203 | O que é o Perdão?
Perdoar talvez seja uma das coisas mais difíceis que o Evangelho nos pede. Porque perdoar não é simplesmente esquecer o que aconteceu, fingir que não doeu ou dizer que o mal não teve importância. Perdoar é encerrar o tribunal que continuamos mantendo aberto dentro de nós.
Nesta ministração, vamos percorrer as Escrituras em diálogo com a psicologia, a psicanálise e a filosofia para compreender por que somos tão rápidos para julgar os outros e tão habilidosos para justificar a nós mesmos. Vamos falar sobre culpa, ressentimento, narcisismo, amargura, relacionamentos, autoperdoão e a necessidade de abandonar a posição de juiz.
Jesus ensina que o perdão rompe a lógica da dívida e da retribuição. Por isso, quando os discípulos ouviram que deveriam perdoar repetidamente, sua resposta foi: “Acrescenta-nos a fé.” Perdoar exige fé porque significa abrir mão da contabilidade da ofensa, da necessidade de cobrar e, muitas vezes, até da identidade construída em torno da ferida.
A grande descoberta desta mensagem é que o perdão não começa naquilo que somos capazes de oferecer ao outro, mas na consciência daquilo que já recebemos de Deus. Quem se percebe amado, perdoado e alcançado pela graça já não precisa passar a vida cobrando dos outros aquilo que acredita que lhe devem.
Perdoar não é apagar a memória; é tirar dela o martelo do juiz. É descer da cadeira do tribunal interior, abandonar a vingança e devolver a Cristo a coroa que nunca pertenceu a nós.