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Algodão pode ter oferta derrubada pelo Clima?

07 de julho de 202620min
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O mercado global de algodão encerra a primeira semana de julho sob forte tensão climática, com os principais players mundiais enfrentando desafios que podem comprometer a oferta da safra 26/27. Enquanto o USDA aponta um aumento de 6% na área plantada americana, o estresse hídrico no Texas e a irregularidade das monções na Índia mantêm os preços em alerta na Bolsa de Nova York, neutralizando possíveis pressões baixistas. Lício Pena, diretor-executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão, detalha as oscilações das cotações, o dilema dos estoques chineses e como esse cenário de incerteza global pode abrir janelas estratégicas para a pluma brasileira.Enquanto as principais potências produtoras de algodão enfrentam um cenário de incertezas climáticas e atrasos no plantio, o Brasil se consolida como o grande pilar de estabilidade para o mercado têxtil global. Com uma expectativa de produtividade recorde e o início de uma colheita promissora em estados como Minas Gerais, a fibra brasileira torna-se o alvo principal das exportações, especialmente em um momento de novos acordos comerciais entre Washington e Pequim. Lício Pena avalia o avanço das lavouras em Xinjiang e no Texas, os detalhes do novo Plano Safra 26/27 e como a excelência do produtor mineiro está garantindo uma das melhores séries históricas de produtividade do país.

Participantes neste episódio1
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Lício Pena

ConvidadoDiretor executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão
Assuntos4
  • Clima e Condições das LavourasEstresse hídrico no Texas · Irregularidade das monções na Índia · Condição da safra nos EUA · Atraso no plantio na Índia · Calor em Xinjiang, China
  • Liderança BrasileiraExpectativa de produtividade recorde · Colheita promissora em Minas Gerais · Exportações brasileiras · Plano Safra 26/27
  • Valorização do algodãoFechamento de contratos · Recuperação de perdas recentes · Fatores de alta
  • Exportações para a ChinaDemanda doméstica · Estoques estatais · Estoques nos portos · Novas cotas de importação
Transcrição6 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Aô, bom, boa noite! Dilema de preços: demanda têxtil versus risco de oferta no algodão. Alerta: clima nos Estados Unidos e na Índia pode sacudir os preços. Lício Pena comenta. Está começando com a graça do nosso bom Deus o seu Jornal do Agronegócio para Catu Rural nesta segunda-feira, 6 de julho de 2026. Mercado do Algodão com Lício Pena. O mercado global do algodão encerra a primeira semana de julho sob forte tensão climática, com os principais players mundiais enfrentando desafios que podem comprometer a oferta da safra 26/27.

Enquanto o USDA aponta um aumento de 6% na área plantada americana, o estresse hídrico no Texas e a irregularidade das monções na Índia mantêm os preços em alerta na Bolsa de Nova York, neutralizando possíveis pressões baixistas. Lício Pena, diretor executivo da AMIPA, Associação Mineira dos Produtores de Algodão, detalha as oscilações das cotações, o dilema dos estoques chineses e como esse cenário de incerteza global pode abrir janelas estratégicas para a pluma brasileira.

LPLício Pena

Olá, aqui quem fala é Lício Pena, executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão, a AMIPA. Vamos falar sobre os destaques da semana de 29 de junho até o dia 3 de julho sobre o mundo do algodão. São informações geradas pelo Serviço de Inteligência de Mercado da Abrapa, informações no âmbito do ProAlminas, Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão. No comentário da semana vamos falar sobre dois destaques. O primeiro destaque são as oscilações da cotação do algodão durante a semana.

Com uma semana reduzida na Bolsa de Nova York devido ao feriado da última sexta-feira, dia 3 de julho, nos Estados Unidos, a semana terminou com as cotações em queda. Mas mesmo assim, no acumulado da semana, Nova York recuperou parte das perdas recentes. Já retorno neste assunto com o fechamento das cotações na bolsa. E o segundo destaque da semana são sobre as safras nos Estados Unidos e na Índia. Aliás, o principal ponto de atenção do mercado.

O USDA estimou a área plantada de algodão nos Estados Unidos com 9.850.000 acres, alta de 6% em comparação com 2025. Só que esse aumento de área poderá não significar em aumento de produção. O maior problema é o clima, com calor e estresse hídrico no Texas, déficit de chuvas na Índia. Esse risco climático sobre duas grandes safras mundiais de algodão mantém o mercado em alerta, de olho na possibilidade de pressão na oferta de algodão.

A cotação da Bolsa de Nova York, o clima nos Estados Unidos e Índia são os destaques da semana e vamos tratar de ambos os assuntos durante o nosso comentário de hoje. Começando pela cotação do algodão na bolsa, já que as oscilações de preço na semana são um dos nossos destaques. Vamos agora então ao fechamento dos contratos da semana na bolsa de Nova York. O contrato dezembro 26 fechou na quinta, dia 2 de julho, cotado a 77,12 centavos de dólar por libra peso, uma alta de 0,2% na semana.

O contrato dezembro 27 fechou em 75,42 centavos de dólar por libra peso, uma alta de 0,9% na semana. E o basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia ficou em 820 pontos para embarque julho-agosto de 2026, isto para um algodão 31/3 padrão 36. Vamos agora falar um pouco sobre quais foram os fatores que contribuíram para a alta das cotações do algodão na semana. Voltando ao assunto da área plantada nos Estados Unidos, que ficou em, como eu disse, em 9.850.000 acres, é que esse aumento de área não trouxe reflexo baixista para os preços do algodão.

Explico: o mercado ainda aguarda confirmação de área efetivamente colhida, especialmente no Texas. Dependendo do clima, o abandono de áreas pode ser significativo. O histórico recente mostra que ajustes de área e produtividade podem mudar a leitura de oferta. Portanto, apesar da área maior, 6% maior do que a última estimativa, a safra americana está sob suspeita pelo mercado. Então vamos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

A condição da safra dos Estados Unidos piorou na semana, com apenas 48% das lavouras do país em condição boa a excelente, uma queda de 5 pontos. O Texas, maior estado produtor, o índice caiu para 39%, com 25% em condição ruim ou muito ruim. Ou seja, o maior estado produtor de algodão dos Estados Unidos tem 61% da área plantada sob suspeita, podendo ter baixa produtividade e até mesmo alto índice de abandono de áreas. Vai depender do clima.

E o nosso outro destaque da semana, dentro do mesmo assunto climático, é a safra na Índia. O plantio na Índia está atrasado, com 2.970.000 hectares semeados até o dia 25 de junho. Esse índice de plantio é 35% abaixo do mesmo período do ano passado. As chuvas de monções, essenciais para as lavouras na Índia, seguem fracas, com chuva acumulada 38% abaixo da média histórica. Abro um parêntese aqui para explicar ao público o que são essas monções.

Monção é um fenômeno meteorológico caracterizado pela mudança brusca e sazonal na direção dos ventos. Podendo provocar longos e intensos períodos de chuvas torrenciais. Esse fenômeno ocorre principalmente no sul e sudeste da Ásia, sendo vital para agricultura e economia dessa região. Portanto, as chuvas de monções não estão ocorrendo em volume suficiente para garantir segurança para a safra na Índia. E a Índia é o segundo maior produtor de algodão do planeta.

Uma queda na produção local irá impactar na oferta mundial da pluma. E já que o assunto é clima, vamos à principal região produtora na China, que é Xinjiang. Por lá, a situação climática está delicada. Isso no maior consumidor mundial de algodão. A região produtora da fibra na China enfrenta período de calor mais intenso desde o início do verão. Com temperaturas acima de 40°C no sul e leste da região e máximas locais podendo superar 45°C.

É muito calor. O risco de danos nas plantas, nas lavouras de algodão por estresse térmico pode sim afetar a produtividade na maior região produtora de algodão da China. Vou voltar a comentar sobre os riscos climáticos da safra mundial de algodão daqui a pouco. Apontando os impactos na demanda por algodão brasileiro caso ocorram quebras de safra, de safras, né, nos Estados Unidos, na Índia ou na China. Continuando com os comentários sobre os fatores de alta da cotação do algodão na semana, a demanda chinesa mostra sinais de aperto relativo no mercado doméstico, com alta nos futuros da bolsa local, a bolsa de Zhengzhou.

Persistem rumores de venda de estoques pela reserva estatal chinesa, estimados entre 2.500.000 toneladas até 3 milhões de toneladas. Isso sendo confirmado, o mercado entenderá que a China estará em breve mais atuante nas compras de algodão, principalmente do Brasil, Estados Unidos e Austrália, isto para recompor os estoques internos. Mas por outro lado, Temos notícias que a China mantém estoques elevados de algodão importado nos portos, com o principal porto do país estimando estoques acima de 500 mil toneladas.

Portanto, a ausência de novas cotas de importação e a cautela dos compradores limitam novas compras externas. Enfim, temos um dilema: a China mostra, por um lado, um aperto por algodão, abrindo mão de reservas estatais, e apresenta, por outro lado, estoques relevantes nos portos. Mais um fator de baixa para a cotação do algodão é o mercado de fios bastante estagnado. A demanda global das fiações permanece fraca, com compras concentradas no curto prazo, pouca disposição para alongar coberturas.

A baixa confiança na cadeia têxtil limita altas mais consistentes. E a queda recente do petróleo também não ajuda, pressionando o complexo de commodities e também reduzindo o custo relativo das fibras sintéticas. Isso pesa sobre fios mistos de algodão e poliéster e reduz o apetite das fiações para o algodão. Agora, de volta aos Estados Unidos, a safra americana que comentei bastante como fator de alta devido ao clima pode ser também considerado fator de baixa da cotação de algodão caso o clima melhore.

Pois o USDA elevou a área plantada dos Estados Unidos acima da intenção de março, passando de 9.640.000 acres para 9.850.000 acres. Se o clima melhorar, esse aumento pode significar maior oferta na safra 26/27. E por fim, para encerrar essa análise de mercado dos fatores baixistas, as vendas líquidas semanais de algodão dos Estados Unidos foram modestas, com 49.700 fardos corridos, equivalentes a cerca de 11.300 toneladas. O ritmo mostra que a demanda externa segue muito irregular.

?Voz A

Enquanto as principais potências produtoras do algodão enfrentam um cenário de incertezas climáticas e atrasos no plantio, o Brasil se consolida como grande pilar de estabilidade para o mercado têxtil global. Com uma expectativa de produtividade recorde e o início de uma colheita promissora nos estados como, por exemplo, Minas Gerais, a fibra brasileira torna-se o alvo principal das exportações, especialmente em um momento de novos acordos comerciais entre Washington e Pequim.

Lício Pena, diretor executivo da Amipa, avalia o avanço das lavouras em Xinjiang e no Texas, e os detalhes do novo Plano Safra 26/27, assim como a excelência do produtor mineiro, que está garantindo uma das melhores séries históricas de produtividade do Brasil.

LPLício Pena

Agora um giro de notícias pelos países importantes para o mundo do algodão. China e Estados Unidos avançaram nas negociações comerciais e chegaram a um acordo de princípio para reduzir tarifas recíprocas. Sobre produtos agrícolas, incluindo parte do comércio bilateral do setor, com o objetivo de ampliar a parceria. Na Índia, os preços do algodão no mercado doméstico indiano recuaram levemente. As cotações caíram para cerca de 85,60 centavos de dólar por libra-peso.

No Paquistão, a região produtora de Punjab recebeu chuvas recentes, favorecendo o desenvolvimento das lavouras, enquanto outra importante região produtora do país, chamada Sindhi, continua sob clima quente e seco, com produtores aguardando maior umidade. Apesar disso, a safra evolui de forma satisfatória no Paquistão. O mercado doméstico de algodão no Paquistão segue ativo, favorecido pelos preços locais abaixo da paridade de importação.

As cotações da nova safra recuaram, refletindo a boa disponibilidade de matéria-prima. Em Bangladesh, a demanda das fiações segue relativamente ativa, embora os compradores permaneçam sensíveis aos preços em meio aos altos custos de produção. Entre os negócios recentes, destacou-se a compra de algodão brasileiro da safra 2026, reforçando a presença da fibra brasileira em um dos principais mercados importadores de algodão no mundo.

E nos Estados Unidos, as vendas líquidas de exportações de algodão upland permaneceram positivas, com compromissos de 49 mil fardos. Os principais destinos do algodão americano foram Vietnã, Índia, Paquistão, China e México. Agora voltamos a falar sobre as safras na Índia, na China, nos Estados Unidos, no Brasil. Na China, o desenvolvimento da safra na principal região produtora, em Xinjiang, segue avançando, com cerca de 51% das lavouras já em floração.

As altas temperaturas e a escassez de água têm desacelerado o desenvolvimento das plantas em algumas áreas e mantêm preocupação com perdas adicionais e aumento de pragas. Na Índia, o plantio de algodão segue atrasado. Até 25 de junho, a área semeada alcançava 2.970.000 hectares, Como eu disse, 35% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Nos Estados Unidos, metade das lavouras estão entrando em fase crítica, sofrendo com o clima seco e estresse hídrico.

Resumindo, temos 3 safras com lavouras ainda, ainda em desenvolvimento e boa parte ainda sendo plantado sob risco climático. Estados Unidos, segundo maior exportador mundial. China, maior produtor e maior consumidor mundial de algodão. E a Índia, maior área plantada do planeta e segundo maior produtor mundial de algodão e um gigante consumidor também de algodão. Em paralelo, temos o Brasil com o clima nessa atual safra, a safra 25/26, de uma maneira geral bastante satisfatória.

Deveremos fechar com produtividade média nacional em torno de 1.954 kg de algodão em pluma por hectare. Garantindo com esse índice a maior produtividade de algodão sequer do mundo. O Brasil segue como maior exportador mundial de algodão e terceiro maior produtor, com área plantada nesta safra 25/26 de 1.996.767 hectares, expectativa de produção de 3.902.111 toneladas. E com previsão de consumo da indústria brasileira em torno de 720 mil toneladas.

Ou seja, o Brasil está com a safra garantida iniciando a colheita e com mais de 3 milhões de toneladas destinadas à exportação. Acontece que a maior parte desse volume de algodão está comprometido em contratos firmados de exportação com volumes e preços definidos e o comprador já com esse algodão alocado em sua produção têxtil. Caso ocorra quebra de safra em um desses grandes produtores, como Estados Unidos, Índia e China, o Brasil será o principal fornecedor dessa pluma extra ao mercado.

E, dependendo do tamanho dessa quebra de safra, poderemos sim ter dificuldade para atender essa demanda adicional por algodão. Quando a demanda fica maior que a oferta, Todos já sabemos o que ocorre com os preços de qualquer commodity nessa situação. Por outro lado, o mercado já testou recentemente preços bem acima de 80 centavos de dólar por libra-peso e não foi bem aceito pela indústria têxtil, que viu suas margens afetadas.

Vamos acompanhar de perto o clima nesses países, principalmente neste momento de início da colheita brasileira. E já que falamos de Brasil, O governo federal divulgou o Plano Safra 26/27 com R$525 bilhões e R$100 milhões em crédito para agricultura empresarial. Os recursos serão destinados a custeio, comercialização e investimentos na produção agropecuária. Agora, exportações. O Brasil mantém constante os embarques de algodão para o exterior.

As exportações brasileiras de algodão somaram 146.800 toneladas nas 3 primeiras semanas de junho de 2026. A colheita da safra 25/26 avança nos estados da Bahia com próximo a 2% de área colhida, Goiás com 5% de área colhida, Maranhão 13%, Minas Gerais 10%, Mato Grosso do Sul 17%, Mato Grosso começando agora 1%, Piauí em torno de 7%, Paraná praticamente encerrado e São Paulo com 62%. Em Minas Gerais, a colheita iniciou no mês de junho e começa a intensificar a partir de meados de julho.

As primeiras áreas colhidas apresentam excelente produtividade. Ainda é cedo para cravar, mas nossa expectativa é que Minas Gerais terá em 2026 uma das melhores produtividades de sua série histórica. Com produção estadual superando o consumo da indústria mineira. Parabéns aos produtores mineiros pela excelência na produção de algodão com qualidade e produtividade. E para finalizar nosso comentário semanal, vamos aos preços praticados na semana em Minas Gerais.

A semana finalizou com algodão tipo 41/4, incluso o ágio Pro Minas e posto indústria, precificado em R$147, e 28 centavos, @dipluma. Bem, meus amigos e amigas, por hoje é só. Aquele forte abraço de fibra e até a próxima semana, se assim Deus permitir.

?Voz A

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LPLício Pena

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