Vendeu a Reserva da Casa Para Pagar o Remédio da Esposa nos EUA | Garra Brazuca #6 | Rafael Oliveira
Descubra a história real de Rafael, um brasileiro de Recife que vive há 26 anos em Massachusetts e enfrentou o maior desafio de sua vida ao sacrificar suas economias para cuidar da saúde de sua família.
Neste episódio do Garra Brazuca, mergulhamos nos bastidores da imigração nos EUA, onde a resiliência e a fé são testadas diariamente longe de casa.
Roger conversa com Rafael sobre os altos e baixos de morar no exterior, desde a adaptação ao frio rigoroso da Nova Inglaterra até os momentos críticos de desespero financeiro.
Você vai entender como a vida na gringa vai muito além do que é postado nas redes sociais, revelando o suor e a teimosia necessários para recomeçar quando o aluguel atrasa e as reservas desaparecem.
- A decisão extrema de usar a reserva da casa para custear o tratamento médico da esposa.
- O impacto emocional de lidar com crises financeiras e filhos pequenos em outro país.
- A realidade do mercado de trabalho e a transição da correria para a estabilidade.
- Como um pernambucano se adaptou ao clima de neve e temperaturas de -20 graus.
- A importância da rede de apoio e amizades para sobreviver ao inverno americano.
Se você busca entender a realidade de quem vive fora e precisa de um choque de motivação para seus próprios desafios, esta conversa é para você. Inscreva-se no canal e compartilhe sua história de superação nos comentários.
0:34 Introdução ao Garra Brazuca
3:00 Entrevista com Rafael: Adaptação ao Frio
4:53 Infância e Origens no Brasil
5:51 A Vinda do Irmão para os EUA
6:43 Tentativa de Carreira Militar e Crises
10:59 Chegada de Rafael nos EUA e Primeiras Impressões
15:09 Desafios Iniciais e Experiências de Trabalho
22:37 Perrengues e Resiliência
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- A crise financeira e de saúde enfrentada pela família de Rafaelesposa com problema no coração·remédio não coberto pelo seguro·venda de bens e reserva·filho com alopecia por estresse
- A trajetória profissional de Rafael nos EUA e os desafios iniciaistrabalho como vendedor·landscape e limpeza·padeiro e muro de pedra·trabalho com calha
- A importância da fé, caridade e trabalho voluntário na vida de Rafaelfé em Deus·ajuda de amigos·trabalho voluntário na religião·capelão em hospitais
- A adaptação de um pernambucano ao frio rigoroso de Massachusettschegada na primavera·gosto pelo estado·temperaturas muito baixas·aproveitamento das estações
- A depressão e a falta de presença dos pais na comunidade brasileiracrianças com depressão·pais dão presente, não são presentes·vício em álcool e drogas·isolamento e falta de higiene
- As paixões de Rafael por mergulho e motociclismo Harley-Davidsonmergulho em naufrágios·lidando com animais marinhos·paixão pela Harley-Davidson·grupo de motociclistas brasileiros
Sabe quando tudo tá dando errado na sua vida? Aí eu perdi esse dinheiro com a minha esposa, ela ficou sem trabalhar alguns meses, eu sozinho aí para pegar. E começa a reserva, foi embora, aí vem aluguel atrasado, você tá entendendo? Os meus meninos pequenos, você tá ligado? Nossa, cara, foi uma fase muito difícil, muito difícil.
Garra é a raça, brazuca é como a gente chama uns aos outros quando se mora fora do Brasil. Aqui você encontra os dois. Garra Brazuca traz conversas com brasileiros e brasileiras que moram ou já moraram no exterior. Alguns se adaptam, outros não, mas todos têm uma história de suor, teimosia e reinvenção para contar. Afinal de contas, o brasileiro não desiste nunca. Então bora lá, pega sua bebida favorita, puxa a cadeira que já vai começar mais um Garra Brazuca comigo, Roger Magalhães.
Tá começando mais um Garra Brazuca, meu nome é Roger Magalhães. Eu já estou aqui nos Estados Unidos há 26 anos e eu sempre recebo, pessoal sempre pergunta, né? E aí, como é que é morar lá? Como é que você faz? O que que você fez quando você chegou? E por causa desse monte de pergunta, eu decidi criar o Garra Bazuca. Garra Bazuca é um programa de entrevistas onde a gente conversa com brasileiros e brasileiras que moram ou já moraram fora.
Pode ser Estados Unidos, Japão, Canadá, qualquer lugar do mundo. E a gente sabe que tem brasileiro nos quatro cantos do planeta, né? Então tem sempre aquela história que o brasileiro, ele dá nó em pingo d'água, ele é aquele personagem que a NASA devia estudar, porque ele sempre se vira, ele sempre dá um jeito de dar certo, não interessa onde que ele tá. E a ideia do canal é justamente essa, trazer gente com histórias. Não é aquelas histórias bonitinhas que todo mundo posta no Instagram, porque que a gente sabe que é só 5 minutos do dia do cara, né?
E na realidade tem muito mais história, muito mais perrengue, tem coisa que a gente não conta na rede social, mas é o que eu trago aqui. Gente normal, não tem ninguém que é super ultra com toda aquela fama, né, que a gente costuma ver. É gente comum que nem a gente, que tá aqui só ralando e tentando levar um dia de cada vez. E hoje é a vez do Rafael. Rafael é lá de Recife. Mora aqui nos Estados Unidos há 26 anos, mora lá em Massachusetts, e ele vai contar um pouco para nós como é que funciona.
Fala aí, Rafael, bem-vindo ao programa! Obrigado pelo seu interesse em participar. E eu já vou perguntar logo de cara: como é que um cara de Recife vai morar no lugar de neve por 26 anos, cara? Tá errado, tem alguma coisa que não tá certo não, rapaz.
Muita gente fala isso, né? Porque quando eu cheguei aqui em 2000, cheguei aqui dia 30 de abril 2000, né? E eu peguei praticamente o início da primavera, né? Então não foi o frio, mas ainda tava ventando bastante tudo. E eu me adaptei muito bem ao frio daqui, eu gostei, né, desse estado. E foi uma das coisas, muita gente pergunta como é que é o frio, e acredito não, Roger, e o frio daqui não me incomoda. A neve em si, eu aproveito todas, né, as estações do ano aqui, o verão, o sol, tudo, primavera, tudo eu aproveito.
Que legal.
E Mas assim, o que eu não gosto daqui é os dias onde as temperaturas são muito baixas, que quando chega a dar aqui -26, -20, você morou aqui, você sabe disso, que é como se fosse quase -40, 30 e pouco, não abaixa de zero. Esses dias são os dias que eu realmente não gosto, né? Mas tirando isso, aproveito bastante, cara, o weather daqui, né? Os grupos de amizade que eu também tenho, a gente consegue se reunir durante o inverno. Durante o verão é a construção, é praia, né?
Eu tenho um trabalho trabalho hoje, onde eu tenho a oportunidade de ter o sábado e o domingo off, né? Mas não foi assim, né, cara? Isso é de um tempo para cá. O começo realmente é bem, bem difícil em relação a isso, mas a gente vai aproveitando bastante. Eu gosto. Eu acho que hoje eu não me acostumo com calor de Recife, cara.
Olha só como a vida muda, né? E já que você falou do começo, vamos lá para o começo, lá de volta para Recife. Como é que Cresceu aonde? Como é que foi a infância? Da onde saiu a ideia de vir para os Estados Unidos? Ou foi para algum outro lugar primeiro antes de vir parar aqui? Como é que é, cara?
É, sou de Recife, né? Nascido e criado lá no bairro chamado Ibiri-Beira, né? Os pernambucanos aí conhece que mora aí na Flórida. E meu pai, ele foi, teve bastante trabalho com venda, essas coisas todas. E meu pai uma vez chegou a ser gerente geral na Coca-Cola e também foi diretor também, gerente geral lá na Pepsi. Então devido ao trabalho do meu pai, eu acabei que eu vivi como um cigano, mudando de estado em estado. Então, sou de Recife, mas eu morei em Natal, eu morei em Goiás, na cidade de Anápolis, eu morei na Bahia, eu morei em Minas, né?
Aí eu conheço Rio, São Paulo, Paraná, né? Conheci Fortaleza. Aí alguns, foi alguns estados realmente passeando. E eu lembro que as crises no Brasil, né, fizeram com que meu pai acabasse Não foi pelo meu pai. Na verdade, a primeira pessoa que chegou aqui nos Estados Unidos foi o meu irmão mais novo, que nós somos 5 irmãos do primeiro casamento. Eu sou mais velho, tem a minha irmã Micheline e tem o meu irmão Rafa, que faleceu em 2008, né, no estado de Ceará, aqui um acidente de carro.
E foi ele a pessoa que sempre, desde pequeno, Roger, minha irmã falava, um dia eu vou para os Estados Unidos, um dia eu vou para os Estados Unidos. Por ele ser pequeno, desde criança, Desde criança, cara. E ele falava aquilo, a gente achava que aquilo ali era coisa da cabeça de menino pequeno, né?
E não tinha ninguém na família que já tava aqui?
Ninguém, ninguém, ninguém, ninguém, ninguém.
Todo mundo ficava lá, mas da onde esse menino tá tirando essas ideias de doido?
Exatamente. A gente achava que era coisa realmente que ele sabe a diferença minha dele 2 anos, mas a gente pensava, será que é isso, né? Às vezes aquele sonho de você crescer um super-herói quando crescer, aquelas coisas. E a gente imaginava isso. E aí Eu sempre quis ser militar na minha vida. Eu tentei alguns cursos para as Forças Armadas e o último curso que eu tentei foi para ser piloto de caça dos Fuzileiros Navais. Eu passei.
Aí nessa época eu tava morando em Anápolis e aí eu fui, passei pela ASA, que é Academia Superior de Armas, e aí eu fui para Recife para estudar lá. Mas aí um dos testes eu acabei levando, sendo reprovado, e acabei que não deu continuidade. Então eu fiquei em Recife. Meu pai nessa época tá morando em outro estado, eu acho que foi em Goiás ainda. Não, quando eu fui para Recife eu tinha 16 anos, né, 16 anos e meio mais ou menos. E aí reencontrei minha família de Recife, que já tinha 8 anos que eu tava fora de Recife, certo?
E fiquei por lá enquanto meu pai e meus irmãos ficaram em outro estado. Aí eu fui. E aí a crise que teve no Brasil, meu irmão, antes dessa crise meu pai tinha uma distribuidora no Pará, em Amapá, e aí ele resolveu Ficar por lá. E meu irmão tinha um trabalho muito bom, ganhava muito bem, era supervisor da empresa do meu pai, que era um distribuidor de bebidas. E aí ele quis ir embora, meu pai emancipou meu irmão e meu irmão veio embora.
Aí a princípio meu irmão vim para Califórnia, Los Angeles, ele e um outro amigo nosso. E aí esse amigo nosso aí, esse amigo do meu irmão também, que era mais amigo do meu irmão, falou, cara, vamos lá para Boston, que lá eu tenho um amigo que mora lá. E aí ele decidiu vir para Boston com essa amiga. Aí vieram os dois e chegaram, pegaram visto tudinho, vieram, ficaram aqui. E a primeira cidade que ficaram foi em Acton, aqui na cidade de Acton.
E aí moraram ali, aí ficou tudinho. E aí passou-se um tempo que a crise no Brasil acabou, que acabou, a crise acabou dando problema com meu pai. Meu pai resolveu vir para cá e veio meu pai, minha família, e eu fiquei no Brasil, que na época eu tinha uma representação, né, com um frigorífico que tinha e vendia outras coisas. Eu ganhava bem e não queria, eu não queria nunca vir para os Estados Unidos, acredita ou não, moço. Eu não tinha vontade nenhuma.
Que ano que era isso aí? 2000, mais ou menos?
Não, isso era mais ou menos em 98, quando meu pai veio para cá, meu irmão veio, meu irmão veio, depois meu pai veio. E aí Logo depois que meu pai veio, meu pai tava morando aqui, já tinha 2 anos, é, foi em 97 mais ou menos que eles vieram, e 98, 99 começou a ter os problemas. E aí meu pai falou, cara, por que você não vem para cá, Rafael? Que aí teve aquela crise, a empresa que eu tava acabou passando a área para a Coca-Cola, começou a demitir o quadro de funcionários dela, que perdeu o mercado muito grande.
E uma das pessoas que que era o gerente-geral da Coca-Cola lá em Jaboatão dos Guarapes, era parente, cunhado do cara, dono da empresa com quem eu tinha contrato. E aí o cara foi e me tirou para colocar ele, tá entendendo? Que eu já era uma pessoa mais de idade, emprego não ia conseguir e tal. E aí que acabei eu entrando na justiça para isso aí. E meu pai falou, cara, você já tem visto, tem um passaporte, vem para cá, tenta. Aí eu falava, eu vou, se eu não gostar eu volto. A mentalidade era essa.
Aí eu tenho um amigo meu Teu pai tá morando com teu irmão?
Não, não, meu irmão faleceu, né, em 2008, num acidente de carro. Aí nessa época meu pai já tinha voltado para o Brasil. Meu pai hoje tá no Brasil, em Recife mesmo.
Mas quando teu pai chegou aqui, ele foi morar com teu irmão?
Com meu irmão, exatamente. Morou a galera todinha, né? Ele, o que o meu pai, meus pais são separados, aí minha madrasta, que eu também chamo ela de mainha, né? E tem duas irmãs por parte de pai, que é do segundo casamento do meu pai. Aí morou todo mundo nessa casa. E aí eu acho que Foi coisa de um ano depois eu vim, foi quando teve essa crise. Eu acabei tendo esse problema com a empresa lá, perdi essa representação. Aí meu pai, cara, vem para cá, tenta.
E aí eu resolvi vir. E aí, cara, quando cheguei, eu desci ali em Miami, eu fiquei louco, né? Quando eu olhei Miami, óbvio, um passeio, aquele mar lindo. Aí eu, cara, isso aqui parece demais com Recife, né? Só que assim, 500 anos à frente, né? Modernidade está avançada. Eu, cara, fiquei doido, né? Eu gosto muito de praia. E aí eu fui, fiquei lá, de lá. Aí eu lembro que eu vim com um amigo do meu pai, que esse cara é empresário aqui.
E aí eu vim com ele. Aí quando chegou em Miami, ele— eu tinha que ir para Orlando para tirar minha carteira lá, para depois vir para cá. E eu não falava nada de inglês. O inglês que eu aprendi no Brasil, que eu tinha feito, não serviu para mim nada aqui, totalmente diferente.
É o the books on the table, né?
É exatamente, cara. E aí eu lembro que eu peguei Cheguei, ele comprou a passagem para mim para ir a Orlando. Eu fiquei lá sozinho, cara, eu com uma fome danada. Cheguei no negócio, pedi a comida, e o pessoal falando inglês perguntar quer queijo, não quer queijo, não entendia nada. Eu saí, peguei, ó, aquela loucura. Fui para Orlando, fiquei 4 dias, estudei, tirei minha carteira e vim para Massachusetts. Aí quando eu cheguei aqui, cara, eu odiei Massachusetts, porque você falou isso aqui não é o Recife que eu vi lá embaixo, não é, não é.
E aí eu lembro que Eu falei, cara, que lugar feio! Porque quando eu cheguei aqui foi aquela época, a gente chegou no meio, 26 anos, tava tendo aquele, o Big Dig, lembra? Que era construção daqueles, aquilo ali, aquele trânsito feio, tudo feio, muita construção, tudo acabado, imensa lá de construção, cara. E eu digo, meu Deus do céu, cara! Aí vim andando, aí vim para Ágaton, cara. Quando eu fui chegando, já chegando de noite, eu olhando aquilo, 7 horas da noite, você não via ninguém na rua.
Eu disse, meu Deus do céu, o que é que eu tô fazendo aqui? Onde que eu vou amarrar meu bode? Não gostei a princípio. Aí fui trabalhar, meu pai tinha uma loja de produtos brasileiros e tinha uma distribuidora de produtos brasileiros que era Brasil em Posse. E aí eu fui trabalhar como vendedor. E aí meu pai ficou de andar comigo, me mostrar a rota, que naquela época não tinha GPS, a gente usava o mapa, né?
Exato, de papel.
A gente tava com o mapa tudinho, cara, e eu não falava inglês. E aí meu pai, cara, com uma semana, meu pai: toma o carro, tu vai ter que ir só, que eu não vou ter como mais contigo não, tal, te vira aí, usa o mapa, tá aqui o telefone no carro. E aí, cara, Eu fui me virando, consegui fazer a rota, e a princípio foi trabalhando. Aí um ano depois eu trouxe a minha ex-namorada, né? Eu tenho uma filha com ela, que é minha filha mais velha, a que tá com 25 anos de idade.
Ela formou-se na área de medicina como enfermeira, né? Enfermeira-chefe. E nasceu aqui, mas tá no Brasil, foi pequena, com um ano e meio, porque a gente separou. Namorava há uns 4 anos no Brasil, cada vez durou aqui 1 ano e meio mais ou menos, 2 anos aqui, aí pronto. Então essa minha filha foi com 1 ano e meio para o Brasil. E aí, e aí eu trouxe ela 1 ano depois, aí fiquei, aí fiquei trabalhando. Meu pai, ele teve com essa empresa, ele pegou de um cara aí da Flórida, eu não vou citar nomes, né, que esse cara montou ele, o cara não quis ficar aqui, aí ele ia vender a empresa.
Meu pai, pô, eu compro a empresa sua, eu vou te pagando. Aí fez um contrato, aí meu pai ficou de pegar todos os produtos com esse cara, e o que ele não tivesse E meu pai é ordenaria. Aí meu pai sempre com área de vendas, área que tá no sangue do meu pai, no meu também. Meu pai começou a crescer muito, e aí o cara quis a empresa de volta, certo? E quando ele fez isso, aí meu pai não queria vender. Aí foi onde ele ameaçou de chamar a imigração para o meu pai.
Aí meu pai nessa época não tinha documento, e aí meu pai pediu um tempo, ele forrar estoque para ver, para ganhar tempo e ver. Aí conversou com algumas pessoas, indicou um advogado para ele Isso aí, no Cape Cod, meu pai entrou com processo. O cara indicou meu pai entrar com processo de asilo, que era para poder ele ganhar tempo, né, passar uns 8, 10 anos aqui, indo até meu pai juntar um dinheiro bom e poder voltar para o Brasil.
Mas aí meu pai perdeu uma corte porque esse cara não avisou. Aí deu como revelia, e meu pai recebeu uma carta da imigração dando 6 meses para sair.
Aí voltou.
Então aí meu pai vendeu a empresa para uma outra pessoa, tudinho. E aí eu continuei. Aí foi onde eu comecei a trabalhar aqui como todo mundo trabalha.
Trabalha.
A princípio eu trabalhei como vendedor aqui. Aí eu fui, eu lembro que meu primeiro trabalho foi quando isso aconteceu, foi numa, como landscape, cara. Eu não tinha noção de nada, fui trabalhar no landscape, eu não sabia o que era levar nada, eu fui sem nada, cara. Eu fui trabalhar no lugar que era uma, aquela lua bonita, cara, no verãozão. Rapaz, eu quase morri, tá? Porque eu não tinha água, não tinha nada, eu não sabia de nada.
Eu sozinho de brasileiro e os cara tudo hispano, os cara queria botar para lascar em cima de mim, tá ligado?
E eu digo, meu Deus do céu, quem que arrumou esse serviço para você, cara?
Eu fui olhando no Jornal Brasileiro, aí tinha lá que tava precisando, eu consegui, entrei. Aí era uma agência de emprego, e aí essa agência foi, me colocou, eu fui. Só que eu trabalhei um dia, no outro dia não precisou de mim, tudinho. Acho que eu fui muito ruim, tá?
No primeiro dia, galera, ó, precisa voltar não, pode ficar em casa, pode ficar em casa, cara.
Esse cara vai morrer aí, é pronto. Aí, resultado Depois disso arrumei trabalho limpando uma escola, aí fiquei um tempo. Então assim, aí foi onde eu comecei a trabalhar. Aí não deu certo, aí depois fui trabalhar com grupo, com restaurante, fui padeiro aqui, né? Foi mudando as profissões. Trabalhei com muro de pedra, odiei o muro de pedra. Bacana você pagar $1.000 para fazer muro de pedra, não quero. Porque eu fui peão mesmo de fazer massa para 3, 4 peão lá, é pedreiro, carregando aquelas pedras pesadas que nem Exatamente.
E aí, cara, é eu falando que isso aqui não é para mim não. Mas o resto, ufa, eu trabalhei pintura, carpintaria, né? Hoje atualmente eu trabalho com calha, né? Eu trabalho vendendo calha. Então assim, eu vou nas casas, vou medindo as calhas, vou passar estimativa. Sei fazer, mas hoje a minha função é só gerenciar a empresa que eu trabalho, né, os meus trabalhos e a parte de venda.
Que legal! E dessas histórias toda aí, qual é, qual emprego assim que você falou, tirando o landscape, que você só ficou um dia, os outros empregos demorou um pouquinho mais?
Ah não, demorou, demorou. No muro de pedra trabalhei mais de um ano, né? E eu trabalhei numa padaria, né, em concurso também, onde eu trabalhei 6 anos nessa padaria. Onde fazia pão, e pão, trabalhava parte do peixe também, do croissant também, uma área muito boa. Legal. Mas é uma área que puxa muito, né? Final de semana que não trabalha, esses dias da semana aí eu trabalhava muito nessa padaria.
E sempre começa bem de madrugada, né?
É, aqui é diferente, aqui é diferente. O pão se faz durante o dia, não é feito no Brasil, você não vai de madrugada. Então assim, eu começava de manhã eu preparava a massa do pão, botava um fermento para fazer a massa, aí você deixa aquela massa crescer por algumas horas ali, aí volta, depois você vai botar na mesa, você vai cortando, vai fazendo o molde do pão, deixa descansar por mais 40 minutos para depois você botar no forno, sai.
Aí tem um pessoal que chega, que é o pessoal da noite, que chega para cortar, fazer os slices, embalar. E aí de madrugada, umas 4 horas da manhã, chega os drive, que era o pessoal que chegava para poder em pegar isso aí, você tá entregando nas padarias de manhã cedo antes de abrir.
Então isso aí não era uma padaria normal que você trabalhava, era mais tipo uma padaria industrial que distribuía para os outros lugares?
É também. E ela tinha uma parte de lanchonete também na frente. Então ela, além de atender o público ali, ela tanto fazer para o público ali também a parte industrial, ela fazia isso até hoje, ela faz isso, né?
Perfeito.
E ela é uma padaria renomada, ela já ganhou algumas premiações aqui como o melhor melhor cone de bosta, que na época era eu que fazia isso aí. Então, mas quem deu o crédito é o patrão, né? Então assim, 2006, ela ganhou como melhor croissant de bosta, saiu na Boston Magazine aqui. E no mesmo ano a gente também ganhou como o melhor cone de bosta, que era eu também que fazia isso aí. Só que quem faz a entrevista é o dono, né? Ele que recebe o crédito.
A gente é só peão atrás do balcão lá, ninguém quer falar com a gente. Exatamente. Mas aí teve muitas outras coisas, carpintaria, né? Tudo isso aí foi entrando, sempre fui buscando algo novo, surgindo oportunidade, eu fui buscando isso aí.
E todos esses empregos, você, todos esses trabalhos você teve, você era empregado, você não era o dono de nenhum deles, né?
Não, sempre fui empregado. Aí eu tentei abrir minha empresa depois de algum tempo, eu tentei abrir uma empresa. Eu lembro que eu tava trabalhando na carpintaria E aí eu não tava ganhando muito bem. E aí foi quando a Uber abriu. Aí minha irmã, Rafael, por que tu não faz Uber? Tá dando mais dinheiro do que esses trabalhos. Porque aí tu abre empresa, tu vai. Eu abri a empresa, eu não tinha muito contrato, eu saí do trabalho. Eu fazia o seguinte, os dias que eu tinha trabalho eu pegava meus trabalhos, começava a fazer os trabalhos.
Os dias que não tinha, fazia Uber até conseguir. Aí fui tentando, fui tentando, e aí encaixando uns espacinhos, vai fazendo Uber. E aí eu conseguia, cara. Eu lembro que eu fui tentar a primeira vez, eu no final de semana eu fiz 700 e poucos dólares, cara. Então de Uber. Olha, vocês entenderam? Numa sexta, num sábado e no domingo eu consegui fazer isso aí, $750. E eu falei, cara, eu tô fazendo mais do que na carpintaria aqui, ou é um salário mesmo.
Em 3 dias eu fiz o que fazia uma semana de trabalho na época. Aí eu falei, lógico que Uber não é profissão, mas tava me ajudando para encaixar a minha empresa que eu tava tentando começar. Só que aí não deu muito certo, eu não tinha muito contato tal. E aí eu fiquei fazendo Uber e eu voltei a trabalhar De novo, aí eu fui e voltei para outra empresa, arrumei outro cara que trabalhava americano, onde ele pagava melhor. Então com esse cara eu ganhava bem, cheguei a ganhar, comecei com $18, aí passou para $20.
Sei que eu saí dele, tava ganhando já $25 a hora na época, né, que era um salário muito bom. Então assim, aí foi onde eu comecei. Aí depois eu tentei com um amigo meu, essa minha empresa ainda aberta, vai, entrou de sociedade, a gente pegou, começou a pegar uns trabalhos no verão, conseguiu inverno. Aí assim, o erro foi abrir empresa, eu não tinha dinheiro em caixa, né, para você ter rotatividade. Então assim, era o dinheiro que tinha, era o que a gente recebia.
Então você tinha que receber do cliente para comprar o material, ou seja, então era eu, esse meu amigo, a gente fazia. Então depois é que a gente pegava o dinheiro para gente.
Essa empresa sua aí era de carpintaria?
É carpintaria, né, carpintaria geral.
Fazia pintura, eu fazia carpintaria, um pouco de frame, fazer carpintaria, então, né, de reforma, essas coisas.
E aí eu fui levando, aí passou, só que aí não deu certo, certo? E aí eu fui trabalhar realmente para os outros, trabalhei bastante tempo com o pessoal. Aí eu tentei abrir empresa de novo, aí eu abri uma empresa, fui tentando, aí tava indo bem. Ela era uma DBA, eu passei ela para corporation. Aí minha esposa tem problema no coração, e aí em 2000 e Acho que foi em 2008, foi em 2008, ela passou mal e ela teve uns problemas, ela teve que ser internada, aquelas coisas todas.
E aí um dos remédios que os médicos passaram, ele era caro e o seguro não cobria, que é o Masseral na época. Aí eu tive que vender ferramenta minha, vender minha, eu tava juntando dinheiro para comprar uma casa. E aí eu lembro que a gente teve que vender para manter durante 6 meses essa medicação. Aí foi onde eu perdi esse dinheiro, essa reserva que eu tinha. E aí foi voltando a trabalhar. Foi uma época, cara, que foi um perrengue muito grande, Roger.
Sabe quando tudo tá dando errado na sua vida? Aí eu perdi esse dinheiro com minha esposa, ela ficou sem trabalhar alguns meses, eu sozinho aí para pegar. E começa a reserva foi embora, aí vem aluguel atrasado, você entendendo? Os meus meninos pequenos, você tá— nossa, cara, foi uma fase muito difícil, muito difícil.
Geralmente é assim, nada acontece sozinho, né? Sempre vem de 4 ou 5, um em cima do outro.
Exatamente desse jeito. Mas aí a gente vai, né, a gente tem fé em Deus, a gente acredita. Então a gente é brasileiro, a gente nunca deixa a peteca cair, sempre tá correndo atrás e vai se virando. É verdade, é muitos amigos ajudando com trabalho, tentando de um lado para o outro, e a gente correndo atrás. Aí eu voltei a trabalhar para os outros, porque aí a empresa já não deu certo ali, eu não tinha mais nada. Voltei a trabalhar para os outros de novo. Eu fui trabalhando, trabalhando, trabalhando, seguindo minha vida.
É, sua mulher tava no hospital, tava em casa?
Não, ela tava dirigindo quando isso aconteceu, ela começou a passar mal, aí ela parou num caucho. Eu também trabalhei no caucho, onde eu fui gerente desse caucho por 6 anos. E aí o pessoal conhecia ela, e aí ela desmaiou dentro do carro. Aí chamaram a polícia, e quando a polícia chegou, os policiais me conheciam porque eu prestava serviço para polícia na cidade, certo? Então eu tomava conta dos carros da polícia, de lavar, de cuidar.
Então todo mundo me conhecia, já sabia quem era.
É, entre a do Rafael, a esposa do Rafael. Aí iam levar para um hospital pequenininho que tinha e falaram, não, cara, leva ela lá para o Hospital de Campos, o Emerson Hospital. Aí chegou lá, descobriram que ela tava com líquido em volta do coração, e era uma infecção que ela tinha, e eles não sabiam se era bactéria ou era vírus. E tiveram que socorrer minha esposa de helicóptero, chamaram. Ali foi a primeira vez que eu achei que minha esposa realmente ia embora.
Caramba!
Foi, aí foi muito sério. Ela ficou internada 10 dias na UTI, no Médico-Geral, entre a vida e a morte, sem várias medicações e tal. Que foi a época realmente que aconteceu de novo, sabe, tudo desandar de novo e tal, cara. Foi assim, melhora um pouquinho, aconteceu outra coisa, melhora um pouquinho, porque minha esposa vivia passando mal. E por conta desse problema, muitas vezes o meu filho, mas na época tá com 5, 6 anos, aí ele via minha esposa desmaiando, passando mal. E uma vez ele que ligou para uma vó. Então isso causou um estresse, né?
Não sabia que a mãe tava ruim.
Exatamente. Isso causou um estresse nele e ele acabou tendo, perdendo o cabelo todinho da cabeça, os cílios, sobrancelha. Ele ficou com alopecia. É estresse, pegou alopecia total, né? E aí os médicos começaram a achar que podia ser câncer, que podia ser lúpus, até descobrir, mais ou menos um mês aí, ele descobriu e não tem travamento. E aí foi quando a gente começou a procurar psicóloga e falar para comprar um cachorro, que isso ajudar tal terapia.
E realmente os dois, meu filho cresceu, o cabelo cresceu, mas você nota, ele tem algumas falhas, tá entendendo, na cabeça ainda. Mas o cabelo tá bem grande, que cobre muita coisa, mas ele não tem a sobrancelha, os cílios não tem. Mas o mais importante é que ele tá bem, ele tá muito bem, meu filho, os treinamentos Que legal!
E a sua esposa, Sarô, ficou boa depois?
Melhorou do coração, fez cirurgia, ela colocou uma Ampantaz, é uma, como se fosse um guarda-chuva no coração, que ela tem sopro no coração, só que não era do tamanho de uma moeda de uma cola. E tinha um de uma moeda, do tamanho de uma moeda de 10 centavos e uma ponta de uma caneta. Aí fecharam o maior e ela melhorou bastante, só que a medicação que deu para ela é deixa ela muito debilitada. Os médicos falaram muito antibiótico, essas coisas.
E aí, muito forte, né? Então assim, minha esposa, ela tem um, a saúde dela é muito debilitada, ela adoece com facilidade devido aos problemas que ela tem, tem que estar tomando medicação. Então ela toma remédio para uma coisa, mas aí prejudica em outra coisa. Então sempre tá acontecendo alguma coisa. Mas em relação a tá passando mal feito antes, graças a Deus não. Aconteceu alguns outros episódios, mas nada muito sério. Porque ele passa mal por causa da vesícula, socorreu, aí fez cirurgia, tá entendendo?
Mas no geral tá bem melhor, bem melhor mesmo, mas realmente não é fácil, tá, Roger? Não é fácil. É como você falou, as pessoas, quando vai ver você aqui para os Estados Unidos, acha que você tá rico, você tá ganhando em dólar, mas o pessoal esquece que você tem que pagar dólar, que você tem problema também, você tá entendendo? Então assim, o pessoal não tem noção das coisas que acontece com a gente.
E geralmente ninguém, todo mundo tá saudável lá no Brasil, quer vir tentar a vida, não sei o quê, né? E mas chega aqui a parte da doença é a que mais afeta, né? Porque teoricamente você tá precisando de suporte de amigos, de família ali, você não tem. Aí toma uma paulada na medicação, que a medicação é uma fortuna, uma fortuna. Qualquer porcariazinha que você tem que fazer é 10, 15, 20 mil dólares. Então é, é uma que muito pesado, que não é todo mundo que dá conta não de levar, né?
É, e olha que aquela época era uma época ainda melhor, né, que você conseguia juntar um dinheiro, alguma coisa e tal, era mais fácil. Então assim, hoje tá pior ainda. E aqui realmente saúde é tudo. Você perde a saúde aqui, você acabou. No Brasil você tá doente, você tá trabalhando, você fica em casa, você tá recebendo. Aqui não. Se você não tiver uma reserva financeira muito boa, acabou. Você vai depender de amigos, de doações.
Então assim, às vezes acontece, tem gente que tem uma reserva boa Como na época aí eu tinha minha reserva para comprar uma casa, mas eu tive que usar para comprar remédio para minha esposa. É verdade, porque um dos remédios o seguro não cobria, que era o MassHealth. MassHealth era o limitado. Então assim, cara, e aí você não tinha essas reservas na época, tá entendendo? Até peguei ajuda dos outros. É verdade, mas graças a Deus deu tudo certo e correu tudo bem, cara. Mas o pessoal não tem noção disso.
É verdade, mas de toda porrada que a gente toma, sempre tem uma lição boa que a gente consegue tirar disso, né? É, que que você conseguiu aprender de tudo esse perrengue que você passou aí? Tem amigo de verdade, tem amigo que é só amigo só para beber ali no bar, mas quando o negócio aperta ele sai fora.
Pessoal, caindo de paraquedas só para agradecer a sua audiência. E caso você ou alguém que você conhece que mora ou já morou fora e tem vontade de compartilhar a experiência, me chama nas redes sociais. Também quero pedir, se caso você esteja gostando do show, aproveita e já curte, compartilha e se inscreve na plataforma. Assim o canal pode crescer mais e mostrar para mais gente que eles não estão andando sozinho na caminhada.
Quando a gente vai junto, a força é maior. Agora chega de enrolação e vamos voltar para entrevista, que tá massa.
Valeu! Já tem os dois, né, Roger? E assim, aqui 26 anos eu aprendi muita coisa. Disso aí eu tive algumas experiências, né, da saúde, em relação à saúde da minha esposa, e saber que eu tava ali. Eu tenho amigos que são irmãos, mesmo família aqui, que foram pessoas que tiveram bem presente na minha vida aqui nesse momento. Isso eu não posso falar, reclamar nunca, tá entendendo? E essa experiência do apoio que eu tive, mas também tive a experiência dos problemas que eu tive, que foi quando eu quebrei por causa da empresa, não deu certo.
Eu E há um tempo atrás eu também tive uma outra empresa onde eu realmente comecei bem na carteira, eu cresci bem, cheguei a ter 8 funcionários trabalhando comigo. Mas aí eu levei um tombo do contrato, né, que esse cara foi preso e não me pagou quase $60.000. E eu lembro que eu tinha um dinheiro na minha conta bom e eu pedi para— eu tava muito ocupado com meus trabalhos, e aí eu pedi para um amigo meu fazer um trabalho, esse trabalho grande aí.
Como eu tinha um dinheiro, eu fui, já paguei, deu o cheque a ele, paguei ele para pegar desse contrato. Ele sempre me pagou bem, nunca tive problema. Mas aí no dia seguinte para encontrar com ele, ele tinha sido preso na noite anterior porque foi preso por pedofilia. Então esse cara tinha vídeo de crianças fazendo sexo, tudo isso aí. Tinha uma passagem comprada para ir para Tailândia para sair com a minha de 15 anos de idade. E era um cara casado que tinha uma filha de 8 anos de idade, menino de 5 anos de idade.
Então quando ele chegou em casa, a polícia tava seguindo ele pelas internets, esse website, conseguiu pegar ele. Aí ele foi preso. Então ele não me pagou. E aí eu tinha dado cheque para um amigo, meu amigo foi, depositou, recebeu, e eu acabei ficando sem dinheiro. Aí foi onde eu quebrei. Então foi o meu erro, foi ter pago sem ter recebido. Aí eu quebrei por causa que fiquei sem dinheiro. Paguei meus funcionários, então, velho, tá aqui, segura aqui, vem aqui.
Aí tentei, aí Eu lembro que eu fui tentando pegar mais trabalho, não tava conseguindo, tive que dispensar todo mundo. Aí eu voltei para o lance. Então eu aprendi com isso. Hoje, se eu tiver de montar uma empresa de novo, eu tenho minha empresa de construção aberta, mas hoje o trabalho é para esse, é um amigo meu que eu conheço há muitos anos, brother meu mesmo, tomando conta dessa empresa e vendendo. E é um trabalho que para mim tá muito bom em termos financeiros, em termos de qualidade de vida, que eu tenho qualidade de vida.
E quando você tem empresa, você não tem qualidade de vida, porque você tem, caso você trabalhe o dia todinho, você pode não tá metendo a mão na massa ali, mas você tem que estar correndo atrás de trabalho, correndo atrás de fazer invoice para mandar, trabalhando com a cabeça, né? Justamente para manter o cliente. Quando você chega em casa, você vai olhar o que os trabalhos que tem, material tem que comprar para outro dia, mandando invoice para o cliente porque tem que receber, tem que manter os trabalhos para os meninos trabalhar, que senão a galera te deixa.
Então é muita situação. Isso foi um aprendizado de não abrir companhia sem ter dinheiro em caixa, para se manter, certo? Então assim, você abre uma companhia hoje, aí eu ter pelo menos $20.000 na conta para manter a companhia girando, saber que eu vou ter dinheiro ali que se o cara me pagar eu vou poder cobrir o funcionário, tá entendendo? Então hoje eu não quero isso por enquanto. Eu penso em investir em alguma coisa, não trabalhar investindo em empresa, mas só se por algum acaso aparece alguma coisa realmente não tem como recusar.
Mas a minha intenção hoje é abrir alguma coisa que me traga rentabilidade rentabilidade sem eu ter que estar indo atrás. Mas aí você compra a casa, aí compra outra casa e vai fazendo aluguel, tá entendendo? Essas coisas aí, a casa vai se pagando com os aluguéis e você ainda tem um retorno disso aí.
Perfeito. É, na realidade, muita gente é exatamente isso que você falou, ela não tem muito a noção. Ah, mas você tem empresa, você tá rico, cara. Não é, você mata um leão por dia ali só para tentar manter as portas abertas, continuar tendo cliente, você tem que pagar a folha. O cara quer receber na sexta-feira e aqui recebe por semana, tem mais essa, né? O dinheiro tem que estar girando bem rápido porque toda semana tem que pagar funcionário e os custos são altos, entendeu?
Então o cara não tá ali só sentado na frente do computador colhendo dinheiro, tem muito que ralar.
É interessante, eu acho que nessa época eu tinha esses dois funcionários. Você tem ideia, a minha folha semanal de pagamento era de $8.000, cara. Ou seja, são $32.000 por mês de funcionário, eu tô falando de salário de funcionário, fora as outras coisas. Justamente, cara, $32.000 por mês, cara, tem gente aí com dono de companhia que eu acho que não tem esse salário, cara. É verdade, você tinha que ter esse dinheiro para pagar os funcionários, falando pagando assim, botando a média dos outros funcionários.
Cada um tinha salário diferente, mas na média juntando tudo, você dividindo ali por 8, talvez sair $8.000 por semana. Então tinha que correr atrás mesmo. Então assim, quando eu quebrei dessa vez, que essa foi a terceira vez que eu quebrei, caramba, foi a terceira vez. É aí eu digo, meu Deus do céu, sabe o que é você estar estabilizado, do dia para noite você acordar sem dinheiro na conta, você quebrar? Falei, caraca, como Aí eu tentei, não tinha quem me passasse serviço.
Eu tinha uma van com minhas ferramentas tudinho e falei, o que é que eu vou fazer agora? Aí eu voltei para o landscape, fui trabalhar numa companhia landscape em Fremont. E cara, eu trabalhei, eu trabalhei, eu trabalhei, trabalhei louco, né? Voltei como se eu tivesse chegado aqui naquela época, 20 e poucos anos atrás. Eu ia trabalhar, começava 7 horas da manhã, daí tinha dia chegar 10 horas da noite em casa. Caramba, porque eu ficava até quando escurecia, cara.
Fazia hora essa empresa, o cara fazia hora, tá? Eu, eu operava máquina, opero máquina, né, escavadeira, bobcat. Então assim, os cara tem um contrato muito grande, onde passar muita casa nova. Então eu fazia muito sólido, né? Para quem não sabe o que é sólido, a galera do Brasil estiver vendo, é aquela grama artificial, não artificial, né, a grama que ela é tratada, ela vem em pedaços, né, para você colocar. E aí É os tapetinhos, exatamente.
E aí, como eu operava as máquinas, então eles mandavam para lá para espalhar a terra, né, fazer tudo isso aí, colocar, fazer a preparação do chão, a preparação, exatamente, depois colocar, cara. Então tem casa ali que eu às vezes tinha casa ali que era 20 paletes, cara, de grama numa casa só, uma casa só, caramba, é casa mansão, são mansões, né. Então assim, e aí eu trabalhei, e cara, esse emprego foi o que me ajudou. Porque, Roger, quando isso aconteceu, eu lembro que eu tinha recebido um amigo meu do Brasil que veio para cá, que é policial civil, e o sonho dele era vir para os Estados Unidos.
Quando ele me viu vindo para cá, falei, cara— e ele era muito, muito amigo da minha ex-esposa, certo? E aí ele falasse, cara, eu quero ir para os Estados Unidos também. Ele veio, pegou a licença dele, né, que ele é policial, depois de 15 anos pegou a licença de 5 anos, aí veio para cá Ficou 4 anos e meio. E aí ele tinha acabado de chegar, tava morando na minha casa, eu ajudando ele aqui. E ele viu isso aí, cara, esse cara viu que eu tava passando.
E o caraca, aí começou eu de pôr, atrasar aluguel e vá, que meio, não, que sufoco, tá? Que sufoco. Minha esposa trabalhando, tem até uns quê de casa, mas não é nada gigante, certo? Mas aí se mantendo. E aí foi lá, e aí eu voltei para essa empresa. Aí quando eu voltei para essa empresa, eu falei, cara, eu só vou trabalhar, eu tava de domingo dia domingo. Pode crer, eu quase não tinha off.
Graças a Deus, pelo menos tinha um trabalho que deixava você ganhar uma merreca ali para empatar, né?
Essa é a vantagem dos Estados Unidos, Roger. Sabe por quê? Várias coisas que eu sou grato a esse país. Primeiro, a língua, porque eu cheguei aqui, não falava inglês. Hoje eu só falo inglês. Você tem um português, fala minha língua natal, o inglês e o espanhol. Portunhol, né? Isso não é nada perfeito, mas foi suficiente. Então é a primeira coisa, é agradeço, porque tudo que eu tenho hoje aqui e no Brasil, eu devo esse país, porque foi esse país que me abriu as portas para que as coisas que eu tenho hoje no Brasil foi graças ao trabalho que eu tenho, que no Brasil realmente totalmente estabilizado, com móveis, fazenda, tudo isso aí eu tô bem estabilizado em relação a isso. Então não tem problema nenhum.
Mesmo.
Aqui tem uma vida razoável, não posso reclamar. Então assim, é, e essas coisas que vão ensinando você a trabalhar, você vai pegando várias profissões aqui, cara. Então você aprende. Então, cara, eu trabalhei no escape, na construção geral, sei fazer pintura, instalar janela, porta, sabe fazer um pouco cartoeiraria, enfim, fazer um pouco de freio.
Então, cara, eu na casa que eu moro faço tudo aqui nessa casa, constrói a casa praticamente do zero.
Exatamente, mas me tem tudo, sou eu que faço aqui. Então o que eu tenho aqui eu vou, eu faço. Então assim, você tem essa vantagem, então você aprende muito, isso te prepara muito. E eu digo assim que a América ela é para todo mundo, mas nem todo mundo é para América.
Olha, interessante isso aí que você falou.
Não, nem todo mundo aguenta isso. América é para todo mundo, ela tá de braços abertos para receber todo mundo, porque esse país é um país de Ele é forte porque tem os imigrantes, que foi um país que cresceu com o máximo de imigrantes. Mas nem todo mundo é para esse país, é verdade, por questão de não ter coragem de correr atrás, de batalhar, acha difícil. Então muita gente desiste, certo? Não aguenta. Então assim, cara, tem gente que chega assim: não, porque eu era advogado no Brasil. Esquece. O que é que tu é aqui? Porque teu diploma não vale nada aqui.
Sabe, inclusive até entrevistei um rapaz ontem, ele tá até, já foi até para o ar. Ele era doutor em medicina, não medicina, é medicina oriental, né, de fazer ajuste, quiroprata, acupuntura. Ele chegou a aprender no Brasil, foi para o Japão, aprendeu mais, foi para China, fez pós-graduação lá, tudo, virou ajudou. Chegou aqui, o cara foi para demolição, cara. O cara não é— e chega aqui, começa do zero, receta, começa do zero de novo.
Eu conheço ele, por sinal, ele trabalhou comigo na minha empresa, me deu um help uma vez. É o Ricardo Caseira, conheço ele mesmo. Ele é um excelente profissional, um professor de jiu-jitsu excepcional. Pois é, ele realmente— a acupuntura, cara, eu nunca tinha feito. Ele foi o que a pessoa que ajudou minha esposa, que tinha problema de coluna, Então assim, foi um cara que mora aqui perto da minha casa, por sinal, na cidade próxima, né?
Que bacana!
E é um excelente profissional em termos disso aí, é um excelente profissional de acupuntura. Ele realmente saca e sabe o que ele tá fazendo, sabe em termos de educação física. Ele é formado em educação física e é um excelente personal trainer, cara. Eu fui aluno dele e, cara, cara, é, ele é muito bom nessa área dele, né? Então assim, hoje ele tá vivendo a vida dele, vou vendo a minha aqui e tal. Mas realmente, o Ricardo chegou aqui, eu conheci o Ricardo quando ele praticamente tinha chegado aqui.
Então teve época que ele não tinha as urnas suficiente e eu ficava, vamos lá comigo, vamos trabalhar. Levei para trabalhar comigo alguns dias lá na pintura, fui eu e minha esposa foi entrando em contato para conseguir cliente para ele, foi passando os amigos e tal. E aí ficou criando a cartela dele. Hoje, graças a Deus, ele tá aí com a clientela dele, tá pelo jeito tá seguindo muito bem, graças a Deus, cara. Então assim, aí onde eu digo, aqui a América é ela é para todo mundo.
Porque se você corre atrás, as oportunidades— porque aqui é um país de oportunidade, Roger.
Se você correr atrás, a oportunidade aparece.
Mas se você não correr atrás, acabou, cara. Eu tenho— eu conheço uma pessoa que o cara é advogado no Brasil, chegou aqui não porque é só advogado, porque conhece esse aqui. Não, você pode ser, você vai ter que aplicar, você vai ter que pegar seu diploma, traduzir, vai conseguir chegar aqui, vai começar do zero tudo de novo.
Não vai, cara.
Eu tenho um amigo meu, amigo meu pessoal mesmo, quem sempre se encontrei com ele. Agora o cara é dentista no Brasil, hoje ele trabalha aqui como auxiliar de dentista. Por quê? Porque ele não tem, ele não é cidadão, e pegou o green card, tá aplicando, tá transferindo, mas o cara tá trabalhando como auxiliar de dentista e o cara é dentista, cara. Pois é, tá me entendendo? Mas aí tá lutando para lá na frente conseguir. Eu tenho uma amiga minha que é enfermeira-chefe, Ana América a gente fala no Brasil, Veio para cá, trabalhou como babá, trabalhou em loja de Subway.
Hoje ela é enfermeira aqui, hoje ela é chefe do hospital onde ela trabalha, sabe, de idosos. Pegou licença agora aí para poder fazer, aplicar injeção de Monjaro, tá mudando para área de psiquiatria, né, na enfermagem de psiquiatria.
Cara, uma pessoa que venceu, tem história para contar, mas não começa no terceiro andar, começa lá no beisebol, né.
Então assim, e aí é onde Aí entra os amigos. Aí são, como eu falei, eu tenho os lados positivos, lado negativo. Tem muitos amigos bons e tive muitas decepções aqui também. Pessoas que eu ajudei muito e que pessoas que pisaram na bola, outras pessoas que você faz, você faz pelas pessoas. Mas aquele negócio eu aprendi ao longo desses anos, que eu assim, eu nunca fiz nada por interesse, Rocha. As pessoas que me conhecem, que convive comigo, se você tiver o prazer de conhecer e conversar com elas, vocês vão ver, são pessoas que sabe que tudo, eu e minha esposa, cara, a gente faz é sempre com a intenção de ajudar.
Eu vou dar um exemplo: eu moro nessa casa aqui há 9 anos. Durante 8 anos eu nunca morei só aqui, sempre fui tendo, recebendo gente na minha casa. Nunca cobrei aluguel, nunca cobrei eletricidade, só fala me ajuda na feira.
Isso.
Mas o resto, se você tem condição de ajudar, ajuda, cara. Pode crer, ajuda. Sabe por quê? Deus tá olhando o que você tá fazendo de coração. Não é que eu tô barganhando com Deus, vou fazer isso aqui para Deus me ajudar. Não é isso, sabe? Mas eu sei, eu acredito, eu tenho fé. Tudo que eu passei na minha vida com o problema da minha esposa, do meu filho, de doença que tinha dentro da minha casa, os problemas de saúde, os problemas financeiros que eu passei, eu sempre tive fé.
E eu sempre— foram provações na minha vida, e a fé que eu tive me deu suporte que eu precisava para viver como eu vivo hoje, com paz no coração. Hoje eu posso falar para você de fé, Porque eu sei o que é ter fé. É como eu ver minha esposa internada. Eu tenho minha religião onde eu faço o trabalho voluntário. Então toda quinta-feira trabalho com pessoas que têm depressão e têm câncer. Eu tenho a licença de capelão, sou capelão, eu visito pessoas em hospitais, certo?
Então tem alguém que teve uma pessoa, então sou sempre fazendo trabalho voluntário. Então a pessoa que me indicou, que é a Maria, né, que é a nossa amiga aqui em comum, eu conheci ela ali em trabalho voluntário. Voluntário. Então esse é o trabalho que me ensinou, que eu digo sempre: você quer se tornar uma pessoa melhor, não perfeita? Faça caridade, faça trabalho voluntário. Isso ensina, ensina a gente reclamar menos na nossa vida, isso ensina que os nossos problemas não são maiores do que os outros.
São problemas, mas todo mundo tem esse problema. Só que aí quando você vai no hospital e vê uma pessoa que tá com câncer com 20 e poucos anos, que tem alguns meses de vida ali, e você ser saudável, tem uma casa, tem comida, tem trabalho. Você tá reclamando porque você não tá com dinheiro para comprar uma moto ali que você quer, ou para trocar o carro, porque teu carro tá quebrando o tempo todo? Pera aí, cara, tá me entendendo?
Então assim, propósito, né?
Muda, muda, ensina, prepara, você sabe? Então assim, a minha religião ela me ensinou, me preparou para o que eu ia viver dentro da minha família, em termos de doença, das coisas que eu passei Exato. Ela, ela me preparou para eu ser uma pessoa melhor dentro da minha casa, um pai melhor, um marido melhor, um amigo melhor. Eu não sou perfeito, eu tenho defeito, mas o que eu reconheço em mim como defeito eu tento consertar. Só que não é tudo que eu vou conseguir, eu sei disso, porque o único ser perfeito que teve aqui a gente crucificou ele.
É verdade, o mínimo, tá me entendendo? Então assim, isso é o mínimo que eu faço. Então se você tem essas decepções, e eu confesso a você que eu sou um cara que assim, eu sou muito, eu sou seu amigo, eu sou amigo, cara, eu não sou aquele cara que tá sendo sacana para você, falando mal de você pelas suas costas, nada disso. Então eu vou estar lutando com você, o que eu tinha de falar vou falar com você.
E aí você tem essas decepções com algumas pessoas, porque você acha que a outra pessoa é igual você, né?
É exatamente. E esse é o erro nosso, que não é. E a decepção ela vem só dos amigos, porque o inimigo a gente já tá preparado, a gente não dá espaço.
Então as pessoas são amigos, ele já tá com a corda levantada para o inimigo. Para o amigo você tá abraçando o cara e ele tá lá te apunhelando.
Então assim, nem todo mundo faz isso porque é ruim ou porque é mal. Nem todo mundo faz, é ruim com você, é invejoso porque você tem, porque eu não sou rico, mas eu sou rico espiritualmente, da alegria que eu tenho, do amor de viver, do amor pela minha família. Então a nossa luz às vezes incomoda algumas pessoas, o nosso brilho, o brilho da felicidade do homem, porque tem gente que ela tem tanto dinheiro, mas o que ela queria é ter aquela felicidade, ter aquela família, ter o amor verdadeiro, tá me entendendo?
Você vê pessoas aí, cara, com tanto dinheiro e tanta depressão e tiram a vida, cara.
Você olha assim, o cara tem tudo na vida, e você—
porque o tudo, as pessoas não enxergam que o tudo que a gente precisa é amor, é o respeito um pelo outro, e não é dinheiro. A gente precisa de dinheiro? Precisa. Tá entendendo? Que é outra ilusão nessa terra aqui. A gente sai do Brasil, fala assim: eu vou atrás do sonho americano. Quando a gente chega aqui, a gente vive um pesadelo americano. Porque quando a gente chega aqui, a gente valoriza coisas materiais, materiais. Muitas vezes a gente começa a enxergar, algumas vezes muito tarde, que a maior riqueza a gente deixou para trás.
Atrás.
Os nossos pais, filhos, esposa, amigos, histórias que a gente tinha, a gente acabou deixando isso para trás. Aí muitas vezes você cria aqui, você cresce tanto aqui, quando você fala, você tá só, cara. Roger, a gente tá aqui 26 anos, eu acredito que essa experiência aqui você também teve. Quantas pessoas eu conheci, que eu acredito que você conheceu, que o casamento acabou que o marido trabalhava demais, a mulher trabalhava mais, que não se encontrava.
Aí o filho, os filhos entra em droga, sexo muito novo, sabe, uma vida, uma rebeldia. Aí entra em depressão. Aí você olha, não, que o meu pai, minha mãe não é presente na minha vida, não tem. Então assim, cara, você fica ali e aqui engana, porque aqui você faz o seu salário e aí você vai, pô, fiz $1.000, vou fazer $1.500 agora, eu vou fazer, eu agora quero comprar um carro melhor. Aí você vai se Cara, você vai acabando com a sua vida, você vira escravo do dinheiro, né?
Do dinheiro. E é isso, o problema não é você ter dinheiro, é você ser escravo do dinheiro. Esse é o problema. Porque hoje, Roger, vê só, eu trabalhei muito aqui, eu cheguei a ter 3 empregos, dormir 4 horas, de dormir dentro de um carro, 4 horas para não ter que dirigir até em casa para dormir, para não perder tempo. Tomava banho na fábrica onde eu trabalhava à noite, Então assim, mas foi uma época que eu precisei, eu tive problema financeiro, crise, aquelas coisas todas.
Então tentei recuperar isso aí, né? Então assim, porque quando eu cheguei aqui, que como eu falei no começo, que eu trabalho com meu pai, eu fiz muito dinheiro, mas eu era novo, eu não tinha cabeça, sabe? Eu queria curtir, eu saía. Então eu era um cara que eu gastava muito, e eu tive a minha ex, uma pessoa que gostava de gastar. Então juntou tudo, né? Então o erro foi meu não ter o controle, por ser mais velho, não ter, mas não tinha experiência, eu era mais velho, Mas não tinha maturidade.
Então são erros da juventude que hoje são esses erros que me fortaleceram, que me tornaram o homem que eu sou hoje.
Justamente todo esse monte de perrengue, todo esse monte de sobe e desce que a vida apresentou é onde você amadurece, é onde você realmente dá valor, porque na realidade tem valor, né? Que o resto tudo é material.
Tudo é material. E eu digo a você, cara, é quando as pessoas vêm para cá, lógico que hoje, naquela época a gente chegou aqui, a gente lembra bem que o pessoal vinha para cá e fazer amizade, amizade acabava com 5 anos, porque o pessoal que trancar aqui entre 3, 5 anos embora. Então os amigos a gente sempre ia embora, você acabava, não tinha orgulho e tal, porque era um pessoal que era um pessoal naquela época, quando chega aqui, o pessoal que tava aqui na nossa época, né, Roger, você era um pessoal mais de roça, ruim, um pessoal muitas vezes não tinha, que era um pessoal trabalhador, eram pessoas honestas trabalhavam muito, tinha um foco, que o pessoal só trabalhava para mandar dinheiro para o Brasil, para poder ir embora para o Brasil.
O pessoal tinha largado a família lá, né? Eu quando vim, eu vim assim, ah, eu vou, se eu gostar eu fico, se eu não gostar eu vou embora. Então eu vim sem propósito, sabe? Eu vim porque eu tinha perdido a minha empresa no Brasil por causa da crise, aquelas coisas todas. Se der, deu. Se não der, vou voltar. Só que eu cheguei aqui, eu me apaixonei por esse país. Eu cheguei aqui, não gostei de, amei a Ford, mas não gostei, odiei Massachusetts.
Mas aí eu fiz amizades que foi foram, sabe, eu fui conhecendo as pessoas, fui fazendo amizade, aí você vai criando um vínculo. Mas eu sempre busquei viver aqui. As épocas que eu não vivi mesmo aqui, que eu não fui, foi a época que eu passei problemas financeiros aqui, pouco devido à saúde da minha esposa, de doença que teve, onde eu tive que acabar tendo que correr atrás de prejuízo que eu tive, né, da empresa, essas coisas. Então aí foi onde eu realmente trabalhei muito para que minha esposa tivesse sempre presente na vida do meu filho.
Mas tanto eu quanto a minha esposa, a gente sempre foi muito presente presente na vida dos nossos filhos, né? Então tem um filho hoje com 19 anos de idade, vai fazer 20 anos agora em novembro. Minha filha, 17, vai fazer 18 anos agora em novembro também. Mas são filhos que nunca vão poder dizer assim: meu pai, minha mãe nunca foi presente na minha vida. Você tem, porque sabe que a gente foi, de estar sempre junto. Até hoje é assim, até hoje é assim.
Agora, falando nisso, porque por isso que você acabou de falar, ele se envolve tanto com trabalho e e deixa aquela riqueza material tomar conta e quer carro mais novo, e a mulher quer mais isso e aquilo, e quer uma casa maior, tudo, e acaba que deixa a família de lado. Conta aí um pouco dessa experiência sua aí, cara.
É esse trabalho voluntário, meu contratempo, por causa do trabalho voluntário que eu faço dentro da minha religião, né? Então eu busquei ajuda, né? Na época tá muito esses problemas acontecendo, problema financeiro, minha esposa ficou doente, aí Eu tive um amigo e falou, aqui tem aquele local lá, tá, dessa religião, e vai lá. Eu fui, fiz um tratamento, e eu decidi estudar mais, que eu já tinha essa religião no Brasil, já seguia sempre, procurei, mas não tinha essa maturidade.
Aí foi onde eu entrei, comecei a buscar os meus estudos aqui e comecei a trabalhar dentro da casa, onde hoje sou palestrante, né, também, e faço esse trabalho voluntário nas quintas-feiras. E durante a semana de visitar pessoas já finais, que às vezes adoecem. Alguém me liga, sabe, né, que eu sou capelão e faço trabalho, e me liga: Rafael, fulano teve um stroke, tem um AVC, tá com câncer, tá ali, você pode ir lá para conversar.
E aí a gente vai fazer esse trabalho. E interessante, Roger, que isso aumentou muito na época que eu cheguei aqui, de 2000. E eu comecei a fazer esse trabalho, eu acho que foi 2011, eu comecei em 2012. Você quase não via isso. E um exemplo, você raramente pegava uma criança com depressão, cara. Hoje eu tenho, hoje eu tenho, conheço criança com 6 anos de idade com depressão.
Sério isso?
6 anos de idade. Eu hoje, no trabalho que eu faço da quinta-feira ajudando essas pessoas, hoje eu tenho uma mãe que leva um filho com 6 anos de idade que tem Pânico e depressão. A depressão, ela é a doença do século, certo? E isso tá relacionado a várias coisas, e uma boa parte dessas coisas aqui são realmente a falta da presença dos pais, da educação que os pais hoje estão dando aos filhos, de não ser presente, né? Que os pais hoje dão presente, mas não são presentes. Olha, tem uma diferença muito grande. Então Você precisa ter presente.
É praticamente os pais estão tentando comprar aquela ausência com bens materiais, né?
Justamente. Então hoje o que você vê? Você vê muitos jovens aí com 15, 16 anos de idade, cara, no vício do álcool, no vício das drogas, né?
E você tá falando isso da comunidade brasileira?
Brasileira. Eu tô falando da comunidade brasileira. Esses números que eu falei para você de 8 pessoas nesses últimos pessoas que cometeram, que é um número alto, que isso não tinha aqui na comunidade brasileira, e aumentou muito, e aumentou muito. Então assim, cara, é muito difícil, porque o pessoal, muita gente acha que isso é frescura, mas não é. Existem vários fatores. No caso das crianças, isso aí, mas no adulto é: a pessoa é longe da família porque veio para cá, aí criou depressão aqui porque ela veio para o sonho americano, descobriu o pesadelo americano aqui porque não aguentou.
Aí lembra que eu falei no começo que a América é para todo mundo, mas nem todo mundo para América. Isso, tá me entendendo? A gente precisa ser muito forte, não é, para aguentar o sopapo aqui. Não é que essas pessoas não são fortes, eu não tô discriminando ela, mas todo mundo tem uma estrutura, Roger. Infelizmente é tudo, é feito serviço militar, não é para todo homem. E só porque o cara não serviu o serviço militar, ele deixou de ser homem ou ser uma pessoa boa, ou que ele é um fraco?
Não é, cara. É diferente, né?
É estrutura diferente, a gente tem que entender. Mas é um caso muito sério, é muito triste. Então isso, cara, isso me ensina muito, sabe, de muita coisa, de ter gente próxima, você tá entendendo? E você ali, cara, pô, tem que ir no hospital, tem que ir embora internar, sabe? Não é fácil. É uma coisa que abala muito muito, não é só pessoa, é uma doença que ela mexe com tudo, não é só uma pessoa, ela abala uma família toda.
E para quem tá escutando, que tem algum sintoma que a pessoa pode identificar isso em casa?
Sim, existem vários sintomas. No caso de crianças, jovens, né, os sintomas são: você sente desânimo em sair, você não quer estar conversando, começando, você só vive dentro do quarto, o quarto escuro, se isola, a pessoa se isola, isolamento, a falta de higiene, a pessoa não quer tomar banho, ela começa a comer, coloca os pratos embaixo da cama, roupa suja, ela começa a vestir muita roupa preta, preta, hood, se esconder, cobre os braços.
Esse ponto já tá meio que avançado, tá?
Exatamente. Então assim, a pessoa precisa do cuidado médico médico imediato, urgente, sabe? Urgente. Então os pais que estão aí assistindo esse podcast agora, presta atenção nos seus filhos e em relação a esses sintomas. E uma das coisas que eu falo, tá, Roger? Celular na mão de criança, 9, 8, 10 anos de idade, cara, você tem que ter cuidado com isso. Meus filhos tinham, mas eu sempre fui um cara de ligar. Olha, então assim, cara, eu chegava aqui assim, me dá o celular aí.
Pô, a minha privacidade, você tem como se tivesse sua casa e pagar suas contas. É isso, é verdade. Eu dou risada, mas a gente fala a mesma coisa aqui em casa, porque, cara, eu já, uma vergonha, os pais hoje, hoje parece que os filhos é que são os pais, tá me entendendo? Hoje Muitas dessas crianças têm depressão porque os pais falam assim: ah, eu trabalho, faço tudo porque eu não quero que meu filho passe pelo que eu passei. Errado.
Você tá piorando o filho, né?
Exatamente. O filho vai passar pelo que ele tem que passar, Roger. A gente ensina, a gente educa, a gente prepara, as escolhas são dele.
Exato.
A gente vai fazer as escolhas dele enquanto são menores de idade. Até depois eles vão seguir o caminho dele, né? E toda escolha tem uma consequência, tá? Então é justamente é você ter esse cuidado, ter presente na vida dos seus filhos. Eu tô falando de jovens aqui, certo? Mas isso vale para os adultos. A presença, o amor é o que cura, porque o amor ele é capaz de curar tudo, certo? E ajuda você perceber. E quem tá vendo aí, que você que tem detração, tá sentindo isso aí, aí, busque ajuda, porque vale a pena viver, vale a pena. A vida, ela é maravilhosa.
É verdade.
Tem problemas? Tem, mas tudo tem solução. Tudo passa nessa vida, menos o amor de Deus por nós.
É verdade. E é o que você falou, né? Todo esse monte de dificuldade é o que cria cicatriz, cria raiz, cria caráter, caráter, né? Ajuda você desenvolver e como é que é, e conseguir enfrentar essas dificuldades, né?
E é verdade.
E não tendo esse suporte dentro de casa, os pais estão trabalhando, não tá sabendo o que tá acontecendo, isso aí só vai enterrando, enfim, todo mundo dentro de um buraco, né?
Exatamente. E hoje nós temos centros de hotline, né, que é o Suicide Hotline, que é o número 1800. Aí você vai, liga ele, você também. Você quer tá sentindo depressão, você liga, tem pessoas 24 horas para conversar com você. Existem igrejas que têm esse número também, igreja evangélica, tem igreja talvez católica, tem pessoas de todas as religiões que trabalham nesse centro para te ajudar, onde vão conversar com você. Tem a parte para os veteranos de guerra aqui dos Estados Unidos, que é um WhatsApp só para esse tipo de gente, né, que tem um PTSD, né, que é o pós-estresse, o trauma de estresse, né, que pessoa tem, e que isso é uma coisa muito séria, né, muito séria mesmo, e tem que ser cuidado.
Existe um tratamento, certo? É através de medicação, é através de terapia, é com psicólogo, é com psiquiatra. Porque, gente, quem procura psiquiatra não é que é doido não. A terapia ela ajuda muito, muito. E eu já fiz terapia, eu tenho uma amiga minha que trabalha com essa daí, a Moura, que voltou para o Brasil. E aí ela falou, pô, Rafael, dando uma palestra, falou, Rafael, eu queria fazer uma sessão de terapia com você, vou te tem um tempo aí, eu queria muito conversar, tal.
Pode ser? Pode. Eu fiquei muito feliz, eu fui e fiz. E acredite, Rocha, eu descobri traumas que eu achava que não era trauma.
Pode crer.
E você não tem noção do quanto essa terapia me ajudou, cara.
Que legal. Você tá dando várias opções aí para o pessoal, que na realidade não é só dinheiro. O pessoal não vem para América só para colher dólar ou para comprar casa e comprar boi, que nem que a gente costuma falar aqui, né? E na realidade você até vem para ter esse lado melhor material, mas você vê que pode direcionar para o outro lado se você não prestar atenção, não for cuidadoso, né?
Exatamente. Isso é isso, é você trabalhar demais, você não ter tempo para você, você trabalha 7 dias da semana, aí você vai achar esse país uma porcaria. Ah, que esse país é um país, ok, tu trabalha quantas horas? Trabalho de 14 horas a 18 horas. Tu tem algum dia off? Não tem. O dia que tem off é para lavar roupa e fazer feira. A pessoa dá sorte, aproveita a vida. Então isso aqui vai ser ruim, mas quando você tem, ah, Fábio, porque você tem família aí.
Sim, eu tenho família, mas eu também tenho problema, gente. Eu tenho decepções, eu tenho um problema igual todo mundo. A gente não deixa de ter problema. O problema ele faz parte da nossa vida, certo?
Quem tem uma vida perfeita, aquele Eu acho que seria até chato, né, uma vida que não tem nada para você fazer, que tudo é perfeito.
E esses problemas hoje são eles que nos alertam de algo errado que a gente tá fazendo, e são eles que deixam a gente ficar. Tem uma passagem que diz: dai graça em tudo, tudo de bom e de ruim, porque o ruim também é bom. Ele ensina a gente. Não é que a gente tem que estar caçando problema para saber o que é bom, não, mas ele fortalece, fortalece. Aparece, você tá entendendo? Então assim, você tá doente, você toma um remédio, você não melhorou, você vai no hospital.
Assim é o problema, a dor na nossa vida. Se alguma coisa tá ali te incomodando, é que alguma coisa de ruim você tá fazendo. Então o que que você tem que fazer? Primeiro, meu Deus, me dá discernimento, sabedoria. Não sei o que que eu tô passando por isso, você tá entendendo? Analisa porque você tá passando por isso. E muitas das coisas a gente vai perceber que a gente que tá criando o problema. Nós somos causadores dos nossos problemas. Então assim, mas tudo Nossa, tudo tem, sabe, tem que ter solução, tudo tem.
E aí, falando em alguma coisa que você faz para te dar alegria aqui, para tipo tirar sua cabeça da pressão do trabalho, de tudo, você gosta de mergulhar, né? Você gosta de andar de moto também?
É isso aí, eu sou mergulhador, né? Tem algumas licenças aqui, né, de mergulho. E aqui em Massachusetts não mergulho tanto por conta do frio, né? Então vou a pouca profundidade aqui, 60 pés. A visibilidade é menor, mas água é muito fria, não tem muita vida marinha, né? É muito bom para quem gosta de lobos, tem muita, né, lagosta gigante aqui, né? Mas a minha paixão na Flórida, na Flórida quando eu vou é em Deerfield Beach, e eu geralmente vou aí é uma área, cara, que você mergulha lá 160, 180 pés de profundidade. E minha especialização é em naufrágio, né? São aqueles navios afundados ali.
Nossa, que massa, cara!
Então, quando você faz os cursos de mergulho, que você vai pegando as sequências, né? Então você escolhe algumas especializações. Então eu escolhi a parte de naufrágio, que é você. Então você aprende técnicas para como você entrar dentro daqueles navios, para você não se cortar, não cortar mangueira do cilindro, toda uma preparação ali. Existe todo tipo de animal, tubarão, arraia, moréia, como você lidar, como você ir, se tem tudo isso aí para você não ter pânico.
Mas você vai dentro de uma gaiola?
Não, não, normal.
Você tá lá, tá indo quase, aí olha para o lado, tubarão. E aí, beleza? Vamos entrar junto lá?
Olha, tem muita coisa. Eu já pisei em tubarão descendo, quando cheguei o tubarão embaixo não viu, pisei nele, ele não ataca. Primeiro, quando ele tá ali embaixo, você tá no ambiente dele, então ele não ataca porque está no ambiente dele. Os ataques de tubarões acontecem, eu vou dar o exemplo em Recife, né, que a gente tem, acontece muito em Recife, né? É, e quando acontece os ataques de tubarão é porque a pessoa tá nadando lá em cima, então ele acha que é tartaruga, acha que é um tipo de animal do qual ele se alimenta, então ele vai lá e morre.
Mas você nunca vai ouvir assim, um tubarão comeu um humano. Ele mordeu, mas ele não come.
Entendi.
Ele morde, quando ele percebe que não é, larga, certo? Mas aí o problema é que uma mordida no tubarão, o estrago é grande.
Ah, então já descobri qual que é a técnica. Próxima vez tubarão ver, olha, eu sou, não sou tartaruga não, e sai para o lado de lá, entendeu?
Deixa o letreiro, não sou tartaruga.
Ah, peguei.
Então assim, lá embaixo você tem uma estrutura, certo? Não, não tem, você não vai fazer movimentos bruscos, tudo isso aí. Então Então assim, é uma coisa muito boa. Para quem quer mergulhar, precisa realmente gostar de água. Mas como é para, cara, você não começa o curso de mergulho mergulhando no mar, né? A gente começa com um instrutor, algumas aulas antes de ir. Aí ele vai para piscina, água rasinha na cintura, a gente bota o equipamento, bota o óculos, respira com a boca, vai fazendo treinamento. Agora entra na água. Então é toda uma preparação antes conseguir concentrar.
Então vou fazer uma pergunta para você, porque eu já me afoguei duas vezes, uma numa piscina e uma no lago. Eu, eu não tenho medo de ir num barco, mas eu, eu tenho pavor de entrar na água porque eu não consigo boiar nem nada. Eu ainda vou conseguir fazer mergulho ou esquece, pode nascer de novo?
Cara, isso vai depender muito de você, porque é o psicológico, certo? Você pode ter um ótimo instrutor, mas se você não desbloquear o medo que você tem, é uma coisa que vai bloquear você. Porque realmente, na hora que você na piscina, você pode, você só vai descobrir isso fazendo. Não é você, ó, Rafa, eu vou começar, e você vai fazer o curso, você vai falar que você tem pânico, você já se afogou, você tem que explicar tudo isso aí ao instrutor, e ele vai ter a técnica para poder te ensinar.
Porque quando a gente faz o curso, uma das especializações que é o curso de resgate, você faz é o treinamento para pegar pessoas em pânico, né? Então, exemplo, tem uma pessoa que tá se afogando. Se eu for até você, a primeira coisa que você vai fazer é tentar me agarrar para subir. Então a técnica que a gente usa, eu vou passar por trás de você e vou pegar você por aqui, porque aqui, quando pega aqui, você não consegue me segurar.
Então eu consigo manter você flutuando 1 ano sem você me afogar, certo? E levar você até a beira da praia. Então você falando a sua experiência, o instrutor ele vai saber como trabalhar com você e tentar. Pode ser que você consiga e pode ser que não. Pode ser que você precisa fazer uma terapia para desbloquear esse medo, e aí você consegue ter um resultado, né? Então, feito um exemplo, não existe terapia se você, pessoal, que aqueles rolos que o pessoal que junta lixo na casa, aí não vai o psicólogo, vai, e não consegue limpar da casa é passar por esse mesmo processo, a terapia ajudar você desbloquear esse medo, porque realmente trava.
Você foi afogado duas vezes, isso trava realmente a pessoa, e não é fácil você desbloquear. É um esporte muito seguro desde que você não mergulhe só e siga todas as regras que o mergulho ensina, e não encontre o tubarão na sua frente, né, também. É, então assim, eu Eu, tubarão, já dei de cara com vários tubarões assim, todo moreto. Eu tenho muitos vídeos aqui, mas assim, eu nunca, nunca cruzei com tubarão branco, né? Aqui no Cape Cod tem, esse não tem.
Eu nunca realmente cruzei, mas eu tenho amigos meus que já saíram daqui dos Estados Unidos para ir, eu acho que não foi, essa África, algum país aí onde vai fazer mergulho com tubarão branco, cara. E o cara tem filmagem lá que tem mais de 300 tubarões em volta dele assim, ó, cara, ele alimentando costo moral. Você é maluco! Então assim, tem gente, eu já não arrisco isso, tá entendendo? Eu prefiro não arriscar, então prefiro dar um mergulho.
E a outra coisa, você falou da moto, é a Harley-Davidson, que é minha paixão. É minha paixão a moto, a paixão que eu tenho desde pequeno. Foi meu primeiro veículo, foi uma Honda XL, né, 350. No Brasil a gente fala que é o XLão. Onde eu sempre andei para trabalhar e fazia trilha também.
Que legal, né?
Mas a minha paixão sempre foi Harley-Davidson. Nunca pensei em ter uma, achar que nunca teria uma. E ela começou por conta do meu avô, o avô de Jalma, que eu chamava sempre de vovô Didi. Ele era mecânico e ele trabalha com mecânica de carro e de moto, e ele tinha uma Harley-Davidson lá no Brasil. Lá no Brasil, uma Harley-Davidson, foi da polícia, do exército, alguma coisa assim. Eu lembro dele agitando a moto, tal, ele me colocava no tanque, que a dele era aquelas motos da polícia, então não tinha um banco traseiro, é só um banco na frente de metal, aquelas luzes bonitonas e tal.
Ele me botava, dava volta comigo, tal, e assim. Então eu tenho essa memória muito grande. E aí eu sempre quis ter moto, mas nunca busquei, rapaz. E uns 4 anos para cá, eu falei, cara, eu vou comprar uma moto para mim, eu vou comprar. Eu nunca comprei porque meus filhos já tinham crescido, né? E aí eu não queria ter moto para eu sair, deixar minha mulher em casa com meus meninos pequenos. Sim, cara, você tem família, você tem que aproveitar a família.
Isso. E aí eu falei, agora não. Aí quando foi o ano passado, eu falando com um amigo meu, e falei, cara, vou comprar moto. Aí ele falou assim, Rafael, tu não comprou porque tu não quis. Porque tu já fizesse tanta coisa que tu não tava com dinheiro e tu fizesse. O curso de mergulho foi um desses, eu não tinha dinheiro na época. Ele falou, eu vou fazer, eu vou fazer. De uma semana trabalhei de um jeito, fui lá, consegui o dinheiro, peguei o curso e fui lá e fiz o curso.
Tudo é quando você quer realmente, você corre atrás, você arruma uma desculpa e vai e faz.
Aí eu, cara, conheci meu amigo, falou isso, e o cara miserável tá certo, né? Aí eu peguei, eu fui na loja com ele para olhar uma jaqueta, mentira, que eu falei, Cara, eu comecei a comprar as coisas de moto sem ter moto, sem ter moto. Mas eu falei, eu vou comprando porque isso aqui vai me fazer comprar moto. Aí eu falei, cara, eu vou comprar uma jaqueta, mas eu vou lá medir a jaqueta para ver o tamanho. Quando eu cheguei lá, aí eu vi a moto.
Aí tinha moto nova, o cara aqui me botando, não vou comprar moto nova não, velho, não sei como é que é tal. Nunca tinha andado em ralo desse, uma moto pesada, a moto mais pesada que eu andei foi uma 650. Só dei uma volta no estacionamento. E aí eu vi minha moto, eu fui, montei, falei, não, essa aqui, uma Harley-Davidson 2006, é uma Street Glide, né, FLHX, né. Caramba, que ela já é com injeção eletrônica e o motor é uma 1500 cilindrada.
Nossa Senhora, de 5 marchas. E eu falei, cara, essa moto aí, eu fui lá dia 26 de janeiro, cheguei lá, comprei, foi meu presente de Natal, eu mesmo me presenteei. Me meu email, né? Aí fui lá, comprei no dia 26 de janeiro do ano passado. Dia 6 de janeiro eu peguei a moto no inverno, já dei uma volta aqui na rua de casa, fui lá, peguei, apliquei para o PEM. Já no meio de janeiro eu tava andando de moto aqui nessa neve aqui, cara. Dava 32, 35, eu tava andando de moto com PEM.
Só você de moto no inverno todo?
Eu cheguei no inverno, eu cheguei em março aqui, eu cheguei numa sexta-feira, cheguei 2 horas da tarde em casa, não tinha o que fazer, eu montei na moto, a rua tava tudo limpinha, eu saí daqui, peguei a minha Spike, fui lá para Nova York, lá para Albany, 2 horas e pouquinho viajando, cheguei em Albany, fiz a volta e voltei para casa.
Só para matar a vontade, só para botar a volta, cara.
A galera fica doida porque no inverno, janeiro, fevereiro, aquele frio, vê você andando de moto, congela, né? A galera olha, o cara, esse cara é doido, velho, esse cara é doido.
Mas muita gente fica assim abuzinando, dizendo legal, massa.
Muita gente curte ver você ali andando, pode crer, cara, admirando a loucura, né? Mas é uma paixão.
Tem umas roupas térmicas também, não tem?
Para usar? Exatamente, eu tenho umas que esquentam e eu tenho umas roupas apropriadas, eu tenho luva apropriada aqui, ela esquenta. Então não sinto frio, eu vou, ando de boa, né? Não sinto frio. E uma vantagem muito grande que é o que o meu estilo de moto, a Harley-Davidson, ela tem 6 ou 7 tipos de modelos, que é Sport, Sport, Dyna, tem, tem um modelo clássico, você tem um modelo que eu tenho aqui, é aquele, o Touring, né, que é um modelo mais para, que é a Road Glide, a Street Glide, a Electra Glide, Road King, é os estilos mais para você pegar estrada.
É aquelas motos que a gente vê nos filmes americanos mesmo, né, daqui realmente, vamos falar assim, é exatamente. Então ela é para longas viagens, são muito confortáveis, é uma moto pesada. A minha moto ela pesa 875 pounds, a gente tá falando aí de 500 kg mais ou menos. Nossa Senhora! Então assim, ela sozinha ali, né? Então assim, é uma moto pesada. Então a minha experiência com a Harley-Davidson foi muito boa, mas assim, no começo é as curvas para você fazer, por causa do peso dela.
Se você não souber, você tomba, né? E você pode se machucar e quebrar a moto também, dependendo.
Caramba!
Mas é que você vai andando, então quanto mais você vai pilotando, você vai se adaptando mais a moto. Chega um momento que quando você senta na moto, ela abraça você, sabe? Então é uma pessoa só, moto e ser humano é uma coisa só. Então, cara, eu aproveito, curto demais. E aí eu tenho meu compadre, que é o padrinho da minha filha, que também pilota moto. E aí quando eu comprei, ele falou, cara, tem uma galera boa, tu vai gostar muito, que é uma galera do grupo de moto aí e tal.
Aí a galera dos gringos Aí eu, gringo, é beleza, cara, segue eles aí. Eu fui lá na parte, seguir, comecei a seguir os cara, né? Aí ele foi, me apresentou um dos cara dos gringos, que é o Augusto, que na época ele era membro do gringo. E a gente foi dar um rolê, cara, em março já, perto de abril. A gente deu um rolê de moto, eu, meu compadre, ele e mais um amigo nosso, Douglas. No invés, ele falou, pô, meu compadre pegou uma moto agora, tá andando sozinho aí, pá, vamos dar um rolê com ele, bora aí dar uma volta com a galera.
Uma galera boa. Paramos, né, comemos alguma coisa e voltamos. Aí esse cara foi e me apresentou a galera desse clube. A gente ia sair fazer esse passeio que eu fui para Nova York e voltar e ir para North Adams, que é um lugar que tem um mirante para você subir, você vê.
Eu sei onde é, sabe?
Ali na linha tem a visão dos 4 estados, ali é muito bonito. E aí, vamos para lá, lá para Nova York, a gente volta para lá em North Adams para ir comer e aproveitar a visão.
Bora!
Aí passou no banco, foi no SAC para fazer um depósito. Aí ligaram para ele chamando ele para sair. Aí falou: tô com um brother aqui, vou viver com ele. Aí ele falou assim: Rafa, o pessoal ligou aqui chamando para dar um rolê. O rolê que a gente vai fazer é melhor porque é muito massa esse rolê, mas tem a galera que chamou lá para tomar uma e conversar, bater papo, comer alguma coisa, que aí qual dos dois jeitos não vão conhecer essa galera.
Aí eu fui lá para Revia para conhecer a galera dos gringos lá na Harley-Davidson Revia. Aí eu conheci a galera boa de lá, a gente saiu e tal, aí foi, parou lá em Stouffville, fez um rolezinho mais, parou aí, tomaram cerveja. Eu quando tô pilotando bebo cerveja sem álcool, tá? Só para deixar a galera aí, né? Não beba com álcool não, tá? Tem uns cara que bebe com álcool, mas eu não aconselho. Eu bebo sem álcool. Então assim, é álcool e moto não combina nem com carro, né?
Então eu sempre pego, imagina, justamente, né? Então assim, aí foi comer, bebeu e ficou conversando, aí me chamaram para abertura, como se fosse em abril, ter o Open Season lá da galera. Eu fui, cara, e de lá eu não saía, acabei, entrei nos gringos, sou amigo dos gringos também, ando com eles, filha da nena. E é um grupo muito bom, é um grupo que é o Green Boston Riders, né? E é um grupo, tem 5 anos, e é um grupo maravilhoso, cara.
Um ambiente muito familiar onde vai os caras, vão as esposas, os filhos, cara. Um ambiente que você tá ali, você não tá preocupado se alguém tá olhando para sua esposa, para sua filha. Se vocês tiverem um ambiente saudável, brincadeira saudável, não tem nada que desrespeita ninguém. Cara, é um ambiente 10. Não é perfeito, como nenhum lugar tem nada perfeito. Mas no geral, deu 90%, cara, muito 10.
Mas esse gringo aí é só gringo ou é brasileiro? Gringo tem de tudo?
Não, é só brasileiro. Mas nos passeios tem pessoas americanas que vão, que são as esposas de alguns ou marido de algumas pessoas. E às vezes tem pessoas que são amigos dos brasileiros que os cara chama e eles vão.
E aí começa já misturar, embolar todo mundo.
Exatamente. Mas assim, eu diria para você que é 98% é tudo brasileiro.
Que massa, cara! Ó, bem que você falou, né? Quando eu convidei o Rafael para o podcast, você falou: eu gosto de falar. Eu, ó, 1 hora e 20 que nós estamos falando aqui, eu na verdade nem falei, né? Só você falou, cara. Muito legal esse papo aqui, muita informação boa, muita história. Agradeço demais mais aqui. E eu sempre termino o programa com 3 perguntas, né? Pergunta rápida, sem pensar demais. A primeira é: o que que o brasileiro ou o Brasil tem que nenhum outro lugar do mundo tem?
Felicidade e amor.
Felicidade. E o que é que o brasileiro ou o Brasil ainda não tem?
Consciência, às vezes, das coisas. Sabe, é consciência, quer saber que você tá em outro país, de respeitar as leis, de não abusar, você entendendo, da, de você entender porque você hoje é um cidadão americano, você tem um green card, você não é melhor do que os outros, você não deixou de ser imigrante, você para sempre vai ser um imigrante, que é uma coisa positiva, porque esse país é forte porque é feito por imigrantes.
Exato.
E para terminar, o que que significa garra brazuca Garra Brazuca é todas essas histórias de pessoas que chegaram com sonhos aqui, que realmente enfrentaram todas essas histórias, como eu tô contando a minha aqui, como você tem a tua, e quantas outras pessoas mais. E saber que no final a gente conseguiu vencer, que isso nos tornou pessoas mais fortes. Essa é a garra que a gente precisa, é de acreditar que a gente vai conseguir e vai conseguir.
É verdade, cara, é muito interessante. Gostei demais esse papo aqui com você. E para quem tá assistindo aí, eu convido e deixo a oportunidade para vir compartilhar com a gente se você já morou ou continua morando fora, conhece alguém que mora fora. Compartilhe esse material porque toda conversa tem aprendizado. Aprendi bastante hoje com o Rafa aqui. E chama nas redes sociais, vem compartilhar o que você já viveu, que tá vivendo, porque tem muita gente que aprende com os erros e com os acertos dos outros, né?
E semana que vem tem outro Carrabrazuca na área. Valeu, obrigado, obrigado, Rafael, e a gente vai se falando aí.
Um abraço, obrigado, Jorge. Abraço também, até mais, até mais.