Constantino Alves: Padre e Operário
Na verdade, Constantino Alves nasceu em Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, em 1948, e chegou a Setúbal em 1978.
Embora tivesse já concluído os estudos de teologia, não veio para ser imediatamente padre. Aqui chegado, em época de salários em atrasos, de fome, de enormes dificuldades, de sucessivos encerramentos de empresas, viria a ser ordenado padre, em 1 de novembro de 1980, pelo primeiro Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. Na verdade, foi ordenado padre operário, um movimento que tem origem em França, na década de quarenta do século passado, e, mais tarde, muitos pontos de ligação com a teologia da libertação nascida na América Latina.
Embora nenhum dos movimentos se definisse como marxista, ambos recorreram, em diferentes graus, a instrumentos de análise inspirados no marxismo para compreender as relações de exploração económica e social.
Além de padre, de operário metalúrgico, de dirigente sindical, tem também um mestrado em Serviço Social, concluído em 2012 na Universidade Católica, que dedicou ao tema “Percursos de Vida de Trabalhadores Desempregados de Setúbal – Mundo do Trabalho em Mudança”.
É bem conhecido dos setubalenses, não pelo percurso académico, mas acima de tudo pela obra notável que tem desenvolvido na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, numa das zonas mais desfavorecidas do concelho. Aí, criou um restaurante social e uma clínica dentária para acudir aos que que mais dificuldades têm.
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