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Evangelho Segundo Satanás | #4 Aproveite! Você Só Tem Essa Vida - Preg. Leonardo Amaral

07 de maio de 202656min
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"Aproveite, você só tem essa vida!". Essa frase parece a receita para a felicidade, mas esconde uma mentalidade vazia e desesperada.

No novo episódio da série Evangelho Segundo Satanás: Parece boa nova, mas não é, somos confrontados pela visão bíblica do Salmo 90 sobre a brevidade da vida. Descubra como a cultura do "Carpe Diem" e do "YOLO" cria gerações escravas do prazer desregrado ou, paradoxalmente, paralisadas pelo medo e ansiedade. Aprenda que a verdadeira liberdade não é o desespero de quem acha que tudo acaba na morte, mas a alegria de quem sabe que Cristo ressuscitou. O cristão é livre para desfrutar das boas coisas da Terra, sabendo que todas elas apontam para a eternidade.

Gostou deste episódio? Siga o nosso podcast para acompanhar toda a série!

▶️ NAVEGUE PELA MENSAGEM (CAPÍTULOS):00:00:00 - O Mito do "Carpe Diem"00:10:02 - O Problema Filosófico da Morte00:14:14 - A Mentira do "YOLO"00:20:42 - O Lema "Só Deus Pode Me Julgar"00:24:14 - A Geração do Medo e da Ansiedade00:34:22 - Como o Cristão Deve "Aproveitar a Vida"00:47:11 - A Preciosidade do Tempo (Jonathan Edwards)

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Assuntos7
  • A Perspectiva Cristã sobre Aproveitar a VidaCristo como fonte de todo o bem · Prazeres como dons de Deus · Experiência mística com Deus · Desfrutar de bens sem se contaminar · Disciplina e estrutura cristã · Viver para a glória de Deus · Vocação e obras para a eternidade
  • O Mito do Carpe DiemAproveite, você só tem essa vida · Visão bíblica sobre a brevidade da vida · Cultura do Carpe Diem e YOLO · Gerações escravas do prazer desregrado · Gerações paralisadas pelo medo e ansiedade
  • A Geração do Medo e da Ansiedade (Gen Z)Percepção da brevidade da vida · Insegurança, ansiedade e medo · Acúmulo de dinheiro para precaução · Retardo no processo desenvolvimental · I-Gen: Geração da Internet (Jean Twenge) · Mudança na percepção de aproveitar a vida
  • A Mentira do YOLO e a Busca por PrazerYou Only Live Once (YOLO) · Busca pela satisfação do desejo · Afirmação epicurista: Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos · Curtindo a Vida Doido · Las Vegas como centro de prazer · Juventude e a pulsão de usufruir da vida
  • Filosofia da MorteSer para a morte (Heidegger) · O problema filosófico do suicídio (Camus) · O mito de Sísifo · A inevitabilidade da morte
  • Só Deus Pode Me Julgar: Uma Afirmação de Liberdade?Tatuagem 'Só Deus Pode Me Julgar' · Autoafirmação e consequências dos erros · Penitenciária Nelson Gria · Caso Vorcaro
  • A Preciosidade do Tempo e a Redenção da VidaTempo como bem precioso e escasso · Administração do tempo e suas consequências eternas · Pecado como devorador de tempo · Oração de Moisés em Salmo 90 · Jonathan Edwards e a reflexão sobre o tempo · Alegria futura como recompensa pelo sofrimento presente
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Para isso eu convido você que abra sua Bíblia no livro de Salmos. Especificamente Salmo de número 90. Salmo de Moisés, a partir do verso 1. O tema que trataremos nessa série hoje pela manhã é Aproveite. Você só tem essa vida.

peço que com atenção faça leitura comigo da palavra de Deus. Senhor, Tu tens sido nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e Tu formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, Tu és Deus.

Tu reduzes o ser humano ao pó e dizes, voltem ao pó, filhos dos homens, pois mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite. Tu os arrastas na torrente, são como um sono, são como a relva que floresce de madrugada, de madrugada visse e floresce, à tarde murcha e seca.

pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor conturbados. Puseste as nossas iniquidades diante de ti, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos.

pois todos os nossos dias se passam na tua ira. Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. Os dias da nossa vida sobem a 70 anos ou, havendo em vigor, a 80. Nesse caso, o melhor deles é câncer e enfado, porque tudo passa rapidamente e nós voamos.

Quem conhece o poder da tua ira e a tua cólera, segundo o temor que te é devido, ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio.

Volta-te, Senhor, até quando estarás indignado? Tem compaixão dos teus servos. Sacia-nos de manhã com a tua bondade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos por tantos dias quantos nos tem afligido, por tantos anos quanto suportamos a adversidade. Aos teus servos apareçam as tuas obras e seus filhos a tua glória.

Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus. Confirma sobre nós as obras das nossas mãos. Sim, confirma a obra das nossas mãos. Amém. Feche seus olhos. Pai, nós invocamos o nome de Jesus pelo Espírito Santo.

E antes de mais nada, Senhor, ante a Tua presença, nós declaramos a nossa incapacidade de cultuar adequadamente a Ti. Nós confessamos a nossa inadequação para servir e cultuar ao Senhor. Nenhum de nós sabe exatamente.

Como servir ao Deus que é tão glorioso, tão exigente, tão santo e excelente. E nesse que talvez seja dos mais altos momentos de uma liturgia, nós clamamos ao Senhor, tem de misericórdia de nós.

Diante de nós a tua palavra santa, pura e boa, digna de nos repreender e capaz de fazer com que vidas tortas sejam endireitadas. Mas nós estamos diante dessa palavra, ainda que ávidos pelo conteúdo contido nela, nosso coração é duro e nossos ouvidos surdos, nossos olhos, Senhor, incapazes de ver a beleza da tua santidade.

E, portanto, ainda que tenhamos muitos instrumentos e ferramentas para a interpretação desse texto, nós nos rendemos aos seus pés e dizemos, Senhor, nós não conseguimos interpretar o Teu texto como convém e precisamos do Teu Espírito. É como que um véu que se o Senhor não nos revelar, homem nenhum o pode. E por isso pedimos que o Senhor fale a nós essa manhã, não homem algum.

E que um só homem cresça e que todos nós sejamos humilhados ante a presença gloriosa do Filho de Deus. Que o teu Espírito se coloque entre nós e a nossa interpretação, Senhor. E que seja o Senhor a falar a nós. Em nome de Jesus. Amém.

Em uma das cenas mais icônicas de um dos clássicos do cinema, A Sociedade dos Poetas Mortos, o protagonista, a atuação de Robin Williams, ele chama os alunos de uma escola na Inglaterra, escola, inclusive, de muito prestígio, muito boa e com uma estrutura pedagógica exemplar.

para o saguão principal daquela escola. Os alunos que nós acompanhamos durante todo o filme, eles vão obedecendo o seu professor quase que cegamente. Ali, aquele professor inadequado, sim, ele convida os alunos para uma reflexão.

no meio de tantas aulas, muito rígidas realmente. Era uma escola muito boa. Eles aprendiam educação clássica, por exemplo, línguas clássicas, o latim. E todos os que estudassem e se dedicassem ao ensino proposto por aquela educação fundamental, eles, com certeza, seriam muito bem-sucedidos em qualquer área da vida que seguissem a partir dali.

E o professor, depois de muita pressão, por meio de muitos outros professores, ele chama os alunos e diz para cada um deles naquele saguão, vocês morrerão.

Sim, todos vocês, talvez vocês serão comidos por bichos em alguns anos. Eu e vocês morreremos. E ele aponta para o quadro daqueles que eram os veteranos antigos, de décadas atrás, e que estudaram na mesma escola e diz, olha, veja os exemplos, eles também morreram e talvez muitos deles não conseguiram realizar grandes feitos. A única certeza que temos é que temos diante de nós a morte.

E por essa razão, ele aconselha os alunos, e o grande conselho finalmente surge. Aproveitem a vida e vivam de maneira extraordinária. A expressão utilizada, a expressão latina, carpe dim. O que significa exatamente isso? Aproveite o dia, desfrute da vida.

É evidente que quando você assiste tal cena, e digo eu particularmente por gostar muito de cinema, fiquei encantado com a beleza do filme, a estrutura da obra, tudo muito lindo e por isso um clássico. Mas por já ser cristão, notei a sutileza da mensagem proposta ali.

O conselho àqueles jovens é rompam com toda essa estrutura enfadonha que obriga vocês a cumprirem afazeres com o fim de um dia serem felizes. Rompam com essa estrutura. Vocês jovens cheios de paixões, potências, libido, desfrutem da vida e não fiquem presos a essas regras e estruturas. Esse é o ápice do filme.

quando eles rompem com as regras e decidem viver uma vida desregrada e buscar suas paixões exageradamente. É lógico.

Esse roteiro não foi desenhado quando começaram a escrever o filme. Os ingredientes que compõem não só o roteiro desse filme, bem como de várias outras peças, músicas, artistas, estilos de vida espalhados pelo mundo em que vivemos, foi desenhado e a receita foi feita com seus ingredientes muito antes de nós nos darmos conta.

Falamos aqui, alguns domingos atrás, de como, na modernidade, no período em que vivemos, a noção de verdade é diluída e o ser humano começa a desconfiar da nossa capacidade de chegar a conclusões a respeito de absolutos na vida. Absolutos que possam direcionar a minha e a sua vida.

O que se entende é que você pode encontrar a sua verdade, bem como eu também posso encontrar a minha. Mas de forma nenhuma, nós podemos encontrar uma verdade que organize minha e sua vida. E por essa razão, toda vida é diluída. A cada um ter de buscar o seu próprio caminho e encontrar um jeito de ser satisfeito.

A grande questão é que essa mesma modernidade chega a uma conclusão. Quando desconfia de todas as certezas que temos à nossa volta, resta só uma certeza, quase que inquestionável, o fato de que eu e você, um dia, encararemos a morte de frente.

nós a encararemos e teremos de prestar conta. Sim, a morte é um fato em contexto. Tente desenhar a vida, pensar, elucubrar a respeito do que for. Você vai ter que encarar essa realidade um dia. E justamente por isso, você precisa fazer sua vida aqui valer a pena. Quem afirma tal...

A conclusão é, por exemplo, o filósofo Heidegger, muito importante para a modernidade. Ele diz que somos um ser para a morte, já que a única possibilidade que nós temos, a mais provável, pense comigo, nada é certo. Nada.

Tudo depende do jeito que você está enxergando. Mas tem um negócio que parece que vai vir sobre todo mundo e essa das possibilidades mais prováveis é a morte. E por isso, precisamos sempre viver em face dela. Imaginando que amanhã podemos nos despedir desse mundo e o que precisamos então é viver como se o amanhã fosse literalmente amanhã.

o importante literato, também filósofo Albert Camus, que escreveu o mito de Sísifo, importante mito para a modernidade também, ele começa a sua obra levantando esse questionamento. Ele diz, se existe um problema filosófico realmente sério, algum problema na vida realmente sério, esse é o suicídio. Jeito bom de começar um livro, não é? Não dá nem vontade de continuar.

Julgar se a vida vale ou não apenas ser vivida é responder a pergunta fundamental da própria vida ou da filosofia. A grande questão em que esse e muitos dos outros que não tem mais valores, não tem pós-vida, não tem sentido que seja maior do que a minha própria experiência, a grande questão que eles encontram para ancorar a sua vida e não viver descolado da realidade é a morte.

É a morte, a inevitabilidade dela. Por isso o mito de Sísifo, o amaldiçoado no mundo grego, a subir com uma pedra até o alto de uma montanha durante o dia e no final do dia finalmente satisfeito descansar enquanto vê a pedra rolar até o mais baixo da montanha.

E depois ele retorna durante a noite, sobe de novo e faz isso eternamente amaldiçoado. A experimentar a morte dessa vida. O quanto que às vezes as nossas ações redundam em problemas, em desventuras, em males. Enquanto que a gente está desolado nesse mundo. A resposta, eles dizem.

É imaginar sísifo feliz. É você fazer as pazes com o fato que a morte está sempre diante de você e aproveitar enquanto há tempo. E diante do sofrimento, da angústia e da dor, tentar encontrar algum sinal de alegria, lampejo e esperança.

É evidente que esse é um dos ingredientes da afirmação que fizemos. Se talvez o evangelho de Satanás seja aproveite, você só tem uma vida, até agora o ingrediente você só tem uma vida já foi inserido.

Mas, se você com atenção tem acompanhado as últimas séries, se lembra que falamos de outro ingrediente que soma o imaginário e mentalidade do homem moderno. Isso é uma espécie de psicologismo, uma ênfase exagerada na mente humana que acredita e pressupõe que o propósito meu e seu como animal e espécie é um só. É a busca da realização do nosso desejo. Nosso alvo, quase que desejo, mas programado, é a gente ser satisfeito.

Então soma, soma essa receita. Primeiro você só tem uma vida e depois você tem que aproveitar e você tem que buscar a sua satisfação de desejo. O resultado está claro, a antiga afirmação. A antiga afirmação epicurista e que inclusive está na escritura, abre comigo. Eclesiastes 3, verso 9. Na verdade, verso 12. Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.

Algo parecido com isso encontramos na pena do próprio Salomão. Como disse Eclesiastes 3, 12. Sei que não há nada melhor para o ser humano do que alegrar-se e aproveitar a vida ao máximo. Não há nada melhor. Nada do que se alegrar e aproveitar a vida. Sei também que poder comer e beber e desfrutar o que se conseguiu com todo o trabalho é dom de Deus.

pressupondo, portanto, tais afirmações, a conclusão é clara, a gente tem que aproveitar, porque a gente só tem essa vida. Sim, e isso dá base, âncora, norte, significado para boa parte da cultura à nossa volta. Tem um filme legal também, que é Curtindo a Vida Doidado. Se você acompanhar a Sessão da Tarde, você sabe do que eu estou falando.

O menino resolve, um jovem já resolve matar a aula, e aí ele chama a namorada e o amigo. E eles vão, visitam o museu, fazem tudo para o que quiserem. Eles rompem com a estrutura. E tem sempre o personagem do professor, que é a figura da lei, que fica atrás dele, tentando impor uma regra e impedir que ele usufrua da vida.

Lá pelas tantas, ele tem uma frase no filme dublado, que é lógico, é muito melhor do que o filme original, e ele diz, pois é, eu já disse isso antes e vou dizer outra vez, a vida passa rápido demais, e se você não parar de vez em quando para viver a vida, acaba perdendo seu tempo.

Você acaba perdendo o seu tempo, sua vida vai embora. É lógico que nós temos exemplos sutis e exemplos mais grotescos desse mesmo estilo de vida, de que devemos aproveitar enquanto é tempo. Alguns talvez se lembrem aqui, ainda falando de cinema, do talvez clássico Se Beber Não Casa. Eu espero que vocês não tenham assistido. Mas é mais um exemplo.

Ouça, meu irmão, o que é Las Vegas, se não uma cidade onde todos os desejos podem ser satisfeitos? O slogan é o que acontece lá, fica lá. Cidade, inclusive, que foi criada nesse meio tempo do século passado, onde a gente decidiu que o prazer tem que ser o centro da nossa experiência, mas com senso de urgência.

o senso de que amanhã talvez morreremos. Então a gente gasta tudo que pudermos ainda nessa presente era e a gente vive com tudo que a gente puder. É lógico.

Porque se você é jovem, você sabe do que eu estou falando. Isso geralmente é coisa de jovem. A Bíblia fala que o jovem é tolo. A expressão em hebraico é essa mesma, petit. É a mesma para jovem e para tolo. Porque parece que tem uma pulsão e uma vontade de ser e de usufruir da vida e ao mesmo tempo lhe falta experiência e é desregrado. Eu me lembro quando mais novo...

mais novo, né? Tipo assim, 23 anos. Eu lembro, antes da minha conversão...

que eu ficava admirado em ouvir os jovens mais velhos, os meninos mais velhos contando das loucuras que eles faziam. E eu ficava, nossa, esse cara está sabendo viver a vida. E aí eu ficava procurando desafios e aventuras para que, de alguma forma, eu também tivesse uma dignidade, minha vida estivesse valendo a pena. Me lembro que eu até cogitava a possibilidade do Evangelho, de ser crente.

Mas na minha cabeça é, eu preciso aproveitar muito a vida primeiro. Aí eu arrumo uma esposa, caso, e depois eu viro crente. Talvez seja o seu pensamento. O fato é que essa mesma afirmação de que você tem que aproveitar porque o tempo é curto, não só assedia corações de jovens desavisados, mas inclusive é o jeito que Satanás tenta a mim e a você.

Sempre quando você está debaixo daquele sofrimento próprio da pressão da tentação. Jesus tem jogo sua fé com ele e você tem algo que lhe satisfaça. Talvez um benefício no trabalho, a oportunidade de satisfazer um desejo natural. E você tem aquela tensão. Uma voz parece vir do nada. Não sei se é Satanás ou a gente, mas essa voz replica pensamentos como Não seja tão duro com você.

Não, você não pode perder essa oportunidade. Depois você resolve isso, fica tranquilo, aproveita agora. Seu tempo é curto, você vai viver como? E sua vida?

É evidente que as estratégias de Satanás não são novas. Ele fez isso com Jesus. Diante da perseguição ou tentação do deserto, ele disse, se você é crente mesmo e Jesus te ama, você não vai estar sofrendo, não. Deus ama você, ele não te ama. Se ele te ama, tem pão aqui. Por que você está com fome? Não tem sofrimento. Parece que sempre o mesmo apelo. A vida é curta. Aproveite.

Ouça, meu irmão, se nós observarmos essa mesma afirmação, ela está presente em várias músicas, mas várias músicas. Ainda pensando nos jovens, se você pegar os funks e músicas de hoje em dia, sim, e você tirar a batida, o pessoal ainda fala de Deus.

Fala. Fala que Deus está comigo e foi uma bênção. E por isso eu vou curtir a vida e vou pegar a mulherada, porque Deus é meu parceiro. Você sabe disso. E se você tira a batida, até parece uma pregação de teologia da prosperidade. Sim, porque o elemento Deus ainda está ali. E o sentimento do indivíduo é que se existe algum Deus, ele não vai ser contra o meu sofrimento. Ele vai ser a favor do meu desfrute. Que Deus sádico é esse que fica cobrando centavos?

A expressão YOLO

You only live once. Você só vive uma vez. Ficou muito famoso nos Estados Unidos nas últimas décadas. Agora já entrou em desuso. Mas ela indica justamente isso. É mais uma versão do antigo Carpegin. Você só vive uma vez. E você tem que aproveitar esse trem. Talvez um irmão gêmeo desse, você só vive uma vez, seja outra expressão, que é no regrets, sem arrependimento. Você foi vivendo sua vida e você não tem arrependimento, não.

Afinal de contas Se o ápice da vida é buscar o prazer Tudo que aconteceu depois que você Buscou seu prazer, não importa Eu não tenho arrependimentos Mas eu chamo atenção para o irmão mais novo Desses dois, que é outra afirmação Outro pseudo evangelho Filhos do mesmo pai Que é, só Deus pode me julgar Aleluia, né? Só Deus pode me julgar Eu lembro Eu lembro

Essa memória é fresca. Com 18 anos, na Nelson Gria, penitenciária Nelson Gria. Não, eu não sou um ex-presidiário. Fiquem tranquilos. Na penitenciária Nelson Gria, fazendo o trabalho de capelania prisional ali, pregando para aqueles irmãos que estavam lá. Um deles tinha uma tatuagem no braço, muito grande, marcada, em negrito, e até um desenho meio tosco, assim, mal feito mesmo, provavelmente, talvez, feito ali.

E a frase era essa, só Deus pode me julgar. E eu lembro que quando observei aquilo, eu me peguei pensativo, porque imediatamente eu imaginei que ele talvez fez aquele sinal no corpo como um jeito de se autoafirmar, mostrar para o mundo que todas as consequências dos erros dele são consequências dele, que o único capaz de julgar, na verdade, é Deus. Ninguém pode ousar impor para ele uma lei moral ou julgar.

imediatamente eu também imaginei que talvez esse possa ser mais um filho de crente. Que da frase, aproveite, você só tem uma vida, ele foi ensinado a duras penas. Só a segunda parte da frase. Tirou, aproveite, ele foi ensinado. Você só tem uma vida, viva porque Jesus já está voltando, não aproveite nada. E talvez...

Talvez. Isso é só eu com a minha cabeça. Ele pode ter buscado uma satisfação desregrada. E encontrou, encontrou esse Deus que ele diz que só pode julgar ele. Quando esse Deus, pelo Estado, declarou a pena do exagero, do esbalde, do quanto ele se dedicou a buscar uma vida de prazeres. Sim, meu irmão.

Você, você que acha que só Deus pode te julgar, sim, eu penso assim também, mas isso não é algo que você possa ligeiramente descansar. Se é Deus quem há de nos julgar, se Cristo não estiver entre nós e Ele, quão terrível é nosso julgamento.

Mas esse homem foi julgado. Foi julgado pelo Estado, pela justiça. A justiça declarou sua pena. E nós temos diversos casos como esse. Tome como, por exemplo, o famoso caso Vorcaro. Sim. Um indivíduo que viveu dissolutamente, esbanjou o meu e o seu dinheiro e agora está cumprindo pena. Não é isso?

Parece que as gerações mais recentes, a Gen Z, por exemplo, percebeu que o resultado de viver uma vida sem regras, buscando só o deleite, o aproveitamento dela, é um só caos. Sua vida dura menos, se desfruta pior dos prazeres, tudo dá ruim, literalmente.

Pensa num mundo onde eu e você desfrutássemos de tudo o que quiséssemos. Existiria sociedade? Pensa se a gente imposse, por exemplo, o estado de bem-estar social que a gente vive no Ocidente a todo mundo. O planeta não aguentaria tanta Coca-Cola que a gente faria. É. Todo mundo tendo um copo Stanley.

O pessoal agora acha que essas coisas trazem a satisfação. Se a gente tem que universalizar isso, e aí? O planeta expulsaria a gente e explodiria. E parece que a Gen Z descobriu isso. E a gente provavelmente está experimentando uma virada na percepção do que é aproveitar porque a vida é breve. Eles continuam pressupondo que a vida é breve. Afinal, não dá para ter certeza de nada, só da morte. Mas...

Por ser uma geração insegura, ansiosa e temerosa, eles preferem pisar no freio. Quem fala isso é Jean Twain, importante psicóloga norte-americana, que escreveu um livro chamado I-Gen, I-Generation, Geração da Internet.

Ela faz uma análise com um banco de dados vastíssimo, de gerações anteriores, comparando e cruzando com as gerações atuais, e ela percebe que essa é, sem dúvida, a mais ansiosa, mais medrosa, a que mais junta dinheiro para se precaver dos males vindouros, a que demora a se desenvolver em vários aspectos da vida por medo. Ela constata um retardo no processo desenvolvimental.

Isso é, eles demoram a tirar carteira, demoram a ter a primeira experiência sexual, demoram a ter a primeira ingestão de bebida alcoólica, a primeiro consumo de drogas. É lógico, isso é um marcador secular. Então, os parâmetros aqui são outros, de maturidade. Mas demoram, é uma geração demorada. Eles estão retardados no processo desenvolvimental. E por quê? Medo.

Uma geração toda protegida e agora tem medo. E o que isso implica? Implica que agora aproveitar a vida não é entregar a vida para o prazer mais. Eu preciso proteger minha vida. Preciso investir num recurso mais conservador. Aí eu penso em longevidade de vida e fazer exercício para me manter saudável. Eu penso em, de alguma forma, não depender da previdência social e fazer meu pé de meia para uma aposentadoria. Eu crio recursos para eu ainda assim aproveitar a vida. Mas não como aqueles caras malucos lá de trás.

Sim, um sinal disso talvez seja o fato que Las Vegas, a Vegas lá de trás, que eu falei que era um ícone, ela não é tão falada mais, inclusive, numa matéria, e artigo publicado pela BBC no final do ano passado, eles destacaram que talvez o nível de turismo esteja despencando.

A prefeita de lá disse, por favor venham, nós amamos vocês, precisamos de vocês e sentimos sua falta. Quase o satanás, né? Um premiadíssimo rapper norte-americano, Kendrick Lamar, na música YOLO, que é You Only Live Once, você só vive uma vez. Eu esperei pelo dia que eu ia citar Kendrick Lamar aqui.

Ele faz uma sátira genial. Genial. Ele observa que tem esses dois grupos e ele satiriza os dois. Ele fala, ó, essa geração falou que tem que aproveitar a vida, né? Muito legal. Falou, esse foi o grito de uma geração.

Mas aí, quando ele descreve e aconselha essa geração como aproveitar a vida, ele bate na nova geração e fala o seguinte, mas vocês estão com medo de tudo, como que aproveitar a vida? Aproveitar a vida botando uma roupa de titânio e tomando cuidado para um piano não cair em cima do C, fazendo bons investimentos financeiros conservadores, tentando não aproveitar a vida. Então,

Acaba acertando os dois. Ele diz, você só vive uma vez, você só vive uma vez. O grito de guerra de uma geração. Essa vida é um dom precioso, então não faça muita loucura. Não vale a pena o risco, você sabe que ainda somos jovens. Então não seja idiota, não confie em ninguém.

Porque você só vive uma vez. Você só vive uma vez. Esse é o lema. Então, tome um calmante. Diminua a velocidade. Nunca vá para as baladas com som alto, porque elas fazem mal para os seus ouvidos. Todos os seus amigos se arrependerão quando eles não conseguirem mais ouvir. E fique longe dessas drogas, porque elas são ilegais. Depois enterre todo o seu dinheiro no quintal. Tipo um beagle. Gente, no final das contas, o que a gente observa? Que a gente percebeu que a vida é preciosa mesmo.

que a vida tem um valor e que ela é curta, e por ser curta a gente de alguma forma tem que aproveitar. E talvez seja essa a grande artimanha de Satanás, porque até aqui...

É isso aí. A grande questão que talvez não está conseguindo ser respondida é como que a gente aproveita a vida. Como que a vida tem de ser aproveitada. E alguns vão dizer que é pelo exagero, o transbordamento de deleite e fruição exagerado e desregrado. Outros, no entanto, reagindo a esse primeiro grupo, vão dizer não, a gente tem que tomar cuidado, ser conservador nos nossos moldes.

A gente tem que aumentar a longevidade de vida, ligar o estravo até para ir na padaria, fazer tudo com uma finalidade, viver mais, viver mais, viver mais. Mas, de novo, Eclesiastes, eu convido você para o mesmo texto que lemos. Lemos os versos 12 e 13, não é? Que fala que tem que aproveitar a vida. Talvez, se lêssemos os versos anteriores, tudo isso seria resolvido.

Verso 9. Que proveito tem o trabalhador naquilo que se afadiga? Viu o trabalho que Deus impôs aos filhos do homem para com ele os aflingir? Deus fez tudo formoso no seu devido tempo, também pôs a eternidade no coração do ser humano, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim.

O que é curioso aqui é que parece que todos esses grupos, de um lado e do outro, estão olhando para a morte e estão pensando assim, eu preciso aproveitar a vida. Olhando para a fadiga, os problemas do mundo estão dizendo, eu preciso aproveitar. Mas o que o texto está dizendo é que a fadiga, a morte, os males do mundo, não só nos empurram a aproveitar a vida que temos, mas eles principalmente estão nos dizendo e sussurrando em nossos ouvidos.

Nós não fomos feitos para a morte.

A morte não é o bastante, parece ter algo em nós que deseja não bater com a cara no muro da morte. Mas é como se a morte, temos essa impressão, ela fosse um vidro, um espelho que precisa ser atravessado. E que do lado de lá nós encontraremos verdadeira vida. A grande questão é que ninguém voltou da morte. Ninguém é capaz de nos dizer o que existe por lá.

Mas alguns historiadores falam de um homem em Nazaré. Tácito, Flávio José e outros afirmam que houve um cara lá, um ser humano, que andou entre os homens e causou muito problema para o Império Romano. Mas alguns, talvez dos historiadores mais confiáveis, aqueles que viveram perto dele e que foram perseguidos pelas constatações que documentaram, que morreram para afirmar que o Império Romano era um homem.

e descrever a vida daquele homem, eles dizem que aquele homem não só, pregando a sua mensagem de reconciliação de céus e terra, foi perseguido, mas foi morto e morto por cruz. Mas ao terceiro dia, esse homem ressuscitou.

Se esse relato está certo, se o texto bíblico está nos falando que realmente um homem ressuscitou dentre os mortos, ele andou entre os discípulos e disse, como lemos no início da nossa celebração, na primeira leitura de texto, não se turbe o vosso coração, crede em Deus e também em mim. Na casa de meu pai há muitas moradas, meus irmãos, alguém parece que já viu o que tem depois da morte.

E Jesus disse que existe vida e vida em abundância. Vida para aqueles que creem nele. Então, constatamos, não, não existe só uma vida. Mas Jesus diz, eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim não mais morrerá.

Se a morte era o pressuposto do qual nós organizamos a nossa vida, e ela foi derrotada na cruz do Calvário, só nos resta um outro pressuposto. Aquele que venceu a morte. Se de fato ele triunfou sobre ela, então ele deve ser aquilo pelo qual nós organizamos nossa vida.

Talvez seja por isso que o texto diz que sendo fiel até a morte, morte de cruz, ele recebeu o nome que está acima de todo nome, sobre o qual todos os joelhos há de se dobrar e toda a linguagem confessar que ele é Senhor para a glória de Deus Pai. Porque ele revela ao mundo o fato de que não é só essa vida não, tem outra vida.

Mas, meus irmãos, chamem sua atenção. Chamem sua atenção. Se Jesus, então, é o novo paradigma, que nós, crentes, a gente organiza a nossa vida para Ele, isso não significa que essa frase não faça sentido. Faz sentido. Primeiro, porque a gente tem que aproveitar.

A gente tem que aproveitar a vida sim. A gente tem que aproveitar porque o desejo que existe no nosso coração é desejo da fonte de todo o bem. É Jesus a fonte de todo o bem e toda a boa dádiva. Não é isso? Todo dom perfeito e toda a boa dádiva vem do Pai das luzes?

Quando buscamos qualquer experiência nessa terra, buscamos a Cristo. E isso significa que talvez os cristãos deveriam ser aqueles mais obcecados por prazer em toda a realidade. Diferente do que se pensa por aí, o cristão não deveria ser visto como aquele casto, austero.

a seta que abandona os prazeres carnais e vive quase que desencarnado, igual o Gasparzinho. Não! O cristão tem o pé no chão, igual Jesus encarnou nessa terra. E ele sabe que os prazeres aqui são prazeres de Deus. E ele desfruta de todos os bens possíveis, não se contaminando com os mesmos, mas desfrutando de Deus nessa presente era.

O primeiro dos prazeres a que o cristão não pode abrir mão. É o prazer que só os cristãos podem ter e aquelas criaturas que se rendem a Deus. Antes de subir aqui, conversava com uma irmã da nossa igreja ali atrás. E ela, com os olhos fascinados, me dizia, eu amo essa canção. Aquela que fala, ó, quão maravilhoso, não sei, eu nunca lembro.

Mas ela descrevia como a canção é bonita e aquilo ali era um retrato daquilo que a escritura chama de experiência mística. O que é experiência mística? É de serrar os lábios. Você não consegue explicar o que você está experimentando. Meu irmão, se você encontra Deus e Ele vem ao seu encontro, você não sabe comparar isso com nada.

Não sabe? Você não sabe comparar isso, você não tem categorias para dizer o que você experimentou. Você sabe que é bom e de outra natureza. Mas ao mesmo tempo, você é esse Deus que a gente não sabe explicar o que a gente sente quando Ele vem, que criou toda a Terra. Então essas outras coisas que a gente consegue explicar o porquê são boas, elas também devem ser experimentadas e desfrutadas por nós. Sim, faça um bom churrasco, me convide.

Sim, mas não coma além da conta. Sim, tome lá sua cerveja, não sei o que você toma, sua Coca-Cola.

Mas não faça disso uma desordem, um bem que você transforma em maldição nas suas mãos. Aproveite da experiência sexual, mas aproveite nos moldes que Cristo diz que é os únicos que são capazes de satisfazer. Usufrua de boa música, mas músicas que fazem seu coração glorificar a um só homem. Aproveite e reúna a sua família em volta da mesa, mas não para brigar ou falar mal do primo ou da tia.

Faça empreendimentos nessa terra, mas não que se justificam no seu próprio ajuntamento de recursos. Aproveite a vida, meu irmão.

Diferente de qualquer outro grupo que diz que a gente tem que aproveitar a vida, como aquele primeiro que vive desregradamente, o cristianismo mata esse ídolo. Nós não podemos aproveitar desregradamente, porque isso não é aproveitar. Aproveitar com Cristo é aproveitar sobre as estruturas que o cristianismo apresenta e diz, só se aproveita dessa forma, porque Cristo viveu e nos diz que é assim. E, portanto, se Ele é o bem e aquele que viveu vida abundante, nós o imitaremos.

Mas não só aproveite, meu irmão. Lembre-se, lembre-se, que você só tem uma vida. Sim. Talvez esse segundo grupo mais conservador, que aproveita sendo prudente e cuidadoso, ele também deve ser tido para nós como um desafio. Porque quem é mais disciplinado e regrado do que o nosso Deus?

se o valor principal desse segundo grupo é disciplina, estrutura, quem é mais do que o nosso Deus? Nós cristãos talvez não deveríamos só ser os mais felizes e satisfeitos, mais desejosos dos homens, mas talvez a gente deveria ser os mais disciplinados também, mais familiarizados em lidar com o sofrimento, com o sorriso aberto, mais capacitados a cuidar da saúde e não comer de maneira desregrada.

Mas fazer o seu exercício físico, glorificando a Deus por meio do seu templo e mantendo ele por mais tempo. Buscando longevidade de vida, cuidando do seu dinheiro para que ele possa servir gerações. E não gastando dissolutamente. Não gastando todo o seu dia no celular, no smartphone e buscando aprovação de outros, comprando cada vez mais um novo carro. Mas sendo simples.

Íntegro, um só, desejando uma só coisa.

E talvez o fato de Deus destruir todos os ídolos, nesse caso, é que nós não somos disciplinados por força humana. Não. É Cristo quem faz com que a gente consiga organizar nossa vida e ser disciplinado. E, portanto, no final do dia, você não fica como boa parte desses que estão tentando ganhar vida. Ansioso, inseguro, se comparando com outros e terceiros. Você não busca...

tesouros nessa terra, aprovações alheias, você quer Jesus. E ainda que você não consiga ser aprovado pelas suas obras, Jesus no final do dia olha para você e fala, meu filho, a minha graça te basta. Uma milha, duas milhas, dez mil milhas, a sua maratona, sou eu quem te dou força, alegria, ânimo e graça para seguir em frente.

No final das contas, meu irmão, Satanás sempre torce uma verdade para um lado ou para o outro, mas o cristianismo é o Jesus crucificado entre dois ladrões. Sempre, sempre. E a maior beleza disso talvez seja a ceia e a mesa da comunhão. Lembre-se, quando Jesus...

Morreu. Ele estava anunciando a mesa. O que é a mesa? Se não o momento em que aqueles que morreram com Cristo celebram a ressurreição. E com o que celebram? Pão e vinho. Em outras palavras, a mesa do Senhor, ela anuncia, comamos e bebamos. Porque amanhã não mais morreremos. Não mais morreremos. Vencemos com Cristo a morte.

É evidente. Talvez, sua grande preocupação seja uma só. Como que eu vou fazer isso acontecer? E eu peço que você volte para Eclesiastes antes de finalizarmos com o texto de Salmo. Nos versos 14 e 15.

Os últimos versos. O texto diz, sei que tudo o que Deus faz durará eternamente, sem que nada possa ser acrescentado nem tirado. E que Deus faz isso para que as pessoas o temam. O que é já foi e o que será também já foi. Deus fará vir outra vez o que já passou. Ouça, meu irmão, o que o texto está dizendo aqui é que tudo o que Deus faz durará eternamente. Sabe qual é o único jeito de você aproveitar a sua vida? Não é só de você desfrutar os prazeres que estão aí, não.

É você pegar a sua vida e fazer com que todas as suas obras sejam uma extensão da obra de Deus. Tudo que você fizer aqui na terra, quer ser chore, quer ser ria, tem que ser em resposta.

a pergunta se Jesus choraria ou sorria. Se você aprendeu com Jesus que você tem que ser fiel, então você vai lidar com os relacionamentos dessa forma, você vai fazer com que a sua fidelidade aqui seja uma extensão da obra de Deus na Terra. E quando você trabalhar, não é você trabalhando, é Deus te usando no seu trabalho. Quando você for...

Amar a sua esposa é Deus amando a sua esposa. Quando você for cuidar dos seus filhos, é Deus cuidando dos seus filhos. E ouça com atenção, esse é o único jeito do seu caixão ter gaveta. O único jeito de você levar alguma coisa daqui pra lá são as cicatrizes que você carrega da obra do reino, de servir a Deus. E isso se dá na mesa que você reúne sua família e resolve engolir a vontade de brigar com aquela tia lá, que fala sem pensar.

O nome disso é vocação. O texto bíblico chama isso de vocação. Você tem uma vocação. Não só um talento e profissão que Deus te deu, isso passa pela sua vocação, mas o fato de você ter nascido mulher é sua vocação. O fato de você ter nascido homem é sua vocação. Você precisa desenvolver isso. Você precisa ver o mundo que Deus te deu e pensar o seguinte, como eu vou me tornar o ápice daquilo que Jesus gostaria que eu fosse?

E sabe qual a beleza da morte, meu irmão? A beleza da morte é o fato de que quando nós experimentamos ela, e ela é uma possibilidade, a gente pode viver vidas heroicas. Quem fala isso é o Tolkien. Só vive vida heroica quem pode entregar a própria vida por amor a um valor maior.

E quando você pega a sua vida e fala o seguinte, eu vou viver para a glória de Deus, eu vou fazer cada segundo valer a pena, o sofrimento não vai me derrubar, eu vou levantar após ele, eu vou fazer minha vida valer, você está dizendo, eu vou cumprir minha vocação. Eu vou chegar diante de Deus e eu não vou ter do que me envergonhar.

Chamo sua atenção para o Salmo de número 90. Salmo de Moisés, como já disse, onde ele começa afirmando que Deus é Senhor do tempo. Senhor, Tu tens sido nosso refúgio de geração em geração. Antes que os montes nascessem e Tu formasses a terra e o mundo, de eternidade a eternidade Tu és Deus. Sabe, as montanhas...

que Guimarães Rosa tanto desenha no Grande Sertão Veredas, aquelas montanhas de Minas Gerais, antes que cada uma delas tivesse um grão de areia sobre grão de areia, Deus já era mais alto que todas elas. É isso que Moisés está dizendo. O Senhor é Senhor do tempo. As montanhas que permanecerão ainda são suas filhas.

Verso 3, tu, no entanto, reduzes o ser humano ao pó e dizes, voltem ao pó, filhos dos homens, pois mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que se foi, e como vigília da noite, tu os arrastas na torrente, são como um sono, são como a relva que floresce de madrugada, de madrugada vicia e floresce, a tarde murcha e seca. Aqui o contraste, enquanto Deus, Senhor do Tempo, permanece sobre gerações.

O ser humano é como a erva que nasce de madrugada e de tarde já secou e foi levada pelo vento. A brevidade da sua e da minha vida. E o quão passageiro é o nosso tempo na Terra.

Verso 7. O quão mal nós aproveitamos esse tempo, pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor conturbado. Pusestes as nossas iniquidades diante de ti, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. É como se o salmista Moisés aqui dissesse, Deus é grande, onipotente, onipresente, onisciente, Ele é atemporal, Ele se estende de geração em geração, e eu recebi pouco tempo, Ele me deu muito pouco tempo.

Mas eu, eu vivo em face desse Deus irado, que eu sei, eu sei, que eu estou mal administrando o seu tempo, eu estou mal utilizando o tempo que ele me deu para aproveitar a única vida que eu tenho aqui, até a vindoura.

Pois todos os nossos dias, verso 9, se passam na tua ira. Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. Os dias da nossa vida sobem a 70 anos ou em havendo vigor a 80. Nesse caso, o melhor deles é canseiro e enfado, porque tudo passa rapidamente e nós voamos. Quem conhece o poder da tua ira? E a tua glória, segundo o temor que é devido. E finalmente ele pede, ele diz, ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.

A grande questão, meu irmão, não é se a gente deve aproveitar e se só temos uma vida. A grande questão é como aproveitaremos essa vida. Como administraremos esse bem que Deus nos deu. Jonathan Edwards, num sermão gigantesco. A preciosidade do tempo e como nós devemos redimí-lo, alguma coisa assim.

Ele reflete, inclusive, Jonathan Edwards que, para administrar bem o seu tempo, no final de cada semana ele pensava em oração, como que ele passou a semana. E pensava nos pecados que ele cometeu e não venceu. Depois, no final de cada mês também, ele pensava no mês. E no final de cada ano, ele também pensava no ano. Ele diz que o tempo é precioso e por isso a gente deve cuidar dele. Primeiro, primeiro, porque quando você está com a sua vida em risco,

Você gasta todo o ouro e toda a prata que possui para conservar dez dias ou dez anos de saúde e vida ainda. Ele é mais precioso do que o ouro e a prata. Mas o tempo também é precioso porque é como você vive e administra o tempo aqui, que determina como você vai viver na eternidade. Sim, a salvação é pela graça. Mas, meu irmão, se você não administrar o seu tempo...

O texto fala que nós passaremos pelo fogo. Nós passaremos pelo fogo e aqueles que construíram com madeira, palha e feno serão humilhados e esturricados. O presente de Deus. Aleluia. Mas ele diz que o tempo é precioso também porque ele é muito curto. Muito curto. A vida é muito curta.

Mas não só é precioso porque ele é escasso como ouro. Ele é precioso porque nós não temos certeza da sua duração. Ele é curto, mas nós não sabemos quão curto ele é. A vida é curta, mas ela também é incerta. Você pode, aqui, saindo daqui, ter que se despedir, sim. Aí o crente...

É isso, é isso. É exatamente isso agora. Todos nós, nada nos assegura do quão breve é a nossa vida. Mas ele não só é caro para nós porque é curto e incerto, mas porque uma vez passado o tempo não pode ser recuperado.

Qualquer outro recurso você pode tomar de volta, meu irmão, mas ele não pode ser recuperado. Talvez esse seja o grande problema do pecado. Quem aconselha na comunidade cristã sabe disso. O indivíduo peca e você ajudar ele a restaurar a confiança do relacionamento. Meu Deus, para voltar no nível que estava e talvez nunca volte é muito tempo.

E quando envolve outras pessoas para conversar com todo mundo, resolver e fazer todo mundo ser crente. O pecado come o seu e o meu tempo. Ele não pode tirar a sua salvação, mas ele pode comer a sua vida e fazer com que ela não valha nada na eternidade. Nada.

E é por isso o clamor no verso 13. Volta-te, Senhor. Essa deve ser a minha e a sua reação. Como aproveitamos a vida, então, que nos é breve? Senhor, volta-te. Até quando estarás indignado? Tem compaixão de nós. Ajuda-nos a sermos satisfeitos nessa vida, apontando para a vindoura. Verso 14. Sacia-nos de manhã. O desejo de aproveitar a vida está aqui. Sacia-nos de manhã com a tua bondade para que cantemos de júbilo.

Nós queremos nos alegrar todos os nossos dias. Verso 15. Alegra-nos por tantos dias quanto nos tens afligido, por tantos anos quanto suportamos a adversidade. Talvez você não tenha percebido. Ouça com atenção. O que Moisés está pedindo para Deus aqui é que todo sofrimento que ele sofreu na terra redunde em prazer no céu. Está claro isso?

Alegra-nos por tantos dias quanto nos tens afligido, por tantos anos quanto suportamos a adversidade. E aí você pensa, é Moisés, Deus vai responder a oração dele, aleluia. Mas esse Salmo é palavra de Deus. Então é Deus que está falando aqui. Não é Moisés, é Deus. Mas Salmo é uma oração a Deus. Então como que Deus está falando com Deus? Não faz sentido, né?

Mas Cristo Jesus é a palavra de Deus. Quem diz isso é Dietrich Bonhefe. Então quem está fazendo essa oração aqui é Cristo. E Ele está fazendo por mim, por você. Então essa oração aqui, meu irmão, não é um pedido de um individual que não pode ser cumprido. Essa oração já foi realizada na minha e na sua vida. Todas as dores e desolações nessa presente era serão duplicadas em alegria na vindoura.

aos teus servos apareçam as suas obras e aos seus filhos a tua glória. Verso 17, seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus, confirma sobre nós as obras das nossas mãos. Sim, confirma a obra das nossas mãos. Chame sua atenção, ele termina dizendo o seguinte, Deus, confirma a obra das nossas mãos, em outras palavras, faça nossa vida valer a pena, nossos esforços ecoarem para a eternidade, a gente viver vidas heroicas, né? São José Maria Escrivá, fazer versos heroicos, a prosa de cada dia.

Ajuda-nos, Deus. Mas eu queria que você observasse que ele repete. Verso 17b. Confirma sobre nós as obras das nossas mãos. E aí na segunda parte é singular. Sim, confirma a obra das nossas mãos. E é evidente que isso me lembrou a ocasião que os discípulos chegam para Jesus e perguntam, Mestre, quais são as obras?

De Deus. E Jesus responde. A obra de Deus é essa. Que Jesus, que o seu filho, seja glorificado. Meu irmão, talvez você está preocupado em fazer muita coisa. Muita coisa. Muita coisa. São obras que estão na sua cabeça. Ou talvez você não está preocupado com nada.

Mas tem uma só coisa que a gente deve se preocupar. Fazer a glória e o nome de Jesus conhecido nesse mundo. Através do nosso churrasco, através da nossa alegria, da beleza da música, através de toda a nossa vida. É só isso que importa. É só isso que importa. E eu finalizo aqui com uma citação desse sermão do Jonathan Edwards. Peço que com atenção acompanhe a leitura. Ele, no sermão, questiona o auditório.

Cada dia que você, você que me ouve, cada dia que você desfrutou foi precioso, sim. Seus momentos foram preciosos. Mas você não desperdiçou seus preciosos momentos, seus preciosos dias, sim, seus preciosos anos. Se você contasse quantos dias viveu, que soma seria? E quão precioso foi cada um desses dias?

Considere, portanto, o que você fez com eles. O que aconteceu com todos eles. O que você pode mostrar de alguma melhoria feita, ou bem realizado, ou benefício obtido, que corresponda a todo esse tempo que você viveu. Quando você olha para trás e busca informações, não encontra esse tempo passado de suas vidas em grande parte vazio?

não tendo sido preenchido com nenhuma melhoria positiva? E se Deus, que lhe deu o seu tempo, agora lhe chamasse para prestar contas? Que contas você poderia dar a ele? Feche seus olhos. Pai, nós te agradecemos, porque o Senhor é o Deus do tempo.

E o Senhor preparou esse momento para que cada um de nós, cada um de nós bem o aproveitássemos. É tão difícil viver, Deus. Talvez a principal das virtudes, a prudência, ela seja justamente administrar bem o tempo. Quanto tempo já não se passou sem que a gente se desse conta dele cuidar-se ou se atentar-se?

Mas nós, nós agora, nessa manhã, nós nos rendemos a Ti e pedimos, Senhor, só Tu és capaz, só Tu és capaz de administrar nossa vida. Lidera-nos, Pai. Conduza-nos, Pai.

E se precisar fazer alguma coisa em nós, faça com que o nosso coração esteja disposto e maleável para ser moldado, direcionado e dirigido pelo Senhor. Nós não sabemos contar os nossos dias, muito menos administrá-los. Mas o que pedimos é que a gente deseje uma coisa só, que é fazer o Senhor glorificado. Deleitarmos do Senhor, afinal a vida eterna é essa, que conheçam a Cristo, o Filho de Deus.

Que possamos nos deleitar no Senhor. E o Senhor endireitará as veredas do nosso coração. Em nome de Jesus. Amém.

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