Episódios de Cinema Falado - Rádio Executiva

Podcast Cinema Falado 02-05-2026 1

03 de maio de 202652min
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Assuntos7
  • Melancolia vs. DepressãoConceito de melancolia · Conceito de depressão · Representação no cinema · Crise existencial · Tristeza sem causa · Psiquiatria biológica · Indústria farmacêutica
  • O filme CasablancaAmor em tempos de guerra · Nostalgia e relacionamentos · Humphrey Bogart · Ingrid Bergman
  • Cinema e SériesPor que as mulheres matam · Eu Não Me Importo · Jejum de Amor · Casablanca · O Sal da Terra · Melancolia · Morangos Silvestres · As vantagens de ser invisível · Anomaliza · Misses América
  • O filme Eu Não Me ImportoAmbição e cinismo · Exploração de asilos · Personagem perversa · Rosamund Pike
  • O filme Jejum de AmorDilema profissional e pessoal · Papel da mulher no mercado de trabalho · Cary Grant
  • Big Brother BrasilPerversidade e intolerância · Cultura do cancelamento · Karol Conká
  • O documentário O Sal da TerraFotografia documental · Condição humana · Sebastião Salgado · Serra Pelada
Transcrição124 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Executiva FM. Extraordinary.

Música

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Olha aí, chegando o cinema falado e acordando pra vida, né?

Mas vamos combinar o seguinte, vamos combinar o seguinte. Olha, daqui até meio dia a gente vai se divertir um pouco, porque a gente merece também um pouco de paz, se divertir, vamos rir um pouco. Então vamos fazer sua agenda de filmes e séries pro final de semana. Anota aí, já pega o celular, fica na mão. Ou anota com lápis, caneta, papel. Tá bebendo uma cerveja, tá fazendo almoço, tá batendo papo. É o cinema falado, né? É, cinema falado no ar.

E aí

É, aí Nat King Cole. É, Nat King Cole. E sabe por que estamos tocando o Nat? É, porque essa música é tema de uma das séries mais vistas atualmente. Olha o nome da série. A gente começa até a rir, né? Por que as mulheres matam? Por que as mulheres matam? Que tá na Globoplay. É humor negro? É comédia? Sei não. Responde aí por que as mulheres matam. E vamos ter mais.

Música

Ainda hoje aqui no Cinema Falado a gente vai comentar um filme, Eu Não Me Importo, o que ele traz está virando coisa normal. O filme chama Eu Não Me Importo. Não me importa com o que, vocês vão ver.

E vamos comentar hoje o tema que já me perdem há um bom tempo. E eu tinha dúvidas se era o momento de falar agora desse tema que é de melancolia, de depressão. Mas eu quero mostrar e vou mostrar a diferença entre melancolia e depressão. Que atrapalha muito a vida das pessoas. E eu vou falar dando exemplos de filmes.

Eu tô olhando aqui, gente, é que dentro de estúdio é danado, né? Tem uma luz acesa ali, vermelha, escrito ao vivo. Então estamos ao vivo. É o Cinema Falado no ar, microfone ligado para a lâmina da voz, como Luiz Suquita me chama. Ele me chama de Lisandro, a lâmina da voz. Então vamos lá. Cinema Falado no ar.

Gente, o Big Brother, hein? Big Brother está todo vapor, revelando uma parte significativa das relações entre as pessoas no Brasil.

E o que a gente vê é muita perversidade, muita intolerância e o tal do cancelamento. Quem que você já cancelou hoje? Eu não cancelei ninguém, quero cancelar ninguém. É, ó, agora olha bem. A Karol Conká se parece com a personagem do filme que eu vou comentar. Que é um dos mais vistos da Netflix atualmente. A personagem no filme, ela cuida de velhos.

É, aí é que tá, ela cuida de velhos, boazinha, né? É, mas ela é má, ela é má. Ó, esse filme pega firme com essa ideia que nós temos hoje de pessoas perversas, né? Olha bem, a gente vai falar dele agora.

Veja o filme Eu Não Me Importo. Olha o título, título Eu Não Me Importo, tô nem aí. É, Eu Não Me Importo tá na Netflix. É a história de uma mulher muito ambiciosa. Ela diz logo lá no início, o mundo é dos explorados e dos exploradores. Tem um que caça e outro que é caçado. E o início do filme também retrata um mundo muito cínico. E ela ainda diz...

Eu era boa, mas agora serei má. E fala mais ainda, ela fala isso aqui. Eu quero ser rica. Pois é, ambiciosa. A personagem do filme Eu Não Me Importo é parecida com o personagem principal do filme, o Tigre Branco, a parte final do personagem, do Tigre Branco, que eu comentei aqui há três semanas atrás. Aliás, isso aqui eu tenho que falar, né?

Se você quiser ouvir todos os programas anteriores do Cinema Falado, é só acessar o site da Rádio Executiva. E se você quiser mandar mensagens...

Pelo WhatsApp, também tem o WhatsApp da Rádio Executiva, que é... 98581-9270. 98581-9270. Então, tá aí o WhatsApp da Rádio Executiva, não é pra você. E essa atriz, a Rose Pike, que é aquela... Ela é do filme Garota Exemplar.

É a perversa que só pensa em se dar bem. Um perverso é uma pessoa fria e cínica. Só tem jeito mesmo quando encontra outro perverso pela frente. E é o que acontece no filme. É o que acontece no filme. Olha, ela explora asilos de velhinhos no final da vida.

Com a complacência da justiça. Ah, mas aí ela encontra outro perverso pela frente. O cara é bom de... Ambicioso também, bom de confusão. Esse filme Eu Não Me Importa mistura de humor negro e suspense. Eu Não Me Importo revela o mundo daqueles que passam por cima de tudo. Para se dar bem. Mesmo que seja em cima de cadáveres. É. Então olha bem. Ah.

Prepare-se para o final do filme. Você vai ter uma boa surpresa. O filme sabe manipular a gente. Gente, a atriz, ela é tão, mas é tão boa. E a personagem é tão cínica que você passa a ter raiva dela.

Como pode ter gente que se identifica com ela e ainda ri? Será? Pois é, fica atento na personagem, porque ela é o filme. Essa atriz, a Rose Pike, ela é muito boa, muito boa. E você fica ligadão nela, na personagem dela. Eu não me importo... Olha, não perca esse filme. Eu não me importo, está em cartaz na Netflix.

Ah, e agora vamos lá, você quer rir um pouco neste final de semana? Olha a dica.

Aí é Charlie Parker, um dos grandes do jazz. Bom, vamos rir com uma boa comédia. Aqui está um clássico em preto e branco, no qual uma mulher não sabe se segue na profissão de jornalista ou se ela casa. É, olha!

Casa ou segue na profissão? Hoje não é uma questão muito para as mulheres. Mas antigamente... Ah, por isso que o filme é legal. A personagem da Hilde, a Hilde está noiva. Ela vai casar e o ex-namorado é também seu ex-chefe.

Olha, é um dos meus filmes de cabeceira. O nome dele? Jejum de Amor, super clássico. Olha, eu dou aulas com esse filme há muito tempo. O Luiz, é o Luiz nosso ouvinte que gosta dos clássicos. E o Gilberto e a Ana Clara sempre falam, Lisandro.

Tem que ter um clássico por semana, uma dica de um clássico. Então, olha aí. E esse é bom demais, que é uma comédia gostosa. O Cary Grant, ele mata a gente de rir, tentando trazer a ex-namorada de volta pra profissão de jornalista. Na verdade, ele quer trazer ela pra perto dele. E ela fica na dúvida, casa ou vira jornalista de vez? Além de rir, jejum de amor mostra como as mulheres foram ocupando espaço no mercado de trabalho.

Hoje, por exemplo, o jornalismo é quase todo dominado por mulheres. Ainda bem. E quando você tiver com seu filho em dúvida sobre qual profissão ele seguir, ou sua filha,

Ah, não fale o que ele tem que fazer não. O pai não deve falar o que ele tem que fazer. Mas fala para ele ver esse filme Jejum de Amor. Principalmente uma filha mulher. Quando minha filha foi definir o que ela queria, o que ela queria estudar, a profissão futura, eu falei, veja Jejum de Amor, Luísa. É isso. Então você pode ver Jejum de Amor nas plataformas Look.

ou Old Flix. Old Flix é aquela plataforma de filmes clássicos e antigos. Ah, tem também na Netmovies. Então, look, Old Flix ou Netmovies, você vê o filme Jejum de Amor.

Vamos ouvir agora um biscoito fino. E eu dedico pra minha amiga Ana Maria, ela tá lá em Brasília, que gosta muito dessa música. Ana Maria, ouve aí. E mais tanta, tanta gente que gosta. Um dos clássicos da música mundial.

Amém.

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E ele foiَte Amar

Opa, Eta James, Headlast, bonita música. Eu tinha prometido responder essa pergunta aqui semana passada e eu prometo e cumpro. Então, olha bem, a pergunta é por que o filme realizado há mais de 70 anos é um dos mais vistos durante esse período da pandemia? Vamos lá.

Você deve lembrar isso, um abraço é ainda um abraço, um sigh é apenas um sigh. As coisas fundamentais são aplicadas, não é?

Lembrou do filme aí com essa música? Lembrou, né? Bom, o filme é Casablanca, é de 1942. Gente, o filme é de 1942 e é um dos mais vistos atualmente durante esse período que a gente tá aí, nessa pandemia. Os atores são os lendários, o Humphrey Bulger e Ingrid Bergman.

Eles estão lá, vivem a segunda guerra, ela está casada e foge com o marido para a Casa Blanca, para o norte da África. Os personagens do Humphrey Boger e da Ingrid Bergman, eles se amam.

mas as circunstâncias os distanciaram. Sabe como é que é o amor, né? Ele pode ficar suspenso no ar, ele pode ficar parado ali no tempo. É, talvez ele nunca seja resgatado, mas que ele fica parado ali, ele fica. Não se sabe, né? É uma história de amor diferente, Casablanca, porque no final, no final ele não termina como nos filmes românticos tradicionais de Hollywood.

Tem mais. Humphrey Bogart, segundo muitas mulheres, é o homem que elas gostariam de ter. Filme?

Educado, generoso e amante. Um homem raro. Talvez nos dias de hoje. Será que você concorda? Acho que um dos motivos para a permanência de Casa Blanca, 70 anos depois, é porque existe um mal estar nos relacionamentos hoje. Tem um curto circuito, não tem?

Você concorda comigo? Se não concorda, manda mensagem aí. Mas eu acho que tem um curto circuito nos relacionamentos. Se não, a gente não voltaria para um filme tão antigo e tão romântico. Agora, por que dessa nostalgia?

Pois é, talvez seja aquela coisa de querer encontrar alguém sem esse politicamente correto de hoje, que põe regras demais, sabe? Todo mundo muito duro colocando regras, não é? Muito Salamaleque moral no meio, não é? É, muito Salamaleque moral. Tô falando claro, até falo pra minhas amigas feministas. Ó.

Vamos com calma, tem uma crise aí, o universo masculino tá em crise. É, e esse pragmatismo das pessoas endurece as pessoas. Ah, gente, e sem essa correria, né? Não sei, talvez seja também por causa do preço que as mulheres estão pagando.

por estar em outro patamar, o mundo é cruel com as mulheres, mas que no caso do amor, esses tempos não favorecem tanto talvez, tá vendo que eu tô usando muito talvez, esse romantismo do Casablanca, ele não é ultrapassado, tanto é que está aí firme e sendo visto por milhões de pessoas no mundo gente, então veja ou reveja Casablanca.

Informa a sua opinião lá. Eu tenho certeza, quase certeza, que você vai gostar muito desse filme. Eu não conheço ninguém que não acha Casa Blanca um filme bonito até hoje. Incrível, né? O filme é bonito e merece o seu olhar. Veja Casa Blanca ou no YouTube, ou na plataforma de filmes clássicos, ou de Flix. Suquita.

Suquita, eu estou parecendo aqueles alunos pequenos que passam a aula pensando no recreio. É, pensando naquele chá quentinho de hortelã com limão que nos aguarda no intervalo.

Ah, ele tá dando um sinal positivo pra mim. E esse sinal positivo me agrada enormemente. Tomar chá pela manhã é o chá anti-melancolia. A gente vai falar hoje de melancolia e depressão, lá no segundo bloco, ainda hoje, daqui a pouco, né? Bom, diga-se o que tá. Ah, sim, vamos lá, vamos ouvir nossos ouvintes. Boa tarde, professor Lisandro Nogueira. Aqui é a Silvana. Bem, eu gostaria de indicar...

o documentário O Sal da Terra. É um documentário que vai trazer as contribuições e o trabalho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. É um documentário fantástico, é um documentário de 2014, 2015 aproximadamente. Eu cheguei até ele por conta do próprio trabalho que eu desenvolvo em uma escola, eu sou professora.

e lá a gente desenvolve um trabalho muito pautado na arte, e o Sebastião Salgado é muito estudado nesse projeto, pelos alunos, enfim. Então é um documentário que vai expressar aí muitas coisas relacionadas à condição humana. Essa é a minha indicação.

Olha, nosso ouvinte Silvana. Ô Silvana, indicação boa demais, hein? O Sebastião Salgado é um dos mais importantes fotógrafos do mundo. Eu vim compreender aquela questão da Serra Pelada, do Pará, do Ouro.

quando eu vi as fotografias do Sebastião Salgado, aquela série que ele faz sobre a Serra Pelada e os garimpeiros. As fotografias do Sebastião Salgado, elas são muito especiais, muito. Mostram cada canto do mundo de forma única, singular.

As fotos dele revelam um mundo, gente, que a gente desconhece e se espanta. A fotografia, a imagem parada, ela tem essa coisa maravilhosa, né? A imagem parada. Quando vista com calma, com os sentidos, com sua sensibilidade. Olha, gente, veja o filme O Sal da Terra.

do Sebastião Salgado, com o Sebastião Salgado. É um filme muito precioso. Sal da Terra, você pode ver nas plataformas, Globoplay, Netmoves e Luke, que é uma coisa aqui que, se a gente não falar onde é que o filme está localizado, onde é localizado, onde o filme se encontra, o pessoal já falou, Lisandro, ou fala onde o filme está, ou na Globoplay, ou na Netmoves e no Luke, ou então vai ter Procon.

Então a gente corre aqui na Suquita. Tá na plataforma tal, tal. Agora tem um aplicativo, gente, muito legal pra você baixar no seu celular. Que é o Just What. Just What. Ele se baixa e ele localiza pra você série e filme. Ele é muito legal. Bom, eu falei na semana passada que aqui tem ouvintes que falam se a gente não tocar tal música, eles vão mesmo no Procon.

Foi só eu falar que a Andréia Borges de Rio Verde, olha lá, Rio Verde, Rio Verde, gente, tem gente lá que ouve a gente, que legal. Abraço grande, Rio Verde, né? Pessoal amigo aí que ouve a gente, Andréia Borges. Em Uberlândia, Anitta Salles, Uberlândia, olha aí. Anitta Salles, o Neto de Souza aqui de Goiânia. E também, bom, como a gente não quer o Procon no nosso pé, E aí

Nós vamos ouvir agora e vamos aproveitar e mandar um grande abraço em São Carlos, interior de São Paulo. Esse Cinema Falado, ele é ouvido por aí, com a internet para todo lado. É só baixar o aplicativo da Rádio Executiva. Se houver a Rádio Executiva é na Alemanha, igual a minha amiga Jordana, não é? Pois é, então eu mando um abraço em São Carlos, para os meus mega amigos, professores da Federal de São Carlos, Otto e Flávia.

Otto e Flávia, que todo final de semana ouve o cinema falar do Otto, é uma lenda em Goiânia, um cara sensacional, marcou época, que aí depois foi pra São Carlos, o cara é linguista de primeira, né? O cara não é brincadeira não, inteligente pra caramba. E também, aqui em Goiânia, amigos de longa data.

É, aqui em Goiânia, pra Henriette e Rodrigo, que ouvem a gente também. Ó, um abraço pra vocês dois. É, fiquei sabendo que vocês são super ligados aqui no Cinema Falado. Muito obrigado, isso é muito bom. Agora a música pra vocês. Olha que delícia. There are places I remember all my life.

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E aí E aí E aí E aí E aí

Beatles, na manhã goiana. Abraço pra Leila Maria também, que tá sempre aqui, envia mensagem. Pra Sara, lá na cidade de Goiás, Vila Boa. Ah, Vila Boa, puxa vida, que saudade de Goiás. Olha, pra vocês soubessem aí em Goiás a saudade que eu tô daí. Puxa vida. Passei boa parte da minha vida indo aí. Agora tem um tempo que eu não vou, né? Foi em agosto do ano passado. Um abraço também, olha aqui. Floresvaldo, de Mineiros. Poxa.

Mineiros, lá na fronteira com Mato Grosso. Cinema falado é danado, hein? E vamos pro intervalo. Ah, pro Robson e Silvânia, pro Afrânio, todos aqui conosco. E pra você que tá ouvindo agora, a gente. Não vou te desamparar. Tem uma pessoa que falou assim, poxa, manda um abraço lá. Então, não precisa falar meu nome, mas manda um abraço. Então, um abraço pra você, pra todo mundo que tá ouvindo. A gente volta rapidinho. É o Cinema Falado? Executiva. FM. FM.

A CIDADE NO BRASIL

Cinema falado de volta Está estranhando aí A gente voltar com a dama da ópera A Kiri Tekanawa A Kiri, a Kiri me marcou Profundamente nos anos

No começo dos anos 90, quando eu ouvi um CD dela cantando as músicas da Great American Songbook, que são as canções de ouro, as músicas populares americanas, Cole Porter, Cole Porter, ela cantando esses caras aí. Kiri, e a Kiri é dama da ópera. Essas vozes aí que você tá ouvindo é pra comentar um tema delicado.

Há muito tempo que pedem aqui os nossos ouvintes para a gente falar desse tema no cinema. Eu acho que eu demorei a trazer o tema porque ele é controverso, ele é difícil, muito difícil. Mas ele é necessário.

Vamos conversar sobre a melancolia, tão antiga, né? Melancolia tá lá na Bíblia, tá lá com os gregos, né? Já falavam na bile negra, né? E hoje mudaram o nome pra depressão, a gente é do século XX pra cá. Agora, o que é melancolia e o que é depressão? E como o cinema representa a doença ou a gente também pode chamar de afeto sombrio?

E aí? Hoje não se fala mais melancolia. Mudou. Se fala depressão. E o cinema tem o que dizer e até trazer a ideia da melancolia de volta. Pois é. Porque é o seguinte, a medicina psiquiátrica, a parte bem biológica, a parte bem biológica dos remédios, a partir do século XX, ela construiu o conceito hoje de depressão.

Quem mais compreende o fenômeno da tristeza sem causa, do sujeito abandonado por Deus, que é a melancolia, são os pintores, os poetas, os artistas. Mas aí, essa parte biológica foi tomando conta, sabe? Quando a melancolia virou depressão, o cinema mostrou o caminho para compreender a tristeza sem causa.

E ao longo da história, ao longo da história, essa compreensão estava no campo das artes, da filosofia, da história. E eu acho, meus amigos psiquiatras que me ouvem, eu tenho muitos amigos psiquiatras, eu acho que nesse caso a psiquiatria biológica errou um bocado.

distanciar desses conhecimentos que sacaram muito bem, estudaram muito essa ideia da melancolia. E vamos em frente. Música

A partir do século XX, gente, a depressão virou uma doença da nossa época. Na Idade Média, diziam que a melancolia era por causa de uma alma distante de Deus. Lembra do filme O Sétimo Selo do Bergman? Lembra dele? Esse é um clássico, tem que ver antes de morrer. É o melhor filme sobre a finitude.

do cinema, o sétimo selo do Bergman, é a história lá do cavaleiro, é, ele está nas cruzadas e ele entra, o cavaleiro entra em profunda crise existencial, quem é que de vez em quando não tem uma crise da existência?

Todos nós somos passíveis, não é? Então ele tem essa melancolia profunda que é amenizada e compreendida na cena em que ele, o cavaleiro, encontra com os artistas, com os artistas do circo, que servem para ele cerejas ao leite.

Pois é, são os artistas que mostram para ele o frescor e o efêmero da vida. Pois é, eu não sei, viu gente, meus amigos psiquiatras me ajudam a responder. Nenhum remédio, talvez, poderia responder a crise existencial daquele homem. A questão dele é existencial.

Porque ele está firme ali, ele está enfrentando, e ele encontra os artistas, e ele vai compreendendo. Por que a morte está atrás dele? Quando a melancolia foi substituída pela depressão e virou doença mental, o cinema foi o primeiro a se dividir. Hollywood ficou do lado mais da psiquiatria biológica, dos remédios. E o cinema mais de arte resgatou a ideia da melancolia. Aí vieram filmes mostrar que no mundo desprovido,

de ideias, de utopias, um mundo muito pragmático, e também com a poderosa indústria farmacêutica dos remédios aí por trás, apertando a gente. E aí parte da medicina psiquiátrica se afastou da ideia da melancolia, deixou ela de lado, a melancolia.

Gente, é o que é hoje. Aí a gente se acha, qualquer coisa, qualquer tristeza, a gente se acha muito deprimido. Olha, só pra vocês terem uma ideia, em 1980, o Manual da Psiquiatria dizia que existiam 182 transtornos passíveis de tratamento, lá no livro, no DSM dos Psiquiatras.

Olha, já em 2013, eles já tinham anexado mais transtornos e passou para 450 doenças classificadas. Aí um sintoma de tristeza acabou se encaixando aí. Então a melancolia foi deixada de lado. Porque a melancolia, ela... Bom, eu vou falar disso agora. E não é por aí, como demonstrou ao longo da história, a filosofia, as artes, os historiadores. Olha que cantor.

Aí a cantora Melody Gardou cantando, olha a música, seu coração está tão negro quanto a noite. Gente, é óbvio que os remédios são super importantes, ninguém nega isso.

Mas o problema é que a tristeza, qualquer tristeza pode virar depressão. A tristeza nessa pandemia que nós estamos sentindo, ela pode ser diagnosticada como depressão? Pois é, mas tem inúmeros tipos de tristeza. Como é que é essa tristeza? Isso complica, não sei se por aí. Eu acho que um bocado imobiliza a gente, deixa a gente imobilizado.

Porque a vida é crise quase todo o tempo. A gente tem que entender isso. Por isso que essas gerações mais novas, os pais reclamam muito, os professores, que é uma geração que parece muito frágil para entender que a vida é crise, a vida é dura.

tem que entender para entender que a vida é dura mesmo e aí entendendo que a vida é dura tem outro lado muito legal da vida é, porque é o seguinte o temperamento melancólico que é a tristeza que chama tristeza sem causa da melancolia isso tudo faz parte de todos nós e isso nos pega em algum momento da vida

As depressões graves, vou repetir, sim, elas precisam de muita atenção. A tristeza da vida, aí é o Rei Charles que tem o que dizer ou cantar.

Quando você vê uma cidade como Goiânia, em que cada esquina tem uma farmácia, você pode constatar que é uma sociedade doente.

Como todas as cidades brasileiras, cheio de farmácia. A gente constrói muros, a gente se fecha em condomínios, shoppings, apartamentos. Aí a cidade não valoriza centros culturais, não estimula o lazer, não estimula o esporte. E a cultura? E as pessoas se acostumaram...

Tanto a trabalhar, correr o tempo todo, que quando chega o final de semana, já tem gente que me falou isso, né? Elas se deprimem, elas se acham deprimidas, né? Gente, é o modo de vida que nós criamos. Isso pode levar a uma depressão grave, mas no geral não. No geral, é o modo de vida que está errado.

E aí a gente fica doente. E ainda vem, e aí ainda vem uma pandemia. Então, ah, esse filme. Veja o filme Melancolia. Isso. O filme chama-se Melancolia. São duas irmãs. E elas reagem de forma completamente diferente quando o planeta Melancolia, que é uma metáfora, sim, um planeta, ele está se aproximando da Terra.

Aí uma aceita com tranquilidade a situação, enquanto a outra, a outra se desespera. E por que a melancólica se comporta de forma diferente? Ah, aí você vai entender porque a melancolia faz parte da vida, e que ela pode virar arte e ser sua parceira na vida. Então, a que é melancólica é quem?

é mais resignada e enfrenta o problema. É, então a melancolia faz parte, ela é assim, é isso que eu falei, pode ser sua parceira na vida, é a arte de viver. Agora olha aqui esses filmes, veja também o filme Morangos Silvestres, do Bergman. Morangos Silvestres, porque na velhice, os gregos já falavam na Idade Média, a velhice é um momento de muita melancolia.

mas é uma melancolia da vida, é normal, sabe, e aí os velhos precisam de quê? Os velhos precisam de atenção, eles precisam de cuidados, eles não podem ser como os nossos velhos estão se tornando antes de pandemia, agora a pandemia então, é serem abandonados, isso aí sim, aí vira doença para valer, então veja, tem outro filme,

As vantagens de ser invisível, que é sobre jovens deprimidos. Agora veja esse filme As Vantagens de Ser Invisível com o pé atrás. Filme americano, já viu, não é? Pra esse tipo de assunto. Ah, e veja Anomaliza. Esse filme é bacana, que é uma animação. Anomaliza. Agora isso você pode ver com o pé bem na frente. Então, gente, a melancolia pode te ajudar a viver a dor.

E a delícia desiste. Amanhã será um lindo dia Da mais louca alegria Que se possa imaginar Amanhã redobrada a força Pra cima que não cessa

Há de vingar amanhã Mais nenhum mistério Acima do ilusório O astro rei vai brilhar Amanhã A luminosidade Alheia a qualquer vontade

Há de imperar, há de imperar. Amanhã está toda a esperança, Por menor que pareça, que existe é pra visejar.

Amanhã, apesar de hoje, será a estrada que surgiu pra se trilhar. Amanhã, mesmo que uns não queiram, será de outros que esperam ver o dia arraiar.

Amanhã, ódios aplacados, temores abrandados, será pleno, será pleno.

Aí, Caetano Veloso em Amanhã, do Guilherme Arantes. Bom, vamos ouvir nossos ouvintes da Suquita. Olá, meu nome é Andréa Weck, eu sou apaixonada por cinemas e séries e sigo acompanhando o Lisandro. Tenho uma dica para vocês. Misses América, uma série da Fox, protagonizada pela maravilhosa e premiada Kate Blunt. A série retrata o momento de aprovação e se inscreva no canal.

da emenda de direitos iguais entre homens e mulheres nos Estados Unidos no final da década de 60 e início da década de 70. Esse é o argumento que a série quer trazer. O que aconteceu, qual foi o conflito entre feministas que lutavam pela aprovação.

E as mulheres do interior dos Estados Unidos, aqui representadas pela Kate Blunt, através da sua personagem Phyllis Schaefer, o que essas mulheres pensavam? Elas estavam desconectadas do que acontecia em Washington? A série retrata a vida e a atuação de três personagens reais. A Phyllis Schaefer, que é uma ativista conservadora antifeminista. A Gloria Stein e a Beth Friedman, que são famosas e conhecidas por todos que acompanham a história do movimento feminista.

A série quer falar da aprovação da emenda, mas ela se concentra nos dramas pessoais de cada uma das três. Por que elas estão na área pública defendendo temas públicos? Porque são idealistas ou com vaidade e sede de poder?

Vale a pena assistir. Ah, que bom. Andréia Vecchi, sempre participando aqui do Cinema Falado. Cinéfila de primeira. Andréia, estou vendo aqui, né? Estou vendo aqui também Ana Maria Monteiro de Brasília, minha amiga do coração desde os anos 80.

Ela indicou a série. Aí eu fui ver a série. Aí eu não sei se eu fico rindo ou se eu fico sério. Olha o título da série, gente. É o nome da série. A série é Por que as Mulheres Matam. Será que matam mesmo? Se matam, matam quem?

Eu vi quatro episódios da série Por Que as Mulheres Matam. A história que se passa na mesma casa, em épocas diferentes. Olha bem a história. Lá nos anos 60, Beth é uma daquelas donas de casa bem tradicionais. Ela praticamente vive para o marido. Mas ele tem...

um amante, mesmo tendo a mulher ideal dentro de casa, e aí passa para os anos 80, aí a casa passa a ser habitada pela Simone, Simone vive ali numa boa com o marido, aí um dia a Simone descobre que o marido dela é gay, e nos dias atuais, aí vem para os dias atuais, mostra outro casal, que vive um relacionamento aberto, vive as alegrias de um casamento muito movimentado, aí um dia,

Um dia, eles descobrem marido e mulher que estão apaixonados pela mesma pessoa que é uma mulher.

Ei, meu Deus. Olha, essa série, Por que as Mulheres Matam? Ela vai brincando. Vai brincando. Vai divertindo. Mas lá no fundo, ela está mostrando as mudanças na vida das mulheres desde os anos 60. Nessa época de pandemia, tira um tempo aí pra rir. Essa série faz a gente rir. Tem um suspense também. Ah, e se você se identificar com algum personagem... É muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita muita

Bobagem. Faz cara de paisagem. Não conta pra ninguém ali. Se tiver alguém perto, você venda. Deixa pra lá. Isso aí, esse é problema seu, né? Essa série, ela está ganhando o público feminino. Uma das mais vistas. Uma das três mais vistas atualmente. E não é pra menos. Não é pra menos. Então veja a série Por que as Mulheres Matam na Globoplay. Tinha cá pra mim que agora sim eu vivi. Enfim, o grande amor.

Me atirei assim de trampolim, fui até o fim um amador Passava um verão, água e pão, dava o meu guinhão pro grande

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito, não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor

Reservei hotel, sarapatel e lua de mel em Salvador Fui rezar na Sé pra São José que eu levava a pé no grande amor Mentira! Fiz promessa até pro churro no Areque subir até o Redentor

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito, não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor Mentira

Olha, a Chico Buarque em Samba do Grande Amor. A Cristal, a Cristal é a minha mentora agora nas redes sociais. Ela fez uma enquete lá no meu Instagram e perguntou se você gostaria que a gente terminasse o Cinema Falado com o Chico Buarque ou com o Djavan. Bom, o Chico Buarque eu já entreguei. Acabei de entregar, tocamos. E vamos terminar o Cinema Falado com um amigo do Chico Buarque, o Djavan. Juntos eles fizeram essa música que tem um verso que é tão bonito, gente.

O verso da música diz assim, Estava ficando louco de querer bem, Quis chegar até o limite de uma paixão, E baldear o oceano com a minha mão.

Que coisa maluca, não é não? Baldear o oceano com a minha mão. Gente, o que as paixões fazem, hein? Aí o cara apaixona, o Chico Buarque apaixona, o Djavan apaixona. Aí eles fazem essa canção. E você, quando apaixona que a coisa dá certo ou tá ali, o que você faz? Trabalha? O Chico Buarque e o Djavan fazem música.

Isso é artista, valoriza o artista. Cinema falado se despede. Se cuida, ouve muita música nesse período, muita música acalma a gente, diverte, veja muitos filmes e séries e dê um descanso pro seu espírito nesse final de semana, se possível. O período é difícil, mas onde há sombra, há luz, e essa luz virá, de qualquer jeito. Um grande abraço.

Era tanta saudade e é pra matar Eu fiquei até doente, eu fiquei até doente, menina Se eu não mato a saudade, é pra já estar Saudade mata a gente, saudade mata a gente, menina Quis saber o que é o desejo De onde ele vem, fui até o centro da terra

E é mais além, procurei uma saída, o amor não tem Estava ficando louco, louco, louco de querer bem Quis chegar até o limite de uma paixão, baldear o oceano Com a minha mão encontrar o sol da vida e a solidão Esgotar o apetite, todo apetite do coração E é mais além, procurei uma saída, o amor não tem

Mas voltou a saudade, é pra ficar Aí eu encarei de frente, aí eu encarei de frente, menina Se eu ficar na saudade, é desrestar Saudade engole a gente, saudade engole a gente, menina

Quis saber o que é o desejo De onde ele vem Fui até o centro da terra E é mais além Procurei uma saída O amor não tem Estava ficando louco, louco, louco De querer bem Quis chegar até o limite De uma paixão Baldiar o oceano Com a minha mão Encontrar o sal da vida

E a solidão, esgotar o apetite, todo apetite do coração

Linha do horizonte É monte atrás de monte, é monte A fonte nunca mais que seca Mas saudade ainda sou moço Aquele poço não tem fundo É o mundo e dentro, mundo e dentro Mundo e dentro é o mundo que me leva

Podcast Cinema Falado 02-05-2026 1 | Castnews Index — Castnews Index