Episódios de Na Colmeia

Cassiano D'Andrea - TagView Tecnologia - Na Colmeia #24

06 de agosto de 20262h
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No 24º episódio do Na Colmeia, Fred Beneti e Gabriel Brasil recebem Cassiano D'Andrea, co-founder da TagView Tecnologia. Cassiano tem 60 anos, começou no software em 1983, foi de uma das primeiras turmas de computação da USP São Carlos e já programou até com cartão perfurado. Mais de 40 anos vendo a computação mudar por dentro, 8 na IBM e 26 no próprio negócio, para responder à pergunta que assombra a nova geração: a IA veio te substituir ou te ensinar?

O veterano que colocou "as sandálias da humildade": Cassiano dava aula de SQL. Jogou uma consulta gigante na IA só pedindo "me ajude a otimizar" e levou uma aula de técnicas que nunca tinha considerado. Usada certo, a IA não te faz parar de aprender, ela te ensina.

O perigo que mora dentro de casa: um chat "vibe coded" que funcionava lindo e estourou R$600 num único dia por um problema de arquitetura (N+1) que quem não tem base nem consegue localizar. A regra de ouro da equipe: IA liberada sem limite, desde que tudo passe por code review humano.

A analogia do piloto automático: você entraria num avião sabendo que o piloto só sabe voar no automático? É isso que as novas gerações constroem ao tratar a IA como muleta e largar algoritmos, estrutura de dados e a base matemática. No processo de estágio, o candidato que usou 100% de IA não sabia explicar o próprio código: quem foi entrevistado, ele ou a máquina?

Os falsos profetas e o atalho que não existe: a consultoria que "forma dev sem você precisar aprender", os vendedores de automação pronta que prometem resolver o comercial de qualquer empresa. Existe atalho para o conhecimento? Não existe.

Histórias de guerra que ensinam na dor: a apuração da Veja e a aula de cache, o drop database que derrubou o site no meio de uma eleição presidencial (sem backup há 3 meses), e a linha de produção da IBM parada em 1989 por um processo esquecido rodando antes do happy hour. A dor ensina.

De serviço a produto: a jornada de 6 anos no vermelho até a TagView virar um ERP para centenas de clínicas de vacinação, o NetVacina. A lição dura: não existe produto sem investimento inicial para bancar enquanto não dá lucro.

IA de verdade no dia a dia: documentação viva com RAG lendo o código inteiro (feito com Claude Fable e Opus 4.8), a assistente "Gabi" com animações passo a passo, um engine 3D com 1500 linhas reescritas da mão esquerda para a direita em segundos e um corte expressivo na conta da AWS com ajuda de IA.

Disciplina acima de tudo: o pai que ligou pedindo emprego para o filho que jogava 16 horas por dia. A resposta de Cassiano: "seu filho não precisa de emprego, precisa de disciplina". Ele não deixa de contratar por falta de conhecimento, e sim por falta de método e interesse.

E ainda: o trabalho social na ONG CPTI em Campinas, o canal Dev Train e o livro The Nature of Code, de Daniel Shiffman.

Sobre o Na Colmeia

O Na Colmeia é o podcast da HiveAgent, empresa especializada em IA e automação para empresas. Aqui, Fred Beneti e Gabriel Brasil trazem conversas diretas sobre tecnologia, empreendedorismo e o impacto real da inteligência artificial nos negócios, sem guru, sem papo de prateleira.

Se você conhece alguém com uma história interessante em IA, produto ou automação, ou um dev de longa estrada com cicatrizes para contar, deixa nos comentários. A gente quer ouvir.

Para saber dos serviços da Hive, visite: https://www.hiveagent.com.br

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Aizen CRM, CRM focado em IA, feito para times comerciais que ainda não adotaram nenhum CRM ou que sofrem com ferramentas difíceis de implantar. O Aizen oferece suporte real para a adoção. Conheça mais em https://aizencrm.com.br/

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FBFred Beneti

Fala, pessoal, bom demais! Mais um episódio na Colmeia, o 24º episódio. Meu nome é Fred Benetti, tô aqui com o Gabriel, meu parceiro.

GBGabriel Brasil

Fala, Gabriel! Muito boa noite, Frederico! Boa noite, gente! Sejam bem-vindos a mais um episódio, 24º, né? 24º episódio, então saindo, hein, gente, indo embora. Recados primeiros sobre o AppFlow e o Wizen. Então a gente sempre tá falando aqui do AppFlow. Se você tem uma empresa, cada vendedor tá com WhatsApp na mão, aquela bagunça na comunicação. Você não sabe, você que é o gestor não sabe o que tá acontecendo, não sabe quanto tempo seu cliente tá sem atendimento.

Então o AppFlow vai te ajudar nisso. A gente usa API oficial do WhatsApp, então em vez de você ter aquele monte do WhatsApp separado na empresa, você vai ter um número oficial para centralizar a comunicação. Você como gestor consegue ver todos os relatórios de rendimento, de atendimento, enfim, tá? E junto com, a gente sempre tenta falar junto do Wise, que o Wise é um CRM. A gente brinca que é o seu primeiro CRM, e ele é muito integrado com o Wise.

Então tudo que chega no WhatsApp para você, por exemplo, você consegue exportar as coisas para o CRM e não tem aquela redigitação que você fica perdendo tempo, tá? Então nosso trabalho ali com Epic, com Wise, foi tentar deixar tudo mais integrado possível. São produtos diferentes, você pode contratar um ou outro, mas eles Falam muito bem. Dados os recados, Frederico.

FBFred Beneti

Show de bola. Antes de chamar o convidado, mais dois recados. O primeiro é: se você tem uma empresa de tecnologia, quer patrocinar o Na Colmeia aqui, na tela tem um QR code. Chama a gente para conversar. A gente tá crescendo episódio a episódio. A gente já bateu aí 6 mil inscritos. Cada episódio é métricas legais. Então chama a gente, a gente consegue conversar e fazer uma parceria aí que eu acho que vai ser legal. Para ambas, para a gente quanto para você.

E último recado, a gente tá com o lote aberto da nossa imersão que vai acontecer em setembro. Então basicamente o que a gente entrega nos workshops para as empresas, a gente vai entregar para você, eu e Gabriel, um dia inteiro na parte da manhã e na parte da tarde, muito focado em cloud. E o mais legal que eu falo para o Gabriel é que não tem como a gente montar a imersão antes porque todo dia tem uma novidade, tá? Então você vai conseguir pegar o filé do que quase sair na semana.

Show de bola! Bom, nosso convidado é Cassiano D'Andrea, da TagView. Trabalhei junto com ele. Cassiano, muito obrigado por vir topar o convite aqui. Vamos trocar, acho que tem uma ideia bem legal aí de histórico. Acho que você tem uma trajetória massa, e acho que ninguém melhor do que você mesmo para se apresentar. Então, para quem não te conhece, né, quem que é o Cassiano, o que que a TagView faz, puder contar um pouco da sua trajetória para gente.

CDCassiano D'Andrea

Legal, boa noite, pessoal. Agradeço muito pelo convite. O Fred, como disse, trabalhou comigo há mais ou menos uns 14, 15 anos, né? E eu me lembro que ele morava—

GBGabriel Brasil

tanto que ele é velho, né?

CDCassiano D'Andrea

Morava acho que no Rio Grande do Sul na ocasião, era isso?

FBFred Beneti

É, eu tinha, estava em Campinas, aí Campinas tinha um rolê muito chato de que as empresas não se contratavam. Tinha um pool de empresários, né? Aí para não subir o salário eles não contratavam. Eu tinha que estar desempregado para poder mudar de empresa. Aí eu fui para o sul, né? E nessa época eu estudava Rails, pô, eu adorava Rails, né? E a TechView apareceu numa das minhas buscas porque eu queria voltar, porque a Kátia foi e depois ela voltou, né? E aí eu fiz a entrevista lá na TechView.

CDCassiano D'Andrea

Muito legal. E então, ótimo que a gente tenha se encontrado e agradeço demais pelo convite. Bom, eu tenho aí 60 anos de idade, comecei na área da computação, no software, em 1983, e de lá para cá eu sou, eu me vejo como um grande apaixonado, né? Eu sou apaixonado pela programação, não sou muito do hardware, devo admitir, Nunca foi minha praia e gosto muito da área. É um, para mim é uma diversão atuar no dia a dia com software.

Tive minha trajetória ao longo de 11 anos em grandes empresas e de 2000 para cá, quando eu completei mais ou menos 11, 12 anos de formado, eu montei minha própria empresa e você acabou cruzando a nossa trajetória, né? Então já se vão 26 anos que eu estou com meu próprio negócio e sou formado em Ciências da Computação, me formei na USP, fui da 6ª turma da USP, ou seja, uma das primeiras, né? Acho que a gente vai ter oportunidade também de falar um pouquinho sobre como foi a evolução da computação no mundo e no Brasil nesses últimos 40 anos que eu felizmente pude participar.

Já até cartão perfurado Já usei, né? Vocês têm, deveria ter vergonha de falar isso, mas não.

FBFred Beneti

Se pegar a 6ª turma, né, é a primeira turma, quer dizer, tava formando a primeira turma, você tava entrando.

CDCassiano D'Andrea

Praticamente eram 4 anos, né? Na época que eu prestei o vestibular só existiam 3 cursos assim conhecidos no, não vou dizer no Brasil, mas na nossa, no Estado de São Paulo. Que era um PUC, o camping que você fez, que era curso de análise, curso de computação na USP São Paulo, Unicamp e USP São Carlos. E o ITA tinha um curso técnico, 2 anos e meio. Não existia engenharia da computação nessa época, eu tô falando de 1983 para 84, minto, 84, o ano que eu fiz o cursinho.

E a verdade é que a FUVEST unificava USP, Unicamp, as duas USPs. Você tinha que escolher um dos três no momento da inscrição. Então limitava você a um da FUVEST, o curso da PUC que era análise, e o curso do ITA. Então eram três opções que você tinha naquele momento, e eu optei para fazer USP São Carlos. Foi uma decisão fantástica, é porque eu fiz muitos amigos, amigos que perduram até hoje. Eu gosto muito de ver os ex-professores, a gente mantém contato.

Então é muito legal, né? Essa época de faculdade marca muito a nossa trajetória, né? São amigos para vida toda.

GBGabriel Brasil

Massa. Bom, eu sempre começo perguntando sobre IA, mas eu vou fazer um pouco diferente. Já deu a deixa aí que Você viu toda essa trajetória, né, tudo isso acontecendo. Então, deixar a resposta bem longa, de quando começou, de quando você começou a ver a evolução, de quando e onde sua empresa tá hoje, assim, principalmente no final, o que que você acha que mudou principalmente, assim, em termos de disposição, de agilidade nos negócios?

Eu venho também da área de desenvolvimento, então eu não sou programador, não sou designer, de formação, mas eu e o Bruno, a gente sempre conversa muito sobre o quanto dinheiro que a gente deixou na mesa no passado comparado ao que a facilidade de a gente fazer as coisas hoje. Lógico, não tinha opção, né? Antigamente você tinha que gastar, você tinha que contratar um designer, tinha que contratar um front, enfim. E queria que você contasse toda essa trajetória, o que você enxerga hoje, principalmente dentro da sua empresa de mudança, de uma forma geral, tá?

CDCassiano D'Andrea

Não sei se necessariamente ligado aí, ah, Mas eu sempre tive uma visão de que o desenvolvedor tem que ser um cara completo, né? Usa-se muito o termo full stack, mas quando você falou de design, etc., eu vejo muitas empresas que ainda contratam pessoal de front-end, back-end, e a gente tem a visão que o desenvolvedor tem que saber tudo. Então, na nossa equipe, a pessoa tem que saber fazer front-end, então Não vou falar recortar HTML, aí já é demais.

Aí eu acho que tem que usar ferramenta mesmo, questão de produtividade. Mas saber programar React com JavaScript, principalmente TypeScript, que é o que a gente usa, para citar um front-end, né, porque são muitos. E toda a parte de back-end, a parte de servidores mesmo, provedores, Amazon, Google, etc. Até falar com cliente, escrever teste automatizado, ajudar na definição da especificação das histórias. Então a gente sempre enxergou o desenvolvedor como um cara completo que faz tudo isso, né?

Olhando o lado da IA, eu acho que eu ainda não tenho um grande impacto na minha empresa com relação ao uso de IA. Eu tenho tido um tom mais cuidadoso uma postura mais cuidadosa na adoção da IA, porque primeiro porque o nosso negócio já era um negócio consolidado, né? O Fred talvez não tenha tanta informação, mas quando ele atuou com a gente, a gente tinha uma empresa só de serviços, a gente desenvolvia serviço para cliente. E cá entre nós, não é fácil fazer serviço, principalmente preço fechado, É uma dor de cabeça constante, porque é uma caixinha de surpresa sempre.

A especificação muda, mas não muda cronograma e não muda custo. Então você tá sempre tentando chegar no que o cliente quer, e o cliente, conforme ele vê a solução, ele quer algo diferente, né? Você mostrou a interface, ele fala: não é bem isso que eu queria. Você fala: mas eu desenhei exatamente o que você pediu. Não, não, mas nós precisamos mudar porque isso aí não tá legal. Então a gente foi enxergando com o passar dos anos que atuar em serviços realmente era bem difícil.

Aí surgiu uma oportunidade por um cliente que surgiu para nós. Nós generalizamos um particular serviço que se tornou um produto, e hoje nós temos uma empresa de produto que atende clínicas de vacinação. Então nós temos um ERP para clínicas de vacinação. Como ele já é um produto consolidado, a gente já tem aí em torno de 450 clínicas no Brasil que utilizam, a adoção da IA tem sido gradual, né? Então, onde a gente usou? Nós tivemos, acho que no ano passado, nós implementamos um leitor usando IA que lê a carteira de vacinação, essa que todo mundo tem, que todos os filhos têm.

GBGabriel Brasil

O OCR?

CDCassiano D'Andrea

Isso, ele lê, interpreta e alimenta o banco de dados de forma que a clínica consiga fazer o onboarding. De um novo paciente rapidamente. Ela não tem que ficar digitando aquele monte de vacina que ele já tomou. Lê, joga numa interface amigável para ele poder validar, e aí num clique do mouse a pessoa confirma. Quem implementou isso foi o irmão do Navarro, que ficou um ano com a gente fazendo estágio, e ele gosta muito dessa área, né? Navarro, sei que vocês conhecem porque esteve aqui recentemente.

FBFred Beneti

Chama ele de Navarrinho. Gustavo.

CDCassiano D'Andrea

E ele então trouxe essa ideia que foi bem aceita e a gente vem utilizando com sucesso. Fora isso, a gente tem usado, tem adotado IA sim, mas não necessariamente no produto. A gente tem usado no processo de desenvolvimento, né, no sentido que a gente tem usado IA ainda, como eu falei, com uma postura um pouco mais defensiva, no sentido de apoiar e nos dar produtividade Porque o fato é que a nossa equipe é muito pequena para o número de clientes que a gente tem.

Nós temos basicamente 2 desenvolvedores, mais 2 estagiários que estão apoiando, mas até 2, 3 meses atrás estavam em processo de aprendizado. Agora eles começam de fato a apoiar o restante da equipe. Então é uma equipe bastante reduzida e a IA nos traz então uma produtividade que a gente vem explorando ainda. Onde mais no produto a gente pode usar? Um outro exemplo, o próprio Navarro citou a ideia de usar IA para gerar relatórios, relatórios baseados em linguagem natural.

Uma ideia bastante interessante que a gente inclusive deve explorar até o final do ano, mas que ainda não fizemos.

GBGabriel Brasil

Surpreendente quem, né? Que justo quem, né?

CDCassiano D'Andrea

Exatamente, ele era radicalmente contra. E eu sei que nos últimos 6 meses, 1 ano, ele andou mudando a forma de enxergar IA.

GBGabriel Brasil

Eu brinco com o Navarro que ele é o último dev que gosta de programar, né? Porque é o único dev que eu conheci na vida assim que fala, cara, como eu gosto de fazer isso.

CDCassiano D'Andrea

Então eu sou o segundo, eu sou o segundo, porque lá na frente você— é Zunzunzum que chama?

GBGabriel Brasil

Isso.

CDCassiano D'Andrea

No Zunzunzum vocês vão perguntar um dos meus hobbies. E eu já vou adiantar que um dos meus hobbies é programar. Eu gosto de programar, eu levo o computador nas férias, meu laptop. Minha esposa já tá acostumada e eu curto programar. É uma, é um passatempo, um exercício mental, exercício mental. Igual tem gente que faz palavras cruzadas, faz o quê? Para o prazer de fazer, resolver. Você vende depois? Não, você joga fora. Eu tenho a mesma ideia porque eu me divirto fazendo, eu sou entusiasta da programação, é um dos meus hobbies, vamos dizer assim.

FBFred Beneti

E no caso da IA, quando a gente fala de IA, só para quem tá assistindo, né, é IA generativa. Então assim, vocês estão explorando ainda, mas tem algum caso de sucesso que você acha que ficou legal em termos de produtividade? Tipo, galera começou a escrever teste mais rápido, eles começaram tal, o que que vocês hoje estão delegando para IA no processo, tá?

CDCassiano D'Andrea

Posso falar um pouquinho da minha própria experiência pessoal? Porque de certa forma eu sinto que a equipe tem um certo, não vou falar receio, mas eles não querem passar a ideia de que não, que estão começando a usar demais a IA. Talvez a gente duvidar da capacidade deles. Não, não é nada disso. Então aos poucos eu vou dando ideias, ó, podemos usar IA aqui, podemos usar ali. Então Vou citar alguns exemplos. Eu gosto muito da IA, por exemplo, da Amazon, que eu faço perguntas em linguagem natural do tipo: como que eu posso economizar no meu RDS fazendo backups periódicos?

Perguntas assim abertas. Ah, estou analisando sua conta. E aí ele vai, analisa e fala: ó, no seu caso, eu tô vendo que você gasta tanto. Esse tipo de coisa é muito legal. Eu acho um uso muito interessante da IA quando um provedor te dá esse acesso, você consegue interagir com ele. Então a gente usa demais, ao ponto de não precisar do suporte. A gente raramente abriu um chamado em 10 anos, que era uma coisa muito específica mesmo.

Outro uso legal, esse é demais, eu fui fazer um projetinho pessoal, fui implementar um WhatsApp. Então falei, deixa eu pensar o que que é o WhatsApp. E saí do zero, comecei a pensar nele. E aquela inbox do WhatsApp, que é onde você tem os seus contatos ordenados pelas mensagens mais recentes, ele mistura grupo e usuários, contatos diretos. Aquilo parece trivial, mas você vai fazer aquela consulta, ela é absurdamente complexa, que além de tudo você tem que somar Nisso, exibir os badges com o número de mensagens não lidas de cada um.

FBFred Beneti

Ainda tem um a mais aí, que é você fixar mensagem, fixar o contato, que você fixar, eu não— quando você fixa, ele fica em cima sempre, né?

CDCassiano D'Andrea

Eu não fiz essa parte, mas aí eu não acho que seria difícil, porque daí você tem, ele é editorial, você fala assim, eu quero fixar esse, nem entra na consulta. Eu sempre, fica mais fácil fazer com isso aí, mas enfim. Ao fazer essa consulta, eu gerei uma consulta SQL, sei lá, tinha umas 50 linhas de SQL, 100 linhas de SQL, gigantesca. E num dado momento eu falei, será que a IA não conseguiria me ajudar a otimizar essa consulta? Eu juro que eu achei que não, mas falei, mas não custa tentar.

GBGabriel Brasil

Mas isso muito tempo ou por agora?

CDCassiano D'Andrea

Um ano e pouquinho atrás, um ano e meio. Aí joguei, joguei na IA consulta, uma consulta que eu não dei nenhuma explicação. Eu só falei assim: me ajude a otimizar. Aí ela retornou assim: você está tentando fazer uma consulta. E ela me descreveu exatamente o que eu tava fazendo. Já fiquei impressionado. E aí ela começou a explorar técnicas que eu não conhecia, e a maneira como ela começou a sugerir as coisas, me deu uma verdadeira aula de SQL.

Eu que achava que sabia SQL, que dava aula de SQL, humildemente tive que colocar minhas sandálias da humildade e reconhecer que aquilo era uma verdadeira aula de otimização de consultas SQL. E ali abriu minha cabeça, falei, gente, a IA pode ser sim uma imensa aliada Não só na questão da produtividade do dia a dia, como também na melhoria dos processos, da performance do seu sistema. Eu tô citando um exemplo, mas a gente usou coisas parecidas, tipo dando o modelo de dados do projeto, que tem mais de 100 tabelas, e falando: olha, me ajude a identificar quais índices eu deveria ter e não tenho.

Porque a gente já não enxergava mais. A gente tem tabela com 50 índices. Então me ajuda a dizer quais índices eu não preciso. E aí vai nos dando essa, essas dicas. Nem sempre vai ser tão assertiva, mas ela corta etapas. Então usar a IA, por exemplo, para você melhorar os seus conceitos de maneira genérica, tô falando do SQL, mas isso vale para qualquer coisa, qualquer assunto dentro da, hoje em dia, dentro de qualquer área. Mas especificamente, especificamente na área de desenvolvimento, a IA tem sido uma forte aliada, tanto minha quanto da minha equipe, no sentido de servir como se fosse um desenvolvedor mais experiente que você, que tá sentado do seu lado, e que você de vez em quando dá uma cutucada e fala assim, ó, dá uma olhada nesse código aqui e vê se você acha que ele tá bom.

Aí o cara bate o olho, ele rapidamente fala, ó, Isso aqui você tem que evitar, isso aqui tem que documentar melhor, esse comentário aqui totalmente não pertinente, pode remover, que é a visão de um especialista. Então eu vejo a IA como uma forte aliada no desenvolvimento, apoiando na aquisição de novos conhecimentos e na melhoria, na você melhorar, você se aperfeiçoar melhor naquilo que você já sabe. Eu tive um caso há uns 2 anos que foi muito interessante, porque eu dava, eu dava as minhas, os meus treinamentos, e eu ensinava uma certa técnica especificamente sobre índices de bancos de dados.

E eu aprendi isso, sei lá, 40 anos atrás, e há 40 anos dava a mesma técnica. Um belo dia eu fui perguntar para IA o que que ela poderia te dar de dica que poderia ser melhor do que aquilo que eu fazia. E eu fiquei impressionado porque ela me deu uma outra visão que eu nunca tinha considerado, e eu passei a mudar a forma como eu treinei as pessoas a partir de então. Quer dizer, eu enxerguei que existia sim uma forma melhor. Então, quando a gente dá oportunidade da IA nos apoiar no dia a dia, você acaba tendo um processo de aprendizado contínuo.

Nesse aspecto, eu sou 100% favorável à IA. Agora, se você me der a oportunidade de falar dos perigos da IA, acho que nós vamos falar um pouco sobre isso. É onde eu tomo cuidado, né? Eu acho que um— quer elaborar?

GBGabriel Brasil

Eu só ia comentar uma coisa aqui só para entrar nesse assunto dos perigos, que é assim, como eu disse, eu não sou dev, eu sempre falo isso porque eu quero que as pessoas se identifiquem, as pessoas estão começando o Kia se identifique em mim para saber que elas são capazes de fazer as coisas, coisas importantes e coisas grandes, como produto, por exemplo, desde que tenham responsabilidade e passam por um dev depois validar aquilo que foi feito e tal.

Inclusive eu vi um termo esses dias que foi muito interessante, o cara falando sobre o dev artesão e o dev digital, que agora eles inventaram isso aí também. O artesão é o cara que era o Navarro da antiga, ele faz tudo na mão, tudo na mão, certo? Código por IA não presta. E o digital é o cara que aceita IA como apoio e enfim. Mas você tava falando lá sobre o produto teste, eu acho, tá fazendo com WhatsApp, né, tentando elaborar e tal.

Ah, na pandemia a gente lançou um produto chamado Bridge e a gente passou um aperto. Eu acho que uma das primeiras conversas que eu tive com você, talvez, foi, cara, eu não consigo resolver o problema de chat no Bridge, que era uma espécie de um escritório virtual. Cara, teve de programador tentando resolver, que era um chat interno de empresa assim. E não, entre um chat tinha outras coisas dentro do produto, e foi uma luta, uma luta, uma luta, uma luta.

Aí anos depois, agora pouco tempo, com IA, foi o primeiro chat que eu fui tentar fazer interno, mas era para coisa para Hive. E entra no lance dos perigos, né? Acho que você tecnicamente você pode contar, a gente já contou isso aqui, mas eu acho interessante. Eu fiz um chat para falar com os nossos clientes, para direcionar nossos clientes melhores, algumas Algumas informações que eles não mandam, nos mandam tal. Cara, foi um desastre, foi um desastre assim.

Funcionava lindo, perfeito, aos olhos do não deve, foi maravilhoso assim, porque eu consegui entregar. Mas, né, a gente contratou o Convex, tava no Convex, e era um plano de $50, eu acho, uma coisa assim, sei lá. E em um dia eu gastei R$600 porque tava com problema de performance. Cara, é o negócio do N+9?

CDCassiano D'Andrea

Não, não, N+1.

GBGabriel Brasil

N+1?

FBFred Beneti

Mais ou menos isso. É, tinha esse, eram dois problemas, né? Então assim, o Convex, não sei se você conhece essa ferramenta, né? Ele é tipo um backend as a service e ele invalida a cache para saber a hora que ele precisa pegar o dado ou não, né? E o jeito que ele fez o chat era tipo um Discord-like, né? E tinha as imagens das pessoas, né, e os logos da empresa, tá. E aí, a hora que ele subiu isso, um, ele não compactou as imagens, né, então tava lá com 1 mega imagem, não sei o quê e tal.

E aí, como é um chat vivo, a hora que eu mandava mensagem para ele, por exemplo, e tava no grupo, invalidava o dele, o do outro dev, não sei o quê, invalidar todo mundo. Aí ele puxava as imagens tudo de novo. Ele faz, depois ele fazia um N+1 lá dentro. Então assim, resumindo, o plano era 50 GB de transferência de banda por mês.

CDCassiano D'Andrea

A hora que colocou para os clientes, estourou no dia, no dia estourou 50 GB.

GBGabriel Brasil

Paguei R$600 um dia. E assim, é um perigo da IA que ficou dentro de casa e refletiu no cartão de crédito da empresa. Beleza, mas tem os outros perigos, são bem maiores, como segurança de dados.

FBFred Beneti

Só qual que era o ponto? Ele tentou resolver, só como ele não tem o conhecimento técnico de performance, o quê, eu falei para ele, você pode gastar todos os tokens que você não ia conseguir resolver.

CDCassiano D'Andrea

Às vezes era arquitetural, né?

FBFred Beneti

Porque, mas não conseguia chegar onde tava o problema, certo?

CDCassiano D'Andrea

O X da questão, a raiz, né?

GBGabriel Brasil

Mas aí tem uma diferença, tá? Aí do tempo da IA 3, 4 meses depois eu fui fazer de novo, mas não pedi atenção nos pontos que deram errado a primeira vez. Aí como teste e tal, porque a gente já tava no cloud 4.8, tal, tal. Aí foi perfeito. Não foi no mesmo projeto, foi outro projeto, mas foi perfeito. Não tem problema de performance, não tem problema de nada. Mas eu não mudei o meu prompt, vamos dizer assim. Foi a capacidade da IA já de não cometer.

Lógico, eu citei o problema de performance, falei, mas cuidado com performance e tal. Ó, vou explicar o que eu usava, mas não coloquei observação técnica para resolver o problema que tinha causado antes.

FBFred Beneti

O Gabriel, embora ele não seja dev, né, a empresa dele antes, ele teve que conversar muito com dev. Então ele sabe especificar o que ele quer, porque ele tinha que sentar do lado do cara.

GBGabriel Brasil

Mais importante, são 15 anos, né, com essa raça maldita.

FBFred Beneti

E aí ele Ele apoiou demais, né? Porque, cara, dava a volta, não entendia. Então ele aprendeu a falar. Então acho a facilidade que ele teve é com o IA agora, de pedir as coisas, que ele faz as coisas, ele consegue conversar com a IA pedindo, dando requisito, onde quer, não sei o quê. Então por ter falado muito tempo com o Deve, né?

CDCassiano D'Andrea

Eu acho que você tocou num ponto primordial. Você falou da revisão. Então a gente tem uma regra que eu tento, eu tentei instituir, a gente vem seguindo, que é: a IA está liberada para uso, não há limite, desde que tudo que for produzido passe por code review por alguém que é uma pessoa e que possa validar aquilo que foi produzido. Às vezes a gente passa do ponto. Eu já tive casos de usar IA para fazer um relatório E aquilo tava me dando uma produtividade muito boa.

O que eu levaria uma semana, eu tava fazendo em uma tarde. Só que eu não percebi que eu passei do ponto e comecei a especificar uma espécie de over-specification. Comecei a pedir além do que seria razoável para IA, e ela começou a fazer um código. É igual overfitting de rede neural, quando você tem a história do alfaiate, né? Você vai no alfaiate, fala eu quero um terno Quero vender terno na minha loja. Aí ele vai, experimenta o terno em você, então ele vai e ajusta o terno para sua medida.

Quais são as chances de você colocar aquele tamanho numa loja e vender para um monte de gente que é mais ou menos do mesmo porte? Quase zero, porque um tem mais barriga, tem mais ombro, não tem um braço mais curto, mais comprido. Então o overfitting é quando você exagera e passa do ponto, de forma que não sirva mais para ninguém a não ser a pessoa que experimentou.

GBGabriel Brasil

Essa analogia é ótima para a gente usar com os cara que compra N8N pronto, né?

CDCassiano D'Andrea

Então eu me lembro desse caso em que eu passei do ponto. Quando eu olhei o código, ele era irreconhecível de tanta regra que tinha no meio do código. Aí foi que eu percebi que eu tinha passado do ponto, voltei um passo Aproveitei o que eu já tinha feito com a IA, falei, agora a partir daqui eu tenho que fazer manual. Então ter essa percepção de até onde você vai com IA, até onde você não deve ir. Primeiro que as redes estão melhorando a cada dia, então essa tendência é você cada vez ir mais longe, mas aí é cada caso é um caso.

Eu acho que ver a IA como um aliado que nos dá produtividade Eu acho perfeito. Falando dos perigos, podemos entrar nesse tópico?

GBGabriel Brasil

Claro, bora.

CDCassiano D'Andrea

Falando dos perigos, eu acho assim, as novas gerações, então vamos falar da moçada que tem aí de 17 a 22 anos, que estão entrando na faculdade, os que estão começando a sair. Essas novas gerações estão usando aí, a meu ver, tá, meu ponto de vista, de uma maneira um pouco irresponsável No sentido que eles começam a achar que a inteligência artificial substitui o conhecimento. E aí eles deixam de investir nos conceitos que fazem parte dos pré-requisitos de um desenvolvedor.

Falando alguns óbvios, né? Estruturas de dados, algoritmos, lógica. Toda a base matemática que você precisa ter para você desenvolver um software, né? Para citar 3, 4 tópicos básicos do básico, porque são milhares de conhecimentos que você precisa ter. E aí, quando você percebe, essas novas gerações muitas vezes estão usando a IA como uma espécie de muleta. Então assim, ele não faz nada sem IA, ele não sabe fazer sem IA. E se vocês me permite fazer uma analogia para que todo mundo entenda o que eu quero dizer, com uma analogia um pouco mais do dia a dia, tenta imaginar você subindo num avião onde o piloto só sabe usar piloto automático, é a IA do avião, porque ele aperta 3, 4 botões, o avião faz tudo.

FBFred Beneti

Quero ir para Roma.

CDCassiano D'Andrea

Isso, coloca lá o GPS, as coordenadas latitude e longitude do aeroporto de Roma, e o avião levanta e desce tudo sozinho. Tá lindo, maravilhoso. A pergunta é: o que vai acontecer quando esse avião tiver uma pane? Aí não acontece?

FBFred Beneti

Acontece uma turbulência, ele vai escrever: está com turbulência.

CDCassiano D'Andrea

A turbulência menos, porque o avião tá preparado para isso. Agora imagina uma situação de pane, como uma explosão a bordo, uma despressurização, o caso de uma janela que por alguma razão explodiu. E enfim, se eu falar de tantos casos na aviação, a minha pergunta é: você subiria num avião sabendo que os pilotos só sabem voar com piloto automático? Provavelmente não.

GBGabriel Brasil

Já falou não, subir no avião nem com tripulante.

CDCassiano D'Andrea

Pois é, mas a maioria das pessoas pensaria duas vezes. Ou mesmo assim, você entraria numa cirurgia, digamos, cerebral ou do coração, que são órgãos vitais, sabendo que o cirurgião só sabe operar com robô. Se der alguma intercorrência que o robô não souber o que tem que ser feito, o cirurgião vai ter que ligar para alguém que sabe o que fazer, mas você tá lá morrendo. Às vezes em questão de 1 minuto você já partiu. Então o perigo que eu vejo nesses casos dessas novas gerações é nós produzimos gerações de pessoas que acabam se tornando os pilotos que só voam com piloto automático.

Quando as coisas dão errado, o piloto não sabe o que fazer. Claro que você não subiria num avião nessa condição. Tudo bem, não tô dizendo que no futuro isso não vai acontecer. No futuro próximo nós vamos voar em avião sem piloto, a gente sabe disso.

FBFred Beneti

Já tem carro, já dá para voar assim, já tem Algo não comercial, né?

CDCassiano D'Andrea

Já tem, já tem comercial que eu saiba, não.

FBFred Beneti

Acho que é um nível lá de fase que não precisaria, não precisaria.

GBGabriel Brasil

Mas o problema hoje é aceitação. E tem, mas tem aviões menores que faz o voo autônomo, ou você pilota. E se, sei lá, se um piloto morreu, então o vermelho no teste aperta e ele te leva para o aeroporto e tal.

CDCassiano D'Andrea

Mas são situações de exceção. Imagina aviação comercial, você entrar num avião que não tem mais piloto E você sabe que não tem piloto, porque ele é 100% automatizado. O carro dos carros da Waymo lá, que já dirigem só com sensores, a chance de ter acidente é cada vez menor. A gente sabe disso, a gente tem consciência disso. Agora tem a questão psicológica. Como é que você vai entrar num avião não tendo piloto? A gente sabe que em poucos anos, talvez 5, 10, 15 anos, vai ser a realidade.

Hoje eu imagino que não sendo a realidade, ninguém entraria. Então um pouco é isso. Eu acho que essas novas gerações, elas têm uma tendência de substituir o conhecimento com IA. E eu vou citar um exemplo: nós fizemos o processo seletivo para estágio no ano passado, e a gente sempre dá um projeto para os nossos alunos. Geralmente tô falando de alunos aí de cotuca, na faixa de 17, 18, 19 anos, para eles poderem submeter o projeto para nós.

E a gente fala: fiquem à vontade para fazer como quiser, se possível evite IA. Eu acho até que a gente colocou: não use IA. Fala sabendo que vão usar, né? Mas pode perguntar para o teu primo, pode conversar com seu vizinho, pode pesquisar na internet. O que importa é você vir com o projeto funcionando e você poder explicar para a gente como que você fez e o que que você aprendeu com isso. Ótimo. Praticamente todos usaram IA. Eu ouvi de alguns que a gente acabou não aprovando, em que o sujeito admitiu que ele usou 100% de IA.

Ele não conhecia o código que tava ali e ele entregou como um processo seletivo. É como se ele fizesse uma prova para entrar no vestibular usando IA. Quer dizer, você não tá sabendo que candidato tá ali, Porque quem fez foi a IA. Então aí se torna meio perigoso, é um terreno, vamos dizer assim, areia movediça, em que existe a falsa sensação de que eles sabem fazer as coisas quando na verdade eles não sabem.

GBGabriel Brasil

Mas uma coisa que a gente fala todo episódio, praticamente a gente bate muito nisso, é eu como não deve, eu tenho absoluta consciência também porque eu vivi isso a vida toda, né? Na empresa, dos perigos que podem acontecer, de questão de segurança, principalmente dados. Toda vez que alguém vem falar com a gente sobre produto, com, ah, vou colocar um produto no mercado, agora vou ficar rico, aquela grande ideia que todo mundo tem.

E a gente sempre aconselha, cara, toma cuidado. Uma coisa é você fazer um produto para sua interna, sua empresa lá, para você operar dentro. Outra coisa é você fazer um produto e colocar para a galera alugar e usar, sei lá de que forma. Sem um dev validando. Então a gente bate muito nisso na nossa operação, de uma forma geral, tanto internamente na empresa quanto a galera que acha que virou dev do dia para noite. Eu tenho plena consciência que eu não sou dev, nunca tive vontade de programar.

Meu tesão, você tá falando do tesão de programar, meu tesão é produto. Daqui a pouco eu quero ver o produto pronto que você ajudou a especificar, é escrever o produto e colocar esse MVP para— eu gosto de criar produtos, isso sempre foi o meu tesão. Inclusive, depois eu vou tocar no assunto dessa saída do serviço para produtos, que eu achei interessante. Mas essa é a responsabilidade que todo mundo precisa ter sobre desenvolver alguma coisa e passar para frente para um dev validar. A gente sempre bate nisso muito forte, né?

FBFred Beneti

E você tem a consciência de quando estoura seu limite aí do cloud, você não faz mais nada?

GBGabriel Brasil

Não, é isso, acaba. Graças a Deus eu tenho muito dinheiro para colocar mais crédito.

CDCassiano D'Andrea

E aí existem os falsos profetas da IA, né? Há uns 2 anos eu me deparei com uma menina que eu não conheço, ela é de Brasília, quer dizer, não conheço pessoalmente, né? Veio indicada por alguém que já trabalhou com a gente, tentando lembrar quem foi, e Ela me disse assim, ela falou, olha, eu acabei de pagar uma consultoria onde eles formam devs sem você precisar ser dev, sem você precisar conhecer desenvolvimento. Falei, tá, me dá um exemplo.

Ela falou, por exemplo, eu fui fazer um sistema de message queuing Caso específico. E eu pedi para IA fazer, e aí ela preparou tudo que eu precisava. Eu falei, tá, mas o que que você aprendeu no processo? Ah, não aprendi nada, porque a consultoria é exatamente isso: você não precisa aprender, você delega 100% para IA. Eu falei, isso tá funcionando para você? Ela falou, não.

GBGabriel Brasil

Eu te ensino a você não aprender a aprender uma coisa.

CDCassiano D'Andrea

Tem gente vendendo isso como uma espécie de Normal.

GBGabriel Brasil

Você não tem ideia das coisas que a gente que tá nessa bolha, eu fico o tempo todo estudando sobre arca, assim, né, umas coisas tão bizarras, entendeu? Mas o exemplo do alfaiate, quem te fala, o cara que vende aquelas automações que vai resolver setor comercial da sua empresa, setor financeiro, é exatamente o exemplo, analogia que você usou, porque o cara monta uma automação que vai daqui até aqui e ele vende na internet como se aquilo fosse funcionar para todo tipo de empresa, como se todos os setores comerciais financeiros fossem iguais, certo?

E é tão absurdo as pessoas caírem nisso. Só que esse cara cobra R$50, R$100 o produto dele, barato, né?

FBFred Beneti

É, mas mil pessoas compram, entendeu?

GBGabriel Brasil

E aí o que acontece? Normalmente vem machucada para a gente na reunião. E uma coisa que a gente não faz, isso é um acordo que a gente tem, porque eu cheguei numa fase de, cara, eu só quero dormir sem ninguém mexendo no saco. Tem que ter, sabe, nego, Eu tive a fase do quero ficar milionário, quero, eu quero ficar milionário, mas não a qualquer custo, não atendendo 100 clientes por dia sem tirar paz e tal. Então isso já custou um pouco para minha saúde.

Então a gente teve esse acordo. Então toda reunião comercial que a gente vai, a gente tá muito disposto a falar não e tá muito disposto a colocar os pés do cliente que acha que a imagem tá no chão. Então o cara acha que vai vir, ele vai resolver, a gente vai resolver todos os problemas da vida dele com automação. E a gente não vai, cara. Ele tem que entender que ele tem um papel dele que é extremamente importante e que exige muito do processo dele, da vontade dele de mudar as coisas.

Quando o cara normalmente entende isso, não tem erro, a gente fecha com ele. Mas quando ele vem machucado de alguma coisa que ele comprou e acha que foi enganado, falou, cara, você se enganou aí, você caiu no golpe. É isso.

FBFred Beneti

E o cara vê a automação e a IA como solução, e a maioria das vezes ele não sabe nem como que é o processo dele. E aí você começa a perguntar, porque assim, se eu não tiver um processo mínimo de comercial, operacional, qualquer processo que seja, né, vou automatizar o quê, né? Vai automatizar coisa errada, né? Tem cliente que a gente pega que o processo comercial do cara é manual ainda. O vendedor tá no Excel, no papelzinho tal, que eles vão automatizar, ok, entendeu?

Aí tem que dar um passo antes. Aí o trampo que a gente faz na conversa é isso, trazer o cara para realidade, porque ele tá sendo tão bombardeado que hoje você consome Instagram, por exemplo, ou você fica só no YouTube?

CDCassiano D'Andrea

Eu não uso Instagram, então eu sou velha guarda, não uso Facebook.

FBFred Beneti

Tem uma galera, Cassiano, que o cara vê um conteúdo falando de automação, né? Aí retém ali. Então a rede social fala, pô, o cara gostou disso. Aí ele começa a ser bombardeado disso, né? E a galera só vendendo facilidade, porque o que que vende? É o atalho, né? O atalho vende, sim, né? E o cara acha que, né, que vai conseguir esse atalho e não consegue.

CDCassiano D'Andrea

Agora, existe atalho para o conhecimento?

FBFred Beneti

Não existe, gente.

CDCassiano D'Andrea

Conhecimento você ganha não é deitando em cima do livro esperando que transmita para tu. Não, osmose, você não deita em cima do dicionário e sai falando outra língua no dia seguinte. Tudo bem, com os tradutores modernos provavelmente você vai falar, mas não porque você deitou em cima.

GBGabriel Brasil

Inclusive, no episódio de segunda-feira, o Mateus, que é o professor, ele falou exatamente isso aí, cara. Processo de conhecimento dói, às vezes machuca, é difícil, mas não precisa ser dolorido.

CDCassiano D'Andrea

Quando você tem gosto, você usou a palavra tesão, quando você tem tesão é diferente, você tem o estímulo para aquele aprendizado. E você se colocar numa situação de criar desafios e resolver é uma maneira que eu gosto bastante de aprendizado, e eu tento estimular os meus colaboradores nesse sentido. Então Eu percebo uma base matemática média da população muito ruim. Falei uma besteira ou é visão geral? Português é diferente? Não, não é, né?

FBFred Beneti

No geral, né?

CDCassiano D'Andrea

No geral, todos os conhecimentos, todas as áreas, tudo, né? Mas trazendo para nossa realidade, então a base matemática média do que você vê no mercado é muito ruim. As escolas públicas ensinam mal, as particulares Deve ensinar bem, mas os alunos não têm interesse. Aí entra numa outra questão: por que que o nosso ensino ainda é do mesmo jeito há séculos, né? Aquele ensino de copiar material, de ter que decorar coisas. Eu sou de uma visão que você deve trazer uma base conceitual e na sequência mostrar algo prático onde você possa utilizar aquilo, de preferência alguma coisa do dia a dia, aplicável à realidade das pessoas.

Então eu tento dar treinamentos com essa, com esse viés. Eu dou uma base conceitual, trago aquilo para desenvolver algum projeto, geralmente projetos menores, no próprio eventual problema que tem na realidade da empresa, né?

FBFred Beneti

Sim, eu lembro falando da TagView, tem um caso, eu gosto de contar esse caso que marcou muito, que foi eleição da Veja. E aí o que aconteceu na eleição da Verde? A eleição da Verde, aí o Cassiano pode contar qual que foi as palavras dele.

GBGabriel Brasil

Você me contou isso uma vez, foi na TechView?

FBFred Beneti

Porque esse negócio marcou muito, porque foi onde eu tive uma aula de cash, né? Uma coisa é você conhecer um pouco de cash, né, estratégias de cash e tal. Na época eu era, não era tão experiente e tal, 15 anos atrás. E foi um problema sério, né? E aí a gente teve uma aula de cache. Eu lembro que acho que foi você e o Melo, você e o Navarro, não lembro. Vocês não chegaram e falaram, a solução é essa, vai ser desse jeito, né? Primeiro vocês explicaram qual foi o B.O. que teve, qual que seria a estratégia, porque assim, tinha 2 semanas para resolver, porque deu problema, eram 2 semanas porque era do primeiro para o segundo turno. Deu problema no primeiro turno, apuração.

CDCassiano D'Andrea

E aí, acho que 2012, não foi?

FBFred Beneti

Foi uma de prefeito, 2012, prefeito.

CDCassiano D'Andrea

Deve ter sido, 14 foi presidente, foi prefeito, prefeitos e governadores, algo assim.

FBFred Beneti

Não é governador, é junto com prefeito e vereador, só que era em todas as cidades e tal. Deve ser 2012, eu acho que foi 2012, é quando eu tava lá, foi 2012. E aí foi uma sucessão de erros, né, porque Eu lembro que o Melo era o líder técnico, né? E aí ele tinha perguntado de cache, ele tinha perguntado de teste de carga, e o arquiteto que tava na Veja falou que não precisava. Por quê? Porque o dado que ele tinha de—

GBGabriel Brasil

ah, então foi uma decisão meio que da Veja.

FBFred Beneti

Então calma que sobra para todo mundo, né? Mas é porque assim, Você tem o conhecimento, você pergunta, o cliente fala o que fazer. Quer dizer, o que eu acho, né? Eu não tava nesse bastidor de decisões, né? Mas o que eu lembro, o Melo falou do cache, falou do teste de carga, o arquiteto falou que não precisava, porque o dado que ele tinha de acesso tinha sido a última eleição, era de 2 anos atrás, era de 2010. Só que que aconteceu entre 2010 e 2012?

Facebook. Então, 2010 não anunciaram no Facebook que a Veja ia fazer apuração. E aí, naquela época, o Facebook entregava muito as páginas. E aí, a hora que deu em 2012, tipo, acabou a eleição, alguém da Veja falou assim, ó, venha acompanhar a apuração aqui com a gente. E colocou no Facebook, Facebook, Twitter. Cara, capotou tudo, entendeu? Capotou tudo, capotou.

GBGabriel Brasil

A gente fez, cara, o Bruno, você lembra o ano que foi do Metrópole? Metrópoles foi 22, a gente fez a do Metrópoles, já foi tenso, cara.

FBFred Beneti

Então, mas aí você pega 2012, não sei se você não lembra, tá? Não tinha API para você bater lá no TSE.

CDCassiano D'Andrea

Não, não era via API. Você batia lá e pegava os arquivos.

FBFred Beneti

Eu acho que não lembro se batia, cara.

CDCassiano D'Andrea

Eu sei que ele tinha os dois modelos, tinha um que ele entregava para você e o outro que você batia nele. A gente optava por pegar.

FBFred Beneti

Não, mas esse 2012 batia no, no, no, eles jogavam, porque aí eu aprendi uma parada que eu não sabia também, que o Linux tem um esquema que é tipo um trigger. Ele cai o arquivo lá No File System, fala, e executa uma parada.

CDCassiano D'Andrea

E era isso que a gente fazia, é uma espécie de um hook, uma callback, um alarme.

FBFred Beneti

E aí era arquivo posicional, cara. Então assim, você tinha que ler aquilo, jogar no banco, o site consumir via API e tal, não sei o quê, sabe? Então foi muito massa, cara. Tipo, é um negócio que eu lembro até hoje assim. E aí todo o rolê, toda a solução foi cache. E aí eu lembro que o Navarro fez uma, aí Navarro veio para Veja só para aquele projeto, entendeu?

CDCassiano D'Andrea

Para aquelas duas semanas, para aquelas duas semanas que tinha que resolver, entendeu?

FBFred Beneti

Aí você veio também com conhecimento técnico, né? Você não pôs a mão na massa, mas você chegou e falou, vai ser assim, né? Mas explicou, mas deu contexto. Então chegou e falou, vai ser assim porque é assim, né?

CDCassiano D'Andrea

Ele deu aula, eu arriscaria dizer que cobrir eleições em tempo real não tem nada pior. Pensa num projeto que não tem tempo para você reagir. Deu errado, deu errado.

GBGabriel Brasil

A gente fez, é exatamente, a gente fez todo o UX do Metrópoles, refez a parte de eleição. Eu e o Bruno, a gente refez todo o UX e aplicou ainda, cara. No dia eu tava tão tenso, cara, eu não domino. Eu e o Bruno, é que o Bruno sempre encarou, ele não era, não é desenvolvimento também, mas ele participava comigo das decisões, das das reuniões e tal. Cara, no dia da eleição dá um frio na barriga. A gente dando F5, você imagina o Brasil inteiro. Mas já era PI, já era outro esquema.

CDCassiano D'Andrea

Mas aproveitando que ele lembrou desse episódio, foi um que a gente até comentou no almoço recentemente. Nós tivemos, eu não lembro se foi 10 ou 14, eu acho que foi 14, não lembro se o Fred estava com a gente, mas nós não, minto, foi em 2010, Fred não tava ainda. Nós tivemos um caso de uma das eleições em que durante a apuração, num domingo perto das 18 horas, quando tava começando a fechar os números para presidente do Brasil, era Dilma contra o Alckmin, tô lembrando aqui, tava fechando, ou Aécio, um dos dois, tava fechando os números Nós tivemos um problema de cache, eu lembro bem.

Ah, Estado de São Paulo não tá atualizando adequadamente. Ah, nós temos aí um processo para expirar somente um estado, então é só passar a sigla, ele expira o cache e ele repopula. Beleza. Antes da gente dizer para o operador que tava no console de produção da Veja.com qual seria o comando, ele por conta própria deu um comando para poder listar as opções. Só que ele trocou um t minúsculo por um T maiúsculo. Você sabe disso, né?

É, o fato dele ter trocado o t minúsculo pelo T maiúsculo, que deveria ser uma besteira, fez disparar os testes automatizados em ambiente de produção. E para nosso imenso azar, nós da empresa Tínhamos colocado um drop database que nunca droparia um banco de produção.

FBFred Beneti

Por quê?

CDCassiano D'Andrea

Porque você nunca roda teste em produção. Mas dropou o banco de produção durante a apuração das eleições. Aí você fala: não, nada disso, não tem nada pior que isso. Calma que piora. Eles não tinham backup. O último backup tinha 3 meses. Não entra na minha cabeça um sistema de produção que não tenha backup. O nosso sistema de vacinas, os nossos backups são feitos de hora em hora, copiados para 2 lugares diferentes, inclusive fisicamente diferentes, além de uma réplica.

Então assim, uma coisa meio até doentia por causa dessa experiência que nós tivemos. Aquilo custou sair o site da Veja do ar. Não havia como retornar o site no ar porque não tinha backup. Quando foi tentado restaurar o backup através dos logs transacionais, que a gente não participou porque era deles, eles erraram no processo de restauração e eles fizeram com que o banco ficasse completamente inválido, no sentido de chaves estrangeiras apontando para Integridade completamente comprometida.

Eu lembro que eu passei a madrugada inteira tentando corrigir na mão para tentar voltar o site no dia seguinte. Conseguimos e ficamos rezando porque a gente sabia que ainda tinha problemas de integridade, mas pelo menos voltou. E aquilo me trouxe uma lição, que primeiro, né, não há marujo bom sendo feito em Marcal. Tem uma frase: mar calmo não faz bom marinheiro. Então eu, tendo passado, dentre outras, né, posso contar dezenas de casos aqui de insucessos, né, que trouxeram aprendizados, mas esse em particular me mostrou a importância de você ser precavido nas coisas que você faz.

Hoje, às vezes, na menor alteração que a gente vai fazer no sistema de produção, Eu falo, gente, vamos checar se o backup tá íntegro, vamos testar, vamos ver se, ó, falta 1 minuto para fazer o novo backup. Vamos tomar um cafezinho enquanto faz o novo backup, porque eu parto do pressuposto que as coisas podem dar errado. E quando dão, você tem que ter um seguro. Você não espera roubarem teu carro para fazer o seguro dele, tem que fazer antes.

Então essa lição em particular foi uma das minhas maiores lições. De eleição foram 3. Você citou uma, eu citei uma segunda e teve uma terceira. Todas elas por questões distintas, uma não tem nada a ver com a outra.

FBFred Beneti

Mas por quê?

CDCassiano D'Andrea

Porque é um sistema que você não tem tempo para correção. Igual lançamento de uma nave, se der errado vai explodir, vai cair, não tem o que fazer. Você não tem tempo de fazer um deploy quando a nave tá subindo. Ou você pensou nisso antes, ou você vai perder o investimento. Eleição é mais ou menos isso. Tanto é que eu nunca mais quis fazer, né? Porque não vale a pena, não vale a pena. É muito custoso, é muito trabalhoso. Tô falando de fazer apuração, tá?

Você ir no TSE pegar os dados, trabalhar esses dados por estado, por cidade, dependendo do tipo de eleição, e distribuir esses dados adequadamente. Tudo isso cacheado. É verdade que hoje com React, com outras tecnologias, seria mais fácil. Na época era jQuery no front. React foi surgir muitos anos depois, né?

GBGabriel Brasil

Você me lembrou de um caso interessante que, Bruno, você vai lembrar do Adriano do backup, que esse dev de fazer, ele é muito gente boa, esse cara. O Adriano é um dev que trabalhou com a gente, o cara é muito gente boa, mas direto ele, cara, passava o dia trabalhando e tal, não comitava as coisas. No comentário, ficava tudo na máquina da empresa. E aí teve um dia que, só que eu fazia backup, eu tinha um servidor dentro da empresa que eu ficava fazendo backup das máquinas, que eu já sabia que a galera.

E aí ele, um dia ele chegou para mim de manhã, falou, Gabriel, perdi o arquivo, corrompi a pasta. Falei, que isso, cara? A gente tinha que entregar o projeto no dia seguinte, sei lá, semana seguinte, alguma coisa assim. Adriano, é um 3 meses de trabalho. E aí, cara, que você vai fazer? Não, tenta recuperar lá. E eu tinha um backup. Eu falei, nunca mais esse cara vai deixar de fazer um convite na vida dele. Aí eu fui dando aperto nele, aí deu um esculachinho de leve, ele começou a chorar.

Cara, desculpa, eu acabei com você, não sei o que você vai fazer com o cliente e tal. Eu falei, cara, não sei. E fazendo cara de preocupado, fechei a porta da minha sala, fingi que eu tava conversando com o cliente. Pô, se tornou com você falando alto, aquele teatro, moleque na sala chorando, chorando. Ele trabalhava do lado do Bruno. Aí esperei passar umas 2, 3 horas assim, falei: vem cá. Mostrei para ele minha lista de backup.

Eu tenho backup aqui de hoje, de hora em hora também que eu fazia backup lá. Você aprendeu? Você vai deixar de comitar um projeto de novo? Ele chorando: nunca mais na minha vida! Anos depois, ele já tinha saído da empresa, eu conversando com ele no telefone, ele falou: cara, você me deu a maior lição de commit da vida, eu nunca mais deixo de fazer um commit.

CDCassiano D'Andrea

Então deixa eu contar mais uma história pitoresca, essa aqui o Fred não conhece. O ano era 1989, eu estava no meu primeiro ano de trabalho, né? Eu me formei em 88 e eu fui fazer um período de 3 meses nos Estados Unidos pela IBM. Foi meu primeiro emprego, fiquei 8 anos na IBM. Você imagina, eu tinha 23 anos, né? Numa época que você era muito mais imaturo do que os jovens de 23 anos de hoje. Hoje os jovens de 23 têm muito mais informação do que nós naquela época, né?

E o hotel que eu ficava oferecia um happy hour de segunda a quinta, só não tinha sexta, sábado e domingo. Pô, mas pensa num happy hour bom, chopp à vontade, cerveja, podia levar cerveja para o quarto, comida mexicana espetacular.

GBGabriel Brasil

Em 89?

CDCassiano D'Andrea

89. E eu estava lá, eu fui buscar um sistema, a gente chamava de enlatado porque era feito lá, ia trazer para linha de produção da fábrica de Sumaré aqui, produção de grande porte. Era um sistema de teste, de automação de teste, e deu um problema, não conseguia sincronizar as máquinas do Brasil com as máquinas de lá porque o sistema que faria o processo, equivalente a um Git, vai, na época tava inoperante por alguma razão. Aí eu resolvi por conta própria escrever um sistema para resolver esse problema.

Acho até legal, né? Tive a iniciativa, não precisou ninguém pedir para eu fazer. Qual foi o problema? Eu fiquei pensando, fiquei escrevendo por uns 2 dias, fiquei pensando no happy hour do hotel. Então eu pus o sistema para rodar e fui para o hotel porque tinha horário para o happy hour. Falei, amanhã eu volto, tá tudo sincronizado, tá tudo lindo, maravilhoso. Você imagina, 23 anos, não tinha nenhum sênior falando, ó, cara, tem que testar melhor isso aí, vamos testar em ambiente controlado.

Coloquei para rodar e fui para o hotel tomar minha cervejinha. Quando eu voltei no dia seguinte, o rapaz trabalhava comigo, americano, me chamou de lado e falou assim, você deixou alguma coisa rodando aqui na era grande porte, né? Não sei se você tá trabalhando com grande porte, BM. Não, é na minha máquina virtual, né? Uma máquina virtual é como se fosse um pedaço da CPU, né? Eu falei, ah, eu deixei, deixei um processo rodando para fazer a cópia do projeto assim, assim assado.

Falou, é, só tem um detalhe, você parou a linha de produção de toda a fábrica da IBM. A fábrica da IBM Aí ficava em Endicott. Endicott é onde a IBM foi fundada. Era uma fábrica gigantesca, fabricava grande porte, sei lá quantas máquinas saíam por dia.

GBGabriel Brasil

Fico imaginando o cara de lá, falou, quem que parou? Foi um cara lá de Sumaré.

CDCassiano D'Andrea

Falou, você parou a linha de produção. Falei, não, mas como assim? Aí eu fui entender. Eu mandava umas mensagens, né, de baixo nível, como se fosse protocolo IP. Bem baixo nível. Eu mandava umas mensagens e numa dessas que eu não testei direito, o sistema daqui respondeu dizendo, ó, não entendi a mensagem. O de lá falou, agora eu que não entendi a sua. E eles começaram a encher a área de spool, que a gente chama, que é a área de periféricos, de forma que a memória dos dois sistemas encheu e começou a extravasar para outros computadores de grande porte da mesma fábrica.

Em algum momento eles perceberam tudo isso e eles deram um logoff no meu usuário. Ele dropou esse cache que tava armazenado e aí os sistemas voltaram. E para minha sorte, eles não contaram para os meus chefes aqui. Há uns 3 anos atrás, eu estava no happy hour com todos os meus ex-gerentes, que hoje são aposentados, e aí eu contei a história, inclusive para o meu chefe, na ocasião.

GBGabriel Brasil

Eu falei, agora eu posso contar.

CDCassiano D'Andrea

E contei essa mesma história, todo mundo riu. Eu falei, cara, na época eu não podia chegar para você falar que eu tinha feito essa besteira, porque eu tinha certeza que ia sobrar para mim, né? Então, de certa forma, o cara lá não falou nada, mas isso mostra a importância da gente ser precavido nas coisas, né? Testar direito, testar bem, validar.

GBGabriel Brasil

Aprender com a dor dói, mas funciona muito melhor, né? A dor ensina, cara, não tem jeito.

CDCassiano D'Andrea

A dor ensina, sem dúvida nenhuma. Mas são muitos casos, né? Se você for pensar quantos problemas você já não enfrentou no seu trabalho, no dia a dia, o mais importante é você primeiro sair vivo e segundo você conseguir daquilo tirar as lições e criar salvaguardas para que aquele problema não volte a ocorrer. Trazendo para a realidade de um produto, fazer testes automatizados, por exemplo, para garantir que aquele bug que você detectou, caso venha ocorrer novamente, um teste automatizado pegue.

E fazendo o gancho com a pergunta se a gente usa IA para fazer teste, recentemente eu comecei a usar e eu fiquei bem impressionado com a produtividade da IA produzindo testes sob a minha supervisão. Ó, adiciona mais isso, cubra mais esse caso. Explora melhor esse outro. Mas assim, o que eu faria em algumas horas eu fiz em minutos. Isso já me trouxe um alento, porque teste automatizado dá trabalho, a gente sabe que dá, e é muito necessário, e é muito importante.

GBGabriel Brasil

Agora deixa eu entrar no assunto que me interessou bastante, porque eu tô nessa transição de serviços para produto. Eu sempre gostei, já falei, eu sempre gostei de fazer produtos. Eu Eu tô o tempo todo criando alguma coisa. Eu venho da área criativa, então nada mais justo que criar alguma coisa sempre. Então na Raiva eu sou responsável por essa parte de criação de produto, né, de principalmente progredir os produtos que a gente tem.

E eu venho da área lá 15 anos de serviço, né, prestando serviço. Chega uma hora que o atendimento desgasta assim. Meus clientes são clientes antigos, cara. Tem cliente de 9 anos tá comigo, 8 anos, 7 anos. São clientes que tá comigo muitos anos na prestação de serviço. E eu tô nessa fase de migração. Não tô falando que eu vou abandonar isso de uma forma abrupta assim. É, os meus clientes antigos, tenho muito carinho por eles, que acabam viraram muitos, viraram amigos hoje.

Mas hoje eu vou falar que eu parei totalmente a venda de serviço da empresa assim. Na Impetus, eu interrompi isso porque não dá para dar atenção em 10 coisas ao mesmo tempo, somos 2, e acaba que você não faz nada direito, né? E tô nessa migração, né, de carreira assim, pode ser que sim. Queria que você contasse como é que foi, quando que você tomou essa decisão, por que que você tomou essa decisão e como é que foi a jornada da construção do produto. Você falou um pouco, mas falei bem por alto.

FBFred Beneti

E tem muito desafio, né? O produto são desafios completamente diferentes.

GBGabriel Brasil

Tem um detalhe que o Marcelo, o Pelos, a gente, Marcelo é outro que adora criar produto. E aí a gente fala, cara, vamos viver só de criar produto, a gente precisa vender não, vamos ficar só criando produto, vamos ver se alguém paga a gente só para ficar criando produto.

CDCassiano D'Andrea

Então, em 2008, final de 2008, começo de 2009, nós tínhamos um uma clínica em Campinas de vacinação que solicitou um serviço, desenvolver um sistema como se fosse um mini RP, uma coisa mais simplificada como serviço. E aí nós não tínhamos equipe, então era eu e a minha sócia Elza. Nós criamos esse projeto, entregamos para esse cliente. Alguns anos depois, e nisso a gente fazia N outros serviços, citamos o caso da Veja, mas aí já com equipe, né?

Eu acho que lá por 2014, 2015, alguma coisa assim, a minha sócia, a Elza, ela teve a ideia de, baseado na necessidade de outras clínicas, né, ela falou, poxa, por que que a gente não pega aquele produto que nós, aquele projeto, né, que era um serviço, e a gente não generaliza aquilo e transforma num produto para vender para mais clínicas e vender Brasil afora? Bom, primeiro que a gente não tinha o código-fonte porque era do cliente.

Então nós chamamos esse cliente, fizemos uma parceria, ele topou entrar como sócio, né? E aí nós começamos um processo de— alocamos uma equipe e começamos um processo de generalizar aquele projeto para transformar num produto. Bom, essa equipe trabalhou pelo menos uns 5 ou 6 anos sem que a gente pudesse pagar os custos. Então, a primeira lição aprendida: você não faz um produto sem ter investimento inicial para poder bancar enquanto não dá lucro.

A não ser que você desenvolva o produto na sua casa e você tem alguém que paga suas contas. Então, como isso não existe, né, então nós tivemos que bancar o custo da equipe, o custo de provedor, etc. Por quê? Porque a gente começou com uma clínica. Aí essa clínica que era parceira ganhou licença vitalícia, tipo, você vai poder hospedar com a gente sem nunca pagar. Eles entraram como sócios, mas ganharam esse adicional que eles poderiam continuar usando o sistema sem nunca precisar pagar.

E a gente mantém isso até hoje. Aí Depois de uns 6 anos mantendo uma equipe, o Navarro inclusive foi um dos caras, foi o arquiteto do sistema durante todo esse período. Então praticamente toda a parte arquitetural foi bolada por ele, funciona tão bem que tá aí até hoje. Enfim, tantos anos depois continua funcionando muito bem, que a gente sabe da capacidade dele, né?

GBGabriel Brasil

Depois que ele pegou umas aulas de programação comigo, ele melhorou bastante, né?

CDCassiano D'Andrea

É o Navarro. A gente fala abertamente isso, a gente conversou sobre isso, né, Fred? Ele é fora da curva, a gente sabe disso, tem um potencial gigantesco, é autodidata, e é um cara assim que quando ele fala eu vou te ensinar uma coisa, você pode parar para ouvir porque você vai aprender algo novo. Então a gente fala isso para ele, sabemos da capacidade dele, foi ele que desenhou toda a parte arquitetural e deu vida para esse nosso produto.

O produto começou a se pagar mais ou menos no começo da pandemia, 2021, mais ou menos. E de lá para cá, então, ele vem se pagando pelos custos que a gente teve no passado, que a gente teve que bancar. E hoje nós temos aí, como eu falei, 450 clientes. Eu devo aqui fazer um reconhecimento, não só como eu fiz para o Navarro, que fez um excelente trabalho na parte arquitetural. E obviamente todas as equipes que passaram, foram muitas pessoas, né?

E a minha sócia em particular que acreditou nesse produto. Então ela foi a força motriz. É o seu papel, né, Gabriel, de acreditar e especificar, definir regras, correr atrás de clientes, porque ela faz a parte de demonstrações, toda a parte comercial. Hoje nós temos uma equipe O Navarro, por sinal, nos apoia eventualmente, porque de certa forma ele optou por seguir outros caminhos, né, uma vez que ele deixou a estrada pavimentada, né, realmente bem pavimentada.

E tem sido uma experiência enriquecedora. Qual o desafio de qualquer produto? Sem dúvida ter uma boa base técnica, zero dúvida, mas conseguir conquistar o mercado você se tornar conhecido e você ter uma decisão de um cliente assinar um contrato onde ele assume responsabilidades, ele tem multa se ele cancelar. É verdade que a gente tem toda uma facilidade. Ah, não gostou, é 60 dias de aviso prévio, e quase nada, né? Porque ele não tem um comprometimento de anos de investimento, não tem isso.

O onboard é muito rápido, mas eu diria que um dos grandes, um dos maiores desafios é você conquistar a base de clientes.

FBFred Beneti

É abrir a carteira mesmo, né? A pessoa é a pessoa confiar, né?

CDCassiano D'Andrea

Confiar naquilo que ela vai usar.

GBGabriel Brasil

Você acha nichar o produto? Porque assim, vou te explicar, o Epic, não sei por que, como eu caí nisso, nunca lembro como é que foi, mas há 9 anos atrás um cliente de laboratório me procurou, laboratório de microbiologia, queria fazer um site para empresa. Contrato de marketing e tal. E aí ele é meu cliente até hoje, cliente e um amigo também. Hoje é amigo. E aí eu conheci filhos, conheci enfim a família. E só para contar que a gente tá nesse tempo todo, ele que me trouxe para a área, para conhecer a área de laboratório, microbiologia e tal, análise microbiológica.

E eu fui, a gente foi entrando nessa área de laboratório aqui, laboratório ali e tal, a gente foi conhecendo mais o mercado. Quando a gente começou com o Epic, que é o produto do WhatsApp, a gente nichou, né, muito nos laboratórios, porque a gente começou a dar mentoria e consultoria para esse pessoal e viu, cara, que tinha muita deficiência em tecnologia, carência, muita carência. Então aí você vai aprofundando mais, você vê que tem uma carência comercial gigante, de falta de processo comercial, é o que o Fred falou, né, que anota no papel, financeiro, enfim.

Eu diria que o pior, cara, é o comercial, né? Porque o cara não saber quanto que ele tá deixando dinheiro na mesa é um problema grave para qualquer empresa. E aí, enfim, o app ficou pronto há um ano e meio, 2 anos atrás. Agora tem uma V2 dele, que é um produto novo praticamente. E a gente, e o produto começou a pegar no laboratório, a gente procurar e entrar cliente e tal. Então a gente foi aprendendo muito com o processo, é, de esse novo processo Primeiro, da mentoria com esses clientes, como a gente ia fazer abordagem com esses clientes, como a gente atingir eles onde machuca, né, que principalmente na parte comercial.

E a galera começou a gostar. O que que a gente faz hoje que a gente não abriu mão ainda? Eu ainda faço todo, todo o onboarding com cliente, assim, o treinamento inicial com o cara. Eu não abri mão disso ainda porque eu tô documentando onde eu posso passar para isso para alguém no futuro, tá? Então a gente tá fazendo esse contato primeiro com cliente, o suporte quando é algo mais dolorido assim, algo que talvez o cara não entendeu, ou às vezes acontece um bug, a gente colocou uma regra de atingir muito rápido, atuar muito rápido, e aí ajuda muito nisso.

Então talvez um processo que tem um bugzinho lá que talvez demorar 1, 2 dias para o dev ajustar, A gente faz toda análise com IA, aplica, o Fred valida tudo que foi corrigido, e a gente sobe talvez no mesmo dia, né? As correções precisam ser feitas. Então tá sendo um projeto, um processo muito gostoso da parte de produto, porque você tá tendo um filho ali que nasceu, que a gente tá nessa fase nova de, em vez só da gente oferecer para o mercado, cliente tá vindo até a gente procurando a gente para resolver um problema, e um nicho bom que é o WhatsApp.

Né, que não dá para— a gente não consegue viver sem WhatsApp hoje. Os brasileiros, eu queria uma ferramenta essencial, eu queria que a galera fosse para o Telegram, na verdade, que todo mundo fosse Telegram, mas ninguém vai. Nossa vida pelo menos seria muito mais rápida, muito mais fácil. Por isso é a curiosidade, tá, de como é que foi seu processo com produto, de como você— se você hoje tem uma vida mais tranquila por não ter serviços na empresa.

CDCassiano D'Andrea

Eu diria muito mais tranquila, mas você não pode obviamente acomodar. O produto não cresce sozinho, você tem que manter qualidade do produto. Então a equipe tem que estar o tempo inteiro atenta para novas funcionalidades, revisar o que já tá feito, atualização de versões, que é uma coisa que pega.

FBFred Beneti

Fazer os bump das versões de framework e tal, né?

CDCassiano D'Andrea

Tem muito framework por trás, né?

FBFred Beneti

Se você esquece assim ou deixa muito tempo, depois é muito doído.

GBGabriel Brasil

E a gente que tá por trás da Meta A gente tem que ficar ligado o tempo todo, cara, que eles atualizam, não avisam não, só vão e atualizam.

CDCassiano D'Andrea

Sim, um dos aspectos que a gente tá olhando agora é documentar a nossa infra. Então eu tenho colocado muito para equipe a necessidade de nós termos um processo de replicação para outros provedores usando Terraform ou similares, para que no caso de uma necessidade Imagina uma situação em que o provedor fica indisponível por mais do que X horas, 4, 5 horas. Você não pode chegar para os seus clientes e falar: sinto muito, eu não sei quando eu vou voltar.

FBFred Beneti

Então, Amazon tá fora aqui, né?

CDCassiano D'Andrea

Quais as chances de Amazon ficar fora? Pequenas.

FBFred Beneti

Mas acontece, aconteceu recentemente.

CDCassiano D'Andrea

Então, mesmo assim, se você tiver um ataque hacker, sim, exatamente. Se nem as entidades americanas FBI, etc., conseguem ter 100% de segurança com relação a isso, como que você vai ter? Você tem várias questões que podem acontecer, né? Então, se você tiver um ataque— eu faço esse exercício com a equipe— se a gente tiver um ataque e o hacker remover a nossa conta, o que que nós vamos fazer? Onde estão os nossos dados?

GBGabriel Brasil

Onde está a saída de emergência?

CDCassiano D'Andrea

Onde estão os nossos dados? Imagina uma situação que ele envolva sua conta e pede um ransom lá, um resgate. Ó, eu quero tanto para devolver seus dados, seus buckets do S3. Então a gente tem que fazer esse tipo de exercício. Por quê? Porque você não pode comprometer a qualidade ou nome da sua empresa. Não é comprometer a qualidade, você pode perder a empresa se você passar por uma situação dessa, se você não tem um plano B, quase que um plano C.

Então eu tenho discutido muito isso com a equipe. O que nós temos que fazer para minimamente termos um plano, no caso uma contingência, no caso de um desastre como esse?

FBFred Beneti

O recovery disaster, eu já trabalhei em empresa que tinha isso aí. A Matera, por exemplo, foi antes, foi 2008, eles já tinham essa noia de, porque é banco, né? Tinha um banco que era um banco inglês Não lembro o nome, não vou lembrar. Era tão absurdo, porque assim, a matéria, ele usava um parágrafo, chama Centura. Você chegou a ver, a trabalhar com Centura?

CDCassiano D'Andrea

Conheço de nome.

FBFred Beneti

É, o Centura fazia software para o Windows, né? Então era cliente, né, cara? Esse banco, quando você gerava a versão, você tinha que gravar num CD, ficava dentro de um cofre no banco. Se aconteceu alguma coisa, esperava o CD para fazer a implantação de novo, cara. Nesse nível, nesse nível. Aí, só para te contar, a gente fez recentemente um negócio no app que talvez você ache legal. A gente tá com muito, as pessoas estão tirando muita dúvida de como usar o sistema, né?

Então o Gabriel dá o treinamento, né? Mas vinha dúvida, tipo, você pode parar para explicar para o cara tal, né? Aí que a gente fez, a gente usou IA para criar um RAG com ela olhando todo o sistema. Então assim, ela olhou todo o sistema, olhou a documentação do sistema, não, não olhou o sistema, o código, tá?

CDCassiano D'Andrea

O código-fonte.

FBFred Beneti

Aí ela gerou os MDs de todas as funcionalidades, tá? Aí disso a gente fez o RAG e o Gabriel foi além Eu não sei que lib que você usou, que ele cria visualmente o que a pessoa tem que fazer.

GBGabriel Brasil

A animação, animação, ela criou uma animação. Então ela leu todo o código, e isso eu fiz com Fable, tá? Então ele leu todo o código do sistema e eu pedi para explicar item por item do sistema o que que fazia. Então dei uma lida no tudo para validar as coisas, e depois eu pedi para criar uma animação de cada feature do sistema. Então, por exemplo, o cara, para criar um template de mensagem na Meta lá pelo app, então ele tem um processo a seguir, regras para seguir e tal.

Então ele criou a animação da telinha abrindo, ele clicando, fazendo tudo ali e tal, explicando embaixo o que que é e passo a passo. O cara pode pausar e tal. Então a gente criou um HAG, é esse ponto que você queria, né? Então criamos um HAG, o cara abre, a gente colocou o nome da inteligência artificial de Gabi. Homenagem a ele mesmo, foi eu que fiz. Aí é meu lado feminino. E aí abriu, ele abre a conversa com a Gabi, pergunta para ela o que que faz, como faz tal coisa, né? Então ele abre a explicação. Você quer ver animação? Clica na animação.

CDCassiano D'Andrea

Mas isso no próprio WhatsApp, no sistema?

FBFred Beneti

É que o nosso sistema é um gerenciador de WhatsApp, né? Então a pessoa ela precisa sair do aplicativo. Agora não, porque a gente vai lançar coexistência, mas ele tem uma tela, né? E aí a pessoa tira dúvida lá. Então, como tem o Hug e como tem esse negócio da animação, cara, o sistema inteiro tá documentado via IA.

GBGabriel Brasil

É legal, é muito legal, cara.

FBFred Beneti

E aí, quando tem uma nova feature, ele já faz para o novo também. Então a gente tem uma skill, a gente reindexa o Hug a cada nova feature, e a cada nova feature tem uma animação E para pessoa é só o nosso, o nosso suporte, ele cai porque tem que ser um negócio muito específico, o sistema não pegou. E o Fable, ele é o modelo mais novo do Cláudio, ele é muito parrudo para fazer isso, entendeu? Ele entende a feature, ele entende as ligações.

GBGabriel Brasil

Mas para quem tá escutando, assim, o legal é que a estrutura disso, o entendimento do código, o Fable fez a documentação. Depois as animações eu fiz com 4.8, que não precisava desse recurso todo, já tava tudo ali. Então ele cria os roteiros da animação e depois ele cria animação. Cara, é animal, porque eu sei que tem gente que tem facilidade de ler, entender a instrução, mas tem gente que gosta de ver um vídeo. Não cheguei a criar um vídeo, criei uma animação, que para mim é melhor que o vídeo.

CDCassiano D'Andrea

Todo mundo é muito visual, né?

FBFred Beneti

Inevitavelmente a pessoa vê o vídeo, ela aprende mais rápido, não tem que clicar. Porque ela tem que clicar em template, aí a barra não tá aberta. Vendo animação, ela vê o ícone que ela tem que clicar.

GBGabriel Brasil

E eu fiz o esquema que assim, quando o cara tá conversando com a Gabi e ela não encontra uma resposta para aquilo, ele já vai para minha base, documenta que não foi encontrado aquela resposta, e ele já vai rodar no Fable procurar a resposta, o que que ele quis dizer com aquilo, procurar no código, ele cria automação, cria documento já e serve. Então esse cara, a primeira vez até sem resposta, a segunda ele não tá.

CDCassiano D'Andrea

Bem interessante, seria legal ver uma demonstração. Quem sabe a gente possa usar no nosso projeto também, nosso produto.

FBFred Beneti

É muito legal porque assim, documentação é muito difícil de fazer, é chato de fazer, demorado, é ainda mais manter, né? Manter, você muda, você joga fora o que você fez, tem que fazer de novo.

CDCassiano D'Andrea

Qual desenvolvedor gosta?

FBFred Beneti

Não gosta ninguém. E hoje em dia não tem motivo para não ter um software documentado. A documentação ela pode ser ruim, que tá verbosa, não sei o que tal, mas cara, Não, não, mas assim, aí ela consegue acelerar isso. Documentação de API faz. Então assim, o sistema nosso, ele tem 4 endpoints só, é só para criar contato, atualizar e mandar mensagem. Então se tiver um outro sistema, que por exemplo Wise, ele manda mensagem para lá, se a pessoa quiser, beleza.

Ou a gente fez uma integração com o sistema Lins, mesma coisa, cara, tá documentado lá. Entendeu? E aí a IA que fez a documentação, ela coloca todos os parâmetros, o que que é cada parâmetro, dá um exemplo de como é o post, tem que fazer, onde que tá o token que tem que pegar. Então assim, muito simples fazer.

CDCassiano D'Andrea

Posso citar mais um caso interessante de uso de IA? E há um tempo atrás eu resolvi colaborar num projeto chamado P5.js. Você já deve ter ouvido falar do Processing. Tem até uma fundação, a Processing Foundation, que é um projeto já antigo. Navarro mexia com Processing anos atrás e era baseado em Java. E aí em algum momento eles criaram esse p5.js, que é o port para JavaScript. E aí ele tem no front-end, é só você acessar p5js.org, alguma coisa assim, jogar no Google, já localiza. p5js, tudo junto.

E eu resolvi dar uma colaborada. E durante uns 3, 4 meses eu fui o maior committer deles, sempre na área de localização, ou seja, a parte de traduções, que é a parte que me interessava naquele momento. E aí eu percebi uma dor deles, que era o seguinte: olha só onde dá para usar IA. Os caras têm no P5JS lá, vou chutar, umas 15 línguas que eles suportam. Português do Brasil, francês, inglês, alemão, mas eles não suportam, por exemplo, russo, não tem japonês, não deve ter norueguês e tantas outras.

São milhares de línguas no planeta, né? E o processo de criação, de localização para uma nova língua, necessariamente envolvia alguém que tem influência naquela língua se interessar pelo assunto Alguém que eu falo, uma pessoa colaborador, né, gratuito, evidentemente, né, um processo de colaboração, open source, é para isso, voluntariado, né. Aí a pessoa se interessava em fazer aquilo, tendo domínio da língua, ela tinha que ter o domínio técnico para poder baixar o software, fazer as traduções, etc., testar no ambiente local para depois fazer um pull request Para depois de algum tempo eles avaliarem.

E pensa o processo de análise: quem nos Estados Unidos, onde fica a fundação, tem condição de saber se aqueles textos em russo, ou em japonês, ou norueguês, ou a língua que for, estão corretos? A chance é minúscula.

FBFred Beneti

Pode ser um troll, né, que colocou um monte de palavrão lá, né?

CDCassiano D'Andrea

Aí dependia de outros colaboradores fazerem a revisão. Ou seja, não é à toa que eles estão lá tantos anos, só tem 15 línguas. Eu parei, pensei nesse problema e bolei uma prova de conceito, que eu pego o código-fonte, pego todas as strings de localização que eu preciso traduzir, mando para IA via API, usei API do Google, peço para ele traduzir dando toda a orientação: evite de usar determinados termos, tente fazer a tradução para o espanhol da Argentina, porque você sabe que tem as pequenas diferenças, como tem português do Brasil e Portugal, sabe?

Então tente fazer a tradução. E aí vinha a resposta na forma de um JSON, eu já copiava para dentro do software da maneira adequada, e em questão de Levava, sei lá, uns 5, 10 segundos para ocorrer o processo. Eu dava um refresh, já via a bandeirinha da língua, clicava na bandeirinha, o software localizado para uma segunda língua. Não obstante, eu falei assim, vou fazer uma sugestão, porque senão esses caras não vão aprovar. Para todas as traduções automáticas aparecia um ícone da bandeirinha do país para os usuários finais poderem clicar abrir um modal pedindo para pessoa sugerir uma tradução, dizendo: a tradução desta frase ou desse texto é essa, você gostaria de fazer uma sugestão?

Abrindo um formulário. E a gente faria uma moderação, e poderia ser até automática, para fazer uma autoatualização no software, de forma que a gente colaborativamente pudesse obter feedback dos usuários que não precisavam mais ser técnicos, porque qualquer um podia ir lá e colaborar. Falei, vocês vão poder aumentar de 15 para 20, para 30, para 50, para 100 em questão de semanas. Basta vocês falarem, queremos aumentar. Mas havia uma regra que dizia que dentro das regras da Fundação Processing eles não aceitavam tradução automática por IA.

E aí entrou nesse embate. E aí chegou uma hora, falei, bom, aí eu não tenho o que fazer, porque eu não tenho como traduzir para o russo. E eu ainda mostrei, ó, tá aqui em russo, japonês, gerei umas 4 línguas diferentes para ter certeza que as traduções estavam razoáveis, já que a gente não tem como saber. Jogava no Google Tradutor, falava, ó, traduz essa interface em russo. E a interface que ele me mostrava em português, em inglês, era idêntica a original, você concluía que com certeza aquilo era melhor do que muitas vezes feito manualmente.

FBFred Beneti

Melhor que não ter também, né? Às vezes tava tão próximo, né?

CDCassiano D'Andrea

Não, e é pior do que isso, porque em alguns casos eles misturavam a língua. Tinha muitas línguas que tinha, por exemplo, português, 95% traduzido, 5% não. Novas features que entravam, eles não tinham como parte do processo garantia as traduções para as línguas já suportadas. Então não era incomum eu localizar várias strings de localização, sei lá, 50, 60, que não estavam traduzidas e que tinha um fallback para o inglês. Então ele misturava as duas línguas.

Gerei um processo para buscar automático e fazer a tradução por IA. De novo esbarrou na mesma discussão.

FBFred Beneti

É que tem novas strings, né? O negócio evolui também, né?

CDCassiano D'Andrea

E aí não, mas era um uso que sem IA é impossível você fazer. Aí, nesse aspecto, aliás, questão de línguas, espetacular, né? Qualquer documento aí, eu não leio, por exemplo, japonês. Se você pega um documento em japonês, um site em japonês, e manda o Google traduzir, é espetacular a qualidade da tradução hoje em dia. Não era talvez 10, 20 anos atrás. Hoje é espetacular, parece que foi feito por uma pessoa especialista naquela língua.

GBGabriel Brasil

Tava testando o esquema da tradução simultânea também.

FBFred Beneti

Conversação, tipo, emite.

GBGabriel Brasil

Não era um mito, mas era o outro cara. Inclusive, se tivesse hoje, tinha me tirado de uma enrascada que eu passei, cara, de um site gigantesco aí. Não vou citar o nome dos caras, mas eles me chamaram para, pô, a gente queria uma reunião com a galera técnica nossa e tal, da Alemanha. Aí me convidaram para o cara, beleza. Reunião, vamos embora. E aí marcaram reunião, eu entrei na reunião um pouquinho, 2, 3 minutos atrasado, em alemão, 2 alemães e o cara, e começaram a falar alemão.

Claro, não entendi bosta nenhuma, nenhuma palavra. E aí o cara, eu fiquei aquela cara de idiota, né, o tempo todo. Mandei no particular do cara, ô cara, preciso sair aqui, e sair da reunião. Passou uma hora depois, ele falou, ó, por que que você saiu da reunião?

FBFred Beneti

Não tinha marcado.

GBGabriel Brasil

Cara, que eu vou fazer na reunião em alemão? Você não fala alemão não? Como se fosse a coisa mais— todo mundo fala alemão, só você que não fala alemão. Teríamos salvado a IA hoje se não fosse.

CDCassiano D'Andrea

Eu tive um caso também de uso de IA. Tô falando de IA porque acho que são casos interessantes que vocês têm muito esse foco, né? Eu tava fazendo dos meus projetos pessoais atuais, né, que é um Eu tô fazendo uma espécie de uma, de um engine de 3D em TypeScript usando HTML Canvas, e um engine relativamente básico, mas que tem uma série de conceitos que eu comecei a estudar. Aquilo me motivou, né, a estudar. E eu tinha usado, não sei se vocês conhecem essa regra, existe uma regra da mão direita e uma regra da mão esquerda.

Já ouviram falar disso? Regra da mão esquerda é assim. Regra da mão direita, que é o padrão, aos eixos, os 3 eixos. Seu indicador aponta para o eixo X, o seu dedo médio aponta para Y, então o dedão aponta para Z. Se você tiver na regra da mão esquerda, você vai ver que inverte, inverte. O Z aponta para cima, o outro apontaria para baixo. Seria isso aqui, ó, isso aqui, isso aqui. E eu não tinha essa noção quando eu comecei a implementar, nem conhecia esse termo.

E fui implementando, fui implementando. Num dado momento eu percebi que eu tinha usado a regra da mão esquerda. E aí as minhas matrizes de rotação estavam todas estranhas. Falava, nossa, tem alguma coisa errada. Eu olho no Google, ele fala que é para usar menos cosseno, mas o meu é cosseno. O meu tá funcionando. Aí que eu fui perceber que eu tava com a regra da mão esquerda. Eu peguei esse código, joguei no Google e falei assim, na IA do Google: meu sistema foi feito com a regra da mão esquerda.

Tinha umas 1.500 linhas de código. Atualize para a regra da mão direita. Eu que tinha desenvolvido 100% na minha cabeça, imaginei, vou passar vários dias para identificar Todo lugar onde eu tenho que mudar sinal de mais para menos vai ser um trabalhão. Vamos ver se aí ela me ajuda, né?

FBFred Beneti

Porque tem que ir linha a linha, né?

CDCassiano D'Andrea

Porque, gente, ele me falou 10 minutos, não, que 10 minutos, 10 segundos. Ele me falou exatamente, não era uma, duas linhas, tô falando de dezenas de lugares, vários métodos, funções. Ó, aqui você usou tal regra, muda de seno para menos cosseno, aqui inverte, aqui faça tal mudança na lógica. A hora que eu avaliei o código que ele havia sugerido, era exatamente o que eu tinha que fazer. Então eu falo para vocês, a produtividade quando você usa IA para coisa certa é gigantesca, animal.

Eu deixei de aprender? Não, ao contrário, eu aprendi novas regras ali com aquela lição, porque além de tudo ele explica tudo que ele tá fazendo. Aqui você faz isso por causa disso, existe uma outra regra assim, assim, assado. Então, via de regra, eu tenho tido uma percepção muito positiva da IA no dia a dia, tanto meu quanto da minha equipe, que eu tenho semanalmente falado desse assunto e até instigado eles a usarem Desde que seja esse uso responsável, com code review, conforme eu já citei para você, né, Gabriel?

E eu particularmente tenho destravado algumas linhas de defensividade, no sentido que eu tenho adotado mais e mais a inteligência artificial, entendendo que ela melhora o meu conhecimento. Ela não faz aquele perigo, eu falei dos mais jovens, de substituir um conhecimento que ele acha que ele não precisa. Ele vê tudo como uma grande caixa preta que se funciona tá bom. Para o hardware dava ser assim, né? Eu te dou um hardware maravilhoso, você não sabe o que tem dentro desse hardware, desse seu laptop, mas você não precisa, você não tem interesse, você não tem conhecimento, não há motivo para você querer entender como o hardware funciona.

Então algumas caixas pretas, ok. Agora, quando você tem um produto de software Não dá por produto ser uma caixa preta.

FBFred Beneti

É que o cara precisa mexer, né? Onde tá o problema? Ele não sabe nem identificar onde tá o belo.

CDCassiano D'Andrea

Aí gera os problemas que você citou: custos excessivos do provedor, que é uma área inclusive que a IA também ajuda a identificar gargalos de SQL, índices que estão faltando, código que tá mal otimizado. Porque tudo isso vai gerar, seja custo na máquina do usuário, seja na máquina da própria Amazon. E eu comentei com você que a gente fez um trabalho enorme de redução de custo na Amazon. Nós reduzimos de, sei lá, em torno de $1.500 mensais para esse mês vai vir $600 e alguma coisa.

FBFred Beneti

Poucas vezes 12, né?

CDCassiano D'Andrea

Contra vezes 12, são os planos de 3 anos, né, trienais. Então, vezes 3 anos, quando você vai ver, são mudanças pequenas, pontuais, e muitas delas com o apoio de IA. Caso de índice de banco de dados é só um caso que eu tô citando. Tivemos outros, né, de lugares onde a IA nos ajudou apontando pontos de melhora. A própria, acho que chama Amazon Q, que é a IA da Amazon que tá integrada com a sua conta, que permite ele ver quanto você paga de fatura, quanto que você tem de acessos, e te dá dicas de como melhorar o custo daquilo.

FBFred Beneti

É porque a conta da Amazon é muito chata de entender, cara, porque é só um serviço, né? O Explorer dele é gigante assim.

GBGabriel Brasil

O responsável pelo UX lá morreu antes de começar o projeto.

CDCassiano D'Andrea

É, realmente tem um problema de UX forte ali.

FBFred Beneti

Vamos para o Zoom Zoom? Antes do Zoom Zoom, só um ponto, Cassiano, é Você tem uma, você trabalha numa ONG, né? Eu queria que você contasse rapidinho como que isso funciona, essa experiência tal, tá?

CDCassiano D'Andrea

Eu já muitos anos atuo numa ONG em Campinas, chama-se CPTI, é uma ONG, uma das mais sérias da, eu diria, do país, né? Claro que não fui eu que criei essa ONG, ela veio na verdade de pessoas ligadas à Bosch, gente assim nível presidência, diretoria executiva. E com o passar dos anos, essas pessoas foram ficando mais idosas, não tinham mais condições de manter, e foram criando as novas gerações. E eu sou parte dessas novas gerações, e eu atuo nessa ONG na diretoria executiva.

Já fui voluntário, já dei aula na ONG, ajudei a criar projetos de robótica, projetos de programação. É uma ONG que fica ali na região do Aparecidinha, perto do antigo Novotel, chama Hotel Premium agora, junção da Bandeirantes, Anhanguera e Dom Pedro, aquele ponto onde junta as três, lado direito, para quem tá indo para São Paulo, ali que tem um antigo Novotel, a ONG fica atrás. Começou com uma, ali era uma ocupação nos anos 90, então as pessoas moravam em terrenos irregulares, e começou como uma creche.

Isso foi crescendo, foi crescendo. Hoje nós temos oficinas de culinária, dança, balé, música e tantas outras oficinas, além de toda a parte social. E a ONG se tornou, na verdade, uma pequena empresa de mais de 70 funcionários CLT. Então, orçamento enorme. É uma pequena empresa, na verdade, bem maior que a minha, né? Bem maior que a nossa, certo? E a dificuldade de toda ONG é conseguir gente capacitada e séria para tocar. Eu sou voluntário há muito tempo lá, eu estou na ONG desde 2010 e como diretor há uns mais ou menos uns 10 anos. E mas eu devo admitir que eu atuo muito menos do que eu deveria ou poderia.

FBFred Beneti

Por quê?

CDCassiano D'Andrea

Porque eu tenho a empresa, minhas coisas pessoais para tocar, e as pessoas que conseguem de fato tocar a ONG são pessoas já aposentadas, pessoas que já têm filhos, já tem netos, etc. Estão em outra fase da vida. Então eu sou, vamos dizer assim, estou me preparando para quando eu me aposentar daqui uns 5, 6 anos talvez conseguir me dedicar muito mais. Mas é uma ONG que eu tenho bastante respeito, porque é uma ONG, inclusive durante 3 anos nós ganhamos entre as 100 melhores ONGs do país pela revista Época.

Estamos falando de gente muito séria, né? Então é uma ONG que faz um trabalho social muito importante, né? E eu ajudo na medida do possível. Realmente o tempo é um problema. O outro trabalho que eu faço social, que a gente comentou antes da conversa aqui, é eu poder dar treinamentos para pessoas que precisam de apoio técnico. E eu gosto muito dessa área de treinamento, e eu acabo que eu dou esses treinamentos para gente que eu muitas vezes nem vou conhecer pessoalmente, né?

Pessoas de outros estados, porque alguém indicou. E qual que é a maior dificuldade? Encontrar pessoas queiram dar continuidade no processo. Por quê? Porque você dá a lição de casa, você cobra. Ó, você leu o livro que eu passei? Você desenvolveu o projeto que eu pedi? Você deixou de usar IA para você aprender a fazer? E você consegue explicar tudo que você fez? E a maioria desses alunos, vamos chamar assim, tem uma tendência muito grande de desistir no meio do caminho.

Mas os que não desistem, eu tenho caso de alunos que estão comigo há mais de 2 anos, É, você acaba dando um novo alento, porque a pessoa muitas vezes se sente perdida num mundo com tanta informação. Se coloca no lugar de um aluno, como é o caso de eu ter um que é de Alagoas, do interior de Alagoas. É, quanto de informação essa pessoa tem em termos de tendências, quais tecnologias estudar, como começar a estudar essas tecnologias com a base que é dada numa escola, por exemplo, pública, de uma cidade do interior de Alagoas.

Então são dificuldades que se você não dá um apoio, a pessoa não sabe para onde seguir. Então esse é um trabalho que eu tenho feito e que eu tenho assim, eu tenho uma sensação de conseguir devolver um pouco para a sociedade aquilo que eu recebi ao longo da minha vida, né? Eu sempre fui uma pessoa privilegiada, estudei inclusive na USP, que é uma escola pública, tive essa oportunidade. E é uma chance que eu tenho de devolver um pouco para a sociedade.

Eu já faço isso há muitos anos, né? É um trabalho que eu me sinto bastante confortável em fazer.

FBFred Beneti

E é a parte técnica mesmo? Então tudo que você basicamente ensina para o pessoal lá no Estante Virtual, você passa para esse pessoal também, ou não? É um negócio mais básico assim?

CDCassiano D'Andrea

Tem de tudo. Tem toda a questão da base matemática que pega, tem a parte conceitual do desenvolvimento de software, mas tem também as questões de comportamento, né? Como se comporta, como fazer uma boa apresentação, como é, começa assim, né? As pessoas não ligam a câmera. Você tá falando com o sujeito, ele tá com a câmera desligada. Você fala, você não vai ligar tua câmera? Ai, não sabia que era importante. Falo, cara, se eu tivesse te entrevistando para minha empresa, eu preciso olhar para tua cara, preciso ver quem é você. Eles não têm nem esse tipo de noção na média. A média.

GBGabriel Brasil

Desculpe, falando com o Bruno. Bruno, ele entra um monte de carro e não liga a câmera.

CDCassiano D'Andrea

Mas já tá empregado, não precisa, né? Ele já tá empregado. E o que não tá empregado vai ficar sem emprego já já, vai ver. Mas é assim, são conhecimentos não só da parte técnica como também a maneira adequada de você manter uma rotina de estudos, você ter a disciplina de— eu costumo recomendar de 1, 2 horas por dia de estudo. Ah, mas eu não tenho tempo. Então, cara, acha esse tempo, sabe? Deixe de jogar videogame. É, ou então vai ficar, pode ser prioridade, né?

FBFred Beneti

Esse negócio do tempo, a gente sempre joga um negócio assim. Então não é prioridade para você.

GBGabriel Brasil

Exato.

FBFred Beneti

Porque se for prioridade, você arruma tempo, né? Não tem jeito.

CDCassiano D'Andrea

Eu tive um caso de um rapaz que me procurou, eu tava dando essa ajuda, etc. Eu vi aqui, ele não tava, ele não tava caminhando. E aí um belo dia toca meu celular, é o pai do menino, menino que eu não conhecia, indicado por um outro menino. Aí o pai falou assim, ah, eu queria saber se você não poderia dar emprego para o meu filho. Falei, olha, como que se chama? Nem lembro o nome dele.

GBGabriel Brasil

Hoje eu ia falar, já tá errado, você veio pedir, ele que tinha que vir.

CDCassiano D'Andrea

Mas tudo bem, vamos entender. Aí eu falei, olha, vamos fazer o seguinte, vamos fazer uma call, eu, você e seu filho, tá bom? Manhã, bom dia. Sim, marcamos uma call. Falei para o menino, abre tua câmera. E eu notei que ele tava numa cadeira bonita de gamer. Aí papo vai, papo vem. Eu falei assim, o sujeito, nem lembro o nome deles, foi anos atrás, você é gamer?

FBFred Beneti

Ele falou, sou.

CDCassiano D'Andrea

Falei, ah, legal. E o pai dele no call, quantas horas por dia você joga? Porque eu sabia que um dos problemas dele é que ele não tinha tempo para estudar as coisas que eu passava. Ele falou assim, vocês vão cair para trás, tá? Ele falou, eu jogo 16 horas por dia.

FBFred Beneti

Que isso, que isso!

CDCassiano D'Andrea

Falou isso na frente do pai. O pai não demonstrou nenhuma surpresa, como se já soubesse disso. Eu falei assim para o pai dele, ô sujeito, eu não sou psicólogo, nunca estudei psicologia, Mas eu acabei de resolver o problema do seu filho. Seu filho não precisa de emprego, seu filho precisa é ter disciplina e começar a estudar, porque eu não contrato pessoas que não têm disciplina. Não é por conhecimento, eu não deixo de contratar por falta de conhecimento, eu deixo de contratar por falta de interesse, por falta de disciplina, por falta de método.

Então seu filho precisa urgentemente rever as prioridades. Bom, menino começou a cair a ficha. Passou alguns meses, ele me procurou. Ó, aquilo que você falou caiu como uma lição para mim. Eu inclusive eu recomendei que ele desinstalasse o Windows. Falei: desinstale o seu Windows, instala o Linux.

FBFred Beneti

Para não ter como jogar, né?

CDCassiano D'Andrea

Exato. Falei: põe o Linux, porque daí você não vai ter a tendência de ficar instalando jogo. Ele falou que fez isso, começou, procurou médico porque ele tava gordinho, ele começou a fazer regime e ele falou: eu tô comendo melhor, eu criei rotina de estudo e agora eu não jogo mais. Você vê, de repente a forma de ajudar é você trazer a pessoa para realidade, não necessariamente você dá um treinamento. Chacoalhão. Bom, os médicos Não fazem isso com a gente o tempo inteiro?

E funciona, né? Quando ele dá um susto, você fala, pô, preciso rever, né, fazer mais exercício, comer melhor, etc.

FBFred Beneti

Bom, vamos, vamos, Cassiano. A gente tá chegando aí a 1 hora e 42 de episódio, né? Então agora vem o momento zum zum zum, que é por causa da abelha, né, a brincadeira da marca, que a gente tenta humanizar um pouco mais a pessoa, né? Então a gente fala muito de de trabalho, não sei o quê tal. Esse momento é mais quem é o Cassiano ali, né? E a gente gosta de— eu gosto de começar muito com dica de livro, assim, o que que você tá lendo, o que que você leu, um negócio que, ah, cara, se fosse dar de presente, né, que livro seria, algo que te marcou, enfim.

CDCassiano D'Andrea

Eu admitidamente não tenho tido muito interesse em ler livros não técnicos nos últimos anos. Apesar que eu já li muito, mas existe um livro técnico, se você me permite, que é gratuito. Se quiser comprar, tem também como comprar, mas ele é disponível na internet, chamado The Nature of Code. Já ouviu falar desse livro?

FBFred Beneti

Não, esse não.

CDCassiano D'Andrea

Esse é um livro, The Nature, A Natureza do Código. Ele é muito legal, ele é escrito por um cara bastante conhecido no mercado chamado Daniel Schiffman. Ele é um livro muito legal porque ele ensina você a implementar coisas da natureza na forma de código. Então, enxames de abelhas, já que nós estamos falando das abelhas, movimentos de planetas, fluidos, como que você implementa atrito. Eu tenho um dos meus projetos bem legais que veio desse livro, como é que você desenvolve fogos de artifício, colisão, deve ter também colisões.

E isso me fez desenvolver dezenas e dezenas de projetos baseados nas ideias que ele traz no livro. Além disso, dá muita dica de matemática, física, né? Fala muito sobre álgebra linear básica, vetores, etc. Ele entra em questões de números aleatórios, até redes neurais ele tem. Então é um livro bem legal, livro técnico, como eu falei. Se digitar The Nature of Code no Google, vocês vão chegar no livro. Acho que é thenatureofcode.com, se não me engano, o site.

Livros não técnicos, eu tenho vários na prateleira. Eu, olha, para não citar, para não deixar de citar um, tem um livro muito interessante que eu li há uns anos atrás chamado Oportunidades Disfarçadas. Nosso amigo Gabriel acho que vai curtir, porque ele é um livro que mostra Quantas oportunidades surgem no nosso dia a dia de novos produtos que a gente não percebe? Então é um livro pequeno, né, fino, Oportunidades Disfarçadas. Bem legal esse livro, não me lembro o autor.

E o Navarro vai gostar da piada. É, nos anos para trás aí, quando o JavaScript não era tão popular, existia um livro que chamava JavaScript: The Good Parts. Deve ter umas 5 páginas. A gente fazia essa piada, porque JavaScript melhorou muito, né? E enfim, era grampeado, né? Era com grampo. Mas é isso aí. Então, The Nature of Code é uma recomendação que eu dou para quem curte a área técnica também.

GBGabriel Brasil

E filme e série, você costuma assistir?

CDCassiano D'Andrea

Cara, eu assisto toda semana, vejo muito Netflix. Um filme que marcou minha vida, não sei se tem hoje disponível na Netflix, talvez tenha, mas uma época particularmente interessante que foi em 1994 quando ele foi lançado, que é o Forrest Gump. Para quem nunca assistiu, não sei se as novas gerações conhecem, meu filho disse que já assistiu, é um filme espetacular, né? Uma época que eu tive muitas transformações na minha vida. Um momento particularmente de mudanças.

E é um filme que me marcou bastante, não sei se pela história. É um filme assim que eu curti bastante, dentre milhares que a gente assiste ao longo da vida, né?

GBGabriel Brasil

Mas enfim, ultimamente eu tô, eu sempre falo, eu tô ruim de assistir filme. Cláudio Costa acabou com minha vida.

CDCassiano D'Andrea

Sério, eu assisto sempre, né? Eu tô assistindo uma agora que eu comecei ontem sobre o jogador de tênis lá, o espanhol Nadal. Eu assisti acho que 2 capítulos, mas é incrível como tem algumas histórias, principalmente de esportistas, né? Tem aquele caso do Giannis, que é um jogador grego, você conhece esse cara do basquete? Eu não lembro se é uma série ou se é um filme, tinha na Netflix.

FBFred Beneti

Espetacular.

CDCassiano D'Andrea

É uma história de superação assim inacreditável. Alguém que saiu do nada para chegar no estrelato. Se não me engano, ele apareceu essa semana num dos jogos da FIFA, da Copa.

FBFred Beneti

É possível, é possível.

CDCassiano D'Andrea

Tava assistindo lá porque ele joga na NBA hoje, né?

FBFred Beneti

Foi campeão, ele mudou de time recentemente.

CDCassiano D'Andrea

Pois é, esse cara tem uma história de superação bem legal. Eu acho que chama Giannis o nome do homem, ou é filme, é série, não me lembro, mas são tantas que a gente vai vendo ao longo do ano. Né? Enfim, se tivesse que marcar uma na minha vida, é filme, Força Grande.

FBFred Beneti

E hobby, Cassiano? Além de programar, eu sei que você gosta muito, até.

CDCassiano D'Andrea

Então, 2 hobbies aí, então, tá?

FBFred Beneti

Eu também falar da programação, o porquê que até hoje, cara, 60 anos aí, gosta muito.

CDCassiano D'Andrea

Por que que eu gosto?

FBFred Beneti

Por que que o que que te motiva ainda a brincar de programação? Brincar assim, né, praticar como um hobby, né?

CDCassiano D'Andrea

É difícil explicar porque assim, eu acho que primeiro é o desafio, né, intelectual. Eu acho super legal você manter, se manter, se desafiar o tempo todo a resolver problemas. Tem a questão da matemática, que sempre foi uma matéria que eu sempre curti bastante. E mas eu diria que tem muito a ver com gosto mesmo de resolver problemas, né? Que gosta, falou que gosta de lançar produtos, criar produto. Eu gosto de resolver pequenos problemas.

Então, sei lá, hoje de manhã eu tava resolvendo um problema de fazer lá uma figura geométrica para desenhar um determinado cotovelo de um, de um do meu projeto de IP5 lá, que eu sei, desculpa, do Canvas HTML. E assim, eu faço isso muitas vezes ao invés de ligar a TV e procurar um canal para assistir qualquer coisa, porque é uma diversão, mas tem muito a ver com o desafio intelectual. Perguntou de hobbies. Eu curto, assim como você, que eu sei, eu gosto de jogar futebol.

Até hoje eu jogo e também entra na zona do desafio porque eu jogo sempre com pessoas mais jovens, idade do meu filho, 20, 30 anos, e acaba sendo desafiador porque você tem que se manter num nível motivacional normal, ter mais dor, etc.

FBFred Beneti

E a própria limitação do corpo, querendo ou não, né?

CDCassiano D'Andrea

Existe a limitação, não tem como negar. Quando você vê um Messi chegar numa final de Copa do Mundo aos 39 anos e o Yamal, que tem menos da metade da idade dele, tem 19, para quem não sabe, tá? Então assim, 19 vezes 2, 38. O Messi tem o dobro mais um. Não é brincadeira. Imagina uma disputa ali tete a tete, os dois disputarem uma corrida. Você tá falando de um cara de 19 com um cara de 39. Então eu passo por isso quando eu jogo.

E não deixa de ser um desafio também. Curto demais jogar, eu acho que é um esporte que eu sempre gostei. Eu vou até o meu limite, até quando o meu corpo não aguentar mais, começar a aparecer muita lesão. As lesões são inevitáveis, vez por outra elas surgem. Aí tem que ter inteligência de parar, cuidar e voltar quando você já tá bem. Se você insistir, muitas vezes você rompe um músculo, piora, né?

FBFred Beneti

Fica muito mais tempo parado.

CDCassiano D'Andrea

Outro hobby que eu tenho, olha, eu tenho, eu gosto muito de ficar com a família, né? Tenho parte da minha família aqui na cidade americana e assim, tá com a família, almoço, jantar, churrasco, socializar, socializar depois do futebol, sabe aquele papo gostoso, resenha de ficar falando de assuntos variados? É uma coisa que eu gosto bastante, ajuda demais assim a você enfrentar esse mundo turbulento que a gente vive, né? Não ficar muito ligado em notícia de jornais, porque eu acho que polui a nossa mente com coisas ruins. Os jornais só trazem desgraça.

GBGabriel Brasil

Tem anos que eu não acompanho, não sei quando é um fato assim acontece que não tem como você fugir e tal, mas eu sou, eu tô bem alienado.

CDCassiano D'Andrea

Eu não chego a estar alienado, mas eu não é atrás, você fica ali se torturando, né? É uma tortura psicológica.

GBGabriel Brasil

Minha fonte de notícia muito hoje assim falando de coisa de assassinato, de essas coisas que eu fujo e tal. É minha esposa às vezes que vem contar, porque ela assiste, então ela vem, ó, você viu o que aconteceu e tal. Política é uma parada que não faz bem, eu abandonei total. Assim, acompanho as coisas, mas uma distância muito maior que alguns anos atrás, e tento me ocupar de outras coisas assim que realmente me afetavam. Eu notei que me afetava mais do que deveria.

E aí eu me distanciei, sabe? É legal não, cara. Minha cabeça é muito bagunçada, já é muito doida para quem—

CDCassiano D'Andrea

mundo conturbado que nós vivemos, né? Então você tem que de certa forma ter um hobby para você sair um pouco do dia a dia. Quando eu tô jogando futebol, é incrível. Qualquer um que faz esporte sabe, ou joga videogame, não importa. Quando você tá no esporte, você não pensa em nada além daquilo. Você não pensa em política, você não pensa nas contas a pagar, você não pensa em nada, se foca só naquilo.

FBFred Beneti

Sabe onde eu desligo? Campo de futebol, na torcida.

CDCassiano D'Andrea

Vai assistir o quê?

FBFred Beneti

O Guarani. Sou bugrino, aí tem um amigo, o amigo nosso que é, mas faz um tempo que eu não vou. Mas assim, o estádio de futebol é o lugar que eu consigo desligar. Óbvio, esporte também e tal, né?

CDCassiano D'Andrea

É pena que tem poucas oportunidades na semana, né?

FBFred Beneti

É. Exato, uma ou duas no máximo. Eu gosto de ir para ficar conversando, falar bobagem. E que assim, o Guarani é um time que você não espera muita coisa dele, né? Tipo, tá na Série C.

GBGabriel Brasil

Mas você já contou para todo mundo que você era um São Paulino que abandonou, abandonou, vira folha?

FBFred Beneti

E São Paulino, mas é, cara, fechou.

GBGabriel Brasil

Mais uma coisa, você quer completar alguma coisa?

FBFred Beneti

Tipo, não sei se você produz conteúdo, alguém pode seguir, quer falar da #View ou ao próprio Net Vacina. Enfim, recados finais.

CDCassiano D'Andrea

Eu tenho, eu tenho o meu canal, que é uma pena que eu devo admitir que eu dei uma desanimada em produzir esse conteúdo, em parte porque primeiro que eu não tenho esses equipamentos maravilhosos que vocês têm, né? Cheguei a comprar algumas coisas legais, microfone profissional, tela verde, etc., mas me faltava acho que um pouco de ideias do que publicar. E eu cheguei a publicar vários vídeos na cara e na coragem, sem nenhuma produção.

Pretendo retomar. Eu acho que eu tenho vários projetos pessoais que eu poderia estar repassando, mas eu preciso um pouco também de, talvez, de inspiração, né? Vocês sabem que dá trabalho produzir conteúdo, evidente, né? Muito trabalho.

FBFred Beneti

Vou te dar uma dica, se você me permite, tá? Você tem um conhecimento técnico muito massa assim, da sua carreira, né? Passou por muita coisa. Tem um vídeo que viralizou de um engenheiro da Thalassia que faz o Gira, que foi demitido. Você viu esse vídeo dele?

CDCassiano D'Andrea

Não vi.

FBFred Beneti

Então o cara, ele foi demitido da Thalassia, tá? E ele não fez um vídeo falando mal da Thalassia, nada. Ele só falou assim, tipo, eu fui demitido Vou contar umas coisas más que eu fiz aqui na Thalassa, né? E aí, Cassiano, ele pega e conta como foi toda a decisão arquitetural que ele precisou fazer na Thalassa, qual que foi o desafio e o porquê das coisas. Eu particularmente acho esse conteúdo muito, muito difícil de fazer, porque você precisa de bagagem técnica e você precisa saber simplificar.

Eu acho que você tem essa parada de, pô, eu lembro uma vez que você deu um Era Tech Talk, como chama o negócio?

CDCassiano D'Andrea

A gente tem toda semana, ainda tem.

FBFred Beneti

Então toda sexta-feira, 15 anos, ainda tem, cara. E marcou muito que foi o negócio da Ghost Class do Ruby, uma parada que na época lá, cara, pô, sabe, você vê novidade. Não, e não só novidade, né, o jeito que você explicou ali na época marcou bastante coisas que a gente conseguiu de novo, atuando ali nos projetos, tá? Então, às vezes, a dica é o conhecimento avançado, o ensino de conhecimento avançado é muito difícil na internet.

Na internet você acha coisa muito rasa, superficial. O técnico avançado que precisa de contexto e o porquê das coisas, eu acho muito rico, porque quando eu preciso estudar é esse tipo de conteúdo que eu procuro, e é difícil de achar. Então, por exemplo, canal da IBM. IBM tem um canal que é muito bom. Então, quando a gente fazer o RAG para cliente, uma das fontes foi o canal da IBM, foi o blog da IBM, foi um curso lá no Deep Learning lá, que é do cara de IA, que eu comprei para assistir 2 módulos, que o resto eu já sabia, entendeu? Porque é conteúdo técnico muito avançado, profundo, que não tem, cara.

CDCassiano D'Andrea

O Fred Eu agradeço muito aí ao seu apoio, as suas palavras de apoio, mas assim, é um desafio enorme ensinar. Eu, como dou treinamento, não chega a ser diário, mas é praticamente diário, né? Inclusive eu dou treinamento para clientes. É um desafio enorme. Por quê? Porque você não sabe quais são os, a base daquele, do seu interlocutor. Do seu aluno. Então você achar a medida certa das coisas é muito difícil. Uma coisa é eu sentar com o Fred ou com o Gabriel e falar assim: eu vou ensinar vocês a desenvolver Ghost Classes em Ruby.

Mas eu consigo perguntar o que vocês já sabem, etc., e a partir dali ensinar. Agora, quando você vai na internet, você não tem essa oportunidade. Então Se você assume que o teu aluno, o teu leitor já sabe aquilo, ele vai se desinteressar porque ele não tem a bagagem. Se você explicar muitas coisas óbvias, ele vai se desinteressar porque ele acabou vendo coisas que não tem a profundidade naquilo que ele quer. Então achar esse ponto ideal, o ideal é claro, é montar vídeos correlacionados.

Ah, se você quer conhecer mais desse tópico, Clique nesse vídeo. A gente sabe disso, mas leva tempo para você produzir tudo isso. Então é um processo gradual, lento, exige muito, muita energia de quem prepara. Eu, por exemplo, tenho dificuldade para fazer edição, né, porque demanda tempo, demanda conhecimento técnico das ferramentas. E esse é um ponto fraco. Se tivesse alguém para fazer, já me ajudaria.

FBFred Beneti

Mas aí tem uma outra dica que é o seguinte, sugestão também aqui, né? A gente tá gravando um conteúdo, tá indo para 2 horas e a gente falou de vários temas, certo? Amanhã, quando a gente publicar, eu pego essa transcrição, jogo para IA e ela quebra em capítulos para mim. Então nada impede você fazer um vídeo de 2 horas onde tem os capítulos que a IA consegue falar isso aqui.

CDCassiano D'Andrea

O sujeito pode ir para o capítulo que interessa.

FBFred Beneti

Então assim, esse aqui eu eu preciso nivelar todo mundo, então isso aqui eu preciso falar, mas você pode passar para o próximo capítulo aqui. E aí te dá a minutagem, cara, você copia e cola.

CDCassiano D'Andrea

Aí o próprio YouTube faz isso, o YouTube te dá transcrição.

FBFred Beneti

Aí o capítulo eu uso o Clod para fazer, entendeu? Eu baixo a transcrição e jogo no Clod para fazer, ó, a gente falou de um monte de coisa aqui, separa em blocos para mim, me dá minutagem. Então você entrar depois, a hora que a gente publicar Você vai ver, tá lá, tem uns capítulos, vai ser exatamente o tempo. Então tem gente que, sei lá, não vai querer saber da ONG, por exemplo, vai pular. Tem gente que vai querer saber, sabe, vai ter um amigo nosso, o Fernando, ele fala que ele vê os capítulos, ele vai vendo por capítulo, vai no que interessa, porque ele não consome tudo de uma vez, né? Ele vê, vai capítulo a capítulo.

GBGabriel Brasil

Cara, a gente fez um, eu fiz recentemente um esquema de edição com IA, mesma coisa, pega a legenda, ela vai entender os trechos Ela vai cortar nas suas falas e usa aquele FFmpeg.

CDCassiano D'Andrea

Aí é, o meu canal chama-se Dev Train, é Dev de desenvolvedor, Train não é de— ele é um trocadilho, trocadilho, porque ele é de treinamento, mas também o meu logo é uma locomotiva, porque a ideia é que você— inclusive a frase, da frase que eu coloco é embarque na jornada do conhecimento. Então a ideia de você começar a popular alguns pré-requisitos para chegar em conhecimentos mais avançados. É como eu falei, é uma questão de motivação.

Eu parei de produzir porque me faltou motivação. Teria que retomar isso aí, mas basicamente é isso.

GBGabriel Brasil

Luciana, muito obrigado por ter vindo, foi massa demais o papo. Pô, demais! É isso.

FBFred Beneti

Agradecer também, Cassiano. Obrigado. São 2 horas de papo. Espero que você tenha curtido aí.

CDCassiano D'Andrea

Curti, agradeço demais. E achei espetacular aí a conversa. Primeira vez que eu tenho esse tipo de conversa gravada assim, apesar de ter canal, né?

GBGabriel Brasil

Nem pareceu que foi a primeira vez.

CDCassiano D'Andrea

Não, mas foi, foi. Existe uma dificuldade inerente de ser a primeira.

FBFred Beneti

Valeu.

CDCassiano D'Andrea

Eu agradeço muito pelo convite.

GBGabriel Brasil

Valeu.

FBFred Beneti

É, pessoal, quem ficou aqui com a gente até aqui, muito obrigado. Não esquece do like, do comentário. Infelizmente a gente é refém do algoritmo, precisa do engajamento. E se você que tá ouvindo aqui pelo Spotify, não esquece de deixar 5 estrelas também, deixar um comentário lá para gente, passar esse conteúdo para alguém. A partir disso, Gabriel, valeu demais, galera.

GBGabriel Brasil

Muito obrigado mais uma vez pela companhia e até o episódio 25. Até mais, valeu!