12/08/2026 - Morning Call by FUTURO invest
O pregão de 12/08 começa com o mercado brasileiro tentando estabilizar após uma sessão de forte aversão ao risco. O Ibovespa encerrou o último pregão em queda de 2,50%, aos 167.874,64 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,04%, para R$ 5,1639. A combinação entre ata cautelosa do Copom, IPCA acima do consenso e aumento da percepção de risco doméstico mantém o ambiente defensivo, com possibilidade de repique técnico, mas ainda sem sinal claro de reversão.
No exterior, Wall Street também terminou no vermelho: S&P 500 caiu 0,32%, Nasdaq Composite recuou 0,60% e Dow Jones perdeu 0,34%. Na Ásia, o Nikkei operava próximo da estabilidade nos primeiros negócios, enquanto China continental e Hong Kong ainda não haviam iniciado suas sessões regulares no horário considerado no Morning Call.
Entre as commodities, o Brent avançou 1,4%, para US$ 88,91 por barril, sustentado pelas tensões envolvendo o Estreito de Ormuz. O movimento pode favorecer PETR3 e PETR4, embora o petróleo elevado também aumente os riscos inflacionários globais. Já o minério de ferro em Dalian avançava 1,26%, para 721,5 yuans por tonelada, oferecendo um vetor potencialmente positivo para VALE3 e suporte marginal às siderúrgicas.
No câmbio e nos juros, a valorização do real permanece condicionada à redução do prêmio de risco doméstico. No exterior, o Treasury de dez anos terminou próximo de 4,695%, enquanto o mercado aguarda o principal gatilho macroeconômico do dia. O Bitcoin era negociado em aproximadamente US$ 63.685, com variação negativa de cerca de 0,46% na referência utilizada.
Entre os principais assuntos deste episódio do Morning Call by FUTURO invest:
- CPI dos Estados Unidos às 9h30, com consenso de 3,4% em 12 meses para o índice cheio e 2,5% para o núcleo;
- Pesquisa Mensal de Serviços do Brasil às 9h, após recuo de 0,4% no dado anterior;
- impactos potenciais do CPI sobre Treasuries, dólar, juros futuros e setores sensíveis às taxas;
- perspectivas para Petrobras, Vale, bancos, siderúrgicas, varejo e construção;
- balanços e eventos corporativos envolvendo B3, Direcional e PagBank, além da expectativa pelos resultados de Banco do Brasil e Hapvida;
- níveis técnicos do Ibovespa pelo método de pivôs clássicos, com pivô em 169.276,36 pontos, suporte em 166.167,22 e resistência em 170.983,79 pontos.
O cenário-base é de abertura mista, com possibilidade de repique técnico dentro de uma estrutura ainda defensiva. Petróleo e minério podem ajudar as principais ações de commodities, enquanto bancos e empresas mais sensíveis aos juros dependem de uma estabilização efetiva da curva doméstica. O CPI norte-americano será determinante para testar essa leitura e pode alterar a direção do mercado por meio dos juros globais e do dólar.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações, análises e opiniões apresentadas não constituem recomendação de investimento, oferta de compra ou venda de ativos, nem substituem uma avaliação individual adequada ao perfil e aos objetivos de cada investidor.
- Comercio Exterior· NegociosWall Street·Nikkei·Petróleo Brent·Minério de Ferro·Tensões no Estreito de Ormuz
- Indicadores Economicos· EconomiaEstados Unidos·Pesquisa Mensal de Serviços·Treasuries·Banco Central
- Corporativo e Níveis Técnicos· NegociosBanco Central·B3·Direcional·Banco Central·Ibovespa
Bom dia, mercado! Aqui é Thomas Franco e este é o Morning Call by Futuro Invest de hoje. O mercado brasileiro chega ao pregão de 12 de agosto com uma herança pesada do último fechamento. O Ibovespa caiu 2,50% e terminou na faixa dos 168 mil pontos, depois de ter ensaiado níveis bem mais altos durante o dia e acabar perto da mínima. Isso mostra que não foi apenas uma realização pontual, foi uma sessão de perda de confiança, com pressão simultânea em bolsa, câmbio e juros, aquela combinação que a mesa costuma chamar de ajuste de prêmio de risco.
Quando o índice fecha praticamente na mínima, O recado é simples: o vendedor dominou o leilão final e deixou uma abertura seguinte mais sensível a qualquer notícia ruim. A raiz do movimento passa pelo Banco Central. Mesmo depois do quarto corte seguido de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14% ao ano, a ata do Copom não veio com tom confortável. A autoridade monetária reconhece alguma desaceleração, mas segue preocupada com componentes de inflação ligados à demanda, com o balanço de riscos ainda assimétrico para cima e, principalmente, sem entregar compromisso com novas reduções.
Na prática, o mercado queria ouvir espaço para continuidade do ciclo, mas recebeu uma mensagem de cautela. O IPCA de julho, com alta de 0,07%, acima do esperado, reforçou essa leitura, mesmo com o acumulado em 12 meses desacelerando para 4,44%. O câmbio contou a mesma história. O dólar à vista subiu 1,04% e fechou perto de R$5,16, enquanto o DXY ficou praticamente parado no exterior. Isso é importante porque mostra que a pressão não veio de uma onda global de dólar forte, mas de uma piora específica no Brasil.
E aí entrou também o rebaixamento do Brasil pelo JP Morgan dentro do portfólio latino-americano, de overweight para neutro. O banco citou desaceleração da atividade, piora do crédito e a possibilidade de fim mais próximo do ciclo de cortes. Para o investidor estrangeiro, esse tipo de ajuste funciona como convite para reduzir risco, Especialmente depois de uma sequência forte da bolsa brasileira. Lá fora, Wall Street também não ofereceu um colchão claro.
O S&P 500 caiu 0,32%, o Nasdaq recuou 0,60% e o Dow Jones perdeu 0,34%. Tecnologia pesou e o mercado reduziu exposição antes do CPI norte-americano. Esse dado, que sai às 9:30 pelo horário de Brasília, é o principal gatilho do dia, porque pode mexer direto nos Treasuries, no dólar global e no apetite por emergentes. Uma inflação mais comportada ajuda a tese de soft landing e dá alívio para ativos de risco. Uma surpresa para cima, especialmente no núcleo, reacende a dúvida sobre o Federal Reserve e pode apertar ainda mais as condições financeiras.
O petróleo segue como uma peça dupla nesse tabuleiro. O Brent avançou 1,4% e fechou perto de US$89 por barril, sustentado pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz. Para as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras, esse preço do petróleo é um vetor positivo na abertura, Porque aumenta a percepção de geração de caixa e pode ajudar a companhia a funcionar como amortecedor do Ibovespa. Mas existe o outro lado, tá?
Petróleo mais alto também pressiona a inflação global, dificulta cortes de juros lá fora e pode limitar o benefício para a bolsa como um todo. É bom para a petroleira, mas não necessariamente bom para o múltiplo do mercado inteiro. Na Ásia, o quadro inicial era de cautela, mas com um ponto favorável para o Brasil. O Nikkei oscilava perto da estabilidade, enquanto China continental e Hong Kong ainda não tinham entregado um sinal consolidado no horário de corte.
Já o minério de ferro em Dalian subia 1,26% para a região de 720 yuan por tonelada. Para Vale, esse é um contraponto importante depois da pancada na B3. Se a commodity sustentar esse avanço durante a sessão chinesa, pode ajudar Vale e, por arrasto, dar algum suporte ao índice. Mas siderúrgicas exigem mais cuidado, porque dependem não só do minério, mas também de demanda chinesa, margens, crédito e percepção de atividade. A fotografia da abertura, então, é mista com viés defensivo.
De um lado, petróleo firme, minério positivo e futuros norte-americanos praticamente estáveis oferecem espaço para repique técnico. De outro, o Brasil vem de uma queda forte, dólar em alta, juros pressionados e recomendação estrangeira menos favorável. Isso significa que uma tentativa de recuperação pode aparecer, mas ainda não configura reversão. Para mudar a conversa, o Ibovespa precisa mostrar recuperação com volume, juros futuros estáveis e dólar perdendo força.
Sem isso, qualquer alta inicial pode ser apenas ajuste depois do exagero da véspera. A agenda doméstica também merece atenção. Às 9 horas, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços de junho. O dado anterior mostrou queda de 0,8%. 4% em maio na comparação com abril. Serviços são relevantes porque ajudam a medir a temperatura da demanda interna. Justamente o ponto que o Banco Central continua monitorando com atenção. Se o número vier fraco, pode reforçar a tese de desaceleração da economia e aliviar a parte curta da curva de juros.
Se vier forte, sustenta a cautela do Copom e pode dificultar uma leitura mais otimista para setores sensíveis a juros, como varejo, construção e empresas de duration mais longa. O grande evento, porém, está nos Estados Unidos. O CPI de julho sai às 21:30, com consenso apontando inflação cheia em 12 meses perto de 3,4%, abaixo dos 3,5% de junho. Para o núcleo, a expectativa é de 2,5%. A reação do mercado vai depender menos da manchete isolada e mais da composição.
Serviços, aluguel, bens e energia serão lidos em conjunto. Se os Treasuries de 10 anos recuarem depois do dado, o dólar global tende a perder tração e a janela para emergentes melhora. Se os juros abrirem, o Brasil sente rapidamente. Porque a curva local já chega machucada. No corporativo, o setor financeiro abre no centro do radar. Banco do Brasil divulga balanço neste 12 de agosto e isso aumenta a sensibilidade do papel desde os primeiros negócios.
Antes do resultado, o movimento deve refletir posicionamento, proteção e expectativa. Depois, o mercado vai olhar qualidade da carteira inadimplência, margem financeira, provisões e guidance, não apenas o lucro final. Os bancos em geral chegam pressionados pela abertura da curva, pela deterioração do crédito citada por casas globais e pelo risco doméstico mais presente. Quando juros longos sobem, a leitura para crédito, valuation e custo de capital piora ao mesmo tempo.
Entre os resultados já conhecidos, A B3 reportou lucro líquido recorrente de cerca de R$1,4 bilhão no segundo trimestre, alta de 8% contra o mesmo período do ano passado, praticamente em linha com o consenso. A leitura inicial é neutra a moderadamente positiva, porque houve crescimento operacional, mas sem grande surpresa. Direcional mostrou lucro líquido de R$202 milhões, avanço de 9,7% e aprovou recompra de até 32 milhões de ações.
Isso pode ajudar o papel, mas construção civil continua refém da curva de juros. PagBank trouxe lucro recorrente de R$576 milhões, alta modesta, além de dividendos de US$0,28 por ação. Nos níveis técnicos, a referência é bem objetiva. Usando máxima, mínima e fechamento do pregão anterior, o pivô clássico do Ibovespa fica perto de 169.300 pontos. Acima desse nível, o mercado começa a mostrar que consegue respirar depois da queda.
A primeira resistência aparece perto de 171 mil pontos. Abaixo, a perda da mínima anterior aumenta o risco de pressão rumo à região de 166 mil pontos. Não são previsões, são zonas matemáticas de referência, mas ajudam a mesa a organizar stop loss, entrada e leitura de fluxo nos primeiros minutos. Pare de abertura: Petrobras e Vale têm os melhores vetores externos. Petrobras pelo Brent elevado, Vale pelo minério positivo, bancos, varejo, construção e empresas mais sensíveis a juros dependem de um alívio real na curva e no câmbio.
Se o dólar continuar subindo e os DIIs abrirem novamente, o mercado tende a vender primeiro os setores de maior duration e maior dependência de crédito. Se câmbio e juros estabilizarem, aí o repique pode ganhar corpo, especialmente porque a queda de 2,50% deixou muitos papéis esticados para baixo, no curtíssimo prazo. A pergunta central do dia é se a deterioração de ontem já colocou prêmio suficiente nos preços ou se o mercado ainda precisa ajustar mais.
Minha leitura é de tentativa de estabilização, mas sem sinal robusto de reversão. O roteiro melhora com CPI benigno, Treasuries comportados, dólar perdendo força contra o real, Brent firme sem nova escalada geopolítica e minério sustentado na China. O roteiro piora se a inflação norte-americana surpreender para cima, se o petróleo subir por medo de choque de oferta ou se o risco local continuar dominando o câmbio. Hoje, mais do que buscar convicção, o investidor precisa observar os termômetros certos: Treasury de 10 anos, dólar, Brent, minério e curva de DI.
Eles vão dizer se a bolsa está apenas respirando ou se começa de fato a recuperar confiança. Este foi o Morning Call da Futuro Invest, o seu guia diário no mercado financeiro. Até amanhã, pessoal!