Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Cessar-fogo entre Irã e Líbano; Estreito de Ormuz aberto

17 de abril de 202631min
0:00 / 31:57
Neste episódio do Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles analisam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, o cessar-fogo entre Irã e Líbano e os impasses sobre a permanência de tropas israelenses no sul do Líbano, além do debate em torno do desarmamento do Hezbollah. Comentam também a apuração lenta das eleições no Peru e, na Argentina, a pressão sobre a Suprema Corte diante de mais uma proposta de reforma trabalhista do presidente Javier Milei, em meio a uma inflação que segue em alta.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio3
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Ariel Palacios

ComentaristaComentarista
G

Guga Chacra

ComentaristaComentarista
Assuntos5
  • Conflito Irã-EUADesdobramentos da guerra no Oriente Médio · Ocupação de tropas israelenses no Líbano · Desarmamento do Hezbollah
  • Reforma trabalhista na ArgentinaSuspensão da reforma · Recursos à Corte Suprema
  • Eleições PeruApuração lenta dos resultados · Candidatos nas eleições · Fraude nas eleições
  • Estreito de Ormuz
  • Inflação na ArgentinaAumento da inflação · Impacto no consumo de carne
Transcrição85 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Se você está na liderança de uma grande empresa, sabe. Quando a operação cresce, os desafios também crescem. Mais volume, mais canais, mais decisões em tempo real. É aí que entra o Mercado Pago. A mesma tecnologia de soluções de pagamentos do Mercado Livre, pronta para ajudar grandes empresas a vender com mais segurança. Altas taxas de aprovação, integrando pagamentos online e offline. Mercado Pago, um parceiro à altura do seu negócio. Clique no banner e conheça nossas soluções.

Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo em Meia Hora. Hoje eu converso com o Guga Chakra, diretamente de Nova Iorque. A gente vai falar sobre a guerra no Oriente Médio. O Estreito de Hormuz foi reaberto pelo Irã. Houve também um cessar-fogo entre Irã e Líbano. Mas como é que fica a ocupação por tropas israelenses do sul do Líbano?

e também o desarmamento do grupo xiita Hezbollah. Aí no segundo bloco com o Ariel Palácio, diretamente da Argentina, a gente vai falar sobre a conturbada e lenta, muito lenta, apuração dos resultados da eleição no Peru. Na Argentina, Javier Milley recorreu à Corte Suprema para tentar mais uma vez emplacar uma controversa reforma trabalhista. E ainda, a inflação na Argentina, que não para de subir. Vamos para o mundo.

Guga Chakra com a gente. Guga, bem-vindo, tudo bem? Oi, Fernando, oi, Ariel, oi, ouvintes. Guga, nós tivemos primeiro uma trégua firmada entre Líbano e Israel, um cessar-fogo de dez dias, e isso era uma das exigências do Irã para que um acordo mais amplo fosse firmado entre Estados Unidos, Israel e Líbano. Eis que nesta sexta-feira...

O Irã diz que o Estreito de Ormuz está aberto para todos os navios comerciais, o preço do barril caiu e agora há aparentemente um ambiente menos hostil para novas negociações. Guga, para a gente começar, descreve para a gente que momento é esse nesse conflito.

Olha, Fernando, em primeiro lugar, começando pelo cessar fogo no Líbano, não era interesse de Israel nesse momento uma trégua no confronto contra o Hezbollah, mas era do interesse dos Estados Unidos e Israel somente aceitou depois de pressão americana. Agora, os Estados Unidos, o governo Trump...

montou uma estratégia, porque a gente se recorda que o Irã estava demandando uma trégua no Líbano naquele acordo de cessar fogo com os Estados Unidos, que vai até terça-feira. Os Estados Unidos e Israel diziam que não, que não estava incluído. O que aconteceu? O Trump organizou um encontro entre a embaixadora...

do Líbano em Washington e o embaixador de Israel em Washington, ao mesmo tempo que falou por telefone com o Netanyahu e o José Faun, e passou a ideia de que o acordo foi firmado pelo Líbano com Israel. Essa é a narrativa americana e também a narrativa israelense, de uma certa forma, a narrativa libanesa. Ao mesmo tempo, o Irã pode argumentar que esse acordo está dentro da negociação maior entre o regime de Teherã com os Estados Unidos. O fato é que há um cessar-fogo...

Nesse momento, Israel não pode mais atacar o Líbano e o Hezbollah tampouco pode atacar o território israelense. No caso de Israel, o Trump, na manhã dessa sexta-feira, publicou um post extremamente duro com Israel, dizendo que o governo israelense, as forças israelenses, estão proibidas de bombardear o Líbano. Isso é um tom que eu nunca vi nenhum presidente americano adotar com Israel.

é um tom tão duro como o Trump adotou. Mas nesse momento, sim, é um cessar-fogo de 10 dias. Começou na quinta-feira, faltam ainda uns 9 dias. A gente não sabe como vai ser, mas abrirá espaço para facilitar a negociação entre os Estados Unidos e o Ira. Só para terminar a parte do cessar-fogo, Fernando?

As principais disputas entre Israel e o Hezbollah persistem, e mesmo o Líbano. Israel seguirá dentro do território libanês. Israel está ocupando uma faixa que vai da fronteira até 8 quilômetros dentro do Líbano. Nessa faixa, Israel está destruindo todos os vilarejos, sem exceção, está botando tudo abaixo, similar ao que eles fizeram em Hanunes e Rafa na faixa de Gaza. E no restante, que vai da faixa dos 8 quilômetros até os 30, alguns dizem que até...

Israel vai manter uma ocupação militar, lutando na prática contra o Hezbollah, mas nesse momento sem os confrontos diretos. Por outro lado, o Hezbollah segue armado. Não acordou em se desarmar, a gente lembra que essa era a principal demanda israelense. Como isso vai se resolver no longo prazo? Muito cedo para saber, mas de qualquer maneira tivemos um encontro histórico nessa semana entre autoridades, entre as embaixadoras do Líbano.

em Washington, embaixador de Israel. Isso por si só é histórico. Eu não me recordo de nada similar desde 83, quando houve aquele breve acordo de paz entre o Líbano e Israel. Então o presidente do Líbano, Herói Amin Ismail, um acordo de paz que fracassou rapidamente, nunca saiu do papel, mas teve. Pouca gente sabe disso, mas teve um acordo, um breve acordo, um acordo de 17 de maio, um breve acordo naquele período.

Guga, explica para a gente um pouco melhor qual é a situação do sul do Líbano, o sul do Rio Litane, onde está havendo a destruição dessas vilas, e aí milhares de pessoas fugiram dessa região, e houve até um comunicado de Israel para que as famílias não voltem. Muitos nem têm mais casa para voltar. Qual é a situação de lá?

Olha, Fernando, a situação do sul do Líbano lembra um pouco com a situação de Gaza. Israel vai destruindo praticamente tudo o que vê pela frente. Então, boa parte do sul do Líbano sendo destruída. As pessoas foram expulsas por Israel. Israel usa o argumento que avisou as pessoas para deixarem suas casas.

Caso contrário, elas seriam bombardeadas junto com as suas residências. Então, na prática, isso é uma expulsão, por isso que eu uso esse termo. As pessoas, então, saíram do sul do Líbano e foram em direção a Beirute. Também houve a mesma expulsão da região de Darre, que a gente chama de subúrbio de Beirute, que não é oficialmente município de Beirute, mas é uma área densamente povoada. Seria como Guarulhos.

São Paulo, que em teoria é subúrbio de São Paulo, mas também é densamente povoado, é menor do que Guarulhos, só para ficar claro, mas com prédios mesmo. Então as pessoas foram expulsas, dá que essa região do sul de Beirute, subúrbio da Arre, também sendo destruído como o sul do Líbano, mas agora...

Com esse cessar-fogo, algumas pessoas tentam voltar para o que restou, mas é muito difícil, nesse momento até, diante do risco do conflito ser retomado em alguns dias. Não dá para descartar essa possibilidade. Então, esse é o cenário no sul do Líbano nesse momento. Guga, houve uma tentativa de colocar frente a frente Benjamin Netanyahu e o presidente iraniano Aoun. Esqueci o primeiro nome dele. Não, presidente libanês. Presidente libanês. Como é que é o nome dele? Aoun.

Joseph Aoun. Por que não querem esse encontro? O que pega aí? Não, não. O presidente do Líbano não vai se encontrar com o primeiro-ministro de Israel. Isso não vai acontecer. Aliás, há uma lei que não precisa ser respeitada, mas existe uma lei no Líbano que cidadãos urbaneses sequer podem ter contato com cidadãos israelenses. Isso seria inaceitável nesse momento.

no Líbano, que um presidente se encontra com o primeiro-ministro de Israel, ainda mais em meio, depois de todos os bombardeios israelenses. O que há, sim, que os libaneses aceitam é uma negociação justa para a resolução de conflito entre Israel e o Hezbollah, e Israel e o Líbano, para que os dois países tenham fronteiras reconhecidas, tudo, e a partir daí, quando a situação, quando tiverem fronteiras reconhecidas, que todas as disputas começarem a ser resolvidas.

você pode ter um diálogo em direção à paz, mas o Líbano tem a questão ainda palestina muito forte, como que fica a questão israelense-palestina, mas no geral os libaneses querem ser uma Jordânia. O que é ser uma Jordânia? Ter sim um acordo.

de relações diplomáticas com Israel, um acordo de paz, porém carregando ainda a bandeira da causa palestina, de o direito de os palestinos terem um Estado independente. Então, são as duas coisas, mas é o que é a Jordânia. Só para resumir, a Jordânia é isso, a Jordânia tem um acordo de paz com Israel, mas os jordanianos seguem...

totalmente pró-Palestina, até porque boa parte da população da Jordânia é pró-Palestina. Então tem que resolver, mas tem alguns detalhes ali que são, eu acho que tem a questão das armas do Hezbollah, tem a definição de fronteiras também, mas um tema muito complexo.

São centenas de milhares de refugiados palestinos no Líbano, ou netos de pessoas, netos bisnetos, até filhos de pessoas que foram expulsas do que hoje é Israel, ou saíram imaginando que a guerra iria terminar rápido em 1948 e nunca mais puderam voltar para suas terras, que hoje fazem parte do Estado israelense. A Jordânia concedeu cidadania para os palestinos.

O Líbano nunca concedeu essa cidadania, até porque afetaria a balança sectária libanesa, porque a maior parte dos palestinos que estão no Líbano são os sunitas. Os cristãos palestinos até receberam cidadania, mas os muçulmanos sunitas, em sua maioria, não. Eles recebessem e aumentaram a população.

a proporção dos senitas no Líbano, enfim, tem uma série de obstáculos que precisariam ser resolvidos. Mas, resumindo, ainda não é o momento para o encontro do presidente José Faun com o primeiro-ministro Netanyahu, que, apesar de boa parte da população libanesa, a maioria, condenar o Hezbollah pelas armas do Hezbollah, tudo, essa mesma...

a população condena as ações israelenses, tanto contra o sul do Líbano, contra o Líbano como um todo, assim como as ações israelenses na faixa de Gaza e a ocupação na Cisjordânia. Agora, Guga, essa equação é extremamente complicada, porque o Hezbollah teria que ser desarmado.

Ao mesmo tempo em que as tropas israelenses deveriam deixar o sul do Líbano. Um só vai fazer isso e o outro fizer também. Como? Para isso que vão existir as negociações diplomáticas. A chance de não dar certo é enorme, viu, Fernando? Sim, sendo cético para um momento de Israel seguir no sul do Líbano e o Hezbollah sem desarmar. Ainda é a probabilidade maior que o conflito volte.

que cessar fogo seja temporário para essa negociação Estados Unidos-Irã, a partir do momento que o Estado instalar um acordo com o Irã, esquecer do Líbano, e o Irã talvez não queira retomar o conflito por causa do Hezbollah, ficando ali um confronto entre o Hezbollah e Israel. Essa é a probabilidade maior.

Mas existe uma chance, sim, do Trump seguir pressionando Israel para manter o cessar-fogo em negociações com o Líbano e aí tentando convencer o Irã também para que haja um acordo que o Hezbollah concorde se desarmar, pelo menos no sul do Líbano, que troca da retirada israelense. Essa é uma probabilidade menor, mas possível, que seria a visão mais otimista do conflito. Guga, o Estreito de Hormuz foi reaberto pelo Irã. O que significa?

Significa que o Irã vinha demandando ao cessar-fogo no Líbano também para a reabertura do Soleil de Hormuz. Como houve cessar-fogo no Líbano, agora eles reabriram. Claro que é uma decisão temporária e muitas das embarcações ainda ficam receosas de passar pelo estreito, as seguradoras também, mas o Irã falou que está aberto. Os Estados Unidos não acabaram, por enquanto, com o bloqueio aos portos iranianos.

até ter um cessar-fogo definitivo. Mas a tendência é que nos próximos dias haja mais negociações entre os Estados Unidos e Irã com a possibilidade de acordo. Não que vá ocorrer um acordo, mas existe sim uma possibilidade de acordo, até porque a questão de Hormuz e do Hezbollah aparentemente estão mais solucionadas, ainda que de forma...

E daí sobraria a questão nuclear, que basicamente a proposta americana é uma moratória de 20 anos, na qual o Irã não poderia enriquecer urânio, e o Irã estaria disposto a aceitar algo com 5, 8 anos, mas você pode encontrar um divisor comum, 10 anos, 12 anos, enfim, na qual o Irã não enriquecer esse urânio. E aí sim teria...

Não seria acordo de paz, mais uma vez, seria simplesmente uma formalização de um cessar-fogo de mais longo prazo, ainda não um armistício, mas um acordo de cessar-fogo não temporário e sim definitivo. Guga, é comprovado que o Irã tem um pouco mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%? Isso é certo?

O Irã tem esse urânio enriquecido de 60%, não se sabe onde está esse urânio, esse patamar é insuficiente para uma bomba atômica, mas é próximo, com mais enriquecimento, poderia levar a patamar de 90%, e aí sim poderiam enriquecer, usar isso, mas é claro, você precisa fabricar o armamento, não é uma coisa você ter urânio no patamar suficiente para fabricar uma bomba atômica, outra coisa é você fabricar essa bomba atômica, mas esse é o cenário nesse momento. Só para deixar claro,

Israel tem bomba atômica, os Estados Unidos tem bomba atômica também, só para entender o contexto. O Irã é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, por isso que ele está sujeito a essas punições. Israel não é muito surreal tudo isso, não é e, portanto, não fica sujeito a punições internacionais.

Há quem diga que defenda ali que o Irã adote a seguinte estratégia, abdicar completamente do enriquecimento de urânio indefinidamente em troca de Israel abdicar seus armamentos atômicos. Israel não vai abdicar, mas só para colocar ali a visão de alguns analistas. Perfeito. Guga Chakra, mais uma vez, obrigado pela participação, Guga, e até a próxima.

Obrigado, Fernando. Abraço, Ariel. Abraço, ouvintes. Parabéns pelos nove anos do programa Estúdio CBI. Muito obrigado. Obrigado, Guga. Bom, daqui a pouco a gente volta falando mais sobre eleições no Peru com Ariel Palacios. De volta agora com Ariel Palacios falando com a gente diretamente de Buenos Aires, na Argentina. Tudo bem, Ariel? Bem-vindo.

Como está, Fernando? Como está, Guga? Como estão ouvintes? Tudo bem? E, mais uma vez, parabéns ao Estudo CBN pelos nove anos de idade. Muito obrigado. O Estudo CBN completou nove anos nesta sexta-feira. E o Ariel faz parte dessa turma. Ariel, a gente vai começar falando sobre o Peru. As eleições no Peru foram no domingo passado. Até agora...

Não tem ainda o resultado claro. Nós tivemos... É uma lenta e complicada apuração. Nós já falamos aqui anteriormente que teve uma reviravolta, um candidato de esquerda, o Roberto Sanches, que é muito ligado ao ex-presidente Pedro Castilho. Saiu lá do sexto lugar, está ocupando nesse momento, sexta-feira à tarde, a segunda posição. O que a gente sabe é que o Fujimori vai sim para o segundo turno. Mas esse segundo lugar está muito embaralhado. Conta para a gente qual é a situação.

Tantíssimo embaralhado. Estamos na sexta-feira, a eleição foi domingo. Domingo. Quer dizer, é uma eternidade. Se bem que no Peru também costuma demorar muito a apuração, não é? Na ritmo de tartaruga, é ritmo de escargot. É lento, lento, lento. É uma coisa... O escargot com pressão baixa ainda por cima, não é?

Bom, a única coisa concreta é que Keiko Fujimori, sim, vai ser uma das duas pessoas que irão ao segundo turno. Ela está com 17,1% dos votos neste momento, com 93,3% das urnas apuradas. O segundo colocado é o Roberto Sanchez, que está...

com 12%. Mas aí nos calcanhares, e quando digo aí, nos calcanhares mesmo, ipsis litris, está o Rafael López Aliaga, que está com 11,9%, quer dizer, 0,1% abaixo do Santos. E ainda por cima tem outro, que é o Jorge Nieto, que está com 11,1%, quer dizer, 0,8% atrás do López Aliaga.

Se a gente pegar quantos votos o Santos tem, recordando que o número que eu vou dizer vai parecer baixo, mas é que é baixo mesmo, não parece, é baixo. 1.890.203 votos. Por quê? Porque dos 27 milhões...

de eleitores peruanos, votaram 18 milhões. Foi uma participação baixíssima. Baixíssima. De 27 milhões, 18,8 participaram. Bom, Santos tem 1,8 milhão. 1,890,203 votos.

López Aliaga está com 1 milhão 876 mil 464 votos. Quer dizer que López Aliaga tem uma diferença para Santos. Ele está abaixo, ele perde, por enquanto, por pouco mais de 13 mil votos. 13 mil votos é uma coisa minúscula, Fernando. É uma coisa minúscula, Fernando.

No Peru não tem nada digital? Tudo é manual? Tudo é manual. O Brasil é um dos pouquíssimos países no continente que tem um sistema de forma digital. A gente tende a achar que, bom, o resto da região teria se modernizado também. Não, ao contrário, o resto da região permanece na celulose mesmo, no papel.

Então, quer dizer, a diferença de votos que tem é milústica. López Aliaga já teve seus xiliques dizendo que havia havido fraude, etc. Depois que a margem de votos entre ele e o Santos, o Santos primeiro ultrapassou ele. Aí, quando a margem de votos do López Aliaga começou a encolher, o Santos aí já deixou de falar de fraude. Então, por enquanto, ele já não está falando, porque vai que passa. Então, se é fraude, para quê?

E vários observadores da União Europeia foram até o Peru acompanhar e disseram não, foi fraude, não tem fraude, é um sistema confiável. O sistema é muito confiável, o sistema é lento, lerdíssimo, mas nunca se desconfia da seriedade da apuração dos votos. Ela pode demorar uma eternidade, mas nunca houve acusações sérias, digo, acusações que tivessem alguma...

veracidade, algum peso que tivessem demonstrado que havia fraude. Na eleição passada também, Keiko Fusimora naquela ocasião era quem denunciava que havia fraude no segundo turno, nunca se provou nada e tanto o governo americano quanto a União Europeia, a OEA e várias outras entidades

sempre disseram que era uma apuração muito séria. No domingo passado houve um problema, mas que não tem a ver com a seriedade da contabilidade, mas sim que houve um problema de logística e 63 mil eleitores não puderam votar, não chegou material para votação e eles votaram na segunda-feira. Isso sim foi um problema gravíssimo, que inclusive o diretor ali da área eleitoral está com risco de ser demitido, mas não sobre, e ressalto isso, não sobre a seriedade...

de contar os votos, ou seja, é um sistema que nunca teve fraudes concretamente. Então, por isso, é muito sério. Bom, o fato é que a tensão está imensa e não há perspectivas que isso vai terminar hoje, sexta-feira. Tudo indica que deve terminar, talvez, na segunda-feira. Para saber quem é a segunda pessoa que irá com Kiko Fujimori disputar o segundo turno em junho.

Então, só para fazer assim uma breve... Quem é quem neste paro? Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, de direita. É uma direita populista. Keiko Fujimori segue os passos de seu pai. O pai dela esteve preso durante...

mais de duas décadas, por desvio de fundos e também por massacres de civis, por assassinatos. Ela prega mão de ferro com a criminalidade, uma aproximação intensa com o governo Trump e ao mesmo tempo que tem todo um papo neoliberal,

também prega o assistencialismo social que seu pai praticava. Então é aquela coisa assim de um pouco de tudo para poder agradar um bom leque amplo do eleitorado. López Aliaga, ex-prefeito de Lima, ultracatólico, ultragiga, hiper, mega católico, ele se autoflagela com silício todos os dias, segundo ele próprio declara, ele está em castidade desde 1981 e diz que a Virgem Maria é um mulherão.

Ele e Keiko pregam a expulsão dos migrantes ilegais E a López Olegra também diz que quer mandar os prisioneiros peruanos Boa parte deles para a Amazônia peruana Onde ele quer que fiquem rodeados Abre aspas, de serpentes venenosas, fecha aspas E aí está

Sánchez, essa nova figura que desponta agora, que foi ministro do Comércio e do Turismo do Pedro Castillo. Pedro Castillo, recordemos aquele presidente que foi eleito em 2021 com uma microminoria no parlamento, um ano e meio depois tentou dar um alto golpe de Estado, quis fechar o parlamento, intervir o Poder Judiciário, acabou sendo destino, não consigo apoio de ninguém.

Ele achou que ia ter apoio da população, do exército, da polícia, nada. Aí tentou fugir para pedir a Zira na Embaixada do México, foi pego, destituído e está cumprindo pena, está preso atualmente. Bom, Sánchez é um...

um aliado desse ex-presidente golpista, e diz que vai dar amnistia para ele se for eleito. Por que ele estava em sexto lugar, como você citou, e começou a despontar e agora está em segundo? Porque ele, e o Pedro Castilho também, tinha os votos no interiorzão do país, nas áreas rurais, onde há uma boa população rural, uma boa quantidade, e esses votos sempre chegam mais tarde.

Então, por isso que ele começou a despontar, porque começaram a chegar os votos que eram dedicados a ele. Assim, subiu do sexto posto na apuração para agora o segundo posto. Então, por isso que houve essa guinada ali inesperada na apuração peruana. E, bom, vamos ter que esperar semana que vem para ver qual que é o resultado e eventuais...

denúncias e complicações que quem ficar em terceiro lugar vai com certeza começar a achar. Até porque o Pedro Santos estava dizendo a mesma coisa quando ele estava em terceiro lugar no início da semana. Agora ele já ficou calado. Agora quem enchiava era o Lopes Aliaga, agora ele também está ficando calado.

A gente passa agora para a Argentina, a gente vai voltar a falar sobre aquela reforma trabalhista que foi proposta por Javier Miley, uma reforma que gerou muitas críticas, porque falava muito da redução da proteção ao trabalhador. Aí a Justiça do Trabalho suspendeu e agora, diante dessa suspensão, Javier Miley decidiu recorrer diretamente à Corte Suprema. Esse movimento de recorrer primeiro à Corte Suprema é algo incomum? Não poderia recorrer em outras instâncias?

Exatamente. Isso não é comum, mas já aconteceu várias vezes. Aconteceu algumas vezes, ao longo dos últimos 30 anos, mais ou menos. Bom, primeiro, ele teve sido o revés quando o juiz Raul Horácio Reda suspendeu provisoriamente 82 artigos de um total de 218 artigos da lei de reforma trabalhista, que havia sido aprovada recentemente pelo governo. Quer dizer, 37% da reforma ficou no freezer.

O que se esperava, o governo havia dito que ia recorrer, o que se esperava que ia recorrer na primeira instância da justiça trabalhista. Mas nesta jogada inesperada, ontem à noite, ele decidiu pedir diretamente à Corte Suprema de Justiça que anule a suspensão da reforma das leis do trabalho. Quer dizer, eles fazem o que se chama, na linguagem jurídica, de persaltum, em latim, que é uma expressão...

que quer dizer puro salto, um mecanismo jurídico que permite que um processo chegue diretamente à Corte Suprema de Justiça pulando instâncias intermediárias, como, por exemplo, as câmaras de apelação. Então, acontece esta espécie de salto, que já foi usado, e isso sempre...

sempre alegando que essa instância intermediária que se pula é em caso de medidas com notória gravidade institucional. Esse mecanismo foi utilizado nos tempos do peronista Carlos Menem para acelerar a privatização da estatal Aerolíneas Argentinas, isso nos anos 90, depois, há uma década e meia, também foi usado pela também peronista Cristina Kirchner com a lei de mídia.

E recordando que esta reforma era uma das principais bandeiras políticas de Milley desde os tempos da campanha eleitoral. Milley defendia a reforma dizendo que ela tinha o objetivo de criar empregos formais e fortalecer a segurança jurídica. Na contramão, os sindicatos argumentam que a reforma trabalhista de Milley é inconstitucional porque modifica leis históricas do trabalho na Argentina, de direitos...

e a resolução do juiz Orreda interrompe as partes mais polêmicas da reforma, como, por exemplo, as restrições a vários tipos de greve, porque essa reforma restringia as greves nas escolas, hospitais, em voos comerciais. O juiz também suspendeu o cálculo para indenizações trabalhistas.

que não incluíam 13º e outros pagamentos, e fica uma suspensa também temporariamente a eliminação do pagamento das horas extras, dias de férias de forma fracionada e restrições para assembleias sindicais, e também se suspendia o esquema de Miley, que aumentava de forma optativa a jornada de trabalho de 8 a 12 horas diárias. Em vez de ganhar em dinheiro as horas extras, a empresa daria ao trabalhador horas de folga.

posteriormente. Então tudo isso havia ficado suspenso com essa decisão do juiz Oreda. O que o governo agora está tentando é ver se a Corte Suprema topa o pedido de Milley para que analise e derrube essa decisão, essa suspensão do juiz Oreda. Recorrendo já diretamente, pulando todas as outras instâncias, pulando já diretamente para a Corte Suprema.

Tudo bem. Bom, agora, Ariel, a gente vai falar sobre a inflação ainda na Argentina. Voltou a subir e interrompeu um ritmo de queda. Não era bem queda, era uma desaceleração. O que está acontecendo aí que voltou a subir?

Pois é, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, o INDEC, anunciou que a inflação foi de 3,4% em março. Milley fez sua avaliação sobre a alta inflacionária, dizendo, abre aspas, não gostei do índice de inflação, fecha aspas, e disse, abre aspas, é preciso ter paciência, não podem se desesperar, fecha aspas. Isso é uma espécie de apelo à população.

No ano passado, Fernando, o governo Milley havia preparado um orçamento para 2026, ou seja, para agora, para este ano, com uma meta de inflação de 10,1% para todo o ano. Os analistas diziam que isso era muito otimista, que era muito wishful thinking, tiro e queda. Essa proporção já quase foi superada no primeiro trimestre deste ano. Por quê? Porque nos primeiros três meses deste ano...

Somando essa inflação de março, junto com a de janeiro e a de fevereiro, foi tudo de 9,4%. 9,4%. O governo dizia que o ano inteiro ia ter 10,1%. E o acumulado nos últimos 12 meses é de 32,6%. Bom, algumas pessoas às vezes me perguntam do Brasil, mas espera aí, a inflação não estava caindo? A inflação estava caindo, mas já faz um tempão que parou de desacelerar. Um tempão. A inflação foi desacelerando desde os primeiros tempos do governo Millet em 2000.

2024. Mas em 2025, no ano passado, a partir de junho, a inflação voltou a crescer e não parou mais de crescer. Na cabeça de muitas pessoas, fora daqui, ficou a ideia de que estava caindo. Não, já parou de cair faz muito tempo. E para complicar mais uma vez em sua história, a Argentina está de novo com inflação em dólares.

que os preços, muita coisa aqui na Argentina é cotada em dólares, e os preços na moeda americana dentro do país aumentaram 13%. E quando tem inflação em dólar, é que a situação não está nada bem. Bom, e o FMI reduziu as perspectivas do crescimento do PIB para a Argentina neste ano, que de 4%, o FMI dizia que a Argentina ia crescer 4%, agora está calculando que será de 3,5% do PIB.

O FMI também calculava que a alta da inflação seria, neste ano, de 16,4%. Agora, fez uma revisão e prevê que é uma alta bem maior. Eles já calculam que será de 30,4%. E, para complicar nisso tudo, o consumo de carne bovina, que é o quitute sine qua non, da Argentina, teve uma queda...

Muito chamativa. O consumo de carne argentina está nos patamares mínimos em 20 anos. São 47 quilos per capita por ano. 47 quilos é muito mais, por exemplo, do que tem no Brasil. Mas para os padrões argentinos, que a média havia sido nos últimos...

30 anos, uma média de quase 60 quilos por ano, cair para 47, é muito significativo. Então, por isso, está chamando muito a atenção a venda de carne de burro, de asno, que um açougue de chubut, que está na Patagônia, começou a vender pela metade do quilo, mais ou menos, a média do quilo de carne na Argentina, dos cortes, não de um corte específico, mas dos cortes de forma geral.

está mais ou menos em 15, 16 mil pesos. A venda da carne de asmo, de burro, está em 7.500, a metade. De aborre? Metade. Não experimentei, isso aconteceu lá em Chubut, lá na Patagônia, mas o açougue anunciou que a esgotou velozmente.

Então, antigamente, os argentinos teriam dito que absurdo de jeito nenhum, jamais, mas em tempos de pindaíba, ou como se diz na Argentina, em tempos de malária, porque malária na Argentina não é só a doença tropical, que aqui quase não tem, mas malária aqui é uma forma na gíria de se referir aos tempos de vaca magra. Então, é...

A situação é muito complexa. Um detalhe importante, não existe um impedimento, uma preemissão para vender carne de burro. Existem alguns obstáculos burocráticos sanitários, como que não existem frigoríficos de porte habilitados para fazer o transporte desse tipo de carne. A comercialização desse tipo de carne fica limitada a autorizações das províncias, dos governos das províncias.

Mas chamou a atenção essa experiência desse açougue na cidade de Treleu, na província de Chubut, na Patagônia, naquele lugar específico, não é que está se vendendo carne de burro em todo o país. Nesse lugar específico se vendeu de forma oficial e as pessoas compraram em massa naquele lugar. Ou seja, as coisas não estão nada fáceis no país. É verdade.

Ariel Palacios. Ariel, mais uma vez, obrigado pela participação. Até a próxima, Ariel. Obrigado, Fernando Guga, ouvintes. Até logo, bom fim de semana. E, ó, excepcionalmente, não teremos a edição do dia 21, terça-feira que vem. Feriado, folga do apresentador. Voltamos no final de semana do dia 25. Ok, Ariel? Perfeito, dia de piradêndes. Exatamente. Trabalhos técnicos de Isabel Gomes e a edição de Ellen Menezes. Até a próxima.

Quer proteger a experiência do seu adolescente online? No TikTok, a segurança vem desde o início. As contas de adolescentes já vêm com mais de 50 ferramentas de privacidade e proteção ativadas automaticamente. E com a sincronização familiar, os pais podem ajustar configurações de conteúdo e bem-estar digital com poucos cliques. Ambiente protegido para eles, mais tranquilidade para você. Saiba mais em segurança-tiktok.com.br

Anunciantes2

Mercado Livre

Soluções de pagamentos
external

TikTok

Segurança para adolescentes
external