Episódios de Os Monstros de Julia

Ansiedade

19 de setembro de 202658min
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Eu que sempre gostei de imaginar
Agora me esforço pra ter os pés bem fincados no chão
Houve um tempo em que viver num futuro
hipotético foi a minha salvação.

Quem diria que esse futuro chegaria, ein?
Quem diria que essa minha habilidade
de me manter bem longe enquanto eu tô aqui
me faria sofrer enquanto parte de mim só
quer aproveitar e agradecer

Minha imaginação é meu bem mais precioso
É meu refúgio, é meu trabalho
É minha máquina impulsionadora de transformações.

Mas a vida é dual

E minha imaginação às vezes cria os cenários
mais assustadores possíveis.

E eu que aprendi que tudo que eu crio dentro
de mim pode se tornar real

Nesse momento, tenho que me lembrar
de fincar os dois pés no chão.

Imaginar é meu céu e meu inferno
de cada dia.

Instagram: @juliariguez

Pesquisa: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9248771/

Participantes neste episódio1
J

Julia Riguez

Host
Assuntos6
  • A ansiedade como reação natural e sua transformação em transtornoincerteza e antecipação do futuro·utilidade para sobrevivência humana·excesso e frequência da reação·ameaça futura ou imaginada
  • Experiência pessoal com ansiedade na organização de um eventopreparação de debate e convidados·imaturidade na organização·sintomas físicos de ansiedade·necessidade de tempo para recuperação
  • Pesquisa científica sobre causas e tratamentos da ansiedadetranstornos mentais mais comuns·componente hereditário e genética·papel fundamental do ambiente·relação entre ansiedade e depressão·terapia cognitivo-comportamental (TCC)·medicamentos ISRS e ISRSN
  • Tipos de transtornos de ansiedade e suas característicasmutismo seletivo e falha na fala·ansiedade de separação e medo de perda·fobia específica e medo irracional·ansiedade social e medo de julgamento·agorafobia e medo de sair de casa·síndrome do pânico e ataques recorrentes
  • Dicas para lidar com a ansiedade no dia a diapreparação antecipada para eventos·prática de yoga com Prileite·atividade física regular·alimentação saudável e variada
  • Indicações de filmes e séries que abordam a ansiedadefilme Backrooms e horror liminar·série coreana We Are All Trying Here·relógio das emoções e catalogação·nomear emoções para lidar com elas
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
JRJulia Riguez

Olá, olá, minhas amorinhas! Que saudade de vocês! Como é que estão? Como é que estamos hoje? Nosso episódio é sobre ansiedade. Ai, quem que não é ansiosa, né, menina? Mas assim, a vida resolveu me dar uma lição, preciso compartilhar aqui com vocês e me redimir também, porque bom, hoje o episódio está saindo bem mais tarde do que o usual, né? E também porque eu tinha dito que faria episódio com vídeo, né? E eu tentei, por isso estamos atrasados.

Eu tentei muito, mas eu tive muitas questões técnicas. E assim, fiquei tentando até o último. Falei, ah, não tem problema, é segunda temporada, se eu postar mais tarde não tem problema, eu mudo o horário, agora vai ser sempre um novo horário, não tem problema. Porque a ideia justamente de ter uma segunda temporada temporada, de dividir em temporadas, é justamente poder fazer alterações, né? Isso para mim é o meu novo negócio, sabe?

É tipo meu novo compromisso, minha nova empresa, um projeto muito sonhado de coração que me faz muito bem. Essa é uma semana assim que eu largo vocês, eu senti muita falta. Isso já faz parte de mim assim. E aí o que acontece é que é isso, quando a gente começa a gente tem que testar as coisas e ir errando, e errar o máximo que der. O mais rápido possível para ir acertando também mais rápido possível. Mas até falando aqui agora, ó, falei o mais rápido possível, e eu acho que a lição dessa semana é sobre ansiedade.

Por isso essa introdução. Daqui a pouco vai começar o episódio que eu gravei alguns dias atrás, e aí vocês vão ouvir assim, enfim. Eu tava falando que, ah, que legal que a gente tá com vídeo, porque eu tava gravando com o vídeo Mas foi isso, eu tive muitos problemas técnicos assim, de limitações mesmo que eu tenho. Eu prometi que faria o vídeo e tal, mas eu fui percebendo que de forma orgânica, com o que eu já tinha aqui de aparelhos tecnológicos mesmo, eu não ia conseguir entregar, eu não ia conseguir fazer de uma forma que eu conseguisse sempre fazer, sabe?

Enfim, problemas, problemas com computador, aí problemas com celular, com memória do celular, aí problemas com a bateria da câmera. Improvisei um cenário, o cenário que eu ia fazer também não deu certo, nada deu certo. E são coisas que eu precisaria investir uma boa grana para que as coisas rolassem. Eu tentei fazer com o que eu tinha, porque eu sou muito dessa: faça com o que você tem e faça do jeito que der, mas faça. E eu tentei, eu falei, cara, é isso, eu acho que eu talvez tenha sido ansiosa demais de, tipo, já falar para vocês que eu ia trazer vídeo sem testar como eu faria, e não deu certo.

Então agora eu gente voltar com a minha palavra, vamos continuar com áudio por um tempo. Eu vou continuar tentando, eu sou assim, eu acredito muito nas coisas, eu vou tentar outras formas, eu vou tentar ser criativa. Sinto muito, muito mesmo, mas é isso, né? Como é um arquivo muito grande, de uma hora e pouco, realmente é diferente, né, você lidar com um vídeo de um minuto e você lidar com um vídeo de uma hora. Sem mais delongas, foi mal mesmo, gente, mas é isso, bola para frente.

O importante é que as ideias cheguem até você, né? E eu tava com muita saudade e tava com muita ansiedade também. Então vamos falar sobre isso. Vou colocar desde o começo, tá? Então vocês vão sentir a chamadinha de novo aí. Você é ansiosa? Dá até vergonha de perguntar, né? Porque quem que não é ansiosa hoje em dia? Eu espero do fundo do meu coração que tenham pessoas que são pleníssimas, que não sofram de ansiedade, não precisem ouvir esse episódio.

Mas assim, Ouve também, tá? Se você precisar, para ajudar as amigas que têm, manda para as amigas que têm. E você, ansiosinha que está aí de plantão, venha comigo. Eu sou a Dili EX2. Hoje vamos falar de ansiedade, a monstra mais monstruosa das monstras monstruosas supremas. Bom, para começo de conversa, a ansiedade em si Ela é uma reação natural do ser humano diante de situações que envolvem incerteza, risco ou antecipação do futuro.

Ela foi muito útil para nossa sobrevivência e quem acompanha aqui o podcast sabe que eu sempre acabo voltando para o momento da humanidade em que a gente vivia na floresta, porque muitas das nossas emoções e das nossas reações elas estão programadas à nossa sobrevivência por conta da forma que a gente vivia naquele período, né? E o nosso estilo de vida foi mudando muito rápido, mas continuamos funcionando daquela forma, né? Então, por exemplo, se a gente fosse só reagir quando um animal aparecesse, teria muito mais chance da gente morrer do que se a gente se preparasse para esse momento, né?

Então, se a gente preparasse tanto o nosso físico, a nossa habilidade de lutar com um animal, de caçar um animal, tanto como se planejar no sentido de escolher um bom abrigo, que talvez tenha menos chances de um animal estar naquela região, ou se a gente ficasse ali de prontidão, com a escuta atenta, para ver se tinha algum animal, ou até se a gente criasse alguma armadilha para esse animal. E essa preparação, ela se dava a partir do momento em que a pessoa sentia essa ansiedade em relação a isso.

Então, é parecido com o medo, né? Mas o medo, ele responde a uma ameaça que está presente e a ansiedade é uma ameaça futura ou imaginada. O problema é quando essa reação, ela se torna excessiva ou frequente ou desproporcional à situação, né? Porque aí ela se torna um transtorno de ansiedade e que é sobre isso que a gente vai falar nesse episódio hoje, né? Até porque a maioria de nós não vive na floresta e às vezes do tigre, a onça, ela é na verdade uma mensaginha do WhatsApp, uma entrevista, um evento, uma relação, uma tarefa, uma coisa que provavelmente não vai nos matar, mas o coração tá lá batendo igual uma rave, querendo sair pela boca, a cabeça explodindo, os pensamentos todos bagunçados e rápidos e feios e assustadores, e a respiração curtinha assim, é uma sensação de solidão Porque como eu vou explicar para alguém o que eu tô sentindo enquanto eu tô sendo atravessada, né, por essa enxurrada de informações e eu mesma não tô entendendo nada?

Eu usei uma pesquisa para esse episódio que eu vou falar mais dela para vocês depois, e o link tá na descrição como sempre. Nessa pesquisa eu achei uma classificação, uma tabelinha dos tipos de ansiedade. Eu vou ler aqui para vocês. O primeiro transtorno é o mutismo seletivo. As emoções são: falha consistente em falar em situações nas quais se espera que se fale, né, apesar de ter uma competência linguística. Então a pessoa fica muda mesmo, assim, não consegue falar.

Os sintomas físicos, não tem sintomas físicos, a não ser esse, né, da fala, da falha da fala. E o comportamento desse tipo de transtorno é essa perturbação que interfere no desempenho acadêmico ou profissional, enfim, na comunicação social da pessoa. Para ser considerado transtorno, tem que ter uma duração ali mais ou menos de 1 mês, e a idade mediana de início desse tipo de transtorno é menos de 5 anos. Aí, segundo transtorno: ansiedade de separação.

Que consiste basicamente nas emoções medo ou ansiedade irrealistas e persistentes em relação à separação ou perda de uma figura de apego ou a um evento adverso. Que os sintomas físicos são pesadelos e sintomas de angústia. O comportamento é uma relutância em se separar da figura de apego e esse distúrbio prejudica o funcionamento social, escolar ou outras áreas. A duração necessária dos sintomas é de 1 mês. Se você for uma criança de 4 a 18 anos, se você tiver isso por 1 mês, vai ser considerado um transtorno.

Se você já é um adulto, né, tem mais de 18 anos, aí você precisa sentir isso por pelo menos 6 meses para ser considerado um transtorno. A idade mediana de início é na infância mesmo, por volta dos 6 anos. O terceiro tipo é a ufobia específica. Que é medo ou ansiedade acentuados, excessivos e irracionais em relação a objetos ou a situações específicas. Por exemplo, animais, forças da natureza, ingestão de sangue ou lugares. Enfim, não tem sintomas físicos e o comportamento é evitar objetos ou situações específicas, perturbação que prejudica o funcionamento social, escolar, profissional ou em outras áreas.

No episódio de medo, a gente falou bastante sobre fobia, porque aqui tá dizendo que não tem sintomas físicos, né, mas a pessoa fica bem atordoada na hora ali que ela pensa que talvez vai estar em contato com aquilo que ela tem medo, né. Eu até trouxe uma pesquisa em relação ao medo de aranhas, fobias de aranhas. E aí, a hora que você, né, tá ali perto de uma aranha, enfim, você fica bem perturbado mesmo. Ou só se você imagina que logo terá uma aranha, que pode ser que tenha uma aranha, você já fica bem mal, né?

A duração necessária dos sintomas é de 6 meses e a idade mediana de início é a infância, mas por volta ali dos 8 anos. Outro tipo, o transtorno de ansiedade social. Medo ou ansiedade acentuados, excessivos e irracionais de serem observados ou julgados negativamente por outras pessoas. Esse transtorno de ansiedade é muito comum. Os sintomas físicos são rubor, né, toda vermelhinha assim, medo de vomitar, urgência ou medo de urinar ou defecar.

Comportamento: evitar interações e situações sociais, perturbação que prejudica o funcionamento escolar, social, profissional ou em outras áreas, duração necessária de 6 meses, e a idade mediana de início é ali a adolescência, por volta dos 13 anos. Aí a gente tem também transtorno de agorafobia, que é um medo acentuado, excessivo e preocupante de sair de casa, de entrar em locais públicos fechados ou abertos, em meio a multidões ou em meios de transporte e não tem sintomas físicos, o comportamento é evitar situações que provocam medo.

E essa perturbação, ela prejudica o funcionamento escolar, social, profissional, né? Todos acabam sendo parecidos porque é isso, são situações que acabam atrapalhando ali a vida da pessoa mesmo no geral, né? A duração necessária dos sintomas é de 6 meses E a idade mediana de início é o final da adolescência, ali por volta dos 20 anos. Outro transtorno é a síndrome do pânico, também muito conhecida, né? Consiste em ataques de pânico recorrentes e inesperados, com manifestações mentais persistentes.

Por exemplo, medo, medo de perder o controle, ou um sentimento de alienação. Os sintomas físicos são múltiplos sintomas, por exemplo, palpitações, dispneia, sudorose, dor no peito, tontura, parestesia, náuseas. É um pane no sistema assim total, né? E o comportamento é isso, alterações comportamentais desadaptativas relacionadas aos ataques. E esse distúrbio, ele prejudica também o funcionamento social, escolar, profissional e outras áreas.

A duração necessária dos sintomas é de 1 mês, né, para ser considerado transtorno, e a idade mediana de início é a idade adulta, por volta dos 25 anos. E o transtorno de ansiedade generalizada, por último, que é essa preocupação e medos acentuados, incontroláveis e ansiosos em relação a eventos e problemas do dia a dia. Os sintomas físicos são inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular, distúrbios do sono ou uma excitação assim muito grande.

E esse distúrbio, ele prejudica também o funcionamento social, escolar, profissional ou em outras áreas. Tem duração necessária de 6 meses dos sintomas e a idade mediana de início é a idade adulta. Por volta dos 30 anos, tá? Então esses são os tipos de ansiedade. Não sei se você já é diagnosticada com algum desses tipos ou se não é, mas imagina que seja, se identificou. Mas é barra pesada, infelizmente é muito comum. E enfim, desejo sorte para todas nós para que a gente lide de frente com essa monstrinha chata.

Mas deixa eu contar para vocês um conto. Deixa eu contar um conto que não é um conto, mas enfim, algo que rolou comigo, né? Eu comentei com vocês que ia rolar o evento lá no MIS, o Museu da Imagem e do Som, e que seria basicamente a exibição dos dois filmes que eu fiz, o Respira e o Avesso de Mim, e um debate após a sessão com a Maria Júlia Kovacs, que é uma especialista em luto, pesquisou luto há décadas, enfim. Chiquérrimo. E, cara, como eu nunca tinha feito e participado de um debate, e eu tava organizando, né, eu que fui procurar possíveis convidadas, né, e encontrei a Maria Júlia, tava produzindo também o evento, né, junto com os produtores do Miss, mas eu que tava de produção dos meus próprios filmes.

E enfim, da minha parte do evento, junto com a minha irmã, obviamente, que também faz os filmes comigo e tudo, né. Mas a gente nunca tinha feito um debate. E desde que a gente fechou lá, que o Miss falou, não, vamos fazer então, tudo certo, e vai ser tal dia. E aí faltava mais ou menos um mês assim pra rolar o evento. E aí eu pensei, cara, eu quero muito achar alguém que seja especialista em luto pra falar sobre luto, né? Que são temas presentes no filme.

No Respira, o luto de uma pessoa mesmo que se foi. E no Avesso, o luto de uma uma personalidade ali da personagem, que não é uma personalidade não, mas uma identidade que ela não se identifica mais, uma identidade que não convém mais a ela, né, não faz mais parte da vida dela. E aí toda a vida que ela tinha, as relações, o trabalho, todas as áreas acabam se modificando. E aí tem um luto por essa pessoa que a gente era e também pela pessoa que a gente de repente percebeu que a gente não se permitiu ser.

Então, dois tipos de lutos diferentes. E foi isso assim, aí eu fiquei, cara, quero muito achar essa pessoa. E aí fiquei procurando pessoas e aí mandando mensagem. Foi isso. Aí tá, conseguimos, a Maria Júlia topou, fechou, tudo certo. Aí eu, tá, então agora que eu preciso fazer assim de mais urgente é mandar convite para as pessoas, certo? Aí a gente preparou uma mensagem bonitinha e começou a convidar as pessoas. E enquanto isso também fechando outros detalhes com o Mishui, do tipo, ai, posso levar fotógrafo?

Quantas pessoas tem na sala? E a gente vai servir uma comida, um aperitivo ou não vai, né? E enfim, várias coisinhas de produção e a vida normal, né, seguindo. E aí, um belo dia, eu tava viajando, eu tava em Sorocaba, e aí eu pensei, cara, alguém vai ter que mediar este debate. Eu não tinha parado para pensar nisso. E aí foi engraçado que no mesmo dia meu irmão me mandou mensagem e falou, Ju, então a gente precisa conversar, né, com a nossa convidada, marcar uma reunião com ela, ver como que vai ser essa conversa.

E aí no mesmo dia a Maria Júlia também mandou, gente, e aí, o que que vocês esperam de mim, né, nesse debate e tal? E aí eu fiquei, caramba, é verdade, gente, alguém tem que mediar o debate, alguém tem que preparar as perguntas, né? Aí eu respondi para Maria Júlia assim, ó, a gente tá preparando as perguntas aqui, já te mando. E aí eu e minha irmã lá pensando, pensando, e a gente tinha mais uma convidada também que é a Gabriele.

E ela foi a nossa protagonista do O Avesso de Mim, né? E aí eu pensei, cara, tá, vamos pensar então nas perguntas da Maria Júlia. A gente perguntou nas dela, mandou para ela, ela falou, ah, ok, vai ser ótimo responder. E é isso, para ela foi muito simples, porque eu tinha já muitas dúvidas sobre luto. É um tema que me acompanha muito tempo, até tem o primeiro episódio, né, sobre morte, que não sei se vocês já viram, mas Que é isso, assim, o tema morte ele tá presente na minha vida faz um tempo já e eu tinha muitas dúvidas para ela.

Então ela ama cinema também, então foi simples assim de pensar. Mas para Gabi eu não tava muito segura porque eu não queria fazer perguntas muito rasas do tipo, ai, você gostou da personagem? Você acha que arte cura? Umas coisas assim, que são as coisas mais óbvias que a gente pensa de início. E aí eu, no dia assim, né, isso, quando a gente teve esse insight, já tava em cima da hora assim. E aí foi uma imaturidade no sentido de não se preparar para esse debate com o tempo.

A gente teve um mês para produzir tudo, não era tanto tempo assim também. Mas se a gente desde o começo tivesse pensando nisso, mas a gente nem se ligou. E foi muito louco que eu, minha irmã e a Maria Júlia tivemos esse estalo no mesmo dia. A Maria Júlia, ela já participou de muitos debates, né? A gente já assim, já falou em público e tudo. Eu falo aqui no podcast, sou atriz também. Então tipo assim, não é um negócio, meu Deus, nunca estive num palco, nunca falei com pessoas, nunca tive que improvisar ali.

Não, isso não é um problema para nós. Então estávamos tranquilas em relação a isso, mas debate assim a gente nunca tinha feito um e a gente já convidando as pessoas, o Miss já tinha feito a arte, escrito debate com Maria Júlia Kovacs e tal. E a gente tipo, caramba, é verdade. Imaturidade, imaturidade, não no sentido de pessoa imatura, ela se nega a se aperfeiçoar, ela se nega a olhar para as questões que ela tem. Mas imatura no sentido de realmente nunca ter passado pela situação.

E aí quando a gente teve esse estalo, já tava em cima da hora. E eu só sei que a gente já tinha depois, né, feito as perguntas pra Gabi, mas eu não tava satisfeita. Acho que não tava honrando ali a pessoa que ela é e o arsenal de coisas que ela tinha pra compartilhar, porque ela é uma grande produtora cultural também. Então ela tem muita coisa pra falar e pra somar ali na nossa discussão e pensar cinema. E, né, eu senti bastante essa responsabilidade de, cara, a gente vai estar ali num lugar de prestígio, com um microfone microfone na mão, num palco, com a luz apontada para nós.

E a gente tem essa responsabilidade de passar boas ideias. Eu quero que as pessoas saiam de lá inspiradas, eu quero que as pessoas saiam de lá refletindo sobre os filmes, mas também sobre a conversa. Eu quero que essa conversa some para as pessoas e para nós também enquanto profissionais, obviamente, porque foi uma honra, um prestígio. Eu tava muito grata com esse, com esse evento. E enfim, A gente quer levar o filme para outros lugares também, porque essa troca com as pessoas é o mais importante, né?

Para mim, pelo menos, é o mais importante pensar o filme para além do filme também. Mas enfim, no dia do evento eu tava o dia inteiro ainda matutando as perguntas da Gabi. Eu queria alterar duas delas que eu não tava satisfeita, e eu fiquei o dia todo nessa função, mas assim, outras funções, né, vivendo a vida normal, do tipo, ah, preciso preparar meu almoço, até as demandas que eu tinha ali no dia, o tempo que eu fiquei livre assim mesmo para me arrumar, sei lá, escolher o meu look, foi muito pouco, muito, muito pouco.

Só sei que uma hora eu acendi uma vela e falei, gente, meus guias, por favor me ajudem, me mandem essas perguntas, perguntas que sejam boas, que façam a conversa fluir, por favor me mandem. E fui tomar um banho, e aí as perguntas vieram no banho. Graças a Deus, aos meus guias que eu acendi a velinha, eles nunca me deixam na mão. Foi isso assim, aí deu tudo certo. Mas o look, eu fui no look, sabe, aquele look básico que é, cara, sempre vou ter ele ali disponível.

Coringa é a palavra que eu queria. Mas foi isso, sobretudo preto e tal, uma calça jeans, um cinto, uma blusinha preta por baixo também. Fui de tênis que tava chovendo para caramba, levei um um salto para hora do debate só. Esqueci de colocar o salto. Enfim, enquanto eu tava lá, tudo deu certo assim. Até no caminho eu já tava assim, cara, beleza, vai dar tudo certo, né? Claro, eu tava com a minha colinha ali do debate olhando, lendo e relendo.

E a gente levou a colinha para o palco mesmo, eu e minha irmã. A gente assumiu, a gente fez graça. É isso, a gente é acostumada na hora do vamos ver, improvisar, e dá tudo certo geralmente. Durante assim foi de boa, só que é isso, a hora que eu entrei no Uber para voltar para casa, o meu corpo reagiu assim, ele se permitiu sentir tudo que eu tava assim tensa, porque eu passei ansiosa o dia todo, mas eu tava ansiosa enquanto eu tinha que fazer outras coisas.

Então era aquilo, eu não podia parar e só sentir a minha ansiedade, ou não, sabe, tipo, eu tava com as horas, minutinhos contadas. E aí, a hora que eu entrei no Uber, a gente ia chegar em casa, ia tomar umas cervejas para comemorar. Nada disso, minha filha. Eu entrei e aí foi horrível, foi assim um pesadelo o caminho todo, porque eu tava com meu namorado, né? E a gente começou a relembrar e falar, nossa, isso foi muito legal, nossa, isso aqui foi legal.

E eu falando com ele, aí minha mãe ligou também E eu fiquei falando com ela sobre outros assuntos, nem falei que eu tava mal vestida, só falei, ah não, é muito bom, não sei o quê, que ela não conseguiu ouvir, né? Mas por dentro eu tava assim me segurando para sobreviver, sabe? Tava sobrevivendo mesmo, que me deu vontade de vomitar, me deu dor de barriga, me deu assim tudo, tudo que eu podia ter ali eu tive, sabe? A boca quando fica meio formigando, meio dormente assim, e Pressão, acho que caiu.

Não sei dizer exatamente o que eu senti, eu só sei que deu o pane, né, no sistema. E aí eu me segurando assim para não vomitar e sim ficar bem. Quando cheguei em casa, fui correndo tomar banho. Falei, ó, amor, pede uma pizza aí, que a gente também tava com muita fome. Isso também ajuda assim o corpo, coitado, precisando de uma energia. E aí foi isso, a gente pediu a pizza, comemos a pizza basicamente em silêncio. Que a gente tava querendo um silêncio.

A gente não colocou uma musiquinha, não colocou nada para assistir, não ficamos conversando muito. A gente ficou ali comendo e melhorando, sabe? Depois de comer, de tomar banho, de deitar no escuro assim, foi muito bom. Mas eu falei, cara, foi tanta gente dando oi, dando os parabéns, e tanta exposição, e tanto preparo para essa exposição. E eu tenho uma natureza mais introspectiva, apesar de amar e entender que É assim um propósito meu de vida mesmo me comunicar, sabe?

É o que me faz bem. Mas ao mesmo tempo ainda é difícil para mim quando tem tanta interação assim, sabe? Depois eu preciso de um dia num quartinho fechado assim, escuro de preferência. Foi isso. Aí passei o final de semana ainda um tanto ansiosa e enfim, agora tô melhorando. Mas é isso. Isso não quer dizer que eu não tenha ficado muito feliz com esse evento, com essa oportunidade, que eu não tenha ficado grata que eu não tenha amado cada pessoa que tava ali, e cada pessoa que não tava ali me mandou uma energia também.

Tipo assim, tudo isso dentro de mim ao mesmo tempo que essa ansiedade. E eu acho que isso é exatamente como ansiedade é, tá ligado? E tem o fato também de ser uma primeira vez, né? Eu acho que primeiras vezes tem essa característica de ser assustadora mesmo. De você não saber direito como se preparar, não saber direito o que esperar. E é isso, eu no fundo eu não tenho aquele mutismo seletivo, por exemplo, eu sabia que eu ia desenrolar.

Então no fundo eu ainda tinha essa confiança no meu taco, mas mesmo assim foi sofrido, né? Isso, cada um tem um tipo ali, uma característica, né, de ansiedade. E agora com certeza no próximo debate que eu vou dar um jeito dele existir, vai ser bem mais tranquilo. Mas é isso, fiquei pensando como para mim é muito importante isso de se preparar com antecedência, né? Porque, cara, se eu tivesse aquele dia todo sem nada para fazer, tivesse desmarcado qualquer tipo de compromisso, já tivesse preparado as minhas comidinhas ou comprado a minha comida, tivesse já escolhido a roupa com antecedência e tivesse pensado nas perguntas com antecedência, eu teria o dia Pra dar vazão pra essa ansiedade.

Eu estaria ansiosa? Estaria. Mas eu poderia fazer uma yoga bem tranquila, poderia meditar, poderia ficar pensando em outra coisa, poderia ver minha série. Porque eu lembro que nesse dia eu coloquei a minha série pra enquanto eu almoçava, a série que eu tava vendo, que é um doraminha delícia. Vou falar dele daqui a pouco. Acho que eu nunca falei de dorama aqui no podcast, inclusive, né? Mas eu adoro dorama, gente. Adoro. Não sou a dorameira mais dorameira de todas, mas vira e mexe eu tô vendo um doraminha.

Gosto da poética deles, do estilo de narrativa deles. Enfim, gosto de ficar vendo a Coreia também, gosto dos cenários da cidade. Quero muito conhecer Seul, a ilha de Jeju, enfim. Mas é isso aí, o momento que eu assisti ali Meu Doraminha no almoço, acho que foi o momento mais calmo do dia, porque eu me desliguei daquilo, entendeu? E só que é isso, eu pude ver ali só naqueles 20 minutos 30 minutos e depois eu não pude mais, né? Tinha coisa para fazer.

Ano da próxima eu vou me preparar melhor, porque eu acho que a gente também tem que aos poucos ir entendendo como eu, sabendo do meu funcionamento, sabendo dos meus maiores medos, como eu me preparo, né? Vamos fazer armadilha ali do bicho, vamos escolher o nosso melhor abrigo, Vamos trazer essa coisa aqui na selva, já seria necessário para a nossa realidade de hoje. E às vezes são coisas bem mais fáceis, né? Preparar uma armadilha para uma onça parece bem mais difícil do que escolher o meu look um dia antes, do que preparar minha comida um dia antes, do que desmarcar todos os meus compromissos num dia que eu já tenho um compromisso que para mim é muito importante, sabe?

Então queria compartilhar com vocês porque foi sofrido para mim, ao mesmo tempo que foi uma delícia, e trouxe uma dica para vocês. Que vira e mexe eu utilizo e funciona muito, e que é muito gostoso, e que serve para quando você tiver com pouco tempo, que é: entra no YouTube. Às vezes, sei lá, você tá ansiosa no trabalho, e aí você tem seu horário de almoço, aí você acha um cantinho lá, e aí você faz isso: entra no YouTube e coloca ansiedade Prileite, ou crise de pânico Prileite, é 20 minutos, 15 minutos.

E aí tem lá a Prileite, ela é uma instrutora, né, professora de yoga, que ela tem muitos vídeos de yoga no YouTube. Ela faz de um jeito bem leve. Você começar a praticar yoga com ela é bom porque ela não te assusta num sentido de já trazer posturas muito completas, complexas ou de fazer aulas muito longas, ficar trazendo muitos nomes complicados de uma vez. Enfim, ela traz uma prática que eu acho que ela é bem popular e ela é rápida.

Então, se você quer começar a fazer yoga, eu acho que a Dili é um ótimo caminho. E depois, né, você quer se aprofundar, quer coisas mais complexas, enfim, aí você vai estudar filosofia da yoga, aí você vai ter uma professora particular, aí você vai atrás de conhecer. Mas enfim, essa yoga para ansiedade, para crise de pânico, você nem precisa de tapetinho. Consiste basicamente em respirações, são coisas muito simples de fazer. Se você nunca fez, não precisa se assustar, super vai dar para fazer e vai te ajudar muito.

Se você tá tendo uma crise, se você tá muito ansiosa, coração muito acelerado, respiração muito curtinha, entra lá e faz. Ela é um amor de pessoa assim, então É gostoso ouvir a aula dela também porque ela é muito carinhosa. Eu acho uma dica de ouro assim, porque é realmente 15 minutinhos, 20 minutinhos, e dá um alívio muito grande. Então fica aí a dica e vamos para pesquisa científica. Bom, gente, eu encontrei esse artigo que ele é de 2021.

E ele é da revista científica The Lancet, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo, assim. É de vários pesquisadores: Brenda Phoenix, Daniel Pine, Emily Holmes, Andreas Riff. E é importante eu dizer que essa não foi uma pesquisa experimental específica, assim, como a gente viu no episódio sobre o medo, da fobia com as aranhas e tal. Eles não fizeram nenhum experimento, não recrutaram participantes, enfim. O que eles fizeram foi uma revisão científica mesmo.

Já trouxe outras revisões também, então vocês já devem saber mais ou menos do que se trata, mas é isso. Mas se você não sabe, é isso, eles analisam vários estudos, assim, centenas de estudos que já foram publicados sobre o tema, que no caso transtorno de ansiedade, e o objetivo é analisar tudo e fazer um bem bolado ali. O objetivo é sempre entender como é que tá a situação no momento. Então pega tudo que já aconteceu e reúne num lugar, sabe?

E nesse caso, o objetivo era entender o que que a ciência sabe atualmente sobre as causas, o funcionamento, a frequência e o tratamento da ansiedade. Uma das primeiras coisas que os autores destacaram assim é que os transtornos de ansiedade são o grupo mais comum de transtornos mentais no mundo. Segundo esses estudos que eles analisaram, entre 20% e 30% das pessoas apresentaram algum transtorno de ansiedade entre adolescência e o início da vida adulta, que realmente é uma fase assim muito difícil, né?

E entre os adultos, entre 10% e 14% da população assim atende aos critérios para ser diagnosticado como tendo, né, um transtorno de ansiedade em um determinado ano, ou seja, por um ano, seja ele qual for. E isso significa que a ansiedade, ela não é uma experiência rara, não é uma experiência excepcional. Na verdade, ela é muito comum, né? Ela tá entre as formas mais comuns de sofrimento psicológico conhecidas atualmente. E eles chamam atenção nesse estudo para o fato de que a ansiedade, ela costuma surgir por volta ali dos 6 anos de idade.

Então ela começa ainda na infância. As fobias específicas por volta dos 8 anos, e a ansiedade social geralmente começa no início da adolescência. Isso sugere que muitas pessoas, elas convivem com essas manifestações de ansiedade muito antes delas aprenderem a dar nome para elas. Então eu acho que é algo grandioso demais para a gente não dar atenção, para a gente não olhar para isso. Precisa olhar para isso. Outro ponto que entrou na discussão ali foi o papel da genética nisso tudo, né?

E a revisão mostra que existe sim um componente hereditário. Nem sempre, né? Mas é isso. As estimativas sugerem que os fatores genéticos, eles explicam aproximadamente 35% dos casos de ansiedade generalizada e cerca de 50% nos casos de transtorno de pânico, ansiedade social e agorafobia. Mas ao mesmo tempo eles trazem também essa informação de que não existe um único gene de ansiedade, né? O que existe é uma combinação complexa de muitas variantes genéticas pequenas interagindo com as experiências de vida da pessoa.

Então, em outras palavras, né, algumas pessoas elas podem nascer com um sistema de alerta mais sensível, mas a genética sozinha assim ela não determina quem vai ter transtorno de ansiedade ou não. É uma predisposição ali que algumas pessoas já têm mais por conta da genética. E aí, dependendo das situações que ela passa na vida, isso vai se desenvolver. E eles também trazem que além da genética, o ambiente tem um papel fundamental.

Então assim, experiências estressantes, traumas na infância, separações importantes, grandes, estilos parentais excessivamente protetores, Então pais superprotetores atrapalham muito no sentido de contribuírem muito para que a pessoa, o filho ali, seja ansioso. Porque quando os pais são superprotetores, eles vão limitar a criança de enfrentar algumas situações assustadoras, né? Porque eles estão superprotegendo e eles acham que isso tá fazendo bem.

Só que a confiança emocional, que é algo que a gente tem que ter para combater a ansiedade, ela se desenvolve justamente quando a gente enfrenta esses pequenos medos, essas pequenas situações já na nossa infância, né? E aí, quando os pais são superprotetores, eles impedem que a criança viva isso. Então pode ser que ela tenha muito mais medo antecipado, né? Seja muito mais ansiosa, porque aí a criança não consegue viver que tá difícil, mas eu vou sobreviver.

Porque elas nunca precisam enfrentar e passar e ver que sobrevive de fato. E aí outro dado que tem também nessa pesquisa é em relação à depressão, porque entre metade, quase 2/3 dos adultos que têm transtorno de ansiedade também têm depressão. E aí eles até citam um estudo que rolou na Dinamarca com mais de 3 milhões de dinamarqueses ou seja, bastante gente. E a conclusão que eles chegaram é que quando você sofre de transtorno de ansiedade, aumenta entre 3 e 5 vezes o risco de você desenvolver depressão posteriormente.

Tem muitos pontos comuns entre a ansiedade e a depressão, né? Fatores genéticos, psicológicos, sociais, biológicos, tem muita coisa em comum. E parece ali que eles fazem parte do mesmo tipo de vulnerabilidade humana. Então é muito comum também. Em relação a tratamento, o que os pesquisadores chegaram é que os tratamentos com maiores respaldos científicos atualmente são terapia, especificamente a TCC, a terapia cognitivo-comportamental, e os medicamentos que atuam nos sistemas de serotonina do cérebro.

Segundo eles, essas duas abordagens são as mais eficazes e elas podem ajudar a reduzir significativamente os seus sintomas de ansiedade. Por que que a TCC ganhou esse destaque, né, e não outros tipos de terapia? Foi porque a maior parte das evidências científicas disponíveis para psicoterapia em transtornos de ansiedade foram produzidas utilizando essa abordagem da TCC, porque geralmente também é um tratamento assim de curta duração, geralmente 8, de 8 a 20 sessões.

E o foco não tá só em falar sobre os problemas, mas em aprender habilidades práticas para lidar com esses problemas no dia a dia e com a sua ansiedade. E a TCC, ela trabalha na direção oposta daquilo que a ansiedade costuma pedir, porque quando a gente tá ansioso, a nossa tendência é evitar situações desconfortáveis, buscar garantias de que nada de ruim vai acontecer, ou tentar ou tentar controlar as incertezas, né? A ansiedade odeia incertezas.

E na TCC, a pessoa é incentivada de forma gradual e de forma segura, né, a se aproximar dos seus medos ao invés de fugir deles. E é isso, o objetivo é que o cérebro aprenda que nem toda ameaça imaginada ela se concretiza, né? E que a gente é capaz sim de enfrentar situações difíceis sem sermos destruídas por elas. E aí tem também, né, a revisão concluiu também que esses diversos medicamentos antidepressivos, eles têm sim uma boa eficácia para os transtornos de ansiedade, principalmente os chamados inibidores seletivos da recaptação de serotonina, os ISRS, e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, os ISRSN.

Esses medicamentos, eles estão em destaque aqui porque eles demonstraram resultados positivos em quadros como ansiedade generalizada, transtorno de pânico, agorafobia, ansiedade social. E os autores observaram, né, que esses medicamentos, eles não produzem efeitos imediatos. Em geral, os benefícios, eles começam a aparecer depois de umas semanas de uso. E eles também recomendam que o tratamento seja iniciado com doses baixas, especialmente porque pessoas com transtornos de ansiedade, elas costumam ser mais sensíveis aos efeitos colaterais e às sensações corporais que esses remédios vão provocar.

E é isso, eu acho que a conclusão mais importante da revisão não é que tem uma solução única para todos os casos, né, que algumas pessoas respondem muito bem à psicoterapia, outras se beneficiam mais da medicação. Muitas vezes a combinação das duas estratégias juntas produz um melhor resultado. Eles defendem que o tratamento seja adaptado às necessidades de cada pessoa. Em vez de seguir uma fórmula universal, né? E eles também deixam uma nota que, apesar dos avanços, ainda existem muitas pessoas que elas não melhoram completamente com os tratamentos disponíveis, e que a resistência ao tratamento continua sendo um desafio importante, e que a ciência ainda busca formas mais eficazes e mais personalizadas de ajudar quem sofre de ansiedade.

Acabei não falando o nome desse artigo, né? Mas é transtorno de ansiedade. Deixei o link para vocês. É isso, gente. Eu acho que também, obviamente que eu vou falar disso, tem também os tratamentos holísticos, né? Eu acho que tem várias coisas. Acho que você praticar atividade física, claro que a gente é foda assim, quem ainda não pratica tem uma resistência muito grande. Pessoas que estão vivendo ainda no sedentarismo, elas podem estar cansadas.

Se você é essa pessoa, você pode estar tipo assim, ai, que saco, vai falar de novo disso. Que precisa de atividade física. Mas é que realmente, gente, assim, faz muita diferença. A sensação tal assim depois é muito especial, é muito importante, cara. Se eu fico alguns dias sem fazer, eu fiquei, né, agora por conta do meu quadril, tô voltando. Não era nada no ciático. O retorno na verdade ainda vai rolar, é amanhã. Então eu não tenho exatamente o que é, mas ele descartou ciático.

Enfim, Já fez uma grande diferença, gente. Eu acho que até esse dia que eu falei que eu fiquei muito ansiosa, né, eu acho que se eu tivesse com a minha atividade física em dia, sabe, se eu tivesse reservado um tempinho para sair correr, se eu pudesse correr, né, o médico me aconselhou a não correr nesse período enquanto ainda não sei qual é o lance do quadril, mas, cara, com certeza teria ajudado muito, ajuda muito assim, né. É bizarro a hora que eu tô ali no meu tapetinho de yoga ou quando eu vou para academia, é muito bom.

E você tá com a sua alimentação em dia, uma boa alimentação, uma alimentação variada, uma alimentação com folhas, com legumes, com cores. Claro, gente, é um privilégio também, né, se alimentar bem. Mas se você pode, não abra mão disso, faça essa escolha, porque tudo isso vai interferir no teu emocional, sabe? E tratamentos holísticos também. Tem a terapia integral, que eu trouxe já para vocês em outros episódios, que é muito legal.

Milhares de tratamentos holísticos, tratamentos alternativos. Tem a medicina oriental, que ela é muito diferente da medicina tradicional, né? Tem os florais, tem as nossas medicinas da floresta, tem um monte de possibilidades. Com as medicinas da floresta tem que ver qual é a sua questão. Algumas não são aconselháveis para alguns tipos de problemas, de transtornos. Enfim, também se informem, também vão atrás de lugares e fontes mais confiáveis.

Mas existem inúmeras possibilidades. E também existe o que eu tava falando para vocês, que é, cara, se conhecer, entender quais são as coisas que disparam isso em você, se armar, se munir, se organizar mesmo, trabalhar isso, se organizar para que a sua vida seja mais fácil, para facilitar para você nesses momentos. É, mas é isso. Para entender o que é melhor para você, você precisa se conhecer, E aí exige tempo, né? Escrita, você colocar para fora, você, sei lá, gravar um áudio falando o que você está sentindo, conversar com as pessoas.

Na terapia é importante, mas também ter amigos confiáveis que vão te dar pontos de vista diferentes, consumir obras, né, livros que falem sobre, filmes que falem sobre, músicas que falem sobre. Arte para mim é sempre assim Açaí é o melhor lugar, sabe, para ter referência de vida, escopo, de como se munir, de como me conhecer. Então é isso. E queria, né, já que estamos falando disso, indicar um filme e uma série também. A série não tava no roteiro, mas como eu comentei dela para vocês, eu queria indicar.

Bom, vamos começar pelo filme que é Backrooms. Eu sei que muita gente tá falando dele, talvez já tenham falado, né? E eu acho que eu tô um pouquinho atrasada, eu sinto que ele fez fama, uma fama maior há um tempinho atrás, mas eu assisti recentemente. E gente, assim, não quero dar spoilers, obviamente eu vou falar ligeiramente sobre ele porque o protagonista ele é claramente ansioso. E o filme todo fala sobre processos psicológicos.

Pois muito bem, backroom, sala dos fundos, é um espaço limiar. Eu não sou muito de filme de terror, na verdade eu não sou nada, eu tô começando agora a ver porque meu namorado ama, e esses mais psicológicos assim eu tenho gostado bastante. E eu descobri que o horror liminar, ele é um subgênero de terror focado no desconforto de espaços vazios, desertos, ou de espaços de transição assim que parecem errados, sabe? Liminal, né? Vem dessa ideia de limiar, de estar entre dois estados.

Então corredores, sala de espera, aeroporto, estacionamento vazio, lugar de passagem mesmo, vocês pegaram a ideia, né? E é isso, lugares de passagem são feitos para você passar, mas não para você ficar ali, permanecer ali. E porra, a ansiedade ela também é uma experiência liminar, né? Porque você não tá no presente, mas você também não tá no futuro que você tá imaginando. Então você fica preso ali numa espécie de corredor mental entre o que existe e o que pode acontecer.

Por isso que eu curti muito esse filme, porque parece que o filme tá o tempo todo falando assim: quer que eu desenhe os nossos processos mentais, os medos, os traumas, as lembranças E ali no filme eles são cenário, eles são personagens concretas. Eu achei isso muito bom. Eu gostei do acting dos atores. Eu já gostava bastante do trabalho da Renata Reising. Enfim, ela protagoniza A Pior Pessoa do Mundo, sabe? Ela tá ótima no filme.

Achei o filme todo bem redondinho assim. O outro ator, eu não sei o nome dele, mas ele é bom também. Enfim, achei o filme todo redondinho, no sentido de que todos os aspectos do filme são bons. A arte tá muito boa, a trilha tá muito boa, trilha sonora, a direção, a montagem, a pós, tudo bem feitinho, sabe? É assim, não é nossa, maravilhoso, é o filme da minha vida, não. Até porque é isso, não é o meu gênero favorito, enfim, os meus filmes favoritos têm outra linguagem.

Mas é um filme bom, é um filme bem feito e indico para vocês. E a série que eu falei Eu vi pelo nome. Acontece muito isso em dorama. Eu sempre escolho dorama pelo nome. Eles têm nomes muito bons, são títulos frase, sabe? Mas o nome desse dorama é— tá todo mundo aqui tentando— é We Are All Trying Here. E ele é muito bom porque, na verdade, assim, eu tô no episódio 9 e agora ele começou a ficar muito bom. Antes ele era bom, e principalmente para mim pelo fato de ser ali uma história que tá no ambiente ao qual eu faço parte, que é esse mundo do audiovisual.

São todos roteiristas e diretores, um grupo de 8 amigos que fizeram faculdade de cinema juntos, e só um amigo ainda não estreou. Todos eles já estrearam, só que esse amigo aparenta ser o mais talentoso, ele é mais fora da caixinha, sabe? Só que ele também sofre muito de ansiedade, muito, muito. E aí tá rolando um experimento tecnológico na série que eles inventaram um relógio que é um relógio das emoções. E aí ele é um relógio redondão assim, ele fica colorido, ou ele fica verde ou ele fica vermelho dependendo da sua emoção.

E aí aparece o nome da emoção também. E aí tá em fase de teste e eles chamaram vários tipos de pessoa para usar esse relógio em vários tipos de experiências humanas mesmo. Pra catalogar essas emoções, pro relógio entender. Ah, então tá, quando o corpo tá assim é essa emoção, quando tá assado é outra emoção. E aí tem o casal, né, sempre tem um romancezinho. E aí tem o casal protagonista, que os dois é esse cara, o mais talentoso lá dos roteiristas, que ainda não estreou, muito ansioso.

E ele, eu acho que ele foi escolhido porque era tipo assim uma pessoa desempregada. E agora eu não lembro exatamente o arquétipo. Eu acho que ela era tipo assim uma pessoa órfã e ele um cara desempregado, algo assim. E aí os dois foram os únicos de centenas de pessoas que estavam fazendo esse experimento que tiveram uma emoção que ainda não havia sido catalogada ali naquele momento do série, uma emoção que ninguém sabia o nome.

E aí chamam eles, né, separadamente para dizer, ó, quando o seu relógio apitou nesse dia, tal hora, o que que tava acontecendo? Parece que o próprio relógio grava quando tem assim uma situação que ele ainda não tem nome, ele grava o momento o áudio daquele momento para pessoa poder lembrar depois. Aí ela falou, ó, tem aqui um momento de uma situação que não se sabe o nome, posso soltar para você relembrar o momento, né, a gravação?

Aí solta para ele e tal, aí solta para ela também o momento dela. E aí a mulher pergunta, como que você descreve, né, que palavra você daria para essa emoção? E aí ela dá a palavra autodestruição, porque é isso, sempre que acontece alguma situação assim que ela se sente muito mal, muito rejeitada, tem várias situações no trabalho dela, e sempre que acontece essas coisas, o nariz dela sangra. E era esses momentos que o relógio não conseguia reconhecer qual era a emoção.

E aí um dia ela comenta que, ah, eu sou a número 38 do experimento. E ele fala, ah, eu sou o último, eu sou o número 4000. E aí no dia que eles estão falando para ele, ele fala assim, ó, só tem mais uma pessoa do experimento todo que sentiu essa mesma reação que você, que ainda não tem nome. Ela trouxe a palavra autodestruição, como você descreveria? E aí, para ele, eu não vou contar o que que era para ele esses dois momentos.

Tiveram dois momentos que para ele despertou o relógio nessa sensação X. A gente ainda não sabe qual seria, né? Eu não vou contar porque acho que é um spoiler. Eu acho que vocês têm que ver, tem na Netflix, tem só 12 episódios. Eu ainda tô no 9, né? Então veja bem, não sei se o finalzinho vai ser bom, mas agora o Tá muito bom. E vocês ansiosinhas de plantão vão se identificar, porque os dois são bem ansiosos barra depressivos, mas muito criativos, muito inteligentes.

Enfim, quando perguntam para ele, fala assim, ó, a participante número 38. Aí ele lembra que é ela, tá ligado? Ele já tá chonadinho por ela. E aí ele fica muito travado assim, ele fica muito mal, ele fica com vergonha da moça que tá falando. Ele tipo não quer falar a situação, mas ele Cara, eu vou dar um jeito de achar essa palavra, de pensar numa palavra, porque pode ser que achando essa palavra eu ajude ela de alguma forma, né?

Ele não chega a verbalizar isso, mas você entende que é isso. Porque é isso, né, gente? Quando a gente nomeia a emoção, quando a gente sabe o que a gente tá, pelo que a gente tá passando, quando a gente dá nome aos monstros, a gente pode falar para ele ficar quietinho, né? Porque daí a gente conhece ele. Ele chegou, a gente fala, ah, ele de novo, né? Então fica aí. Eu sei que você tá aí, beleza, mas já te conheço. É bem menos assustador do que tá acontecendo uma coisa que você não sabe.

Então ele fica lá, não, eu vou achar a palavra, eu vou achar a palavra. E a palavra que ele acha é socorro. Ele não discorda do autodestruição, mas ele fala, cara, não é exatamente isso, eu acho que é socorro. E enfim, aí é muito bonito ver como a partir do momento que eles nomeiam, como eles conseguem lidar de uma outra forma com isso tudo, sabe? Ah, eu achei muito legal. Não sei ainda como vai acabar a série, mas eu super indico para vocês.

E por isso que eu gosto de dorama, entendeu? Olha que roteiro diferente, gente. O que acontece em dorama, os primeiros episódios eles costumam ser mais enroladinhos. É difícil você achar um dorama, pelo menos da minha perspectiva, né, do meu gosto. A minha irmã também assiste, a gente compartilha da mesma opinião. É difícil achar um dorama que desde o início ele seja muito bom. E se você nunca assistiu um dorama, você também vai ter aquele tempo de adaptação, né?

Teve outro momento que eu indiquei uma série turca aqui, falei que é importante assistir obras de outros lugares, a gente conhecer outras culturas, né? Quem pode viajar para esses lugares, ir para esses lugares, enfim, mergulhar na cultura, na música, na literatura e no audiovisual também. Só que claro que precisa de adaptação. Primeiro que você provavelmente vai precisar da legenda se você não for fluente em coreano, vai precisar então ver legendas.

Eu sei que tem gente que não gosta, que precisa se adaptar a isso também, que só consome coisas em português, vai ter que se adaptar com legenda. Também tem uma questão de que tudo é diferente, entendeu? Então os personagens, a gente entende as pessoas não só pelo que elas estão falando, né? A gente vai entendendo a personagem ali através da observação de como ela tá falando, do que ela tá sentindo e tal. E aí quando é uma outra cultura, com uma outra língua, são seres humanos que vive em outro clima e que tem outra temperatura e que tem outra cultura e tem outro jeito de lidar com as coisas.

Então não consegue muito entender as emoções dele nas entrelinhas, né, no subjetivo. Depois de assistir muito, cara, hoje eu entendo assim até palavras coreanas. Às vezes eu escuto, eu já sei o que estão falando, as reações. A língua tem outra musicalidade e que com o tempo você vai pegando, mas tudo isso tem que acostumar o cérebro. E no começo isso deixa a experiência um pouco mais desconfortável, não sei. Para algumas pessoas eu sei que é, para mim eu não senti não, fiquei muito curiosa.

E é isso, hoje em dia eu gosto muito porque tem esses roteiros que são muito diferenciados, sabe? Quando que ia pensar nisso? Ah, fazer um relógio das emoções e aí tá em fase de teste, não sei o quê. E ao mesmo tempo ele é um roteirista que quer estrear e nunca estreou, e aí já traz várias questões das relações. Porque no começo você fica, mano, bando de amigos deles são bando de cuzão. Por que que eles são cuzão? E aí depois você vai entendendo as relações por trás.

Eles também nunca entregam as coisas de cara. Eu acho isso muito legal, porque aí quando você vê, você já tá julgando para caramba uma pessoa. E aí quando você entende o background, você fala: nossa, velho, tava mó julgando errado, tava mó, né, tava julgando por ser só. Aí você fala: nossa, por que que eu tô julgando? Já fica meio assim. Enfim, gosto muito dos doraminhas, muito, muito. Também acho que acontece mesmo com as obras turcas, que é a trilha, parte musical ali, que isso é um dos pontos que eu não gosto tanto.

Também não gosto muito de um recurso que eles usam muito nos doramas, que é a câmera lenta assim do nada. E uma coisa que eu acho muito interessante, engraçadinha até, e que no começo me confundia muito, é que eles colocam as câmeras nos lugares muito legais, aleatórios assim, por exemplo, tá mostrando uma cena aqui, beleza. Aí primeiro que eles na hora de gravar, eles gravam muitos planos. Ele tá na frente da farmácia, eles colocam uma câmera dentro da farmácia, uma lá na rua assim, dos dois lados da rua, do outro lado da calçada.

E aí eles gostam muito de colocar assim atrás das árvores com algumas folhas na frente. E aí no começo eu ficava, cara, será que tem alguém escondido ali? Vai sair alguém dali? Tem alguém espiando, que aqui no Ocidente a gente usa esse recurso mais quando de repente, né, tem uma pessoa ali, é o olhar da pessoa que tá ali. Mas lá não, eles usam só pela estética mesmo. E enfim, interessantes. Mas é isso, sem mais delongas, acho que falei muito porque eu tava com saudade também.

Vamos de poesia, vamos lá. Ansiedade. Eu que sempre gostei de imaginar, agora me esforço para ter os pés bem fincados no chão. Houve um tempo em que viver num futuro hipotético foi a minha salvação. Quem diria que esse futuro chegaria, hein? Quem diria que essa minha habilidade de me manter bem longe enquanto eu tô aqui me faria sofrer enquanto parte de mim só quer aproveitar e agradecer? Minha imaginação é meu bem mais precioso, é meu refúgio, é meu trabalho, é minha máquina impulsionadora de transformações.

Mas a vida é dual e a minha imaginação às vezes cria os cenários mais assustadores possíveis. E eu que aprendi que tudo que eu crio dentro de mim pode se tornar real, nesse momento tenho que me lembrar de ficar com os dois pés no chão. Imaginar é o meu céu e meu inferno de cada dia. É isso, minha gente, é isso. Bom, se você ouviu até aqui, deixa um emoji de nariz para você lembrar de inspirar e expirar quando a ansiedade vier te assombrar.

Eu confio em você. Vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá. Se quiser me seguir no Instagram, é @juliariquez, com Z. E não esquece de seguir esse nosso podcast aqui querido no Spotify, é muito importante para nós. E cara, senti muita falta de bater um papo com vocês, ó. Ai, um beijo e tchau tchau!

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Yoga para ansiedade e crise de pânico
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