Episódios de Garra Brazuca

Ser imigrante é ser bom duas vezes — a lição que vivi na prática | Garra Brazuca #1 | Mel Alves

11 de setembro de 202652min
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Descubra o que significa ter que ser 'bom duas vezes' para vencer como imigrante.

Neste episódio do Garra Brazuca, Roger Magalhães conversa com Melk Zedec, que saiu da zona norte de São Paulo para desbravar o Havaí, a Costa Rica e os Estados Unidos em uma jornada de resiliência e segundas chances.

Da imigração com inglês básico às lições de autorrealização na Costa Rica, Mel compartilha como a mentalidade de 'não poder errar' transformou sua trajetória.

O papo explora a transição de carreira da informática para novas oportunidades na Flórida e o choque de realidade de quem busca uma vida melhor longe de casa, provando que o suor e a teimosia são os melhores aliados do brasileiro no exterior.

• O despertar da autorrealização e a consciência da segunda chance.

• A primeira viagem internacional saindo do Jardim Peri direto para o Havaí.

• Superando as barreiras do idioma com frases anotadas na mão.

• A transição do mercado de escritório para o trabalho braçal e a reinvenção na gringa.

• Por que o imigrante sente a pressão de entregar o dobro de resultado.

Assista a esta conversa inspiradora e entenda por que a garra brazuca é o que diferencia quem se adapta de quem desiste. Deixe seu comentário sobre sua própria jornada de superação!
0:05 Reflexão Pessoal e Segunda Chance

1:03 Introdução ao Garra Brazuca

2:29 Início da História de Mel

3:25 A Viagem para o Havaí e o Engano

9:13 A Decisão de Sair do Brasil

13:02 Experiência como Professor na Costa Rica

17:20 Mudança para os EUA e Desafios Iniciais

20:14 Convivência com o Sogro e Trabalho
#GarraBrazuca #BrasileirosNoExterior #Imigração #VidaNaGringa #Superação
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🎙️ GARRA BRAZUCA Histórias reais de brasileiros que ralaram (e ralam) na gringa — sem filtro. 

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Participantes neste episódio2
R

Roger Magalhães

Host
M

Melk Zedec

Convidado
Assuntos6
  • A mentalidade de 'não poder errar' como imigrante e a segunda chanceautorrealização·segunda chance·resiliência
  • A primeira viagem internacional para o Havaí e o choque culturalHavaí·barreiras do idioma·engano em reserva de hotel
  • A transição para os Estados Unidos e os desafios iniciaisEstados Unidos·Connecticut·trabalho com persianas·adaptação cultural
  • A pressão de ser imigrante e a necessidade de ser 'bom duas vezes'competição no trabalho·superação·mentalidade competitiva
  • A decisão de sair do Brasil e a jornada para a Costa RicaCosta Rica·Endless Summer·ensino de português
  • O papel do jiu-jitsu na vida do imigrante e a capacidade de improvisarjiu-jitsu·capacidade de improvisar·resiliência mental
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MZMelk Zedec

Teve um momento que eu tive uma autorrealização, foi quando eu tava na Costa Rica, mas eu pensei, eu não bebo faz 11 anos, né? E foi um dia que eu bebi, nesse dia eu tava lá, né? E aí eu sentei assim na cama e eu falei Cara, eu não posso errar. Eu tenho que fazer uma coisa boa aqui. Quando eu vou, eu fui embora do Brasil falando que eu ia fazer uma coisa boa para minha vida. Então essa é minha chance. Eu não posso errar. Eu não posso mais fazer nada errado. Eu tenho que fazer tudo certo agora.

?Voz B

Essa aqui é a minha segunda chance.

MZMelk Zedec

Essa é minha segunda chance. Eu não posso falhar.

RMRoger Magalhães

Garra é a raça, brazuca é como a gente chama uns aos outros quando se mora fora do Brasil. Aqui você encontra os dois. Garra Brazuca traz conversas com brasileiros e brasileiras que moram ou já moraram no exterior. Alguns se adaptam, outros não, mas todos têm uma história de suor, teimosia e reinvenção para contar. Afinal de contas, o brasileiro não desiste nunca. Então bora lá, pega sua bebida favorita, puxa a cadeira que já vai começar mais um Garra Brazuca comigo, Roger Magalhães.

?Voz B

Estamos aqui no primeiro programa do Garra Brazuca. A ideia é compartilhar a história de brasileiros e brasileiras que moram ou já moraram fora. Porque quem tá lá no Brasil acha que é tudo as mil maravilhas, né? Só chegar, descer do aeroporto, descer do avião e começar a coletar os dólares em cima das árvores. Mas na realidade não é bem assim. E a ideia do programa é justamente essa, contar a história de todo mundo que tem perrengue, tem coisa boa, tem virada inesperada.

E hoje eu tô trazendo o Mel. Mel é de São Paulo, trabalha comigo aqui na Flórida, e ele vai contar como é que aconteceu o caminho dele. Mel, conta para a gente, tá vindo da onde? Fez o quê no Brasil?

MZMelk Zedec

Nasci na Zona Norte de São Paulo. Meu nome é Melchizedeque, mas aqui nos Estados Unidos o pessoal me chama de Mel. Nasci lá na Zona Norte de São Paulo e cresci lá num bairro chamado Jardim Peri, lá na Zona Norte. Estudei Sistema de Informação e trabalhei com informática e em escritório até mais ou menos uns 26 anos aí, mais ou menos por aí.

?Voz B

Aí um dia cansou disso, como é que é? Como é que surgiu essa ideia de querer morar fora?

MZMelk Zedec

Eu tirei, eu decidi tirar umas férias aí e viajar para o Havaí. Eu fui, eu fui, saiu essa ideia de passar umas férias lá no Brasil. Tem 30 dias, né? A gente pega 30 dias, que é bem diferente aqui, e fui viajar para o Havaí. E aí eu cheguei lá em Atlanta, né, porque a primeira escala E aí eu me deparei com a primeira interação que você tem em inglês, né? Foi lá na imigração. O cara para mim: por que que você vai para Bahia? E sabia o que fazer, travei, falei: oh, vacation, vacation, né?

Não sabia falar nada de inglês. Acabei indo lá, indo lá para, né, meio que preparado com umas palavrinhas anotadas assim, ou bem básico do básico, totalmente. Totalmente assim, né? Tipo, escrevi lá à mão o que que eu falo se perguntar isso aqui, né?

?Voz B

Tipo, e não pode sair, não pode mudar nenhuma palavra aí que já trava.

MZMelk Zedec

Não, imagina o pessoal falar expressão, né? Eu não vou entender nada, não vai entender nada. E aí é essa viagem para Havaí, foi interessante porque foi a minha primeira viagem de avião. A minha primeira viagem foi direto para um lugar longe.

?Voz B

Já chutou logo o pau da barraca, né? Já que vai viajar, vamos viajar logo para o melhor lugar possível.

MZMelk Zedec

É 880, não tem meio termo. Foi direto para Havaí.

?Voz B

Pode crer.

MZMelk Zedec

Cheguei lá no Havaí e, cara, tem uma história interessante lá. Quando eu cheguei, né, assim, É aquele, aquele é um efeito mesmo da borboleta que, pô, chega lá, uma coisa leva a outra. Eu cheguei no hotel que tinha alugado o quarto e tudo mais para fazer o check-in e descobri que tinha sido enganado. Cheguei lá, pô, não existe.

?Voz B

Como assim foi enganado?

MZMelk Zedec

A pessoa que eu aluguei pelo site que eu aluguei, né, eu não sabia nada de inglês. O site que eu aluguei, tava lá o anúncio, eu fiz o pagamento, eu segui os passos totalmente inocente, que você não fala o idioma, você não entende nada. Eu falei que achei que era normal, segui os passos lá, fiz o pagamento. Quando eu cheguei lá na recepção desse lugar, o cara já tinha, já tava acostumado a receber gente que caiu na mesma falcatrua.

?Voz B

O hotel existia, mas o pessoal, a parte de fazer a reserva lá era falsa.

MZMelk Zedec

Sim.

?Voz B

Nossa, velho. Sim, $700 por vinagre.

MZMelk Zedec

Acabei, perdi assim. Só que, cara, eu sou assim, quando aconteceu isso aí Eu não lembro de ter ficado triste, eu fiquei nervoso, né? Pô, mas aí eu falei, ah, vamos embora, tô no Havaí, vou fazer o quê?

?Voz B

Eu já tô aqui mesmo, né?

MZMelk Zedec

Tô aqui, beleza, né? Peguei mochila, fui caminhando, caminhei a rua da praia inteira lá de Waikiki, uma rua gigante, cara. Aí você olha assim aquela visão, né? Você acha que é, você acha que Havaí é tudo praia e beleza, mas tem um monte de, parece um shopping.

?Voz B

Gigante, tem um monte de prédio, né?

MZMelk Zedec

Um monte de prédio, tem as lojas de grife, não sei o quê. E aí caminhei até o lado esquerdo da praia lá, achei um lugar, Waikiki Beach Hostel, era um hostel, e aluguei uma cama num dormitório, né? Falei, agora eu vou ter que economizar aqui, né?

?Voz B

Beleza, agora eu só tenho $70 que sobrou aqui, vai ter que fazer o mesmo efeito, vai ter que ser Porra!

MZMelk Zedec

E aí aluguei lá o dorme, fiquei lá. E aí foi, cara, interessante, foi a primeira vez que eu comi pasta de amendoim, aquele sanduíche de pasta de amendoim com geleia, né? Que eles comem todo tempo aqui. E era o café da manhã, era esse. E aí acabei ficando nesse dormitório, foi muito legal porque foi uma coisa ruim que aconteceu, mas me levou a conhecer muita gente que eu tenho contato até hoje. Pessoal da Noruega, pessoal de Nova York, Califórnia. Brasileiros que moram fora do Brasil também lá.

?Voz B

Porque se você tivesse ficado no seu hotel, você ia ficar no seu quarto, não ia se misturar com ninguém, né? Então tem coisa ruim que vem para o bom.

MZMelk Zedec

Sim, sim. Pessoal da França, conheci muita gente, muita gente. Todo dia no hostel era uma festa, né? Que tal todo mundo de férias? Então o pessoal lá fazia festa, interagia, acabei conhecendo muita gente, foi muito legal. Pessoal que até me visitou no Brasil depois, eles me visitaram no Brasil. Que legal, pessoal da Noruega me visitando lá no Brasil lá. Mas foi isso, foi muito interessante. Quando eu, aí, né, indo embora, como foi uma coisa muito muito forte essa viagem, né?

Eu fui, na hora de ir embora eu tava triste, pô, tava já o cara, o cara lá, um havaiano lá local me viu, falou, pô, tá triste, cara. Fez assim para mim, né? Tipo, tá triste, tá chorando, tô triste, cara, tava triste mesmo. Você vai agradecer aí, tá voltando para realidade, moço, tá voltando para Para selva, né, cara? E aí foi isso. Quando eu cheguei no Brasil, já cheguei, já não queria mais essa, olhei sentado no escritório, no computador de novo, a mesma coisa, camisa social, roupa social, aquela coisa, né, do Brasil.

?Voz B

Já tinha ficado mal acostumado lá com Havaí, já queria uma vida diferente.

MZMelk Zedec

Então foi aí que começou esse desejo, esse impulso de de querer ir embora. Eu decidi, eu decidi em pouco tempo mesmo. Quando, assim que eu voltei, eu já tava decidido já embora, embora mesmo. Ah, vou embora, vou para outro lugar.

?Voz B

Aí foi embora para o Havaí?

MZMelk Zedec

Não, não, lá do Brasil. Eu, como eu não queria vir para os Estados Unidos, porque na verdade não me interessava tanto morar nos Estados Unidos, não era realmente o que eu, um interesse meu, eu procurei vi um filme, chama Endless Summer, que é Verão Infinito. E nesse filme aí, a primeira, o primeiro lugar que eles vão é nos Estados Unidos, e o segundo lugar que eles vão é a Costa Rica. E aí eu vi esse filme e, pô, falei, pô, primeira coisa que eu fiz foi ir para os Estados Unidos.

Agora que eu tenho que seguir o roteiro aí, né, vou lá para Costa Rica. O roteiro do filme é Essas coisas que a gente faz, né? A gente inventa essas coisas, né? E aí, tipo, deu na telha de querer fazer igual no filme. Falei, ah, vou lá para Costa Rica. Aí, porque tinha uma amiga minha que morava lá na Costa Rica, ela morava lá muitos anos. E eu falei, pô, de repente eu vou lá e dá certo, vou conseguir alguma coisa lá, né? Sei lá.

E fui, fui decidir, falei para todo mundo. Quando você decide uma coisa, você tem que falar para todo mundo. Tá decidido, você tem que falar. Por quê? Porque o pessoal vai perguntar depois, aí você tem que fazer. Então foi a primeira decisão, foi comunicar, foi comunicar todo mundo, falar, cara, pessoal, chama o melhor amigo, falar, vou embora.

?Voz B

Aí todo mundo apoiou?

MZMelk Zedec

Nem sempre, né? Não sai assim, né?

?Voz B

Não é, não, pessoal, você é louco, você tá largando esse serviço bom que você tem, você vai arriscar, não tem nada garantido. Ficar aí, né?

MZMelk Zedec

É, exatamente. Todo mundo acaba projetando, né, as inseguranças, os medos, né, na outra pessoa, né? Então vem isso aí de, puxa, não vai não, cara. Mas e aí, você não tem o visto certo ainda, tem que tirar o visto lá. Falei, vou tirar, né? Tem que ficar dando satisfação, tem que ficar explicando o que que você vai fazer, qual que é o seu plano. Vai fazer o quê lá? Você sabe dar aula?

?Voz B

Não.

MZMelk Zedec

Tipo, você sabe fazer isso? Não, pô, mas eu vou dar um jeito, eu vou resolver, né? Eu me viro, eu me viro. Eu acho que é o ponto principal do imigrante, é ter audácia de se virar, né? Audácia, aprender a se virar. Por isso que o brasileiro Vou falar para você que eu acho que o brasileiro se dá bem fora porque a gente resolve, a gente resolve. Não tem isso aqui, a gente vai achar um jeito de fazer isso aqui.

?Voz B

Essa persistência, essa determinação, acho que é da nó em pingo d'água, é da cultura, porque faz, faz andar para frente de um jeito ou de outro.

MZMelk Zedec

Tem que resolver, tem que resolver.

?Voz B

Aí chegou na Costa Rica, foi fazer o quê lá?

MZMelk Zedec

Essa minha amiga, ela tinha uma escola de português para estrangeiros. E aí eu trabalhei nessa escola aí, ela tava me ensinando, né, o processo de dar aula para estrangeiros, né, como é que era dar aula de português. Eu não tinha nada a ver com a minha profissão, então para mim era tudo novo. Eu aí ficava lá fazendo, né, fiz um pouco de um estágio com ela. Ela me ensinou aí mais ou menos como seguir o processo. E aí acabei trabalhando com ela, mas tinha uma outra escola maior e o pessoal lá tinha uns eventos na escola e tal.

E aí eu fui, visitei a escola num evento que eles tinham lá, uma festa junina. Que tinha. E eu achei muito legal a escola, eu falei, nossa, legal esse pessoal aqui, né? Fiz umas amizades. E aí me chamaram para substituir uma aula lá nessa escola. E aí eu fui para lá substituir essa aula e, pô, achei que ia ser— depois me chamaram para trabalhar lá, o pessoal gostou de mim, falou, vou trabalhar aqui. Acabei não trabalhando mais com essa minha amiga e fui trabalhar nessa escola meio como meio período de professor assim, né, meio que aprendendo.

Eles estavam me treinando, eles me treinaram para ser professor e tudo mais. Então foi muito legal e acabei trabalhando lá, trabalhei lá 5 anos, acabei virando, acabei virando coordenador do departamento de português lá nessa mesma escola. Que legal, né? Fiquei lá bastante tempo e comecei a estudar para ser professor, mas eu estudei para ser professor infantil. Decidir dar aula para criança.

?Voz B

Professor de português?

MZMelk Zedec

Na verdade, a faculdade que eu fiz foi lá na Costa Rica, em espanhol, nas matérias básicas para criança mesmo, educação infantil, ciências, matemática, história. Então eu acabei estudando para ser professor de matéria básica mesmo, né, ensino fundamental, né, para criança.

?Voz B

Que legal. Aí, como é que apareceu essa história de mudar para os Estados Unidos? Porque você tava numa boa lá, né?

MZMelk Zedec

É, numa boa eu tava tranquilo, né? Porque como a gente acaba trabalhando bastante e era coordenador da escola, tinha um, já tinha um salário legal e tudo mais. E eu trabalhava, cheguei a trabalhar 2 empregos na época, né? 2, 3, tinha aluno particular. Então acabava Eu me virei bem lá na escola. Eu conheci, quando eu trabalhava lá na escola, eu conheci minha esposa e a gente tava tudo bem. A gente começou a morar junto, tudo mais.

?Voz B

Ela morava lá ou ela tava passeando lá?

MZMelk Zedec

Ela foi para lá para fazer, para dar aula de inglês para estrangeiros. E aí quando ela chegou lá Ela foi fazer um, ela foi trabalhar nessa escola que eu trabalhava. Ela chegou lá e a gente se conheceu porque eu fui fazer um workshop, uma apresentação de aula para aluno iniciante. E aí eu dava todo, todo, a cada 6 meses eu dava uma aula para aluno iniciante, para todos os professores, para eles verem como é que era a experiência, né?

E aí, durante essa aula, ela me viu, né, e a gente se conheceu lá e tudo mais. A gente começou a namorar e a gente foi morar junto. Foi um processo meio rápido isso aí porque teve a pandemia, né. Então, na pandemia, todo mundo foi embora e eu e ela, a gente tava junto, né, acabou ficando, a gente ficou junto. E tava tudo bem, a gente ia sempre para praia passear, para montanha, mas até o momento que a gente casou, né? Quando a gente casou que a gente percebeu que eu não era de lá nem ela. Então o que que a gente vai fazer para o resto da vida, né?

?Voz B

Ou volta para o Brasil ou vai para os Estados Unidos.

MZMelk Zedec

Pois é, e aí Como eu já falava inglês, ela não fala português, né? Eu falei, não vou voltar, não vou para o Brasil porque vai ser um processo muito mais difícil dela aprender português e conseguir um trabalho lá e tudo mais. Então eu vou voltar para o— não vou voltar para o Brasil, decidi ir para os Estados Unidos, certo? E aí cheguei, cheguei a uma conclusão de voltar, de eu ir para os Estados Unidos. A gente começou o processo, né, de se desfazer de tudo, preparar tudo para vir para cá, certo?

?Voz B

Aí ela morava aonde aqui?

MZMelk Zedec

Ela é nascida e criada em Connecticut, que é perto de Nova York, né? E aí Eu, ela veio primeiro e eu fui, foi engraçado que eu terminei a faculdade, a gente se casou em maio e eu terminei a faculdade em julho, em junho mais ou menos, no final de junho, e no começo de julho eu tava indo embora para os Estados Unidos, peguei o avião, fui embora.

?Voz B

E aí, mas sem ter nada certo, né?

MZMelk Zedec

Só chegando, não tinha nada, não sabia o que ia fazer de profissão, não tinha uma ideia completamente formada, certo? Não tinha, ia fazer o ajuste do visto, né, que era através do casamento, né? Ia conseguir fazer o ajuste. Então eu vim Entrei nos Estados Unidos com visto de turista para fazer o ajuste de maneira legal, certo? Então aquela coisa, né, vim para cá sem trabalho, sem plano nenhum.

?Voz B

Mas você não tinha trabalho, mas ela também não tinha, né? Se ela morava lá com você, então eram os dois desempregados.

MZMelk Zedec

Então ela veio antes porque ela conseguiu um trabalho aqui antes. Então ela veio uns meses antes porque ela foi trabalhar nas clínicas que davam a vacina do COVID.

?Voz B

Ah, tá, entendi.

MZMelk Zedec

Assim, ela foi lá e ela conseguiu esse trabalho aí. E aí ela tava trabalhando, então quando eu cheguei ela tava fazendo essas clínicas aí, que eram mais ou menos, o pessoal ia para uma praça ou um parque, fazia uma, montava uma clínica temporária e dava vacina para o pessoal. Entendi, do COVID. Ela fazia isso aí, certo?

?Voz B

Aí você chegou, caiu e falou, o que que eu vou ter, o que que eu vou fazer da vida, né? Porque não sabia o que que você ia trabalhar, não sabia.

MZMelk Zedec

A minha única alternativa foi trabalhar com persiana, que era o meu sogro, é instalador, era instalador de persiana e cortina. E ele comentou que alguns dias da semana talvez precisasse da minha ajuda, que ele é um senhor, né, de já era, já tinha os seus 64 anos de idade. E aí às vezes era pesado e precisava aí de ajuda. Então eu ia lá para ajudar ele, só para dar uma força mesmo, né. Então cheguei nos Estados Unidos, fui morar com o sogro e com a sogra, morar na casa do sogro e da sogra.

?Voz B

E aí, qual que era a impressão deles? Pô, meu, esse cara tá dando golpe na minha filha, veio e casou com ela só para ganhar o visto. Ou tipo assim, te recebeu de boa, que legal?

MZMelk Zedec

Qual que foi morar com sogro e com a sogra, né? Sempre é aquilo, né? Todo mundo tem uma fase de ajuste, né? Você não conhece a pessoa. Você não conhece a pessoa. E para eles, eu imagino que tenha sido muito difícil também, né? Pô, imagina receber um cara que é estrangeiro, né? O cara estrangeiro casou com a filha, veio aqui, agora ele não tem emprego. Nossa, tem tudo para dar errado, né? Chegou o cara aqui desempregado morando na minha casa.

Você imagina isso? Mas o que aconteceu então? Teve aquela, não teve, não teve pressão, mas ao mesmo tempo meu sogro falou, pô, vem me ajudar aqui, né, vem trabalhar, não vai ficar aí vendo televisão, né, não vai, não vai surfar não. Não, exatamente. E aí, poxa, eu tinha ajudado ele já, eu já tinha vindo aqui quando eu vim nas outras vezes, nas outras vezes eu já tinha ajudado ele. E aí, o que acontece, quando eu cheguei da outra vez, uma coisa que foi para mim foi chocante, né?

O salário de professor meu lá na Costa Rica eu fiz em uma semana ajudando ele nos Estados Unidos. Eu fiz o meu salário do mês inteiro de ajudante. Aí eu falei, nossa, isso aqui tá impressionante, né?

?Voz B

Então, na realidade, você já conhecia ele, que você morava na Costa Rica, você veio aqui passear. Para conhecer os sogros, tudo. Então ele já sabia, não foi assim, você não apareceu de supetão, você já tava tendo um relacionamento com a filha dele, com a família.

MZMelk Zedec

Claro, claro. Não, a gente, isso aí eu já tava, a gente já tava, eu e a Camille, a gente já tava junto já há uns 3 anos mais ou menos quando eu mudei. Então eles foram para Costa Rica 2 vezes, a primeira vez para visitar a gente, a segunda vez no casamento da gente, que a gente se casou na Costa Ah, bacana. E aí quando eu cheguei nos Estados Unidos foi mais ou menos, era mais ou menos a quinta vez que eu tava tendo interação com eles, né?

Porque, mas mesmo assim, né, não é igual você colocar o cara para morar na sua casa, né? Não é, com certeza. Mas deu tudo certo porque do mesmo jeito que ele me ofereceu o trabalho, eu também tava querendo trabalhar.

?Voz B

Eu falei, não, vamos trabalhar. Deu certo.

MZMelk Zedec

E aí não era a profissão que eu tava procurando, porque eu sou professor, né? Mas ao mesmo tempo, ser professor aqui nos Estados Unidos requer muito mais do cara, mestrado e tudo mais. E eu não achei interessante porque não era exatamente, né, uma promessa muito, muito boa, né?

?Voz B

Certo.

MZMelk Zedec

E aí decidi trabalhar com meu sogro E aí chegou um momento que eu, trabalhando de ajudante com ele, virei para ele e falei: você me ensina a fazer isso aí que você faz? Me ensina a instalar? Ele falou: beleza. E aí ele me ensinou, começou a me ensinar, certo? E aí começou a trabalhar, começou a ficar sério mesmo a profissão. Acabou nascendo uma outra profissão, a minha atual profissão, certo?

?Voz B

E para quem não sabe, é exatamente o que eu faço há 20 anos. E mercado tem, né? Não dá. Se quiser trabalhar todo dia, tem como trabalhar todo dia instalando persiana aqui, domingo a domingo, domingo a domingo.

MZMelk Zedec

Às vezes você tem que pedir para o cara aqui, não, não vou trabalhar domingo não, não vou trabalhar sábado.

?Voz B

Se você não colocar o freio, você pode trabalhar sem parar.

MZMelk Zedec

É o estilo aqui, o estilo aqui é esse mesmo.

?Voz B

E aí você trabalhou com ele quanto tempo?

MZMelk Zedec

Trabalhei e eu encarei esse trabalho com ele como um estágio, né? Foi uns 6 meses a 8 meses mais ou menos que eu trabalhei com ele direto. E aí, mesmo que ele não precisava, ele não precisa, às vezes ele não precisava de mim e eu ia lá para acompanhar, para ver, porque eu queria, eu queria aprender, certo? Então comecei a aprender mesmo, comecei a treinar para para fazer o que ele fazia. Então ele acabou me ensinando tudo que ele pôde.

E, cara, eu não tinha nem carro, né? Quando ele, quando ele, quando ele mudou para Flórida, quando ele mudou para Flórida, ele vendeu o carro para mim, o carro de trabalho dele, certo? E aí eu assumi o cliente dele lá e comecei a trabalhar sozinho, comecei a trabalhar Ele veio para Flórida, você ficou lá em Connecticut? Fiquei lá, fiquei lá. Ainda não tava preparado para decidir se eu ia ficar lá ou não, certo? Mas quando bateu o inverno foi que eu mudei de ideia.

?Voz B

Aí você falou, isso aqui não é bem a Costa Rica, né?

RMRoger Magalhães

Pessoal, caindo de paraquedas só para agradecer a sua audiência. E caso você ou alguém que você conhece que mora ou já morou fora e tem vontade de compartilhar a experiência, me chama nas redes sociais. Também quero pedir, se caso você esteja gostando do show, aproveita e já curte, compartilha e se inscreve na plataforma. Assim o canal pode crescer mais e mostrar para mais gente que eles não estão andando sozinho na caminhada.

Quando a gente vai junto, a força é maior. Agora chega de enrolação e vamos voltar para entrevista, que tá massa.

?Voz B

Valeu!

MZMelk Zedec

Primeiro inverno lá Foi só festa, né, que foi tipo, ah, fui lá passar umas férias, né. O meu segundo inverno lá, tá vendo a neve pela primeira vez, né, tudo festa, tudo alegria, maravilha. Primeira vez você vê neve, ó, que lindo, né. Na segunda vez, no meu segundo inverno lá, foi quando eu percebi que, nossa, não tinha como. Não tinha como. É uma vida que tem que ter, realmente tem que se acostumar.

?Voz B

Dá um pouco mais de detalhe para quem nunca passou por isso, para ter uma ideia melhor do que você tá falando.

MZMelk Zedec

Para mim não justificava, assim, não justifica. Na minha cabeça não tem como justificar o ser humano acordar pela manhã e ter que limpar o carro cheio de gelo. O cara limpa o carro, tá cheio de gelo, e aí você tem a driveway, né, a garagem, a entrada da garagem do meu sogro e da minha sogra era de mais ou menos aí, sei lá, tinha uns 30 metros aí, tipo, sei lá, era longa. E aí a gente, eu tinha que limpar toda a neve da garagem, da driveway, né, para poder sair com o carro, para poder sair com o carro.

Se você, porque se você sair por cima do gelo, então atola. Então quando eu tava lá, a primeira, a primeira vez que eu tava fazendo isso Eu tava lá com o snowblower, né, a máquina que você usa para limpar lá a driveway, e eu olhei para frente e eu tava com casaco de neve, touca, cachecol, luva, completamente suado por dentro e morrendo de frio por fora. Aí eu olhei para minha mulher, minha mulher tava na janela. Aí eu olhei para ela e fiz assim, falei, não aguento mais isso aqui, tipo, falei, não dá, não tem como, já deu, não tem como.

Aí eu fui, falei para ela, falei, ah, não quero morar aqui não, não quero morar aqui não, vamos embora, vamos embora para um lugar quente aí. E aí ela falou, não, tem, faz sentido, vamos nessa, vamos. E a gente veio passear Aqui em Sarasota, que é onde eu moro. A gente veio aqui passear, visitar o avô dela, que é na Flórida, que aqui na Flórida a gente veio visitar e a gente gostou do lugar, achei legal.

?Voz B

Aí teu sogro falou, pô, eu já fugi de lá para o cara não ficar atrás de mim, o cara tá vindo atrás de mim de novo.

MZMelk Zedec

Pois é, não, mas eles ficaram felizes. Porque para morar, a gente veio morar perto, né? Então ficaram felizes.

?Voz B

Mas a gente veio, você não foi morar com ele de novo, né? Você foi só morar perto?

MZMelk Zedec

Não, a gente mora 3 horas deles, a gente mora um pouquinho longe. Então eles têm que viajar 3 horas para vir aqui. Então quem morava perto era o avô, o avô da Camille, ele morava perto da gente aqui. E a gente veio morar aqui em Sarasota e a gente veio visitar e a gente acabou decidindo que a gente queria morar aqui. A gente veio morar aqui.

?Voz B

Mas aí tem uma pegada, porque quando você foi morar com seu sogro, ele te ensinou a profissão lá de instalar persiana. E quando você veio para Sarasota, você foi instalar persiana também?

MZMelk Zedec

Fui, eu fui, eu consegui um emprego numa loja que vende cortina e persiana. Ah, vou trabalhar nessa loja aí, né? Não tenho como, não tem como eu ser autônomo agora, né?

?Voz B

Inventar a roda de novo, né?

MZMelk Zedec

É, falei, não, vou ter que trabalhar para alguém até eu conseguir, né? Vou ver se dá tudo certo. E comecei a trabalhar para essa loja. De instalador deles. Então eles vendiam persiana tal, eu ia instalar persiana, e todo dia lá, né, tinha o roteiro que eu seguia, o roteiro instalava. Trabalhei para eles um ano e pouco, mais ou menos, até, pô, e aí foi uma fase de adaptação mesmo, conhecer Flórida, conhecer os macetes aqui, né, que aqui as construções são diferentes, é tudo concreto.

Lá em Canarica era diferente, era mais como madeira, né, essas coisas, é drywall, né. E aqui é tudo concreto, aqui é diferente, aqui tem que usar mais força, certo. E aí até aprender, né, o esquema aqui direitinho foi Foi.

?Voz B

E como é que era a recepção você sendo imigrante trabalhando com os americanos? Os caras se sentiam meio que concorrência ou amizade? Qual que era o clima?

MZMelk Zedec

É, quando você tá, quando você é imigrante trabalhando no meio de uma equipe que tem os caras daqui, né, os locais americanos, com certeza tem uma competição aí. Não é, não é fácil. Não é fácil competir porque você não vai ser preferência, né? Você tem que ser bom duas vezes. Você tem que ser bom e tem que ser bom, porque senão não justifica você tomar o lugar do cara, entendeu? Que é o cara que é americano, né? Eles têm uma cultura, como dá para saber, que tem uma cultura patriota dos caras aqui da Flórida.

Então Realmente vai ser o cara, o cara vai ser, é tipo, ele nunca vai facilitar para o seu lado. Não, não tem como, não tem como, não vai ser fácil. Você tem que ser bom duas vezes, como eu falei, e tem que mostrar serviço porque você precisa mais, entendeu?

?Voz B

É como se você tivesse duas vezes mais pressão em cima de você, né? Já tem a pressão natural do serviço Mas a pressão de tá todo mundo torcendo contra, e aí você, não, eu não vou deixar peteca cair não, meu, vou dar a volta por cima aqui, eu vou mostrar para esses cara que eu dou jeito no negócio.

MZMelk Zedec

Com certeza, acho que o meu espírito é muito competitivo, então eu não, eu não me deixo abalar, eu vou fazer sempre o máximo que eu puder. Então para mim é isso aí, caiu como uma luva. Eu tenho que, eu tenho que trabalhar dobrado, para mim foi ótimo. Porque para mim é meu, é o meu estilo de vida, é esse, é o desafio. Meu estilo de vida é dar uma volta maior, eu faço isso, entendeu? Eu vou fazer, vou trabalhar duro e o resultado vai ser para mim, entendeu? Para mim tem que ser bom, entendi.

?Voz B

E mas aí você trabalhou lá um tempo até você montar sua empresa. E trabalhar por conta, não é isso?

MZMelk Zedec

Pois é, trabalhei lá um tempo. Quando eu já não foi nenhuma questão de eu querer sair do lugar e tal só, mas foi uma questão de querer ter alguma coisa para mim mesmo, entendi, né? Porque eu acho que assim, o brasileiro que mora nos Estados Unidos tem que se especializar em alguma coisa. É a primeira maneira, acho que a maneira mais fácil de vencer é você se especializar numa coisa sua que você gosta, né? Então, como eu tava me especializando nesse ramo de persiana e cortina, o caminho natural é você começar a oferecer o trabalho de maneira livre e mais aberta para todo mundo. Falar, você quer que eu faça esse projeto para você?

?Voz B

Eu faço.

MZMelk Zedec

Então eu tinha que sair. Para ser autônomo, para poder ter mais tempo para poder oferecer, para poder ganhar mais dinheiro, flexibilidade e tudo mais.

?Voz B

E aí, como eu falei, eu tô aqui, eu já tô no ramo há 20 anos. Quando eu comecei era praticamente tudo manual, né? E é natural a evolução, mas ela intensificou muito mais nos últimos anos para a parte de automação. Você sendo um cara que veio de TI, serviu como uma luva para você, serviu como perfeito, né? É isso aqui que eu quero fazer.

MZMelk Zedec

Fácil, né? Para mim, maravilha. Adoro tecnologia. Acho que todos os caminhos que eu percorri levaram a me ajudar com o que eu faço hoje, tudo. Você professor me ajuda a aprender, ser professor me ajuda a saber como aprender, então, e buscar informação. Então, e a tecnologia me ajuda nessa facilidade, né, do dia a dia.

?Voz B

E juntando essa parte, você falou que você é muito competitivo. Você é competitivo porque você gosta de jiu-jitsu. Não é isso? E jiu-jitsu ajuda a competir? Como é que é?

MZMelk Zedec

Eu acho que eu sempre fui competitivo, mas eu acho que o jiu-jitsu ele trouxe isso à tona, né? Ele mostrou quem eu era, porque eu acho que o jiu-jitsu ele só fez crescer as qualidades, né? Então o jiu-jitsu, sim, sou muito competitivo. Gosto de ganhar. E acho que isso acaba trazendo, saindo do jiu-jitsu e vindo para vida. E aí é, né, aquela coisa de nunca desistir, nunca bater, né, nunca desistir da briga, né, jogar a toalha. Não, não jogo. Esse é o jeito, tem que seguir em frente.

?Voz B

Eu lembro que uma vez a gente trabalhando junto, você falou que eu devia fazer, né, que o jiu-jitsu ele não é só a parte física, né, ele tem muito da parte mental, da parte psicológica, faz a pessoa crescer mentalmente, né, ficar muito mais forte mentalmente. Explica um pouco mais disso aí.

MZMelk Zedec

É, eu acho que o jiu-jitsu ele ajuda porque quando você, primeira coisa é o desconforto, né? Você, você, muita gente tem medo do desconforto ou não tá acostumada com desconforto, talvez não conheça desconforto. Então eu acho que você, a exposição ao desconforto ajuda todo mundo aprender a lidar com isso, né? Então quando você tá numa situação ruim, poxa, eu lembro que você me falou uma vez, né? Falou, ah, eu não me estresso não.

E eu falei, pô, que legal isso aí que ele falou, né? Que você falou, não me estresso não, porque se Deus me deu a oportunidade é porque eu consigo aguentar, entendeu? Então eu acho que no jiu-jitsu você aprende a não se estressar. Que quanto mais você se estressa, mais você perde. Quanto mais você se tira o foco, né, quanto mais você foca no medo, na pressão, você acaba saindo, perdendo atenção para o que mais interessa, que é se defender, né.

Então acho que o jiu-jitsu, ele vai ensinando, vai, ele vai, vai te dando essas ferramentas de, pô, você tá sob pressão, eu não posso abandonar aqui, eu tenho que estar, eu tenho que terminar isso aqui. Então, pô, se você vai levar isso para o trabalho, ah, você sabe como é que é. Você tá nessa carreira faz 26 anos, todo dia é um desafio diferente, é uma surpresa, né? A gente fala cada mergulho é um flash, né?

?Voz B

Cada mergulho é um flash. Cada casa tem 20 janelas na casa, cada janela, por mais que pareça que seja igual, Não é porque uma tem um pouquinho mais de desnível, uma persiana veio faltando alguma coisa. Nunca é uma linha reta, cara, sempre tem estresse. E a gente trabalha com o pessoal de alto padrão, então o nível de exigência é muito maior. Então tem aquele estresse, o cara pagou um anota por aquele projeto. O cara quer perfeição, a coisa não veio perfeita.

E aí é onde que entra o psicológico, né? Que você tem que manter a calma ali e falar: vamos resolver, vai resolver.

MZMelk Zedec

Se não resolver, vai resolver depois. É uma coisa que eu sempre vou pensando. Eu acho que veio do jiu-jitsu isso, né? Você não espanar. É, né? Você não espana, você vai resolver.

?Voz B

A gente até brinca, né? Isso aí não é cirurgia de coração, né, meu? Isso aqui é só persiana. Não ficar pronto hoje, fica amanhã. Ninguém vai morrer se a sua persiana não for instalada hoje, eu garanto a você.

MZMelk Zedec

Apesar de que tem gente que dá a impressão que vai morrer mesmo, que eu sempre falo. Nossa Senhora, eu sempre falo, eu falo, nossa, eu fico impressionado com a importância que dão para certas coisas, né? E aí você, quando a gente passa, para mim essa coisa de ser imigrante é uma vida dentro de uma vida, e você acaba, a gente começa a valorizar, a gente valoriza coisas menores, né, que até pode ter sido importante lá atrás.

?Voz B

Aí com os anos de experiência, fala, cara, isso não era tão importante assim, né? Tem coisas maiores, entendeu?

MZMelk Zedec

Sim, sim, é a vida do imigrante, é isso. Você, como eu falei, né, a gente, cara, para mim, comecei, fui lá para Havaí morar na Costa Rica, tinha o sonho de morar na praia, tinha o sonho de surfar todo dia e dar toda essa volta, né? Você aí, você vê Pô, você mora aqui perto da praia, mas não tem onda. Então você acaba se acostumando com as surpresas da vida, você não vai dar importância para tanta coisa besta, né?

?Voz B

É verdade. E a sua mulher nessa história, ela faz o quê? Ela trabalha com você? Tá numa outra carreira?

MZMelk Zedec

Ela tem, ela tinha, quando a gente se casou, ela ficou muito impressionada com as flores Lá no casamento, ela achou muito legal o processo das flores, né? E aí ela decidiu que queria trabalhar com isso. Quando a gente chegou na Flórida, ela começou a trabalhar numa floricultura, né? E isso se transformou na profissão dela. Ela é agora design de flores, né? E ela trabalha com eventos, com casamentos, essas coisas.

?Voz B

É, que legal.

MZMelk Zedec

Atualmente ela tá fazendo isso aí de maneira como meio período, né? Porque além disso ela me ajuda na empresa muito, ela trabalha comigo na empresa, ela tá cada vez mais dentro da empresa, no processo de cada vez mais envolvida com os clientes e fala com todo mundo. Às vezes eu não quero lidar com certas situações e ela vai lá e me ajuda com isso, né? E ela que desenrola, sempre desenrolando, me ajuda muito, sempre, sempre bom.

E me ajudando também, ela vai lá e me ajuda na instalação também, nos dias de instalação ela vai lá me ajudar. Sim, me ajuda.

?Voz B

Bacana.

MZMelk Zedec

Sim, é realmente Muito parceira, muito parceira mesmo.

?Voz B

É muito importante, principalmente quando você tá fora, né, que o peso ele é bem maior, né, que muita pressão e, e como é que é, preconceitos e culturas diferentes. Você tendo uma pessoa que é parceira ali para te ajudar, para dar suporte quando Quando o dia ficar pesado, é muito importante.

MZMelk Zedec

Sim, sim, ela tá sempre aí.

?Voz B

E planos para morar no Brasil vocês não têm? É ficar aqui mesmo? Aqui é o seu lugar? Pelo menos por enquanto, né?

MZMelk Zedec

Pois é, a gente agora, a gente tá querendo ficar aqui mesmo. Acho que o plano é ficar nos Estados Unidos. Acho que minha vida é boa aqui. É uma vida boa. Eu acho que eu fiz muitos amigos, você é um deles. A gente tem amigos aqui, eu tenho amigos no jiu-jitsu, um grupo de amigos grande lá. A gente tem, pô, tem muita gente que a gente conhece aqui, que a gente, a minha esposa também tem os amigos dela. A gente tá fazendo uma vida aqui, então o plano é ficar, ficar por aqui mesmo.

Talvez no futuro, né, eu penso em talvez comprar uma casinha lá no Brasil para passar férias, né, para passar um tempo lá, certo? E mas voltar para morar no Brasil não tem como para mim, né, porque eu já tenho uma vida estabelecida aqui.

?Voz B

Pode crer, cara, interessante. Agradeço o seu tempo. Seu conhecimento, compartilhar essa história aí, que não é só um país, né? Você já morou em dois. Sim, sim, uma coisa bem interessante. Aí eu geralmente eu fecho o episódio com 3 perguntas. Eu faço sempre as mesmas 3 perguntas, basicamente sem muita enrolação, é o que vem primeiro na cabeça, né? Mas é, o que que é que tem no Brasil ou no brasileiro que a gente não acha em nenhum outro lugar?

MZMelk Zedec

A capacidade de improvisar do brasileiro é impressionante.

?Voz B

É impressionante. É o que o pessoal fala na, na, como é que era, no Facebook, no Instagram. Você vê aqueles vídeos, fala, cara, a NASA precisa estudar o brasileiro porque a gente é A gente é porreta mesmo nesse esquema.

MZMelk Zedec

Pois é, pois é. A quantidade, a quantidade de vezes que eu consegui improvisar alguma coisa que não tava no roteiro.

?Voz B

É, e na realidade é isso, é isso que faz a gente ser diferenciado, né? É conseguir resolver o negócio. É uma espécie de MacGyver, né? Você tem um chiclete, você tem um chiclete, uma tampinha de refrigerante, você faz um foguete espacial ali.

MZMelk Zedec

Pois é, pois é, capacidade de improvisar.

?Voz B

É a pergunta número 2: o que que é que tá faltando no Brasil que ainda tá precisando lá?

MZMelk Zedec

Não, eu acho que, eu acho que eu não sei se falta alguma coisa no Brasil, mas o que faltou para mim no Brasil foi talvez a minha, observar que de repente eu não precisava ter dado uma volta tão grande para encontrar o que eu já tinha, né? Então acho que, acho que é essa coisa de você se auto-observar. Acho que foi o que faltou para mim. Eu não sei o que falta no Brasil agora, que faz muito tempo que eu não moro lá, mas eu acho que o que faltou para mim foi, poxa, de repente eu conseguiria ter tido tudo que eu tenho hoje aqui de alguma maneira, se eu tivesse observado um pouco mais, né, a minha própria existência lá. Mas não posso reclamar da minha situação atual de maneira nenhuma.

?Voz B

Perceber mais ao seu redor.

MZMelk Zedec

Exatamente.

?Voz B

Interessante. E para fechar, o que significa Garra Brazuca para você?

MZMelk Zedec

Eu acho que garra. Quando eu vejo, né, eu vi o nome, achei interessante, porque essa garra brazuca é o que o brasileiro tem, que é esse desejo de vencer. Essa, a gente é obcecado pela vitória, não é não competindo com os outros, mas a nossa vitória mesmo. A gente quer vencer. E eu vejo muita gente aqui brasileiro que Cara, não desiste, não desiste, vai lá e continua se esforçando, tem um objetivo e vai atrás. Então é, acho que essa, essa é a garra brasileira, garra brazuca.

?Voz B

O que eu costumo falar é que a gente teve a segunda chance, né? A gente tava no Brasil, de um jeito ou de outro não deu certo, foi para fora. Pô, tô tendo a segunda chance, não posso desperdiçar essa aqui de jeito nenhum. Vai para frente, ou por bem ou por mal.

MZMelk Zedec

Sim, teve um momento que eu tive uma autorrealização, que foi quando eu tava na Costa Rica. Mas eu pensei, eu não bebo faz 11 anos, né? E foi um dia que eu bebi. Nesse dia eu tava lá, né? E aí eu sentei assim na cama e eu falei Cara, eu não posso errar, eu tenho que fazer uma coisa boa aqui. Quando eu vou, eu fui embora do Brasil falando que eu ia fazer uma coisa boa para minha vida. Então essa é minha chance, eu não posso errar, eu não posso mais fazer nada errado, eu tenho que fazer tudo certo agora.

Essa aqui é minha segunda chance, essa é minha segunda chance, eu não posso falhar. E eu tô tendo minha terceira chance agora, né? E aí piora, né? Porque você já tem duas chances, na terceira aí subiu mais ainda, né? Não pode, não pode errar na terceira chance. Você tem que fazer certo, você tem que ter garra brazuca aí, né? Pode crer, meu.

?Voz B

Valeu, cara, foi muito legal. Obrigado, gostei demais, aprendi bastante com você. E assim que o episódio tiver no ar, eu te aviso. E você que tá assistindo, se você gostou, compartilha o programa com o pessoal que você conhece. A ideia é sempre disseminar conhecimento, né, de um jeito ou de outro, porque todo mundo aprende com os erros dos outros. Aprende com aprendizado, mas aprende muito mais com erro dos outros. Tá legal? Valeu, obrigado, até a próxima. Valeu, obrigado, até mais, tchau tchau.

RMRoger Magalhães

E chegamos ao final de mais um episódio do Garra Brazuca. Se você gostou do programa, clica no joinha, comenta e se inscreve na plataforma. Isso ajuda o canal a crescer. E se você quiser conhecer mais sobre o meu trabalho, entra no site rogermagalhães.com e me segue nas redes sociais. Obrigado pela sua audiência e a gente se vê no próximo Garra Brazuca. Fui!

Ser imigrante é ser bom duas vezes — a lição que vivi na prática | Garra Brazuca #1 | Mel Alves | Castnews Index — Castnews Index