#08 | A Mente Mente
A frase mais precisa já dita sobre a mente é: a mente mente.
Ela tem poderes incríveis, mas para você acessar precisa atravessar as ilusões que ela cria para te "proteger".
Essa pseudoproteção, que culmina em muito arrependimento, vem de "racionalizações", que parecem lógicas, que têm cara de coerência, mas são visões limitadas ou distorcidas da realidade que nos afastam das realizações que desejamos pras nossas vidas.
E é isso que paralisa muita gente, antes de fazer a prospecção de clientes para o seu negócio, antes de gravar o primeiro vídeo, ou de se manter gravando os vídeos no intento de criar sua audiência, é isso que te afasta das palestras que você poderia vir a fazer...
Neste episódio, Marcelle compartilha uma crise de ansiedade recente e o que a tirou dela. E junto com Alex, mostram como se desfundir dos próprios pensamentos para ganhar o poder de analisar as verdades, as racionalizações e tudo o que a tua mente cria, para trazer para essa mesma mente o comando de criar aquilo que você deseja que venha a existir.
Você não é o seu pensamento. Você é quem observa.
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Alex
Marcelle
- Medo e AnsiedadePerda de cliente importante · Gatilhos de sentimentos antigos · Pensamento negativo e espiral descendente · Técnicas de respiração · Escrita terapêutica
- Expressão pessoal e terapiaLimpeza e ordem mental · Observação e análise de pensamentos · Teoria da inibição emocional · James Pennebaker
- Abraão· ReligiaoZona de conforto vs. evolução · Missão e propósito de vida · Vulnerabilidade e conexão humana · Imperfeição e inacabamento humano
- Domínio da MenteIlusões criadas pela mente · Racionalizações distorcidas · Senhor Sabota/Censor interno
- Sedentarismo cognitivoDistanciamento dos pensamentos · Interpretação vs. realidade · Neuroplasticidade
- Comparação e ego nas redes sociaisImpacto na saúde mental · Ilusão da conquista rápida · Modelo de negócio das plataformas · Lifestyle de influenciadores
Eu acho que todo conceito ou ideia absoluta demais é um problema. Essas ideias, sabe, que não podem ser questionadas. Porque são as perguntas que melhoram o mundo. É quando você se permite olhar para alguma verdade absoluta, uma crença que a gente tem, e se pergunta: será? É nesse momento que você, numa resposta mais aprofundada e sincera, descobre coisas extraordinárias. Principalmente se essas coisas são sobre nós mesmos, sobre você mesmo.
Nós costumamos ter um jeito de olhar para nós quase sempre distorcido. Fantasioso, às vezes até cruel demais. Eu costumo dizer que as pessoas que ainda não desenvolveram um lugar de autoexpressão, ou pelo menos que não estão no caminho desse desenvolvimento, aquelas que estão estagnadas, paradas mesmo, é porque elas estão sendo vitimadas por um agente interno que eu chamo de Senhor Sabota. Você pode chamar também de censor interno.
É mais uma artimanha da nossa mente para nos proteger. Olha só, esse cara sempre tem umas coisas bem desagradáveis para nos dizer, ou então ele diz coisas muito lógicas, sabe? Mas essas coisas nos seguram no lugar da paralisia. Que vai virar arrependimento um dia. A bem da verdade, todos nós temos um carinha desses habitando a nossa consciência. Mas para algumas pessoas ele fala lá da última fileira do teatro, sabe? Aí fica assim baixinho o som da fala dele.
Ele tem pouca interferência. Agora, pra outras, ele tá gritando mesmo, de cima do palco, junto da gente, aqui, ó, no ouvido, do lado, impedindo a nossa autoexpressão. Hoje eu vou contar sobre um episódio de crise de ansiedade que eu tive. Pois é. Vou falar porque é um jeito de eu analisar o poder dessas vozes na nossa cabeça, esses pensamentos, ou prefiro chamar de racionalizações. E só que eu quero que você entenda essas racionalizações entre aspas e de um jeito bem pejorativo, tá?
Porque eu gostaria de, junto com você, diminuir a importância dessas específicas racionalizações. É que a gente costuma dar importância demais à razão das coisas. Agora, outra ressalva importante: não que a gente não tenha que ser racional, pelo amor de Deus, não é isso. Óbvio que a razão é importante. Né, a razão traz prumo para a vida, mas eu tô falando dessa argumentação lógica e não verdadeira, aquela que parece uma racionalização coerente e não é, e que te afasta de experiências e processos que viriam para te fazer desenvolver a criatividade.
Sabe? Ou então que nos faz incorrer num tipo de olhar para o mundo que não vê saída, porque logicamente às vezes a gente não enxerga de pronto. E esse lugar atrapalha a fé. E a vida é incerteza, ou seja, se a vida é incerteza, A gente precisa acreditar. Enfim, não existe criatividade sem risco, mas essa racionalização, de novo, entre aspas, nunca vai nos permitir o risco. Enfim, antes de voltar para essas análises e investigações sobre os nossos pensamentos, quero então te contar mesmo como que essa crise de ansiedade instalou-se em mim, a partir dessas razões e conclusões absolutas.
Naquele dia eu tava com muitas tarefas. Aí o Alex me disse que uma das nossas contratantes, das contratantes aqui da produtora, tinha mandado uma mensagem e queria uma call, uma reunião com nós dois juntos. E ele fez um comentário enfático, assim, de preocupação, sabe? Tipo, vixi, lá vem! Era o nosso cliente mais importante, a conta mais alta que garantia a maior parte do nosso faturamento. Claro que era preocupante! Ia ser complicado demais se a gente perdesse o cliente.
As coisas iam realmente ficar tensas. Aí eu penteei o cabelo, passei um batom e fui para frente do computador junto com ele. Entramos no Meet e a pessoa que é a nossa contratante, quer dizer, que assim, ela é uma intermediária, ela também é contratada e nos contrata, tá? E ela é nossa amiga. Era ela que fazia a tratativa com a gente e era com ela que a gente ia conversar. Os olhos dela estavam cheios d'água, ela já tinha chorado muito.
E aí trouxe a notícia dizendo o seguinte: não sei o que aconteceu, gente. Meu contato lá no cliente disse simplesmente que foi ordem do CEO, que não tem nada a ver com a qualidade do nosso trabalho. Pelo contrário, o trabalho foi muito elogiado, mas ele não quer mais o produto. Simples assim. Eu gelei, né? Era de fato uma notícia muito ruim. Mas como a minha amiga que tava ali na minha frente, que também era contratada, como ela tava destruída daquele jeito, não tinha como eu sucumbir naquele momento.
Eu precisava acolhê-la. E foi o que eu fiz. Bom, assim que terminamos a ligação, aí eu olhei pro Alex e foi a vez dele de dar uma baqueada. Eu, surpreendentemente, tava bem. Acho que foi o choque, eu não sei. Tinha alguns dias que eu vinha lendo um livro muito poderoso, um livro que me apresentou um método de uma abordagem da psicologia com fundo espiritual. Um livro, ele até, vou dizer o nome que eu acho importante para deixar aqui para vocês, chama O Método de Phil Stutz.
Nossa, esse livro é genial, tem me ajudado muito. Bom, a lembrança daquelas mensagens do livro me fortaleceu de verdade naquele momento. Mas aí depois, imediatamente, o cérebro começou a funcionar buscando soluções. E no calor dos fatos, inclusive impulsionada pela adrenalina, a mente meio doida, com muitas ideias, no impulso, eu até mandei umas mensagens para algumas pessoas, alguns contatos. Apaguei depois. Eu sei que esses arroubos impulsivos podem ser bem ruins e o arrependimento pode ter um gosto amargo.
Né? Eu acho que tomar iniciativas assim no calor de uma, de um momento de dificuldade é ruim. A gente precisa organizar a mente primeiro, sabe? Mas eu continuei o dia bem. E no segundo dia também, surpreendentemente, eu fiquei bem. Só que à noite, no segundo dia, eu tive uma reunião online. E aí, nessa reunião Gatilhou, vem um gatilho forte de sentimentos antigos com aquele pano de fundo daquela situação que ainda estava sem solução, que ainda não tinha sido resolvida.
Começou a funcionar uma espécie de tic-tac de uma bomba relógio. O que tava no inconsciente começou a querer ganhar espaço na mente. Olha só, gente, Pensamento também é hábito, sabe? A gente tem costumes, jeitos de pensar, um jeito que a gente foi treinando com a vida. Já tem um tempo que eu venho tentando um treinamento diferente, impulsionada por esse livro, enfim, por outras técnicas. Mas os novos hábitos do pensar, quando foram confrontados com uma realidade assim mais difícil de lidar, foram perdendo espaço.
O pensamento negativo foi ganhando protagonismo e me puxando devagarinho, quase sem eu perceber, para uma espiral descendente, direto para uma crise. Eu tentei resistir buscando esse treinamento, sabe, os pensamentos positivos e tals, mas o fato é que Quando a demanda emocional de uma dor, ela é grande demais, o cérebro vai atuar no lugar que ele já conhece, porque com a ativação da amígdala, com a liberação do cortisol e da adrenalina no sangue, tudo fica mais complicado de controlar também.
Nesse momento, eu entendi que estava no meio de uma crise de ansiedade. Mas olha que interessante, A consciência do fato vem antes do fato em si, e isso é o mais importante. Porque se o pensamento positivo fica difícil nessa hora, e ele realmente pode perder o jogo para os pensamentos negativos, sabe, existem outras medidas que podem produzir uma virada nesse jogo. Mas antes de eu continuar essa história, eu preciso fazer uma ressalva.
Te dar um conselho importante. Se você tem crises frequentes de ansiedade, é muito importante buscar ajuda médica, tá? Também é importante de repente buscar alguém, uma pessoa, uma alteridade. Alteridade, que é diferente de autoridade, tá? Alguém que possa te acolher nesse momento. Porque nesse momento você precisa sair um pouco de dentro da sua cabeça, começar a nomear as coisas que você vê no seu ambiente, é um caminho, sabe?
As coisas que estão na sua paisagem. Isso vai te ajudar a interromper esse fluxo interno, essa produção de cortisol e de adrenalina. Voltando para a história, naquele dia eu usei uma técnica de respiração que consiste em inspirar Segurar e expirar em 5 tempos. Você inspira e conta 5 tempos, depois segura com o pulmão cheio também por 5 tempos, e aí solta em 5 tempos e segura com o pulmão vazio por mais 5 tempos. E aí vai repetindo e repetindo.
Foi o que eu fiz até que o mal-estar começou a ceder, a diminuir. Mas como os pensamentos de culpa, os cenários catastróficos acabam voltando para minha mente, eu já sei disso, eu me conheço. O que foi que eu fiz? Eu busquei meu caderno e minha caneta. Gente, para mim essa é a medida mais poderosa. Escrever é o me devolve a lucidez, sabe? Quando eu simplesmente derramo no papel tudo que vem na minha cabeça, primeiro eu promovo uma espécie de limpeza, de ordem.
Os pensamentos, eles estão acelerados, mas como a velocidade da escrita é mais lenta, isso por si só já ajuda no processo de diminuição da ansiedade. Só que o que é ainda mais interessante dessa prática É a capacidade que a gente ganha de observar mesmo o que tá acontecendo na mente, fazer uma análise mais distanciada e mais assertiva do que tá acontecendo ali, daquele pensamento produzido. Ou como eu chamei antes, da racionalização.
Porque a frase mais certa já dita sobre a mente é: A mente mente, e a gente precisa recuperar o lugar de senhor, de senhora da nossa mente, né? Recuperar algum controle para inclusive ter a chance de desfazer algumas mentiras mais astutas, mais elaboradas, que a nossa mente pode ter criado sobre quem a gente é, sobre o que a gente fez, ou sobre as nossas capacidades. Nós não somos o nosso pensamento e aquela interpretação de mundo daquele momento.
E isso, além de recuperar, de nos ajudar a recuperar nossa saúde mental, o equilíbrio da química, também vai nos dar mais tônus para superar os desafios e chegar naqueles lugares de desenvolvimento que a gente projetou para gente mesma. Seja na comunicação ou em qualquer outra área da vida. Porque a gente merece. Porque você merece.
Oi, eu sou o Alex.
Oi, eu sou a Marcelle.
Esse aqui é o lugar mais quentinho do Você de Bem com a Câmera. É um lugar que a gente criou para o acolhimento, para o diálogo, sobre o que nos atravessa quando o assunto é expressão e comunicação. A gente acredita que todas as pessoas são criativas, que todas as pessoas podem desenvolver o seu carisma a seu modo, ou seja, todas as pessoas são pessoas comunicadoras. É uma grande honra e uma alegria imensa para a gente ter a sua audiência.
Por isso que o nosso compromisso em trazer processos agregadores para o teu desenvolvimento, para tua comunicação, só aumenta a cada episódio. E se o nosso conteúdo tá fazendo diferença na tua vida e você acha que ele merece chegar em mais pessoas, eu vou te pedir que você ajude o algoritmo a entender essa relevância. E você faz isso comentando os episódios. E aproveita para dizer também no comentário o que você mais gostou ou o que você sugere de assunto para um novo episódio.
E também faça a avaliação do nosso canal, dê lá suas 5 estrelinhas para gente, tá bom? E toda semana a gente tem um episódio novo, então aproveita para se inscrever para receber a notificação quando a gente lançar um novo episódio. Se comunicar com criatividade e liberdade é algo importante para você, puxa uma cadeira que o papo vai começar.
Pois é, imagina a gente assistindo um filme. Quando a gente tá vendo o filme, a gente tá vendo o mocinho correndo, né, no momento de tensão, de adrenalina, e de repente a gente tá produzindo no nosso corpo aquelas sensações, dependendo da pessoa, ela mergulha tão fortemente naquela emoção daquele filme que ela se funde com ele. Essa fusão com o pensamento é o que produz a emoção. Existe o caminho inverso também, a emoção que produz o pensamento.
Esse lugar é o lugar que eu quero realmente trazer para nossa análise hoje. Existe um termo da psicologia que é É o termo defusão cognitiva. A possibilidade de você se distanciar do que a mente está produzindo para poder olhar para esse lugar com alguma capacidade de análise. Quando a gente está pensando assim, tipo, no meio de uma crise ou diante das nossas crenças, aquelas que nos levam à paralisia, condicionamentos, tipo, a certeza sobre as nossas incapacidades, por exemplo.
A gente mergulhou e se fundiu numa realidade ou na nossa interpretação de um fato. A interpretação de um fato, um pensamento, é só um pensamento, ele não é o fato em si. Imagina o fluxo de um rio agora. O fluxo de um rio como os pensamentos, tá? É um pensamento que puxa outro, que puxa outro, e aí você tá nessa levada, descendo com esse rio que vai terminar ali na cachoeira. A cachoeira é o mergulho definitivo num lugar de ansiedade ou de depressão, sei lá, ou daquela crença definitiva e absoluta que te enrijece, que te prende num lugar.
A defusão É a possibilidade de você pular para margem e começar a olhar para esse pensamento de fora, entende? O pensamento não é a realidade necessariamente, o pensamento não é você necessariamente, ele é uma interpretação. E essa, isso é um pouco a função das terapias, sabe? Quando a gente faz terapia, o terapeuta tenta nos levar para esse lugar, mas às vezes a gente não tem a chance de fazer a terapia. Ou então, quando a gente tem essa consciência desse movimento, no meio de uma crise, longe do terapeuta, você pode produzir, de repente, essa possibilidade de afastamento, sabe?
De distanciamento para poder olhar para esse lugar que a tua mente está produzindo. E tentar entender se é uma verdade ou se não é. Conclusões definitivas sobre as nossas habilidades. Gente, se tudo é processo, se tudo é treino, ter uma mente saudável é o passo mais importante para construir uma habilidade. E o que é que a mente saudável te diz? Que você é passível enquanto— vamos entender a neuroplasticidade como conceito da ciência definitivo e para todas as idades, porque a gente vê a neuroplasticidade na criança.
Nossa, criança tem o cérebro fresquinho e aí aprende tudo com muita facilidade. Na verdade, tá provado cientificamente que os cérebros mais maduros também tem neuroplasticidade. Agora, se a gente se funde numa interpretação e numa crença absoluta de que não, isso não é possível para mim, eu não vou fazer um movimento, eu não vou entrar em ação, eu não vou dar a chance para o meu cérebro dele experimentar. A neuroplasticidade.
E olha só, né, tem uma diferença no peso de como você faz esse pensamento, né? Se você pensa: eu sou incapaz, isso é um peso. Ou: tô tendo um pensamento que me diz que eu sou incapaz, isso tem um outro peso, uma outra maneira, né? A gente tem uma mente que é tagarela mesmo, que fica ali falando com a gente o tempo tempo todo, ela pode ser muito astuta, né, muito inteligente nessas criações que ela faz. E por exemplo, ela pode ficar ali na tua orelha falando sobre o engajamento dos vídeos nas redes, ela pode falar sobre uma pretensa realidade na comparação com os outros.
Nossa, isso é bem importante, porque aqui a gente tá falando do malefício dessa era. A comparação nas redes sociais. Por que que a rede social ela gera doença mental? Ela atrapalha a saúde mental? Porque é o processo de comparação. E aí vem algumas frases absolutas de alguém, tipo, sabe, meio como a relação das bets hoje em dia? Essas pessoas que dizem, ah não, mas é só você não entrar nesse jogo. A bet existe, mas você pode simplesmente decidir jogar um joguinho, é o autocontrole.
Cara, a comparação, o lugar do vício para determinadas mentes é muito complicado. Então quando alguém vem e diz, ah, é só não se comparar, para mim ele tá cometendo uma falha, porque o contraste acontece necessariamente. E se você não tá preparado, e quase ninguém tá, pra lidar com esse contraste, ele vai gerar um problema. A história das bets, aproveitando pra falar um pouquinho disso. A gente tem classes sociais de dificuldade extrema de acesso a determinados objetos, coisas, e o desejo é natureza humana.
Todo mundo quer, deseja obter determinadas coisas, sabe? O que é difícil para o humano? Compreender que existe um tempo de conquista para qualquer coisa. A gente tende à ilusão da conquista rápida, da solução mágica, da solução para amanhã. E o que o jogo te traz como oportunidade, como possibilidade? Não é a diversão. As bets, elas vendem na publicidade uma diversão, o esporte. O jogador, aquele que começa um processo complicado, uma relação dolorosa e disfuncional com esse lugar, ele não tá buscando o jogo, ele tá buscando o dinheiro rápido, né?
O ganho grande e rápido.
O ganho grande e rápido. E dizer que tá na mão das pessoas esta decisão Isso aqui para mim, cara, é até uma falha moral de quem pensa assim, porque essas pessoas simplesmente não conseguem fazer o exercício empático real de quem não tem, de quem não tem oportunidade, de quem tem difícil, real difícil acesso às coisas, que tem uma rotina dolorosa de trabalho muitas vezes. Para essas pessoas, o jogo aparece como oportunidade de resolver vida, e não é.
E ainda, se essas plataformas de jogo fossem realmente justas, né, tudo bem, você até teria um controle sobre isso. Mas elas são feitas para que você perca, né, para que você se envolva primeiro e para que você perca. Então não tem nem como você dizer jogue com parcimônia se o troço é feito para você se viciar e perder desse jeito.
Exatamente, é um modelo de negócio. Como é que eles ganham dinheiro? Com os outros perdendo dinheiro. Então a concepção, a estrutura do negócio já é visando o malefício do outro. Meu Deus, né? A rede social, ela também é feita para esse contato com a vida do outro. E o influencer, ele Ele tem que criar situações para gerar estímulo. É onde as pessoas se projetam enquanto ideação de vida, sabe? Eu gostaria de ter aquele corpo, de ter aquela casa, de ter aquele relacionamento, de ter as coisas.
Vamos de novo no desejo humano, tá? E aí você tá influenciando. Principal modelo do influencer é o lifestyle. E esse lifestyle, para algumas pessoas, precisa de tempo. Para algumas pessoas, não para todo mundo, né? A gente precisa de tempo de construção para obtenção de um determinado objeto, benefício, enfim. E para cada pessoa é diferente. Então, estar nas redes é viver este contraste, é ter que administrar a relação com este contraste.
Mas dependendo do teu momento de vida e e do quão jovem você é, você está mais suscetível. E aqui, assim, a gente tem o objetivo e a função de trabalhar a autoexpressão dos nossos alunos, a gente tem uma relação comercial com esse lugar também. Então eu faço essa fala buscando a consciência de que sim, é possível lidar com esse lugar, para que você divulgue seus produtos, seus serviços, para que você realmente estabeleça também um lugar de influenciador.
Porque nada é uma coisa só, não é só para o bem ou só para o mal. Mas se você vai influenciar alguém, que seja uma influência positiva. E assim, a influência que eu quero deixar aqui é para essa relação com a rede social também de controle. Se eu tenho a chance eventual de observar, olhar os meus pensamentos e o que eu tô produzindo na mente, eu também posso observar minha relação com meu consumo de vídeos nas redes sociais para um gerenciamento mais saudável.
Quanto tempo eu passo? Qual é a qualidade da minha energia depois que eu saio desse lugar? Como que eu me relaciono e como eu Eu tenho também como objetivo na vida estimular as pessoas para que saiam do simples lugar de consumidor, né, que é o lugar onde você tá no fluxo sendo levado pelo que a rede produz, para o lugar de criador, de influenciador positivo. Então também eu gostaria de dizer, eu acho importante dizer para você agora que tá ouvindo a gente que Existe uma forma de consumir vídeos que é mais analítica, que é a partir dessa observação entender o que você pode trazer para tua própria fala, para o teu lugar de expressão, para construção do teu vídeo, de um jeito mais observador, analítico mesmo assim, sabe?
Não só no flow e sendo motivado a sentir a emoção que alguém está ditando para você. Você pode ser a pessoa que organiza a emoção dos outros a partir de um lugar positivo de influência. E porque a gente tá falando sobre ser observador, quero voltar para o ponto mais importante dessa nossa conversa hoje, que é a observação do nosso pensamento. O que é que eu faço e que me ajuda sobremaneira para lidar com esse fluxo de pensamento intrusivo ou do pensamento negativo, que é mais difícil de lidar, é a escrita.
Como eu contei na história, a escrita expressiva ou escrita terapêutica, ou como eu prefiro chamar, o meu caderno da expressão essencial, É o meu reduto de conversa comigo mesma, porque nesse lugar eu realmente ganho uma qualidade muito especial de observadora do que a minha mente produz. Primeiro, eu derramo mesmo, sabe? Eu coloco no papel tudo que tá ali. E como a gente acaba não conseguindo, isso é muito curioso o que acontece, a gente acaba não conseguindo ficar tanto tempo na lamentação, na reclamação, no lugar do ressentimento, porque começa a ficar meio bobo aquilo que a gente tá dizendo.
Enquanto ele é só pensamento, ele vai levando a gente nesse fluxo de rio. A hora que você transfere pro papel e você olha praquilo que você produziu na mente, Você ganha um outro lugar de observação e aí você começa a dar conselhos para você mesmo. Isso é muito curioso. E como eu já observei isso nos nossos alunos, é engraçado falar nossos alunos, às vezes eu me sinto um pouco terapeuta, sabe, desse lugar, não sou. Mas é muito interessante observar como muda a qualidade energética até da pessoa.
Se ela está produzindo e transferindo a relação com a ruminação, com a crença, com a incapacidade, né, com aquela ideia absoluta, ela realmente ganha uma espécie de arrefecimento, ela perde força.
Você joga luz sobre, né, quando você ilumina um aspecto, aquilo que parecia ser um monstrão, a hora que você ilumina vira um ratinho, né?
Muito isso, você tá botando luz. Que era escuridão. A tua mente tá produzindo escuridão, você transfere para o papel, você tira do lugar escuro, você põe a luz, aí você enxerga. E a partir dessa luz você também começa a trazer conselhos e um jeito de organizar esse pensamento de forma mais saudável. Claro que buscar a alteridade, o conselho de fora, terapia, a boa leitura, tudo isso ajuda numa construção de uma crença mais positiva.
Mas esse lugar, e é um lugar de criador, a gente tava falando sobre ser consumidor ou ser criador. Quando você está escrevendo, você está criando. E se você está criando qualquer coisa que seja, você tá no caminho da criatividade, da, de trazer ao mundo algo novo.
E se torna um treino, né? Você tá escrevendo, você tá treinando a escrita, e isso vai te trazer a habilidade de escrever ao longo do tempo, que também é o primeiro passo para habilidade retórica da organização da fala.
Mas a ciência valida isso também.
Exatamente. Já lá na década de 80, o psicólogo James Pennebaker, da Universidade do Texas, que fica lá em Austin, Ele fez um experimento super simples, né? Ele pediu para os estudantes dele escreverem 4 dias, por 4 dias seguidos, durante 15 minutos cada dia, e escrever sobre o momento mais difícil que eles já tivessem vivido até aquela altura do campeonato, sem filtro nenhum, sem se preocupar com a forma, só derramando mesmo, né, como você falou, o que que tava dentro deles, né, a respeito dessas situações.
Boa parte desses alunos chorou bastante durante esse processo, e mesmo com esse choro, né, esse entre aspas sofrimento, mesmo assim, quando perguntaram se eles queriam continuar o processo, a resposta da maior parte desses alunos era: sim, eu quero continuar o processo. E aí, um achado, né, que essa pesquisa chegou: a escrita expressiva, ela é considerada uma uma ferramenta muito promissora, é simples e é de baixo custo. Você pode usar em contexto clínico, em contexto de autoajuda, né?
E o mecanismo por trás dessa ferramenta tem um nome e chama teoria da inibição emocional. E sugere que se você segura a emoção dentro de você, você gera estresse físico real no corpo, e que confrontar essa emoção pela escrita vai diminuir esse impacto.
Não é genial isso? A escrita reduz o impacto do estresse, traz você para o lugar de observador do pensamento, traz você para o lugar da reavaliação da tua crença, da reorganização da interpretação do fato. Porque o fato que às vezes nos condiciona na limitação ou na dor, sabe, aquela angústia em função de uma coisa que você fez e do olhar dos outros a respeito de algo que você fez, ele não é necessariamente o teu pensamento, não é necessariamente o que as pessoas estão de fato pensando a seu respeito.
É a sua interpretação do fato. E essa interpretação é uma interpretação possível. Existem 3 mil possíveis interpretações. Só com esta informação você já tem a possibilidade de transformar a tua relação com o fato e tornar o significado desse fato muito mais positiva. A possibilidade de se relacionar diferente com aquela sua crença, certeza que te paralisa, é a possibilidade da ação. A vida não acontece sem o risco, o desenvolvimento, a criatividade não acontece sem o risco.
E a vida é incerteza. Imagina isso na comunicação nas redes. A gente vai ter que enfrentar a incerteza, a possibilidade de dar errado. E veja, quando dá errado, você tá caminhando mesmo para o melhor lugar. É o erro que ensina. Não existe aprendizado sem erro. Prender-se na perspectiva, na expectativa da perfeição é o pior equívoco que você pode criar para você mesmo, porque aliás é na vulnerabilidade que as pessoas se conectam.
Então não tem jeito, a vida é incerteza. A gente tem que fortalecer a nossa saúde mental e lidar melhor com o que a nossa mente produz Porque a gente vai ter que agir apesar da dúvida. Esse é o segredo, sabe? Não vai chegar o momento da dúvida ir embora de vez e você vir totalmente energizado. Aliás, se você se sente mesmo energizado, totalmente confortável naquilo que você tá comunicando, saiba que você tá errado. Porque aí você tá na zona de conforto e a zona de conforto não é o lugar da evolução.
Acho, eu sei que algumas pessoas têm muita dificuldade com essa, com esse conceito, porque o conforto ele não é necessariamente o gostosinho, ele é o conhecido. Sim, ele é diferente, é aquele lugar que você já mapeou e que você já faz com alguma facilidade.
Você repete muito facilmente, né?
Exatamente. Sabe, às vezes você tá fazendo um exercício na academia, você tá repetindo e é chato fazer o exercício de qualquer forma, não é confortável. Mas se você não coloca um pesinho a mais, se você não dificulta um pouquinho o teu movimento, você não vai evoluir. Isso aqui que é a zona de conforto. Se você tá dentro da tua conchinha Você não vai produzir evolução, entende? E o agir apesar da dúvida, o agir apesar do desconforto, o lugar de observador da mente, tudo isso é o lugar do acreditar.
E se a gente não desenvolve essa crença, esse acreditar em nós mesmos, esse lugar de fé na nossa própria potência, eu acho inclusive que a gente tá no lugar de arrogância, sabia? Sabe por quê? Espiritualmente, eu acho que todos temos uma missão. Sim, fato. Você não vem para esse plano sem uma coisa para entregar para esse plano, entende? Isso aqui é lugar de propósito. Quando a gente fala do propósito sem esse embasamento poderoso espiritual, a gente não alcança o poder disso que eu tô dizendo.
É maior do que você, você precisa fazer. Então é meio arrogante A postura de dizer, não, eu sou incapaz, isso aqui eu não posso, isso não é pra mim, isso eu não consigo, não me vejo nesse lugar. Cara, você tá fugindo da tua missão, eventualmente. E perde você e perde o mundo. É só quando a gente se harmoniza com esse lugar missionário que a gente desenvolve, inclusive, a plenitude. Essa é porque eu não sei se plenitude existe nessa, porque a gente vai lidar com dor, dificuldade, incerteza, a gente vai eventualmente sofrer, mas a gente é verdadeiramente feliz e mais pleno se a gente tá enfrentando essa dor, se a gente tá enfrentando esse sofrimento, se a gente tá atravessando o lugar da dificuldade, sabe?
Foi É muito difícil para mim hoje de repente vir aqui falar ainda de crises de ansiedade. Hoje eu tenho muito menos crises do que eu já tive, mas esse é um lugar da minha mente produzido também por conta do TDAH, enfim, outras químicas que o meu cérebro produz, mas sim por causa do meu pensamento. Estar observando o meu pensamento vai trazendo para mim uma nova qualidade de ação, estar agindo apesar disso, apesar da minha crise de ansiedade, né, também é um poder.
Aliás, é o poder possível. A gente não tem como esperar que as coisas sejam perfeitas para agir. A gente tem que agir apesar da imperfeição.
E na verdade, perfeito até já é o próprio termo, é ruim, né, porque ele é terminado, né? A palavra significa perfeito, significa terminado, acabou, não tem mais o que fazer, né? E não tem, a gente tá sempre tendo que fazer alguma coisa.
A gente é humano e por ser humano é inacabado.
É a beleza da coisa.
Não, é o único jeito de ser humano. Quem tá acabado é a máquina. E veja como a máquina é imperfeita também, né? Cada vez mais assim. A beleza é estar em movimento e é o movimento que constrói a vida, agindo a partir do acreditar poderoso, não da crença frágil, e sabendo que você tem algum lugar de poder quando você se vale dessas ferramentas, como eu falei do caderno, né, da observação da produção da tua mente para entender que pode ser diferente e que agindo todo dia nesse lugar da busca da transformação que você vai gerando plenitude e que você vai alcançando as pessoas também.
Eu quero só resgatar uma imagem que você criou lá no começo só para a gente deixar ela bem marcada aí para quem, para você que tá nos ouvindo, do rio. Então o rio quando você tá fundido com o pensamento, você tá sendo levado por essa correnteza que vai desaguar lá na frente de uma cachoeira e vai te levar para a situação, por exemplo, de depressão ou de ansiedade.
Ou de paralisia. Parece que não, né? Até uma queda na cachoeira, mas a paralisia, se você não está em movimento, se você não tá exercitando, tipo, o nosso objetivo aqui, a comunicação, Você também tá caindo.
Exato. E aí eu quero trazer então que você se difundir, né, da difusão dessa, de estar envolto nesse rio, é você vir para margem, se afastar desse flow e conseguir observar as coisas com mais clareza. Então fica essa imagem aí. Se você tá se sentindo sendo levado pela correnteza, pula para beirada do rio Respira e deixa a correnteza passar que você vai conseguir analisar as coisas de maneira mais clara.
É bem isso. A mente mente e vai continuar mentindo, gente, porque essa é um pouco a função dela também: proteger, prever, alertar. E ela exagera, mas você não precisa acreditar em tudo que ela diz. Para continuar andando, porque é o caminhar que constrói o teu futuro. E cada vez que você escreve, respira, observa, em vez de obedecer esse comando dessa mente que às vezes se vale de uma lógica obtusa, né, você pode não tá calando essa voz, mas você tá lembrando ela de qual é o lugar dela, colocando ela lá na última fileirinha do teatro, para que ela não interfira na tua vida, para que ela permita que você seja feliz.
É você quem decide, sabe? E assim, pensamento por pensamento, palavra por palavra, que a gente constrói não uma mente silenciosa, eu já não acredito mais nisso, sabe? Mas que a gente se coloca no lugar de quem manda, que a gente se coloca no lugar de autoridade sobre nós mesmos. Só depende de nós, só depende da gente.
Se você tá curtindo esse nosso conteúdo, se você acha que faz sentido isso que a gente tá falando com você. E se você chegou até aqui, comenta a mente mente para a gente saber que você chegou até aqui, que você ouviu o nosso episódio inteiro. E também compartilha. A gente tem esse pedido muito especial para fazer para você.
Assim, se a gente puder alcançar mais pessoas com isso que a gente sabe que é transformador, a gente vai estar cumprindo a nossa transmissão. E aí, sabe, é uma troca muito legal que você faz com a gente com isso, que de repente se fez sentido naturalmente para você levar para os outros. Você nos ajuda, ajuda os outros, e aí a gente entra no circuito do bem, que é muito legal também.
E a gente vai dar um beijo nesse seu coração lindo se você fizer isso. Aproveita, já coloca lá 5 estrelinhas para gente no perfil do Spotify, que isso também vai ajudar a gente a gravar esse podcast mais para frente. Aí, se você quiser comprar o livro do Phil Stutz, o método, né, do Phil Stutz, que a Marcelle citou lá no começo do episódio, a gente tá deixando aqui na descrição o link da nossa loja da Amazon, onde você pode encontrar esse livro.
E se você comprar por esse link, você também dá uma força para gente muito grande. É um livro muito interessante, com uma série de ferramentas práticas que vão te ajudar muito nesse processo de entender a sua própria mente. Então, de novo, clica no link para você comprar lá na nossa lojinha da Amazon e dar essa força para gente. E lembrando que toda semana a gente tem um episódio novo desse nosso bate-papo com vocês. Então a gente se vê na semana que vem, no próximo episódio. Um grande abraço para você, beijo muito grande!
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Phill Stutz
O Método