Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

Negociação histórica entre Israel e Líbano; derrota de Viktor Orbán na Hungria

14 de abril de 202626min
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Neste Mundo em Meia Hora, Fernando Andrade recebe os comentaristas Guga Chacra, de Nova York, e Ariel Palacios, de Buenos Aires. Eles analisam o início das negociações entre Israel e Líbano, em um movimento histórico que inclui discussões sobre o desarmamento do Hezbollah, além da tensão no estreito de Ormuz, após o governo de Donald Trump afirmar que poderia fechar a via marítima. Comentam também o fim da era de Viktor Orbán na Hungria, após 16 anos no poder, e as eleições no Peru, marcada por problemas na votação, apuração e ainda indefinida.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Ariel Palacios

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G

Guga Chacra

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Assuntos3
  • Conflito Irã-EUAdesarmamento do Hezbollah · Estreito de Hormuz · Donald Trump e a NASA
  • Derrota de Viktor OrbánViktor Orbán · Peter Maguiar
  • Eleições PeruKeiko Fujimori · Rafael López Aliaga
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo Meia Hora. Hoje eu converso no primeiro bloco com o Guga Chakra, diretamente de Nova Iorque. A gente vai falar sobre o início das negociações, negociações históricas entre Israel e Líbano para discutir o desarmamento do Hezbollah. Também qual que é a situação do Estreito de Hormuz agora, após o governo de Donald Trump.

ter afirmado que fecharia a via marítima. E também o fim da era de Viktor Orbán, na Hungria, depois de 16 anos. No segundo bloco, com Ariel Palácio, vamos falar sobre as eleições no Peru. Uma eleição muito fragmentada, com vários problemas na votação, na apuração e ainda indefinida. Guga Chakra, bem-vindo mais uma vez. Tudo bem, Guga?

Oi, Fernando. Oi, Ariel. Oi, ouvintes. Guga, autoridades israelenses e libanesas iniciaram negociações diretas em Washington nesta terça-feira. É um raro encontro. É o primeiro encontro direto e presencial entre os dois países em décadas. Mesmo assim, Israel continua lançando ataques no sul do Líbano como parte...

da sua campanha militar ampliada contra o Hezbollah. E esse conflito tem ameaçado cessar fogo entre Irã e Estados Unidos. Guga, vamos lá, o que significa esse encontro entre israelenses e libaneses? Faz quanto tempo que eles não sentam pessoalmente, frente a frente, para discutir essa crise?

Olha, frente a frente, acredito que desde 1983 que não haja um encontro na ocasião, foi assinado um acordo de paz, pouca gente sabe disso, o acordo de 17 de maio pelo então presidente do Líbano, Amin Jmael, com o governo israelense, acordo que acabou fracassando por uma série de motivos, havia muitas demandas israelenses e Israel, de acordo com Amin Jmael, falando sobre essa assinatura mais recentemente,

Israel acabou acrescentando posteriormente outros termos que não estavam no acordo e que eram impossíveis de o Líbano cumprir. Segundo ele, inicialmente Israel teria aceito somente por pressão dos Estados Unidos. Mas agora é outro contexto, vamos falar do contexto atual, que basicamente o objetivo dessa negociação, pela visão israelense, é o desarmamento do Hezbollah. Essa é a prioridade de Israel. Esse também é um objetivo do Líbano.

Mas o Líbano tem outros objetivos, como um cessar fogo na guerra de Israel contra o Hezbollah e também a desocupação de Israel do sul do Líbano. Então há outros pontos no lado libanês. Ao término do encontro, não foi anunciado nenhum grande avanço, provavelmente haverá novos encontros para se debater o assunto.

Outro ponto importante é que o governo do Líbano quer que o cessar-fogo entre o Israel e o Hezbollah se dê pela via direta entre o governo libanês e o governo israelense. O Hezbollah, por sua vez, quer que o cessar-fogo se dê pelas negociações entre o Irã com os Estados Unidos. Então, o Hezbollah é contrário a essa negociação que vem acontecendo, que ocorreu hoje.

em Washington, entre o Líbano e Israel. De qualquer maneira, é importante frisar que foi sim, Fernando, um encontro histórico, porque o Líbano e Israel não têm relações diplomáticas, eles até firmaram isso, é um outro detalhe técnico.

Eles firmaram um acordo sem encontro direto, foi ali mediante mediação dos Estados Unidos em 2022 para a divisão das bacias de gás no Mediterrâneo. Os dois lados assinaram, mas sem autoridades libaneses e israelenses encontrando diretamente. Mas é esse o cenário, a guerra continua ali no Líbano como um todo, Israel segue.

bombardeando fortemente o sul do Líbano, destruindo vilas inteiras. Há um milhão de deslocados libaneses, pessoas que foram expulsas de suas casas, seja no sul do Líbano, seja no sul de Beirute. Cerca de 2.089 libaneses foram mortos no conflito e mais libaneses morreram nessa guerra do que iranianos.

A nacionalidade, o maior número de mortes, Fernando, é a nacionalidade libanesa e leva em conta que o Líbano é 15 vezes menor do que o Irã.

E mesmo assim, mais libaneses morreram, apesar de Irã ser o grande alvo dos Estados Unidos e de Israel nesse conflito. E o Hezbollah segue também atacando e é o norte de Israel. Então a guerra nessa frente libanesa prossegue. Uma dúvida, Guga, por que o Hezbollah ou algum integrante da parte política do Hezbollah não participa dessas negociações?

Porque o Hezbollah quer que o Irã negocie, quer que seja uma negociação do Irã com os Estados Unidos. Esse é o ponto do Hezbollah. O Hezbollah avalia que não cabe ao governo libanês essa negociação. Também porque o Hezbollah não quer se desarmar, porque o ponto em comum entre o governo libanês e Israel é a defesa do desarmamento do Hezbollah, embora a estratégia seja distinta.

entre Israel e o governo do Líbano sobre como atingir esse objetivo. Mas é um ponto em comum. Os outros, como eu disse, é o fim da ocupação israelense e o fim dos bombardeios de Israel. O Hezbollah não quer se desarmar e quer que o cessar-fogo seja negociado pelo Irã, que faça parte da grande negociação entre o regime iraniano e os Estados Unidos, que envolve também o Estreito de Hormuz, o programa nuclear iraniano, o programa balístico do Irã e outras questões.

Perfeito. Guga, queria te ouvir sobre o Estreito de Hormuz. Há muita dúvida, ceticismo sobre o alcance e também a eficácia desse bloqueio militar anunciado pelos Estados Unidos no Estreito de Hormuz. Qual que é a situação agora? Basicamente, o Irã mantém o seu bloqueio Estreito de Hormuz, impedindo que navios americanos ou de países aliados dos Estados Unidos cruzem essa passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Oman, Mar Arábico e Oceano Índico, enfim.

que esses navios que não coordenem com o Irã possam trafegar. O bloqueio americano é o inverso. O bloqueio americano visa impedir que navios iranianos não apenas cruzem o Strait Hormuz, como deixem os portos iranianos, e também visa impedir que navios de países que estejam coordenando com o Irã a passagem pelo Strait Hormuz possam fazer essa passagem.

Então esse é o cenário. Teriam passado hoje, no entanto, embarcações iranianas ou que coordenaram com o Irã. Três ou quatro falam alguns órgãos de imprensa estrangeiros. Porém o Pentágono nega que isso tem ocorrido. Não dá para confirmar nenhuma coisa nem outra por enquanto. Fernando, continue esse impasse?

E também há uma perspectiva de que sejam retomadas as negociações entre os Estados Unidos e o Irã nos próximos dias, negociações para que haja um cessar-fogo definitivo. Uma questão que tem separado os dois lados é a questão nuclear, mas é interessante notar que há espaço para acordo.

porque os Estados Unidos querem uma moratória no enriquecimento do urânio por parte do Irã por 20 anos. O Irã teria aceito cinco anos de moratória. Então é uma questão de negociar que possa talvez chegar a 10, 12 anos, algo ali no meio entre os dois lados, que o Trump poderia vender como vitória e o regime iraniano também.

E a gente falou bastante sobre a tentativa de acordo das discussões lá no Paquistão. Não é o fim ainda, né? Podemos ter novas reuniões em breve. É, o cessar fogo, em teoria temporária, dura até a terça-feira que vem. A gente tem mais uma semana pela frente. Pode ser prorrogado por mais uma semana, se houver algum avanço nas negociações. Isso é possível. Então, ao longo da semana, acredito eu que haverá uma nova etapa.

de negociações, pode ser que chegue a um acordo, pode ser que concordem em prorrogar, pelo menos mais um pouco, o cessar-fogo temporário. Kuga, vamos passar para a Hungria agora e falar sobre o fim da era de Viktor Orbán como primeiro-ministro da Hungria depois de 16 anos. E foi uma... perdeu feio, né?

Foi massacrado. O partido opositor a ele, liderado pelo Peter Maguiar, que é húngaro, Pedro Húngaro em português, conseguiu dois terços das cadeiras. Foi um massacre. Não foi uma derrota em uma sociedade polarizada, como a gente vê, eleição no Brasil, que a margem de vitória do presidente Lula contra o Bolsonaro foi uma margem pequena. Lá não, foi um massacre, mesmo uma grande...

derrota que o Victor Orbán acabou sofrendo, apesar de toda a propaganda, o uso da mídia estatal, censura à imprensa independente, uma série de mecanismos que o governo Orbán vinha usando para se manter no poder, que fracassaram. Então é muito simbólico, porque quando você fala da grande liderança, ou do grande exemplo de liderança...

para a direita internacional, seja no Brasil, na Argentina, aqui nos Estados Unidos, na Europa, era o Victor Orbán e ele perde. Então, simbolicamente, é uma grande derrota para a extrema direita internacional, para essa nova direita nacionalista ao redor do mundo. E é também uma derrota para o governo Trump, porque tanto Trump...

quanto o seu vice-presidente, o Jay Livens, realmente apoiaram publicamente o Victor Orbán. O Jay Livens indo dias antes da votação para Budapeste para declarar apoio ao Victor Orbán, que acabou saindo derrotado. Estava todo mundo discutindo o cessar fogo, era um momento extremamente crítico e o Jay Livens estava em Budapeste fazendo campanha. Chama muita atenção, não, Guga?

Chamou bastante atenção, depois ele até foi fazer a negociação, mas até só para complementar, mostra o enfraquecimento da figura do Gerivens como nesse momento, porque ele teve esse fracasso na Hungria, o fracasso nas negociações, pelo menos naquele primeiro momento, talvez ele consiga.

um acordo mais para frente, e também o comportamento dele em relação ao Papa, porque ele é católico, e ele acabou criticando o líder da Igreja Católica depois dos ataques que o Trump realizou ao Papa ontem e ao longo do final de semana.

E tem uma outra questão, só para a gente finalizar, em vários países onde Donald Trump apoia o candidato, o candidato perde. Acho que o maior exemplo foi o Canadá, que a gente já falou aqui, né? Foi o Canadá, sem dúvida alguma, que mostra que o apoio do Trump talvez esteja ficando tóxico em muitas partes do mundo, seja pela sua política de tarifas, que acabou impactando todo o planeta, e mais recentemente essa guerra contra o Irã, que também tem afetado economicamente o mundo todo.

Guga Chakra, mais uma vez obrigado, bom trabalho para você aí. Obrigado, Fernando. Abraço, Ariel. Abraço, ouvintes. Uma pausa e a gente volta daqui a pouco com Ariel Palacios falando mais sobre eleições no Peru. Até já. De volta agora com Ariel Palacios, diretamente de Buenos Aires, na Argentina. Oi, Ariel, tudo bem? Como está, Fernando Gustavo, ouvintes? Tudo bem?

Tudo bem, a gente vai falar sobre eleições no Peru. Primeiro turno neste domingo, uma eleição muito fragmentada, com 35 candidatos, vários problemas. Por exemplo, tivemos problemas em sessões eleitorais. Tem gente que não votou no domingo, no dia da eleição, teve que voltar nessa segunda-feira para votar. Hoje, terça-feira, à tarde, qual que é o cenário, Ariel? Já tem resultado?

Não tem resultado ainda, Fernando, mas isso não é uma novidade no Peru. Já a eleição de 2021 também foi assim de complicada no primeiro turno e no segundo turno foi pra lá de mega complicado. Até o momento só estão 76% das urnas apuradas.

76%! É algo que já teria que ter sido, no pior dos casos, teria que ter sido resolvido ontem de manhã, mas não. Houve, como você disse, um problema, é um problema que dentro da contabilidade geral é pequeno, não é o que motivou o atraso, que foi que no domingo 63 mil pessoas de 15 centros de votação em Lima uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma uma

não puderam votar porque nesses lugares não estava todo o material completo para votação. As pessoas foram, viram que os lugares estavam fechados ainda, ficaram furiosos, alguns reclamaram, outros foram embora e tal. Enfim, o fato é que esses 63 mil eleitores puderam votar finalmente ontem, segunda-feira. Então é uma eleição que começou no domingo e na prática terminou.

Ontem, segunda-feira, às 18 horas, horário de Lima, 20 horas, horário de Brasília. Aí alguém poderia dizer, mas 63 mil eleitores, era para ter aberto os centros eleitorais de novo na segunda-feira, para que essas pessoas fossem?

Bom, acontece que 63 mil eleitores num cenário político fragmentadíssimo como o do Peru pesa muito. É só recordar que nas eleições de 2021, os dois finalistas, os dois protagonistas do segundo turno no Peru...

Este domingo foi o primeiro turno, mas historicamente, só vou citar isso, que em 2021, no segundo turno, a eleição foi definida por uma diferença de 44 mil votos. Então, 63 mil votos, sim, interessa e muito.

no Peru. Naquela ocasião, 2021, 44 mil votos a favor de Pedro Castilho e a derrotada foi Keiko Fujimori. E falando em Keiko Fujimori, ela de novo, mais uma vez, parece déjà vu, mas esta é a quarta vez que ela disputa a presidência da República. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que com 76% das urnas apuradas...

ela conta com 16,9% e ela é a primeira colocada o que mostra uma fragmentadíssima votação dos candidatos o segundo colocado é López Aliaga o ex-prefeito de Lima

O Rafael López Aliaga tem 12,8%. Então vamos lá, fazendo a conta rapidinho, Fernando. Se a gente somar os votos da Fujimori e do López Aliaga, temos 16,9 mais 12,8. Isso vai dar uns 28%, quase 29%, mais ou menos.

isso é pouquíssimo no Brasil, por exemplo no Brasil passaram para o segundo turno na última eleição Lula versus Bolsonaro um com 48% e outro com 43% eram eleições polarizadas sobrava menos de 8% entre o resto dos candidatos agora estamos falando que os dois principais candidatos foram votados por menos de um terço do eleitorado do eleitorado

Ou seja, isso demonstra que a imensa maioria do eleitorado, no segundo turno, votará por descarte, porque nem queriam nem o Fujimori e o López Aliaga. Bom, também tem outra coisa que temos que levar em conta. Estamos falando de López Aliaga, que está com 12,8%, mas tem uma figura que está em terceiro lugar ali nos calcanhares, que é Jorge Nieto, que está com 11,8%. Então, não descartemos que nesses...

24% ainda das urnas que faltam apurar, talvez aconteça uma diferença que, em vez de ser Fujimori versus López Aliaga, seja Fujimori versus Jorge Nieto, que é um ex-ministro da cultura e ex-ministro da defesa. Multitáscoa o homem, estamos vendo, não é? Da cultura para a defesa.

da contra-presidente, uma figura da centro-esquerda, mas que fez parte do governo neoliberal de Pedro Pablo Kuczynski. Então, temos esse cenário aqui deste primeiro turno, que terminou desse jeito, e a figura, e o cidadão peruano mais famoso do planeta atualmente não votou nessas eleições. Quem que é?

O Papa Leão XIV, porque, recordemos, ele é um nascido nos Estados Unidos, mas fez toda a carreira eclesiástica no Peru. É uma figura que está com um pé num país e com um pé no outro. É um peruano americano. E ele tem a nacionalidade peruana desde 2015, quando era o bispo Robert Francis Prevost, que era o nome dele antes de virar Leão XIV, tem a cidadania peruana e tem o título eleitoral na cidade de Chiclágio, no norte do país.

Não deu para participar dessa eleição. O segundo turno será dia 7 de junho. E a posse do novo presidente será no dia 28 de julho. Será o décimo presidente do Peru em uma década. Algo que também ilustra muito bem esse caos político peruano que afeta o país nos últimos 10 anos, que não era assim antes.

que não era assim antes, sempre que os presidentes peruanos tinham maioria, tal como aconteceu com todos os presidentes entre o ano 2000 e 2016, puderam governar sem problema. Depois que foi eleito o primeiro presidente sem maioria própria no parlamento, que foi Pedro Paulo Kuczynski, em 2016, a partir daí tudo desandou de uma forma colossal.

Ariel, um pouco agora sobre, eu vou falar do perfil aqui dos dois principais candidatos que aparecem à frente. Keiko Fujimori, da direita, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. E um pouco mais também sobre o Rafael Lopes Aliaga, esse de uma direita ultraconservadora, prefeito de Lima. Um pouco sobre eles, Ariel.

Bom, Kegu Fujimori, como havíamos dito, é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, na época que seu pai era ditador, ela virou uma espécie de primeira-dama, porque a mãe dela, Susana Iguchi, se separou do marido, e ela teve um protagonismo político já quando era adolescente. Quando o pai foi preso já na virada do século, por seus crimes contra a humanidade, casos de corrupção, assassinato de civis...

ela assumiu também o comando do Fujimorismo. Na vez anterior, ela disse que a terceira era vencida, não deu, agora ela disse que a quarta é a vencida. Ela sempre chegou no segundo turno. Esta, inclusive, foi a primeira vez que ela chegou no segundo turno, mas em primeiro posto. Ela sempre havia ido em segundo posto. Ela, da direita, ela tem propostas que são mix.

de neoliberalismo, de aproximação com o governo Trump, de expulsão dos imigrantes ilegais, e ao mesmo tempo ela diz que é necessário um assistencialismo social, algo que o fujimorismo fez no passado, especialmente nas áreas do interior do país, onde eles têm uma grande proporção de votos. Fernando, já Rafael López Aliaga?

católico fervoroso, ultra fervoroso, ele foi prefeito de Lima, um empresário. Ah, perdão, só uma coisa sobre Keiko Fujimori. Keiko Fujimori esteve 18 meses, um ano e meio, na cadeia em prisão preventiva por envolvimento com a edição peruana do caso Odebrecht. Ela era acusada de ter montado uma organização criminosa, de ter feito lavagem de dinheiro e de ter recebido subornos do Odebrecht na campanha dela de 2011, que perdeu.

López Alega não está envolvido no caso de Brecht, mas é acusado também de lavagem de dinheiro, empresário, católico, fervoroso, ele próprio diz que todos os dias se flagela com um silício metálico para evitar a tentação sexual, diz que não tem relações sexuais desde 1981, pensemos assim em matéria de anos, nossa, isso aí era quando estava começando a guerra em Iraque, antes da guerra das Malvinas, faz uma... Tá bom.

São escolhas, Ariel. São escolhas. São escolhas. Estava fazendo uma questão cronológica. É contra o aborto e propõe dar um documento de identidade aos fetos. E também propõe enviar ladrões.

a prisões na Amazônia peruana para que ali, segundo ele, estejam rodeados de serpentes venenosas e não possam fugir de seus lugares de cumprimento de suas penas. E também prega uma aproximação intensa com o governo Trump.

Então, essas duas figuras da direita dura ou da direita dura ultracatólica, que seriam as figuras que disputariam o segundo turno daqui a dois meses. E, de forma geral, podemos dizer que o parlamento, porque há outros candidatos também da direita, da centro-direita, então o parlamento peruano, mais uma vez,

porque o atual parlamento peruano é assim, terá um perfil de direita, centro-direita ou direita dura mais do que de esquerda. E desta vez também há um fator novo, de certa forma.

Em 1993, quando o Alberto Fujimori fez uma nova, quando era ditador e preparou uma nova Constituição, se foi abolido o Senado, a figura do Senado foi abolida e o Peru passou a ter apenas uma Câmara, que era a Câmara de Deputados. O Senado agora volta, e volta com muito poder.

Com muito poder, com poder que fica muito fácil para o Senado destituir presidentes, para dar impeachments. Então, se o próximo presidente assumir com um parlamento fragmentado, como já está claro, que será um parlamento dividido entre muitos partidos, onde ninguém terá maioria,

será muito difícil para ele a governabilidade, tal como aconteceu com todos nos últimos 10 anos, a não ser que tenha uma capacidade descomunal, um jogo de cintura, uma diplomacia fora do normal, mas ele corre o grave risco, de novo, de ser alvo do parlamento e não poder completar os 5 anos de mandato que tem pela frente. Recordando que, acho que comentei isso agora há pouco,

O Peru, com o novo presidente, serão 10 presidentes em 10 anos. O último presidente que completou o seu mandato, presidente eleito, foi o Jantomala, que completou em 2016. Aí iniciou um período, foi eleito Kuczynski, que não completou o mandato. Em 2021 foi eleito...

Pedro Castilho, que não completou o mandato porque tentou dar um alto golpe de Estado, fracassou e foi destituído, e os outros todos que foram presidentes interinos, dos quais somente um completou o seu mandato logo antes das eleições de 2021, e depois mais ninguém, mais ninguém. Então é uma instabilidade que não tem paralelo algum na história recente da América do Sul, Fernando.

Agora, Ariel, a expectativa é de que essa instabilidade continue, porque, como você disse, toda essa fragmentação para a presidência deve se refletir tanto na Câmara como no Senado. E aí governar como? Essa instabilidade continua? Pois é, a instabilidade vai continuar. Infelizmente, não há uma perspectiva. Como eu disse, só se for o próximo presidente um gênio da diplomacia política...

para poder conseguir uma aliança, uma coalizão política, para poder ter governabilidade. Mas levando em conta o comportamento do parlamento peruano nestes últimos dez anos...

É difícil que isso possa acontecer. Os elementos à disposição não existem, a não ser, como eu digo, que o cara tenha uma fantástica diplomacia, jogo de cintura, mas com esse parlamento fragmentado, tudo fica...

muito complicado. E ele tampouco tem apoio popular, porque imaginemos que se é Fujimori ou López Aliaga, já partem de uma base popular minúscula, uma com quase 17%, outra com quase 13%. No total do eleitorado, isso indica que, embora ele seja um primeiro e segundo colocado, na totalidade do eleitorado, esse respaldo é minúsculo. Então, a instabilidade peruana...

A princípio, todo o cenário indica, tende a continuar e inclusive tende a se agravar. Ariel, mais uma vez, obrigado pela participação e até a próxima edição, Ariel. Obrigado, Fernando Guga e ouvintes, até a próxima. Trabalhos técnicos de Daniel Mesquita, edição de Ellen Menezes. Mundo em Meia Hora, duas edições semanais, sempre terças e sextas no podcast, na programação da CBN, terças, 11h30 da noite e sábado às 9h da manhã.

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