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#1109 - REVOLUÇÃO CUBANA É INCÔMODO PERMANENTE PARA O IMPERIALISMO

04 de maio de 202629min
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Tema de abertura de Claudio Zaidan para o programa Bandeirantes Acontece
Participantes neste episódio1
C

Cláudio Zaidan

HostJornalista
Assuntos5
  • Bloqueio econômico e sanções a CubaDecreto de Donald Trump ampliando sanções · Alvo das sanções: segurança e direitos humanos · Sanções aplicáveis a setores específicos da economia cubana · Comparação com sanções de Biden à Síria
  • Direito internacional e RealpolitikFragilidade e desrespeito às normas internacionais pelos EUA · Imperialismo como lei do capitalismo · Marco Rubio e a reestabeleção da hegemonia americana · Declarações de Mark Rutte sobre projeção de poder dos EUA
  • Revolução Cubana e Legado HistóricoResistência cubana às imposições imperiais · Tentativas de assassinato contra Fidel Castro · Comparação com a Cuba de Batista · Reforma agrária e nacionalização de empresas · Revolução como ícone mundial e modelo
  • Possível intervenção Trump em CubaTrump querendo entrar para a história · Acordo da crise dos mísseis e promessa de não invasão · Política genocida e indiferença de Trump
  • Colonialismo e ImperialismoOrigem do termo no século XIX · Contribuições de Rosa Luxemburgo e Lênin · Imperialismo como lei do capitalismo
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Podcast da Rádio Bandeirantes. Entendendo a notícia, com Cláudio Zaidan. Bandeirantes. Donald Trump assinou um novo decreto contra Cuba, ampliando sanções.

A Casa Branca confirmou a assinatura desse decreto. Essas sanções têm como alvo pessoas, entidades e afiliadas que apoiam, está escrito no decreto, o aparato de segurança do governo cubano.

Ou são cúmplices de corrupção ou graves violações dos direitos humanos. Mas o fato é que Trump assinou esse decreto, mais um decreto contra Cuba. E é interessante notar que as sanções, as novas, poderiam ser aplicadas a qualquer pessoa estrangeira que operasse nos setores de energia.

defesa de materiais relacionados, metais de mineração, serviços financeiros, setores de segurança da economia cubana ou, para resumir, qualquer outro setor da economia cubana. Não é novidade. Canalice idêntica foi feita pelo Biden em relação à filha.

As empresas eram punidas não se fornecessem armas ao Assad, mas se participassem da reconstrução da Síria. A Síria que foi mergulhada em uma guerra civil por outro governo dos Estados Unidos, o governo de Barack Obama. Obama mergulhou a Síria numa guerra civil. O Biden assinou um ato.

estabelecendo punições para qualquer empresa ou governo, de qualquer lugar do mundo, que participasse da reconstrução da Síria. Ou seja, que fosse lá para trabalhar com a reconstrução da rede de esgoto, ou reconstrução de estrada, ou reconstrução de estrutura civil, seriam punidas.

Esse ato criminoso de Joe Biden agravou muito a situação iniciada pelo ato criminoso de Barack Obama. E Trump, claro, pisou um pouco mais no acelerador. E os Estados Unidos, junto com Israel, com a Turquia, e com uma atitude um tanto quanto cínica da Rússia,

esses países levaram ao fim do regime do Assad. Agora, em Cuba, Donald Trump aposta em algo ainda mais grave, porque não é uma punição, como diz esse novo decreto, a quem participar de atividades econômicas, qualquer estrangeiro, bancos, empresas, construtoras...

É claro que isso desrespeita toda e qualquer norma de direito internacional. O direito internacional é muito frágil, né? Ele é basicamente um acordo, é algo apalavrado, pode ser colocado no papel, mas não há, a rigor, maneira de obrigar dignatários a cumprirem o que está no papel, a não ser quando são países fracos.

podem ser punidos com sanções porque não respeitaram acordos internacionais. Os Estados Unidos pisoteiam os acordos internacionais, cospem os acordos internacionais, debocham os acordos internacionais, inclusive da Convenção de Genebra. E o crime permanente...

contínuo contra Cuba, ele agora se agrava de maneira atroz. E já dissemos aqui consequências, né? Já dissemos aqui, há crianças de vários países que vão para Cuba para receberem tratamento contra câncer e boa parte desses tratamentos, boa parte está suspensa.

por falta de energia, hospitais atingidos, escolas atingidas, a produção atingida, a população, em termos de média de fornecimento de energia, na média, os cubanos estão 20 horas, cada 24, 20 horas sem energia. E aí, normalmente, essas quatro horas...

Com energia, elas são horas da madrugada e as pessoas ficam acordadas, então, para que possam fazer o que não pode ser feito, para tentar salvar o alimento, passar uma roupa, executar uma tarefa. E depois a energia se vai e a vida continua. É preciso levar as crianças às escolas que ainda funcionam.

É preciso usar o transporte que ainda circula, mesmo com a falta de combustível. Houve um socorro rosto enviando uma quantidade que, em condições normais, daria para uma semana do consumo cubano. Como as condições estão longe de normais, esse petróleo pode amenizar a situação por pelo menos um mês.

Até porque Cuba já recuperou capacidade de produzir petróleo. Ela geralmente consegue, a ilha consegue 40 mil barris por dia, consome 100 mil barris. Em condições normais, no pico da produção, 130, 140 mil barris. E a produção de petróleo também é atingida, então às vezes cai para menos de 30. Eles conseguiram elevar a produção de petróleo.

E receberam da China uma quantidade imensa de material para energia solar, para obtenção de energia solar. A China, claro, é a maior produtora dessas células fotovoltaicas, dos equipamentos necessários para obtenção de energia solar. Isso tem permitido que Cuba deixe...

que há de petróleo para hospitais, para escolas. Está tentando renormalizar a vida. E aí Trump diz, assim que voltarmos do Irã, é que eu não gosto de deixar as coisas sem serem concluídas, assim que voltarmos do Irã, eu tomarei Cuba. É interessante observar. E...

Muitos jornalistas, inclusive no Brasil, mas não só no Brasil, e até mesmo no mundo acadêmico e no mundo político, as pessoas acham que essa palavra que está aí no título exibido pelo Rala Marcel, a palavra imperialismo, que essa palavra...

ela é algo anacrônico, obsoleto, que não faz sentido, que não existe mais imperialismo. Alguns dizem que essa é uma conversa lá dos anos 70, que continuam utilizando. Expertos, espertos. É preciso dizer o seguinte. Expertos, espertos.

De fato, a palavra imperialismo é da década de 70, só que é da década de 70 do século XIX, cunhada por estudiosos economistas, que na época a economia política era algo muito mais amplo do que esse estudo pretensamente, meramente técnico de economia.

Eles cunharam esse termo, inclusive muitos, como algo positivo, como decorrência natural das leis do capitalismo. Correto? Então, depois houve estudos brilhantes, como o da Rosa Luxemburgo, a genial Rosa Luxemburgo, mas o certo é que ninguém definiu tão bem tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo

de maneira tão brilhante e eficiente e teoricamente comprovada, o imperialismo como Vladimir Illich Lenin. Como o Lenin tratou muito desse tema, embora em textos curtos, mas em várias ocasiões, os espertos acham que imperialismo é uma invenção de Lenin. Não é, não é. Ele estudou o assunto.

e fez a mais brilhante contribuição intelectual a respeito do que é imperialismo. E a própria esquerda não consegue entender adequadamente que o imperialismo não é a vontade de um país, não é a realização de uma decisão política, é uma lei do capitalismo.

Então, espertos, parem com esse papo de que imperialismo é conversa dos anos 70, que é um negócio anacrônico, não é uma realidade esfregada nas caras todas pelo Trump, pelo Marco Rubio, que é o chanceler do Trump, é um secretário de Estado, ele foi à Europa e disse o seguinte, que era preciso restabelecer tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo tudo

nas relações políticas e econômicas, a realidade colonial, o apogeu dos impérios europeus, só que agora sob o comando do grande império norte-americano. Era preciso reestabelecer a hegemonia. Ele teve o cuidado de não usar a palavra superioridade, mas ela está embutida em todo o seu discurso.

a superioridade da civilização anglo-saxônica. E o senhor Marco Rubio foi ecoado aí de maneira radical, até porque o senhor Mark Rutt, secretário-geral da OTAN, ele só não é mais...

capaz de produzir tonterias do que o Rec.7, secretário de guerra. O Rec.7 é uma usina de tonterias, como dizem na língua espanhola, de tolices, de erros, de bobagens e de canalices. É o cara que falou abertamente, a América Latina é o nosso quintal, Trump está recuperando o nosso quintal.

E o Sr. Mark Rutte, que também é um grande produtor de tonterias, de tolices e de canalices, um sujeito envolvido até o pescoço com o incentivo à guerra, à continuação da guerra na Ucrânia, e cujo envolvimento já caracteriza, inclusive, crimes de guerra do Sr. Mark Rutte. Ele disse...

abertamente o seguinte, é claro que a Europa e a OTAN precisam ajudar os Estados Unidos no Irã. Ele disse isso depois que visitou o Trump, tomou algumas duras do Trump e concordou com tudo. Ele parecia um infantil na festa da FIFA.

E só faltou entregar uma coroa ao Trump e se ajoelhar diante do Trump. Mark Huth, mesma coisa. E ele disse, não, a Europa tem de ajudar, a OTAN tem de ajudar, porque nós precisamos projetar o poder dos Estados Unidos no mundo. Então, parem com essa historinha de que...

Não há imperialismo, isso é uma conversa de guetos ideológicos. Canel, presidente cubano, disse o seguinte, olha, Cuba não irá se render, não irá se ajoelhar, não irá se submeter, não irá assinar termos de rendição.

Temos procurado, disse ele, conversar com os Estados Unidos. Todos os canais abertos na diplomacia americana, nós aproveitamos para conversas. Mas tudo que é conversado, logo depois é atirado pela janela pelo Trump, que gosta de dizer eu vou tomar Cuba. Por quê?

No imaginário, particularmente dos Estados Unidos, mas do imperialismo de maneira geral, a Revolução Cubana é o incômodo permanente. Primeiro, porque nunca, desde 1º de janeiro de 59,

nunca se sujeitou às imposições imperiais. E olha que no começo nem havia declaração de economia socialista, moda de produção socialista, nada disso. Houve tentativas várias. Segundo a Euronews, a Euronews é porta-voz da União Europeia.

porta-voz da guerra contra a rua, esse é o próprio todo. Mas ela trouxe um ranking recente dizendo o seguinte, o dirigente político, desde que há esse tipo de... porque não se sabe o que aconteceu nos primórdios, nem mesmo na Idade Média você tem certeza de determinados fatos políticos. Mas, digamos do século XVII em diante,

Nenhum dirigente político sofreu mais tentativas de assassinato do que Fidel Castro. Segundo a Euronews, mais de 600 tentativas. 600. Incluindo a grotesca tentativa da CIA de envenenar charutos. Ou de colocar explosivos em charutos. Seria algo até meio cômico.

Não funcionou. Mas tentaram também comprar. Escuta, toma uma bela fortuna e nos entregue Cuba. Que os ricos usavam como um prostíbulo associado a um cassino. Há muitas imagens da Cuba de Batista mostradas.

por veículos reacionários e dizem, olha, olha essa avenida, olha esses carros, olha que vida civilizada, olha como era Cuba nos tempos de Batista. Não, aquele era o perímetro dos estrangeiros, dos clientes. Cuba estava mergulhada em pobreza, analfabetismo, exploração.

Falta de serviços básicos para a população. Não por acaso, a Revolução, até como ato simbólico, tratou de transformar quartéis em escolas, onde nunca houve uma escola, na zona rural. Tratou de transformar mansões em hospitais, onde nunca houve um hospital. Nas regiões mais distantes de Havana e do litoral.

Mas sempre disse não. Já falamos aqui, houve, claro, o longo período de 59 a 87, porque em 88, portanto três anos antes do fim da União Soviética, Garbashow já começa a virar as costas para Cuba. Foi um dos seus elementos.

típicos da traição em andamento. E também dos equívocos, daquilo que ele imaginava que aconteceria e não aconteceu. Ele imaginou que teria o controle do processo. Não entende como o capital funciona. Mas foram anos em que esse bloqueio criminoso está lá no documento do Departamento de Estado. Já lemos aqui o memorando.

que diz claramente que é preciso condenar esse povo à fome, ao desespero, para ver se eles derrubam o governo. Isso nem havia a afirmação oficial de que Cuba era um país socialista, nada disso. Não havia ainda aproximação com a União Soviética, mas simplesmente houve reforma agrária.

houve nacionalização de empresas que os Estados Unidos tinham como propriedade, trataram Cuba sempre como propriedade desde a Constituição de 1903. E aquele artigo especial, o Platt, que diz o seguinte, sempre que os Estados Unidos julgarem necessário, mandarão suas tropas para Cuba. Isso está na Constituição de 1903, obviamente, lançada ao fogo. Mas não é só isso.

Depois do 20º Congresso da União Soviética, com aquele relatório do Khrushchev contra Stalin, houve uma crise na esquerda mundial. Inclusive, imediatamente, a ideia era de que aquilo era propaganda da imprensa ocidental. Mas aí começaram a voltar aos países os delegados.

desses países, delegados ao 20º Congresso, e que disseram, não, aconteceu isso mesmo, esse relatório foi parte do Congresso, relatório Khrushchev. Algum dia falaremos sobre esse relatório, mas o fato é que, de repente, vem aquela revolução diferente, uma revolução no Caribe, uma revolução...

cujas primeiras manifestações nas ruas eram de uma alegria imensa, uma revolução com uma cara que nada tinha de sisuda e que se espalhou como modelo, tornando icônicas algumas figuras, como Fidel, Cienfuegos e, claro, Che Guevara, que tem seu rosto estampado em camisetas.

de Genebra a Ottawa, de Pequim a Buenos Aires. Então, a maneira como isso foi recebido pelos povos, a maneira como essa revolução foi recebida, e aquele caminhão de intelectuais europeus escrevendo a respeito, Jean Paul Sartre visitou Cuba e escreveu empolgado a respeito.

Os Estados Unidos viram que estavam diante de um fenômeno muito maior do que aquela ilha, muito maior do que os efeitos concretos da Revolução em si, mas um fenômeno mundial, um ícone. A Revolução tornou-se um ícone. E, claro...

um potencial exemplo para a América Latina, aquela que Rex 7 confessou, eles consideram seu quintal. Trump está recuperando o nosso quintal. A diferença é que o Trump quer que o Canadá, ao norte, depois também vire quintal. Então, no imaginário, a ilha que disse não,

Aquela pequena ilha, a poucas milhas da Flórida, que resistiu a um bloqueio criminoso, que resistiu à tentativa de assassinatos de seus líderes, que resistiu à tentativa de promover sublevações e que é obrigada a conviver com uma base militar dos Estados Unidos.

O contrato venceu no início dos anos 60, Cuba avisou, não renovaremos. Os Estados Unidos disseram, peraí, esse contrato só pode ser revogado se ambos concordarem. É o único contrato do mundo que só acaba se os dois concordarem. É o único contrato do mundo. E isso foi decidido unilateralmente pelos Estados Unidos. Quanto que eles pagam? Eles pagam.

Na moeda corrente, vamos colocar em real, hoje daria o quê? R$ 2.000, R$ 1.800. E Cuba, o governo cubano, claro, não recebe o dinheiro. Ele tem que ser depositado em juízo, porque recebê-lo seria concordar que o país está alugando aquela vasta área para os Estados Unidos. O bloqueio impediu que Cuba recebesse vacinas.

E respiradores durante a pandemia. Aliás, nesse aspecto, a Venezuela também, aquela Venezuela, que impediu que medicamentos chegassem, que produtos cubanos fossem vendidos. E eles não se rendem. E Trump diz, então, não tem petróleo. Cuba morrerá. Ele não disse o regime, ele disse Cuba porque ele sabe que as coisas estão...

associadas de maneira indissolúvel. E no imaginário dos Estados Unidos, essa ilha que diz não, enquanto grandes países dizem sim, se acovardam, não mandam petróleo para Cuba, porque tem medo dos Estados Unidos. Podem escolher. Aliás, a Rússia foi uma exceção e mandou dois navios.

muito mais simbólicos, não resolverá o problema, mas pelo menos mandou. Mas a China, o Brasil, o México, estou falando de grandes países. O Canadá, nada. Nada. E a Venezuela se encolheu, deixou de mandar. A Venezuela pós-Maduro. E aquela ilha...

ínfima, tão próxima do gigante imperial, diz não e continua dizendo não. E resiste ao bloqueio já quando não há ajuda, não há União Soviética, não há chaves. Não há nada. Recebe essas colaborações de Rússia e China, mas ninguém vai defendê-la militarmente.

E o Trump sabe disso e falou, vou mandar o Aberlinen. E eles respondem, não haverá rendição. Mas acima de tudo é a projeção, é o que ela representa no imaginário global. E o que ela representa como um exemplo potencial para a América Latina. Não só para a América Latina.

Percebam que algumas palavras de ordem da Revolução Cubana estão sendo repetidas no Irã, em Burkina Faso, no Mali. São repetidas. Pátria ou morte. Isso é repetido. E o que Cuba representa nesse imaginário imperialista, o que leva o Trump a dizer, Puxa vida, eu, Donald Trump primeiro, posso ser o cara...

Tomará Cuba. Ela que significa tanto. Ela que incomoda tanto esse imaginário imperialista. Serei eu a tomá-la. Eu que quero chamar o estreito de Hormuz de estreito Trump. Eu que quero a Groenlândia, o canal do Panamá de volta.

Eu que quero o Canadá. Mas se eu tomar Cuba, isso é histórico. Porque ninguém conseguiu. É bom lembrar que houve um acordo quando da crise dos mísseis. Os mísseis soviéticos foram retirados de Cuba. E os Estados Unidos, em troca, retiraram seus mísseis que estavam instalados na Turquia, na Itália.

E a União Soviética disse que uma invasão a Cuba seria respondida como uma invasão contra uma invasão sobre, uma invasão à Alemanha Ocidental e uma invasão à Turquia. Aliados dos Estados Unidos, a Turquia é a época muito mais aliada que hoje. E os Estados Unidos aceitaram. Nos comprometemos a não invadirmos Cuba.

Bahia dos Porcos não se repetirá. E assim foi. E assim é. E Trump está dizendo que isso mudou. Não há mais União Soviética, não há mais risco de invasões à Alemanha, à Turquia, não há mais mísseis soviéticos. E ele quer entrar para a história por vários motivos. Ele sempre tenta, ele quer o Nobel da Paz e ele quer tomar Cuba.

E, claro, usa uma política que é genocida, que está matando gente, que está impedindo crianças de receberem tratamento para câncer, que está cancelando cirurgia em hospitais, que está reduzindo barbaramente a produção de alimentos. Mas isso é indiferente. Agir ou não como um genocida não será nada se Donald Trump primeiro entrar para a história.

Podcast da Rádio Bandeirantes.