Episódios de Dois Empregos

#286 - Ela Esqueceu o INSTA ABERTO!

20 de julho de 202644min
0:00 / 44:00

A estagiária vivia ficando sozinha no escritório e aproveitava pra matar tempo falando com o namorado, até o dia em que esqueceu sua conta logada com as conversas privadas abertas pra qualquer um achar! 🔥 Um mentiroso enrolou todo mundo até ser promovido mas continuava achando formas criativas de não fazer nada... e Adriano bebeu demais na noite e tentou por o perrengue na conta da empresa! São as histórias do povo no #MomentoMárcioCanuto! Sobe o som e desce o play! 🔊✨

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Participantes neste episódio1
C

Caio

Co-host
Assuntos5
  • Estagiária usa Instagram e Google Fotos da empresaAdriana · Uso de computador da empresa para fins pessoais · Conversas eróticas com namorado · Edição de nudes no Lightroom da empresa · Tô de Graça (Multishow)
  • Festa corporativa e abandono de funcionárioFusão de bancos · Adriano · Saída de Bolsonaro da UTI · Abandono em festa da firma · Reclamação no SAC do banco
  • Pejotização e Fraude TrabalhistaLucas Verissimo · Mentir sem necessidade · Fugir de responsabilidade · Fingir experiência e formação · Promoção por incompetência
  • História de Breno LopesJoão Barradas · Expulsão do bairro natal · Problemas com traficantes locais · Demissão por justa causa espiritual · Roubo de ferramentas e fiação de cobre · Burger King AI
  • Benefícios relatados pelas empresasAuxílio drip corporativo · Uso de carro da empresa para fins pessoais · Adiantamento de 13º salário · Bota Caterpillar cara
Transcrição175 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz 1

Não preciso trabalhar, meu marido tem dois empregos.

CCaio

Dois empregos, dois!

?Voz 1

Olá, empregados e desempregados da nossa grande nação brasileira! Começa mais um programa Dois Empregos. Eu sou o Klaus Aires e estou aqui como sempre com meu amigo Caio.

CCaio

Olá, Klaus! Olá, queridos ouvintes! Estamos aqui mais uma vez reunidos como toda semana, Cláudio, para trazer aí, para tentar arrancar aquele sorrisinho do ouvinte.

?Voz 1

É verdade, Caião, muitas vezes com a desgraça alheia, né, que é o que mais chega, que no nosso momento mais canuto. Mas antes, Caião, da gente passar para as histórias do povo, quero lembrar o pessoal sobre a Basicamente, hein. Em basicamente.com você compra roupa tecnológica é roupa básica de qualidade, né, com diversas propriedades tecnológicas. Tem respirável, anti-odor, impermeável, proteção ultravioleta, calça flexível para você ficar elegante e não perder o movimento ali, né. Exatamente.

CCaio

Inclusive essa calça que você falou, tenho duas aqui em casa, hein, Clausson. Excelentes, são realmente excelentes. E convido o ouvinte a entrar no site e perceber que tem ali roupas diferentes que a gente anuncia basicamente aqui já faz tempo, né, Klaus? Às vezes o pessoal que ouviu lá atrás a gente anunciando e nunca mais entrou no site pode se surpreender se entrar hoje, porque realmente mudou muito, né?

?Voz 1

E para quem pensa que, ah, os cara tão anunciando só camiseta, cropped, é bermuda, é moletom, temos camisas oversize, blusinhas cropped, vestidos, vestido mais soltinho, vestido mais justinho, é para todo mundo. É isso aí, basicamente.com. Tem cupons de desconto aqui no perfil, o Faz Barulho aí te dá um desconto especial e E o cupom Dois Empregos te dá frete grátis em qualquer carrinho. Então simule lá, veja o que compensa para você. E é isso, tá tudo aí embaixo.

CCaio

Boa!

?Voz 1

Feito esse aviso canhão, então bora para o nosso Dois Empregos orgulhosamente apresenta Momento Márcio Cardoso!

CCaio

Eita, que alegria, que alegria!

?Voz 1

Beleza, Caião. E olha, a primeira história aqui foi enviada pelo Careca do Del Rey. Ele já apareceu aqui antes, hein, cara?

CCaio

Já, eu lembro desse nome.

?Voz 1

Ele diz: olá, Steve Magal e Sidney Siegel. Essa referência aqui é do irmão do Jorel. Olha só, grandes personagens. Aqui quem fala é o Careca do Del Rei, aliás, Silas Aryu Littlewood. Hoje venho relatar a saga de um ser humano tão diferenciado que a CLT devia estudar o caso dele em laboratório. O homem que conhecemos como Senhor Incrível, também chamado de Buzz Lightyear da Shopee, Jabuti Cansado, em certos momentos simplesmente de Pelé da Picaretagem.

CCaio

Mas Jabuti Cansado foi da hora, hein?

?Voz 1

Por que Buzz Lightyear? Será que ele tem um queixo protuberante assim? Conheço essa figura desde o ginásio e desde cedo ele já demonstrava talento natural para duas coisas: 1, mentir sem necessidade, e 2, fugir de responsabilidade igual o diabo.

CCaio

Todo mundo já conheceu alguém assim, né?

?Voz 1

O tipinho é complicado, hein, velho. Na época da faculdade, ele andava com o peito estufado igual pombo comedor de farelo e dizendo para todo mundo, eu passei na federal e quem não passou no ENEM é burro e vai para particular. Isso é o tipo também que todo mundo já conheceu, velho. O Zé Vestibular. Ih, caraca, peraí, Caio, deixa eu desligar minha máquina de lavar que ela começou.

CCaio

Eita!

?Voz 1

Mas eu ia dizendo que todo mundo conhece um tipi também que é o Zé Vestibular. Exato, exatamente. Ele falava como se estivesse desenvolvendo um míssil balístico com a NASA. Só que os anos foram passando e nada de formatura, nada de estágio, nada de TCC, nada de dependência, nada. O Buzz Lightyear da Choppy estava matriculado num curso presencial de Porra nenhuma. Como assim, mano? Ele inventou que passou? Então esse que era o migué dele, dizer que estudava na federal sem estudar?

CCaio

Difícil de manter, né?

?Voz 1

É difícil, é difícil. E olha que o Brasil tem nos surpreendido com grandes mentiras folclóricas, né? Tais como grávida de Taubaté, OVNI do Mike Leão.

CCaio

Gente, meu Deus, eu tô com medo!

?Voz 1

O que que é isso? Nossa, é, né? Aí ele diz aqui Até que um dia encontrei a avó dele e perguntei: e o Senhor Incrível, tá terminando a faculdade? A véia quase infartou. Meu filho, você não sabia? Esse menino largou aquilo faz anos.

CCaio

Não, então ele entrou, então ele só largou.

?Voz 1

Pois é. Naquele momento eu percebi que ele não cursava ensino superior, fazia um teatro improvisado acadêmico. Anos depois descobri que ele tinha sido demitido do emprego. Segundo ele, o patrão tava com inveja do potencial. É, o patrão não pode ver um cara que largou a faculdade que pensa, é como Bill Gates.

CCaio

Isso.

?Voz 1

Não tem essa história que o Bill Gates largou a faculdade?

CCaio

É, não sabia não.

?Voz 1

É, tem um monte de gente que fala, para quê estudar? Bill Gates largou a faculdade. Largou a faculdade para ficar estudando eletrônica na garagem 24 horas por dia, não para ficar jogando League of Legends.

CCaio

Eu adoro quando a pessoa pega uma situação altamente específica, que é a exceção da exceção, e trata como a regra. É o que eu chamo de síndrome de Claudia Raia, viu, Klaus? Que hoje em dia as mulheres de 50 30 anos, fala, dá para engravidar sim, você não viu a Cláudia Raia que teve filho aí?

?Voz 1

Exceção, né, cara? Fora que esses cara que larga a faculdade, fica milionário, isso aí geralmente ele largou para fazer alguma coisa que dá tanto ou mais trabalho do que a faculdade, né? Não só por largar.

CCaio

Exatamente.

?Voz 1

Aí ele diz aqui, porque nada ameaça mais uma empresa que um funcionário que não sabe fazer o próprio trabalho. A verdade é que o homem mentiu no currículo, experiência, curso, e ele fala, provavelmente até o tipo sanguíneo. Fake it until you make it, mas esqueceu do make it. Isso é outra parada também que é muito popular, cara. O cara fingir um certo estilo de vida para... Até que ele de fato tenha esse estilo. Meu pai já me dizia que galinha que nada com pato morre afogada. Vai ficar se fingindo de rico aí?

CCaio

É, eu acho que não compensa não, cara. A única coisa que se você fingir que está fazendo, uma hora você acaba fazendo é dormir, né, cara? Porque é simples. Que você pega no sono, né? Você finge que tá dormindo e a hora que você vê, você dormiu mesmo.

?Voz 1

Isso é verdade. Nesse trabalho, ele obrigava os colegas a ensinarem as funções básicas para ele, ainda ficava bravo quando ninguém ajudava. E além disso, vivia pedindo carona. Não era uma carona normal, o homem queria serviço premium. Se você deixasse ele uma rua antes de casa, ele fazia uma cara de quem foi abandonado na faixa de Gaza. Bicho, mas que cara espaçoso, né? É o cara que chega assim, já vai passar dando trabalho para todo mundo, né?

Aí, por algum milagre administrativo, ele entrou na empresa onde eu trabalho, no setor de vendas. Vou dar o braço a torcer, na lábia o miserável era bom. Nas primeiras semanas parecia coach de LinkedIn, energia lá em cima, sorriso no rosto, promessa de bater meta, discurso de vencedor. Parecia aqueles vendedores de curso que falam: enquanto eles dormem, eu vendo. O problema é que enquanto todo mundo vendia, ele dormia. Pô, bicho, eu tava começando a levar fé no cara, um pouco aqui, né, nessa parte.

Que fase! Resultado: o desempenho era tão ruim que decidiram promover ele para supervisor. Como assim? A famosa estratégia empresarial: já que não funciona embaixo, joga para cima. Que The Office que tá virando isso aqui! A empresa dava tudo: combustível, hotel, alimentação, carro, viagem. O homem tava vivendo mais confortável que turista europeu, até que um dia aparece no financeiro uma nota fiscal de uma bota Caterpillar caríssima.

Quando perguntaram, ele respondeu com a tranquilidade de um psicopata: as minhas antigas estavam encardidas. O cidadão lançou o auxílio drip corporativo. Depois perceberam que ele quase não trabalhava, sumia durante os dias dizendo: tô resolvendo assuntos importantes da empresa. E o GPS do carro mostrava ele em casa. Caraca, cara, mas o cara dá uma dentro. Ele não é exatamente um bom mentiroso, ele é apenas um mentiroso habituado.

CCaio

Não é nenhuma mentira difícil de ser detectada, né? Basta que você investigue um pouco algo que ele falou e você já vai ver que ele mentiu.

?Voz 1

Eu já conheci pessoas que mentiam por nada. Nesse caso aqui, ele ainda mentiu, mente por algum benefício pessoal, né? É sair por cima de gostosão ou para ficar em casa. Sim, mas Mas tem pessoas que simplesmente qualquer assunto que você fala com a pessoa, não, e aí tem um tio meu que morreu, e como é, engata uma história fantasiosa, tá ligado? Eu não sei se isso se enquadra na questão de mitomania, mas...

CCaio

É, não, eu acho que não é o caso dele não, cara. Eu acho que ele só é vagabundo folgado mesmo e usa da mentira. É um malandro, né? É um malandro, é. Usa da mentira para se beneficiar de alguma forma, né?

?Voz 1

É um malandro, uma espécie de Agostinho Carrara, né? É. Um homem transformou um home office em home vacation. Quando a empresa começou a cortar gastos, colocaram ele como vendedor de pátio para acabar com viagens misteriosas e patrocinadas pela firma. Teve até um funcionário recém-habilitado que deu carona para ele em horário de pico. Resultado: o coitado chegou em casa 2 horas depois do expediente porque o senhor incrível queria o desembarque VIP na porta.

Pouco tempo depois, ele começou a pedir adiantamento de 13º. É para o bebê, é para as contas, agora é para o carro. Até aí, beleza. Mas então veio a obra-prima, sua Mona Lisa, seu magnum opus, seu Vingadores Ultimato. O momento que o cérebro dele entrou no modo Lobo de Wall Street com R$12 na conta. Ô, Caios, já viu Lobo de Wall Street?

CCaio

Já, já.

?Voz 1

Belíssimo filme. Recomendo. Não é um filme para você ver com a sua família. Longo e com quantidades absurdas de nudez.

CCaio

É, vai ter gente cheirando cocaína na bunda alheia.

?Voz 1

Então pense se você quer ver isso ao lado de um familiar. Só que ele tem a licença poética de fazer isso porque ele é baseado numa história real, cara. O maluco enganou meio Estados Unidos ali, ostentando pra caramba, né, cara?

CCaio

Ostentando demais, né, bicho?

?Voz 1

E outra, né, esse cara depois da vida real, né, ele foi preso e tal, e hoje em dia ele fala que mudou de vida, que ele não se orgulha do que ele fez, mas tipo, ele tem na sala dele um quadro do pôster do filme e um outro dele abraçado com um lobo, uns negócios assim, tá ligado? Eu não me orgulho, mas a casa dele é tipo um museu do personagem que é o Lobo de Wall Street, tá ligado?

CCaio

Essa eu não sabia não. Essa eu não sabia não. Ele é interpretado pelo Leonardo DiCaprio, né, cara? É difícil não ficar orgulhoso, né? Se a sua vida foi interpretada por Leonardo DiCaprio.

?Voz 1

Você fazer tanta merda que Hollywood lança um filme para contar as merdas que você fez, escala o Leonardo DiCaprio e o filme fez sucesso. O cara deu um puto orgulho. Mas não, hoje em dia eu mudei. Aí você olha o Instagram dele assim, eu acho que é o mesmo cara, tá ligado? Só que agora ele tá meio cinquentão, sessentão, sei lá.

CCaio

Tá certo.

?Voz 1

Enfim, aí ele fala que na mesma semana ele arruma uma vaga numa empresa muito suspeita. Aquele tipo que o Klaus adora. Uma empresa que lembra a forma geométrica com 3 lados. Lembra uma certa maravilha do mundo de 4.700 anos atrás. Começa com algo semelhante a 3,14 e termina com pirâmide. A empresa era exatamente como você imagina. Motivacional, funcionário fazendo dancinha de TikTok, papo de mindset, ambiente de Google e startup, e funcionário praticamente morando na empresa. Ah, ele mandou um link da empresa, velho. Ah, isso aqui eu tenho que ver.

CCaio

Vamos abrir aqui. Ixi, são os funcionários dançando.

?Voz 1

Nossa, rapaz, olha que constrangimento, que constrangimento.

CCaio

Não, você vê que ninguém tá feliz, cara. E isso aparentemente ocorre com frequência, viu? Os funcionários dançando.

?Voz 1

Caraca, bicho. Não, com direito ao... Ah, caraca, bicho. Foto de sunga. É isso, sou bombado, bem-sucedido e meus funcionários estão aqui fazendo dancinhas totalmente motivados.

CCaio

Isso.

?Voz 1

Eu lembrei de uma polêmica agora que foi a tal do reality show da Viih Tube. Você viu isso aí?

CCaio

Ah, eu ouvi falar disso daí, cara. Que doideira.

?Voz 1

É que ela ia pôr os funcionários para fazer um reality showzinho CLT. Depois ela voltou atrás. Não, não, era uma crítica social foda, mas não sei não, velho. Me cheira que ia ser a casa da Dona Máxima aquilo lá.

CCaio

É muito bom. A gente pode fazer uma pauta com notícias e colocar esse daí para a gente analisar mais profundamente, viu? Porque merece, viu, Lucas?

?Voz 1

É verdade.

CCaio

Pauta cremosa.

?Voz 1

Aí ele diz aqui que ele então foi trabalhar nessa empresa terminada em rame e aí prometeram para ele, você vai ganhar R$10 mil por mês. Claro, dependendo das vendas. Quando a empresa tem esse perfil, você já pode traduzir que vendas é dependendo de quantos trouxas você recrutar abaixo de você. Não se vende nada para a sociedade aqui, só para os próprios consultores ali. O jabuti cansado ouviu aquilo e os olhos chegaram a brilhar igual pica-pau vendo um saco de dinheiro.

Segunda que veio, começo. Só existia um pequeno problema: se ele pedisse demissão no final do mês e não cumprisse o aviso, não receberia praticamente nada, porque seria descontado aviso, adiantamentos, dívidas. É, e ele tinha adiantado até 13º, né, cara? Ele sai no meio do ano, como é que fica? Mas o nosso herói tinha um plano, ele ia ter que pagar rescisão para a empresa. Qual era? Mentiu, que surpresa, né? Falou para a empresa: jamais deixarei vocês na mão, vocês cuidaram de mim como família nos dias difíceis.

Fica tranquilo que eu vou pagar o que devo e vou cumprir o aviso certinho. Cara, é o que eu falo lá, eu falo em vários programas isso já, que um 71 sempre já sabe o jeito e ele vai te pagar certinho.

CCaio

E sempre toca para o lado emocional da parada, né? Assim, tipo: eu jamais faria isso contigo.

?Voz 1

Com o seu bem-estar no coração dele, tá ligado? Para você ir tendo paciência. E a hora que a tua paciência acaba, ele vai para o outro lado emocional, que é: ah, minha esposa tá no hospital. É foda, é foda.

CCaio

Ia ser a segunda temporada, Cláudio.

?Voz 1

Bom, ele diz aqui: esperou o dia do pagamento chegar, recebeu o salário, assinou o aviso e saiu da empresa saltitando igual uma princesa da Disney. Resumo da ópera: saiu devendo, perdeu a credibilidade, que já não era lá aquelas coisas, E obrigado por lerem mais uma história. Achei que ele ainda ia chegar na parte que o cara se ferra lá na outra empresa.

CCaio

Mas eu gosto dessas histórias que o cara não necessariamente é uma narrativa com começo, meio e fim, Cláudio, mas é uma narrativa que descreve muito bem um personagem, né? E nesse caso aqui é um personagem que acho que todo mundo já viu algum, né, cara, parecido com esse cara aqui. E ele descreveu muito bem, né?

?Voz 1

Quero continuação na minha mesa. Obrigado por lerem mais uma história minha, desculpa o tamanho. Abraço para o melhor podcast do Brasil e para o Silas, o melhor editor estressado do mundo. Vida longa ao Dois Empregos!

CCaio

É isso.

?Voz 1

E esse tipo de sujeito, cara, quando não tá encostado em alguém, como é o caso, ele fez nesse emprego, realmente tá numa pirâmide. E isso se repete, cara. Não importa se o cara perde tudo, se dá mal, ele vai direto para outra pirâmide, né?

CCaio

É o perfil do cara assim. Exatamente.

?Voz 1

Vê pirâmide, atrai mesmo.

CCaio

Exatamente. Mas é um feito para o outro, né? Tá certo aqui. O cara da história anterior era o jabuti, como é que é, jabuti cansado, né? E já o da próxima história, quem mandou foi a tartaruga cheirada.

?Voz 1

Olha só, esses animais estão frequentando umas festas aí, tá fácil não.

CCaio

Ele diz o seguinte, ó: salve Willy Kit, Willy Cat e Snarf do Sony Vegas, tão bonzinhos. Essa eu não conheço.

?Voz 1

Do Thundercats.

CCaio

Aqui a Tartaruga Cheirada: sou ouvinte desde o primeiro episódio, vindo dos tempos do finado Moída Cast. Inclusive virei viúva queixosa, que Deus o tenha. Durante todos esses anos ouvindo Dois Empregos, eu sempre pensava: cara, eu preciso ter uma história digna do momento Márcio Canuto. Só que nunca lembrava de nada. Até que, reouvindo o episódio Funcionário Perdido, Pirado e Pelado, eu desbloqueei uma memória de guerra corporativa de 2007.

Faz quase 20 anos, hein, Klaus? Na época, eu trabalhava num banco que tinha acabado de ser comprado pelo 5º maior banco do país. Não vou citar nomes, mas o símbolo do banco parecia muito apropriado para o ambiente de trabalho, porque lembrava claramente as chamas do É, quem sabe, sabe, né? Eu já tinha passado por várias agências tentando transferência para trabalhar mais perto de casa. E nessa época eu tava em uma agência gigantesca perto do terminal de ônibus, trem e shopping da cidade.

Era tão movimentada e grande que tinha dois andares. O piso de cima eram os caixas com estacionamento e o piso de baixo, que dava para outra rua, ficava a gerência. Guardem essa informação porque ela será importante. Era fim de ano e por conta da fusão dos bancos resolveram fazer uma festa corporativa para dar aquela maquiada no sofrimento dos colaboradores.

?Voz 1

Aliás, Caião, a gente já trabalhou com negócio de fusão de empresas grandes, né? Isso é um abacaxi inacreditável. E muitas vezes o motivo que uma empresa tá comprando a outra não é muito interessada no jeito como ela faz as coisas. É interessado na carteira de clientes, aí quer absorver aquela galera e forçar uma barra para eles mudarem a gente fazer as coisas da noite para o dia.

CCaio

É porque são duas culturas que se fundem, né?

?Voz 1

E a rivalidade também.

CCaio

Pessoal resolveu fazer uma festinha, Cláudio, para ver se amenizava o clima ali, né? Aí ele fala: para vocês terem ideia do tamanho da brincadeira, foram 2 dias de festas no antigo Credicard Hall. Caraca, cara, Credicard Hall era bruto, hein? Tinha vários shows.

?Voz 1

Eu achei que ia ser festinha, festinha da firma, Cinema, centro de salgado. Não, aqui foi botar o grilhão e levar moral mesmo.

CCaio

Aí ele fala: na quinta era a festa das agências e na sexta era a festa do administrativo. Tinha open bar, petisco e até show do Jota Quest. Olha só, hein, beleza. Caramba, o banco tava literalmente queimando dinheiro para fingir que todo mundo era feliz. Feliz. Como eu tinha prova na faculdade no mesmo dia, eu fui sozinho de moto para poder chegar mais tarde e voltar a hora que eu achasse melhor. Mas a maior parte da agência fretou um ônibus porque a ideia era voltar todo mundo destruído com segurança e dignidade.

É bom fretar um busão, é bom, cara, porque aí você fica despreocupado, né, cara? Você pode ficar tranquilo que você já vai ter, né, já vai retornar com segurança, é bom. O retorno ficou combinado para às 23:30, porque no outro dia a agência abria às 11 e teoricamente todos ainda eram trabalhadores funcionais da sociedade.

?Voz 1

Daí, garotear, você pega um dia útil e bota a galera num show com open bar, não sei o quê, fala: não, mas todo mundo tá na caminha antes da meia-noite, que amanhã vai trabalhar. Não tá. Você pode até devolver o cara em casa.

CCaio

É porque ele acabou de sair de um open bar, né, cara?

?Voz 1

Então não vai chegar e dormir não, é difícil.

CCaio

É o mesmo que chegue e durma, dependendo do que ele causou ali durante a noite, Klaus, no outro dia de manhã tá estragado, né, cara?

?Voz 1

Se Deus quiser.

CCaio

Aí ele fala: agora entram os protagonistas da história. O primeiro era o gerente-geral, que vou chamar de Silveirinha. No trabalho, linha dura, cobrança de meta, Olho do demônio. Fora do trabalho, churrasqueiro raiz, velho de boteco, apreciador de uma branquinha, extremamente respeitado pela equipe. Certo, esse é o Silveirinha. O segundo personagem era o Adriano, caixa do banco, 25 anos, baladeiro profissional e já completamente abraçado pela calvície.

?Voz 1

Nossa, com 25, bicho!

CCaio

Aquela calvície que já não é mais o tá começando, é a Alice, que já venceu a batalha.

?Voz 1

Cara, calvo aos 25, cara.

CCaio

Acontece, acontece. Cheguei na festa e tava absurdo de boa. Nunca tinha ido numa festa daquele tamanho. Comida infinita, bebida infinita, e o pessoal da agência já tava daquele jeito que a pessoa fala mole, tudo amigão. Como eu não bebo, fui acompanhando tudo só na observação antropológica. No outro dia chego na agência e parecia cenário de filme de guerra, todo mundo com cara de soldado voltando do Vietnã.

?Voz 1

Se o pessoal tava lá, já superou a minha expectativa, porque eu achei que ele ia falar metade faltou.

CCaio

É porque é isso, quando você faz uma festa e no dia seguinte tem dia útil, você tem que saber que assim, o menor dos do Isus é você ter todo mundo morto no dia seguinte, né? Vai trabalhar com aquela cara de, né, de bicho preguiça e tal. Esse é o menor dos problemas que pode acontecer, né? Tem muita coisa pior aí, né? Sim. Aí ele fala: olheira, desespero, cheiro de derrota e um burburinho gigantesco sobre um acontecimento da madrugada.

Aí me contaram, o Adriano o que é o calvo, né, simplesmente bebeu todas. Mas não foi um ficou alegrinho, ele entrou em modo entidade, subiu em balcão, fez discurso, vomitou, desapareceu, voltou, sumiu de novo. Quando deu 23:30, todo mundo tava no ônibus menos o Adriano. Ih, perderam o Adriano. Isso aqui tá com cara do Se Beber Não Case em Kawske. Perderam, cara.

?Voz 1

Um homem que perdeu o cabelo aos 25 não tem mais nada a perder, cara.

CCaio

É, com certeza ele já teme pouca coisa, né, cara. O Silveirinho ainda esperou um tempo. Passou meia hora, nada do cidadão. Até que o Silveirinho perdeu a paciência e soltou a frase: Vamos embora, o Adriano que se vire. E o ônibus foi embora. Só que uma hora o Adriano percebeu que tinha sido abandonado na festa corporativa do próprio banco e ele ficou possesso. Agora imaginem, 2007, não existia Uber, não existia 99, não existia porra nenhuma.

Ou você arrumava um táxi milagroso às 3 da manhã ou dormia na sarjeta corporativa.

?Voz 1

Esse táxi se aparecer, mas ia cobrar tão caro. Tão caro, bicho.

CCaio

E com razão, né? E com razão. Qual foi a reação do Adriano? Aceitar o destino? Não. Ele tomou a atitude mais CLT possível da história brasileira: pegou o telefone e ligou no saque do banco para reclamar do gerente.

?Voz 1

Meu Deus do céu, não é possível!

CCaio

Loucura, bicho. Bom, mas também ele pode ficar tranquilo, porque se tem uma coisa que não resulta em nada é ligar no saque do banco, né?

?Voz 1

Isso é verdade, isso é verdade. Vai passar por 8 pessoas e no final vão mandar ele até o banco, então, que é o que ele já tinha que fazer.

CCaio

Então, isso, você imagina essa pessoa que pegou essa ligação meia-noite, velho. O cara literalmente abriu um protocolo corporativo porque perdeu o ônibus da firma bêbado. Nossa, passa um tempo a agência quase abrindo, com fila de cliente naquele clima pós-guerra. E de repente a porta giratória abre, entra Adriano amarrotado, sujo, cambaleando, com a careca manchada de preto. Deus do céu, parecia que ele tinha voltado rastejando por baixo de caminhão na marginal.

E ele entra gritando com o Silverinha no meio da agência lotada. Você me abandonou! Cliente olhando, funcionário desesperado, gerente branco igual papel. A gente teve que entrar no meio pra separar e levar o Adriano pro banheiro antes que ele entrasse em combustão espontânea. Só que o melhor ainda tava por vir. Depois de um tempo, aparece na agência uma figura que todo funcionário de banco teme mais que auditoria. O diretor regional.

O homem entrou pelo estacionamento do piso inferior enquanto o barraco acontecia no outro andar. E aí começou o desespero silencioso dos funcionários tentando avisar: pelo amor de Deus, o diretor tá aqui! Porque o SAC tinha encaminhado a reclamação diretamente para regional. O Adriano abriu um chamado bêbado de madrugada e o banco realmente tratou como um incidente corporativo legítimo.

?Voz 1

Nossa, cara, é isso, isso o banco leva a sério. Você vê, rapaz, hoje em dia tudo por aplicativo até mais fácil. Mas nessa época, se eu tivesse de boa na minha casa sem nenhum problema, pensando assim, nossa, hoje vai ser um dia tranquilo, alguém sentia isso lá do banco e pensava assim, eu vou desconectar o Klaus da conta dele, ele não vai mais conseguir acessar agora, vai ter que vir aqui com comprovante de residência, 10:30 da manhã, na rua ruim de estacionar. Esse vai ser o dia dele agora.

CCaio

Exatamente, lá no centro da cidade. Aí você vai ter que parar o carro no estacionamento, que o cara vai te cobrar R$10 a 20 minutos, você pegar uma senha para você poder entrar numa fila. Nossa, mas depois disso tudo você vai ser muito bem atendido, a pessoa vai te atender com sorriso no rosto e vai resolver o seu problema com facilidade.

?Voz 1

Vai, não é à toa que também o cara fica calvo aos 25. É isso aí.

CCaio

Enfim, ele fala: no final deram aquela abafada porque o Adriano batia meta igual condenado. Olha aí, rapaz, no fim o trabalho vence, Cláudio. O trabalho vence. Você pode ser um bêbado, você pode faltar no serviço, você pode abrir chamado, o que for, mas se você bate a meta, ninguém te enche o saco. Então deram uma abafada porque ele batia a meta, porque se fosse um funcionário normal acho que tinham jogado ele no Rio Tietê e encerrado o protocolo. E a lição que ficou dessa história é: ligue no SAC, às vezes resolve.

?Voz 1

Olha só, cara, só se for bêbado, porque quando eu tento sóbrio nunca resolve.

CCaio

Não dá.

?Voz 1

É, vou encher a cara e ligar no banco também reclamando de alguma coisa que não tem a ver com eles. Quem sabe eles me ajudam.

CCaio

Acho que só assim mesmo. Vida longa ao Dois Empregos e abraço!

?Voz 1

Um abraço, um abraço, muito obrigado por prestigiar. Vamos para a próxima aí, Canhão?

CCaio

Bora!

?Voz 1

A próxima aqui é de um ouvinte anônimo. Ele disse: fala, chat e GPT, tudo bem? E você, Silas, tá bonzinho? Mais ou menos, mais ou menos. Hoje vim contar uma história nova do meu emprego atual, e vocês já leram algumas que enviei, mas essa eu preciso permanecer anônimo. Trabalho em uma empresa como líder do setor de marketing. Pelo gracioso milagre do acúmulo de funções, ganhei uma estagiária pra me ajudar, vamos chamá-la de Adriana.

A função dela é simples: meio período, tirar foto do produto e levantar ideia pra social media. Eu saio 17:30 e ela fica até às 18, ou seja, passa meia hora sozinha na sala. Pois bem, Adriana às vezes esquecia de sincronizar as fotos dos produtos. Eu tinha que chegar de manhã, acessar o computador dela, puxar os arquivos pro pessoal conseguir usar. Isso acontecia com frequência. Só que com o tempo ela foi pegando intimidade. Quando eu acessava a máquina dela, descobri que ela passava a última meia hora do expediente assistindo filmes, séries, desenhos.

Eu ia embora, ela parava de trabalhar, O que estava sempre aberto na tela? O programa Tô de Graça do Multishow. Meu Deus, cara, nem conheço o programa Tô de Graça do Multishow. Vou dar um Google aqui também.

CCaio

Ah, não, não tô ligado.

?Voz 1

Rapaz, que programa desgraçado. Agora eu não reconheci pelo nome, mas tem um personagem aqui, acho que você sabe de quem que eu tô falando, né? Já teve várias polêmicas por causa desse tipo de personagem, certo? Não vou nem falar nada, viu? Procurem aí no Google Imagens que vocês vão chegar à mesma conclusão que eu. Me parece um programa desgraçado.

CCaio

Parece, parece.

?Voz 1

Tem seu público, né? Porque fica no ar essas coisas, mas honestamente eu não entendo o apelo disso. Ela é fã jurada e assistia todo dia depois que eu saía. Como eu não um líder chato e ela me entregava tudo que eu pedia, cheio de boa. Só dei um toque real: Adriana, vi que você assiste série no final do expediente. Por mim tudo bem, porque você trabalha bem, mas faz isso com cautela para ninguém ver. Se te pega, uma bronca vem em mim, que sou seu encarregado.

CCaio

Ou foi gente finíssima, hein?

?Voz 1

Foi muito, muito, muito. Até que às vezes realmente ela não tinha tanto o que fazer ali, o que é muito comum do trabalho de escritório, né, Caio?

CCaio

Sim, isso acontece. Acontece. Eu acho que a melhor atitude é essa, cara. É assim, se a pessoa tá entregando o que ela deve entregar, é, não tem que se importar mesmo com essas coisas. O problema é quando acontece disso, né, influenciar de fato na entrega das tarefas e tal. Aí tem que chamar mesmo.

?Voz 1

Aí segue aqui falando: chegamos em maio de 2026, eu estava com muito recente, eu estava com muitas horas acumuladas no banco e precisei sair 2 horas mais cedo todos os dias da semana. O trabalho dela não atrasou, fluiu normal. Mas na segunda-feira seguinte eu chego na empresa e adivinha, ela não tinha sincronizado os arquivos de novo. Fui acessar o computador dela e dei de cara com 3 coisas abertas. Adriana logou no Instagram dela, estava tendo conversas eróticas com o namorado logo depois que eu fui embora na sexta.

E o esquema era o seguinte: Gente, para mandar as fotos para ele, ela sincroniza.

CCaio

Ah, nossa, não tinha fotos, não era conversas, era um, como que chama isso? Sexo virtual.

?Voz 1

É, ela sincronizou o Google Fotos do celular com computador da empresa. Ó, nem se você não tá metido com o ato sexo, não sincronize o Google Fotos do seu celular com computador da empresa, nem hipótese alguma. Vai parar tanta coisa no Google Fotos, que você, a foto que você mandou para o seu médico vai parar lá, os comprovantezinho dos Pix que você faz vão parar. Não me loga esse negócio em qualquer lugar.

CCaio

Aquela foto do ralo entupido que você mandou para o encanador, é as fotos que você mandou para o Dr.

?Voz 1

Rossi. Ela ia até o banheiro, tirava a foto pelada no banheiro da firma, voltava para mim da empresa, baixava, editava no Lightroom da empresa. Nossa, bicho, cara, que beleza, hein, cara! Que empenho, hein? O empenho que ela não tava tendo ali no trabalho, ela tava tendo fortemente nesse envio de nude. Eu nunca tinha ouvido falar da pessoa editar os nudes no Lightroom. Aí, rapaz, cara, isso aqui é trampo profissa, tá ligado?

CCaio

Entendia do assunto, né, Cláudio? Aproveitava ali e ficava mais bonito, né, no computador da firma, claro.

?Voz 1

Aí fala: sim, Klaus, sim, Caio, ela estava usando o computador de trabalho para tratar os nudes com o que eu tinha ensinado para ela sobre edição de fotos.

CCaio

Aí pelo menos ela tava treinando aí, né, cara.

?Voz 1

Para fechar com chave de ouro, o direct do Instagram estava escancarado enquanto o namorado rasgava elogios para foto. Nossa, profissional conta social mídia, soltou a seguinte instrução técnica pro rapaz: tenta de outro ângulo pra ficar melhor. Dando consultoria de enquadramento pro namorado em pleno horário de expediente. Chamei ela na sala e dei a bronca necessária. A vergonha dela foi completa porque eu precisei jogar limpo e falar o que eu tinha visto ele aberto, e que se um gerente passasse e olhasse aquilo, era justa causa na certa.

CCaio

Rapaz, como é que continua depois disso, né?

?Voz 1

Então ia falar mais uma vez, ele foi muito gente boa, porque aqui, bicho, aqui já foi um excesso muito grande, né? Você perdoa ver uma série, mas usar o computador para suas dinâmicas sexuais particulares, o computador, o software da empresa, deixar tudo logado ali, é muito cartão vermelho isso aqui.

CCaio

Você tá pensando só na, digamos assim, na falta que ela cometeu, né? O que eu tô pensando aqui, eu já aceitei que ele perdoou e tá tudo certo. Mas como é que segue? Porque tipo assim, o seu chefe direto, né, viu ela pelada, né, cara?

?Voz 1

Viu ela pelada.

CCaio

Não só viu ela pelada, como viu a trozoba do namorado dela, né?

?Voz 1

Caramba.

CCaio

E aí, segue trabalhando normal depois disso? Rola assim um constrangimento?

?Voz 1

Ah, é o boleto, né, cara? A pessoa precisa pagar boleto. Mas com certeza ela não olhou nos olhos do chefe ali uns 3 meses, viu, por baixo.

CCaio

Faltou esse detalhe aqui na história, viu, Cláudio? Sinto falta.

?Voz 1

Eu depois disso teria vergonha até de assistir Multishow. Apesar que esse programa aqui talvez seja de mais vergonha do que ser visto pelado.

CCaio

É, tem isso, né? Às vezes o fato dele descobrir que ela assiste Multishow já fez com que ela não tivesse vergonha de mais nada.

?Voz 1

Pode ser, pode ser. Ele fala que... Aí fica o questionamento para vocês, o que é pior? Aí ele falou também, cara. O que é pior, assistir série da Multishow ou usar licença Adobe da firma para editar foto pelada no banheiro da empresa?

CCaio

É difícil, difícil responder. É isso. Você, ouvinte, preferia assistir Multishow ou ficar pelado na empresa? Fica aí o questionamento.

?Voz 1

É isso aí, às vezes é por isso, entendeu? O cérebro tem aquelas ruguinhas, você vai assistindo o Tá de Graça, o cérebro vai ficando liso. É verdade.

CCaio

É, tem que repensar muita coisa aí essa estagiária. Sigamos. Quem mandou essa foi o Gabriel Kirlian. Ele diz o seguinte: olá, Marlboro, Hollywood e Derby Vermelho. Pô, que trio, hein? Sou contador das histórias Mãe do Pinóquio, Presentes Chineses do Chefe e Atriz ou Burnout. Pô, boas histórias, né?

?Voz 1

Pelo menos duas foram capa já.

CCaio

Hoje venho contar uma história mais recente, então senta que lá vem história. Lá estava eu em uma tarde tranquila de terça-feira, tomando meu café, fingindo que não tinha boletos pra pagar, quando surge Dona Penha no meu portão. Dona Penha estava com aquele olhar clássico de mãe que já esgotou todas as linhas de oração com todos os santos do calendário. Ela limpou o suor da testa, olhou no fundo dos meus olhos e largou a bomba: Meu filho, pelo amor de Deus, arruma um trabalho pro meu Juninho.

Ele é um bom menino, só precisa de uma oportunidade. Eu quase engasguei com o café. O Juninho, o rapaz que se ficar um dia sem fazer besteira, o corpo entra em choque anafiláctico. Olhei pra Dona Penha tentando manter a postura, mas a minha mente fez um flashback instantâneo da capivara cinematográfica do rapaz. Vamos ao histórico de bom menino. Expulsão do bairro natal. Juninho começou a carreira artística sendo expulso do próprio bairro.

O nível de apronto dele era tão alto que a vizinhança fez uma petição informal, com direito a olhares feios e ameaças de morte, para ele sumir de lá.

?Voz 1

Meu Deus, cara!

CCaio

O exílio no quartinho da avó. Mandaram o abençoado para morar no quartinho em cima da casa da avó, um lugar calmo, de paz. O que o Juninho fez? Primeiro, transformou a casa em um abatedouro de novinhas e passou as noites grau empinando moto na avenida principal. Meu Deus, é um anjinho, né? Ele falou aqui, antes que a vó pudesse expulsar o anjinho, os traficantes locais que prezam pela ordem e pelo silêncio para os seus negócios deram o ultimato: ou o motoqueiro fantasma some, ou ele vai ser sumido.

?Voz 1

É, esse é o verdadeiro ultimato, né? Ou some, ultimato.

CCaio

Essa foi a expressão que usaram e ele saiu corrido de novo. Rapaz, ele já atrapalhou os moradores, agora os traficantes. Vamos ver para onde ele vai. Aí, a carreira na construção civil. O tio, com o coração maior que o bom senso, levou o rapaz para trabalhar na obra. Durou 2 meses. No primeiro mês, Juninho já achava que era um engenheiro-chefe e começou a bater boca com o supervisor. No segundo mês, descobriram que ferramentas e fiação de cobre estavam sumindo misteriosamente na mochila dele. Demissão por justa causa espiritual.

?Voz 1

Justa causa espiritual.

CCaio

Aí, próximo capítulo: a estadia no segundo tio. Sem opção, foi abrigado por um outro tio. Em agradecimento pela hospitalidade, Juninho simplesmente pegou o celular do tio e passou para outra pessoa, provavelmente para pagar alguma dívida que ele arrumou de graça. E para fechar o combo com chave de ouro, pegou a moto do próprio tio para fazer o quê? Empinar. Devolveu a moto em formato de sanfona. Caraca, cara, mais uma vez o anjinho caído aprontou e a mãe se recusava a enxergar.

De volta à realidade, Dona Penha continuava ali me olhando com olhos pidões. Ele só precisa de um trabalho que ocupe a mente dele, sabe? Ele é muito criativo.

?Voz 1

É, tô vendo a criatividade dele, né? Se você deixar ele no deserto, ele dá um jeito de afogar alguém, tá ligado? Muito criativo.

CCaio

É, não vejo muita solução aqui para o Juninho não, né? Minha mente criativa é apelido, Dona Penha. O moleque é um agente do caos enviado para testar a paciência da oportunidade. Respirei fundo, olhei para aquela mãe desesperada e com toda a empatia do mundo respondi: olha, Dona Penha, eu até queria, mas no momento não preciso de novo funcionário. Por que a senhora não leva o currículo dele para o McDonald's ou para o Burger King? Eles sempre dão oportunidades para os jovens.

?Voz 1

A ficha criminal, cara!

CCaio

Meu Deus!

?Voz 1

Olha, mas vou falar para você que até que a sugestão faz sentido.

CCaio

Sim, sim, exatamente. Dona Penha deu um sorriso de orelha a orelha achando que a ideia do McDonald's e do BK era genial. Me agradeceu e saiu toda saltitante.

?Voz 1

O problema é que vai chegar lá, vai fazer pão com vidro.

CCaio

Então agora eu tô entendendo porque que chega esse monte de confusão em fast food aqui pra gente, viu? Pois é. Ele fala: bom, fiquei sabendo que o nosso motoqueiro fantasma começou de fato a trabalhar no Burger King. Agora em maio. Rapaz, olha só, deu certo! Que Deus guie aquela chapa e proteja os estoques de batata frita, porque o Juninho tá na área!

?Voz 1

Nossa, bicho! A Dona Penha, eu acho que a Dona Penha faltou com a psicologia infantil ali no Juninho. Você lembra do Pica-Pau, o episódio do Reginaldo? Ele apronta o episódio o episódio inteiro. E aí no final o Pica-Pau dá um livro para mãe dele escrito psicologia infantil na capa. Hoje é psicologia infantil. Quando ela abre o livro tem um pente de madeira e ela bate no Reginaldo com as costas do pente.

CCaio

Faltou, faltou, certamente. Exatamente. Aí ele termina aqui. Mas e aí, galera, deixa eu perguntar uma coisa para vocês: o lugar onde vocês trabalham aceitando currículo é que eu tenho um anjinho aqui para indicar. Garanto que ele é super dinâmico, move o ambiente, geralmente todo mundo corre, e tem vasta experiência em mágica porque ele some com tudo.

?Voz 1

Tá precisando muito de alguém para ajudar ele a editar lá.

CCaio

Se ele souber editar podcast, cara, é perfeito, que ele inclusive pode morar com Silas na casa do Silas.

?Voz 1

Vou passar o contato do Silas, pode deixar que ele conta.

CCaio

Currículo dele, sim. Assim que eu tiver as próximas cenas desse capítulo, ou quando o BK pedir reforço policial, eu volto para contar. Desculpa a história longa, mas a vida de trabalhador não é fácil. Até a próxima! Oi, coitada da mãe, né, bicho? Puta merda, tem uma esperança no filho.

?Voz 1

Abraço aí para Dona Penha e para o nosso querido Gabriel, Juninho também.

CCaio

Quem tiver aceitando currículo, põe nos nos comentários aí, por favor.

?Voz 1

É isso aí, Caião. Então essas foram aqui as histórias de hoje. Convido nossos ouvintes que queiram também participar aqui do Momento Márcio Canuto a enviar lá pelo doisempregos.com.br. Lá também você tem oportunidade de, além de participar aqui do programa através das histórias, Mas nos apoiar financeiramente é entrar no grupinho secreto e nos nossos sorteios de brindes, certo?

CCaio

Fundamental para manter o programa aí toda semana no ar.

?Voz 1

Fundamental. E não tem fidelidade nem valor fixo, você apoia com quanto você quiser. A gente deixa valores sugeridos lá no site e se você gostar de algum tem às vezes mimos diferentes. Aí lembrando, né, tá tudo na descrição, doisempregos.com.br. E dito isso, vamos agradecer então por nome aqueles que nos apoiam nos maiores valores, sendo os grandes heróis aí do Dois Empregos, né?

CCaio

Exatamente.

?Voz 1

Começando aqui por eles, no plano patrão, o Fábio Cremon Orlandi Rodrigues, Esdras Santos Borges, Lucas Registeles, Oswaldo Brogliato, Lucas Peron, Thiago Glicói, Caio César e Gabriel.

CCaio

E lá no plano Você é Louco, Rodrigo Stranieri Bastos, João Marcos Vieira, Pedro Henrique Schneider e a Débora Lancaster.

?Voz 1

Maravilha, é isso aí, pessoal. Voltamos então semana que vem, se não tiver fute, ou se tiver fute é porque teve fute. E é isso, é isso. Até a próxima, um abraço e tchau, falou!

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