Episódios de Paracatu Rural - Jornal do agronegócio

Feijão abaixo de R$ 300? 4 Motivos para ficar atento ao mercado

21 de julho de 202612min
0:00 / 12:24

O mercado de feijão vive um momento de tensão com o avanço dacolheita irrigada em polos como o Noroeste de Minas, Goiás e Mato Grosso.Embora a entrada desse novo volume pressione os preços, uma análise técnicarevela que o valor da saca não precisaria, necessariamente, recuar abaixo dabarreira dos 300 reais. Com uma demanda interna resiliente e a ausência deestoques suficientes para cobrir todo o segundo semestre, o produtor deve ficaratento aos fatores que sustentam o mercado, incluindo a escassez de variedadessubstitutas e as incertezas climáticas trazidas pelo El Niño para o final doano. O presidente do IBRAFE, Marcelo Lüders, comenta a partir de agora quatropontos fundamentais para negociar com consciência e evitar o prejuízo nestasafra.

Participantes neste episódio1
M

Marcelo Lüders

ConvidadoPresidente do Instituto Brasileiro do Feijão
Assuntos4
  • Zé Gotinha· SaudeColheita irrigada · Demanda interna · Estoques insuficientes · R$ 300
  • Tendências de mercadoEscassez de variedades substitutas · Incertezas climáticas · El Niño
  • Mercado de Feijão CariocaArgentina · Estados Unidos · Falta de oferta
  • Razões para queda no consumo de feijãoResiliência do consumidor · Impacto do preço no consumo
Transcrição8 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Aô, bom, boa noite! Com a graça do nosso bom Deus, está começando o seu Jornal do Agronegócio para Catu Rural. Feijão abaixo de R$300? 4 motivos para ficar atento ao mercado com o presidente do IBRAF, Marcelo Líderes. Hoje é 20 de julho de 2026. Sejam bem-vindos!

?Voz B

Viva o feijão com Marcelo Líderes.

?Voz A

O mercado do feijão vive um momento de tensão com o avanço da colheita irrigada em polos como noroeste de Minas, Goiás e Mato Grosso. Embora a entrada desse novo volume pressione os preços, uma análise técnica revela que o valor da saca não precisaria necessariamente recuar para baixo da barreira dos R$300. Com uma demanda interna resiliente e ausência de estoques suficientes para cobrir todo o segundo semestre, Você produtor rural deve ficar atento aos fatores que sustentam o mercado, incluindo a escassez de variedades substitutas e as incertezas climáticas trazidas pelo El Niño para o final desse ano.

O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, o IBRAF, Marcelo Eduardo Lieders, comenta a partir de agora 4 pontos fundamentais para negociar com consciência e evitar o prejuízo nesta safra.

?Voz C

Sobre o mercado de feijão nessa última semana, a gente vive um momento tenso, apesar de que todos sabiam, né, o mercado, na medida em que começasse a entrada do feijão irrigado, começou lá no noroeste de Minas, mas primeiro tinha começado no Vale do Araguaia. Agora já tem lotes sendo colhidos no Mato Grosso. Goiás. Então Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais. E a gente vai tendo aí outros polos de produção irrigada também, com certeza vão acabar acontecendo e vão se somar a esse volume que nós já temos aí sendo colhido.

Porém, apesar de que o preço nós sabemos que vai acabar vindo abaixo dos R$300, isso muito rapidamente, infelizmente. Nós elencamos durante a semana 4 bons motivos porque o preço do feijão carioca não precisa ficar abaixo de R$300. Pode até ficar, mas não precisa. Primeiro, que nós não temos um volume de feijão suficiente para atender toda demanda de final de julho, daí agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro. São 5 meses, não temos feijão, feijões para estes 5 meses, ainda que parte do feijão vai ser colhido dessa terceira safra somente lá em novembro.

Então esse seria um segundo motivo: ela não é concentrada toda ela agora em agosto e setembro, ela vai diluir durante o ano. Um outro motivo muito importante para a gente levar em consideração é que o consumidor, entre R$7, R$8 e R$10, em algumas regiões ele não diminuiu o consumo. E supermercados têm lá que a venda na sua loja, no total de feijão, não caiu depois que o feijão veio novamente aí para R$3,70, R$3,80. Diminuiu quando passou de R$400 no campo, quando passou de R$10, R$11, R$12 na prateleira.

Aí houve uma certa retração em algumas regiões. Uma pesquisa que foi feita por um canal de TV no Paraná, muito abrangente, com bastante telespectadores, fizeram uma enquete com os telespectadores que me surpreendeu, que foi Você diminuiu o consumo de feijão por causa dos preços que foram praticados nos últimos 60 dias? E 70% dos que se manifestaram disseram que não diminuíram. Então isso mostra que existe aí uma parcela da população que a R$300— isso aí tava R$370, R$380— a R$300 passa a ser confortável.

Então a gente não vai ter afetado grandemente o consumo se for mantido a R$300. Agora, abaixo de R$300, nos R$250, a gente sabe que tem produtores que já vão entrar no vermelho, né? O custo de produção esse ano ficou bem mais alto para quem leva na ponta do lápis. A gente sabe que vai acontecer venda mais baixa, como eu comentei. Isso vai acabar acontecendo durante o mês de agosto. Não me surpreende R$250 e menos de R$250. O que não pode acontecer é que nós tenhamos produtores que vendam pensando que o mercado tá morto e que vai ter feijão demais.

Não é assim. Muitos precisam vender, muitos têm contas vencidas, tem compras efetuadas que precisam de pagamento. Então vão se submeter a vender, mas que todos que forem vender vendam conscientes. Né, conscientes de que não é por causa do volume de feijão. Então, que essa, esse tipo de argumento ele não, não seja utilizado. Um terceiro motivo que eu colocaria como importante também para levar em consideração é que nós temos sempre o substituto de feijão.

Nos últimos anos tem sido um feijão mais barato, substituto de feijão caro é o feijão mais barato. Nós temos feijão mais barato, muito pouco. Feijão preto, se houver uma migração do consumo de feijão, se ele subir novamente do carioca e tiver uma migração para feijão preto, ela já aconteceu essa migração, e vai encontrar o mercado de feijão preto com muito pouca oferta. Então o feijão preto tende a subir nesse segundo semestre.

Principalmente de agosto em diante, deve subir, subir bem. Nós temos aí uma, o feijão caupi no Nordeste do Brasil, ele tem aí, é uma opção, né, há muito consumo e ele substitui em muitos casos o consumo de feijão carioca quando o carioca tá caro. Mas a verdade é que não vai ter tanta opção mais barata. Então é mais um motivo. E um quarto motivo, qual seria? O risco do El Niño. Afinal de contas, nós vamos depender das lavouras de Minas e Paraná, Minas e região sul, vamos colocar assim, a partir de dezembro, janeiro.

E como vai ser essa colheita? Que área vai ser plantada? Como vai ser o clima ali na frente? Esses pontos precisam ficar bem claros para todos nós, dos desafios que existem para abastecer o mercado de feijão carioca durante o segundo semestre.

?Voz A

O mercado brasileiro do feijão enfrenta um cenário de isolamento com a falta de oferta na Argentina e a redução diária nos Estados Unidos. Sem opções de importação, Com risco iminente do El Niño afetando a produção global de pulses, as evidências apontam para uma sustentação de preços e oportunidades estratégicas no próximo ano. O Marcelo Lieders, do Ibrafe, destaca como a falta de opções para compra pode impactar a vida do produtor rural brasileiro.

?Voz C

E eu acabei de lembrar de um quinto ponto: tem feijão para trazer de algum lugar? Não tem, não tem feijão para vir da Argentina. Feijão claro não tem, feijão carioca não tem nem rajado esse ano lá. Teria feijão preto, mas o feijão preto, eles estão olhando o que tá acontecendo nos Estados Unidos e no México, plantio lá dos Estados Unidos, México e Canadá. Nós colocamos nas mídias sociais aí e para os assinantes do Premiere a situação das lavouras dos Estados Unidos.

A gente colocou essa semana e eu digo para vocês que os argentinos estão bem cientes de que se eles não venderem o feijão preto para nós num preço que lhes interesse, eles têm uma possibilidade boa ali na frente, porque a área nos Estados Unidos diminuiu, diminuiu bem a área de feijão esse ano nos Estados Unidos. Aliás, fica uma dica para vocês, uma dica de bônus aí para vocês. Fiquem atentos porque o El Niño, se configurado, confirmado, ele costuma impactar grandemente a produção de pulses no mundo.

Então o próximo ano pode ser um ano de preços bem acima da média em função de que El Niño em Mianmar, na Índia, na Austrália, na América Central, México, próprios Estados Unidos, tem um impacto bastante grande na produção. Então fique atento na África, né, fique atento a isso. E na medida do possível, enfrentando todos os desafios que nós temos, que o El Niño vai ser apenas um deles, né, a gente sabe que os produtores têm enfrentado muitas dificuldades, mas eles têm com certeza Aí uma, nós temos aí, aí na frente com certeza uma grande possibilidade de ter um mercado bastante interessante no próximo ano.

Fica a dica aí para a gente conferir mais adiante, né? A gente não tem bola de cristal, mas existem algumas evidências, algumas indicações. Ok, boa semana para vocês, bons negócios e viva o feijão do Brasil!

?Voz A

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?Voz B

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