Episódios de Carreira Sem Fronteiras

Pesquisador e Professor Universitário em Barcelona, Espanha - Carreira Sem Fronteiras #242

07 de maio de 202659min
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O são-bernardense Lucas passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói e Angra dos Reis por conta do trabalho do pai, que era engenheiro. Depois do ensino técnico de mecatrônica, ele foi estudar engenharia mecânica, passando por faculdades em São Bernardo, Rio de Janeiro, e São Paulo. De diploma na mão e com alguns intercâmbios na mala, ele foi buscar um mestrado na Swansea University, País de Gales, antes de voltar para o Brasil e decidir que as oportunidades de um doutorado no exterior seriam mais amplas.

Foi aí que um dos contatos que ele colecionou durante essa carreira lhe colocou na rota direta para Barcelona, onde Lucas trabalha hoje, no Barcelona Supercomputing Center.

Neste episódio, Lucas detalha melhor essa longa trajetória dentro e fora do Brasil, e comenta os prazeres e os perrengues de se morar na terra onde ele achou melhor deixar um rastreador nas chaves de casa.

Links:


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Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Rede Gigahertz de Podcasts

Participantes neste episódio2
F

Fabrício Carraro

HostViajante poliglota
L

Lucas da Silva

ConvidadoPesquisador e Professor Universitário
Assuntos5
  • Viagem acadêmica à EuropaBusca por doutorado no exterior · Barcelona Supercomputing Center (BSC) · Bolsa La Caixa INPhINIT · Processo seletivo e entrevista para bolsa · Desenvolvimento de software com programação em GPU · Pesquisa em CFD e dinâmica de fluidos · Trabalho como Pós-Doc e Research Engineer · Pesquisa em solvers acelerados e cálculo de autovalores
  • Trajetória profissional e acadêmicaInfância e adolescência em diferentes cidades · Estudo técnico em mecatrônica na ETEC · Graduação em Engenharia Mecânica em diferentes universidades · Curso de Solidworks e modelagem 3D · Estágio em engenharia civil e cálculo estrutural · Mestrado em Swansea, País de Gales · Experiência de intercâmbio e vida no exterior
  • Vida em BarcelonaDificuldades com aluguel e moradia · Acomodações estudantis (Reza) · Divisão de apartamentos · Burocracia para estrangeiros (NIE) · Processo de naturalização espanhola · Custo de vida e salários em Barcelona · Mercado e qualidade dos alimentos · Vida noturna e cultural em Barcelona · Praias e atividades ao ar livre
  • Mercado de trabalho em TISalários de doutorandos e pós-doutorandos · Diferenças salariais entre empresas locais e multinacionais · Oportunidades em empresas como NVIDIA, Google e Intel · Formação oferecida pelo BSC para carreiras em tecnologia
  • Bastidores e PerrenguesPerda de chaves e acesso à residência · Dormir na mesa de trabalho no BSC · Uso de rastreador de chaves (AirTag)
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Olá, hello e olá, porque hoje a gente está indo de volta para a Espanha, ou para a Cataluña. Aqui é o Fabrício Carraro, o seu viajante poliglota, e hoje eu vou bater um papo com o Lucas, que ele já está há quase nove anos fora do Brasil, um ano na Inglaterra, quase oito anos aqui na Espanha, em Barcelona, e ele trabalha como pesquisador e também professor universitário aqui no Barcelona Supercomputing Center comigo, mas também na Universidade Pompeu Fabra. Como é que você está, Lucas?

Oi Fabrício, tudo bom? Bom dia galera, ou muito bom dia aí no Brasil, que deve estar bem cedo. É um prazer estar aqui com o Fabrício e vamos começar. Bora lá para esse papo então.

Lucas, para a gente começar, como sempre, eu vou pedir para você se apresentar aqui para a nossa audiência. Então conta para a gente um pouquinho de onde você é no Brasil e como é que foi ali sua infância, adolescência, essa parte dos estudos, parte inicial da sua vida.

Então, Fabrício, como a gente conversou da última vez, eu sou de São Bernardo também. Boa cidade para crescer. E por conta da carreira do meu pai, meu pai também é engenheiro, a gente mudou muito. Eu vivi entre São Paulo, São Bernardo, Rio de Janeiro, Niterói e Angra. Então a gente viajou bastante, a gente mudou muito. Boa parte da minha, aliás, praticamente toda a minha adolescência, eu passei em Angra dos Reis.

Meu pai trabalhava no estaleiro, como engenheiro. E a gente morou muito tempo lá. Moramos uns seis anos lá em Angra. Muito gostoso. Uma perspectiva de vida completamente diferente para o garoto que vinha de São Paulo. Então, foi uma época muito legal da nossa vida. E, em termos de estudos, a parte do colégio normal, que eu fiz colégio particular...

São Paulo, né? Mas, apesar de tudo, meus últimos anos de colégio, eu fiz na na ETEC de São Bernardo. A ETEC Lauro Gomes, por acaso, que eu fiz... Nossa, famosíssima. Esse nome me trouxe, assim, eu não ouvi esse nome faz 25 anos. É, meu cara, eu sou dessas. Eu tô nessa época, hein?

Eu me formei em mecatrônica na E-Tech Lauro Gomes. E foi uma farra, porque foi o último ano e meio do meu colégio, né? Então foi misturado o colégio normal, que eu tava fazendo as aulas, o colégio técnico de mecatrônica, e também toda a parte de estudos adicionais de inglês, essas coisas todas que a gente faz pra se preparar pra vida, né?

Então foi um ano e meio bem puxado da minha vida. E daí eu comecei a fazer a faculdade. Eu comecei na... Na verdade eu comecei na FEI, minha faculdade de Engenharia Mecânica. E na época, você imagina, influência do pai, vivia rodeado de engenheiro. Então queria ser engenheiro também. Ainda mais, moleque do São Bernardo, crescendo lá da Vox, da Scania. Bora.

Era louco pra ser engenheiro pra trabalhar com carro, né? Então, comecei a fazer faculdade na FEI, fiz meu primeiro ano e meio na FEI. Por conta dessas mudanças todas na nossa vida, a gente acabou mudando pro Rio no meu ano e meio. E eu fui parar na Universidade Gama Filho, lá no Rio. Essa você não deve conhecer. Já de novo conheço. Bem famosa, cara. Foi uma faculdade muito boa.

E infelizmente, por problemas administrativos, ela acabou fechando há uns anos atrás. Mas na época que a gente estava lá, foi uma universidade muito boa. Aliás, muitos dos professores nossos lá eram do IME, do Instituto Militar. Então eles traziam todo esse conhecimento, traziam as ferramentas do IME para a gente poder brincar também. Foi assim que eu tive algum contato já com o ANZES na época, com tecnologia de simulação, né?

E além de tudo, aí é que vem o ponto interessante. Nessa época, eu comecei também a fazer um curso de Solidworks.

porque eu queria melhorar minha perspectiva de trabalho, tudo isso, né? E, cara, eu descobri que eu adorava aquele negócio. Eu adorava fazer modelagem. Completei o curso na metade do tempo. Porque eu chegava em casa, eu fazia os modelinhos pro professor, o professor ficava doido, porque ele não tinha mais o que passar pra mim. Explica pra gente o que é esses modelinhos exatamente.

O Solidworks, cara, ele é um programa de modelagem 3D, onde basicamente você usa ele para fazer peças. Essas peças em 3D, tipicamente usadas em máquina, em mobília. Então a ideia é através de sketches, de modelagem 3D, tipo, criar chanfros.

os furos de passagem de parafusos, esse tipo de coisa, você cria um modelo digital da sua peça, que depois você pode mandar para uma máquina para ela ser fabricada, ou para uma oficina, claro. Então é muito utilizada na área automotiva, na área aeronáutica, ela foi criada pela Adassol, aqui da França, justamente para a modelagem das peças aeronáuticas dela. Então é uma ferramenta muito poderosa. E, além de tudo, é uma ferramenta que vem com alguma coisa, algum suporte de simulação. Você pode...

Pode usar alguma coisa de elementos finitos, de volumes finitos, que são métodos numéricos de simulação, justamente para tentar simular os estresses nessas peças, estresse térmico, simular a passagem de ar por cima de um aerofólio, alguma coisa assim. São, uma vez mais, bastante simples, mas foi o meu primeiro contato, porque o professor, na época, como ele percebeu que eu já tinha terminado o curso, ele decidiu, bom, eu vou começar em touch e ensinar umas coisas de simulação. E foi aí que eu peguei o gostinho da coisa, cara.

Foi aí que eu descobri que, peraí, tem alguma coisa a mais aqui que tá faltando o curso. Daí eu voltei mais uma vez por questão de trabalho, essas coisas todas. Acabamos voltando pra São Paulo e os meus últimos dois anos de faculdade eu fiz na Unip. Acabei terminando lá na Unip da Zona Sul. Você fez quase um diploma sanduíche entre três universidades, é isso? Rapaz, foi complicado. Minha faculdade foi complicada.

Mas valeu a pena. No fim, cara, tudo experiência. Então a gente aprende a se virar, a gente aprende a lidar com as coisas. E é aquela coisa. Vai conhecendo gente nova, vendo perspectivas novas. Foi uma coisa boa no fim. No fim foi muito legal que foi assim. E aí eu terminei minha faculdade na Unip com...

Na época eu já estava trabalhando, eu comecei a trabalhar no Estaleiros do Brasil, EBR, era uma empresa que ficava ali perto da Grande Julieta, e na época a gente estava com um projeto da P74, da Petrobras, e eu estava no departamento da área de engenharia civil, como estagiário.

Então eu peguei esse estágio lá no EBR e na época eu estava trabalhando com estruturas metálicas. No fim foi um estágio super legal porque eu acabei ganhando muita experiência com cálculo estrutural, cálculo de estruturas dinâmicas, navais, tudo isso. Acabei usando o que eu tinha aprendido de simulação para fazer designs de conexões metálicas resistentes à fadiga, resistentes ao movimento dinâmico da estrutura. Então eu acabei ganhando muita experiência.

bastante pesado, estava fazendo trabalho de engenheiro e estudando ao mesmo tempo, mas foi uma experiência muito legal, aprendi muito, aprendi a trabalhar duro nessa época, né? E daí veio na cabeça a coisa de, bom, e agora? Estou terminando a faculdade, e aí eu vi que tinha as oportunidades de mestrado, esse tipo de coisa, me deu aquele cutucão e eu, bom, vamos lá fazer o meu mestrado, porque eu estou curioso, gosto muito dessa área de simulação, gosto muito dessa área de elementos finitos em particular, se você quiser a gente dar uma explicação... backedónanananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananananana

Sim, por favor, fique à vontade. Elementos finitos nada mais é do que uma técnica de modelagem numérica, onde você basicamente pega o seu modelo físico, seja uma peça de máquina, seja um modelo do fluido que rodeia um avião, você divide isso em pequenos componentes que a gente chama de elementos, que são compostos por arestas e...

pontos computacionais, criando uma malha ao redor do objeto, ou então uma malha do próprio objeto. E existe um modelo numérico associado com isso, que você pode programar no computador e deixar que o computador faça o cálculo para você. Basicamente, o computador vai pegar as equações que modelam as físicas envolvidas nisso, vai pegar o programa que tem ali a sua modelagem disso, e vai quebrar isso em uma tarefa repetitiva, mas que pode ser processada computacionalmente. É a base do que eu faço hoje.

Obviamente eu faço algo um pouquinho mais complicado que isso, mas é a base, é o primeiro step da onde eu comecei as coisas. Então, voltando ao assunto, na época eu fui fazer um mestrado em Swansea, na cidade de Swansea. Pra quem não conhece, fica no país de Gales. Fica uma hora de Cardiff e é basicamente 360 dias de chuva. Quando saiu o sol, era o evento da cidade. Era muito bacana, eu ficava ali perto do mar.

Tinha praia ali do lado da biblioteca. Muito bonitinha a cidade e tal. Mas era um tempo horrível, cara. Que clima horrível. Mas a gente se divertiu, mesmo assim. Não tem problema.

E como é que foi fazer esses estudos fora do país? Você já tinha estudado no Brasil apenas, né? Como é que foi esse período por lá, academicamente, vamos dizer assim? Então, vamos dizer que antes de ter ido lá de forma acadêmica, mais séria, eu já tinha ido algumas vezes pra Inglaterra fazer esses intercâmbios linguísticos, né? Então, não era a minha primeira vez numa terra estranha, tá? Não era a primeira vez que eu tava saindo de casa.

Eu tinha feito isso uma vez aos 15, uma vez aos 17, se eu me lembro bem. Então eu já tinha alguma experiência, mas dessa vez era a primeira vez que eu tava ali na minha, entendeu? Sem as rodinhas. É tipo, tirou as rodinhas da bicicleta. E foi muito legal, porque eu tava vivendo ali no campo.

peguei ali um apartamentinho pra viver ali dentro do campus, né? Então, a cidade era muito pequena, uma cidade de estudantes, então era fácil de ter esse primeiro contato, porque todo mundo tava ali com a mesma cabeça, tava ali misturado com os professores o tempo todo, misturado com os outros estudantes, com gente do mundo inteiro, porque o Swansea, a parte de tudo, é uma universidade bastante internacional, muito indiano, muito chinês, gente aqui da própria Europa, tinha muita gente daqui da Espanha estudando lá também.

Então a gente acabou criando um grupinho bastante legal. Uma coisa que ajuda muito é que os apartamentos que a gente pegava lá eram esse estilo de co-living, em que você tem uma área comunal, mas os quartos e banheiros são privatizados. Então eu tinha meu quartinho com...

banheirinho pra mim lá, mas a cozinha a sala de estar, era compartilha com mais sete apartamentos então a gente vira e mexe tava lá junto, cozinhava junto esse tipo de coisa, acabei fazendo um monte de amigo chinês lá, um deles me trouxe um jogo de chá super bonitinho que eu tenho até hoje lá em São Paulo então foi uma experiência muito legal, cara uma experiência que eu diria que sim você tem oportunidades então

Se é uma coisa que você quer fazer, que você tem a oportunidade, obviamente não é muito barato, mesmo com programas do governo, é uma coisa que tanto a minha família teve que me ajudar, quanto eu usei boa parte do dinheiro que eu ganhei trabalhando pra pagar por essa oportunidade, porque as universidades da Inglaterra são bem caras, mas com o esforço da minha família e meu, a gente conseguiu isso, e foi muito bacana, porque aí é um mundo novo. Aí eu tive contato com outro nível de educação, com outro nível de educação.

A primeira experiência de viver sozinho, sozinho mesmo, sem mamãe e papai ali segurando a mãozinha. Então, foi muito legal, cara. Foi aí que eu peguei o gostinho e falei, não, peraí, é isso que eu quero. E foi também aí porque eu gostava muito das matérias, especialmente um dos meus professores, o professor Dr. Rubens Serilha. Ele justamente era o maestro dessa área de elementos finitos, da base teórica disso, né? E a gente conversava muito, tinha muita curiosidade sobre o tema, de expandir um pouco.

mais. E ele e outros professores começaram a colocar na minha cabeça a ideia de fazer o doutorado. Porque eu claramente gostava, era uma coisa que eu tinha habilidade, que eu tinha um entendimento bastante completo do assunto. Eu queria me aprofundar, queria ver até onde isso daí ia, porque essas coisas são o buraco do coelho, cara. É igual a Alice. Você começa a entrar pelo buraquinho do coelho, você não sabe onde você vai terminar.

Lá ele, mas... É, lá ele, né? Lá ele. Vamos lá, que tem que tomar cuidado. Lá ele, né?

Tô melhorando, vamos falar que é o iceberg, tá? É, isso. É o iceberg. Mas enfim, aí começou a entrar na minha cabeça essa ideia do doutorado. Eu voltei pro Brasil terminando o mestrado, porque eu tinha uma proposta de trabalho com um amigo lá, comecei a trabalhar numa startup de um colega meu. E você sabe como vão essas coisas, né? Um pouco de sorte, um pouco de...

E ele tá meio parado, tá tudo muito quieto aqui, vai, não vai. E eu lembrei dessa ideia, isso daí tava na minha cabeça, eu falei, bom, deixa eu começar a futucar. E eu não quero estender muito no assunto aqui, sobre essa busca, né, porque foi uma coisa que me chateou um pouco, que eu tentei muito aqui no Brasil, na verdade, antes.

Eu tentei buscar na UFRJ, tentei buscar no próprio LNCC. Eu não sei por que diabos, mas nunca foi pra frente. Mesmo na UFRJ, que a gente tinha um bom plano, acabou não dando certo. E aí foi aquele momento que me deu aquele cutucão, eu falei, bom, se não dá certo no Brasil, então vou tentar lá fora. E aí eu comecei a aplicar, cara. Mandei pro...

monte de lugar, mandei eu devo ter mandado, sem mentira nenhuma, umas 400 versões do currículo pra uma universidade diferente pra centro de pesquisa, o diabo

E aí eu lembrei uma noite do meu professor, Dr. Rubens Sevilla, falando, não, tem os caras lá do BSC, que não sei o que, que eles trabalham muito com isso, que não sei o que, a gente é só espanhol, conheço bem eles. E aí eu falei, peraí, vou dar uma futucada nisso aqui. Aí eu comecei a pesquisar, na época eu estava muito interessado na área de CFD, que é basicamente Computational Fluid Dynamics, ou Fluido Dinâmica Computacional, que é basicamente...

o mesmo processo que eu expliquei de elementos finitos, mas especializado para as equações de naviar Stokes, para as equações de fluxo de fluidos. Para quem não sabe nada disso, fica de olho no episódio do IA Subcontrole, podcast aqui da casa também, da Hipster Network, que a gente vai falar com a Roberta Duarte, brasileira, que trabalhava com o IA para fazer previsões de buracos negros, e agora ela trabalha com climatologia, e as duas usam essas equações de naviar Stokes. Ela comentou com a gente lá.

Exatamente. Não, é show, porque é uma equação muito flexível, ela se adapta a bastante coisa, então é um tema bem interessante, sim. Eu particularmente adoro. Daí eu tive essa curiosidade de fotocar o site do BSC, descobri, na época eu estava muito interessado em...

em aeronáutica, em aviação, com fluxos supersônicos, com choques, esse tipo de coisa. Basicamente, o choque é quando você ouve o jato passando, o avião supersônico passando, você vê ele passando primeiro e, de repente, você sente aquele que é o choque gerado pela asa.

chegando na Terra e criando aquele o que a gente chama de um sonic boom, que é uma expansão sonora, uma diferença de pressão muito forte. E eu estava muito interessado nisso. E aí eu peguei, vi o site do BSC, vi o e-mail do Dr. Mariano na época, Dr. Mariano Vásquez, que hoje não está mais aqui no BSC, mas ele na época era o chefe do Ali aqui.

E aí eu peguei e falei, quer saber? Vamos escrever pra ele. Vamos escrever diretamente, mandar minhas coisas pra ele. E vamos ver o que que sai. Conclusão. Deu uma semana, ele me respondeu todo feliz. Falei, ah não, faz o seguinte, aplica aqui com o doutor Oriol Lankul e aí ele te passa todas as... porque a gente tá abrindo uma bolsa aqui, não sei o que, tal, tal. Bom, me deu aquela explicação pura, eu falei, tá bom.

Step 1 feito. Entramos. Vamos mandar um e-mail pro Oriol e ver onde isso daí sai. E aí o Oriol, na época eu não me conhecia, não tinha a menor ideia de quem eu era, mas seguindo a orientação do Mariano, ele me passou. E aqui que vem a parte importante da coisa, que são as informações internas aqui da Europa. Ele me passou as informações sobre a Bolsa Infinite, do Banco La Caixa. Fabrício, não sei se você já chegou a comentar alguma vez sobre a Bolsa Infinite com a tua audiência. Pode falar.

Ela é uma bolsa para estudantes de doutorado que o banco abre e o foco dela é justamente trazer estudantes internacionais para cá, para Barcelona, para cá, para Espanha, em geral. Ela, na verdade, é uma bolsa bastante prestigiosa. Na época, eu lembro que, já adiantando um pouco a história, quando eu consegui a bolsa, na verdade, o nosso salário de Ken Infinite aqui no BC era maior do que o dos outros doutorados.

justamente porque o banco ou a caixa pagava mais. Então, ela é bem prestigiosa, é uma bolsa que vem com um bom salário, digamos assim. E, obviamente, tem bastante competição, mas ela também providencia muito. Ela providencia não apenas o salário, um budget extra para você poder comprar o seu laptop, de trabalho, esse tipo de coisa, equipamento.

viagem para atender as conferências que você vai ter que fazer durante o seu doutorado. Então ela é um baita de uma ferramenta para alguém que quer iniciar o doutorado. Para os interessados, eu recomendo muito, depois eu não sei se o Fabrício vai pôr o link para vocês, mas eu recomendo muito dar uma futucada nisso, porque é uma excelente forma de chegar aqui na Europa.

É uma forma de chegar por cima aqui. Porque na minha época foram, se eu não me engano, 19 mil aplicantes. E no fim foram selecionados 10. Caramba. O link com certeza vai estar aqui na descrição do episódio, lá em carreirasemfronteiras.com.br.

Perfeito. Ela é bem brutal, ela tem um processo seletivo, eles pagam pra você vir aqui pra Espanha pra fazer entrevista. Se você é selecionado, se o teu currículo e a tua carta de apresentação são selecionadas, você tem que vir aqui pra Barcelona fazer entrevista com eles e eles fazem fazer também uma entrevista com o time que vai te contratar. Então eu fiz a entrevista aqui no banco e depois... Pô, foi ridículo. Eu vim de terno pra cá pro BSC pra entrevistar o Oriol.

E eles me olhando, de novo, né? Na época eu não conhecia eles. Eles me olhando com aquela cara assim, ah, não, todo muito amiguinho, muito bem receptivo, mas me olhando com aquela cara estranha, né? Depois, muitos anos depois, conversando com o Oriol, ele finalmente falou pra mim, falou, cara, você chegando aqui no BCC de terno, gravata, todo bem arrumadinho, não dava pra acreditar. Foi hilário. Foi a cena mais hilária que a gente viu, porque depois, uma semana depois, eu tava vindo bermude chinelo pra trabalhar. Sim. Tchau, tchau.

Na época eles riam muito, porque o câmbio completo é 100%. Mas na época eles achavam que eu ia ser muito certinho e que não ia dar em nada.

Então, aplicando pra bolsa, consegui uma bolsa, vim pra cá fazer meu doutorado sobre a bolsa do Infinity. E a bolsa, ela está durante três anos, com extensão máxima de seis meses. E não é que você tem que terminar o seu doutorado, digamos, três meses e meio, mas se você não... Três anos, né? É, três anos e meio, na verdade. Eles estendem seis meses a mais, desculpa. Eles dão uma extensãozinha de seis meses.

E se você não conseguir terminar nesse período, não tem problema, porque geralmente quando chega mais aí pro fim do teu doutorado, né? Obviamente teu chefe vai comentar, vai saber o nível de progresso que você tá, o nível dos papers que você tem. E aqui no BSC isso é muito comum. Quando a tua bolsa acaba, você é posto em um dos projetos que o seu supervisor tem e você começa a ser pago através dos projetos do BSC.

Então, por exemplo, eu quando terminou a minha bolsa do Infinite, eu fui posto no projeto NextTheme e a partir daí eu comecei a ser pago como um funcionário do BSC do projeto do doutor Oriol. Então, tem um safeguard. Tanto que o meu próprio doutorado eu terminei em seis anos. Levou um tempo considerável. Não se assustem, não é o normal, tá?

No meu caso, eu acabei tendo essa extensão longa, porque foi durante o Covid, foi um pouco complicado a fase aqui do BC. Eu também estava fazendo algo que era um pouco novo, eu estava desenvolvendo um software do zero, que é algo que leva muito tempo. E, surprise, surprise, essas coisas... É Lady Murphy, né, cara? O que pode dar errado, deu errado. E aí a gente acabou estendendo quase seis anos, terminei no limite do que dava aqui para o PC aceitar, mas terminamos.

Terminou em seis anos, mas terminou. O normal, por exemplo, um colega meu agora, o Benet Eixemeno, acabou de terminar o dele também, fez em quatro anos. A maioria termina nessa faixa dos quatro anos a quatro anos e meio, tá? É o tempo mais ou menos normal de um doutorado aqui no BSC.

Três anos é meio difícil, mas quatro anos é bastante garantido. A maioria da molecada aqui termina nessa época. Então, é um processo muito legal. A gente tem essas bolsas fortes, não só daqui da Espanha, tá? Eu não lembro o nome delas, mas eles têm uma série de bolsas ao redor da Europa, na Itália.

na França, na Alemanha, que são muito semelhantes à Bolsa Infinity, que o objetivo é justamente trazer essa galera com talento de fora e tentar pôr aqui dentro das universidades europeias, nos centros de pesquisa europeus. Não só na área de engenharia, na área de física, mas em áreas de biologia, em múltiplas áreas que vocês possam imaginar. Então tem bastante abertura, tem bastante espaço, tem bastante interesse.

Conta pra gente como que era o seu dia a dia, primeiro nessa fase do seu doutorado aqui no BSC, e também pós-término do doutorado que você continua até agora por aqui. Cara, o começo do doutorado, digamos que esse começo e meio do doutorado, o Scott canta, tá?

não vou colocar a coisa em términos bonitinhos tentar suavizar a coisa, porque o chicote canta, tá? A gente foi como eu falei, tem um deadline pra você terminar o seu doutorado, isso é um trabalho você tá sendo pago pra fazer o seu trabalho, então não é só chegar aqui e estudar, é diferente de um mestrado, você vem, você senta pra estudar, você só tem que se preocupar com as suas provas, em fazer os seus exames bonitinho, não isso aqui é um trabalho, tá?

O doutorado, apesar de toda a pompa acadêmica que ele tem, você tem não apenas o dever de terminar a sua tese, como também de escrever alguns papers relacionados ao seu trabalho. Então, você também tem que apresentar esses papers em conferências, em seminários.

É uma vida bastante correta. É legal que a gente viaja muito. Essa é a parte boa do trabalho, digamos assim. Você acaba viajando muito, você conhece a Europa inteira. Conhece, às vezes, até a Ásia, os Estados Unidos, porque tem muita conferência lá também. Mas isso tudo vem ao custo de ter que trabalhar duro.

Porque a pressão é alta, se você pegar alguém, por exemplo, no meu caso eu tive muita sorte de ser orientado pelo doutor Oriol. E não vou dizer que ele é um carrasco, obviamente, mas ele tem um standard bem alto. Então, obviamente, eu não podia simplesmente sentar aí, fazer o que me desse na telha, entregar qualquer coisa e ficar satisfeito com isso. Obviamente não. Eu também, obviamente, não tinha esse interesse de sentar aí coçando, digamos assim.

Eu queria fazer um doutorado bem feito. Então, parte do doutorado, eu diria que o primeiro ano, ano e meio, é basicamente a coleta de informação. É basicamente fazer aquilo que a gente chama de state of the art, que é recolher papers, recolher informações, apresentações de seminário na área que você está tentando pesquisar e criar uma base de dados para ver, ok, hoje...

Esse ramo de pesquisa aqui, qual que é o ponto científico disso? Qual que é o ponto alto científico disso? E quais são as contribuições que eu e o meu supervisor podemos fazer para elevar esse nível científico, ou então para criar um ramo diferente disso aqui, que pareça promissor, que pareça levar a coisa numa distância diferente. Por exemplo, um dos meus interesses é a programação em GPU, programação em máquinas heterogêneas.

Então, uma coisa que eu notei muito quando eu cheguei aqui no BSC, que a gente tinha o Marenostrum 4 na época, uma máquina muito poderosa, mas que era uma máquina inteiramente de CPUs. Só que a gente também tinha uma máquina experimental chamada CT Power, ou Power 9, que a gente chamava na época, que tinha algumas GPUs já. Não era nada pra AI nessa época ainda, tá? Isso daí era...

experimental do experimental, cara. Tinha pouquíssimas GPUs, a gente não tinha... E ninguém usava. A máquina ficava ali parada, bonitinha ali... Quem diria. Sem ninguém usar. E eu tinha muita curiosidade com isso. Então eu falei, bom, a máquina tá parada. Tem esse poder todo computacional nela e eu quero fotocar nisso.

Então, enchi muito o saco do Oriol pra gente conseguir o acesso, pra ele me deixar explorar isso daí um pouco, né? E no fim, valeu super a pena. Hoje o software que a gente usa, que eu desenvolvi no começo do meu doutorado, e que o Oriol e o time dele agora estão expandindo pra próxima geração dele, né? É todinho baseado em GPUs. Todas as computações que a gente faz são baseadas em GPU. E é muito mais rápido do que se a gente estivesse usando computação baseada em CPU.

Foi um brunching que eu criei dentro do meu doutorado, que foi uma aposta. Podia ter dado certo, podia ter dado muito errado. Então, é aquela coisa, você tem que acreditar um pouco no teu taco também, tá? Você tem que fazer aquela reflexão de se eu for atrás disso daqui, vale a pena, vale a pena o meu tempo, vai dar em algum lugar, qual que é a chance de dar errada. Tem que pensar muito bem, tem que pensar muito bem, tem que ser muito cuidadoso, mas também não pode ter muito medo não, cara.

Se você tiver certo, se você confia no teu taco, se você tem a certeza do que você está falando, tem algum sentido, prova. Faz a primeira prova, mostra. Porque na época, quando eu comecei a fazer esse tipo de investigação em programação de GPU, realmente tinha esse... Não sei como se diz a palavra... Scepticismo. As pessoas não acreditavam muito, ninguém via muito ainda isso daí indo para frente. Não era visto como a tecnologia do futuro.

E eu fui lá e deu um jeito de mostrar que sim. Fiz uma primeira prova, um primeiro exemplo, que mostrava o poder dessas GPUs. E aí o Oriol caiu a ficha dele e falou, não, peraí, tem alguma coisa aqui. E aí ele mesmo pegou e criou isso aí, puxou isso aí pra cima dele, né? Pro lado dele me ajudou a fazer o resto, o desenvolvimento do software, pra gente ter um primeiro exemplo pra minha tese, pra começar a mostrar nessas conferências que a gente ia. E a partir daí, a coisa começou a desenrolar.

Foi muito legal, foi um processo muito legal, mas é extremamente cansativo, porque você tem que bater de frente com as pessoas, você tem que destruir essas barreiras que eles têm. E aqui eu não tô falando de barreira de mimimi, eu tô falando de gente que sabe muito do que tá falando, tá? Não pode chegar e simplesmente bater o pé no chão e falar que não, que eu tô certo. Você tem que chegar aqui com prova, cara. Você tem que chegar mostrando o teu serviço, mostrando que você fez a coisa direitinho.

com provas objetivas do que você fez do seu trabalho. Porque o que você fez, o que você está propondo, tem valor. Porque é gente muito educada, gente que tem muito conhecimento, que já tem muito mais experiência do que você. Então, é uma conversa difícil. É uma conversa que você tem que estar muito bem preparado. E boa parte do meu doutorado foi isso. Foi justamente desenvolvendo os métodos numéricos que o meu chefe queria provar.

que o doutor Oriol queria provar, e ao mesmo tempo, levando a cabo essa parte do que eu queria fazer, que era implementar esses métodos com programação acelerada por GPUs. Então foi um pouco a orientação dele e um pouco o que eu queria fazer. Eu consegui ter essa abertura. Foi justamente por isso que o meu doutorado levou seis anos. Então, estejam espertos, crianças. Não façam o que o tio-tio fez.

Não foi legal, não, brincadeira da parte, foi muito legal, foi um processo muito bacana, muito cansativo, mas muito bacana, e no fim eu já tava, o Oriol já tinha me posto num outro projeto, eu já tava começando a trabalhar com uma coisa mais séria, com os projetos que ele tinha, não posso comentar muito, porque era meio complicado a coisa, mas eu já tava dividindo um pouco meu trabalho de pesquisa com meu trabalho como engenheiro, como research engineer, digamos assim.

que eu engenheiro pesquisador. E agora que eu terminei meu doutorado, eu decidi continuar aqui no BSC por mais um tempinho como Pós-Doc ou R2, onde a ideia é que basicamente você reverte completamente para esses projetos de engenharia, no nosso caso aqui no Endocase. Existem outras formas de continuar Pós-Doc.

Você pode, por exemplo, criar sua própria linha de pesquisa debaixo de um dos orientadores, alguma coisa desse tipo. Mas como o postdoc, aqui no case, por exemplo, geralmente você está trabalhando debaixo de um projeto. O teu PI, que é no meu caso o Oriol, tem alguns projetos e ele vai colocar você onde ele acha que ele deve colocar, que casa mais com as suas habilidades, com a tua linha de pesquisa.

E você vai tocando essa pesquisa. Eu, por exemplo, hoje estou no projeto TransDiffuse, e a ideia aqui é fazer pesquisa em solvers acelerados. Basicamente, o solver linear para uma equação tipo matriz multiplicando vetor é igual a B. E você quer achar o vetor X que multiplica matriz, e existe uma montanha de solvers para isso.

E eu trabalho justamente com essa área, a parte de uma coisa chamada cálculo de autovalores e autovetores, que a gente usa muito também. E na escala que a gente está tentando fazer isso, é algo que realmente necessita investigação. É uma coisa muito nova que a gente começou a explorar bem recentemente. E misturando isso com programação de GPU-I, na escala do Mareno Astron 5,

É algo que a gente nunca viu antes, a gente não acha informação, então é uma área excelente de pesquisa, porque bem, inclusive, muito provavelmente a gente vai estar contratando doutorado nisso, tá? Então, fica de olho nas postagens do BSC. A gente tentou fazer no ano passado, não deu certo, mas esse ano a gente vai tentar abrir contratação de novo, vamos ver no que dá. Mas é isso, o postdoc é basicamente isso, é uma continuação do trabalho.

E saindo um pouco da parte do trabalho, da parte laboral, indo pra vida por aqui, o que você achou, você comentou um pouquinho da vida em Swansea, mas o que você achou e que você acha até hoje da vida em Barcelona? Como é que foi o processo de você arrumar uma casa por aqui? Ou mudanças que você tenha feito? A parte burocrática da vida e a parte gostosa também, vamos dizer assim.

Vamos começar com as coisas ruins. Vamos começar com o difícil que é o aluguel aqui. Vamos tirar o bandeira de uma vez. O aluguel aqui em Barcelona é difícil. A Europa como um todo, a questão de housing aqui, de aluguel, é bastante difícil.

Pessoas estão sofrendo muito com isso aqui. Existem leis que estão sendo passadas agora, que eles estão tentando arrumar a situação, mas ainda é muito difícil. Então, por exemplo, quando eu vim já naquela época, já em 2018, que isso daí estava começando a ficar pior, eu já entendia isso, então o que eu fiz?

Eu consegui um apartamento, eu apliquei pra conseguir um apartamento naquela rede Reza. Aqui na Espanha a gente tem uma rede de acomodações estudantil chamada Reza. São basicamente pequenos estúdios com cozinha, com um quartinho pra você dormir, teu banheirinho. Pra você ter um primeiro lugar pra você chegar, cara. Eu, na verdade, acabei, fiquei três anos no Reza. Porque apesar do quarto ser pequeno, apesar de ser uma acomodação estudantil, na verdade, a qualidade era boa.

O preço, na época, era ótimo. Eu tava pagando um pouco menos de 700 euros com água, luz e internet. Que hoje em Barcelona é... Pô, é uma raridade, cara. Então, eu tava bem feliz lá. Tava bem feliz e contente lá no Reza. Mas é aquela coisa, tem que aplicar cedo. Tem que ser diligente. Tem que seguir atrás disso daí. Tem que tentar conseguir um estúdiozinho pra você. O Reza é uma ótima oportunidade.

Mas tem opções também de estúdios aqui em Barcelona, de casas divididas. Muitos dos meus colegas na época que não fizeram mesmo que eu, deveriam apartamentos. Aqui é muito normal. Por exemplo, um dos meus colegas, o Guido, ele na verdade o que ele fez foi alugar um apartamento bem grande.

lá no Marina. E era muito legal, porque eles tinham, era uma cobertura, então tinha uma puta de uma área externa. Ele era argentino, gostava de fazer o churrasquinho dele, e ele dividia com umas oito ou nove pessoas esse apartamento. Cada um tinha seu quarto lá. A área comum era a área comum.

E eles se viravam entre eles. Então tem que ter um pouco de jogo de cintura, cara. Mas a gente é brasileiro, o nome do brasileiro é jogo de cintura. A gente sabe fazer isso muito bem. Então, dividir o apartamento aqui nos primeiros anos é normal porque é caro. Tentar viver sozinho aqui é caro. Hoje com salário de pós-doc, obviamente, eu posso me permitir isso, vivo sozinho hoje.

parceira, não sei que nome colocar, não é mais namorada, mas também ainda não somos casados no papel. Então a minha parceira, ela tava morando comigo aqui na época, ela foi pra Holanda como professora faz um tempo, e a gente mantém essa vida à distância, um pouquinho complicado, mas a gente dividia esse apartamento aqui, mas mesmo assim, mesmo hoje, é um pouco pesado, mas eu consigo pagar. Eu prefiro ter essa oportunidade de viver sozinho, porque eu tenho uma casa pra mim. Então não é impossível, tá?

É só que é um processo lento, é um processo que você tem que buscar muito, que você tem que insistir muito. Então, venham preparados para isso. Eu diria que a melhor opção para quem quer realmente vir a sério aqui, seria buscar ou acomodação estudantil, como eu comentei o Reza, algo semelhante, ou buscar apartamento para dividir, porque morar sozinho aqui vai ser uma bucha.

Em termos da parte burocrática, eu diria que sair do Brasil, a burocracia foi a pior parte, porque tem que apresentar documento, tem que ir lá pegar o visado espanhol, que não sei o que, tal, tal, tal. Tudo isso daí demora muito, tá? Tudo isso daí você tem que ter a cópia do teu diploma, tem que ter as cópias traduzidas de todos os seus documentos, então tem um pouco de dor envolvido nisso, sim, mas...

Também, cara, uma vez terminado isso, uma vez feitas essas traduções, uma vez que a tua documentação tá pronta, não tem erro, tá? É muito diferente de morar nos Estados Unidos, que eles têm todo esse nhenh-nhenh-nhenh com gente migrando pra lá, que você tem que ter uma série de pré-requisitos, e ainda pode dar tudo errado no fim. Aqui na Europa, eles são muito mais relaxados com isso. Aqui na Europa, uma vez que você tem a sua documentação em ordem, é garantido, só demora um pouquinho, tá?

Então, uma vez mais, para quem já está interessado, guardem seus diplomas, guardem seus históricos escolares, comece a preparar a tradução, aquela tradução juramentada.

esse negócio aí. Existe uma série de escritores especializados nisso, que fazem com um preço legal. Não é tão doloroso assim, tá? Uma vez aqui na Europa, por exemplo, aqui na Espanha, a gente tem o que a gente chama de NIE, que é o número de identidade de estrangeiro. É o CPF deles, né? É o CPF. Ou é o RNI, na verdade, o registro de gringos. É o bom e velho RG pra gringo, digamos assim. O update é uma vez por ano.

Então o RH do BSC toma conta disso. Mesmo a minha parceira na época, ela estava no IESE Business School, e o IESE mesmo tomava conta de organizar a vida pessoal, essa vida documentacional dela, né? Porque eles já têm todas as informações, é muito mais fácil para eles fazerem. Então eles organizam, só tem que ir lá, pegar uma filhinha de umas duas horas lá na polícia, e ponto, acabou. É uma vez por ano, não tem choradeira, não tem mimimi. Essa é a burocracia, cara.

Eu não sei se eu estou lembrando pouco da minha, mas é o que eu lembro de ter que fazer em termos de aspecto burocrático. Por exemplo, o nosso salário é abaixo como doutorado, ele é abaixo de uma certa faixa, então nem a declaração de imposto a gente fazia. Hoje, sim, obviamente, tem que fazer a declaração de imposto, mas nessa época, como o salário é muito baixo, você não faz a declaração de imposto.

Então, tem uma boa parte da burocracia que vai embora. Uma coisa muito legal para a gente que é da América Latina, para a gente que é brasileiro, aqui na Espanha, o tempo para conseguir a cidadania, que é basicamente trocar o seu NIE por o DNA e passaporte espanhol, basicamente se naturalizar espanhol, é de dois anos apenas. Então, vivendo dois anos aqui na Espanha, você tem essa oportunidade de aplicar para a cidadania.

É um processo longo, já vou avisando que é bem longo, mas não é difícil. Só que ele demora mesmo, tem que esperar um bom tempo para se te garantirem isso. Mas depois de dois anos você tem essa oportunidade. É diferente, por exemplo, de outras pessoas que vêm morar aqui na Espanha, que precisam de cinco anos vivendo aqui para poder fazer a aplicação. É uma coisa que vale a pena aplicar, porque tanto o Brasil quanto a Espanha permitem essa cidadania dupla e o passaporte espanhol é bastante poderoso.

Eu viajo principalmente com o meu passaporte espanhol hoje, porque muitas das minhas conferências são na Ásia, são nos Estados Unidos, e essa parte de visto é muito mais fácil com o passaporte espanhol. Então, eu diria que para alguém pensando em vir fazer o doutorado aqui, estabelecer uma carreira...

é algo pra ficar de olho, é algo pra ter em mente, tá? A Espanha, nesse sentido, é muito boa pra gente. Mas de burocracia, da parte ruim, digamos assim, é isso, cara. O custo de vida aqui é razoável, obviamente, não é tão baixo quanto no Brasil, mas também os nossos salários são melhores, então acaba equilibrando bem, você consegue fazer um...

um bom mercado aqui, com um bom salário de PhD, consegue comer bem, digamos assim, e dá pra sair a noite, dá pra se divertir muito, e é aqui que entra a parte divertida da coisa, que é morar em Barcelona. Eu mesmo curto muito. Eu gosto muito da cidade, apesar de... tem muita reclamação de... ah, tem turistas animais, Barcelona, lotar animais, cara, é saber procurar.

Tem muito lugar aqui em Barcelona que não é lotado, ao redor da Catalônia também, você tem várias praias, pra quem gosta de praia, tem um monte de praia aqui ao redor da costa, você pode acessar tudo de trem, é super fácil, pra quem gosta de surfar, tem aí as praias do Mediterrâneo, pra quem gosta de um surf mais pesado, mais, digamos assim, que faz o coração bater um pouquinho mais, tem as praias do norte da Espanha, que são as praias, como é que fala? Oceânicas.

E as ondas são brutais, ali naquela região da Galícia, do norte da Espanha, as ondas são brutais. Então pra quem curte, é ótimo. Eu tenho um amigo aqui do BSC que ele faz kitesurf e ele conhece todos os lugares. A gente pode passar as referências depois, sem problema nenhum. Então, obviamente, é uma vida noturna muito boa aqui.

para o bairro Grácia, que é onde tem ali a maior concentração dos bares e botequinhos aqui de Barcelona. É uma vida muito vibrante. Posso te garantir que você não vai ficar quieto aqui. A não ser que você realmente seja uma pessoa muito travada, que você não gosta de fazer nada.

alguma coisa você vai encontrar, porque a parte da vida noturna, a parte dessa vida de festa, tem também a vida cultural aqui, tem muito museu aqui, tem muita biblioteca, tem as casas de música, tem aqui, por exemplo, Palau de la Música Catalana, que é muito bonito, é um dos meus lugares preferidos aqui em Barcelona, na verdade, que é uma mistura de teatro e apresentação de música clássica, e ele é muito bonito.

a decoração dele é maravilhosa recomendo que vocês busquem as fotos e tem apresentações de música num valor muito mais aceitável do que por exemplo ir assistir a mesma apresentação no liceu de Barcelona que é muito mais caro então ele tem essa vantagem de ter um preço mais acessível tem também os concertos de Barcelona Guitar Trio dentro da Santa Maria del Pi que é maravilhoso, eles tocam músicas de flamenco clássico então

Dentro de uma igreja do século XII. É lindo. É uma apresentação maravilhosa, cara. E uma vez mais, pra quem gosta de tomar uma, aqui não falta, tá? O vermute aqui é show. Recomendo. Extremamente recomendado.

E, Lucas, agora vamos falar sobre dinheiro, que é uma das horas que o pessoal mais curte aqui no programa. Você foi mais para a área acadêmica, como pós-doc, como professor universitário, também aqui em Barcelona. Já passou antes pela Inglaterra, mas lá você não trabalhou, né? Lá você era estudante, era um pouquinho diferente. Não, lá eu sempre me estudava, isso. Lá a coisa era diferente.

Então, focando na vida aqui em Barcelona mesmo, como que é essa questão para a pessoa que começa a fazer, como ganha uma bolsa, como você mencionou, uma bolsa de doutorado, depois continua a vida laboral como funcionário aqui, mas funcionário dessa área de pesquisa ou funcionário também de uma universidade como professor? O que é o salário médio dessa pessoa? E também falando sobre os custos de vida aqui em Barcelona. O que é barato? O que é caro?

Então vamos começar pelos salários, tá? Salário de doutorado aqui no BSC, tá? Se você entrar sem uma bolsa, se você entrar a partir de um projeto aqui do BSC, que é o mais comum que eles fazem, os salários são bem baixos, tá? Eu lembro que na época era em torno de 18 mil euros por ano, tá? É, é muito pouco. Bruto. Bruto. Antes dos impostos, né? Nossa.

Então é uma coisa que todo mundo reclamou muito aqui na Espanha. Não só no BSC, na Espanha em geral, porque isso daí era nível espanhol. E o BSC acabou subindo um pouco esse piso do doutorando, mas ainda é meio baixo. Por isso que eu falei das bolsas.

extremamente recomendo que alguém interessado busque uma bolsa. Por exemplo, na época, enquanto a maioria dos doutorandos estavam tirando 18 mil por ano, eu estava tirando 25 mil por ano como doutorado, justamente por causa da Bolsa Infinity. Eu tenho certeza que hoje melhorou.

Então, fiquem de olho nisso, tá? Porque essas bolsas, projetos especiais, tem uma série de coisinhas aí que puxam o salário bastante pra cima, que facilitam muito a tua vida aqui. Óbvio, não é um salário que eu diria que é maravilhoso, você vai ter uma vida de rei aqui. Não, tá?

25 mil euros por ano é confortável. Eu vivia confortavelmente, mas sem muitos luxos, digamos. Você podia, obviamente, me permitir um cinema, sair para comer, esse tipo de coisa, mas não espera que você vai comprar uma Lamborghini aqui.

Não é esse o ponto aqui, tá? Uma vez trocando para a postdoc, o salário inicial do postdoc é de R$35 mil por ano antes dos impostos, tá? Obviamente, se você continuar o seu postdoc dentro do centro que você está trabalhando, por conta da senioridade, geralmente ele puxa isso daí um pouquinho mais para cima, tá?

Na faixa dos 37, 38, é um pouco menos ruim do que parece, tá? Obviamente, 35 mil pra viver aqui em Barcelona não é um salário ruim, tá? Uma vez mais, o que come boa parte do salário aqui é o aluguel. Infelizmente, é realmente a questão de procurar, de tentar viver com alguém. Pra quem vem casado, pra quem vem o casal trabalhando junto, é bem mais fácil, tá? Se você pode dividir as contas do aluguel, é muito mais fácil, você vive muito melhor aqui, tá?

Já vou deixar isso bem claro. Ou seja, arrume uma namorada ou namorada aqui pra poder dividir o aluguel. Pelo amor de Deus, senão vocês vão sofrer. É uma boa recomendação, inclusive. Ajuda muito. Ajuda a abrir a sua vida social e ajuda a pagar teu aluguel. Pra mim, todo mundo aqui faz isso, cara. É normal.

A relação de aluguel é muito comum aqui. Que as pessoas se juntam, não só por amizade, desculpa, por questão de namoro, mas também por questão de amizade. Amigos se juntam pra dividir um aluguel, porque sempre é melhor dividir com gente que você conhece. Recomendo muito que quando vocês decidirem dividir um aluguel, vocês dividam com alguém conhecido, que vocês já saibam o lado bom e o lado ruim dessa pessoa pra poder botar a regra na casa antes da coisa começar, que pode ser bem difícil. Em termos dos gastos aqui...

o mercado não é particularmente ruim. Tem mercados grandes como Mercadona ou Carrefour. Você pode comprar as coisas num preço bem razoável. Mesmo carne. O que sai muito caro aqui que eu percebi é a carne de vaca, tá? Pra quem gosta de fazer aquele bichinho, fazer um bichinho acebola de boi, você vai ficar um pouquinho mais difícil. Mas também não é um horror, tá?

Dá para fazer isso aí periodicamente. O que não é caro é a carne de porco, a carne de frango. Isso sim tem um preço que é bastante competitivo com o que a gente viria no Brasil, dado o nosso salário. Considerando os níveis salariais, eu diria que é possível comer muito bem aqui.

E é diferente, por exemplo, pra quem vai pra Alemanha, pra Holanda, aonde a comida é muito cara. A comida nesses lugares é horrivelmente cara. Especialmente se você gosta de coisas diferentes. Se você gosta de uma fruta, gosta especialmente de carne na Holanda, é ridiculamente caro e não é de boa qualidade. Então não esperem o que vocês vêm. Pra quem tá indo pra Holanda, não esperem a qualidade da carne que vocês estão vendo no Brasil, tá?

Tem muita gente que vem aqui da Holanda pra Espanha pra fazer compra, pra levar de volta pra Holanda. Não tô de sacada. Aliás, quando eu visito minha parceira lá na Holanda, o que ela pede pra mim trazer essas coisas, tipo fuê, ramon, o presuntinho nosso aqui, né? Essas coisinhas pra fazer snack. Eu tenho que trazer o caminhão pra ela. Tenho que trazer o contrabando toda vez que eu vou pra lá, pra visitar.

Ou quando ela vem, ela faz a carreada dela lá. Só falta levar a perna do porco junto com ela no avião. E tem muita gente que faz isso, tá? Tem muita gente que compra a perna inteira do porco aqui na Espanha e leva pra outros lugares da Europa. Porque é um produto nosso aqui muito de alta qualidade. Então, assim, em termos de mercado, não se surpreendam. Não vai ser uma coisa horrorosa. O que eu recomendo, como bom brasileiro, é que vocês tragam café de casa.

tragam suas caixinhas de café, porque o café em pó daqui não é bom. Aqui na Europa, em geral, é difícil de achar café em pó bom. E quando tem, é muito caro. Café brasileiro aqui na Europa é muito caro. Então eu sugiro extremamente que vocês tragam café de casa. Peço pros parentes trazerem quando vier visitar. Eu mesmo trago uns 4kg de café cada vez que eu vou pro Brasil. Então...

aproveita, só lembra de avisar a polícia federal antes, tá? deixa bem desdia na bala, porque é um pacotinho misterioso é café é café, vamos deixar bem claro que é café

Mas é uma vida boa aqui, é uma vida com todas as brincadeiras apertas. Salário com bolsa de uns 20 a 25 mil, dividindo apartamento, dá pra ter uma vida muito confortável, muito tranquila. Você não vai passar fome, ninguém vai chegar aqui pra passar fome com salário de doutorado.

Obviamente, vai ter que apertar o cinto um pouco, não vai poder viver numa casa de 200 metros quadrados com três apartamentos, com três quartos, não é assim aqui. Mas dá pra viver com conforto, sem problema nenhum. Dá pra você fazer tua comprinha do mês lá, vai ter que cozinhar muito, sim.

Mas a cozinha é gostosa, ainda mais se for com alguém, junto, fazer aquele churrasquinho de fim de semana com a turma também. Aliás, esqueci de mencionar, uma das coisas mais legais aqui de Barcelona é que subindo ali a montanha para aquela área do La Floresta, Les Planes, tem muitas dessas áreas de churrasco comunal para a gente que gosta, para ir com a molecada lá, para ir com a turma do trabalho.

levar as peças de carne pra sentar lá e fazer um churrasquinho. A gente gosta muito de fazer isso aqui. Tem muito argentino, muito uruguaiano morando aqui em Barcelona, fazendo doutorado, trabalhando com a gente. Então, é muito comum isso. É muito comum a gente pegar amizade com essa turma e ir lá fazer churrasquinho junto com eles. Só não vale brigar pra quem vai fazer a carne, tá? Tem que dividir bem o trabalho, galera.

Mas é legal, é um dos pontos bastante legais aqui. É uma vida confortável, 35 mil euros aqui. É um bom salário, tá? Pra Espanha. Digo assim, se você for pra uma companhia depois, não espere ganhar muito mais do que isso.

Eu já vi propostas de trabalho aqui na Espanha que o candidato pediu 60 mil e olharam para a cara dele e falaram não, nem o diretor ganha isso. Isso varia muito se é uma empresa local e se é uma empresa multinacional também. Para os locais, acaba sendo por aí. Para multinacional, você consegue chegar nesse valor de 60, 70, 80, às vezes até.

são extremamente importantes, as multinacionais pagam diferente das empresas nacionais, tá? Então vale sempre ter em mente isso, porque é diferença grande, tá? Aplicar para uma empresa nacional não espere um salário astronômico. Mas, por exemplo, saindo daqui do BSC, uma das oportunidades que você provavelmente vai ter

que você vai estar bem preparado é aplicar para uma empresa como a NVIDIA, empresas como o Google, empresas como a Intel. Então, para quem realmente quer sair da área acadêmica e puramente ir lá, ah, não, quero ganhar dinheiro agora. É possível, tá? É bastante possível. Tem muita gente que saiu daqui para a NVIDIA e para a Intel e ganharam muito dinheiro com isso.

Então, o BSC te prepara muito bem para esse tipo de carreira na área de tecnologia, na área de programação, na área de software development. Você sai com boa formação aqui e, além do mais, a experiência de ter trabalhado com uma máquina nessa escala, que é o Marenostrum 5.

Então a questão de dinheiro é resolvível, digamos assim. Tem que ter um pouquinho de jogo de cintura, mas não vai chegar aqui pra passar fome, tá? Não é essa a imagem que a gente quer que vocês tenham. Uma vida confortável. Pô, eu mesmo tenho três guitarras aqui em casa. Então, com o meu próprio salário, tá? Então, não se assustem. É muito vivível, digamos assim.

E Lucas, pra gente fechar o nosso papo, agora é a hora do perrengue, que é quando a gente pede pros nossos convidados contarem histórias engraçadas, gafes, micos, que tem acontecido com você esse tempo todo, seja na Inglaterra ou aqui em Barcelona mesmo. Olha, aqui em Barcelona, geralmente, eu gosto muito de sair pra tomar uma. Um vermutinho, um uísque, e tem um bar que a gente conhece muito, que é o Latomic, lá no Meio de Graça, que eles me conhecem, o dono já me conhece, a gente é amigo do dono lá. É o tipo de coisa que a gente fecha o bar, tá?

Um belo dia, tava com uma visita aqui, um amigo meu tava visitando, a gente tava num evento também, num hackathon, e aí, sabe aquela coisa? Você sai de casa de noite, põe a chave no bolso da calça, peguei o ônibus pra ir lá no evento, assisti o evento, e aí saímos pra tomar tudo, saímos pra terrorizar a Barcelona. Fomos no Atomic, fomos tomar Negroni, fomos... Fizemos o Diabo a quatro, cara.

E aí, pelas duas, três horas da manhã, tô voltando pra casa, peguei a bicicleta, tonto que eu sou, fui pegar a bicicleta, devo ter caído da bicicleta, porque eu cheguei com a mão toda arrebentada, fui abrir a porta de casa, cadê a chave? Putz. Sumiu, a chave sumiu, cara. E aí, pro...

Bom, conclusão. Sem chave, sem ter como entrar em casa, o que que eu fiz? Eu já bem sobra do susto, peguei minha bicicletinha e pra onde que eu fui? Pro Besse. Nossa. Sim.

Eu cheguei no BSC, naquele estado que você imagina, às três e meia da manhã. Por sorte, o segurança me conhecia. Olhou na minha cara, eu só... Cara, não pergunta. Entrei e dormi na minha mesa. Nossa senhora. Dormi na minha mesa. Não tô de sacanagem. Apaguei. Bom, dia seguinte, dia de procurar o raio da chave. Primeiro lugar que eu penso ali, tá bom. Fomos no Atomic. Devo ter tomado uns... Sei lá quantos tequilo mescal.

Vamos ver se eu devo ter deixado a chave lá. E aí, vamos lá, voltando lá pro Atomic, o Dono olhando na minha cara e falou, cara, sinto muito, mas você não deixou a chave aqui, não. Conclusão. Só deixou a dignidade mesmo, né?

Nem a dignidade. Esse dia, pai, nem a dignidade. A chave caiu no meu bolso no ônibus. Eu tava de fone de Ouvisas e não ouvi a chave caindo. Eu tava sóbrio quando eu perdi a chave. O maior mico foi que eu perdi a chave antes de ter feito as cagadunhas. Você acredita?

Ou seja, vexame total, nem a dignidade se salvou nesse dia. Pé-engue, completo. Tive que dormir em casa de amigo depois, tive que dormir... Foi horrível. Enfim, chaves encontradas, problema resolvido, tô na minha casa. Não tive que implorar a chave pra ninguém, não tive que implorar o corte pra ninguém. Acabei colocando um raio do tracker, igual aquele do...

do iPhone, como é que fala? Ah, sim. O Air Seeker. É aquele negócio lá que permite fazer o GPS tracking na chave. Você coloca na mala, né? Exatamente. Coloquei o na chave. Pronto. Coloquei o na chave pra nunca mais perder a chave. Ô, veja. E agora eu tenho um par no escritório também, porque se acontecer de novo, eu sei que eu posso entrar a qualquer horário no BSC pra recuperar minha chave reserva. Excelente. Mas foi o que eu falei, cara. É divertido. A gente faz muita merda, mas a gente se diverte muito.

Com certeza. Com todos os rolos é divertido. Lucas, muito obrigado pela sua participação. O pessoal, com certeza, vai curtir muito. E se eles quiserem entrar em contato com você, como é que eles fazem? Fabrício, eu diria que, falando do lado profissional agora,

interessado no doutorado, essas coisas, eu diria que o meu, tanto o meu e-mail pessoal, quanto o meu e-mail de trabalho, muito bem-vindos, tá? Especialmente com questões de trabalho, eu recomendaria o e-mail do BSC, pra aqueles que verem oportunidade de doutorado, que no BSC, que estiverem interessados, por favor. O meu próprio LinkedIn, não sei se você tem o link, se você tiver o link, te agradeço muito o que você faz pra galera.

Fiquem à vontade para me contatar no LinkedIn, tá? E o e-mail pessoal para essas questões mais pessoais, se alguém tiver alguma dúvida, algum interesse, saber um pouquinho mais daqui da Espanha e tal, com vontade. E, de novo, fiquem de olho no site do BSC, no site do La Caixa, porque essas bolsas abrem periodicamente, a gente tem essas oportunidades de contratação periodicamente, como eu mesmo fomentei.

E eu mesmo estou a ponto de abrir uma vaga de doutorado junto com o Oriol para o meu time. Então, na área de matemática aplicada, programação híbrida, HPC, que é High Performance Computing, estou muito interessado em ter um doutorado para aliviar um pouco a minha barra aqui também. Pesquisa muito legal, é uma pesquisa nova.

fiquem de olho nessas coisas, mandem os e-mails buscando oportunidade, porque foi assim que eu descobri a minha, se eu não tivesse mandado um e-mail pro doutor Mariano, eu não ia estar aqui hoje então por favor, não tenham medo de contatar porque a gente responde pode demorar um pouquinho, mas a gente tem o interesse sim de responder, a gente tem o interesse sim de trazer mais gente pra cá, não só brasileiros, latino-americanos em geral gente de fora, disposta a trabalhar, disposta a aprender a dar o suor aqui, a gente tá mais do que feliz de abrir uma oportunidade aqui, se for possível então

Excelente, então os links de tudo isso vão estar lá na descrição desse episódio em carreirassemfronteiras.com.br ou também aqui no Spotify na caixinha de comentários do Spotify do Apple Podcast, do seu agregador preferido vai estar lá na descrição e como eu sempre falo, deixe um comentário para mim para o Lucas, lá na caixinha de comentários do Spotify a gente gosta de ler todos que aparecem por lá

Bom, pessoal, por hoje é isso. Muchas gracias pela sua audiência. E se você gosta do Carreiras Sem Fronteiras, recomenda para 5 amigos, dá 5 estrelas lá no Apple Podcast, no Spotify, segue a gente lá para a nossa comunidade crescer sempre cada vez mais.

E a Alura criou o TechGuide.sh para te julgar na sua jornada de aprendizado. É um mapeamento das principais tecnologias demandadas pelo mercado, um guia norteador com possível caminho que você pode seguir nos seus estudos. Então vai lá, dá uma olhada em TechGuide.sh e a gente tem o 7 Days of Code, que são 7 dias de desafios totalmente grátis de diversas linguagens de programação para você realmente botar a mão na massa e praticar o que você estiver aprendendo, seja com os cursos da Alura ou em qualquer outro lugar.

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E para o inglês, a gente tem também o curso Inglês para Deves, que é focado em entrevistas de emprego em inglês, reuniões de trabalho em inglês e também pessoas que têm diferentes sotaques. Então a gente vai ter pessoas da Alemanha, pessoas da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Índia, que são sotaques que você vai encontrar no seu dia a dia, seja trabalhando com pessoas de fora do país, remotamente, ou até indo trabalhar fora do país também.

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na escola de front-end também, com o React, o Angular, um full stack, as escolas de ciência de dados, data science, machine learning, a escola de gestão e também a escola de inteligência artificial, que vai te ensinar a utilizar as ferramentas mais importantes de inteligência artificial no seu dia a dia de trabalho e para você utilizar seja uma carreira de programação ou em qualquer carreira, porque a IA está em todas as carreiras.

Então, com certeza, vai ter o curso pra você. Então, pessoal, até a próxima quinta-feira com uma nova aventura em um novo país. Tchau, tchau! Este podcast foi produzido pela Alura. Mergulhe em tecnologia. E Faculdade FIAP. Let's Rock the Future. Edição Rede Gigahertz de Podcasts.

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