Episódios de Morning Call by FUTURO invest

14/08/2026 - Morning Call by FUTURO invest

14 de agosto de 202620min
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O mercado chega à sexta-feira, 14 de agosto, com um contraste claro entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto o Ibovespa acumulou quatro quedas nos quatro primeiros pregões da semana e completou oito sessões consecutivas no campo negativo, Nova York encerrou a quinta-feira em ambiente mais favorável, com o S&P 500 renovando seu recorde histórico após dados mais benignos de inflação.

No Brasil, o Ibovespa saiu dos 172.513 pontos da sexta-feira anterior e fechou a quinta aos 167.100 pontos, acumulando queda de aproximadamente 3,14% na semana até aqui. O dólar terminou próximo de R$ 5,19, com valorização superior a 2% no período. A saída de investidores estrangeiros, a cautela com o cenário fiscal e eleitoral, a reavaliação do ciclo de juros e uma temporada de balanços marcada por forte seletividade seguem pressionando os ativos domésticos.

Entre as empresas, Banco do Brasil permaneceu no radar após o mercado direcionar atenção para inadimplência e qualidade do crédito, especialmente no agronegócio. Hapvida sofreu forte queda após seu balanço, enquanto MRV avançou mais de 14% na quinta-feira. O episódio também analisa como esse ambiente de maior exigência pode continuar afetando bancos, varejo, construção e demais empresas sensíveis aos juros.

No exterior, o PPI dos Estados Unidos ficou estável em julho e ajudou a reduzir a preocupação com uma nova alta de juros pelo Federal Reserve. O S&P 500 avançou 0,65% e fechou aos 7.798 pontos, o Nasdaq subiu 0,81% e o Dow Jones ganhou 0,13%.

Nas commodities, o Brent caiu mais de 2% e encerrou a US$ 87,07, após uma sequência de altas ligada às tensões no Estreito de Hormuz. A movimentação mantém PETR4 sensível ao comportamento do petróleo e às implicações da commodity sobre inflação e juros globais. VALE3 e as siderúrgicas seguem dependentes do minério de ferro e dos sinais vindos da China.

Para o pregão desta sexta-feira, o principal gatilho econômico será a divulgação das vendas no varejo dos Estados Unidos às 9h30, após avanço de 0,2% em junho. Às 11h, a leitura preliminar da confiança do consumidor da Universidade de Michigan complementa a avaliação sobre atividade e expectativas de inflação. No Brasil, a nova pesquisa Genial/Quaest sobre a corrida presidencial também permanece no radar.

O cenário-base é de um mercado dividido entre uma herança internacional mais construtiva e uma estrutura doméstica ainda fragilizada. Uma estabilização dos juros, do câmbio e do fluxo pode favorecer recuperação em bancos, varejo, construção e empresas de crescimento. Já uma nova alta dos Treasuries e do dólar, combinada a piora fiscal ou eleitoral no Brasil, pode prolongar a pressão.

No radar da próxima semana, o IBC-Br de junho será divulgado na segunda-feira, às 12h, enquanto a ata do Federal Reserve será publicada na quarta-feira, às 15h de Brasília. Os dois eventos serão importantes para a formação das expectativas sobre juros, câmbio e atividade.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações, análises e opiniões apresentadas não constituem recomendação de investimento, oferta de compra ou venda de ativos, nem substituem uma avaliação individual adequada ao perfil e aos objetivos de cada investidor.

Participantes neste episódio1
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Thomas Franco

Host
Assuntos6
  • Mercado Brasileiro vs EUA· EconomiaIbovespa em queda·S&P 500 em recorde·Dólar em alta·Fluxo estrangeiro
  • Temporada de Balanços· EconomiaBanco do Brasil·Hapvida·MRV·Qualidade de crédito·Inadimplência
  • Cenario Fiscal e Eleitoral· PoliticaIncerteza fiscal·Incerteza eleitoral·Pesquisa Genial/Quaest
  • Indicadores Economicos· EconomiaPPI (Preços ao Produtor)·Vendas no Varejo·Confiança do Consumidor·Universidade de Michigan
  • Commodities e Empresas· NegociosPetróleo Brent·Estreito de Ormuz·Petrobras·Vale·Minério de ferro·China
  • Radar da Próxima Semana· EconomiaIBC-Br de junho·Ata do Federal Reserve·Produção Industrial·Preços de Importação/Exportação
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TFThomas Franco

Bom dia, hoje é sexta-feira, 14 de agosto. Eu sou Thomas Franco, está começando mais um Morning Call by Futuro Invest. A semana chega ao último pregão contando uma história bastante clara: Brasil e Estados Unidos caminharam em direções diferentes. Por aqui, o Ibovespa acumulou 4 quedas nos últimos 4 primeiros pregões da semana. E na quinta-feira completou a 8ª sessão consecutiva no campo negativo. Em Nova York, o movimento foi diferente.

Dados mais benignos de inflação reduziram parte da preocupação com uma nova alta de juros. E o S&P 500 renovou o seu recorde histórico. Na minha leitura, o principal movimento da semana foi justamente o aumento do prêmio específico do Brasil. O ambiente internacional continuou volátil, Principalmente por conta do petróleo e da geopolítica. Mas terminou a quinta-feira oferecendo algum alívio. Enquanto isso, o mercado brasileiro continuou enfrentando uma saída de capital estrangeiro, incerteza fiscal e eleitoral, juros ainda elevados e uma temporada de resultados que separou claramente as empresas premiadas das empresas punidas.

E a pergunta para sexta-feira é: essa melhora extrema será suficiente para interromper a sequência negativa? Ou os fatores locais continuarão limitando uma tentativa de recuperação? Vamos começar pelo panorama da semana. A Ibovespa saiu dos 172.513 pontos da última sexta-feira e terminou a quinta-feira aos 167.100 pontos. Isso representa uma queda acumulada de aproximadamente 3,14% na semana até aqui. A trajetória foi de deterioração progressiva.

Na segunda-feira, a queda ainda foi limitada. Já na terça-feira, o movimento ganhou força. O índice recuou 2,5% em uma sessão marcada por maior cautela com o cenário doméstico e pelo rebaixamento da recomendação para ações brasileiras pelo JPMorgan. Quarta-feira e quinta-feira também tiveram perdas menores, mas não conseguiram interromper a sequência negativa. Um dos fatores mais importantes para entender esse movimento é o fluxo.

Nos 7 primeiros pregões de agosto até o dia 11, investidores estrangeiros retiraram aproximadamente R$11,9 bilhões da bolsa brasileira. Só na terça-feira, a saída chegou perto de R$4,7 bilhões. Esse dado merece atenção. O investidor estrangeiro representa uma parcela relevante da liquidez da B3. Quando esse fluxo perde força, os movimentos negativos encontram menos contraposição comprador e o mercado tende a ficar mais sensível às notícias fiscais, políticas e corporativas.

O câmbio confirmou esse aumento de prêmio doméstico. O dólar encerrou a quinta-feira em torno de R$5,19 e acumula valorização superior a 2% desde o fechamento da sexta-feira anterior. Bolsa caindo e dólar subindo ao mesmo tempo formaram uma combinação importante. Isso mostra que o movimento da semana não ficou restrito a uma simples rotação entre ações. Houve também maior procura por proteção diante dos riscos brasileiros. A política monetária também entrou nessa discussão.

O IPCA de julho subiu para 0,07% e a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,44%. A ata do Copom manteve uma comunicação cautelosa e reforçou que qualquer continuidade do ciclo de flexibilização dependerá da evolução da inflação, das expectativas e da atividade. Na prática, isso aumentou novamente a sensibilidade das empresas domésticas ao comportamento da curva de juros. Varejo, construção, consumo e companhias de crescimento tendem a sofrer mais quando o mercado reduz a expectativa de cortes adicionais na Selic.

A temporada de balanços reforçou essa seletividade. O Banco do Brasil divulgou um lucro ajustado no próximo de R$3,9 bilhões no segundo trimestre, mas a reação das ações foi negativa. O mercado direcionou a atenção para a qualidade do crédito, para inadimplência e, principalmente, para carteira ligada ao agronegócio. A Hapvida, por exemplo, mais extrema. A ação perdeu cerca de um terço do valor de uma única sessão. Os números aumentaram as dúvidas sobre os custos assistenciais, rentabilidade e execução operacional.

Do outro lado, a MRV avançou mais de 14% na quinta-feira. Isso mostra uma coisa importante: o mercado não abandonou todas as empresas domésticas. Ele está sendo muito mais exigente. Minha leitura sobre os balanços dessa semana é exatamente essa. Em um ambiente de juros altos e menor apetite para risco, a margem de tolerância diminui. Empresas que demonstram deterioração operacional ou aumento do risco são punidas rapidamente. Já aquelas que apresentam evolução concreta de geração de caixa, margens, ou desalavancagem ainda conseguem atrair compradores.

Nas commodities, o petróleo também teve um papel importante. As tensões envolvendo o Estreito de Ormuz ajudaram o Brent a acumular altas ao longo de vários pregões. Isso criou suporte para a Petrobras, mas também aumentou o risco inflacionário global. Na quinta-feira, esse movimento perdeu força. O Brent caiu mais de 2% e fechou a US$87,07. A pressão veio de estoques maiores e revisões de demanda. Para a Petrobras, a leitura continua dupla: um petróleo mais elevado favorece a geração operacional, mas altas demandas muito intensas também aumentam a preocupação com inflação e juros.

Já uma queda controlada do Brent reduz a pressão global, mas retira parte do suporte direto às ações da companhia. A Vale teve uma quinta-feira mais fraca, refletindo menor suporte de minério. China e minério continuam relevantes para a companhia e para a siderúrgica, mas mas não foram capazes de compensar a degradação doméstica nessa semana. Enquanto isso, Nova York teve um comportamento bastante diferente. Na quinta-feira, os preços ao produtor dos Estados Unidos ficaram estáveis em julho.

O dado reduziu a preocupação com uma nova elevação dos juros pelo Federal Reserve e derrubou os rendimentos dos Treasuries. O S&P 500 avançou 0,65%, encerrou aos 7.798 pontos e marcou um novo recorde recorde de fechamento. O Nasdaq ganhou 0,81% e o Dow Jones subiu 0,13%. Petróleo também caiu e isso ajudou a aliviar parte do risco inflacionário. Na minha leitura, principal problema do mercado brasileiro nessa semana não foi uma aversão global generalizada, foi o Brasil ter ficado mais fraco justamente enquanto parte do cenário externo melhorava.

Esse é o ponto que precisava ser acompanhado daqui para frente. Agora, comparando com a semana anterior, esse descolamento fica ainda mais evidente. Na janela equivalente, entre o fechamento de sexta-feira, 31 de julho, e quinta-feira, 6 de agosto, o Ibovespa havia caído aproximadamente 1,38%. Nessa semana, considerando exatamente a mesma janela de 4 pregões, a queda chega a aproximadamente 3,14%. E existe mais um ponto relevante: a semana anterior completa terminou com um recuo de 3,08%.

Portanto, Até o fechamento dessa quinta-feira, a perda da semana atual já supera ligeiramente todo o recuo acumulado nos 5 pregões da semana passada. O câmbio reforça a mesma leitura. Na janela comparável anterior, o dólar havia avançado menos de 1%. Nessa semana, a valorização supera 2%. Ou seja, a piora relativa do Brasil parece tanto nas ações quanto na moeda. Nos Estados Unidos, a dinâmica é diferente. A semana passada foi marcada por uma forte recuperação do apetite riscos depois de um relatório de emprego muito mais fraco.

Isso reduziu a necessidade percebida de juros ainda mais alto. Nessa semana, Wall Street continuou positiva, mas em um ritmo menor. Até quinta-feira, o S&P 500 acumula aproximadamente 0,5% de alta e o Nasdaq cerca de 0,4%. Isso é importante. O exterior não repetiu o mesmo rally da semana passada, mas também não entrou em um processo de aversão generalizada. Tanto que o S&P 500 terminou a quinta-feira em máxima histórica. O petróleo também mudou de função ao longo das duas semanas.

Em determinados momentos da semana anterior, a alta commodity ofereceu sustentação a Petrobras e ajudou a amortecer parte da pressão sobre o Ibovespa. Na semana passada, o Brent continuou volátil, chegou a renovar preocupações inflacionárias e depois recuou com força na quinta-feira. Na minha leitura, a mudança mais importante não foi simplesmente a perda de apoio das commodities. Foi o conjunto. O fluxo estrangeiro piorou, o dólar subiu mais e a discussão sobre os preços para cortes da Selic voltou a ficar mais restritiva.

Em balanços, aumentaram a dispersão entre vencedores e perdedores. O resultado foi um Brasil mais dependente dos fatores domésticos. E menos capaz de acompanhar os momentos positivos de Wall Street. E o que devemos observar então nessa sexta-feira? A herança deixada pela quinta-feira é dividida. No Brasil, o Ibovespa terminou aos 167.100 pontos e completou a 8ª queda consecutiva. O dólar fechou próximo de R$5,19. E o fluxo estrangeiro continua sendo um ponto de fragilidade.

Nos Estados Unidos, o encerramento foi mais favorável. S&P 500 em recorde, Nasdaq em alta, Treasuries cedendo e petróleo devolvendo parte do prêmio acumulado nos últimos dias. Isso cria uma sexta-feira em que o exterior pode ajudar, mas não garante uma recuperação da B3. Primeiro grande teste acontece às 9:30 no horário de Brasília e os Estados Unidos divulgam vendas e varejo de julho. Em junho, as vendas haviam avançado 0,2%.

Esse indicador merece atenção porque o mercado agora precisa conciliar duas informações: inflação mais comportada e comportamento do consumidor. Se as vendas mostrarem uma demanda muito resistente, os juros americanos podem voltar a subir. E o mercado pode interpretar que a economia continua forte e o suficiente para sustentar pressões inflacionárias. Por outro lado, se o número mostrar uma desaceleração controlada, sem sinal de ruptura no consumo, a leitura mais favorável para os juros pode ganhar força.

Às 11 horas teremos a leitura preliminar da confiança do consumidor da Universidade de Michigan referente a agosto. A leitura final de julho ficou em 55,2 pontos. E mais importante do que apenas um índice de confiança serão as expectativas de inflação dos consumidores. Com petróleo e combustíveis ainda muito sensíveis à situação do Oriente Médio, qualquer mudança nessas expectativas pode interferir novamente nas apostas para o Federal Reserve.

No Brasil, a nova pesquisa Genial Quest sobre a corrida presidencial está prevista para essa sexta-feira. Até o corte dessa edição, não havia horário público confirmado para divulgação. Depois da sensibilidade demonstrada pelo mercado às pesquisas eleitorais nessa semana, alterações relevantes na percepção sobre a disputa podem voltar a afetar o câmbio, juros e o prêmio de risco. Também teremos reações específicas aos balanços e fatos corporativos divulgados depois do fechamento de quinta-feira.

Meu cenário base não é de uma direção garantida para o Ibovespa, é de um mercado tentando encontrar estabilização entre duas forças. De um lado, uma herança internacional mais construtiva depois do PPI americano e do recorde do S&P 500. Do outro, 8 quedas consecutivas, saída estrangeira, dólar mais alto e maior cautela com fiscal, eleição e juros domésticos. Essa leitura ganha força se os dados brasileiros não provocarem uma nova abertura dos Treasuries e se o câmbio brasileiro mostrar alguma estabilização.

Nesse cenário, bancos, varejo, construção e outras empresas sensíveis aos juros podem funcionar como termômetros de melhora de apetite doméstico. No cenário favorável, os juros americanos permanecem contidos, o dólar global não ganha força, o petróleo fica afastado de uma nova escalada e a pressão vencedora estrangeira na B3 perde intensidade. Nesse caso, aumenta a possibilidade de recuperação nos setores que mais sofrem ao longo da semana.

No cenário adverso, um dado forte de consumo nos Estados Unidos faz Treasuries e dólar avançarem. Ao mesmo tempo, surge uma nova piora fiscal ou eleitoral no Brasil. Nesse ambiente, a pressão pode continuar. Petrobras seguirá sensível ao Brent. Vale e siderúrgicas continuarão respondendo ao minério e à China. Os bancos serão importantes para avaliar o apetite pelo risco doméstico e empresas que tiveram movimentos muito fortes depois dos balanços podem continuar com volatilidade acima da média.

O ponto mais importante não é confundir uma eventual recuperação técnica de uma sessão com uma mudança estrutural da tese. Para essa mudança ganhar consistência, o mercado precisará ver melhora em fluxo, juros, câmbios e percepção de risco. E olhando um pouco mais à frente, vamos ao radar da próxima semana. A agenda estará dividida entre atividade brasileira e política monetária americana. Numa segunda-feira, 17 de agosto, às 12 horas, o Banco Central divulga o IBC-BR referente a junho.

Esse é um dos principais indicadores de atividade acompanhados pelo mercado e ajuda a construir a leitura sobre a velocidade da economia brasileira. Para os ativos domésticos, a interpretação será importante. Uma desaceleração organizada da atividade, sem uma nova piora das expectativas de inflação pode favorecer a percepção de que existe espaço para flexibilização monetária ao longo do tempo. Já uma atividade resistente, acompanhada de inflação e expectativas pressionadas, pode manter a curva de juros em níveis mais altos.

Varejo, construção, consumo e empresas de crescimento tendem a responder mais diretamente a essa discussão. Na terça-feira, A agenda americana ganha densidade. Às 9:30 de Brasília serão divulgados os preços de importação e exportação de julho. Também teremos dados de construção de novas moradias e licenças. Às 10:15, o Federal Reserve divulga a produção industrial de julho. Esse conjunto ajuda a avaliar 3 pontos: pressão de custos, força do setor imobiliário e ritmo da atividade industrial.

Depois da sequência recente de dados de inflação, qualquer surpresa relevante pode modificar novamente a curva dos Treasuries e o dólar. Na quarta-feira acontece o evento de maior peso da semana. Às 15 horas de Brasília, o Federal Reserve publica a ata de reunião de 28 e 29 de julho. Esse documento ganha relevância porque o mercado passou por uma precificação importante nas últimas semanas. Primeiro, o emprego mais fraco reduziu as apostas em novas altas de juros.

Depois, a alta do petróleo, Trocou parte da preocupação inflacionária de volta. Na sequência, CPI e PPI mais benignos voltaram a favorecer a percepção de que o Fed pode permanecer em espera. A ata ajudará a mostrar qual era o grau de preocupação dos dirigentes com a inflação e o que poderia justificar uma nova alteração da política monetária. Treasuries de 2 e 10 anos, dólar e ações de tecnologia serão os principais termômetros dessa leitura.

Para o Brasil, a consequência é direta: juros americanos mais comportados normalmente aliviam parte da pressão sobre moedas emergentes e também sobre a curva do México. Uma mensagem mais dura do Fed tende a produzir o movimento inverso. Na segunda metade da semana, a agência macro já confirmada perde um pouco de densidade. Isso aumenta a importância da reação acumulada aos dados, dos balanços internacionais e do comportamento das commodities.

O petróleo continuará sendo um dos principais riscos externos. Uma nova escalada no Oriente Médio poderia realocar o Brent em trajetória de alta e reabrir ao mesmo tempo as discussões sobre inflação e juros. Na China, o comportamento do minério e os sinais de atividade continuarão importantes para Vale e siderúrgicas. Na minha leitura para a próxima semana é a seguinte: IBC e EBR será o primeiro grande teste para os ativos domésticos, mas a ata do Federal Reserve terá o maior potencial de reorganizar a percepção global sobre juros dólar e risco.

A oportunidade melhor do cenário brasileiro passa por uma combinação bastante objetiva: inflação internacional mais controlada, menor pressão nos Treasuries, estabilidade do petróleo e redução do prêmio doméstico. O risco é exatamente o oposto. Juros americanos voltando a subir ao mesmo tempo em que fiscal, eleição ou fluxo estrangeiro mantém pressão sobre os ativos brasileiros. Então, o resumo dessa sexta-feira é o seguinte: a semana foi marcada por um descolamento cada vez maior entre Brasil e Estados Unidos.

O Ibovespa acumula uma queda superior a 3% até o fechamento de quinta-feira e chegou à 8ª sessão consecutiva no campo negativo. O dólar avançou mais de 2% desde sexta-feira passada e a saída de investidores estrangeiros reforçou a falta de sustentação do mercado doméstico. Em relação à semana anterior, a pressão ficou ainda mais intensa e passou a envolver simultaneamente bolsa, câmbio, juros e balanços corporativos. Nos Estados Unidos, o cenário terminou a quinta-feira melhor.

O PPI mais benigno reduziu o receio de uma nova alta de juros e ajudou o S&P 500 a renovar o seu recorde. Para hoje, O primeiro grande gatilho será o varejo americano às 9:30. Depois, às 11 horas, confiança do consumidor e expectativas de inflação da Universidade de Michigan complementam a leitura sobre a economia dos Estados Unidos. No Brasil, fluxo, câmbio e juros e pesquisa eleitoral permanecem no radar. E olhando para a próxima semana, o IBCBR abre a discussão doméstica já na segunda-feira, enquanto a ata do Federal Reserve será o principal evento global na quarta-feira.

Quarta-feira. O ponto que mais chama a minha atenção continua sendo a capacidade ou não de o Brasil reduzir o descolamento observado nessa semana. Se o exterior permanecer construtivo e o prêmio doméstico parar de aumentar, o mercado encontra condições melhores para estabilização. Se juros, câmbio, fluxo e percepção fiscal ou eleitoral voltarem a deteriorar ao mesmo tempo, a pressão pode continuar, mesmo com Wall Street em níveis elevados.

Eu sou Thomas Franco, esse foi mais um Morning Call by Futuro Invest. Ótimo pregão, uma excelente sexta-feira e até a próxima semana.

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