Episódios de Dois Empregos

#287 - Operação LEITE CONDENADO

27 de julho de 202645min
0:00 / 45:46

Durante uma ocorrência de agressão policias interrogam um homem suado, que conta em detalhes DESNECESSÁRIOS, que havia "adulterado" uma certa lata de doce de leite.👮Um fiscal municipal explica como é lidar com cidadãos tentando escapar das autuações e nosso amigo Cabé passa vergonha numa entrevista de emprego. Segunou com #MomentoMárcioCanuto - Sobe o som e desce o play! 🔊🔥
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Participantes neste episódio2
C

Cabé

Host
K

Klaus

Co-hostEditor
Assuntos4
  • Consequências de agressão para o agressorLei Maria da Penha · Flagrante de adultério · Doce de leite como detalhe explícito · Reação de Eduardo Leite
  • Urgência fisiológica em local públicoBusca por banheiro público · Situação inusitada em igreja · Edir Macedo
  • Fiscalização e trabalho de vereadorOficina mecânica sem alvará · Clube realizando eventos proibidos · Terreno vazio e multas
  • Golpes em processos seletivosConfusão de identidade · Entrevista de emprego online · Cleitinho
Transcrição191 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Não preciso trabalhar, meu marido tem dois empregos. Dois empregos, dois! Olá, empregados e desempregados da nossa grande nação brasileira! Começa mais um programa Dois Empregos. Eu sou o Klaus e estou aqui como sempre com meu amigo Caio.

?Voz B

Olá, Klaus! Olá, queridos ouvintes! Estamos aqui mais uma vez reunidos para trazer o que há de melhor no mundo corporativo, ou enfim, no seu trabalho. O que há de melhor no seu trabalho também tá aqui no Dois Empregos, não é isso mesmo, Caião?

?Voz A

Toda segunda-feira, quando não atrasa, está aqui, estão aqui as histórias do povo. Mas vamos lá então, sem mais delongas, para o nosso Dois Empregos. Orgulhosamente apresenta Momento Márcio Cardoso.

?Voz B

Eita, que alegria!

?Voz A

Caião, a primeira história aqui é do Fiscal Adriano. Ele diz: Olá, Lineu e Mendonça, Silas, cê tá gostinho?

?Voz B

Pra todo lado tá ruim, cara, é globalização, sistema financeiro, com a cerveja tá boa.

?Voz A

Hoje podem me chamar de Fiscal Adriano. Já mandei outras histórias me identificando, mas como essa é recente e envolve gente grande da cidade, eu não tô podendo arcar com advogado e vou me manter anônimo dessa vez. Ih, rapaz. Como já disse no grupo, sou fiscal da prefeitura, aquele funcionário que as pessoas só lembram que existe quando bate na porta ou aparece de colete azul e crachá na reportagem do jornal local sobre um estabelecimento sendo fechado pela Vigilância Sanitária.

?Voz B

É uma pessoa muito querida, né? A população costuma gostar bastante, né, do fiscal.

?Voz A

Pois é, né, cara? Esse que fecha estabelecimento é treta, hein?

?Voz B

Ah, bicho, isso aí tem que saber engolir muito sapo, viu, bicho?

?Voz A

Saber desviar de tijolos, né? Trouxe 3 causos que mostram toda a grandeza do brasileiro quando o assunto é ser cara de pau. O primeiro foi quando fomos autuar um morador que abriu uma oficina mecânica sem alvará em um bairro estritamente residencial. Após o vizinho fazer a denúncia. Chegando no local, vimos cerca de 10 carros desmontados, 4 ou 5 funcionários trabalhando e uma bancada cheia de ferramentas que cobria toda a parede lateral do espaço.

Quando informei ao dono o motivo da autuação, ele, sem nem tremer o rosto, simplesmente me disse: mas isso não é uma oficina, esses carros são todos meus. Se ele achou uma boa ideia usar a mesma desculpa que um traficante usa quando é pego com drogas. É, são para consumo próprio.

?Voz B

É isso. Eu estou aqui reformando o meu próprio carro, não vai para ninguém não.

?Voz A

Acontece que eu tenho 6 Sanderos aqui que são meus e mais 8 Mobi que são da minha esposa.

?Voz B

Isso.

?Voz A

Aí ele prossegue aqui. Informei que se ele tivesse como comprovar, era só entrar com pedido de defesa no prazo de 15 dias. Ele assinou o auto tão puto que quase furou minha prancheta com a caneta, mas não disse nada.

?Voz B

O que o cara acha, né? Que tipo assim, ele vai falar, não, esses carros aqui são meus. E o fiscal vai olhar e falar, ô, então me desculpe, pô. Pera, pô. Eu se enganei, ele vai falar, né? Eu se enganei aqui, mas porra, cara. Vai ter que comprovar, né, bicho?

?Voz A

Ele acha que vai vir o prefeito pessoalmente trazer um gift card pra ele, pra pedir desculpa.

?Voz B

Não adianta.

?Voz A

Já era, meu amigo. Quando saímos já do outro lado da rua, ouvimos um dos funcionários da oficina dizendo: Não faz isso, por favor, deixa pra lá. Eita, né? Ele não pode deixar pra lá, o vizinho já denunciou, aí vai denunciar ele também. Nos viramos e vimos o dono já na frente da casa do tal vizinho, socando o portão furiosamente, claramente querendo tirar satisfação pela denúncia. Mas ele tinha como saber quem denunciou? Ou será que é porque já tinha treta entre eles, barulho, não sei o quê?

?Voz B

É isso, cara. Quando é assim, Você já sente o cheiro de quem que foi, porque às vezes já teve uma discussão prévia, estava incomodado com o barulho, com a movimentação, com alguma coisa do tipo.

?Voz A

Cara, eu entendo o cara querer ter o direito simplesmente de fazer o trabalho dele, mas também o vizinho, às vezes quando comprou a casa, a imobiliária já falou que era mais caro porque aquele bairro era estritamente residencial, bem tranquilo. Aí o cara de repente é vizinho de uma oficina, ele fica ofendido também.

?Voz B

É, cara, é aquilo. Tem algumas regras que a gente tem que seguir viver em sociedade, não tem como escapar, né, cara? Algumas são mais justas, outras menos justas, mas o fato é que se você, né, transgride uma delas, você corre esse risco ali. Aí o ideal é você fazer tudo certinho, né, cara, para não dar nenhum problema desses aí, né? Fazer o quê?

?Voz A

Pois é, cara. Em Rio Claro eu morei num bairro, se não me engano chamava ZR3, o tipo de zoneamento que era lá. Comércios de pequeno porte, acho que pequenas indústrias também. Aí por muitos anos foi tranquilo, cara, mas teve uma época que instalaram uma máquina lá num determinado barracão, um grande liquidificador de pedras, né? E eles fizeram os devidos cuidados ali para reduzir o barulho e tal, mas não reduziram a tremedeira que aquilo passou a causar no bairro, tá ligado?

Era assustador você ver suas janelas vibrando ali. Aquilo foi um problema ao longo de um 1 ano assim para corrigirem a instalação, entendeu?

?Voz B

Entendi.

?Voz A

Aí enfim, ele fala que querendo tirar satisfação do vizinho pela denúncia feita. Então falei para minha colega, vamos embora porque eu não tô a fim de aparecer em matéria de jornal semana que vem. E vazamos rapidinho. O segundo caso foi logo em seguida, no mesmo dia. Fomos autuar um clube que anunciava e realizava eventos com música ao vivo e público pagante, mesmo com alvará dizendo em letras garrafais, vedada a realização de eventos no local. Ih, rapaz, isso tem muito. Isso tem muito, deve ser muito bom.

?Voz B

Eu sou contra a realização de eventos com música ao vivo em qualquer local. A música ao vivo tem que acabar, tem que ser restrita a shows em estádios, o resto tem que acabar.

?Voz A

Outro azar que eu tive nesse mesmo bairro que eu morei, cara, foi um tiozão ter uma chácara que ele falava que era para uso pessoal, mas todo fim de semana ele alugava para uma galera fazer churrasco. E se essa galera era tiozão tomando cerveja, beleza. Agora, se era essa galera curtindo empinar a moto, era complicado. Se eles curtiam somzão, era complicado. Se era festa de adolescente se pegando e usando droga pela rua, era complicado.

Então, todo fim de semana era uma roleta. Você não sabia se ia ser o pessoal tranquilinho da igreja ou se ia ser uma loucura, entendeu? E aí batia fiscalização lá: não, aqui é com a minha família e tal, que era só uma piscininha.

?Voz B

É, não é fácil não, bicho. É complicado, bicho. Evento é complicado.

?Voz A

Complicado. Aí ele mandou o Instagram. Nossa Senhora, passou uma... Você ouviu? Era isso morar perto da chácara lá do tiozão. Mas ele mandou aqui o Instagram desse local que não pode ter eventos, né? E eu tô dando uma olhada aqui, ele pediu pra gente não divulgar qual é. Um local de praticar esportes, cara.

?Voz B

Dá pra falar, né? De beach tênis, né? Podemos falar, não tem problema.

?Voz A

Mas não parece evento ao vivo com público pagando.

?Voz B

Mas tem uns banners aqui sim, cara, que dá a entender que tem show. Vendas antecipadas, ingressos, não sei o quê.

?Voz A

Tem mesmo.

?Voz B

Não, esse lugar tem que fechar urgente, cara, porque além de ter música ao vivo tem beat tênis. Realmente assim, não dá para prosseguir com isso daqui não, cara.

?Voz A

Muito jovem, muita bebida colorida.

?Voz B

Bom, é beleza, ele foi lá então para— porque os cara tava fazendo evento e não podia, era isso, né? Exato, exato.

?Voz A

Daí ele disse, como no caso anterior, informamos o motivo para o dono e depois de perguntar por quê 37 vezes seguidas, ele soltou, evento? Não, não vai ser evento. Seria evento se tivesse portaria, mas não vai ter. GIF do Stanley do The Office rolando os olhos. Falei a mesma coisa do caso anterior, que se tivesse como comprovar, era só entrar com a defesa em até 15 dias e fomos embora.

?Voz B

Esse cara é experiente, viu, Cláudio? É, ele sabe exatamente o que falar para que não seja ele a encarar a fúria do... Do cara, entendeu?

?Voz A

Não adianta bater boca que o cara vai negar absolutamente tudo. Mas e esse helicóptero com a Loki descendo aqui, essa galera na fila aqui com camarote, não sei o quê? Não, imagina, isso aí é, foi um pessoal que deixou isso daí aqui só guardado para levar amanhã para outro lugar.

?Voz B

É, então, mas o que eu gostei aqui é que o nosso ouvinte ele não entra na discussão do tipo, não, mas isso também não pode, ou então, não, mas isso aí poderia, se fosse assim poderia. Ele só fala assim, vai lá, faça sua defesa, e em até 15 dias. Se tiver tudo certo, não vai dar nada.

?Voz A

Ele escolhe suas batalhas, cara. Isso aqui é sabedoria.

?Voz B

Exatamente, cara. Isso é para pessoa experiente.

?Voz A

Exato. Aí ele diz aqui, beleza, foi embora, né? O último caso foi com uma limpeza de terreno aqui na cidade. Donos de terreno vazio precisam deixar ele limpo, com mato cortado, para evitar criação de acidentes com bichos peçonhentos. Se não fazem, são notificados, e caso não resolvam no prazo são multados até fazerem a limpeza. Em um desses casos, fomos até o terreno, verificamos que o dono notificado ainda não tinha feito e que se encontrava em estado de calamidade.

O prazo já tinha vencido. Aplicamos multa e mandamos um aviso pelo correio, já que ele residia em outra cidade. Quando recebeu o aviso, não pensou duas vezes, limpou rapidinho e entrou com pedido de cancelamento da multa, alegando que sempre esteve limpo e que estávamos enganados e a penalidade não se aplicava. Só não imaginou que eu estava um passo à frente, já que trabalhei lidando com gente assim por 15 anos. Exato, aí, ó, Caio, que você falou.

Eu tirei fotos no dia da vistoria para comprovar a irregularidade, indeferindo o seu inocente pedido de clemência.

?Voz B

Cara, isso aqui é de uma cara de pau, bicho, é de uma cara de pau.

?Voz A

É muito o cara achar que a coisa funciona assim, né?

?Voz B

Tipo, o fiscal passou na frente do terreno e falou Vou voltar. E não faz ali um processozinho, um laudo, não tira foto, não comprova, não faz nada. É brincadeira isso.

?Voz A

E o cara que deixa o terreno dele cheio de mato no meio da cidade, cara, ele tá criando um problema para vizinhança toda.

?Voz B

É, pô, faz um mal isso aí, bicho.

?Voz A

E é justamente porque não mora ali, entendeu? Até porque é do lado da casa dos outros.

?Voz B

Exatamente.

?Voz A

Aí ele diz: Adoro o podcast, me ajudou muito nos anos trevosos em que quase enlouqueci por causa do meu antigo emprego. Vida longa ao Dois Empregos e um abraço. Pô, valeu, cara, gostei, eu gostei para caramba. O fiscal nem sempre inimigo, né, cara?

?Voz B

Então você vê, né, cara, que um cara desse aqui é necessário, cara.

?Voz A

Fazer o quê?

?Voz B

Os casos que ele trouxe aqui, Claus, ele evitou. Bom, tá certo que o primeiro caso ali era uma oficina, de repente tinha um problema do barulho, talvez, não sei. O segundo caso ele evitou um evento com música ao vivo, que eu já achei ótimo. No terceiro, né, ele fez o cara ali para ter, tá maravilhoso. É isso aí, só faltou proibir abrir o beach tênis, né, para ficar melhor. Então, mas aí indiretamente ele tá ali, né, contribuindo para extinção do beach tênis.

Certo, bora para a próxima. Pô, será que o fã clube do beach tênis vai pegar no pé da Dois Empregos agora?

?Voz A

Isso me lembra uma vez que eu fiz a besteira de zoar carro rebaixado na internet. Rapaz, nossa, mas até ameaça eu recebi.

?Voz B

Que isso, cara? Que isso, não, aqui esse podcast apoia carros rebaixados e beat tênis. Bora para a próxima, bora lá.

?Voz A

Disseram que é tipo areia, sabe, areia, aquelas que não gruda, mó barato. Não, eu tô na pegada, eu tô na super pegada de jogar um beat tênis, cara, mas eu já tô chateadão que eu tive que parar meu polo lá em cima, meu, não tem lugar. Mas tudo bem, tá tudo certo, galera, estamos Vamos jogar um beach tênis na praia.

?Voz B

A próxima quem mandou foi o Sargento Steve. Ele diz o seguinte: Olá, claustrofobia e paracaídos. Silas Simplesmente, suave na nave.

?Voz A

Rapaz, Silas Simplesmente já desenterrou, hein?

?Voz B

Desenterrou. É do Marco Luque, né?

?Voz A

Marco Luque era o taxista.

?Voz B

Podem me chamar de Sargento Steve. Sou policial em Brasília e acompanho o podcast de vocês há muito tempo. Sempre quis escrever para compartilhar algumas das minhas histórias, embora algumas eu prefira guardar só para mim. Essa aqui começou em um atendimento de rotina, na clássica ocorrência de Maria da Penha. Rapaz, que tristeza! É isso aí, é triste.

?Voz A

É tristeza vir acompanhado da palavra clássica, né?

?Voz B

Ah, mas é de uma frequência absurda. Absurda mesmo.

?Voz A

É porque a lei Maria da Penha já foi criada na época porque o Brasil tomou uma chamada da ONU, né? Se não me engano foi isso, uma chamada da ONU, porque tava demais. Aí criaram essa lei para mostrar serviço e tá aí a lei antiga já e continua.

?Voz B

Parece não ter inibido, né, as pessoas de cometerem violência doméstica. Mas enfim, ele diz: eu estava de serviço quando o Copom irradiou a ocorrência. O marido, o famoso corno valente, havia pegado a esposa no flagra com o Ricardão e partiu pra cima dela, arando a terra pelo caminho. O chamado nem foi direcionado à minha equipe, mas é de praxe, quando é uma situação que tem potencial pra evoluir para o uso da força ou gerar perigo, quem não estiver empenhado vai no apoio.

Sendo assim, eu e mais algumas viaturas respondemos no rádio que estávamos a caminho para a rua.

?Voz A

Pegou seu pano vermelho e foi domar o chifrudo.

?Voz B

Um detalhe que vale a pena comentar é que era por volta da meio-dia e meia e todo mundo ali estava trabalhando direto desde as 6 da manhã. Chegando ao local, tivemos tiveram que fazer o uso de técnicas de imobilização para conter o marido, que gritava incessantemente: Como você pôde fazer isso comigo, sua vaca? O que, parando para pensar, fez todo sentido, já que ele mesmo estava se identificando como boi.

?Voz A

Tinha uma certa lucidez ali.

?Voz B

Apesar de tudo, a cabeça tava funcionando ainda. A mulher foi retirada do local segurança. O marido foi colocado no cubículo de uma viatura para ser levado à delegacia e o Ricardão, que estava suado e vestindo apenas uma toalha enrolada na cintura, conversava com uma das equipes.

?Voz A

Rapaz, ele tava no uniforme de Ricardão, né, cara?

?Voz B

Exatamente.

?Voz A

Parece até uma piada do antigo Mortadela, Caião, uma tirinha do Mortadela, né? O Ricardão saindo de Toalha, cara, suado, suado, suado do calor da batalha, né?

?Voz B

Aí ele fala: a conversa e o fato consumado aconteceu na cozinha da casa. Eu e mais alguns policiais estávamos bem próximos e achamos muito atípica a tranquilidade do Ricardão. Ele estava sereno, como quem acabara de sair de um spa, mas dava para entender, afinal o cara era um armário e o marido da moça um nanico. Isso explicava perfeitamente o motivo do marido ter ido para cima dela e não dele. A cozinha era pequena, então todo mundo ao redor escutava enquanto um dos policiais pedia a versão dele dos fatos.

O Ricardão foi exageradamente detalhista, como se estivesse se gabando do feito, o que deixou a situação bem desconfortável. É, pô, o cara descreveu a ocorrência, Cláudio, da mesma forma que o mendigo comedor descreveu a ocorrência daquele caso, você lembra?

?Voz A

Exatamente, aquilo foi tenebroso, cara. Na época todo mundo achou legal, mas aquilo era tenebroso, cara, tenebroso.

?Voz B

Não, mas a riqueza de detalhes com que aquele mendigo descreveu, virou um poeta, né? Você não espera isso de um mendigo, né, cara? Isso aí, pô, a riqueza do vocabulário que ele utilizou e tal, virou uma peça teatral mesmo, né, cara? Quando ele falou aqui que descreveu de forma detalhista, foi a primeira coisa que eu pensei, cara, no mendigo. Aí ele fala, enfim, quando a história estava se aproximando do desfecho, ele concluiu dizendo que no exato momento em que o marido chegou, ele estava mergulhando o órgão pênis dele numa lata de doce de leite e dando para ela comer.

Ei, rapaz, deve ser muito relevante mesmo para o policial saber disso, né, cara?

?Voz A

Caraca, cara... É um churros de carne que eles estavam oferecendo para ela.

?Voz B

É isso. Mas eu acho que o cara faz para se gabar um pouco, né, cara? Se vê ali no meio de outros homens e fala: Não, agora eu vou contar. E aí começa. Às vezes nem é verdade. Aí ele continua: Um detalhe completamente desnecessário, mas ele ainda completou: Ué, a lata estava bem aqui em cima da bancada. Quando todo mundo olhou em volta procurando, o Ricardão apontou para o canto da sala e disse: é aquela ali, meus amigos. Pareceu uma cena do Chaves, só que tirada da Deep Web.

?Voz A

Chaves nos lugares diferentes mesmo, né?

?Voz B

Esse episódio eu não assisti não.

?Voz A

Que isso? Pois é.

?Voz B

Um silêncio ensurdecedor preencheu o ambiente. Todos olharam em sincronia perfeita para um dos nossos policiais, um mais coroa, já estava perto de se aposentar. E lá estava ele com a lata na mão comendo o doce de leite como um zumbi. Ah não, ah não, velho, tem que se foder mesmo, cara. O policial tá roubando comida do lugar que ele foi, cara.

?Voz A

Não, mas por que que ele foi lá numa ocorrência e pegou uma lata de leite aberta para para comer no meio da ocorrência? Que isso, bicho! Olha, eu acho que, caraca, cara, realmente esse leite de Jairo que ele acabou consumindo aí foi uma punição, né, por essa mancada. Pô, a mulher já tá apanhando ali, puta situação injusta, chama a polícia para ajudar o cara rouba doce de leite na casa.

?Voz B

É um doce de leite especial, né, cara, doce de leite que ela usava para diversos fins ali, né? E ele fala, comendo doce de leite como um zumbi se deliciando com cérebro fresquinho. Cara, que referência! No milésimo de segundo em que a ficha caiu e ele percebeu que estava comendo doce de leite, que o cara mergulhou, jubileu, seus olhos marejados se arregalaram. Que nojo! A lata escorregou de suas mãos trêmulas e caiu em câmera lenta.

?Voz A

Isso aí é uma cena de todo mundo em pânico.

?Voz B

É de American Pie, né?

?Voz A

É, exatamente.

?Voz B

Em meio ao estado de choque absoluto, ele só conseguiu suspirar: eu pensei que vocês é que tivessem trazido esse doce de leite.

?Voz A

Meu Deus do céu! Aí isso explica, mas não justifica, cara. Ainda assim, ele tava comendo doce de leite no meio da ocorrência. Imagina, cara, você tem uma situação de agressão na sua casa, Aí você chama a polícia, aí os cara tão um conversando com você, outro conversando com a pessoa que te agrediu, não sei o quê, e um tá de boa comendo um doce de leite de lata assim, do nada, velho.

?Voz B

Tem que se foder mesmo. Você me desculpa, me desculpa o senhor policial aí, não vai fazer nada comigo, não vem aqui em casa comer meu doce de leite também. Mas assim, não sei se tá certo isso aí, cara, você comer as coisas no meio da ocorrência. Eu entendo que às vezes o cara não teve tempo de parar pra comer, né, mas tipo assim, vai sair pegando as coisas, né, cara? Sei lá, mano, isso aí não, isso aí é uma punição justa, viu, Cláudio?

Caramba, cara, não sei se o seu pavor era por estar comendo aquilo ou pela premonição da zoeira que estava condenado a encarar pelo resto dos seus dias. Ainda tem isso, nego. O pior é que dava até para entender o equívoco do antigão. Tem dias tão agitados que a gente não tem hora para almoçar, então é muito comum as equipes beliscarem alguma coisa rápida perto do horário de almoço, como um doce ou uma barra de cereal. Tá, para completar a tragédia e seu equívoco, antes de pegar a lata, ele relatou que a tinha visto na mão de outro policial, que provavelmente a pegou apenas para tirar do caminho ou jogar no lixo.

Ah, rapaz! Não, agora eu começo a entender por que que ele pegou a lata e comeu. Ele já tinha visto outro cara pegando. Esse outro cara que pegou provavelmente tava só manipulando, tirando daqui, colocando ali e tal, limpando terreno, sei lá. E aí ele achou que era da equipe e aí comeu doce de leite. Dá para entender um pouco, um pouco mais, né? Não sei se eu ainda, ainda acho estranho, pessoal, interrogando o cara e o outro comendo doce de leite, mas enfim.

Ele fala: depois desse fatídico dia, ele foi rebatizado como Sargento Doce de Leite, apelido que o perseguiu pelo último ano de serviço que faltava até a sua aposentadoria. Ele ficava tão nervoso com a zoeira que até pediu transferência de batalhão, mas não adiantava. Vez ou outra alguém dava um jeito de presenteá-lo com uma lata de doce de leite. Escrito na embalagem, escrito na embalagem coisas do tipo: aprecie com moderação, ou feito com colher de pau.

?Voz A

Ainda bem que ele tava perto de aposentar, rapaz, porque se faltasse, se faltasse 20 anos, eu ia ser 20 anos dessa piada. Ia passar gerações de policiais fazendo essa piada.

?Voz B

Não tem fim, não tem fim. Inclusive, a história vai se perpetuar, né?

?Voz A

Caramba, cara. Você já viu o meme do leite de Jairo? Não, não, é um fantoche assim. Nossa, Dona Vaquinha, qual o segredo por trás de um leite tão gostoso, Dona Vaquinha? Na verdade, meu nome é Jairo. É só isso mesmo. Isso é isso, ele realmente é doce de leite de Jairo aí que ele experimentou, né?

?Voz B

É isso. Por fim, fica a dica operacional, senhores: antes de comer qualquer coisa na rua, certifiquem-se de que é seguro, especialmente se você estiver perto de um cara suado e de toalha.

?Voz A

Caraca, cara!

?Voz B

Peço desculpas pelos possíveis erros de português, minha continência e respeito a todos. Valeu! Valeu, sargento! Excelente história, hein?

?Voz A

Caramba, cara! Não, essa eu fiquei chocado, eu não esperava esse desfecho aqui numa história de polícia não, cara. Poxa vida, cara.

?Voz B

Ah, mas polícia é isso, né, cara? Quando toca lá a ocorrência, absolutamente tudo pode acontecer.

?Voz A

E o cara podia não ter falado nada, mas daí ele falou e realmente sobrou para o oficial ali.

?Voz B

É, você tem razão, porque o mais normal seria o cara não mencionar que ele enfiou a bigola no doce de leite.

?Voz A

A gente tava aqui na tava rolando mesmo e não falar, não entrar em detalhes, né? O cara chegou, mas é, ele entrou nos detalhes e os detalhes entraram para sempre na vida do colega ali. Deu nisso, que fase! Bom, vamos para a próxima aqui, Caião.

?Voz B

Bora!

?Voz A

E a próxima aqui é do Cabé, Caião, ele mesmo, o nosso colega de fute da firma.

?Voz B

Grande Cabé, bicho! Vamos mandar uma lata de doce de leite para o Cabé.

?Voz A

Você não vai pegar esse doce de leite, rapaz? Vamos sortear latas de doce de leite? Rapaz, vamos lá, né? Bora! Próximo aqui do Cabé, ele diz: Fala, Rafael Claus e Caio Ribeiro. Aqui quem fala é o Thiago Cabé, parceiro de vocês do Fute da Firma. Hoje vou contar a história de como cometi uma gafe enorme em um processo seletivo. Tudo começou quando participei de uma entrevista de emprego online E na chamada estavam o gerente da área, um analista que trabalhava no setor, e assim que entrei na reunião olhei o analista e tive certeza absoluta de que o conhecia.

?Voz B

Era o Cleitinho!

?Voz A

Cleitinho estudou comigo na escola e fazia parte de uma turma de amigos que eu conhecia desde moleque. Durante a entrevista, em determinado momento, o gerente perguntou se eu conhecia alguém da empresa. Respondi com toda a confiança do mundo: Conheço sim, o Cleitinho que tá aqui na entrevista. E além dele conheço fulano, ciclano... E seguimos normalmente. Mais tarde, quando perguntaram sobre meus hobbies, respondi que gostava de jogar futebol e ainda completei: O Cleitinho aqui sabe que eu não sou muito bom.

Ou seja, tava tratando o sujeito como um amigo de infância, na frente do gerente. Terminada a entrevista, recebi uma mensagem dele no Instagram: A entrevista foi legal, acho que você tem o perfil que a gente procura. E respondi brincando: Enquanto você estiver acompanhando as entrevistas, vai falando mal dos outros candidatos pra eu conseguir a vaga. Ele entrou na brincadeira, conversamos durante dias e eu seguia conversando com meu velho amigo da escola, mesmo achando estranho ele estar numa vaga que envolvia muita matemática, sendo que ele pegava todos os exames na escola. Exames que ele fala aqui deve ser tipo recuperação, né?

?Voz B

Recuperação, é.

?Voz A

Passou uma semana, duas semanas, o processo seletivo continuava e eu conversava cada vez mais com o Cleitinho, até que um dia enviei para ele uma foto de um amigo nosso que mora na Califórnia. Na foto, esse amigo aparecia ao lado do Tony Hawk.

?Voz B

Foda!

?Voz A

E o Cleitinho respondeu: Legal, mas não sei quem é. Eu falei: O Tony Hawk? Ele respondeu: Não, o Tony Hawk eu sei quem é, é o outro cara que eu não sei. Na hora eu achei muito estranho. Como assim não sabia quem era? Ele andava com a nossa turma praticamente todos os dias. Foi aí que resolvi investigar. Peguei a foto do perfil dele no WhatsApp, tirei um print, mandei para outro amigo nosso e perguntei: Esse não é o Cleitinho? E ele respondeu: Sim, é o Cleitinho que é amigo do Arthur.

Nesse momento eu achei a atitude dele muito estranha, mesmo assim continuei no processo seletivo sem entender o que tinha acontecido. Algum tempo depois fui chamado para uma etapa presencial. Durante a visita ao escritório estávamos conhecendo as instalações quando o tal Cleitinho apareceu. Foi aí que a verdade me atropelou. O sujeito era pelo menos 15 centímetros mais alto e 20 quilos mais pesado que o Cleitinho que eu conhecia.

Quando ele passou por mim, me cumprimentou, eu apenas olhei para ele e disse, cara, você não é o Cleitinho. E ele respondeu, é, eu acho que eu não sou o Cleitinho mesmo. Eu simplesmente tinha confundido duas pessoas diferentes com o mesmo nome. Ah, ele era um homônimo, cara.

?Voz B

Ele era o Cleitinho, só não era o Cleitinho do cabelo.

?Voz A

É, e ele deve ter acreditado também, ficado muito confuso, né?

?Voz B

Pô, verdade, ele deve ter pensado, pô, Esse cara me conhece, mas eu não tô lembrando dele.

?Voz A

Da escola e tal. Pô, comigo aconteceria fácil, que eu não lembro mais da galera que estudou comigo no colégio, assim, né? Lembro de alguns. Durante semanas eu tratei um desconhecido como se fosse um amigo de infância, citei na entrevista, falei de histórias antigas, futebol, amigos em comum, tentei usar uma amizade imaginária como referência. E o resultado: a história correu a empresa inteira. Quando eu finalmente fui contratado, todo mundo já sabia do caso.

E até hoje ele não não me deixa esquecer. Sempre que surge alguém novo, ele pergunta: você conhece esse cara também? É o amigo de infância seu? E assim ficou marcada para sempre a história do dia que eu confundi o Cleitinho com o Cleitinho.

?Voz B

Maravilhoso, rapaz!

?Voz A

E por onde anda, será, o Cleitinho 1, hein, Canhão?

?Voz B

Eu podia fazer um encontro dos Cleitinhos aí, né, cara?

?Voz A

Pois é, cara. Ô, KB, descobre aí, cara.

?Voz B

É, no começo eu não tinha entendido direito, mas agora que eu me liguei, que ele fala aqui, né, entrevista de emprego foi online no começo, por isso que ele achou que era o fulano e não era e tal.

?Voz A

E quando ele falou, eu conheço o Cleitinho, o cara era Cleitinho mesmo, tudo certo, né.

?Voz B

O pior é que às vezes o cara chama Cleiton e simplesmente ninguém chama ele de Cleitinho, né, cara. Então ele deve pensar, caralho, quem é esse cara vindo com intimidade para cima de mim?

?Voz A

E ele deu sorte aqui, cara, de ser contratado, porque numa que ele falou zoando ali, fala mal dos outros candidatos lá para chefia e tal, o cara podia pensar, pronto, esse cara é um estelionatário, ele veio aqui, finge que me conhece e mete esse look.

?Voz B

Ainda quer que eu advogue para ele.

?Voz A

Caraca, Cabeça, você deu sorte, cara.

?Voz B

Esse é o nosso Cabeça. Você deu sorte, você deu sorte. Esse é o nosso Cabeça, que está com a gente lá no Fute da Firma, né, Klaus? É hora do... Você que ainda não ouviu o Fute da Firma, ouça, porque está excelente. Todos os episódios aí foram excelentes, né, Claus?

?Voz A

É isso mesmo. Inclusive, Caião, além do Fute da Firma, que está aqui no mesmo feed que você ouve o Dois Empregos, faço o reforço aí do podcast do Cabé com a esposa dele, né, com a Rafa, nossa amiga também, que é o Quase Embolotei. Ele é muito divertido, papinho de casal ali, mas são assuntos aleatórios ali que eles fazem, é muito bom. Eu participei recentemente também.

?Voz B

Boa, boa! Vamos lá apoiar o Cabé e também conferir a participação do Clauso.

?Voz A

Quero também deixar o convite para o Cabé de vir participar do Momento Marcio Canuto.

?Voz B

Precisamos, precisamos!

?Voz A

É isso aí, a gente chama o Cleitinho também, todo mundo lê junto.

?Voz B

Maravilhoso!

?Voz A

Abraço, abraço!

?Voz B

Bora para a próxima então, hein, Cláudio?

?Voz A

Vamos lá, vamos lá! Atenção, cuidado, esta história pode conter fezes, urina e outras nojeiras. Fezes, 99% é de pureza.

?Voz B

A próxima quem mandou foi o Gabriel Carlos, ele disse: fala claustrofobia e agorafobia. Rapaz, fui pesquisar aqui até, Cláudio. Agorafobia é um transtorno de ansiedade onde a pessoa sente um medo intenso e persistente de estar em situações ou locais de onde a fuga seria difícil.

?Voz A

Olha só, então é o receio de estar em transporte público, elevador, tudo, né, cara?

?Voz B

Espaços abertos, espaços fechados. Pelo visto sou eu.

?Voz A

Você já entra procurando rota de fuga nos lugares?

?Voz B

Não, não, eu falei que sou eu porque o claustrofobia é você, né? Então, ah tá, entendi.

?Voz A

Se você tinha se identificado com a fobia.

?Voz B

Não, eu não tenho isso aí não, cara. Não tenho isso aí não. Eu me sinto mal no ambiente que tem música ao vivo. A hora que você chega no restaurante, você começa a ouvir o cara afinando o violão, tá ligado?

?Voz A

Mas daí tem duas tretas aí, né? Que vai ter que pagar cover, que tipo você nem sabia que ia ter, e a música, né, cara?

?Voz B

Bom, Gabriel Carlos diz aqui: recentemente tive que resolver uns problemas uma cidade vizinha e lembrei de uma história. Como diria o Forrest Gump, a vida é como uma caixinha de bombons, você nunca sabe o que virá. No meu caso, a vida é repleta do bombom Caribe, aquele bombom craquito, duro para cacete. O bombom Caribe era sempre o que sobrava na caixa, né, cara?

?Voz A

É o que só tava. E cara, eu não acho ele ruim não.

?Voz B

Não, tem muito fã, tem muito fã do Bombom Caribe.

?Voz A

Ele é gostoso. Eu acho que a galera comparava com os outros chocolates e achava ele o piorzinho, ele ia sobrando ali. Eu lembro na época do impeachment da Dilma, Caião, que nós ficamos com o Temer ali, que o pessoal da direita não gostava muito porque foi eleito com o PT, o pessoal da esquerda não gostava muito porque era um golpista, não sei o que lá e tal. E aí o pessoal falava que ele era o Bombom Caribe da política ou o contrário, que o bombom era o Michel Temer da caixa de bombom, foi o que sobrou, né?

?Voz B

Tá certo.

?Voz A

Bem que eu pedi, bem que eu pedi uma pastilha.

?Voz B

Ó, ele fala então que a vida dele era repleta de bombom Caribe, mas nesse dia não. Esse dia começou com uma desgraça e acabou com um literal milagre. Ó, ainda mandou aqui um obrigado, Edir Macedo. Rapaz, o Edir Macedo operou um milagre aqui. Vamos vem. Na época, eu estava estagiando em uma empresa nessa cidade vizinha. Não era bem um estágio, eu fiquei mais é pescoçando e tomando nota de como as coisas funcionavam. Nesse dia em específico, eu não tinha levado marmita, porque ia almoçar num restaurante que tinha perto da empresa.

E como a maioria dos funcionários morava perto, e eu não ia ficar na empresa naquele dia, deu o horário do almoço, todo mundo saiu e o chefe trancou o escritório. Batiu um patão de pedreiro com uma lata de Quat e aproveitei que tinha um tempo até o horário de serviço para perambular pelo centro. E foi aí que bateu, tive uma vontade fulminante de cagar. Ei, é ela, hein, é ela. Corri para a empresa na esperança de alguém ter aberto e nada, trancado.

Nesse momento bateu o desespero. Corri para um supermercado que tinha ali perto, mas nenhum dos boxes do banheiro masculino tinha porta ou papel. O piso tava calabreado de bosta e tinha um cara dormindo no chão. Que isso, cara? Nossa, que situação do caralho, velho. O piso calabreado de bosta e um cara dormindo no chão.

?Voz A

Isso aqui que nem mesmo Jogos Mortais, que dois caras acordam acorrentados num banheiro com cadáver no meio, não, pelo menos não tinha ali o fator fezes, né?

?Voz B

O cara tá dormindo no chão cagado, é deprimente. Ele falou: nem fodendo que eu ia cagar ali. Corri para o banheiro da praça, mas quando eu entrei estava escuro, tipo uma caverna, e tinham vários homens formando um círculo de costas para mim. Ouvi vários sons estranhos vindo dessa bomba e fiquei com medo desse bacal e vazio. Não sei se ele quis dizer bacanal aqui.

?Voz A

Acho que foi, acho que foi bacanal, rapaz. E aí, né, você vai ali onde tá tendo banho dos campeões ou você vai ali onde tem o possível defunto deitado nas fezes, né? Qual lugar ou na rua mesmo, né? Que situação, né, cara? Na urgência, escolha um dos três. Qual que você iria, Caio?

?Voz B

Cara, situação dramática, rapaz. Eu acho que tá mais seguro você cagar do lado do cara que tá dormindo na merda, viu? Porque o outro aqui, o uso principal do banheiro é para você fazer suas necessidades, né? Mas o que a galera usa mesmo é para fazer o chamado banheirão, né, que é o que tá rolando nesse segundo banheiro aqui. E aí fica muito perigoso você acessar esse local sem estar de acordo com as regras, né? Então eu não iria.

?Voz A

Você preferia o quê, Cláudio? Cara, eu acho que rua, tá ligado? Você tem que achar um canto ali ou cagar na calça mesmo e assumir essa derrota, entendeu?

?Voz B

É, se tiver uma loja de roupa próxima, né, você pode É de repente cagar na calça mesmo e comprar uma roupa nova depois.

?Voz A

É o jeito, cara. É o jeito. Depois de muita leitura de histórias aqui no programa, eu passei a andar com uma roupa de emergência no porta-malas do carro. Então, isso já me ajudaria. Um rolo de papel higiênico e uma troca de roupa. Eu não tinha esse hábito. O Dois Empregos... E eu nunca precisei, mas o Dois Empregos causou isso, cara. Hoje, se você olhar, meu porta-malas está lá, tá ligado? Você tá preparado, cara.

?Voz B

Pois é. É, Cláudio, mas quando chega essas coisas, vem sempre na hora que você tá despreparado.

?Voz A

Foi uma vez que você vai sair a pé, não ia estar perto do carro, alguma dessas.

?Voz B

O capeta é ardiloso, Cláudio. Ele não trabalha assim para, né, no momento que você tem ali, né, alguma coisa para te ajudar. Ele aproveita os momentos que você tá pior. É verdade. Aí ele fala: nesse momento eu tava na praça com o terço na mão rezando fervorosamente pedindo um milagre. Caraca, velho, a cada conta do terço que eu rezava descia uma gota de suor do lado da minha testa. Minha pressão já tava caindo, eu tava quase me desfazendo em bosta.

Eu tinha até parentes nessa cidade, mas a maioria ou morava do outro lado da cidade ou não estava em casa. Eu cheguei no ponto de fazer fazer o impensável. Uns 4 ou 5 meses antes eu tinha terminado com uma guria que, em resumo, é o tipo de mulher que o Silas ia gostar. Completamente doida. Lembrei que nesse horário ela estaria no serviço e que a minha ex-sogra, com quem eu me dava muito bem, estaria em casa, pois ela trabalha de home office.

Sim, eu ia cagar na casa da ex-sogra. Mas é uma boa solução, É uma boa solução, porque surgiu uma nova possibilidade aqui, né, Claus? E dentre as anteriores, eu acho que cagar na casa da ex-sogra é de longe a melhor, cara. Sim, longe.

?Voz A

É, principalmente se a ex dele mesmo não ia estar lá. Então ela ia ouvir a história depois, ainda aí não precisa estar longe, meu amigo.

?Voz B

Você tem que resolver o seu problema urgente, né, cara? Aliás, é a base da pirâmide de Maslow, né, Claus? Nossa, não adianta, não adianta querer subir os próximos degraus.

?Voz A

Exato, prioridades.

?Voz B

Bom, então ele ia cagar na casa da ex-sogra, mas aí ele fala aqui, ó: mas no caminho, um milagre, tinha uma Igreja Universal do Reino de Deus completamente aberta.

?Voz A

Rapaz, olha que bênção!

?Voz B

Ela tinha dois portões, um de ferro que dava para uma pequena garagem e um de vidro que dava para o templo. Os dois estavam abertos, nenhuma alma viva. Achei que seria menos humilhante profanar aquele lugar sagrado do que ir na casa da minha ex. Até porque com Deus eu me acerto depois, mas com a minha ex é ela que me acerta, geralmente com faca, martelo, garfo e dedo.

?Voz A

Meu Deus do céu, que isso!

?Voz B

Arca. Entrei de cabeça baixa, bem devagarinho. Olhando em volta, não tinha ninguém. Vi que o banheiro feminino estava à direita, então pensei que logicamente o banheiro masculino estava à esquerda. Abri uma portinha e me deparei com uma sala escura, com um altar no meio e várias cadeiras em volta. Me caguei. Aí ele coloca: de medo. Acho que não se cagou de verdade. Localizei limpei o banheiro depois de um tempo e pensei, por respeito, vou deixar esse lugar exatamente como eu encontrei. Depois de perder 5 kg, o vaso entupiu.

?Voz A

Essa é a famosa sessão do descarrego, Caião.

?Voz B

Bem que me diziam, cara, que lá na Igreja Universal rola isso mesmo.

?Voz A

Essa foi pesada, né?

?Voz B

Cê tá maluco. Depois de muito esforço e umas 5 descargas, ocultei a prova do crime. Pô, maravilhoso, cara, maravilhoso. Quando estava saindo, reparei que tinham câmeras na igreja que captaram toda a minha odisseia. Quando eu entrei, eu tava com o terço na mão. Ih, rapaz, o terço na mão dentro da Universal é problema, hein. Pensei, que que é um peido pra quem tá cagado? Fiz o sinal da cruz e mandei um joinha.

?Voz A

Rapaz, rapaz, olha só, imagina um pastor depois ganhando ali pensando: aí, some, bicho, esse católico entrou aqui, me entupiu o banheiro, ainda tirou um sarro da minha cara.

?Voz B

É, mostrou o terço, fez o sinal da cruz e deu joinha.

?Voz A

Que isso, cara?

?Voz B

Ele fala: isso tem quase uns 3 anos, mas quando passei em frente dessa igreja novamente vazia me deparei com isso aqui. Aí eu tive que mandar essa história. Aí ele mandou um link aqui, Cláudio.

?Voz A

Ele mandou uma foto, cara, que é a porta do banheiro em questão ali, só que 3 anos depois. E aí ele diz assim: atenção, esse banheiro abre apenas em horário de reunião, obrigado pela compreensão. Olha que maravilha! Os caras passaram a trancar o banheiro quando a igreja não tá funcionando.

?Voz B

Maravilhoso.

?Voz A

Pior da igreja ficar aberta, eles passaram a trancar o banheiro, rapaz.

?Voz B

Olha aí, Claus, hoje a gente viu aqui o famoso se tem placa tem história. A gente viu a história acontecer antes da placa, cara. Que maravilhoso! Pois é, bicho, sensacional. Parabéns, que bom, que bom que deu tudo certo, né? Conseguiu, não precisou encarar nem o senhor que tava dormindo nas fezes e nem o banheirão da galera. Conseguiu fazer suas necessidades na Igreja Universal, bicho. E termina: desculpe pela história longa, um abraço. E Silas, tudo bom com você?

?Voz A

Excelente, cara, excelente. Eu gostei dessa história. Talvez se a pessoa for da Universal ela fique triste com essa história, mas a Universal ela não é só uma igreja, Caio, ela é parte do folclore brasileiro. Sim. Você já tentou passar um trote no Universal? Não, não, eu também não, jamais faria uma coisa dessa, mas eu não consegui, só tentei. Eu liguei naquele fala que eu te escuto para pedir oração por um amigo, daí você vai encaixando as piadas, né?

Que sacanagem, né, cara? Que espírito de porco. Meu amigo era cabeçudo, eu queria enfiar umas piadas, não, que ele tá aflito, com a cabeça pesada, para só para depois conseguir tentar gravar. Ligar a televisão, o pastor falando, falando do meu amigo, tá ligado?

?Voz B

É isso.

?Voz A

Que fase!

?Voz B

É um canalha esse Cláudio.

?Voz A

Universal é um folclore brasileiro.

?Voz B

E de fato operou um milagre. Quem fala que não ocorrem milagres lá, aqui ocorreu.

?Voz A

Aqui foi, aqui o cara tava entre a cruz e a espada e achou a salvação na igreja. Não dá para dizer que não Foi isso, Caião. Bom, obrigado pela sua história aí e vamos agradecer também os nossos ouvintes, né, Caião? Olha, o pessoal que apoia financeiramente, dá o dízimo aqui do Dois Empregos, participa do nosso grupo secreto e ainda tem acesso aos nossos sorteios de brindes e às vezes alguns outros mimos. Então, nos maiores valores, a gente agradece por nome aqui no programa, Mas você contribui com o valor que você quiser em doisempregos.com.br.

Dito isso, Caião, vamos agradecer aqui. Começando por eles, nós temos o Silas Campos Barros, nós temos o cara que pediu para ser chamado de marido da Débora Laurentino de Barros, e ele falou que ela o incentivou a fazer ali o plano anual. Então, a partir de agora, ele não tem nome, ele é o marido da da Débora Laurentino, tá bom?

?Voz B

Justo.

?Voz A

Esdra Santos Borges, Lucas Registeles, Oswaldo Brogliato, Lucas Peron, Thiago Grissoi, Caio César e Gabriel Rico.

?Voz B

Boa! E lá no plano Você é Louco temos eles: Rodrigo Bastos, João Marcos Vieira, Pedro Henrique Schneider e a Débora Lancaster. Muito obrigado pelo apoio de vocês, galera. Sem isso não dá para a gente estar aqui toda semana, simplesmente.

?Voz A

É verdade, pessoal, é verdade. Isso aí faz parte do do tripé, né? Anúncios dinâmicos, propagandas na nossa voz e os apoios dos ouvintes. Se uma perna faltar, meus amigos, não dá para segurar o semanal ou até quase duas vezes por semana, né? Quando a gente faz ali o furo. Então, muita alegria nessa timeline para vocês. Voltamos aí semana que vem. Aquele abraço e tchau! Na verdade, meu nome é Jairo.

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