#289 - Ele Provocou o CORONEL!
👮♂️O recruta folgava pra cima de todos na "Copinha do Batalhão": irritava outros recrutas, sargentos, e até um certo senhor de bigode que não sabia quem era... um operador de máquinas pesadas criou uma gambiarra pra sintonizar seu futebol no trabalho, enquanto uma madame preferia sintonizar vozes de outro mundo! Este #MomentoMárcioCanuto trás tretas entre superiores e subordinados, galera do TI e do escritório, gente sã e gente doida e até o pessoal da Força tática! 🔊🔥 Sobe o som e desce o play!
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Não preciso trabalhar, meu marido tem dois empregos.
Dois empregos, dois!
Olá, empregados e desempregados da nossa grande nação brasileira! Começa mais um programa Dois Empregos. Eu sou Claus Estou aqui como sempre com meu amigo Caio.
Olá, Klaus! Olá, queridos ouvintes! Estamos aqui mais uma vez reunidos e hoje de uma forma diferente, hein, Klaus? Hoje com convidado especialíssimo, que já não é nem mais convidado, né, Klaus?
É, já é praticamente da casa. E atendendo a pedidos, hoje recebemos aqui ele, o cara do fute da firma, Thiago Cabé.
Salve, Klaus! Salve, Caio! Salve, Silão! Salve, Adrianos e Adrianas do Brasil e do mundo! Hoje eu tô aqui para fazer parte do Dois Empregos.
Boa! Pois é, pediram para você voltar, então trouxemos você aqui no Momento Márcio Canuto, o que não significa que o Fute da Firma nunca mais voltará, apenas...
É isso aí, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Estamos fazendo uma integração aqui, um momento de... Como que chama isso nas empresas?
Confraternização.
Confraternização, um coffee break, um M&A.
Porque o KB agora já faz parte do universo Dois Empregos, é um contratado nosso, Salário altíssimo da casa, mas vale a pena. E o pessoal pediu, viu, cara? Lá no último Fute da Firma, o pessoal falou, não, tem que fazer mais, faz uma vez por mês, faz um resumão dos placares, não sei o quê. Vai ter, não sabemos o que vai ter ainda, mas a gente vai ter outros. Não parou por aí.
A gente vai aparecer.
É isso aí. Então, sem mais delongas, vamos chamar a vinheta.
Solta esse leão!
Dois Empregos orgulhosamente apresenta... Momento Márcio Cardoso!
Eita, que alegria, que alegria!
Que aliás, Klaus, antes de você começar a primeira história aí, tem algumas histórias aqui que a gente separou hoje que o pessoal tinha enviado pra gente por causa do Fute da Firma, né?
Olha só!
E acabou não entrando lá no Fute da Firma, mas vai entrar aqui agora.
Muito bom, muito bom, é isso aí, bom saber. Ainda bem que nós vamos descobrir logo mais se o Cabé vai ler bem ou se ele vai ler igual o Chaves.
Ô meu Deus, já estou nervoso.
É a primeira vez que a gente recebe alguém aqui para ler histórias. Cebolas, alhos... Vamos lá, vou começar aqui. A primeira é do ouvinte Adriano Claro e ele diz: Olá, Cabé, Klaus, Caio e meu nobre Silas. Sou Adriano do Mico Velhão Drogado. Ah, essa é uma clássica.
Boa história.
Clássica e original, porque tem gente que anda mandando mandando aí histórias que ouviu em outros podcasts.
Pô, pois é.
E a gente lê sem saber e depois o pessoal fica falando nos comentários, pô, mas esse daí inventaram, não sei o quê. E eu vou chamar a polícia, viu? Vou chamar o Celso Sombra e tudo mais.
Eu não aguento mais isso porque eu e o Klaus, principalmente eu, somos dois tiozões que não estamos aí ligados em tudo que tá rolando na web, entendeu? Aí os cara manda história aqui pra nós, Klaus, que ele ouviu não sei onde, que não aconteceu com ele, que não sei o quê.
Eu não sei, cara, eu não ouvi essa história em outro lugar.
É para depois a gente ler aqui e tirar do ar, entendeu?
Mandem originais.
É, pô, qual que é a graça de você mandar uma história que nem aconteceu com você ou com alguém próximo só para vocês lerem?
Exato.
É, não dá.
É para ouvir quais seriam os comentários de Klaus e Caio a respeito dessa história?
É, não dá.
Acho que é, acho que é, cara, não sei.
Parem com isso, gente. A Patrulha dos Dois Empregos vai estar atenta para isso.
Exato. Bom, e o Adriano prossegue aqui. Há alguns anos apresentou-se no batalhão uma turma de soldados recém-formados. O detalhe é que o coronel comandante estava de férias na época, então nenhum dos recrutas conhecia o rosto dele. Algumas semanas depois começou a famosa Copinha da Meganha Corps, o tradicional campeonato de futebol do batalhão. O primeiro jogo foi entre a Companhia de Força Tática e a 2ª Companhia. No time da 2ª Companhia estava um dos recrutas recém-chegados.
Pra quem não é policial militar, existe um detalhe importante: a Força Tática costuma ter muito mais sargentos que as companhias de área. Cada equipe do tático obrigatoriamente possui um sargento, Enquanto nas outras companhias normalmente há um sargento para o pelotão e o restante é composto por cabos e soldados. Pois bem, essa alma sebosa, essa imagem viva do cão resolveu passar o jogo inteiro tirando os policiais do tático pra merda.
Puts, cara.
Que no caso eram superiores diretos dele, é isso?
É, acho que alguns, né?
Eu acho uma ótima ideia você resolver tirar sarro da cara de policial. Acho muito boa essa ideia. Tem tudo pra dar certo, amigo.
Principalmente tirar sarro da cara dele, na cara dele, né? É.
Mais ainda, né? Ótimo.
O Cabé vai saber aqui, cara, talvez até mais do que eu, mas o campo de futebol tira o pior das pessoas, né, cara? Então, ainda tem isso, você tá zoando os cara num ambiente que às vezes chama briga, né, cara? Eu já vi, cara, eu já vi sair porrada em futebolzinho da turma da igreja, cara. Então assim, sai, sai. Tá ligado?
Eu tenho um amigo, Caio, que a gente fala que ele... Você já assistiu aquele episódio do Pateta, que ele é um... Um homem doce e gentil, mas quando ele dirige ele se torna um cara raivoso e que gera confusão no trânsito?
Sim, eu tive que ver isso na autoescola.
Isso, a gente tem um amigo que é o Pateta no trânsito, só que jogando futebol.
Aí, caraca, sempre tem.
Ele é um cara doce e gentil, mas ele começa a jogar futebol, ele conseguiu ser expulso com 5 minutos no campeonato da empresa.
Caraca, cara, pois é, que fase.
É, acontece muito, cara.
Aí ele diz aqui outro detalhe importante: apesar de cada time possuir sua própria camisa personalizada, o calção era sempre o mesmo do TAF e pelo calção dava para identificar a graduação de cada policial. Cabos e soldados usam azul com duas listras pretas, sargentos e subtenentes azul com duas listras vermelhas, tenentes até capitães azul com listras brancas, majores até coronéis usavam calção branco com listras azuis.
Cara, isso eu achei sensacional, bicho.
Então, cara, então quer dizer que pelo calção dá para identificar o cabo?
É isso. Tá bom, às vezes dá, né?
Bom, eu achei Sensacional os cara dar um jeito de ainda manter a patente visível ali durante o jogo, tá ligado?
Verdade, verdade. Para você não correr o risco de desrespeitar alguém, tá ligado?
Muito bom isso. Mesmo assim o cara tava conseguindo, né? Inclusive ele fala aqui, ó: mesmo assim, por burrice ou espírito suicida, o recruta resolveu provocar justamente os sargentos. O resultado foi previsível. Durante a partida inteira houve um verdadeiro revezamento de entradas mais duras Aí, Cabé.
Olha lá, a entrada dura do Cabo.
Cada vez que pegava na bola... Foi bom que nós chamamos o Cabé para esse, cara, porque todas as oportunidades de fazer as piadas de Cabé estão aqui, ó. É isso. Tá na cara do gol, Cabé. Cada vez que pegava na bola... E aí? Olha lá. Pegou na bola, hein?
Pegou na bola.
Alguém chegava junto.
Chegou junto.
Quando o juiz...
Esse episódio vai ter uma história só.
Vai ser difícil de ler.
Quando o juiz apita...
Quando apitou o fim do jogo, o placar marcava 1 a 0 para a segunda companhia, mas a força tática havia saído com um novo inimigo oficial. Durante a semana seguinte, o ódio ao recruta foi cultivado e alimentado como patrimônio histórico da companhia. Na rodada seguinte, lá estava ele novamente. Dessa vez, o adversário era o time do Estado-Maior do batalhão. Ali jogavam coronel, majores, capitães e alguns poucos cabos e soldados das seções administrativas.
Cara, aqui vai começar a Terceira Guerra Mundial, viu? Eu tô vendo que é por aí.
Pois é, futebol é jogo de war, né, que os caras estão fazendo.
O recruta não conhecia o coronel pessoalmente, mas conhecia as regras de fardamento e também sabia que existe uma tradição não escrita na Polícia Militar. Quando alguém vira coronel, recebe automaticamente o famoso kit bigode para ostentar diante da tropa.
Eu fiquei me perguntando se isso era realmente o cara só usar bigode.
Eu acho que é, né, cara?
Eu sempre percebi que existe uma prevalência maior do bigode na polícia do que outras partes da sociedade, mas eu não sabia que tinha a ver com o grau da patente dele, né?
Não sabia também que o coronel usava. Pô, pensando bem aqui no Comando Maluco, o coronel lá que é o coronel do Bananinha lá, que eu não— Comandante Durão, Durão, né? Comandante Durão, ele usava bigode.
É o Sargento Pincel também, né? Mas aí já não é coronel.
Isso é tudo que eu sei sobre Exército.
Nosso conhecimento militar tá alinhado, Caião.
Nós estamos misturando Exército com polícia aqui também.
O SAF é polícia ou exército? Que até agora eu tô perdido também.
Não, a gente não tá... O pior não é misturar polícia e exército, é misturar o Comando Maluco com polícia e exército.
Não, aqui na história é Polícia Militar, né? Ele falou aqui.
Ah, Polícia Militar?
É, Polícia Militar. Ah, perdão. Eu acho que tem muita coisa que em um funciona igual no outro, né?
Sim.
Então, os dois têm as patentes, tá?
Ah, cara, mas é isso. Homem que tá atrás de um bigode farfalhudo, ele já tem mais imponência automaticamente.
É, é.
É, ele tem. Eu uso aqui o bigode e a barba, mas o meu bigode não chega a ser farfalhudo, entendeu? Agora você pega ali o Faúr, por exemplo, você tem que respeitar, entendeu?
Meu pai tinha o maior bigodão, cara. Meu pai era o Paulão Bigode, tem que respeitar. Você não respeita um cara que chama Paulão Bigode, não tem nem como. Meu pai tem uma voz grossa ainda, cara. Meu pai, eu podia não ter feito nada, cara. Meu pai me chamava, eu já chegava cagado, já chegava sacudindo nas pernas já.
Então, mas é muito por causa do bigode, cara. Você pode até não ter associado, mas com certeza é. Então respeita.
Aí ele diz aqui: foi então que ele avistou o senhor já de idade ostentando um belo bigode, usando calção de oficial superior, e pensou: por que não? E a partir daí começou o espetáculo. Joga nada, hein, camisa 10? Nessa idade já tinha que pedir baixa. Traz um balão de oxigênio para o tiozinho. E por aí foi. Arquibancada já estava se preparando para assistir a mais uma tragédia pronunciada. Até que em determinado lance, o velhinho acertou um carrinho monumental no recruta.
Foi daqueles carrinhos que unem técnica, experiência e ódio acumulado. A torcida foi ao delírio com o infeliz de pernas para o alto, batendo a cabeça no chão igual bosta. O recruta levantou sem entender nada, sem entender nada para o resto da vida, né? Pelo jeito que já deu um traumatismo craniano ali. Foi quando o velhinho, entre aspas, gritou: Acabou o campeonato e você, seu verme maldito, na minha sala fardado em 20 minutos!
Vixe, nossa, rapaz! O silêncio que se seguiu foi histórico. Naquele exato momento, o recruta descobriu que havia passado o jogo inteiro chamando o coronel do batalhão de velho tiozinho e aposentado. Isso mesmo, meus queridos, o cara folgou um caminhão com o pica-grossa do batalhão e agora tava com cara de ué. Os meses seguintes não foram exatamente gloriosos. Ele foi trabalhar na reserva de armas durante o período noturno e algum tempo depois acabou transferido para outro batalhão.
Tempos depois, conversando com policiais da segunda companhia, ouvi a opinião geral sobre o ocorrido: ele mereceu. Segundo eles, ninguém suportava o sujeito mesmo.
Ah não, esse aí cagou na mão e bateu palma, né, velho?
Pelo amor de Deus.
Pois é, cara, às vezes o cara foi tomado ali por um espírito, né, do tipo, não, já que isso aqui é uma confraternização, estamos... Todo mundo deixou aqui a sua patente, o seu cargo de lado e somos todos iguais. Não é bem assim, né?
Vai nessa.
Mas daí é a juselitagem, cara, porque você é novato, você primeiro observa como que os seus colegas estão tratando o superior, depois você pensa no que você vai fazer. Então você não chega botando banca primeiro. Se você vê que outros estão dando liberdade, né, aí você vai na da galera. Mas aqui ele claramente tava... É aquilo que a gente disse, que o chato é o último último que percebe que é chato, né?
É, tem uns caras que são sem noção, e o cara não percebe que ele é sem noção. Eu trabalhava com um cara que a gente descia para almoçar, a gente tinha que atravessar o escritório e a fábrica inteira. E esse cara, ele ia passando e ele assim: e aí, corno!
E aí, viado!
E aí, sogro!
Para fábrica inteira, velho. Eu falo: um dia esse moleque apanha, um dia ele vai apanhar. Por falar em folgado, que quando você virou policial, talvez seja ele o dono dessa história aí. Então talvez seja ele.
Eu não acho recomendável, cara, você ficar zoando ou dar entradas fortes ou ficar provocando, enfim. Nem se for assim, tipo, uma empresa privada com seu chefe, por exemplo. Porque, cara, você não tem como saber se esse cara vai levar a sério a parada, entendeu? Até você sentir o clima do futebol. Porque às vezes é possível que exista alguma empresa aí que os cara joga um futebolzinho, que ali dentro do campo não tem essa. O estagiário zoou o chefe.
Cara, eu diria mais, não é nem provocar. Eu ia ter medo até de fazer gol antes de ter certeza se o cara não é mau perdedor, porque o cara manda em mim, tá ligado? Vai que ele é um chorão, sabe? Eu vou ficar na minha aqui, entendeu? Jogar meio mal mesmo.
O Klaus ia ficar só tocando de lado.
Que isso, que isso! Tem que reconhecer o ambiente, pô. Cadê o treinamento militar?
E se você fosse o chefe, você teria coragem de jogar futebol com seus comandados também? Porque é complicado, cara.
É a chance, né?
O cara não vê o momento de poder te dar uma porrada, cara.
Acabei, eu já não tenho coragem de jogar futebol com ninguém, né? Ainda mais na situação aí, provavelmente não.
E pior, cara, que esse negócio de ter a patente ali no— tô usando a palavra patente, mas nem sei se é o termo certo. Vocês me desculpem se não for aí. Mas enfim, esse fato de ter, como você sabeu, o cargo do cara pelo shorts, deve ter sido uma exigência dos superiores por causa disso aí mesmo, o cara ter certeza de que que se alguém me bateu, me bateu sabendo que eu sou superior dele, tá ligado?
E assim, empresa já tem hierarquia, polícia, exército é muito maior ainda, é muito maior.
É verdade, maravilha. É bom, é isso aí, galera, é isso aí. Tivemos aí um abraço aí para o nosso Adriano, polícia militar, né? Fica a dica aí para quem for da polícia: olho no calção do cabo, no calção do cabo e não no cabo do calção.
Exato.
Bora para a próxima.
Bora. Vou mandar a próxima aqui então, hein. Quem mandou foi ele de novo, Adriano. Não é o mesmo, mas é um Adriano, né, como todos nós. Ele diz o seguinte: Olá, aços carbono e inox.
Caralho, velho.
Me chamo Adriano e recentemente, ouvindo o episódio G4 do Fute da Firma, decidi que precisava mandar essa história sobre futeboys envolvendo o chão de fábrica. Aí, ó, mais uma que chegou por conta do Fute da Firma, hein? Se você não ouviu o Fute da Firma, você tá de sacanagem, hein? Volta lá e escuta.
Passou da hora.
Passou da hora. Ah, mas já passou a Copa do Mundo. Foda-se, ouve lá que você vai gostar.
Você é um pé de rato.
Fica, tinha que ter mais episódio, cadê o episódio? Tem 8 a mais aí, ó. É isso aí.
Aí ele fala: para contextualizar o caso, preciso primeiro mostrar o meu ambiente de trabalho. Sou engenheiro e atuo no setor de qualidade de uma multinacional metal-mecânica. Rapaz, nunca nem tinha ouvido falar esse termo. Ou seja, o trabalho na produção é pesado e exige muito planejamento. Para vocês terem uma ideia, lidamos com máquinas pesadas como as dobradeiras. Onde o operador maneja chapas grossas de metal, coisas de 4mm de espessura e mais de 1 metro de comprimento.
E ele fala que ele manejava essas chapas grossas usando um computador integrado para programar as descidas da prensa. A nossa matriz fica na Europa e é super comum recebermos várias auditorias ao longo do ano. Como sou da qualidade, lidar com esses auditores é rotina. Meu chefe sempre avisa quando eles vêm e pede aquela geral. Afinal, se você recebe visita em casa, dá uma organizada antes, né?
Então o trabalho dele é dobrador de auditores, né?
Cara, pô, preciso falar que eu já tive a função que esse cara tem e é horrível. Já, né? Eu trabalhava na fábrica e entre as funções que eu tinha, quando ia à receber uma visita de banco ou de cliente ou alguma coisa, eu era o responsável pela organização da fábrica, que era um caos. Então passava ali, geralmente a fábrica não parava, então a gente ia de sábado e domingo para organizar a fábrica, pintar chão de— nossa, pintei muito chão de fábrica, pintei muita faixa de essas faixas amarelas, sabe?
Nossa, pintei demais, cara. Escondia peça, fazia de tudo, escondia, velho. Pô, minhas peças estão aqui no meio do caminho, o que que vai fazer? Ah, não tem o que fazer, vai vir os cara aí, manda para o meio do terreno, depois traz de volta. Mandava Era para meter renda, depois trazer de volta.
Maravilha! É para fingir que tá tudo certo, né, cara?
Fingir que tava bonitinho, tudo dentro da faixa, tudo lindo, impecável.
Aí ele continua: mas com gente de cargo alto de matriz, a atenção é redobrada. Passávamos dias organizando a fábrica, limpando, recolocando fitas de marcação no chão.
Aí, cabé!
E principalmente avisando a produção para que o pessoal ficasse esperto. Ninguém queria fazer vai ser feio na frente do auditor, verdade? Passado o contexto, vamos à história. Em 2022, em plena Copa do Mundo do Catar, recebemos um dos maiores gerentes de melhoria contínua da matriz global. Rapaz, é pica, hein? O cara era responsável por projetos gigantescos e veio fazer uma análise geral da nossa fábrica. Passou dias nos acompanhando, tanto na produção quanto no escritório.
Não lembro a nacionalidade exata, mas o bicho tinha uma cara feia, bem Um homem de poucas palavras, mas de palavras duras. Eita, bicho! Em certo momento da semana aconteceu algo raro, pararam a fábrica inteira e todos os funcionários foram chamados para a área da churrasqueira, ali era onde recebíamos comunicados gerais, mas parar a produção no meio do dia daquele jeito já acendeu o alerta de que vinha bomba pela frente. Fomos todos bem apreensivos.
Como o gringo não falava português, o nosso gerente do Brasil foi ouvindo e traduzindo para o pessoal do chão de fábrica. O auditor começou a falar sobre a importância das boas práticas, mostrando alguns slides com resultados da auditoria. A gente estava até relaxando, achando que era só uma apresentação comum, quando de repente ele projeta na tela algo simplesmente inacreditável. Uma foto foto tirada na nossa própria fábrica.
Eu não consigo nem imaginar o que passou na cabeça do gerente brasileiro que estava traduzindo na hora. Aposto que foi pego totalmente de surpresa. A foto mostrava a tela do computador integrado daquela dobradeira que eu comentei antes. Refletida no monitor estava a imagem do crime. O meliante estava simplesmente assistindo ao jogo da Argentina e Arábia Saudita Computador da máquina.
Maravilhoso!
Ai, muito bom, muito bom. Lembrando que a Argentina perdeu esse jogo, hein?
Pois é, cara, esse jogo aí a Argentina perdeu da Arábia Saudita e todo mundo falou, ah, vai ser um fracasso a Argentina na Copa do Mundo. Os cara foram campeão.
Pô, que genial, cara!
Uma máquina hidráulica que dobra ferro, tá ligado? Deve ser uma máquina pesadíssima. Eu imagino a insatisfação do cara de ver o cara usando para o seu entretenimento pessoal ali o computador que controla essa máquina, que deve ser perigosíssima inclusive, né?
Deve ser.
Ela dobra ferro, imagina o que ela faz com o braço, né?
O pião não tem medo da morte, cara.
O cara não tá só distraído no trabalho, ele está distraindo a máquina, tá ligado? Essa que é a parada, cara.
Só que eu acho que aqui o negócio ficou pior, o negócio tomou assim uma proporção maior do que deveria. Com direito a slide, né, chamar todo mundo, parar a fábrica, não sei o quê. Porque o nosso auditor aqui era gringo. E é aquilo que a gente falou muito no Fute da Firma lá, cara. Esse cara aqui não entende direito o que é a Copa do Mundo pro brasileiro, tá ligado? Pro brasileiro é isso aí mesmo, o cara dá um jeito de ver o jogo até operando uma super máquina, velho.
E outra, cara, esse cara tá ciente de que a fábrica não é todo dia igual quando ele chega. Ele espera ser muito respeitado quando ele chega. Ele já foi em muita fábrica, ele é o cara do global lá. Ele foi, viajou o mundo, Inefábio. Então ele pensa assim, pô, se nem hoje que eu tô aqui esse arrombado não consegue se manter na linha, eu preciso esculachar. Porque o cara chega lá também igual o crítico do Ratatouille, tá ligado? Corre lá em cima, entendeu?
É, isso é verdade. Mas é bem no dia que o cara foi, tava tendo um Argentina e Arábia, porra, não dava para ser outro dia, entendeu?
Sei lá, cara.
Eu achei o motivo nobre.
Eu também, pelo menos. Ele fala aqui: eu até hoje não sei exatamente o que ele fez. Aquele computador era bem velhinho e só tinha acesso ao software da dobradeira.
Ele hackeou a máquina, bicho, sem internet.
Rapaz, o cara é um hacker, bicho. O miserável é um gênio, deve ter usado um adaptador Wi-Fi USB daqueles bem pequenos e roteado a internet do próprio celular ou algo assim.
Cara, se ele tinha o celular com internet, Por que que ele precisava assistir? Para, acho que para ajudar a esconder, né? Mas não funcionou.
É, não sei. Também o cara tá supondo que foi isso aqui, né?
Caramba, cara.
Às vezes o cara foi mais gênio ainda, cara, deu algum jeito de hackear ali.
É montagem. O cara tava no software do CNC da dobradeira e fizeram essa montagem aí, mandaram para o cara.
Não é possível.
Isso é coisa do Klaus, cara.
Eu, Joel Auditor, vim aí fazer uma vigarice.
Ele fala: meus amigos, o gringo despirocou, achou um absurdo completo e começou a esbravejar no meio de todo mundo. Mas curiosamente ele não culpou apenas o operador, ele disse que o funcionário não tinha culpa integral, porque os gestores e supervisores é que falharam em não orientar e não manter o controle da produção.
Você precisa orientar o cara, ó, você não usa esse computador aqui para assistir a Copa todo mundo, hein? Você usa só para dobrar chapa.
O Taylor nem tem internet, né, cara? Que nem o cara ia também adivinhar para orientar, né, cara? É igual você colocar no manual do ferro de passar: não use para fazer comida, sabe? Tipo, você meio não precisa, você não acha que vai ter esse desvio de função.
Tem aquela frase que a inteligência humana é limitada, ignorância infinita, né, cara?
Exato.
Você nunca vai saber tudo que o cara pode fazer.
Exatamente.
Se você tiver que prever tudo que o cara não pode fazer, já era, né?
Não tem como.
Exatamente.
O mano é pra falar o que tem que fazer.
Eu insisto que eu não acho impossível que mais gente soubesse que ele fazia isso, inclusive superiores, e passaram pano porque é clima de Copa, meu amigo. Eu não duvido, cara.
Cara, é igual em... Isso me lembra desenvolvimento de games, né? Os caras estão lá na Rockstar fazendo o GTA, fica 10 anos, 400 pessoas, sei lá, quantas centenas de pessoas trabalham no GTA, pensando em tudo que o jogador vai fazer. Aí não, se o jogador tentar sair da área do mapa, vai ter uma barreira aqui assim. Se acontecer isso, tal coisa. Se bugar, tem que reiniciar o carrinho dele pra cá, não sei o quê. Aí no primeiro mês que cai na mão da galera, alguém decide enfiar o veículo no balanço do parquinho e dispara o carro pra lua, tá ligado? Faz qualquer coisa que ninguém previu em 10 anos de desenvolvimento.
É assim, cara, é isso mesmo.
Aí ele fala: no final das contas, toda a chefia dividiu a culpa e a produção inteira ouviu o sermão por causa de um único colaborador. O nome dele não foi citado no microfone, mas era impossível não saber. A máquina de dobra só tinha um operador por turno. Na hora que a foto foi exposta, todo mundo olhou para o lado e já sabia exatamente quem era. O final da história é o mais suco de Brasil.
Fazer o possível.
O cara não foi demitido por causa disso, continuou na empresa por muito tempo e só foi desligado anos depois por outro motivo. Tá certo, tá certo, é porque ele tava vendo Olimpíada.
O outro motivo foi ele ver a Olimpíada no micro-ondas, né?
Só foi desligado anos depois. Quantos anos? 4, né? Já era Copa de 2026.
Descobriram que ele tava torcendo para Argentina no dia.
Nossa, daí daí tem que demitir.
Ele foi demitido porque chegou alcoolizado depois do título da Argentina, né? Um fortíssimo abraço para vocês, gosto muito do programa e acompanho desde a época do antigo Moída. Ah, quase me esqueço, um forte abraço ao Silas, o melhor editor do Brasil, e vida longa ao Dois Empregos.
Aí, tá, valeu!
Um cara desse também você não demite, você promove ele a supervisor de TI, né, cara? É verdade que o cara fez milagre.
Verdade, é verdade. Bom demais, Bom demais, é isso aí! Bora para a próxima então, manda para nós aí, KB.
Bora, vamos lá então. Olá, Mordecai Rigby, vocês estão bem? E você, Saltitão, tá bonzinho? Meu relato é meio bizarro, não aconteceu comigo, mas com uma colega que trabalhava comigo. Aconteceu em meados de 2025, trabalhávamos no Hospital Grande de São Paulo e fazíamos parte do setor de coleta domiciliar. Íamos até a casa dos clientes e fazíamos a coleta dos exames na própria residência, seja ela de sangue, urina ou fezes, entre outras. Vocês já fizeram coleta de espermograma, cara?
É terrível. É, já fiz, cara, já, já fiz.
Queria dizer aqui que eu passei por essa situação, é horrorosa, é um constrangimento.
E foi por causa da calvície, né, Cabelo?
Seja sincero, foi por causa da calvície, cara.
Pior de tudo é você passar esse constrangimento, inclusive que tá ficando careca. Eu sei, Cabelo, passei por isso, passei por isso, cara.
Não, porque eu fui até o laboratório, aí você vai na recepção, elas te entregam um potinho na frente de todo mundo. Aí, cara, esse negócio que você vai numa salinha, não sei o quê, é em filme, mano. Aqui é no banheiro mesmo. Você entra no banheiro do lugar e ali mesmo você faz a coleta. E aí você volta com o potinho cheio ali da coleta e entrega de novo na recepção, na frente de todo mundo.
É horroroso. Humilhar, né, cara?
O constrangedor não é fazer. Você vai lá no banheiro fazer o quê? Tem que fazer a coleta. O foda você voltar com aquele potinho e ter que entregar para uma pessoa, fazer aquela caminhada da vergonha até a recepção de novo.
Não, e quando eu fui no banheiro, eu fiquei esperando um tempo também para aparecer, que era, que durava bastante ali, sabe?
Isso, velho, para entregar em 2 minutos não dá, né?
Não, sem chance. Não, não, não. Então tem toda essa estratégia por trás.
Eles fazem, é porque tem alguns remédios para queda de cabelo que diminui a contagem de esperma deles. Gosta de dar uma monitorada, é um risco Nem sempre, geralmente até nem acontece, mas eles gostam de dar uma monitorada. Aí você passa esse constrangimento, já passei, é bem triste, cara. Espero não ter que passar de novo, mas provavelmente vou ter, porque vou ter que tomar a desgraça do remédio para não ficar careca.
Um trabalho relativamente fácil, se não fosse por alguns casos que nos deparamos. É, eu também não acho que buscar cocô na casa das pessoas é tão fácil, mas beleza.
Então, esse buscar vai na casa das pessoas para buscar sangue, urina ou fezes. O sangue eles tiram, a urina e as fezes você só entrega o potinho, a pessoa ajuda segurando ali, né, cara? Porque faria bem ter alguém segurando o potinho ali para você cagar e não errar a mira, né, cara?
Mas eles têm que usar outras técnicas, né, cara? Eles têm que fazer no pinico e só coletar um pedaço, fazer no jornal, não sei como que as pessoas fazem.
Cara, não sei também.
Não, é isso mesmo, você faz num espaço maior e daí eles te mandam tipo uma vaso de sorvete para você passar para o potinho, porque você não vai acertar a mira de cagar num tubinho.
Eu já vi aqui no Dois Empregos que alguém uma vez levou um pote de leite Ninho cheio de bosta.
Isso já aconteceu mesmo, cara. Ai, muito bom. Que absurdo.
Era um dia comum e essa colega, vamos chamar de Adriana, foi num condomínio muito granfino no Jardim Europa, coisa de novela lá mesmo. A paciente morava no 17º andar. Guardem essa informação. Quando foi entrar no apartamento da cliente, Adriana se apresentou como somos orientados, mostrando o crachá e documento de identificação. A cliente, vamos chamar de Arlequina, não permitiu ela entrar logo de cara. Falou em tom desconfiado, pegando o documento das mãos de Adriana: espera aí, mocinha, eu não te conheço. Como eu vou saber se você trabalha lá mesmo e se é você mesmo?
Claro, às vezes é outra pessoa querendo roubar minhas fezes.
Como é que eu vou confiar assim?
Tão querendo me clonar.
Então, e o pior é que, tipo assim, a pessoa que vai fazer isso aí, ela ligou lá e solicitou o serviço, né, cara? Aí chega alguém lá do serviço solicitado e a pessoa encana, né? Será que é você mesmo?
Se alguém chegou para coletar tuas fezes, ou é do hospital, é o serviço de detetização fazendo a limpeza da fossa, cara. Deixa a pessoa.
Pensa a pessoa desconfiada, velho. A pessoa liga, pede uma pizza, chega o cara entregando a pizza. Deixa eu ver se é É você mesmo, é a pizza, tá certo, é isso aí. Que isso, cara, tão querendo me envenenar?
Pegou o celular e ligou para o hospital para confirmar que Adriana era a técnica enviada por eles para realizar o procedimento, o que demorou uns 10 ou 15 minutos fáceis.
Isso foi o primeiro red flag, foi um red flag bem forte, cara, porque não cabe essa desconfiança aqui, bicho.
Imagina, ainda no exemplo da pizzaria, cara, você liga de volta na pizzaria, ó, falar, o motoboy Marlon de fato trabalha aí? Porque tem um motoboy Marlon com uma pizza de calabresa aqui, eu não sei se é a que eu pedi ou não, entendeu? Porra, velho.
Quando foi convencida de que a moça era funcionária do hospital, a deixou entrar. Adriana foi colocar a maleta em cima de um móvel para preparar os materiais para o procedimento, uma coleta de sangue simples, 3 ou 4 tubinhos de sangue apenas, quando Arlequina já deu um ferro. Não vai pôr isso em cima do meu móvel, vai me passar uma doença. Adriana explica que precisa apoiar seu material em algum lugar e Arlequina deixa ela colocar numa cadeira após cobrir com plástico.
Nossa, daí você já vê que a visita vai ser longa, já deu para sentir.
Isso é algum probleminha de toque, alguma coisa assim, né? Tá com cara de ser uma pessoa que tem essas características.
Você perceba quanta a corrida de espetáculo que já foi ela chegar, entrar e pôr a mala em cima da mesa, que era para ser só coisas automáticas que você faz sem pensar, tá ligado?
Nossa, verdade, verdade. Material preparado e cliente sentada fazendo o procedimento, finalmente tudo parece normal, até que a doida, digo, a Arlequina, olha para o lado da Adriana e para cima, como se tivesse conversando com alguém que tá de pé aí ao lado da técnica, e fala: Ismael, já disse para você não se intrometer. Você não tem nada a ver com a minha vida, vai embora. Adriana, confusa, pergunta: desculpa, falou comigo? Não entendi.
Observação: só haviam elas duas no apartamento e mais ninguém, nenhum animal de estimação. Arlequina brada em tom áspero: não tô falando com você, é com esse daí que não sabe quando ficar na dele.
Aí tamo numa situação de esquizofrenia aqui, né?
Então, né, já tá começando a ficar complicado isso.
Ou ela é dodói da cabeça ou ela usou alguma coisinha aí, né, antes de receber a visita.
O exame vai dizer se tinha alguma coisinha. Adriana se arrepia dos pés à cabeça e tenta simplesmente ignorar e fingir tranquilidade, porém suas pernas trêmulas denunciavam o cagaço que ela estava na hora.
Cara, eu teria medo também, não é nem do espírito, mas é do conceito de entrar na mansão da doida, tá ligado? Você perceber que é doida e ficar assim, rapaz, Essa aqui dá um filme de terror. Dá, né? Ainda dá para essa mulher encanar comigo aqui, sabe? Querer fazer alguma coisa.
Dá medo mesmo.
Ela foi lá coletar sangue, mas acho que ela vai voltar com fezes, viu?
Próprias ainda, né?
E não vai ser da paciente não, vai ser dela mesmo.
Terminando a coleta, Adriana começa a guardar seus materiais de trabalho e coloca os tubos de sangue da cliente no isopor, quando essa questiona: onde a senhora pensa que vai com meu sangue? Pode ir passando ele para cá, tô achando que você não é funcionária do hospital coisa nenhuma. Você quer levar meu sangue para fazer experiências. Eu sei de tudo, Ismael me contou.
Ah, você me pegou, ia fazer um ritual com seu sangue.
Tava precisando coletar o sangue para fazer um ritual e não para fazer exames, né? Ele não tinha quem fazia para ela.
Caramba, cara, mas também a mulher não só conversa com Ismael ali, mas ela confia mais no Ismael do que no ser humano de verdade que tá na frente dela, né, cara? Aí que é complicado, cara. Você não ter mais credibilidade que o fantasma é ofensa, né?
É uma pessoa desconfiada aqui, cara. Sei lá, até achei que fosse o Monark que tava tirando sangue aqui, viu, bicho?
Acorda! Adriana, quase tão confusa quanto Arlequina, explica que não pode dar o sangue para ela, pois ele deve ser levado para o hospital para ser analisado. Enquanto falava, e já ia arrumando sua maleta para ir embora e já vai se dirigindo à porta. Arlequina se coloca entre ela e a porta com as mãos e pernas abertas em formato de X e fala: daqui você não sai com meu sangue, sua bandida! Adriana, bem assustada, diz que vai chamar a polícia se ela não deixar sair.
Arlequina, proferindo palavras que só podem ter vindo de Mordor, sai da porta e dá espaço para Adriana sair. A mesma não pensa duas vezes, já corre em direção ao elevador elevador, quando a Arlequina olha para ela e diz: se quer ir embora, tudo bem, mas vai de escada. Em condomínios de luxo, o elevador só é liberado para subir ou descer quando o morador digita a senha de acesso dele. Coisa essa que a Arlequina obviamente não iria fazer.
Puta merda, loucura, cara!
Aconteceu exatamente o que eu falei que teria medo de acontecer: a doida encanar com ela, entendeu? E eu ainda, ainda passou pela minha cabeça assim: vai que essa mulher tranca ela na casa. Isso que para filme de terror ainda, né?
Pô, verdade, hein, mano, podia ter sido muito pior.
Aqui foi só, só negou uma descida de elevador, né? Paciência. Apesar que andar alto, hein, cara, 17 andares, bicho.
Adriana teve que descer 17 andares de escada correndo porque a Arlequina começou a perseguir correndo a pobre técnica de enfermagem escadaria abaixo.
Meu Deus.
Quando chegou no hall, o porteiro, vendo a cena, já abriu o portão para Adriana sair. Arlequina não havia descido tudo, desistiu no meio do caminho e deve ter voltado para o seu covil.
É, o Ismael chamou, né?
Ela voltou.
O porteiro olha para ela e diz com leve riso: a senhora tá vindo da casa da Dona Arlequina, né? Que bom que deu certo. A última vez tivemos que chamar ambulância porque ela bateu na moça do laboratório com atiçador de lareira. Teve sangue e tudo.
Porra, bicho! Mas aí o porteiro podia ter avisado antes, né?
Pois é, cara.
Então, né, cara, que aliás, cara, se o nosso ouvinte Adriano mandou essa história aqui, mas quem deve ter história boa é esse porteiro, né, cara?
Ô, verdade, hein?
Nossa, verdade.
O Adriano, vê se você faz esse episódio chegar no porteiro para ele poder mandar para o doisempregos.com.br. Se você é porteiro e isso chegou em você aí no prédio da Arlequina, escreve para gente, cara.
Pensa chegar a história do porteiro contando a história da moça que chamou o entregador Entregador de pizza e queria saber se o entregador de pizza era o entregador de pizza que ela chamou mesmo.
Não, imagina quanta treta essa mulher já não causou, cara, porque isso ainda é uma pessoa que ela tava esperando. Imagina se tem alguma coisa que ela não tá esperando. E junta dois fatores aqui: o fator dondoca, o fator totalmente maluca, né? Completamente Miro Leibe.
Pessoa dessa não pode morar sozinha não, cara. Quer dizer, ela mora com o Ismael, né?
Mas assim, pode ficar tranquila, deixar quieto.
Adriana não teve mais condições de trabalhar nesse dia e a Arlequina entrou na lista de pessoas que não são mais atendidas pela coleta domiciliar. Desculpa pela história longa, tentei resumir porque ainda tem mais um monte de detalhes, kkkk. Espero que tenham gostado, abraço, curto muito o trabalho de vocês e já maratonei o podcast inteiro umas 5 vezes no mínimo, sempre ouço quando estou indo e voltando do trabalho.
Maravilha, valeu, um abraço aí então para você e para o Ismael e para Arlequina, para todo mundo.
Ô Ismael, se você estiver ouvindo aí, ajuda nós, pô, tá ligado? Faz ela colaborar com as coisas aí, entendeu? Pô, não prejudica o trabalho dos outros.
O Ismael é muito corneteiro também, entendeu? Muito. Fica ali soprando ideia torta no ouvido da mulher, nem para ajudar, cara. Pô, pelo menos alivia a bronca.
Se ela não tivesse falado nada, mas não, Ismael tinha que ficar se intrometendo, né?
É, corneteiro. A próxima história aqui é do Celta Amarelo Rebaixado, botou o nome dele assim. Ele diz: fala, Tico e Teco, não sei se lembra de mim, porém sou da história do morto na farmácia e oração do gago. Bom, vamos para a história. Eu trabalhava em uma empresa de agronegócios, comecei como menor aprendiz na época da pandemia, E desde então começou a decadência. No primeiro dia de serviço eu fiquei trancado no banheiro e a maçaneta decidiu quebrar na minha mão.
E para piorar, eu tava sem celular. Foi uma hora e meia mais longa da minha vida.
Mano, o cara ficou uma hora e meia no banheiro, velho.
Caramba, no primeiro dia de serviço, hein?
A maior cagada remunerada da história.
Isso é um fato canônico, cara. Uma hora e meia trancado no banheiro no primeiro dia de serviço, você conta para os netos isso aí, você não esquece. Bom, desde essa Na época, o sistema da empresa era fechado e não dava pra acessar nada que não fosse o que o firewall deixasse. É porque nessa empresa não trabalha o cara da Copa lá. A gente acessava assim. Acabei saindo da empresa por conta do exército e voltei um ano depois. E quando voltei, o sistema continuava a mesma coisa, uma porcaria.
Se não for pedir muito, Klaus, consegue fazer com a voz do meme Quero Café? Entendi.
Uma porcaria! Merda nenhuma!
Não dava nem pra acessar as notícias no Chrome que já bloqueava tudo, mas então teve uma troca de sistema que deixou uma brecha no firewall. Eu acabei descobrindo e usando pra acessar YouTube, Spotify e outras coisas. É isso aí, já ouve nós. Eu gostava de assistir série enquanto trabalhava, porém o pessoal da TI percebeu. De começo não fizeram nada, eu tinha uns amigos da TI, e já que nada tinha acontecido eu comecei a abusar um pouco, fazendo pesquisa fora do contexto, jogando alguns jogos no sábado e domingo.
Sim, sábado e domingo, eu trabalhava na escala 2/2. Mas nada que é bom dura para sempre. O gordão da TI começou a olhar minha tela sem eu saber e bloqueou a minha máquina para eu não conseguir acessar nada. Mas mal sabiam eles que no mesmo dia eu descobri outra brecha no sistema, e uma semana depois bloquearam novamente. Era uma guerra aqui, né?
É, a guerra velada.
Mas aí eu não desisti porque eu queria ver minha série terminar, no caso Two and a Half Men.
É, tem bastante episódio, né? Tem, tem.
Ele não falou qual que é a profissão dele, né? Eu fiquei pensando, qual profissão que você trabalha assistindo série? Porteiro? Vigia?
É, não fala, não fala. Inclusive eu tô vendo o site da empresa aqui porque ele falou o nome, né?
Como que você trabalha assistindo série, cara? Mas não, mas tá certo, ouvinte tem sempre a razão.
Vamos lá.
No outro dia consegui descobrir outra falha para acessar meus vídeos no YouTube Séries e meu amado podcast True Jobs. Mas o gordão da TI não gostou nem um pouco, então ele bloqueou tudo do meu computador, deixando o sistema e o WhatsApp da empresa rodando. Mas aí eu descobri outra falha.
Rapaz, o cara não cansa.
Mas o gordão já devia estar levando para o lado pessoal, sabe? Eu comecei a acessar o meu PC de casa pelo AnyDesk. Meu Deus! E no acesso desse modo ele fazia tudo, né? E até que demorou para eles perceberem, mas a casa sempre cai. Como não tinha como eles bloquearem o sistema e nem o Ndesk, eles começaram a desligar o PC aqui de casa. E como eu sempre ligava logo em seguida, eles desligavam. Eu coloquei uma senha para desligar o PC e eles pararam de desligar o meu PC.
Meu, por que não mandaram esse cara embora, mano?
Esse é um dos caras que mais se esforçou para ser mandado embora que eu já vi, cara. É inacreditável o tanto de chance que foi sendo dada para ele, ele dobrava a aposta, cara.
Ele queria chegar no limite, ele queria ver até onde ia, cara.
Por caras como esses que às vezes as empresas bloqueiam, tipo, só o cara que quer ouvir um podcast enquanto trabalha, cara.
É, exatamente.
O cara queria ver série, mano.
O cara assistia série, o cara fez todo esquema possível para assistir série dentro do trabalho. É por gente assim que os bonzinhos se ferra, cara, que o bonzinho não consegue acessar globo.com.
Ele não fala aqui que ano que foi essa história, porque dependendo quando é, vai fazendo menos sentido. Porque hoje em dia você pode usar o seu 4G, o seu foninho, e fazer tudo escondido por fora da rede da empresa, sem usar a banda e o PC da empresa.
É que tem empresa que você tem que deixar o celular na hora que entra, né, cara? Pode ser isso também.
Aí você não tem emoção, né?
É, mas aqui eu acho que ele tava pela emoção mesmo.
É pelo ego, né?
É, virou uma batalha de ego. É, você vai bloquear? Eu quero ver então, bloqueia isso aqui.
Exato. Exato. Aí ele diz: mas então eu entendi aquele ditado, não cutuque onça com vara curta. Resumindo, o gordão da TI ficou puto, conversou com superiores e me mandaram embora.
Aí chegou aqui. Parabéns!
Olha só, o gordão foi complacente demais ainda, né? Ficou um bom tempo para conversar com superiores.
Pois é, dizendo que meu histórico de pesquisa era inapropriado. Resumindo, fiz o que o gordão não dava conta, achei brecha no sistema e no fim me mandaram embora. Mas ficam aqui minhas palavras: Venci o gordão da TI que cheirava Doritos. É isso, cara. Vocês mataram. Ele tinha uma rixa pessoal com o cara.
Virou pessoal, virou pessoal.
Dá para ver aqui que ele não gosta do cara, nem dele, nem do cheiro dele. Por conta disso, ele foi até o limite mesmo.
É, ele vencer o gordão da TI era mais importante que manter o emprego.
Mais importante, exato.
Então, ele ganhou, ele não perdeu.
Aí ele diz: Desculpe pela história. Elongue um beijo a vocês.
É impressionante como ele se vangloria disso, né? Venci o cordão do TI, fiz o que ele não conseguia, mano. E o cordão da TI é tipo um santo, né, cara?
O cara passou meses falando, ah não, mano, o cara fez de novo, não, vou dar mais uma chance para ele e tal. Até que chegou uma hora que não teve como, né, bicho?
O cordão é um anjo, cara. O cordão é um anjo.
O Gordão foi vencido pelo cansaço, cara. Ele foi dedurar na hora que ele falou, não, não, já fugiu da minha alçada isso aqui, não tem como. Mas é isso aí, galera, essas foram as histórias de hoje aí. Cabé provou que é alfabetizado, e ao contrário do Tiririca que não conseguiu provar. E com isso nós vamos agradecer os nossos ouvintes, porque se que você contribui conosco financeiramente, além de ajudar aqui o programa acontecer.
Nos maiores valores, a gente ainda te agradece por nome. Lembrando que tem grupinho secreto, sorteio de brindes. Então confira lá, doisempregos.com.br, e ajude com o valor que seu coração mandar. O que tá ali são valores sugeridos, mas você ajuda como você quiser. Dito isso, vamos então aos nomes, começando aqui por eles. Lá no plano patrão, nós temos o Silas Campos Barros, o marido da Débora Laurentina, essa fera aí, bicho. Ezra Santos Borges, Oswaldo Brogliato, Lucas Peron, Thiago Glicói, Caio César e Gabriel Rico.
E no plano Você é Louco temos Rodrigo Bastos, João Marcos Vieira, Pedro Henrique Schneider e a Débora Lancaster.
É isso aí, muito obrigado a vocês. Cabe, faz uma propaganda relâmpago do Quase Embolotei aí que nós estouramos o tempo.
Ô galera, para quem gosta da minha participação aqui. Não deixa de me ouvir lá no meu podcast junto com a Rafa. Rafa que fazia podcast com o Klaus. Nosso podcast é o Quase Emboloteia, um podcast onde a gente fala de assuntos aleatórios, tudo que vem na nossa mente assim. A gente fala de série, a gente fala de filme, a gente fala de música, a gente fala de coisas de internet, de infância, nostalgia e tudo mais. Então procura a gente aí no Spotify, Quase Emboloteia é o nome do nosso podcast.
Boa, não perca, hein! Não perca.
É bom, é bom, a gente garante.
É famoso ele?
É famoso, é bom, esse é muito bom, minha filha ouve. Então é isso, pessoal. Até a semana que vem, um abraço e tchau!
Falou!