Episódios de Risco Brasil

#37 | REJEIÇÃO DE MESSIAS, ATAQUES DE GILMAR MENDES, DOSIMETRIA E A MAIOR CRISE DO STF

05 de maio de 20261h27min
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FAÇA O DOWNLOAD DO DÔSSIE BRASIL: https://lp.mmakers.com.br/dossie-brasil-2026?xpromo=MI-DB01-YT-DESCRICAO-X-20260504-DESCRICAOSOBREAOVIVORISCOBRASIL-MM-XO Supremo Tribunal Federal vive uma das maiores crises institucionais de sua história recente. A rejeição de Jorge Messias pelo Senado, as polêmicas envolvendo ministros do STF, o caso Banco Master, os pedidos de impeachment contra integrantes da Corte e a tensão crescente entre Judiciário, Congresso e governo Lula colocaram o STF no centro da disputa política brasileira.Neste episódio do Risco Brasil, Thiago Salomão e Henrique Esteter recebem Daniel Sousa e Felipe Recondo para explicar o que está acontecendo dentro e ao redor do Supremo Tribunal Federal: por que a Corte perdeu capital político, como o Senado entrou no jogo, qual o peso de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Dino nessa crise, e por que 2026 pode transformar o STF em um dos principais temas eleitorais do país.Falamos sobre:-a rejeição histórica de Jorge Messias ao STF;-a crise de imagem do Supremo;-Banco Master, Daniel Vorcaro e as polêmicas envolvendo ministros;-tensão entre STF, Congresso e Senado;-o impacto institucional e político para 2026;-o que essa crise significa para a democracia, o mercado e a segurança jurídica no Brasil.Na sua opinião: o STF está sendo atacado injustamente ou concentrou poder demais? Comente abaixo.Abra sua Conta Internacional na Nomad e ganhe até U$50 de cashback com o código de convidado MMAKERS50: https://link.nomadglobal.com/wIQT/MMAKERS50 (Leia os avisos legais: nomadglobal.com/legal)📌 Inscreva-se no canal e ative as notificações para não perder nenhum episódio!📢Apoie o Market Makers e ajude a fortalecer o mercado de capitais no Brasil! Clique no link e torne-se membro do nosso canal por apenas R$7,99 por mês: https://www.youtube.com/channel/UCwZwvDC6f0WhcVTG-3aBUTQ/join📩Entre para nossa newsletter gratuita: https://lp.mmakers.com.br/newsletter_gratuita?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X📢 Anuncie sua marca no Market Makers: comercial@mmakers.com.br📚Biblioteca Market Makers: https://lp.mmakers.com.br/biblioteca/?xpromo=MI-COMP-YT-DESCRICAO-MM-X- - - - - - - - -REJEIÇÃO DE MESSIAS, ATAQUES DE GILMAR MENDES, DOSIMETRIA E MAIOR CRISE DO STF | Risco Brasil #37Apresentadores: Henrique Esteter (apresentador do Risco Brasil) e Thiago Salomão (apresentador do Market MakersConvidados: Daniel Sousa e Felipe Recondo#RISCOBRASIL #BRASIL #ECONOMIA #POLÍTICA #MERCADO #MARKETMAKERS
Assuntos7
  • Indicação Jorge Messias ao STFHistórico de rejeições no Senado · Articulação política de Davi Alcolumbre · Papel do Senado na indicação de ministros · Impacto da rejeição no governo Lula · Percepção de fraqueza do governo
  • Crise no STFPerda de capital político da Corte · Tensão entre Judiciário, Congresso e governo · Caso Banco Master e polêmicas com ministros · Impacto institucional e político para 2026 · Busca por sobrevivência dos atores políticos
  • Perspectivas eleições 2026Mudança na percepção de favoritismo de Lula · Impacto do caso Master na imagem do governo · Resistência do centro à candidatura de Lula · Fortalecimento da candidatura de Bolsonaro · Importância da eleição para o Senado
  • O papel do Supremo como árbitro e a politização das indicaçõesSTF como instrumento de disputa política · Critérios de indicação de ministros · Relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário · Histórico de indicações presidenciais · Operação Lava Jato como marco
  • Veto à dosimetriaImpacto na pena de Bolsonaro · Voto de partidos com cargo no governo · Debate sobre penas no caso do 8 de janeiro · Proposta de meio-termo legislativo
  • Obstrucao de InvestigacoesImpacto de novas informações nas eleições · Negociação de delações premiadas · Possibilidade de reaquecimento do tensionamento político · Sigilo de delações e homologação de acordos
  • Reza Pahlévi como Alternativa PolíticaCríticas ao STF por políticos · Reação do ministro Gilmar Mendes · Postura de Alessandro Vieira e Romeu Zema · Especialidade brasileira em acomodação política · Relação entre o STF e futuros governos
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E a casa do povo! A ordem é uma só, senhores. Vamos marchar. Só pra vocês. Popcorn! Eu tratei do tiplego com o Léo uma vez. As coisas amadas, pro Brasil, a fila de mostrar as cores que balançam nosso coração. Tentamos juntos aí, se eu precisar de mim... Temos que desagradar o mercado. Por que que deram benefícios pra bilionários? Nós temos o presidente da Câmara, fodido. Não renunciarei.

Que Deus tenha misericórdia dessa nação. Voto sim. Aqui é o Brasil.

Salve, salve, senhoras e senhores, sejam muito bem-vindos ao episódio 37 do Risco Brasil. 42 votos contrários, 34 a favor. E uma data que ninguém imaginava ouvir de novo num roteiro sobre o noticiário brasileiro. 1894. Essa foi a última vez em que o Senado rejeitou um nome indicado pelo presidente da República para o Supremo Tribunal Federal.

Estávamos ainda na era de Floriano Peixoto. A República tinha cinco anos e cinco indicações foram derrubadas em sequência. 132 anos depois, na quarta-feira passada, o Senado fez de novo. Jorge Messias, advogado-geral da União e indicado por Lula para a vaga deixada por Barroso, foi rejeitado.

E aí já vale, claro, uma primeira nota. Não foi a oposição que derrubou, pelo menos sozinha, Messias. A oposição tinha por volta de 35 votos. Foi a articulação de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que, segundo a Folha, pediu pessoalmente para que votassem contra.

O argumento de Alcolumbre nas conversas reservadas teria sido que rejeitar Messias era um gesto de fortalecimento do Legislativo e que indicações ao STF teriam de passar por negociações prévias com o Senado. Em outras palavras, ele disse o seguinte, vocês não me ouviram, eu queria o Pacheco, agora se virem.

O Planalto liberou quase 11 bilhões de reais em emendas tentando segurar a base, mas não adiantou. E não parou por aí. Isso porque apenas 24 horas depois, uma outra facada. Essa já um pouco esperada. O Congresso derrubou o veto de Lula ao PL da dosimetria.

A pena de Bolsonaro, que era de sete anos e oito meses no regime fechado, pode cair para três anos e três meses apenas. E o mais interessante de tudo isso, sete partidos com cargo no governo votaram para derrubar o veto.

Em duas tardes, então, o governo Lula tomou a maior derrota institucional do mandato e perdeu o controle do calendário do STF. Se Lula não conseguir emplacar nenhum nome esse ano, o próximo presidente do Brasil, eleito em outubro, vai poder indicar quatro ministros para o Supremo. Um para a vaga do Barroso, já aberta, outra Luiz Fux em 2028, Carmen Lúcia em 29 e Gilmar Mendes em 2030. Quase metade do tribunal.

Então, meus amigos, tem muita coisa para a gente discutir aqui. E para me ajudar a conduzir essa conversa, ele, o cara que vocês conhecem muito melhor, até mesmo do que eu que apresento esse negócio toda semana, porque ele está quase todos os dias neste mesmo canal, o grande criador, CEO, fundador do Market Makers, Thiago Salomão. Muito boa noite, meu querido. Seja bem-vindo mais uma vez ao Risco Brasil. Boa noite, Henrique Stetter. Boa noite, audiência. Cara...

O que eu acho mais legal do Risco Brasil, sabe quando você está vendo alguma série Netflix e aparece lá, Pular Abertura? Eu duvido, duvido que alguém clicaria em Pular Abertura do Risco Brasil. Que vinheta maravilhosa. A vinheta é impossível de pular. Olha, eu desafio a produção de Lucas Anardo a criar uma segunda vinheta do Risco Brasil melhor do que essa primeira vinheta.

Conteúdo tem, agora melhor é difícil, mas conteúdo não falta. Bom, boa noite. A gente tem dois convidados de peso hoje, Daniel Souza e Felipe Recondo. O assunto vai ser muito bom. Antes, só deixa eu dar um recado que esse episódio do Risco Brasil tem o apoio da Nômade, a solução definitiva para quem busca proteger o patrimônio da volatilidade aqui do Brasil. Coisa que a gente já fala bastante. Em um cenário de incerteza, diversificação não é apenas uma conveniência.

de viagem, mas uma estratégia de defesa. E com a Nômade, você abre sua conta nos Estados Unidos sem burocracia, garantindo acesso direto ao mercado de capitais norte-americano. É uma forma segura e simples de dolarizar seu patrimônio, movendo parte do seu capital para uma moeda forte e estável. Proteja seu poder de compra e se internacionalize com a Nômade. Está vendo esse QR Code aqui, que está lá do outro lado, e também tem um link na descrição? Com esse QR Code...

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É claro. A gente fez um episódio, né, Salomão, recentemente no Market Makers com um dos nossos convidados que vai estrear aqui no Risco Brasil pela primeira vez conhecido como um dos grandes especialistas em STF. Um cara que imagina não debater a vida tão emocionante. É emocionante, sim.

É tão legal cobrindo esse assunto todos os dias há décadas. Felipe Recondo esteve conosco no Market Makers, vai fazer sua estreia aqui no Risco Brasil, e junto com ele, Daniel Souza, pela sua terceira vez, participando aqui do nosso podcast. Senhores, muito boa noite, uma honra poder juntar vocês dois num momento em que o Brasil com certeza quer escutar o que vocês têm a dizer sobre tudo o que está acontecendo. Então, Recondo, só para o pessoal reconhecer sua voz pela primeira vez aqui no podcast.

Muito boa noite e diga para a gente, Kiki, qual foi a sua sensação ao longo da última semana com um evento que aparentemente foi único, pelo menos para nós, meros mortais com menos de 130 anos. Boa noite, meu querido.

Steter, boa noite. Boa noite, Salomão. Daniel, prazer estar aqui com vocês de novo. Eu confesso que quando o Salomão me chamou pela primeira vez, eu achei que seria a primeira e única. Talvez, quem sabe, se tivesse algum julgamento tributário, algum plano econômico que batesse no Supremo, vocês me chamariam de novo, mas o Supremo também dá razão para a gente conversar sempre, o que, como eu estava dizendo antes de começarmos a gravar, o que acaba sendo bom para um jornalista que cobre o Supremo há mais de 20 anos.

perfeito. Daniel Souza, só uma ressalva, além de jornalista, os livros que o Felipe Recondo escreveu sobre STF, leitura recomendadíssima, já falei isso no episódio e reforço aqui, meu advogado e grande amigo Bruno Chattac, que é o cara que estuda pra caramba isso, quando eu falei que ia fazer um episódio sobre STF, ele me deu uma aula e falou, ó, tá tudo nesse livro aqui. Eu falei, cara, o autor do livro é quem eu vou entrevistar.

Ele, ah, então está tranquilo, então você já sabe. Nada mal, nada mal, obrigado. Perfeito. Daniel Souza aqui conosco também, mais uma vez, as últimas para falar de uma outra situação bem tranquila no nosso país, conhecida como Caso Master, e agora com todo esse embrogue aí que envolve STF, naturalmente envolve economia, envolve tudo, porque estamos em ano de eleição. Daniel, muito boa noite, obrigado pela sua presença mais uma vez.

Boa noite, Henrique, Salomão, Recondo. Pô, uma alegria estar aqui nessa noite, ainda mais ao lado do Recondo, que entende tudo de STF. Eu estando aqui na mesma prateleira dele, me sinto extremamente lisonjeado para falar sobre esse tema, que é o tema do país nesse momento. Sem dúvida. Eu queria começar puxando esse assunto mais quente da semana passada e naturalmente começo contigo, Recondo, porque...

Nada que, assim, uma coisa que acontece a cada 130 anos, naturalmente, é uma coisa relevante, né? Eu queria te perguntar o quanto você ficou surpreso com a rejeição do Messias, e se puder passar um pouco desses bastidores, o que você tem conversado com as pessoas de Brasília?

e que naturalmente justifique uma decisão tomada como essa em ano eleitoral, em que a gente sabe que se o Lula não conseguir emplacar um novo ministro, vai ficar para o próximo presidente. Dado que as pessoas enxergam cada vez mais proximidade entre os ministros e os presidentes, isso tende a, pelo menos, passar a percepção para as pessoas de uma mudança de poder, um reequilíbrio na balança de poder das instituições. Como você enxergou tudo isso?

Se tem até aquelas coisas ou daquelas notícias que a gente duvidava que um dia se defrontaria, tipo uma repetição num processo de impeachment, por exemplo, ou mesmo impeachment de um ministro do Supremo, agora nós vimos algo que realmente ninguém apostava, eu me lembro.

que na semana tanto da sabatina como na semana anterior, eu vinha conversando com algumas pessoas da Advocacia Geral da União já para discutir a sucessão do Messias. Tamanha era a confiança de todo mundo que o Messias seria aprovado e não para menos. Nós nunca tivemos rejeição e a gente sempre imagina que o governo, quando envia um nome, já fez toda a negociação necessária para a sua aprovação. Foi assim, como você bem disse, ao longo do último século.

Quando eu estava, inclusive, dirigindo, indo buscar meu filho na escola, porque isso eu não podia esperar, e aí eu ouvi, estava acompanhando também no celular,

a votação e vi a rejeição, eu falei, isso aqui é algo realmente inacreditável, sem precedentes, mas aí você dá aquele passo atrás e olha pelo retrovisor e pensa o seguinte, as condições estavam dadas realmente para isso. A gente podia não apostar que isso fosse acontecer, mas a gente tinha a convicção de que nunca o Senado esteve tão perto de derrubar

alguém candidato ao Supremo. Da mesma maneira que a gente fala, nunca o Senado esteve tão perto de abrir um processo de impeachment contra um ministro do Supremo. Então, quando houve a confirmação da rejeição do Messias, a gente começa a fazer aquele, tipo, engenheiro de obra pronta, que você vai vendo os passos que foram dados errados, e aí você vai compreendendo como é que nós chegamos até aquele ponto.

E aí, acho que teve muita tentativa de explicação, teve muita hipótese, teve muita tese sobre o que de fato aconteceu. Acho que na sua abertura você resume com precisão o que é possível dizer hoje. Foi sim uma articulação de Davi Alcolumbre, foi ele que levou...

e organizou tudo isso, o que vem por fora, o que vem de anexo, teve ligação disso, ligação daquele ministro, teve aquilo outro, me parece que é mais, como diria o ministro César Peluso, que se aposentou há tanto tempo do Supremo, parece mais champignon, uma coisa meio desnecessária na explicação. Foi realmente uma articulação do Davi Alcolumbre, o Messias tinha uma certa confiança de que...

tanto pelo seu perfil, pelo seu trabalho na Advocacia Geral da União, no seu currículo, o concurso público por que passou, e também uma questão de apoio dos evangélicos, isso o sustentaria. E a gente viu que isso não foi suficiente. E aí nós temos um quadro, e a gente pensava isso muito no passado, sabe, Steter, quando houve uma ameaça de que, por exemplo, o ministro Fachin fosse rejeitado no governo Dilma, que era um governo...

capenga, tanto que foi empichada a presidente Dilma, mas a gente pensava, o Senado vai fazer isso com alguém que é professor, mestrado, doutorado, uma carreira acadêmica, de advogado, tão profícua, será que vão macular a biografia desse cara? E aí o Senado acabou aprovando. Pensamos a mesma coisa com o André Mendonça, quando indicado, e aí o presidente Bolsonaro acabou abandonando a indicação dele, pensando, será que esse cara vai ficar com essa marca?

Jorge Messias não foi abandonado, mas foi rejeitado pelo Senado, fica com essa marca. Mas não é uma rejeição, eu ousaria dizer isso, não é uma rejeição necessariamente a ele pelo perfil dele. É mais uma articulação política e, claro, a gente pode discutir se o perfil...

uma maneira para isso. Mas paro por aqui, porque eu acho que a gente ainda tem muita coisa para falar sobre todos esses bastidores, essas teorias que foram escritas e descritas sobre o porquê da rejeição, quem participou, quem não participou. Acho que ainda estamos muito próximos do fenômeno, para a gente conseguir descrever ele com tanta precisão.

Perfeito. Queria passar só para o Daniel também trazer a primeira pincelada dele a respeito desse tema, afinal, enfim, a gente não tem todas as respostas, mas a leitura de cada um de vocês é interessante para a gente conseguir dar os passos adiante. Então, Daniel, como você enxergou esse evento considerado como único até no meio do político?

Pois é, Henrique, me parece que não é nenhum exagero dizer que é um evento único, porque a comparação com o que aconteceu durante o governo do Floriano Peixoto me parece um pouco difícil de ser feito. O Floriano Peixoto é um vice-presidente que acabou assumindo depois da renúncia do Deodoro. E a Constituição brasileira...

de então obrigava a convocação de novas eleições, o que o Floriano Peixoto não fez. O Floriano Peixoto acabou governando até o final e ele assinava como vice-presidente em exercício. Então, na prática, ele estava ali dando uma certa pedalada na Constituição de então. Havia o temor, inclusive, que ele permanecesse no poder. Ele era um militar.

acabava sendo realmente alguém que tinha muito apoio em uma parte importante da sociedade brasileira e havia quem, inclusive, demandasse os chamados florianistas que ele permanecesse no poder e que ele desrespeitasse a eleição do Prudente de Moraes em 1894. É dentro desse contexto que nós temos ali a recusa por parte do Congresso Brasileiro das indicações do Floriano. Ou seja, havia ali um temor que o Floriano utilizasse que o Floriano trilogie que o Floriano trilogie

essas indicações para permanecer no poder, além do fato de que muitas daquelas indicações realmente não tinham sequer notório saber jurídico ou algo próximo a isso. Portanto, o que aconteceu na semana passada me parece algo diferente, algo que aconteceu realmente pela primeira vez na história do Brasil.

E uma coisa que me chamou muito a atenção na semana passada, e é a maneira com a qual eu definiria o que ocorreu, é a busca pela sobrevivência. Quer dizer, você tem ali múltiplos atores políticos tentando sobreviver dentro de um ambiente onde as peças estão se mexendo muito rapidamente, onde as instituições não têm a mesma força que já tiveram no passado, onde as regras não têm a mesma força que tiveram no passado.

Então a gente está falando, por exemplo, de um presidente da República que luta para se reeleger e tenta se manter relevante, inclusive fazendo ali uma nova indicação para o Supremo Tribunal Federal, ele não quer de maneira nenhuma passar uma imagem de fraqueza, ou não queria passar uma imagem de fraqueza.

por conta de uma preocupação sobre as repercussões que isso poderia trazer na eleição e também eventuais apoios que ele poderia perder. Você tem um legislativo que se sente ali bastante empoderado por questões orçamentárias e ao mesmo tempo muito preocupado com algumas investigações que estão no Supremo Tribunal Federal nesse momento.

e consequentemente quer participar, quer influenciar o Supremo no que diz respeito à escolha dos novos ministros. E você tem também um Supremo que está num momento de fragilidade por uma série de situações que tem acontecido num passado recente e que acaba tentando ali de alguma maneira também participar.

desse processo. Acho que a gente está falando, acima de tudo, de um Supremo que está muito politizado, ele está muito politizado pelo Poder Executivo, na medida em que o presidente escolhe alguém da sua absoluta confiança, esse é o critério fundamental, independentemente da qualificação técnica do escolhido, o critério fundamental foi a confiança, eu confio nele para ser ministro do Supremo.

e consequentemente você acaba perdendo ali a capacidade de uma escolha que tivesse um certo distanciamento para que o Supremo pudesse ser aquele árbitro para tomar decisões em momentos delicados. Você tem um legislativo que agora quer também escolher um ministro do Supremo.

ou seja, quer ter uma bancada do Senado no Supremo Tribunal Federal, e você tem o próprio Supremo, que tem passado por um processo de politização e tem tentado participar cada vez mais da escolha de novos ministros para o próprio Supremo. Isso é algo que me chama muito a atenção, acho que isso nos leva para um lugar muito perigoso, porque, na prática, você passa a ter realmente um Supremo que não tem aquele distanciamento.

ideal que ele deveria ter, um distanciamento para tomar decisões, para ser o árbitro. O Supremo é, acima de tudo, um árbitro. Quer dizer, você tem ali choques entre diferentes poderes, choques em diferentes situações. O Supremo, idealmente, deveria ser visto como um árbitro relativamente distante, apartidário, sem estar ali suscetível a determinadas influências políticas. E cada vez mais isso tem se perdido por N fatores que têm acontecido.

ao longo dos últimos tempos. Portanto, acho que se eu tivesse que definir a minha visão em relação ao que aconteceu na semana passada, foi uma luta pela sobrevivência de uma série de atores políticos que enxergam esse ambiente muito pantanoso, muito imprevisível, de uma certa fragilidade institucional, de uma certa fragilidade realmente nas regras, que até então eram consideradas como regras estabelecidas ou regras que estavam ali consolidadas.

E você tem, claro, dentro de um ambiente como esse, essa disputa política e essa disputa por poder e pela sobrevivência. Eu tenho uma dúvida só, bem simples, na verdade. A gente fez uns episódios recentes no Market Makers, acho que dois ou três convidados usaram a expressão do voltar o gênio para dentro da lâmpada, que agora está muito difícil, depois que saiu da lâmpada.

Esse episódio pode ser um primeiro passo para um retrocesso, retrocesso talvez não seja o termo certo, mas simplesmente o STF diminuiu um pouco, de maneira quase que espontânea, o seu poder, e o quanto isso também interfere nas eleições. A gente já pode falar que isso já é uma sinalização também do que a gente pode ver de resultado das eleições.

Só antes de vocês responderem, minha produção lembrou aqui que a gente está falando tanto de Brasil e a gente atualizou o maior documento sobre o Brasil que a gente fez aqui, a compilação de todos os episódios que a gente fez do Market Maker sobre o Brasil. Deu o relatório atualizado do Doce Brasil 2026. Então é um e-book, tem umas 30 páginas. O meu resumo está lá, o que a gente falou com o Marcos Mendes, Gustavo Franco, toda a turma que já veio aqui. É gratuito.

Tem um link aí na descrição, se você está ouvindo pelo podcast, tem um link no podcast, deve aparecer um QR Code aí também, enfim, baixem lá o conteúdo que a gente fez, com amor e carinho para todo mundo estar bem informado sobre o Brasil e atualizamos ele com as informações. Mas agora com vocês, Daniel e Felipe. Daniel, me permite? Claro, por favor, Felipe.

A sua pergunta, Salomão, eu acho que eu iria pelo outro lado. Na verdade, eu não acho que o STF pode dar um passo atrás nesse sentido. Eu acho que nesse cenário o tribunal vai continuar ainda nessa mesma atuada, enquanto a política também continuar no mesmo ritmo que está.

nessa desavença que existe entre legislativo e executivo, e mais com as políticas públicas sendo cada vez mais judicializadas e mais constitucionalizadas.

Tem um estudo do professor Rogério Arantes, da Universidade de São Paulo, ele mostrando a quantidade de emendas constitucionais que foram feitas, colocando políticas públicas na Constituição, e boa parte das ações que chegam ao Supremo são com base nessas políticas públicas constitucionalizadas. E isso acaba gerando, necessariamente, esse conflito e essa disputa por governabilidade usando o Supremo.

como instrumento. Então, nesse sentido, eu acho que não muda muito, não vai mudar muita coisa daqui por diante, não. Acho que o que muda, o que gera mudança, é a relação do executivo com o Congresso Nacional, e aí colocando os três poderes num novo equilíbrio. Enquanto tivermos esse desequilíbrio, foi disso que nós falamos, inclusive, na nossa conversa lá no passado, enquanto houver esse desequilíbrio entre os três poderes, nós vamos ver esse tipo de choque.

Só se o... E a gente ouve isso em Salomão Steter. Dos ministros do Supremo, acho que inclusive na entrevista do ministro Gilmar Mendes para Renata Lopretti, que ele foi muito criticado, mas eu achei uma ótima entrevista por parte dos dois, inclusive, por mais que o ministro Gilmar Mendes tenha sido tão criticado, mas foi muito transparente no que ele disse, inclusive. E nessas entrevistas ele tem dito, está na hora da política voltar a assumir suas responsabilidades. O Supremo também não aguenta.

Parece que o Supremo gosta de exercer esse poder, e claro, quem não gosta, mas chega um momento que tem uma certa exaustão, tem limite para as coisas, e o Supremo percebe esse limite. A gente pode achar que não, a gente pode pensar que não, mas eles estão fazendo esse tipo de coisa, mas existe um limite e nós estamos vendo. Nós estamos vendo esse limite chegar no máximo possível. Agora, o que eu disse que eu iria por um outro caminho, Salomão, é o seguinte, será que agora o Senado vai achar que pode fazer ele o candidato?

a ministra do Supremo, isso é perigoso também. Porque pela Constituição, é o presidente que indica, o Senado avalia, aprova ou não aprova. Será que agora, diante disso, dessa força que foi mostrada por Davi Alcolumbe, ele vai querer fazer o candidato dele? E veja, ele fazer o candidato dele, significa o Senado querer impor a sua vontade, a vontade da política?

alguém que venha da política para o Supremo Tribunal Federal. Isso é uma mudança, isso é uma mudança muito grave, perigosa, e a gente pode discutir isso, por que perigosa? Porque tem os acordos políticos, você imagina, colocar alguém lá no Supremo que venha do Congresso Nacional, e, portanto, com esse tipo de pensamento do Congresso Nacional, que é só conciliação, só acordo, etc., você botar uma figura dessa no Supremo.

Então, acho que tem esse outro lado dessa decisão de rejeição do Messias que a gente tem que ficar de olho. Minha dúvida, muda, a gente até conversou, tivemos juntos essa semana, né, Daniel, na Globo News, e aquela dúvida assim, se isso servir, se a rejeição de Messias servir...

para pensarmos, como vocês disseram no começo do programa, uma nova forma de indicação com perfis novos, equidistantes, sem o fator de confiança pessoal, identidade ideológica partidária como pressuposto para as indicações. Se isso acontecer, está ótimo. A rejeição, esse movimento político serve para alguma coisa. Mas eu temo que essa rejeição seja mais um movimento político, de batalha política, e que o resultado pode não ser muito bom, pode até ser pior.

Me parece que o Reconto tem razão e a tendência, pelo menos a hipótese mais provável, é que de alguma maneira o Senado, se não quiser escolher, vai querer influenciar na escolha. Quer dizer, você vai ter que combinar comigo qual é o nome direitinho, porque senão eu não aprovo. E diante disso...

você passaria a ter um novo rearranjo de forças, o que não necessariamente nos leva para um bom lugar, porque na prática é como se o Supremo tivesse uma lógica meio de ministro do TCU. Vamos escolher, da mesma maneira que o Senado escolhe um ministro do TCU, você também teria ali a escolha de um ministro do Supremo e, consequentemente, o perfil tenderia a ser um perfil muito político.

E, consequentemente, isso levaria para a Suprema Corte, a qual, como a gente mencionou há pouco, deveria ter esse perfil de uma certa isenção, de um certo distanciamento de árbitro, etc., levaria a Suprema Corte para um lugar mais perigoso do ponto de vista institucional. E, pensando em eleições nesse ano de 2026, eu me arrisco a dizer, embora ainda não haja nenhuma pesquisa que mapeie isso de maneira mais precisa,

que na central do Brasil ninguém sabe quem é Messias, ou seja, o impacto em termos de eleição ou de voto, pelo menos nesse primeiro momento, não vai ter nenhum. É muito mais um impacto do ponto de vista do rearranjo das forças políticas para a corrida eleitoral, ou seja, não me parece que você teria tido essa derrota do presidente.

se o presidente estivesse projetando uma imagem de força. Houve essa derrota porque uma parte considerável do Senado está vendo o presidente em baixa nas pesquisas eleitorais, começa a haver uma possibilidade real de vitória da oposição e, consequentemente, você acaba tendo ali justamente uma movimentação nessa linha. O próprio presidente do Senado, quando derruba...

essa indicação, quando trabalha pela derrubada dessa indicação, me parece que não é nenhum exagero colocar nesses termos, ele oferece, ou pelo menos tenta oferecer um presente para o novo presidente, e ao fazer isso, ele enxerga que existe ali a possibilidade desse novo presidente não ser o atual.

e sim um candidato da oposição. Portanto, não acho que isso gerou qualquer tipo de impacto em termos de intenção de voto, relevante, pelo menos no primeiro momento, mas acho que é um termômetro, é uma sinalização de como está a expectativa de poder nesse momento e como é que esses atores estão se movimentando diante dessa expectativa de poder.

Eu quero escutar o Recondo falar sobre esse assunto também, mas só para trazer então como base para as pessoas que estão nos acompanhando no momento que eu consigo implementar o que eu tenho como necessidade de fazer nesse programa, embora possa não parecer muito oportuno, acho que dá para a gente colocar o polimarketing na tela nesse momento. O Daniel estava falando da perspectiva de que haja talvez uma mudança de governo. Eu me recordo também que quando a gente fez os primeiros fiscos Brasil aqui no YouTube,

Eu recebia alguns especialistas políticos de diferentes lugares, né? E aquelas pessoas que estavam em Brasília diziam ser um grande consenso que o Lula seria reeleito. E os de São Paulo...

tinha uma visão oposta. Então, era bem interessante a gente conseguir conflitar essas ideias. Só que agora os números estão começando a mostrar um cenário diferente. Embora pesquisas eleitorais ainda deixem o negócio meio pau a pau, quando a gente olha para o dinheiro, o dinheiro não tem precificado dessa forma. E quando a gente compara com a semana passada, o gap abriu ainda mais. Então, só para quem está acompanhando o podcast e não está vendo na tela...

Polimarketing a gente tinha 60 milhões de dólares apostados até na semana passada, com Flávio 41%, Lula 36%, Zema 9%, Renan 5% e Haddad 4%. A grande mudança aqui, o Lula até subiu de uma semana para outra, ele saiu de 36%, foi para 37%, mas aquele percentual que o Zema tinha...

conquistado ao longo da semana nos conflitos, justamente com o STF, migraram para o Flávio. Então o Zema saiu dos seus 9 e voltou para os 4%, e o Flávio saiu de 41 e foi para 44. Isso significa que tem atualmente uma diferença de 7 pontos percentuais na probabilidade de vitória do Flávio em relação ao Lula. Isso é o que o dinheiro acredita atualmente. E essa é...

uma das maiores, se não a maior diferença que os dois já tiveram ao longo do tempo no Polimarket. Só para completar a informação, então, tínhamos 60 milhões apostados, agora são 64 milhões de dólares. Renan continua ali variando entre 5% e 6%, o Zema saiu de 9% e foi para 4%. E o Camilo Santana despontou aqui com 4%, ele não aparecia no top 5 da semana passada.

o que indica que tem algumas pessoas aí querendo comprar o pozinho. O famoso, as opções fora do dinheiro, esperando que talvez Camilo possa ser nomeado para a disputa no lugar do Lula. E claro, se você comprar 2% do negócio, bate 10% em algum momento, você fez cinco vezes. Então a galera começa a querer aproveitar.

algumas oportunidades assim que apareçam. Tudo isso, Recondo, para ouvir sua opinião, afinal você tem um contato bem próximo com Brasília, essa percepção que o Daniel comentou, ela...

generalizada também entre os políticos, os ministros atualmente. Flávio está mais forte do que Lula nessa disputa, e se não fosse isso, talvez a gente viria o candidato ou o indicado qualquer que fosse pelo Lula para a vaga do STF sendo aprovado? Olha, eu acho que nesse caso, como eu tinha falado no início, tem circunstâncias que permitiram que isso acontecesse. Acho que uma das principais era o fato de Alcolumbre ter o seu candidato pessoal.

e Messias ter lá os seus problemas e ser a terceira indicação do presidente Lula com esse perfil de ligação estrita com ele. Cristiano Zanin foi seu advogado pessoal, Flávio Dino seu ministro da Justiça e também um apoiador político, e seria a terceira pessoa com esse perfil de proximidade. Chega um momento que o Senado deve se perguntar, por que só ele, por que não a gente?

porque a gente também não indicar o nosso nome. E aí, Daniel, eu só discordaria de você num ponto. O Senado sempre se colocou como um poder de veto, e ele vetou já em vários momentos nas negociações.

pré-indicação, pré-envio da mensagem pelo presidente da República, houve alguns casos em que senadores avisaram, se mandar este nome para cá, não vai passar. E o presidente fazia essas consultas e não mandava. Agora, essas consultas também eram feitas ao Supremo.

presidentes da República sempre ouviram ministros do Supremo antes de enviar os nomes para o Senado. Eu acho que a situação agora, ela gera um pouco dessa nossa percepção de que isso é muito novo, porque também se atribui a ministros do Supremo a responsabilidade pela derrubada. Mas, no passado, já houve ministros trabalhando por tal ou qual candidato. E isso, só para dar um exemplo, num passado mais ou menos recente, a última indicação...

acho que foi a última indicação do Lula no seu segundo mandato, de Carlos Alberto Menezes de Direito, foi também um trabalho de ministros do Supremo junto ao governo para que enviasse o nome de alguém mais conservador. E o presidente de esquerda mandou para o Senado o nome de alguém extremamente conservador que ia num caminho oposto do que se imaginava de um governo do PT. Então, eu acho que essa equação, esse balanço de poder, esse exercício pelo Senado de veto,

e do Supremo também de algum tipo de negociação ou conversa com o Executivo, eu acho que isso já estava no passado, já estava dado no passado e isso já acontecia. Para mim só é essa novidade agora, de presidentes do Senado ou Senado querem enfiar a goela abaixo do presidente da República um nome. Eu vou lembrar de um outro caso que aconteceu, o Lula poderia, a gente vai lembrar, no segundo mandato o Lula deixou de indicar um nome.

e ele deixou a indicação para a Dilma. Ainda não se sabia que a Dilma ia ser, mas ele tinha confiança pela popularidade que tinha, que poderia fazer Dilma Rousseff presidente. Ele não indicou o nome e deixou uma vaga em aberto. Por quê? Porque tinha feito ele um acordo político com Sarney, presidente do Senado, para o envio de determinado nome.

E chegou um momento em que ele falou, eu não posso mandar esse nome, esse nome não tem condição, por inúmeras razões. E aí ele falou o seguinte, só que se eu mandar qualquer outro nome agora, o Sarney vai vetar, porque o nosso acordo político era esse, eu ia mandar tal nome. E aí o presidente abriu mão, não indicou. Pode ser que isso aconteça agora, para evitar que ele seja obrigado a indicar alguém que Davi Alcolumbre queira?

Talvez isso possa acontecer. E acho que a gente hoje não tem nenhuma resposta segura do que o presidente vai fazer diante dessa negativa. Muita gente diz, manda alguém de qualquer maneira para pressionar o Senado. Tem gente que diz, faz uma negociação com o Davi Alcolume para achar um nome que seja equilibrado. E já ouço também pessoas dizendo, o Senado já disse que só determinado nome passaria aqui. Ou seja, o presidente vai ser forçado a indicar alguém. E eu acho que isso é bastante complicado nesse cenário.

Recondo, só um detalhe aqui que eu queria te escutar em cima da sua resposta. Saiu agora há pouco uma notícia na coluna da Mônica Bergamo que Pacheco está descartado por Lula. Ele não vai querer colocar o nome que era o pretendido ali pelo presidente do Senado.

Agora, por que tamanha insistência com o Messias? Muitas pessoas, e claro que eu não tenho a menor capacidade de julgar isso, mas muitas pessoas que conhecem do meio dizem que ele não seria uma grande referência no meio jurídico.

e mesmo assim mesmo sabendo que talvez pudesse vir a perder que talvez não fosse 100% a possibilidade de aprovação ele insistiu com o nome do início ao fim seria por conta do passado próximo ali o relacionamento a confiança de fato que ele tem

Ou existe alguma outra razão para essa indicação? Afinal, não me parece ter valido muito a pena correr esse risco por uma pessoa que, aparentemente, o meio acadêmico como um todo não vê como um grande nome. Me pareceu ser mais uma escolha política do presidente. Você concorda? Concordo, Steter. E eu posso dividir essa resposta em dois campos, mas serei breve, inclusive, em explorá-los. Mas o primeiro você mencionou do porquê da indicação. Acho que tem algo de serviço prestado também.

o Messias era um candidato, diante de todas as indicações que a gente já teve no passado, o Messias era um candidato natural, pelos cargos que ocupou, pela relação com o PT, por ter sido parte do governo Dilma, por ter sido parte do governo Lula, advogado-geral da União, quando nós temos hoje no Supremo três ex-advogados.

da União, então já se falava, depois da indicação de Flávio Dino, que a hora do Messias chegaria, a indicação dele chegaria. Então acho que tem algo disso de orgânico, de natural, pelo caminho que ele fez no governo do presidente Lula, também no governo Dilma Rousseff, a proximidade com o PT, e essa confiança como você mencionou. A outra coisa que eu acho que vale a pena a gente mencionar é a seguinte,

E eu escrevi numa newsletter lá no Substack que eu coloco, que o Messias, a indicação dele, ela não é tão diferente, ou muito pelo contrário, ela não tem nada diferente das últimas indicações que foram feitas ao Supremo pelos últimos presidentes, tirando Dilma.

Temer, Bolsonaro e Lula, agora este Lula, fazem indicações muito semelhantes. A Dilma fugia disso porque ela escolheu pessoas para o Supremo que poderiam ter sido indicadas, por exemplo, pelo próprio Temer ou por um governo do PSDB. Um exemplo mais claro disso é Teori Zavascki. Teori Zavascki não era um cara de esquerda, pelo contrário, era também um conservador. E a presidente Dilma indicou ele.

por achar que ele tinha o perfil para ministro do Supremo Tribunal Federal. Então, acho que isso, a indicação do Messias é a cara dessas outras indicações e um pouco do que é o Supremo hoje. E repare que na sabatina dele, a gente hoje não vai, a gente já não mais fala da sabatina porque ele foi rejeitado, mas o Messias se vendeu como conciliador.

Um ministro do Supremo que coloca como um dos principais ativos a capacidade de conciliar com a política, está levando o Supremo para um outro campo. Está levando o Supremo para ser um ator político, de negociação política com o Congresso Nacional e com o Executivo, e ainda mais, quando diz, busquemos lá na Sabatina, a frase que ele usou foi essa, processo judicial não precisa ser algo de soma zero, as partes podem ganhar. Como?

Se a gente estiver discutindo um mandato de segurança com direito líquido e certo, ou um direito fundamental, que tipo de negociação se faz? Veja que ele estava tentando fazer uma linguagem da política, de colocar o Supremo nesse campo de negociação, conciliação, ele usou a palavra várias vezes de pacificador. Então a gente repara que essa indicação do Messias não tem nada de muito diferente do que foi feito nos últimos anos.

O que muda mesmo é a capacidade do governo de fazer aprovar um nome e de negociar. E aí, acho que vem os dados que você mostra, né? As pessoas veem essa incapacidade do governo, essa derrota do governo e pensam, bom, esse governo foi o que a gente mais ouviu, né, Daniel, depois da rejeição, esse governo acabou. E acho que as pessoas estão botando dinheiro nisso também.

E é interessante esse aspecto que o Recondo levantou sobre as indicações feitas até o governo Dilma. E eu acho que tem um marco importante que certamente influenciou essa mudança no padrão de escolha, que foi a Operação Lava Jato. Diante da Operação Lava Jato, você acaba tendo ali...

é uma mudança de perspectiva. E aí você tem o Temer, o Bolsonaro e o próprio Lula tendo uma preocupação em relação a essa escolha que passa a ter notas de confiança e de uma certa proximidade, de uma certa lealdade dos nomes que acabam sendo escolhidos.

o próprio caso do Lula, três indicações e três pessoas muito, muito próximas do presidente, dentro ali de um contexto onde ele considera, em algum grau, que não será presidente para sempre, e quando deixar de ser presidente, você precisa ter ali uma formatação no Supremo que não seja potencialmente hostil a ele e, consequentemente, evitaria dessa forma uma repetição.

do que aconteceu no momento no passado. E, claro, quando você tem esse padrão que se estabelece, onde um presidente escolhe o seu advogado pessoal, um presidente anterior escolhe ali alguém com quem ele poderia tomar tubaína, ou seja, queria alguém que fosse próximo, alguém que...

tivesse ali um espaço para conversar, a gente está colocando o Supremo num lugar que me parece um pouco perigoso. O ideal, de novo, seria que você escolhesse pessoas que pudessem ser escolhidas por qualquer presidente, quer dizer, pessoas que têm ali um perfil técnico acima de tudo e que poderiam ter um distanciamento para serem árbitros em questões importantes e questões que podem trazer ali um tensionamento entre as instituições.

Perfeito. Salomani, quando você tira o seu microfone do mudo, eu percebo que você está pronto para a próxima pergunta. Na verdade, eu ia até te falar se você não quer mudar o assunto, porque eu lembrei de duas coisas importantíssimas. A primeira, o Recono tem hora para sair, tá? Então, 19h35, a gente tem que liberar o homem. E a segunda, cara, eu sou um cara meio supersticioso.

E a gente está com 666 mil inscritos no canal. Batemos agora 666. Então, galera que está assistindo aí a nossa live, ou está vendo a gravação, não é inscrito ainda no Market Makers, se inscreve lá, só para...

Senão, putz, minha mãe vai olhar esse número aí, vai ficar o 666, vai... Putz, cara. Ajuda aí a tirar só esse número incômodo aí, só deixar o 667. Então vai lá. Já resolve. Mas o assunto ajuda também o número, né? Pior é que pode ter muito escrito aí, o cara vai se desinscrever para ficar 665. Pelo amor de Deus, não. Só se inscreve aí para ajudar lá.

Mas vai lá, Estéter. O Estéter, se me permite, só vou fazer um comentário. Com certeza. Pegando carona no que o Daniel mencionou. Eu acho que a gente pode fazer uma radiografia, uma arqueologia, melhor dizendo, Daniel, dessas, do porquê que nós chegamos também nesse ponto das indicações. Você mencionou o Lava Jato.

Eu ouvi isso de um ex-ministro do Supremo, um ministro mais antigo, que ele me falava o seguinte, olha, na nossa época, tinha um pouco também de autoelogio, né? Por parte dele. Mas ele dizia, na nossa época, os presidentes buscavam o que de melhor tinha disposição. Ele até fez uma piada, como exceção do meu nome, mas enfim. Ele dizia isso, mas ele completou. Hoje, diante de tudo que está acontecendo, os presidentes têm que escolher nomes em que possam realmente confiar.

E eu não estava falando de Lula, estou falando disso, de indicação ainda, já faz uns três anos que eu tive essa conversa com ele, então esse movimento já estava acontecendo. Mas o que para mim, na verdade, foi uma virada de chave, eu acho que foi a indicação do Dias Toffoli. O Dias Toffoli no segundo governo Lula, com a indicação de alguém tão próximo, novo.

cujo perfil academicamente era contestado, a gente vai lembrar que muita gente falou, ah, não foi aprovado em concurso para magistratura, etc, etc, como se tivesse sido o primeiro, que não tivesse sido aprovado, teve outros casos, mas ninguém fala, mas enfim, mas eu lembro disso ser um prenúncio, tanto que, depois da indicação do Toffoli,

houve a vaga em que foi indicado Barroso, e eu me lembro, na Casa Civil, no Ministério da Justiça, muita gente se candidatar e pedir audiência, dizendo, quero conversar com o ministro da Justiça, o ministro da Casa Civil, para falar do meu nome para o Supremo. Ali foi uma visão de que era possível mudar o perfil e indicar pessoas que tivessem esse tipo de relação.

com o presidente da república, com o governo, com a política, sem necessariamente ter aquele perfil acadêmico, aquele currículo que se esperaria normalmente de um ministro do Supremo. Mas também só para dizer o seguinte, ao longo da história tivemos outros...

Nomes que também a gente poderia olhar e falar, mas o que esse cara estava fazendo no Supremo? Tem vários nomes que a gente poderia ver isso, mas eu acho que no passado recente, eu acho que muda um pouco essa percepção é a indicação do ministro Toffoli, nós vamos lembrar como isso gerou repercussão polêmica e quase também deu problema no Senado, a sorte é que o governo Lula ainda tinha...

Uma grande aprovação. E tinha gente ali para negociar. Lembro do senador Romero Juca, líder do governo no Senado, dizendo ao presidente, eu faço passar. E foi lá e fez passar. E tanto que na sabatina do Dias Toffoli...

se alguém tiver curiosidade de ver de novo, mas o Toffoli se emociona em determinado momento quando o Arthur Virgílio, líder do PSDB, e o Zé Gripino Maia, do DEM, PFL, fazem o elogio a ele e dizem que vão votar nele. Ali ele percebeu que ele já não corria mais risco. Ou seja, houve um risco exatamente pelo perfil e por essa proximidade também com o presidente.

Toffoli era muito próximo do presidente, a AGU, etc, etc, e correu esse risco, mas para mim tem algo ali naquela indicação do Toffoli que muda um pouco daí para frente.

Perfeito, eu acho que tem um ponto que o Daniel trouxe um pouquinho antes de eu colocar o Polimarket na tela, que a gente explorou um pouco com ele e vale a pena escutar. Primeiramente para quem está assistindo, toda hora eu estou tossindo, peço desculpas, estou me recuperando de uma gripe um pouquinho forte, muita gente pegando gripe, eu fui mais uma das vítimas, mas Daniel, quando a gente estava comentando sobre essa rejeição do Messias, você disse que talvez já pudesse ter um cheirinho no ar de eleições.

E, claro, você trabalha em vários lugares aí que os principais nomes do mundo político frequentam diariamente. O que você tem sentido nesses papos? Tem alguma coisa realmente mudando na percepção desses agentes tão importantes ao longo dos últimos meses?

Olha, ao longo dos últimos meses, a gente teve uma mudança importante. Como você bem colocou, Henrique, no final do ano passado, havia ali um certo consenso nesse ambiente político de que o presidente Lula era o favorito. Era o favorito para a reeleição, era o incumbente, o incumbente tem a máquina, ganha popularidade no último ano eleitoral porque abre os cofres.

Se a gente pensar no histórico do Brasil, o incumbente sempre é reeleito, houve apenas uma exceção, que foi o caso do presidente Bolsonaro, mas ali você teve pandemia, você teve também algumas situações bastante atípicas e ele perdeu por muito pouco no segundo turno. Portanto, havia ali uma ideia de que, olha, não, o presidente Lula deve ser reeleito, é o cenário mais provável.

E ao longo dos últimos meses a coisa vem gradualmente mudando. E vem mudando por vários fatores. Um dos fatores acabou sendo o caso Master. E aí aqui não tem nenhum juízo de valor, se é justo, se não é justo, etc. Mas há uma percepção em uma parte considerável do eleitorado que o Supremo está sendo impactado pelo caso e que o governo seria aliado do Supremo logo...

o governo também tem culpa no cartório. Se é justo, não é justo, é uma outra discussão, mas é um pouco a percepção que as pessoas acabam tendo. Além do fato de que sempre que você tem um escândalo de corrupção, quem está na cadeira, o incumbente, sai desgastado, porque, num certo sentido, existe uma percepção das pessoas de que alguma coisa deveria ter sido feita para impedir, que o governo, em algum grau, acaba sendo responsável.

Além disso, começou a haver também uma percepção de que existe uma resistência grande do centro, que é efetivamente quem interessa na eleição, em votar uma vez mais no presidente Lula. E isso acontece porque o governo Lula, esse terceiro mandato, acabou sendo um governo mais à esquerda.

do que os mandatos anteriores. E você teve ali um certo desgaste, principalmente no que diz respeito à agenda econômica e à agenda de política externa do presidente Lula em relação ao centro. E que isso começou a ser ali um elemento de dificuldade. Se você está falando de uma eleição muito polarizada,

onde uma parte importante do país vai votar na direita de qualquer forma e a outra parte importante do país vai votar no presidente Lula de qualquer forma, a disputa eleitoral se dá numa franja, no meio, que é justamente aquele pessoal que votou no Bolsonaro em 2018 e votou no Lula em 2022, que essas pessoas existem no Brasil e são essas pessoas que acabam definindo a eleição. Então, se você começa a perceber...

que esse centro, que é quem decide a eleição, está num momento de resistência em relação ao presidente Lula, isso diminui a atração e a força da candidatura dele. Além disso, as próprias pesquisas começaram a mostrar um Flávio Bolsonaro mais forte, uma candidatura que, num primeiro momento...

até o próprio candidato chegou a dizer, não, pode ser que a gente converse, etc., não sei se eu vou ser candidato para valer, mas depois a candidatura ganhou outra ação, ele foi gostando de ser candidato, etc., e a coisa foi avançando.

Portanto, houve uma mudança de ventos. É claro que até outubro tem muita coisa para acontecer e podem aparecer novos elementos do caso Master, você pode ter elementos novos no front internacional, você pode ter N fatores que modificam o resultado de uma eleição tão apertada como essa, porque será uma eleição apertada.

Mas, no presente momento, você tem tido um vento mais a favor do Flávio. Aliás, o gráfico que você colocou há pouco mostra exatamente isso, que as pessoas começam a ter ali uma expectativa de maior probabilidade de uma vitória da oposição dentro do atual contexto. Até porque algumas medidas adotadas pelo governo, que se esperava muito impactantes em termos de popularidade, não se mostraram tão impactantes. Foi o caso do imposto de renda, por exemplo,

a isenção do imposto de renda até 5 mil reais. Você também tem aí questões agora relacionadas ao desenrola, para renegociar a dívida das pessoas, etc. E até o presente momento, essas medidas, que seriam medidas que no ano eleitoral dariam tração à candidatura do incumbente, não tem resultado, pelo menos até o presente momento, na magnitude, na intensidade que se esperava.

De novo, a gente está falando de uma fotografia, a fotografia que nós temos hoje, e na fotografia que nós temos hoje, o presidente Lula tem dado sinais de que não é tão competitivo como ele era há alguns meses atrás, e acho que em algum grau isso influenciou o que aconteceu na semana passada no Senado.

Não é o único fator, obviamente, mas um presidente que tivesse ali uma frente, que tivesse uma chance de vitória muito confortável, teria muito mais facilidade para aprovar o seu nome no Senado, independentemente de quem fosse esse nome indicado para o Supremo Tribunal Federal. Então, o elemento político está muito forte, está muito presente. Agora, as coisas estão acontecendo muito rápido.

Se a gente pensar qual era o noticiário político há um mês atrás, era completamente diferente. Há dois meses atrás era completamente diferente. Imagina como é que vai estar em outubro. Em outubro a gente vai dar algumas piruetas até lá e pode ser que a coisa esteja completamente, aliás, ela estará completamente diferente do que está hoje. A gente só não sabe exatamente quão diferente e para que lado ela vai estar. E lembrando que na quinta-feira o presidente Lula vai aos Estados Unidos reencontrar...

O seu grande amigo Donald Trump, aquele que despertou uma certa química. Ele tem uma química, mas um elemento que pode trazer influência eleitoral. Como é que vai estar o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos? No ano passado, o melhor momento do governo Lula foi justamente quando ele se antagonizou ao Trump, em função do tarifácio, etc.

O Trump tem um comportamento bastante imprevisível. Então, dependendo também do que o Trump faça, isso pode trazer efeitos a favor do Lula ou contra o Lula, dependendo do que aconteça. Essa conversa essa semana certamente vai ser uma daquelas que pode trazer repercussões importantes. Será que o Lula está indo para a treta? Isso seria interessante, né? Porque ele sabe que se ele arrumar essa briga, ele provavelmente sai ganhando. Pelo menos foi o que aconteceu no ano passado.

E, enfim, ao longo dessas últimas semanas, né, eu diria até um mês, um mês e meio, ele voltou a citar o nome do Trump várias vezes, né, algo que ele tinha parado de fazer desde aquele último encontro que eles tiveram. Mas, enfim, isso daí é algo para a gente explorar nos próximos episódios. Eu queria falar um pouquinho sobre o outro fator importante que ocorreu no dia seguinte a essa decisão de rejeição ao Messias, que foi a...

a dosimetria, o Congresso derrubou o veto do presidente Lula. De certa maneira, eu não sei vocês, mas eu já imaginava que isso era provável. Me parece ser algo que estava ali bem acordado. Porém, vocês acreditam que esse movimento também demonstra uma certa perda de força do governo? Ou, como a gente diria no mercado, já estava no preço sem muita novidade aqui?

Me parece, Daniel, que é mais uma demonstração de força do Davi Alcolumbre, uma campanha dele para ano que vem, de reeleição à presidência do Senado, um aceno que faz a base bolsonarista, pensando também nessa possível alternância de poder que vem pela frente. Agora, também pensar, o Steter, que esse PL da dosimetria...

ele não era, assim, algo só dos bolsonaristas, não. Quando a gente falava, mesmo dentro do Supremo, ou com pessoas que acompanham, estudam o processo penal, o direito penal, como uma solução para algo que se via, se criticava dentro do Supremo, fora do Supremo, sobre as penas impostas aos envolvidos no 8 de janeiro.

Nós vimos tantas e tantas matérias escritas em off, dizendo que ministros do Supremo, em reservado, faziam críticas às penas que foram impostas, etc. Aquilo vinha criando um certo estranhamento por parte das pessoas sobre as penas que estavam sendo colocadas pelo Supremo para certas pessoas, pessoas, às vezes, laterais, ou que tinham ido ali no meio da confusão.

para invadir o Supremo. Mas o ministro Alexandre Moraes e os demais integrantes da turma tiveram o pé no acelerador e colocaram aquelas penas altas para várias dessas pessoas.

E alguns desses professores, eu cito um professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o David Tangerino, eu fiz até uma entrevista com ele em certo momento, ele falou, olha, uma solução, meio termo, para essa situação, que talvez seja insustentável, não é necessariamente a anistia, a anistia é a solução radical que os bolsonaristas querem, a anistia é para todo mundo, mas tem uma possibilidade de meio termo, que é fazer ajuste na lei.

fazer ajuste nas penas e também na lei. E aí corrigir eventuais problemas que o Congresso pode ter visto e que o Supremo, pelo voto de dois ministros, também identificou. O problema é esse, por exemplo, do acúmulo do crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

o próprio ministro André Mendonça e o ministro Barroso, os dois votaram para dizer, olha, como se fosse isso, uma coisa ou outra. Não dava para aplicar as duas penas ou os dois crimes ao caso. Acabaram vencidos nesse sentido, mas o PL faz isso, faz uma certa correção. E vamos torcer que a gente não precise aplicar essa lei de novo. Então, uma alteração na legislação para trazer essas penas um pouco,

para baixo, é uma tentativa de chegar a um meio termo. E sabemos também, Daniel, que teve conversa com o Supremo sobre isso, teve conversa sobre essa mudança legislativa, para falar, olha, esse aqui seria um caminho palatável, e foi, foi conversado isso com o Supremo. Ele não era um caminho radical, de bolsonarista, etc. Não, não, foi um caminho pensado também por pessoas que são do direito penal. Citei aqui Davi Tangerino, professor de universidade pública.

que é um crítico, inclusive, de determinadas coisas que aconteceram no governo Bolsonaro. Não estou falando de gente ideologicamente ligada ao bolsonarismo, estou falando de gente que olha o direito penal e fala, isso aqui está com problema. Isso aqui está com problema e precisa de uma solução. E aí veio a aprovação, é claro que o presidente Lula, também por questões políticas, e nessa aliança com o Supremo Tribunal Federal, veta.

Mas era aquele veto assim, estava prontinho para cair. Aquele ali não precisava nem ter jogo, aquele ali ia cair. E aí ele cai, e aí muita gente se pergunta, e faz uma aposta que na minha visão errada, de que o Supremo pode derrubar isso. Duvido que o Supremo vá derrubar isso. Tudo bem, eu duvidava que o Messias ia ser rejeitado, mas enfim, eu duvido que o Supremo vá fazer isso por algumas razões. A primeira delas por isso, por ser uma saída de meio termo. Segundo, porque o momento não permite.

Terceiro, porque se houver um governo de Flávio Bolsonaro, menos condições políticas e institucionais o Supremo vai ter para fazer qualquer movimento nesse sentido. Então, sinceramente, eu acredito que esse veto veio para dar um pouco de balanceamento nisso.

podem ter críticas por parte de ministros do Supremo e de apoiadores do governo Lula, mas é uma realidade que veio ali para, como eu disse, o Jorge Messias, candidato ao Supremo, para que o processo não fosse uma soma zero. Acaba que temos um meio termo por aí. Claro, se o Flávio Bolsonaro ganhar vai querer anistia e por aí vai, a briga vai ser outra. Mas esse pé da dosimetria, a derrubada do veto, parecia mais um jogo que realmente não precisava nem ter, que a gente já sabia o resultado.

E acho que, como o Recondo muito bem colocou, foi combinada, foi uma jogadinha ensaiada com todos os atores relevantes participando. Aliás, você teve ali o Paulo... E quem dera, hein, Daniel? Desculpe, quem dera que fosse sempre assim. Quem dera que fosse assim mesmo, que tivesse essa negociação, e saísse, tivesse um meio-tempo com a política fazendo seu papel.

Não é nenhum segredo que os ministros do Supremo foram ouvidos na construção dessa lei. Você teve, inclusive, a escolha a dedo justamente de quem seriam os relatores para que houvesse esse tipo de diálogo, para que houvesse essa interlocução entre o Parlamento e o Supremo.

E quando o presidente veta, ele veta porque ele quer fazer um gesto político, mas ele sabia exatamente o que aconteceria na sequência, que esse veto seria derrubado, como acabou sendo. Esse não teve nenhuma surpresa. Já há alguns meses isso está telegrafado o que vai acontecer. Vai ser aprovado, aí o Lula vai vetar, o Congresso vai derrubar e o Supremo vai deixar derrubado. E está tudo bem e seguimos adiante.

porque acabou criando ali uma solução intermediária dentro de um contexto bastante conflituoso. Deixa eu trazer uma pergunta com um ar de curiosidade aqui, Steter. A gente trouxe recentemente muitos nomes ligados à política, a gente está fazendo uma cobertura de eleições de 2026 aqui no Market Makers, e dois nomes que chamaram a atenção, o senador Alessandro Vieira e o candidato à presidência Romeu Zema.

E aí de política a gente nunca vai morrer de tédio, né? Porque quando a gente marcou a gravação com o Zema, vamos dizer que ele não estava hypado como ele está agora. O assunto, né? Semana passada bateu lá o Polimarket, foi de 3% para 9%. Tudo bem que ele devolveu já quase tudo, mas ele teve um crescimento. E vamos dizer, tanto o Alessandro Vieira quanto o Romeu Zema têm tido uma postura de enfrentamento.

ao STF. Eu perguntei a mesma coisa para os dois, queria ouvir um pouco da opinião de vocês. Eu perguntei, vocês não têm medo das consequências disso? Porque a gente não tem... O que a gente sente é que não tem assim, tipo, até onde que ele pode ir em determinadas coisas que fala ou que faz, dependendo da maneira como é interpretada. Então fica aquela coisa meio...

meio cinza, só que a diferença entre o zero e um é enorme, você está livre da presa, você ser candidato e ficar inelegível, enfim. Como é que vocês têm acompanhado um pouco desse enfrentamento, nem precisa se focar nos dois, mas eu citei mais por terem sido casos que ficaram bem emblemáticos, mas dessa reação mesmo da sociedade a isso tudo.

Ô, Salomão, eu acho que o que foi falado por ambos, o que foi feito por ambos, e acho que a gente tem que separar as coisas, o que Alessandro Vieira faz como senador, por mais que o ministro Gilmar Mendes tenha falado também, o que falou, reagido e pedido investigação, eu acho que está dentro da sua...

da sua atividade legislativa, ele propôs algo para a CPI e não foi atendido. Até um amigo que faz o Sem Precedentes comigo, Tomás Pereira, mencionou o seguinte, e o ministro que, diante de um pedido da PGR de arquivamento de um inquérito contra um parlamentar, se nega a arquivar? Isso também seria a mesma coisa de pedir indiciamento de um político ou de um ministro do Supremo no seu relatório final de CPI? Porque, em tese, o dono do inquérito, ou quem conduz o inquérito,

é o Ministério Público. Então, da conduta do Alessandro Vieira, acho que a gente não tem muita dúvida. Do Romeu Zema, eu acho que tem questões ali que podem ser debatidas, mas, novamente, não é essa questão, não é essa questão, você está extrapolando, não está extrapolando, se estiver extrapolado, ele que pague as consequências, sofra as consequências, mas, quando o ministro Toffoli vai no Supremo e diz que Alessandro Vieira tem que ficar inelegível,

por conta de um relatório de CPI, eu acho que gera esse tipo de percepção que você menciona de, será que eles precisam dessa coragem? Não seria só a liberdade de expressão e de manifestação? E aí eu vejo que, por mais que o Supremo tente hoje fazer isso, por mais que o ministro Gilmar Mendes tenha feito, eu acho que não vai gerar o resultado que deseja. As pessoas estão fazendo crítica ao Supremo, a crítica está aumentando de volume.

E não dá para segurar uma coisa dessa. Eu acho que, sinceramente, não dá para segurar. Acho que o ministro Gilmar faz algo que se repete ao longo do tempo. Ele reage. Ele sempre reagiu dessa maneira. Sempre. Sempre reagiu. E ele apanha, mas ele ganha lá na frente alguns créditos institucionais, inclusive na relação com a política e também dentro do Supremo Tribunal Federal, ao dar a cara à tapa.

Então, isso ele faz, isso ele tem feito. Mas, sinceramente, eu não acredito que haverá consequências jurídicas para nenhum dos dois, tirando esse fato, e eu não estou dizendo aqui que é o que eu penso, não, mas, por exemplo, pode alguém utilizar a inteligência artificial para imitar a voz de alguém para falar algum tipo de coisa?

que configuraria uma prática criminosa, sabe? Esse tipo de discussão, detalhe, que isso vai ter em algum momento, com qualquer caso, mas enfim. Mas não acredito que a crítica que é feita pela política...

possa levar o Supremo a dizer, olha, não aceito ser criticado. Não dá, não dá, e eu acho que a relação do Congresso com o Supremo é assim, tem que ser assim, tem precedente no passado, lembrar as brigas de Antônio Carlos Magalhães com Carlos Veloso, ou Sepúlveda Pertence, era pancada o tempo todo, e a vida seguiu. E a política tem que ter isso mesmo, a fiscalização do Supremo. Acho até que faltava, estava faltando há muito tempo esse embate do Senado.

E tem que ser um embate qualificado, é claro, não estou falando de chutar canela de ninguém, mas um embate qualificado do Senado com o Supremo, que é a função do Senado fazer essa fiscalização e essa crítica também. Eu posso estar enganado, recondo, mas se eu tivesse que apostar, eu apostaria em acomodação. O Brasil é especialista em acomodação. Ah, bati de frente com o senador, bati de frente com o ministro do Supremo. Gente, vamos passar alguns meses...

está tudo resolvido e a vida seguiu. Ainda mais se você tem um processo eleitoral que está vindo aí. E eu acho que a gente já tem alguns sinais de uma acomodação em curso. Sinais de uma certa distensão. Olha, não vamos romper, não. Não vamos brigar, não vamos entrar. Então, essa fala do ministro Gilmar ficou até um pouco descolada desse contexto um pouco mais amplo, na minha avaliação.

de que você já caminha para um certo processo de acomodação entre os poderes. Se isso é bom ou ruim, aí é algo que a gente pode discutir, mas é a especialidade do Brasil. O Brasil é especialista em acomodar. No final do dia, gente, vamos aqui, vamos conversar, etc.

vamos aqui buscar um meio eterno e a vida segue, o senador continua, o Zema continua, os ministros do Supremo, enfim, eu posso estar enganado, mas me parece que a gente já começa a ter alguns sinais de que uma certa acomodação está em curso, com todos os benefícios.

Desculpe, Daniel, é que deu um pique aqui na conexão. Achei que você tinha terminado, mas é para concordar com você, se a gente pensar que o ministro Gilmar Mendes, em certo momento, foi o Algoz do governo da Dilma e também de Lula, e hoje... Isso já mostra exatamente isso. Exatamente. Ou mesmo que o ministro Alexandre de Moraes, quando foi indicado para o Supremo, teve o combate dos senadores do PT, e hoje é alguém que está nesse campo.

nessa relação com o Poder Executivo, é por aí mesmo. Em algum momento tem acomodação, e o que não tiver acomodado segue a vida. É claro que Alessandro Vieira não vai fazer uma acomodação com o Gilmar Mendes, o nível da crítica vai continuar o mesmo, e o mandato dele passou o tempo todo fazendo isso. Mas, de resto, as coisas, de alguma maneira, se acomodam, como você disse.

Não podemos deixar de lembrar de uma acomodação única aqui também, Geraldo Alckmin e Lula. Essa é uma das melhores acomodações que a gente viu nos últimos tempos. Eu queria só registrar que eu não estou de forma alguma dizendo que isso é bom ou ruim, não estou fazendo nenhum juízo de valor. Estou apenas dizendo o que estou vendo, qual é a movimentação e dado histórico do Brasil, para onde me parece que a gente está indo em função de sinais que começam a aparecer aqui e ali.

não me surpreenderia nem um pouco que no final do ano você tivesse, por exemplo, uma vitória da oposição e está tudo bem. Estaria ali o Supremo recebendo o Flávio Bolsonaro, etc., você tendo ali conversas e algum tipo de situação nesse sentido, como aliás, no governo do Jair Bolsonaro, você também teve ali uma série de conversas e articulações envolvendo o então governo e o próprio Supremo.

Eu ouvia, Daniel, me perdoe, estete que é, eu ouvia no finalzinho do governo do Temer, ministros que foram indicados para compor o governo Bolsonaro, dizendo o seguinte, e isso está no livro que o Salomão mencionou no tribunal, esse é um ótimo Supremo Tribunal Federal para um governo Bolsonaro.

E no começo, se a gente for olhar os encontros que houve, o ministro Alexandre de Moraes teve encontros com o presidente da República fora da agenda, inclusive dentro do Palácio, a relação do ministro Gilmar com o Bolsonaro também era de uma certa... era dialógica e tal, do ministro Toffoli também, e as coisas mudam.

Eu estou contigo nessa, inclusive, de que se há uma vitória da oposição agora, o Supremo, que não pode ser governo nem anti-governo, tem que lidar com as consequências. O problema é claro que nós estamos falando de consequências que podem também ser dramáticas. Estamos falando de impeachment, estamos falando de, sei lá...

qualquer outro tipo de política que possa ser feita pelo governo que vá contra o pensamento do Supremo, ou então aprovação de medidas que vão contra a legitimação e os poderes do Supremo. Mas aí também existe uma possibilidade de o STF usar os seus instrumentos disponíveis para haver uma acomodação posterior também. Mas eu estou nessa mesma que você. Se Flávio Bolsonaro ganha, o Supremo vai ter que se readaptar.

a esse novo cenário. E repito isso, o Supremo não é, na frase que era do Hermes Lima, um ministro cassado, não é peça de governo nem é anti-governo. Tem que ser isso daí, tem que ser uma instituição que esteja aí para fazer o controle de constitucionalidade e ser uma peça, em certos momentos, de equilíbrio quando há desequilíbrio entre os outros dois poderes.

Perfeito. Eu coloquei na imagem, o pessoal deve ter percebido um exemplo de como essas coisas acontecem. Acho que é uma certa ilustração do que a gente estava falando há pouco. Perfeito. Não precisa falar muita coisa. Essa imagem é pré-inteligência artificial. É verdade. E pré-jogo do Palmeiras, porque isso era para o jogo do Palmeiras. Para verem o jogo do Palmeiras. Jogos do Palmeiras tem reunido figuras ilustres nos últimos tempos.

só aproveitar que estamos com mais de 400 pessoas aqui ao vivo, só lembrar pessoal dossiê Brasil 2026 está atualizado link na descrição link aí para quem está ouvindo no podcast no Youtube vai passar também o QR Code na tela relatório totalmente de graça com a compilação de todas as conversas que a gente já teve sobre o Brasil, deu umas 30 páginas de conteúdo assim muito boa para você conseguir entender que é que é que é que é que é

quais são as mazelas do Brasil e como navegar aqui nesse ano tão complicado. Show. O Hugo comentou aqui no nosso chat que começou a assistir o Petit Jornal depois que o Daniel Souza foi no Market Makers. Daniel Souza com S é fera demais, ele comentou aqui. Obrigado, Hugo.

Daniel, eu queria só levantar um ponto em relação a essa acomodação. Talvez algo que possa vir a acontecer e a gente não está colocando aqui em cima da mesa, porque digamos que a sua companheira de trabalho parou de soltar alguns furos cabulosos em relação ao caso Master.

desde que... Eu acho que a principal leva que a gente viu de notícias saindo foi no momento da CPI. E aí os congressistas, tendo acesso a algumas coisas que a gente não tinha entendimento até então, isso levou a uma enxurrada de notícias pesadas, coisa de três, quatro por dia, que a gente não imaginava ver em nenhum momento da vida. Saía...

quase uma em cima da outra, diferentes veículos, e a Malu ali liderando isso com informações que até os próprios congressistas muitas vezes não tinham. Agora, de meados de, eu diria, fim de fevereiro até o momento atual, isso deu uma estacionada. Então, as CPIs foram...

acabando, as informações que obviamente seguem sendo obtidas, mas estão, me parece, dentro de um reduto muito fechado da Polícia Federal, a gente não está conseguindo ter esse acesso, mas em algum momento, aparentemente, isso vai acontecer.

O que eu quero dizer é o seguinte, essas investigações vão terminar nesse ano, a gente está há cinco meses das eleições, vamos supor que daqui a dois meses começam a sair essas informações, enfim, teremos três meses para as eleições, imagino que possa ter um impacto eleitoral importante.

Vocês não acreditam que talvez a gente possa dar passos para trás, regredir nessa tentativa de acalmar os ânimos desses entes envolvidos nas diferentes esferas políticas?

Acho que sim, acho que essa é uma possibilidade real, dependendo do que apareça nas investigações. É importante lembrar que nós temos algumas delações sendo negociadas nesse exato momento e muita gente acaba sendo envolvida e delatada em momentos assim.

Então, dentro de um contexto onde você começa a ter ali o surgimento de informações, a chance de haver um crescimento do tensionamento, um reaquecimento do tensionamento é enorme. Até porque, em muitos desses casos, você tenta, de alguma maneira, jogar luz sobre o outro.

como forma até de tirar a luz sobre você. Então, esse é um aspecto que também chama sempre atenção. Acho que esse é um aspecto que ainda vai... É um dos elementos de incerteza que a gente mencionou há pouco das eleições até outubro. Muita coisa vai acontecer e muita coisa deve aparecer nessas investigações, que são investigações grandes, investigações que já envolvem delações.

e que certamente a gente vai ter fatos novos que vão ter impacto no resultado eleitoral. A gente não sabe o que vai aparecer, a gente não sabe o que está sendo descoberto, o que está sendo delatado, mas sabe que é coisa grande e certamente vai ter consequências sim. Daniel, e se me permite até para falar sobre isso, para responder também a tua pergunta, e juntando com o que o Daniel tinha mencionado. Eu fico, e aí é dúvida genuína mesmo.

Claro, conheço alguns advogados, a gente já viu algumas delações sendo feitas no passado, mas essa possibilidade de acomodação pode também levar a uma dúvida de quem está delatando sobre o que entrega ou não entrega. É verdade. Porque aí, até onde vai a delação? Até onde eu preciso ir nessa negociação com o Ministério Público e Polícia Federal se os sinais que estão sendo dados...

vão no sentido de que pode ter uma acomodação política, ou mesmo, como se mencionou nesse caso agora do Messias, de que também o caso Márcia estaria como um pano de fundo para a rejeição do Messias e mostrar que dentro do Supremo André Mendonça estaria isolado, etc. Que tipo de incentivo isso gera para um delator, para alguém que esteja delatando, fazendo esse acordo, entregar realmente tudo o que...

que poderia entregar. Eu, sinceramente, fico na dúvida. Tem uma outra dúvida, que também essa a gente não sabe responder ainda, mas eu desconfio que essas delações se firmadas, elas não devem ser divulgadas até as eleições.

E aí, vou falar como achismo, eu já testei isso com os atores envolvidos, para saber se isso poderia acontecer ou não. Ninguém me dá a resposta, ou seja, está tudo... O que já significa, né, Rebó? O que já pode significar. Já é uma resposta. Exatamente. O que pode significar, mas eu sendo Procurador-Geral da República, lembrando que o Procurador-Geral da República também é o Procurador-Geral Eleitoral.

pensando que essas informações podem mexer no jogo eleitoral, qualquer que seja o lado, pode ser a favor de um contra o outro, não é essa a questão. Vai jogar isso a público? Vai transformar isso em notícia antes de outubro? E isso gera também uma certa turbulência? O fogo é que a gente está em maio, falta muito tempo ainda.

para a eleição, as negociações estão aí. Tem algo que é, como as CPIs acabaram, os vazamentos diminuíram, que coincidência, né? Não tem coincidência nenhuma, quem estava vazando tudo vinha da CPI, também da Polícia Federal, sabemos, mas os vazamentos diminuíram. Então, acho que tem essas duas questões que ficam como incógnita para a gente realmente acompanhar, se essas relações vão mesmo até o fim, necessariamente, porque os sinais que estão sendo dados pelas instituições.

não favorecem muito isso. E o outro ponto é se isso vai ser divulgado e vai ter algum tipo de decisão por parte do ministro André Mendonça, também da PGR, de homologação desses acordos, até as eleições. E se isso acontecesse, a gente pode ter acesso a isso. Em tese, a delação continuará sendo mantida em sigilo. Não há disposição nem da PGR, nem do gabinete do ministro André Mendonça de sair vazando esse tipo de coisa. Mas a gente sabe que o trabalho da imprensa É que o que a gente que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que que

é tentar descobrir o máximo de informação possível. Mas a gente tem essas, acho que duas incógnitas para ficar prestando atenção até lá.

É, e são muito importantes, né? Assim, obviamente que eu não tenho zero convicção a respeito desse dado que eu vou trazer, mas eu me lembro que na época uma das notícias dizia que tudo aquilo que a gente tinha visto dos celulares de Daniel Vorcaro era uma parte do primeiro, né? Ele tinha, tipo, sei lá, oito celulares ainda que a galera ia começar a investigar. Pô, se realmente sair tudo isso, o mundo acaba antes das eleições, eu imagino, né? Porque...

Não consigo idealizar uma eleição super tranquila, natural, com o mundo pegando fogo assim como estava três meses atrás. Bom, senhores, a gente tem então o recondo, tinha até as 19h30, para a gente continuar aqui no nosso papo, imagino que estamos próximos do encerramento. Salomão, queria trazer aqui mais algum questionamento aos nossos convidados.

Não, se quiser trazer a palavra final aí, eu tenho várias coisas, mas eu estou com medo do horário ali, então se quiser... Não, não fica com receio não, estamos aí, hein? Boa, então tá bom, eu vou trazer uma pergunta então um pouco mais ampla, só para a gente encerrar e vocês terem um espaço para conduzir da forma que bem entenderem. E aí claro que é um negócio muito difícil, porque a gente está aqui tratando de futuro, mas se vocês tivessem que buscar...

compreender o que será dos próximos meses nesse universo jurídico, barra político, às vésperas das eleições, o que vocês estão esperando, o que vocês têm escutado aí nos bastidores, quais são as expectativas que as pessoas, de maneira geral, têm para esses próximos meses? Daniel, se me permite novamente, mas no caso de Supremo, acho que essa é a discussão para a qual ninguém tem a resposta ainda, tem muita sugestão sendo feita ao presidente, se indica ou não indica,

o substituto de Barroso e um novo nome para o STF. Cá para nós, cá para nós, não está fazendo diferença não ter um ministro no Supremo. Por mais que a imprensa diga, olha, tem alguns assuntos que estão parados, pode ter empate no julgamento XYZ, tem instrumentos para resolver esses problemas, de empate, inclusive, com o voto de Minerva, etc. Se o presidente não quiser entrar nesse conflito...

não quiser tornar isso um conflito político e tal, ele poderia esperar. Poderia esperar e, eventualmente, abrir mão dessa indicação. Eu sei que parece uma bizarrice falar de presidente e abrir mão de uma indicação para o Supremo. Mas, veja, se ele for indicar alguém que vai ser enfiado goela abaixo pelo Senado, não é indicação dele. A pessoa não vai se sentir devedora ou ter o presidente como responsável pela indicação. O crédito vai ser de Davi Alcolumbre.

Então, por que o presidente vai fazer isso? E se o Senado está avisando que só passa o nome tal ou qual, o presidente não vai entrar, não penso eu, não vai entrar numa briga como essa, a não ser que seja para ter ganhos políticos. Mande um nome que seja acima do bem e do mal, alguém com um currículo invejável e que toda a academia e toda a comunidade jurídica vai dizer, olha, essa daqui foi uma das melhores indicações dos últimos séculos.

Mas o Senado vai dizer, não, mas politicamente não conversou comigo. Aí é uma briga política e todo mundo ganha, a gente sabe como é que é política. As pessoas podem fazer isso para ter os seus ganhos. Mas, desse ponto de vista de substituição, eu, sinceramente, não sei se nós estamos num bom quadro. Talvez o que saia dessa disputa vá ser pior. Pode ser pior do que simplesmente...

essa rejeição e a gente ficar com uma vaga menos. Talvez seja melhor o presidente. E se o presidente ganha a eleição, se Lula ganha a eleição, indica alguém em novembro. E veja, ele poderia até mandar o Messias de novo. Talvez o senado recuse, diga que não, mas em tese ele poderia até mandar o Messias de novo. Mas estamos numa situação complicada sobre substituição de ministro do Supremo e temos aí esse ponto de virada.

que a gente ainda vai discutir ao longo de muito tempo. E claro que a gente não pode esquecer que as eleições desse ano renovam dois terços do Senado, além da totalidade da Câmara dos Deputados, e isso tende a mexer bastante justamente em todas essas forças que a gente tem analisado aqui ao longo dos últimos minutos.

Porque o novo presidente, seja ele o Lula ou seja ele o Flávio ou qualquer outra pessoa, ao indicar um novo nome no ano que vem, na eventualidade de indicar no ano que vem, vai indicar para outro Senado.

outro Senado, que pode ser um Senado mais hostil ao Lula, ou menos hostil ao Lula, mais hostil ao Flávio, menos hostil ao Flávio, a depender do que aconteça. É claro que existe um trabalho que tem sido feito muito fortemente pela direita já há alguns anos.

com foco nessa eleição no Senado. Me parece que o PT entrou muito atrasado nessa corrida e dentro dessa consciência da importância da eleição do Senado e como isso poderia mudar a correlação de forças de maneira muito significativa. Mas eu acho que isso também entra nessa conta. Quer dizer, existe no Senado uma percepção, que pode se confirmar ou não, de que o Senado do ano que vem será um Senado mais à direita.

E sendo um Senado mais à direita, você, na prática, já está se posicionando nesse front. E isso entra, claro, na cabeça do Davi Alcolumbre, quer dizer, não há nenhum segredo que ele quer ser reeleito presidente do Senado. Se ele quer ser reeleito presidente do Senado e ele precisa ser reeleito pelos senadores, e muito provavelmente, essa é a conta que pode estar certa ou não, você vai ter um Senado mais à direita, o que ele faz? Uma sinalização para a direita nesse momento.

porque esses são os meus eleitores. Ah, mas o Lula ganhou, o Lula se reelegeu. A eleição que me interessa é de presidente do Senado.

Se o presidente é o Lula, é o Flávio, é o Zema, é o Caiado, para mim não interessa. O que interessa são os senadores que precisam me reeleger e aí eu vou fazer um movimento nessa direção e acho que outros movimentos nesse sentido tendem a acontecer nos próximos meses por conta de um presidente do Senado que está preocupado com a sua reeleição como presidente do Senado.

E isso também não pode estar fora aqui da nossa análise. A eleição presidencial vai ser muito apertada, mas a eleição para o Senado não parece que será tão apertada. Claro que a gente sempre pode ser surpreendido, mas a tendência é que você tenha uma presença mais forte da direita no Senado no ano que vem.

Daniel, só para a gente amarrar aqui, a gente recebeu dois superchats ao longo dos últimos tempos. O primeiro eu achei que era só um desabafo, não uma pergunta, mas eu percebi pelo segundo que era uma pergunta. Então, bem brevemente, porque tem a ver com o que você está dizendo, o João tinha perguntado o seguinte, vocês acham que o Flávio vai ter coragem para enfrentar o STF algum dia? Imagino que ele, obviamente, está citando caso o Flávio seja eleito presidente.

Faz sentido imaginar nesse confronto adiante? Olha, eu acho que dentro da família Bolsonaro, se há alguém menos propenso ao que está sendo chamado de enfrentamento, é o Flávio, né? Então, eu não consideraria isso uma hipótese altamente provável, não. Acho que ele, dentro dessa tendência que a gente falou de uma certa acomodação, ele seria parte desse processo de acomodação.

É a hipótese que eu considero mais provável, embora, claro, que a gente possa sempre ser surpreendido. Lembrando, hein, Steter, que quem arquivou a investigação das rachadinhas foi o Supremo, o ministro Gilmar Mendes. Dizem, eu não posso estar enganado, mas dizem que essa foto tem a ver aqui também. Não sei se era meio que essa época, sei lá, mas para a gente relembrar como o jogo em Brasília realmente funciona.

Thiago Salomão, muito obrigado mais uma vez por compartilhar esse momento da segunda-feira ao meu lado. Sempre uma honra estar contigo. Semana que vem tem mais um episódio quentíssimo, né? A honra é toda minha. Só muito legal essas trocas contigo. Inclusive, aprendemos semana passada, num almoço que a gente fez com palmeirenses e flabenguistas, a verdadeira origem de Abel Ferreira. Só deixa isso no ar pra um dia, quando a gente fizer um podcast como Abel Ferreira foi parar no Palmeiras.

para mim, a grande descoberta da semana passada. É verdade. E na semana que vem, esse spoiler eu já posso dar, Risco Brasil semana que vem, com Charles, vulgo o economista sincero, que eu não sei falar sobre o nome dele, e Fernando Urich. Então, também mais uma dupla dinâmica, estamos juntando várias duplas de altíssimo nível aqui para manter o Risco Brasil muito bom para toda a nossa audiência. É isso aí.

Daniel, recondo, muito obrigado, uma honra recebê-los aqui, eu recondo pela primeira vez, o Daniel outra, né, e assim, porra, é sempre uma honra muito grande quando você participa aqui, Daniel, porque é como se eu tivesse tendo a oportunidade de conversar com uma pessoa, né, que eu via na TV tantas vezes.

tirar minhas dúvidas, então, porra, é legal pra caramba. Muito obrigado pela sua presença. O Recondo, obviamente, aceitou o desafio de estar conosco de novo, sempre fazendo perguntas complexas, difíceis de responder. Ótimas, sempre ótimas. Mas aqui com a cara e com a coragem. Obrigado, senhores. Vocês dois, quando estiverem em São Paulo, visitar a gente aqui na Faria Lima, hein? Vamos fazer um programa em potencial. Combinado. Serão sempre bem-vindos.

Maravilha. Maravilha, então, senhores. Quem ficou aqui até agora, não se esqueça de deixar o like. Na próxima segunda-feira a gente está de volta com o Risco Brasil. Grande abraço e até mais. Tchau, tchau. Tchau, gente. Obrigado. Aqui é a casa do povo. A ordem é uma só, senhores. Vamos marchar. Só para vocês. Popcorn. Eu tratei do tiplego com o Léo uma vez. Para o Brasil, a fila de mostrar as cores que balançam nosso coração. Estamos juntos. Eu preciso precisar de mim.

O que deram por benefício para bilionários? Nós temos o presidente da Câmara, o título. Não renunciarei. Que Deus tenha misericórdia dessa nação. Voto sim. Aqui é o Brasil.

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#37 | REJEIÇÃO DE MESSIAS, ATAQUES DE GILMAR MENDES, DOSIMETRIA E A MAIOR CRISE DO STF | Castnews Index — Castnews Index