Ep 14 - Meu Setembro é Amarelo
Este episódio fala abertamente sobre suicídio, ideação suicida e saúde mental. Se esse tema estiver pesado demais para você hoje, talvez seja melhor não ouvir agora.
Eu comecei essa gravação na estrada, com um quadro de um elefante no banco do passageiro. E foi justamente o elefante que abriu a conversa: um animal que vive em coletivo, que cuida dos seus, reduz o passo quando alguém fica para trás, atravessa o luto junto e parece entender uma coisa que nós, humanos, estamos esquecendo. Ninguém deveria precisar sobreviver sozinho.
Neste Setembro Amarelo, eu não queria falar sobre “valorizar a vida” como um slogan. Queria falar sobre o que acontece quando continuar vivendo passa a exigir uma escolha diária.
Falo, sem romantização, sobre os pensamentos suicidas que têm me acompanhado. Sobre amar a vida e, ao mesmo tempo, não conseguir enxergar perspectiva dentro da sociedade em que vivemos. Sobre solidão, dinheiro, trabalho, desigualdade, propósito, redes de apoio, capitalismo, privilégios, corpos marginalizados e a sensação de que transformamos sofrimentos coletivos em problemas individuais.
Também falo sobre as pessoas que têm me mostrado outras possibilidades: comunidades que se fortalecem, mulheres que fazem o dinheiro e o cuidado circularem entre si, amizades que viram rede, minha relação não monogâmica e o que estou aprendendo sobre uma vida menos baseada em posse e mais baseada em companhia.
Talvez meu Setembro Amarelo seja isso: menos perguntar “por que essa pessoa quer morrer?” e começar a perguntar “que mundo estamos construindo para que tanta gente não consiga mais imaginar um futuro nele?”
Não tenho uma resposta pronta. Não tenho uma frase de efeito sobre como tudo vai ficar bem.
Tenho um elefante no banco do passageiro e uma vontade ainda viva de descobrir se conseguimos reaprender a não deixar ninguém para trás.
Se você está pensando em se machucar ou sente que pode estar em risco agora, procure alguém de confiança e ajuda presencial. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo 188, 24 horas por dia. Em uma emergência, procure um pronto atendimento ou ligue para o SAMU, 192.