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Complicação na Terapia Antimicrobiana
17 de julho de 20268min
O uso do antimicrobiano piperacilina-tazobactam pode desencadear diarreia em até 20% dos pacientes, sendo motivado principalmente por uma disbiose na flora intestinal. A destruição das bactérias protetoras do intestino prejudica a metabolização de carboidratos e a degradação de sais biliares primários. Trata-se de um processo predominantemente fisiológico e funcional, sem a presença de bactérias invasoras ou toxinas inflamatórias.
Diante de um quadro diarreico pós-antibiótico, é fundamental realizar uma anamnese correta para descartar a infecção por Clostridium difficile. As principais diferenças clínicas incluem:
- Diarreia simples (induzida pelo fármaco): Apresenta-se de forma aquosa, sem sangue ou muco, com frequência leve a moderada, pouca ou nenhuma febre e sem piora da leucocitose.
- Infecção por Clostridium: Caracteriza-se por febre, dor abdominal importante, leucocitose presente e progressiva, fezes sem restos alimentares (muitas vezes apenas secreção) e alta frequência evacuatória.
A conduta principal baseia-se em:
- Manejo do antibiótico: Suspender a medicação, se possível. Caso o tratamento da infecção de base (como a pneumonia) ainda seja necessário, deve-se substituir a droga por um equivalente para concluir o esquema planejado, sem reiniciá-lo do zero. O quadro costuma melhorar significativamente de dois a três dias após a suspensão.
- Suporte clínico: Manter a hidratação e o estado euvolêmico do paciente, corrigir distúrbios hidroeletrolíticos e preservar a dieta.
- Medicação adjuvante: Sais de bismuto podem ser considerados por sua ação antissecretora. Inibidores de motilidade intestinal (antidiarréicos e antiespasmódicos) devem ser evitados ou usados com extrema cautela, pois, se aplicados em diarreias invasivas ou por Clostridium, podem reter toxinas e causar megacólon tóxico.
- Ajuste renal: Atentar para a função renal do paciente ao utilizar a piperacilina-tazobactam para evitar o excesso da droga no organismo.