Como despertar a sua autoestima e sensualidade? - Com Mari Williams
No mais novo episódio do Surtei, mas tô bem, Beatriz Pessoa e Marcela Freire recebem a sexóloga, mestra em terapia sexual e de casais e uma das principais especialistas brasileiras em comunicação sexual, Mari Williams, pra falar sobre o assunto que a gente nasce dele mas passa a vida fingindo que não existe. 👀🔥
Por que ainda tratamos sexualidade como tabu? Como se reconectar com o próprio corpo no meio da correria? E o que ninguém fala, mas faz toda a diferença na intimidade?
Se você já se sentiu desconectada do próprio corpo, insegura com o próprio desejo ou confusa com tanta expectativa por aí, esse episódio foi feito pra você.
Um papo honesto, sem filtro e sem vergonha sobre sexualidade, prazer e tudo que ninguém te ensinou na escola. 💋
Nesse ep a gente fala sobre: 👇
🔥 O que é sexualidade de verdade, além do sexo
🪞 Autoestima, corpo e autoconhecimento
😮💨 Como a mulher moderna pode se reconectar com o próprio desejo
💑 Conexão emocional e intimidade nos relacionamentos
📲 O impacto das redes sociais nas nossas expectativas sexuais
E muito mais...
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Indicações do episódio: 🌟
📖 Desejo — Gillian Anderson
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🎙️ Convidada: Mari Williams — @mariwilliams
📲 Nos siga: @surteimastobempod
- Libido e Desejo Sexual: Contexto e EstímuloDiferença entre libido (pulsão de vida) e desejo sexual (responsivo) · Libido como energia de movimento e sua influência em diversas áreas da vida · Desejo sexual como responsivo e a necessidade de estímulo · O papel do contexto e das linguagens de amor na construção do desejo · A influência do trabalho, estresse e relacionamentos na libido
- Sensualidade e Autoconhecimento CorporalDeturpação do conceito de sensualidade na sociedade · Sensualidade como capacidade de ter prazer com os sentidos · Presença vs. Performance na sensualidade · Autoconhecimento através do toque e da atenção aos sentidos
- Reconexão com o Desejo e a Sexualidade FemininaInibição histórica da sexualidade feminina vs. hiperestimulação masculina · A importância de nomear e conhecer a genitália feminina (vulva) · Exploração da sexualidade individual e autônoma · O papel do prazer próprio na cama
- Prazer e Autonomia na Vida SexualMudar o objetivo do sexo: de agradar o outro para o próprio prazer · A importância de explorar e descobrir o próprio corpo e desejos · O papel da curiosidade e da exploração no sexo · Autonomia sexual e a não dependência do parceiro para o prazer
- Paz e RelacionamentosDificuldade em ler sinais e puxar papo em interações presenciais · O impacto das redes sociais e aplicativos na paquera · Medo do conflito e da rejeição na paquera · Aumento da exigência e estabelecimento de limites pelas mulheres · A ansiedade masculina e a pressão por performance
- Sexualidade vs SexoDefinição de sexualidade como guarda-chuva de prazeres e relacionamentos · Sexo como experiência a ser dividida com outras pessoas
- Autocuidado e corpoPilares da autoestima além da beleza física · Conexão entre autoestima, trabalho e poder pessoal · Integração da sexualidade e sensualidade em todas as áreas da vida
- Superando a Censura e Blocos de PrazerBlocos de censura internalizados sobre sexualidade feminina · Substituição de blocos de censura por 'pílulas de prazer' · A importância de estímulos sexuais e leitura erótica · O papel do corpo e da imaginação na resposta sexual
Amor é isso. Sexo é aquilo. Rita Lee e tantos outros artistas tentaram decifrar a grandeza do sexo em suas obras. Enquanto algumas pessoas ainda o veem como tabu. A gente nasce do sexo, mas passa a maior parte da vida fingindo que ele não existe. Será porque? Eu sou a Marcela Freire.
Eu sou Beatriz Pessoa e para desvendar esse e outros mistérios do assunto, eu estou aqui com a sexóloga, mestre em terapia sexual e de casais e uma das principais especialistas brasileiras em comunicação sexual. É com muito prazer que a gente recebe a Mari Williams. Oba! Seja muito bem vinda. Obrigada pelo convite. É literalmente um prazer estar aqui com vocês hoje. Espero que essa conversa seja muito gostosa. Obrigada.
Surtei, mas tô bem. Eu sou a Beatriz Pessoa, eu sou a Marcela Freire e sejam bem-vindos ao nosso podcast. E Mari, bom, pra gente começar a falar sobre esse assunto, né, quando a gente fala de sexualidade, muita gente pensa só em sexo, né? Sexualidade tem a ver com o sexo.
O que é sexualidade pra você de verdade? Legal. Isso é uma das coisas que eu sempre começo explicando, né? Porque às vezes chegam mulheres em consultas comigo ou em palestras e falam Ah, porque eu quero explorar minha vida sexual, mas eu tô solteira, por exemplo.
E aí eu vou explicar exatamente isso, que sexualidade e sexo são duas coisas separadas. É como se sexualidade fosse um grande guarda-chuva, aonde vai estar dentro os prazeres da nossa vida, como a gente se relaciona, que tipo de relacionamento a gente quer ter, modelos relacionais, e o sexo em si. Então o sexo seria essa experiência que a gente vai dividir com uma ou mais pessoas, dependendo do que você quiser viver.
E sexualidade é tudo isso que engloba, a maneira como eu penso, né? Como você experimenta os seus prazeres na vida. Então assim, quando a gente come uma coisa gostosa e com gosto e prestando atenção, quando a gente toca a nossa pele no banho e faz uma massagem, a gente tá desenvolvendo de uma certa maneira a nossa sexualidade. Porque a gente tá desenvolvendo o nosso contato com os prazeres, entende?
Sim, até como a gente se vê também no dia a dia. Eu vi uma vez você falando assim, por exemplo, às vezes a sexualidade da mulher está no se vestir para trabalhar e ser uma empresária. Tem tudo a ver com isso também. Tem, é porque até pegando outro conceito já para a gente conversar, o conceito de sensualidade também foi um que a gente deu uma deturpada. Porque hoje em dia a gente pensa, tá, uma mulher sensual...
É a que se veste daquele jeito x, com aquele vestido preto, e o cabelo todo arrumado, e um salto alto, que pode estar extremamente desconfortável. E quando a gente olha, se essa mulher está acompanhada de um homem, ela é sensual. Se ela está sozinha, ela é vulgar. Tem gente que olha e fala, por que essa mulher está usando essa roupa? Ela está querendo aparecer. Nossa, ela veio tão arrumada. Por que ela está tão arrumada? A gente tem uma mania de julgamento muito forte. Só que a sensualidade, se a gente olhar no dicionário, está escrito.
Capacidade de ter prazer com os sentidos. Então sensualidade é muito mais sobre estar sentindo as coisas do que sobre estar performando algo. Não está escrito aparência, roupa sensual. Está escrito ter prazer com os sentidos, ou seja, quando você toma um banho.
E você sente a água bater assim no topo da cabeça, escorrer pro pescoço, escorrer pro peito. Aquele banho premium. Banhar o creme. Passar o creme. Mas o banho premium com a cabeça ali. E não o banho premium pensando que roupa você vai pôr quando sair do banho.
Porque às vezes a gente faz isso. A gente pega um esfoliante delicioso e ao invés da gente passar na mão, cheirar aquele aroma que você escolheu, aquela fragrância que você escolheu. A gente pega o esfoliante, faz assim e pensa, tá, quando eu sair, eu tenho 15 minutos, eu vou pôr então aquele vestido vermelho. Aí eu vou pôr o sapato. Aí você não tá lá. Não, a gente tá desperdiçando. E tá tudo bem. Eu sou muito afobada. Eu também tô pensando em mil coisas ao mesmo tempo.
Mas gente, às vezes é lembrar cinco minutos. Tá, você quer ser mais sensual? Resumo da ópera. Presta atenção nos seus sentidos. Vai numa festa, quer seduzir? Vai numa festa, pega o copo, sente, ó, essa aqui tá geladinho, coloca na boca. Sente o gosto, aproveita o tempo da coisa. Isso é sensualidade. Então tem a ver com presença. Exatamente. Tem 100% mais a ver com presença do que com performance.
Porque a performance é pro outro e a presença é pra você. Isso tira um peso, né? Quando você fala que eu não preciso performar, que eu preciso estar presente, parece que sim. E isso que a Bia trouxe, né? Que eu comento de, às vezes, é você se vestir pro trabalho. É porque a nossa sensualidade, nossa sexualidade também, ela pode estar se mostrando de várias formas. Quando eu vou trabalhar com autoestima, então chega uma mulher que fala, ai Mari, eu tô com autoestima muito baixa.
A gente primeiro entende aonde ela coloca os pilares da autoestima dela. Às vezes é assim na beleza. Fala, eu preciso estar me sentindo bonita. Só que a beleza é uma coisa importante, mas infelizmente ela é uma armadilha. Porque todo dia vão falar pra gente que dava pra você estar sendo mais bonita. Ou que a beleza mudou. Então agora o padrão de beleza é outro. Então parece que a gente nunca vai estar 100% satisfeita. Então vamos olhar pros outros pilares, tá? Quando eu sinto que eu trabalhei bem, eu me sinto muito poderosa.
Ok, então vamos olhar pra isso, sabe? Vamos colocar uma roupa que você se sinta bem pra ir trabalhar. Banca teu nome, dá tuas ideias, fala o que você pensa numa reunião. Você sai com a libido muito mais alta, né? Então, quando a gente entende que sexualidade, autoestima, sensualidade estão em todas as áreas da nossa vida, eu sinto que isso tira muito, pra mim, na minha vida pessoal, tirou. O peso do estar bonito o tempo inteiro pra ser eu mesma o máximo que eu puder. Sabe? Em todos os lugares. Perfeito.
E alguém que não está se sentindo conectada com a sua sexualidade ou com a sua sensualidade, qual que é o primeiro passo para ela se reconectar? Tá, muito boa essa pergunta. Eu acho que aí a gente pode entrar numa questão de gênero importante, que é a seguinte, né? Para os homens, as pessoas que foram sociabilizadas aí na masculinidade, desde o início eles foram hiperestimulados sexualmente.
Então, ninguém nunca teve problema de dar nome pro órgão genital, pênis, pinto, tal. Eles aprenderam a desenhar isso na mesa da escola muito cedo, né? Infelizmente, eles aprenderam uma performance da sexualidade desde muito cedo. Que pra eles é muito prejudicial também. Porque eu atendo muito homem em terapia sexual. E eu tenho dó às vezes, gente. Porque eles estão cheios de problema e de ansiedade sexual. E de ter que ser o fodão o tempo inteiro, né? Imagino que vocês saibam disso, né?
Que é bem delicado. Só que por outro lado, nós tivemos uma completa inibição do tema. Então ninguém nunca explicou pra gente o nome da nossa genital. Fecha a perna. Fecha a perna, tira a mão daí. Pepeca, vagina. Ninguém explicou que chama vulva. Que é um órgão que chama vulva. Que ele é complexo. Que o de cada uma de nós é diferente. Que não tem padrão de beleza ali. Que tudo bem ter um lábio maior do que o outro. Ter pelo, ter cheiro. Porque vulva tem cheiro de vulva e não de flores e rosas do campo.
A gente começou a crescer com o absorvente perfumado e com ter que esconder o absorvente na calça da escola pra ir no banheiro. Tudo isso, gente, faz com que a gente comece a pensar... Não, total, eu também. Eu também. Tanto que hoje, pra escandalizar mesmo, eu falo alto. Ah, porque eu tô menstruada, tô de disco. Sabe, amanhã eu vou menstruar. Até meu pai fala... Meu pai às vezes fala, por que você tá tão obcecado em falar de menstruação? Eu falei, porque é uma coisa que acontece no meu corpo.
E você precisa saber o que está acontecendo. Porque às vezes eu vou estar num restaurante e vou precisar sair pra ir no banheiro. Mas bom, a gente sofreu tanta inibição...
Que parece que a gente aprendeu que a única maneira de viver uma vida sexual seria compartilhando ela com alguém. Tá, então se eu quero ser sensual, se eu quero ser sexual, eu preciso me arrumar pra ir num date. Parece que não existe, eu preciso botar uma lingerie pra me olhar no espelho pra mim, pra deitar na minha cama, pra passar a mão pelo meu corpo. Sabe, isso tá tão fora da nossa imaginação, mas isso é uma dica que eu dou pra quem quer explorar mais sua sexualidade sozinha.
É assim, entenda primeiro, o que faz você se sentir sensual e bonita? E qual que é a maneira pra você de aproveitar as sensações no seu corpo? Dá um exemplo, uma vez eu atendi uma mulher, eu perguntei pra ela, eu falei, que coisas você faz na sua vida, no seu dia a dia, que fazem você entrar em contato com os prazeres do seu corpo? E ela morava numa cidade de praia, e ela falou, ah, quando eu entro no mar, eu sinto muito prazer.
E aí eu convidei ela a fazer isso, a entrar no mar e conscientemente sentir água tocando a pele dela, passar a mão pelo rosto dela, se quiser passar a mão no peito dela, na bunda dela, ela tava lá sozinha de manhã, ela falava que gostava de cinco da manhã nadar. Vai, você tá sozinha, toca o seu corpo, ele é teu. Porque os homens usam dessa ferramenta há muitos anos. Sentir prazer com o próprio corpo é maravilhoso. Ter orgasmo, se liberar dopamina, serotonina, se se sentir forte, poderoso, os homens fazem isso.
a gente tem que fazer também. Não é falar pra eles, não façam. Sabe? Eu sempre falo, a gente critica muitos homens, mas tem certas coisas que a gente tem que pegar eles e aprender. Tá, eles estão usando do corpo deles como ferramenta de prazer e de poder, vamos fazer o mesmo. Sabe? Vamos conhecer nosso corpo, vamos aprender como a gente tem orgasmo sozinha, pra não depender de um deles pra chegar lá.
Vamos entender o que a gente topa, o que a gente não topa, colocar nossos limites. Porque quando a gente aprende a colocar limites na cama e colocar desejos na cama, nossa, fica tão mais fácil fazer isso no resto da vida. Imagina. Que é um reflexo, né? Super. É um reflexo porque é um ambiente tão difícil da gente falar o que a gente quer. Às vezes é muito. É muito difícil. E da gente saber o que a gente quer. Às vezes você pode estar lá no sexo com alguém, com seu namorado, seu marido, sua esposa, seja lá quem for.
E a pessoa fala, ah, o que você tá querendo? Quer mudar de posição? O que você quer fazer? Você fica meio, não sei. Aí dá vontade de falar, ah, não sei, faz o que você quiser. Ou você fala, tipo, de quatro, só pra se livrar. Só na primeira posição que vem na cabeça. Isso é muito normal. Então, isso é até uma coisa que eu convido as mulheres a fazerem quando elas querem ter mais desejo. Ou quando elas querem explorar mais sua vida sexual.
Eu falo, entra no sexo. Vamos mudar o objetivo? Porque a gente entra no sexo querendo ter um orgasmo e agradar o outro.
Geralmente é isso. A gente entra pensando putz, quero gozar, tomara que eu goze hoje. E entra pensando, será que ele tá gostando? Será que ele tá cansado? Será que ele não quer me tocar assim? E se eu pedir, putz, ele não vai querer? A gente entra querendo muito, né, agradar os desejos do outro. E a primeira coisa é assim, ele é adulto e ele escolheu transar com você. Se ele quiser parar, ele vai falar. Porque às vezes, e aí vou trazer um exemplo mais explícito, tá? Posso? Claro. Às vezes você tá ali.
num sexo oral, deitada, a pessoa tá ali com a boca em você e tá gostoso. Você fala, nossa, tá gostoso, mas, putz, acho que eu vou demorar muito pra gozar. Acho que eu vou demorar muito, ele vai cansar. Será que ele tá gostando? Será que ele tá cansado? E agora, e aí, sua cabeça...
Já foi embora, meu amor. Aí você não vai gozar mesmo. E assim, se ele estiver cansado, ele fala pra você, pelo amor de Deus. Se ele estiver cansado, ele vai levantar a cabeça, vai te dar um beijinho na barriga, vai usar a mão, vai vir te dar um beijo na boca. Deixa ele.
Dá o tempo dele, aproveita, porque você está tendo uma experiência extremamente gostosa e jogando ela fora porque você está outra vez colocando o outro em primeiro lugar e não seu prazer. Então, às vezes eu falo para as mulheres, seja um pouquinho mais egoísta na cama, porque ser egoísta, para nós, ser egoísta vai se dividir. A gente nunca vai ser hiper egoísta porque não é da nossa natureza.
E eu até às vezes incentivo, seja um pouquinho, sabe? Entra nas vezes não. Se você tá solteira, né, não tem parceiro fixo, gata, vai no sexo pra te dar prazer. Tira da cabeça essa ideia de tenho que ser o melhor sexo do outro porque isso não garante nada. Não garante que a pessoa vai se apaixonar por você, nem que ela vai voltar.
nem que você vai ser mais bem falada, por aí não garante nada. Então assim, vai pro sexo pra você ter prazer. Ou seja, deixa a pessoa lá te chupando, fala que posição você quer fazer. E aí para saber isso, a outra coisa que eu ia comentar é, vá pro sexo com um olhar de curiosidade. Não querendo gozar. Vá pro sexo com, o que eu vou descobrir hoje? Posso pegar teu braço? Licença. Por exemplo, eu posso pegar o braço da Bia e falar, nossa, hoje eu descobri que se eu passo a mão pelo meio aqui da palma dela,
Aí ela dá um sorrisinho. Pronto. Vá pro sexo, obrigada. Vá pro sexo tentando descobrir algo no corpo da pessoa que tá com você. Explorar, né? Explorar. Porque aí a gente volta a ter alguma coisa que nos motiva. Principalmente se você tá com baixo desejo, a gente pode até abrir o que causa baixo desejo, como tem mais desejo, mas uma das coisas que eu falo é...
Vá pro sexo tentando descobrir algo novo no seu corpo. Então, tentando estar atenta. Ai, quando meu namorado passa a mão aqui pelo meu braço e me aperta aqui. Nossa, me dá um negocinho. Legal, pode anotar. Coisas que descobri sobre minha sexualidade hoje. Sabe, vamos começar a abrir um mapa de registros. Seja real, descrever, ou seja na nossa cabeça, sabe? Aí a gente volta, sei lá, eu sinto até uma adrenalina, uma diversão, um motivo pra estar ali. Porque às vezes a gente para de querer transar porque não tem muito motivo.
Fala, puta, não tô gozando. Já tô casada, então assim, já tô aqui com essa pessoa, não tô querendo agradar, não tô precisando agradar tanto que a gente acha que a gente tem que agradar. E aí vai perdendo a vontade mesmo. E é muito comum até na novela de tudo ter visto, né? Uma personagem que passou anos sem ter nenhum orgasmo e ela descobre que é um orgasmo.
Ah, da Carolina Dickmann, né? É, da Carolina Dickmann. E eu tenho várias amigas que, às vezes, com outros parceiros descobrem. Tipo assim, ah, então é isso que é sexo? Então eu vivi a minha vida inteira outra coisa. Gente, sim. Isso, eu sou terapeuta de casais, né? E, às vezes, eu acompanho casais na fase da separação. Porque muitos casais chegam pra fazer terapia de casal já pra separar.
eles chegam como uma última chance, mas tem alguns que chegam já com uma... Assim, é quase uma decisão tomada. Eles só precisam, parece que de uma terceira pessoa, que olha e fala, acho que é realmente importante vocês seguirem cada um o caminho. Então, eu faço esse processo, inclusive chama terapia de separação. É bem legal, porque faz com que os casais separem numa boa.
É muito lindo, assim, esse trabalho quando os dois colaboram pra isso. Tem casais que chegam só pra dar um disclaimer também. Tem outros casais que chegam, que eu adoro, pra trabalhar a vida sexual. Então eles estão super bem na relação. E, ai, queremos transar mais. Eu queremos descobrir uma fantasia.
Aí é divertido, porque são sessões leves, eu trago coisa, eu trago lista, eu trago jogo pra gente jogar. É muito gostoso. Eu tenho, inclusive, pacientes minhas que acabam dando de presente pros maridos de aniversário de casamento, uma sessão comigo, porque vira uma sessão de, vira quase, sei lá, uma recriação pra adulto, sabe? Eu coloco um monte de vibrador na mesa, eu falo, ó, vamos aprender como que usar esse, como que usar esse, compra isso, vira um parque de diversões.
Mas os casais que vêm fazer terapia de separação, às vezes eles estão com muito medo.
E eu, às vezes, continuo acompanhando os dois de forma separada. E já aconteceu isso. De uma mulher que eu continuei acompanhando, virou e falou, nossa, eu tive minha primeira relação depois desse casamento. Era um casamento de uma relação que vinha desde que eles eram bem jovens, tipo adolescentes. Ela falou, e eu descobri que que é sexo. Meu Deus, eu entendi que nos meus 15 anos de casamento, a gente não transava legal. E pro cara, coincidentemente, aconteceu a mesma coisa.
Então assim, foi muito legal, porque os dois estavam muito felizes, e eles terminaram super bem, numa relação super amigável. E é muito legal, porque às vezes, você realmente, entrando em contato num sexo com outra pessoa, vai descobrir coisas novas sobre seu corpo, sobre você mesma, sobre sua personalidade, mas, por outro lado, você também consegue descobrir isso sozinha. A gente não precisa sempre de uma outra pessoa pra mostrar pra gente o que é um orgasmo.
Se você não tá tendo orgasmo, se você tem dificuldade, você pode, sim, descobrir isso sozinha. Sabe? Dá. Porque senão o meu receio é que a gente, de novo, dependa de uma outra pessoa pro nosso prazer. Quanto mais independente a gente for do nosso prazer, melhores vão ser as relações que a gente vai ter. Porque a gente vai escolher aquela pessoa porque ela é legal. Porque ela nos trata bem.
E não porque Ai, nossa, eu tenho o dedo podre Mas é que o sexo com ele é tão bom Ai, eu sei que ele é péssimo, mas nossa O sexo com ele é tão bom Ai, gata, tipo Se for só por isso, você resolve sozinha Exatamente, gente Hoje temos uma gama de vibradores no mercado enorme Mas eu tenho escutado menos isso Eu também Eu tenho escutado bem menos Eu escuto menos também Acho que pode ser nossa bolha, não sei, tá Mas eu também tenho escutado menos isso Eu também tenho escutado menos isso
de precisar de outra pessoa, eu acho que as mulheres estão bem dependentes em relação ao próprio prazer atualmente. O que eu às vezes ainda escuto, e aí vai pro campo da paquera, tá? É, ah, eu não queria ficar com ele, mas sei lá, chegou em mim e fiquei.
Tipo, isso eu escuto. Ah, nem tava tão afim, mas sei lá, era mais fácil beijar do que não beijar. Isso é uma coisa que eu ainda escuto. É complexo. É complexo. Porque às vezes, sim, vai ser mais fácil beijar do que não beijar. Porque, por exemplo, uma amiga me contou isso um tempão atrás. Ah, é um amigo meu, me deixou na porta de casa.
Meu, a gente já tinha ficado uma vez, eu achei mais fácil dar um beijinho pra ele ir logo embora e não me encher o saco. Mas a gente ficou debatendo sobre isso, né? Será que é mais fácil mesmo passar por cima do nosso desejo do que virar pra pessoa e falar, ó, foi legal aquela vez, mas acho que não vai rolar mais. Então se essa for a sua expectativa da gente ficar, quando a gente se vê, acho que a gente tá um pouquinho desalinhado. Mas às vezes é isso, a gente tem tanto receio do conflito.
E eu sinto, isso eu escuto muito com as minhas pacientes. Receio de como a gente vai sair na narrativa do outro. Na vida, né, eu acho. Ah, de outro vir e falar, nossa, a Mari tá muito chata agora, ela não quis nem me dar um beijo, sabe umas coisas assim? E assim, eu falo, gente, a gente não tem controle da narrativa do outro.
sendo legal, sendo chata, sendo simpática, sendo grossa, o outro vai falar o que ele quiser sobre quem a gente é. Então assim, coloca esses limites, fala não. E ao chegar num bar, ao invés de ficar esperando alguém chegar em você, e você virar e falar ai foi quem chegou em mim, chega lá, olha quem está ao redor.
Entenda quem te atrai. Faça movimentos. As mulheres estão fazendo vários movimentos atualmente. Porque os homens não estão fazendo. Então as mulheres já estão fazendo mais movimentos. Acho que até demais as vezes. Os caras podiam também se desenrolar de novo. Eles estão muito presos na própria ansiedade atualmente. Gente, é uma loucura. Eu não sei o que está acontecendo. Eu tenho minhas suspeitas. Eu acho que eles estão muito ansiosos. Realmente. Com uma ansiedade de rejeição muito grande.
E sem ter com quem falar. Então, tipo, se tomam fora, os amigos zoam muito. E hoje em dia tá virando uma questão os amigos zoarem. Porque antes eles meio cagavam pra isso. Falavam, ah, é pra ciência. Eu sinto que eles estão medindo muito o valor pela conquista. Eles sempre mediram, mas medindo cada vez mais. Então eles têm receio de chegar e tomar um toco. E eu acho que, por outro lado, as mulheres estão ficando mais exigentes. O que é ótimo. A gente tá colocando mais limite.
E eu acho que isso começou a dar neles uma preguiça. Porque eles não sabem lidar com mulheres que colocam limites. Então, às vezes, é mais seguro ficar no campo da ah, não tinha nem ninguém que eu queria ficar lá mesmo, do que você lidar com uma pessoa de verdade. Porque eles estão entendendo agora que as mulheres são cada vez mais pessoas reais, com questões reais. A gente não tá mais facilitando a vida deles. Tá impondo limite.
A gente tentar numa geração que não facilita. Sim. Não facilita. Se o cara levantou da mesa e deixou uma bagunça,
a gente vira e fala, ó, você pode tirar seu prato, por favor? Você pode tirar essa bagunça da mesa? E as gerações anteriores, por toda a estrutura histórica que a gente tem, limpavam. Então, tem muitos homens que ainda estão com uma preguiça de ter que lidar com isso, mas isso está gerando um embate interno deles muito interessante, porque eles querem.
Eu tenho pacientes que falam isso, eu quero me relacionar Mas chega na hora eu tenho medo De não dar a performance que ela queria na cama De não ser o homem que ela merece Assim, eles estão com questões Imagina, os que fazem terapia comigo são os mais legais Porque pra vir buscar uma terapeuta sexual O cara já é bem legal Pra buscar terapia já é legal, né? Vamos pelo base Buscar terapia já é legal Terapia sexual
muito legal. Eles são bem legais. Eu defendo super. Os caras que passam comigo, eu defendo eles. Eu falo, vocês são diferenciados.
Se não fosse antiético, eu apresentava para as minhas amigas. Um Tinder da Mari. Toda vez que eu falo isso em palestra, as mulheres falam, pelo amor de Deus, faz um encontrão, pacientes da Mari, faz um speed date. Faz um speed date.
conteúdo. Falei, gente, mas é eu preciso pensar como fazer isso, né? Porque tem o sigilo deles ali de estar em sessão, né? Eu não posso virar e falar esse cara faz pra ver comigo! Não posso, né? Tenho sigilo, a não ser o que eles querem. Mentira, nem se eles quiserem eu vou fazer, não vou fazer. Mas eles são bem legais, assim.
Eu lembro de uma situação, a gente tava juntas no Rio. Que o menino chegou em mim, ele ficou conversando comigo um tempão, e eu de nada, ele falou, então tá, obrigada. Juro. E tá em nada. Eu fiquei, tipo assim, mas eu falei um monte de coisa pra ele. Falei quanto tempo eu ia ficar no Rio, o que eu tava fazendo. Então tá, obrigada.
E aí, depois eu conversando com amigos, um amigo meu falou, é, porque provavelmente você não deu sinais que você estava interessada. Aí ela ficava assim, mas o que mais eu precisava fazer? Eu fiquei conversando com ele há um século. Não, é doido. É esquisito, isso aí não dá, não consigo saber exatamente o que foi, assim. Quando, isso é uma dica que eu dou, quando está rolando esse papo que está muito tempo...
Às vezes, a gente pode dar uma facilitada de... Ai, ha, ha, ha, pega a mamãe. Pra quem tá ouvindo em áudio, né? Bota a mão no ombro da pessoa. Dá uma risada meio caindo pra frente. É que eu vou ter que risada. Ai, que legal, Inésio. Se não cabe... Talvez a gente tenha que ser um pouquinho mais explícita e performática. Acho que foi isso.
Talvez. Porque pra mim já era o suficiente estar ficando com ele falando aí. Sim, mas é mesmo. Eu concordo que é o suficiente. Mas como acho que as pessoas estão... Eu acho que tem o fator celular envolvido.
Acho que rede social, aplicativo de paquera, que eu adoro aplicativo de paquera, gente. Encontrei o amor da minha vida no aplicativo de paquera. Então, assim, sou a favor. Mas eu acho que isso tudo dificultou um pouco a paquera presencial. Acho que as pessoas estão com dificuldade de ler sinais. Não todo mundo, tá? Tem gente que ainda tá boa. Mas muitas pessoas estão com dificuldade de ler sinais, estão com dificuldade de puxar papo numa interação presencial.
Então eu acho que a gente tá quase tendo que voltar pro beabá da paquera. Que é sorrir, olhar no olho, passar uma mão no cabelo e passar a mão no ombro. E uma hora você pode falar, não sei, queria te dar um beijo. Tipo, talvez a gente precise voltar pra uma literalidade da coisa. Porque sinto que as pessoas estão muito fechadinhas. Cara, eu senti isso. Eu fazia tempo que não ia em festa, né? E eu fui com umas amigas na semana passada. E eu fiquei indignada. Ninguém mais se pega.
Eu falava assim, gente, mas assim, na época que eu ia nas festinhas, esse horário já tava toda, parece uma velha, né? Sim. Depois você casa separadinha em alguns eventos. E aí quando você sai com as amigas solteiras, eu tava achando que, tipo assim, todas iam beijar na boca. Sim. Mas ninguém beijou. Eu fiz um post disso no Instagram ano passado, mas eu levei um hate. Mas eu vou contar, levei um hate. Porque no meu post eu tava falando isso, eu tava falando.
Eu até usei aquela música, beijo na boca é coisa do passado. Eu coloquei, eu lembro que o post era algo assim, beijo na boca é coisa do passado.
Agora a moda é ficar olhando pro chão, conversando só pra quem é seu amigo, tirar foto, postar no Instagram e ir embora da festa. Tipo, postei meio isso. E eu tava fazendo uma crítica, né, a essa dificuldade que eu sinto que as pessoas estão de paquerar. E eu levei um hate de um monte de gente falando Ai, mas paquera não é a coisa mais importante da vida. Ai, mas beijar na boca não é a coisa mais importante da vida. Às vezes eu quero ir na festa só ouvir a música.
Tá bom, pode ir na festa só ouvir a música. Não tem problema com isso. Você não tá criticando. Não tô criticando quem faz isso. A minha questão é que realmente...
virou uma coisa muito fechada. As pessoas estão com dificuldade de sair da própria bolha. Por exemplo, tô num bar, bater um papo com alguém na fila. Tipo, nossa, a música tá mega legal, você conhece esse bar, que outro bar você curte por aqui. Gente, papo furado. Eu amo... Meu namorado fala que eu sou a rainha do papo furado, porque eu bato papo na padaria, na fila do bolo, na fila do mercado. Eu adoro papo furado, porque isso cria conexão. Sim.
E eu acho que é meio essa a minha crítica. Eu acho que as pessoas estão com dificuldade de paquerar pessoalmente. Estão com dificuldade de papo furado. Estão levando tudo muito a sério. Acho que sim, a gente está num momento meio inseguro de feminismo, de muita violência contra a mulher. E faz uma que a gente fique mais receosa. E eles com medo também. E eles com medo. Eu acho que tem essa situação. Eles estão com medo de falar qualquer coisa e a gente está meio armada. Acho que a gente tem que sim estar atento e forte.
Mas, a gente pode, às vezes, se desarmar em um ambiente de mais segurança. Estão suas amigas perto, você tá numa fila de um bar, jogar um papo fora. Se o cara é um cara esquisito, tudo bem, não precisa conversar, você não tá afim. Mas eu sinto que a gente tá meio... sabe? Cara, eu falei isso muito com as meninas, porque só era eu a casada e a...
que tinha um relacionamento, não era nem sobre só casada, as outras estavam todas solteiras na mesa, e elas estavam, não, porque a vida do solteiro tá em salão, mas tá difícil tá no seu quê, não, eu falei assim, é, mas vocês também só falam, porque começam a falar no seu quê chega um menino e fala oi, vocês, ai, para sabe, tipo assim, vocês são a consciência dos caras também, coitados tipo, na festa, os meninos tentam ai, credo, sabe, tipo assim aí você quer um homem, mas você tá, tipo, um homem fala oi, você já tá, tipo, nossa, que ranço eu concordo muito ou...
Quando eu tava solteira, ano passado, antes de eu conhecer meu namorado, eu tava numa fase de muitos dates.
porque eu tava querendo conhecer alguém pra criar intimidade. Eu não necessariamente queria namorar, não era chique da minha lista, mas eu já tava há um tempo sem criar intimidade com alguém, sabe? Eu tava há um tempo só com uns dates meio, aquele amigo que você pega, essas coisas. Falei, tá, eu quero conhecer alguém com a qual eu vou criar uma intimidade, poder sair mais. Gente, pra isso, eu tive que acessar uma paciência de ir em muitos dates e de estar muito aberta.
Então o cara chegava e puxava papo, e eu a princípio pensava, ai, não quero. Aí depois eu pensava, calma.
Será que eu realmente não quero? Deixa eu conversar, deixa eu sair. E assim, aconteceu. Eu saí com os caras que eu chegava no date, eu olhava e falava, putz, não vai rolar aqui, não achei bonito, não achei interessante. Sabe o que eu fazia? Tentava tirar algo daquele date. Ou seja, eu pegava a profissão do cara e ficava fazendo um zilhão de perguntas para aprender alguma coisa. Eu falava, eu não preciso provar que eu sou interessante, eu sei que eu sou interessante e eu não vou querer sair com esse cara de novo. Então deixa eu aprender uma coisa nova.
fazer valer minha noite ou uma dica que eu sempre dou é marque primeiro os dates no lugar que você queira ir
Então, por exemplo, eu queria ir numa exposição. Eu lembro super de um date que eu fui numa exposição que eu queria muito ir. E assim, ferre-se se o cara queria ir na exposição ou não. Ele falou, o que você quer fazer? Eu falei, eu quero ir nessa exposição. E depois a gente toma uma cerveja. Ok, eu vi a exposição. O date não foi tão bom, mas eu vi a exposição que eu queria ver. Ou eu marco num bar que eu quero ir. Ou, tipo, teve um cara que ele tinha formação de massagista. Ah, gente! É claro, né? Porque eu falei, ai, gente, não vai muito pra frente.
Deixa eu pedir pro cara, falar, ah, você pode fazer uma massagem no meu ombro e tal, sabe? Fiz, recebi uma massagem. Nunca mais vi. Beijo, espero que esteja bem. Mas assim, aproveitei pra tirar algo pra mim. Só que assim, eu saí muito daí, até que eu conheci meu namorado. Que foi diferente. Mas eu não teria o conhecido se eu tivesse nessa de... Fechada. Fechada, fechada, fechada, não vou sair, não vou sair. O mundo da paquera, ele exige paciência, perseverança e atitude.
Sabe, eu acho que é um pouco disso. Vai aí, uma hora você vai conhecer alguém legal. Tenha paciência. E tenha atitude. Marca o rolê que você quer fazer. Porque aí você é feliz. E você não precisa entregar nada pra pessoa. No sentido de, tipo assim, se você não quer beijar, não beija. Eu tô solteira há muito tempo. Eu já vi pra vários dates que eu não beijei a pessoa. E as pessoas me perguntam. Ah, mas ele não ficou chateado? Ah, o problema dele. Nossa. Exatamente.
Fiquei a fim de beijar, não beijei. Nossa, isso é ótimo. Porque eu tava falando esses dias com umas amigas sobre algumas coisas que eu tenho escutado de pessoas que usam o sexo, o beijo, como moeda de troca. Então, quase isso. Ah, ele pagou a conta, então vou ter que dar um beijo. Gata, não vai. Seu corpo não é moeda de troca. Ou, ah, quando a gente morar junto, eu vou topar transar sem camisinha.
É sério que você vai fazer, sabe? Você vai usar o seu corpo como moeda de troca. Transa sem camisinha se você quiser. Se você confiar. Não porque a pessoa tá topando em morar junto. Porque senão sua relação começa a estabelecer o sexo. Então tá. Então você me levou pra jantar. A gente vai fazer sexo anal.
Tipo, não dá, gente. A gente tem que fazer sexo anal, transar sem camisinha, sei lá, fazer a prática sexual que quiser, quando der vontade. Quando o seu corpo falar, quero. E assim, nesses dates, pra quem por outro lado, ah, eu quero fazer sexo casual mesmo, não sei se eu quero sair com essa pessoa de novo, mas vou fazer, faz e usa aquilo que eu falei.
Faça o certo ser gostoso pra você. Quer deixar o cara te chupando por 40 minutos? Deixa. Se ele não quiser mais, ele vai sair dali. Exatamente. Se ele não quiser mais, ele vai sair dali. E se ele, por exemplo, transamos, no fim, até foi gostoso, mas eu quero que ele vá embora da minha casa. Manda ele embora da tua casa. Eu falo que eu tenho aula de yoga, 10 da manhã. Maravilha, 10 da manhã. Ainda foi tarde. O cara pode falar, pô, mas eu acordo das 8. Eu falo aula de yoga.
Mas eu já perfeito. Agora, tu é... Desce o horário. Dez horas da manhã, muito tarde. Fala oito. Muito tarde. Mas agora todo mundo que já saiu com ela, cuidado, tô brincando. Mas, você pode virar e falar. Eu também falava. Eu falava, olha, amanhã eu vou ter um dia longo, eu não durmo bem com outra pessoa. Tudo bem se você for indo? Como que você tá pensando em ir?
Tá tudo bem, gente. Todo mundo é adulto. Se a pessoa ficar chateada porque você não quis dormir jantar, ai, problema dela. E por outro lado, sabe uma coisa que eu acho que eu não falei isso publicamente isso ainda. Eu tive um super tabu moral que eu nunca pensei que eu fosse ter assim, sendo sexóloga quando eu saí com meu namorado a primeira vez. Porque eu tinha
A gente tava tendo um date tão legal. E eu tava tão afim dele. Tipo, ai meu Deus, que lindo. Que pessoa interessante. Que legal. Que por um momento eu cheguei a pensar. Não vou transar com ele hoje então. Vai que acaba, tipo assim, uma coisa meio assim. Como se segurasse. É.
Pra segurar. Pra pensar. Ai, porque pelo menos eu garanto um segundo date. Ai, e me deu. E foi uma questão de cinco minutos. Foi o tempo que ele foi no banheiro. Eu pensei, porque o bar tava fechando. Aquele momento que você fala, bom, vamos ter que... Ou vai empacar na sua casa, ou vai pra outro bar. Sabe? Que é o momento que ia ter que mudar de lugar.
E eu tive esse dilema, eu falei, será que eu não transo pra garantir um segundo date? E aí em cinco minutos eu pensei assim, eu não vou garantir segundo date porcaria nenhuma, por causa de sexo. E assim, se garantir, ok, pode ser que ele venha, transe comigo no segundo date e nunca mais olhe na minha cara.
Ele transar comigo ou não, não vai garantir dele querer me ver de novo. Não vai, a gente acha que sexo é algo que segura e de novo, gente, não segura. Eu já vi muitos casamentos com sexo ótimo terminando. E já vi muitos casamentos com sexo ruim se resolvendo, sabe? E aí eu pensei também, se esse cara, eu sou sexóloga, se esse cara me julgar porque eu dei pra ele na primeira noite, puta, não vai lá pra ele sair comigo mesmo. Não é ele, porque eu sou uma pessoa sexualmente muito livre e que falo disso o dia.
inteiro. Então uma pessoa que te julgue por isso não é uma pessoa certa pra você. Não vai conseguir ficar comigo, não vai bancar, porque é bancar tipo, ele banca muito que eu vou em lugares, eu vou falar de sexo você vai falar do vibrador vou falar um pouco da nossa vida pessoal com certos limites, mas porque às vezes eu dou exemplos então assim, tem que ser uma pessoa que banca
E no fim deu tudo certo, gente. Porque eu tô aqui, transei na primeira noite. Foi ótimo. Ficamos conversando madrugada na cama, aquela coisa gostosa, sabe? E foi ótimo. Sabe? Não criou impossibilidade nenhuma. Então, se você tem vontade de transar num primeiro encontro,
Transa, meu amor. Seja feliz. Sabe? Não se barre por um dilema moral. Se o cara quiser te julgar, ele vai te julgar o resto do relacionamento inteiro. É bom você saber já no início que ele é uma pessoa assim e não continuar saindo com ele. E o zap de namoro também, né? Porque eu sei que se conheceram lá. Porque eu tenho um monte de amiga que tem... Ai, Hans, não vou baixar o zap de namoro. Gente, eu super incentivo o aplicativo de namoro. Mas eu acho que você tem que saber usar. Então, assim...
Se tem alguns critérios relevantes pra você no relacionamento, coloca nos filtros. Os aplicativos têm aqueles filtros. Você pode pagar pra ter filtro, né? Eu tenho uma amiga que colocou... Você pode pagar? ...de uma ação. Ah, então, tudo bem. Pode pôr. Se pra ela é uma questão, não tem nenhum problema. Bota filtro. Ou, tipo, eu tinha um filtro que eu prestava atenção. Se o cara colocava que não queria ter filho, eu não ia sair.
Porque pra mim isso é uma questão. E eu tava buscando alguém pra criar mais intimidade, pra criar um relacionamento. Eu quero muito ser mãe. É uma coisa que eu já elaborei muito, já sonhei muito, já critiquei muito e quero.
sabe? Então eu olhava e falava, se o cara bota, não quero ter filhos eu não vou sair com ele não tem porquê, sabe? mas coloca uma foto bonita tua bate papo, joga a conversa fora seja chavecada, aplicativo é legal tem um monte de gente chavecando marca o date no lugar que você quer não marca no dia premium não marca sábado à noite um date de aplicativo
Sábado à noite, sai com as suas amigas. Sábado à noite, vai fazer o que você quer com as suas amigas. Marca numa cesta, marca numa quinta, marca num sábado à tarde. Porque aí, se o date for ruim, você não perdeu o seu sábado à noite, sabe? São algumas dicas basiquinhas que eu dou, assim. Isso é muito bom.
E aí agora falando um pouco sobre libido. Vamos. Por favor. Não, porque a gente escuta muito, né? Primeiro a mídia bombardeia a gente o tempo todo falando da mulher, que a mulher tem que ter libido, que a libido tem que estar alta, que não sei o quê. E assim, um dia eu lembro que eu tava me sentindo muito culpada, já faz muitos anos isso, e eu fui na Adneco e eu falei pra ela, cara, eu acho que a minha libido tá baixa. Ela olhou pra mim e fez.
Primeira coisa, você não tá com a libido baixa, você tá trabalhando que nem uma louca. Exato. Você tá indo todo final de semana fazendo as feiras, fazendo as coisas tipo da sua empresa. Não tem como, vai muito além disso. Não é porque, ai, eu não vou te pedir mil exames e é a culpa da testosterona. Eu não vou te entuchar, porque a gente acha, né? Libido baixa, testosterona vai. Não, nada a ver, gente. E aí, depois de muitos anos, uma outra gineca falou pra mim assim, cara, a libido vai muito além do seu hormônio. Ela falou assim, eu sou casada há não sei quantos anos.
Se o meu marido pega e me trata bem de manhã, isso aqui já vai fazer com que à noite eu já tenha mais vontade de transar com ele. Claro! Tipo, são as linguagens de amor envolvidas também, né? E eu queria que falasse um pouquinho sobre isso, porque a mídia bombardeia muito a gente de, a libido, e a testosterona, e os hormônios, e não sei o que, e você tem que estar com a libido alta.
E assim, às vezes é muito sobre o que a pessoa faz pra você, que constrói essa relação. Sim, ai que bom que você teve essa gineco que te deu essa fala, Bia, porque isso é extremamente importante. Assim, libido, desejo sexual, ele é contextual.
Ele precisa de contexto. Por favor, não comprem pílula que aumenta a libido. Gente, não funciona. Tempo todo o Instagram. Pílula que aumenta a libido, sabe o que tem lá? Vitamina, porque às vezes você está desnutrida. Vitamina, às vezes você precisa equalizar ali algo. E cafeína, e taurina, e coisas que vão te dar energia.
É isso que tem nessas pílulas geralmente. Não precisa comprar. Vai fazer um exame de sangue. Vê se sua vitamina D tá baixa. Ok. Mas, isso não vai resolver. Eu gosto de trabalhar libido e desejo sexual como duas coisas separadas que eu acho que fica mais didático. Que é a seguinte. Libido, da maneira como eu vejo, porque a minha base de estudos é a psicanálise. Libido é a nossa pulsão de vida. Então, libido é a nossa energia de movimento.
Então vocês estarem aqui gravando esse podcast e produzindo tudo isso, foi algo que foi gerado pela libido de vocês. A libido de vocês colocou vocês em movimento e falou, vamos fazer isso, vai ser muito legal. E aí a gente coloca em movimento. Por que eu falo isso? Porque às vezes você tá saindo em festa, vendo suas amigas, indo jantar fora, trabalhando pra caramba. Só que seu desejo sexual tá baixo.
Você não tá querendo transar. Então, a sua libido tá ali rolando. Uma coisa interessante que eu gosto de pensar às vezes é, tá, será que tem algum ponto da tua vida que tá sequestrado? A sua libido está sendo sequestrada por ele? Então, por exemplo, tô botando libido demais no meu trabalho. Então, olha aí, ó, tô trabalhando demais, tô colocando energia demais ali, e aí não tá sobrando libido pras outras áreas da minha vida. Eu chego em casa muito cansada.
ou eu não tenho vontade de sair no final de semana. Eu tenho um projeto, e o nome do meu podcast é o Clubinho da Libido.
E se vocês forem ouvir o Clubinho da Libido, gente, ele tem episódio sobre tudo, não é só sobre sexo. Porque esse é meu ponto de vista. Libido vai falar sobre seu dinheiro, sua relação de paquera, sua relação com as suas amigas, sua relação com o seu trabalho. Tudo isso vai interferir na sua libido, que é essa sua energia de movimento. E eu faço um desafio no Clubinho da Libido, na comunidade que a gente tem.
Que pra aumentar a libido elas têm que fazer exercício físico, ganha ponto. Saiu com as amigas, ganha ponto. Fez uma atividade sozinha, que queria muito fazer. Então fez um autodeite, ganha ponto. Banho premium, ganha ponto. Porque eu quero mostrar que muitas coisas podem levantar nossa libido. E eu não coloco relacionamento no meio. Eu não coloco date com mozão. Porque eu quero que a gente entenda que nós mesmas podemos criar uma rotina mais gostosa.
Pra ajudar a nossa libido. Se você pegar e olhar fora da janela. Cinco minutos por dia. Tentar olhar as cores. Enquanto você faz um carinho no seu cabelo. Isso vai ajudar a sua libido. Porque isso é algo que tá recarregando a sua energia. Aí, desejo sexual. Eu separo.
Porque, às vezes, a pessoa fala, nossa, Mari, mas eu tô sem motivação, eu não tenho vontade de fazer nada. Aí é um problema de libido, que pode estar mais associado com uma leve depressão, a gente olha nesse sentido. Já desejo sexual, o nosso desejo funciona de duas maneiras. Que é a seguinte, o nosso desejo pode ser espontâneo. Então, ah, tô aqui vivendo a minha vida, ai, me dá uma vontadezinha, sim, de ter um sexo, de ter um orgasmo. Desejo espontâneo, quando é realmente espontâneo. Ou...
O segundo, que é o que acontece pra grande maioria de nós, o desejo sexual é responsivo. Então a gente precisa de estímulo pro desejo aparecer. Então pode ser que você não esteja com vontade. Mas você chegou em casa, teu marido tinha deixado a mesa super bonita pra vocês jantarem.
Ele vira e fala, nossa, fiquei pensando em você o dia todo, tava com saudade. Ele vem, passa uma mão no teu cabelo, te dá um beijo no pescoço, e aí a sua vontade vai aparecendo. Foi o que a doutora Ornella falou, ela falou, é uma construção. Ao mesmo tempo que também funciona o contrário. Tipo, se ele chega e ele te trata mal, porque o trabalho dele foi uma bosta, seja à vontade, ó. Exatamente. Já foi embora. Então precisa de contexto, assim, pro desejo aparecer. Uma outra coisa que a gente pode fazer, nós mulheres, é isso.
É ter mais estímulos sexuais gostosos ao longo do dia. Porque, como eu estava explicando para vocês, para os homens é muito fácil desejar e sentir. Tipo, eles pensaram, eles desejaram, o corpo responde. Nós, a gente está aqui com a nossa imaginação, então vamos supor, aí pensamos em algo sexual.
Até isso dar no nosso corpo, dar resposta no nosso corpo, a gente tem um bloco de censura. Eu sempre exemplifico assim, a gente tem um tijolo, que é uma pessoa que falou, ai, mulher não faz isso, a segunda que falou, mulher que deseja muito, não vai, sei lá, ser correta, ou seu corpo tá errado, você precisa emagrecer, você não sabe fazer direito, tem outra mulher que faz melhor que você, a gente tem um bloco. Então, se a gente tem um pensamento erótico, ou por exemplo, ele vai me rejeitar, ele não vai querer. Se a gente, por exemplo, tive um impulso, ai, tô com vontade.
Até o meu corpo permitir que esse impulso seja transformado em ação, a gente precisa passar por cima de tanta censura. Então o que eu gosto de fazer é, vamos começar a substituir esse bloco de censura por pílulas de prazer, ou seja, ler um livro erótico antes de dormir. Tem tanto livro erótico legal hoje em dia, tem um que eu recomendo muito, que em português ele está chamado Desejo, é da Gillian Anderson.
que é aquela atriz que fez o Sex Education. Sabe a atriz que faz o sexóloga? Ela fala que esse papel transformou tanto a vida dela, que ela ficou tão interessada em temas de sexo, que ela fez uma curadoria de cartas anônimas de desejos sexuais de mulheres. Então ela pediu para mulheres do Reino Unido, não lembro.
mandarem cartas anônimas com desejo sexual. E ela fez uma curadoria, ela publicou um livro dessas cartas. Então ela é gostosa de ler antes de dormir porque você abre e você lê uma carta. E é uma narrativa de uma fantasia erótica de uma mulher. E é super legal porque você começa a ler, aquilo pode te dar um foguinho ou você pode aprender, porque você pode falar nossa, super me identifico. Nossa, tenho tesão nisso. Ou, meu Deus, nunca... Não!
E é muito legal porque você vê como o desejo sexual é diverso. Então, ler um livro erótico, tocar mais o seu corpo, usar um vibrador, ter mais orgasmo sozinha. Tudo isso são coisas que fazem com que o nosso corpo pense, putz, isso é legal? É legal ter desejo? É legal me sentir assim? E aí o corpo vai pedindo por mais, entende? Então assim, se o seu desejo sexual tá baixo, vamos olhar pro contexto. Tá trabalhando muito? Sua relação não tá preparando esse momento pra você?
E eu até tenho falado muito atualmente que os casais têm muita mania de falar nós somos um time. Nós somos um time, né? A gente se ajuda, a gente viaja junto e faz as coisas junto e limpa a casa junto. Tá, na hora da cama, vocês também estão sendo um time? Na hora que o desejo sexual de uma das pessoas está baixo, vocês estão olhando pra isso como um problema do time?
Porque é um problema do time. Se uma das pessoas não tá querendo transar, não é culpa desta mulher. É algo que o time resolve. Então, ao invés de você criar a figura do culpado e do cobrador, porque um vira o cobrador e o outro vira o culpado. Ai, porque a gente não transa. Ai, porque a gente nunca mais vai transar. Ai, porque você nunca tem desejo. Ai, você precisa ir na médica. Já ouvi tanto isso. Ai, você precisa ir num médico.
Ao invés de ter essa figura da que cobra, imagina se essa pessoa chega e fala, vem cá, tem algo que eu poderia estar fazendo?
pra estimular mais seu desejo, tem algo que eu poderia estar fazendo pra se sentir mais desejada, é beijar mais na boca, sem precisar transar. Porque os casais param de se beijar na boca, porque beijo na boca virou seu nome de vamos transar. E aí a gente vai distanciando, não beija mais, não passar mais a mão no outro, não faz mais carinho, e aí a gente vai morrer o desejo.
Então, assim, a pergunta correta é o que eu posso fazer pra ajudar o seu desejo a voltar? E aí você responder com sinceridade. Ah, tá mais presente, me ouvir mais, me beijar mais sem me pressionar, sabe? Isso é um trabalho que eu faço na terapia de casal e que ele é muito bonito, na verdade. Porque a gente descobre necessidades de cada uma das pessoas que não estão sendo ouvidas. Isso vale pro homem também. Às vezes o homem não tá querendo transar.
Porque às vezes tem uma necessidade dele que não tá sendo ouvida, ou ele tá muito ansioso com o trabalho, não tá conseguindo compartilhar. Sabe, é muito interessante isso. Então, faz sentido? Explicou pra vocês? Eu acho muito importante falar sobre isso. Porque é o que eu falei, a mídia cobra muito da gente. A gente fica vendo série, novela, tudo, na internet.
E aí, pro outro lado, os homens ficam vendo essas bombas de pornografia. E aí vem aquela pressão de que você tem que tá sempre performando e tá entregue e tá super bem, né? Então é muito importante falar sobre isso. E nas séries, é uma porcaria isso. Porque, assim, nas séries, eu tava... Eu nem lembro se eu fiz um vídeo disso ou se eu pensei que ia fazer, não fiz. Mas teve um episódio de Emmett in Paris, que assim, eles dão dois beijos, eles já saem arrancando o sutiã dela. Eu falei, gente, ninguém quer arrancar o sutiã em dois beijos. A não ser...
Que você tenha estado num bar super legal. E um puta date. E mão na perna. E vocês já estão com tesão aqui. Ainda assim. Às vezes entram no Uber. Tem que segurar o tesão. Dá uma baixada. Precisa voltar pra casa. E requentar. Ninguém quer isso. E é o que a TV mostra. E aí. Eu estava elogiando outro dia. A Bridgerton, por exemplo. Eu ia falar de Bridgerton. Porque são maravilhosos.
constrói muito legal, eles fazem as construções das cenas eróticas de uma maneira muito sensível. E eu amo, porque, gente, é conteúdo erótico legalmente exposto pra mulheres. Tipo, todo mundo fala que Bridgerton, e ninguém vai falar, nossa, você vê conteúdo erótico? E é conteúdo erótico. Então, eu amo. Porque assim como 50 tons de cinza, que eu tenho as minhas críticas, legalizou uma mulher ler um livro ao erótico no metrô.
É maravilhoso. Eu falo que eu acho que deveria ter podcast de ficção erótico. Porque as mulheres iam amar, ouvir. Tem. Tem alguns? Tem alguns. Eu posso indicar depois uma listinha pra vocês. Mas existem podcasts de contos eróticos. O que eu mais gosto, porque eu conheço as fundadoras, é criado por mulheres, é o que chama Nua Podcast. Que legal. São contos eróticos narrados e você dá um play, escuta uma historinha.
Você pode ouvir no metrô. Ai, super. É super sexy. Eu já trabalhei num projeto de áudios eróticos que agora tá inativo. Mas eu incentivava isso. Eu falava, escuta no ônibus. Ninguém vai saber. Sabe, voltando pra casa. Ninguém vai saber. É super sexy. Escuta no seu carro voltando pra casa. É super sexy. Sabe, a gente tem que se permitir ser um pouquinho mais safada. Se eu puder usar essa palavra, sabe?
Tipo, seja, pense umas besteiras. E é tão legal quando a gente se liberta e a gente começa a trazer isso pro nosso relacionamento. Eu faço várias piadas de sexo com meu namorado e é a coisa mais gostosa. Porque às vezes eu falo, fala, ai, hoje eu vou chegar em casa. Você já me espera sentado porque eu vou te atacar.
E assim, eu não falo pra ser sensual uma coisa séria, porque senão é meio ó, me esqueça. Eu falo como piada. Ele morre de rir. E nisso, gente, uma risada ou outra, o negócio vai esquentar, sabe? Então é muito gostoso mesmo.
Muito bom. E uma coisa que você falou da censura, né, da mulher, a gente aprende muito desde cedo essa questão do não pode. Quando que isso pode começar a impactar a vida adulta pra uma relação sexual, por exemplo? Olha, desde sempre, pra ser muito sincera, sim. Porque como tem várias coisas quando a gente vai falar sobre educação sexual infantil, que eu sinto que a gente não tá levando a sério. A primeira é ensinar essas crianças a dar nome pra genitais. Por quê?
Quando uma criança aprende que a vulva dela, que é a genital, chama margarida, por exemplo, ai minha margarida, vamos lavar a florzinha. Essa criança pode chegar um dia para uma professora e falar, ai porque tem um tio lá em casa que fica pegando na minha florzinha. Quem disse que a professora vai entender que ela está tentando relatar um abuso sexual?
Então, é muito sério, entende? A gente tem que falar pras meninas, ó, essa aqui é sua vulvinha, só você pode pôr a mão. E tem que lavar a mãozinha antes, pode pôr a mão e lavar a mãozinha depois. Só quem pode tocar é a mamãe, o papai, a vovó, a babá, sei lá, dá nome pros cuidadores que quiser. Se um dia alguém pôr a mão na sua florzinha, você pode sair correndo, falar que não é, e você vem contar pra mamãe. Porque aí a gente vai ter que conversar com essa pessoa que não pode, né? Pronto.
Assim, você educou a educação sexual pra uma criança e abriu espaço de diálogo. Porque, se não, se a gente vê, por exemplo, isso acontece muito, amigas minhas conversam muito comigo sobre isso, amigas que têm filhas. Ai, porque ela fica se passando no sofá. Ou ela fica botando a mão. Gente, pensa, a bebê nasceu, ela foi enfraudada. Botaram uma fralda.
No momento que tiram a fralda e ela botam a mão ali, o menino também. É super legal. Você fala, meu Deus, um negócio no meu corpo. Gostoso. Vou ficar botando a mão ali. Descobri que se eu ficar raspando é gostoso. Legal. Gente, essa criança não tá se masturbando. Não tem erotismo. O erotismo tá no olhar de quem vê.
Tá no adulto que olha o negócio. Só que se o adulto olha e reprime, a criança pensa, meu Deus, botar a mão aqui é errado. Nossa. E aí se um adulto coloca a mão nela, fala, nossa, não vou contar pra ninguém, porque é errado. Não podia botar a mão aqui. É errado. Entendeu? A criança entra num senso de se culpar.
Muito difícil. E isso vai impactar na vida adulta. Muito. E mesmo se não houver um abuso. Se a criança crescer tranquila, livre. A gente espera que seja assim com todas as crianças. Um dia será. Se a menina aprendeu que não pode pôr a mão porque é sujo. Ela vai crescer. É sujo. E já começam a vender o que eu tava falando antes. O absorvente com cheiro. Cheiroso. Putz, então se precisa de um negócio cheiroso.
Quer dizer que aqui é fedido. Sabe, a gente começa a aprender várias coisas que vão fazendo com que muitas mulheres, gente, nunca tenham botado a mão na própria vulva. Nunca tenham olhado ela com um espelhinho. Não entendam como ela é. Achem que ela é feia. E ela não é. Ela é linda do jeito que ela é. Ela é perfeita. O Brasil é o país número um que faz cirurgia estética na vulva. E que incentiva a cirurgia estética. E tudo bem, se você sentiu a necessidade de fazer, se você tem uma insegurança muito grande de face, eu não vou te julgar. Não tem problema.
Mas a gente precisa entender que o jeitinho que ela tá, tá ótimo. Sabe? E isso impacta muito porque a gente começa a ter vergonha disso no nosso corpo. E a gente já tem tanta vergonha do nosso corpo, né? Que faz com que a gente queira transar de luz apagada. E assim, gente, qualquer barriga vai dobrar no sexo.
Qualquer barriga. Você quer fazer um frango assado? Vai dobrar a sua barriga. Sabe? Então, desde a infância, qualquer coisa que a gente escuta sobre o nosso corpo, sobre a gente ser inadequada, sobre falta de conhecimento que a gente tem, às vezes a gente não sabe onde tá o nosso clitóris, porque no livro de biologia da escola, a anatomia masculina tem lá o pênis. Anatomia feminina tem o útero. Ou seja, pularam uma parte.
pegaram e mostraram pra gente lá dentro. Tá, mas e aqui fora? Clitóris, cabecinha do clitóris, uretra, glândulas, vagina, glândulas da lubrificação, lábios, tanta coisa ali pra explorar, ninguém nunca ensinou. E a gente acabou aprendendo antes a masturbar um pênis do que a masturbar a vulva.
Vocês lembram de um BBB que uma das participantes colocou um OB achando que ela ia segurar o xixi? Nossa, não! Foi, tipo assim, da falta de conhecimento sobre o órgão genital. E aí o Tiago Leifert entrou e ficou... Meu Deus! E ele falou. Mas é bom, porque daí fala com o Brasil inteiro, né? Porque ela dá as provas de resistência, ela fala que eu vou pôr um OB atrás.
Nossa, eu não lembro que isso aconteceu, mas eu consigo ver isso acontecendo. Eu consigo ver, porque eu trabalho com isso, né, eu faço rodas de conversas pra mulheres, faço palestra, e eu nunca pulo a parte da anatomia da vulva. Por mais que sejam mulheres que a gente considere já muito instruídas, gente, a grande maioria não vai saber pelo menos um dos detalhes que eu trago ali.
Então eu gosto de mostrar, olha, o clitóris por dentro, o jeito que ele é, se você tá ouvindo, a gente não sabe, vai no meu Instagram que tem um monte de vídeo, que vocês conseguem ver a vulva, os modelos educativos, é super legal, porque aí você começa a ter mais autoconhecimento, e isso ajuda inclusive a gente a ter orgasmo. Por quê? Por exemplo, se eu falo pra vocês agora, e vocês que estão ouvindo, colocar a atenção no pé direito, nem precisa mexer, mas sente onde tá seu pé direito, vocês conseguem sentir? E a mão esquerda? Se ela tá mais quente, se o ar tá mais quente?
Tá, e o clitóris? Às vezes é fácil, às vezes é difícil. Se eu falo pra você que tá ouvindo agora colocar atenção no clitóris, você consegue imaginar no seu corpo onde tá o clitóris? Tá, isso é o pâncreas. É o pâncreas. Pâncreas não. Pâncreas é, inclusive. Sabe por quê? O que o nosso corpo não tocou, o que a gente não sabe direito onde tá, o cérebro não vai saber localizar.
Então, se você nunca pôs a mão no seu clitóris e falou pro cérebro, ó cérebro, aqui é meu clitóris. Quando você tá transando, você vai ter menos sensibilidade. Porque o seu cérebro não tá entendendo como processa aquilo. Então, se você tá no sexo, você tá muito distraído. Eu tenho um episódio inteiro do meu podcast sobre se distrair no sexo. Sobre como resolver. Resolver entre aspas. Porque não é a mesma resolução, mas como ajudar.
Uma das coisas que eu falo é, pensa no clitóris. Pensa, nossa, vou colocar minha atenção no clitóris. Então tá, ele tá me chupando. A língua tá passando aqui. Nossa, que legal, a língua tá passando aqui. Nossa, um dedo aqui. Quando a gente coloca atenção, gente, isso ajuda tão mais a gente a chegar lá. Porque a gente começa a sentir mais prazer do que quando a gente tá distraída. E se a gente não coloca a mão ali, a gente não sabe onde o clitóris tá.
E, um outro assunto importante, a gente não sabe se a gente tá ou não com alguma infecção.
Eu falo muito isso em outubro rosa. As pessoas vão lá e falam, ah, mamografia. Bota, mamografia não. Exame de toque. Bota a mão no peito pra ver se tem algum caroço. Outubro rosa. Meu amor, se você não bota a mão no seu peito o ano inteiro. E você vai lá no outubro rosa, botar a mão no peito. E você descobre um nódulo. Há quanto tempo ele tá lá? Não sei.
Será que ele sempre esteve lá ou será que seu peito só está duro da menstruação? Sabe, quanto menos autoconhecimento a gente tem do nosso corpo, menos a gente sabe quando a gente tem alguma infecção. Então, se você não coloca a mão na sua vulva, como você sabe se tem uma feridinha de herpes ou de HPV? Ou se está com realmente um corrimento fora do normal?
Nossa, tá sendo um corrimento de candidias e diferente. Ou eu tô com um cheiro muito forte. Se a gente não se observa, se a gente só entra no banho, passa uma aguinha ali, a gente vai ter menos autoconhecimento também pras questões de saúde, entende? Então é prazer e cuidado, assim, andam juntos.
Faz muito sentido. Bom, eu acho que a gente já pode ir para os nossos batibolas, né? A gente já tá. A gente tá encaminhando pro final e aí normalmente a gente faz uma dinâmica que é assim, pra você responder jogo rápido, perguntas que às vezes são polêmicas, às vezes vão gerar alguma coisa. É pra eu responder com uma palavra? Ai, tá bom. Eu falo muito, se eu falo pra palavra. Não.
E antes da gente entrar, a gente precisa pedir para as pessoas seguirem... Seguirem o Spotify e avaliarem com cinco estrelas a gente. Isso ajuda muito a gente a continuar produzindo conteúdo de qualidade para vocês. Oba! Isso, muito importante. Ajudem a gente. Bom, então vamos lá. Tesão começa onde? No cérebro, na cabeça, no contexto, na imaginação, é por aí. E o que mais aproxima um casal no dia a dia? Diálogo.
conversa e diálogo sincero, olhando no olho, se abrindo pra julga, opa, contrário, se abrindo pra ouvir e sem julgamentos. Desejo, espontâneo ou construído? Construído, com certeza, né? A gente falou sobre isso, precisamos construí-lo. E o que ninguém fala, mas faz muita diferença na intimidade? Na intimidade do sexo ou na intimidade de uma relação? Acho que podemos falar das duas, se você quiser.
Olha, eu acho que começar conversas com perguntas e ir pra cama com mais questionamentos do que certezas. Que legal. Acho que isso faz muita diferença, sabe? E se perguntando como é que tá meu corpo hoje, será que hoje a gente vai ser mais selvagem, será que hoje a gente vai ser mais devagar, sabe? E aberto a descobrir e não com respostas. E isso vale pra intimidade do casal também. Perguntar, você nunca sabe o que tá passando na cabeça do outro, para de pensar que você sabe. Isso é muito bom.
E um mito sobre sexualidade que você adoraria acabar? Eu tenho um. O do orgasmo pela penetração. Gente do céu, vamos abandonar a ideia de que orgasmo pela penetração é o mais válido. Porque, não é, tá? Pela nossa anatomia, a gente sabe que aproximadamente 80% das mulheres não vão ter facilidade de ter orgasmo com a penetração. Porque assim como cada pênis é diferente, cada clitóris é.
E a gente, pela penetração, a gente não tá estimulando a parte mais sensível do clitóris pra 80% das mulheres. Então, a gente fica buscando ali, buscando e falando, ai, porque eu não chego lá como eu deveria. Gata, você deveria chegar lá tocando a glândula do seu clitóris. Sabe, vamos acabar com esse mito. Ele é um mito difícil de desconstruir, mas eu queria muito que a gente desapegasse dele.
E às vezes as pessoas ficam achando que elas só, tipo, gozaram quando elas têm aquele squirt. Não tem nada a ver. Não tem nada a ver. Isso é outra coisa importante. O orgasmo feminino, ele é, entre aspas, seco. Falo entre aspas porque ele nunca é seco. Nossa vulva é úmida. Mas o orgasmo feminino, ele não sai líquido. Ele tem uma sensação de contração. De pico e relaxamento. Se você tem dúvida, se você chegou lá ou não.
É legal prestar atenção nisso. Eu tô tendo um momento de contração e relaxar? Eu tô carregando bastante tensão antes? Ou seja, eu tô tocando bastante meu corpo? Eu tô sentindo tesão? A gente pode um dia pegar um momento só e falar de orgasmo. Que é um outro papo bem longo. Mas é mais ou menos por aí. É bom esse mito, Bia, de desmontar.
legal. Em Bridgerton eles falam, né, nessa última temporada que ela fica perguntando, mas o que é chegar lá? E aí cada um me explica do jeito, é muito legal. E eles escrevem de jeito muito confuso, eu vou com dó na personagem, eu tenho vontade de falar uma gata, é assim, subiu uma tensão, você sentiu um acúmulo, deu uma contraidinha e você relaxou.
É só isso. E quanto mais a gente aprende, o que nos dá prazer mais intensa vai ser essa sensação. Mas esquece aquela coisa de berração da pornografia. Não é uma berração. De ficar berrando. Digo não, aberração. Não é de berrar.
Bom, e agora é pra nossa pergunta final. Foi muito legal bater esse papo aqui com você. A gente tem uma pergunta final que é pra você indicar três coisas pra audiência. Pode ser livro, pode ser série, pode ser restaurante, pode ser vibrador, pode ser o que você quiser. Tá, tem que ser específico. São coisas que ajudam a não surtar. Ah, legal. Tá bom. Três coisas que, vou falar, três coisas que me ajudam a não surtar.
A primeira é, ai, fui na academia, gente, fazer exercício físico. Posso indicar? Claro. Tá. A gente precisa fazer exercício físico. Se sua libido tá baixa, se seu desejo tá baixo, talvez seja porque seu corpo não está em movimento. Então isso é uma coisa que eu indico que me ajuda a não surtar. A segunda coisa é ter uma vela de massagem em casa.
Da marca que você quiser. Tem várias marcas deliciosas que fazem velas de massagem. Você chega na sua casa depois de um dia estressante. Ah, ó. Essa, na verdade, é a dica até mais completa. Dica pra não surtar. Cola a vela. Gata, um banho de 10 minutos com a luz branca do box. Demora os mesmos 10 minutos que um banho de vela.
Por que você toma banho com a luz branca do box todos os dias? Não entendo. Chega em casa, acende uma vela no seu box de massagem, acende umas outras velas. Tá no seu banho, 10 minutos, você vai relaxar muito mais. Desligou o chuveiro, se seca na toalha, pega o óleo da vela de massagem, joga no seu corpo, nos ombros, no seu peito, se massageia, fica se olhando no espelho, uma gostosa, linda, toda reluzente de óleo. Isso é uma delícia, eu faço, me ajuda a não surtar. Terceira coisa que eu vou indicar...
Ah, eu vou indicar de novo. Eu já indiquei, né? Mas o livro erótico que eu indiquei. Esse livro é o Desejo, da Gillian Anderson. Eu amo este livro. Me ajuda a não surtar também. A gente vai botar no descritivo do episódio. Eu adorei. Todas as dicas da Mari. Mari, a gente queria te agradecer. Muito obrigada por ter batido esse papo com a gente. Eu acho que a gente falou de temas muito importantes. Que às vezes, assim, passam batidos.
E é muito importante a gente falar sobre isso o tempo todo, né? Eu adorei estar aqui com vocês. Posso fazer meu Mari? Claro, já. Então tá bom.
todas as suas redes sociais, seus projetos seu cash. Adorei, obrigada obrigada pelo convite, foi um prazer estar aqui com vocês se você quer me acompanhar mais nas redes sociais é arroba mariewilliams com dois L e M que nem a Fórmula 1, que nem a Serena Williams vocês vão achar
Lá vocês têm o meu Instagram. Eu tenho um canal no YouTube também que eu falo sobre sexo e sexualidade. Faço tour em motel, tour em fererótica, tour em sex shop. É bem divertido. E eu tenho o meu podcast, Clubinho da Libido. No qual eu aprofundo em assuntos que têm a ver com a nossa libido. E também aprofundo em temas de sexualidade. Então, tem episódio só sobre desejo, só sobre orgasmo. Dá pra vocês aprenderem lá comigo.
E acho que é isso. Ah, e se você quiser marcar sessões comigo, quiser marcar terapia sexual, minha agenda tá aberta. Eu atendo online e presencialmente aqui em São Paulo. Então a agenda tá aberta pra sessões individuais, quer descobrir mais sobre sua vida sexual, tá com dúvidas, tá com queixas. E pra casais também. Tanto casais que tão tendo esses dilemas, quanto casais que querem ter uma vida sexual mais gostosa. A gente bate um papo e vamos ver o que sai da caixinha erótica de vocês.
É isso, gente. Acompanhem muito o conteúdo da Mari. É muito legal acompanhar, porque ela fala de temas, assim, importantíssimos. Exatamente. E a gente vai deixar todas as redes sociais dela aqui no descritivo. Bom, gente, então esse foi mais um episódio do Surtei. Mas tô bem. O podcast pra falar real sobre os surtos, os surtos imaginários, os quase surtos, os mini surtos e tudo mais que pode estar te atravessando por aí.
Muito obrigada por ter escutado a gente. Não esquece de nos seguir nas redes sociais, arroba surteima, se também pode. Seguir no Spotify, dar cinco estrelas, se inscrever no nosso canal do YouTube, porque isso tudo ajuda muito a gente a chegar em ainda mais pessoas, né? É isso. Muito obrigada, pessoal. E até o próximo episódio. Obrigada.
Surtei, mas tô bem. Eu sou a Beatriz Pessoa. Eu sou a Marcela Freire. E sejam bem-vindos ao nosso podcast.