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Traumas Pós Projeção Astral

22 de setembro de 202634min
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Existe um post na internet que alerta para ninguém fazer projeção astral no centro do Rio de Janeiro porque há um homem com uma cimitarra perseguindo pessoas no plano astral. É absurdo, específico e, por isso mesmo, muito engraçado.

Mas a partir dessa história surge uma pergunta séria: por que nossa mente sente tanta necessidade de transformar experiências em narrativas? Quantas vezes um silêncio vira rejeição, uma frustração vira fracasso ou uma coincidência ganha cara de destino? Afinal, não vivemos apenas os fatos, mas também as histórias que contamos sobre eles.

Nesse episódio tenho a honra de receber a Bruna Laurini (@brunalaurini_psicointegrativa) para conversar sobre como construímos essas narrativas, de que forma elas moldam nossa realidade e quando deixam de nos proteger para começar a nos aprisionar.

A Bruna também participa do livro "Inteiros para Amar", uma coletânea de histórias sobre pertencimento, perdas, coragem emocional e relações mais conscientes. Você pode conhecer a obra aqui: https://www.amazon.com.br/dp/B0H6Y88RQ5#

Participantes neste episódio1
B

Bruna Laurini

ConvidadoPsicóloga e terapeuta integrativa
Assuntos6
  • A necessidade humana de criar narrativas para explicar experiênciasbusca por respostas·diminuir angústia do não saber·preenchimento de lacunas
  • A dificuldade em separar fatos da interpretação pessoal e a busca por verdadesa verdade do paciente na terapia·múltiplas verdades·conforto na explicação ruim
  • A importância da terapia na construção de narrativas mais amplas e coerentesampliar o olhar sobre si·lidar com dificuldades·entender o que realmente pega
  • A influência de traumas e experiências passadas na interpretação da realidadefenômeno neurobiológico do trauma·vivências moldam a percepção·realidade subjetiva
  • Como narrativas repetidas sobre si mesmo moldam escolhas e identidademente não distingue real e imaginário·influência na autoestima·formação da identidade
  • O papel da ressignificação e do humor para lidar com experiências difíceisdar sentido ao sofrimento·humor como nova visão·evitar vitimização
Transcrição80 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Olá, sejam bem-vindos a mais um Disque Entende. E hoje a gente vai falar um pouquinho sobre traumas pós-projeção astral. Existe uma publicação no Facebook que diz o seguinte: não faça projeção astral no centro do Rio de Janeiro, tem um homem muito forte perseguindo as pessoas com uma cimitarra. Fui muito danificado espiritualmente e vou precisar de um tempo para me recuperar. A graça está na precisão. Existe um perseguidor, uma arma, um lugar, uma explicação completa para o sofrimento.

Mas fazemos algo muito parecido o tempo todo. Quando uma experiência nos confunde ou machuca, nossa mente preenche as lacunas e transforma o que aconteceu em uma história. Às vezes pegamos um silêncio e transformamos em uma rejeição. Uma frustração vira prova de um fracasso, uma coincidência ganha cara de destino. O fato acontece uma vez, mas a narrativa que construímos sobre ele pode continuar se repetindo por anos. Hoje a conversa é sobre isso, é sobre como criamos essas narrativas, como elas moldam a nossa realidade e quando isso deixa de ajudar para começar a nos aprisionar. Quero agradecer a presença da Bruna. Oi, Bruna!

BLBruna Laurini

Oi, Caio, tudo bem? Obrigada por me convidar de novo para estar aqui, tô muito feliz.

?Voz A

Ô, Bru, antes de começar, você quer falar um pouquinho sobre sua abordagem?

BLBruna Laurini

Bom, eu sou psicóloga, né, e eu sou também terapeuta integrativa, e eu tenho formação tanto na abordagem da psicanálise como na abordagem junguiana, que é analítica, e agora eu tenho formação no psicodrama. Então Tinha uma misturinha aí legal e gostosa.

?Voz A

Uma formação bem completa, pelo que a gente pode observar. Então ela vai poder dar essa dimensão de múltiplas camadas. Ô Bru, vamos falar sobre o que aconteceu e o que contamos que aconteceu? Por que que a nossa mente sente tanta necessidade de explicar experiências que não compreende?

BLBruna Laurini

Normalmente a gente busca coisas conhecidas, né? A nossa mente, ela tem uma— ela tende a buscar pelo conhecido, ela tende a buscar por respostas. Acho que isso é um movimento muito do ser humano. Então acho que por isso que a gente tem um pouco dessa necessidade de explicar as coisas, de querer uma resposta. É como se ter uma resposta, bem entre aspas, né, diminuísse essa angústia do não saber. É como se o não saber fosse maior.

?Voz A

E quando faltam informações, como os nossos medos, expectativas, experiências anteriores acabam preenchendo essas lacunas?

BLBruna Laurini

É importante, né, principalmente como psicóloga, eu trazer a ideia de que Essas coisas não necessariamente são inventadas, né? O fenômeno do trauma, por exemplo, ele é um fenômeno neurobiológico. Então a gente precisa entender que vai muito do que a pessoa sentiu, do que a pessoa passou, de como isso afetou ela. E a partir disso, como ela vai ver as situações dali pra frente, né? Então, pra quem tá de fora, às vezes vai achar que é tipo, nossa, essa pessoa inventou isso.

E não é isso. Porém, a partir das vivências que ela teve naquele momento, ou até mesmo lá atrás, de um trauma passado, isso meio que modifica, molda, entre aspas, aí a forma que ela tá vendo aquela situação.

?Voz A

Acho que isso até é um pouquinho como ser ator também, porque, por exemplo, pra gente construir um personagem, a gente não tem como se basear numa emoção do zero. A gente cria esse personagem a partir das emoções que a gente já sentiu. Então assim, muito nesses cursos que eu fiz era nesse viés de assim, lembra de uma dor que você sentiu? Lembra de um medo que você sentiu? Tenta projetar o rosto de tal pessoa em tal personagem.

Então assim, eu acredito que seja mais ou menos nessa mesma direção, né? Claro que eu não sou psicólogo, mas eu sou ator. Então eu percebo, pelo menos, essa simetria entre os casos.

BLBruna Laurini

Sim, não, mas é bem isso, né? Porque tudo, né, que a gente faz, principalmente essa questão que você trouxe aí de ser ator, realmente parte da sua experiência, de como foi aquilo para você. Então você atua e tem as suas emoções a partir de algo que você já viveu. Se alguém chegar para você e falar, Caio, vivencie é uma situação que envolve um sentimento que talvez você nunca sentiu, você não vai saber como fazer aquilo. Às vezes você vai até conseguir se reinventar, mas é algo mais difícil, né?

Então é realmente sempre as coisas vão a partir do que a gente já teve de experiência e como aquilo lá foi para gente. Até agora eu tô no psicodrama, e aí a gente estuda as questões das realidades, né? Tem a realidade subjetiva, que não é a realidade real objetiva que tá acontecendo, mas é como ela foi para mim, como ela tá sendo para mim, né? Então a gente tem que tomar um pouco de cuidado nisso, que é o que eu falei, de não é que a gente tá inventando uma história, né?

Por mais que seja absurdo essa notícia, com certeza é a partir de algo que essa pessoa viveu, que para ela foi uma realidade, porque foi a forma como ela sentiu.

?Voz A

E até que ponto conseguimos separar um fato da interpretação que fazemos dele?

BLBruna Laurini

Olha, essa é uma pergunta realmente muito complexa. Eu vou falar que talvez isso não seja possível, porque para pessoa é o que ela viveu, é o que ela vivenciou, e a interpretação que ela dá. Você só vai conseguir separar isso se você realmente olhar de fora. Então talvez dependeria de uma outra pessoa olhar, entender essa dinâmica e te mostrar isso, porque às vezes você sozinho não vai conseguir ter esse entendimento, porque é isso, para você aquilo é real, porque a forma que você tá sentindo e vivendo É, eu senti isso muito na terapia.

?Voz A

Quando eu comecei a fazer terapia, era sobre as coisas que eu falava eram verdade, porque era o que eu tava entendendo. Não que tinha acontecido de fato, mas era minha verdade. E era a partir disso que a gente trabalhava, sabe? O que que era para mim verdade era XYZ. Então, a partir disso, a gente tem que trabalhar esse XYZ, e não que de fato aconteceu.

BLBruna Laurini

Foi importante você falar isso, Caio, porque Na terapia é isso que a gente trabalha, é a verdade do paciente. Não é a verdade que tá lá fora, né? Então, quando o paciente traz algo pra gente, não importa o que de fato acontece lá fora. Claro, importa, mas assim, o trabalho da psicologia é dentro da verdade daquele paciente. Porque não adianta o paciente trazer algo e eu falar, não, não é isso. Se é aquilo que a pessoa tá sentindo, se é aquilo que a pessoa tá vivendo. Então, é sobre realmente a verdade do paciente, o que ele sente.

?Voz A

E por que uma explicação ruim pode parecer mais confortável do que admitir o que não sabemos?

BLBruna Laurini

Acho que entra muito naquilo que eu falei na primeira pergunta, né? Acho que o ser humano, de uma certa forma, parece que ele precisa ter alguma resposta. O desconhecido é muito ruim. Eu acho que o conhecido— e aí a gente entra nos traumas de novo— o conhecido, por ser conhecido, mesmo que ele seja um conhecido péssimo, ele pelo menos é conhecido. E o desconhecido deixa a gente muito sem saber. E aí, por exemplo, pra quem é controlador, O desconhecido é péssimo?

Como assim eu não tenho uma resposta? Como assim eu não sei o que é? Eu prefiro saber mesmo que seja algo ruim. Então mesmo que não seja uma coisa boa, para muitas pessoas, né, não vou dizer a maioria, mas para muitas pessoas é melhor saber mesmo que ruim do que não ter conhecimento nenhum, não saber nada.

?Voz A

E como perceber que estamos reagindo à nossa interpretação de uma situação e não necessariamente ao que aconteceu? Porque às vezes eu fico muito confuso sobre isso, sabe? Eu tenho a minha própria experiência de vida e tem a minha própria visualização das coisas. Só que isso acaba interferindo na realidade.

BLBruna Laurini

Olha, uma boa pergunta, e a minha resposta vai ser fazendo terapia. Brincadeiras à parte, apesar que de fato fazer terapia ajuda bastante, mas é tendo consciência de si mesmo. Acho que quanto mais a gente consegue entender, a gente consegue entender o nosso ponto, nossa forma de ver o mundo, os nossos traumas, aquilo que muitas vezes dirige a nossa vida, né? Porque às vezes o nosso trauma que tá dirigindo a nossa vida enquanto a gente não tem consciência, né?

E ir para terapia Você acaba tendo essa consciência, então você acaba sabendo o que te pega, onde é seus pontos fracos. Então quando você começa a ter um pouco mais essa consciência, que querendo ou não com a terapia vem, você consegue começar a fazer essa diferenciação. Porém ela não é necessariamente feita logo de cara. Às vezes você vai ter ali um sofrimentozinho, vai estar ali envolvido e só depois você vai parar e pensar: putz, acho que o que tá pegando aqui é minha ferida, acho que tá pegando aqui não é realmente o que tá acontecendo, acho que eu tô aqui Acho que me fazendo de vítima, acho que é minha carência. Então acho que é mais nesse sentido.

?Voz A

Sabe que pra mim isso é uma das maiores dificuldades? Porque eu sempre me sinto muito dono da razão. Do tipo, ah, isso aconteceu comigo, aí tal pessoa fez isso comigo. Acho que até isso entra um pouquinho no papel de vítima que às vezes eu me coloco. Mas é muito complicado a gente separar o que de fato aconteceu com as histórias que eu criei em volta, sabe? Às vezes a pessoa falou uma coisa muito na boa, só que eu interpretei uma coisa muito mal.

BLBruna Laurini

Sim, e assim, eu sou psicóloga, mas eu não tô imune disso não, tá? Eu também tenho minhas emoções, meus sentimentos, e a gente acaba tendo isso, porque realmente vai muito do que a gente tá sentindo e do que pega ali, né? Todo mundo tem trauma, às vezes a gente não sabe quais são, não sabe exatamente o que pega, qual é o gatilho, mas todo mundo tem, né? Então, às vezes sim, a gente vai se colocar nesse papel de vítima e tudo mais, e é muito Entrando aí de novo como psicóloga, eu me vejo muito nessa situação de às vezes pôr meus pacientes pra refletir.

Tá, mas como você acha que seria pro outro? Tá, mas será que realmente foi isso? Porque de fato a gente precisa pensar. E eu me coloco nesse papel também de tipo: Tá, eu tô sentindo isso, mas eu tô sentindo isso porque isso pega em alguma coisa minha? Isso é sobre mim? Ou isso realmente aconteceu? Eu acho que isso é uma pergunta que é muito importante. E eu gosto muito de olhar pra questão de espelhos, né? Que tá me afetando. Fala realmente do outro ou é um espelho meu do que eu preciso ainda trabalhar em mim?

?Voz A

Nossa, total. Isso de que alguém me falou isso uma vez, eu não sei se foi você ou se foi, ou se foi, eu vi em algum lugar sobre o que, ah, o que te incomoda no outro é o que tem em você, né? É muito verdade, né? Às vezes, ai, nossa, mas aquela pessoa é muito chamativa. Será que você não se acha às vezes extrapola? Sei lá, sabe? É realmente um reflexo da gente.

BLBruna Laurini

Às vezes é o que tem na gente, tem no outro e é o que incomoda, né? Não gosto disso em mim e se eu vejo isso no outro eu não vou gostar. Ou é o que falta em mim e eu queria ter e o outro tem, que também às vezes me incomoda. Então sim, é as 4 leis do espelho, a gente já olhou isso na terapia.

?Voz A

E como uma experiência isolada se transforma em frases como, ah, eu sempre estrago tudo, ninguém fica, ou isso nunca dá certo pra mim?

BLBruna Laurini

Eu não diria que é um evento isolado. Provavelmente isso já teve em outros momentos. Na verdade, vamos pensar no trauma de modo geral. Os nossos primeiros 7 anos de vida são cruciais. Então, muita coisa que acontece do 0 aos 7, e dependendo da abordagem que você for trabalhar, até mesmo antes do nascimento, né? Então, o que a mãe passa na gestação influencia. Então, alguns traumas são formados ali. E muitas vezes a gente nem vai sequer lembrar o que aconteceu quando você tinha 2 anos ou quando você tinha 2 meses.

?Voz A

Então, normal, né?

BLBruna Laurini

Na minha visão, não é que um trauma ou algo vai ser formado num ponto único ali, um acontecimento vai fazer eu ter esses tipos de pensamento. Normalmente isso vem já de algumas coisas acontecendo e isso aos poucos vai se reforçando dentro da pessoa, né, nos pensamentos dela, até que ela acredita que isso realmente é uma verdade.

?Voz A

Eu acho isso uma loucura, porque quando a gente é criança, realmente parece que a nossa mente é uma massinha, né? Qualquer coisa que acontece, a gente realmente absorve isso, sabe? Parece que não foi significativo, mas é o fim do mundo. E a gente vê até isso, por exemplo, nos adolescentes. Os adolescentes acham que qualquer coisa que acontece com eles é realmente a pior coisa do mundo. Até você começar a descobrir novas experiências, passar por esses traumas, essas dificuldades. Eu acho isso uma loucura.

BLBruna Laurini

Sim, e se a gente for ver, né, o cérebro, ele tá em desenvolvimento até os 21 anos. Então assim, se a gente for também voltar para a infância, as crianças elas aprendem vendo. Até a questão do medo. Se começa a chover, tem raio, tem trovão, a criança nunca viu aquilo, ela vai olhar para a cara da mãe e vai ver a mãe assustada, ela vai entender que aquilo não é uma coisa boa e ali começa a formar um medo. Então o medo não nasce do nada, ele foi observado, a criança observou isso em algum adulto. A criança ela aprende por imitação.

?Voz A

Nossa, eu acho isso uma loucura. Como que a mente humana funciona, né? Porque assim, realmente são os reflexos das nossas experiências, mas também isso de observação dos nossos cuidadores. É multifatorial. E aí, como que definiu quando começa esse problema e quando termina, sabe? Qual que é o começo disso e qual que é o fim disso? É uma conversa pra mais de hora, né?

BLBruna Laurini

Não, e abre muitas outras janelas, né? Por exemplo, questões culturais, né? Velório pra gente é uma coisa mais triste, pra outras culturas é algo tipo, nossa, a pessoa tá indo pra outro lugar, vamos festejar. Casamento, né, essa monogamia, não monogamia, 7 esposas. Então tudo realmente vem a partir do que a gente aprende.

?Voz A

Ô Bru, e quando repetimos uma narrativa sobre nós mesmos, ela pode acabar influenciando nossas escolhas e confirmando aquilo que já acreditávamos?

BLBruna Laurini

Infelizmente sim. Quando a gente fica repetindo muito sobre a gente, né, algo nosso, tipo, ah, eu sou ruim, eu não sou boa, Isso entra na nossa mente como algo verdadeiro. A mente, ela na verdade, ela não distingue o que é real e o que é imaginário. Tanto que quando a gente tem, por exemplo, uma crise de ansiedade, uma crise de pânico, a sensação física da pessoa é que ela tá morrendo. Mas na vida aqui, no mundo real, não tá acontecendo nada, ela não tá correndo nenhum perigo de vida.

Então a nossa mente, ela realmente não consegue distinguir. Só que se eu fico falando para minha mente que eu não sou boa, que eu sou isso, que eu sou aquilo, provavelmente as minhas escolhas vão ser recorrentes realizar isso. Se eu não me sinto boa, eu não vou fazer escolhas que realmente tenham a ver com isso.

?Voz A

E existem histórias que contamos para nós mesmos porque ainda são verdadeiras ou apenas porque já estamos acostumadas com elas?

BLBruna Laurini

Acho que toda história que a gente conta, ela tem partes que sim são reais, mas entra muito sobre a questão da memória. E aí a gente não guarda 100% da memória vivida. E aí também entra naquilo: o que a gente vive não é a realidade 100% real, porque o que a gente vive É filtrado através do que eu sinto. Então, por exemplo, se eu e você tivermos a mesma vivência, eu vou sentir de um jeito e isso vai ser armazenado no meu corpo físico e na minha memória de um jeito, que vai ser diferente de você.

E com o tempo, isso vai passando e algumas coisas vão se apagando. E outras coisas talvez vão entrando que talvez nem aconteceu naquele momento. E aí, ficou meio bagunçado. Eu gosto muito do filme do Divertidamente. Que aí tem aquelas bolinhas que tem as memórias, que algumas vão se apagando e tudo mais. Não sei se você lembra dessa cena. Então assim, as memórias elas entram nisso. E aí acho que quando a gente pensa nessa pergunta, né, de sobre as histórias que a gente conta, se elas são verdades, a minha pergunta vai ser: que verdade?

Verdade real, objetiva, subjetiva? Porque envolve tudo isso. Afinal, na verdade, quando a gente fala em verdade, que verdade que a gente tá falando? Porque existe a minha verdade, existe a sua verdade, e existe o que realmente aconteceu, que que vamos chamar aí de verdade verdadeira. Complexo, é complexo, é uma conversa assim bem complexa, porque realmente a minha verdade não tá errada, a sua verdade não tá errada, mas além disso ainda existe realmente o que aconteceu, que também é uma verdade.

?Voz A

Eu fico pensando nisso sobre como que eu vou saber se eu tô certo, se eu tô errado. Realmente acho que não dá para saber, porque existe realmente várias verdades.

BLBruna Laurini

Sim, e se eu for entrar, por exemplo, na manchete aí, na informação que trouxeram do que que era que falaram?

?Voz A

Foi projetada astralmente no sentido do Rio de Janeiro.

BLBruna Laurini

Dependendo das crenças que ela tem, para ela vai ser real. Então às vezes ela vai ver uma luz diferente vinda do poste, e pode ser que ela, né, a gente imaginando racionalmente, mas pode ser que para ela realmente seja, e tá tudo bem, porque isso cada um vai ter uma experiência diferente, né. Não tô dizendo que a pessoa viajou e que ela inventou, mas é o que ela sente. Tem tantas pessoas aí que, por exemplo, tomam ayahuasca, usam algumas outras coisas, que tem experiências E não que elas sejam mentiras, mas para quem olha de fora vai falar, meu, tá doido! Mas para ela foi real, e é isso que importa.

?Voz A

É verdade. Como que você sabe realmente? Ah, não, porque a ciência ainda não explica X coisa, quer dizer que ela é mentira? Não, só quer dizer que ainda não foi descoberto tal coisa. Por exemplo, as ondas de rádio, elas não eram explicadas até, sei lá, poucos anos atrás. E aí a gente começou a usar essas ondas de rádio, agora a gente meio que domesticou essas ondas. Mas assim, antes a gente não tinha como perceber se elas eram verdade ou não.

A gente demorou um tempo para poder descobrir isso. É a mesma coisa dessa projeção astral. Como eu vou falar que a projeção astral é uma mentira? Talvez daqui alguns anos seja verdade, descubram através da ciência que é tal XYZ coisa.

BLBruna Laurini

Exato. E eu, além de psicóloga, né, sou terapeuta integrativa, eu trabalho com Reiki, né? Então eu dou curso de Reiki, e Reiki é uma terapia energética. Quando eu estou aplicando Reiki, eu sinto coisas. Eu falo entre aspas que eu vejo, eu não vejo com o olho, é modo de dizer que eu sinto algo. Então assim, eu vou falar isso para algumas pessoas, as pessoas também não vão acreditar, mas eu sei o que eu tô sentindo. E quando eu converso com um paciente, bate com o que o paciente tá vivendo.

Então assim, para mim isso é uma verdade, para o paciente é uma verdade, mas para quem tá de fora e acha que isso é balela, eu tô inventando, ou sei lá, não acredita, enfim, falo que tipo, qual verdade você quer se referir?

?Voz A

E o que é fato é que realmente melhora pra pessoa. Então, se a pessoa que tá recebendo esse reiki se sente melhor, então não é válido isso?

BLBruna Laurini

Com certeza, com toda certeza.

?Voz A

E quanto da nossa identidade vem do que vivemos e o quanto vem da forma como organizamos nossas experiências?

BLBruna Laurini

Me arrisco a dizer que de ambos, porque a nossa identidade ela realmente vem do que a gente vive. A gente vai formando a nossa identidade conforme a gente vai tendo as nossas vivências. Porém, a forma que a gente organiza isso dentro da gente, né, através das nossas experiências, isso também conta, né? Por isso que a gente vai amadurecendo. Quando a gente é criança, a gente, né, tá ali nas vivências ainda de sobreviver, de aprender, nananã.

Conforme a gente vai ficando adulto e amadurecendo, a gente começa a organizar essas experiências, entendendo melhor essas experiências, ressignificando algumas experiências ruins. Então, acho que Ambos fazem parte aí da gente montar a nossa identidade. Acho que não que a gente monta ela, né, mas ela se forma através das duas coisas.

?Voz A

E sobre isso das histórias, criar uma história sobre o que vivemos também pode ser uma forma saudável de elaborar uma experiência?

BLBruna Laurini

Com certeza. Bom, já falei, né, sou das integrativas. Tem um documentário que chama O Poder da Palavra, se eu não me engano. Eu acho que é esse mesmo nome. E ele fala muito sobre essa questão da gente falar coisas positivas. É um teste, né, o documentário fala sobre um teste de um cara que ele fez o teste com a, como se fosse copos com água, e cada copo era uma água destilada, cada copo ele colocou uma palavra. Então ele pôs amor, paixão, paz, e nos outros copos guerra, ódio, e congelou essas águas.

Conforme ele tirou do congelador e foi analisar as moléculas de água, elas tinham desenhos diferentes. Sendo que as palavras amor, paz, naná tinham molécula, desenhinhos bonitinhos da molécula, e as palavras de ódio, guerra tinha desenhinhos feios. Então assim, a história que a gente conta, não só a história, mas o que a gente fala sobre nós mesmos ou o que a gente fala para o mundo, que a gente reverbera na palavra, isso influencia demais.

Então assim, isso ajuda muito ou a gente ter uma vida mais saudável ou não. E isso entra de novo, entra no quanto eu acredito. Se eu não acredito, isso não é uma verdade para mim. E tudo mais, mas acho que a forma que a gente fala de nós e da nossa vida é a mesma coisa, sabe? Não pensando só em energia, mas se eu tento ver mais o lado positivo das coisas que acontecem na minha vida, eu vou ter uma vida mais saudável. Óbvio que acontecem coisas ruins, mas aonde eu estou colocando o meu foco?

Se eu estou colocando o foco no, ai, bati a mão ali, ai, nossa, hoje acordei cansada, e não olhar as partes boas que tá tendo no meu dia, eu vou sempre estar nesse olhar mais negativo. Então não é só questão de crença de energia ou não, mas também se eu estou realmente pondo foco no que é bom.

?Voz A

Isso de criar histórias, a Bruna tá de prova que a Bruna era minha psicóloga. Ela sabe o quanto eu gostava de criar histórias para poder contar alguma coisa. Então às vezes eu queria descrever algum sentimento complexo e eu gostava de inventar uma historinha. Então, ai, o Joãozinho foi, fez tal coisa, para que eu pudesse me fazer claro, sabe? Não era nem sobre ela entender, mas sobre eu conseguir me expressar. Isso de criar história para mim é muito útil.

E acho que você tá no psicodrama agora, certo? E recentemente eu assisti o filme Backrooms. Eu não sei se você teve oportunidade de ver, mas tem uma psicóloga que— a psicóloga do cara do Backrooms, ela faz essa dinâmica de interpretação também. Então é muito interessante também.

BLBruna Laurini

Sim, é muito legal. O bom do psicodrama é que você pode, né, a gente chama do palco, né, que a gente sobe no palco e vivenciar coisas. E ali realmente a gente pode vivenciar tudo. E agora que você trouxe essa questão da história, eu lembrei das nossas sessões. Eu lembro que a história também ajudava a gente, né, no caso me ajudava a trabalhar com você sobre algumas questões. Lembra, por exemplo, do castelo que a gente—

?Voz A

sim, sobre autoestima eu falava que a gente tinha um castelo. Então assim, eu conseguia falar para Bruna como eu me sentia e ela conseguia também falar como eu deveria ajeitar o meu castelo, arrumar meu castelo.

BLBruna Laurini

Sim, então as histórias elas ajudam. E eu particularmente, como você sabe, gosto muito de metáforas também, né? Então eu também uso muito essas histórias, metáforas. Às vezes eu trago questões, né, de outras pessoas também para você ter um olhar de fora. Então as histórias, elas realmente são importantes. A questão é realmente como que você quer olhar para elas, com olhar negativo, com olhar positivo, vendo o que tem de bom, ou realmente focando no que tá acontecendo de ruim.

?Voz A

E dar sentido ao sofrimento ajuda a atravessá-lo ou pode fazer com que a gente force uma lição que não existe?

BLBruna Laurini

Dá sentido a um sofrimento? É importante, acho que ajuda sim a gente atravessar, mas a gente tem que tomar cuidado como que a gente vai fazer isso, porque também não vale a pena a gente pôr o paciente ou a própria pessoa querer fazer isso e ficar remoendo aquele sentimento, né, aquela dor, aquele sofrimento, porque aí você não sai daquilo. Se você entra para ressignificar, se você entra para vivenciar ele e entender o porquê ele tá ali e depois deixa ele ir, ótimo, perfeito, é isso.

Agora, se você entra e traz e fica se forçando a estar naquilo, aí realmente não faz o menor sentido, que só realmente vai aumentar essa dor.

?Voz A

E, por exemplo, o humor, você acha que pode nos ajudar a olhar essa experiência difícil com uma nova visão?

BLBruna Laurini

Com certeza. Acho que entrando no que a gente tava falando do pessimismo e do otimismo, né? Se eu tô com humor bom, obviamente eu vou olhar tudo com mais tranquilidade, alegria, né? Parece que tudo vai estar bom, né? Tem até pessoas até que sentem raiva daquelas pessoas que são super otimistas, Good vibes o tempo todo. Não que isso também seja positivo, né? Acho que tudo é equilíbrio. Mas a forma que a gente tá com certeza influencia.

Tanto que com certeza todo mundo aqui que já tá ouvindo já deve ter passado por isso. Às vezes você não está bem e aí você escuta algo ou lê algo com a interpretação do humor que você tá. E muitas vezes nem era aquilo que realmente tava acontecendo. Então o humor, ele influencia bastante.

?Voz A

Eu vejo, por exemplo, em populações LGBTs. Eu não sei se você já foi em algum show de stand-up de alguma drag. Mas as drags fazem muito isso, elas tiram sarro delas mesmas e das outras. Por exemplo, tem aquele programa Caravana Drag, que é sobre isso, é sobre usar o humor pra poder falar sobre experiências ruins que passaram, mas de uma forma positiva. Então assim, realmente é esse enfrentamento dessa dor através do humor. Então é muito bacana a gente ter esse mecanismo, né, diferente.

BLBruna Laurini

Sim, acho que assim, você usar o humor pra atravessar um sofrimento, ele é válido se ele trouxer ensinamento. Porque se for só pra você ficar se diminuindo, porque também tem essas pessoas Tem muitas pessoas que têm uma autoestima baixa e usa das dores para fazer piadas de si próprio, mas no sentido de realmente se rebaixar e não de estou trazendo humor, mas porque eu aprendi com isso, né? Então também temos que tomar esse cuidado.

?Voz A

E como uma narrativa pode devolver a sensação de continuidade, controle, depois de que algo rompeu a nossa vida?

BLBruna Laurini

Vou arriscar aqui, né, numa resposta, e ao meu ponto de vista, tá? Não vou pôr como uma verdade absoluta. Mas eu acho que a narrativa, e acho que eu vejo isso muito no consultório, e acho que você vai entender, é falar sobre ajuda a gente a elaborar também. Então quanto mais a gente narra aquilo, mais fala sobre aquilo, às vezes pode até parecer que é repetitivo, mas quanto mais a gente vai falando, parece que o falar, a gente se escuta, e contando essa história às vezes mais de uma vez ajuda a gente a elaborar isso e e entender que realmente a coisa tá acontecendo, tá indo, né, às vezes não do jeito que a gente quer, mas tá tendo uma continuidade, a gente tá entendendo o que tá acontecendo.

Então a hora que você fala do controle, talvez é isso, um controle ali de, tá, eu sei o que tá acontecendo, tô entre aspas aí num controle. Então acho que a narrativa ela ajuda aí nisso, é para a gente conseguir realmente ir seguindo e digerindo o que tá acontecendo.

?Voz A

Mas e quando começa a limitar a vida da pessoa?

BLBruna Laurini

Eu acho que quando ela limita é quando a pessoa entra num vitimismo, num sentido de só focar naquilo e esquecer que existem outras coisas na vida dela. É como se a vida dela se resumisse somente naquela narrativa, não existe outras coisas acontecendo na vida dela, só existe aquela dor ou aquele acontecimento. E aí realmente isso acaba limitando a vida dela, porque parece que a vida dela se resume somente naquele episódio, naquele acontecimento.

Então a gente tem que tomar esse cuidado para não ficar só naquilo e não ver o que tá ao nosso redor. Enfim, a nossa vida ela segue independente do que tá acontecendo.

?Voz A

Então essa vitimização, você acredita que seja um fator de algumas histórias sobreviverem mesmo quando esses fatos já não combinam mais com elas?

BLBruna Laurini

Não sei se eu colocaria apenas vitimismo e também não sei se seria essa a palavra exata. Mas quando a gente pensa, né, que as histórias elas sobrevivem mesmo quando não combina mais com o que a pessoa tá sentindo, às vezes é porque a própria pessoa não quer resolver aquilo, tipo, não quer aceitar que aquilo já não existe ou já não tá mais afetando. Mas ela ficou tão confortável naquilo, ou aí vamos colocar aí, é tão bom ser vítima disso mesmo que isso já nem esteja mais me afetando, que eu não quero fazer nada sobre isso.

Não tô falando que é todo mundo, tá, gente? Tô assim indo para um lugar extremo. Mas é isso, a gente às vezes não quer enxergar que a vida mudou, que as coisas melhoraram, porque tá confortável, né? É o conformismo, é o cômodo, né?

?Voz A

Sabe o que que eu penso sobre isso? Por exemplo, quando um relacionamento termina e você não aceita que terminou, e aí você continua falando e falando, falando dessa dor, dessa experiência, por anos a fio, porque você não quer resolver. Para mim é meio isso, né? Tipo, é querer continuar com essa narrativa, continuar sempre essa história de, ah, eu sofri isso e foi horrível. Sim, você sofreu e foi horrível, mas e aí, qual que é o próximo passo?

Você não conseguiu tentar conhecer ninguém? Você tentou, não tentou falar isso na terapia? Sei lá.

BLBruna Laurini

Perfeito, Caio, é exatamente isso, é exatamente isso. E às vezes, tipo, você nem tá mais sofrendo, mas você ainda quer falar daquela dor que você sofreu lá atrás.

?Voz A

Podemos reescrever nossa história sem apagar nada? É possível mudar a história que contamos sem negar a dor ou fingir que o passado nunca aconteceu?

BLBruna Laurini

Ou a gente pode até tentar fingir que o passado não aconteceu, mas não dá, né? É meio só você bater com a cabeça e esquecer mesmo, porque esquecer é muito difícil, não tem como apagar. A gente pode fingir que não lembra, a gente pode negar que aconteceu, mas aconteceu e as memórias existem. A não ser que seja algo extremamente traumático, e aí a gente entra aí num sentido de um recalque da psicanálise, que é realmente você recalcar uma informação, tipo um trauma muito forte, porque o seu inconsciente não quer que você lembre.

A não ser em situações extremamente assim de traumas muito fortes, não tem como a gente esquecer, apagar o que aconteceu. Então é possível a gente mudar a nossa história, com toda certeza, mas a partir do que ela, do que a gente já tem, né? Então a gente pode mudar daqui para frente, mas o que aconteceu no passado a gente tem o poder de ressignificar. A gente pode revisitar para olhar de uma forma diferente, para que a gente consiga construir algo melhor no futuro, né, daqui para frente.

Mas não que isso vai mudar o que aconteceu. Então não tem como eu, ah, por exemplo, sofri um abuso, tem como eu mudar isso? Infelizmente não. O que vai mudar é como eu estou lidando, como eu vou lidar com isso e como eu vou olhar para isso.

?Voz A

E o que significa ressignificar uma experiência na prática?

BLBruna Laurini

Você pode ressignificar de várias formas, né? Eu acho que cada abordagem vai trazer isso de uma forma diferente, mas de modo geral, ressignificar é realmente trazer um significado diferente para aquilo. Parece muito vago, sabe? Mas o ressignificar, ele entra muito no trazer outro significado, e isso vai depender de cada um. Então cada um vai ressignificar de uma forma, mas é tentar olhar, né, de modo geral aí, dando uma explicação bem geral, é tentar olhar as coisas de uma forma mais leve, talvez Mas, por exemplo, um trauma, um abuso, né, não é fácil você olhar para um abuso e falar, ah, tá tudo bem, fui abusada.

Mas é tentar olhar outras coisas que tem. A gente precisa trabalhar na terapia para ver o que pode tirar. É difícil falar isso, mas tirar de bom disso. Óbvio que a gente não vai falar, nossa, aconteceu isso de bom. Mas é tentar trazer, por exemplo, aprendizados, outras coisas que aconteceram a partir disso. Então não é o fato em si, mas outras coisas que aconteceram também ali devido àquilo. Ou a partir junto com aquilo, enfim, que também não necessariamente foi ruim.

?Voz A

E quando mudamos de interpretação, estamos nos enganando ou reconhecendo que existem outras leituras possíveis?

BLBruna Laurini

Com certeza reconhecendo que tem outras leituras possíveis. Até entra no que a gente tava falando sobre as verdades. Existe a minha verdade, existe a sua verdade. Então cada um vai realmente interpretar de outra forma. E às vezes nós mesmos podemos interpretar algo mais de uma forma, né? Não precisa ser somente uma e só aquela é a correta.

?Voz A

E qual que é o papel da terapia na construção de narrativas mais amplas sobre nós mesmos? Meu Deus, Caio, agora é hora de você vender seu peixe.

BLBruna Laurini

Ai, meu Deus, eu não sou muito boa nisso não. Eu vou dizer que é fundamental, mas também não vou mentir e falar que somente com a terapia você vai fazer isso, tá? Mas Eu ponho como fundamental porque realmente ajuda muito. E não falo porque eu sou terapeuta, tá? Porque eu fui na terapia desde criança e eu acho que isso me ajudou muito. Eu fui na terapia por conta de medo de chuva e isso mudou muito assim na minha vida. Acho que foi até aí quando eu me apaixonei em ser psicóloga.

Então eu acho que quando a gente vai construindo outras narrativas, né, quando a gente olha pra gente e vai percebendo várias narrativas sobre nós mesmos, Isso amplia o olhar sobre nós. E aí acho que, né, já não querendo ser muito repetitiva, mas quanto mais a gente conhece da gente, mais a gente consegue lidar com as dificuldades, principalmente com as dificuldades, porque a gente consegue entender o que realmente tá pegando, onde tá pegando.

E aí as narrativas conseguem ser muito mais coerentes e mais perto da realidade, a realidade real, do que a nossa realidade ali talvez subjetiva que a gente acha que que é devido a algo que a gente tá sentindo.

?Voz A

Qual a história que você continua se repetindo mesmo depois de ter deixado de explicar quem você é?

BLBruna Laurini

Bom, eu vou ameaçar dizer que a história, acho que o que eu mais continuo repetindo para mim é a minha com os cavalos, porque desde criança eu tenho esse amor. E por mais que às vezes teve um tempo que acho que isso ficou um pouco mais caladinho dentro de mim, Mas isso é uma coisa que nunca mudou desde que eu me conheço por gente, minha paixão com os cavalos, minha conexão com os cavalos. Várias coisas mudam, às vezes é o que eu falei, fica um pouco mais longe, mas a história em si, a narrativa em si continua a mesma.

Acho que na verdade eu só acrescento mais coisas maravilhosas nela, mas essa narrativa me segue acho que desde que eu nasci.

?Voz A

Eu me sinto assim sobre a arte, eu acho que eu coloco a arte como essa casa que eu posso voltar e construir novas unidades, talvez Talvez. Então eu acho que eu faço isso muito também, faço muito esse movimento.

BLBruna Laurini

Você trouxe, né, de essa casa que eu posso voltar. E a hora que a gente se encontrou, você falou do livro, né? E o meu livro, que eu participei, né, eu sou coautora de um livro, e eu falo muito sobre isso. E eu uso os cavalos também, eu uso sobre a gente voltar para nossa casa, nossa casa interna, né, da gente se reconectar, da gente se encontrar. Então acho que é realmente bem isso.

?Voz A

Ai, que bonito! Você quer falar um pouquinho do seu livro?

BLBruna Laurini

Ai, podemos! Lançou faz pouco tempo, né? Chama Inteiros para Amar. Eu sou coautora, então tem um capítulo lá que eu trago um pouco da minha história. É um livro com várias histórias das pessoas e várias nesse sentido de você voltar para si, de se reencontrar, de você ser inteira com você mesma. Então foi uma experiência muito legal, eu gostei bastante. E recomendo aí quem quiser ler, tá disponível já na Amazon. Eu ainda tenho alguns exemplares físicos, mas é isso. Obrigada, Caio!

?Voz A

Muito obrigado, Bru, e agradeço vocês também, ouvintes mensais que estão sempre me acompanhando. E até semana que vem!

BLBruna Laurini

Até, tchau!

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Inteiros para Amar

Coletânea de histórias sobre pertencimento, perdas, coragem emocional e relações mais conscientes
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