Episódios de Se Não Sabes Pergunta

Padre Constantino Alves em grande entrevista no "Se Não Sabes Pergunta"

30 de junho de 20263min
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Embora tivesse já concluído os estudos de teologia, não veio de Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, em 1978, para ser imediatamente padre. Aqui chegado, em época de salários em atrasos, de fome, de enormes dificuldades, de sucessivos encerramentos de empresas, viria a ser ordenado padre, em 1 de novembro de 1980, pelo primeiro Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. Na verdade, foi ordenado padre operário, um movimento que tem origem em França, na década de quarenta do século passado, e, mais tarde, muitos pontos de ligação com a teologia da libertação nascida na América Latina.

Ainda que nenhum dos movimentos se definisse como marxista, ambos recorreram, em diferentes graus, a instrumentos de análise inspirados no marxismo para compreender as relações de exploração económica e social. A fé, para estes padres operários e para os seguidores da teologia da libertação, não era vista apenas como realidade espiritual, mas também como um compromisso concreto na transformação da sociedade.

Além de padre, de operário metalúrgico, de dirigente sindical, tem também um mestrado em Serviço Social, concluído em 2012 na Universidade Católica, que dedicou ao tema “Percursos de Vida de Trabalhadores Desempregados de Setúbal – Mundo do Trabalho em Mudança”. Uma tese que é, aliás, percorrida por uma análise de base marxista, e se não for assim terei todo o gosto em ser contrariado por Constantino Alves.

É bem conhecido dos setubalenses, não pelo percurso académico, mas acima de tudo pela obra notável que tem desenvolvido na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, numa das zonas mais desfavorecidas do concelho. Aí, criou um restaurante social e uma clínica dentária para acudir aos que que mais dificuldades têm.

É, sobretudo, conhecido por estar ativamente ao lado dos que são pobres, não de forma passiva, mas sempre a lutar contra essa pobreza e a contribuir com as soluções para a atenuar, se não mesmo para a eliminar. Foi notória esta postura na demolição das habitações precárias na Quinta da Parvoíce e na antiga Mecânica Setubalense, postura que, aliás, não o livrou de ser olhado como um radical na forma de atuar.


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