Machismo estrutural
Você já parou para perceber que o machismo não está só nos homens, mas também nas mulheres? Esse é o resultado de um trabalho de gerações e mais gerações alimentando uma cultura em que, não importa o que aconteça, sempre haverá um culpado: a mulher. No #feminina de hoje vamos falar sobre o machismo estrutural e sobre a urgência em acabar com essa mentalidade.
Paula Chanchelli
- O machismo estrutural e como ele beneficia o sistemamulheres também perpetuam o machismo·culpa sempre recai sobre a mulher·preocupação com a mentalidade atual
- A rivalidade feminina como reflexo do machismo estruturalmulheres competem entre si·mulheres se veem como inimigas·defender o homem em vez da mulher
- A urgência em acabar com a cultura do machismo estruturalenquanto houver briga, alguém se beneficia·atribuir responsabilidade justa·reforçar o machismo contribui para a agressão
- A mentalidade brasileira que culpa a mulher por problemascasamento que dá errado, culpa da mulher·criação de filho que dá errado, culpa da mãe·traição como culpa da mulher
- A necessidade de reeducação para combater o machismo estruturalcompetição apenas em esportes e jogos·machismo estrutural retorna para as mulheres·repensar ações contra nós mesmas
Olá, tudo bem? Eu sou a Paula Chanchelli e no Feminina de hoje nós vamos falar sobre machismo estrutural. É isso mesmo, não é racismo, é machismo estrutural. Você já parou para pensar em como o sistema se beneficia com machismo estrutural? Vocês já pararam para perceber que não são só os homens homens que são por eles mesmos. As mulheres também são pelos homens. E isso é o que mais me preocupa nos dias de hoje. A gente tá vivendo, né, uma mudança, né, de cultura, uma mudança profunda na geração em que as mulheres estão deixando muito mais de se verem como rivais do que antes.
Sim, mas isso ainda é muito vivo na nossa sociedade. Vocês já pararam para pensar que se um casamento dá errado, a culpa é da mulher? Se a criação de um filho dá errado, a culpa é da mãe? Se alguma coisa dá errado dentro de casa, se a casa tá bagunçada, se a casa não tá indo bem, a culpa é da mulher? A culpa sempre recai sobre a mulher. Isso também não te preocupa? Sabe o que também me preocupa? É o machismo estrutural que a gente não percebe.
Porque no outro dia eu ouvi uma colega minha me dizer: eu amo trabalhar com homens. E isso me preocupou muito, isso me deixou reflexiva, porque se ela diz que ela ama trabalhar com homens, a gente infere automaticamente que ela não curte tanto trabalhar com mulheres. E por que que ela não curte trabalhar com mulheres? Porque as mulheres competem entre si, porque as mulheres viram de uma geração e de várias gerações em que as mulheres acusam umas às outras, queimam umas às outras, se veem como inimigas, como rivais, como problemas na sociedade e não como soluções.
A mulher passou gerações e mais gerações olhando para outra como se fosse um grande problema. Não com aquele olhar de quem queria dar a mão, de quem queria apoiar uma a outra. E isso a gente não vê só na fala, não. A gente vê no olhar, a gente vê na postura, a gente vê quando a mulher acaba defendendo o outro homem e não a mulher, quando a mulher decide falar pelas costas da outra e não ser sincera com a outra. Então assim, existe um problema na nossa sociedade de machismo estrutural que não está só nos homens, mas também está nas mulheres.
A gente precisa acabar com isso, isso é urgente, isso é para ontem, porque assim, enquanto a gente tiver brigando entre si, haverá sempre alguém se beneficiando dessa briga. Enquanto a gente estiver perdendo tempo olhando para o lado, olhando o que a outra tá fazendo, olhando o que é que a outra deixou de fazer, olhando os erros da outra, as opções, as escolhas da outra, se ela resolveu ser mãe, se ela não quis ser mãe, se ela tem um pinto para criar, se ela não tem um pinto para criar, enfim, se ela tá indo bem no casamento, se ela não está indo bem, gente, vamos atribuir a responsabilidade para quem é de direito.
Eu não tô dizendo Que as mulheres não têm que assumir as suas responsabilidades e os homens têm. Os dois precisam. Nós precisamos ter uma consciência justa. Se o casamento deu errado, os dois erraram. Se a criação do filho não deu certo, é porque os dois erraram, é porque houve algum embrólio ali que acabou atrapalhando a criação daquela criança, mas nunca, nunca mesmo atribuir os problemas da vida, situações da vida apenas numa pessoa a quem a sociedade já está acostumada a culpar.
Então assim, a gente precisa ter muito cuidado a partir de agora, né, com qual mentalidade a gente está lidando em relação à nossa próxima, em relação a uma outra mulher. Porque assim, até quando a gente vai reforçar a cultura do machismo? E quando a gente reforça indiretamente a cultura do machismo, a gente também participa do feminicídio, a gente também participa da agressão contra a mulher, porque de alguma forma a gente vai estar alimentando esse sistema invisível de crenças que a sociedade já tem sobre a mulher.
Vocês estão pensando que esse feminicídio, essa onda de feminicídios que vem acontecendo, não é um reflexo de anos de educação ao contrário? De perpetuação da cultura contra a mulher? Isso é só o reflexo, isso é só a ponta do iceberg, mas o nosso problema é estrutural, é estrutural. Quando a mulher se volta contra a mulher, quando a mulher defende o homem sem nem pesar as situações direito, ela simplesmente opta pelo mais fácil, opta pelo que todo mundo faz: vamos culpar a mulher.
A mulher é a culpada disso. Se ela foi traída, ela não estava fazendo algo direito dentro de casa. Imagine que nível, a que nível de mentalidade o brasileiro está vivendo, a que nível de mentalidade nós estamos participando. Então isso é algo a se refletir, isso é algo a se trabalhar dentro da gente. Competição, gente, lugar de competição. Somente nos esportes, nos concursos públicos e nos jogos. Acabou. Fora dali vira algo tóxico, vira algo problemático para nós.
Sem contar que esse machismo estrutural acaba voltando para a gente. Essa é a pior parte, é que isso que a gente acaba participando acaba retornando para a gente de alguma forma. E é uma forma terrível, porque se a gente está sofrendo as consequências disso, é porque existem muitas pessoas participando e perpetuando esse tipo de cultura. Então, vamos nos colocar para pensar um pouco sobre isso? Vamos nos reeducar em relação a esse tipo de pensamento, a esse tipo de ação?
Contra nós mesmas, tá bom? Então é isso, meninas, eu vou ficando por aqui. Muito obrigada pela sua audiência, um grande beijo e até o próximo episódio.