Episódios de O Mundo em Meia Hora - Guga Chacra, Ariel Palacios e Fernando Andrade

EUA e Israel contra Irã: Guerra sem sinal de trégua

03 de abril de 202625min
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Neste episódio do Mundo Em Meia Hora, Fernando Andrade recebe Hussein Kalout, professor de Relações Internacionais da USP, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e secretário especial de assuntos estratégicos da Presidência da República. Participa também o comentarista Ariel Palacios, direto de Buenos Aires. Eles falam sobre as negociações travadas pelo fim da guerra no Oriente Médio e sobre o Estreito de Ormuz, que continua fechado. Eles comentam ainda o avanço de Israel contra o Líbano. E também sobre a decisão do Vaticano de indenizar vítimas de padres peruanos pedófilos.

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Participantes neste episódio2
F

Fernando Andrade

HostJornalista
A

Ariel Palacios

Co-hostComentarista
Assuntos3
  • Guerra no Oriente MédioConflito EUA e Irã · Estreito de Hormuz · Incursão de Israel no Líbano · Negociações de paz
  • Escalação LíbanoControle de Israel sobre o Líbano · Hezbollah · Cessar-fogo entre Israel e Irã
  • VaticanoAbusos sexuais no Peru · Sodalício de Vida Cristã · Papa Leão XIV
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Olá, seja bem-vindo a mais uma edição do Mundo e Meia Hora. Hoje nós vamos conversar, eu e Ariel Palacios, com o Hussein Kalut, que é professor de Relações Internacionais da USP e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, o SEBRE, e secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Professor, bem-vindo ao Mundo e Meia Hora e obrigado por assistir o nosso convite.

Muito obrigado pelo convite, é um prazer estar com vocês. Ariel Palacios com a gente, também diretamente de Buenos Aires. Tudo bem, Ariel? Bem-vindo. Como está, Fernando, professor, ouvintes? Tudo bem?

Bom, professor, a guerra contra o Irã não dá sinais de que vai cessar, os ataques continuam. Donald Trump, no seu último pronunciamento, confirmou isso. O regime iraniano também não demonstra muita abertura para negociações. E o estudo de Hormuz continua fechado. O mercado de energia cada vez mais preocupado com o preço do petróleo. E ainda tem a incursão de Israel no sul do Líbano e a sua investida contra o Hezbollah. Para a gente começar, professor, vou começar pelo Irã.

Quais são hoje as possibilidades, os cenários para essa guerra? Que momento é esse, professor? Fernando, o fato é que não há uma negociação entre o Irã e os Estados Unidos. O que existe, na verdade, no fundo, são trocas de mensagens feitas por intermediários, que são a Turquia, o Egito e o Paquistão. Trocas de mensagens em que os lados apresentam os seus pontos de demanda. Negociações não existem.

O fato fundamental é que o Trump caiu numa armadilha, uma armadilha montada pelo Netanyahu para ele, e ele não consegue encontrar uma saída. O problema do Trump é que ele mente sobre as próprias mentiras.

O último discurso dele foi um compilado das mentiras dos últimos 30 dias. E um discurso endereçado, na verdade, para o público interno, cujo qual, se a gente olhar basicamente o que ele disse nesse discurso, que ele destruiu todo o programa nuclear iraniano, ele destruiu a marinha iraniana, ele destruiu...

a força aérea iraniana e ele obliterou a capacidade balística do Irã. Mas ele afirmou que precisa de mais três semanas para concluir a guerra. Bom, aí há um ponto de contradição. Se você destruiu tudo isso, por que você precisaria de mais três semanas?

isso não se explica, correto? Bom, outro ponto, ele empurrou para os países europeus a responsabilidade de abrir o estreito de Hormuz. O que ele diz, basicamente, é que ele não precisa abrir o estreito, o estreito vai ser aberto naturalmente, se alguém quisesse abrir, é que eles abram o estreito, ele não precisa abrir o estreito de Hormuz. Ora, isso contradiz com que ele...

Mesmo havia dito anteriormente que os Estados Unidos iriam montar uma coalizão internacional e que sim abririam os treinos de hormônios. Bom, então são sinais antagônicos entre objetivos estratégicos e capacidade militar.

O fato é que o Donald Trump, na verdade, não consegue construir uma solução para sair dessa situação. E na minha avaliação, o que ele pretende nessas três semanas? Simplesmente...

organizar uma campanha aérea de destruição de tudo que estiver pela frente do Irã. Como ele está fazendo? Destruindo laboratórios médicos, destruindo escolas, destruindo universidades, destruindo infraestrutura civil. E isso se caracteriza como crime de guerra. É isso, basicamente, o que ele pretende fazer. E talvez uma operação, digamos, de boots on ground, em alguma das ilhas,

apenas de forma espetaculosa, para dizer que fez uma operação e sair com uma imagem de vitorioso. É isso que se espera. A equação não fecha, porque aí tem Israel no contexto. E o Herano deixou claro que...

Não há um acordo de cessar-pumbo. Não existe cessar-pumbo. Qualquer negociação possível, ela precisa envolver todos os atores na região para uma solução definitiva para a guerra. E esse é o ponto em que nós estamos hoje. Ariel.

Professor, o senhor considera que o Estreito de Hormuz nunca mais voltará a ser o mesmo? Eu sei que ao longo das décadas há oscilado ali toda a situação na região, mas desta vez parece que a coisa... Por exemplo, eu lembro quando eu era adolescente e estava a guerra Irã-Iraque nos anos 80 e também se falava no fechamento do Estreito de Hormuz, mas nunca me parece que a coisa chegou ao ponto...

em que está hoje, pode ser que nos próximos anos essa região seja, o Estreito em si, a situação seja muito mais complexa do que foi até os momentos atuais? Maria, uma pergunta muito interessante. Eu acho que o Irã nunca usou no passado fechar o Estreito.

Mas, doravante, dada a situação e dada a conjuntura, sem um acordo geral com os Estados Unidos sobre a situação regional, eu acho que há um grande risco de o estreito permanecer relativamente fechado ou seletivamente fechado para alguns países.

Agora, se não houver um acordo, então não há dúvida na minha avaliação que o Irã irá impor uma política seletiva de passagem.

pelo menos no curto espaço de tempo. Os países aliados dos Estados Unidos vão sofrer uma taxação. Os países que negociarão com o Irã bilateralmente, de forma pontual, terão uma livre passagem. E isso acho que os iranianos já estão fazendo.

Professor, um pouco mais sobre os países da região. Nós tivemos uma manifestação do príncipe herdeiro saudita, Mohamed Bin Salman, de que essa seria uma oportunidade histórica para remodelar o Oriente Médio. E além da Arábia Saudita, outros países com bases americanas estão sendo bombardeados e não revidam. E aí tem vários motivos, entre eles, como é que vão entrar numa guerra e lutar ao lado de Israel. Queria ouvi-lo mais sobre os países do Golfo, como é que eles veem essa continuidade dessa guerra, professor.

No fundo, no fundo, não é só lutar em favor de Israel. Primeiro que se eles lutarem em favor de Israel, eles estariam lutando em favor de alguém que violou o direito internacional. Estariam lutando em favor do agressor, no caso desta guerra.

Segundo ponto, os Estados Unidos, as bases americanas na região, nesses países do Golfo, provaram-se que não estão à disposição para defender os países árabes. Então, na verdade, os países árabes fizeram um grande investimento e um investimento inútil no fundo.

as bases estavam muito mais a serviço de defender Israel do que defender esses países. Isso está basicamente provado. As bases americanas tornaram-se um risco para esses países. Há um custo muito elevado, porque manter essas bases lá, o investimento é enorme por parte desse país. São centenas de bilhões de dólares que, no final...

Na hora que elas tiveram que defender os interesses dos sauditas, dos cátaris, dos coaites, na hora que tiveram que defender, não estavam a serviço ao qual elas foram, digamos, botassem contratadas. Além disso, eu diria, a presença americana...

na região hoje, ela é percebida, de forma geral, como uma ameaça, no fundo, não como um elo de segurança, uma variável de segurança coletiva na região. Porque você tinha um acordo à mesa, um acordo que era favorável a todo mundo, e, portanto, os americanos...

optaram pela guerra, induzidos e influenciados pelos israelenses, no fito de que o regime cairia em dois dias. Professor, levando em conta que ainda faltam três anos para terminar exatamente o mandato de Donald Trump, podemos ver que, mesmo que a situação...

possa eventualmente dar uma mainada nos próximos tempos? O Irã pode ser alvo de novas intervenções americanas ao longo dos próximos três anos? Três anos é um monte de tempo. Primeiro, acho que o que vai determinar isso, Ariel, é que o mandato do Trump pode ser abreviado no ano que vem.

Então, acho que tudo vai depender das eleições, do meio de mandato. Agora, no final do ano, em outubro, novembro, teremos os midterms nos Estados Unidos. Essa campanha, vamos lá, essa campanha militar americana, ela já está caracterizada como um desastre.

nos Estados Unidos. Primeiro, há um racha nos três níveis da base trumpista. No nível popular, a base popular do Trump é contrária à guerra e há um racha na base popular. Há um racha na base parlamentar do Trump.

republicanos, estão divididos. E você tem um racha no executivo. Quer dizer, você já tem vários funcionários ou que se demitiram ou que foram demitidos por discordarem.

do alto escalão do governo americano, e agora o último, o chefe do Estado maior do Exército. Você tem uma desaprovação geral da população americana em relação à guerra. Você tem um impacto econômico que já está sendo sentido.

na economia americana, em múltiplos estados, em relação à elevação do preço do diesel, do gás e da gasolina. Então, isso tem impacto estrutural na inflação, impacto estrutural no preço dos alimentos de forma geral. Tem um impacto no preço dos transportes e, consequentemente, isso se repassa para os alimentos e para outras coisas.

Enfim, o Trump perdeu o controle sobre a narrativa, isso faz com que ele minta cada vez mais, perdeu o controle sobre sua base. Então, ele caminha para uma eleição que vai ser um desastre para ele. Então, ele está buscando uma saída em que ele possa convencer os remanescentes fiéis.

de que ele fez um grande trabalho. Mas todo mundo sabe que é um desastre. Aí tem que ver como é que fica a situação dele, como pato manco, entendeu? Para governar o restante do mandato. E aí ele vai ter que prestar contas. Aí vai vir os accountabilities no Congresso. Não seria difícil de imaginar que ele pode sofrer um processo de impeachment.

Professor, eu queria passar agora para o Líbano. Israel afirma que vai controlar o sul do Rio Litane, no Líbano. Milhares de pessoas foram expulsas de suas casas. Eu queria ouvir sobre dois aspectos. Primeiro, um cessar-fogo com o Irã deve ou não ser estendido ao conflito entre Israel e o Hezbollah?

E uma outra questão é, como é que estão as discussões internamente no Líbano para tentar desmobilizar o Hezbollah? As ações que tem tomado, por exemplo, o primeiro-ministro Nawaf Salam, uma figura muito relevante na diplomacia mundial, ou o presidente Joseph Aum, professor? Tá, vamos lá. O que os iranianos deixaram muito claro é que um acordo, uma negociação, ela precisa abarcar toda a região. Ela não será somente com o Irã.

excluindo os demais atores, o Iraque e o Líbano. Então, terá que ser ampla e estendida. Isso é um ponto fundamental. Isso significa que, se os americanos pararem os bombardeios contra o Irã e o Israel manter a sua invasão ilegal ao sul do Líbano, o Irã seguirá a guerra contra Israel.

É isso que dá para entender do discurso iraniano. E o Irã continuará os seus ataques às bases americanas no Golfo e contra o Golfo e manterá o bloqueio ao seito de Hormuz. Ok? Então, o fato dos americanos pararem a guerra não significa que o Irã vai parar as suas ações militares contra Israel e no Golfo também. Então, isso está plasmado. Então, é preciso que haja um acordo.

geral, para toda a região. Esse é um ponto muito complicado, porque isso seria uma imposição de fracasso ao Netanyahu, porque o que o Netanyahu prometeu é

invadiu o sul do Líbano para a população israelense porque ele mentiu, na verdade porque o que ele disse para a população israelense? que o Hezbollah está liquidado que o Hezbollah está acabado do que Israel havia feito ele mentiu para a população israelense dizendo que o regime do Irã ia cair no dia seguinte ele disse que o Irã não tinha capacidade de nada ele disse que tinha destruído o programa nuclear iraniano ele disse que tinha destruído a capacidade balística do Irã e disse que a guerra acabaria logo e disse que o Irã não tinha

Não acabou. O Irã segue impingindo danos reais e expressivos a Israel. A população israelita está um mês e uma semana nos bunkers, entendeu? O Netanyahu precisa de guerra. Ele está há quatro anos colocando Israel em guerra. Por quê? Porque é a única forma que ele pode permanecer no poder. O que faz o Netanyahu ficar no poder é guerra. É isso que precisa ser entendido.

Ele precisa violar as leis internacionais para continuar no poder. Ponto. A ideia de invadir o sul do Líbano para garantir a segurança do norte de Israel e criar uma zona de contenção, um buffer zone, isso é mentira. Por quê? O norte de Israel não vai estar seguro ele ocupando o sul do Líbano, uma faixa territorial que comporta mais ou menos 20% do território libanês. Imagina você ocupar 20% do território brasileiro.

você vai manter seguro, significa que o Hezbollah não vai parar de combater. Segundo, os mísseis do Hezbollah são lançados hoje a 80 quilômetros de distância. O Hezbollah consegue lançar mísseis do norte do Líbano, que caem no norte de Israel. Então, como ele vai garantir segurança? O que o Netanyahu quer é expansionismo territorial. Vou dar um exemplo. O regime do Assad caiu na Síria.

A Síria nunca atacou Israel. Assumiu o governo do Ahmad Ashara na Síria. Nunca atacou Israel. Ele invadiu o território sírio. Hoje ele culpa cerca de 20% do território sírio. Ele está a 70 quilômetros de Damasco.

Ele expandiu a ocupação do Golã. O Netanyahu tem um projeto de expansionismo territorial. Além disso, há interesses sobre malhas aquíferas no sul do Líbano. Além disso, há interesses sobre... Ocupando essa faixa territorial até o Rio Leitane, Israel expande sua capacidade de exploração dos blocos de gás no Líbano. Então, você tem um interesse, em parte. Energético, em parte.

sobre as malhas aquíferas no Líbano e, em parte, sobre para agradar uma massa populacional que é a base de seu eleitorado, porque ele está às vésperas de disputar uma eleição, que ele vai disputar eleições também em outubro deste ano, para agradar essa massa fundamentalista de outra direita que o apoia.

O Senka Lut é professor de Relações Internacionais da USP, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, o SEBRE, e também ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidente da República. Professor, muitíssimo obrigado pela conversa aqui no Mundo em Meia Hora hoje. Até uma próxima, professor. Muito obrigado, agradeço o convite e até uma próxima oportunidade. Uma pausa aqui no Mundo em Meia Hora, daqui a pouco a gente volta falando mais sobre o Vaticano. Até já.

De volta agora com Ariel Palazzo para a gente falar sobre um dos escândalos mais graves da Igreja Católica na América Latina, que é o que aconteceu no Peru. E agora o Vaticano disse que vai indenizar as vítimas dos padres pedófilos peruanos. Ariel, conta para a gente essa história e essa nova iniciativa do Vaticano, por favor.

É uma iniciativa que tem uma marca pessoal do novo Papa, Leão XIV, que já a investigação havia começado no pontificado de Francisco, mas continuou com Leão XIV, recordando que ele é um Papa peruano-americano. Embora tenha nascido nos Estados Unidos, fez toda a sua carreira eclesiástica no Peru. E ele adotou essa medida inédita de negociar indenizações para as vítimas de padres pedófilos.

que no caso peruano, são vítimas do Sodalício de Vida Cristã. Esse é o nome de uma organização católica peruana, que, aliás, a ex-organização foi dissolvida em 2025, envolvida numa saraivada de abusos sexuais. Em maio, o Vaticano vai abrir em Lima, capital peruana, um canal direto para ouvir as vítimas. Os pagamentos serão feitos com recursos obtidos da venda de bens da organização.

É um precedente muito relevante para outros casos semelhantes. Essa iniciativa será conduzida pelo sacerdote espanhol Jorge Bertomeu, que é conhecido, ele é um cara famoso, o Mons. Bertomeu é chamado James Bond, do Vaticano, ele tem esse apelido porque ele é famoso.

pela sua extrema habilidade para investigar delitos. Ele já esteve investigando na Bolívia, no Chile, dois países onde havia escândalos enormes também de pedofilia por parte de clérigos, sacerdotes, bispos, freiras, no caso chileno também, que haviam participado. Este escândalo, no entanto, no Peru, veio à tona por intermédio de uma investigação jornalística.

de jornalistas peruanos, que depois jornalistas do jornal espanhol El País ampliaram, aprofundaram e muito, se refere a abusos físicos, psicológicos, sexuais de dezenas de menores de idade entre 1975 e 2002.

solo peruano. O senhor Dalício, da vida que ele está em sua organização, armou o império empresarial, que começou com um sistema de cemitérios particulares que não pagavam impostos, chegou a um bilhão de dólares investidos na área imobiliária, na área industrial, de mineração, faziam lavagem de dinheiro na América Central, e os abusos incluíam escravidão.

e teriam sido protagonizados por quatro líderes do sudalício de vida cristã, desse grupo religioso. E o grupo recrutava garotos de escolas da alta sociedade peruana, os levava a viver numa comunidade religiosa, na qual eles tinham que ser o que eles chamavam de soldados de Cristo.

Então, esse novo mecanismo de reparação, as vítimas, amplia o conceito de abuso, mais além do conceito da dimensão física e sexual, porque inclui as dimensões espirituais, psicológicas e econômicas.

Agora, Ariel Palacios, a semana foi marcada pelo lançamento da Artemis II. 5, 4, 3, 2, 1, 0. Todo mundo ficou olhando para o céu, pensando na Lua. Falamos muito sobre isso aqui. E aí tem uma pergunta. Ariel, quem é da Lua? É lunático? Ou é selenita que vem de Selene, que é a deusa grega da Lua?

Pois é. Bom, na Lua não existem seres vivos, pelo menos jamais foi detectado qualquer espécie ali. Para você, para você. Exatamente, mas talvez no futuro, a curto, médio prazo, nasçam pessoas na Lua. Poderiam existir pessoas na Lua. E aí elas seriam denominadas selenitas, porque esse é o gentilício dos atualmente...

Por enquanto, fictícios habitantes da Lua. Se os seres humanos fundarem colônias ali, poderiam ser chamados assim. Então, por exemplo, vai que alguém diz, olha, meus pais eram terráqueos de Santo Antônio do Paracutinga. Eu sou chilenita, porque nasci na Lua. Meus pais migraram ilegalmente, passando pelo muro de satélites do Barron Trump.

que conseguiram chegar e migrar para lá. Mas eu posso falar assim, eu sou lunático, meu pai é maluco. Bom, aí se aplicaria talvez o caso do presidente Trump. Selenita vem do grego, Selene, que pertence à Lua, significa da mesma forma que Marciano é de Marte, Venusiano de Vênus e Jovieno, Jovieno é de Júpiter. Então, nos tempos antigos gregos, as pessoas...

Pessoas, os terráqueos compatriotas Aristóteles e Platão, achavam mesmo que havia uma civilização em solo lunar. Bom, Lunático não é o habitante da Lua, é uma pessoa que está louca de pedra. Os gregos têm a ver com isso também, por quê? Porque eles achavam que as fases da Lua alteravam o humor.

O ânimo, o estado psicológico de forma geral dos seres humanos. Eles achavam que as fases da lua, as pessoas podiam ficar mais, em certas fases, as pessoas podiam ficar mais agressivas. E que nesse caso, o sétimo filho homem de uma família se transformava no quê? Num licântropo, num lobisomem. Então eles ficavam assim meio preocupados em certas épocas do mês que a lua estava em determinada face. Quem criou o termo lunático?

Muitos séculos depois, lá pelo século 17, foi o alquimista alemão Paracelso, que também não estava muito bem na cabeça. Ele chamava lunático as pessoas que estavam...

doidinhas, ele também havia, ele também classificava as pessoas também como insanos ou melancólicos, e o fato é que o próprio Paracelso se enquadrava nessa classificação de lunáticos, porque antes dele morrer no seu testamento, ele deixou uma ordem para seus discípulos, que ele tinha que ser, ele queria ressuscitar, e a fórmula desse alquimista para ressuscitar era me cortem em cubinhos, o corpo dele tinha que ser cortado em cubinhos,

e imerso em esterco, em X tempo, que estava delimitado em tantos meses, abram o caixão e eu vou lá ressuscitar, segundo num belo jovem, ele achava que ia ser assim. Aí os discípulos, segundo diz a lenda, não ficaram muito rigorosos com...

o prazo, abriram umas horas, uns dias antes, o caixão e estava lá, no meio do esterco ressecado, os restos mortais em cubinhos de Paracelso. Não deu certo e o cara estava mesmo lunático. Não se limita. Tá bom. Ariel, muito obrigado mais uma vez. Até a próxima, Ariel. Um grande abraço.

Até mais, boa Páscoa a todos e não fiquem lunáticos, no máximo, Selenita. Tentaremos, obrigado, Ariel. Trabalhos técnicos de Débora Gonçalves e edição de Gabriel Campos. Apresentação, Fernando Andrade.

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