Episódios de Aulas do Mochi

A motivação não muda hábitos?

11 de agosto de 20266min
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Neste episódio do podcast Aulas do Mochi, resumimos a aula do prof. Frank sobre motivação e acrescentamos o que literatura comenta sobre a motivação e como isso pode ser importante para um personal trainer.

Assuntos4
  • Modelo de Fogg para Comportamento· SociedadeMotivação·Habilidade·Gatilho
  • Aceitação do que não se pode controlar· SociedadeVelhos gatilhos·Ambiente e comportamento·Contexto moderno
  • Priorização de tarefas· EducacaoMudança de comportamento·Criação de novos hábitos·Modelo de Fogg
  • Pensamentos intrusivos· SociedadeSinais·Faíscas·Facilitadores
Transcrição54 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Bem-vindo ao Aulas do Mochi, um podcast sobre ciência, movimento e conhecimento.

?Voz B

E cada episódio reúne ideias, pesquisas e histórias cuidadosamente selecionadas para explorar como a ciência explica o movimento humano e transforma a nossa compreensão do mundo.

?Voz A

Exato! A curadoria científica é de Luiz Mochizuki, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

?Voz B

E vale lembrar que este material foi feito para a disciplina Práticas de de treinamento físico personalizado dos professores Heuri Franck Bacurau e Luiz Mochizuki.

?Voz A

Então começa agora mais um episódio do Aulas do Mochi. Sabe, é muito comum ver um violão ou um ukulele encostado no canto da sala há meses.

?Voz B

Nossa, sim, fica lá só juntando poeira, né?

?Voz A

A vontade de aprender existe, o instrumento tá logo ali, mas a prática diária simplesmente nunca acontece.

?Voz B

É aquela velha história, a gente tem a ilusão de que querer muito é suficiente para mudar.

?Voz A

Mas não é bem assim. Hoje vamos destrinchar o que a ciência diz sobre a mudança de comportamento e entender por que o nosso próprio cérebro sabota a criação de novos hábitos.

?Voz B

E a literatura nos traz o modelo de Fogg, que é bem mais pragmático sobre isso. Ele define que qualquer comportamento é o resultado de 3 fatores simultâneos.

?Voz A

Tá, e quais seriam esses 3 fatores?

?Voz B

Motivação, habilidade e um gatilho, tudo precisando acontecer ao mesmo tempo.

?Voz A

E é aí que eu fico muito intrigada com o caso do ukulele.

?Voz B

Como assim?

?Voz A

Tipo, se a vontade de aprender a tocar é imensa, ou seja, a motivação tá alta, e os acordes iniciais são super fáceis, por que o hábito não engrena?

?Voz B

Ah, porque a motivação é flutuante, ela não é uma linha reta constante, sabe?

?Voz A

Faz sentido. Um dia a gente acorda super animada e no outro nem tanto.

?Voz B

Exato. A ciência mostra que nossos níveis de motivação sobem e descem baseados em instintos muito básicos, como busca por prazer, a fuga da dor, ou até necessidade de aceitação social, né? Com certeza. Por exemplo, se a ideia de tocar uma música faz a pessoa se sentir parte de uma roda de amigos, a motivação dispara.

?Voz A

Entendi. Mas e quando essa motivação cai?

?Voz B

Aí entra o grande pulo do gato do modelo de Fogg, que é o sistema de compensação. Tipo, motivação e habilidade funcionam como uma gangorra.

?Voz A

Uma gangorra?

?Voz B

Como funciona isso na prática?

?Voz A

Bom, se a motivação cai lá embaixo num dia chuvoso e super estressante de trabalho, a única forma da prática acontecer é reduzir a exigência da habilidade a quase zero.

?Voz B

Ah, tornar a ação ridiculamente fácil.

?Voz A

Exatamente isso.

?Voz B

Entendi. Então, em vez de cobrar tocar uma música inteira de 20 minutos estando exausta, o compromisso passa a ser tocar um único acorde e já pode guardar o instrumento logo em seguida. Quando a dificuldade é minúscula, não é preciso quase nada de motivação.

?Voz A

Que legal! Mas mesmo com motivação e facilidade equilibradas, o comportamento não acontece sem o terceiro pilar, né? O tal do gatilho.

?Voz B

Sim, a faísca que acende a ação. E não basta qualquer faísca. Fogg divide esses gatilhos em 3 tipos bem práticos.

?Voz A

Eu vi isso no material. E aplicar isso no dia a dia é o que muda o jogo, não é?

?Voz B

Totalmente. Temos os sinais, por exemplo. Eles funcionam quando já existe alta motivação e o comportamento é fácil.

?Voz A

Tipo um simples alarme no celular avisando hora do ukulele.

?Voz B

Isso é só um lembrete. Aí temos as faíscas, que são gatilhos carregados de emoção para quando a motivação está no chão.

?Voz A

Ah, como assistir a um vídeo inspirador de um músico genial tocando muito bem.

?Voz B

Perfeito. E por fim, os facilitadores. Esses são para quando a motivação é alta, mas a ação em si é difícil.

?Voz A

O facilitador seria deixar o ukulele já afinado em cima do sofá em vez de guardado no alto do armário dentro de uma capa.

?Voz B

Exatamente. Isso tira o atrito do caminho.

?Voz A

Mas espera aí, na teoria isso é maravilhoso, mas na prática muita gente arruma o ambiente, cria facilitadores, coloca alarme e mesmo assim falha. Pois é, na hora que o alarme toca, a pessoa vai lá, desliga e vai rolar o feed de uma rede social, porque o mau hábito antigo sempre vence.

?Voz B

Essa frustração é muito real e a resposta está no que a revisão de Gardner chama de hábitos implícitos.

?Voz A

Hábitos implícitos? É.

?Voz B

Quando se tenta criar um novo comportamento, os velhos gatilhos não são simplesmente apagados do cérebro. É como ir ao cinema.

?Voz A

Ah, clássica história da pipoca.

?Voz B

Exato. Muitas vezes não há fome alguma, mas só o fato de sentir o cheiro da pipoca e ver as luzes apagando aciona um programa automático.

?Voz A

O ambiente meio que puxa as cordinhas do comportamento e contorna a intenção consciente, tipo de manter uma dieta.

?Voz B

Precisamente. Se o contexto antigo estiver presente, ele desperta o comportamento antigo automaticamente.

?Voz A

Nossa, então a chave para mudanças duradouras não é depender só da força de vontade.

?Voz B

Não mesmo, é focar na simplicidade e adaptar o novo comportamento ao recurso mais escasso do momento. E claro, aplicar os gatilhos na hora certa.

?Voz A

Mas aí eu fico pensando, se nossos velhos hábitos ganham vida nesses contextos, Como é possível sobreviver no mundo moderno? É uma ótima pergunta, porque pensa bem, no passado um anúncio na TV criava um gatilho para comprar algo, mas havia um intervalo imenso de tempo e esforço físico para ir até a loja. Dava tempo de o cérebro desistir.

?Voz B

E hoje esse abismo de tempo não existe mais. Os celulares andam junto com o corpo humano o tempo todo, criando contextos inéditos, um acoplamento imediato entre o gatilho e a ação. Exato. Uma notificação no bolso já traz o gatilho, a motivação e a facilidade extrema de executar tudo em um clique, no mesmo milissegundo.

?Voz A

Reescrevendo a nossa impulsividade em tempo real. Isso é assustador e fascinante ao mesmo tempo.

?Voz B

E deixa uma provocação pra pensarmos: se um comportamento só precisa de motivação, habilidade e um gatilho instantâneo, quem realmente tá no controle das faíscas que ditam as nossas ações diárias?

?Voz A

Uma reflexão pesada para levarmos adiante. Bom, este foi mais um episódio do Aulas do Mushi.

?Voz B

E a curadoria científica é de Luiz Mochizuki, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo.

?Voz A

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?Voz B

Até a próxima!