Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Liberdade de imprensa no mundo atinge pior nível em duas décadas

01 de maio de 202627min
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No Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade conversa com Guga Chacra e Ariel Palacios sobre o ranking mundial de liberdade de imprensa divulgado pela organização Repórteres Sem Fronteiras, que aponta o pior nível do indicador em mais de 20 anos.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando Andrade

HostJornalista
G

Guga Chacra

Co-hostComentarista
A

Ariel Palacios

ConvidadoComentarista
Assuntos3
  • Liberdade de ImprensaRanking de liberdade de imprensa · Situação nos Estados Unidos · Situação no Oriente Médio · Situação na América Latina · Argentina sob Javier Milei
  • Guerra no Oriente MédioLiberdade de imprensa no Líbano · Liberdade de imprensa em Israel · Liberdade de imprensa no Irã · Liberdade de imprensa na Arábia Saudita
  • Liberdade de imprensa na América LatinaSituação na Argentina · Situação no Brasil · Situação no Uruguai · Situação no Paraguai
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo e Meia Hora. Hoje eu converso com o Guga Chakra, diretamente de Nova York, e Ariel Palacios com a gente, falando de Buenos Aires. Bom, a gente vai abordar aqui o ranking mundial de liberdade de imprensa. Nos Estados Unidos, os Estados Unidos caíram muito. O Guga explica o porquê.

Também a situação do Oriente Médio, não tem liberdade de imprensa no Oriente Médio. E na América Latina, a Argentina de Javier Milley está no seu pior momento. E o Brasil? O Brasil subiu nesse ranking. Os Emirados Árabes Unidos saíram da OPEP. E como é que é o processo para aprovar ministros de supremas cortes na América Latina e nos Estados Unidos? Vamos para o mundo.

Guga Chakra, bem-vindo mais uma vez, Guga, tudo bem? Oi, Fernando, oi, Ariel, oi, ouvintes. Ariel Palacios com a gente também, tudo bem, Ariel, bem-vindo. Como está, Fernando, Gustavo, ouvintes, tudo bem?

Bom, hoje a gente vai falar sobre liberdade de imprensa no mundo, que atingiu neste ano o nível mais baixo em mais de duas décadas. A gente vai falar do ranking mundial de liberdade de imprensa, que foi divulgado pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Os Estados Unidos caíram sete posições. Ocupa agora a posição de número 64. O Brasil subiu 58 posições desde 2022. Ultrapassou os Estados Unidos. Guga, vou começar.

Perguntando para você, para a gente fazer aqui um comentário sobre Estados Unidos, o reflexo dessas investidas de Donald Trump contra a imprensa, perseguição, corte de verbas para emissoras públicas, interferência política, resultou nisso, né? Sem dúvida alguma, Fernando. Isso houve uma deterioração clara no cenário da liberdade de imprensa aqui nos Estados Unidos, nesse segundo mandato do Trump. No primeiro também já ocorria, mas houve um agravamento muito claro.

nesse segundo mandato do Trump, ataques a jornalistas que ele fazia no primeiro mandato, mas agora se intensificou, porque ele faz ameaças, por exemplo, nessa semana mesmo. Ele não gostou de uma piada que o Jimmy Kimmel fez sobre ele e a mulher dele, ele disse que incitava ataques contra ele, o que não é verdade, mas ele ameaçou tirar ali a licença.

da rede TV ABC para operar nos Estados Unidos. Ele fez ameaças à rede TV CBS também nos Estados Unidos, que não autorizaria uma fusão envolvendo a Paramon, que é a proprietária da rede TV CBS, e conseguiu, inclusive, levar a demissão do...

do humorista Stephen Colbert, que é o humorista de maior audiência nos Estados Unidos, que é de estilo Jimmy Kimmel, que também é um crítico do Trump. Ele conseguiu colocar no poder, na CBS, a Barry Weiss, que é uma jornalista mais em sintonia com o trumpismo e que também coloca ali restrições.

a críticas ao presidente ou críticas ao governo Netanyahu. Então, assim, ele tem essas interferências muito claras. Ali o Pentágono também ameaçando tirar credenciais dos jornalistas, o próprio Trump retirando o...

a rede de TV, a rede de TV não, a agência de notícias Associated Press, de poder reportar na Casa Branca, porque a Associated Press usa o termo Golfo do México, que é o termo correto, em vez de Golfo da América, como que era o Trump.

Mas não são só os Estados Unidos. E o Fernando, o Oriente Médio também teve resultados muito ruins. Só para ter uma ideia, o país com mais liberdade de imprensa no Oriente Médio é o Líbano, em centésimo décimo quinto, seguido por Israel em centésimo décimo sexto.

E o Irã e a Arábia Saudita estão entre os piores. A Arábia Saudita, centésimo, septuagésimo, sexto, 176. E o Irã, centésimo, septuagésimo, sétimo, 177. Mas no passado, o próprio Líbano, Israel, Emirados Árabes, Qatar, chegaram em alguns momentos a estar entre os 100 melhores. Mas todos viram o cenário se deteriorar bastante. Quer dizer, o país com mais liberdade de imprensa na região.

que é o Líbano, uma das poucas democracias ali no Oriente Médio, 115, é muito ruim, né, Fernando? Israel, 116, também há críticas a Israel pelos ataques que mataram 220 jornalistas palestinos, no relatório do repórter Sem Fronteiras, eles afirmam que 70 desses jornalistas foram mortos enquanto realizavam...

trabalhos jornalísticos. Menção honrosa no continente africano, Namíbia muito bem, mas muito bem mesmo, e a África dos Sous, dois ali nos top 30, dois países com uma grande liberdade de imprensa, a Namíbia de uma certa forma era esperada, seria o...

O Uruguai, se bem que o Uruguai ficou ali, não foi tão bem assim. A Namíbia foi melhor que o Uruguai, mas aquele país que sempre é citado como o país mais avançado do continente africano, como o Uruguai, costuma ser citado como o país mais avançado da América do Sul. Deixa eu só te perguntar, da Síria, com a queda de Bacharau Assad, mudou um pouco? Avançou, foi o país que mais avançou, mas continua um tremendo retardatário.

ali também, segue numa posição 177 para 141 ainda é um regime autoritário não é o Assad, é o regime do Armada Al-Shara avançou, mas avançou lá entre os últimos colocados você que via bastante Fórmula 1 nos anos 80 está ali, é um Thierry Butsan, vamos colocar ali um Satoru Nakajima um Satoru Nakajima um Satoru Nakajima

está lá para trás, não é que avançaram e viraram um naiglemancio, pelo menos, né? Tá certo. Vamos lá. América Latina, o que você destaca, Ariel? Bom, a Argentina. Na Argentina está piorando sem parar. O jornalista não pode nem entrar na Casa Rosada.

Exatamente, só para recordar aqui o pessoal que o presidente Milley determinou a proibição da entrada dos 60 jornalistas que se estão credenciados para cobrir a Casa Roçada, o Palácio Presidencial, pessoas que cobriam a Casa Roçada há 30 anos, entre vários outros, Fernando e Guga, alegaram que havia uma...

Umas teorias da conspiração, que haviam feito uma filmação, haviam filmado dois jornalistas do canal Tudo Notícias, haviam filmado ali dentro, para espionar a Casa Roçada, com uma câmera instalada num óculos.

A senadora Patrícia Burge, ex-candidata presidencial e ex-ministra da Segurança de Milay, faz isso com frequência para mostrar pelas redes sociais, mas esses jornalistas foram considerados criminosos e por uma suposta conspiração russa infiltrada na mídia.

Então aí eles proibiram, mas perante a repercussão internacional enorme, exatamente ontem autorizaram a volta dessas pessoas. Mas de todas formas marca um ponto de tensão, inclusive porque nesta semana quando o chefe do gabinete de ministros

de Miley, Manuela Dormi, que está enfiado até o pescoço numa série de escândalos de corrupção, de suspeitas, de enriquecimento ilícito. Miley foi, pessoalmente, até o Congresso Nacional assistir parte dessa sabatina que ele teve na Câmara de Deputados, que o ministro dele teve na Câmara de Deputados, e quando saiu dali, vários jornalistas foram lhe perguntar o que ele havia achado, de como havia sido...

o desempenho do ministro na sabatina, e começou furiosamente, com uma cara totalmente descontrolada, Milley começou a chamar os jornalistas e ladrões e corruptos, e aí foi embora. Bom, o fato é que, segundo o relatório da Repórter Sem Fronteiras, a Argentina está no posto número 98, isso significa que piorou...

11 postos desde o ano passado, quando estava na posição 87, lembrando que a Argentina está pior nessa forma do que Chad, na África, a Guiné Equatorial também está ali, está pior.

A Argentina é pior que Chá de Guiné Equatorial. Guiné Equatorial é governada por uma ditadura desde o ano 69. E a Argentina está exatamente no ranking. Se está no posto 98, está. Entre o Togo, que está na posição 97, e o Moçambique, que está em 99. O pior país em liberdade de imprensa de todo o Mercosul. O Uruguai está bem distante, no posto 48. O Brasil em 52. E o Paraguai no número 88.

Bom, a Argentina, segundo o relatório, está nessa situação devido ao auge da hostilidade institucional contra a imprensa, além de atos de violência contra jornalistas que cobrem manifestações, jogam gás alacrimogênio e disparam balas de borracha em cima dos jornalistas que estão cobrindo manifestações, especialmente ali na Praça do Congresso Nacional. Tem toda a história ali do impedimento durante uma semana para entrar na casa.

roçada, os xingamentos de Milley, nos quatro dias do feridão de Páscoa, Milley dedicou muitas horas a escrever 86 postagens na Rede X para criticar a imprensa e repostou Fernando e Guga, nada mais e nada menos que 874 postagens contra jornalistas.

Millet havia prometido fechar o canal estatal A TV pública Depois decidiu manter o canal aberto E agora usa o canal para insultar jornalistas E opositores com dinheiro do contribuinte E Assim, as mensagens são Escatológicas Ou comparam jornalistas com Deficiências físicas e mentais E ele criou também o slogan que é Abre aspas, não odiamos jornalistas De forma suficiente Fecha aspas E passe passe

Então é uma situação muito complexa, pior ainda do que foi em 2006, quando ainda no final do governo de Néstor Kirchner, e faltava um ano para iniciar o governo de Cristina Kirchner, o casal Kirchner desferiu, deflagrou uma guerra contra a imprensa também naquela época.

Mas a Argentina naquela ocasião ficou no posto 84, 14 para baixo do que está atualmente com o Milen. Mas esse seria o segundo pior ponto da história recente da relação imprensa-governos desde a volta da democracia na Argentina. O pior de todos, Milen, o segundo ali, Néstor Kirchner, quando houve um confronto com a imprensa por causa...

da denominada, do início da tentativa de implacar a lei de mídia, assim chamada naquela época. Bom, depois a situação foi melhorando e quando estava no meio do governo do ex-presidente Alberto Fernandes, em plena pandemia, em final já da pandemia de 2022, a posição da Argentina no ranking era do número 29.

foi piorando, foi para o posto 40 em 2023, finalzinho do governo, posto 40, final do governo de Alberto Fernandes, e no primeiro ano de Millet já subiu para 66, 87 no ano passado e agora este posto terrível de número 98.

Muito bem. Agora, Guga, a gente vai falar sobre os Emirados Árabes Unidos. Eles decidiram sair da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. É um grupo de países que historicamente controla os preços do petróleo por meio de cotas de produção. Queria te ouvir um pouco mais sobre esse cartel e o que significa essa mudança, essa saída dos Emirados Árabes Unidos, Guga.

É literalmente a palavra cartel. A OPEP é um cartel do petróleo para controlar o preço do barril. Eles foram muito bem sucedidos nos anos 70 e continuaram agindo ao longo das décadas. O principal integrante da OPEP é a Arábia Saudita. Os Emirados Árabes eram o segundo mais importante. Sauditas com 31% das cotas, os Emirados com 14%.

O que acontece? Os Emirados Árabes há muito tempo vinham insatisfeitos com ações da Arábia Saudita dentro da OPEP para controlar o preço, porque os Emirados Árabes preferiam, em vez de controlar o preço, buscar novos mercados independentemente do valor.

do barril, essa era a estratégia preferida deles. Então esse é um dos motivos, discordâncias com a Arábia Saudita dentro da OPEP. Outros países já saíram da OPEP no passado, mais recente é o Catar, por exemplo, que é outra nação rica em petróleo e gás do Golfo Pérsico. Um segundo ponto importante.

é a questão bilateral da Arábia Saudita com os Emirados Árabes. Os dois estavam próximos de romper relações diplomáticas em dezembro e janeiro desse ano. Alguns descartavam, inclusive, um conflito armado entre sauditas e Emirates, que às vezes as pessoas costumam achar que ali o Golfo é tudo a mesma coisa, mas não. Eles foram aliados, uma década atrás eram grandes aliados contra o Catar, por exemplo, mas começaram a ter muitas divergências.

especialmente no que diz respeito ao Iêmen, como lidar com a guerra no Iêmen, apoiando grupos diferentes, não em relação aos ruts, mas ali no sul do Iêmen, em Adem.

o Arábia Saudita apoiando o governo a reconhecer internacionalmente e os Emirados apoiando grupos separatistas. E havia conflito entre os dois lados, os dois armando grupos diferentes. A Arábia Saudita chegou a bombardear os aliados dos Emirados. Então há essa questão também. Outro problema na relação bilateral.

é que a Arábia Saudita vem pressionando empresas ocidentais e asiáticas para que mudem suas sedes no Golfo Pérsico, no Oriente Médio como um todo, dos Emirados Árabes de Dubai e Abu Dhabi para Riyadh e Jeddah, ameaçando inclusive essas empresas, o que naturalmente é ruim para os Emirados Árabes. As grandes empresas do Ocidente passam...

a operar a partir da Arábia Saudita em vez dos Emirados, claro, suas sucursais no Oriente Médio. Por último, tem uma visão dos Emirados Árabes de se enxergarem como um grande entreposto global, eles não querem ficar com a imagem apenas associada ao petróleo, eles vêm do Dubai e Abu Dhabi, e na minha visão corretamente, Fernandes Ariel e ouvintes,

como uma das grandes metrópoles globais, especialmente Dubai, é mesmo, hoje como Hong Kong, como Xangai, como Tóquio, como Nova York, como Londres, talvez Seul, talvez Paris, mas acho que Dubai está sim nesse patamar e não quer ser visto mais como mais um ali do Golfo Pérsico, quer ter uma imagem de singularidade, com uma economia extremamente diversa.

a economia dos Emirados, controlando portos ao redor do mundo. Dubai praticamente não depende do petróleo. É Budap, sim, mas Dubai não. Dubai se tornou um destino internacional. Eu particularmente não gosto, mas aí é uma opinião pessoal, não é porque eu não gosto que eu vou negar que Dubai não seja um destino, uma cidade que atraia pessoas de todo o planeta. Sim, minha visão tem muito de artificialidade dentro de Dubai. E ali é uma coisa meio...

que não me atrai muito, mas o fato é que é vista como uma grande metrópole global. Ariel, já que a gente está falando da OPEP, a Venezuela continua na OPEP?

A Venezuela continua no OPEP, é o único país da América Latina que faz parte do OPEP. No passado já fez parte, por exemplo, o Equador. O México nunca fez parte, mas sempre tentaram convencer o México a fazer parte do OPEP. O México sempre foi enrolando o pessoal e declinando o convite. Mas, embora o regime chavista de Délice Rodrigues continue dentro do OPEP, não há mais uma coordenação propriamente dita com os países dessa organização, e sim com o presidente Trump.

a quem acata tudo na área petrolífera, sem pestanejar. E rapidinho, a coisa mais peculiar disso é que a Venezuela foi crucial na criação da UPEF, porque em 1949 o governo da Venezuela convidou Iraque, Kuwait, Arábia Saudita para intercambiar ideias, porque estavam todos no pós-guerra despontando como grandes.

exportadores para se contrapor às grandes exportadoras de petróleo que eram dos Estados Unidos. Aí, nos anos 1960, esses cinco países fundaram a PEP em Bagdá, que era a capital do Iraque. E aí, o ministro de petróleo da Venezuela da época, Juan Pablo Pérez Alonso, foi o cara que bolou o conceito de cartel de produtores para ter influência nos preços globais.

E assim foi que, graças a isso, nos anos 70, a Venezuela se tornou um país com uma imensa receita petrolífera. Atenção, a Venezuela nunca foi o país mais rico da América Latina, tal como alguns clichês dizem.

A Argentina, em 2010, sim, porque metade do PIB latino-americano era argentino, metade. A Venezuela nunca teve uma coisa assim. E a Venezuela nunca teve uma classe média majoritária. A Venezuela tinha uma classe alta com muita grana por causa do petróleo e uma classe média alta, mas nunca foi um país rico propriamente dito. Sempre teve uma grande pobreza. Bom, o fato é que Pérez Alonso...

Em 73 foi chamado pelo The New York Times de, abre aspas, o pai improvável do poder árabe, fecha aspas, por quê? Porque as ideias desse venezuelano é que haviam empoderado o mundo árabe petrolífero.

Aí o OPEP teve seus momentos de altas e baixas. No começo deste século, Hugo Chávez tentou de novo reposicionar o OPEP como ator político relevante, quando na primeira década o preço do petróleo estava ali na alta, mas aí esbarrou com várias coisas, várias transformações no mundo. A ascensão do Shell Gas nos Estados Unidos, diversificação energética global e o próprio colapso da indústria petrolífera venezuelana. Ariel, aqui no Brasil...

A semana foi marcada pela reprovação do indicado ao Supremo pelo governo Lula, Jorge Messias. A reprovação aconteceu no Senado. Uma derrota histórica para o governo, isso não acontecia aqui desde 1894. Como é que é em outros países da região da América Latina?

Bom, no caso da Argentina, eu acho que podemos citar ali o caso que houve duas rejeições no ano passado. O presidente Milley havia proposto dois juízes, o Ariel Lijo e o Manuel Garcia Mancilla, enfrentaram forte resistência do Senado. Lijo foi muito criticado.

pelo desempenho que ele teve em causa em processos de corrupção, foi acusado de lerdo, de lentíssimo, muito lento, e houve...

vários questionamentos sobre sua ética por parte da oposição. Ele foi rejeitado por 44 a 26, foi uma lavada derrota. Garcia Mancilla, um acadêmico, constitucionalista, não caiu bem para boa parte da oposição porque era extremamente conservador e muito, muito próximo a Milley. Milley tentou botar o cara por decreto

Mas depois de todas formas tinha que passar pelo Senado e aí caiu Então ele acabou sendo ministro da corte por poucas semanas Para ter uma ideia foi derrotado por 51 votos contra e 1 a favor

A Emilei nunca mais tentou apresentar candidato algum. Então o Supremo Argentino, que é um Supremo enxuto de cinco juízes, agora está funcionando com três. E não se especula quando que pode se falar em um aumento... Em uma... Perdão. Em uma...

na proposta de novos candidatos. Estão falando que isso seria para depois das eleições presidenciais argentinas do ano que vem. Bom, no Chile, o veto ali, muitas vezes, é de forma explícita. Foi o caso da juíza Dobra Lucid, em 2015, que era governo Bachelet. A candidatura dela não fragou que nem o Titanic.

dispararam uma saraivada de críticas sobre a trajetória dela, de suspeitas de lobby nos tribunais, falaram não categoricamente. E aí tem o México, que é um caso diferente. No México, o parlamento geralmente nunca rejeita um candidato proposto pelo presidente. Só que...

O presidente da República pena tanto para convencer o parlamento, o Senado, a aprovar o cara, que é tipo assim, como se o Senado falasse, vamos aprovar, mas você vai soar adoidado para nos convencer. E tem o caso dos Estados Unidos, que desde 1789, de um total de 170 indicações por uma cadeira na corte,

12 foram rejeitadas formalmente pelo Senado, a mais impactante foi em 87, quando o presidente Reagan propôs o juiz Robert Borg, e o desgaste foi tão grande nos ataques a Borg, que tão incisivos, que aí surgiu uma expressão...

que se usa em certos âmbitos, que é o verbo to borg, para designar o ato de atacar um candidato a um cargo público de forma tão sistemática e tão difamatória, que é muito mais do que seria o normal. Bom, sobre aqui nos Estados Unidos, para a Suprema Corte, é similar ao Brasil, o presidente indica e o Senado precisa aprovar.

Mas há distinções. Bom, em primeiro lugar, o Senado aqui sempre é controlado por um partido, ou democrata ou republicano. E eles, em geral, votam em bloco. Algumas vezes, alguns indicados, no passado era comum, recebiam votos de todos os senadores. Hoje recebem votos, costuma ser bipartidária a aprovação, mas às vezes o partido opositor ao presidente não vota na mesma proporção do que...

o partido da base do presidente. Outra questão é que aqui sempre, sempre são grandes juristas. Não há exceção, você pode concordar ou discordar das visões deles, mas são todos grandes juristas. Por exemplo, dos nove juízes na Suprema Corte atualmente, oito estudaram em Harvard ou Yale, na escola de direito de Harvard ou de Yale. A Ian Barrett estudou na boa escola de direito de Notre Dame.

Todos são muito respeitados, todos têm um histórico como juízes também de bastante respeito. Quando ocorre a sabatina, nas semanas anteriores investigam a vida inteira. Por exemplo, Kavanaugh ficou um pouco ali, se empolgou numa festa ali no high school. A gente está falando no ensino médio. Essa questão foi levada à tona sobre o comportamento dele numa festa.

tudo na high school. Então, assim, claro que já tiveram um caso da Clearance Thomas, por exemplo, que assediou uma mulher no passado, já na idade adulta, quando ele já era juiz, e ele acabou sendo aprovado, ele foi o primeiro afro-americano a ser juiz.

da Suprema Corte, foi indicado pelo Bush pai, e acabou tendo um acordo do Bush pai, que era republicano, com os senadores democratas, o Kerry e o Joe Biden, que levaram a aprovação do Clarence Thomas. Então tem essa diferença. Um episódio, os recentes aqui, que geraram, chamaram bastante atenção, no final do governo Obama, no último ano, em março, a eleição a gente sabe que é em novembro, em março morreu um juiz conservador, o Anthony Scalia.

E o Obama tinha o direito de nomear o sucessor, ele nomeou o Garland. Mas o Mitch McConnell, que era o líder republicano no Senado, o presidente do Senado é sempre o vice-presidente, mas o líder da maioria que controla. Ele acabou não colocando para votar o Garland, e aí teve eleição e não aprovaram. Quando o Trump toma posse, ele nomeia o vice-conservador Gerset, que acaba aprovado que os republicanos tinham maioria no Senado.

final do governo Trump, morre a Ruth Ginsburg, que era uma senadora, uma juíza progressista. E faltava, era setembro, faltava ali dois meses para a eleição, mas nesse caso os republicanos não viram problema, ou Trump nomeou em Barrett uma juíza conservadora, que acabou aprovada. Então aí fica como curiosidade, hoje tem seis juízes conservadores e três progressistas.

Suponha que o Obama tivesse nomeado o Garland, aí já seria, se tivesse conseguido a aprovação, seria 5 a 4. E suponha que o Trump não pudesse ter nomeado a M. Barrett, e daí o Biden teria nomeado, foi eleito presidente, e teria nomeado um juiz progressista. Nesse caso, os progressistas teriam maioria na Suprema Corte americana. Perfeito.

Guga Chakra, mais uma vez, obrigado pela participação, até a próxima. Um abraço, Fernando, um abraço, Ariel, um abraço, ouvintes. Ariel, que espirrou saúde e bom final de semana. Muito obrigado, muito obrigado pelos desejos de saúde. O clima de Buenos Aires está começando a variar, então é o típico momento que eu pego gripe. Muito obrigado a todos, bons fins de semana a todos. Trabalhos técnicos de Juliano Fonseca.

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