Ep. 7 — A inclusão não é só uma palavra bonita
Ana Paula Souza passou mais de 14 anos a trabalhar com crianças e jovens que o sistema educativo nem sempre sabe receber. Começou como professora do ensino regular, mas foi atraída para a educação especial pelos alunos que mais precisavam de ajuda. "Tive alunos que me motivaram a seguir esta área, que eram os que precisavam de algum modo. E eu gostei muito de conversar com eles."
Especializou-se no Porto, fez mestrado, e hoje percorre vários estabelecimentos do mesmo agrupamento - do pré-escolar ao 9.º ano. Tem 12 alunos sob a sua responsabilidade. Para cada um existe um dossier de avaliação, um conjunto de medidas educativas específicas e um plano de trabalho que Ana Paula muitas vezes constrói à meia-noite, em casa. "Às vezes trabalho até à uma da manhã a fazer coisas para a escola."
O trabalho obriga-a a ser muita coisa ao mesmo tempo. "Temos que ser psicólogos, temos que ser terapeutas, temos que ser tudo." Cada aluno tem uma problemática diferente - cognitiva, motora, emocional - e as respostas têm de ser individualizadas. Os recursos humanos e materiais raramente chegam. "Não conseguimos dar aquilo que nós queríamos dar."
Mas a razão para continuar é simples: "A carreira na educação especial é um percurso motivante e gratificante, porque é trabalhar com aquelas pessoas que mais precisam de nós." E é preciso ter perfil para isso. "Porque nem todas as pessoas têm vocação para trabalhar com pessoas com limitações, com deficiências."
A inclusão, insiste Ana Paula, não se decreta, constrói-se todos os dias, aluno a aluno. "É uma missão diária."
Este podcast contou com a produção de Lídia Felipe, Tiago Silva e Mariana Malta, com a coordenação de Miguel Midões e Teresa Gouveia.
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