Smiling Buddha: como a Índia se tornou uma potência nuclear
Smiling Buddha: como a Índia se tornou uma potência nuclear
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Em 18 de maio de 1974, pouco depois das 8h05, uma equipe de aproximadamente 75 cientistas indianos detonou um dispositivo de implosão de plutônio enterrado 107 metros sob as areias do Rajastão. A Índia alegou um rendimento de 12 a 13 quilotons; estimativas sísmicas independentes apontam para um valor menor, mais próximo de 4 a 8. O governo de Indira Gandhi batizou a operação de "Smiling Buddha" e a chamou de "explosão nuclear pacífica", um rótulo que permitiu ao país evitar declarar-se formalmente uma potência nuclear, sem abrir mão dos benefícios dissuasórios associados a esse status (India Today; Nuclear Weapon Archive). Essa ambiguidade deliberada custou caro: isolou a Índia da maior parte da cooperação nuclear internacional por mais de duas décadas e não impediu o país de retornar ao mesmo deserto 24 anos depois para dizer, abertamente, que tinha a bomba. Mais de cinco décadas após aquele primeiro teste, a Índia opera hoje uma tríade nuclear completa, terrestre, naval e aérea, com um arsenal que o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) estima em cerca de 190 ogivas. A questão que perpassa esta história não é apenas como a Índia construiu a bomba, mas contra quem essa força está de fato dimensionada hoje.