Baile 11 - Cadela gota a gota parida
O álcool, vício corrente neste rectângulo luso desenhado por uma criança sem as bases de geometria, dá-nos, qual relação, o melhor e o pior da existência. A cadela líquida aguarda-nos com uma dicção espatifada no final da corrida dos copos. Cada um com o seu tempo nesta corrida sub-reptícia, nunca articulada enquanto tal. Porém, falemos dos precipitados. Quem chega lá por via de molhar o bicho na espuma de duas cervejas merece ser apedrejado com insultos tradicionalmente portugueses. Não te demores, porém também não te apresses. Embebedar-nos é — já cá faltava — como a comédia, tem a ver com timing. A menos que seja num casamento, aí não há alturas erradas.
Se analisado pela perspectiva do capitalismo, o nosso vampiro ubíquo cuja sede de sangue nunca se extinguirá, haja alguém com interesse perene no nosso pescoço, o apressado merecerá honras de destaque. Bebe em contra-relógio porque tempo é dinheiro. Todavia se assim é, que o seja nos restantes departamentos da vidinha. O gestor que entoa a lengalenga da produtividade não pode, para bem do PIB e da coerência, ser praticante de sexo tântrico quando, em meio laboral, nos fode de supetão. Só na fornicação do trabalhador é que a burocracia — os papéis — é descartada.
Estou por aí em certas redes sociais. No Spotify as cinco estrelas são bem-vindas.
-Roberto Gamito
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