17/08/2026 - Morning Call by FUTURO invest
O pregão de 17/08 começa com o mercado brasileiro tentando construir uma reação após nove quedas consecutivas do Ibovespa, em um ambiente externo relativamente mais favorável, mas ainda marcado por riscos domésticos e geopolíticos. O cenário-base analisado pela FUTURO Invest é de repique técnico com rotação setorial, sem confirmação, por enquanto, de reversão da tendência recente.
Na sexta-feira, o Ibovespa caiu 0,10%, aos 166.934,20 pontos, acumulando perda de 3,27% na semana. Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,17%, o Nasdaq Composite caiu 0,28% e o Dow Jones perdeu 0,20%. Para esta manhã, o sinal externo melhora com os futuros do S&P 500 em alta de 0,2% e do Nasdaq em 0,5%, enquanto os Treasuries recuam.
Na Ásia, Nikkei, Hang Seng e Xangai avançaram, apesar dos sinais de desaceleração da economia chinesa. A produção industrial, as vendas no varejo e o investimento em ativos fixos vieram mais fracos, adicionando cautela para VALE3 e siderúrgicas. A cotação numérica do minério de ferro não é utilizada na análise.
Entre as commodities, o Brent outubro/26 operava próximo de US$ 89,44 por barril, em alta de 1,04%, sustentado pelas tensões no Oriente Médio. A manutenção desse movimento pode favorecer PETR3 e PETR4 e ajudar a sustentar o Ibovespa. No câmbio, o dólar à vista encerrou sexta-feira a R$ 5,2213, alta de 0,61%, enquanto o Bitcoin era negociado a US$ 63.353, com avanço de 0,49% sobre a referência anterior.
No Brasil, a agenda concentra importantes gatilhos para juros, câmbio e Bolsa, com IGP-10, Boletim Focus e IBC-Br, além de dois leilões de linha do Banco Central, em valor total de até US$ 1 bilhão. Nos Estados Unidos, entram no radar o Empire State Manufacturing e o índice NAHB do mercado imobiliário.
No corporativo, BHIA3 deve concentrar volatilidade após o Grupo Casas Bahia protocolar pedido de recuperação judicial. O episódio também analisa os possíveis reflexos desse evento sobre a percepção de risco de crédito, além do comportamento esperado de bancos e empresas mais sensíveis aos juros.
Na análise técnica, pelo método de pivôs clássicos, o primeiro suporte do Ibovespa está em 165.479,90 pontos, enquanto a primeira resistência está em 167.743,98 pontos. O pivô central está em 166.289,68 pontos.
O episódio do Morning Call da FUTURO Invest detalha os fatores que podem confirmar a tentativa de recuperação da Bolsa e os riscos capazes de invalidar esse cenário, com atenção especial ao comportamento dos juros, dólar, petróleo, China, PETR4, VALE3, BHIA3 e à agenda econômica desta segunda-feira.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações, análises e opiniões apresentadas não constituem recomendação de investimento, oferta de compra ou venda de ativos, nem substituem uma avaliação individual adequada ao perfil e aos objetivos de cada investidor.
- Mercado Brasileiro· EconomiaIbovespa·Juros·Câmbio·Fluxo estrangeiro
- Cenário Externo· EconomiaWall Street·Treasuries·Federal Reserve·China·Petróleo Brent
- Indicadores Economicos· EconomiaIGP-10·Boletim Focus·IBC-Br·Leilões de linha do Banco Central·Empire State Manufacturing·Índice NAHB
- Casas Bahia e Setor Varejo· NegociosRecuperação Judicial·Juros altos·Crédito
Bom dia, mercado! Aqui é Thomas Franco e este é o Morning Call by Futuro Invest de hoje. A segunda-feira começa com o mercado tentando respirar depois de uma sequência pesada para os ativos brasileiros. Na sexta, o Ibovespa caiu 0,10%, fechando na faixa dos 167 mil pontos e completou a nona queda seguida. É uma sequência que pesa no humor, porque não fala apenas de preço, fala de fluxo, fala de estrangeiro reduzindo exposição, fala de juros altos segurando valuation e fala de um investidor local ainda defensivo diante do fiscal, da política e do cenário global e ruidoso.
Lá fora, a sexta também foi negativa. Mas por outro motivo. Wall Street corrigiu de leve, com o S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones todos no vermelho, refletindo uma leitura mais fraca das vendas no varejo americano e alguma pressão em tecnologia. A diferença é que, para esta manhã, o mercado já vira a página com um sinal melhor vindo dos juros. Os Treasuries recuam, a chance implícita de nova alta do Federal Reserve em setembro caiu para algo perto de 30%, E os futuros americanos amanhecem positivos.
Isso não resolve o problema brasileiro, mas melhora a largada. Esse movimento nos Estados Unidos é importante porque muda o preço do risco global. Quando o Treasury de 2 anos cai para perto de 4,15% e o de 10 anos fica na casa de 4,69%, o investidor volta a olhar com um pouco mais de apetite para a bolsa emergentes e moedas de maior carrego. Para o Brasil, isso pode significar alívio no câmbio e nos DIIs, desde que o ruído doméstico não entre na frente.
Depois de 9 pregões negativos, qualquer melhora no exterior tende a gerar tentativa de repique técnico, mas ainda não é uma virada de tendência, tá? Na Ásia, o sinal de preço também foi favorável. O Nikkei subiu, O Hang Seng avançou mais de 1% e Xangai também fechou em alta. Só que a qualidade desse movimento precisa ser lida com cuidado, porque os dados chineses vieram fracos. Produção industrial abaixo do esperado, vendas no varejo muito aquém da projeção e investimento em ativos fixos em contração reforçam a ideia de uma economia chinesa ainda sem tração consistente.
Para quem olha Brasil, isso pesa principalmente sobre Vale, siderúrgicas e todo o bloco ligado ao ciclo de commodities metálicas. Já no petróleo, o vetor é outro. O Brent volta a subir e trabalha perto de US$89,50 por barril, sustentado pelo risco geopolítico no Oriente Médio e pela incerteza sobre a circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Esse é o tipo de movimento que ajuda a Petrobras no curto prazo, porque melhora a percepção sobre receita e geração de caixa, mas também traz um alerta macro.
Petróleo mais alto demais pode reacender preocupação inflacionária global, pressionar juros e tirar parte do alívio que vem dos Treasuries. No câmbio, o ponto de partida é um dólar doméstico ainda pressionado. A moeda americana fechou sexta perto de R$5,22, na quinta alta consecutiva. Isso mostra que o Brasil vem sofrendo um estresse próprio e não apenas acompanhando o exterior. Para hoje, o dólar global mais fraco pode ajudar, mas o real precisa mostrar força própria.
E o leilão de linha do Banco Central, com venda de dólares e compromisso de recompra, entra como elemento de liquidez, sem necessariamente significar mudança de política cambial. A agenda brasileira concentra boa parte do risco logo cedo. Primeiro vem o IGP-10 de agosto, depois o Boletim Focus e, em seguida, o IBC-B de junho. Esse trio conversa diretamente com a curva de juros. Se a inflação no atacado vier mais comportada, se o Focus não piorar expectativas e se o indicador de atividade mostrar perda gradual de fôlego, o mercado pode reforçar a leitura de queda futura da Selic.
Nesse caso, o alívio tende a aparecer primeiro nos DIIs e depois em bolsa, especialmente nos setores mais sensíveis a juros. Mas o caminho inverso também existe. Se o Focus trouxer inflação mais alta, se o mercado enxergar a atividade ainda resistente demais ou se o petróleo pressionar a leitura de preços, a curva pode abrir de novo. E aí, o repique do Ibovespa perde força rapidamente. Esse é o detalhe central do dia. O exterior ajuda, mas a confirmação vem dos juros locais.
Sem queda de DI, fica difícil sustentar melhora ampla nas ações brasileiras. Nos Estados Unidos, o Empire State Manufacturing e o Índice de Confiança das Construtoras entram no radar porque o mercado está recalibrando a sua leitura sobre o Federal Reserve. Cada dado fraco reforça a tese de pausa ou de menor aperto. Enquanto qualquer surpresa positiva demais pode devolver pressão aos Treasuries. A narrativa dominante neste começo de semana é a busca por soft landing, com a atividade desacelerando o suficiente para aliviar juros, mas não tanto a ponto de acender medo de recessão.
É uma linha fina e o mercado vai testar essa linha a cada indicador. No leilão de abertura da B3, Petrobras deve ser um dos principais nomes no radar. As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras entram com o vento favorável do Brent e podem funcionar como sustentação importante para o índice. Se o petróleo mantiver alta, o papel tende a atrair fluxo defensivo dentro de bolsa, porque combina commodity forte, geração de caixa e peso relevante no Ibovespa.
O risco é uma reversão rápida do petróleo em caso de sinal diplomático ou normalização de fluxo no Oriente Médio para Vale e siderúrgicas. A leitura é mais dividida. As bolsas chinesas subiram, mas os dados da economia real foram fracos. Isso impede uma leitura simples de compra do setor. O investidor pode até reagir ao apetite por risco na Ásia, mas vai olhar com cuidado para demanda, construção, produção industrial e investimento.
Sem uma referência validada de minério de ferro nesta edição, a melhor leitura é macro. China ajuda no preço dos índices, mas não entrega segurança nos fundamentos. No varejo, o destaque negativo é Casas Bahia. A companhia comunicou o pedido de recuperação judicial em São Paulo depois de uma deterioração forte da condição financeira. Para o mercado, isso muda a régua de risco, porque traz para o centro da discussão dívida, custo de financiamento, restrição de crédito e valor residual para o acionista.
A ação deve ter volatilidade elevada e viés inicial negativo, mas sem extrapolar essa leitura para todo o varejo. O evento é específico, corporativo e ligado à estrutura financeira da empresa. Mesmo assim, o caso Casas Bahia reforça um ponto importante para bancos e crédito: juros altos por muito tempo não afetam apenas valuation de ações, eles pressionam balanços, encarecem rolagem de dívida e aumentam seletividade dos credores.
Para bancos grandes, o mercado vai observar se há algum reflexo de percepção sobre inadimplência, exposição a empresas alavancadas e qualidade da carteira. Queda dos juros futuros ajuda, mas notícias de estresse corporativo mantêm o investidor atento. Tecnicamente, o Ibovespa tem um ponto de equilíbrio perto de 166.300 pontos. A primeira região de suporte fica ao redor de 165.500 pontos, enquanto a primeira resistência aparece perto de 168 mil pontos.
Pra tentativa de repique ganhar corpo, o índice precisa sustentar a região de pivô, ver dólar sem nova pressão e ter os DIs andando para baixo. Se perder suporte com o dólar forte, o mercado volta a enxergar continuação da tendência negativa, Em termos de carteira, amanhã pede seletividade. Energia pode proteger melhor se o petróleo continuar forte. Empresas domésticas de maior duration podem reagir se os juros caírem. Bancos exigem leitura cuidadosa de crédito.
E commodities metálicas dependem muito mais da interpretação sobre China do que do simples fato de a bolsa chinesa ter subido. O investidor não deve confundir repique com reversão confirmada. Depois de uma sequência tão ruim, é normal haver recomposição, mas a consistência depende de fluxo, juros e câmbio. O resumo da abertura é este: o Brasil chega machucado com 9 quedas seguidas, dólar alto e percepção doméstica de risco elevada.
Mas o mundo entrega uma janela melhor, com futuros americanos positivos, Treasuries em queda e menor probabilidade de aperto adicional do Federal Reserve. Se a agenda local ajudar, a bolsa pode tentar interromper a sequência negativa. Se o fiscal, o câmbio ou os juros voltarem a pesar, o repique perde força. Este foi o Morning Call da Futuro Invest, o seu guia diário no mercado financeiro. Até amanhã, pessoal!