Episódios de Review de Leigo

#5 - DON'T F**K WITH CATS (2019)

10 de setembro de 20267min
0:00 / 7:21

No novo episódio do Review de Leigo, falo sobre Don't F**k with Cats: Uma Caçada Online, uma minissérie documental de true crime que transforma uma investigação na internet em uma experiência em que o próprio espectador se sente parte da caçada. Vale o play? Descubra neste episódio.

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Sem enrolação. Só o que importa.

Apresentado por Rafael Franças.

Participantes neste episódio1
R

Rafael Franças

Host
Assuntos4
  • A minissérie documental Don't F**k With Cats e sua investigação online de crimesDon't F**k With Cats·true crime·investigação online
  • A crítica da série à curiosidade do público em crimes reais e o desconforto do entretenimentocuriosidade do público·crimes reais·entretenimento
  • O papel da internet na investigação e a participação do espectadorinternet·recursos digitais·investigação
  • Os riscos da investigação online e a potencialização da atenção pela internetinternet·investigação online·acusações injustas
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RFRafael Franças

Fala pessoal, eu sou o Rafael e esse é o Review de Leigo, o podcast onde a gente fala de filmes e séries de forma rápida, sincera e objetiva. No episódio de hoje vou falar sobre Don't Fuck With Cats, Uma Caçada Online, uma minissérie documental de true crime baseada em fatos reais que acompanha uma investigação iniciada na internet e que acaba tomando proporções muito maiores. Então bora lá para o review. Don't Fuck with Cats é uma minissérie documental lançada em 2019 que conta uma história real.

Tudo começa quando vídeos extremamente perturbadores envolvendo gatos começam a circular pela internet. Algumas pessoas encontram esses vídeos e decidem tentar descobrir quem está por trás deles. Entre eles estão Dina Thompson, conhecida na internet como Bawri Muvan, e John Green, o escritor John Green, que começa a analisar os vídeos em busca de pistas. E aqui está uma das coisas mais interessantes: eles não são investigadores profissionais.

São pessoas comuns usando a internet para tentar descobrir a identidade de alguém. Eles analisam os vídeos, procuram detalhes nas imagens, comparam informações, utilizam mapas, redes sociais e começam a juntar pequenas pistas. Só que essa investigação vai crescendo. O que inicialmente era uma tentativa de encontrar uma pessoa que maltratava animais começa revelar algo muito mais sério. E conforme novas informações aparecem, a investigação deixa de ser apenas uma busca pela identidade de alguém e passa a envolver crimes muito mais graves.

O que mais me chamou a atenção em Don't Fuck With Cats foi a maneira como a série consegue transformar a internet em parte da própria narrativa. A estrutura do documentário até é relativamente tradicional: temos entrevistas, depoimento de pessoas envolvidas no caso, imagens de arquivo e uma narração contando os acontecimentos. Mas aí Entram os recursos digitais. Mapas, redes sociais, postagens, comentários, vídeos e pesquisas aparecem o tempo inteiro.

E isso faz uma diferença enorme porque você começa a sentir que está acompanhando aquela investigação em tempo real. Quando aparece uma imagem, você começa a procurar um detalhe, quando aparece o mapa, você tenta entender onde aquilo aconteceu, quando surge uma postagem, você começa a pensar no que aquela pessoa quis dizer. É quase como se o documentário transformasse o espectador em mais um investigador. E eu acho que esse é o grande acerto da série, principalmente porque a própria investigação aconteceu dessa maneira.

Pessoas comuns estavam na internet tentando juntar informações que estavam espalhadas em diferentes lugares. Então, quando você assiste, acaba tendo uma experiência parecida com a delas. Outra coisa que gostei bastante são algumas referências cinematográficas. Em determinados momentos, a forma como a história é apresentada lembra um suspense ou um filme de investigação. Você tem pistas, suspeitos, descobertas e aquela vontade de saber qual será a próxima informação.

Se tudo isso fosse uma ficção, seria um excelente entretenimento. O problema é que não é uma ficção, aquilo aconteceu de verdade. E essa é uma sensação muito estranha que a série consegue provocar. Você está entretido, está curioso, quer descobrir o que aconteceu, quer saber quem está por trás de tudo, mas ao mesmo tempo você para e pensa: caraca, isso aconteceu de verdade. E aí o entretenimento fica desconfortável. Para mim, essa é uma das grandes forças de Don't Fuck With Cats, porque ela consegue fazer você se sentir parte da investigação e ao mesmo tempo faz uma crítica justamente a essa curiosidade do público.

E aí que eu acho que acontece uma espécie de quebra na quarta parede. A série coloca o espectador dentro da investigação e depois faz a gente perceber que também está sendo observado. Porque nós estamos fazendo exatamente aquilo que as pessoas da internet fizeram: queremos descobrir. Queremos saber quem é, queremos saber o que aconteceu, queremos acompanhar cada nova informação. Só que existe um problema nisso. Quando estamos falando de crimes reais, essa curiosidade pode transformar uma tragédia em entretenimento.

E a internet potencializa isso de uma forma absurda. Uma informação alguém compartilha, outra pessoa comenta, Alguém encontra uma nova pista e rapidamente milhares de pessoas estão acompanhando aquela história. E existe ainda outro risco: as pessoas podem errar. Podem interpretar uma informação de maneira equivocada, acusar alguém injustamente ou transformar a investigação em uma espécie de espetáculo. E talvez o mais perturbador seja pensar que para algumas pessoas toda essa atenção pode ser justamente parte do objetivo.

Então, pra mim, Don't Fuck With Cats não é apenas um documentário sobre encontrar um criminoso, é também um documentário sobre a internet, sobre curiosidade, sobre atenção, sobre como as pessoas comuns podem se transformar em investigadores quando têm acesso à informação, e também sobre como nós, enquanto espectadores, consumimos histórias de crimes reais. Acho que isso que diferencia essa série de muitos outros true crimes. Ela não coloca o público apenas como espectador, ela faz o público participar e depois questiona justamente essa participação.

Don't Fuck with Cats é uma das séries documentais de true crimes mais interessantes dos últimos anos. Não necessariamente porque tenha a investigação mais complexa, mas porque ela encontrou uma maneira eficiente de contar essa história. E quando uma série consegue fazer você continuar pensando nela depois que termina, acho que alguma coisa ela fez muito bem. Então, vale o play? Vale, vale muito o play. Então minha nota vai ser de 4 baldes de pipoca para Don't Fuck With Cats.

Mas com uma ressalva importante: essa não é uma série para todos os públicos. O conteúdo é bastante pesado, envolve crueldade contra animais, violência e crimes reais. Então é importante saber disso antes de assistir. Eu sou o Rafael e esse foi mais um Review de Leigo. Então recomende o Review de Leigo, siga, compartilha. É isso, um abraço, tudo de bom e até o próximo episódio.

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