Episódios de Paracatu Rural - Jornal do agronegócio

Paracatu_Rural_30-06-26_20h

02 de julho de 202613min
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Paracatu_Rural_30-06-26_20h

Participantes neste episódio8
S

Speaker A

Host
S

Speaker B

HostJornalista
E

Eduardo Girardi

ConvidadoPesquisador
O

Olavo Bianchi

ConvidadoEngenheiro agrônomo
R

Rodrigo Brandão

ConvidadoJornalista
S

Speaker C

Convidado
S

Speaker D

Convidado
S

Speaker E

Narrador
Assuntos3
  • Controle do Greening dos CitrosControle do vetor · Psyllidium · Brotação da copa · Pulverização
  • Diversificacao de ProdutosRegião de Bebedouro · Região de Barretos · Região de Colômbia · Irrigação · Colheita manual
  • Ecossistema de inovação e pesquisaCiência · Agrônomos · Variedades comerciais
Transcrição24 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
?Voz A

Aop bom? Será que existe porta-enxerto resistente ao greening? Está começando com a graça do nosso bom Deus o seu Jornal do Agronegócio para a Catugural.

?Voz B

Minuto Hortifruti.

?Voz A

A escolha adequada de porta-enxertos é fundamental para a produtividade e longevidade dos pomares. A Fundecitrus tem avaliado o potencial de porta-enxertos ananicantes em plantios adensados de laranja com o objetivo de facilitar a colheita e o controle das principais pragas e doenças do citrus. Um dos estudos, que acontecem desde o ano 2016, avaliou 6 porta-enxertos e foi conduzido na região central do Cinturão Citrícola, com 1.212 plantas por hectare, média bem superior à do cinturão, os porta-enxertos ananicantes têm possibilitado o aumento do adensamento, equilibrando produção e produtividade.

As informações estão no portal Fundecitrus. Mas afinal de contas, quando nós falamos de greening, principal praga do citrus, existe porta-enxerto eficaz para combatê-la? Quem responde é o pesquisador da Embrapa Eduardo Girardi, e o engenheiro agrônomo do Fundecitrus, Olavo Bianchi. Eles conversam com o jornalista Rodrigo Brandão.

?Voz B

Falando em desafios sanitários, Girardi, agora vem a pergunta de 1 milhão de dólares: tem alguma novidade, tem alguma notícia sobre porta-enxertos resistentes ao greening? O que nós temos com relação a avanço nessa área?

?Voz C

Acho que essa é a pergunta que eu mais escuto.

?Voz B

De 1 bilhão de dólares, deixa eu melhorar aqui.

?Voz C

Infelizmente, a resposta tem que ser os parentes para o produtor é que comercialmente ainda não, né? Não existe um porta-enxerto que seja resistente ao green ou tolerante hoje capaz de tornar a copa também tolerante ou resistente, né? Então diversas pesquisas estão sendo realizadas no Brasil, outras no mundo todo, tentando investigar porta-enxertos que pudessem melhorar a questão do greening, e o que a gente verifica é o seguinte: é que todas as combinações são suscetíveis à doença, todas elas têm que ser protegidas contra infecção com o controle do vetor.

O que acontece é que tem porta-enxertos que são mais produtivos que os outros, que se adaptam melhor ou pior a um determinado ambiente, então você vê variabilidade de porta-enxertos que podem produzir até no ambiente onde tem a doença, e conseguem produzir por mais tempo, mas isso não tem nada a ver com o greening, na verdade é uma questão agronômica da variedade. Então assim, comercialmente hoje não está disponível, mas as pesquisas estão mostrando que daqui alguns anos pode ser uma realidade.

Por quê? Estudos bem recentes estão mostrando, comprovaram recentemente, feito aqui no Fundecitrus junto com a Embrapa, Que é possível ter porta-enxertos que não multiplicam a bactéria, são livres da bactéria. Isso foi testado em casa de vegetação. Mas são porta-enxertos ainda não comerciais, são variedades experimentais, muitas delas baseado em espécies que vieram até da Austrália, espécies selvagens que ainda não são espécies comerciais.

Mas isso é importante porque mostra que esse caminho é viável. É possível obter porta-enxertos resistentes à doença, mas isso ainda vai ser algo para um futuro de médio prazo. Outras pesquisas, por outro lado, mais curto prazo, indicam que do ponto de vista de manejo pode ter vantagens algum porta-enxerto. Então nós sabemos que o porta-enxerto influencia a brotação da copa. E onde é que o Psyllidium se alimenta e reproduz?? No broto.

Então se você influencia o broto com mais brotação, brotação mais intensa, ou menos brotação, brotação menos intensa, indiretamente você influencia no manejo do greening. Então nesse sentido, vários estudos estão mostrando que variedades de porta-enxerto ananicantes, que reduzem o vigor da copa, facilitam o manejo da doença, porque justamente induzem menos brotação essa brotação expõe menos ao vetor, é mais fácil de ser pulverizada, é mais fácil de ser protegida, e aí você consegue então reduzir a velocidade da disseminação.

Isso é muito importante. Você também diminui o tamanho das plantas e gera economias com produtos, caolin, inseticidas, porque você tem um volume menor. Então isso tudo é muito importante e muitos produtores vêm plantando áreas maiores para justamente validar esse resultado.

?Voz B

Dois pontos aí. Da mesma maneira que essa grande quantidade, essa diversidade nas variedades genéticas aí, para você ter uma tricultura mais segura, no greening também eu percebo que vão sendo feitos estudos em várias frentes, né? E porta enxerto, mais uma. Então assim, algo tá no radar, né?

?Voz C

Com certeza, porque além de ter uma variedade de copa resistente ao greening, é importante você ter também um porta-enxerto resistente. Por quê? Porque as variedades de hoje todas são suscetíveis. Então, se algum dia essa bactéria migrar para o sistema radicular, vai prejudicá-lo. Portanto, porta-enxertos resistentes também vão ser importantes.

?Voz B

E o segundo ponto é que a gente tem falado bastante no Pomar do Futuro, e que em boa parte já está no presente, e não tem jeito, ele passa por porta-enxerto. Porque você pode ter uma copa mais vigorosa, com mais brotação proposital lá na borda, onde você vai concentrar o inseto ali e agir de maneira mais eficaz, sustentável inclusive.

?Voz C

Na borda, a ideia é atrair o inseto para você direcionar o manejo mais intensivo ali e a parte interna da propriedade ser menos atraente e mais fácil de manejar a doença. Perfeito, perfeito.

?Voz B

Tudo muita inteligência interligada. Olavo, o que o produtor "Ah, tá bom, tem essa quantidade aí de porta-enxerto, agora ele tá numa região X, ele produz com qual objetivo, né?" Então, o que que ele tem que considerar na hora de decidir o porta-enxerto? Relação custo-benefício, direcionamento estratégico da gestão, o que que ele considera?

?Voz C

O que a gente pode falar disso?

?Voz D

Rodrigo, essa pergunta ela não tem uma resposta só, é uma pergunta muito ampla, né? Então, vai depender muito da diversidade. Hoje a gente lida com uma de citricultura diversa. Tanto é que hoje nós estamos em diversas regiões, né? Por exemplo, a região que eu atuo, que é a região mais ao norte, Bebedouro, Barretos, região de Colômbia, é uma região mais quente, né? Inclusive, por mais que seja próximo de rios que podem ser feita adoção da irrigação, existem ainda muitos pomares adotando sequeiro, onde você não faz irrigação.

Hoje, diferentemente do passado, dificilmente você entra em uma propriedade e o produtor tá usando um único porta-enxerto. Hoje, dentro das propriedades, existe essa diversificação. Óbvio que usam-se determinados porta-enxertos em larga escala, outros em menos, mas nunca uma propriedade vai depender de um único porta-enxerto, principalmente por conta do passado, né, Gerardi? A gente teve muito disso, onde várias propriedades dependiam de um único porta-enxerto, e aí nós podemos observar o desfecho.

Então hoje, dentro da citricultura dinâmica, que a gente costuma dizer, o produtor tem que ter esses pontos de atenção. Quando você for implementar um pomar, eu estou buscando um pomar mais vigoroso, uma planta ananicante, semi-ananicante, como é que é a questão da minha oferta de água, de mão de obra principalmente, fala-se muito a questão da otimização da pulverização, mas nós temos que ter também em conta, levar em conta a questão da colheita, otimizar a colheita, deixar mais prático inclusive e otimizar o serviço.

Hoje nós sabemos que é uma cultura de colheita 100% manual. Então todo plantio, eu costumo brincar com o produtor que quando ele vai implementar uma lavoura de laranja ele tem que pensar lá na ponta, na caixa que está saindo da fazenda. Às vezes é difícil você vislumbrar isso. Você tem ali uma cultura onde existem diversos empecilhos muitas vezes que você tem que driblar e o fruticultor ele já tem ganhado musculatura com isso também.

Então quando você pensa em implementar um pomar não é só a copa, mas sim o porta-enxerto que é muito importante dentro daquela situação dentro daquela condição que o produtor vai ter.

?Voz C

Muito bem.

?Voz B

Girard, a gente percebe, comentei, uma inteligência interligada, muitas áreas, e percebo também muito avançada essa questão de porta-enxertos, um trabalho que você coordena aí com bastante entusiasmo, maestria. Quais são suas considerações gerais? Que estágio nós estamos? Próximos passos?

?Voz C

A tricultura é uma cadeia no Brasil que sempre foi direcionada pela pesquisa, pela ciência, né? Isso cada vez mais forte e evidente. E as próximas décadas vão trazer também isso com certeza. Eu acho que o tricultor hoje ele conta com muita informação, ele dispõe hoje de uma rede de agrônomos, né, oferecidos aí pelas instituições, capacitados para treiná-lo, orientá-lo, muita informação disponível. Esse aqui é, por exemplo, é um exemplo de uma grande ferramenta de popularização do conhecimento.

E as variedades vêm aumentando em termos de oferta, o Dr. já percebe isso e vai aumentar o número de variedades comerciais significativamente nos próximos 5 anos. Então, de um lado, isso é muito bacana porque aumenta as possibilidades É de ganhos, né, de produtividade, de melhorias, mas também traz dúvidas. E aí é muito importante o produtor sempre estar buscando informação de confiança, de fontes importantes para fazer a melhor decisão.

?Voz B

É por isso que nós estamos aqui. Você é de transferência de tecnologia e a nossa função, né, a função da sua área aí é justamente levar essas informações. Quais são suas considerações finais aí?

?Voz D

Fica muito fácil o serviço da transferência de tecnologia quando a informação vem de uma fonte segura. Legal. E isso é o que nós levamos para o campo. Quando o produtor escuta o nome Fundecitrus, Embrapa e tantas outras parcerias que nós realizamos, fica muito mais fácil da gente levar essa informação, uma informação concreta e baseada em muita pesquisa. A tricultura, ela não vem de um curto espaço de tempo, ela vem de um longo espaço de tempo e com certeza temos um longo caminho a trilhar.

Então, o tricultor tem que ter isso em mente. Nós estamos levando a informação de qualidade para a ponta do setor.

?Voz B

É isso mesmo, você, estricultor, hoje, muito mais do que em qualquer outro momento da história, você tem muita informação disponível. A questão é saber a qualidade dessa informação, a veracidade dessa informação, as comprovações, a qualidade do que você está comprando realmente em termos de informação. Muito bem, obrigado, Girardi, obrigado, Olavo. Recado dado por todos. E eu quero agradecer demais a presença do Eduardo Girardi, que tá cheio de compromissos, se encaixou, pesquisador da Embrapa, né?

Obrigado, radicado aqui no Fundecitos, um prazer, uma honra ter você com a gente.

?Voz D

Obrigado.

?Voz A

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?Voz C

Tchau, tchau.

?Voz E

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