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O PIOR LADO DE MORAR FORA: Quando alguém que você ama adoece | Garra Brazuca #7 | Roger Magalhães

20 de setembro de 202613min
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Descubra o lado oculto da imigração e o custo emocional de estar longe da família em momentos de perda.
Roger Magalhães compartilha um relato íntimo sobre a partida de sua mãe e as promessas que motivaram sua jornada no exterior.


Neste episódio do Garra Brazuca, abro meu coração sobre um dos maiores desafios de morar fora: lidar com a ausência definitiva de quem amamos.
Relembro minha infância em Santo André, as dificuldades financeiras da minha família e como o desejo de dar uma casa para minha mãe me impulsionou a buscar uma vida melhor na gringa.
É um desabafo sobre o suor, a reinvenção e a realidade que as redes sociais não mostram quando decidimos atravessar o oceano.

• O impacto emocional de receber a notícia do falecimento de um ente querido à distância.

• A motivação real por trás do sonho de morar fora e a promessa de uma vida melhor.

• Reflexões sobre os bens materiais versus o tempo perdido longe de casa.

• A trajetória de uma família de imigrantes internos no Brasil que moldou a resiliência brazuca.


Se você também vive longe ou planeja imigrar, compartilhe sua história nos comentários. Vamos nos apoiar nessa jornada que é cheia de garra, mas também de muita saudade. 🇧🇷
00:00 — "Só vê as pingas que eu bebo": os tombos de quem mora fora 00:38 — Eu nunca imaginei contar a minha história (minha mãe faleceu há uma semana)

02:45 — A promessa de voltar todo ano e o incêndio que mudou tudo 05:07 — Não pude ir ao velório do meu pai: o preço da distância

07:29 — Não faça a conta do dinheiro pra ver quem você ama

09:55 — Meu agradecimento ao ICESP: ela nunca virou número

12:20 — O que é Garra Brazuca pra mim: a coragem de chorar calado
#GarraBrazuca #MorarFora #Imigração #Saudade #VidaNoExterior
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🎙️ GARRA BRAZUCA
Histórias reais de brasileiros que ralaram (e ralam) na gringa — sem filtro. 

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Participantes neste episódio1
R

Roger Magalhães

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Assuntos5
  • A dor de perder um ente querido à distância e a impossibilidade de estar presentenão pude ir ao velório do pai·mãe faleceu há uma semana·acompanhar a mãe até os últimos momentos·não ter recurso financeiro para voltar
  • O lado oculto da imigração e o custo emocional de estar longe da famíliamedo de alguém adoecer no Brasil·sacrifícios de morar fora·vida não espera·promessa de voltar todo ano
  • A importância de valorizar a família e não fazer conta do dinheironão fazer a conta do dinheiro·perder a oportunidade de ver a família·bens materiais versus tempo perdido·manter os vínculos familiares
  • O atendimento humanizado no ICESP durante o tratamento da mãeagradecimento ao ICESP·carinho e atenção da equipe·mãe nunca virou número·profissionalismo de todos
  • O significado de Garra Brazuca como resiliência e coragem de chorar caladovontade de dar certo·coragem de sair para fora·engolir o choro a seco·ralar longe da família
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RMRoger Magalhães

Tem um ditado brasileiro que fala que você só vê as pingas que eu bebo, não vê os tombos que eu levo. No sentido de tudo parece fácil para o outro, quando na realidade tem muita coisa que acontece nos bastidores, não é verdade? Quem mora fora sabe como é que é. Hoje eu quero contar um pouquinho dos tombos que quem mora fora leva e muitas vezes ninguém comenta.

RMRoger Magalhães

Garra é a raça, Brazuca é como a gente chama uns aos outros quando se mora fora do Brasil. Aqui você encontra os dois. Garra Brazuca traz conversas com brasileiros e brasileiras que moram ou já moraram no exterior. Alguns se adaptam, outros não, mas todos têm uma história de suor, teimosia e reinvenção para contar. Afinal de contas, o brasileiro não desiste nunca. Então bora lá, pega sua bebida favorita, puxa a cadeira que já vai começar mais um Garra Brazuca comigo, Roger Magalhães.

RMRoger Magalhães

Bem-vindo a mais um Garra Brazuca. Meu nome é Roger Magalhães, eu já moro fora do Brasil há 26 anos e eu criei esse podcast justamente para contar a história de brasileiros e brasileiras que moram ou já moraram no exterior, o que acontece, os perrengues, as vitórias. Os sucessos, as derrotas, as dores, para que outras pessoas que assistem possam aprender com essas histórias. Eu nunca imaginei compartilhando a minha própria história.

A ideia do Carraprazuca era compartilhar a história dos outros. Porém, hoje é um episódio especial. Minha mãe faleceu tem 7 dias e eu vou compartilhar um pouquinho da história de todo mundo que mora fora, que é o medo de quando alguém fica doente lá no Brasil, como é que a gente responde e o que passa na cabeça de todo mundo. É, eu já moro aqui há 26 anos, como eu falei, e demorou 14 anos para ir ao Brasil a primeira vez, termos de se ajustar vida difícil até ter uma condição financeira.

Passaram 14 anos. Na minha cabeça tinha uma imagem quando eu saí de lá do Brasil, né? Parece que ela fica congelada aqui. Imagina que vai estar todo mundo lá te esperando do mesmo jeito. É como se tirasse uma foto e aquela foto ficasse salva na sua memória. E na realidade, o que acontece? Eu cheguei lá, tomei um choque de realidade. Tudo já tinha mudado. O campo de futebol tinha virado prédio, meus pais tinham envelhecido, os amigos tinham cada um ido para um lado.

Aí tem aquele balde de água fria, que a vida não esperou, a vida continuou. Eu prometi para mim mesmo que eu voltaria todo ano, né, para tentar, não exatamente para tirar o atraso, porque já tinham se passado, a água já passou por Guadapão, não tem como voltar, mas seria uma uma forma de tentar preencher, tá, aproveitar mais os meus pais. Então eu ia todo ano quando eu podia, eu ia duas vezes por ano. Meus pais já estavam mais debilitados de saúde, já não poderia aproveitar tanto viajar como gostaria de viajar, mas foi o preço de morar fora.

Todo mundo que tá aqui sabe Tem sacrifícios no meio do caminho, né, quando a gente abre mão de estar perto da família para correr atrás dos seus objetivos. Você passa a viver fora, passa a construir uma vida fora. Tem gente que vem por um período curto, que sabe que dali, daqui um certo período, vai voltar. Mas geralmente a vida não funciona exatamente como a gente planeja, acontecem outras coisas, acabam ficando. Foi o meu caso particular.

RMRoger Magalhães

Particularmente.

RMRoger Magalhães

Eu vim para ficar 5, depois com 3 eu tava cansado, quis ir embora, comprei a passagem. Faltando 4 dias para ir embora, pegou fogo na casa. Eu entendi que aquele era um sinal para eu não ir. E aí tudo mudou, passei a entender que eu deveria ter ficado aqui mesmo e passei a viver de uma forma diferente. Parecia passei a parar de trabalhar tanto, aproveitar mais da vida, resolvi abrir empresa, e assim que a vida andou. Quando eu fui a primeira vez no Brasil, depois de 14 anos, eu percebi aquela distância que tinha acontecido.

Tentei aproveitar ao máximo, tentava levar meus pais para passear quando era possível, dentro das limitações e tudo. Quando meu pai faleceu, eu estava internado aqui com pedra nos rins. Então não pude acompanhar o velório nem o enterro, sobrou tudo para minha irmã fazer a parte burocrática da coisa, dar o suporte emocional para minha mãe. É uma das coisas que quem tá fora tem potencialmente pode passar por isso. Então quando eu fiquei sabendo que minha mãe tava ruim, eu passei a ir mais frequente ainda, tentava ir duas vezes por ano.

O pessoal sabia que eu tava lá. Ô, você vem aqui me visitar, que não sei o quê. Eu falei, não, eu vou tentar aproveitar o máximo de tempo que eu posso com a minha mãe, porque em teoria ela iria primeiro e meus amigos teriam mais tempo, né? Óbvio que a gente não tem controle sobre isso. E em agosto agora ela fez 80 anos. Estava lá para o aniversário dela, mas eu percebi que a situação de saúde dela já tava bem complicada. Voltei e com 2 semanas ela foi internada.

Aí eu falei para minha esposa, a gente tem que ir para lá de novo porque a situação da mãe está grave. Infelizmente ela veio a falecer duas semanas depois. Eu estava lá, pude acompanhar ela até os últimos momentos. Fico muito grato por ter essa possibilidade, mas eu sei que não é todo mundo que tem essa opção, seja por não ter o recurso financeiro, seja por não ter a condição imigratória que possa permitir a pessoa ir. Então bate aquele desespero, né?

Eu vou, largo tudo, deixo tudo para lá. E aonde eu digo que tem que ser uma, tem que pensar com a razão, tem que deixar o coração de lado, porque infelizmente já não tem mais nada que pode ser feito. A partir daquele momento. Se você já construiu uma vida aqui fora, né, precisa ser pensado com carinho se realmente vale chutar tudo para o alto. Às vezes é necessário voltar porque a sua família depende disso, mas tem que ser uma decisão pensada com calma.

O que eu digo O que eu sugiro é não fazer a conta do dinheiro quando você tem uma oportunidade de poder visitar sua família, porque qualquer custo de passagem ele deixa de ser prioridade com 3 meses. Mas perder a oportunidade de ver a sua família e de repente perder um ente querido, não vai ter dinheiro no mundo que vai pagar isso. Então é uma coisa para ser repensada se o que mais importa para você são bens materiais. De toda forma, eu não tenho nenhum remorso.

Eu fiz tudo que eu podia. É lógico, tudo tem limites. A gente precisa trabalhar, a gente precisa viver longe, aprender a conviver com isso. É uma coisa que ninguém fala. Muita gente planeja de voltar o Brasil, né, trabalha aqui, depois volta, termina os dias no Brasil. Se tudo correr bem, maravilha. Às vezes não acontece bem assim, então a gente tem sempre que pensar num plano B, né. E em relação às duas últimas semanas da minha mãe, ela acabou sendo internada no ICESP em São Paulo, que é o Instituto do Câncer.

Em convênio com a USP, a Universidade de São Paulo. E eu gostaria de deixar o meu agradecimento mais profundo aqui, porque minha mãe teve um câncer há 8 anos atrás, tratou, depois fez todo acompanhamento. A princípio nenhuma manifestação da doença, e aí quando ela fez alguns exames agora esse ano, apareceram as manchas. E aí aquilo progrediu. Quando se teve a certeza que era, ela voltou para o hospital, e aí dali ela já não saiu mais.

Mas eu gostaria de deixar registrado aqui todo o carinho, toda atenção, todos os cuidados que eles tiveram com a minha mãe. Em um momento eu percebi minha mãe sendo tratada como só mais um paciente. Eles tratavam com todo carinho do mundo. Isso não era apenas com a minha mãe, era com todo mundo que tava ali ao redor. Eles perguntavam se podia puxar o lençol para aplicar a medicação, mesmo minha mãe já inconsciente. E esse carinho vinha dos médicos, vinha dos enfermeiros, do pessoal da recepção, pessoal da limpeza.

Você percebia que todo mundo te tratava ali com todo respeito, com todo o carinho possível, porque é um momento muito complicado, é um momento que a gente sabe que não tem volta, que dali é para o próximo plano. Se você tá assistindo e você tem uma experiência diferente, eu fico muito triste, mas não trate isso como uma coisa política, que é partido A ou partido B. Eu só estou manifestando o atendimento, carinho e todo o profissionalismo do pessoal do ICESP lá.

E gostaria de terminar este podcast que é curto e é especial, que conta um pouquinho do que a gente às vezes não planeja. A gente vai para fora imaginando que tudo vai dar certo imaginando que tudo vai acontecer do jeito que tá na nossa cabeça, e geralmente a vida tem uns planos diferentes, né? Então sempre pense na possibilidade que alguma coisa pode dar errado. Mantenha contato com seus familiares se você achar que merece manter essa porta aberta.

Trabalhar é importante, mas manter os vínculos também é. Porque se o trabalho vem primeiro na intenção, que depois você tira a diferença, às vezes você consegue, mas às vezes você não. Então, antes que esteja tarde demais, repense isso. E das 3 perguntas que eu sempre faço para quem eu tô entrevistando, Eu vou fazer só, eu só vou comentar a última. O que é garra brazuca para você? Garra brazuca é toda essa vontade de dar certo, a coragem de sair para fora, deixar tudo para trás, mas também é aquela coragem De chorar calado, de engolir o choro a seco quando você tá longe, que tem a distância e o seu patrão não quer saber, ele quer o trabalho ali.

É aquela dor de tá todo mundo lá curtindo o feriado, o final de ano, e você tá aqui ralando. Isso também agarra a brazuca. Obrigado pela sua audiência. Semana que vem a gente tá de volta. Até mais.

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