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Traduzir COBOL é a parte fácil

12 de agosto de 202614min
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São 3h40 da manhã e tem um lote de trinta anos rodando dentro de um banco. Ele precisa fechar antes das seis, porque às seis o banco abre e às seis e meia a liquidação do dia depende do arquivo que ele está gerando. É desse lote que ninguém fala quando a conversa vira “a inteligência artificial resolveu o COBOL”.

Em fevereiro a Anthropic publicou um playbook de modernização de código, e o mercado entendeu que a barreira do mainframe tinha caído. O Gartner respondeu com um First Take dizendo que traduzir COBOL para Java não é modernizar um mainframe, e que o investimento de verdade está em infraestrutura, arquitetura, resiliência e conformidade. Está certo. Eu assino embaixo, linha por linha.

E mesmo assim os dois lados estão discutindo a fatia errada do problema. Nenhum dos dois para para perguntar se o código era o problema.

Neste Sonar eu meço esse ponto do radar de dentro da sala de máquinas: o que o relatório acerta, o que ele deixa de fora por razão estrutural, porque analista avalia ferramenta e mercado, e o resultado de uma modernização não é decidido pela ferramenta, e onde a inteligência artificial de fato muda a conta num programa de modernização em serviço financeiro regulado. Não é na tradução. É na descoberta: reconstruir a regra de negócio que se perdeu, gerar os testes de caracterização que travam o comportamento atual antes de você encostar em qualquer linha. Especificação ao contrário. Isso não é acelerar a digitação. É tirar risco do projeto.

Capítulos:

0:00 São 3h40 da manhã e o seu sistema está acordado1:37 A reunião de board: cinco anos viraram nove meses2:13 O que não está no slide3:01 A resposta correta dos adultos da sala3:37 Ninguém que faz modernização achou que traduzir era o difícil4:27 Bala de prata contra complexidade: duas turmas, a fatia errada5:11 O código nunca foi onde estava o dinheiro5:48 Sonar · Sala das Máquinas6:40 O First Take do Gartner sobre o playbook da Anthropic7:41 Diagnóstico certo, alvo errado8:10 O trabalho de verdade: descobrir o que o sistema faz9:02 Testes de caracterização: a especificação ao contrário9:43 O ponto cego estrutural do analista10:42 Complexidade é o produto que o instituto vende11:11 A prova de conceito que não dói não testa nada12:04 De volta às 3h40: o que fazer com isso13:02 Eco: caro é descobrir o que o legado faz13:34 Onde continuar a conversa

Fontes:

Gartner, First Take: Anthropic Claude Code Playbook Is No Silver Bullet for Mainframe Modernization (fev/2026) - https://www.gartner.com/en/documents/7501153

Anthropic, How AI helps break the cost barrier to COBOL modernization — https://claude.com/blog/how-ai-helps-break-cost-barrier-cobol-modernization ·

Anthropic, Code Modernization Playbook — https://resources.anthropic.com/code-modernization-playbook

A versão em vídeo está no canal da Sala no YouTube.

Eco. Traduzir o legado sempre foi a parte fácil. Caro mesmo é descobrir o que ele faz — e é só nessa descoberta que a inteligência artificial tira risco do projeto.

Carlos Mattos é CTO regional para a América Latina em uma consultoria global de tecnologia focada em serviços financeiros, autor de O Código Invisível e Microsoft Regional Director desde 2017. Escreve da Cidade do México.


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