2024. Em 2025, assumiu um governo no Líbano muito respeitado internacionalmente. O primeiro-ministro, Nawaf Salam, muçulmano sunita,
manda o consenso libanês, era o presidente da Corte Internacional de Haia, Fernando. O presidente José Faun, um cristão maronita, como determina o consenso libanês, havia sido comandante das Forças Armadas do Líbano, com enorme popularidade no país e também com muito boas relações, tanto no mundo árabe como também no Ocidente. E eles passaram a implementar essa política de desarmar
Hezbollah. Israel sempre criticou a velocidade desse desarmamento, dizendo que era muito lenta. O argumento do governo libanês é que eles faziam de uma forma negociada, estavam avançando e que o objetivo era desarmar o Hezbollah ao mesmo tempo que evitava uma nova guerra civil no Líbano. O Líbano é um país multissectário, com expressivas populações cristãs de diferentes denominações, populações muçulmanas-sunitas, drusos e muçulmanas-tiítas. E o Hezbollah tem uma base de apoio
entre uma parcela relevante dos chiitas, embora a maior parte da sociedade libanesa não concorde com as ações militares do grupo. Durante esse período, o Hezbollah não realizou nenhum ataque contra Israel. Israel violou, segundo a UNIFIL, que são as forças de paz da ONU no sul do Líbano, 15 mil vezes o cessar-fogo. Repito, Fernando, 15 mil vezes. E centenas de libaneses foram mortos nesses bombardeios israelenses ao Líbano
durante o cessar-fogo. Quando Israel iniciou a operação contra o Irã, ao lado dos Estados Unidos, no fim de semana, Israel bombardeou ainda mais o Líbano. No domingo, o Hezbollah, domingo para segunda-feira, o Hezbollah iniciou, realizou sua primeira ação contra Israel. Essa ação foi duramente condenada pelo governo libanês. Israel acabou intensificando as suas operações no Líbano como uma forma de revide a essa ação do Hezbollah,
Daria, que é o subúrbio ao sul de Beirute, que a gente falou muito ao longo daquela guerra em 2024, que é uma região densamente povoada. Então, só para entender, o governo do Líbano, o primeiro-ministro da Ossalana, o presidente Josefa I, são duros críticos do Hezbollah e também de Israel. Eles não querem que o Líbano seja sugado para uma guerra entre Irã e Israel, argumentando que o Hezbollah segue os interesses iranianos e que Israel, por sua vez,
respeita a soberania libanesa. O que eles querem é um Líbano pacífico e com o exército exercendo sua soberania em todo o território libanês. Lembrando que comandante das Forças Armadas Libanesas é o general Rodolfo Hayek, também um cristão maronita. Guga, vamos lembrar que Donald Trump foi eleito dizendo que não entraria em guerras intermináveis. No sábado, logo no início dos ataques, ele foi a público e incentivou a população iraniana a ir para as ruas para tentar tomar o poder.
como com a guarda revolucionária do Irã, lá ainda de pé. O que pode ter dado errado? Porque era para ser rápido, mas agora fala-se numa duração de quatro ou cinco semanas, ou então até o tempo que for necessário. O que pode ter dado errado nesse planejamento, se é que houve aí um planejamento? Olha, Fernando, o Trump imaginou que essa guerra seria simples. Ele estava empoderado, ele levou em consideração ações que ele realizou contra o Irã, tanto no primeiro mandato, como aquela ação para matar,
o Qasem Soleimani, comandante das Forças Al-Quds das Guardas Revolucionárias, que até gerou uma resposta bem calibrada do Irã via milícias xiítas ali dentro do Iraque. Afinal, o Soleimani havia sido morto no Iraque. E também aqueles bombardeios em junho, quando os Estados Unidos alvejou instalações nucleares iranianas como a usina de fordo. O Irã respondeu de forma calibrada, avisando que lançaria alguns mísseis ou drones contra a base norte-americana de Al-Udeid,
Dessa vez foi diferente. O Trump foi alertado sobre isso, porque seria uma guerra, e é uma guerra, de sobrevivência para o Irã. Então o Irã decidiu escalar, elevando muitos custos para o governo americano. Não só com as baixas militares americanas, que são seis nesse momento, mas atingindo interesses americanos em países do Golfo Pérsico e também esses países do próprio Golfo, para levá-los a pressionar o Trump para encerrar o conflito.
fechando ali, ameaçando fechar o Estreito de Hormuz com impacto no preço do petróleo internacional na economia internacional. Então, o Trump acabou errando na previsão do que ele imaginava pela guerra. Talvez ele tenha imaginado que seria algo parecido com a Venezuela, onde ele capturou Maduro e o governo rapidamente capitulou. A ditadura chavista na Venezuela capitulou e passou a trabalhar com os Estados Unidos. Talvez ele tenha imaginado que, matando Hitler, o regime cairia ou se curvaria a ele.
Pelo menos até agora, pelo contrário, o regime iraniano decidiu escalar a situação. Agora, Guga, o Irã, além de bombardear Israel e países do Golfo, como Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Bahrein, o Kuwait, países que possuem bases americanas, o Irã também fechou o Estreito de Hormuz. E aí pega num ponto importante que é o petróleo. Quanto mais tempo fechado, pior para os países da região.
Irã. Para os Estados Unidos seria bom, então, uma guerra rápida, mas para o Irã estender esse fechamento do Estreito de Hormuz também é algo estratégico. Eu queria que você avaliasse esse ponto. Como é que fica? Oi, Fernando. Então, como eu falei na outra pergunta, para o Irã, o fechamento do Estreito de Hormuz eleva os custos para o Trump nessa guerra. Por quê? Porque impacta no preço do petróleo internacional, acaba impactando, pode vir a impactar se isso persistir para um período longo na inflação nos Estados Unidos,
que está também nos países do Golfo Pérsico. Aliás, é importante frisar que essas nações do Golfo Pérsico, muitas delas são bem pequenas, são nações ricas, mas muito pequenas, e que tiveram independência recentemente. O Kuwait ficou independente em 1961. Ali tem a monarquia al-Saba, e é um país muito próximo aos Estados Unidos, porque os Estados Unidos salvar próximos geopoliticamente. Porque os Estados Unidos salvaram o Kuwait depois da ocupação do Saddam, ali no início dos anos 90, que culminou,
na Guerra do Golfo. Bahrein tem sua particularidade também. Bahrein é uma ilha, é um país muito pequeno, capital Mananá, e que é o único país que a maioria da população, ali dos países da parte árabe do Golfo, que a maioria da população é chiita, embora a monarquia dos Al-Khalifa seja sunita. Então, o que gera mais instabilidade. Você também tem os Emirados Árabes, que daí é um país que nós brasileiros já conhecemos mais.
Então, que ali tem Dubai, Abu Dhabi, que é um grande polo turístico, polo comercial também, de serviços, importantes portos pelo mundo, impacto, especialmente Abu Dhabi, um grande produtor de petróleo. E você tem também o Qatar. O Qatar, que é um país que gire bacias de petróleo com o Irã, tem uma sua própria política, uma política externa muito particular do Qatar, que embora seja um grande aliado do governo Trump,
adota uma posição muito favorável aos palestinos, com uma boa relação com o Hamas. Então você tem essa particularidade, a Arábia Saudita, que é o grande país da região que havia se reaproximado do Irã desde alguns anos atrás, quando a China mediou a reaproximação dos outros países, restabeleceram relações diplomáticas. Aliás, a relação que andava ruim era entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes nos últimos tempos.
Olha, Fernando, o Trump, diferentemente do Bush, quando começou a guerra do Iraque, o Bush contava com um grande apoio da população americana. Naquela época, você deve se recordar, os jornalistas com aquelas bandeirinhas, brochas com bandeirinhas, com a bandeira americana. Aqui, um apoio de mais de 80% da população para o ataque.
do Congresso americano. E mesmo assim, diante do fiasco, que acabou sendo aquela guerra no longo prazo, ele viu como a imagem dele ficou destruída pra sempre. Até hoje, o Bush é visto não só como um criminoso de guerra no Iraque, mas também sempre citado como um fiasco. Aquele conflito, como eram centenas de milhares de iraquianos, 4 mil militares dos Estados Unidos, levou ao surgimento do Grupo Estado Islâmico, enfim, a gente sempre sabe daquela história. O Trump já entra na guerra,
sem ter consultado o Congresso e com apoio pequeno, como mostra essa pesquisa da Reuters, ao conflito. Muitos americanos enxergando, tanto na esquerda quanto na ala direita do MAGA, figuras como Tucker Carlson, Megan Kelly, avaliando que essa é uma guerra do interesse de Israel, mas não necessariamente do interesse dos Estados Unidos. Se fosse algo rápido, como foi a Venezuela, aí o Trump sairia com um discurso vencedor, mas já não é o que ocorre.
Então já não teria valido a pena. Então o Trump claramente vai ser cada vez mais questionado sobre esse conflito, especialmente porque ele demonstra não ter muita estratégia.
algo como na Venezuela. Uma incursão rápida, a decapitação do líder, no caso da Venezuela foi a prisão do líder, só que não está sendo bem assim. Vamos lembrar que Venezuela não é Irã, mas dá para a gente fazer uma relação sobre esses dois casos, Ariel? É pouquíssimo que pode se fazer em relação a uma comparação mais além do petróleo. É difícil fazer uma comparação disso.
explicar por quais motivos há mais diferenças do que semelhanças entre o caso de uma derrubada de um líder no Irã e na Venezuela e a troca desse comando por alguém que poderia ser obediente ao governo Trump, tal como está acontecendo na Venezuela, onde Délice Rodrigues, a nova autocrata interina do país,
amigo e sócio. Então olha só como a mudança de discurso que havia até pouco tempo atrás, nos últimos 26 anos de chavismo. Então, quais são as grandes diferenças que existem em Venezuela e Irã atualmente? Primeiro, podemos dizer que as suas armadas, o exército iraniano é tremendamente melhor treinado do que o venezuelano e possui uma experiência prática que a Venezuela não tem. Porque a última vez que o exército venezuelano participou de uma guerra, foi a Guerra dos Mil Dias, que terminou em
1901 e foi uma guerra na qual a Venezuela apoiou um lado de uma guerra civil colombiana. Essa foi a última vez que os venezuelanos tiveram uma experiência em campo de batalha, Fernando. Faz uma eternidade. O Irã, só para citar desde 1979, quando a Revolução Iraniana chegou ao poder, já passou por 25 guerras. Guerras, rebeliões, repressão a guerrilhas, repressão a grupos étnicos. Estou falando assim, tudo de assuntos armados, não é?
participação em conflitos bélicos de terceiros países, terrorismo na vizinhança e fora da vizinhança. Então, quer dizer, o exército iraniano, as forças armadas iranianas, possuem uma experiência que a Venezuela não tem de forma alguma. De forma alguma. E levemos em conta que são grupos também radicais muçulmanos, em guerras convencionais, em guerrilhas. Enfim, no caso de grupos terroristas que o Irã,
respalda na região do Oriente Médio, que não são grupos iranianos, mas que o Irã respalda, a Venezuela não possui com grupos terroristas que possam fazer ataques aos inimigos de Caracas. Então, é um cenário totalmente diferente, já com essa parte ali do exército, da capacidade bélica. No que concerne a cúpula do poder, o Hugo Chávez era o caudilho único. Quando morreu, foi substituído por Nicolás Maduro.
nem esse lado teocrático que o Irã tem, nem o lado... É como se fosse uma espécie de... Não é um colegiado, mas algo que tende a ser compartilhado por vários setores de poder dentro do Irã e que administraram o país ao longo destes últimos 46 anos. É muito tempo.
com todo um mecanismo de sucessões predeterminadas. Está tudo muito bem azeitado, está muito bem pensado, está muito bem previsto, independentemente das tensões internas que possam ocorrer. É algo que está muito bem definido. Na Venezuela, na contramão, por exemplo, a Venezuela, quando um presidente, por fraude ou não, é eleito, não existe a chapa de presidente vice.
poder e aí ele designa quem vai ser o vice-presidente dele. Inclusive ele pode trocar de vice três vezes durante seu mandato. Então, é outro esquema totalmente diferente do que é o do Irã. Então, remover alguém, o caudilhão na Venezuela e colocar outra pessoa no poder é um esquema muito mais simples do que no Irã. Aí temos a questão do fanatismo religioso. A Revolução Iraniana tem um componente fundamental desse
Frenesi religioso, porque é uma teocracia. As leis dos livros sagrados valem mais do que as leis do mundo real. E esse frenesi religioso leva adesão aos regimes. Isso em qualquer parte do planeta, com qualquer religião que seja... Sempre existem radicais em todas as religiões. É difícil alguma religião que não tenha os seus radicais. Então sempre é possível ter alguém desejando morrer pela fé. A gente já viu isso ao longo da história do mundo em várias ocasiões.
religiosas abundam na história mundial, no ocidente e no oriente. Então, isso faz com que haja uma adesão à Revolução Iraniana que a Revolução Bolivariana na Venezuela nunca teve. Por mais que haja um culto à figura do presidente Hugo Chávez, é muito diferente de um frenesi religioso, por alguém, uma entidade invisível, que você não toca, que você não conversa inteiramente,
como era Hugo Chávez falando todo dia. Enfim, é outro esquema totalmente diferente. E há outro quesito a democracia. Nunca houve democracia no Irã de forma real. É um sistema teocrático, logo, isso não é democracia em qualquer parte do planeta. A Venezuela viveu na democracia na maior parte do seu tempo da história moderna. A coisa virou uma ditadura quando Maduro, eleito em 2013, três anos depois, começou a governar como ditador, quer dizer, a partir de 2016. Então é outro, isso quer dizer, há dez anos.
que a Venezuela vive uma ditadura, teve uma democracia que estava meio capenga nos anos prévios, mas na maior parte do tempo é outra situação. Porque antes disso, antes da Revolução, era o Shah Reza Parlevi, que era um ditador, a monarquia era um ditador, era um modernizador dos costumes, da cultura, ainda mais era um ditador. Perdão, você ia dizer o que? São dois mundos completamente diferentes. São dois mundos completamente diferentes. O ponto em comum é o petróleo, mas mesmo assim,
São dois mundos diferentes. E aí tem a questão da figura do inimigo. O Irã e os Estados Unidos se tornaram inimigos a partir de 79, há 46 anos. Perdão, 47 anos agora. No meio disso, ataques terroristas iranianos, ataques militares e ações encobertas americanas da CIA, bombardeios, uma troca de tiroteios, de sopapos, que nunca haviam alcançado o ponto que está tendo neste momento,
houve um clima para lá de tenso, com cardenais bofetadas. Então, nos últimos 46 anos, os Estados Unidos é inimigo do Irã e vice-versa. No caso da Venezuela, a Venezuela foi aliada aos Estados Unidos durante todo o tempo. Só a partir de 99 começou a ter um discurso duro com os Estados Unidos, até de xingamentos com os Estados Unidos, mas que nunca passou, nunca saiu da esfera do discurso. A Venezuela continuava vendendo petróleo para os Estados Unidos.
Então, xingava o imperialismo americano e vendia petróleo para o imperialismo yanque. Esses paradoxos que às vezes acontecem na região. Então, quer dizer, nos últimos tempos, a derrubada de Maduro, o bombardeio de Caracas, esse evento militar que foi um dia, foi o único ponto de conflito bélico que houve entre os dois. E diria até entre os dois uma forma de falar, porque a Venezuela não revidou. As forças armadas venezuelanas ficaram totalmente quietas, o que é muito estranho nesse contexto ali da guerra.
queda, do dia da queda Maduro no início deste ano. Então, é um esquema de relação de inimigos totalmente diferente do que existia com a Venezuela. O caso de Irã é um caso muito, muito, muito particular. Adiel, queria te ouvir agora sobre as reações aqui na região, em especial na Argentina, porque tem uma questão ligada ao atentado contra a AMIA em 1994. Como é que foram?
semana, houve uma reação imediata em toda a região. Na Argentina existe uma tensão especial sobre o Irã há muitos anos, porque desde em 1992 foi o atentado contra a Embaixada de Israel em Buenos Aires. Aqui pertinho, no centro, há duas quadras da Embaixada do Brasil, na Rua Arroja. Depois, em 1994, foi o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina Amia, no bairro do Onze. Bairro de Balvanera, uma subdivisão chamada Onze, desse bairro.
onde morreram 85 pessoas, no atentado anterior contra a embaixada, 29 pessoas, além de 200 feridos no primeiro ataque e 300 feridos e mutilados no segundo ataque. A justiça argentina considerou e jogou a rebelia os integrantes do governo iraniano da época e do Hezbollah, e uma das pessoas culpadas, o que agora, com o bombardeio americano e a morte de parte da cúpula iraniana, colocaram várias pessoas em cargos,
várias novas pessoas em cargos, que ficaram vazios por causa das mortes no bombardeio, e o novo chefe da guarda, o novo comandante em chefe da guarda revolucionária islâmica é Ahmad Wahid, que foi o chefe das forças Quds, é uma figura importante dentro das forças de segurança do Irã, e que é um dos acusados de terem participado da organização do atentado contra a Âmia em 94. Na Argentina, como também está a maior comunidade judaica da América Latina,
nas fronteiras, reforçou a segurança na área onde estão sinagogas, escolas e clubes da comunidade judaica, a maior comunidade da América Latina. Então isso é uma reação que se esperava que acontecesse na Argentina. Em Cuba, por exemplo, o autocrata Miguel Dias Canel, que teve sempre uma boa relação com o Irã, declarou que os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã neste sábado, eles disseram, abre aspas,
regional e internacional, fecha aspas. Na Venezuela, que tinha uma excelente relação com o Irã, um dos grandes aliados da Venezuela era o Irã. O regime de Délice Rodrigues lamentou o ataque dos Estados Unidos do Irã, mas também criticou os ataques que o Irã lançou contra ovos em todo o Oriente Médio. Isso é uma guinada na diplomacia chavista impressionante, porque durante um quarto de século houve um alinhamento total com o regime dos Ayatollahs, total. Nunca havia uma crítica de forma alguma.
presidente Claudia Sheinbaum, no México, declarou que estava preocupada, fez um apelo para que os países evitem o uso da força e recorram à via diplomática para que a situação não fique pior ainda. E agora, Ariel, os efeitos econômicos dessa guerra, todo mundo pensando no petróleo, uma grande preocupação com o fechamento do Estreito de Hormuz. O que fala por aqui? Aqui há uma preocupação, porque, primeiro, quando acontece um cenário de guerra ou de alta tensão geopolítica,
investidores globais, eles tendem a entrar em mode flight to quality, voar para a qualidade, quer dizer, retirar os recursos dos mercados emergentes e migrar para os ativos que eles considerem inseguros. Então, como por exemplo, vende, tem os bônus da dívida pública argentina e compra títulos do tesouro americano ou compra um ouro. Então, isso vai complicar vários países endividados, como o caso da Argentina, da Bolívia, por exemplo, eles tendem a ficar mais frágeis, porque são dependentes
financiamento externo. E numa circunstância assim, o financiamento externo fica mais raro, mais escasso, mais raro. Todo mundo segura, todo mundo fica em stand-by, em compasso de espera. O presidente Milley, como eu comentei, deu seu respaldo total a Trump, que é ídolo de Milley, mas ter Trump como ídolo, nesse caso, causa problemas para a Argentina, porque poderiam faltar créditos para o país. Aí existe outro impacto, que é impacto energético, porque o Irã,
ator relevante no mercado mundial de petróleo, acontece um bloqueio no Estreito do Hermoso, tal como o próprio Ian declarou, passam por ali 20% do petróleo mundial, quer dizer, os preços do barril de petróleo já estão subindo e tendem a subir mais ainda. Então, para países que dependem da importação de petróleo, como o Chile, o Peru, ou muitos países da América Central que não têm petróleo, isso pressiona a inflação. Então, eles vão comprar petróleo mais caro, isso vai encarecer o transporte,
vai aumentar o preço dos produtos que estão transportando, que vai aí desde papel higiênico, camisetas, trigo, minério de ferro, tudo tende a aumentar. Então isso complica a arrecadação, complica o balanço das contas externas, complica tudo. Agora, os exportadores de petróleo como México, Colômbia e Venezuela, a curto prazo, poderiam ser beneficiados, porque eles estão fora da região em conflito,
as suas exportações de petróleo não ficam complicadas. Mas, ou seja, o caso da Venezuela vem assim, fantasticamente, porque Trump começou a remover as restrições ao petróleo venezuelano, então agora eles pegam um momento assim, excepcionalmente fantástico para eles, já que o Irã vai exportar menos petróleo. Mas, ao mesmo tempo que o aumento do preço do petróleo beneficia a arrecadação venezuelana,
dinheiro dentro dos cofres do tesouro venezuelano, é certa parte que os Estados Unidos vai levar, evidentemente, mas isso vai pressionar a inflação venezuelana, como vai pressionar a inflação em todo o mundo. E é um abacaxi, porque os países da região estão começando já a quase completar o ciclo pós-pandemia, estavam começando a se recuperar, aí veio no início do ano passado toda aquela mania tarifária de Trump, aquele frenesí tarifário que voltou a complicar as coisas,
e agora mais este abacaxi planetário chegando para colocar e esfriar a economia do mundo, Fernando. Tempos que temos que ver qual vai ser o impacto, porque o impacto vai depender da duração e da intensidade deste conflito. Se a coisa for curta, as coisas tendem depois a se reacomodar. Se tudo isto se prolongar, porque, como digo, o Irã não é um país pequeno,
é um país que tem 90 milhões de habitantes, com todo o componente religioso em uma parte da sociedade, outra parte não, são componentes muito diferentes do que é o caso venezuelano. E numa área muito complicada. Muito complicada, porque, hipoteticamente, se a Venezuela tivesse sofrido bombardeios contínuos em terra, coisa que não aconteceu, exceto no dia 3 de janeiro, se tivesse havido toda essa sequência de mísseis,
contra cidades, contra quartéis venezuelanos, durante dias ou semanas, e se a Venezuela retalhasse, vai que a Venezuela também mandava mísseis para algum outro país da região, não é? Complicando o canal do Panamá, por exemplo. Bom, não é o caso da Venezuela, mas o Irã, sim, o Irã envolve mais países, então isso tudo tende a... É uma equação muito mais complexa do que a equação Irã, Estados Unidos e Israel.
Com o Netanyahu. Perfeito. Ariel Palazzo. Que não é exatamente um cara que queira dar uma de diplomata. Não, não, já vimos que não. Ariel, obrigado mais uma vez pela participação. Até a próxima, Ariel. Muito obrigado, Fernando Guga, ouvintes. Boa semana. Guga, obrigado mais uma vez e até a próxima. Abraço, Fernando. Abraço, Ariel. Abraço, ouvintes. Trabalhos técnicos de Altair Cunha, edição de Ellen Menezes. Até a próxima edição.