Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Morte de menino brasileiro no Líbano; proposta do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio

28 de abril de 202631min
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Neste episódio do Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles falam sobre a morte de um menino brasileiro de 11 anos e de parte de sua família no sul do Líbano, em meio à escalada de violência na região, a nova proposta do Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio e os possíveis desdobramentos no cenário internacional. Comentam também a crise no setor industrial da Argentina e o impasse nas eleições presidenciais do Peru, com mais de duas semanas de demora na apuração e indefinição sobre quem vai ao segundo turno, além da série de atentados na Colômbia e seu impacto na segurança do país.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Ariel Palacios

Co-hostComentarista
G

Guga Chacra

Co-hostComentarista
Assuntos5
  • Morte de menino no LíbanoAtaque israelense · Cessar-fogo no Líbano · Impacto na comunidade brasileira
  • Conflito Irã-EUANegociações sobre o programa nuclear · Estreito de Hormuz
  • Eleicoes ColombiaDissidências das FARC · Impacto na segurança
  • Situação Econômica ArgentinaDesemprego no setor industrial · Primarização da economia
  • Eleições PeruDemora na apuração · Candidatos ao segundo turno
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo e Meia Hora. Eu vou conversar hoje com o Gachakra, diretamente de Nova Iorque, no primeiro bloco. E a gente vai falar sobre a morte de um menino brasileiro de 11 anos e parte da família dele no sul do Líbano. E também sobre uma nova proposta do Irã.

para encerrar o conflito no Oriente Médio. Com Ariel Palacios no segundo bloco, a gente vai falar sobre a crise no setor industrial da Argentina, o impasse nas eleições presidenciais do Peru, ainda não se sabe quem vai para o segundo turno, e uma série de atentados na Colômbia. Guga, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem, Guga? Tudo bom, Fernando? Oi, Ariel. Ariel Palacios com a gente diretamente de Buenos Aires. Tudo bem, Ariel?

Como está, Fernando? Guga, ouvintes, tudo bem? Guga, a gente vai começar falando sobre um ataque de Israel que matou um menino brasileiro, tinha 11 anos, a sua mãe, também brasileira, e o seu pai libanês. E isso aconteceu em meio a um cessar-fogo, que não está funcionando muito bem com o Hezbollah. Guga, como é que aconteceu isso? Conta mais pra gente os detalhes, por favor.

Olha, Fernando, o que aconteceu foi o seguinte. Um ataque israelense contra a vila de Bint Beel, no sul do Líbano. Bint Beel, Bint é filha, Beel é montanha, mais ou menos como a filha da montanha. A Bint Beel seria mais cordilheira, a filha da cordilheira, que é um vilarejo de maioria xiita no sul do Líbano. E esse ataque israelense acabou matando o pai, que era libanês, a mãe.

E um dos filhos, que tinha 11 anos, brasileiro, assim como a mãe também é brasileira, e um outro filho, que agora está órfão, ficou gravemente ferido. Esse ataque ocorre em meio a um suposto cessar-fogo. Eu falo suposto porque, na prática, não há.

cessar fogo. Até houve um acordo de cessar fogo mediado pelos Estados Unidos entre o governo israelense e o governo libanês, que o Hezbollah teria aceito, mas na prática, tanto Israel quanto Hezbollah estão violando o tempo todo.

que houve uma desescalada, vamos colocar assim, porque a intensidade dos ataques, tanto de Israel quanto do Hezbollah, diminuíram, a gente não vê mais bombardeios de Israel a Beirute, mas ali no sul do Líbano, Israel segue agindo quase que normalmente, e naquela faixa de 10 quilômetros da fronteira entre Israel e Líbano, até 10 quilômetros...

dentro do território libanês, Israel sai com a prática de destruição de todos os vilarejos, que algumas pessoas classificam como urbanicídio ou domicídio, não sei se o Ariel sabe algum termo, que foi o que eles fizeram em Gaza, que você não é que ocupa apenas, você destrói tudo que tem lá. Então todas as casas, todas as escolas.

mesquitas, igrejas, o que vê pela frente, Israel está destruindo, painel solar, porque no Líbano se usa muita energia solar, é uma curiosidade por causa da...

de um estado extremamente frágil, sistema elétrico sempre deixou a desejar e muitos libaneses acabaram optando por painel solar nesses vilarejos, compra uma vez e fica com energia. Falo porque, inclusive, um primo do meu pai lá em Rachaya, na casa dele, eu entrei e fiquei assustado que tinha luz, eu perguntei se tem gerador, ele falou não, tem um painel solar. Alguns vilarejos, eles fazem painel solar para o vilarejo inteiro, Israel está destruindo também, enfim, destrói...

tudo ali no sul do Líbano. E essa família acabou sendo alvejada, esse menino é mais uma das mais de 170 crianças mortas no Líbano nesses dois meses de guerra entre Israel e Hezbollah, mortas em ataques israelenses. Não tem como dizer que as crianças fossem integrantes do Hezbollah, são mais de 2.500 libaneses mortos nesse conflito, Israel diz.

que centenas seriam integrantes do Hezbollah, mas o fato é que centenas são civis, mais de 170, insisto, são crianças e, segundo autoridades libanesas, no caso do Líbano, não dá para dizer o número do Hamar. Não, no caso do Líbano, o número é do governo libanês.

que é um governo opositor ao Hezbollah, cujo chefe de governo era o presidente do Tribunal Penal Internacional, antes de assumir o cargo no ano passado, o Nawaf Salano, um dos juristas mais respeitados de todo o planeta. Então não tem muito assim como contestar esses números. O presidente do Líbano é o José Faun, um cristal maronita, que era comandante das Forças Armadas. Então é muito triste quando você vê mais, são duas vítimas brasileiras.

já tiveram na guerra de 2024 outros brasileiros que foram mortos. Israel fala que estava naquelas operações contra o Hezbollah. Na semana passada a gente comentou até aqui no podcast, na sexta-feira, no Mundo e Meia Hora, do ataque israelense que matou a jornalista Amal Khalil e agora mata essa criança brasileira. Simplesmente é inaceitável.

O cessar-fogo, suposto cessar-fogo, existe só porque os Estados Unidos mandaram o governo Netanyahu aceitar e o Irã mandou o Hezbollah aceitar, porque as disputas entre os dois continuam. O Hezbollah quer que Israel desocupe o sul do Líbano, Israel quer desarmar o Hezbollah, o governo libanês quer as duas coisas, tanto desarmar o Hezbollah...

quanto à retirada de Israel do sul do Líbano, nesse momento que tem a ocupação israelense do sul do Líbano e o Hezbollah seguindo armado. E essa tendência aqui, isso tende a continuar, viu, Fernando? Eu sou muito cético quanto a uma solução na qual o Hezbollah se desarme e Israel se retire do sul do Líbano. E o argumento do Hezbollah para estar no sul do Líbano é que o Hezbollah não se desarma.

O argumento do Hezbollah para não se desarmar é que Israel está no sul do Líbano. Enfim, segue essa situação e agora esse menino brasileiro de 11 anos morto e o irmão dele órfão.

Gustavo, como é que se superpõe a presença do Hezbollah e do Estado libanês? Há áreas onde só está o Estado libanês e outras áreas onde só está o Hezbollah ou também há algumas áreas onde os dois estão ali, não misturados, mas dentro do mesmo setor? Olha, Ariel, o Hezbollah surgiu quando Israel ocupava o sul do Líbano.

Israel invadiu o território libanês em 1982 para combater milícias palestinas formadas por pessoas que foram expulsas ou saíram na Guerra de 1948 do que hoje é Israel ou por descendentes dessas pessoas. Então era uma guerra de Israel contra as milícias palestinas. E durante a ocupação israelense do sul do Líbano surgiu o Hezbollah. O Hezbollah surgiu porque foi tanto para combater a ocupação israelense, o sul do Líbano é majoritariamente chita, embora haja cristãos.

uma expressiva minoria cristã, sunita e drusa também, então pela ocupação israelense, pela marginalização dos chiitas na sociedade libanesa, quando Israel ocupa o sul do Líbano, o estado libanês ficou ausente no sul do Líbano, e pela revolução islâmica no Irã, que foi lá e armou o Hezbollah, esses três motivos. Então o Hezbollah surge numa área onde não existia estado libanês.

Então, durante a ocupação israelense, o que existia era a ocupação israelense. Quando o Hezbollah derrota Israel, o Israel se retira no ano 2000, o Hezbollah sai com a imagem de vitorioso e o governo libanês ficou ausente esse tempo todo do sul do Líbano. Então, a presença do Hezbollah acabou sendo muito...

forte no sul do Líbano, ainda mais por essa maioria xiita na região. Há também as forças de paz da ONU na Unifil. O exército do Líbano sempre tentou se mobilizar, até se mobiliza, mas não tem uma presença muito forte ali no sul do Líbano e em outras regiões com presença do Hezbollah, que seria o norte do Vale do Beká.

ali na região de Baalbek, ou ali, no caso, em Dahre, no sul de Beirute, ali você tem a presença dos dois. No sul do Líbano houve uma mobilização muito grande do exército a partir do cessar-fogo de 2024. O exército libanês que é multissectário, né? Você tem cristãos, soldados cristãos, soldados sunitas, soldados tiítas, soldados drusos, há uma divisão do número de generais para cada uma.

das religiões libanesas, sendo que o comandante das Forças Armadas precisa ser cristão maronita. Mas é mais ou menos esse o cenário da presença do Hezbollah em áreas...

ali libanesas. E agora, com o começo desse novo conflito, houve um recuo do exército libanês ali do sul, então ficou na prática só o Hezbollah e Israel. E, aliás, tem havido até reclamações de alguns vilarejos cristãos, como Rimej, Debel.

e outros de que o exército libanês os abandonou, vamos colocar assim, e eles estão ali, meio a dois ali, que eles não gostam nem do Hezbollah, nem de Israel, então eles ficam ali numa situação extremamente complicada, mas é mais ou menos esse o cenário.

Guga, eu me lembrei do seguinte, eu ouvi recentemente o Gabriel Chaim, correspondente de guerra, no podcast, no assunto da nossa colega Natuzaner, aliás, você entra na sequência dele no mesmo episódio, e ele falava que dentre as várias dificuldades na cobertura da guerra, ele está lá no Líbano já faz um tempo,

Quando você fala que você está reportando para o Brasil, as coisas mudam um pouco no Líbano, porque ou essa pessoa tem um parente no Brasil, ou ela conhece alguém que tem, sempre tem uma ligação, raramente não tem. Pode explicar um pouco sobre essa relação, por favor?

Olha, Fernando, eu acho que, tirando Portugal, que naturalmente tem uma ligação histórica muito grande com o Brasil, e talvez mais que nem o Paraguai, eu acho que não existe fora Portugal um país com uma conexão tão grande com o Brasil como o Líbano. A gente está falando de 7 milhões de descendentes libaneses.

No Brasil, quando você olha para a política, para a medicina, para a advocacia, para onde você olha, semana passada tomou posse na Academia Brasileira de Letras, o Milton Ratum, você sempre vê libaneses. Estou eu aqui, eu sou descendente libanês, estou Gabriel Chahen, descendente libanês. Vocês, com certeza, você e o Ariel, tem uma série de amigos descendentes de libaneses. Isso é no Acre, é Roraima, é Rondônia, é Paraná.

Mato Grosso, em todo canto tem descendentes de libaneses no Brasil. E muitos, especialmente da leva que veio a partir dos anos 70, eles mantêm uma conexão muito grande com o Líbano, eles continuam voltando para o Líbano. Então é muito comum, é muito mesmo.

você chegar nesses vilarejos no sul do Líbano, no Vale do Becá, nas montanhas do norte do Líbano, mas assim, é 100% de chance, 100% de que você vai encontrar uma pessoa que vai falar português, que tem primos no Brasil, todo mundo sabe, tem familiar, as pessoas falam assim da forma mais natural possível, elas sabem, e eles têm muito orgulho, é um pouco diferente dos italianos.

Porque os italianos, às vezes, não dão tanta importância, às vezes, para os descendentes de italiano no Brasil. No caso dos libaneses, os libaneses amam falar. Um dos maiores orgulhos do Líbano é essa comunidade libanesa no Brasil. E não é só no Brasil, que na Austrália também é cheio de libanês. Aqui nos Estados Unidos é cheio de libanês. Em toda a América Latina é cheio de libanês. A quantidade de libanês que já presidiram.

países pelo continente, no oeste africano, Gana, Nigéria, Burquina, Faso, todos esses países cheios de libanês, África do Sul, França. Então, é impressionante o tamanho dessa diáspora libanesa, mas o Brasil seria o maior.

é o mais conectado com o Líbano. Então, quando você chega nos vilarejos do sul do Líbano, não interessa se é vilarejo chiita, se é vilarejo sunita, se é vilarejo cristão, vai estar cheio de brasileiro. E tem aqueles dois, Soltano, Yakub e Lúcia, são dois vilarejos sunitas, não são chiita nem cristão. São dois vilarejos sunitas no Vale do Beká, que todo mundo fala português.

Então assim, daí quando o Luciano Huck foi pro Líbano, ele falou, Guga, que dica que cidade matrafalha, e vai lá pra Sultã Iacúbe. Bom, chegou lá, todo mundo conhecia o Luciano Huck, aí fez um monte de matéria, conheceu lá um brasileiro...

que tinha largado a família no Brasil, um libanês que morou no Brasil, deixou cinco filhos no Brasil, voltou para o Líbano, fez outra família, enfim. Mas todo mundo conhecia ele lá. E quando você chega na cidade, já tem um outdoor para assinar a Globo. Claro que é pirateado, eles fazem, alguém pega pela parabólica e distribui, não sei como funciona.

Mas é tudo assim, você chega ali, tem mercadinho brasileiro. E essas duas são muito particulares, porque todo mundo fala português. Há outras ali que muita gente fala português. Assim, você chega a Zahle, que é uma cidade. Zahle é uma cidade que tem muitos descendentes no Brasil. A avenida principal de Zahle é a avenida Brasil. Daí você vê os políticos lá, chama Skaf, Maluf.

É muito louco, é muito surreal quando você chega ao Líbano. E a questão da comida também, porque todo brasileiro é familiarizado. Comida é aquilo lá, é quibis, firra, arroz com lentilha, charutinha de folha de uva, uva, que a gente chama de pão sírio no Brasil, alguns chamam de pita, mais hummus, qualia, é isso daí, tabule, é isso daí. Então é muito familiar.

o Líbano pro brasileiro independentemente de qual seja, a religião é muito parecida, assim, dá uma sensação assim que você tá, é muito familiar assim, não é só pra quem é descendente, qualquer brasileiro que vai pro Líbano, você chega em Beirut e fala, nossa, mas como esse lugar parece com o Brasil, parece muito um pouco mais caótico em alguns momentos mas parece muito, em algumas áreas mais sofisticadas, quer dizer, as áreas

caras de Beirute são mais sofisticadas do que as áreas caras de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas no geral o país é um tanto caótico e aquela coisa maravilhosa, que é o mar Mediterrâneo com as montanhas nevadas, que é o único, não tem outro lugar que a proximidade, que é Beirute, literalmente Beirute, que você tem o mar Mediterrâneo e se olha para trás tem as montanhas nevadas onde as pessoas esquiam na neve. Então isso também é outra coisa muito impactante do Líbano.

Perdão, só um detalhe interessante da presença enorme libanesa no Brasil. Quantos motoristas de táxi será que existem em São Paulo, Fernando? Milhares, não sei. Milhares e milhares de milhares. Bom, qual que é a chance de encontrar um libanês da mesma cidade ali, da família dos antepassados do Gustavo de Raixa? Bom, comigo aconteceu, ano passado entrei num táxi, o motorista falou comigo e eu pensei, depois de falar onde eu ia, disse...

O senhor é libanês? Sou, sim. Ah, percebeu? Sim. O sotaque. De que cidade? Não era de Racha, exatamente, mas era ali da periferia, digamos assim, de Racha. Uma cidadezinha menor ali perto. Aí eu contei depois pro Gustavo, eu falei que impressionante, que coincidência entre tantos...

e tantos e tantos milhares de motoristas em São Paulo, vou logo dar de cara com um que era da mesma região. A minha vila tem 10 mil habitantes, a vila dos meus avós, Rachaya.

É de Rachael. Rachael, perdão. Rachael, o Adi. É de Rachael. Os avós do William Bonner, do Andréa Sadi, do André Rizek, os meus, e do Paulo Lima, que é o dono da Tripe, da revista Tripe. Isso só no jornalismo, assim, rapidamente, assim, já te cito cinco que são ali de Rachael. É a água que vocês bebem lá, hein?

cidade muito bonita todas as casas são de pedra um telhadinho vermelho e assim, a cidade aos pés do Monte Shermão, próximo à tríplice fronteira do Líbano com a Síria e as colinas do Golã que são ocupadas por Israel

Guga, deixa eu falar um pouquinho então sobre Irã, como você já citou nessa conversa nós estamos entrando no segundo mês dessa guerra, tem o cessar-fogo lá também é frágil só que tem uma nova proposta do Irã que prevê deixar de lado inicialmente a discussão sobre o programa nuclear até que o conflito termine e aí que as disputas sejam resolvidas principalmente com relação ao estrito de Hormuz

aparentemente essas negociações estão congeladas. A gente falou sobre as últimas reuniões no Paquistão, não deu em nada. Trump não aceitaria resolver essa questão nuclear do Irã depois, não, Guga? Por enquanto, ele não aceitaria, mas o funcionário faz.

fácil para levar adiante as negociações nesse momento, seria aquilo, que era o que o Paquistão estava propondo, cerca de duas semanas, quando o Irã anunciou, teve o cessar fogo entre Israel e Hezbollah, o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Hormuz, mas o Trump logo na sequência celebrou a reabertura, mas falou que manteria o bloqueio aos portos iranianos, aí o Irã fechou de novo o Estreito de Hormuz.

e não avançou mais a negociação. Mas a única alternativa, mesmo na prática, seria essa. Primeiro passo, reabre o Estreito de Hormuz, tira o bloqueio dos portos iranianos, reduz a tensão, e os dois lados negociam a questão nuclear. E provavelmente ali daria para o Trump conseguir um acordo melhor do que o Obama conseguiu, portanto ele teria uma narrativa de vitória, o Irã também teria.

uma narrativa de vitória, porque na prática agora eles descobriram que eles não precisam mais da bomba atômica, porque sempre que precisarem eles vão fechar o Estreito Hormuz. O Estreito Hormuz, Fernando e Ariel e ouvintes, na prática não tem jeito, geografia é eterna. Portanto,

Não tem acordo. O Irã vai continuar controlando o Estreito de Hormuz no sentido que vai poder fechar quando quiser. Agora, cobrar pedágio o Irã não vai conseguir. Seria inaceitável. Ninguém aceitaria uma coisa dessa. Seria como o Espanhol e o Marrocos falaram, agora a gente vai cobrar pedágio do Estreito de Gibraltar. A Turquia falou, opa, vamos cobrar pedágio no Bósforos em Dardanelas. Podiam até dar uma...

agitado ali, dois pedágios, isso não existe, não funciona assim, os navios podem passar pelo Estreito de Bóssaro, pelo Estreito de Dardanelos, é diferente do Canal do Panamá, porque ali é uma coisa artificial, mas um estreito natural não. Agora, claro, você sempre tem o poder militar de poder fechar aquele estreito quando você quiser, é algo que não é uma lei, uma regra, mas é na prática ou que...

acontece. O historiador sabe disso, por isso que os países sempre quiseram tanto conferência. Porque tem ali Gibraltar, tem a presença britânica naquele pedacinho, porque a importância é do estreito.

Por isso que Portugal controlou ali Oman, o Estreito de Hormuz, porque era importante, por isso que Istambul fica onde fica. Constantinopla foi construída porque ali é o Estreito de Bósforo, senão não seria lá.

a capital do Império Bizantino, posteriormente o Império Otomano, hoje não é a capital da Turquia, mas é a principal cidade. Então, essa geografia é inevitável. Pois, Oriel lembra de mais exemplos. Sim, tem um caso bastante peculiar, hoje a gente pensa na União Europeia, claro, toda uma área de paz interna.

Mas, quando o Império Alemão surgiu, eles rapidamente construíram o Canal de Kiel. Canal de Kiel que está ali para baixo da Dinamarca, porque se não a frota alemã, a frota prussiana que estava do lado do Báltico, para passar para o lado do Mar do Norte, tinha que passar ali no pequeno estreito que existe entre a Dinamarca e a Suécia.

Então os alemães construíram esse pequeno canal só para não ter que correr o risco de dar a volta e que esse estreito fosse fechado. Ou seja, é um estreito que é para unir dois lados marítimos alemães, mas para evitar ter que dar a volta ali entre a Dinamarca e a Suécia.

Só para completar, Fernando, você que, parabéns, fez uma travessia de 5 quilômetros, nadando essa distância você já tem condições ali de atravessar o Estreito de Dardanelos ou Bósforos indo da Ásia para a Europa nadando, ou vice-versa. Para Gibraltar ainda vai...

ter que treinar mais um pouco, mas acho que consegue o duro, que é caro a travessia ali do Estreito de Brautara, mas de Dardanelos e Bósforos tem bons pacotes aí, não tão caros, então já coloca aí na agenda. Coloca na pauta. Guga, mais uma vez, obrigado pela participação aqui, a gente já vai se despedir do Guga e eu vou voltar com o Ariel Palazzo falando mais sobre o setor industrial na Argentina. Um abraço, Guga, até a próxima. Um abraço, Fernando, um abraço, Ariel.

De volta com o Ariel Palacios. Ariel, a gente vai falar um pouco agora sobre economia na Argentina. É uma crise com milhares de empregos perdidos no setor industrial. O que está acontecendo, Ariel?

É isso. Um relatório da entidade de industriais de pequenas e médias empresas argentinas indicou que a indústria deste país perdeu 79.672 empregos formais desde que o presidente Milley tomou posse há dois anos e meio. E esse levantamento alerta para o que eles chamam de processo de primarização da economia. Quer dizer, uma tendência é que a Argentina se dedique cada vez mais aos produtos agropecuários e ao minério e cada vez menos à indústria.

E segundo essa entidade industrial, isso vai gerando um crescente desemprego. O relatório também indicou que a atividade industrial caiu 8,7% em fevereiro, em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

E além disso, indica que a produção industrial acumula oito meses consecutivos de queda, Fernando. E isso ocorre num contexto de queda do consumo da população. Caiu 5,1% em março em comparação com o mesmo mês do ano passado. E uma pesquisa da consultoria Focus Market...

indica que 6 de cada 10 famílias argentinas estão tendo que recorrer ao endividamento para cobrir despesas básicas. Despesas básicas, ou seja, alimentação, por exemplo, o pagamento das contas de energia, elétrica, gás...

Ou seja, não é mais aquela coisa de fique endividado para comprar um televisor, um carro. Não, agora já a coisa é muito mais básica. E ainda a indimplência cresce sem parar. Em um ano, a falta do pagamento das dívidas e empréstimos pessoais saltou de 13% para 14% da população.

E nos cartões de crédito a inadimplência subiu de 2% para 12%, Fernando. E há uma pesquisa muito interessante da consultoria Zentrix que indica que 70,1% das pessoas que votaram no partido de Milley, ou a Liberdade Avança, admitem que seus salários não chegam ao fim do mês. Somente 24,4% dos eleitores de Milley afirmaram que a inflação não está abalando seus salários.

E entre os eleitores opositores, 98,1% dizem que seus salários não alcançam e apenas 1,5% afirmam que sim, Fernando. Ariel, a gente vai passar para o Peru. Eu estou um pouco assustado com essa eleição, o primeiro turno no Peru, porque já faz quase um mês e a gente não tem um resultado ainda. Tem um resultado?

São duas semanas e meia desde o primeiro turno das eleições presidenciais peruanas. Apurar uns 95,9% das urnas ainda não terminou. E ainda faltam 4,1% para apurar. Parece pouco, mas quando você está definindo uma eleição em pouquinhos votos, aí sim todo voto importa. É uma contagem interminável que foi atrasada agora, nesse último pedaço, pela revisão das várias atas eleitorais que estavam em dúvida.

Então, o fato é, passaram duas semanas e meia, ainda não sabe qual será o segundo candidato para o segundo turno em junho. A única certeza, Fernanda, é que Keiko Fujimori, a direitista filha do ex-ditador Alberto Fujimori, está no segundo turno. Ela teve 17,1% dos votos no primeiro turno e está em primeiro lugar.

O mistério é o segundo colocado, porque aí tem, com 12% dos votos, o esquerdista Roberto Santos. Só que nos calcanhares dele, pisando os calos de seus calcanhares, está o ultra-hiper-conservador Rafael López Aliaga, que está apenas 0,1% abaixo de Santos, com 11,9%. E a diferença entre os dois é de apenas 23 mil votos a favor do Santos.

E essa contagem dessas atas que estão sendo revisadas Vai levar ainda vários dias pela frente A coisa só vai terminar talvez lá pelo 10 de maio E o segundo turno é agora em junho

Então, quer dizer, o tempo para poder fazer uma campanha para essa segunda pessoa vai ser complicado. Para Keiko não, porque ela já sabe que já está dentro. Bom, o fato é que a dúvida persiste, quem será essa segunda pessoa. Então, havia uma consultora, consultoria Ipsos, que queria fazer uma pesquisa em quem você vai votar no segundo turno. Mas como se fazer isso se você não sabe quem vai ser o outro? Então, decidiu fazer dois cenários. Um cenário com...

Keiko Fujimori versus Sanchez. Então, aí nesse caso, os dois aparecem empatados, cada um com 38% das intenções de voto. Outros 17% dizem que votariam em branco ou anulariam, que é uma proporção imensa, e 7% não souberam responder. Mas se o confronto for entre a direitista Fujimori e o ultraconservador López Aliaga, ou seja, aí seria entre duas versões da direita peruana, com as suas peculiaridades respectivas, e aí

34% apoiariam o candidato que se autoflagela para evitar a tentação da carne, que é o López Aliaga, contra, e a expressão é Ipsis Líteres, contra 31% para a ex-filha do ditador, Fujimori. Então, nesse cenário, 27% diriam nenhum dos dois votariam em branco ou anulariam.

uma proporção muito maior do que naquele outro cenário. E 8% não definiram preferência. Então, por enquanto, está tudo ali em banho-maria na eleição peruana. Fernando. Passamos agora para a Colômbia, Ariel. A Colômbia tem registrado uma série de atentados nos últimos dias. Eles são atribuídos a membros dissidentes das FARC, das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Só que tem um contexto político importante, porque tem eleição lá na Colômbia daqui a um mês, mais ou menos.

Também, é 31 de maio. Bom, uma onda de violência que está assolando a região sudoeste da Colômbia, é uma região onde está o Vale do Calca, de Narinho. Em 48 horas foram realizados mais de 30 ataques protagonizados por grupos dissidentes da ex-guerrilha das Farc.

Esses ataques terroristas foram feitos com explosivos em automóveis ou em drones. Uma das explosões, com uma bomba em uma rodovia, causou a morte de 21 pessoas, 21 civis, além de ferimentos em outras 56 pessoas, Fernando, dentre elas, 5 crianças e adolescentes. E uma das explosões também causou danos a um radar de controle aéreo, o que compromete agora a segurança da aviação ali nessa parte da Colômbia.

O presidente Petro e o exército colombiano atribuem esses ataques às dissidências das Farc, que são liderados por Néstor Vera. Néstor Vera, mais conhecido pelo nome de guerra de Ivan Mordisco, que é Ivan Mordidinha, traduzido para o português. Petro chamou o grupo de Mordisco de terroristas, fascistas e narcotraficantes e mobilizou 13 pelotões da cavalaria blindada, 12 de infantaria, além de estabelecer uma vigilância aérea contínua.

Mas a pergunta é, quem que é Ivan Mordisco? Mordisco era famoso por sua truculência, por ser um atirador perfeito, um atirador de elite. Ele não era da Cúpula das Farc, ele estava ali no segundo escalão. Mas quando a Cúpula das Farc fez o acordo de paz com o presidente Santos em 2016, Mordisco decidiu continuar na selva, na clandestinidade, e armou essa dissidência que tem o nome de Estado-Maior Central, o MC, e tem 3.200 guerrilheiros.

e a principal ocupação deles é o narcotráfico. Em 2022, Ivan Duque, que era presidente na época, anunciou a morte de Mordisco, só que meses depois ele apareceu vivo. Em 2023, Mordisco, já com Petro, concordou iniciar negociações de paz, só que um ano depois disse não, chega, e não quis mais continuar.

E agora, de novo, o mordisco está ali no centro do palco. E como você citou, tudo isso ocorre em plena campanha eleitoral, porque dia 31 de maio, os colombianos irão às urnas para votar no primeiro turno presidencial. Ariel, mais uma vez obrigado e até a próxima, Ariel. Obrigado, Fernando. Obrigado, Guga. Obrigado a todos.

Trabalhos técnicos de Isabel Gomes, edição de Ellen Menezes. Mundo e Meia Hora tem duas edições semanais, sempre em podcast, terça e sexta, na programação da CBN, terça às 11h30 da noite e sábado às 9h da manhã.

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