Episódios de IGREJA REPÚBLICA

Angústia

04 de maio de 202649min
0:00 / 49:22

03-05-26 | 9h

Palavra: Igor Storck

Série: AS AFEIÇÕES DE JESUS

Participantes neste episódio1
I

Igor Storck

Host
Assuntos6
  • Sofrimento humanoDeus sente a dor humana em escala exponencial · Jesus como o caminho para conhecer o Pai · Deus não é frio, distante ou sádico · A solução para a dor já foi dada · O desejo de Deus de restaurar a compaixão
  • Amor de JesusCompaixão de Jesus por pessoas em situação de rua · A profundidade da compaixão de Jesus comparada à humana · Indignação de Jesus com o uso indevido de seu nome · A ira santa e justa de Jesus
  • Teologia Cristã - Morte e RessurreiçãoMorte como consequência do pecado · A vontade original de Deus era a vida eterna · A morte é antinatural e um ultraje · Deus permite, mas não aprova tudo · Deus atua em meio à dor e angústia
  • Perseguição e esperança cristãCristãos como velas humanas em Roma · O reino de Cristo não é deste mundo · A glória reservada aos que creem · A esperança do retorno para casa com Deus
  • Divisão de emoçõesDefinição de afeições como estado emocional consolidado · Definição de emoção como reativa e de curto período · Exemplo de afeição: Davi e Jônatas · Jesus sentia emoções e afeições de forma mais profunda
  • Afastamento e controle emocionalA queda afetou a vida emocional humana · Dificuldade humana em se relacionar com emoções · A importância de não reprimir emoções · O Espírito Santo capacita a lidar com emoções
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E hoje eu quero falar um pouquinho com vocês sobre a angústia de Jesus. Mas antes, meus irmãos, eu acho importante trazer alguns esclarecimentos para vocês acerca do nome dessa série e acerca do que significa afeições, da forma como nós podemos nos relacioná-la, e de que forma essas afeições se aplicam a Cristo, porque Cristo, ao mesmo tempo que é Deus, é um homem.

E, para iniciar, eu queria dizer para vocês que a escolha do termo afeições em detrimento do termo emoções foi proposital. Nós escolhemos o termo afeições porque, quando a gente se refere às afeições de alguém, nós estamos falando de um estado emocional mais consolidado, mais denso.

Quando a gente fala sobre as afeições, a gente está falando sobre a inclinação do coração de alguém, algo que foi sendo consolidado com o tempo, é algo produzido de uma forma mais complexa, mais duradoura na nossa alma humana. Quando nós lemos, por exemplo, em 1 Samuel, que Davi se afeiçou a Jônatas...

e Jonathan se afeiçoou ao Davi, nós estamos falando de uma predisposição do espírito e da alma para alguém, em direção a algo e a alguém. É muito diferente da emoção. A emoção é mais reativa, o período temporal dela é mais curto. Então, quando, por exemplo, alguém te fecha no trânsito e você...

não xinga a pessoa porque você é crente, ou xinga no teu interior, ou você fica vermelho de raiva, ou quando a tua esposa te dá uma resposta atravessada e você responde à altura, ou quando homens e mulheres veem algum estímulo visual.

que mexe com a sua cobiça e você naturalmente responde a essa emoção, a gente está falando de coisas que são mais rápidas. Jesus tinha emoções? Tinha, sim. Ele era humano como nós somos, embora ele seja completamente Deus. Mas quando nós nos referimos às afeições de Jesus, nós estamos falando de estados emocionais.

mais consolidados. Nós estamos nos referindo a emoções que capturam o coração de Jesus e que o levam a agir em conformidade com essas afeições, que, no caso dele, eram santas. E eu quero dizer para vocês também que, meus irmãos, Jesus sente, mas ele sente de uma forma muito mais profunda do que nós. Sabe, exemplo aqui, pessoas que mexem com justiça social.

com pessoas em situação de rua, sabe quando você passa na rua e você vê um indigente sob efeito da droga, perdido, quase nu, num frio, congelante, o teu coração tem uma misericórdia, ele tem uma compaixão, mas ainda é uma compaixão, uma misericórdia muito limitada.

Agora eu quero que você imagine o próprio Cristo olhando para uma pessoa como essa. Nós estamos falando de um Deus encarnado que sente de uma forma muito mais intensa do que nós, porque a compaixão que Jesus sentia era pura, era santa. E o Senhor Jesus sente numa profundidade, numa intensidade muito maior do que nós sentimos.

Não é à toa, meus irmãos, que o próprio Cristo, o Filho unigênito do Pai, se dá para morrer em nosso favor. Convenhamos, o nível de misericórdia que a trindade sentia por nós como humanidade, a ponto de sacrificar Jesus, era uma misericórdia pequena, uma misericórdia visceral avassaladora.

Nós, nas nossas limitações, jamais daríamos os nossos filhos para morrerem por alguém ímpio, por alguém iníquo. Por quê? Porque a nossa compaixão e as nossas misericórdias não são suficientes. Porque a nossa compaixão e as nossas misericórdias e o nosso amor não são suficientes e são muito limitados perto do que o Senhor sente.

Nós vemos, por exemplo, o nome do Senhor sendo usado para corromper pessoas, para uma arrecadação de dinheiro desmedida. Nós vemos o nome do Senhor sendo usado para alavancar campanhas políticas, ou lá no passado, campanhas cruzadas de homicídios em relação aos povos pagãos. Isso nos revolta. Como assim o teu nome, Jesus, sendo usado para essas barbaridades?

A gente sente uma certa indignação, mas eu quero te dizer que a indignação e a ira do Senhor, ao ver o seu nome sendo usado em vão, ao ver o seu nome sendo usado para arrebanhar pessoas e para levá-las para um caminho de morte, de corrupção, de usurpação de dinheiro, quando ele vê líderes religiosos se apossando e se apropriando das suas posições para exercer poder, abuso.

Se isso nos indigna, o coração do Senhor fica muito mais irado e muito mais indignado, porque Ele sente potencialmente muito mais do que nós. As nossas afeições, as nossas emoções, elas foram maculadas, manchadas pela queda. A queda não só afetou o nosso entendimento, o nosso raciocínio, o nosso corpo, o nosso tempo, mas afetou profundamente a nossa vida emocional. É por isso que a nossa relação com as nossas emoções é tão doentia.

É por isso que nós não sabemos nos relacionar com as nossas emoções. Eu entendo e eu faço jus a fala de que nós não somos as nossas emoções. Não somos. Mas nós temos que reconhecer que as nossas emoções e afeições fazem parte de quem nós somos. E às vezes elas são uma ferramenta muito útil para o Senhor mexer com os nossos corações.

Então, eu quero começar te dizendo nessa manhã, meu irmão, minha irmã, que se você tem o costume de empurrar as suas emoções para debaixo do tapete, talvez o Espírito queira ministrar no teu coração, pedir para você erguer esse tapete, se deparar com algumas das suas emoções que você tem tentado anestesiar, esconder, fingir que não existem.

porque Ele é um Deus que capacita o seu povo a se relacionar com as suas emoções de uma forma santa, redimida. Nós não precisamos ter medo de sentir dor, meus irmãos. Nós não precisamos ter medo de sentir dor, porque o Espírito Santo Consolador está dentro de nós.

Nós não precisamos nos esquivar da dor emocional, nós não precisamos fingir que algo não existe só para eu preservar o meu coração intacto e eu não ter que me deparar com o que certa situação, certa pessoa gera em mim. Reconheça a sua emoção, vá aos pés da cruz, peça a graça do Senhor para saber lidar com isso.

O nosso Senhor sentia de forma santa. Ele tinha afetos santos. E mais do que isso, Jesus correspondia às suas emoções de uma forma santa. Sabe por quê? Porque Jesus sempre submetia as suas afeições ao domínio do Pai, à obediência do Pai.

Jesus nunca sentiu algo e agiu ao sabor das suas paixões, de forma que envergonhasse o nome de Deus, ou de uma forma despropositada, de uma forma que não tinha sentido. Jesus, sim, permitia que as suas emoções e afeições se extravasassem ao longo dos evangelhos, quando Jesus chorava, quando ele virava as mesas do templo, quando ele gemia de dor, quando ele chorava sobre Jerusalém, quando a palavra de Deus nos diz que ele era movido de compaixão na direção de alguém que precisava cura.

Mas veja que as respostas do Senhor, as suas afeições, eram respostas santas. Jesus nunca pecou na sua própria relação com as suas emoções, como nós fazemos o tempo todo. Porque nós somos caídos. Cristo não estava submetido às paixões humanas. Ele sentia, sim, e o seu coração era uma efervescência de afeições e emoções. Mas ele não se submetia ao sabor das paixões humanas, como nós fazemos.

Quantos de vocês, e eu pergunto a mim mesmo, já não fizemos muita besteira, porque nós agimos de forma reativa, a emoção veio e a gente age. O nome disso é pecado, nós somos seres falidos, caídos. E é por isso, meus irmãos, que é um grande privilégio quando nós nos voltamos para os evangelhos e vemos, lemos, somos presenteados com a perspectiva de um Deus que sente e que se relaciona de uma forma santa com as suas emoções.

Quantos têm o privilégio de ver um Deus que chora, um Deus que se compadece, um Deus que se achega humildemente, alguém que precisa de cura, um Deus que se ira quando o nome dele é usado de forma indevida, quando os fariseus e mestres da lei impedem que as pessoas se acheguem ao trono da graça. O nosso Senhor, o nosso Deus sente, nós podemos contemplar isso por meio dos evangelhos. Isso é uma perspectiva muito poderosa, meus irmãos.

Eu quero dizer também que é errado, é equivocado nós dizermos que as afeições do Senhor Jesus vêm apenas de um lugar humano, da sua natureza humana, da sua alma humana.

E eu digo isso com a maior tranquilidade do mundo, porque se você abrir a Bíblia no Antigo Testamento e você for ler os profetas, Ezequiel, Jeremias, Isaías, Oséias, o que a gente vê lá? Um Deus com o coração rasgado diante do seu povo. Eu me angustio, eu me entristeço, vocês me deram as costas, eu odeio isso que vocês fazem, eu odeio quando vocês decidem caminhar de forma rebelde, autônoma, dando as costas para mim, a fonte de águas vivas.

como diz um texto muito precioso através de um dos profetas, e eu não estou recordado de qual, ele fala assim, vocês cavaram cisternas rotas que não retém água, vocês cavaram poços que não retém água, e toda tentativa de satisfação que vocês imprimem a si mesmos não retém água, porque vocês deram as costas para mim, a fonte de águas vivas. O nosso Deus é um Deus que sente, o nosso Deus é um Deus que nutre afeições no seu coração.

Nós temos uma doutrina muito cara para nós, que é a doutrina da impassibilidade divina. Basicamente, isso quer dizer que o Senhor não age com base nas suas paixões. Mas essa doutrina é perigosa se nós não formos para o outro lado da moeda, entendendo que o nosso Deus sente, se afeiçoa, mas a forma como Ele corresponde às emoções dEle é sábia, é santa, é redentora e é gloriosa.

Vocês não concordam, meus irmãos, que o Senhor poderia ter decidido aniquilar a humanidade logo depois do pecado de Adão e Eva? Ou lá em Sodoma e Gomorra, ou lá com as rebeldias do povo na época dos juízes, ou dos reis, ou na época mais perversa de Israel, Deus poderia ter acabado com eles.

mas porque o nosso Deus não é um Deus que se baseia em paixões meramente humanas ou impulsos emocionais descabidos ou desvairados. Lá no Éden, quando Adão e Eva pecam, ele promete uma redenção. Ele promete que o descendente de Eva pisaria a cabeça da serpente, mas isso foi prometido milênios antes de Cristo vir. O que nos revela é que Deus age e corresponde às suas afeições, mas não é de uma forma descabida, impulsiva, assim como nós fazemos.

Meus irmãos, dito isso, vamos iniciar a mensagem. Abra lá sua bilha em João 11, 28 a 37. Aliás, 11, 27 a 37. Diz assim a palavra de Deus.

Meus irmãos, apenas contextualizando, nós vamos ler o texto da ressurreição de Lázaro. Eu não vou ler o capítulo inteiro, porque ele é muito longo, imagino que a maior parte de vocês conheça. Se você nunca foi a uma igreja, a primeira vez aqui, grava esse texto aí, depois você lê em casa, e a gente pode conversar com ele em outro momento, sobre ele em algum momento. Então, nesse momento, Jesus chega à aldeia, conversa um pouquinho com Marta, ele pergunta a Marta, você não concorda que aquele que crê em mim jamais morrerá?

E Marta responde, a partir do 27, sim, Senhor. Eu creio que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que veio ao mundo da parte de Deus.

Em seguida, voltou para casa. Chamou Maria à parte e disse, o mestre está aqui e quer ver você. Maria se levantou de imediato e foi até ele. Jesus tinha ficado fora do povoado, no lugar onde Marta havia se encontrado com ele. Quando as pessoas que estavam na casa viram Maria, saíram apressadamente, imaginaram que ela ia ao túmulo de Lázaro chorar e a seguiram.

Assim que chegou ao lugar onde Jesus estava e o viu, caiu aos seus pés e disse, se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido. Quando Jesus viu Maria chorar e o povo também, sentiu profunda indignação e grande angústia. Onde vocês o colocaram? Perguntou. Eles responderam, Senhor, venha e veja. Jesus chorou.

As pessoas que estavam por perto disseram, vejam como ele o amava. Outros, porém, disseram, este homem curou um cego. Não poderia ter impedido que Lázaro morresse? Jesus, sentindo-se novamente indignado, chegou ao túmulo, uma gruta com uma pedra fechando a entrada, e disse, rolem a pedra para o lado. Senhor, ele está morto há quatro dias, disse Marta, irmã do falecido. O mau cheiro será terrível. Nós sabemos o final dessa história, mas eu paro por aqui.

Meus irmãos, eu li na NVT, vocês devem estar estranhados, porque geralmente a gente usa a NAA, mas eu quero que a gente pare para refletir um pouco sobre o termo que a NVT usa como angústia. A angústia de Jesus frente à morte do seu amigo Lázaro. Talvez esse seja um dos termos, pelo pouco que eu já estudei a Bíblia, porque a Bíblia é infindável nas suas riquezas.

que talvez tenha a maior diversidade de termos atribuídos a um original. E, nesse caso, é a angústia de Jesus. Nós temos a NVI, por exemplo, que se refere a um estado de espírito de Jesus como agitou-se no espírito e se perturbou. Então, a NVI fala de uma perturbação, uma agitação no espírito. A ENA fala de uma agitação no espírito e de uma comoção. A NVT, como nós lemos, sentiu profunda indignação e grande angústia.

Ao meio do século XXI fala que Jesus se comoveu profundamente no espírito e abalado. Vocês concordam comigo que parece que os tradutores aqui estão tentando dar forma a uma afeição, a uma emoção bem mais profunda do que talvez a nossa língua portuguesa consiga dar? Ou talvez eles tenham tentado dar um jeito em algo que precisaria de pelo menos uns cinco, seis versículos adicionais para tentar dar conta e esgotar a riqueza do sentido?

E, nesse caso, meus irmãos, eu convido vocês a gente a refletir sobre o que o termo original nos traz. E o termo original, ele nos fala que essa angústia referida pelos tradutores, a partir do português, está apontando, está sinalizando para uma profunda tristeza no coração de Jesus.

A morte de Lázaro não só angustiou a Jesus, mas trouxe a ele uma profunda tristeza, um profundo pesar. Ao mesmo tempo, essa angústia, que foi traduzida para angústia como português, ela faz referência ao tipo de indignação. O que aconteceu aqui? Como assim Lázaro morreu? Que história é essa? Quem essa morte pensa que é para levar o meu amigo? É uma indignação santa.

A palavra, os termos originais também denotam uma ira contida. Sabe quando algo te deixa irado, nervoso e você...

se contém, se controla para que a tua ira não extravase, mas é uma ira santa e uma ira justa. Por exemplo, quando você vê uma criança sendo maltratada, um homem se passando no trato com a sua mulher, sendo abusivo, agressivo, e eu toquei em situações que eu sei que mexem conosco, então você pensa numa ira santa e justa, mas numa ira contida. A morte de Lázaro gerou em Jesus uma ira contida, um estremecimento interior.

Todos nós, eu imagino, que já se depararam com notícias que, ao serem ouvidas, geraram na nossa alma um estremecimento, um abalo sísmico.

Eu citei, no primeiro culto, o exemplo do Divertidamente, aquele filminho maravilhoso, pedagógico, não só para crianças, mas para adultos também. Inclusive, acho que mais para adultos do que para crianças, porque ele ajuda a gente a se relacionar com as emoções. E a menininha lá, a loirinha, no primeiro filme, conforme a vida vai atordoando ela e ferindo ela, as pequenas ilhas da vida dela vão ruindo. Não sei se quem já viu lembra disso.

Então, ela tem lá a ilha da família, a ilha dos amigos, a ilha sei lá do quê, a ilha dos ursinhos, o TED lá, sei lá o quê.

E conforme ela vai sofrendo os impactos, essas ilhas vão ruindo diante dela. É uma forma muito figurada, muito simplista, para a gente tentar imaginar e vislumbrar esse estremecimento interior que a morte de Lázaro gerou a Jesus. E o termo também, no grego, faz referência, em primeiro lugar, a um resfolegar de cavalos.

Eu não sei quantos conseguem imaginar essa cena, eu até pensei em imitar ela aqui para vocês, mas acho que eu mais faria mal do que bem. Mas, basicamente, é quando o cavalo está bravo, com aquela coisa na boca. O meu amigo, gente, o João, ele imita direitinho o cavalo resfolegando, ele faz isso para o sobrinho dele, o Emanuel. E é uma belezinha, depois vocês pedem para ele imitar, que é uma maestria, e vocês vão conseguir essa visualização de uma forma muito artística, muito bacana.

Então, nós estamos falando que Jesus bufava de revolta diante da morte. Ele não aceitava a morte. Ele não aceitou o que estava acontecendo. Ele ficou indignado com a morte do seu amigo. Meus irmãos, as três vezes que esse termo que nós lemos aqui em João 11 aparece no Evangelho de João, são em dois outros momentos. Essa é a primeira, as outras duas são em referência à sua própria morte.

Quando Jesus prediz a sua morte, a palavra de Deus nos diz que ele é tomado de angústia. Lembrem-se que quando nós falamos em angústia, nós temos tudo isso aqui em mente. Em outro momento, quando Jesus prediz a sua traição por Judas, também nos fala, o Evangelho nos fala que a sua alma se encheu de angústia. E sabe o que é interessante aqui? Que a única situação que desperta em Jesus tudo isso,

é a morte. Nós não estamos falando de uma dorzinha. Nós não estamos falando de um lutinho. Nós não estamos falando de uma compaixãozinha. Nós estamos falando das vísceras do Deus encarnado se remoendo dentro dele. Uma angústia, uma indignação, uma ira contida, um estremecimento interior diante da morte.

diante do que a morte gerava, diante do que a morte representava. A palavra de Deus nos diz que quando ele chegou naquele contexto, viu Marta, Maria, os judeus ali ao redor, e ele contemplou, ele sentiu, ele percebeu a dor daquelas pessoas, a alma dele se angustiou e ele se comoveu. O relato de João nos traz um pouco adiante que Jesus chora como resposta a essa emoção da angústia.

O Senhor contempla, percebe e vê o que a morte de Lázaro gerou naquelas pessoas e Ele não se contém de indignação e de angústia. Ele percebe o que a morte significa a partir do plano criacional e Ele odeia a morte. Ele se revolta, Ele se rebela. Ele detesta. E nós certamente... O Senhor contra Deus te descobre.

Falamos aqui não só de uma angústia de Jesus em relação à sua própria morte, mas do que a morte humana representava para a humanidade. Um autor reformado, muito bom, ele fala sobre a vida emocional de Jesus, Warfield, ele fala assim, preste atenção porque é uma situação muito bonita, a angústia de Jesus nem sempre estava atrelada à perspectiva da sua própria morte, mas igualmente a percepção amarga do que a morte significava para os outros.

que tinha o poder de perturbá-lo dessa forma. Ele via o que a morte significava para os outros e isso o deixava profundamente perturbado. Sua profunda agitação, sem dúvida, não se devia à mera hesitação diante da experiência física da morte, que é o que ele passaria em breve, mas da repugnância da morte. A morte é repugnante para Jesus. Ele olha para a morte e a morte causa repugnância nele.

Meus irmãos, e a minha pergunta para vocês nessa manhã é por quê? Por que a morte gera essa infusão de afeições e sentimentos e emoções doloridas e viscerais? Basicamente, porque a morte é o poderoso chefão. A morte é a consequência do pecado. Deus odeia o pecado.

mas, meus irmãos, a morte é pior. Porque a morte é a consequência natural do nosso pecado. Eu quero dizer para você nessa manhã...

que a vontade original de Deus era que a morte nunca fizesse parte do que nós conhecemos como história da humanidade. A vontade de Deus nunca foi que nós tivéssemos que lidar com o absurdo que é a morte, porque ela é um absurdo, ela é antinatural, ela é um outrage. Quando Deus cria o Jardim do Éden, Ele coloca no meio do jardim a árvore do bem e do mal. Ele dá uma ordem clara para Adão e Eva.

Não se rebelem contra a minha ordem de vida, permaneçam fiéis, não comam da árvore, do bem e do mal. Adão e Eva transgridem, se rebelam contra o Senhor. Depois de Deus haver expulso, Adão e Eva, ele dá uma ordem para o anjo dele. Vocês lembram qual é? Tinha mais uma árvore perigosa no Jardim do Éden, era a árvore da vida. E ele pede, ordena que os anjos cuidem dessa árvore da vida, a fim de que Adão e Eva não fossem lá comer do fruto e, portanto, vivessem eternamente.

Os estudiosos desse texto, meus irmãos, dizem que a árvore do bem e o mal era tipo um estágio probatório para Adão e Eva. E que a partir do momento em que eles optassem estar com Deus, governar com Deus, viver naquele cenário de íntimas comunhões com o Senhor, de um governo sadio e santo sobre toda a criação, o Senhor os daria, daria a humanidade como uma boa consequência.

como uma parte de desenvolvimento do seu plano para a humanidade, uma segunda bênção, um segundo benefício, que era a vida eterna. Então, nós podemos assegurar com toda certeza de que, sim, havia uma intenção de Deus original para que nós nunca tivéssemos conhecido a morte. Se nós formos para Gênesis 2, 17...

nós nos deparamos com a ordem de Deus que fala, não comerás, você e Adão, ele dá essa ordem, obrigado, ele dá essa ordem expressamente para Adão, não comerás da árvore do conhecimento, do bem e do mal, porque no dia em que dela comeres, com certeza você vai morrer. E não é só uma morte espiritual, meus irmãos, é a entrada dessa intrusa, a morte, no curso da humanidade. Romano 5.12, Paulo nos fala, portanto assim como por um só homem entrou o pecado no mundo,

E pelo pecado veio a morte. Assim também a morte passou a toda a humanidade, porque todos pecaram. A morte é um veneno insidioso, nojento, que a gente não consegue evitar, mas ela é consequência do nosso pecado.

Meus irmãos, muitos de nós nos afastamos da perspectiva de que nós vivemos uma realidade caída, uma realidade pós-queda. Muitos de nós atribuímos a maldição, a mazela, a corrupção, a dor, a angústia do mundo a um acaso.

Ou quantos de nós nos revoltamos com Deus diante daquilo que nós percebemos? Ou vivemos como aflições individuais e pessoais? E está tudo bem nós nos revoltarmos contra Deus em algum momento. Deus sabe lidar com a nossa revolta infantil. Ele sabe colocar a gente em nosso lugar.

Ele já lidou com Davi, com aqueles salmos, Deus, o Senhor me abandonou, para que eu nasci? Ele lidou com Elias lá na caverna, prefiro morrer. Então, Deus não tem dificuldade em lidar com a nossa rebeldia, sossega. Se você está nesse momento, Deus vai te enquadrar e vai ser um enquadramento de amor. Porque você vai se reconhecer e vai reconhecer Ele e vai falar, bem sei que tudo pode, Senhor, os teus planos são bons e não falham.

Mas, meus irmãos, nós perdemos a perspectiva de que o nojo que é o nosso mundo, ele é consequência do pecado. E nós não podemos, erroneamente, atribuirmos as desgraças, as tragédias e o caos do mundo como se isso fosse uma vontade original e perfeita de Deus. E, nesse sentido, eu quero te dizer, nessa manhã, que nem tudo que Deus permite, Deus aprova.

nem tudo que Deus permite que aconteça com você e com o mundo, Ele está batendo palma e dizendo, meu Deus, isso é lindo, isso é incrível, era isso que eu queria desde o início. Deus permite muitas coisas que ferem o coração dEle. Deus permite muitas coisas que são desdobramento natural do nosso pecado, da nossa rebeldia, da nossa rebelião contra Deus.

Então, calma aí, calma um pouquinho. Antes de você ser tomado por um ímpeto imaturo e infantil e culpabilizar a Deus por todas as desgraças da sua vida, aquieta um pouquinho o seu coração e se permita ser ministrado por Deus.

Permita ouvir a voz do teu Espírito dizendo, filho, essa não era a minha vontade original, essa não é a minha vontade original, e eu não vim para remover toda a dor e desgraça do mundo, mas eu vim para atuar em meio à dor, em meio à angústia. Eu vim para que, quando você estivesse atravessando o vale da dor e da morte, o meu Espírito Consolador protegesse o seu coração, te abraçasse.

Eu vou dar poder para vocês em meu nome, para pisarem sobre escorpiões, serpentes, para pregarem o meu evangelho. Mas saibam, vocês serão triturados pelo mundo. E isso não é minha vontade. Essa semana eu vi Paulo, apóstolo de Cristo. Não sei quantos de vocês já viram, filmaço. E eu me deparei com um fato que me deixou profundamente estarrecido e comovido.

Todos nós sabemos, ou a maioria de nós sabemos, que os cristãos eram jogados nas arenas públicas para serem devorados por feras, em especial na época de Nero. Mas vocês sabiam, meus irmãos, que os cristãos daquela época também serviam como velas humanas? Eles eram empalados, em estacas, vivos. Não tem criança aqui, não é? Tem.

Bom, e eles até havam fogo nelas. E aquelas pessoas, os cristãos, pegando fogo, iluminavam Roma. Exerciam um tipo de iluminação pública para Roma. Nós somos o pão e circo desse mundo, não é, meus irmãos? Nós somos o pão e circo desse mundo.

Em certo momento, o chefe, o autor da Carta de Hebreus, fala que nós fomos feitos espetáculos públicos, por amor de Deus. Ele fala que os principados e potestades nos olham e falam assim, como assim? Como eles estão aguentando? Como eles estão passando por isso? Como eles não perderam a fé? Como que eles suportam serem tão ultrajados por amor do nome e não dissuadem?

Em certo momento do filme, o dono da prisão chega para Paulo e fala você não tem vergonha do teu Deus, você não tem vergonha da tua situação, você não tem vergonha do teu povo, vocês estão sendo queimados vivos. Olha aqui você, você é um dos caras mais influentes da tua religião e você está aqui preso sob o domínio de Roma. É humilhante. Ser cristão é humilhante, basicamente é isso que ele disse.

E Paulo, com uma docilidade e uma firmeza, que eu imagino que lhe eram próprias, olhou para o chefe dessa prisão e disse, ah, você não entende de onde é o reino de Cristo. O nosso reino não é daqui. O nosso reino não é daqui. Aqui nós vamos ser perseguidos, mortos, judiados, outrajados, e vamos beber o cálice amargo do pecado, porque nós vivemos aqui, mas nós não pertencemos aqui. Então a ira de Satanás sobre nós é dobrada, e aqui nós vamos ser tratados como cachorros mesmo.

mas existe uma glória que está reservada àqueles que creem no Senhor e você não faz ideia do que eu estou falando agora. Ouvi uma história certa vez de que um casal de missionários estava retornando do seu campo depois de muita privação, fome, perseguição, e eles desembarcaram no aeroporto, na sua cidade natal, e de repente eles saíram naquele saguão do aeroporto, quando você sai, pega a mala e você...

começa a entrar ali na parte do aeroporto, da qual você não pode voltar, retroceder. Vocês entenderam? E daí eles estavam passando e ouviram uma comemoração, uma festa, a gente gritando, tacando serpentina e tal, vibrando. E eles, nossa, será que é para a gente? Será que a nossa igreja vive aqui no CCB? Será que a nossa festa é para a gente?

Eles deram uma animadinha, assim, né? E quando eles viram, tinha um time de futebol atrás deles. Então, na verdade, a festa não era para eles, era para o time de futebol. E eles, cabisbaixos, um pouco entristecidos, e o marido dela olha para ela e fala assim, calma, meu amor, a gente ainda não chegou em casa. Eles ainda não tinham chegado em casa, porque quando eles chegarem em casa, eu tenho certeza que eles vão ser muito bem recebidos. Eles vão ser recebidos pelo autor da vida, e haverá celebração nos céus.

Calvino fala que quando Cristo contempla a miséria geral da raça humana, ele geme e chora de angústia, pois a violenta tirania da morte, a qual ele tinha que vencer, é posta diante dos seus olhos. Quando Cristo contempla a morte de Lázaro, ele não está só vendo a morte de Lázaro, ele está vendo a miséria geral ao qual nós todos fomos submetidos. Ele percebe a violenta tirania da morte. Ele olha para a morte, ele desafia a morte.

E ele responde à morte. Nós vamos chegar lá daqui a pouco, mas Jesus não só se permite ser tomado pelas afeições santas que a morte girava nele, mas ele age em relação, como resposta à sua afeição. Meus irmãos, a palavra de Deus diz que o Senhor não tem prazer na morte do ímpio, mas em que se converta do seu caminho e viva. A morte para Deus é algo tão tenebroso que nem o ímpio morrendo e não tem prazer na morte.

Traz prazer para Deus. Percebam isso. Pense na pessoa mais iníqua, mais ímpia, mais suja que vocês conhecem. Deus não tem prazer na morte dela. Mas o prazer de Deus está em que ela se converta do seu caminho e viva. Isso significa que Deus não mata pessoas. Deus mata pessoas. E até hoje Ele faz isso. Mas Ele tem prazer em fazer isso? Não. Certa vez eu ouvi que o Senhor...

destrói tudo o que se interpõe entre ele e o plano de redenção dele. Então, tem alguém querendo destruir Israel lá no Antigo Testamento?

As pessoas querendo pausar e parar o crescimento da igreja, elimina. Pai, destrói império, ergue império, depõe governante, põe governante, tudo aquilo que se interpõe entre o Senhor e a impressão da história de redenção nele, o Senhor mata, o Senhor destrói. Ele não tem problema em fazer isso. Mas, meus irmãos, Deus não tem prazer em fazer isso.

Deus não tem prazer na morte do ímpio, do iníquo, e de um ditador impiedoso, porque o prazer de Deus está em que essas pessoas se convertam e sejam salvas. Ao mesmo tempo, Davi, em um salmo, fala que preciosa é a vista do Senhor, a morte dos seus santos.

Então nós temos aqui duas realidades. A primeira, Deus não tem prazer na morte do ímpio. Inclusive, se eu não me engano, é Tiago que vai dizer que o Senhor está dando tempo para que mais pessoas se convertam e se arrependam. E que a vinda imediata dEle, o que segura a vinda imediata dEle, ou uma das coisas que segura a vinda imediata dEle, é o desejo de que mais pessoas se convertam. Ao mesmo tempo que Ele não tem prazer na morte do ímpio, Ele gosta quando os seus santos morrem.

Isso significa que o Senhor celebra a morte em si? Eu creio que não. Eu entendo que isso significa que Deus olha para o fim imposto, para os seus santos, para o seu povo, e isso enche o coração dele de prazer e de alegria, porque ele sabe que os seus estão voltando para casa.

Filho, a sua morte é preciosa para mim, porque você está voltando para o seu lugar de origem, para o seu lugar de pertencimento. Então é bom estar aqui com você. Eu estou te retirando de um mundo onde a ordem do mal, a ordem de malignidade impera. E eu estou te resgatando. E você já pode desfrutar da sua morada, que será eterna e celestial. Eu conto esse exemplo em alguns...

e eu falei sobre isso no curso de imersão, então talvez alguns de vocês lembrem, mas para mim é um exemplo muito lindo acerca da forma como Deus se relaciona com a morte dos seus santos. Brennan Manning, o autor que a maioria de vocês conhece, autor do Evangelho Maltrapilho, O Amor Furioso de Deus.

Nessa obra do Amor Furioso de Deus, ele conta uma história lindíssima que eu carrego com muito carinho. Ele visitava um mosteiro onde freiras, se não me engano, cuidavam de pessoas em estado terminal.

pessoas negligenciadas pela sociedade, deixadas de lado pelas suas famílias. E lá, nesse mosteiro, tinha uma mulher cujo nome era Yolanda, e ela tinha um estado avançado de lepra. O marido era alcoolista, tinha abandonado ela com os seus filhos. Então, nesse tempo todo que ela estava nesse mosteiro, durante anos, ela nunca sequer recebeu uma visita do seu marido e dos seus filhos. E quando o Brennan chegou naquela manhã, naquele mosteiro...

As freiras acorreram a ele e falaram, Brennan, a gente precisa que você visite a Yolanda, ela está no estado terminal, e honestamente eu não sei se ela passa de hoje. O Brennan, ok, missão dada, missão cumprida, pegou sua maletinha, entrou no quarto da Yolanda, fecha a porta atrás de si. Assim que ele chega no quarto da Yolanda, ele pôde ouvir a voz dela, muito fraca, quase inaudível por causa da sua doença terminal, e ela fala para ele, Brennan,

o Abba diz que vem me buscar hoje. O Breno ouve aqui, guarda no coração, falou, então tá bom, Yolanda, vamos te ungir, vamos orar por você. Ele relata que quando ele abaixa para pegar o óleo para ungí-la, nesse momento em que ele está de costas para ela, virado para a sua maletinha, ele diz que uma luz muito, muito forte e poderosa entra naquele quarto, e quando ele volta os seus olhos para o rosto da Yolanda, era o rosto dela que irradiava uma luz brilhante, poderosa.

Yolanda olha para ele e fala, o Abba está aqui, ele está vindo buscar o Brennan totalmente extasiado pela presença de Deus naquele lugar, como se o próprio Cristo estivesse levando pelas mãos a Yolanda para o seu lar eterno, para o seu lar celestial. Ele fala que foi tomado de uma reverência, de um tremor, e de repente dos lábios da Yolanda começam a ser recitados os versos de Cânticos 2, que diz, o meu amado me fala e me diz, levante-se minha querida, minha linda, e venha comigo.

Porque eis que passou o inverno e a chuva cessou e se foi. Aparecem as flores na terra. Chegou o tempo de cantarem as aves e já se ouve a voz da rolinha em nossa terra. A figueira começou a dar os seus figos e as vinhas em flor. Levante-se, minha querida, minha linda, e venha comigo. Enquanto Brennan segurava a mão de Yolanda, a mão dela cai e ela se entrega ao seu amado, ao seu aba, naquele momento. Quando Brennan vai contar essa história...

As freiras daquele lugar ficam ainda mais impactadas porque diziam que Yolanda era uma analfabeta e ela nunca nem sequer tinha conseguido ler a Bíblia. Deus emprestou a voz da Yolanda para dizer para ela mesma e para o Breno e para o mundo o que ele faz com os seus santos.

Aqui nós podemos ser ultrajados, humilhados, fustigados, vivermos as consequências horrorosas do pecado. Mas, meus irmãos, nós não chegamos em casa ainda. Nós não chegamos em casa. Queridos, para finalizar, vocês sabem que a história não para por aí. Nosso mestre não só se angustia e tem as suas vísceras revolvidas de dor e angústia diante da morte,

mas o nosso Senhor vai até a morte, desafia a morte, olha nos olhos da morte e a vence. O nosso Cristo vence a morte. O nosso Cristo põe uma espada no pescoço do poderoso chefão, da poderosa chefona, que é a morte. Jesus olha para a morte.

desafia a morte e a vence. E nesse contexto, meus irmãos, do texto lido, ele prova que ele é mais poderoso do que o mais perverso inimigo dos homens e das mulheres da humanidade. Jesus não tem medo da morte. Jesus subjuga a morte. Jesus vence a morte. A ressurreição de Lázaro sinaliza o que ocorreria com todos os seus santos, com o seu povo, com a sua igreja.

Meus irmãos, a morte não é o ponto final, isso que nos castiga, que nos oprime, que nos traz dor, que nos traz afronta, que nos traz vergonha, a morte que é algo antinatural, que é algo desastroso, a morte que cospe na nossa cara todos os dias, esfrega a nossa cara no chão, nos lembrando de que nós somos falidos, de que a nossa estrutura é pó, a morte que faz com que os nossos corpos apodrecidos cheirem mal.

ela será vencida, ela foi vencida por Cristo, e nós seguiríamos o caminho de sermos vitoriosos por Cristo, quando Ele nos chamar pelo nome.

A morte não é mais um problema, ela foi derrotada, assim como o pecado. Aquilo que mais nos afligia já foi resolvido por Cristo. E a convocação dEle não é para que nós vivamos amedrontados com medo das circunstâncias da vida. Com medo dos planos do Senhor, com medo do diabo, com medo de que alguém querido nosso nos vá. A convocação do Senhor é para que nós marchemos com os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da fé.

Sabendo que sim, nós passaremos por dor, privações, tristezas. Entes queridos nossos se irão e os nossos corações ficarão aturdidos de dor. Mas ei, nós seguimos alguém que venceu a morte. Alguém que subjugou o nosso arco inimigo. Alguém que amarrou as mãos da morte e fez ela se deitar com a cabeça no chão e colocou o pé em cima da cabeça dela. Como os guerreiros vitoriosos faziam na antiguidade.

A morte, meus irmãos, não é o ponto final. Eu quero ler com vocês o texto de 1 Coríntios, capítulo 15, versículo 52, se você puder abrir lá. Olha que delícia esse texto. Olha que delícia. No momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta, a trombeta soará,

os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade e que o corpo mortal se revista de imortalidade. E quando esse corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade...

O que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita. Segura, meus irmãos, tragada foi a morte pela vitória. E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita. Tragada foi a morte pela vitória.

Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? Onde está as algemas com as quais você prendia os meus amados? Onde está a vergonha a qual você o submetia, a dor, a angústia visceral? Cadê você? Cadê o seu poder? Eu te venci. Onde está a sua vitória, morte? Onde está o seu aguilhão? Você foi vencida pelo autor da vida.

E nós somos, meus irmãos, nós estamos caminhando para esse lugar. Nós caminhamos como um povo que não conhecerá a segunda morte, porque nós passaremos daqui para o nosso lar eterno. Nós já morremos, nós somos aqueles que já morremos com Cristo, para que vivamos a vida dele em nós. C.S. Lewis, da forma bela e poética, como lhe é costumeira, fala sobre esse texto, eu queria ler junto com vocês.

Nós seguimos alguém que chorou junto ao túmulo de Lázaro, porque a morte, o castigo do pecado, é ainda mais terrível aos seus olhos do que aos nossos. A natureza que ele havia criado, como Deus, estava prostrada, envergonhada diante dele de forma humilhante.

A natureza que ele mesmo havia criado tinha se reduzido a um mau cheiro, a um alimento para vermes. Embora o Senhor fosse revivê-la momentos depois, ele chorou por sua desonra. Citando um escritor de cuja opinião compartilho, não tenho tanto medo da morte quanto me envergonho dela. A morte é uma vergonha para nós. E isso nos traz de volta ao paradoxo. De todos os homens, nós temos a maior esperança com relação à morte.

Mesmo assim, nada nos faz ter paz com a sua desnaturalidade, porque ela é uma intrusa, ela é maldita, ela não é bem-vinda. Sabemos que não fomos feitos para ela. Sabemos como ela se infiltrou em nosso destino com uma intrusa. Mas, meus irmãos, nós sabemos também quem a derrotou. Porque o nosso Senhor ressuscitou. Sabemos que ela é um inimigo que já foi desarmado. Aleluia. Glória a Deus.

Isaías 25,8, ele tragará a morte para todo sempre, o soberano Senhor enxugará as lágrimas de todo o rosto e retirará de toda a terra a zombaria do seu povo. Aleluia, foi o Senhor quem disse. Meus irmãos, nosso ponto final não é a morte. Mas para além disso, eu quero te fazer uma pergunta. Você odeia a morte? A morte já tragou pessoas amadas e queridas tuas?

Isso já fez o teu íntimo se revoltar de indignação, tristeza e angústia? Isso já imprimiu no teu peito uma sensação de perda irreparável?

eu quero te dizer que o teu Deus sente a mesma coisa, só que num grau exponencializado ao infinito. A dor que você sente, ele sente muito mais. A angústia que você sente ou sentiu, ele sente muito mais. A raiva que você tem da morte, ele tem uma dimensão em uma escala muito maior.

Em certo momento dos evangelhos, Felipe olha para Jesus e pergunta, Jesus, mostra-nos Deus, mostra-nos o Pai. E Jesus olha para ele e fala, Felipe, você ainda não entendeu que quem vê o Pai, quem vê a mim vê o Pai? Mas, irmão, você quer saber como o Deus-homem, Cristo, assentado ao lado do Pai, reage à morte de um dos seus queridos? Vai para Jesus.

Você quer saber como Jesus se relaciona com o coração enlutado, que está chorando pela dor da morte? Vai para Jesus. Você vai ver um Deus com o rosto banhado em lágrimas, com o seu peito agitado dentro de si, revoltado e angustiado com o que essa maldita é capaz de produzir nos nossos corações. O nosso Deus é Emmanuel, é Deus conosco.

O Senhor não só sente com suas vísceras a angústia produzida pela morte, mas Ele a vence por amor de nós.

Deus não é um Deus que contempla o nosso problema e se exime da responsabilidade. Ele é um Deus que é envolvido conosco até o final, até as vísceras. O Senhor está aliançado conosco e nada vai dissuadí-lo de permanecer conosco até o final. Deus não se relaciona de forma fria, distante ou sádica diante da tua dor, diante das tuas perdas. Ele é Emmanuel, Ele é Deus conosco. E a dor que você sente é sentida numa escala muito maior por Ele.

Mas, meus irmãos, a solução para essa dor já foi dada. Espera só mais um pouquinho. Crentes, esperem só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Logo, o céu se partirá e ele descerá soberano em glória para instituir o seu reinado que não terá fim.

E nesse reinado não haverá nem dor, nem lágrima, nem tristeza, porque a palavra diz que ele enxugará dos nossos olhos toda a lágrima. Nessa nova cidade, nessa cidade eterna, nós nunca mais conheceremos a morte, porque aquele que é a vida nos outorgou a graça da eternidade. E isso é muito glorioso. Se você perdeu alguém recentemente, ou talvez não tão recentemente assim, mas o teu coração ainda sangra.

Eu quero te dizer nessa manhã que o teu sumo sacerdote, o teu Deus, sabe exatamente o que você está sentindo, porque ele sente também, mas numa escala maximizada. Eu quero te dizer também que se essa morte dessa pessoa querida te indignou, a ele muito mais. Eu quero também me reportar àqueles que acham que o Senhor está longe do seu sofrimento.

Meus irmãos, o Senhor nunca nos prometeu uma vida isenta de sofrimento e dor. Ele sabia que nós seríamos esmagados pelo mundo.

Mas eu quero que dizer que no meio do vale da sombra da morte, Ele está contigo. O Senhor não está longe do seu sofrimento. Ele não está longe da sua dor. A medida de graça e misericórdia que o Senhor despende sobre aqueles que estão sofrendo é compatível à dor.

Meus irmãos, jogue para longe hoje essa perspectiva de um Deus frio, distante, sádico, um patrão a quem você presta contas semestralmente. Isso é maligno, isso é o Satanás, não é o nosso Deus. O nosso Cristo tem um coração cheio de afeições.

Se de repente o seu coração está endurecido e você perdeu a habilidade de chorar e lamentar os seus próprios pecados e os pecados do mundo. Eu quero te dizer que o Senhor de toda misericórdia e compaixão está muito desejoso de tocar o teu coração e restituir a compaixão e o amor do seu coração. A vontade de Deus é que o seu povo sofra com os que sofrem, se alegre com os que se alegram. Nós somos o povo do amor. A nossa bandeira, a bandeira sobre nós é o amor.

E talvez os nossos corações tenham ficado endurecidos pela quantidade de dor e tragédia que nós vemos e vemos pelo mundo. Mas o Senhor quer restituir em você um coração que é capaz de chorar com os que choram, de chorar pelo seu próprio pecado e de se indignar de uma forma santa com aquilo que afronta a vontade de Deus e a criação de Deus.