Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Negociações entre Estados Unidos e Irã; Dia da Memória do Genocídio Armênio

24 de abril de 202633min
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Neste episódio do Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles analisam a expectativa por mais uma rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano e o Dia da Memória do Genocídio Armênio. Comentam também sobre a decisão de Javier Milei de proibir a entrada de jornalistas na Casa Rosada, a ideia do governo Trump de substituir a seleção do Irã pela Itália na Copa do Mundo deste ano e, por fim, o reconhecimento do cachorro caramelo como raça no México, com incentivo vindo do Brasil.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Ariel Palacios

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G

Guga Chacra

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Assuntos5
  • Conflito Irã-EUASteve Wichkoff · Gerard Kirchner · Abbas Arakech · J.D. Vance · Mohamed Galibaf · George Kushner · bloqueio iraniano · bloqueio americano · preço da gasolina
  • Dia da Memória do Genocídio Armêniojovens turcos · Armênia · Turquia · Nagorno-Karabá · Azerbaijão
  • Proibição de jornalistas na Casa RosadaJavier Milei · Todo Notícias · Casa Rosada
  • Substituição do Irã pela Itália na Copa do MundoDonald Trump e a NASA · FIFA · Paolo Zampoli · Itália
  • Reconhecimento do cachorro caramelo como raçacachorro caramelo · Estado do México
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo Meia Hora. Hoje eu converso no primeiro bloco com o Guga Chacri, diretamente de Nova Iorque. A gente fala sobre a expectativa, sobre mais uma rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã. Falamos também sobre a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano.

e o dia da memória do genocídio armênio. Com Ariel Palacios no segundo bloco, diretamente de Buenos Aires, ele fala sobre Javier Milley, na Argentina, que agora proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada, e lhe conta o porquê. A ideia de substituir a seleção do Irã pela da Itália na Copa desse ano. E por fim, o México, que reconheceu o cachorro caramelo como raça. Um incentivo, veja só, veio do Brasil.

Guga Chakra, bem-vindo. Tudo bem, Guga? Oi, Fernando. Oi, Ariel. Oi, ouvintes. Guga, Estados Unidos estão enviando nesta sexta-feira Steve Wichkoff e Gerard Kirchner ao Paquistão para dar continuidade às negociações com o Irã. Eles vão se reunir lá com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Arakech, que chegou ao Paquistão também nesta sexta-feira. Qual que é a expectativa? Esse seria o segundo encontro entre Irã e Estados Unidos, né?

Exato, Fernando. É o segundo encontro. Havia expectativas de que seria na semana passada. Acabou sendo, vai ser nesse final de semana. É interessante notar, Fernando, que na primeira rodada de negociação, quem comandou a delegação americana...

foi o vice-presidente J.D. Vance. E quem comandou a delegação iraniana foi o Mohamed Galibaf. J.D. Vance vice-presidente, o Galibaf presidente do parlamento iraniano, o ex-prefeito Teheran, e uma das figuras mais poderosas do regime iraniano.

Quem vai agora? Vai o Itkoff e o George Kushner, que o Itkoff foi enviado especial do Trump para questões geopolíticas e o George Kushner tem o cargo de genro do Trump. No caso do lado iraniano, vai o Abbas Aragat, que é chanceler do Irã, porém não é uma pessoa tão poderosa do regime. Isso demonstra o quê? Que os dois lados diminuíram, de uma certa forma.

a importância desse encontro. Quais podem ser os motivos? Bom, em primeiro lugar, o risco de fracasso, especialmente pelo lado americano, e você assim não queima de novo a imagem do J.D. Vass. No caso iraniano, isso teria menos importância.

O segundo motivo é ver se avança um pouco as negociações nesse fim de semana para que se avançarem, aí sim um escalão mais alto, participar de uma terceira rodada de negociações. Isso é uma possibilidade existente também.

Pode ser também que no caso iraniano especificamente, eles estejam receosos de enviar uma delegação com figuras poderosas do regime, temendo que uma vez que eles cheguem ao Paquistão, quando retornarem ao Irã...

nesse período todo eles passem a ser o tempo todo rastreados por Israel, o que já pode ter ocorrido na outra rodada de negociações. E Israel levar mais adiante, no caso do fracasso de cessar fogo, levar adiante uma nova onda de decapitação de líderes iranianos. Então isso também pode ser que ocorra, mas de qualquer forma terá mais essa negociação.

nesse fim de semana, o cessar-fogo foi prorrogado por enquanto por tempo indeterminado, apesar do cessar-fogo, como a gente sabe, ao bloqueio iraniano ao estreito de Hormuz e paralelamente o bloqueio americano aos portos iranianos. São os dois bloqueios, quer dizer, a situação ali continua paralisada, custos econômicos vão se elevando tanto por Irã,

como também para a economia global. Aí não seria apenas para os Estados Unidos, claro que impacto maior em aliados americanos no Golfo Pérsico, mas ao redor do mundo as pessoas já começam a sentir o impacto econômico desse conflito com elevação no preço dos combustíveis. Você já procurou passagem aérea recentemente, Fernando, subiram muitos os preços das passagens aéreas e naturalmente do combustível para encher o carro.

o tanque do carro no posto de gasolina. E isso ainda está na questão dos fertilizantes, quanto mais caro fica o combustível, isso acaba impactando nos outros preços, por causa do frete e tudo. Então é um cenário ainda bem complicado, e existe sim o risco de uma escalada. Pode ser que haja cessar fogo, pode ser que continue o status quo.

de agora, com o duplo bloqueio, que prossiga por mais algumas semanas, sem maiores confrontos militares, mas pode ser que haja uma escalada militar.

Só uma curiosidade, Guga, você utiliza, porque a gente sempre ouve falar que o tanque de gasolina é muito sensível ao bolso do americano e ao voto do americano. Aí, em Nova York, você usa carro? Você tem abastecido o seu carro aí? Tem notado esse aumento? Eu não tenho carro aqui, Fernando, mas sim as pessoas que têm carro sentem bastante já o impacto do preço da gasolina em relação ao período anterior à guerra. E isso é das coisas que mais...

Se tem uma questão econômica que afeta a postura eleitoral de um americano, essa é o preço da gasolina. Não em Nova Iorque, mas nos Estados Unidos em geral, as pessoas usam muito.

o carro, é comum morarem em subúrbios e dirigirem para o trabalho, para a escola, para a universidade, para ir para o supermercado, para tudo eles usam o carro e ter o preço da gasolina tão mais alto como agora, isso afeta muito a percepção que eles têm no governo, até explica a baixa popularidade do Trump, hoje em 36%, um dos níveis mais baixos de um presidente na história moderna.

E a gente falou isso porque tem eleições de meio de mandato no final do ano, por volta de novembro, né? Exatamente, tem eleição de meio de mandato. Os democratas provavelmente levaram a Câmara dos Deputados, a gente não sabe qual a margem de cadeira. E os republicanos tendem a levar o Senado, mas aumentou a chance de que os democratas consigam também o Senado. O Senado é só um terço, é renovado.

e as cadeiras em jogo do lado republicano, são de estados mais solidamente republicanos. Mas apesar disso, tamanha crise nesse momento, que não dá para descartar que os democratas...

consigam conquistar algumas e passem o seu controle do cenário. Guga, agora a gente vai falar sobre Líbano e Israel concordaram em estender por mais três semanas o acordo de cessar fogo no conflito entre o grupo extremista Hezbollah, que é apoiado pelo Irã, e as forças israelenses. Nós tínhamos um outro acordo de cessar fogo que acabaria neste domingo, então quer dizer, foi prorrogado. Qual é o significado desse novo acordo, Guga? Olha, Fernando, é um acordo de cessar fogo imposto.

pelo Trump e em menor escala pelo Irã, mas no caso de Israel, pelo Trump e no caso do Hezbollah, pelo Irã. As negociações são entre Israel e o Líbano, mas é bom frisar, o Líbano não está em guerra com ninguém, não realiza ações militares, mas é quem está negociando, mas sem o aval do Hezbollah, é importante deixar isso claro.

O grupo não deu aval para o Líbano negociar diferentemente do cessar fogo de 2024, mas a organização disse que vai acatar provavelmente por pressão iraniana. No caso do Israel, se o Trump não determinasse o cessar fogo, o Netanyahu provavelmente preferiria seguir com a guerra. A questão é que os temas de maior disputa...

nesse conflito entre Israel e o Hezbollah, e que envolve o Libra, porque é o principal palco do conflito, eles ainda não foram resolvidos. Então, como a gente começa pela questão do desarmamento do Hezbollah, a organização não está disposta a se desarmar e não houve nenhum avanço nas negociações em relação a esse desarmamento.

A gente sabe que Israel, naturalmente, quer que o grupo se desarme, mas o governo libanês também quer o desarmamento do Hezbollah. Então esse é um ponto que Israel e o Líbano concordam. O outro ponto é a ocupação do sul do Líbano. O governo libanês, naturalmente, quer uma retirada israelense. Israel pretende permanecer no sul do Líbano.

especialmente numa faixa que vai da fronteira até 10 quilômetros dentro do território, onde Israel está destruindo dezenas de vilarejos e pretende transformar numa buffer zone, numa zona tampão para a segurança israelense e para proteger.

as cidades no norte de Israel de ataques do Hezbollah, mas para isso eles estão destruindo esses vilarejos de cidades do sul do Líbano. Então, continua um impasse nessa questão. Então, insisto, o Líbano quer a desocupação, o Hezbollah também, mas Israel se recusa. O Trump também falou de um possível encontro entre o Netanyahu.

e o presidente do Líbano, Joseph Faun, embora o presidente do Líbano tenha indicado que não quer essa aproximação com o Netanyahu e pretende continuar dialogando via Trump. E há um temor no Líbano que Israel use isso como propaganda. E claro, a maior parte dos libaneses também. A maior parte dos libaneses é contra o desarmamento do Hezbollah e não vê problemas em dialogar com Israel.

para tentar resolver as fronteiras, resolver o conflito. Agora, um encontro do Josefão com Netanyahu sem nenhuma concessão, por exemplo, sem a saída do sul do Líbano, a maioria não concordaria, além da imagem do Netanyahu ser muito tóxica no Líbano, a maior parte da população vê como um genocida por causa das ações em Gaza e também, no caso do Líbano, como um criminoso de guerra.

e causas desbombardas da Beirut. Guga, você recentemente escreveu na sua coluna no Globo que seria um cenário interessante que o Jojo Aum e o Premier Nawaf Salam atuarem mais como se fosse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, falando mais com a comunidade internacional para demonstrar, para mostrar tudo o que está acontecendo no sul do Líbano. Que possibilidade é essa?

Exato, Fernando. Você pode notar ninguém no Brasil se perguntar quem que é o Josef Aon, presidente do Líbano, e o Nawaf Salam, primeiro-ministro, poucas pessoas vão saber. E a mesma coisa ocorre nos Estados Unidos e na maior parte do mundo. Se você fala o Zelensky, eu acredito que hoje a maioria dos brasileiros com certeza já ouviu falar do Zelensky. O Zelensky, quando começou a guerra da Ucrânia, você lembra daquele périplo dele pelas capitais, fazendo discursos, dando entrevistas, explicando...

o lado ucraniano, que a Ucrânia pretendia. Você não vê os líderes libaneses fazendo o mesmo. Eles deveriam deixar a timidez de lado e vir falar aqui nos Estados Unidos, falar na Europa, falar onde quer que seja, defender.

Os pontos que são as posições deles, que é o desarmamento do Hezbollah para acabar com a interferência iraniana no Líbano, por um lado, e também a desocupação israelense do sul do Líbano. Dizer que o Líbano tem que ser um país soberano. Eles devem mencionar também a questão da diversidade religiosa do Líbano no fato de ser a única democracia do mundo árabe. O Iraque também é uma das duas únicas democracias do mundo árabe, ainda que frágil.

um lugar onde cristãos e muçulmanos convivem bem, um único lugar do Oriente Médio que tem um chefe de Estado cristão. Então tudo isso ajudaria muito a melhorar a imagem libanesa e conquistar...

mas apoio especialmente aqui nos Estados Unidos, o que pode até ajudar na relação com o Trump. O Trump tem uma simpatia pelo Líbano que eu não via nenhum presidente americano ter na história moderna, todos ignoravam o Líbano. Ele realmente tem, é porque ele tem grandes amigos libaneses ou de origem libanesa aqui nos Estados Unidos, incluindo Thomas Barak.

que é o embaixador americano na Turquia, que é o melhor amigo do Trump, é libanês. O embaixador dos Estados Unidos no Líbano, outro amigo do Trump, o Michel Issa, esse também, nascido no Líbano, libanês. O Trump tem um neto libanês, neto ou neto, eu não sei agora.

mas que é libanês, porque é filho de um cidadão libanês, do Michael Boulos, o marido da Tiffany Trump. Então ele tem um conhecimento melhor, ele até nos discursos dele indica que conhece bem, está em sintonia com o governo libanês na questão do desarmamento do Hezbollah, mas há uma diferença de posição muito grande no que diz respeito à desocupação de Israel. Trump não menciona, mas o Líbano pede a desocupação.

Legal, Guga, para a gente terminar, é importante a gente sempre lembrar aqui que nesta sexta-feira, dia 24 de abril, marca o Dia da Memória do Genocídio Armênio, uma das maiores tragédias do século XX. Começou quando jovens turcos, que era um movimento nacionalista, começou a perseguir lideranças armênias, aí veio depois disso um genocídio de...

Mais ou menos um milhão e meio de pessoas morreram, um milhão e meio de armênios morreram. Interessante em São Paulo, eu acabei de falar sobre isso aqui na programação da CBN, que a Biblioteca Mário de Andrade e a Ponte Estalhada ficam iluminadas com as cores da bandeira da Armênia.

Para lembrar, haja vista que no Brasil nós temos hoje cerca de 50 mil descendentes da diáspora armênia vivendo no Brasil, a maioria na cidade de São Paulo. Estive lá em 2023, a gente conversou bastante sobre isso aqui no Mundo em Meia Hora, fui lá conhecer o país e estava na época da crise, no conflito com o Azerbaijão. Exatamente, Fernando. O genocídio armênio ocorreu na maior parte...

na região da Anatólia, que hoje é a Turquia. Quando a gente vê ali o mapa da Turquia, aquela região onde tinha mais armênios, hoje tem muitas vilas curdas, mas eram vilas armênias. Cidades armênias em Istambul tinha uma grande população armênia que foi alvo de um genocídio cometido ali no regime dos jovens turcos no final do Império Otomano.

centenas de milhares de mortos, milhões de refugiados, eliminou toda essa comunidade armênia que existia ali na Anatólia. Eles foram expulsos para o deserto em direção à Síria, foram muito bem recebidos na Síria, no Líbano, alguns acabaram emigrando posteriormente para o Brasil, para a Argentina, para a França, para os Estados Unidos, um dos maiores genocídios cometidos no século XX, e sempre importante nós marcarmos.

essa data, Fernando. Então fica aqui nossa solidariedade ao povo armênio. Mais recentemente houve limpeza étnica de armênios na região de Nagorno-Karabá, República de Artsakh cometido pelo Azerbaijão. Guga, mais uma vez obrigado pela participação e até a próxima. Obrigado, Fernando. Abraço, Ariel. Abraço, ouvintes. Daqui a pouco eu volto falando mais com Ariel Palácio sobre Javier Milei, que proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada. Até já.

De volta agora com Ariel Palacios, falando com a gente diretamente de Buenos Aires. Oi Ariel, bem-vindo. Como está, Fernando, Guga, ouvintes? Tudo bem? Tudo bem. Ariel, começaremos por Argentina. Javier Milley agora proibiu a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, que é a sede do governo em Buenos Aires. Está acontecendo uma investigação sobre uma suposta espionagem ilegal. Eles tinham ali digitais para poder entrar na Casa Rosada, não podem mais. Por quê? O que aconteceu?

Pois é, o presidente Milley está intensificando, e cada vez mais com esta medida fica claríssima, não é só a guerra contra os jornalistas, jornalistas de forma geral, que é um conflito que vem crescendo desde os tempos que Milley era candidato presidencial em 2023. Naquela ocasião ele tinha uma atitude agressiva.

com a imprensa, que inclusive com uma saraivada de insultos escatológicos contra os profissionais da mídia. Isso foi algo ininterrupto. Momentos mais intensos, momentos menos intensos, mas sempre esse comportamento chulo por parte do presidente. E agora ele decidiu proibir a entrada de...

todos os jornalistas na Casa Roçada, especificamente são mais de 60 jornalistas que estavam credenciados para cobrir os assuntos do Palácio Presidencial. Alguns cobriam a sede do governo há décadas. Ao caso de uma jornalista que estava lá há quase 40 anos, uma senhora que cobria há quase 40 anos a Casa Roçada. A medida não tem precedentes.

desde a volta da democracia, tampouco tem precedentes, nem nos tempos da ditadura militar, para ser desvigoroso, nos tempos da ditadura militar, só houve restrições à entrada dos jornalistas na Casa Roçada, na primeira semana depois do golpe, depois dos jornalistas puderam entrar normalmente, havia todo um esquema de censura lá, porque era a ditadura, mas a entrada estava liberada, agora a lei vai mais além do que daqueles tempos tenebrosos, e proíbe a entrada desses jornalistas credenciados,

O motivo alegado pelo governo Milley para a proibição é uma suposta espionagem feita por dois jornalistas do canal Todo Notícias, que teriam filmado lá dentro dos corredores sem a suposta autorização. Só que nas áreas públicas da Casa Roçada, você pode gravar sem problema algum. E a outra teoria da conspiração de Milley é uma suposta infiltração russa.

Na mídia argentina, ou seja, voltamos aos tempos das conspiranoias da Guerra Fria, Fernando. A guerra de Milley contra a imprensa atinge principalmente os grandes meios de comunicação da Argentina, como os jornais Clarín, La Nation, canais de TV, como o Todo Notícias, que citei antes, aos quais Milley acusa de conspirar contra seu governo.

Milen também xinga os meios de comunicação opositores de menor tamanho, mas especialmente os grandes meios de comunicação. E ele continua com aquela história do não odiamos jornalistas o suficiente? Exatamente. Há poucos dias ele voltou a colocar nas redes essa mesma mensagem que abre aspas, não detestamos ou não odiamos os jornalistas de forma suficiente. Fecha aspas. Bom...

O que tem por trás disso? A realidade é que esses meios de comunicação trouxeram à tona diversos escândalos de corrupção do próprio Milley, como aquele escândalo da criptomoeda Libra, que Milley fez publicidade. O presidente não pode fazer publicidade de produto algum. E era uma grande maracutaia que causou perdas a 180 mil pessoas por mais de 100 milhões de dólares. Outro escândalo envolvendo sua irmã, Karina Milley.

num esquema de subônus de empresas farmacêuticas com a divisão do governo que cuidava de pessoas com deficiências mentais e físicas, compras de medicamentos, e também o chefe do gabinete de ministros, Manuel Adorni, que antes havia sido porta-voz dele, nesse caso envolvido também...

em uso dos aviões presidenciais para a viagem de sua esposa e outros gastos não declarados muito estranhos, e também envolvimento de secretários em algumas maracutaias. Bom, então tudo isso irrita o presidente, como tantos outros presidentes que se irritam em todo o mundo quando a imprensa divulga seus escândalos de corrupção e suas picaretagens.

Bom, Milley, na época da campanha, e isto é um dado bastante peculiar, dizia que ia privatizar ou fechar o canal estatal TV Pública. A TV Pública existe desde os tempos da ditadura militar, sobreviveu ao longo da democracia e sempre foi um canal cultural e jornalístico. Bom, Milley dizia que ia fechar ou privatizar esse canal. No entanto, ele manteve o canal. O Cantanão continua funcionando, só que divulga...

só notícias positivas sobre o governo Milley. Como todo bom populista usa o Estado para fazer publicidade. E também usa o canal para insultar jornalistas dos meios privados de comunicação. E dias atrás, numa reportagem na TV Pública, Milley disse que 95% dos jornalistas são, segundo ele, abre aspas, delinquentes e que recebem subornos. Fecha aspas. E nos quatro dias do recente feriadão da Páscoa, Fernando e Guga,

Milley dedicou inúmeras horas a escrever 86 postagens na rede X para criticar a imprensa. Ou seja, sobra tempo. É como se o país não tivesse crise, não tivesse problemas. Tem tempo de sobra. No fim das contas, ele governa a Noruega, ou a Suécia, ou a Finlândia.

E além disso, o presidente, cujo salário é pago pelos contribuintes para trabalhar, repostou outras 874 postagens contra jornalistas. Então o cara tem que parar, ficar olhando postagens e repostando. Isso ocupa um monte de tempo.

Quer dizer, não existe outra coisa para fazer, não é mais interessante? Bom, Milley costuma disparar, e útil, né? Costuma disparar em insultos catológicos, ele faz insultos com comparações com deficiências físicas e mentais, entre vários outros tipos de injúrias e ofensas. E a Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina, a DEPA, criticou Milley por esse comportamento, ressaltando que ele pretende hostilizar e intimidar os profissionais da mídia da Argentina.

Agora, Ariel, a gente... Ah, perdão, recordando que ele nunca deu uma coletiva de imprensa. Nunca? Desde que é presidente. Aliás, nesse aspecto, ele é igualzinho ao ex-presidente Néstor Kirchner, que também se recusou a dar coletivas. Nunca deu uma coletiva enquanto foi presidente. Ah, complicado responder a perguntas.

Esse tipo de presidentes, de qualquer ponto do leque de lógica, os populistas de forma geral, eles dizem que falam diretamente com o povo. Falam com o povo, entre aspas, pelas redes sociais. Só que nunca respondem pergunta alguma, porque não há um jornalista que pergunta algo e esse presidente responda. Então é muito conveniente para eles.

Agora, Ariel, a gente vai falar sobre a ideia de um assessor especial do presidente americano, Donald Trump, que pediu, sugeriu à FIFA que substituísse o Irã pela Itália na Copa do Mundo. É aquelas ideias, aquele gênio com J, Ariel.

Gênio com J, exatamente. Gostou. Gênio com J. Veio de professor Pasquale há algum tempo. É muito bom. Enfim, vamos lá. Pois é, o gênio com J e com H no final, e com Y ali no meio, entre.

O que é o presidente Trump, em seu currículo, ele acumula a proposta de anexar a Grandland, de anexar o Canadá, de se retratar como Jesus Cristo, curando pessoas idosas nas redes sociais, de planejar fazer da faixa de gás um resort de luxo, agora pretenderia substituir a seleção do Irã, pela da Itália, na Copa do Mundo, de futebol masculino da FIFA, que começa daqui a 49 dias.

O plano é do alto representante de Trump para a Copa, um italiano naturalizado americano, Paolo Zampoli, que argumenta que a Itália tem pedigree para entrar nesta Copa. Pedigree tem, mas o negócio é que isso aí não seguiria as normas da própria FIFA.

Quem que é Zampoli? Zampoli é um ex-agente de modelos, seu fã de ter apresentado Trump, a atual primeira-dama, Melania Trump, que era uma modelo balcânica. Zampoli declarou ao jornal britânico Financial Times que já começou a promover essa ideia da substituição de Ira.

pela Itália, que ele começou a promover essa ideia perante a FIFA. É um dado interessante, o nome de Zampoli aparece nos arquivos do depredador sexual Jeffrey Epstein. E há um mês, o fato é que o regime iraniano havia declarado que a seleção iraniana não poderia ir à Copa na América do Norte, porque, abre aspas, esse regime corrupto assassinou o nosso líder. Fechado. Isso é uma alusão à morte do chefe espiritual do Irã durante os bombardeios americanos.

Mas, apesar dessas declarações, o presidente da FIFA, que é o suíço Gianni Infantino, tem declarado que Irã sim vai participar. Como é que os italianos reagiram com essa proposta? Muitos países diriam, uau, vamos pegar carona nisso. Na Itália, muito civilizadamente, eles falaram, não, isso seria um absurdo.

porque não classificamos qual vai ser o argumento agora para ser colocado lá dentro. O ministro de Esportes de Itália, Andrea Bode, sustentou que, abre aspas, primeiro, isso não é possível, segundo, não é apropriado, fecha aspas. O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, disse que a ideia americana era vergonhosa.

Mas o que está por trás dessa manobra? Mais além de Trump ter dito que quer aniquilar o Irã. Trump deixaria oficialmente de fora a seleção do Irã, incluiria a Itália, que é país governado pela primeira-ministra Giorgia Meloni. A líder italiana, católica de direita, era uma aliada.

uma aliada forte, aliada de Trump, mas a relação esfriou de forma drástica com o presidente americano desde que ele começou a criticar intensamente o Papa Aleão XIV. E na Itália, sendo Papa Italiano ou não, não se brinca com o Papa, mesmo que a Itália seja um país e o Vaticano seja outro. Mas, de forma geral, os primeiros ministros italianos protegem, de alguma forma,

os pontífices. Meloni disse que as declarações de Trump sobre o Papa eram inaceitáveis e tampouco permitiu que os Estados Unidos usem bases na Itália para a guerra contra o Irã e suspendeu também a renovação automática da colaboração militar com Israel. Uma colaboração alienária de defesa.

E a seleção da Itália? A seleção da Itália é uma das seleções históricas, não é? A Itália, não me refiro à seleção atual, me refiro à seleção como um todo, não é? Ficou de fora, o problema é que ficou de fora das três últimas Copas do Mundo, 2018 na Rússia, quando foi eliminada pela Suécia na repescagem, aí pior ainda, ficou de fora em 2022 na Copa do Catar, ao ser derrotada pela Macedônia do Norte.

E foi desclassificada para participar desta Copa Tríplice nos Estados Unidos, México e Canadá, ao perder nos pênaltis para a seleção de nada mais e nada menos que Bosnia-Herzegovina. E essa Copa tem 48 países, hein? Exato. Não é que não havia vaga. Tem a vaga de sobra. Então, quer dizer, uma Copa no qual vai estar o mês que estão Cabo Verde e não vai estar Itália de novo.

É algo assim fora do normal. Mas, enfim, fazer o quê? Não passou, não passou. Duralex, sedalex. Diriam em latim os romanos quando diziam. Aleia, dura, mas é aleio. Essa é a norma. Bom, a Itália já conquistou quatro Copas do Mundo ao longo da história desses 96 anos de campeonatos da FIFA. Os italianos nesse ranking ficaram empatados com a seleção da Alemanha, uma Copa atrás do Brasil. A seleção italiana foi a...

Primeira seleção europeia a conquistar uma Copa em 34, a primeira foi o Uruguai em 30. Foi a primeira bicampeã mundial, porque depois em 38 a Itália voltou a ganhar. E além de ser vice-campeã duas vezes, coincidentemente foi vice as duas vezes que perdeu a Copa para o Brasil. México 70, Estados Unidos 1994.

Muito bem. Passamos agora para o México, porque no México, o tradicional cachorro, que é muito conhecido no Brasil como caramelo, foi lá agora reconhecido oficialmente como uma raça. Ariel, eu estava vendo isso, eu não sabia, descobri agora há pouco. E fui ver, teve muitas reações nas redes sociais aqui no Brasil. Que história é essa?

Pois é, a Procuradoria de Proteção do Ambiente do Estado do México, que é um dos principais estados do México, ou seja, não é uma decisão federal, é uma decisão do estado dos grandes estados mexicanos, que está do lado do México DF, tampouco o estado onde está a capital, mas tem esse nome, Estado do México, decidiu declarar que el perro caramelo, isto é,

o cachorro caramelo, também chamado ali de perrito amarillo, isto é, o cãzinho amarelo, passa a integrar sua lista oficial de raças mexicanas caninas, junto com o Chihuahua, o Chihuahua, porque o Chihuahua era um cão que acompanhava as pessoas na antiquíssima civilização tolteca.

As autoridades destacaram a importância de valorizar o cão caramelo, fazendo apelo para a adoção responsável, cuidar dos animais domésticos, porque há um problema grave. Acho que o país que tem mais quantidade de animais de rua em toda a América Latina, e no mundo, inclusive, é um dos maiores. É o maior aqui e um dos maiores no mundo, porque tem 30 milhões de cães de gatos, metade e metade, mais ou menos, em situação de rua.

A decisão das autoridades mexicanas, como você viu, teve um impacto de causar indignação nas redes sociais no Brasil, porque reclamaram do uso dessa expressão tão brasileira como cachorro caramelo, mesmo que transposta pelo espanhol, perro caramelo, porque os próprios mexicanos admitem...

que se inspiraram na denominação brasileira. A expressão brasileira foi entrando nos últimos anos no Brasil. Uma expressão que também é relativamente nova, Fernando. Quando eu era criança no Brasil, não se usava essa expressão cachorro-caramelo. Isso veio há algumas poucas décadas. Mas, de todas formas, no México chegou recentemente, por intermédio do uso popularizado no Brasil.

Tanto no México quanto no Brasil, no México agora o Estado do México o considera um patrimônio. No Brasil, Rio e São Paulo, os estados, também declaram um patrimônio cultural. Não existe uma declaração oficial nos dois países como uma federação como um todo.

Então minha recomendação é que parlamentares brasileiros se apressem antes que o México aproprie esta canina denominação de origem e torne o cachorro caramelo no Brasil um patrimônio cultural. Não, não, antes que os mexicanos passem na frente da gente, né, Fernando? Perfeito. Ariel, mais uma vez, obrigado pela participação e até a próxima edição.

Eu considero que você concordou totalmente com a necessidade do Congresso considerar a oficialização do cachorro caramelo. Então um abraço, Ariel. Até mais. Até mais. Trabalhos técnicos no Mundo Meia Hora, de Isabel Gomes, em edição de Ellen Menezes. Mundo Meia Hora, em podcast, toda terça e sexta, na programação da CBN, terça às 11h30 da noite, sábado às 9h da manhã.

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